Por que, por quê, porque ou porquê? Junto, separado, com acento, sem acento?
I) POR QUE
1. Por que = preposição + pronome interrogativo
Nas construções interrogativas, tanto diretas quanto indiretas, essa expressão –
constituída da preposição por seguida do
pronome interrogativo que – é escrita separadamente.
Por que você não me avisou? (interrogativa direta)
Explique-me por que você não me convidou. (interrogativa indireta).
O interrogativo que pode ter um valor adjetivo, acompanhando palavras como causa,
razão, motivo, etc. Nesses casos, será
substituível por qual.
Obs.: Em Portugal, por que é grafado porque, sem espaço.
Ex.: Por que razão ele não veio? = Por qual razão ele não veio?
O mais comum, no entanto, é que essas palavras permaneçam subentendidas,
equivalendo o pronome que, agora com valor
substantivo, às expressões qual causa, qual razão, qual motivo.
Ex.: Por que ( ) ele não veio? = Por qual razão ele não veio?
O mesmo se verifica nas construções interrogativas indiretas.
Exs.: Procure saber por que razão ele não veio. = Procure saber por qual razão ele
não veio.
Procure saber por que ( ) ele não veio. = Procure saber por qual razão ele não veio.
Como os demais pronomes interrogativos, esse por que pode ser reforçado pela
expressão é que, por vezes duplicada, em
registros mais informais:
Exs.: Por que é que ele não veio?
Por que é que é que ele não veio?
Procure saber por que é que ele não veio.
2. Por que = preposição + pronome relativo
O elemento ao qual se vincula o pronome relativo que (palavras como razão, causa,
motivo) pode ocorrer de forma implícita
(a) ou explícita (b). Nesses casos, esse que pode ser substituído por o/a qual ou os/as
quais.
Ex.: (a) Procuramos saber (as razões) por que ele não veio. (por que = pelas quais)
(b) Não ficou claro o motivo por que desistiram do negócio na última hora. (por que =
pelo qual)
Estavam em péssimas condições as estradas por que passamos.
Não há ( ) por que desistir.
3. Eis por que, daí por que, não há por que
Em construções com essas expressões, o que é pronome relativo, sendo seu
antecedente palavras como causa, razão, etc., as quais
permanecem implícitas.
Eis por que desisti da viagem. = Eis (a razão) por que (= pela qual) desisti da viagem.
Daí por que não vim trabalhar. = Daí (o motivo) por que (= pelo qual) não vim trabalhar.
Não há por que errar a grafia desse porquê. = Não há (razão) por que (= pela qual)
errar a grafia desse porquê.
4. O por que em títulos
Em títulos de livros, filmes, artigos, etc. – sem ponto de interrogação –, o que da
expressão por que, pode ser visto como
pronome interrogativo ou como pronome relativo. No primeiro caso, entendem-se
esses títulos assim: Este artigo (ou livro, etc.)
explica/indaga/narra por que é que... No segundo caso, a interpretação é: Este artigo
ou livro explica/indaga/narra as causas
(razões, motivos) por que... (isto é, pelas quais).
Assim, o título de um artigo como
“Por que alguns grandes clubes de futebol ficam anos sem ganhar campeonatos”
pode ser entendido como
“(Este artigo explica, expõe, esclarece) por que (é que) alguns grandes clubes de
futebol ficam anos sem ganhar
campeonatos”
ou
“(Este artigo apresenta, expõe, esclarece as razões) por que (isto é, pelas quais)
alguns grandes clubes de futebol ficam anos
sem ganhar campeonatos”
Por que me tornei vegano é um livro que protesta contra as crueldades a que são
submetidos os animais que nos servem de
alimenhto.
Explico aqui por que é que me tornei vegano. (interrogação indireta)
Apresento aqui as razões por que (pelas quais) me tornei vegano.
5. Preposição + conjunção integrante, em construções em que por é regido por (a)
verbo ou (b) nome transitivo, sendo
geralmente substituível por para (por que = para que + Subjuntivo):
Lutamos por que haja mais justiça]. (lutar por...) Lutamos para que haja mais justiça.
Havia uma ânsia por que as coisas mudassem. (ânsia por...) Havia um desejo de que
as coisas mudassem.
Estava ansioso por que chegasse o grande dia. (ansioso por...) Estava interessado em
que chegasse o grande dia
II) (POR) QUÊ
1. Pronome interrogativo ou relativo em final de frase ou antes de pausa forte (. ? ! ... :)
Por que parou? (X Parou por quê?)
Ficou calado o tempo todo. Não entendi por quê.
Estava triste, mas não havia por quê.
Tinha visto alguma coisa, mas não sabia o quê...
***
III) PORQUE
1. Conjunção coordenativa explicativa
Quando precedido de pausa (vírgula, ponto e vírgula, ponto final), equivalendo a pois,
uma vez que, etc.
Vá de táxi, porque você vai beber. Choveu esta noite, porque o chão está molhado.
2. Conjunção subordinativa causal
Equivale a pela causa/razão de que ou pelo fato/motivo de que.
Ele não foi ao debate porque estava com medo ou porque não tinha o que dizer?
(Mas) Ele não foi por quê?
Compare:
Eu não voto nesse candidato porque ele é execrável.
3. Conjunção subordinativa final
Em orações com verbo no subjuntivo, hoje em desuso, pois, com essa função, é mais
utilizada a locução para que:
Não veio, porque não lhe acontecesse alguma desgraça. (porque = para que, a fim de
que)
IV) O PORQUÊ DE ... (substantivo)
A palavra porque, determinada por artigo ou outro determinante (numeral, pronome,
adjetivo, etc.) e, quase sempre,
regendo a preposição de é substantivo e como tal se comporta, admitindo, por
exemplo, a pluralização. Na “moldura” destacada a
seguir, entre colchetes, porque – aliás, porquê – é intercambiável com os substantivos
motivo, causa, razão, que também regem a
preposição de.
[o ... de ...]
o porquê de ele não ter vindo = o motivo de ele não ter vindo
o porquê da briga = a motivação da briga
os porquês disso tudo = as razões disso tudo
o porquê dessa confusão = a causa dessa confusão
Ex.: Ignora-se o porquê de eles terem desistido do negócio. (o porquê de = a causa
de)
Usado intransitivamente (sem a preposição de), equivale a pergunta, indagação,
questionamento. (Ex.: Quantos porquês!)
Ex.: Por qual razão tudo junto se escreve separado e separado se escreve tudo junto?
Eis alguns de meus porquês. (meus
porquês = minhas indagações)
Nesse último exemplo, melhor seria se grafássemos “por quês”, por se tratar da
substantivação do por que interrogativo, do
mesmo modo que ocorre com “para quê” na expressão sem quê nem para quê (sem
motivo nem finalidade) em construções como:
Sem quê nem para quê, começou a esbravejar.
Atente-se para a diferença: O documento era todo muito nebuloso e continha mais por
quês do que porquês. Além disso,
os por quês eram tão incompreensíveis quanto os porquês.
No que se refere ao acento gráfico, este se justifica pelo fato de tratar-se de um
vocábulo oxítono terminado em e.
REGRA GERAL (PRÁTICA)
Os casos III.1 e III.2 (III.3 não, por se tratar de forma em desuso) sugerem uma regra
única, muito prática para resolver
qualquer dúvida:
Escrever porque, junto, quando o sentido é 'pois', ou 'pelo fato de que'; nos demais
casos, escrever separado, e, no fim da
frase, com acento. Porquê é um substantivo com o sentido de 'causa, razão, motivo'
ou 'pergunta'. É pluralizável: porquês.
ATIVIDADES:
1. O texto a seguir deverá ser revisado, tendo em conta a modalidade brasileira do
português, após a vigência
do padrão ortográfico previsto no Acordo de 1990.
Porque não sou cristão
(Bertrand Russell)
As objecções contra a religião, são de duas espécies:
intelectuais e morais. Intelectuais, por que não há
qualquer razão para supôr que alguma das religiões
seja verdadeira; morais, por que os preceitos morais
remontam à uma época em que se era mais cruel do
que actualmente e por que as religiões tendem a
perpectuar as crueldades que à nossa consciência
reprova.
Comecemos pelas objecções intelectuais. Existe uma
tendência, nesta época pragmática, a afirmar que não
importa saber se os ensinamentos da religião são
verdadeiros ou falsos, mas apenas, se são úteis. No
entanto, esta última questão não pode ser resolvida
sem que a primeira o seja. Se acreditarmos na
religião cristã, o nosso conceito de Bem, será
diferente do que teriamos se não fossemos crentes.
Essa a razão porque, para os cristãos, os efeitos do
Cristianismo podem parecer bons, enquanto que para
os não-crentes se apresentam como maus. De resto,
o sofisma que se usa ao adquirir tal ou qual
proposição sem se procurar saber se existe qualquer
prova a seu favor, é pouco favorável à investigação
da verdade.
Porque não sou cristão é um livro que coloca ao
leitor questões que nunca mais poderão ser
ignoradas. E que é considerado um dos mais
blasfemos documentos filosóficos jamais escritos.
Se a religião fornece respostas à perguntas que
sempre atormentaram à humanidade – porque
estamos aqui, qual a razão da vida, como devemos
nos comportar –, Russell dissipa esse conforto,
deixando-nos com alternativas mais perturbadoras:
responsabilidade, autonomia e consciência do que
fazemos.
2. Revise os parágrafos a seguir:
Por que
Por que (separado e sem acento), se utiliza no meio das frases. Pode ser a junção da
preposição por com o
pronome relativo que ou com o pronome interrogativo que, apresentando assim, dois
empregos diferentes.
Sendo pronome interrogativo significa: por qual motivo, por qual razão. Sendo
pronome relativo significa:
por qual ou pelo qual.
Por quê
Por quê (separado e com acento) é utilizado apenas final da oração, seguido de um
sinal de pontuação. É a
junção da preposição por com o pronome interrogativo tônico quê. Significa por qual
motivo, por qual razão.
O pronome quê também é tônico e acentuado nas expressões de quê e para quê.
Porque
Porque (junto e sem acento) é utilizado em respostas e significa, pois, uma vez que,
visto que, dado que, por
causa de, pelo motivo de,... É uma conjunção subordinativa causal ou explicativa que
une duas orações.
3. Assinale a alternativa que preencha CORRETAMENTE as lacunas, na ordem em
que aparecem.
Não entendo _____ você deixou tudo em branco. Parece que é _____ você não sabe
a matéria.
a) por que – porque
b) porque – por que
c) porque – porque
d) por que – por que
4. Examine as frases a seguir e assinale a alternativa CORRETA.
I. Por que deixar de lado uma causa porque lutamos há tanto tempo?
II. Ninguém sabe o porquê dessas medidas.
III. Ele vivia tranquilamente, porque tinha uma grande herança.
IV. O governo não liberou as informações ainda, não se sabe porquê.
V. A estrada por que viríamos estava interditada, mas não sabemos por quê.
VI. Sabe por que sou feliz? Porque faço o que gosto.
a) As frases I, II e VI são as únicas corretas.
b) As frases I, III e V estão corretas.
c) Na frases II e IV, a palavra “porquê” é um substantivo.
d) Apenas as frases IV e VI estão corretas.
e) As frases II, III, V e VI estão corretas.
5. Assinale a alternativa que apresente as palavras que completam CORRETAMENTE,
na ordem em que
aparecem, as lacunas das três frases a seguir.
I. O hotel _______ me decidi foi um dos mais baratos.
II. Não há nenhum ________ sem resposta.
III. As razões _________ não falou não ficaram claras.
IV. Não falou ___________?
a) I. por que; II. por quê; III. porque; IV. porquê.
b) I. por que; II. porquê; III. por que; IV. por quê.
c) I. porque; II. por que; III. porque; IV. por quê.
d) I. por que; II. porquê; III. por que; IV. porque.
6. Revise: A medida inviabilizou o funcionamento formal de todos fabricantes de
tubaína. É fácil saber
porque. Suponhamos uma aliquota de 20%. Sobre um litro de bebida vendida à R$
1,50, significava 13,33%.
Sobre um litro de tubaína, vendido a 80 centavos, significava 25%.
Respostas:
1. O texto a seguir deverá ser revisado, tendo em conta a modalidade brasileira do
português, após a vigência
do padrão ortográfico previsto no Acordo de 1990.
Porque não sou cristão
(Bertrand Russell)
As objecções contra a religião, são de duas espécies:
intelectuais e morais. Intelectuais, por que não há
qualquer razão para supôr que alguma das religiões
seja verdadeira; morais, por que os preceitos morais
remontam à uma época em que se era mais cruel do
que actualmente e por que as religiões tendem a
perpectuar as crueldades que à nossa consciência
reprova.
Comecemos pelas objecções intelectuais. Existe uma
tendência, nesta época pragmática, a afirmar que não
importa saber se os ensinamentos da religião são
verdadeiros ou falsos, mas apenas, se são úteis. No
entanto, esta última questão não pode ser resolvida
sem que a primeira o seja. Se acreditarmos na
religião cristã, o nosso conceito de Bem, será
diferente do que teriamos se não fossemos crentes.
Essa a razão porque, para os cristãos, os efeitos do
Cristianismo podem parecer bons, enquanto que para
os não-crentes se apresentam como maus. De resto,
o sofisma que se usa ao adquirir tal ou qual
proposição sem se procurar saber se existe qualquer
prova a seu favor, é pouco favorável à investigação
da verdade.
Porque não sou cristão é um livro que coloca ao
leitor questões que nunca mais poderão ser
ignoradas. E que é considerado um dos mais
blasfemos documentos filosóficos jamais escritos.
Se a religião fornece respostas à perguntas que
sempre atormentaram à humanidade – porque
estamos aqui, qual a razão da vida, como devemos
nos comportar –, Russell dissipa esse conforto,
deixando-nos com alternativas mais perturbadoras:
responsabilidade, autonomia e consciência do que
fazemos.
2. Revise os parágrafos a seguir:
Por que
“Por que” (separado e sem acento), se utiliza no meio das frases. Pode ser a junção
da preposição “por” com
o pronome relativo “que” ou com o pronome interrogativo “que”, apresentando, assim,
dois empregos
diferentes. Sendo pronome interrogativo significa: por qual motivo, por qual razão.
Sendo pronome relativo
significa “por qual” ou “pelo qual”.
[Para facilitar a leitura, pode ser útil destacar os itens mencionados com aspas ou
algum destaque gráfico,
como a seguir.]
Por quê
Por quê (separado e com acento) é utilizado apenas ao final da oração, seguido de um
sinal de pontuação. É
a junção da preposição por com o pronome interrogativo tônico quê. Significa por qual
motivo, por qual
razão. O pronome quê também é tônico e acentuado nas expressões de quê e para
quê.
Porque
Porque (junto e sem acento) é utilizado em respostas e significa, pois, uma vez que,
visto que, dado que, por
causa de, pelo motivo de,... É uma conjunção subordinativa causal ou explicativa que
une duas orações.
3. Assinale a alternativa que preencha corretamente as lacunas, na ordem em que
aparecem.
Não entendo _____ você deixou tudo em branco. Parece que é _____ você não sabe
a matéria.
por que – porque
4. Examine as frases a seguir e assinale a alternativa correta.
I. Por que deixar de lado uma causa porque (pela qual) lutamos há tanto tempo? F
II. Ninguém sabe o porquê (a causa dessas...) dessas medidas. V
III. Ele vivia tranquilamente, porque (pois) tinha uma grande herança. V
IV. O governo não liberou as informações ainda, não se sabe porquê. (por qual razão)
F
V. A estrada por que (pela qual) viríamos estava interditada, mas não sabemos por
quê. (por qual razão) V
VI. Sabe por que sou feliz? Porque faço o que gosto. V
As frases II, III, V e VI estão corretas.
4. Assinale a alternativa que apresente as palavras que completam corretamente, na
ordem em que aparecem,
as lacunas das três frases a seguir.
I. O hotel _______ me decidi foi um dos mais baratos.
II. Não há nenhum ________ sem resposta.
III. As razões _________ não falou não ficaram claras.
IV. Não falou ___________?
I. por que; II. porquê; III. por que; IV. por quê.
5. Revise: A medida inviabilizou o funcionamento formal de todos os fabricantes de
tubaína. É fácil saber
por quê. Suponhamos uma alíquota de 20%. Sobre um litro de bebida vendido a R$
1,50, significava
13,33%. Sobre um litro de tubaína, vendido a 80 centavos, significava 25%.