Conceito e finalidade: para Nucci” o direito processual penal situa como corpo de normas jurídicas
cuja finalidade é regular a persecução penal do Estado, através de seus órgãos constituídos, para que
se possa aplicar a norma penal, realizando-se a pretensão punitiva no caso concreto.” Como o
advento da CT/88, o processo peal deixou de ser exclusivamente instrumento de aplicação do direito
penal substantivo, passando a ser instrumento também de garantias contra arbítrio e o abuso do
estado.
Formas/ sistemas processuais
Acusatório (SISTEMA ADOTADO PELO BRASIL, mas antes da CF/88 era inquisitório )
Características
Função de acusar, defender e julgar atribuídas a órgãos distintos
Oralidade (torna o procedimento mais célere)
Publicidade
Réu, sujeito de direitos (deve se observar as garantias)
Inquisitório
Características
Função de acusar, defender e julgar atribuídas ao mesmo órgão;
Réu tratado como objeto, sem garantias
Escrito (não é um procedimento célere)
Sigiloso
Misto
Características
2 fases: instrução preliminar inquisitiva e judicial.
Cada fase é presidida por um juiz diferente.
Juiz de garantias: pode ser implementado no nosso ordenamento jurídico. Haverá um juiz para o
inquérito e outro para o judicial. Por enquanto está suspenso por uma liminar do STF. É muito importante
ter o juiz de garantias para fiscalizar, para que haja imparcialidade e para atuar no inquérito.
Princípios norteadores
Do Estado de inocência, da não culpabilidade ou da presunção de inocência (art 5°, LVII CF/88)
Este é um princípio absoluto que nos diz que “ninguém será considerado culpado antes da sentença
transitada em julgado”. Deve ser observado pelo Estado e pela Sociedade.
Integra-se ao princípio do in dubio pro reo, garantindo que, em caso de dúvida, deve sempre
prevalecer o estado de inocência, absolvendo-se o acusado. Serve de obstáculo à autoacusação,
consagrando o direito ao silêncio, pois ninguém pode ser obrigado a produzir prova contra si mesmo=
princípio da não auto incriminação .
o STF decidiu ser inconstitucional prender alguém, obrigando-o cumprir a pena, após o julgamento em
segundo grau. É preciso o trânsito em julgado da decisão para encaminhar o acusado ao
cumprimento da sanção penal, ocasião em que cessa a presunção de inocência.
Do contraditório e da ampla defesa (arts. 261 e 263 do CPP; 5° LV da CF/88)
NÃO SÃO SINÔNIMOS.
Contraditório: é um direito das partes, tanto a defesa quanto a acusação de contradizer as provas
trazida aos autos.
Ampla defesa: direito apenas do réu (da defesa). A acusação não pode inovar seus argumentos (sua
acusação). Para que tenha ampla defesa é necessário que haja auto defesa (direito de audiência
<poder falar, ser interrogado> + direito de presença <deve ser sempre intimado a menos que seja
decretada a revelia- ocorre quando o réu devidamente intimado não comparece ao ato ou se muda
sem informar ao juízo>) e defesa técnica (uma defesa boa, com saberes jurídicos técnicos. OBS: Sumula
523 STF: No processo penal, a falta da defesa constitui nulidade absoluta, mas a sua deficiência só o
anulará se houver prova de prejuízo para o réu.)
Do devido processo legal ou penal (art. 5°LIV CF)
Diz que as partes devem respeitar as leis e os princípios. O devido processo legal deita suas raízes no
princípio da legalidade, garantindo ao indivíduo que somente seja processado e punido se houver lei
penal anterior definindo determinada conduta como crime, gerando uma pena. Além disso representa
a união de todos os princípios penais e processuais penais, indicativo da regularidade do processo
criminal.
Do juiz natural ou constitucional (art. 5°, XXXVII CF)
princípio do juiz natural se refere à existência de juízo adequado para o julgamento de determinada
demanda, conforme as regras de fixação de competência. Não se pode escolher o juiz. No brasil não
se admite o juiz sem rosto, que ocorre em outros países. Para evitar retaliações. Nas varas especializadas
pode haver mais de um juiz.
Da iniciativa das partes e da inercia (art. 26 do CPP)
É necessário que haja provocação das partes para o juiz atuar. O juiz não pode agir de oficio (há
exceções)
Da publicidade (art. 792, CPP art. 5°, C e LX, CF; art.234-B CP)
A garantia do acesso de todo e qualquer cidadão aos atos praticados no curso do processo. É um
pressuposto de validade, não apenas dos atos processuais, mas também das próprias decisões. Nos
casos de crimes sexuais é decretado segredo de justiça para preservar a vítima. A publicidade restrita
ou interna é chamada de segredo de justiça.
Do livre convencimento motivado (art. 157 CPP)
O juiz é livre na apreciação das provas, no processo penal as provas não tem valoração diferente,
exceto na confissão (o réu não pode ser condenado se não houver provas. A confissão tem peso
menor que as provas.
->intima convicção: usado no tribunal do júri. La os jurados são os juízes da causa.
Da verdade processual
O juiz deve ser proativo, sendo assim ele pode de oficio mandar produzir novas provas. A busca da
verdade no processo penal está sujeita a algumas restrições.
->verdade real (sinônimo porem usada na doutrina contemporânea) ≠ verdade meramente formal
(usada na cível)
Do in dubio pro reo ou favor rei ou favor liberatatis
Se o juiz ficar na dúvida mesmo após as provas, ele aplica o melhor para o réu. Só utilizado até o trânsito
em julgado.
->In dubio pro societat= na dúvida instaura a ação penal para beneficiar a sociedade. Tem indícios de
autoria já é suficiente para a instauração (não é um princípio e fere o processo penal mas o MP usa)
tendo o mínimo de indícios já oferece denuncia
Indícios de crime
Autoria: quem cometeu o
delito
Materialidade: se houve
crime
Da imparcialidade (art. 252 e 424,CPP)
Existe prerrogativas para os juízes. Em alguns casos o juiz é impedido ex: juiz ser pai do acusado, sendo
assim ele é considerado absolutamente parcial. Já em outros pode ser suspeito, quando ocorre a
suspeição por ser considerado parcialmente parcial ex: ser amigo íntimo do réu. Pode haver prova em
contrário.
->neutralidade: o juiz não pode ser neutro, a neutralidade consiste no juiz trazer suas experiencias e
vivencias sociais.
Da paridade de armas ou da igualdade entre as partes.
Dar mais armas para a defesa pois é hipossuficiente.
Da duração razoável do processo
O processo deve durar um prazo adequado, nem mais nem menos que o necessário.
Lei processual penal (art. 1° e 2°)
No tempo: princípio do tempus regit actum: a lei processual que deve ser usada é a do ato
processual. (cabe apenas para normas puramente processuais)
Efeitos: os atos processuais praticados sob a vigência da lei anterior são considerados validos e as
normas processuais tem aplicação imediata, regulando o desenrolar restante do processo.
normas hibridas (tem caráter material e processual): normas de ação penal; normas de prescrição
e decadência; normas de execução penal (aplica os princípios de lei penal no tempo)
A norma puramente processual tem eficácia a partir da data de sua vigência, conservando-se os
efeitos dos atos já praticados. Entende-se por norma puramente processual aquela que regulamente
procedimento sem interferir na pretensão punitiva do Estado. A norma procedimental que modifica a
pretensão punitiva do Estado deve ser considerada norma de direito material, que pode retroagir se
for mais benéfica ao acusado.
Princípio da territorialidade: aplica a lei processual do país do ato, pois a atividade jurisdicional é
um dos aspectos de soberania nacional e não pode ser exercida além das fronteiras.
A regra é que todo e qualquer processo penal que surgir no território nacional deva ser solucionado
consoante as regras do CPP, todavia há exceções.
Interpretação da lei processual penal: A lei processual penal admitirá interpretação extensiva e
aplicação analógica, bem como o suplemento dos princípios gerais de direito. ( a analogia consiste
em aplicar uma hipótese não prevista em lei a disposição relativa a um caso semelhante.)
Da persecução penal
ProcedimentoX processo
Processo é o instrumento pelo qual se manifesta a jurisdição tendo sempre a finalidade de alcançar
um provimento final que solucionará a controvérsia e cumprirá os objetivos de concretização do direito
e a pacificação social.
Procedimento, também chamado de rito processual constitui mera sequencia de atos processuais
ordenadamente encadeados, vistos da perspectiva externa sem qualquer preocupação com seu
destino.
Pressupostos processuais (são observados para receber ou rejeitar a peça acusatória)
Subjetivos
Órgão investido de jurisdição
Competência
Legitimidade ad processum (de estar no processo)
Objetivos
Litispendência
Coisa julgada
Citação valida
Inépcia da inicial (deve haver riqueza de detalhes)
Inquérito policial (art. 4°-23 CPP)
- não faz parte do processo é meramente administrativo e investigatório
Conceito: é procedimento administrativo de caráter administrativo preparatório da ação penal,
conduzido pela polícia judiciaria objetivando noticiar ao Estado- Juiz, a pratica do fato típico e quem
foi o seu aturo. Visa formar a convicção (opinio delicti) do órgão ministerial (ações públicas) e do
ofendido nas ações privadas, para promover a ação penal. Tem por base fornecer os elementos de
sustentação à denúncia ou queixa crime, aí o fato criminoso passa a ser concreto, nascendo para o
Estado o dever de sanctio legis as transgressor da norma proibitiva.
Procedimento administrativo inquisitório e preparatório, presidido exclusivamente por Dele. gados de
Polícia, o inquérito policial consiste em um conjunto de diligências realizadas pela polícia investigativa
objetivando a identificação das fontes de prova' e a colheita de elementos de informação quanto à
autoria e materialidade da infração penal, a fim de possibilitar que o titular da ação penal possa
ingressar em juízo. se destina a esclarecer os fatos delituosos relatados na notícia de crime, fornecendo
subsídios para o prosseguimento ou o arquivamento da persecução penal.
Natureza jurídica: peça investigatória, escrita, inquisitório e sigilosa, preparatória da ação penal.
Procedimento meramente administrativo.
Instauração (art. 5°CPP)
Portaria da autoridade policial- ou seja de ofício, Nesse caso, a peça inaugural do inquérito policial
será uma portaria, que deve ser subscrita pelo Delegado de Polícia e conter o objeto da
investigação, as circunstâncias já conhecidas quanto ao fato delituoso, assim como as diligências
iniciais a serem cumpridas; se for ação pública incondicionada ele age de oficio. Deve ocorrer na
circunscrição daquela delegacia.
APF (auto de prisão em flagrante)- quando ocorre uma prisão em flagrante já se abre um inquérito.
Requisição do MP ou do Juiz- o delegado não é obrigado a instaurar inquérito por pedido do MP
nem do juiz, mas deve ser fundamentada. A requisição do juiz viola o sistema acusatório, pois seria
todo o poder na mão de um único órgão.
Requisição do ministro da justiça e requerimento do ofendido: só pode abrir inquérito se o Ministro
ou o ofendido iniciar a ação penal/ representar.
notícia oferecida por qualquer do povo: Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da
existência de infração penal em que caiba ação pública poderá, verbalmente ou por escrito,
comunicá-la à autoridade policial, e esta, verificada a procedência das informações, mandará
instaurar inquérito. Verificada a procedência e veracidade das informações, deve o delegado
determinar a instauração do inquérito policial.
Finalidade: Colher provas para formar a opinião do MP.
Características:
Oficialidade: Ao tomar conhecimento de notícia de crime de ação penal pública incondicionada,
a autoridade policial é obrigada a agir de ofício, independentemente de provocação da vítima
e/ou qualquer outra pessoa.
Indisponibilidade: A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de inquérito policial.
Discricionaridade: a autoridade policial deve determinar o rumo das diligências de acordo com as
peculiaridades do caso concreto. Discricionariedade implica liberdade de atuação nos limites
traçados pela lei.
Obrigatoriedade: Se não houver provas deve abrir um inquérito
Dispensabilidade: se ao MP for levado provas concretas do indicio se dispensa o inquérito.
Sigiloso ( publicidade restrita)
Obs: sumula vinculante n° 14- ADV. Só pode ser as diligencias já terminadas.
O acesso do defensor aos elementos de informação já documentados nos autos do
procedimento investigatório independe de prévia autorização judicial. No entanto, em se
tratando de investigação referente a organizações criminosas, uma vez decretado o sigilo da
investigação pela autoridade judicial competente, para garantia da celeridade e da eficácia
das diligências investigatórias, o acesso do defensor aos elementos informativos deverá ser
precedido de autorização judicial, ressalvados os referentes às diligências em andamento
Escrito
Inquisitório
Obs: Art. 14-A, CPP: possibilidade de contraditório e ampla defesa no inquérito.
Obs: a lei prevê o direito de o advogado assistir a seus clientes investigados durante a apuração
de infrações, sob pena de nulidade absoluta do respectivo interrogatório ou depoimento
Presidência: Cabe ao delegado de forma discricionária conduzir a investigação.
Destinatários:
Direito ou imediato: titular da ação penal
Indireto ou mediato: juiz
Fases
1° instauração
2° Instrução ( art 6°)-b pode haver prisão preventiva ou provisória nessa fase.
3° conclusão (resumo de todo o ocorrido no inquérito)
Arquivamento (art. 28 CPP) o inquérito não pode ser arquivado pelo delegado, apenas enviado ao MP
que aí pode pedir o arquivamento.
Obs: VPI (art 5§3° CPP)- Verificação da procedência da informação: deve ser feita antes da
instauração do inquérito. A VPI pode ser arquivada.
O art.28 do CPP, foi alterado em janeiro de 2020 pelo pacote ante crime; Entre tanto sua nova redação
estava suspensa em razão de liminar do supremo. No dia 24 de agosto de 2023 a ministra Rosa Veber,
proclamou o resultado do julgamento das quatro ADINs que questionavam algumas alterações no CPP
pelo pacote, inclusive a do art. 28. O STF decidiu manter a redação anterior com algumas ressalvas, a
saber: Ao se manifestar pelo arquivamento do inquérito policial ao de qualquer peça de informação,
o MP submeterá sua manifestação ao juízo competente e comunicará o fato a vítima, ao investigado
e a autoridade policial, podendo encaminhar os autos para o procurador geral ou para a instancia de
revisão ministerial, quando houver, para fins de homologação. A vítima, seu representante legal, bem
como a autoridade judicial competente, poderá submeter a matéria a revisão do órgão ministerial,
caso verifique ilegalidade ou anormalidade no arquivamento.
Obs: coisa julgada: em regra, a decisão de arquivamento faz coisa julgada formal mas não faz coisa
julgada material; por esta razão admite-se, em regra, o desarquivamento do inquérito policial (vide
sumula 524 do STF). Entretanto, excepcionalmente a decisão de arquivamento fará coisa julgada
formal e material, a saber: fato atípico, no caso de prescrição ou outra causa extintiva da punibilidade
e no caso de exclusão da ilicitude, sendo essa última hipótese controvertida.
Enceramneto-prazo do inquérito
Se o prazo for de preso é misto, contando o 1° dia e se for solto prazo processual, não conta o 1° dia.
Regra: art. 10 CPP
Exceções
Art. 66 da Lei 5010/66
Art. 51 da Lei 11.343/06
Art. 10 da lei 1521/51
Art. 20 do CPPM
ANPP (art. 28-A)
O acusado não vira réu.
Deve confessar (é controvertido pois viola a CF)
Resolução 181/17 (introduzia a ANPP em alguns estados)
O STJ julgou que o ANPP é hibrido e pode ser oferecido para crimes antes de 2020, desde que não
oferecida a denuncia.
Há controvérsia se o MP é obrigado a oferecer a ANPP ou é uma faculdade. A corrente majoritária
é que é um direito público subjetivo do acusado, sendo o MP obrigado a oferecer.
Ação Penal
Condições para o exercício regular do direito de ação.
Genéricas
Legitimidade ad causam ativa e passiva
Interesse de agir
Possibilidade jurídica do pedido
Justa causa: é o indícios de autoria e materialidade, deve haver esses indícios de que houve um
crime e quem praticou.
Especificas
Representação do ofendido
Requisição do ministro da justiça
Art. 7° §§ 2° e 3°
Espécies
Principios norteadores da ação penal
Principio da obrigatoriedade: ação penal pública/ o MP é orbigado a iniciar a ação se houver os indiios
de autoria e materialidade. X principio da oportunidade: só começa a ação se o ofendido quiser.
Principio da indispobilidade: ação penal pública, subsidiaria e concorrente: quando da inicio a ação
penal deve ir ate o fim. X principio da disponibilidade: pode desistir da ação.
Principio da indivisibilidade: se houver mais de um réu e ao final do inquérito houver índicos deve
oerecer denuncia em relação a todos.
Arquivamento implicito: quer dizer quer se o MP não oferecer em face de todos a denúncia aos demais
fica arquivado implicitamente. NÃO EXISTE PARA A CORRENTE MAJORITARIA.
Ação penal ex delictio
É uma ação ajuizada pelo ofendido na esfera cível para obter indenização pelo dano acusado pela
infração penal. De acordo com Tourinho Filho: “ é a ação que o lesado pode intermear visando a
satisfação do prejuízo, uma vez que, a causa de pedir constitui fato criminoso.
Art. 91, I CP c/c art. 63 e 64 CPP
Vide art. 387 do CPP
Legitimidade art 68 do CPP X CFRB