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Emergência Noturna no Hospital de Miami

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Capitulo 1

Acordo com o meu celular tocando, olho em volta assustada com o barulho, me
perguntando quem estaria me ligando as 3 da manhã, tudo está escuro e
silencioso na cidade de Miami, o que é um milagre. Até que vejo que quem me
liga é Emily, minha chefe do hospital.
-Fale! –Minha voz sai roca por causa do sono. Confiro o horário no relógio do
celular: 03:22.
-Preciso de você aqui Lizzy, agora! –O som de sirene se destacava ao fundo.
-Emily, meu turno já acabou, só consegui dormir por duas horas! – Me
espreguiço.
Ela suspira.
-Um garoto sofreu um acidente, o tórax quebrou e se não fizermos a cirurgia ele
fica com um pulmão perfurado e pode morrer, ele também não está aceitando
tomar o anestesiante, você é a única que consegue faze-lo tomar o remédio.
-Tá, to indo! Mas saiba que se me ligar de novo ás 3 da manhã você que vai
acabar com um pulmão perfurado! –Desligo o celular e levanto da cama. Olho
em volta, para as arejadas janelas que há em meu quarto. Troco de roupa e
coloco meu jaleco.
Desço de elevador até chegar no térreo e esbarrar em alguém alto, como está
tudo escuro, não identifico a pessoa, mas desconfio ser um dos meus vizinhos,
peço desculpas rapidamente e volto a correr em direção ao meu carro.
Chego no hospital em 7 minutos e Charles me espera no saguão com uma
prancheta.
-Sinto muito amiga. –Diz rindo da minha cara.
-Eu vou mata a Emily! –Pego a prancheta de sua mão e corro em direção a sala
de espera pra cirurgias. Eu só queria estar dormindo agora.
Chego na área infantil e logo ouço a voz de Emily, ela está calma, mas quando
me aproximo da sala, seus olhos encontram os meus e transmitem
preocupação. Checo a ficha do menino, Scott; 5 anos; acidente de carro com
mãe e pai, um caminhão bateu no carro; os pais estão em outro setor já fazendo
uma cirurgia.
-Por que você não quer tomar o remédio? Vai te fazer bem. –Ela fala
pacientemente. O olhar do garoto vem em minha direção, ele parecia
assustado.
-Dra. Lewis, estão te chamando no saguão. –Emily sai da sala olhando
atentamente pra mim e, eu finjo que não vejo, olhando para as paredes verdes
da sala.
Me aproximo do menino depois que a doutora se foi.
-Olá! –Tento ser simpática. –Meu nome é Lizzy, prazer. Qual é o seu nome? –O
segredo de conversar com alguma criança é falar com ela como se ela fosse um
adulto, não com aquela voz irritante que todo mundo faz.
-Scott. –Sua voz está fraca, provavelmente pela falta de ar. Ele move com
incomodo o maxilar roxo.
-Você está sentindo dor? –Ele afirma com a cabeça –Aonde? –Seu dedo aponta
o peito. Isso tá pior do que eu imaginei. –Tá.... Vou precisar que você tome esse
remédio. –Aponto para um copinho de plástico em um criado-mudo do lado da
cama.
-Mas tem gosto estranho. –A vozinha rouca ressoa nos meus ouvidos.
-Gosta de iogurte? –Lembro de uma coisa que a minha mãe usava pra eu e pra
minha irmã tomarmos remédio. Ele assente.
Saio da sala e vou até a cozinha, abro a geladeira e pego meu iogurte de
morango, que sempre guardo para comer no hospital. Quando volto, ele está na
mesma posição que estava quando sai.
-De morango? –Levanto o copinho que seguro.
-Sim. –Sua voz é fraca.
-Você vai tomar o remédio e depois tomar esse iogurte pra tirar o gosto, ok? –
Ele assente e bebe todo o copinho de anestésico com uma careta, logo o
estrego o copo de iogurte, que também bebe tudo.
-Eu preciso ir, mas logo volto, se preci...
-Por favor fica! –Sento na cadeira do lado da cama.
-Eu não posso, tenho que....
-Por favor. –Fala com um olhar pidão.
Charles entra na sala com a roupa de cirurgia.
-Você precisa se preparar para a cirurgia Lizzy. –Assinto com a cabeça.
-Eu já vou, só vou ficar um pouco mais, ok?! –Seu olhar é de percepção, ele
afirma e sai.
O menino segura a minha mão de repente, suspiro e me recosto na cadeira que
estou sentada.
Depois de alguns minutos Scott dorme e tenho que me agilizar para fazer a
cirurgia. Vou trocar de roupa, prender meu cabelo e me higienizar. Quando
chego na sala preparada, noto que o garoto já está lá, adormecido pelo
anestésico.
Começamos a cirurgia, tivemos que abrir seu peito e fechar os cortes feitos pelo
osso quebrado da costela. Depois tivemos que recuperar o sangue perdido e
tirar os pedaços de ossos espalhado por tudo.
Acabou que ele ficou com um costela a menos, um corte feio em seu peito e
uma perna quebrada por causa do acidente. Pelo menos está em boas mãos
agora.
Capitulo 2

-Você anda muito sozinha Lizzy! Precisa de alguém. Você se formou cedo
e tem um ótimo trabalho, mas tem que aproveitar, tem que ir para a
balada, se divertir, ser jovem...
-É! Você precisa namorar e.....
-Aah gente! Cala boca! Eu to bem assim....
-Sozinha? –Ayla diz com sarcasmo, olho pra ela em advertência.
Nós estamos conversando por ligação. Estou sentada em um sofá na
recepção do hospital.
Acabei de terminar a cirurgia Scott, ele está descansando.
-Vocês estão sendo extremamente dramáticas! –Falo tomando meu café.
- Sendo dramática? Quando foi a última vez que você foi pra balada? –Vivi
fala
-Você sabe que eu não curto essas coisas. –Me defendo.
-Quando foi a última vez que você beijou alguém? –Faço uma careta e não
respondo. –Viu só! Nem responde mais. Olha se você quiser eu tenho um
amigo...
-Eu não quero!
-E o James? Ex-melhores amigos que perderam o contato? Apoio! –Vivi se
entusiasma.
-Lizzy não liga pro que elas falam! Você está muito bem sozinha! –Ethan
me ajuda. Minha irmã o fuzila com o olhar.
-Você não é bem mais feliz comigo do que quando era solteiro? –Ayla
pergunta, fazendo Ethan fazer uma careta. –Amor!...
Logo a ligação cai.
-Olha Lizzy, eu te amo e te desejo só o melhor, mas sua irmã tem razão.
Qual foi a última vez que aconteceu algo realmente impactante na sua
vida? Durante o ensino médio? A faculdade? Amiga, você já tem 23 anos e
é super talentosa no que faz, mas você não tá se sentindo um pouco
sozinha? –Soa algum barulho no fundo e ela desvia seu olhar para o
mesmo –Eu tenho que ir Li, o Nick não tá achando a ração do Zeus, mas
pensa no que eu acabei de te falar.... –Ela solta um longo suspiro –Sua
irmã só tá preocupada.... Tenho que ir. Te amo docinho!
Solto um longo suspiro.
-Lizzy, você já pode ir para a casa! Te ligo quando for pra voltar. –Emily
fala nas minhas costas. Afirmo com a cabeça.
Levanto, me arrumo e pego o carro para ir pra casa. Chegando no meu
andar, noto uma margarida acompanhada por um cartão no tapete na
entrada do meu apê.

´´Desculpe por esbarrar em você naquela madrugada, tome essa


margarida como um símbolo de paz.``

Que madrugada? Quem é essa pessoa? Será que alguém fez alguma coisa
e eu não estou sabendo? Nenhum dos meus vizinhos me mandariam uma
flor, são tudo mão de vaca! Eu sai em alguma madrugada?
Deixei isso pra lá por enquanto.
Tomei um banho relaxante, com florais e com velas aromatizadas,
coloquei uma roupa confortável. Fui fazer o jantar enquanto assistia
minha série favorita. Será que as meninas estão certas? Estava pondo as
coisas na mesa e escutei uma batida na porta.
Bufei;
Abri a porta e me deparei com Odett, a fofoqueira do prédio. Sorrio
falsamente e ela olha por cima do meu ombro à procura de algo. Ela
arruma seu grande óculos.
Já até imagino o por quê dela estar aqui.
-Oi querida, que flor é aquela que estava na sua porta? –Era obvio que era
isso. Seu vestidinho de flores balançava com a brisa do corredor
-Era de um amigo. –Ela fez uma cara de poucos amigos. –Mas nada que a
senhora precise se preocupar, nada que seja da sua opinião. –A senhora
levantou a sobrancelha aparentemente ofendida, bufou e saio indignada
com a minha resposta.
Suspirei fortemente e voltou ao que estava fazendo.
Arrumei meu prato e dei o play na minha série.

Fiquei um bom tempo maratonando a série. Até que cochilei e só acordei


quando ouvi batidas na porta novamente.
Se for a Odett de novo, eu vou surtar!

Capitulo 3
Aiden

Eu ainda não consigo parar de pensar nela! Toda vez que olho para crachá
que ela derrubou hoje só consigo pensar nos olhos dela.
-Aiden! Faz um brigadeiro para vermos filmes de princesas! –Minha
irmãzinha, Chloe, me olha com seus grandes olhos, me sinto hipnotizado,
logo esqueço que estava pensando na garota e procuro a receita do
brigadeiro no meu celular avisando Chloe que provavelmente não ficará
bom.
-Chloe, temos um problema! Não tem cacau! –Falo, em seguida ela fica
triste, e como eu odeio ver minha irmã triste digo: -Talvez eu possa pedir
para algum vizinho um pouco, que tal? –Ela abre um grande sorriso e eu
automaticamente também fico muito contente.
Agora, eu tenho um problema!
Para quem eu vou pedir cacau à 12:00?
Eu sabia de um pessoa que provavelmente estaria disponível este horário.
Ela inclusive pegou a flor que deixei em seu tapete, notei isso quando fui
fuxicar seu apartamento.
-Chloe, já volto! Não saia daqui e não abra a porta por nada. –Ela concorda
com a cabeça e eu saio.
Eu estava um pouco nervoso e minhas mãos estavam suando. Será que
isso é só porque ela é bonita.
Bato algumas vezes na porta, mas ninguém atende. Começo a desconfiar
que ela esteja dormindo, ou talvez no trabalho. Mas ela logo atende a
porta.
Noto seus olhos azuis e logo me perco em muitos pensamentos. Seus
cabelos estavam presos em um coque solto e bagunçado, mas ela ainda
está bonita. Parece que havia acabado de acordar, seu rosto estava
amassado e sua roupa meio desajeitada. O moletom era largo e surrado,
mas parecia confortável.
Meus pensamentos desapareceram quando ela começou a falar:
-Precisa de alguma coisa? –Ela diz ficando constrangida com seu próprio
visual.
-Ahm... Ahm... Sim, por acaso você não teria cacau para me dar. –Ela me
olha estranhando o pedido. Ela se afasta da porta e me olha de cima a
baixo.
Ela logo adentra a casa novamente, mas deixa a porta aberta, me
aproximo um pouco. Olho em volta, para a casa, é muito harmoniosa, é
clara, arejada e tem bastante plantas.
-Você é novo no prédio né?! –Ela pergunta olhando para o armário da
cozinha. –Não que eu conheça todo mundo que mora aqui, mas... sei lá! –
Ela parecia falar mais consigo mesma do que comigo.
-Eehh... Mais ou menos, eu só não saio muito de casa...sabe?!
Ela se aproxima segurando um pote de achocolatado.
-Toma aqui! Não precisa me devolver, eu nem uso mesmo! –Quando ela
estendeu a mão me entregando o pote, tudo se apagou.
Eu imediatamente me lembrei de Chloe e sai correndo em direção as
escadas. Ela deve estar apavorada, Minha irmã odeia o escuro.
-Aonde você está indo? –Só ouço ela perguntar.
-Tenho que buscar minha irmã! –Quase tropeço nas escadas.
-Eu vou com você! –Grita vindo em minha direção.
Logo ouço os estrondos dos alarmes de incêndio e corro mais depressa.
Noto minha vizinha me seguindo. O que ela tá fazendo me seguindo?
Abro a porta do meu apartamento e vejo minha irmã encolhida perto da
porta, pego ela e com a garota ainda me seguindo corremos para a
portaria.
Chegando lá, vejo muitos moradores e vejo também o sindico, tentando
acalmar a todos.
A luz de repente volta, mas logo à um estrondo e os fios de luz queimam
fazendo a luz apagar-se de novo. A garota ao meu lado agarra meu braço,
parecendo mais assustada do que minha irmã.
O sindico havia dito que os alarmes eram apenas engano e que as luzes
provavelmente voltariam em menos de uma hora.
Durante esse período minha irmã finalmente nota a garota que ainda
estava agarrada ao meu braço direito.
-Oi, qual é seu nome? O meu nome é Chloe, sou irmã desse cara que você
esta agarrada! –Ela grita, todos viram o olhar em nossa direção. A menina
pigarreia e logo o meu braço.
-Oi, tudo bem com você? Meu nome é Lizzy. –Lizzy fala carismática.
-Nossa... você é muito linda! Não é irmãozinho? –Olho em advertência pra
minha irmã. Lizzy me dá um pequeno sorriso envergonhado.
-Sim... ela é muito bonita mesmo! –Lizzy abre um sorriso torto e
constrangido.

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