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Revista Brasileira de Ensino de Física, vol.

46, e20240010 (2024) Artigos Gerais


[Link]/rbef cb
DOI: [Link] Licença Creative Commons

Introdução aos buracos negros e sua termodinâmica


Introduction to black holes and their thermodynamics

Bruno S. Felipe*1 , Jeferson de Oliveira2


1
Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Física Gleb Wataghin, 13083-859, Campinas, SP, Brasil.
2
Universidade Federal de Mato Grosso, Instituto de Física, 78060-900, Cuiabá, MT, Brasil.

Recebido em 12 de janeiro de 2024. Revisado em 22 de fevereiro de 2024. Aceito em 11 de março de 2024.


Os buracos negros estão entre os objetos mais estranhos e curiosos previstos pela teoria da Relatividade Geral.
Eles correspondem a regiões do espaço-tempo delimitadas por uma fronteira chamada de horizonte de eventos que
se atravessada, torna coordenadas do tipo-tempo em coordenadas do tipo-espaço e vice-versa. Neste artigo, faremos
uma revisão das principais características dos buracos negros, tendo como público-alvo estudantes e professores
de graduação em física e ciências exatas. Utilizando uma abordagem que acompanha o desenvolvimento histórico
desses conceitos, mostraremos que esses objetos fascinantes podem se tornar relativamente simples ao considerar
uma analogia entre seus parâmetros mecânicos e variáveis termodinâmicas. Com uma breve explicação do efeito
Hawking, demonstraremos a conexão entre os buracos negros e os sistemas termodinâmicos, apresentando ao final
o clássico resultado da evaporação dos buracos negros.
Palavras-chaves: Buracos Negros, Relatividade Geral, Termodinâmica, Radiação Hawking.

The black holes are among the strangest and most intriguing objects predicted by the theory of General
Relativity. They correspond to regions of spacetime bounded by a boundary called the event horizon. Once
crossed, this boundary transforms spacetime coordinates from time-like to space-like and vice versa. In this
paper, we will review the main characteristics of black holes, targeting undergraduate physics and exact sciences
students and teachers. Using an approach that follows the historical development of these concepts, we will show
that these fascinating objects can become relatively simple when creating an analogy between their mechanical
parameters and thermodynamic variables. With a brief explanation of the Hawking effect, we will demonstrate
the connection between black holes and thermodynamic systems, concluding with the classic result of black hole
evaporation.
Keywords: Black holes, General Relativity, Thermodynamics, Hawking radiation.

1. Introdução Histórica na violação do Teorema de Equipartição de Energia


para baixas temperaturas e na catástrofe do ultravioleta
Entre o final do século XIX e o início do século XX, para altas temperaturas [1]. A segunda nuvem estava no
a Física parecia estar completa. A Mecânica Analítica, Eletromagnetismo, com o resultado negativo para a de-
Mecânica dos Fluidos, Mecânica Estatística e o Eletro- tecção do éter luminífero pela experiência de Michelson-
magnetismo de Maxwell pareciam ser suficientes para Morley (1887) [2].
explicar todos os fenômenos da natureza e a grande A solução para o problema na Termodinâmica deu
maioria dos experimentos realizados até então. Diante origem ao que conhecemos hoje como Mecânica Quântica
deste cenário, Lord Kelvin (Sir William Thomson) foi e tornou-se uma das principais ferramentas teóricas
convidado a dar uma palestra à comunidade com o para a produção de tecnologia e compreensão da Na-
intuito de apresentar um panorama geral da Física da tureza em escala subatômica. Já a nuvem presente no
época (1900). Kelvin afirmou que a Física havia atingido Eletromagnetismo teve sua solução em 1905, quando
um alto nível de sofisticação, consistência e sucesso, e, Albert Einstein publicou o artigo “Eletrodinâmica dos
portanto, os jovens não precisariam mais se preocupar corpos em movimento”, que apresenta os postulados e
com o desenvolvimento de novas teorias. Todavia, ele as consequências da Teoria da Relatividade Especial
afirmou que ainda havia duas “nuvens negras” a serem (RE) [3]. Este trabalho não só resolveu a questão
resolvidas, mas que logo teríamos a solução desses da incompatibilidade da Eletrodinâmica Clássica com
problemas. a inexistência do éter verificada pelo experimento de
O que Kelvin não sabia era que dessas “nuvens Michelson-Morley, mas também deu origem a novos
negras”, duas grandes teorias seriam construídas. A pri- estudos que implicaram na reformulação da mecânica
meira nuvem estava na Termodinâmica, precisamente newtoniana e nas concepções de espaço e tempo.
Por volta de 1907, o matemático Hermann Minkowski
* Endereço de correspondência: brunfeli@[Link] percebeu que a RE de Einstein poderia ser compreendida

Copyright by Sociedade Brasileira de Física. Printed in Brazil.


e20240010-2 Introdução aos buracos negros e sua termodinâmica

geometricamente como um espaço que contém não três, espaço-tempo e energia – os chamados buracos negros
mas quatro dimensões, onde o tempo assume o papel da (BNs). No entanto, essa solução não explica a origem
quarta dimensão (conhecido hoje como espaço-tempo de desses objetos. Somente em 1939, com o trabalho dos fí-
Minkowski). Nessa geometria, o tempo e o espaço não sicos americanos Julius Robert Oppenheimer e Hartland
devem ser entendidos como entidades distintas, mas sim Sweet Snyder [11], foi possível compreender como os BNs
como componentes de um único espaço geométrico. Nas poderiam ser gerados. Neste trabalho, eles mostraram
palavras do próprio Minkowski [4]: que, se um objeto esférico e massivo se contrai até
The views of space and time, which I um raio crítico (raio de Schwarzschild), inevitavelmente
would like develop, have sprung from the um colapso em direção ao seu centro acontecerá. Dessa
experimental-physical soil. Therein lies their forma, os BNs puderam ser interpretados como o estágio
strength. They tend to be radical. Henceforth final para estrelas, que, ao envelhecerem, tornam-se
space by itself and time by itself, fade away ricas em elementos mais estáveis, o que impossibilita
completely into shadow, and only a kind of a geração de energia suficiente para contrabalançar a
union of the two will preserve independent força gravitacional gerada pela própria massa da estrela.
permanency. Se a massa inicial for grande o suficiente, a gravidade
fará com que a estrela se contraia até o raio crítico e,
A princípio, Einstein rejeitou a ideia do espaço-tempo, consequentemente, colapse em seu centro, originando um
argumentando que isso só acrescentava uma complicação buraco negro.
matemática desnecessária à teoria. No entanto, ele perce- No mesmo ano da solução de Schwarzschild, o enge-
beu posteriormente que a concepção de Minkowski seria nheiro e físico alemão Hans Reissner obteve a solução
essencial para a formulação da teoria da Relatividade para as equações de Einstein na presença de campos
Geral (RG), uma teoria relativística da gravitação que elétricos, que é diferente da solução de Schwarzschild,
se tornou necessária, pois embora a RE tivesse sido a qual só é válida para a região de vácuo. Dois anos
estabelecida, ela se mostrava inconsistente com a teoria depois, o engenheiro e físico finlandês Gunnar Nordstrom
da Gravitação Universal de Newton. obteve a mesma solução de forma independente, e a
De 1905 a 1915, Einstein se dedicou à construção da solução passou a ser chamada de solução de Reissner-
teoria da Relatividade Geral, onde a interação gravitaci- Nordstrom [12]. Posteriormente, essa solução foi compre-
onal é na verdade a curvatura do espaço-tempo causada endida como a solução para buracos negros que possuem
pela presença de matéria e energia. Nas palavras do físico massa e carga elétrica. Em 1963, o matemático neozelan-
americano John Archibald Wheller “Mass tell spacetime dês Roy Kerr obteve a solução para BNs girantes, que são
how to curve, and spacetime tells mass how to move” [5]. formados por estrelas que possuem rotação em torno do
Isso significa que o espaço-tempo, composto por uma seu próprio eixo, o que é comum na maioria das estrelas.
dimensão temporal e três dimensões espaciais, pode Essa solução foi generalizada pelo físico Ezra Newman,
ser entendido como uma espécie de “malha” maleável que adicionou carga elétrica ao BN girante, obtendo o
que se estica e curva. Para descrever esse aspecto do que chamamos de solução de Kerr-Newman [13]. Essa
mundo, Einstein precisou mergulhar na matemática solução corresponde à classe mais geral de buracos
desenvolvida por Bernhard Riemann [6], Gregorio Ricci negros, caracterizada por três parâmetros: massa, carga
e Tullio Levi-Civita [7], que hoje conhecemos como elétrica e momento angular.
geometria diferencial ou análise tensorial. Com esse for- Na chamada “época de ouro dos buracos negros”
malismo, ele chegou à formulação das famosas equações (1960–1970), os físicos de todo o mundo trabalharam
de campo, que relacionam a curvatura do espaço-tempo nas consequências físicas dessas soluções, dentre eles,
com a massa e energia dos objetos sob o espaço-tempo, Stephen Hawking e Jacob Bekenstein, que entre 1971
cf. especificaremos mais adiante — vide-se a Eq. (10). e 1974 desenvolveram um tratamento termodinâmico
Em 1916, o físico e astrônomo alemão Karl Schwarzs- dos BNs. Esse tratamento transformou objetos macros-
child obteve a primeira solução exata dessas complicadas cópicos complexos em objetos simples, que podem ser
equações enquanto lutava com o exército alemão na caracterizados por apenas três parâmetros, assim como
frente de batalha russa da Primeira Guerra Mundial os sistemas termodinâmicos. Neste contexto, outros
[8, 9]. Essa solução refere-se à curvatura do espaço- trabalhos puderam ser desenvolvidos, como a conside-
tempo gerada por objetos esféricos e estáticos, sendo ração da constante cosmológica como um parâmetro
uma boa aproximação para a gravidade em torno da termodinâmico e o desenvolvimento de uma teoria ho-
Terra e do Sol. Além disso, permitiu que a Relatividade lográfica [14], a qual sugere que as informações de um
Geral pudesse ser confirmada com um experimento espaço tridimensional podem ser totalmente codificadas
que media o desvio da luz de estrelas pela curvatura em uma região bidimensional do espaço adjacente. No
do espaço-tempo causada pelo Sol. Esse experimento entanto, só no ano de 2015, no Observatório LIGO [15],
foi realizado no Brasil em 1919, na cidade de Sobral, foram detectadas ondas gravitacionais emitidas durante
Ceará [10]. a colisão de dois BNs, o que não só confirmou a existência
A solução de Schwarzschild revelou a existência desses objetos, mas também motivou novas pesquisas em
de objetos “estranhos”, compostos unicamente de gravitação e cosmologia observacional.

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Felipe e Oliveira e20240010-3

Em 2019, graças à técnica chamada Interferometria caracteriza uma frente de onda esférica que se move
de Longa Linha de Base, que combina as imagens de com velocidade c no espaço. Esse tipo de intervalo é
vários telescópios para formar uma imagem composta de chamado de tipo-luz, pois descreve a trajetória dos raios
alta resolução a rede internacional de radiotelescópios luminosos.
Event Horizon Telescope (EHT) capturou e divulgou Quando ds2 < 0, a variação temporal da equação (1)
a primeira imagem de um buraco negro supermassivo, deve ser maior do que a parte espacial, e o intervalo é
juntamente com a sua sombra, no centro da galáxia chamado de tipo-tempo. Isso é expresso pela equação
Messier 87 (M87), situada a cerca de 55 milhões de anos-
luz da Terra. Este marco histórico ocorreu 103 anos após c2 dt2 > dx2 + dy 2 + dz 2 , (3)
a inferência teórica da existência de buracos negros e
forneceu uma prova visual acessível e divulgável em todo que pode ser reescrita como
o mundo.  2
Considerando o extenso processo de desenvolvimento 2 d⃗r
c > = v2 , (4)
da teoria dos buracos negros e sua abordagem termo- dt
dinâmica, que são fundamentais para a compreensão
do mundo que nos cerca, este artigo tem como obje- onde ⃗r = (x, y, z) é o vetor posição. Nessa situação, a
tivo apresentar de maneira acessível aos professores e separação entre eventos pode ser percorrida por partícu-
estudantes de física e ciências exatas como é possível las massivas, respeitando os princípios da Relatividade
descrever esses objetos complexos por meio de uma Especial, com velocidade v < c. Portanto, dizemos que
analogia com as leis da termodinâmica. Para isso, serão as partículas massivas seguem trajetórias do tipo-tempo.
apresentados os conceitos fundamentais da Relatividade Por outro lado, quando ds2 > 0, o intervalo é chamado
Especial, que serão expandidos para a Relatividade de tipo-espaço, já que a parte da variação espacial é
Geral, para então serem exploradas as soluções de maior do que a temporal. Nesse caso, a desigualdade
Schwarzschild e Kerr-Newman. Em seguida, será feita na equação (4) é invertida, e os eventos só podem ser
uma analogia entre a variação da área dos buracos negros acessados por objetos com velocidade v > c. Em outras
e a segunda lei da Termodinâmica para introduzir a palavras, não é possível estabelecer nenhuma relação
Termodinâmica aos BNs. Por fim, será apresentada uma causal entre esses eventos, uma vez que seria necessário
aplicação prática dessa abordagem: a evaporação dos um sinal que se propagasse mais rápido do que a luz para
buracos negros em um intervalo de tempo extremamente conectá-los.
longo. A análise do intervalo espaço-tempo ds2 é fundamen-
tal para a compreensão das relações de causalidade entre
eventos. Através da classificação dos intervalos como
2. Espaço-tempo de Minkowski e
tipo-luz, tipo-tempo e tipo-espaço, é possível entender
Intervalos quais eventos podem estar relacionados por causa e
efeito, e quais não podem. De forma elucidativa, realiza-
O ponto crucial introduzido por Minkowski em 1907 remos uma representação diagramática dessas relações
pode ser descrito da seguinte maneira: os primeiros causais para melhor visualização de como a causalidade
resultados da teoria da relatividade sugerem que o tempo se manifesta no espaço-tempo.
e o espaço são grandezas relativas, ou seja, a medida de
suas variações depende intrinsecamente do movimento
inercial do observador. No entanto, uma combinação das 2.1. Cones de luz no espaço-tempo de Minkowski
variações de espaço e tempo na forma Consideremos uma frente de onda luminosa esférica
emitida no instante t1 a partir de um ponto de origem O.
ds2 = dx2 + dy 2 + dz 2 − c2 dt2 , (1)
Para representá-la em um plano cartesiano, devemos
se mostra invariante para todos os observadores inerciais. observar as frentes de onda como círculos concêntricos
Nesse caso, c representa a velocidade da luz no vácuo e que crescem a partir da origem O e se tornam cada vez
x, y, z, t são coordenadas cartesianas de espaço e tempo. maiores à medida que o tempo passa (Fig. 1).
A Eq. (1) representa o elemento de linha que não Considerando c = 1, podemos incluir o eixo temporal
mede mais a distância entre dois pontos no espaço, mas em nossa representação e descrever a frente de onda
sim a distância entre dois eventos, s1 e s2 , que estão luminosa como um cone inclinado a 45◦ em relação
infinitesimalmente próximos no espaço-tempo. à vertical (ver Fig. 2). Agora, cada ponto em nossa
O intervalo de espaço-tempo invariante entre dois representação corresponde a um evento no espaço-tempo
eventos pode ser classificado de acordo com seu sinal, e pode estar ou não causalmente relacionado ao evento
que pode ser maior, menor ou igual a zero. Se os eventos em O. Em outras palavras, qualquer evento que possa
s1 e s2 estão separados por um elemento de linha nulo, ser causado ou influenciado por O deve estar contido no
ds2 = 0, então a equação cone de luz ou em seu interior, uma vez que os pontos
localizados fora do cone são inacessíveis até mesmo para
c2 dt2 = dx2 + dy 2 + dz 2 , (2) a luz.

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e20240010-4 Introdução aos buracos negros e sua termodinâmica

Figura 1: Propagação dos raios luminosos no espaço a partir da


Figura 3: Cones de luz para diferentes pontos do espaço-tempo
origem O nos tempos t1 , t2 e t3 representados respectivamente
de Minkowski. Note que todos os cones fazem 45◦ com o eixo
em (a), (b) e (c).
temporal (vertical).

Em suma, a compreensão dos conceitos discutidos


acima nos permite visualizar as relações causais no
espaço-tempo de Minkowski. Cada ponto no espaço-
tempo possui um cone de luz que define as regiões
passadas e futuras causais em relação a ele. De forma
visual, na Figura 3 representamos os cones de luz de
diferentes pontos do espaço-tempo de Minkowski. Essa
imagem nos auxilia a compreender como a estrutura
causal se estende ao longo do espaço-tempo dado que
dois pontos estarão casualmente conectados apenas se
estiverem contidos no cone passado ou futuro um do
outro.

2.2. Notação compacta e métrica


Antes de prosseguirmos para a Relatividade Geral,
Figura 2: Cone de luz centrado na origem O. vamos introduzir uma notação compacta e elegante para
o elemento de linha. Representaremos cada coordenada
do espaço-tempo por uma letra com um índice em cima,
Por outro lado, podemos refletir o cone no plano x−y, de modo que teremos
invertendo o sinal de t, e observar o cone de luz passado a  0
 x = ct,
partir do evento O. Dessa forma, podemos interpretar O 
 1
x = x,
como um efeito que pode ter sido causado pelos eventos xµ = (5)
 x2 = y,
contidos no cone passado. Portanto, os cones de luz 
 3
x = z.
passado e futuro estabelecem as relações de causalidade
em relação a O. Isso significa que xµ representa as coordenadas do
Para compreendermos como isso funciona, considere- espaço-tempo, onde µ varia de 0 a 3, sendo x0 a coor-
mos dois eventos P e Q, representando respectivamente denada temporal e (x1 , x2 , x3 ) as coordenadas espaciais.
o início e o fim do movimento de uma partícula massiva Além disso, vamos introduzir a matriz 4×4 representada
em diferentes posições do espaço como na Fig. 2. A linha por dois subíndices
de mundo que conecta esses dois eventos deve ser 
−1 0 0 0

caracterizada por um intervalo do tipo-tempo. Se O  0 1 0 0
corresponde a um evento intermediário entre P e Q, gµν = 
 0 0 1 0 ,
 (6)
então é necessário que a linha de universo esteja contida 0 0 0 1
no cone de luz de O.
Se considerarmos dois eventos P e Q, representando onde gµν representam as componentes da matriz. Nesse
respectivamente o inicio e o fim do movimento de uma caso específico, temos −g00 = g11 = g22 = g33 = 1. Ou
partícula massiva em certa posição do espaço como ainda, gµν = diag(−1, 1, 1, 1).
ilustrado na Fig. 2, a linha de mundo que conecta os dois Com esses elementos podemos escrever o intervalo de
pontos é caracterizada por um intervalo do tipo-tempo. espaço-tempo (1) de maneira compacta como
Se O corresponde a um evento intermediário entre entre 3
P e Q, então necessariamente a linha de mundo deve
X
ds2 = gµν dxµ dxν = gµν dxµ dxν , (7)
estar contida no cone de luz de O. µ,ν=0

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onde, elegantemente, omitimos o simbolo de somatória Além disso, a compreensão da Relatividade Geral
quando os índices aparecem de maneira repetida e em exige um pouco mais de esforço e atenção com relação
posições alternadas (uma vez como subscrito, outra aos conceitos matemáticos, uma vez que grandezas como
como sobrescrito). Nessa representação gµν é chamado a curvatura do espaço-tempo e o conteúdo de matéria
de tensor métrico, ou simplesmente métrica do espaço- e energia são expressas em termos de tensores. Nesse
tempo, a qual é responsável por caracterizar como formalismo, as equações de campo de Einstein são
fazemos medidas no espaço-tempo, ou seja, como fazer elegantemente representadas na forma
o produto entre vetores. Quando gµν tem a forma (6),
dizemos ter métrica de Minkowski. 1 8πG
Rµν − gµν R = 4 Tµν , (10)
Se a princípio nos for dado o elemento de linha, 2 c
podemos identificar as componentes métricas analisando onde Rµν é o tensor de Ricci, uma quantidade depen-
os coeficientes que acompanham as diferenciais. Por dente de derivadas de segunda ordem do tensor métrigo
exemplo, em coordenadas esféricas, o elemento de linha gµν , cf. e.g. as Refs. [5, 12, 17]. À propósito, R é o escalar
de Minkowski assume a forma de curvatura, o qual é construído como uma contração do
ds2 = −c2 dt2 + dr2 + r2 dθ2 + r2 sin2 θdϕ2 , (8) tensor de Ricci: R = Rµ µ = g µν Rµν , sendo g µν a inversa
da métrica. G é a constante da Gravitação Universal e
com dxµ = (cdt, dr, dθ, dϕ), enquanto a métrica nas Tµν é um tensor que caracteriza o conteúdo de matéria
novas coordenadas pode ser identificada como e energia no espaço. Em (10), os índices µ, ν variam de
  0 a 3 como na representação compacta apresentada na
−1 0 0 0 seção anterior.
0 1 0 0  Sendo Rµν e R quantidades que dependem de gµν
gµν = 
 0 0 r2
, (9)
0  e suas derivadas, podemos inferir que as Equações de
2 2
0 0 0 r sin θ Einstein (10) caracterizam equações diferenciais parciais
acopladas que determinam as componentes do tensor
isto é, as componentes do tensor métrico se modificam métrico. Isso significa que o campo gravitacional, agora
a medida que mudamos de sistema de coordenadas, mas representado pela métrica e pelos tensores de curvatura,
ds2 permanece invariante. dependem do conteúdo de matéria e energia Tµν , de
forma análoga à equação de Poisson: ∇2 Φ = 4πGρ
3. Relatividade Geral e Equações de (neste caso, temos ao lado esquerdo da equação o campo
Einstein potencial gravitacional Newtoniano Φ que por meio de
derivadas parciais de segunda ordem se relaciona com
Ampliar a compreensão geométrica da Relatividade a fonte de densidade de massa ρ ao lado direito) [18].
Especial para abranger referenciais não inerciais nos leva Quando consideramos uma região de vácuo, distante de
a uma interpretação geométrica da gravitação, ou seja, à qualquer objeto massivo, temos Rµν = Tµν = 0, e a
teoria da Relatividade Geral. Por meio de experimentos solução gµν assume a forma da métrica de Minkowski (6).
mentais, Einstein demonstrou que para um observador Ou seja, a solução de Minkowski corresponde a um caso
dentro de um elevador isolado do mundo exterior, é particular das equações de Einstein.
impossível distinguir se os fenômenos que ele observa A seguir, apresentaremos outras soluções das equa-
são causados pela aceleração do elevador ou por um ções de Einstein. Embora não nos aprofundemos em
campo gravitacional externo. Em outras palavras, há obter essas soluções, é importante destacar que elas
uma equivalência entre aceleração e gravidade. Ainda, correspondem a soluções das equações de Einstein para
para esse observador, todos os possíveis experimentos diferentes condições. As soluções que serão apresentadas
realizados são afetados da mesma maneira pela acele- são conhecidas como soluções de buracos negros, e
ração gravitacional, o que sugere que isso é um efeito discutiremos em detalhes como o conceito de buraco
independente dos objetos em si, mas depende apenas negro é definido no contexto da Relatividade Geral.
de alguma propriedade do espaço-tempo em que eles
se encontram, a curvatura. Nas próprias palavras de 4. Buraco Negro de Schwarzschild
Einstein, “I got the happiest thought of my life,” [16]
ao se referir ao experimento mental que demonstra a Considerando uma região de vácuo ao redor de um
equivalência1 entre aceleração, gravidade e curvatura do corpo massivo, simetricamente esférico e estático, as
espaço-tempo. equações de Einstein nos fornecem a chamada solução de
Schwarzschild. Nesse caso, o elemento de linha é expresso
1 A conexão entre aceleração, gravidade e curvatura leva o nome como
de Princípio de Equivalência e caracteriza a pedra angular da Re-
latividade Geral. Embora não a abordemos detalhadamente aqui,    −1
2 2M 2 2M
recomendamos a leitura do primeiro capítulo do livro “A short ds = − 1 − dt + 1 − dr2 + r2 dΩ2 ,
course in general relativity” de Foster & Nightiangale [17] como r r
uma ótima introdução. (11)

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onde t ∈ [−∞, ∞] é a coordenada temporal, r ∈ [0, ∞] uma implicação importante: a formação do horizonte de
a coordenada radial e dΩ2 = dθ2 + sin2 θdϕ2 com θ ∈ eventos de um buraco negro, como veremos a seguir.
[0, π] e ϕ ∈ [0, 2π] garante a simetria esférica da solução.
O termo 2M é denominado de raio de Schwarzschild e 4.1. Cones de luz na solução de Schwarzschild
se relaciona com a massa m do objeto responsável pela
curvatura através de Para compreender a estrutura causal nessa geometria,
utilizaremos o formalismo lagrangiano para construir os
2Gm cones de luz no espaço-tempo de Schwarzschild. Nesse
2M = . (12)
c2 formalismo, a lagrangiana pode ser obtida diretamente
como [12]:
A partir daqui, utilizaremos o sistema de unidades
geométricas escrevendo G = c = 1 para evitar a 1
repetição desses termos (como já foi considerado na L= gµν ẋµ ẋν , (14)
2
Eq. (11)).
Notemos que para r ≫ 2M a Eq. (11) toma a forma onde o ponto denota a derivada em relação a um
do elemento de linha (1), e portanto, entendemos t como parâmetro λ, que caracteriza a geodésica de interesse.
o tempo medido por observadores no espaço-tempo de Considerando θ e ϕ constantes, as trajetórias nulas (tipo-
Minkowski, isto é, observadores infinitamente distantes luz) são caracterizadas por 2L = 02 , o que nos fornece
de r = 2M . Ainda, notamos que existem valores para os    −1
quais a solução (11) se torna degenerada (θ = 0 e θ = π). 2M 2 2M
2L = − 1 − ṫ + 1 − ṙ2 = 0. (15)
Essa degenerescência pode ser eliminada por meio de r r
uma mudança de coordenadas, como as cartesianas,
por exemplo. Portanto, esses pontos são chamados de Utilizando as equações de Euler-Lagrange
singularidades coordenadas, uma vez que refletem uma  
∂L d ∂L
deficiência no sistema de coordenadas utilizado, mas − = 0, (16)
∂xµ dλ ∂ ẋµ
podem ser removidos ao se fazer a transição para outro
sistema. para a coordenada t, obtemos
Existem dois outros valores para os quais a solução de
    
Schwarzschild se torna degenerada, sendo eles r = 2M d 2M 2M
e r = 0. Nessas situações, o elemento de linha diverge 1− ṫ = 0 ⇒ 1 − ṫ = k, (17)
dλ r r
(ds2 → ∞). Uma análise utilizando o escalar de Krets-
chmann revela o seguinte resultado: com k constante.
Substituindo (17) em (15), obtemos
48M 2
K = Rµνρσ Rµνρσ = , (13) −k 2 + ṙ2 = 0 ⇒ ṙ = ±k. (18)
r6
onde Rµνρσ é o tensor de Riemann [17] e a ultima Finalmente, ao tomar a razão ṫ/ṙ, obtemos uma
passagem vale para a solução de Schwarzschild. Aqui, expressão que relaciona t e r:
K é um escalar que quantifica o módulo quadrado da
curvatura e, portanto, é independente do sistema de ṫ dt/dλ dt r
= = =
coordenadas utilizado. Para r = 2M , observamos que ṙ dr/dλ dr r − 2M (19)
a curvatura permanece finita, enquanto no ponto de ⇒ t = r + 2M ln |r − 2M | + const.
origem (r = 0) a curvatura diverge, indicando uma
singularidade intrínseca real de curvatura infinita. Essa A equação acima representa as trajetórias dos raios
singularidade intrínseca é uma característica intrínseca luminosos para θ e ϕ fixos no diagrama de espaço-tempo
do sistema e não pode ser removida por meio de uma de Schwarzschild. Assim, fazendo t → −t3 e selecionando
simples mudança de coordenadas, diferentemente da diferentes constantes obtemos as diferentes trajetórias
degenerescência em r = 2M , que representa uma falha para os raios luminosos que ao se cruzarem formam os
no sistema de coordenadas utilizado. cones de luz, conforme ilustrado na Fig. 4.
Embora r = 2M não represente uma singularidade Observamos na Figura 4 que os raios luminosos for-
real, esse raio marca uma inversão nos papéis do tempo mam cones de luz semelhantes aos do espaço-tempo de
e do espaço no elemento de linha (11). Quando r < 2M ,
os termos associados a dr2 e dt2 mudam de sinal, ou 2 De maneira intuitiva, 2L = 0 caracteriza uma contração da
seja, 1 − 2M/r < 0. Isso significa que as coordenadas métrica com as quadrivelocidades ẋµ e ẋν , que para o caso
de tempo e espaço trocam seus papéis, e ds2 > 0 se particular da métrica de Minkowski, gµν = ηµν , reproduz a Eq. (2)
torna um intervalo tipo-tempo, enquanto ds2 < 0 se diferenciada pelo parâmetro λ. Uma formulação mais completa
para a normalização 2L = 0 pode ser encontrada na Ref. [12].
torna um intervalo tipo-espaço. Isso é diferente do que 3 Ao fazer t → −t selecionamos as geodésicas que diminuem
ocorre para r > 2M . Portanto, a Eq. (12) marca uma conforme r aumenta. O cruzamento dessas geodésicas com as
região de transição nos tipos de intervalos, que possui descritas pela Eq. (19) caracterizam os cones de luz da Fig. 4.

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Isto é, no referencial da partícula em queda livre, a


partícula atravessa o horizonte de eventos em um tempo
próprio finito e cai continuamente até a origem r = 0.
A compreensão do que ocorre na singularidade r = 0
continua sendo um desafio fascinante para os físicos
teóricos. Essa fronteira do conhecimento oferece um
vasto campo a ser explorador e descoberto, impulsio-
nando nossa curiosidade em busca de uma teoria mais
abrangente capaz de desvendar os segredos do “coração
dos Buracos Negros”. Apesar da complexidade, há muito
que podemos afirmar sobre os Buracos Negros e suas
Figura 4: Cones de luz no espaço-tempo de Schwarzschild vistos características intrínsecas. Na próxima seção, apresenta-
por observadores infinitamente distantes de r = 2M . remos as propriedades e características mais gerais dos
Buracos Negros, que caracterizam a chamada solução de
Kerr-Newman.
Minkowski quando r → ∞, enquanto que nas proxi-
midades de r = 2M formam cones que tangenciam o 5. Buraco Negro de Kerr-Newman
raio de Schwarzschild. De fato, as coordenadas utilizadas
para descrever o elemento de linha (11) caracterizam Existem diferentes maneiras pelas quais se acredita que
o universo observado por observadores infinitamente os Buracos Negros possam se formar em nosso universo,
distantes do buraco negro. Para esses observadores, sendo a principal delas, a formação dos BNs através do
qualquer partícula que caia em direção ao horizonte processo de “morte” das estrelas. Nesse caso, devemos
(agora caracterizado por r = 2M ) leva um tempo infinito lembrar que as estrelas são objetos extremamente mas-
para alcançá-lo, uma vez que ele está infinitamente sivos que giram em torno de seu próprio eixo, ou seja,
distante. Na prática, isso implica em observar um desvio possuem momento angular de módulo J. Além disso, é
para o infravermelho na luz emitida por tal objeto. possível que, no momento do colapso, a estrela não esteja
Ainda na Fig. 4, observamos que na região I (r < 2M ), completamente neutra, possuindo uma quantidade não
todos os cones de luz apontam em direção à singulari- nula de carga elétrica Q ̸= 0. Ambas as quantidades,
dade física r = 0. A essa região do espaço-tempo damos J e Q, caracterizam grandezas físicas conservadas em
o nome de Buraco Negro. Portanto, de maneira elegante, sistemas clássicos e, portanto, têm consequências na
podemos definir um Buraco Negro como a região do formação do Buraco Negro. A solução que descreve um
espaço-tempo em que todos os cones de luz apontam em Buraco Negro massivo com momento angular e carga
direção à singularidade. Como consequência, qualquer elétrica é chamada de Buraco Negro de Kerr-Newman,
partícula ou sinal físico que atravessar o horizonte r = e sua métrica é definida pelo elemento de inha [12]
2M inevitavelmente cairá em direção à singularidade,
tornando impossível retornar para a região II (r > 2M ), ∆ 2
ds2 = − 2
dt − a sin2 θdϕ
pois isso implicaria em uma partícula viajando sem ρ
sentido negativo do tempo. Assim, a região I não pode sin2 θ  2 2
r + a2 dϕ − adt

se comunicar com a região II. + (22)
ρ 2
Para uma partícula massiva, temos 2L = −1
ρ2 2
(lagrangiana coerente com intervalos do tipo-tempo), e + dr + ρ2 dθ2 .
o parâmetro afim representa o tempo próprio λ = τ . ∆
Nesse caso, as equações de Euler-Lagrange fornecem Na solução (22), θ, ϕ e r são as usuais coordenadas
(procedimento análogo ao realizado na Eq. (17)): esféricas, enquanto t é o tempo medido por observadores
  distantes do BN. Além disso, temos
2M
1− ṫ = k, (20)
r J
a= , (23)
M
com ṫ = dt/dτ . Para r → ∞ notamos ṫ ∼ k, logo
ρ2 = r2 + a2 cos2 θ (24)
k = 1 ⇒ t = τ , que caracteriza a condição inicial de
uma partícula inicialmente em repouso no infinito. Nessa e
−1
situação, escrevemos ṫ = (1 − 2m/r) e o substituímos
na lagrangiana para obter ∆ = r2 − 2M r + a2 + Q2 , (25)
Z τ Z rr
2M r como as quantidades que caracterizam o momento angu-
ṙ2 = ⇒ dτ = − dr
r τ0 r0 2M lar J e a carga elétrica Q. Aqui M tem o mesmo signifi-
(21)
3  3/2  cado dado para a solução de Schwarzschild e respeita a
⇒ τ − τ0 = √ r0 − r3/2 . Eq. (12). Como casos particulares, se Q = 0, então (22)
2 2M

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e20240010-8 Introdução aos buracos negros e sua termodinâmica

caracteriza a chamada solução de Kerr, enquanto que 5.2. Ergosfera


J = 0 produz
A componente puramente temporal da métrica do bu-
Q2
 
2 2M raco negro de Kerr-Newmann é dada por
ds = − 1 − + 2 dt2
r r
−1 (26) ∆ a2 sin2 θ
Q2

2M 2 2 2 gtt = g00 = − + . (30)
+ 1− + 2 dr + r dΩ , ρ2 ρ2
r r
conhecida como solução de Reissner-Nordstrom [19]. Resolvendo gtt = 0 para r, obtemos duas soluções, sendo
Além disso, podemos observar que para r → ∞ a solução que a menor se encontra aquém do horizonte externo, e
de Minkowski (1) é recuperada em coordenadas esféri- portanto, será desconsiderada. A solução de raiz positiva
cas, mostrando que essas soluções são assintoticamente nos fornece o chamado limite estático:
planas. p
r = r0 = M + M 2 − Q2 − a2 cos2 θ. (31)
5.1. Singularidades
O valor de r0 caracteriza a região limite em que é
Notemos na solução de Kerr-Newman que o elemento de possível a existência de observadores estáticos. Na região
métrica grr se torna divergente quando ∆ = 0, isto é r+ < r < r0 , que chamamos de ergosfera, a componente
métrica gtt muda de sinal. Isso significa que, mesmo para
r2 − 2M r + a2 + Q2 = 0 eventos em que dr = dθ = dϕ = 0, temos ds2 > 0, o
p (27)
⇒ r± = M ± M 2 − Q2 − a2 . que implica que nenhum observador pode permanecer
em repouso nessa região.
Além disso, temos a componente gtt divergente quando Consideremos a trajetória de raios luminosos orbi-
ρ = 0, nos levando a tando o BN no plano equatorial e mantidos a uma
ρ2 = r2 + a2 cos2 θ = 0 distância constante r, ou seja, ds = dr = dθ = 0,
(28) podemos escrever o elemento de linha (22) em termos
⇒ r = 0, θ = π/2.
de suas componentes métricas como
Para interpretar as singularidades r± e ρ = 0,
podemos utilizar o escalar de Kretschmann da solução 0 = gtt dt2 + 2gtϕ dtdϕ + gϕϕ dϕ2 . (32)
de Kerr-Newmann, que possui a complicada forma [20]
Essa equação é satisfeita para
8 
K= 6M 2 (r6 − 15a2 r4 cos2 θ
ρ6 s 2
dϕ gtϕ gtϕ gtt
+15a4 r2 cos4 θ − a6 cos6 θ) Ω≡ =− ± − , (33)
dt gϕϕ gϕϕ gϕϕ
−12M Q2 r(r4 − 10a2 r2 cos2 θ (29)

+5a4 cos4 θ) + Q4 (7r4 onde definimos a velocidade angular Ω medida por


observadores infinitamente distantes do BN.
−34a2 r2 cos2 θ + 7a4 cos4 θ) .

No caso gtt = 0, obtemos o resultado não nulo
Como podemos observar, apenas ρ = 0 representa uma gtϕ
singularidade física, dado que K → ∞ nesse limite. As Ω(r = r0 ) = −2 , (34)
gϕϕ
regiões r± , entretanto, caracterizam singularidades coor-
denadas e indicam regiões onde ocorre uma mudança no isto é, mesmo a luz adquire uma componente angular
sinal da métrica. Portanto, interpretamos r+ e r− como na região r+ < r < r0 quando vista por observadores
horizonte externo e interno, respectivamente. Isto é, o infinitamente distantes do BN. Como Ω tem o mesmo
buraco negro de Kerr-Newman (em analogia ao BN de sinal que o momento angular J, os observadores distan-
Kerr) possui dois horizontes de eventos. tes percebem qualquer objeto dentro da ergosfera sendo
A região entre os horizontes, r− < r < r+ , se torna arrastado na direção de rotação do Buraco Negro. Por
peculiar agora. Quando r = r+ , o elemento de linha esse motivo, interpretamos a ergosfera como uma região
ds2 muda de sinal e se comporta como um intervalo de arrasto do espaço-tempo causada pela própria rotação
do tipo-tempo. Isso faz com que qualquer partícula do BN (veja a Fig. 5).
que entre no buraco negro se aproxime de r = r− . Para o horizonte de eventos r = r+ , temos ∆ = 0 e
Nessa região, em r = r− , a métrica muda de sinal raiz em (33) se anula, nos fornecendo
novamente e as partículas não podem entrar, mas podem
escapar dessa região. Consequentemente, a matéria que gtϕ a
Ω(r = r+ ) = − = 2 , (35)
entrar na região r+ deve ficar presa entre os dois gϕϕ r+ + a2
horizontes em uma região um pouco mais distante que
r = r− , acumulando matéria em um efeito conhecido que identificamos como a velocidade angular de rotação
como inflação de massa. do buraco negro.

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5.4. Área do Buraco Negro


Neste ponto, é interessante apresentarmos o conceito de
área do buraco negro. Um elemento de área dA pode
ser expresso de maneira independente do sistema de
coordenadas como
p
dA ≡ |g|d2 x, (41)

onde |g| é o determinante da métrica que caracteriza a


área e d2 x o produto das diferenciais de coordenadas
de superfície. Nessa definição, não introduzimos tecnica-
Figura 5: Representação do buraco negro de Kerr-Newmann. mente nenhum conceito novo, mas apenas apresentamos
uma maneira geral de expressar o elemento de área.
Consideremos como exemplo o elemento de área no
espaço de Minkowski em coordenadas cartesianas, nesse
5.3. Gravidade superficial
caso temos |g| = 1 e dA = dxdy. No entanto, em
Para o buraco negro de Kerr-Newmann, considere a coordenadas esféricas, temos |g| = sin2 θ, e, portanto,
seguinte quantidade [13]: dA = sin(θ)dθdϕ. Igualando esses dois resultados, pode-
1
mos observar que |g| 2 desempenha o papel do jacobiano
r+ − r−
κ≡ que nos leva de uma coordenada a outra.
2 + a2 ) ,
2(r+
(36)
Para o buraco negro de Kerr-Newmann, a área é
definida na posição fixa r = r+ em um tempo fixo,
que será chamada de gravidade superficial do buraco
ou seja, dr = dt = 0. Nessas condições, o elemento de
negro. Em termos das quantidades M , Q e J, utilizamos
linha (22) assume a forma simplificada
a Eq. (27) para obter
q sin2 θ 2 2
J2
M 2 − Q2 − M 2
ds2 = 2
r+ + a2 dϕ2 + ρ2 dθ2 . (42)
κ= q . (37) ρ
J2
2M 2 − Q2 + 2M M 2 − Q2 − M 2
A área é então escrita como
Para compreendermos a motivação por trás do nome Z π Z 2π p
designado a κ, consideremos o caso especial do buraco A= |g|dϕdθ, (43)
0 0
negro de Schwarzschild, em que Q = J = 0, e a equação
anterior se resume a com |g| = sin2 (θ) r+
2
2
+ a2 . Portanto, obtemos
1
κ= . (38) 2
+ a2 .

4M A = 4π r+ (44)
Agora, vamos considerar uma partícula caindo radi- Em termos de M, Q e J, encontramos
almente em direção a esse buraco negro. Conforme
analisado na seção 4.1, a velocidade radial desse objeto
r !
Q22 J2
em relaçãop ao seu tempo próprio é dada pela Eq. (21) A = 8π M − +M M2 − Q2 − 2 , (45)
2 M
como ṙ = 2M/r. Lembramos que, nesse caso, t = τ
para observadores distantes, de modo que a segunda
isto é, a área do BN pode ser descrita completamente
derivada com relação ao tempo nos fornece
pelo seu conteúdo de massa M , carga elétrica Q e
q módulo do momento angular J – uma relação direta
M ṙ M 2M M
r̈ = − q =− q
r
=− 2. (39) entre geometria do espaço-tempo e quantidades físicas.
r2 2M r2 2M r
r r
6. Termodinâmica de Buracos Negros
Quando a partícula está sob o horizonte de eventos,
ou seja, r = 2M , obtemos a aceleração gravitacional Como parte fundamental do estudo de buracos negros,
1 apresentaremos agora três de quatro leis mecânicas dos
r̈ = − , (40) BNs desenvolvidas por Jim Bardeen, Brandon Carter e
4M
Stephen Hawking em 1973 [21]. Essas leis possuem uma
e portanto, a gravidade superficial κ corresponde ao forte analogia com as leis da termodinâmica, e, como
campo gravitacional necessária para que um observador veremos em seguida, o resultado obtido por Hawking
infinitamente distante do BN perceba a partícula em (1975) [22] deixou evidente que os buracos negros pos-
repouso no horizonte de eventos. suem, de fato, um comportamento termodinâmico.

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e20240010-10 Introdução aos buracos negros e sua termodinâmica

6.1. Leis mecânicas similaridade entre a lei das áreas e a lei de aumento de
entropia é o principal motivo para a construção de uma
Lei zero
analogia entre as leis mecânicas dos buracos negros e as
A lei zero pode ser caracterizada pelo seguinte enunci- leis termodinâmicas.
ado: a gravidade superficial de um buraco negro estacio-
nário é uniforme em todo o horizonte de eventos. Esse 6.2. Efeito Hawking
resultado é completamente geral, por exemplo, se dois
buracos negros estiverem suficientemente próximos um Até o momento, a relação entre as três leis termodinâmi-
do outro, o efeito gravitacional, como a força de maré cas e as leis dos buracos negros representa apenas uma
que um exerce sobre o outro, irá gerar uma geometria analogia. Do ponto de vista da física clássica, que não
mais complicada que não é completamente descrita considera os efeitos quânticos da matéria, a gravidade
pela solução de Kerr-Newmann. No entanto, a lei zero superficial do buraco negro não poderia caracterizar
continua sendo válida. sua temperatura, a menos que fosse identicamente nula
Na usual Termodinâmica, a lei zero estabelece que, (κ = 0). Isso seria esperado, uma vez que, classi-
para um sistema em equilíbrio termodinâmico, a tem- camente, nenhum objeto pode escapar de um buraco
peratura do sistema deve ser a mesma em todos os negro, enquanto, na termodinâmica, qualquer objeto
lugares. Portanto, em uma analogia direta, a gravidade com temperatura diferente de zero deve emitir radiação.
superficial κ está para os buracos negros assim como a No entanto, ao considerarmos os efeitos quânticos da
temperatura está para um sistema termodinâmico. matéria, a situação muda completamente, como demons-
trado por Hawking em 1975 [22].
A Teoria Quântica de Campos afirma que o espaço-
Primeira lei
tempo em que vivemos é permeado por diferentes tipos
A primeira lei estabelece que variações na massa, na de campos que estão constantemente sofrendo flutu-
carga elétrica e momento angular do buraco negro estão ações de energia. Essas flutuações de energia geram
relacionadas por os chamados “pares de partículas virtuais”, em que
uma partícula e sua antipartícula correspondente (por
κ
δM = δA − ΦδQ + ΩδJ, (46) exemplo, elétrons e pósitrons) surgem do vácuo, mas se
8π combinam e se aniquilam em um tempo extremamente
onde κ é a gravidade superficial do BN, Eq. (36), Φ curto. O que Hawking mostrou é que, próximo ao
o potencial elétrico e Ω a velocidade angular, definidos horizonte de eventos de um buraco negro, pode ocorrer
como a criação, mas não a aniquilação dos pares de partículas,
de modo que uma das partículas é capturada pelo buraco
Qr+ J/M
Φ≡− e Ω≡ , (47) negro e a outra escapa para o infinito4 . Nesse caso,
α α quando uma antipartícula é capturada e sua partícula
com α = A/4π. O leitor interessado pode ver a dedução simétrica escapa para o infinito, o buraco negro sofre
da primeira lei no Apêndice ??. uma diminuição de energia com o mesmo módulo de
A conexão com a Termodinâmica é feita por uma energia que viajou para o infinito, mas com sinal oposto.
comparação direta com a primeira lei Isso é equivalente a dizer que o buraco negro está
emitindo radiação para observadores distantes.
δU = T δS − pδV. (48) Hawking demonstrou que o fluxo de radiação produ-
zido ao redor do buraco negro, denominada radiação
Dessa forma, observamos que a gravidade superficial Hawking, corresponde, para observadores externos, à
caracteriza a temperatura do buraco negro, enquanto a radiação emitida por um corpo negro a uma temperatura
variação da área caracteriza a variação de entropia. Ou
κ κ
seja, 8π δA é análogo a T δS. Da mesma forma, temos TBN = . (50)
que −ΦδQ + ΩδJ análogo a −pδV . π
Isso nos leva a uma definição para a entropia do buraco
Segunda lei negro como — vide-se a Eq. (46) relacionando κ e A:

A segunda lei, conhecida como lei das áreas, é carac- A


SBN = , (51)
terizara por um teorema estabelecido por Hawking em 4
1971 [23], o qual afirma que a área superficial de um demonstrando assim que o tratamento análogo desen-
buraco negro nunca pode diminuir: volvido anteriormente nas leis dos buracos negros ca-
racteriza, de fato, um comportamento termodinâmico
δA ≥ 0. (49)
4 É importante destacar que essa é uma visão simplificada
Isso guarda semelhança com a segunda lei da termo-
apresentada pelo próprio Hawking em [22]. O entendimento mais
dinâmica, a qual estabelece que a entropia de sistemas profundo, também discutido na mesma referência, exige o conheci-
termodinâmicos isolados nunca diminui: δS ≥ 0. Essa mento dos conceitos fundamentais da Teoria Quântica de Campos.

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de Planck reduzida e G = 6, 674 × 10−11 m3 /kg.s2 é


a constante gravitacional de Newton. A lei de Stefan-
Boltzmann [24] fornece a potência P irradiada por uni-
dade de área A para um corpo negro a temperatura T :

P π2 k4 4
= T . (55)
A 60c2 ℏ3
Para o buraco negro de Schwarzschild com área A =
16πm2 G2 /c4 (em unidades convencionais), conforme se
deduz da Eq. (45) com Q = J = 0, obtemos uma
potência
Figura 6: Representação esquemática do efeito Hawking. ℏc6
P = , (56)
15360G2 πm2

desses objetos. Em outras palavras, podemos dizer que onde usamos (54). Se m é a massa do buraco negro, sua
buracos negros correspondem a regiões do espaço-tempo energia é dada por E = mc2 , que diferenciando no tempo
que emitem radiação de corpo negro a uma temperatura fica
TBN . dE dm
A diminuição da energia do buraco negro faz com = c2 . (57)
dt dt
que sua área diminua e, consequentemente, sua entropia
SBN também diminui. Isso viola a lei das áreas. Como Quando igualamos isso a −P , já que a potência irradiada
resultado desse processo, a quantidade de entropia dimi- ocorre devido à diminuição da energia do buraco negro,
nuída é compensada pela entropia da radiação emitida obtemos a seguinte equação para m em função do tempo:
Smatéria , que corresponde à entropia usual da termodi-
m3 = −3bc−2 t + C, (58)
nâmica. Dessa forma, a segunda lei da termodinâmica
é generalizada para o contexto dos buracos negros, em sendo b = ℏc6 /15360πG2 e C uma constante de integra-
que a entropia total é dada por ção. Assim, considerando que em t = 0 temos a massa
X X inicial m = m0 , nossa equação final fica:
S= Smatéria + SBN . (52)
1
m = m30 − 3βt 3 , (59)
6.3. Evaporação de um buraco negro de
Schwarzschild com a massa do Sol com β = bc−2 .
A vaporação completa ocorre quando m = 0, e
A descrição dos buracos negros como corpos que emitem portanto
radiação resulta na evaporação desses objetos. Isso signi-
fica que um buraco negro emite radiação continuamente, m30
diminuindo sua área até desaparecer por completo. t= . (60)

Vamos concluir nossa discussão considerando o caso
simples do buraco negro de Schwarzschild e calcular Para um buraco negro com a massa do Sol, m0 = 1, 99 ×
o tempo necessário para que um buraco negro com a 1030 kg, a equação anterior fornece
mesma massa do Sol evapore completamente.
A temperatura do buraco negro de Schwarzschild é t = 6, 60 × 1074 s = 2, 09 × 1067 anos, (61)
dada por
que é o tempo necessário para um buraco negro com
1 a massa do Sol evaporar completamente. Note que esse
TBN = . (53) tempo é maior que a idade do nosso universo (da ordem
8πM
de 1010 anos), o que significa que qualquer buraco negro
Essa equação está em unidades geométricas (ℏ = c = com massa m ≥ m0 ainda não evaporou por completo,
k = 1). Em termos das unidades convencionais, podemos mesmo que tenha se formado junto com o nascimento do
escrever a temperatura como universo.
ℏc3
TBN = , (54) 7. Conclusões
8πGkm
onde utilizamos a Eq. (12) para obter a temperatura Neste trabalho de revisão, explicamos como caracterizar
em relação a massa m. Aqui, k = 1, 38 × 10−23 J/K é a os buracos negros e estudar suas propriedades sem entrar
constante de Boltzmann, c = 3, 0×108 m/s é a velocidade em detalhes matemáticos complexos. Focamos no caso
da luz no vácuo, ℏ = 1, 055 × 10−34 J.s é a constante do buraco negro de Schwarzschild para mostrar que os

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e20240010-12 Introdução aos buracos negros e sua termodinâmica

buracos negros são regiões do espaço-tempo onde nada [14] J. Castiñeiras, L.C.B. Crispino e G.E.A. Matsas,
pode escapar de seu horizonte de eventos. Scientific American Brasil 29, 50 (2004).
Também abordamos o caso mais geral do buraco [15] B.P. Abbott, R. Abbott, T.D. Abbott, M.R. Abernathy,
negro de Kerr-Newmann, do qual as soluções específicas, F. Acernese, K. Ackley, C. Adams, T. Adams, P. Ad-
como o buraco negro de Kerr, o buraco negro de desso, R.X. Adhikari et al., Physical review letters 116,
Reissner-Nordstrom e o buraco negro de Schwarzschild, 061102 (2016).
podem ser obtidas como casos especiais. Introduzimos as [16] A. Einstein e J. Stachel, The Collected Papers of Albert
Einstein, Volume 15: The Berlin Years: Writings &
quantidades fundamentais que caracterizam os buracos
Correspondence, June 1925–May 1927 – Documentary
negros, como sua área e gravidade superficial, conceitos Edition (Princeton University Press, Nova Jersey, 1987).
amplamente discutidos na literatura através de vetores [17] J. Foster e J. Nightingale, A Short Course in General
de Killing, mas que não aprofundamos aqui. Relativity (Springer, Nova Iorque, 2010).
Discutimos três das quatro leis mecânicas dos buracos [18] J.B. Marion e S.T. Thornton, Classical dynamics of par-
negros propostas por Bardeen, Carter e Hawking, que ticles and systems (Academic Press, Cambridge, 2013).
possuem analogias diretas com as leis termodinâmicas. [19] H. Reissner, Annalen der Physik 355, 106 (1916).
Também mencionamos o efeito Hawking, que estabelece [20] R.C. Henry, The Astrophysical Journal 535, 350 (2000).
a conexão física entre essas leis mecânicas com as leis [21] J. Bardeen, B. Carter e S. Hawking, Communications in
da termodinâmica, mostrando que as semelhanças entre mathematical physics 31, 161 (1973).
as leis dos buracos negros e as leis termodinâmicas vão [22] S. Hawking, Communications in mathematical physics
além de simples analogias. Por fim, como exemplo e 43, 199 (1975).
consequência direta do comportamento termodinâmico [23] S. Hawking, Physical Review Letters 26, 1344 (1971).
dos buracos negros, demonstramos como calcular o [24] R. Balian, From Microphysics to Macrophysics: Methods
tempo de evaporação de um buraco negro estático, sem and Applications of Statistical Physics (Springer Science
carga ou rotação. & Business Media, Berlim 2007).

Material suplementar
O seguinte material suplementar está disponível online:
Apêndice A – Obtendo a primeira lei dos buracos negros.

Referências
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dos, Núcleos e Partículas (GEN LTC, São Paulo, 1979).
[2] R. Gazzinelli, Teoria da Relatividade Especial (Blucher,
São Paulo 2019).
[3] A. Einstein, Annalen der physik 17, 891 (1905).
[4] M. Capek, The Concepts of Space and Time: Their
Structure and Their Development (Springer Nether-
lands, Dordrecht, 2014).
[5] C. Misner, K. Thorne, J. Wheeler e D. Kaiser, Gravita-
tion (Princeton University Press, Nova Jersey, 2017).
[6] J. Jost e B. Riemann, On the Hypotheses Which Lie
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blishing, Berlim, 2016).
[7] G. Ricci e T. Levi-Civita, Mathematische Annalen 54,
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[8] K. Schwarzschild, Gen. Relativ. Gravit 35, 951 (2003).
[9] A. Saa, Revista Brasileira de Ensino de Física 38, e4201
(2016).
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[11] J.R. Oppenheimer e H. Snyder, Physical Review 56, 455
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[12] R. Inverno e J. Vickers, Introducing Einstein’s Relati-
vity: A Deeper Understanding (Oxford University Press,
Oxford, 2022).
[13] D. Giugno, Buracos negros e termodinâmica. Dissertação
de Mestrado, Universidade de São Paulo, São Paulo
2001).

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