Política de Saúde Integral da Criança
Política de Saúde Integral da Criança
ANTROPOMETRIA-ESTATURA GANHO
ESTATURAL MÉDIO DE 0 A 2 ANOS
FECHAMENTO FONTANELAS
TESTES ORTOPÉDICOS
ORIENTAÇÕES
DIVERSIDADE DE GÊNERO E A
SEXUALIDADE NA APS.
EDUCAÇÃO SEXUAL
• De acordo com a OMS, UNESCO e MS, a
Educação Sexual é o processo de aprendizagem
e desenvolvimento de habilidades e
conhecimentos relacionados à sexualidade
humana.
mesmo sexo);
- Bissexual (atração por pessoas de
ambos os sexos), entre outras
possibilidades. 3. Identidade de gênero:
Identidade de gênero é a forma como
uma pessoa se identifica em relação ao
gênero, podendo ser masculina,
feminina, não-binária ou de outra
forma. Essa identidade pode não
corresponder ao sexo biológico ou às
expectativas sociais associadas ao
gênero. É uma experiência pessoal e
subjetiva de cada indivíduo.
TEMAS NEGLIGENCIADOS Alguns
temas negligenciados em educação
sexual e sexualidade:
1. Sexualidade na terceira idade;
2. Sexualidade na pessoa com
deficiência; 3. Saude sexual de pessoas
LGBTQIA+; 4. Educação sexual nos
escolas;
5. Educação sexual para pessoas de
baixa escolaridade;
6. Saude sexual no contexto de refúgio e
TERMOS EM EDUCAÇÃO SEXUAL E migração;
SEXUALIDADE 7. Sexualidade na população vivendo em
situação de rua;
8. Sexualidade em pessoas privativas de
liberdade.
FASES DA VIDA E SEXUALIDADE 1.
Infância: É importante que os pais e cuidadores
estejam cientes de como as crianças se
desenvolvem sexualmente e como lidar com as
perguntas e curiosidade que surgem.
2. Adolescência: A adolescência é uma fase de
descobertas e experimentações, e é
importante que os jovens recebam
informações aprecisas e adequadas sobre
saúde sexual e reprodutiva, incluindo a
1. prevenção de doenças sexualmente
Gênero: Gênero é um conjunto de transmissíveis e contracepção.
características, papéis, comportamentos e 3. Idade adulta: Na idade adulta, a sexualidade
valores socialmente construídos e associados pode ser afetada por fatores c o m o a s a ú
a homens e mulheres em uma determinada defísicaemental,
cultura ou sociedade. O gênero é uma
construção social e pode variar em diferentes
culturas e contextos. relacionamentos e mudangas na vida,
Maria Vitória de Sousa Santos mudanças
2. Orientação afetiva: Orientação afetiva, ou como a maternidade e a paternidade. 4.
orientação sexual, é a atração emocional e Terceira idade: A sexualidade na terceira idade
sexual de uma pessoa por outras pessoas. muitas vezes é negligenciado, mas é uma parte
Ela pode ser: importante da vida e pode trazer benefícios para a
- Heterossexual (atração por pessoas do sexo saude físico e emocional. No entanto, a saude e o
oposto); bem estar sexual podem ser afetados por
- Homossexual (atração por pessoas do problemas de saúde, mudanças hormonais e
medicações. vulneráveis: ISTD;
ABORDANDO SEXUALIDADE NA APS • É 4. Promover a participação ativa e o diálogo; 5.
importante que os profissionais de saude na APS Oferecer suporte e encaminhamento para
estejam capacitados para lidar com a sexualidade serviços especializados.
de forma sensível e respeitosa, respeitando a
privacidade e autonomia dos pacientes.
• Identificar e respeitar as necessidades e
preferências dos pacientes em relação à sua s e
x u a l i d a d e, s e m j u l g a m e n t o s o u
estereótipos.
• Oferecer informações claras, precisas e
acessíveis sobre saude sexual e reprodutiva,
incluindo a prevenção de doenças sexualmente
transmissíveis e a contracepção.
• Promover a educação sexual e reprodutiva desde
a infância, por meio de palestras, materiais
informativos e orientações para pais e
cuidadores.
• Identificar e tratar problemas de saúde sexual,
como disfunção eréti, infecções sexualmente
transmissíveis e câncer de colo de útero, por
meio de exames preventivos e tratamento
adequado.
• Promover a saude sexual de forma inclusiva e
abrangente, abordando questões relacionadas à
diversidade sexual, gênero e identidade de
gênero.
• Fornecer orientações sobre sexualidade na
terceira idade, incluindo a importância de
manter a atividade sexual e prevenir problemas
de saúde relacionados.
• Realizar encaminhamentos para serviços ABORDAGEM DA MULHER NA
especializados, quando necessário, como CONSULTA PRÉ-NATAL DE BAIXO RISCO
serviços de psicologia e aconselhamento em NA APS OBJETIVO DO PRÉ NATAL O
casos de violência sexual. objetivo do acompanhamento pré-natal é assegurar
Observação: No Brasil a notificação de casos de o desenvolvimento da gestação, permitindo o
violência sexual é obrigatória por lei e deve ser parto de um recém-nascido saudável, sem impacto
feita pelos profissionais de saúde que prestam para a saúde materna, inclusive abordando
atendimento à vitima, incluindo serviços de saude aspectos psicossociais e as atividades educativas e
púbica e privada. A notificação é feita por meio preventivas.
de um formulário 1. Diagnosticar/confirmar gravidez (teste rápido);
Maria Vitória de Sousa Santos 2. Diagnosticar doenças preexistentes; 3.
Proporcionar higidez ao organismo materno e
especifico, que deve ser preenchido com fetal;
informações sobre o caso, como a identificação 4. Amparar social e psicologicamente; 5. Preparar
da vítima a forma de violência sofrida, o tipo de para o parto e a maternidade. ACOLHIMENTO
agressor e o encaminhamento para serviços • A Política Nacional de Humanização toma o
especializados. acolhimento como postura prática nas ações de
ESTRATÉGIAS DE ABORDAGEM 1. atenção e gestão das unidades de saúde, o que
Conhecer e respeitar as especificidades de cada favorece a construção de uma relação de
grupo; confiança e compromisso dos usuários com as
2. Garantir uma abordagem inclusiva e livre de equipes e os serviços, contribuindo para a
preconceitos; promoção da cultura de solidariedade e para a
3. Utilizar estratégias adequadas à faixa etária e legitimação do sistema público de saúde.
nível de escolaridade dos grupos • O acolhimento da gestante na atenção básica i m
história reprodutiva, alterações fetais
e maternas na gestação atual.
de
Fatores de risco que encaminhamento
ao pré natal de alto risco
1. Fatores relacionados às condições
prévias: 2. Cardiopatias;
3. Pneumopatias graves (incluindo
asma brônquica);
4. Nefropatias graves (como
insuficiência r e n a l c r ô n i c a e e
m c a s o s d e transplantados);
5. Endocrinopatias (especialmente
diabetes m e l l i t u s , h i p o t i r e o
i d i s m o e hipertireoidismo);
6. Doenças hematológicas (inclusive
doença falciforme e talassemia);
7. Hipertensão arterial crônica e/ou
caso de paciente que faça uso de
anti-hipertensivo (PA>140/90mmHg
antes de 20 semanas de idade
gestacional – IG);
8. Doenças neurológicas (como
epilepsia); 9. Doenças psiquiátricas
plicaaresponsabilizaçãopela que necessitam de acompanhamento (psicoses,
integralidade do cuidado a partir da recepção da depressão grave etc.);
usuária com escuta qualificada e a partir do 10. Doenças autoimunes (lúpus eritematoso
favorecimento do vínculo e da avaliação de sistêmico, outras colagenoses);
vulnerabilidades de acordo com o seu contexto 11. Entre outros.
social, entre outros cuidados. Fatores relacionados à história reprodutiva
• A história de vida e o contexto de gestação anterior:
trazidos pela mulher durante a gravidez devem 1. Morte intrauterina ou perinatal em gestação
ser acolhidos integralmente a partir do seu anterior, principalmente se for de causa
relato e da fala de seu parceiro. desconhecida;
• O profissional deve permitir que a gestante 2. História prévia de doença hipertensiva da
expresse suas preocupações e suas angústias, gestação, com mau resultado obstétrico e/ ou
garantindo a atenção resolutiva e a articulação perinatal (interrupção prematura da
com os outros serviços de saúde para a gestação, morte fetal intrauterina, síndrome
continuidade da assistência e, quando Hellp, eclâmpsia, internação da mãe em
necessário, possibilitando a criação de vínculo UTI);
da gestante com a equipe de salde. 3. Abortamento habitual;
saúde. 4. Esterilidade/infertilidade.
• Uma escuta aberta, sem julgamentos nem Fatores relacionados à gravidez atual: 1.
preconceitos, de forma que permita à mulher Restrição do crescimento intrauterino; 2.
falar de sua intimidade com segurança, fortalece Polidrâmnio ou oligoidrâmnio;
a gestante no seu caminho até o parto e ajuda a 3. Gemelaridade;
construir o seu conhecimento sobre si mesma, 4. Malformações fetais ou arritmia fetal;
contribuindo para que tanto o parto quanto o
nascimento sejam tranquilos e saudáveis.
Maria Vitória de Sousa Santos 5. Distúrbios hipertensivos da gestação
Classificação de risco gestacional (hipertensão crônica preexistente, hipertensão
1. Baixo risco: 90% das pacientes. O gestacional ou transitória). CONSULTAS
seguimento na atenção básica. • As consultas de pré-natal poderão ser realizadas
2. Alto risco: 10% das pacientes. Está na unidade de saúde ou durante visitas
relacionado a doenças preexistentes, domiciliares.
O total de consultas deverá ser de, no mínimo, 6 lícitas.
(seis), com acompanhamento intercalado entre EXAME FÍSICO
médico e enfermeiro. Exame físico geral:
1. 1° Trimestre: Uma consulta; 1. Inspeção da pele e das mucosas;
2. 2° Trimestre: Duas consultas; 2. Sinais vitais: aferição do pulso, frequência
3. 3° Trimestre: Três consultas. cardíaca, frequência respiratória,
Sempre que possível, as consultas devem ser temperatura axilar;
realizadas conforme o seguinte cronograma: 1. Até 3. Palpação da tireoide , região cervical,
28ª semana – mensalmente; supraclavicular e axilar (pesquisa de
2. D a 2 8 ª a t é a 3 6 ª s e m a n a – nódulos ou outras anormalidades);
quinzenalmente; 4. Ausculta cardiopulmonar;
3. Da 36ª até a 41ª semana – semanalmente. • A 5. Exame do abdome;
maior frequência de visitas no final da gestação 6. Exame dos membros inferiores;
visa à avaliação do risco perinatal e das 7. Determinação do peso;
intercorrências clínico-obstétricas mais comuns 8. Determinação da altura;
nesse trimestre, como trabalho de parto 9. Cálculo do IMC;
prematuro, pré-eclâmpsia e eclâmpsia, 10. Avaliação do estado nutricional e do ganho
amniorrexe prematura e óbito fetal. • Não existe de peso gestacional; - Medida da pressão
“alta” do pré-natal antes do parto. • Quando o arterial;
parto não ocorre até a 41ª semana, é necessário 11. Pesquisa de edema (membros, face, região
encaminhar a gestante para avaliação do sacra, tronco).
bem-estar fetal, incluindo avaliação do índice do Exame físico específico (gineco obstétrico):
líquido amniótico e monitoramento cardíaco fetal. 1. Palpação obstétrica;
1° CONSULTA 2. Medida e avaliação da altura uterina; 3.
ANAMNESE Ausculta dos batimentos cardiofetais; 4.
Identificação: Registro dos movimentos fetais;
1. Nome; 5. Teste de estímulo sonoro simplificado (Tess);
2. Idade da paciente <15 e >35 anos; 3. Etnia; 6. Exame clínico das mamas;
4. Estado civil; 7. Exame ginecológico (inspeção dos genitais
5. Profissão - física ou intelectual; externos, exame especular, coleta de
6. Procedência. material para exame colpocitopatológico,
Deve-se pesquisar os: toque vaginal).
1. Aspectos socioepidemiológicos; Altura uterina
2. Antecedentes familiares (DM, HAS, CA, • Visa ao acompanhamento do crescimento fetal
gemelaridade, etc); e à detecção precoce de alterações. • Use como
3. Antecedentes pessoais gerais (doenças indicador a medida da altura uterina e sua
neuropsiquiátricas, tireoidopatias, relação com o número de semanas de gestação.
cardiopatias, doenças renais, asma, cirurgias
prévias, DM, HAS, alergias, anemia,
hemotransfusões, etc);
4. Antecedentes ginecológicos (ciclo menstrual,
uso de anticoncepcional,
Maria Vitória de Sousa Santos
ULTRASSONOGRAFIA
• Não é considerado um exame obrigatório pelo
Ministério da Saúde, mas possui maior acurácia
para determinação da idade gestacional quando
VACINAÇÃO PRÉ NATAL 1. Tétano dT:
Complementar esquema / Dose adicional de
reforço após 5 anos 2. Coqueluche dTpa: A partir
da 20ª semana ou até 45 dias após o parto.
3. Influenza: Campanha anual
4. Hepatite B: Para gestantes não vacinadas
Observação: Não fazer aplicação de vacinas
contra Rubeola, sarampo, caxumba, varicela,
sabin, BCG (vacinas atenuadas).
Observação: Febre amarela só fazer em caso de
risco de exposição.
Maria Vitória de Sousa Santos
TRATAMENTO
1. Diminuir consumo de sódio;
2. Metildopa;
3. Nifedipina;
4. Hidralazina;
5. Repouso;
6. Controle pressórico;
7. Reposição de cálcio.
DIABETES GESTACIONAL A hiperglicemia
p r é - n a t a l e n o v a m e n t e c o m
aproximadamente 28 semanas.
A anemia durante a gestação pode estar
associada a:
Maria Vitória de Sousa Santos
1. Risco aumentado de baixo peso ao nascer; 2.
Mortalidade perinatal;
3. Trabalho de parto prematuro.
Os fatores de risco para anemia na gestação são:
1. Dieta com pouco ferro, vitaminas ou
RASTREAMENTO E DIAGNÓSTICO
minerais;
2. Perda de sangue decorrente de cirurgia ou
lesão;
3. Doença grave ou de longo prazo (como
câncer, diabetes, doença nos rins, artrite
TRATAMENTO reumatoide, AIDS, doença inflamatória do
1. Diminuição do açúcar; intestino, doença no fígado, insuficiência
2. Atividade física: cardíaca e doença na tireoide);
3. Insulina açúcar. 4. Infecções de longo prazo;
ANEMIAS 5. Histórico familiar de anemia herdada, como
• A anemia é definida durante a gestação com os talassemia e anemia falciforme. O tratamento das
valores de hemoglobina (Hb) abaixo de 11g/ dl. anemias deve seguir o fluxo sugerido a seguir.
• O rastreamento deve ser oferecido a toda PUERPÉRIO FISIOLÓGICO • O puerpério é
gestante o mais precocemente na vinculação d o o período que vai da dequitação (expulsão da
(trombose), constituindo outro
mecanismo hemostático para
prevenir perda sanguínea.
• Após 24h, o fundo uterino atinge
a cicatriz umbilical.
• Após uma semana, atinge a região
entre a cicatriz umbilical e a sínfise
púbica.
• Na segunda semana, deixa de ser
palpável no abdome e, por fim,
atinge as dimensões pré-gravídicas
dentro de 6-8 semanas após o
parto.
• O colo uterino, ao fim da
dequitação, se encontra amolecido,
com lacerações no orifício externo,
que continua dilatado.
• A dilatação do colo regride de
forma lenta, ficando entre 2-3 cm
nos primeiros dias após o parto, e
menos de 1 cm com uma semana
de puerpério.
• É comum haver cólicas
abdominais nos primeiros 3 dias, e
placenta) até a volta do organismo materno às estas são mais fortes em multíparas
condições pré gravídicas. e em lactantes, pois a estimulação do mamilo
• Promover cuidados humanizados à mulher, estimula a liberação de ocitocina pelo eixo
recém-nascido e sua família abordando os neuro-hipofisário.
aspectos físicos, emocionais e socioculturais • Em relação as tubas uterinas, seu epitélio
relativos à fase puerperal. durante a gestação é predominantemente
composto de células não ciliadas, em
FASES DO PUERPÉRIO
decorrência do desequilíbrio entre os níveis
Período de 6 a 8 semanas após o parto. 1.
de progesterona e estrogênio.
Imediato: até o 10° dia após o parto. 2. Tardio:
• Com a diminuição destes hormônios após o
10° ao 45° dias após o parto. 3. Remoto: após 45°
dia após o parto. INVOLUÇÃO E parto, há extrusão nuclear das células não
RECUPERAÇÃO DA GENITÁLIA • Logo após ciliadas e diminuição do tamanho das células
o parto, o útero se encontra um ciliadas e não-ciliadas.
pouco acima da cicatriz umbilical, a partir do • Além disso, após a dequitação, persiste a
qual inicia um processo de involução. • O útero se porção basal da decídua. Esta se divide em
contrai, comprimindo os vasos sanguíneos e duas novas camadas: a superficial, que sofre
causando uma aparência isquêmica. descamação; e a profunda, que regenera o
• A contração também contrai os vasos novo endométrio a partir das glândulas e do
intramiometriais, reduzindo o fluxo sanguíneo e estroma da decídua basal, recobrindo a
prevenindo a hemorragia pós parto. cavidade endometrial dentro de 16 dias após
o parto.
• Além disso, os vasos calibrosos são obliterados
VAGINA E VULVA
• A vagina está alargada e lisa logo
após o parto.
• Gradualmente, suas dimensões se
reduzem, mas não voltam ao estado
pré-gravídico. • A rugosidade
vaginal reaparece na terceira semana,
por redução do edema e da
vascularização.
• Nódulos de mucosa fibrosados
formam as carúnculas himenais devido ao totalidade do peso adquirido durante a gestação.
rompimento do hímen no momento do parto. • Cerca de metade do peso ponderal adquirido é
• Por fim, a distensão fascial e possíveis perdido durante as primeiras 6 semanas após o
lacerações causam afrouxamento da parto.
musculatura pélvica, que pode não regredir • O restante ocorre entre as 6 semanas e os 6
ao estado original. meses depois, sendo maior nos 3 primeiros
• Em decorrência disso, o parto predispõe a meses.
ocorrência de incontinência urinária e fecal. • • Habitualmente há perda acentuada nos primeiros
Histologicamente, há progressiva atrofia do 10 dias, atribuída à maior diurese, à secreção
epitélio escamoso vaginal nos primeiros dez láctea e à eliminação loquial.
dias. SISTEMA CARDIOVASCULAR • O débito
• No 15º dia, a descamação alcança seu pico e a cardíaco está aumentado na primeira hora do
regeneração se inicia. pós-parto (10%), assim permanecendo durante 1
PAREDE ABDOMINAL • No puerpério, a semana.
musculatura da parede abdominal está • A pressão venosa dos membros inferiores,
afrouxada. elevada durante a gravidez, normaliza-se
• Em consequência da ruptura das fibras imediatamente.
elásticas da pele e da distensão prolongada • As varizes, acaso presentes, emurchecem, e os
causada pelo útero gravídico, a parede edemas desaparecem.
abdominal continua mole e flácida. SISTEMA SANGUÍNEO • Não há mudanças da
• Várias semanas depois, seu tônus normal é série vermelha próprias do puerpério.
readquirido na maioria dos casos. Em • Nota-se, na série branca, imediatamente após
algumas mulheres, no entanto, persiste a o parto, leucocitose de até 30 mil glóbulos, à
diástese do musculo reto abdominal. custa principalmente dos granulócitos
• A pele pode ainda continuar frouxa, se houver neutrófilos.
ruptura extensa de fibras elásticas. SISTEMA • Em condições normais, a hiperleucocitose
ENDÓCRINO fica reduzida à metade nas primeiras 48
• Ao fim da gravidez os níveis de estrogênio e horas, e ao cabo do 5.° ou 6.° dia o quadro
progesterona estão muito elevados, assim como retorna às taxas habituais.
os de prolactina (PRL). • A velocidade de eritrossedimentação,
• Com a saída da placenta, ocorre queda imediata acelerada na gravidez, sofre novo incremento
dos esteroides placentários a níveis muito no puerpério, regularizando-se somente entre
baixos e leve diminuição dos valores dos a 5° e a 7° semana.
valores de PRL, que ainda permanecem • A concentração de hemoglobina volta a níveis
elevados. não gravídicos em 6 semanas do parto. • Está
• Na ausência da lactação, nas primeiras semanas aumentada a tendência à coagulação no
pós-parto, tanto a LH como o FSH mantêm-se puerpério.
com valores muito baixos, para logo • Após a dequitação, há geralmente queda das
começarem a se elevar lentamente. plaquetas, com elevação secundária nos
• No puerpério inicial os níveis de estrogênio primeiros dias do pós-parto juntamente com a
mantêm-se baixos e a progesterona não é adesividade plaquetária.
detectável. • O fibrinogênio plasmático diminui em
• A recuperação das gonadotrofinas até os níveis concentração no momento do parto,
prévios à gravidez depende da presença ou não atingindo o seu menor nível no primeiro dia
da amamentação. do puerpério e voltando a se elevar em
• A amamentação pode impedir a fertilidade pela seguida, igualando-se aos níveis pré
ação direta do estímulo do mamilo sobre o gravídicos entre o 3º e o 5º dia.
hipotálamo por via neuroendócrina, inibindo o ALTERAÇÕES ÓSSEAS
fator inibidor da prolactina (PIF) e o hormônio • Há diminuição generalizada da densidade
liberador da gonadotrofina (GnRH), óssea em gestantes, voltando ao estado pré
acarretando, respectivamente, elevação da gravidez dentro de 12 a 18 meses após o
prolactina e inibição do FSH e do LH parto.
hipofisários. • Não é recomendada qualquer intervenção,
PERDA PONDERAL sendo essas alterações auto-limitadas e
• Após a gravidez, a mulher perde quase a reversíveis.
SISTEMA URINÁRIO • A camada superficial da decídua basal (parte
• No puerpério imediato, a mucosa vesical está que fica abaixo do concepto, formando o
edemaciada, devido ao parto e ao trabalho de componente materno da placenta) sofre necrose
parto. e é eliminada sob a forma de lóquios.
• Há também uma distensão vesical, o que p r e Lóquios:
dispõearetençãourináriae Secreções exteriorizadas pela vagina no
esvaziamento incompleto ao urinar, causando puerpério:
urina residual. - Até 3° dia: lóquios rubros (lochia rubra). - 5°
• É a diurese inicialmente escassa, em razão da dia: lóquios róseos (lochia fusca).
desidratação no trabalho de parto. Do 2.° ao - 10° dia: lóquios alvos (lochia alba).
6.° dia estabelece-se abundante excreção
urinária, que elimina a água acumulada
durante a gestação.
• Até a sexta semana, na maioria das puérperas,
o exame ultrassonográfico evidencia
dilatação do sistema pielocalicial.
• Todos esses fatores citados são fator de risco
para infecção do trato urinário.
• A retenção urinária pode ser definida como
ausência de micção por 6h após o parto ou após
a retirada da sonda vesical após cesariana.
PELE
• As estriações do abdome e das mamas, quando
presentes, perdem a cor vermelho arroxeada e MAMA
ficam pálidas, transformando-se, em algumas • Ocorre o aumento da mama por conta da
semanas, nas estrias branco nacaradas. hipertrofia dos vasos, das c é lulas
• Regridem as modificações do tipo de mioepiteliais, depósito de gordura e retenção
implantação dos pelos pubianos, as de água e de eletrólitos.
hiperpigmentações da pele do rosto, do abdome • O colostro já está presente no momento do
e das mamas. parto.
• Algumas ficam indeléveis. • Apojadura acontece até o terceiro dia pós
• Há também uma queda de cabelo comum entre parto.
1 e 5 meses após o parto, o que leva a crença Outras:
equivocada de que amamentar causa queda de 1. Temperatura: Aumento discreto da
cabelo, por coincidir com o momento da temperatura
amamentação, porém essa queda de cabelo é 2. Órgãos internos: Retorno dos órgãos
autolimitada e o cabelo retorna aos padrões abdominais Involução uterina
normais de crescimento de 6 a 15 meses após o 3. Alterações Hematológicas: Leucocitos, Au
parto. m e n t o d o vo l u m e c i rc u l a n t e,
SISTEMA DIGESTIVO Loquiação.
• Com o esvaziamento uterino retornam as ASSISTÊNCIA PÓS NATAL Anamnese:
vís-ceras abdominais, vagarosamente, às Verifique o Cartão da Gestante e pergunte à
disposições anatômicas. mulher questões sobre:
• Há redução da motilidade intestinal. • A 1. As condições da gestação;
constipação da puérpera, indefectível nas 2. As condições do atendimento ao parto e ao
pacientes que se mantinham no leito de uma a recém-nascido;
duas semanas, é hoje menos frequente com o 3. Os dados do parto (data; tipo de parto; se
levantar precoce, e observada unicamente nas que parto cesárea, qual indicação deste tipo de
têm obstipação crônica. parto);
• O funcionamento fisiológico dos intestinos é 4. Se houve alguma intercorrência na gestação,
habitualmente restaurado no 3° ou 4° dia. no parto ou no pós-parto (febre,
ALTERAÇÃO DO ENDOMÉTRIO • Endométrio hemorragia, hipertensão, diabetes,
é o tecido que reveste o interior do útero onde o convulsões, sensibilização de Rh);
embrião implanta e se desenvolve durante a 5. Se recebeu aconselhamento e realizou
gravidez.
testagem para sífilis e HIV durante a causas mais frequentes de problemas nos
gestação e/ou o parto; mamilos.
6. O uso de medicamentos (ferro, ácido fólico, 5. Em caso de ingurgitamento mamário, mais
vitamina A, outros). comum entre o terceiro e o quinto dia pós-
Pergunte a ela como se sente e indague questões parto, oriente a mulher quanto à ordenha
sobre: manual, ao armazenamento e à doação do leite
1. Aleitamento (frequência das mamadas, dia e excedente a um Banco de Leite Humano (caso
noite, dificuldades na amamentação, haja na região);
satisfação do RN com as mamadas, condições 6. Identifique os problemas e as necessidades
das mamas); da mulher e do recém-nascido com base na
2. Alimentação, sono, atividades; avaliação realizada.
3. Dor, fluxo vaginal, sangramento, queixas Condutas:
urinárias, febre; Oriente a puérpera sobre:
4. Planejamento familiar (desejo de ter mais fi l h 1. Higiene, alimentação, atividades físicas; 2.
o s , d e s e j o d e u s a r m é t o d o Atividade sexual, informando-a a respeito de
contraceptivo, métodos já utilizados, método prevenção de DST/Aids;
de preferência); 3. Cuidados com as mamas, reforçando a
5. Sua condição psicoemocional (estado de orienta ç ã o s o b r e o a l e i t a m e n t o
humor, preocupações, desânimo, fadiga, (considerando a situação das mulheres que
outros); não puderem amamentar);
6. Sua condição social (pessoas de apoio, enxoval 4. Cuidados com o recém-nascido; 5. Direitos
do bebê, condições para o atendimento de da mulher (direitos reprodutivos, sociais e
necessidades básicas). Avaliação trabalhistas).
clínico-ginecológica: Oriente a puérpera sobre o planejamento f a m i
1. Verifique os dados vitais; l i a r e a u t i l i zaçãodemétodo
2. Avalie o estado psíquico da mulher; 3. Observe contraceptivo, se for o caso:
seu estado geral: a pele, as mucosas, a presença - Dê a ela uma informacão geral sobre os
de edema, a cicatriz (parto normal com métodos que podem ser utilizados no pós
episiotomia ou laceração/cesárea) e os membros parto;
inferiores; - Explique a ela como funciona o método da
4. Examine as mamas, verificando a presença de LAM (amenorreia da lactação);
ingurgitamento, sinais inflamatórios, - Se a mulher não deseja ou não pode usar a
infecciosos ou cicatrizes que dificultem a LAM, ajude-a na escolha de outro método; -
amamentação; Disponibilize o método escolhido pela
5. Examine o abdômen, verificando a condição do mulher com instruções para o seu uso,
útero e se há dor à palpação; 6. Examine o períneo dizendo-lhe o que deve ser feito se o método
e os genitais externos (verifique sinais de apresentar efeitos adversos e dando-lhe
infecção, a presença e as características de instruções para o seguimento;
lóquios); - Aplique vacinas (a dupla tipo adulto e a
Verifique possíveis intercorrências: 1. tríplice viral), se necessário;
alterações emocionais, hipertensão, febre, dor no - Ofereça teste anti-HIV e VDRL, com
baixo- ventre ou nas mamas, presença de aconselhamento pré e pós-teste, para as
corrimento com odor fétido, sangramentos puérperas não aconselhadas e testadas
intensos. No caso de detecção de alguma dessas durante a gravidez e o parto;
alterações, solicite avaliação médica imediata, - Prescreva suplementação de ferro: 40mg/ dia
caso o atendimento esteja sendo feito por outro de ferro elementar, até três meses após o
profissional da equipe; parto, para mulheres sem anemia
2. Observe a formação do vínculo entre a mãe e o diagnosticada;
filho;
3. Observe e avalie a mamada para a garantia do CÂNCER DE COLO DE ÚTERO NA APS
adequado posicionamento e da pega da COLO DO ÚTERO
aréola. 1. Parte Interna: Canal cervical ou endocérvice,
4. O posicionamento errado do bebê, além de
dificultar a sucção, comprometendo a
quantidade de leite ingerido, é uma das
revestido por um epitélio colunar simples 4. Sangramento após a menopausa; 5.
com células produtoras de muco. Sangramento após as relações sexuais
2. Parte Externa: Contato com a vagina, (sinusorragia);
denominada de ectocérvice, constituída por 6. Dor durante a relação sexual;
dois tecidos (epitélio escamoso e o epitélio 7. Dor na região pélvica.
estratificado). Existe entre os dois epitélios a COMO PREVENIR
JEC (junção Escamo- colunar). Prevenção Primária: A prevenção primária está
Observação: A junção escamo-colunar (JEC) é a relacionada à diminuição do risco de contágio
r e g i ã o d o c o l o o n d e i n c i d e m pelo HPV.
preferencialmente as doenças de natureza pré 1. Incentivar o uso de preservativo;
maligna e maligna. 2. Vacinação bivalente que protege contra os 2
CÂNCER DE COLO DO ÚTERO Replicação tipos oncogênicos (16 e 18), e a quadrivalente
desordenada do epitélio de revestimento do órgão, que protege também contra os tipos não
comprometendo o tecido subjacente (estroma) e oncogênicos (6 e 11);
podendo invadir estruturas e órgãos contíguos ou Maria Vitória de Sousa Santos-
a distância. FATORES DE RISCO Vacina para meninos 9 a 14 anos e meninas de
1. Infecção pelo vírus HPV (tipo 16 e 18, 9 a 14 anos. (02 doses)
principalmente); - Imunossuprimidos Mulheres e Homens 9 a 45
2. Fatores ligados à imunidade; anos (3 doses)
3. Genética; Observação: Vacinação mais efetiva quando
4. Comportamento Sexual; aplicada antes do início da vida sexual.
5. Marco de idade: HPV em mulheres abaixo de Prevenção Secundária: Diagnóstico precoce.
1. Detecção Precoce do CA de Colo de
Útero (abordagem dos indivíduos com
sinais/ sintomas da doença);
2. Rastreamento (aplicação de exame
na população assintomática,
aparentemente saudável, com o
objetivo de identificar as lesões
precursoras ou sugestivas de CA)
CITOLOGIA
O principal objetivo é identificar
alterações na morfologia celular,
observando-se o citoplasma e o núcleo
das células pela técnica de coloração
de Papanicolau.
Recomendação MS para realização do
Citopatológico:
1. > 25 anos, com vida sexual ativa até
64 anos. Interromper após 64 anos,
com dois ou mais resultados negativos
consecutivos nos últimos 5 anos;
Observação: Após dois exames
negativos, com intervalo anual o
tempo para a realização de outro
exame é de 3 anos;
30 anos regridem espontaneamente, acima 2. > 64 anos, que nunca realizaram o exame
dessa idade a persistência é mais frequente; Realizar 2 exames com intervalo de 1 e 3
6. Tabagismo. anos. Se ambos negativos, são dispensadas.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS 1. Sangramento PREPARAÇÃO PARA A COLETA 1. Não ter
vaginal anormal; tido relação sexual nas 72 horas que antecedem
2. Sangramento menstrual mais prolongado que o o exame;
habitual; 2. Não utilizar duchas de higiene íntima; 3. Não
3. Secreção vaginal incomum, com um pouco de utilizar cremes ou lubrificantes vaginais;
sangue; 4. Não estar menstruada
5. Entre outros. colodoútero
Observação: Gravidez não é contra indicação colocando a parte
para a realização do exame (exceto uma mais longa no canal, retirar e segurar com a
gravidez mais avançada). outra mão (passar na lâmina somente após a
MATERIAIS NECESSÁRIOS coleta da endocérvice para evitar que
resseque o material).
2. Usar a escovinha
Introdução do espéculo: endocervical para
1. Devem-se afastar os grandes e pequenos lábios fazer a coleta da
com o polegar e 3° dedo da mão esquerda endocérvice, dar
para que o espéculo seja introduzido uma volta de 180°,
suavemente na vagina. retirar a escovinha
2. A mão direita que introduzirá o espéculo deve e então passar na
segurá-lo pelo cabo. lâmina de vidro
3. O especulo é introduzido fechado com o pino identificada com o
para baixo. nome da paciente (do lado da borda fosca).
4. Apoia-se o espéculo sobre a fúrcula, 3. Passar a espátula de ayre e da escovinha
ligeiramente oblíquo – para evitar trauma endocervical na lâmina de vidro (no lado da
uretral – e faz-se sua introdução lentamente. borda fosca) na região onde não tem nenhum
5. Antes de ser completamente colocado na material e fixar o material na lâmina de vidro
vagina, deve ser rodado, ficando as valvas identificada com álcool 9 6 0 e m u m f r a s c o
paralelas às paredes anterior e posterior da o u s p r ay d e polietiletonglicol.
vagina. Posição que ocupará no exame e o Observação: Aplicar o material na lâmina de
pino para baixo. vidro passando apenas uma vez de forma
6. Segurar com a mão esquerda o cabo e roda o homogênea (não espessada) e um material ao
pino com a mão direita. lado do outro.
7. A b r i r o e s p é c u l o e n c a i x a n d o
cuidadosamente no colo do útero.
O exame especular deve ser realizado: 1.
Descrevendo as paredes vaginas:
- Rugosidade ou lisas;
- Presença de secreções;
- Comprimento e elasticidade.
2. Características do colo:
- Volume;
- Coloração;
- Forma (cilíndrico ou plano); Teste do iodo (Schiller)
- Epitelizado ou com mácula rubra (ectopia). O teste de Schiller é realizado após a coleta do
3. Forma do orifício externo (OE): Papanicolau, para não interferir no resultado do
- Puntiforme; exame. A mulher ainda estará na posição de
- Circular; litotomia e com o espéculo de Collins.
- Transverso. Técnica:
4. Aspecto do muco cervical:
- Translúcido;
1. Aplicar a solução de soro fisiológico
- Esbranquiçado;
diretamento no colo uterino.
- Purulento;
2. Utilizar a pinça de Cherron com algodão para
- Sanguinolento.
espalhar o material.
Maria Vitória de Sousa Santos
3. Retirar e descartar algodão.
No momento da realização do Papanicolau 4. Aplicar a solução de Lugol (iodo iodetada) na
(exame citopatológico): região do colo uterino e vagina.
1. Usar a espatula de 5. Espalhar novamente com algodão na pinça de
Ayre para fazer a Cherron.
coletada 6. Analisar o colo e vagina.
ectocérvice, girar Asoluçãoreagecomoglicogênio
180° ao redor do (polissacarídeos ricamente presente no citoplasma
das células superficiais e intermediárias) dando a
coloração marrom escura. A coloração é
proporcional a quantidade de glicogênio, corando
fortemente a s c é l u l a s d a c a m a d a s u p e r
fi c i a l e intermediárias e de maneira mais clara
as células basais (epitélio atrófico) e colunares
(glandulares). Logo, é fisiológico o colo do útero
corar com o iodo e ficar com a coloração marrom.
Interpretação:
7. Teste iodo positivo (Schiller Negativo):
Situação normal, cor acastanhado escuro.
5. Retração cutânea;
6. Dor ou inversão do mamilo;
7. Descamação ou ulceração do mamilo.
RASTREAMENTO
Para todas as mulheres:
- Exame clínico semestral ou anual; - Exame
radiológico (mamografia) deve ser feito de 2 em 2
anos, a partir dos 50 anos de idade, independente
do exame clínico ou auto-exame normais.