O homem (filósofo e cientista) tem a capacidade de raciocínio e desde sempre procurou perceber
como pensamos (envolve compreender, perceber, prever, ...).
Durante quase 60 anos as pesquisas neste sentido desenvolveram a área da ciência de computação que
ficou conhecida como Inteligência Artificial (IA).
Com a evolução dos sistemas computacionais digitais introduzidos a partir do século XX, os estudos
de inteligência passaram a questionar se os computadores podem, de alguma forma, exibir
comportamento que possamos classificar como “inteligentes”.
A IA abrange uma variedade de áreas, como aprendizado e percepção. • Atualmente tópicos sobre
legislação da IA são altamente abordados.
Há muitas definições para a IA, mas geralmente podem ser divididos em 4 categorias:
1. Sistemas que pensam como humanos
2. Sistemas que pensam de forma racional
3. Sistemas que agem como os seres humanos
4. Sistemas que agem de forma racional
Inteligência artificial
Tabela 1 – Abordagens de Inteligência artificial
PENSAMENTO HUMANO RACIONAL
Sistemas que pensam como Sistemas que
humanos pensam
Racionalmente
COMPORTAMENT Sistemas que agem como Sistemas que agem
O Humanos Racionalmente
1. Sistemas que agem como seres humanos
Turing (1950) definiu um comportamento inteligente como sendo a habilidade de um Sistema
alcançar um desempenho ao nível de um ser humano em todas as tarefas cognitivas, de modo a
enganar uma pessoa que estivesse a interrogar.
O teste de Turing consistia num computador ser interrogado por uma pessoa, sem que esta estivesse
vendo que estava a conversar com um computador ou não.
O Sistema era capaz de:
❖Processar uma linguagem natural;
❖Representar o conhecimento;
❖Automatizar o raciocínio de forma a usar a informação para responder e inferior novas conclusões;
❖Adaptar se a novas circunstâncias e detector padrões (ML);
2. Sistemas que pensam como humanos
A principal questão é entender como os seres humanos pensam. É usada a introspecção e experiências
psicológicas como teorias para desenvolver tais sistemas.
Se as entradas e saídas de um programa correspondem ao comportamento humano, dispomos de
evidências de que o programa pode funcionar como os seres humanos. Newell e Simon (1961)
desenvolveram o GPS (General Problem Solving) não contentavam com a resolução do problema de
forma correta, mas sim, seguindo os passos de várias pessoas na resolução dos mesmos problemas.
3. Sistemas que pensam racionalmente
Em 1965 existiam programas, que dado tempo e memória suficiente, busca a descrição do problema,
em notação lógica e encontrar uma solução, caso exista.
Projetados para tomar decisões e resolver problemas com base em lógica e princípios racionais.
Ex. Sistemas especialistas, sistemas de lógica formal, sistemas de planejamento automatizado,
sistemas de aprendizagem de máquina racionais.
4. Sistemas que agem racionalmente
Agentes Racionais
Agir de forma a atingir um dados conjunto de objectivos, dados um conjunto de crenças.
Um agente é uma entidade que percebe o ambiente no qual está inserido através de sensores e afecta
esse ambiente por meio de atuadores.
Definição formal da IA
Uma máquina é inteligente se ela é capaz de solucionar uma classe de problemas que requerem
inteligência para serem solucionados por seres humanos’’ (Michie & Meltzer, 1969)
Inteligência Artificial é a parte da ciência da computação que compreende o projeto de sistemas
computacionais que exibam características associadas, quando presentes no comportamento humano,
à inteligência’’ (Barr & Feigenbaum, 1981).
História da IA
A IA surgiu oficialmente na conferência de verão em Dartmouth College, USA. Na proposta escrita
por John McCarthy(Dartmouth), Marvin Minsky(Hardward), Nathaniel Rochester(IBM) e Claude
Shannon (Bell Laboratories).
Marcos importantes
Gestação (1943 - 1956)
❖ 1949: Algoritmo para modificar os pesos das ligações entre os neurónios (Donald Hebb),
❖ Início dos anos 50: Programas de xadrez para computador (Claude Shannon 1950 e Alan
Turing 1953).
❖ 1951: Primeira rede neural (Marvin Minsky e Dean Edmonds).
❖ 1956 : Conferência Dartmouth (10 participantes) surge o nome Inteligência Artificial (John
McCarthy).
❖ Período de Muito Entusiasmo (1952 - 1969),
BM produz alguns dos primeiros programas de IA, entre os quais, em 1959 o Geometry
Theorem Prover.
❖ Arthur Samuel desenvolveu um programa capaz de jogar damas ao nível de um jogador de
torneio. O programa jogava melhor do que o seu autor.
❖ 1958 : John McCarthy no Lab Memo n.1 do MIT define a linguagem de programação Lisp
(List Processing) que se transformou na linguagem principal da IA. O Lisp é a segunda
linguagem de programação mais antiga ainda em uso.
❖ Durante a década de setenta, a IA estava praticamente restrita ao ambiente académico. Os
objetivos da pesquisa eram, principalmente, a construção de teorias e o desenvolvimento de
programas que verificassem estas teorias para alguns poucos exemplos.
❖ 1972 : Linguagem Prolog (programação em lógica). Inteligência Artificial 15
❖ 1981 : O Japão lança o projeto “Quinta geração”, um plano para construir em 10 anos
computadores inteligentes. ❖1982 : Surge o primeiro sistema pericial a ser comercializado, o
R1. O programa ajudou a configurar encomendas de computadores.
❖ 1986 : Retorno das redes neurais artificiais.
❖ 1991: Um sistema pericial analisa um caso médico, chega a um diagnóstico e é capaz de
explicar porque chegou a esse diagnóstico, expondo os fatores que mais o influenciaram. •
1993: Sistema capaz de conduzir um carro numa auto-estrada a cerca de 90 Km/h. O sistema
usa câmaras de vídeo, radar e laser.
❖ 1993: Um sistema detecta colisões na rua, liga automaticamente para o 911. • 1994: Um
sistema de reserva de viagens é capaz de entender frases como “quero ir de Maputo para
Beira”. O sistema percebe mal uma em cada 10 palavras, mas é capaz de recuperar, porque
compreende a forma em como as frases são compostas.
❖ 2000: Começam a surgir brinquedos inteligentes.
❖ 2001: Computador se comunica ao nível de uma criança com 15 meses.
❖ BIG DATA (2001) DEEP LEARNING (2011)
Aplicações da IA
● Sistemas especialistas
● Robótica
● Sistemas visuais
● Processamento de Linguagem Natural
Bases de IA
Filosofia:
De onde vem o conhecimento?
Como o conhecimento leva a ação?
Como a mente surge de um cérebro físico?
Podem ser usadas regras formais para tirar conclusões válidas? Inteligência Artificial 20
Matemática:
Quais as regras formais para tirar conclusões válidas? • O que pode ser computado?
Como pensamos com informações incertas? Inteligência Artificial 21
Economia:
Como tomar decisões com base em nossas preferências? • Como devemos agir quando outros não
concordam?
Como devemos fazer algo se a recompensa pode estar num futuro distante?
Neurociência:
Como o cérebro processa a informação?
Psicologia:
Como os humanos e animais pensam e agem?
Tabela 2 – Supercomputador VS Cérebro Humano (Russell e Norvig, 2020)
Ciência dos computadores:
Como construir um computador eficiente?
Teoria de controlo e cibernética:
Como os artefactos podem operar por si?
Linguística
Como a língua está relacionada com o pensamento? Inteligência Artificial 27
Riscos da IA
● Armas autônomas letais
● Vigilância e persuasão
● Erros (Bias) na tomada de decisão
● Impacto no mercado de emprego
● Segurança em aplicações críticas
● Cibersegurança
Russell, Stuart, Peter Norvig (2020). “Artificial Intelligence. A Modern Approach”. 4th Edition,
Prentice- Hall, Inc.
Agente e ambiente
Agente é qualquer coisa que percebe o seu ambiente através de sensores e age sobre esse ambiente por
meio de atuadores.
Ex: Um humano tem olhos, ouvidos que podem ser vistos como sensores, e mãos, pés, cordas vocais
que podem ser vistos como actuadores.
Um carro autónomo, por outro lado, pode possuir câmeras como sensores e vários motores como
actuadores.
Agente e ambientes
É usado o termo percepção para definir o conteúdo que o agente recebe, e sequência de percepção ao
histórico de tudo que o agente percebeu.
Um agente mapeia uma sequência de percepções em uma ação.
O mapeamento é com base em um modelo matemático que é o programa agente.
Conceito de Racionalidade
Um agente racional é aquele que executa a boa ação, através da seleção de uma ação que venha a
maximizar a medida de desempenho dada uma evidência fornecida por uma sequência de percepção
ou qualquer conhecimento interno.
A racionalidade depende que 4 aspectos:
1. O desempenho da medição que define o critério de sucesso;
2. O conhecimento prévio do agente em relação ao ambiente;
3. Acções que o agente pode executar;
4. A sequência de percepção do agente até o momento.
Conceito de Racionalidade
❖ A omnisciência é a capacidade do agente saber o resultado real das suas ações e agir de
acordo com ele.
❖ O agente realiza as ações com base na coleta de informações (percepção) e um agente
racional não apenas busca a informação, mas aprende a partir do que ele percebe.
❖ O agente é autônomo, pois deve aprender o que puder para compensar o conhecimento prévio
parcial ou incorreto.
Natureza dos ambientes
Ambientes são essencialmente problemas para os quais agentes racionais são a solução.
Especificação de ambiente de tarefas:
Um grupo de 4 elementos PEAS (Performance, environment, actuator, sensores) em
português – Desempenho, ambiente, actuadores e sensores.
Deste modo para construir um agente o primeiro passo é definir o ambiente de trabalho de forma
detalhada.
Propriedade de ambiente de tarefas
❖ Completamente ou parcialmente observável ente único ou múltiplo agente
❖ Determinístico ou não determinístico(estocástico).
❖ Episódico ou sequencial
❖ Estático ou dinâmico
❖ Discreto ou contínuo
❖ Conhecido ou desconhecido
ESTRUTURA DE AGENTES
Agente = arquitectura + programa
Atualmente o trabalho da IA é projetar programas que implementam a função de agentes e mapeiam
percepções em ações.
Assumimos que o programa será executado em um dispositivo com capacidade de computação
(Arquitetura).
Programa de agentes
O desafio da IA é encontrar uma forma para escrever o programa, de tal forma que seja possível
produzir um comportamento racional. São descritos 4 tipos de programas de agentes:
● Agentes reativos simples.
● Agentes reativos baseados em modelos.
● Agentes baseados em objetivos.
● Agentes baseados em utilidade.