UC- INEE
1º Semestre- 2024-2025
Docente: Anabela Cruz-Santos
Sumário: Deficiência visual: conceito, tipos, causas, características e
metodologias gerais de intervenção.
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Deficiência visual é definida como a limitação das
ações e funções do sistema visual na sua globalidade ou
parcialmente, podendo variar quanto às suas causas
(traumatismo, doença, malformação, má nutrição) e/ou
natureza (congénita, adquirida, e traduz-se numa
redução ou numa perda de capacidade para realizar
tarefas visuais (ler, reconhecer rostos, …).
(ACAPO, 2016).
Tipos de deficiência visual
Em Portugal, a única classificação aprovada, entrou
em vigor em 1 de Dezembro de 1969 (Decreto Lei nº
49331/69 de 28/10). Do ponto de vista legal , considera
cegueira legal:
-a ausência total de visão;
-as situações irrecuperáveis em que a acuidade visual
seja inferior a 0,1 no melhor olho, após a correção
apropriada; ou a acuidade visual, que embora
superior a 0,1, seja acompanhada por limitação do
campo visual igual ou inferior a 20 graus angulares.
Tipos de deficiência visual
Cegueira legal:
Do ponto de vista funcional, a perda de visão
grave interfere com a realização das tarefas do
dia-a-dia , não sendo possível ser corrigida com
lentes convencionais ou lentes de contacto.
É necessário intervir através de reabilitação
visual e auxiliares técnicos.
Tipos de deficiência visual
Baixa Visão:
- Acuidade binocular corrigida entre 3/10 e 1/10
com um campo visual de pelo menos 20;
- Acuidade visual binocular corrigida entre 1/10 e
1/20.
Tipos de deficiência visual
Baixa Visão:
A criança com baixa visão:
-pode captar a presença do objecto (mas não identificar os
seus pormenores);
-ler palavras (mas não ler um livro);
-ver o autocarro (mas não identificar o número/destino);
-perceção de luminosidade ou de grandes formas (por
exemplo: com PV-vê 6m; sem PV vê entre 21 a 61m).
Anatomia do olho
Causas:
-degeneração ou pressão
do globo ocular ou do
nervo ótico;
-problemas nas conexões
nervosas que ligam o
olho ao cérebro;
-lesões cerebrais;
-retinite pigmentosa;
-glaucoma, etc.
Metodologias gerais de
intervenção:
Sistema Braille (sistema em código formado por pontos em
relevo dispostos regularmente em espaços de letras ou
células quadrangulares que são lidos pelo tato, podem ser
colocados 6 pontos em cada célula)
Técnicas de Orientação e Mobilidade (bengala; guia; cão-
guia)
Leitura e escrita em Sistema Braille
Curiosidades acerca do Sistema Braille:
Louis Braille
(Coupvray, 1809 - Paris, 1852)
Professor francês, com cegueira desde os três anos, estuda música no Instituto de
Cegos de Paris, onde de seguida é professor. Em 1829 idealiza um novo método de
escrita e leitura que o faz universalmente famoso. As suas investigações partem do
chamado «Sistema Haüy», na base de letras em relevo. Aperfeiçoa-o,
convertendo-as em combinações de pontos que, com o tacto, permitem a leitura
de letras e números. Mais tarde adapta o seu sistema à notação musical. O
alfabeto Braille completo (letras, números, pontuação e simbolos matemáticos)
ascende a um total de 86 simbolos.
Orientação e mobilidade (bengala; guia; cão-guia)
[Link] ABAADV
Escola de Cães-Guia para Cegos em Portugal
TÉCNICAS DE ORIENTAÇÃO E MOBILIDADE
Visionamento do vídeo sobre orientação e mobilidade
[Link]
TÉCNICAS DE ORIENTAÇÃO E MOBILIDADE
BENGALA
A bengala tem como objetivo explorar e proteger. Funciona
como um prolongamento do próprio corpo. Existem vários
tipos de bengalas: ortopédica; bengala longa (rígida e
articulada) e bengala eletrónica.
Vantagens do uso da bengala:
fornece informação prévia acerca de objectos e da superfície onde
a pessoa se desloca;
é altamente manobrável;
não é cara e é de fácil manutenção.
Desvantagens do uso da bengala:
a parte superior do corpo não fica protegida
(particularmente de objetos suspensos);
quando não é articulada pode ser difícil de guardar;
é difícil de usar com vento forte e/ou problemas
climatéricos;
identifica a pessoa com a deficiência visual (estigma) .
TÉCNICAS DE PROTEÇÃO
Proteção baixa
Projeção das costas da mão para a frente
de forma a proteger o individuo de
possível obstáculo que se projeta do solo.
PROTEÇÃO ALTA
Projeção da mão para a
frente com a região plantar
voltada para fora com a
intenção de proteger o
indivíduo de possível
obstáculo ao nível superior.
PROTEÇÃO CONJUGADA
Proteção alta e baixa, com o
objetivo de proteger todo o
corpo.
TÉCNICAS PARA APANHAR
OBJECTOS
A criança deve identificar e rodar a face para a fonte sonora; fazer
enquadramento do resto do corpo e proteções; deslocar-se na direção do local;
parar: fazer proteção alta antes de se baixar e fazer a exploração com uma
das mãos.
guia
TÉCNICA DE GUIA
O guia oferece ajuda contactando com
o seu braço o braço do cego. Deverá
ocupar o lado oposto ao lado operativo
da criança. A criança com cegueira
realiza a pega na parte inferior do
braço do guia, junto ao cotovelo, com o
dedo indicador e o polegar, deixando
os restantes libertos para contactar
com o corpo do guia. Ocupa uma
posição atrás e ao lado do guia,
mantendo uma distância de meio
passo.
TÉCNICA DE GUIA
troca de braço - sem perder o contacto físico com as
costas do guia procurar com uma mão o outro braço;
após preensão ligeiramente acima do mesmo,
colocação da outra mão no antebraço do guia.
portas - semelhante à anterior com passagem na
perpendicular, com o aluno do lado do eixo da porta; poderá
implicar troca de braço se o aluno for do lado oposto ao eixo;
ter em atenção se o aluno agarra a porta, se passa por ela e a
fecha (verbalizando como abre a porta);
utilização de cadeiras - indicar as costas da cadeira e os
braços, se os tiver, e fazer com que o aluno percorra a linha de
contorno da mesma;
escadas - verbalização acerca das escadas, a subir ou a
descer, colocação do aluno no lado do corrimão, paragem antes
do 1º degrau; o guia deve ir um passo (degrau) à frente,
paragem depois do último degrau.
Metodologias gerais de intervenção/adaptações
curriculares:
Algumas crianças com DV necessitam de material adaptado:
livros impressos com caracteres cujo tamanho é superior ao
regular (letra ampliada e a negrito);
papel cujas linhas estão impressas a negrito ou em relevo;
adaptações das tarefas das diversas áreas disciplinares
/disciplinas a relevo.
Fonte: Nielsen (1999)
Metodologias gerais de intervenção/adaptações curriculares:
Adaptações nos equipamentos e/nas tarefas:
Utilização de uma lupa para ampliar os caracteres (no caderno ou livro);
Tecnologias de apoio (TA);
Gravações em áudio/digital das aulas;
Tempo suplementar para realizar as tarefas;
Redução da extensão dos trabalhos solicitados.
Fonte: Nielsen (1999)
Modalidades de Desporto Adaptado:
Atletismo com guia
Natação
Etc.
Federação Portuguesa de Desporto para Deficientes:
[Link]
Desporto desenvolvido para crianças, jovens e
adultos com cegueira: Goalball
[Link]
A ACAPO : [Link]
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