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Laudo Técnico em Engenharia Legal

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WBA0326_v1.

Elaboração de Laudo
Técnico e Perícias Judiciais
Engenharia Legal
Bloco 1
Everlânia Maria da Silva
Contextualização

O exercício profissional da engenharia foi regulamentado em 1933, por meio


do Decreto nº 23.569 (BRASIL, 1933). Surgindo à época também a expressão
Engenharia Legal.
As atividades e atribuições do engenheiro foram definidas com a
promulgação da Lei nº 5.194, em 1966 (BRASIL, 1966, art. 7º):

“Art. 7º: As atividades e atribuições do engenheiro, do arquiteto e do engenheiro


agrônomo consistem em: (…) c) estudos, projetos, análises, avaliações, vistorias,
perícias, pareceres e divulgação técnica (…)”
Contextualização
• A Engenharia Legal é a aplicação de conhecimentos científicos, técnicos, legais e empíricos nas
perícias e avaliações. Ela tem vasta área de atuação, incluindo as esferas judicial e extrajudicial,
onde o profissional habilitado exerce suas atividades, como: perito judicial, assistente
técnico e consultor extrajudicial.

• Essa área da Engenharia se divide nos seguintes ramos:

• Engenharia Diagnóstica: para criar provas judiciais ou extrajudiciais, como consequência


dos trabalhos de vistoria, inspeção, pesquisa, perícia e auditoria.

• Engenharia de Avaliações: processo e resultado de resposta a perguntas específicas


sobre os valores definidos das partes de um imóvel, sua utilidade ou conformação e
possibilidades de venda. A partir dos trabalhos de vistoria, inspeção, pesquisa e perícia.
Contextualização

A partir do trabalho resultante dos serviços de vistoria/inspeção da


Engenharia Diagnóstica, com base nas características avaliadas, aplicadas ao
conhecimento técnico e normativo, temos:
• Diagnóstico: a análise das causas verificadas e mecanismos de
danos das manifestações patológicas.
• Prognóstico: terapia a ser empregada e estimativa dos trabalhos a
serem executados de acordo com a necessidade avaliada (correção,
reforço, recuperação ou reconstrução).
Ciclo de vida do edifício

Segundo Menegotti (2013), o ciclo de vida do edifício se dá a partir de duas


fases:
• Fase de produção: composta de planejamento, projeto, produção dos
componentes e construção.
• Fase de uso: composta do uso propriamente e manutenção.
Conceitos de vida útil do edifício

Definições da NBR 15.575 (ABNT, 2013):


• Durabilidade ⇒ Característica do edifício ou de seus sistemas de
desempenhar suas funções, ao longo do tempo e sob condições de uso e
manutenção especificadas, até um estado limite de utilização.
• Vida Útil ⇒ Período de tempo durante o qual o edifício (ou seus sistemas)
mantém o desempenho esperado, quando submetido às atividades de
manutenção predefinidas em projeto.
Conceitos de vida útil do edifício
• Tempo de Vida Útil dos sistemas da edificação, pela NBR 15.575 (ABTN, 2013):
Quadro 1 - Tempo de vida útil dos sistemas de edificação de
acordo com a NBR 15.575 (ABNT, 2013)
VUP mínima
Sistema
(anos)
Estrutura ≥ 40
Pisos internos ≥ 13
Vedação vertical externa ≥ 40
Vedação vertical interna ≥ 20
Cobertura ≥ 20
Hidrossanitário ≥ 20
Fonte: adaptado de ABNT (2013).
Conceitos de vida útil do edifício
• Tempo de Vida Útil dos sistemas da edificação, pela NBR 15.575 (ABNT, 2013):

Quadro 2 - Tempo de vida útil dos sistemas de edificação (NBR 15.575)


Categoria Descrição Vida útil de Exemplos
projeto (anos)

1 Temporária < 10 Galpões não permanentes e


edificações para exposições
temporárias.
2 Vida curta > 10 Salas de aula temporárias; construções
para processos industriais curtos.
3 Vida média > 30 Maioria das edificações industriais.
4 Vida normal > 60 Novos edifícios educacionais e saúde.

5 Vida longa > 120 Edifícios de importância política e


outras edificações de alta qualidade.

Fonte: adaptado de ABNT (2013).


Tipos de inspeção/vistoria

• As manifestações patológicas podem ter origem em diferentes fases e


atividades do processo de construção civil.
• Segundo Red Rehabilitar (2003), o processo de construção e uso pode
ser dividido em cinco etapas:
• Planejamento.
• Projeto.
• Fabricação dos materiais e componentes fora do
canteiro.
• Execução.
• Uso.
Etapas de inspeção/vistoria
Figura 1 - Fluxograma dos passos para interpretar e analisar problemas patológicos nas edificações

Fluxograma geral Inspeção preliminar

Inspeção detalhada

Diagnóstico
(origens, causas e mecanismos)

Prognóstico
(predizer)

Terapia
(proteções, reparos, reforços
etc.)

Fonte: adaptada de Andrade (1992).


Engenharia Legal
Bloco 2
Everlânia Maria da Silva
Manifestações patológicas comuns

• Fissuras e trincas em elementos estruturais.


• Fissuras e trincas em elementos de vedação e em revestimentos.
• Infiltrações em cortinas no subsolo, paredes de fachada e de
reservatórios, vedação do pavimento térreo e laje de cobertura.
• Empoçamento de água e insuficiência de ralos de drenagem.
• Corrosão de armaduras em elementos estruturais.
• Desplacamento de revestimento de fachada.
Lixiviação em revestimento.
• Incompatibilidade entre produto entregue e memorial descritivo.
Abrangência de importância da Inspeção predial
Segurança, habitabilidade e sustentabilidade nos quesitos:
• Estrutural.
• Contra incêndio.
• Uso e operação.
• Estanqueidade.
• Saúde, higiene e qualidade do ar.
• Funcionalidade e acessibilidade.
• Durabilidade.
• Manutenibilidade.
Documentos importantes para inspeção técnica

• Memorial descritivo dos sistemas construtivos.

• Quadros de área.

• Projetos: executivo, arquitetônico, de sondagem, de fundações e


contenções, estruturais, de fôrmas, de instalações e de impermeabilização.
Documentos importantes para inspeção administrativa
• Convenção, regimento e ata de instalação de • Certificado de treinamento de brigada de
condomínio. incêndio.
• Alvará de construção. • Comprovante de destinação de resíduos sólidos.
• Auto de conclusão (habite-se). • Contas de consumo de energia elétrica, água e
gás.
• IPTU.
• Licenças ambientais, Programa de Prevenção de
Riscos Ambientais (PPRA).
• Programa de Controle Médico de Saúde
Ocupacional (PCMSO).
• Auto de vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB).
• Alvará de funcionamentos (imóvel não
residencial).
Documentos de manutenção e operação
• Laudos de Inspeções Prediais anteriores e de realização e ensaios preditivos Manual de uso,
operação e manutenção.
• Plano de manutenção, operação e controle.
• Para elevadores: relatório de inspeção anual, alvará de instalação e funcionamento, contratos
de manutenção.
• Atestado do Sistema de Proteção e Descarga Atmosférica (SPDA).
• Certificado de limpeza e de desinfecção dos reservatórios e relatório de potabilidade de água.
• Relatórios de acompanhamento de sistemas específicos, como: ar-condicionado, motores,
alarmes etc.
Engenharia Legal
Bloco 3
Everlânia Maria da Silva
Matriz de responsabilidade sobre construções

Projetistas: com projetos que contemplem durabilidade e facilidade de


manutenção.
Construtores: execução de acordo com projetos e elaboração do Manual de
Uso, Operação e Manutenção.
Poder público: oferecer legislação eficiente, controle e fiscalização atuantes.
Usuário: realização das atividades de manutenção conforme previsto.
Atividades por ramos da Engenharia Legal

As atividades da Engenharia Legal, tanto de Engenharia Diagnóstica como de


Avaliações, são eminentemente técnicas e devem ser realizadas
exclusivamente por profissionais devidamente habilitados nos Conselhos
Regionais de Engenharia e Agronomia. Esses profissionais, por sua vez, são
denominados peritos.
Procedimentos realizados por perito habilitado
Segundo a NBR 13.752 (ABNT, 1996):

• Perícia: atividade que envolve apuração das causas que motivaram determinado evento ou
da asserção de direitos.

• Parecer Técnico: opinião, conselho ou esclarecimento técnico emitido por um profissional


legalmente habilitado sobre assunto de sua especialidade.

• Laudo: peça na qual o perito habilitado relata o que observou e dá as suas conclusões ou
avalia, fundamentalmente, o valor das coisas ou direito.

• Prescrição: perda do direito a uma ação judicial ou liberação de uma obrigação, por decurso
de tempo.

• Vistoria: constatação de um fato, mediante exame circunstanciado e descrição minuciosa


dos elementos que constituem.
Principais Métodos – Engenharia de Avaliações
Métodos de avaliação regulamentados pela ABNT
Método Comparativo de Mercado: pesquisa as ofertas de mercado e compara com
o imóvel que está sendo avaliado, considerando variáveis como: área útil, vagas de
garagem, padrão de acabamento, localização e conservação.
Método da Renda: considera o valor de renda que será gerado pela propriedade.
Mais aplicável quando se trata de imóveis para aluguel ou hospitais, universidades,
escolas e comércio.
Principais Métodos de Avaliação de Imóveis
Métodos de avaliação regulamentados pela ABNT

Método Evolutivo: pesquisa terrenos equivalentes ao do imóvel e atribui o


valor do CUB para a área construída, considerando variáveis de idade da
obra e tipo do acabamento.
Método Involutivo: consiste na precificação da propriedade de acordo com
o aproveitamento do terreno, analisando-se o espaço e considerando o
retorno da construção pela sua finalidade de uso (apartamentos, quitinetes,
indústrias, salas comerciais etc.).
Atividades para Engenharia Diagnóstica
• Avaliação da manutenção e uso da edificação. Diferencia o plano de reparos
do plano de manutenção.
• Classifica anomalias e falhas quanto à criticidade.
• Elabora orientações técnicas com as soluções para as anomalias, falhas e
inconformidades.
• Lista prioridades com urgências e recomendações para tomada de decisões.
• Classifica a qualidade da manutenção empregada.
• Classifica o estado de manutenção da edificação.
• Possui caráter corretivo/preventivo.
Tipos de Inspeção Predial por níveis
Segundo a NBR 16.747 (ABNT, 2020), inspeção predial é a avaliação isolada ou
combinada das condições técnicas, de uso e de manutenção da edificação.

Sua tipologia considera a complexidade da edificação, as especialidades


profissionais envolvidas e a profundidade nas constatações dos fatos.
Considerando tais quesitos, temos:
Nível 1: imóveis simples ou restritos a uma especialidade.
Nível 2: imóveis mais complexos – equipe multidisciplinar.
Nível 3: caráter de auditoria técnica da avaliação da manutenção, pode utilizar
ensaios e exames de prospecção – necessidade de equipe multidisciplinar.
Índice de manifestações patológicas
Gráfico 1 - Percentual estatístico das manifestações patológicas reclamadas
pelos usuários

Fonte: PINA (2013, p. 6).


Metodologia de análise de patologias construtivas
• Análise de patologias construtivas:

Manifestação patológica.

Levantamento de subsídios.

Diagnóstico.

Definição de conduta.
Metodologia de análise de patologias construtivas

Manifestação patológica: identificação inicial, normalmente partindo do


proprietário.
Levantamento de subsídios: vistoria do local, anamnese, exames complementares
e pesquisa.
Diagnóstico: identificação das causas, origens e mecanismos de danos.
Definição de conduta: escolha do prognóstico. Quando houver necessidade de
intervenção, indicar tipo de terapia, tipos de materiais e forma de execução.
Teoria em Prática
Bloco 4
Everlânia Maria da Silva
Reflita sobre a seguinte situação

Um perito foi contratado para realizar vistoria de um condomínio com quatro


blocos residenciais, em que cada um é composto por quatro pavimentos de
apartamentos. Todos apresentavam infiltrações nos apartamentos dos últimos
andares, laje de cobertura exposta e impermeabilizada com manta asfáltica. Quais
são os itens a serem considerados para anamnese? Que projetos devem ser
requeridos? Quais as possíveis causas, origens e mecanismos de danos em uma
situação dessas?
Norte para a resolução...
Figura 2 - Imagem para embasar o Teoria em
Prática

Fonte: acervo da autora.


Norte para a resolução...

• Há que se levantar dados de idade da obra (inclusive para saber se o


sistema construtivo ainda está sob garantia dos construtores), método
construtivo e características dos materiais utilizados. As informações
devem ser obtidas pelo proprietário ou responsável (síndico, em caso do
condomínio). Além de entrevista para anamnese, solicitação de projetos e
memorial descritivo.
• Deveria haver um projeto específico para o sistema de impermeabilização.
Culturalmente, ele é enxergado como algo facultativo, mesmo não sendo.
Norte para a resolução...

• Após vistoria, constatou-se falta da camada separadora no sistema de


impermeabilização, o que acarretou manifestações patológicas em outros
sistemas na construção, como: estrutura, vedação, revestimento e
instalações, em diferentes graus de risco para cada um deles. Como não
havia projeto de impermeabilização, a constatação veio da vistoria e
exame in loco e corroboração com a norma técnica que regulamenta
procedimentos de execução do sistema.
Dica da Professora
Bloco 5
Everlânia Maria da Silva
Dica da Professora

• Indicação de acervo para complementação de estudo: Portal CBIC de


Normas Técnicas da Indústria da Construção.
Este portal traz o acervo de normas técnicas, tendo como fonte a Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), além de edições próprias de manuais
e apostilas com extenso acervo para Engenharia Legal.
Para acessar o portal, busque pelo título em seu buscador de internet.
Referências
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 5674: manutenção de edificações: requisitos para o sistema de gestão
de manutenção. Rio de Janeiro: ABNT, 2012.

ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 6118: projeto de estruturas de concreto: procedimento. Rio de Janeiro:
ABNT, 2014.

ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 13752: perícias de engenharia na construção civil. . Rio de Janeiro: ABNT,
1996.

ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 15575-1: edifícios habitacionais de até cinco pavimentos – desempenho
– parte 1: requisitos gerais. Rio de Janeiro: ABNT, 2013.

ANDRADE, C. Manual para diagnóstico de obras deterioradas por corrosão de armaduras. São Paulo: PINI, 1992.

BRASIL. Decreto nº 23.569 de 11 de dezembro de 1933. Regula o exercício das profissões de engenheiro, de arquiteto e de
agrimensor. Brasília, DF: Presidência da República, [1933]. Disponível em: [Link]
1949/[Link]. Acesso em: 22 jan. 2021.

BRASIL. Lei nº 5.194, de 24 de dezembro de 1966. Regula o exercício das profissões de engenheiro, arquiteto e engenheiro
agrônomo. Brasília, DF: Presidência da República, [1966]. Disponível em: [Link]
Acesso em: 22 jan. 2021.
Referências
FIKER, J. Manual de avaliações e perícias em imóveis urbanos. 5. ed. São Paulo: Oficina de Textos, 2019.

IBAPE. Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia. Perícias de engenharia. São Paulo: Pini,
2015.

MEDEIROS, J. da R. J. A perícia judicial: como redigir laudos e argumentar dialeticamente. São Paulo: Leud,
2013.

MENDONÇA, M. C. Engenharia legal: teoria e prática profissional. 3. ed. São Paulo: Pini, 2016.

MENEGOTTI, M. Proposta de padronização de inspeção para redução de riscos e aumento da vida útil de
estruturas de concreto. São Leopoldo: Unisinos, 2013.

PINA, G. L. Patologia nas habitações populares. 2013. Monografia (Graduação em Engenharia Civil) -
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2013. Disponível em:
[Link] Acesso em: 27 jan. 2021.

RED REHABILITAR. Manual de reparo, proteção e reforço de estruturas de concreto. Consolação: Red
Rehabilitar, 2003.
Bons estudos!

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