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Encontro Perigoso com o Príncipe Lyall

Enviado por

Emanuelli Maciel
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Encontro Perigoso com o Príncipe Lyall

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the first moonrise

25 anos antes.
17 de agosto.

- Por que papa teve que partir Belle? - Jeanne pergunta revirando suas mãozinhas
inquietas.
- Foi necessário, ele foi em busca de trabalho em um novo reino que está nascendo, um
reino chamado Hélios, reis e rainhas de todos os cinco cantos do mundo estão se reunindo
lá, em breve estaremos todos juntos em um reino seguro. - Hope assegurou a irmã.
- Promete?- Seus grandes olhos brilhavam.
- Prometo.- Hope disse firme por mais que não estivesse certa do que disse, sua irmã tinha
apenas quatro anos, não era correto fazê-la se preocupar.
Jeanne era sem dúvida muito parecida com a mais velha, seus lindos cabelos amendoados
que caíam em cascata por seus ombros eram idênticos aos dela, assim como os olhos
caramelados Hope sempre achou que Jeanne deveria ser chamada de ‘’Belle’’. não ela.
- Agora volte a dormir, ainda está cedo.- cobriu a irmã.
- Sinto falta dele.- sussurrou com a voz trêmula.
- O que posso fazer para alegra-la? - a mais velha perguntou acariciando sua bochecha.
- Bem, papa sempre me trazia uma flor rosa antes de adormecer, eu não consigo velas
daqui .
Hope assentiu se levantando e indo em direção a porta
-Onde vai? - a pequena perguntou confusa.
- Trazer-lhe uma rosa - piscou para a mais nova que sorriu.
- Onde pensas que vai? - Lohan que estava repousando com suas anotações perguntou.
- Jeanne me pediu uma rosa. - disse pegando sua capa.
- O sol mal nasceu é perigoso.
-Oh meu irmão, não me diga que também acredita nessa história de La Bête. - Hope
ironizou a história dos velhos comerciantes da vila sobre uma fera que vagava sobre as
sombras da noite .
- Não estou brincando Hope, você e Jeanne estão sob meus cuidados, o papa confiou essa
tarefa a mim.- Lohan se levantou.
- Sei disso irmão, prometo não demorar - Hope depositou um beijo em sua testa.
- Hope, só a rosas nas fronteiras do palácio você sabe que somos proibidos de ir até lá…
- Voltarei em breve. - saiu antes que seu irmão concluísse sua frase.
- Hope! - colocou seu campus ignorando os protestos do irmão.
-Belle!- Foi a última coisa que ouviu antes de partir em seu cavalo.

……..

Não demorou muito para Hope avistar as grandes muralhas do palácio, o lugar a intrigava
sempre isolado e sem vida, não havia nenhum guarda a vista o que fez Hope franzir o
cenho. Sem perder tempo desceu do cavalo indo em direção às rosas que cresciam por
toda parte.
-Algo me diz que não se deve roubar flores de um castelo.- Hope quase deixou a rosa cair
quando ouviu a voz que não passaria de um sussurro cansado e doloroso.
Hope olhou em direção de onde vinha a voz, conteve um grito quando encontrou um
homem, estava quase inconsciente, cortes sangravam por toda a extensão de seu corpo
como se algum animal horrível o tivesse atacado.
A jovem então sem saber o que fazer tirou sua capa envolvendo a no jovem rapaz,
conseguiu colocá-lo no cavalo com dificuldade.
Assim que avistou sua casa o envolveu em seus ombros.
-Lohan! - ela o arrastava com dificuldade.- Lohan ajude-me!
Lohan saiu confuso e então arregalou os olhos ao ver o jovem inconsciente.
-Mas quem é ele?- foi ao amparo da irmã
- Não sei, o encontrei assim perto das muralhas do palácio.
- Hope eu lhe disse sobre os perigos.
- Sim, sim, castigue-me depois agora coloque-o aqui - a garota respirava com dificuldade
pelo esforço apontando para o sofá.
- Belle? - Jeanne apareceu na porta.- o que estava acontecendo?
-Mon cher aqui - se abaixou para distrair a garota com a rosa que sorriu assim que viu.-
agora volte para seu quarto ok?- a pequena Jeanne assentiu mas tentou ver quem era o
rapaz machucado.- Hey, ele ficará bem agora seja uma boa menina e faça o que lhe pedi.-
Hope entrou em seu campo de visão tentando impedir que ela visse todo o sangue.
Assim que Jeanne entrou em seu quarto, Hope voltou para dar os cuidados necessários ao
rapaz.
-Preciso que vá até meu quarto e pegue algumas ervas e poções.- disse enquanto limpava
os cortes com água morna. - estão separadas em frascos não será difícil de achar.
-A curandeira nos forneceu para usarmos apenas em casos extremos. - O mais velho
protestou.- não podemos gastá-las com estranhos Hope.
- Não podemos deixá-lo morrer Lohan, o que a maman diria se o fizéssemos? - os olhos do
irmão escureceram com a menção da falecida, era uma mulher bondosa, uma curandeira
que dedicou sua vida a cuidar das pessoas.
O irmão assentiu relutante saindo em direção ao cômodo.
-Não mach..machucar.- o rapaz se revirava enquanto delirava.-ma..matar…
-Shh está tudo bem, eu estou aqui ninguém irá o machucar.- Hope tentou fazer como fazia
com sua irmã em dias de pesadelos, sabia que era uma ideia estúpida visto que o rapaz
não a conhecia, ela não lhe traria conforto mas não conseguia pensar em mais nada e por
um momento pareceu funcionar.
- Aqui está.- Lohan voltou lhe entregando os frascos.

………

-Quanto tempo acha que ficará desacordado.- Lohan questionou se referindo ao jovem
rapaz agora estável e tratado, já haviam passado algumas horas desde que Hope o havia
trazido visto que o sol já havia atingido seu ápice.
- Não tenho ideia.- Hope o observava, agora que podia vê-lo melhor ela percebeu que o
rapaz deveria ter sua idade, seus cabelos eram loiros quase castanhos seu rosto era
coberto por sardas, seu corpo magro com algum músculos agora estava vestindo algumas
roupas antigas de Lohan elas cobriam a maior parte dos ferimentos, ao olhar dela ele
parecia… quase majestoso dormindo.
- Bom avise-me quando acordar precisamos de respostas.- Lohan resmungou indo em
direção ao seu quarto.

……….

Hope acordou com um som, devia ter adormecido em uma das poltronas da casa, arregalou
os ao ver a cena a sua frente, Jeanne estava ajudando o rapaz que agora estava acordado
a se levantar.
-O que estava havendo? - perguntou, se levando.
- Belle, olha eu fiz um amigo! - Jeanne sorria inocente.
Hope fez o possível para manter sua expressão neutra.
-Que bom mon cher, mas agora o que você acha de ir ver Salazar ele deve estar se
sentindo sozinho.- Hope forçou um sorriso.
-Mas eu o estava ajudando a se levantar, ele precisa ir.
-Está tudo bem.- Ele sorriu calmamente parecendo estar melhor.
A garotinha assentiu se despedindo do rapaz que sorriu para ela.
-Ela é realmente adorável.- Hope se virou para o rapaz seus olhos se encontraram por
alguns segundos antes dele dizer. - Bom, eu acho que deveria agradecer-lhe, Jeanne disse
que foi a senhorita quem salvou minha vida. - ele depositou um beijo em ambas as mãos de
Hope.- Obrigada.
Antes que Hope pudesse dizer alguma coisa ele se levantou com dificuldade.
-Espera! Você precisa repousar. - Ela murmurou em protestos.
-Eu preciso ir em breve irá anoitecer.- ele murmurou apoiando-se em um móvel para chegar
até a porta.
- O que? Hey! -Hope o seguiu.- você não pode simplesmente ir embora assim.
Ele se vira com um olhar indecifrável, ele parecia encantado pela moça dos olhos
amendoados que ficavam ainda mais vibrantes ao ar livre. Mas sabia que não poderia ficar.
-Eu sinto muito Belle
- Hope, meu nome é Hope.- sua voz saiu fraca ela estava evitando ao máximo corar ao
ouvir-lo dizendo esse apelido idiota.
- Hope. - ele repetiu gentilmente - eu sinto muito Hope, mas eu realmente preciso ir eu…
- Hope! - Lohan saiu pela porta.- eu pensei ter dito para me chamar quando ele acordasse.-
ele murmurou vindo até eles.- e então, quem é ele?
- É exatamente o que eu estou tentando descobrir.- se virou para o irmão ao seu lado.
- Perdoe-me pela grosseria, deveria ter me apresentado. Meu nome é Lyall Lupin.- Hope
franziu o cenho.
-Lyall como… o príncipe?- Ela estava confusa, Lohan ri ao seu lado como se tivesse ouvido
uma piada. Mas o rapaz continuava sério.
- Isso é ridículo, muito bem minha irmã você trouxe um maluco para nossa casa.- Lohan
parecia verdadeiramente irritado.
Sem dizer nada, Lyall levantou a manga de sua camisa deixando exposto uma pequena
marca. Qualquer um saberia que aquela era a marca da nobreza. Lohan arregalou os olhos.
- Perdoe-nos vossa alteza.- Lohan se curvou olhando para a irmã.
-Oh não, eu não irei me curvar.- Hope murmurou imóvel.
Isso não fazia o menor sentido para ela, por que claro nunca havia visto o príncipe nunca
saia muralhas do palácio, as pessoas diziam que era doente e os nobres tentavam
escondê-lo a todo custo. Mas o rapaz à sua frente não parecia doente, apenas muito
machucado.
-Não há necessidade disso.- Lyall sorriu, mas Hope percebeu que havia algo em seus
olhos, algo como medo, interrompendo seus pensamentos ele continuou.- eu só lhes peço
um cavalo para voltar ao palácio.
- É claro alteza.- Lohan disse simplesmente, não parecendo se importar em saber o motivo
do príncipe ter sido encontrado nessas condições.
- Espere, você não pode cavalgar nessas condições, mal consegue andar.- a morena
protestou.
- Eu ficarei bem, agora por favor.- ele parecia inquieto, olhava quase freneticamente para o
sol como se estivesse com medo dele desaparecer.
-Iremos providenciar um imediatamente. - Hope quis revirar os olhos com as bajulações do
irmão.
-Mas…- ele a interrompeu a afastando do príncipe.
-Sem mas Hope. Ele é o príncipe, ele dá as ordens aqui.- disse sério.- agora onde está
Salazar?
- Você não acha estranho? Por que o príncipe estava naquele estado deplorável?
- Sim. Eu acho, mas não podemos questioná-lo. Agora onde está Salazar?
- Com Jeanne no pasto.- resmungou ela contra sua vontade. - sem mais palavras Lohan
saiu.
Depois de um tempo Lohan voltou trazendo Jeanne em seus braços, e o alazão preto entre
as rédeas.
-Aqui está alteza.- disse ele enquanto entregava a garotinha a Hope.
- Obrigado.- O príncipe parecia aliviado.
- Ajude-o a montar, assim não machucará tanto os ferimentos.- Hope sugeriu, evitando olhar
nos olhos do príncipe, Lohan não protestou.
- Mandarei alguém para devolvê-lo a vocês - ele tentava esconder seu desconforto, já em
cima do cavalo.
Hope não mencionou o fato dele parecer estar sentindo muita dor quando o mesmo se
virou para ela.- Adeus… Belle.- Ele sorriu, Hope sentiu suas bochechas esquentarem antes
que pudesse dizer qualquer coisa, ele acenou para Jeanne e se foi.

25 anos antes.
20, agosto.

-Olá? - Hope foi até a porta, um homem com roupas do palácio à espera com Salazar, ela
quase não reconheceu o cavalo negro que parecia ter sido muito bem cuidado.
-Senhorita.- ele a comprimentou.- Fui enviado pelo palácio para devolvê-lo. - indicando o
animal.- Vossa alteza real o príncipe também solicitou sua presença ao palácio.
-Por que?- Hope pegou as rédeas de Salazar franzindo o cenho.
- Vossa alteza deseja lhes recompensar, uma carruagem será enviada em breve.- Sem mais
palavras ele saiu em seu cavalo.
- Quem era?- Lohan perguntou enquanto colocava a mesa.
- Um enviado do palácio, parece que o príncipe quer nos ver.- Jeanne sorriu animada.
-No palácio? Como uma princesa?- ela deu pequenos pulinhos no lugar.
- Não poderei ir, tenho um compromisso em Villeneuve que não pode ser adiado.
- Achei que tinha dito que não se ignora uma ordem do príncipe.- Hope sorriu em desafio.
-Sim, é por esse motivo que você irá no meu lugar.- Hope arregalou os olhos.
-Eu não posso, tenho que cuidar de Jeanne.- Lohan deu de ombros indo em direção a
porta.
- Leve-a com você, e se vista bem Belle.- disse saindo pela porta.
- Hope! - gritou ela.

…….

-Está tão linda quanto princesa.- Jeanne sorria sentada ao seu lado, Hope se virou para o
espelho, o vestido amarelo saia bem em si era simples mas o melhor que tinha, uma tiara
de tranças rodeavam sua cabeça.
-Bom, nós duas estamos,- murmurou se virando para a garotinha que usava um lindo
vestido de flores e pequenas tranças no cabelo.
-Hey - Hope se ajoelhou em sua frente.- lembre-se do que lhe disse.- ela assentiu.
- Se encontrarmos o rei e a rainha não devemos nos dirigir a eles a não ser que eles o
façam primeiro. - Ela brincava com suas tranças enquanto repetia as palavras de Hope que
sorriu.
- Iremos nos sair bem, vamos. - levantou-se pegando a mão da irmã.
A carruagem havia chegado um cocheiro as recebeu, Jeanne estava encantada com sua
beleza, a pequena não parava de sorrir.
Assim que as muralhas do palácio se abriram, Hope ficou pasma, o castelo era muito maior
do que qualquer estrutura que já havia visto, um jardim de rosas cercavam toda a extensão
do lugar.
Uma mulher com um vestido branco com detalhes em dourado as aguardavam nas
grandes portas do palácio.
-Olha Belle, quantas rosas! - Jeanne apontou sorrindo.
- Já vi que a pequena bela dama gosta das flores.- ela sorriu gentilmente para Jeanne, a
mulher de meia idade tinha seus cabelos presos em um toque dando a ela um ar maduro.-
A senhorita deve ser… Hope não é - ela continuou com Hope assentiu - me chamo Babette,
sou uma das governantas do palácio, serei a anfitriã de vocês.- ela pronunciava as palavras
com calma, Hope a olhou confusa.
- Ly… digo vossa alteza não irá comparecer?- Babette sorriu como se já tivesse previsto a
pergunta.
- Vossa alteza real pediu-me que lhe pedisse desculpas em seu nome pois está indisposto.-
Mas é claro Hope sentiu-se uma tola, era óbvio que ele não estaria em condições de
recebê-las pessoalmente.
- Mas é claro, melhoras a ele.- Hope tentou sorrir o mais amigável possível.- se me permite
perguntar, o que vossa alteza deseja com nossa presença?
- Tudo será explicado assim que entrarmos - ela indicou a entrada.- vamos?
Se o palácio era bonito por fora, por dentro era simplesmente magnífico, detalhes em
dourado desenhavam-se nas paredes de marfim, havia tantos candelabros de ouro e lustres
de cristal que Hope poderia passar dias contando, no centro da grande sala havia diversos
baús com jóias, brinquedos, vestidos e ouro havia tanto ouro que poderia enriquecer uma
aldeia inteira.
-Isso tudo é de vocês, um presente do príncipe por tê-lo amparado.- Babette anunciou como
se não fosse nada, Hope não poderia acreditar.
- Isso… só não podemos aceitar.- Babette pareceu surpresa pela primeira vez.
- Senhorita Hope, veja essas coisas já lhes pertence mais tarde uma carruagem as levará
para sua casa, mas por agora as senhoritas estão livres para explorar o palácio. - Jeanne
se animou ao ouvir isso, Hope resolveu não questionar não queria que a família real se
sentisse ofendida.

…….

Quanto mais Hope se movia pelos corredores do castelo mas solitário o lugar ficava, não
havia muitos funcionários, a maioria dos guardas ficavam no exterior, não havia sinal do rei
ou da rainha. Jeanne por outro lado não parecia perceber o quão vazio o lugar parecia, ela
sorria em todo corredor que entrava e cada quadro que encontrava.
Hope havia se distraído apenas um minuto e Jeanne havia desaparecido de sua vista.
-Droga!- ela sussurrou correndo pelos corredores.
- Jeanne! - tentava soar o mais discreta possível o que era difícil em vista de que queria
atrair a atenção de uma criança de quatro anos.
Sem perceber Hope havia entrado em um cômodo desconhecido, uma cama se estendia no
centro, diversos quadros espalhados pelo chão haviam muitas rosas também.
-É um prazer vê-la novamente, senhorita Hope. - Ela quase deu um grito nada elegante
quando ouviu a segunda voz no cômodo.
- Lya…alteza sinto muito incomodá-lo.- ela se virou, Lyall estava em pé com um pincel em
mãos parecia estar o limpando, ele vestia roupas simples porém elegantes algumas
bandagens podiam ser vistas atrás do tecido. - eu já irei me retirar, apenas perdi Jeanne de
vista e…
- Está tudo bem, não me incomodo. E quando a Florzinha não se preocupa eu garanto que
o palácio está protegido, ela não irá muito longe.- ele disse tirando pinta de suas mãos.
Hope não deixou de notar a forma carinhosa com que ele se refere a Jeanne.
- Fico feliz que esteja melhor os ferimentos eram graves.- Seus ombros ficaram tensos por
um segundo mas logo ele sorriu.
- Graças a senhorita, espero que tenha gostado dos presentes.- Hope odiava não conseguir
decifrar o brilho em seu olhar.
- São realmente deslumbrantes, mesmo achando que não há necessidade para tanto.- ela
vagava os olhos pelos belos quadros.
- Bom, a senhorita salvou minha vida.- ele rebateu.
- Achei que veria vossas majestades.- Hope disse por impulso, fazendo Lyall rir.- Me
desculpe…eu
- Vejo que além de ladra de rosas a senhorita também é uma grande curiosa.- Hope
arregalou os olhos e corou.
-Você se lembra. - Hope nunca sentiu tanta vontade de desaparecer.
- Não poderia esquecer.- Lyall achava lindo a forma que as maçãs do rosto da garota
ganhavam cor.
- A rosa era para Jeanne.- Lyall assentiu ainda sorrindo divertido.
- Respondendo sua pergunta, eles estão em Hélios, já deve ter ouvido falar. - Hope
assentiu.- Villeneuve faz parte do grande conselho, eles estão trabalhando na criação de
Azkaban.
- Este conselho é aquele que ajudará a transformar aquela ilha em uma prisão, não é? - ele
assentiu.
-A senhorita é muito inteligente Belle.- Ele olhou pela varanda.
- Achei que já havia lhe dito que meu nome é Hope. - rebateu tentando não corar com o
elogio.
- Acho que encontrei a florzinha.- ele sorriu ignorando a fala de Hope indo em direção a
varanda Hope o seguiu, olhou para onde ele estava apontando e lá estava ela, no grande
jardim gargalhando ela corria entre as rosas atrás de pássaros Hope, não conseguiu conter
o sorriso, o que nenhum deles sabiam era que algo também sorriu dentro de Lyall naquele
dia.

25 anos antes.
5, dezembro.
Os meses se passaram e Hope passou a frequentar o palácio cada vez mais, ela e Lyall
construíram uma bela amizade, Hope descobriu que ele era muito mais do que apenas um
membro da realeza Lyall era gentil, atencioso e divertido. Os criados já se acostumaram
com Jeanne e ele correndo pelos jardins entre as centenas de rosas, mas havia algo por
trás de suas risadas alegres e sorrisos doces. Tristeza, havia tristeza em seus olhos como
se mil sóis estivessem morrendo lentamente dentro de si.
- No que está pensando?- Lyall encostou-se em uma árvore ao lado de Hope. Ele e Jeanne
tiveram a ideia de ir caçar borboletas perto do lago.
- Em como é injusto que a biblioteca do palácio seja tão maior que a da cidade.- Hope
fechou seu livro olhando para a beira do lago, onde Jeanne gargalhava saltitando atrás de
uma borboleta.
- Justo.- Ele sorriu sentando-se ao seu lado.- Mandarei construir uma dúzia a mais de
bibliotecas pelo reino, apenas com uma condição.
- Ah é, e qual seria ela?- Hope sorriu de volta.
- Terá que dançar comigo. A florzinha me disse que você é uma ótima dançarina.
- Nem pensar!- ela bateu em seu ombro.- Apenas minha maman tinha talento para dança.
Hope sorriu nostálgica.
- Como ela era?- Seus olhos brilharam em curiosidade.
– Bem, meu papa costumava dizer que ela era idêntica a mim. Por isso quando eu nasci ele
queria me nomear de Belle, porque assim como minha mãe para ele eu era a mais bela,
mas por fim ele escolheu Hope que significa esperança na sua terra natal. Ela costumava
me chamar de Mon Belle esperança, depois que ela morreu deixei apenas Jeanne me
chamar assim.- Lyall escutava atentamente cada palavra que Hope dizia.
- Seu pai tinha razão.- Seus olhos encontraram os dela.- Você realmente é a mais bela.
Hope sentiu suas bochechas esquentarem, mas não desviou o olhar. Seus rostos estavam
perto do segundo seguinte Hope avançou seus lábios colidiram em um beijo calmo e gentil
uma de suas mãos voaram para a clavícula de Lyall que tinha as mãos firmes em sua
cintura.
- Eu consegui!- Eles se afastaram bruscamente quando Jeanne apareceu saltitando com
algo em suas mãos.- borleta.
A garotinha sorriu empolgada libertando o animal que ela carinhosamente chamava de
borleta por não conseguir pronunciar borboleta corretamente.
- Isso é incrível florzinha! - Lyall a pegou em seus braços lhe fazendo cócegas. Mas seu
olhar ainda estava voltado para Hope que o olhava de volta. Essa conexão só foi quebrada
quando um auror surgiu no topo da colina.
- Alteza.- ele se curvou, Hope já sabia do que se tratava todo dia antes do sol se por um
auror surge para levá-las de volta.- está na hora
24 anos antes.
23, fevereiro.

- Isso é ridículo.- Hope riu se remexendo na cama quase derrubando a rosa que segurava.
- Só ficará ridículo se você não parar de se mover.- Lyall resmungou se voltando para a tela
à sua frente, mas dava para notar um sorriso tentando se abrir em seu rosto.
- Eu não aguento mais ficar imóvel, preciso me mover!- Ela choramingou.
Lyall revirou os olhos depositando seu pintei em um recipiente.
- Você é uma péssima musa Hope Howell.- Ele lhe beijou gentilmente. A garota sorriu
limpando uma mancha de tinta de sua bochecha.
- Hora, por que não volta a pintar flores então?- Ela perguntou irônica enquanto rodeava seu
pescoço com os braços.
- Nem se eu pintasse centenas de telas repletas de rosas nenhuma delas se compararia a
você.- Hope o beijo e…
-Hope! - A garota foi tirada de suas lembranças.- Em que mundo você está? -Lohan parecia
verdadeiramente irritado.
- Eu só estava distraída.- Hope voltou a cortar os legumes para a sopa.
- Você está muito distraída desde que começou a frequentar o palácio.- O mais velho
resmungou. - Aliás, o que exatamente você faz?
- Belle e o Lall fazem assim, olha - Jeanne largou seus brinquedos e juntou as pontas de
seus dedos inocentemente. Hope arregalou ficando.
- O que?- Lohan exclamou se virando para Hope, tinha raiva em seus olhos.
- Jeanne mon cher por que não vai regar suas flores?- A garota forçou um sorriso.
Assim que a sombra da garota desapareceu, Lohan indagou.
- O que Jeanne quis dizer Hope? Não me diga que está tendo um caso com o príncipe.
- Nós nos gostamos, Lohan.- Hope respondeu firme. O mais velho sorriu sem humor.
- Claro, vocês se gostam? Ele é um príncipe! Hope só está usando você.- Ele gritou
passando as mãos pelos cabelos dourados.
- Não, isso não é verdade.
Não poderia ser, Lyall não era assim.
-Não? No momento em que achar uma princesa para se casar irá lhe descartar como se
fosse nada. Pessoas como ele não se casam com pessoas como nós.- Ele a encarou.
Hope não respondeu, como poderia? Se esse pensamento rondava sobre ela como um
fantasma.
- Falaremos sobre isso depois, papa já deve estar a caminho.- disse por fim, mas antes que
pudesse se virar batidas na porta foram ouvidas.
Hope correu até a porta, porém ao invés de seu pai havia um homem vestido com o
uniforme da guarda real na porta.
-Sim?- Hope franziu o cenho.
- Está é a residência de Remus Howell?- Lohan que apareceu ao seu lado assentiu.
- Sinto muito em informar-lhes que o senhor Howell se encontrou em meio a um confronto
da guarda real a caminho para cá. Um prisioneiro o feriu e infelizmente ele não resistiu.- O
guarda informou com cautela.
- O que?- Hope sentia as lágrimas lutarem para cair. Lohan a envolveu em seus braços.
Isso não poderia ser verdade, não seu pai iria voltar para casa, ele tinha que voltar.
- Como… como isso aconteceu?- A voz de Lohan era fraca.
- Alguns prisioneiros que estavam sendo escoltados escaparam e usaram este homem
como refém. Quando viram que iriam ser capturados novamente resolveram executá-lo.
- Não! Não é verdade.- Ela encarou seu irmão.- Lohan para não pode estar morto,ele…
- Senhorita, eu entendo sua dor, mas eu garanto que os responsáveis serão achados e
responsabilizados.
- Você está querendo dizer que os assassinos de meu pai ainda estão soltos?- Sua voz era
carregada de raiva.
- Papa!- Jeanne correu até a porta de seu quarto. Seu sorriso se desfez assim que viu o
soldado.- Onde está o papa?
Seus olhinhos brilhavam em confusão.
- Mon cher.- Lohan foi até ela se ajoelhando para ficar a sua altura. Ele lhe falou algo que
Hope não conseguia escutar, Jeanne olhou em direção a porta antes de abraçar o irmão.

24 anos antes.
27,fevereiro

Os dias passaram como um borrão, o enterro de seu pai havia acontecido mas ainda não
parecia real, os sermões do padre não passavam de ecos distantes para Hope. Pessoas
prestaram suas condolências a ela e Jeanne que não sai de seus braços, o fato de seu pai
estar morto ainda não lhe fazia sentido alguns dias atrás estavam trocando cartas ansiosos
por sua volta e agora estavam o enterrando, não fazia o menor sentido.
Hope sentiu um gosto amargo ao olhar para a porta da pequena capela, não havia ninguém
lá, assim como não havia ninguém nos dias anteriores. A garota havia enviado uma carta ao
príncipe informando-o sobre sua perda, nenhuma resposta ele não apareceu ao enterro
quando anoiteceu e nem nos dias que se passaram.
- Onde vai?- Lohan a questionou com Jeanne adormecida em seus braços, ela fazia muito
isso ultimamente, dormir. Ela era muito nova para lidar com a perda então chorava até
dormir.
- Voltarei antes dela acordar, prometo.- O mais velho apenas assentiu também, estava
muito cansado para protestar.
Hope observou seu reflexo antes de ir, ela não estava nada “belle’’ como diziam, seu rosto
estava pálido e seus olhos opacos o vestido escuro a fazia parecer uma sombra, mas ela
não se importou apenas correu em direção a Salazar.
- Eu quero vê-lo.- Hope atravessou as grandes portas do palácio.
- Sinto muito senhorita Hope, mas creio que não possa fazer isso.- Babette indagou, havia
tristeza em seu semblante, a garota não sabia dizer se era por pena de sua perda ou pela
sua situação deplorável.
- Cinco minutos, é tudo que peço Babette.- Hope insistiu, a governanta olhou relutante para
as escadas depois para Hope.
- Cinco minutos.- Hope assentiu indo em direção as escadas assim que chegou ao topo
Babette a chamou.- Sinto muito pelo seu pai.
Hope lhe lançou um sorriso fraco antes de seguir seu caminho. Ela seguiu pelo corredor até
o quarto do príncipe, a porta estava entreaberta, Hope conseguiu distinguir o torço de Lyall,
ele parecia concentrado em uma tela.
- Você nunca me deixou ver como ficou meu retrato.- O príncipe se virou assustado com a
voz abafada da garota.
- Você não deveria estar aqui.- As palavras de Lyall atingiram Hope com cem adagas em
seu peito. Mas a única coisa que ela podia fazer era sorrir, um sorriso que parecia causar
uma dor quase física no outro.
- Sabe, eu vim aqui para tentar entender os motivos. Os motivos pelos quais você nem se
importou em mandar uma carta no enterro de meu pai. Os motivos de você ter me ignorado
por dias e dias depois de dizer que estava apaixonado por mim - Ela sorriu sem humor
enquanto uma lágrima escorria.- E você simplesmente me diz que eu não deveria estar
aqui?
- Eu sinto muito pelo seu pai, sinto muito eu… eu não deveria ter deixado isso ir tão longe.
Eu sei que te decepcionei e se isso continuar eu só vou te decepcionar mais e mais até
você me odiar.- Ele tentará ao máximo não olhá-la nos olhos.- Por isso você tem que ir.
Para a surpresa do príncipe Hope riu, gargalhou enquanto mais lágrimas rolavam pelo seu
rosto.
- Lohan tinha razão, eu… sou uma idiota nao sou? Você só estava se divertindo esse tempo
todo. Me diga alguma coisa foi real?
Uma lágrima rolou do rosto do príncipe, mas antes que ele pudesse dizer qualquer coisa
Babette surgiu na porta. Ela não precisou dizer nada Hope sabia que era hora de ir.
- Adeus alteza.- Hope se curvou e saiu.

the first moonrise 2


23 anos antes.
25, maio
- Você deveria se casar.- senhora Rose indagou lhe entregando os legumes.- é jovem
demais para ficar presa naquela biblioteca o dia todo.
Hope revirou os olhos lhe entregando o dinheiro.
- Eu não estou presa, é meu trabalho,além do mais amor não enche barriga.
Hope gosta do seu trabalho na biblioteca da cidade, ela o conseguiu um pouco depois da
morte de seu pai para ajudar o irmão.
- Bom, hoje terá muitos nobres jovens e ricos no baile de coroação.
- A senhora parece muito feliz em celebrar a morte do rei.- A garota provocou.
- Bobagem, já fazem meses e se o príncipe não deseja festejar sua própria coroação eu
quero.- Rose deu de ombros.
Hope engoliu em seco tentando não pensar em Lyall. Já faz quase um ano que não o via ou
pensava nele, no começo era difícil Jeanne também sentiu sua falta, mas com o tempo ficou
mais fácil. Ele nunca era visto fora das muralhas do palácio nem quando seus pais foram
brutalmente assassinados por uma família de bruxos das trevas. A única coisa que Hope
tinha dele eram as rosas do palácio que todo dia eram colocadas em sua porta para Jenne.
Às vezes quando a garota olhava para elas se pegava lembrando do amor que lhe foi tirado.
- Bem, acho que não importa de qualquer forma nós não viremos.
- Por que não?- Jeanne surgiu entre os alimentos, seus cabelos haviam crescido um pouco
assim como ela.
- Porque mon cher, Villeneuve não está segura com todas estas pessoas perigosas
tentando não ir para Azkaban.- Hope a pegou no colo junto às compras.
- Não deveria usar isso de desculpa para se esconder do mundo querida, uma hora o amor
baterá em sua porta.- A senhora a olhou séria.
- Ele não será bem vindo a entrar.- Hope disse por fim saindo da loja.
……

- O que está fazendo?- Lohan franziu o cenho entrando em casa.


- Ham… jantar?- Hope sorriu irônica.
- Hoje será o baile se lembra?
- Sim, e nós não iremos.- Hope o olhou como se fosse óbvio.
- Iremos sim. Haverá pessoas importantes neste baile, será uma ótima oportunidade para
um emprego melhor.- Lohan se diria a sala.
- Ótimo, então você estará lá, tudo bem.- Hope concordou, Lohan a sorriu divertido.
- E você também, e sem protestos. Você é minha irmã e já está na hora de se casar. Pierre
está solteiro e não é muito mais velho que você.- A garota riu.
- Espera o que? Não é porque você está cortejando a irmã dele Marie, que eu tenho que me
casar também.- Lohan corou com a menção da jovem amada.
- Vá se aprontar Jeanne, e fique bonita também.- Lohan saiu em direção ao seu quarto.

…….

- Você será a mais bonita do baile Belle.- Jeanne sorriu para o espelho.
Hope vestia um vestido bordado em dourado, seus cabelos estavam soltos e caiam sobre
seus ombros havia apenas uma tiara em sua cabeça.
- Não mais que você mon cher.- Hope beijou a ponta de seu nariz.
- Posso usar o bracelete de maman?- a pequena alisava seu vestido azul.
- Claro, eu só preciso acha-lo.- Hope olhou em volta.
Fazia algum tempo que não usava a joia de sua mãe, ela procurou por tudo o cômodo, mas
não estava lá, até que ela a viu. A rosa que foi deixada em sua casa, o palácio é lá que
está. Hope estava com ele quando posou para Lyall.
- A carruagem chegou.- Lohan surgiu à porta, Hope se virou para Jeanne que parecia
chateada.
- Eu vou pegá-lo para você tudo bem?- Ela assentiu segurando a mão do irmão.
- Podem ir na frente, eu preciso fazer uma coisa.
- Hope a carruagem…
- Eu dou um feito. Estarei lá em breve.- Hope beijou a testa do irmão.

……

Hope engoliu em seco ao olhar o sol se pondo, nunca havia visto o palácio à noite. Ela não
fazia ideia de como iria entrar, imaginava que não era mais bem vinda.
- Droga!- Ela amaldiçoou baixo o vestido de festa, nada prático para montaria.
Chegando perto das muralhas Hope deixou Salazar e seguiu andando, esperava fielmente
que uma mulher sozinha no escuro não chamasse a atenção dos guardas.
Ela sorriu ao se lembrar de uma passagem secreta que Lyall havia lhe mostrado. Elas a
levaram direto para o salão do palácio. Por sorte não havia guardas no lugar.
Poderiam se passar décadas mas Hope sempre se surpreenderia com a magnitude do
lugar. Sem mais delongas a garota se esgueirou para os aposentos reais, implorando
silenciosamente para o príncipe não estar lá.
Mas como os deuses a odeiam, não foi isso que aconteceu. Ao entrar no cômodo ela se
deparou com um Lyall sentado em uma poltrona ele tinha um livro em mãos. Hope segurou
o fôlego, ele ainda era tão bonito quanto se lembrava mas havia algo, ele parecia…vazio
seus olhos não tinham mais brilho.
- Hope? O que…- Ele arregalou os olhos como se estivesse tendo uma alucinação.
- Ham… Alteza ou devo dizer majestade?- Ela saudou sarcástica, tentando não deixar o
fato de vê-lo a afetar.
- O que você está fazendo aqui?- Ele se levantou deixando seu livro de lado.- Não importa,
você não deveria estar aqui! Você tem que ir! - Ele a olhava com o que parecia ser saudade
misturada com medo.
- Acho que nós já passamos por isso antes, não é?-Hope sorriu, mesmo sabendo que havia
algo errado. Lyall abriu a boca para falar algo mas foi interrompido pela porta sendo aberta.
- Majestade está na hora.- Dois guardas adentraram o quarto, assim que olharam para
Hope seus rostos se contraíram de surpresa e confusão.
- Não deixe ela sair até acabar.- Lyall ordenou antes de sair, um dos guardas assentiu e o
outro o seguiu.
- Espera, acabar o que?- Hope foi impedida de segui-lo.

…..

- Achei! - Hope ergueu o bracelete em vitória, estava tão feliz que até ignorou o fato
estranho de te-lo achado embaixo do travesseiro.- Viu, agora eu posso ir.
E de novo ele a impediu de sair.
- Qual é! Achei que tivéssemos um acordo.- Hope bufou quando o homem grande
simplesmente a ignorou.
Frustrada ela se sentou na cama, mas algo lhe chamou a atenção, no mundo do quarto
havia uma porta entreaberta dando vista a um retrato. Hope franziu o cenho indo até ela.
Abriu a boca em surpresa ao ver diversos retratos seus, um se destacou, ela estava
sentada em sua cama segurando uma rosa em quando sorria. Não fazia ideia de que
poderia ser tão bonita, sentiu algo em dentro de si se revirar ao se dar conta de que era
assim que Lyall a via.
Hope saiu da sala voltando para o quarto, ela precisava sair dali. Ela sorriu divertida quando
numa ideia lhe surgiu
- Sabe grandão, quando eu era pequena mon papa costumava levar meu irmão e eu para o
bosque, lá ele ensinava meu irmão a caçar e lutar, enquanto eu colhia flores. - Como o
esperado, ele não lhe deu atenção.- Contudo eu aprendi algumas coisas também, como
saber que a melhor forma de ganhar uma luta contra alguém maior que você é deixando-o
incapaz de lutar.- Antes que o homem pudesse processar o que ela disse, Hope agarrou um
candelabro de prata e o acertou contra sua cabeça o deixando inconsciente.
- Desculpa grandão.- Hope murmurou antes de sair.
Hope estava prestes a descer das escadas quando ouviu gritos, gritos de agonia. Ela
imediatamente reconheceu, de quem eram eles. Relutante, Hope olhou em direção aos
gritos depois para a escada, por mais que uma parte de seu cérebro gritasse para descer a
outra implorava para ampará-lo.
- Merda!- Ela olhou mais uma vez para a escada antes de seguir pelo corredor.

……..

Ela estava em alguma espécie de subsolo onde ficavam as masmorras. Hope teve que
resistir à vontade de cobrir suas orelhas à medida em que os gritos aumentaram.
Em toda sua vida Hope nunca achou que veria uma cena como esta. Lyall estava preso em
uma espécie de gaiola, seus pés mãos estavam presos por correntes grossas, dois guardas
guardavam a gaiola. Hope estremeceu quando o som de um osso quebrando seguido por
um grito de por foi ouvido. Não fazia sentido, porque Lyall estava ali? Por que os guardas
não estavam fazendo nada para ajudá-lo? Isso não importava, nada mais importava. Nem a
raiva nem o ressentimento, nada. Tudo que importava era que Lyall estava sofrendo e por
mais que Hope tentasse desesperadamente não o amar ela o amava, e foi esse amor que a
fez correr até aquela gaiola.
- Lyall! Hey! Me soltem!- Hope se debateu tentando se soltar do aperto dos guardas, Lyall
parecia ter tentando levantar sua cabeça quando escutou sua voz, mas foi interrompido por
mais um osso se partindo.- Vocês deveriam estar ajudando ele! Por que não estou ajudando
ele?
Hope só se deu conta de que estava chorando quando viu as lágrimas respingar em seu
vestido.
- Hop…Hope- Sus voz nao era mais algo do que um sussurro dolorido, Hope achava que se
não estivesse tão perto da gaiola não teria ouvido.- Eu… eu sinto muito
Foi a última coisa que ele disse antes de seus olhos ficarem amarelados. O último vislumbre
que Hope teve de Lyall foi uma espécie de lobo cinzento tentando se libertar.
A garota foi arrastada de volta para o quarto do príncipe, usando a pouca força que lhe
restava Hope se arrastou até a cama abraçando seus joelhos.
Agora tudo fazia sentido, quando se conheceram Hope achou que ele havia sido atacado
por algum animal mas não, a verdade era que não tinha animal nenhum, era ele apenas ele.
As lendas dos velhos comerciantes sobre “la bette’’, o fato de nunca tê-lo visto depois do
anoitecer. Todas essas coisas inundaram sua mente de uma vez.

23 anos antes.
26, de maio

Hope acordou com leves batidas na porta. Por um instante não se lembrava de onde
estava, mas as lembranças da noite anterior inundaram sua mente como um dilúvio.
Hesitante ela foi até a porta, não ficou surpresa quando encontrou Lyall a aguardando do
lado de fora.
- Posso?- Ele indicou o quarto, sua expressão era indecifrável.
Hope o analisou com cautela, ele parecia bem fisicamente o que era estranho contando que
ela viu seus ossos se quebrarem a algumas horas atrás, olheiras rodeavam seus olhos, ele
parecia cansado. Por fim Hope acenou liberando o espaço para que ele pudesse passar.
Ele parecia um tanto surpreso quando entrou, como se esperasse que Hope não o
deixasse entrar.
Ela se certificou de deixar uma boa distância entre ele não por medo ou ressentimento mas
porque ela estava confusa e não sabia exatamente como reagiria se ficassem muito perto.
Mas Lyall deve tê-la interpretado errado já que sua expressão se contraiu em mágoa mas
ele não parecia surpreso.
- Eu sei que você deve estar confusa, e eu prometo que irei tentar esclarecer todas as suas
dúvidas.- Ele murmurava calmo.
- O que aconteceu lá?- Ele não se surpreendeu com a pergunta dela, pelo contrário já a
esperava.
- Quando era criança eu costumava brincar nas roseiras do palácio. Um dia, quando tinha
sete anos, uma mulher surgiu entre as rosas, eu não me lembro muito bem do seu rosto,
mas me lembro que era bonita, e carregava um garoto. Me lembro dela sorrindo para mim e
tocando meu rosto.- Lyall olhava para o chão como se estivesse revivendo essas
memórias.-Depois disso, eu só me lembro de acordar no meu quarto rodeados de
curandeiros. Eles me examinaram e disseram que eu estava bem, mas quando o sol se pôs
e a noite chegou eu senti uma dor excruciante. Na manhã seguinte minha mãe tinha um
braço cheio de ataduras e eu não me lembrava de nada além da dor. Me levaram em
diversos magos e todos disseram a mesma coisa, eu havia sido amaldiçoado por uma bruxa
das trevas. Meu pai implorou a ajuda dos magos mais poderosos da França, mas não
adiantou, a maldição só poderia ser quebrada com o sangue da bruxa. O rei caçou ela por
anos até que ele morreu.
Hope o encerrou em silêncio, imaginando um Lyall criança tendo que ter seus ossos
quebrados para se tornar algo que não poderia controlar, algo que poderia machucar as
pessoas que ele ama todas as noites pela maior parte de sua. Era cruel.
Sem pensar, Hope correu para os braços de Lyall. Eles se beijaram, um beijo misturado de
saudade e amor.
- Eu gostaria de não ter de dizer isso, mas você precisa ir agora.- Ele pronunciou quando
finalmente se separaram para recuperar o ar, havia tristeza em sua voz.
- Espera, o que? Não!- Hope rebateu indignada, Lyall parecia verdadeiramente surpreso.
- Hope você ouviu o que eu disse? isso - ele gesticulou entre nós.- Não pode acontecer.
- Por que não?
- Não é óbvio? Eu não pude ir ao enterro do seu pai, pelo amor de Deus. Nós nunca
poderíamos acordar juntos ou ter filhos porque eu não correria o risco da maldição ser
hereditária.- Uma lágrima escorreu pelo seu rosto.- Meu destino já está traçado dentro
daquela jaula, e eu te amo demais para te arrastar comigo. Você merece muito mais que
isso.
- Não.- Hope finalmente entendeu o porquê dele tê-la machucado naquela noite.- Não
importa. Eu não sei o que eu mereço, mas eu sei o que eu quero. Ficar com você é tudo
que eu quero.- Ela embala seu rosto com as mãos.- Eu não me importo de viver em uma
jaula desde que seja com você.
Mais duas lágrimas escorrem pela sua bochecha antes dele sorrir e a beijar.

21 antes.
17, abril

Dois anos se passaram desde que Hope e Lyall voltaram a ficar juntos, Hope e Jeanne se
mudaram para o palácio, assim que seu relacionamento com o príncipe se tornou público
ela foi nomeada dama da corte. Lohan havia se casado com Mari Vatet uma garota doce
que conheceu quando era jovem e agora esperavam um bebê. Alguns dias eram melhores
do que outros, às vezes Lyall se sentia culpado por não poder jantar com Hope ou contar
história a Jeanne antes de dormir. Mas eles tentavam superar isso juntos.
- Fique aqui!- Lyall implorou tentando trazer Hope de volta para a cama.
- Não posso, se vou me tornar rainha da França em uma semana tenho trabalho a fazer.-
ela sorriu tentando se libertar do aperto, mas seus protestos foram interrompidos por uma
pequena cabeleira aos pés da cama, Jeanne sorria enquanto subia na própria. A garota
havia se tornado ainda mais esperta aos seus oito anos recém completados.
- Hey parem de se beijar, e deem atenção a criança!- ela lançou um sorriso travesso.
- Ha é, florzinha!- Ela gargalhou quando ele a agarrou lhe fazendo cócegas.
- Desculpe atrapalhar Majestade.- Babette apareceu na porta, Hope percebeu que ela
parecia preocupada.
-Sim?- Lyall colocou Jeanne de volta na cama.
- O capitão dos aurores solicitou sua presença e a de dama Hope no salão real.
- Obrigado pelo aviso. Diga a ele que logo estaremos lá.- Babette assentiu.
Hope franziu o cenho, o capitão dos aurores de Hélios havia chegado há alguns dias. Com
Azkaban pronta, centenas de criminosos de todos os lugares do mundo estão inquietos e
estáveis. Mas o principal motivo de sua vinda era encontrar a bruxa que amaldiçoou Lyall
- Belle.- Jeanne chamou, tirando-a de seus pensamentos.- Posso tomar glace?
- Claro, mon Cher. - Jeanne sorriu fazendo suas covinhas aparecerem.- Babette você pode?
- Claro minha dama.- Babette pegou a mão de Jeanne fazendo uma breve reverência antes
de ir.

………

- Majestade, Senhorita.- O capitão saudou assim que eles adentraram a sala, eles
sentaram-se ao redor de uma mesa.
- Então, o senhor tem informações sobre o paradeiro da bruxa?.- Lyall segurava a mão de
Hope em busca de conforto, odiava ter de falar sobre essa mulher.
- Creio que não, majestade. Mas conseguimos capturar alguém que acreditamos saber
algo.- O capitão se ajeita desconfortável.- Mas existe um problema, ele se recusa a falar
com qualquer um que não seja o senhor.
Hope não estava surpresa, a maioria dessas pessoas eram apenas psicopatas tentando
tirar vantagem sobre seus carcereiros.
- E então, onde ele está?- Sem mais palavras o homem acenou para os outros dois aurores
presente, os mesmo saíram da sala.
Não muito tempo depois eles voltaram com um homem, Hope não pode deixar de se
surpreender ao ver que eles pareciam ter a mesma idade. Ele tinha cabelos escuros como a
noite e olhos claros como o gelo, usava uma jaqueta de couro preta e um sorriso travesso
nos lábios, seus pés e mãos estavam presos por correntes.
O capitão se levantou indo até ele.
- Não faça nenhuma gracinha, Black.- Ele rosnou fazendo o sorriso do outro aumentar.
- É sempre bom te ver também… Terry.- o Capitão o ignorou saindo da sala.- Ele tem cara
de Terry não acham? eu acho.- Ele sentou na poltrona à sua frente ignorando os aurores ao
seu redor.- Sabe, eu achei que tínhamos construído uma relação, mas ele nem sequer me
disse seu nome.
- Concentre-se, Black.- Um auror o advertiu fazendo-o erguer as mãos acorrentadas em um
falsa rendição.
- Então…
- Alphard Black.- Ele lançou um acenou sarcástico para Lyall
- Black, como a família de bruxos das trevas.- Hope arregalou os olhos quando ele assentiu
, todos já ouviram falar da família de bruxos mais antiga da França, eles eram cercados pelo
medo e dor que causavam nas pessoas, essa família era conhecida por sua beleza
mortífera e pelos reinos que destruíram em todos os cinco cantos do mundo. Ela nunca
pensou que conheceria um deles.
- Vejo que já conhece minha não tão doce família mademoiselle.
- Já chega! Você foi trazido aqui porque sabe alguma coisa que precisamos saber, então
diga.- Lyall sibilou impaciente.
- Não faço ideia do que está falando majestade.- Alphard sorria com falsa inocência.
Mas ele a olhava com um brilho diferente, Hope logo reconheceu esse brilho era de
enrolação, ele queria dizer alguma coisa.
- Saiam.- Hope ordenou para os aurores.
- Mas, senhorita…
- Saiam!- ela disse outra vez, os aurores olhavam para Lyall que estava de cenho franzido,
Hope segurou sua mão com mais firmeza lhe passando confiança.
- Vocês a ouviram.- Os aurores se entreolharam depois para Alphard que acenava em
despedida.
- Uau, vocês são um casal extremamente sexy.- Alphard murmurou assim que eles saíram.-
Mais vamos direto ao ponto. Eu digo o que eu sei e vocês me deixam ir.- Ele disse
surpreendentemente sério.
- Sem chance.- Lyall rebateu, o fazendo revirar os olhos.
- Eu não estou falando para vocês me livrarem da prisão, eu estou pedindo tempo para
poder deixar minha sobrinha fora disso.
- Como assim?- Agora era Hope que estava confusa.
- Você não sabia? Nosso novo parque de diversões aceita crianças. Olha eu nao dou a
mínima se eu ou minha família irmos pra lá nós merecemos, mas ela não, Andrômeda
é apenas uma criança.
Lyall ficou um tempo em silêncio, por fim se virou para ela em uma pergunta muda. Hope
pensou em Jeanne e em como faria tudo para protegê-la se estivesse no lugar dele. Hope
queria ajudar aquelas crianças, foi por isso que ela assentiu.
- Muito bem, assim que nos der as informações que precisamos estará livre para ir. Mas eu
não posso garantir que eles não irão te prender de novo.- Lyall o encarava sério.
- E tem mais, você terá que jurar pelos Deuses que não irá machucar mais ninguém.- Hope
exigiu.
- Isso não será um problema.- Alphard sorriu.
- E então?
- O nome dela é Algea Greyback, ela costuma fazer negócios com meus irmãos ou algo
assim.
- Você sabe onde ela está ou por que ela amaldiçoou Lyall?- Hope perguntou evitando falar
esse nome que lhe deu calafrios.
- A boatos de que elaesteva se escondendo do bosque, e quanto a maldição não faço ideia
do porque ela amaldiçoaria o bonitão aqui. Mas eu descobri algo interessante, o filho dela
vocês não vão querer conhecer o cara acreditem, está procurando uma garota para ela
fazer um sacrifício de sangue.
- Um o que?- Hope questionou com a testa franzida.
- Sacrifícios de sangue são usados para tornar uma magia permanente, e Algea está
querendo usá-lo para proteção.- ele estalou a língua- Não me olhem assim, ninguém quer ir
para Azkaban e ela sabe que vocês estão atrás dela.

……..

- Majestade eu não acho que isso seja…


- Prudente? Eu acho que soltar um Black de volta ao mundo nunca será prudente. Mas eu
fiz uma promessa.-Lyall sorriu encorajador para o auror.
Ele engoliu em seco não tirar as correntes de Alphard que sorriu ao ver seus membros
livres.
- Então acho que é isso.- Ele sorriu ao olhar para os grandes portões.- Adeus mademoiselle
mande um beijo ao Terry por mim.
Ela sorriu revirando os olhos enquanto acenava.
- Até mais Lupin.- Ele bateu dois dedos em sua têmpora.
- Até logo Black.- Alphard sorriu quando Lyall bateu dois dedos em sua temporada imitando,
sua saudação debochada.
Assim que ele se foi, Lyall se virou para o palácio.
- Vamos?- Ele a beijou.
- Pode ir na frente, irei ver como está Salazar.
Ele assentiu seguindo em frente.
Hope seguiu para o estábulo real. O lugar ficava um pouco afastado do palácio, assim que
chegou foi em direção ao cavalo. Mas parou assim que avistou uma mulher, ela acariciava
Salazar que parecia inquieto com seu toque. Hope se aproximou com cautela, a mulher se
virou a encarando, Hope sentiu um calafrio sobre o olhar sombrio da mulher.
-É um prazer finalmente conhecê-la senhorita Howell.- A mulher sorriu maliciosamente.
- Quem é você?- Hope questionou.
- Acredito que a senhorita já saiba a resposta.- ela falou estalando os dedos.
Antes que Hope pudesse perguntar do que ela estava falando, seus olhos começaram a
pesar.
- O qu… que você- Suas pernas cederam a fazendo cair. .- O sorriso maligno da mulher
aumentou. Um homem alto vindo em sua direção foi o último vislumbre que viu antes de
tudo escurecer.

…..

Seus olhos foram abrindo lentamente de uma forma embasada, Hope demorou um tempo
para retornar completamente a consciência e quando a fez olhou para suas mãos que
estavam amarradas para cima em uma espécie de gancho. Hope rapidamente olhou em
volta em busca de algo que a ajudasse a se libertar. O lugar em que estava parecia uma
pequena cabana mal iluminada, era fria e havia um espelho e uma mesa com várias
estantes ao redor com ervas e o que Hope acreditava ser ingredientes para poções.
- Que bom, você acordou! Detestaria começar com você inconsciente.- A mesma mulher do
estábulo entrou pela porta com o que pareciam mais ervas em mãos.
- Quem é você? E o que quer?- Hope gritou se debatendo para se soltar, a mulher sorriu a
ignorando.
- Sabe querida, eu me sinto decepcionada. Vocês estavam a tanto tempo me procurando é
agora que estou aqui você não me reconhece.- Hope engoliu em seco ao perceber de quem
se tratava a mulher a sua frente.
Algea, Lyall tinha razão sobre sua aparência, ela tinha longos cabelos cor de carmim que
escorriam em volta de algumas tranças, seus traços eram delicados mas Hope conseguia
enxergar a malícia por trás de seus olhos. Hope poderia dizer que ela era linda se não fosse
seu reflexo no espelho revelando sua verdadeira natureza, era uma mulher velha, corcunda
e enrugada.
- Algea.- Seu sorriso aumentou em orgulho.
- Certamente querida.- Ela se aproximou acariciando-a, Hope fez o possível para se
esquivar.- Agora vamos começar, não há tempo a perder!
- Começar o que?- Hope não precisou de uma resposta. Ela se lembrou do que Alphard
disse‘‘ o filho dela está procurando uma garota para o sacrifício de sangue’’. Hope era a
garota, ela será o sacrifício.
- Você sabe a resposta querida.- Ela sibilou misturando algo em um pequeno caldeirão.
- Por que eu! Porque Lyall?- Hope gritou.
- O príncipe, você quer mesmo saber porque eu o amaldiçoei?- Ela parou a encarando.-
Pense na magia como uma casa repleta de baús cheios de diamantes e ouro, mas a casa é
decorada com sombras e monstros por todas as paredes só esperando para cobrarem o
preço dos tesouros. E assim que a magia negra funciona Hope, quanto mais você usa,
maior é a dívida e alguém tem que pagar.
- Mas você não pagou o preço. Seu filho sim.- Hope dedicou estar certa pela expressão da
outra.- A maldição era dele, não era? Você apenas a transferiu para Lyall.
- Acredite em mim, o príncipe não sofreu nem a metade que meu filho sofreu. Uma maldição
assim não pode ser transferida totalmente.
- E você continuou a praticar, mesmo depois de saber que seu filho sofreria as
consequências.
- Todos temos um preço a pagar.- Seu olhar era sombrio, Hope sentiu uma dor excruciante
em seu braço só agora vendo a faca na mão de Algea. Ela havia feito um corte que vinha
de seu pulso até o cotovelo, o caldeirão que ela usava para misturar as ervas estava no
chão coletando o sangue.
- Quanto a você, querida.- Ela puxou seus cabelos de modo que Hope era obrigada a
encará-la.- Eu apenas achei que seria uma ótima ironia usar a próxima rainha como fonte
de poder assim como eu usei o rei.
- Elas irão te pegar e você irá apodrecer em Azkaban.
- Oh querida, realmente deve haver um velho sentado em um trono se perguntando como
eu poderia ser tão má, tentando bolar um plano para me enjaular naquele lugar. Mas isso
não ia acontecer e seu belo sangue irá me ajudar a garantir isso

21 anos atrás.
29, maio

A visão de Hope estava turva, seus braços doíam por ficarem tanto tempo levantados,
sentia-se fraca pelo sangue que perdeu e tentava desesperadamente ficar consciente e não
fazia ideia de quando tentou estava naquele lugar.
O filho de Algea que Hope descobriu de chamar Fenrir havia voltado do que parecia ser
uma caçada. Alphard tinha razão, a garota em circunstância alguma teria desejado
conhecê-lo. Fenrir era um homem alto com uma aparência animalesca, seu rosto era
coberto de cicatrizes e pelos, seus olhos eram de um amarelo escuro como os de Lyall
ficavam quando se transformava.
- Preciso sair um instante. Alimente-a não quero que ela morra antes da hora.- Algea
coordenou antes de sair.
Ele levantou se aproximando de Hope para soltar as cordas, mas antes de fazer agarrou-a
pelos cabelos a fazendo gemer de dor.
- Se tentar alguma gracinha eu juro que te corto em pedaços e te fazer de jantar entendeu.-
Ele arrastou sua boca áspera pela orelha de Hope.
Ela assentiu engolindo em seco tentando não vomitar. Ele a soltou em uma cadeira de
cadeira velha. Enquanto ele estava distraído com a sopa, Hope tentava ao máximo se
concentrar em algo para atingi-lo. A única coisa à vista era o caldeirão de cerâmica que
transbordava em sangue no chão ao seu lado.
Hope cautelosamente esperou-o se aproximar com a sopa e então com toda a força que lhe
restava, ela lhe deu uma cabeçada. Ele grunhiu de dor deixando a sopa cair colocando a
mão na testa.
- Sua desgraçada!- Antes que ele se recuperasse do golpe Hope lhe atingiu com o
caldeirão.
Os dois caíram no chão cobertos de sangue, Fenrir estava parcialmente consciente Hope
aproveitou a oportunidade para pegar uma pequena faca que estava em uma das estantes
e se arrastar até a porta.
Então ela correu, todo seu corpo gritava em protesto, o corte em seu braço latejava coberto
de sangue seco, Hope não parou de correr tentando recolher algum lugar daquela floresta.
Quando seus pés cederam ela se encostou em uma árvore e usou a faca para cortar um
pedaço de seu vestido para amarrar em seu braço.
- Cadê você sua vadiazinha!- Hope estremeceu ao ouvir os gritos furiosos do outro ao longo
da floresta densa.- Eu te disse o que iria acontecer se tentasse algo! Você é meu jantar
agora Hope! Eu vou pegar você!- Suas gargalhadas ecoaram ao fundo.
Hope voltou a correr entre as árvores tentando não tropeçar entre os galhos caídos, suas
mãos estavam firmes segurando seu vestido enquanto olhava freneticamente para trás em
busca de algum sinal do outro.
Foi aí que ela esbarrou em algo ou alguém, Algea se recuperou da batida, ela olhou
surpresa para Hope.
- Garoto incompetente.- Ela sussurrou irritada erguendo a mão, Hope gritou caindo de
joelhos ao sentir uma dor intensa em sua cabeça, suas mãos foram para suas têmporas. O
Hope sentiu o toque frio de metal em sua cabeça a fazendo se lembrar da faca que ainda
segurava. Ela fez o possível para aguentar a dor se levantando com dificuldade. Ela mal
percebeu que uma de suas mãos foi para um dos ombros de Algea e a outra para a base de
seu abdômen. Ela olhou surpresa para a faca em sua barriga certamente não esperando
pelo golpe. Sangue cor de carmim começou a manchar seu vestido enquanto Hope a via
engasgava com o próprio sangue ainda em choque vendo a vida se esvair do corpo da
bruxa, a magia que escondia sua real aparência se foi com ela, deixando a velha bruxa à
vista.
O que a tirou do transe foram os sons de carruagens ao norte. Ela não parou de correr até
chegar no vale que ficava perto das muralhas do palácio. No fim Hope conseguia ver Lyall e
Jeanne em seu colo. Ele tinha uma expressão miserável e triste, seus olhos transbordaram
em lágrimas ao ver que não era uma alucinação eles estavam lá, ela estava viva.
Quando ele a avistou, ele correu assim como ela. Ele a abraçou com força e saudade.
- Achei que tinha te perdido.- Ele abraçou mais forte enquanto lágrimas de alívio escorriam
pelo seu rosto.
- Mon cher!- Hope abraçou Jeanne que beijou sua testa enquanto limpava suas lágrimas.
- Senti sua falta Belle.- Ela beijou seu nariz.
- Eu te amo.- Ela a abraçou mas o mais forte que conseguia.
- Os aurores estão chegando…
- Ela está morta.- Hope disse, Lyall se surpreendeu mas assentiu.
- Mas eu não vadia!- Hope estremeceu ao ouvir a voz asquerosa de Fenrir vindo do vale.
Ele estava deplorável, coberto de sangue, sua expressão estava ainda mais animalesca
como a de um predador prestes a abocanhar sua presa, elegarregav uma adaga torta em
uma das mãos.
- Acabou Greyback, Algea está morta e os aurores estão vindo.- Lyall se colocou na frente
de Hope e Jeanne.
- Quanto tempo Lupin, você deve estar muito feliz que ela morreu e a maldição voltou toda
para mim não é?- Lyall franziu o cenho depois olhou para o céu, a noite estava chegando
mas a transformação não.
- Escute o que eu digo vadia.- Ele a encarou.- Sangue por sangue, maldição por maldição.
Ele atirou a adaga assim que dois aurores surgiram do bosque o neutralizando.
- Você está bem?- Lyall a examinou preocupado ela assentiu a adaga não a atingiu.
Ela se virou para se certificar se Jeanne estava bem. Ela estava em pé parada pareceria
bem se não fosse a adaga em seu abdômen, a adaga não era para Hope mas sim para
Jeanne.
- Hey hey!- Hope a segurou para que não caísse.- Você…você vai ficar bem só… só não
feche os olhos mon cher.
Hope tentava não olhar para o sangue.
– Hey mon cher por favor não feche os olhos.- Uma lágrima solitária escorreu pela
bochecha de Jeanne.
- Mas eu estou com muito sono Belle.- Ela sussurrou baixinho com a voz trêmula.
Ela fechou os olhinhos como um anjo indo dormir.
- Eu sinto muito pela perda de vocês, mas temos que voltar ao palácio. A voz do auror não
passou de um eco vazio na cabeça de Hope, tudo que importava era Jeanne.
- Amor…- Lyall a chamou com a voz carregada de tristeza.- Temos que levá-la.
Ele estava chorando, por que ele estava chorando?
- Hey mon cher, acorde precisamos voltar.- Hope acariciou seus cabelos tentando acordá-la.
- Hope…
- Vamos acorde.- ela o ignorou, sacudindo a
- Hope!
- Mon cher acorde por favor!- Hope deixou as lágrimas finalmente escorrerem.- Por favor
acorde!
Lyall a abraçou enquanto ela gritava agarrada ao copinho sem vida de Jeanne sem se
importar com o sangue ela apenas gritou.

21 anos antes.
31, maio

Estavam todos no grande salão ouvindo o padre falar. Hope e Lohan ao lado do caixão
repletos de rosas. O ferimento estava coberto por um vestido azul, seu rosto estava sereno
e angelical seria bonito se ela não estivesse morta.
Mari descansava a mão em seu ventre onde seu bebe crescia a outra mão estava no ombro
de Lohan enquanto ele abraçava a Hope que não disse uma palavra desde a morte da irmã,
como se não houvesse nada que valesse ser dito se Jeanne não estivesse aqui para
escutar.
Lyall estava se definhando em culpa uma noite depois da morte de Jeanne ele
silenciosamente implorou para que o feitiço de Greyback tivesse dado certo e a maldição
tivesse voltado para ele, porque ele merecia a dor. Mas ela não veio. E agora nunca saberia
se o amor da florzinha por rosas sobreviveria até a vida adulta, porque ela estava morta e
nunca passaria dos oito anos.

21 anos antes.
9, julho

Os meses passaram e o palácio parecia mais vazio do que nunca, os corredores pelos
quais Jeanne costumava correr agora estavam completamente escuros e sem vida. Lyall e
Hope estavam distantes, não era culpa deles, apenas não sabiam lidar com a dor.
Lyall era como uma sombra sempre escorado na janela esperando ver Jeanne brincando
com as rosas no jardim, mas ela nunca estava lá.
Hope odiava a forma como nada parecia ter mudado. O sol continuava se pondo e as rosas
continuam florescendo, mas não para Hope. Para ela as rosas nunca mais floresceram, pois
não havia mais sol para fazê-las renascer.

20 anos antes
20, dezembro

Com o passar do tempo a dor foi se tornando algo familiar, mas nunca se foi eles apenas
aprenderam a viver com ela. Hope e Lyall aos poucos voltaram a se aproximar. A dor se
tornava mais fácil de suportar quando era compartilhada com alguém que ama. Ainda mais
se esse alguém seja seu marido
- A senhora está linda majestade.- Babette a ajudava a ajustar seu vestido.
Hope estava prestes a entrar na sala do trono e ser coroada em frente a centenas de
pessoas.
- Por favor Babette, eu ainda nem fui coroada.- Hope sorriu espirrando funda para esconder
seu nervosismo,as joias pesavam sobre si.
Antes de Babette responder, os sinos soarão indicando sua entrada. Dois guardas puxaram
as grandes portas revelando diversos olhares sobre si. Hope ergueu sua cabeça e começou
a caminhar em direção ao altar, ela ignorava todos os olhares focando apenas em Lyall
sentado em seu trono, ele a olhava com encanto.
Hope se ajoelhou perante a ele.
- Hope Howell, lady de Villeneuve - Ele anuncia firme para todos.- com essa coroa em
minhas mãos eu a nomeio solenemente como Rainha da França.
Hope sentiu o peso da coroa sendo colocado em sua cabeça, Lyall a elevou até o trono
onde se sentou ao seu lado.
- Deus salve o Rei!- Um coro soou diante da multidão.
- Deus salve a Rainha!- O coro soou mais uma vez, mas desta vez para Hope, eles
gritavam seu nome, eles acreditavam nela.
18 anos antes.
15, agosto.
-Tenho uma surpresa.- Hope sorriu quando desviou de Lyall.
- O que?- Ele sorriu também correndo atrás dela.
- Aham, você ainda não me pegou se lembra?- Ela segurava seu vestido enquanto corria
entre as rosas.
-Ah é!- Ele surgiu em meio às flores a agarrando pela cintura, Hope gargalhava enquanto
tentava se libertar.
-Ta, tá bom você venceu.- Ela rodeou seu pescoço com uma mão e com a outra guiou a do
jovem rei até o seu ventre.
Ele a seguiu com os olhos brilhantes.
- Você está…-Ela assentiu.
Sem aviso Lyall gira-a no ar.
-Isso é maravilhoso!- Ele depositou vários beijos pelo seu rosto a fazendo rir.- Eu te amo.
Hope sorri o beijando de volta. Lyall sempre sonhou em ser pai, mas por muito tempo
escondeu isso por medo da maldição ser hereditária. Mas agora eles estavam livres para
viver isso sem medo

17 anos antes
10, março.

A França estava em festa com o nascimento do jovem príncipe.


- Como vamos chamá-lo?- Lyall perguntou encantado com o bebe em seus braços.
Hope sorriu cansada, havia sido um parto difícil mas tudo valeu a pena quando viu seu filho
em seu braços.
- Remus, Remus John Lupin.- Lyall sorriu triste para ela. Agora eles podem ter uma parte da
pequena Jeanne em seus braços.
- Ola Remus, aqui é seu papa aquele que te ama muito.- Ele sussurrou beijando sua
cabecinha.
Hope sorriu ainda mais com a cena, eles seriam uma família feliz.

……..
- Majestade.- Babette entrou com Remus em seu colo.-Acho que a senhora gostaria de ver
algo.- Ela parecia nervosa.
Hope franziu o cenho indo até ela
Sem nada a dizer ela apenas levantou a roupinha de Remus até a altura da barriga. Hope
arregalou os olhos ao ver a cicatriz que parecia ter sido feita pela garra de um lobo no
mesmo lugar onde Jeanne foi atingida por aquela adaga.
- Chame Lyall!- Hope ordenou pegando seu filho, não poderia ser coincidência. Algo
daquela cicatriz a fazia reviver aquele dia horrível.

………

Eles o levaram em diversos curandeiros e magos, mas nenhum soube qual era o problema.
Então Lyall resolveu consultar Dumbledore, o bruxo mais poderoso ainda vivo, o criador de
Azkaban.
- Majestades.- ele os saudou.- se me permitem.
Ele examinou Remus, Hope odiava a forma fria em que o outro tratava seu filho.
- Quais foram mesmo as palavras de Greyback naquela noite?- Ele não demonstra nenhum
tipo de emoção.
- Sangue por sangue maldição por maldição.- Hope nunca poderia esquecer essas
palavras.
- Sem dúvida ele estava lançando uma maldição.
- Sim, mas não funcionou. Eu nunca mais voltei a me transformar.- Lyall respondeu
balançando Remus, que brincava com seus dedos.
- Suponho que o feitiço não tenha sido direcionado para você majestade.
- O que quer dizer?
- Quantos anos Jeanne tinha quando morreu?- Ele a ignorou.
- Oito.- Ele assente.
- Suponho que era lua cheia.
-Por que isso importa?
- Sinto muito majestade, mas acredito que Fenrir Greyback usou de um feitiço de sangue
para amaldiçoar seu filho.
Hope sentiu o ar deixando seus pulmões.
- O que? Isso é impossível!- Lyall parecia desesperado.
- Infelizmente é sim.
- Não! Meu filho não pode sofrer o que eu sofri.- Ele gritou abraçando Remus que estava
alheio a tudo isso.
- Todos os fatos indicam que não será exatamente igual. Fernin não era tão poderoso
quanto sua mãe para transferir muito de sua maldição para algo que ainda não existia.
Acredito que ele usou o poder da lua junto ao sacrifício de Jeanne para transferir apenas
uma pequena parte dele à essência de Hope que um dia viria a ser seu filho.
- Quando vai acontecer e como podemos impedir?- A voz de Hope estava trêmula.
- Provavelmente na primeira lua cheia do seu quarto aniversário.
A metade da idade de Jeanne quando morreu, Hope pensou.
- Como revertemos isso?- Lyall perguntou entregando Remus para Babette que saiu da
sala.
- Creio que não haja como.
- Não! Tem que haver um jeito, funcionou comigo!- Ele gritou.
- Uma maldição feita a partir de um feitiço de sangue dura para sempre nenhum poder do
mundo pode mudá-la.- Sua voz era calma.
Uma lágrima caiu dos olhos de Hope.

…….

-Não, isso não pode estar acontecendo. Com ele não! - Lyall andava de um lado para o
outro no quarto.
- Hey, hey!- Hope o fez parar embalando seu rosto com as mãos.- Temos que ser fortes por
ele. Nós estaremos ao lado dele a cada lua que se seguir.
Ela sussurrou com lágrimas nos olhos.
- Nosso filho é um menino forte e nós o ajudaremos a passar por isso.

14 anos antes.
20, março
- A algo errado maman?- A voz de Remus soava fraca, Hope podia senti-lo tremer debaixo
de seus braços.
Lyall havia o envolvido em uma coberta no caminho para cá, eles sabiam que estariam em
pedaços na manhã seguinte mas não se importavam, tudo que importa era deixar seu
menino o mais confortável possível nesta jaula horrível.
- Não meu amor, maman só está um pouquinho cansada.- Sua voz fraquejou enquanto
tentava reprimir as lágrimas.
- O que você acha de dormir um pouco hein garotão.- Ele beijou seu nariz fazendo Remus
rir. Lyall sorriu também, mas Hope podia ver a dor quebrada em seus olhos.
Um guarda apareceu, ele não precisava dizer, eles sabiam que era hora de ir.
Hope acariciou os cabelos de seu filho lhe dando um beijo gentil na testa. Lyall os envolveu
em um abraço que demorou mais do que deveria.
- Não precisa ter medo meu amor, maman e papa estarão logo ali.- Ela indicou o lado de
fora da jaula.
- Mas maman eu não quero ficar aqui. - Ele sussurrou envolvendo seu lobo de pelúcia com
suas mãozinhas.
- Vai ficar tudo bem, estaremos aqui com…
- Sinto muito, majestade.- O guarda teve que agarrar o braço do jovem pai, para tirá-lo da
jaula. O outro quase teve que arrastá-la para fora.
Lyall a envolveu em seus braços colocando uma mão firme em sua orelha enquanto ela
escondia seu rosto na curva de seu pescoço, para evitar que ela ouvisse os gritos de
desespero de seu filhinho, e nem ver suas tentativas fracas se libertar das correntes que os
guardas colocavam. De repente os guardas saíram e as tentativas se encerraram. Deus
como eles desejaram que nunca tivessem parado, porque foram substituídas por o som de
um osso se quebrando seguido por um grito de dor agonizante. Lyall pressionou mais sua
mão na orelha da sua esposa enquanto fechava os olhos.
- Me desculpa, me desculpa…- ele sussurrou baixo.

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