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Ambiguidade na Tradução Bíblica

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DA AMBIGUIDADE

NA TRADUÇÃO BÍBLICA
(Excerto)

Alberto Liberato

A W
T
l ste trabalho visa contribuir para a comunicação no fazer teológico, que é a divulgação
do texto bíblico. Para isso, necessitamos ver alguns princípios. Primeiro, a cultura é o
conjunto de regras que governa o comportamento humano permitindo a comunicação.
Até mesmo a contracultura pressupõe (um)a regra. A linguagem, com a gramática e suas regras,
tem por objetivo a comunicação, e o conjunto de regras da fala e da comunicação escrita chama-
se GRAMÁTICA. A base da comunicação é a atribuição de significados aos signos, e esta é a base
da linguagem: a instituição de uma convenção que regula a atribuição de significados aos
signos: a regra. A comunicação e a escrita têm, pois, a sua regra, que é a GRAMÁTICA. A
linguagem e a comunicação dependem, então, do compromisso com a regra gramatical.
A cultura determina, assim, uma verdade que é a regra para a vida.

A cultura e o signo. A GRAMÁTICA é uma teoria da língua. Um dispositivo que permite a


leitura dos significados dos signos, associa os signos aos significados. O signo resulta de uma
convenção, por isso é arbitrário e não encontrado na natureza, foi criado pela cultura, pela regra.
O signo só possui valor dentro do sistema de regras (i. e., a cultura) de que faz parte, só funciona
em oposição a outros signos do mesmo conjunto; e é sempre institucional, só existe dentro do
grupo social, só possui significado para os indivíduos do grupo que concordam com tal regra, e
dentro de uma cultura específica. Não há significado fora de sua relação com um significante e
vice-versa. O significante sem o significado é apenas um objeto, sensível mas ilegível; o
significado sem o significante é impensável. O signo, ou a função signífica, funda a relação
entre estes dois elementos, então chamados relatum.
Trata-se de relação construída pela cultura (o acordo de uma regra) com projeção num segundo
nível, o nível subjetivo mental. O signo é função da relação do significado com o significante:
SIGNIFICADO (não-sensível) S (S/s)
SIGNO = =
l
l
SIGNIFICANTE (sensível) s
A GRAMÁTICA é uma teoria científica que prevê situações, possui poder preditivo em relação à
língua, e apresenta-se como um conjunto infinito de enunciados. Ela prevê três níveis de
representação signífica: o semiótico, o semântico e o sintático.
Comunicação e conversão. Chama-se COMUNICAÇÃO à interação social através de
mensagens. A comunicação contribui para que as pessoas modifiquem os significados que
atribuem às coisas, modificando as crenças, os valores e os comportamentos daqueles que
se comunicam. A comunicação é o agente de transformação social. Ela é, fundamentalmente,
uma mensagem com um destinatário. E essa mensagem não apenas comunica uma informação,
mas, pela natureza da sua intervenção na realidade, exige que a pessoa receptora assuma uma
nova consciência de vida, o que deve modificar o seu comportamento: isto é, a pessoa modifica a
si mesma em sua realidade. A pessoa passa a um novo nível de compreensão, diferenciado da sua
realidade anterior ou, em termos teológicos, ela deverá se converter por força da menagem.
A verdade está na clareza da mensagem. Ela é fundamental para que se cumpra o efeito
requerido pela mensagem, a modificação da compreensão de uma determinada realidade, para a
compreensão de uma realidade maior, para uma nova atitude. Para a novidade.
Sócrates, de Atenas, dizia que o conhecimento da verdade transforma o indivíduo que, ao
entendê-la, por ela se orienta. E Sören Kierkgaard disse que, por mais abjeta que seja, a verdade
do grupo será sempre a verdade do indivíduo: a verdade do indivíduo é a cultura do seu grupo, se
circunscreve à regra do grupo. Conhecer ou entender algo como verdade é imperativo para que
se procure viver de acordo com essa realidade. A mensagem propõe um critério de valor para a
vida. Exige a identificação com a realidade da mensagem como um BEM COMUM.
Verdade é o critério de valor para julgarmos nós mesmos, nossa identidade, nossa realidade.
A verdade, enquanto BEM COMUM, só se alcança com partilha de experiências, sentimentos e
ideias que se influenciam mutuamente. A comunicação serve para as pessoas se relacionarem
entre si e, a partir desta relação, transformarem-se mutuamente e transformarem a realidade em
que vivem, alcançando uma verdade maior. São os seguintes os elementos da comunicação:
˜ uma realidade cultural na qual se vive e onde se realiza a comunicação; a comunicação efetua-
se situada num ambiente e num momento histórico;
˜ as pessoas dos interlocutores (emissores e receptadores de mensagens);
˜ a forma, ou os signos organizados sob a forma de códigos; os meios de comunicação, que são
diversos, mas em nosso caso, todos os meios partem de um texto escrito: a BÍBLIA;
˜ a mensagem, o conteúdo da comunicação querigmática: a Palavra de Deus.

Não basta decodificar a escritura da mensagem. Para perfeito entendimento da mensagem é


imprescindível a interpretar ou CONTEXTUALIZAR. E, por fim, incorporar.
Diz Juan Díaz Bordenave (O Que É Comunicação?), sobre a incorporação da mensagem: "Se a
mensagem é interpretada de uma maneira tal que a pessoa não se considera ameaçada em seu
sistema de ideias, valores e sentimentos, a mensagem é facilmente incorporada ao repertório ou
acervo. A flexibilidade mental do receptor, sua mente aberta ou fechada, seu nível de tensão ou
ansiedade, sua segurança ou autoconfiança intervêm na aceitação ou rejeição da mensagem: Às
vezes a incorporação é só parcial e uma parte da mensagem é rejeitada" (BORDENAVE:44-5). Daí o
problema da conversão. E, de fato, podemos ver por toda parte a mensagem da BÍBLIA sendo
incorporada somente parcialmente na vida das pessoas.
Isto acontece porque a significação é produção social de sentido e as culturas são diferentes.
Verdade e sentido. O significado não é propriedade do signo, mas um conjunto de relações
que o conceito significado traduz externamente. O significado dos signos não está nos próprios
signos (a Palavra), ou no objeto referente, (o texto da BÍBLIA), mas nos conceitos formados na
mente das pessoas. Há um conceito social consensual (quer dizer, acordado) do que é a verdade.
O significado do signo tem três níveis de leitura. Primeiro, o nível de leitura, o significado
conceitual do signo ou palavra é o que chamamos "significado gramatical," é aquele que consta
nos dicionários léxicos; também chamado significado referencial. Segundo, para interpretar
uma mensagem, palavra ou signo temos que analisar a estrutura frasal que a contém: a relação
com os outros signos dá o sentido mais específico, ou significado contextual.
Para efeito de tradução da mensagem devemos atentar ao significado contextual pré-existente
na mente dos receptores da mensagem, porque o significado contextual depende da situação de
vida ou, em jargão técnico teológico, im sitz im laben (alemão: lugar na vida), do que emite a
mensagem, com conotação pelo contexto da situação de vida do que recebe a mensagem.
Importa ao intérprete receptor/transmitente que o que é dito COINCIDA, NECESSARIAMENTE,
com a forma com que se diz, ao proferir o discurso, através da coerência da construção social,
isto é, relacional do sentido. Se o que é dito não coincide com a sua forma, há violação da regra.
No ato de comunicação do texto bíblico, por ser um ato de interpretação, devemos lembrar que
a função da comunicação é indicar a qualidade de nossa participação no ato de comunicação:
que papel tomamos e impomos ao outro, os desejos, sentimentos, atitudes, juízos e expectativas,
do ato de comunicar (BORDENAVE:47); ou seja, no ato de proclamar a Palavra de Deus.
O ato de sacralização da BÍBLIA, com ritos para sua leitura pública e individual e sua
entronização em altares, que a tornam uma Escritura Sagrada, revela que, para cristãos e outros
povos, ali, nas palavras da BÍBLIA se encontra uma mensagem importante para estas pessoas. A
importância desta mensagem exige que nos asseguremos da integridade do seu conteúdo.
E para a completa segurança existe a regra.
A regra da escritura. Comunicação é um sistema porque a linguagem tem uma estrutura: a
GRAMÁTICA; certas ordenações sintáticas fazem sentido porque representam nossa experiência.
Para se transmitir uma mensagem escrita, então, é necessário obedecer à regra gramatical, que é,
enfim, a regra da cultura. Do contrário não se efetuará a comunicação. O uso de regras diferentes
denunciará um objetivo diferente da verdade. E para descrever explicitamente a padronização
nos sistemas das línguas humanas foi desenvolvida a teoria da Gramática Transformacional.
Em termos de GRAMÁTICA TRANSFORMACIONAL, dizemos que a estruturação da superfície, ou
a tecitura da sintaxe do texto ou da fala, deriva-se da estrutura profunda a ser comunicada pelo
sujeito agente. A derivação, ou ESTRUTURA DE SUPERFÍCIE, é resultado de uma escolha entre
várias opções de representação da representação profunda. Daí, o texto bíblico é uma estrutura
de superfície, ou estrutura sintática, ou seja, simplesmente: um texto.
A GRAMÁTICA TRANSFORMACIONAL estuda o padrão das estruturas sintáticas, dado pelas
regras do metamodelo da linguagem:
S/s/s
Onde S é a mensagem (ESTRUTURA PROFUNDA), s o referente (ESTRUTURA DE REFERÊNCIA) e o
último s o texto escrito (ESTRUTURA DE SUPERFÍCIE).
Há novo rebatimento da relação a um terceiro nível, o nível social. Na sonoridade da fala ou
no texto escrito, temos objetivamente, no mundo da realidade social (o mundo físico), a estrutura
de superfície, pois a estrutura profunda que contém a mensagem só existe no mundo metafísico
dos sujeitos envolvidos na comunicação, que se efetua por o sujeito receptor intuir de imediato a
estrutura profunda do emissor, pelo julgamento imediato da estrutura de superfície.
O metamodelo transformacional revelou intuições em falantes que apontam universais do
processo linguístico. Um desses universais é a lógica da relação semântica que o falante produz
enquanto fala e induz no que ouve ou lê. Isto significa que quem ouve ou lê a fala julga a lógica
das relações semânticas. Ler ou ouvir é julgar o resultado da aplicação da regra: é julgamento!
A leitura é julgamento da lógica das relações semânticas do texto.
Em termos de GRAMÁTICA TRANSFORMACIONAL, dizemos que a estruturação da superfície, ou
a tecitura da sintaxe do texto é gerada pela estrutura profunda ou que deriva-se da estrutura
profunda a ser comunicada pelo sujeito agente.
A experiência profunda do mundo do sujeito não é um fato em si mesmo, mas uma
representação que só pode ser comunicada por meio de fatos mentais: a interpretação dos
signos. Mas esta validação poderá ser verdadeira ou falsa.
A validação da verdade se dá pela regra gramatical. Ao se comunicar a representação de uma
experiência do mundo, forma-se uma representação linguística completa na ESTRUTURA
PROFUNDA e, ao falar ou escrever, se transforma, quer dizer, se escolhe formas derivadas de
expressões superficiais para aquela comunicação, ordens sintáticas julgadas adequadas para tal
finalidade específica: comunicar a representação da realidade a ser validada como verdade .
Quando dizemos que uma gramática gera um enunciado com determinada descrição
estrutural, é dito que a gramática atribui esta descrição estrutural ao enunciado, i. e., o
destinatário da mensagem intui esta descrição estrutural; ele avalia a adequação e a projeta, a
partir da sua própria representação da relação signífica (S/s), formando um juízo. Coerência e
constância são os critérios de julgamento. Juízo coerente, na análise, significa a intuição sempre
constante, através do tempo, e coincidência entre as intuições de mais de um falante da língua, a
respeito da estrutura da mesma frase.
Enfim, julga-se verdade o que se apresenta constantemente coerente.
O problema da interpretação. Para fins práticos de interpretação, lidar com uma
infinitude de possibilidades é indesejável, impraticável. Em Sintaxe e Semântica na Gramática
Transformacional, A. Bonomi e G. Usberti introduzem o problema semântico da infinidade de
possibilidades intuitivas: a infinitude motivará uma escolha de natureza epistemológica e levará
a individuar um corpus (um conjunto E de enunciados), uma porção finita suficientemente
representativa da língua em questão. Porque a intuição depara-se com múltiplas escolhas, é
necessário submeter o processo indutivo natural ao processo dedutivo da teoria científica. A
escolha intuitiva poderá incorrer em erro. Para evitar o erro na interpretação, deve-se superar o
nível intuitivo e buscar um nível superior de interpretação da mensagem e das regras de leitura.
O problema epistemológico da descrição gramatical da língua é melhor aplicado ao problema
da interpretação, por Algirdas Julien Greimas, na obra Semântica Estrutural. Para deslocar a
consciência do leitor ou ouvinte da realidade sua própria à realidade outra que lhe é comunicada,
utiliza-se uma metalíngua transcritiva, que não apenas serve ao estudo de qualquer conjunto
significante, mas também é ela própria indiferente à escolha da língua natural utilizada.
Greimas fala de um nível mais elevado do estatuto hierárquico metalinguístico que transcende
a cultura de qualquer sociedade: um quarto nível de representação. Este quarto nível é o nível
científico, superior ao terceiro nível, o nível social ou do senso comum.
Para superar impasses de interpretação que a intuição não consegue vencer, encontramos na
ideia de semântica científica de Algirdas J. Greimas a resolução que nos conduz à interpretação
linguística, como superação da interpretação intuitiva. Esta semântica científica de Greimas é
concebida como união, pela relação de pressuposição recíproca, de duas metalinguagens: uma
linguagem descritiva ou translativa, onde as significações da linguagem-objeto poderão ser
formuladas: "uma linguagem metodológica, que defina os conceitos descritivos e verifique sua
coesão interna" (Semântica Estrutural:24; g.n.).
Greimas afirma que "uma descrição indutiva não ultrapassará jamais os limites de um dado
conjunto significante" (p.25), quer dizer, para efeito de interpretação, que o leitor queda restrito à
realidade idiossincrática do tradutor da mensagem, ou seja, uma interpretação tal que não
permite ao leitor chegar à realidade original da mensagem, devido à interferência da realidade
do mau tradutor. A ambiguidade linguística por falta de competência linguística ou por uso
intencional, pelo receptor/transmitente ou tradutor do texto, pode acontecer com perversão da
regra científica da gramática. O que se exige do leitor intérprete (ou tradutor), para correta
interpretação, é competência metodológica científica.
Para adequar-se a interpretação, a descrição da língua deve aderir à realidade de origem, e não
ser submetida à "conceitualidade" particular do intérprete. Na medida em que o corpo de
conceitos gramaticais constitui um conjunto axiomático dedutivo, esses conceitos poderão
servir de base à morfologia comparada ou geral. O problema proposto dessa forma é de "duas
concepções de verdade; a verdade considerada enquanto coerência interna e a verdade
concebida como uma adequação à realidade" (ibidem; g.n.). O problema da interpretação é a
divergência entre a realidade do contexto objetivo do texto e a realidade "conceitual" (i.e.,
alienada da realidade objetiva original) da metalinguagem do receptor (ou tradutor).
Greimas nos dá a conclusão ao problema da interpretação linguística metodológica: a ciência
só pode se construir levando em consideração os dois aspectos metodológicos fundamentais
que chamamos «leis da natureza» e a realidade, mas subordinando a indução à dedução. Ele
atesta-nos, então, este nível hierárquico metalinguístico superior que possui uma forma de
interpretação cientificamente linguística contra a outra intuitiva, como a tradução literária, para
a interpretação correta de um texto.
Ora, a ciência linguística, com a GRAMÁTICA TRANSFORMACIONAL, descobriu, enfim, que o
fato objetivo (a realidade de origem) encontra-se na estrutura profunda e somente se faz acessível
pela superfície (sintaxe) do texto.
O diagrama ramificado. Pela GRAMÁTICA TRANSFORMACIONAL, intuições são mostradas
por gráficos chamados estrutura de árvore, que evidenciam as ramificações. Usando a intuição
a respeito da estrutura interna de uma proposição, agrupamos as palavras individuais da frase
em unidades de palavras-múltiplas de nível mais alto. Diz-se que as palavras que se ajustam ou
ligam-se em agrupamentos intuitivos são dominadas pelo mesmo módulo da árvore. Após
identificados os diversos módulos de agrupamento de unidades, novamente agrupamos os
grupamentos constituintes iniciais em constituintes de nível ainda mais alto. E assim por diante,
até chegarmos ao tronco de origem das ramificações.
Este tronco de origem da estrutura sintática é a estrutura profunda (a oração; no gráfico

visível, isto é, compreensível: O l


representada por O) que gera a proposição da mensagem proferida. No diagrama, de forma
ll

l
l
S V OD OI

l l l
l

O justo vive o amor de Deus pela santidade


(art.) (subst. c.) (verbo) (art.) (subst. c.) (prep.) (subst. p.) (prep.) (adjetivo)
l
Uma mesma oração (O) pode gerar derivadas com sintaxes diferentes e com o mesmo sentido:

l
O

l
ll
ll
l
V S OI OD OI S V OD
l l l l l l l l l l
Vive o justo, pela santidade, o amor de Deus. Pela santidade, o justo vive de Deus o amor.
(verbo) (art.) (subst.) (prep.) (adj.) (art.) (subst.) (prep.) (subst.) (prep.) (adj.) (art.) (subst.) (verbo) (prep.) (subst.) (art.) (subst.)

Gerada outra derivação da mesma estrutura profunda, ambas as derivações, apesar de suas
estruturas sintáticas diferentes, deverão apresentar o mesmo sentido, ou sinonímia.
As intuições permitem decidir coerentemente e avaliar a boa estruturação das proposições, i.
e., as suas estruturas sintáticas (ou quais sequências de palavras constituem orações, quer dizer,
representam a mesma estrutura profunda); quais palavras, dentro da oração, se ajustam para formar
uma unidade ou constituinte de nível mais alto, e quais orações apresentam sinonímia.
Se proposições coerentes não apresentam sinonímia, foram geradas por estruturas profundas
diferentes e representam orações diferentes. Mas proposições podem apresentar sinonímia
sintática e não serem geradas da mesma estrutura profunda, i.e., podem não representar a mesma
oração. Uma única frase com duas orações diferentes é o caso da AMBIGUIDADE.
A ambiguidade linguística. Se acontecer de mais de uma estrutura profunda se ligar a uma
única estrutura de superfície cria-se a AMBIGUIDADE:
(sujeito ou verbo ?) (prep.) (art. ind.) (subst.) (prep.) (subst.)
Mato * para uma oferenda de macumba .
OD
O O
S/
?/ V
S OD V OD

(Há) mato para (despachar) uma oferenda de macumba. (Eu) Mato (vida) para (fazer) uma oferenda de macumba.
(subst.) (prep.) (art. ind.) (subst.) (prep.) (subst.) (verbo) (prep.) (art. ind.) (subst.) (prep.) (subst.)

A AMBIGUIDADE linguística é parte de uma classe especial de proposições. A oração ambígua


se caracteriza pela dependência ao contexto subjetivo do destinatário da mensagem como uma
subversão da correta interpretação. Através dos mecanismos lógicos que são as regras da língua,
é possível determinar referências dentro da frase, mas também fora dela, através de dêixis.
A contextualização se realiza por dêixis. Dêixis é uma função de certas unidades linguísticas
que não significam, apenas indicam, são sinais indicativos que denotam o contexto e a situação.
Os dêiticos são elementos situativos do texto ligados às circunstâncias do ato de fala, como
pronomes, adjetivos de tempo, lugar, etc.
Numa tradução, pode ser produzida AMBIGUIDADE por generalização, eliminação (i. e., redução
ou omissão) paráfrase e distorção, mas as referências dêiticas, determinam a experiência original
da comunicação, contextualizam a mensagem, e conotam as palavras (signos).
* Observe-se que há uma mudança gramatical no vocábulo mato que, em um caso, é nome e sujeito, e no outro verbo.
Do contrário, não haveria comunicação pois os mecanismos lógicos com que representamos
nossa experiência são universais: o metamodelo (sintático) induz uma intuição do sentido
(semântico), que é pressentido pela contextualização. Somente em um segundo momento são
identificados particularmente os signos, após contextualizados; quer dizer, são conotadas as
palavras da mensagem. Então, a intuição sintática pode avançar para a dedução semântica.
A intuição pressupõe o sentido. Após constatar intuitivamente coerência na oração, a
interpretação semântica correta deve submeter-se a um julgamento superior, isto é, científico, de
cada um dos elementos constituintes. Aqui, os elementos dêiticos são importantes. Deduções
semânticas ocorrem somente no quarto nível linguístico. Pressuposições são insidiosas, por não
se apresentarem abertamente e induzir um julgamento semântico divergente, com distorções na
lógica semântica dos significados e no sentido geral, desviando o texto do seu contexto.
Quando traduzimos a BÍBLIA, devemos esperar a conversão das pessoas e a decisão de suas
vidas decorrerá da correção de interpretação e contextualização dos fatos. Importa a justeza
entre fato e representração. A comunicação só é real quando há coincidência de sentido entre a
mensagem e a tradução da mensagem, a sua interpretação.
Eliminar erros de interpretação requer aplicação de ciência que oriente as intuições do
tradutor. A TRADUÇÃO LINGUÍSTICA, e não meramente literária, não permite pressuposições
geradas por intuições causadas por generalizações, eliminações (reduções e omissões) e
distorções. Omissões ou acréscimos de partículas podem tornar-se necessários para o ajuste na
língua de destino, mas a tradução cientificamente linguística deverá necessariamente evitar as
generalizações, reduções e distorções de significado dos vocábulos, produzidas no terceiro nível
linguístico. A interpretação cientificamente linguística requer a inviolabilidade das condições
semânticas, além da sintaxe bem estruturada, como critério de verdade.
Na tradução bíblica adequada, a constituição das partes deve ajustar-se na língua de destino.
Frases diferentes derivadas de uma mesma estrutura profunda representam-se por
transformações sinonímicas: têm todas o mesmo sentido. Chamam-se transformações
perifrásticas, ou transformações por permutação, porque os mesmos elementos da frase apenas
permutam sua ordem sintática, mantendo o seu sentido próprio.
A intuição de sinonímia supõe que todas as frases derivadas da mesma estrutura profunda são
todas verdadeiras ou todas falsas, mas somente se não houver produção de ambiguidade haverá
coerência de sentido. Pode-se perceber sinonímia e ambiguidade em frases, mas distorções
torcem as representações dificultando sua percepção. Pressuposições consideradas verdadeiras
pelo tradutor devem ser representações do sentido próprio do texto, e não terem um sentido
derivado do sujeito do tradutor e falsamente atribuído ao autor do texto; por isso passou-se do
terceiro (intuitivo) ao quarto (científico) nível de significação metalinguística.
A ética nos obriga a realizar um julgamento superior para estabelecer os critérios de verdade
quando estamos tratando da vida das pessoas e de decisões interpretativas que as acompanharão
pelo resto de suas vidas, com todas as consequências daí decorrentes.
Os erros de tradução. DISTORÇÕES falseiam a intuição através de GENERALIZAÇÃO ou de
ELIMINAÇÃO, sintática (omissão do signo) ou semântica (redução de sentido). Daí a necessidade de
atingir o quarto nível linguístico, o nível científico, para evitar as distorções da verdade.
GENERALIZAÇÕES são um tipo de transformação que eliminam índices referenciais. Contém
palavras e locuções sem índice referencial conectado com a estrutura profunda originada da
estrutura de referência e verbos sem especificação integralmente completa. Ao não especificar o
sentido de palavras ou locuções, afastam-se da especificidade referencial e geram uma outra
estrutura profunda diferente, ampliando o sentido da mensagem original do texto. A
GENERALIZAÇÃO interage com a intuição do sentido de forma inversa à da omissão de elementos
da frase ou à REDUÇÃO de sentido dos elementos.
Este outro tipo de transformação suprime elementos da representação lógica completa contido
na estrutura profunda reduzindo o sentido. Os linguistas costumam chamá-la ELIMINAÇÃO, mas
nós a chamaremos de REDUÇÃO para diferenciar da eliminação sumária da palavra: a OMISSÃO.
REDUÇÕES, ou transformações por ELIMINAÇÃO, são sensíveis aos índices referenciais: se a
transformação por redução de sentido da palavra não é legítima (se o elemento eliminado está
ligado por índice referencial à estrutura profunda), gera modificação no sentido e induz derivação
diferente da estrutura profunda original da mensagem de origem.
Com GENERALIZAÇÃO ou REDUÇÃO do sentido das palavras, o significado PARECE
permanecer o mesmo, enquanto, na verdade, fica distorcido.
Note-se que o obstáculo maior na tradução científica de um texto qualquer consiste na escolha
da estrutura semântica da língua de destino, se simplesmente seguirmos a sua SINTAXE original,
como fizeram os LXX quando traduziram a Septuaginta, a BÍBLIA cristã, na versão grega. Assim
acontece porque a coerência semântica repousa sobre sua relação lógica (sintática).
A SINTAXE oferece sua regra sintática para desfazer ambiguidades. Para atingir a ideologia de
fundo da psicologia da escolha da regência semântica, expressão da dêixis vivenciada pelo
sujeito do próprio autor do texto, temos a ordenação sintática como fio condutor, estabelecendo
o sentido das categorias gramaticais sob a regência sintática. Mas a alteração da ordem sintática
interferirá na escolha das relações semânticas lógicas, gerando dupla ambiguidade: semântica e
sintática. Eliminando, a AMBIGUIDADE sintática, ao confirmarmos a ordem sintática, resta-nos
somente o problema da AMBIGUIDADE semântica para resolver, pois a mensagem repousa sobre
o fio condutor da sua própria sintaxe.
A AMBIGUIDADE sintática se afasta das relações semânticas lógicas originais. A estrutura
sintática ambígua remete a outra estrutura profunda diferente da original. Novo significado é
projetado pelo tradutor que anula o sentido da mensagem original. A AMBIGUIDADE da estrutura
sintática se realizará através de PARÁFRASE literária, mesmo que não ocorra com perífrase
gramatical ou conjugação perifrástica. Estas últimas formas da PARÁFRASE não comprometem
necessariamente a equivalência semântica.
A AMBIGUIDADE sintática é produzida pelo abandono da regra sintática e afastamento da lógica
semântica, porque a estrutura superficial remete a outra estrutura diferente da original
assegurada no urdume da trama do texto.
Deriva-se, então, uma DISTORÇÃO da mensagem original. Ou um erro de tradução.
As circunstâncias e as condições históricas da produção de um texto, sua cultura de origem,
são definidoras do contexto de sua produção e são, portanto, definidoras para a sua
contextualização hermenêutica. São elas que denotam as palavras.
O K erigma E vangélico
pensamento humano normalmente se acha dominado por categorias da língua que fala,
O elas delimitam sua percepção do mundo real com representações sociais específicas do
seu grupo social. Isto quer dizer que a cultura do grupo conota o sentido dos signos.
Da conversão à alienação. Seres humanos têm a possibilidade de aprender outras línguas
diferentes da sua língua materna. Nós, seres humanos, somos capazes de nos utilizarmos de
mais de um conjunto de categorias e regras linguísticas e, portanto, de culturas diversas daquela
de nosso grupo de origem, ampliando nossa concepção de mundo. Somente por deduzir o
sentido, nossa inteligência nos permite realizar denotação de significados.
A diferença entre os modelos de mundo de cada um individualmente são determinadas, em
primeira e última instância, pelos interesses pessoais resultantes de histórias e situações de vida
individuais. Esta condição histórica da fala e da escrita reflete-se como dêixis, no texto.
Somente destruindo a dêixis, a relação estabelecida pelo autor entre o leitor e a situação
histórica do texto, se faz possível distorcer a mensagem.
Portanto, a elucidação do fenômeno dêitico requer uma análise histórica da produção do texto
e elevada erudição do tradutor, para captar a situação existencial motivadora da mensagem do
texto, realizar denotação das palavras da mensagem e, assim, obter fidedignidade na tradução.
A leitura bíblica tem por objetivo a conversão, a retificação de uma conduta, e sua ratificação.
A conversão, ou melhor, a disposição interna requerida pela racionalização do irracional, leva,
sob todos os aspectos, ao interesse religioso pelo sagrado que se verifica na mensagem bíblica.
Mas o confronto com o tempo realizará o espaço de racionalização refletida em um metamodelo
que poderá ser falsamente crístico; e, então, não será, necessariamente, um modelo crítico. Com
sua característica alienação da realidade, não permitirá estabelecer-se relação com o Outro. A
tradução ambígua da Santa Escritura leva necessariamente à alienação; pelo direcionamento da
interpretação pessoal do leitor alvo, restringindo as suas opções e a sua capacidade de escolha,
empobrecendo sua experiência e inibindo sua habilidade para a leitura, a alienação impede a
leitura, a comunicação com o Outro, e estabelece repetição autista do SI MESMO.
A alienação, na leitura ou tradução do texto, ocorre por afastamento da dêixis ali expressada.
Quando a categorização da sensação imputa um atributo e a subsistência do atributo cria a ficção
de coisa representada; mas que existe apenas no complexo imaginário, porque a categorização
afasta o pensamento das sensações de realidade e o introduz mais e mais em suas próprias
formas subjetivas representadas do SI MESMO; então, cria o atributo e desvirtua a relação do leitor
com a realidade. Enfim, desvirtuado o sentido original do texto, a tradução e sua leitura alienam
o leitor em representações falseadas, que não correspondem à mensagem do texto.
Trata-se de representações autistas do tradutor refletidas no autismo do leitor e não de
representação da decodificação da mensagem original do verdadeiro autor do texto. Trata-se de
autismo coletivo em um grupo coeso.
Assim, não se processa a comunicação do discurso, mas repetição idiotizada de uma
ideologia: a ideologia da cultura do grupo ao qual se endereçara a novidade da mensagem, mas
que foi interceptada pelo tradutor. A estrutura do SI MESMO aprisiona o tradutor e o leitor dentro
de sua própria cultura, impedindo a comunicação, a novidade da mensagem do Outro.
A tecitura do urdume original do texto, pelo contato direto com a estrutura profunda, o tecido
preciso das categorias gramaticais regradas e expostas na trama da sintaxe original, enriquece as
experiências dos leitores, oferecendo mais ampla gama de opções de escolha de leituras
ampliando a habilidade intuitiva que resultará em liberdade da sua postura no mundo: um
discurso não ideologizado. E isto, justamente, estimula a inteligência do leitor. A liberdade de
consciência contempla a alteridade, alcançada através do contato com o mundo do outro.
Apresentamos a seguir, como exemplo, um texto bíblico contido na NOVA TRADUÇÃO NA
LINGUAGEM DE HOJE (NLTH), que faz circular a SOCIEDADE BÍBLICA DO BRASIL (SBB), e o
comparamos com uma tradução linguística do texto grego.
Trata-se do capítulo 7 do Evangelho de São Marcos.

Neste exemplo, desconsideradas as divergências de pontuação, apontamos três


generalizações (vv. 21, 22 e 23) e uma redução (vs. 22) do sentido de vocábulos que transformam os
conceitos gramaticais, sem invadir, ainda, a função categorial, bem como quatro paráfrases (vv.
21, 22 e 23), duas omissões (vs. 21), uma de termo paralelo, e principalmente três distorções (vs. 22)
que desvirtuam o significado dos vocábulos e o valor semântico do texto. O valor semântico do
texto sofreu também com a generalização e redundância enfática obsessiva do vocábulo
"imoralidade" (vv. 21 e 22) explicitamente sobrecarregado de sentido sexual. A generalização do
vocábulo "prostituição" para qualquer forma de sexualidade não ortodoxa fica manifestamente
melhor caracterizada como uma distorção no vs. 22: distorce "insolência" para "as imo-
ralidades," já previamente conotadas pelo vs. 21 como imoralidades sexuais, o que caracteriza
acréscimo. Esta sequência de três vocábulos distorcidos equivale à metade deste versículo 22.
(*)
Notamos sublinhadas na tradução linguística as omissões da NTLH e, nesta, assinalamos com asterisco [*] entre
colchetes. Notamos em itálico/sublinhado os acréscimos da NTLH ; e os acréscimos em nossa tradução
linguística estão entre parênteses, em conformidade ao sistema de transcrição paleográfica.
Esta insistência obsessivo-paranoide em torno da sexualidade, em detrimento da moralidade
dos costumes em acepção mais ampla, acaba por eclipsar a preocupação primordial do
Evangelho, a idolatria demoníaca, apresentada como a fonte de origem dos males arrolados.
Como os ludditas, que quebravam as máquinas recém introduzidas nas fábricas, os tradutores da
NTLH, da SBB, atentam somente para os sintomas, deixando a origem dos males, o Pecado, em
(*)
obscuro segundo plano. Há uma bagatelização do conceito de Mal .
Aquilo traduzido pela SBB como "a inveja, a calúnia," e "o falar e agir sem pensar nas conse-
quências" merece uma observação comparada com nossa tradução: "mau olhado, maldizer" e
"desatino," por serem práticas características de cultos nigrolátricos demonistas brasileiros.
A expressão "mau olhado" (em grego, ovftalmo,j ponhro,j) mereceu da chave linguística publicada
pela editora Vida Nova (p. 81) a seguinte explicação: "expressão semítica para a inveja, os
ciúmes, o rancor ciumento." Temos aqui interpretações permeadas pela Vulgata (v. Max ZERWICK,
Analysis Philologica Novi Testamenti Græci) e distorções cristalizadas em instrumentos de tradução
preparados por um grupo arquiorganizado de falsários articulados como quadrilha
internacional, cuja análise pormenorizada carece, ainda, de publicação e divulgação. Veja-se,
também, a título de exemplificação, o Léxico do Grego do Novo Testamento, pela mesma editora
Vida Nova publicado, que se caracteriza pela redução dos sentidos de vocábulos dos verbetes.
São obras estrangeiras publicadas no Brasil.
Contudo, mau olhado é expressão muito popular, no Brasil, e bem conhecida entre as classes
sociais desassistidas pelo pacto social, com a qual se quer referir fenômeno estudado pela
parapsicologia sob o nome de comunicação telecinésica, que é, enquanto telepatia, responsável
pela transmissão de "carga" (aF;,m;) espiritual.
Também, a expressão "maldizer" (ou "maledicência", em grego, blasfhmi,a: blasfêmia), segundo
Isidro Pereira, possui o sentido original de "maldizer," "proferir palavras de mau augúrio" e
"durante um sacrifício," completa Sebastián Yarza, daí: blasfemar. É com este sentido religioso
de "blasfemar" que ocorre nos textos do Evangelho. Exceto em passagem do Evangelho de
Mateus, outra da Carta aos Efésios e mais uma da Segunda Carta de Pedro, bem como aqui no
evangelista S. Marcos, o sentido parece ser mais vulgar e inserido no cotidiano das sociedade
que cultuam a idolatria demoníaca e a goétia espiritista, como a baixa sociedade brasileira. Um
conceito do senso comum empregado com sentido técnico, como o conceito seguinte.
Por fim, desatino (avfrosu,nh), traduzido inconsequentemente, pela SBB na NTLH, como "falar
e agir sem pensar nas consequências," quase nos reportando às amenas fofocas das conversas do
chá vespertino, como no caso de blasfhmi,a, aparenta ser um conceito mais elaborado, mesmo se
comum, apontando para o fenômeno da u[brij, bem conhecido no mundo Antigo e celebrizado
pelos filósofos gregos, cuja origem encontra-se no mediunismo demonista musteriense.
Note-se, na passagem de Marcos, que a tradução ambígua do texto reduz a cosmovisão do
leitor restringindo-o à cosmovisão desejada ou permitida pelo tradutor. O tradutor seleciona as
imagens da realidade de origem e filtra as categogorias da língua de destino, aprisionando o
leitor à cultura previamente selecionada, impedindo acesso à cultura de origem do texto. O
resultado é afastar o leitor da comunicação primária da mensagem do texto: a Palavra de Deus.
(*)
Como vemos no vs. 23 da tradução em grego moderno da Sociedade Bíblica Trinitariana. Neste vs. 23, foram trocados o
próprio verbo e, ainda, o número da pessoa da conjugação (evkporeu,etai : evxe,rcontai): o Mal foi bagatelizado como "os males."
Reduz-se, assim, a cosmovisão religiosa do texto, anula-se a teologia da mensagem do Autor
e recaem, o tradutor e o leitor por ele alienado, em uma mesquinha moralidade inscrita no século
e pelo tempo constrita. Podemos ver que, quando a BÍBLIA sofre uma tradução ambígua, como
esta da NTLH, que segue a linha das traduções das Sociedades Bíblicas Unidas (SBU), ou como
qualquer tradução católica, cujas algumas traduções cometem distorções bem maiores, o
objetivo claro e indesculpável, apesar de qualquer justificativa, é o afastamento dos cristãos da
verdade divina da Palavra de Deus.
Ora, o texto da Santa Escritura com o seu urdume é o primeiro dado da Igreja e a sua base
fundante. A única e totalmente bastante instituição divina.
A perda de coerência, através das distorções dos textos das traduções bíblicas, revela uma
teologia equivocada que não "lê" a mensagem, mas, ao contrário, se projeta como ideologia:
uma teologia alienada e alienante que não se defronta com o dado existencial. Ao criar-se uma
nova realidade, através da ambiguidade, revela-se, aí, uma intenção desonesta e desleal, mesmo
quando esta seja inconsciente. Esta intenção existe quando o tradditore julga-se a si mesmo e
julga aos outros, e mais, entende-se a si próprio como o mais justo dos homens e superior aos
outros mortais sobre a terra.
Trata-se de um atentado contra a essencial doutrina bíblica. Um atentado contra a liberdade
cristã; e, naturalmente, contra os direitos da cidadania dos brasileiros. Portanto, a atuação desta
organização de falsários carece de particular atenção devido às suas proeminentes ligações
dentro do Congresso Nacional, e em sua atuação em Brasília e nos parlamentos dos estados da
Federação. Interesses políticos falam mais alto. E, geralmente, a justificativa é apenas uma
única: a necessidade de desenvolvimento financeiro das instituições.
Contudo, vimos que esta não foi uma perfeita tradução do ponto de vista documental e, muito
menos, do ponto de vista linguístico. Esta tradução mantém-se no terceiro nível metalinguístico,
não atingindo o quarto nível metalinguístico indicado pela Semântica Estrutural de Julien
Greimas. Com nossa tradução estrutural, atendemos àquelas exigências científicas
determinadas pela linguística moderna e às exigências paleográficas de uma análise documental
... e aos princípios de honestidade!

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