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Rock Chick Resgate: Amor e Aventura

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lulife770
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Resgate

RESCUE
Série Rock Chick - Livro Dois

Kristen Ashley
Equipe Pegasus Lançamentos

Envio: Soryu
Tradução: Wiicki
Revisão Inicial: Marcia, Gio, Erika , Alessandra
Costa,Renata, Raquel, Roberta , Rosa H.
2ª Revisão Inicial: Chayra Moom
Revisão Final: Grasiele Santos
Leitura Final: Luisinha Almeida
Formatação: Chayra Moom
Verificação: Gio
Sinopse
Jet McAlister tem um segredo. Eddie Chavez tem tesão por Jet
(para não falar que Eddie é muito quente). Jet tem problemas
demais para perceber que Eddie está interessado nela. Eddie
perde a paciência quando Jet termina seu turno de garçonete em
um clube de strip com uma faca em sua garganta. Como Eddie é um
policial, ele acha que ele pode ajudar. E como Jet está
acostumada a resolver os problemas de todo mundo, ela não quer a
ajuda de Eddie.
Rock Chick Resgate leva você a uma viagem emocionante com
Jet, Eddie e sua turma enquanto eles lutam contra bandidos em
uma confeitaria, chegam as mesas de pôquer clandestinas de
Denver (com cabelo grande), e ajudam as stripper do clube
Smithie a acabar com um aspirante a assassino. Com isso, Jet tem
que aprender que, mesmo quando a vida lhe faz desistir de seus
sonhos, você ainda pode acabar com o cara (quente). Eddie tem
que resgatar Jet de um homem mau (para que ele possa fazer
coisas melhores com ela) e ensiná-la que alguns sonhos podem se
tornar realidade.
In Memoriam

Este livro é dedicado à memória de

Patricia Ann Mahan Lovel

“Minha Mãe”

Ela tinha um sorriso radiante que poderia


iluminar uma sala e, se ela desse um para você,
eu juro, por um momento, você ficaria
deslumbrado.
Agradecimentos
Primeiro, eu quero agradecer a Kely ‘Kelita’ Brown por ser
minha melhor amiga, há mais de vinte anos; demonstrando como as
palavras ‘como tal’ podem ser tão malditamente engraçadas;
ensinar-me como jogar o jogo de beber ‘Ooblie Dooblie’; nomeando
sua filha depois de mim; e editando este livro durante as férias
escolares.

Em segundo lugar, aos meus maiores fãs e torcedores, The


Premier Rock Chicks, Cat ‘Lily-Landa’ Kruzek e Dena. ‘Lotus
Blossom’ Cocetti e meu Rock Guru, Wil Womack, obrigado pela
leitura, gostando de cada palavra... dizendo-me o que você fez.
Amo vocês.

Em terceiro lugar, agradeço aos meus leitores, minha


família e meus amigos pelo apoio à minha escrita e o primeiro
livro da série, Rock Chick. A propósito, neste livro você pode
passar adiante, para o Capítulo... bem...

Não, você não quer perder a diversão toda (piscando o


olho).

Por último, para o meu padrasto, Reggie ‘Reggae’ Lovel,


obrigado por me mostrar o que o amor incondicional significa,
depois que mamãe teve o seu acidente vascular cerebral. E
obrigado por cuidar de mamãe todos os anos após seu acidente
vascular cerebral (e os anteriores). E obrigado por me amar
assim... malditamente... muito.
Nota da revisora Chayra.
Amei o primeiro livro. Este não foge
à regra. Os semelhantes também se atraem.

Uma mocinha improvável, desastrada,


querendo ser séria e normal. Jet só poderia encontrar o seu
emprego ideal na livraria da Indy. Por que a Jet tenta ser
séria? Porque seus problemas são sérios, mas ela também é outra
tonta que só acaba em encrencas.

E quando a Indy tenta ajuda-la e se mete no caso... O que


acham? Só pode dar encrenca. E a santinha virou bicho! Pensei
que ela fosse manter-se sóbria, mas que nada.

E danei a rir. Pobres vizinhos! Devem pensar: “A louca está


rindo de novo”. Cada um tem a família que merece. Mas pelo amor
de Deus, que papai e esse? Eu chutava a sua bunda sem dó.

E quando junta a Indy, Ally e Jet... encrenca pura. Eu


fiquei boa parte do livro pensando – quando ela será contamina?
E foi. Ninguém resiste às doideiras da Indy.

E a Jet tem ‘a encarada’... fiquei imaginando ela querendo


fazer cara de séria e encarando. Hilário!

Amei o Smithie, seu segundo patrão (porque ela ainda tem um


segundo emprego). Ele é tão papaizão, considerando que é dono de
um clube de strip, em que a Jet é garçonete...

Sobre o mocinho ‘tudo de bom’, só digo o seguinte: persistente.


Capitulo 1

Meu nome é Jet.

Meu nome é Jet.

Não fique animado, eu não sou legal e coisa e tal. Meu


verdadeiro nome é Louise Henrietta McAlister e Jet me cai
muito melhor. Meu papai era um fã de Paul McCartney e de
Wings, então ele me deu esse apelido depois da música.

Eu não sou um Jet [jato] de qualquer maneira, ou


forma. Quando alguém me percebe, que é raramente, e eu
digo-lhes o meu nome, eles olham para mim de maneira
engraçada.

Tenho um metro e setenta, cabelo loiro cinza e olhos


castanhos. Portanto, eu sou uma garota mediana; não sou
baixa, não sou alta, não sou loira, não sou morena, não
tenho olhos verdes, não tenho olhos marrons.

Eu apenas meio que não sou.


Esta é a minha história, tal como ela é.

Nasci em Denver, Colorado (portanto, uma rara ‘nativa’)


há vinte e oito anos atrás, de Ray McAlister e Nancy
Swanowanski. Eu tenho uma irmãzinha que é dois anos mais
nova do que eu, seu nome é Charlotte, mas nós a chamamos
de Lottie.

Papai começou a chamar-me de Jet imediatamente e


mamãe foi junto, pois ela faria qualquer coisa para fazer
papai feliz o suficiente para que ele não nos deixasse. Ele era
uma espécie de mentiroso, trapaceiro, filho de uma cadela
(bem, não tipo, ele era um). É assim que consegui meu nome
e é assim que ele pegou.

De qualquer forma, nenhuma das manobras de mamãe


funcionou. O papai deixou-nos quando eu tinha quatorze
anos. Ele voltou para visitar-nos (o que deixou mamãe louca),
enviou alguns presentes de Natal e cartões de aniversário
(nenhum dos quais tinha dinheiro neles, o que deixou mamãe
louca também) e telefonou às vezes (o habitual, idem com
mamãe enlouquecendo), mas principalmente se foi. Uma vez
que, quando ele estava por perto, ele era muito hilário e,
definitivamente ele era top, Lottie e eu sentimos falta dele.

Eu ia bem na escola e tinha amigos. Eu me formei e


consegui um emprego como telemarketing no Arapahoe
Credit Union. Era constante, quieta, você sabia o que
esperar, e eu gostava de trabalhar lá.

Lottie, que puxou a personalidade da família (ela era


como meu papai), deixou a cidade no momento em que ela se
formou. Ela foi para Los Angeles para ser atriz. Ela não se
tornou uma atriz, como tal. Em vez disso, ela tem um
trabalho de peitos, o seu cabelo loiro cinza destacou-se como
uma loira verdadeira e ficou um pouco famosa por ser muito
boa em descansar sobre carros com metade de sua bunda de
fora. Vejo a foto dela de vez em quando em uma revista que
um cara está folheando ou em um calendário na garagem
onde eu troco o meu óleo. Talvez eu não devesse ter orgulho,
mas eu tenho; ela está feliz com isso e estou feliz por ela.
As coisas estavam indo muito bem até oito meses atrás.
Eu tenho que admitir, a minha vida era um pouco chata e as
coisas definitivamente se tornaram muito mais interessantes.

Entretanto, eu nunca ia querer que minha mãe


passasse pelo que ela passou para eu ter uma vida
interessante.

Veja, minha mãe teve um derrame há oito meses. Foi


ruim; ela perdeu todo o seu lado esquerdo. Em seguida, ela
perdeu o emprego, seu seguro e seu apartamento. Desde que
ela estava em uma cadeira de rodas, eu tive que me mudar
para um apartamento diferente, com ela. - O tipo de
apartamento com os trilhos no banheiro, entradas e portas
maiores, onde a cadeira de rodas passasse. Um monte de
pessoas idosas e pessoas com deficiência viviam em nosso
prédio, ou porque tinham que viver ou porque estavam
preparando-se para quando eles tivessem.

De qualquer forma, o lugar era muito mais caro do que


o que eu ganhava. Além disso, minha mãe estava mexendo
um pouco mais os pés. Ela nunca conseguiria o uso de seu
braço de novo, mas a perna estava movendo-se e ela estava
começando a dar a volta sozinha. Assim, para manter esse
bom trabalho, eu tinha que continuar pagando a fisioterapia
e terapia ocupacional, duas vezes por semana. Isso
representava um monte de dinheiro saindo da conta bancária
em uma base semanal quando não havia seguro para ajudar.
Então, eu tive que arranjar um segundo emprego, noites de
trabalho no Smithie; um bom dinheiro, mas muita dor de
cabeça com os clientes, e era cansativo, porque eu ficava de
pé a noite inteira.

Então, eu tive que sair do Credit Union, há três meses,


porque eu estava dormindo no trabalho. Eu precisava de um
trabalho flexível e livre de estresse. Sim, até parece, você diz.
Mas, eu tive meu primeiro golpe de sorte e encontrei o
trabalho mais legal do mundo. Isto era trabalhar durante o
dia na Fortnum.

A Fortnum era uma enorme, velha e mofada livraria de


livros usados (na parte de trás) e o café modernoso (na
frente). A proprietária, Índia Savage, conhecida por todos
como Indy, é legal com todos.

Ela é uma Rock Chick, linda, com um monte de cabelo


vermelho e um corpo de matar. Ela é absolutamente
hilariante e uma das senhoras mais doces que eu já conheci.
Ela herdou a loja de sua avó, há vários anos, e ela colocou o
balcão de café expresso. Ela tem um monte de figuras que
trabalham lá e tinha algum grande drama acontecendo com
ela e seu namorado, Lee Nightingale, um par de semanas
antes que ela me contratasse. Embora, se você prestar
atenção, você perceberá que o passado de Indy estava cheio
de grandes dramas, este último foi apenas o maior, no
momento.
O Smithie era um clube de strip, mais conhecido como
um bar de topless. Eu não danço; eu sou uma garçonete. As
gorjetas não são ruins; elas são melhores para as dançarinas
(por razões óbvias). Embora, elas sejam boas o suficiente para
manter o tratamento da mamãe.

Smithie é um cara bom e cuida de todas as suas


meninas, inclusive eu (embora eu meio que não o leve a
sério).

Surpreendentemente, ele me quer em um pole dance,


dançando. Ele continua tentando me convencer a isso, mas
eu apenas digo-lhe que ele é louco e ele ri de mim. Trabalhar
lá é relativamente seguro (considerando), porque Smithie
investe em excelentes seguranças. Smithie diz: - Não me faça
nenhuma merda porque quero ter minhas meninas cuidadas
a cada poucas semanas. É como tudo na vida, você cuida
delas, e elas cuidam de você.

No trabalho da Fortnum conheci Duke; um cara


Harley, Tex; um cara louco, Jane; uma senhora tranquila e,
por vezes, Ally; a melhor amiga de Indy. Ally também é um
pedaço de mau caminho, e é irmã do namorado da Indy, Lee.
Eles têm uma longa história, Indy, Lee e Ally. Eu invejo isso,
eles são todos bem próximos, incluindo Duke, Tex e Jane.
Indy também tem outra família e amigos, que aparecem o
tempo todo. Lee é um investigador particular, e todos os
meninos que trabalham para ele e seus amigos, entram na
loja também, incluindo o melhor amigo de Lee, Eddie.

Eddie é o lugar onde a minha vida fica interessante,


mesmo que seja apenas nos meus sonhos.

Veja, na hora que eu pus os olhos em Eddie Chávez, eu


fiquei apaixonada por ele. Não que ele já tivesse percebido a
minha presença. Na verdade, olhando para ele (o que eu faço,
muito), acho que ele tem uma coisa por Indy.

Pelo menos eu pensei, no começo. Ele não olha mais


para ela assim, não tanto.

De qualquer forma, às vezes, eu peguei-o olhando para


ela de uma forma que fez meu interior sentir-se engraçado.
Às vezes, no meio do dia (entre os turnos na Fortnum e no
Smithie, uma das únicas vezes em que eu posso ter um sono
decente), quando eu estava tentando dormir, enquanto
mamãe assistia novelas, pensava em Eddie olhando para
mim da maneira que ele olha para Indy.
Às vezes, tentando dormir, penso em Eddie fazendo um
monte de coisas diferentes comigo e para mim, mas isso não
me ajudava a dormir, exatamente.

Eu meio que estraguei as coisas com Eddie. Não, isso


não é verdade; eu realmente estraguei as coisas com Eddie.

Embora, não tenha sido intencional.

Veja, ele é quente. Não gostoso. Quente. Ele é tão


bonito que queima os olhos só de olhar para ele. Ele tem que
ter um metro e oitenta ou um e oitenta e cinco, tal para um
mexicano-americano, de pele morena, com cabelos escuros e
olhos ainda mais escuros. Ele tem um corpo magro,
compacto, com músculos definidos e é um daqueles caras
que qualquer coisa que use o faz parecer muito bem, em vez
de um desses caras que parece ter se esforçado, tentando
ficar bem com o que ele usa.

Eddie é um policial, e todos dizem que ele é um bom,


mas não convencional. Ele meio que segue seu próprio
caminho, que não é exatamente encorajado pelo
Departamento de Polícia de Denver.

De qualquer forma, quando os olhos negros de Eddie


voltam-se para você, eu juro por Deus, a respiração começa a
queimar em seus pulmões, seus olhos são tão quentes.

Ele é exuberante.

Desde que eu não sou exuberante, não há esperança e


eu sou apaixonada por ele, eu fico um pouco estranha ao seu
redor.

Estranha tipo, estúpida.

A primeira vez que ele falou diretamente comigo foi


cerca de uma semana depois que eu comecei na Fortnum.
Eddie estava esperando no final do balcão pelo seu
cappuccino. Eu estava arrumando as pilhas de copos, então
eu tinha duas grandes colunas de copos em minhas mãos.
Eddie estava falando com Lee (que, por sinal, também é
quente).
Os olhos de Eddie cortaram para mim e ele sorriu, com
dentes super brancos no rosto bronzeado. O efeito disso,
quando olhou para mim, virou-me totalmente para fora.

Então ele disse: — Então, Jet, qual é a sua história? -


Desde que ele usou o meu nome, eu não podia exatamente
ignorá-lo, assim, eu olhei para ele com a cara de branco e
disse:

— História? - Eu não tinha contado a Indy, ou a


qualquer um, sobre qualquer coisa, nem sobre a minha mãe
e nem sobre o Smithie. As pessoas tinham sido muito legais
sobre a mamãe, mas era estranho, falar sobre ela e nós, como
estávamos tendo que fazer para organizar as coisas. Eles
ficavam com esse olhar em seu rosto que dizia: ‘pobre de
você’ e isso meio que me irritava porque, você sabe, merda
acontece. Nós todos lidamos com isso.

De qualquer forma, Eddie virou-se mais para mim, os


olhos de Lee mudaram-se para mim, e eu estava começando
a sentir o calor no meu rosto.

— Sim, - disse Eddie, — A sua história.

Eu comecei a entrar em pânico, então eu tinha que


encontrar uma maneira de dizer o menos possível e obter o
término dessa conversa. — Nenhuma história. Eu sou apenas
Jet.
— Apenas Jet. - Seu sorriso não escureceu e eu estava
começando a sentir minhas entranhas enrolarem.

— Sim. - Eu arrumei os copos para baixo e comecei a


arrumar o refil.

Eddie virou-se para Lee e ele disse: — Não sei quanto a


você, mas eu acho que há profundezas ocultas em Jet.

— Há profundezas ocultas em todos, - Lee respondeu,


olhando para mim e eu poderia jurar que ele podia ler minha
mente e estava tentando fazer Eddie deixar-me em paz.

— Eu não. - Tex, o barrista da Indy, um veterano do


Vietnã e ex-presidiário, que era louco como um pássaro
idiota, mas que você não poderia deixar de gostar dele, deu a
Eddie seu cappuccino. — Comigo, você recebe o que você vê.

Eddie não tirava os olhos de mim, mesmo quando ele


estendeu a mão para o açúcar (ele tomava grande quantidade
de açúcar no café, eu memorizei esse fato imediatamente,
como eu memorizei praticamente tudo sobre Eddie).

— E quanto a você, apenas Jet? Nós temos o que


vemos com você?
Só para sua informação, eu não era virgem e com total
falta de sorte no amor. Eu tive um namorado até o ensino
médio e três, desde então, ao longo dos anos.

Todos chatos.

Todos previsíveis.

Todos querendo algo mais, mas sem saber como obtê-


lo.

Todos apenas gostaram de mim.

Dito isto, obviamente, eu tinha caras para flertar


comigo. Era raro, mas acontecia. Eu simplesmente não podia
acreditar que Eddie estava fazendo isso, ou pelo menos
parecia isso.

— Chávez, pelo amor de Deus, pare de flertar. Cristo,


você flerta com qualquer coisa que use saia. - Disse Tex
(explicando o flerte). — Ela está tentando trabalhar e você a
está embaraçando. Você não pode vê-la corar?

Com isso, minhas mãos deslizaram sobre os copos, eles


voaram no ar, caindo na minha cabeça, braços, mãos, sobre
Tex e em todos os lugares. Abaixei-me imediatamente para
esconder-me e para pegar os copos.
Eddie deu a volta no balcão para ajudar. Ele agachou-
se e disse: — Não quis envergonhá-la. - Eu olhei para cima.
Seu sorriso tinha diminuído para um sorriso e seus olhos
pareciam diferentes. Eu não poderia colocar o dedo sobre o
que, mas, também, fez o meu interior sentir-se engraçado. Eu
não podia evitar, mas acho que ele sentia pena de mim, mas
seus olhos não estavam dizendo exatamente isso, embora eu
não soubesse o que eles estavam dizendo.

Eu estava mortificada e talvez um pouco chateada com


Tex, e um olhar para o meu rosto limpou seu sorriso.

— Você não me envergonhou. - Isso saiu meio nervoso,


o que não foi intencional, mais autodefesa.

Talvez eu estivesse tentando convencer-me, eu não sei.

Ele me entregou os copos e olhou-me de perto, nenhum


sorriso ou até mesmo uma pitada de sorriso em evidência.
Evitei seus olhos, evitei olhar para ele (o melhor que pude
com ele ajudando-me a pegar os copos). Quando terminamos,
levantei rápido, tão rápido que fiquei meio tonta e tive de
voltar atrás ou cairia. A mão de Eddie saiu para firmar-me e
eu puxei meu braço, como se seu toque fosse me queimar.

Foi quando eu vi as sobrancelhas apertarem juntas e


eu pisei em torno dele, dando-lhe o máximo de espaço
possível. Eu andei o mais rápido que pude para os hectares
de estantes na parte de trás e me escondi lá até que eu
tivesse certeza de que ele tinha ido embora.

Essa foi a primeira vez que eu fui uma idiota em torno


de Eddie, mas não a última.

Semanas se passaram e eu comecei a conhecer as


pessoas na Fortnum. Era uma diversão e eu ria trabalhando
lá, todo mundo era hilariante e agradável e você poderia
chamar a todos, pois se importavam muito uns sobre os
outros.

Era confortável e sem stress (com exceção de Eddie, é


claro). Você fazia suas próprias horas e eu comecei a relaxar,
exceto quando Eddie estava ao redor. Sempre que Eddie
estava lá (e ele estava começando a parar com mais
frequência), eu enrijecia, calava a boca e na maioria das
vezes, escondia-me nos fundos.
Lee e Indy fizeram uma festa cerca de um mês depois
que eu comecei e convidaram-me.

Claro, eu pensei que não poderia ir. Meu turno na


Smithie começava às 19:00 horas e a festa começava às
19:30 horas.

Mamãe estava fora de si. Ela me fez ir, disse que eu


poderia ‘apenas aparecer’ e avisar Smithie que eu chegaria
um pouco mais tarde (algo que ele estava acostumado, parte
da razão pela qual eu o levava em banho-maria).

Veja, antes mesmo de mamãe ter seu acidente vascular


cerebral, ela e sua melhor amiga Trixie queriam encontrar
uma vida e encontrar um homem para mim (estes eram
sinônimos para mamãe e Trixie, por sinal). Ambas
continuavam a falar sobre como eu era bonita, e eu apenas
não sabia. Como eu não tinha nenhuma confiança. Como eu
só precisava alegrar-me um pouco. Elas estavam dizendo isso
há anos, mas, novamente, todos disseram o mesmo, até
Lottie.

— Irmã, - Lottie dizia: — Você é uma merda-quente.


Mesmo sem maquiagem e seu cabelo puxado de volta naquele
rabo de cavalo estúpido. Olhe no espelho de vez em quando,
ok?
Então, novamente, Lottie me amava, assim como Trixie
e mamãe.
Trixie, que tinha uma licença para fazer cabelo, unhas,
tratamento facial, tudo, continuou a tentar dar-me destaque
como Lottie.

— Não esconda sua luz debaixo do alqueire, ou no seu


caso, não esconda esse grosso cabelo brilhante em um rabo
de cavalo. Estou farta desses rabos de cavalo! Todos os dias,
é um rabo de cavalo! Chega de rabos de cavalo! - Trixie dizia,
(Trixie era um pouco dramática).

Ela e minha mãe continuavam a tentar me levar para


fazer compras de roupas que ‘se encaixam um pouco melhor’
(o que significava algo mais apertado que também significava
que eu usava principalmente jeans apertados e camisetas e
blusas de uniforme), tentavam convencer-me a ir com as
meninas para festas e para os bares, elas até sugeriram um
encontro uma vez.

— Todos os homens vão ficar apoiados na sua mesa, eu


juro por Deus, - disse mamãe.

Eu sei que mamãe se sentia culpada por tudo o que


aconteceu, tinha sido ruim durante meses e ela queria que eu
tivesse uma pausa. Ela estava trabalhando duro para ficar
melhor para que ela pudesse continuar com sua vida, mas
muito mais, para que eu pudesse continuar com a minha.
Mamãe tinha sonhos maiores para mim, do que eu
tinha.

Não que eu não tivesse sonhos, eu costumava sonhar


todo o tempo, sempre tive a minha cabeça nas nuvens.
Quando meu papai saiu, porém, mamãe ficou distante por
algum tempo (bem, isso foi durante um bom tempo).

Eu tinha que mantê-la em conjunto, por mamãe, por


Lottie, e não tinha tempo para sonhos, enquanto eu estava
cuidando de todos nós.

Quando mamãe voltou, ela ainda precisava de ajuda.


Até o momento em que Lottie decolou para Los Angeles, eu
estava acostumada com o jeito que estava e era confortável,
então por que mexer com isso?

— A festa, - disse mamãe, — é apenas a coisa. - Eu não


podia deixar mamãe para baixo. Eu nunca poderia deixar
mamãe para baixo. Era do jeito que era.

Ela me fez fazer seu famoso bolo com camadas de


caramelo e chocolate para levar comigo. Eu não tinha tempo
para isso também, mas naquele momento, eu estava tão
exausta que eu não sabia para que lado ir. Encontrar
ingredientes dentro de quinze minutos para fazer bolo com
camada de caramelo e chocolate para a Indy e seus amigos,
parecia ser a menor das minhas preocupações.
— Os homens amam isso! - Mamãe adicionou quando
eu entrei na cozinha para fazer o bolo.

Como se isso fosse incentivo. Mal tinha tempo para


depilar minhas pernas, onde ela pensou que eu iria encontrar
tempo para namorar, eu nunca saberia.

De qualquer forma, todo mundo amava o bolo de


caramelo e chocolate, principalmente porque havia cinco
ingredientes: mistura de bolo de chocolate, manteiga,
chocolate chips, leite condensado e caramelo. Com esses
ingredientes, só poderia ser bom; não era como se eu fosse
uma mestra cozinheira ou qualquer coisa.

Eu fui para a festa e cheguei tarde. Eu tive meu rosto


todo maquiado também, porque Smithie gostava de suas
meninas com maquiagem pesada, o que significava que eu
tinha olhos esfumaçados, cílios postiços, bochechas
orvalhadas e um sério batom vermelho.

Uma vez na festa no duplex de Indy e Lee, eu olhava


para a multidão e a única coisa que eu conseguia pensar era
como eu ia me trocar para o uniforme do Smithie. Eu não
gostaria de ir para os fundos com as dançarinas, eu já tinha
problemas de autoconfiança suficiente como estava, sem ser
confrontada com uma dúzia de perfeitamente tonificadas
peles bronzeadas e corpos esculpidos cirurgicamente.

E eu não poderia usar o uniforme para a festa, de jeito


nenhum.

Smithie fazia todas as suas garçonetes usarem uma,


micro mini saia vermelha, colante camiseta preta com
‘Smithie’ escrito no peito, através dos seios, e os sapatos
poderiam ser vermelho ou preto, ele não se importava,
contanto que o salto fosse fino e alto.

Eu só tive tempo de fazer o bolo de caramelo e


chocolate e ter que encontrar Indy e Lee para dizer oi e tchau.

Tinha um monte de pessoas, em toda parte. Parecia


uma boa festa, as pessoas estavam rindo e conversando, a
música era alta e eu podia ver a azeitona em taças aqui e ali.

Azeitonas era definitivamente a marca de uma boa


festa.

Achei que eu estava presa contra a mesa da sala de


jantar, as pessoas tendo fechado um círculo em torno de
mim.

Então, Eddie apareceu ao meu lado, de costas para


mim, depois ele empurrou ao meu lado, de costas para mim e
ele estava de mãos dadas com uma loira de aparência
fantástica.

Ele não me notou e eu pensei em fugir quando, do


outro lado da mesa, Indy e Hank, irmão mais velho de Lee
(que também era quente, por sinal, e ele é um policial super-
agradável) se aproximaram. Indy me viu, bateu palmas e riu,
chamando a atenção de todos.

— Jet! Eu não achava que você viria!

Tex pesadamente veio até a mesa, assim como Eddie


virou-se, deixando de ficar de costas, e agora olhava para
mim. A expressão de Eddie era uma tipo benigna, quando ele
virou (embora ele também parecesse meio curioso, ou pelo
menos era o que parecia para mim), mas no minuto em que
pôs os olhos em mim, ele congelou e olhou.

— Jee-suis, mulher, olhe para você! - Tex cresceu, —


Foda, se você não parece muito bem. Você aparece assim
atrás do balcão da Fortnum, e nós teríamos a porra de uma
fila na porta! - Eu queria correr. Eu não queria todo mundo
olhando para mim.

Olhei para Indy para lhe dar as minhas desculpas


quando Indy disse: — Você fez o bolo de caramelo e chocolate
que você disse que ia fazer?
— Sim, aqui mesmo. - Eu apontei para ele e então
disse: — Olha, eu sinto muito. Tenho que ir. Eu tenho outro
compromisso que eu não posso perder.
— Encontro quente? - Perguntou Tex, alcançando um
pedaço de bolo de caramelo e chocolate.

Eu por acaso dei um olhar para Eddie com o canto do


meu olho e ele ainda estava olhando para mim, não mais com
um olhar congelado, havia atividade por trás de seus olhos,
muita atividade. Apenas nada que eu pudesse entender. Eu
parei de tentar olhar para Eddie, sem olhar como eu estava
olhando para Eddie e respondi a Tex. — Não exatamente.

— Vergonha. - Tex falou, mastigando duas vezes e seus


olhos ficaram enormes. — Foda-se! - Ele explodiu, chocolate e
caramelo voando para fora de sua boca. Meu coração
apertou. Ele parecia que ia ter um ataque cardíaco causado
pelo caramelo com chocolate.

— Tex- Indy gritou. — Você está vomitando sobre toda


a comida! - Tex ignorou Indy e estava olhando para mim.

— Isto está inacreditável de gostoso. Eu acho que eu


estou tendo um caso de amor, com um brownie da porra! -
Era uma coisa agradável para dizer, especialmente de Tex, eu
sorri para ele, completamente, esquecendo-me por um
segundo que Eddie estava lá.
Só um segundo, porque Eddie murmurou algo sob sua
respiração e eu olhei para ele, sorrindo um pouco. Então, eu
percebi onde eu estava, a quatro centímetros de distância de
Eddie Chávez, e o sorriso morreu em meu rosto. Ele ainda
estava olhando para mim, mas agora ele estava olhando para
a minha boca.

Eu senti meus joelhos ficarem um pouco fracos.

Havia uma coisa em minha mente... fugir, fugir, fugir!

Voltei-me para Indy, — Obrigada por convidar-me.


Convide-me de novo, por favor.

Indy estava olhando para Eddie quando eu falei com


ela e percebi que Hank também estava. Em seguida, ambos
os olhos de Indy e Hank se mudaram de volta para mim e
ambos tinham o mesmo tipo de sorriso.

— Você será sempre convidada, menina, - disse Indy.

Senti-me tremendamente legal pelo que ela disse para


mim e eu sorri para ela. Em seguida, houve uma pausa no
esmagar atrás de mim, eu comecei a ir, mas Eddie agarrou
meu pulso.

— Espera aí, Jet, - disse ele.


Eu olhei para o meu pulso, então para ele. Eu senti seu
toque em todos os lugares. Era como se os dedos ligassem
um interruptor e eu fosse uma lâmpada que ele ligou, em
todo o corpo, um choque elétrico.

O pânico passou por mim e eu puxei o meu pulso. Se


eu não tivesse, eu teria me jogado para ele, bem na frente de
sua acompanhante. Isso teria sido muito mais humilhante do
que o incidente dos copos, eu tenho certeza.

Suas mãos foram para cima, palmas para fora e seu


rosto fechou.

— O quê? - Eu perguntei, porque eu não podia juntar


duas palavras. Mesmo se alguém me dissesse que poderia
curar a minha mãe, fazê-la andar firme e dar-lhe de volta o
braço, eu não poderia ter dito mais do que ‘o quê’.

— Esqueça isso, - disse ele e virou-se.

Foi quando eu fugi.

Isso foi o incidente número dois. O terceiro foi ainda


pior.
Pelo próximo par de meses, eu evitei Eddie totalmente.
Isto foi um pouco difícil de fazer, considerando que ele
definitivamente não estava me evitando.

Antes da festa de Indy, Eddie entrava de vez em


quando, para uma xícara de café, ter uma conversa e ir
embora. Após a festa da Indy, Eddie vinha o tempo todo, para
uma xícara de café, ter um bate-papo e ficava para me
torturar.

Deixe-me explicar sobre a tortura de Eddie.

Uma vez, Jane e eu estávamos passando por uma caixa


de livros usados que Jane comprou. Nós estávamos indo
colocar um pouco nas prateleiras, mas a maioria deles
estavam dentro da caixa, no chão.

Eu estava agachada e eu tinha um par desses jeans de


cintura baixa, camiseta de cor ameixa, com gola. No
agachamento, o jeans desceu; a bainha da camiseta subiu,
expondo completamente o final das minhas costas. O sino
sobre a porta da frente tocou e virei-me para ver Eddie
entrando, legal, óculos de sol espelhado cobrindo seus olhos.
Ele tirou-os fora, olhou para mim, e seus olhos mudaram-se
para o meu traseiro.
Imediatamente eu disse a Jane: — Vamos levar isso
para o balcão. - E eu fiquei pegando a caixa.
Infelizmente, a caixa pesava uma tonelada e eu
cambaleei para trás, para a direita em Eddie, que de alguma
forma conseguiu andar seis metros da porta para mim, nesse
curto espaço de tempo.

Em vez de apenas colocar a mão para firmar-me, tanto


de suas mãos vieram aos meus quadris, baixo em meus
quadris, dedos abertos, bem abertos, então as pontas dos
dedos repousavam sobre meus ossos pélvicos.

— Cuidado, - disse ele, os lábios tão perto do meu


ouvido que um arrepio passou pelo meu corpo e eu juro, eu
quase deixei cair à caixa.

Em seguida, suas mãos tinham ido embora e ele


também. Ele veio ao redor, pegou a caixa, seus dedos apenas
de leve (mas ainda assim, isso aconteceu, eu sei disso)
passando próximo a minha barriga. Ele a tirou de mim e
andei até o balcão dos livros.

Ally estava atrás do balcão e ela estava olhando para


mim, de boca aberta. Ignorei seu olhar, ignorei
completamente Eddie (nem sequer disse obrigada) e fui
(rapidamente) para o fundo da loja e fiquei entre as
prateleiras escondendo-me até que eu tive certeza de que ele
tinha ido embora.

Outras vezes, ele estava em espaços apertados, os


espaços que eu tinha que passar para movimentar-me, então
eu teria que chupar a minha respiração e apertar por ele para
não tocá-lo com alguma parte saliente do meu corpo. Isto não
funcionou, e alguma parte saliente do meu corpo sempre
tocou o que resultou em um desses choques elétricos acima
mencionados.

Não ajudou que Indy e Ally estivessem constantemente


pedindo-me para sair com elas para beber algo ou para ir ao
cinema, então se voltavam para Eddie e diziam: — Você quer
vir?

Eu não poderia ir de qualquer maneira e eu estava feliz


que eu sempre tinha uma desculpa (embora, já que não
sabiam que eu tinha um segundo emprego e estava cuidando
da minha mãe, as desculpas foram começando a soar falsas).

A tortura de Eddie parecia aumentar com o tempo.

Por exemplo, há alguns dias atrás eu estava sentada


atrás do balcão, com as pernas cruzadas, com a cabeça
inclinada, conferindo recibos e bebendo um cappuccino.
Eddie estava falando com Duke, segundo em comando
de Indy; um cara Harley com cabelo grosso, longo, cinza, com
barba e uma sempre presente bandana amarrada na testa.

Duke estava na Fortnum desde que a avó de Indy ainda


estava viva. De primeira, ele assustou-me. Ele era duro como
pregos e tinha uma voz baixa e grossa. Então, eu percebi que
ele tinha um pouco de idade, principalmente por causa da
maneira como ele tratava Indy, Ally e, Jane (a outra veterana
da Fortnum) e às vezes Tex (embora, na maioria das vezes,
Duke e Tex implicavam um com outro).

Eddie e Duke estavam em pé na minha frente no


balcão, o que significava que eu também estava envolvida em
ignorar Eddie.

Então, de repente, a mão de Eddie entrou na minha


linha de visão e, tão repentinamente, seu polegar roçou meu
lábio superior.

Minha cabeça virou-se e eu olhei para ele, meu lábio


formigou.

— Espuma, - disse ele, baixando a cabeça para indicar


o meu cappuccino.

Meu rosto começou a queimar, eu olhava para o meu


cappuccino e, se isso.... Quando eu olhei para cima, Eddie
estava novamente ouvindo Duke, como se eu não estivesse lá,
mas ele colocou o dedo na boca para chupar minha espuma.

O que foi isso?


Este tipo de coisa passou na época. Eu tinha que
encontrar uma explicação para isso. Então eu decidi que ele
estava apenas tentando ser legal.

Ele era um cara legal, eu poderia dizer, mesmo que


fosse em uma espécie de forma foda. Tex tinha uma relação
rude com ele e Duke gostava dele para conversar. Era claro
que ele pensava em Ally como sua irmã mais nova e estava
sempre brincando com ela. Eu sei que ele pensava o mundo
da Indy e ele estava sempre flertando com ela de uma forma
que era quente, mas de maneira controlada. Eu disse-me que
ele estava apenas me colocando no meu nicho, porque, não
importa o quanto importante essas sessões de tortura
pareciam, nada nunca veio delas.

Então, eu percebi que a minha paixão, e meus sonhos


(que vinham com muito mais frequência, uma vez que as
sessões de tortura começaram) fez-me criar algo que não
existia.

Então, Indy perguntou-me sobre ir no Hank para


assistir a um jogo futebol. Foi chegando ao ponto que seus
convites eram tão frequentes que eu não podia mais recusar
ou eu pareceria rude. Iria ser ela e Lee, Ally e seu namorado,
Carl (que também era de boa aparência e um policial), Hank e
uma garota que eu não conhecia... e Eddie.

Eu não queria ir, porque era domingo. Eu não tinha


turno no Smithie e na Fortnum tinha curtas horas no
domingo. Eu queria descansar, e depois dormir, nas
primeiras horas da noite, como uma pessoa normal.

No entanto, não deveriam estar lá até às cinco e eu


tinha tempo de sobra para preparar-me depois da Fortnum
estar fechada.

Eu precisava aceitar um convite, para não mencionar,


que a mamãe estava sobre mim.

Eu cometi o erro de contar a mamãe sobre a resposta


do Tex para o bolo de caramelo e chocolate, então mamãe
começou a pensar que Tex era uma possibilidade para a
minha felicidade futura.

Ao dizer-lhe (e explicar que primeiro, Tex era louco e,


segundo, que ele tinha idade suficiente para sair com ela) eu
deixei escorregar sobre Eddie.

Uma vez que Eddie foi mencionado (no entanto


minuciosamente), eu tinha que vir completamente limpa
(porque minha mãe me deu o terceiro grau) e por isso minha
mãe estava toda animada com a possibilidade de que eu iria
chamar a atenção de Eddie. Tentei dizer a ela que Eddie
estava preso a Indy, mas ela não quis ouvir. Tentei dizer a ela
que Eddie tinha seriamente boa aparência, e botas de cowboy
sexys, portanto, não estaria interessado em mim, e ela,
realmente, não iria ouvir.

Então, ela empurrou-me, não só para ir, mas também


para arrumar suas linguiças, azeitona e cogumelos em copos
e levá-los comigo. Ela estava, obviamente, pensando que eu
iria trabalhar o meu caminho para o coração de Eddie por
seu estômago, com linguiça, azeitona e cogumelo,
mergulhados em creme, alho e molho de parmesão em um
copo de pão torrado.

Entrei na casa de Hank carregando um prato coberto


com papel alumínio.

Estava quente do forno e queimando através da minha


camiseta. Eu estava atrasada (de novo), eu esqueci uma
almofada quente e na hora que eu entrei, todo mundo
cheirava a linguiça e alho.

— Porra, o que é isso? - Perguntou Carl, olhando para


a folha envolta no prato. Ele era um cara grande, tão alto
como espesso, seus cabelos loiros eram uma confusão sexy.
Ele tinha um jeito de olhar para você que fazia o seu rosto
queimar, porque eu estava muito certa, ele estava despindo-
me com os olhos.
Coloquei o prato para baixo em uma mesa de café com
um tipo de barulho (porque, como eu disse, estava me
queimando). Eu puxei a folha fora.

O cheiro de alho flutuou com tanta força; era como um


tapa na cara. Todo mundo inclinou-se para trás com o cheiro,
então se inclinaram para frente e olhavam nos copos de
salsicha como abutres.

Eu estava segurando meu braço e mordendo meu lábio


porque a queimadura não ia embora.

Eddie estava sentado em uma grande poltrona,


segurando uma garrafa de cerveja pelo pescoço com dois
dedos. Ele era o único que não provou os copos de linguiça.
Ele estava olhando-me, seus olhos escuros tomavam minha
mente longe da ardência em meu braço, porque ele estava
fazendo a respiração em meus pulmões queimarem (e ele
estava fazendo outros lugares queimarem também).

De repente, levantou-se, atravessou a sala, pegou


minha mão e puxou-me para a cozinha. Ele parou no meio,
gentilmente torceu o pulso e empurrou a manga da minha
blusa para cima, expondo um vergão vermelho irritado no
interior do meu braço.
— Dios mio, cariño1, - disse ele, puxando-me para a
geladeira.

— Não é nada, - eu disse.

Ele pegou uma lata de Coca-Cola e segurou-a contra a


queimadura. Eu tinha que admitir que me senti bem e me
senti ainda melhor, porque Eddie estava fazendo isso.

— Eu posso segurá-lo, - eu disse, tentando tirar a lata.

— Eu tenho isso, - disse ele.

— Não realmente eu... - Seus olhos presos nos meus.

— Eu tenho isso, - ele disse, de uma maneira que ele


nunca falou comigo antes, de uma maneira que eu nunca
tinha ouvido falar de ninguém antes; calmo, controlado, mas
um pouco impaciente.

Eddie era um bom menino, até para rir, sempre


sorrindo, brincando, flertando e brincando.

Não havia brincadeira em seu tom.

Eu estava tensa e rígida, de volta para morder meu


lábio enquanto segurava meu pulso em uma das mãos, a lata

1
Deus meu, querida.
contra a queimadura com a outra. Eu olhei para o meu braço
assim eu não estaria olhando para Eddie.

A queimadura não era tão ruim, e ficou melhor após a


frieza da lata tirar o ardor. Sem a dor, tudo que eu conseguia
pensar era Eddie e no fato de estar sozinha na cozinha com
Eddie.

Misteriosamente sozinha.

Onde estava todo mundo?

— Onde estão todos? - Perguntei.

— Quem você quer? - Ele perguntou o que eu achava


que era uma pergunta estranha. Mas, novamente, a minha
mente não estava funcionando corretamente, talvez por isso,
era uma questão perfeitamente bem, quem era eu para
julgar?

— Eu não sei.

Qualquer um! Eu pensei.

Seus dedos estavam envoltos apertados em torno de


meu pulso e, então me puxou para frente. Ele já estava perto,
mas ele trouxe-me para mais perto.
— Você tem algum problema comigo? - Perguntou ele,
quando estava tão perto, que eu poderia cheirá-lo.

Ele cheirava agradável, mas não era avassalador.

Você tinha que estar perto. Durante os últimos meses,


perto da Eddie Tortura, eu tinha estado perto o suficiente
para cheirar muito dele e ele cheirava bem. Muito bem. Eu
meio que entrei em transe, com a sua proximidade e com seu
cheiro, minha mente desligou e ele não era apenas a única
pessoa na sala, ele era a única pessoa no universo.

— Perdão?

— Você tem algum problema comigo? - Perguntou


Eddie novamente, seus olhos olhando para os meus e eu
estava em uma realização gritante, pois eu nunca tinha
estado tão perto dele. Ele tinha grandes cílios e sua íris eram
tão escuras, que pareciam durar para sempre.

Eu percebi que ele tinha feito uma pergunta e eu tinha


esquecido de novo. — Perdão? - Eu perguntei, bem, então
tentei respirar porque, no último segundo, eu percebi que eu
não tenho um monte de ar em meus pulmões.

Foi quando seus olhos mudaram para avaliar algo


mais. Eu vi a covinha na bochecha antes que seus lábios
formassem um sorriso. Ele puxou meu pulso suavemente e
me trouxe ainda mais perto; tão perto que meu corpo estava
quase tocando o dele e ele teve que curvar a cabeça ainda
mais para olhar para mim.

— Eu perguntei se você tinha um problema comigo, -


disse ele.

— Bem, sim, - respondi, com minha boca desvinculada


da minha mente.

Sua cabeça inclinou-se um pouco mais e, sem


brincadeira, ele estava tão perto que eu podia quase beijá-lo.

— Que tipo de problema? - Ele questionou. Sua voz era


baixa, quase um sussurro. Alguma coisa estava acontecendo
com os olhos, eles tinham ficado líquidos e eu senti uma
sensação semelhante em meus ossos.

— Eu tenho um pequeno problema com.... - Como eu


poderia colocá-lo? — ...com o seu tipo.

Eu quis dizer a sua espécie, tipo caras que eram


quentes. Caras que eram quentes que me faziam ficar com a
língua presa, desajeitada e tímida.

Eu não acho que Eddie tomou-o dessa forma porque


seus olhos líquidos viraram duros e brilhantes e sua mão em
meu pulso apertou e não em um bom caminho. Bem, eu
estava em transe, então eu não registrei isto em primeiro
lugar.

— Meu... tipo? - Ele perguntou.

— Sim. – Eu respondi.

Ele soltou-me, como se tocando minha pele fosse como


ficar queimado com ácido. Ele entregou-me a Coca-Cola e,
sem dizer uma palavra, saiu da sala.

Enquanto eu estava lá e o torpor levantou, veio a mim


o que eu disse e como deveria ter soado.

— Porra! - Eu assobiei para mim mesmo.

Eu usualmente tentava não dizer a palavra porra, mas


algumas ocasiões exigiam. Esta foi uma dessas ocasiões,
porque eu nunca teria a coragem de dizer a Eddie o que eu
realmente quis dizer e agora ele pensava que eu era uma
racista.

Indy entrou, parecendo preocupada.

— Está tudo bem? - Perguntou ela, olhando por cima


do ombro, depois de voltar para mim. — Eddie apenas saiu
pela porta da frente parecendo que ele estava indo cometer
assassinato. O que aconteceu? Vocês se desentenderam, não
é?

Felizmente, eu tinha minha bolsa por cima do meu


ombro, a televisão estava na sala de trás (todas as pessoas
também) e houve um estouro direto na porta da frente.

— Tenho que ir, - eu disse, sem explicação.

Eu fui para a porta.

No minuto em que se fechou atrás de mim, eu corri.


Capitulo 2

A verdade vem à tona.


(Bem, parte dela de qualquer maneira).

Eu estava entretendo a noção (ou mais como


esperança) de que todo o episódio idiota comigo soando como
uma racista para Eddie ficaria em segredo. Eddie não parecia
ser o tipo de cara que compartilhava as coisas, mas eu estava
errada.

No minuto em que entrei na Fortnum na segunda-feira


de manhã, eu vi os olhares de Indy, Ally e Tex, e eu senti o ar
gelado.

Até o momento que a multidão da manhã acabou, eu


sabia que minhas esperanças estavam mortas e eu tive novas
esperanças que aquilo desapareceria.

Eu estava errada sobre isso também.

Assim que não havia clientes no balcão de café


expresso, Indy virou-se para mim.
— Eu não posso demiti-la, você sabe, por quem você é.,
mas, eu tenho um problema real com alguém como você
trabalhando para mim, - disse ela.

Meu coração afundou.

— Eu também, porra não suporto racistas, mesmo


aquelas que fazem bons brownies, - Tex colocou dentro.

Ally apenas olhou para mim.

— Eu não sou racista, - eu disse, sentindo vontade de


chorar.

— Claro, você só tem um problema com isso.... Nosso


tipo, - Ally entrou na conversa.

Meu coração afundou ainda mais, ao mesmo tempo


meu intestino torceu.

— Lee conversou com Eddie na noite passada, -


explicou Indy.

— Eddie disse tudo a Lee.

— Não é assim, - eu disse.


— Você pode trabalhar aqui até encontrar outro
emprego. - Indy foi direta comigo e virou-se.

— Realmente, não é assim, - eu disse, ficando


desesperada porque eu precisava desse trabalho, era um
grande trabalho, eu não tinha tempo para procurar por outro
e eu gostava deles. Eles eram divertidos.

Se eu não estivesse tão exausta o tempo todo, em dias


úteis de dezesseis horas, eu teria tido o tempo da minha vida.
Eu não quero que eles pensem que eu era uma racista. Isso
seria seriamente uma droga.

— Eu não quero saber o que é, - disse Indy, afastando-


se do balcão.

Tex estava olhando para mim, — Eu quero saber.

— Eu não tenho certeza o que dizer. - Indy ignorou Tex


e voltou-se para mim.

— Você sempre decolou quando ele estava por perto,


mas eu pensei que.... Esqueça. Isso nunca me veio à mente.

— Eu quero saber, - disse Tex.

— É difícil de explicar, - eu coloquei dentro.


— Eu aposto que é, - disse Ally.

Eu fechei meus olhos e eu tinha certeza que eu ia


vomitar.

Então Indy me disse: — Ele é um cara bom e você sabe.


Sua família tem estado neste país há três gerações. Ele é tão
americano quanto você e eu. Sua avó é ainda católica
irlandesa, pelo amor de Deus! - Ela acabou gritando.

Eu estremeci, como se ela tivesse me atingido.

— Você não tem que dizer-me isso. Eu não me importo


se ele acabou de vir ao longo da fronteira! - Eu estava ficando
meio em pânico.

Ally fez um barulho que parecia um bocado como um


ronco, um bufo irritado.

— Não, isso não parece certo. Você não entende, - eu


disse.

— Não. Eu não entendo, - disse Indy, inclinando-se


para mim.

Tentei explicar: — Eu só tenho um problema com a sua


espécie, o tipo dele. Eu sempre tenho. Não é só ele, eu tenho
um problema com caras como Lee, você sabe, o nativo
americano, Vance. - Indy parecia que ia explodir.

— Não! - Eu gritei, — Isso não parece certo também.


Eu tenho um tipo de problema com Lee, e Hank também!

— Qual é a porra do problema com você! - Ally irritou-


se comigo.

— Não é sua ascendência. É que eles são quentes! - Eu


gritei.

Todo mundo ficou em silêncio e olhou para mim.

Eu me senti como uma idiota, mas eu tinha que


continuar.

— Eles são quentes, Eddie especialmente. Eu fico


estúpida e tímida em torno de caras bonitos. Eu sempre
fiquei. Nada que eu faça é certo, nada que eu diga. Eu tento
evitá-los; eu achei que seria o melhor caminho. A coisa é,
Eddie e eu estávamos sozinhos na cozinha e ele estava sendo
meio estranho comigo. Eu comecei a entrar em pânico e
tentei explicar que ele era quente, mas ele entendeu tudo
errado, porque como você diz a um cara que ele é quente? Ele
ficou com a ideia errada, ficou louco e saiu, e.... Hum, é isso.
— Você está brincando com a minha cara, porra? -
Disse Tex.

Eu balancei a cabeça e mordi o lábio.

— Você gosta dele, - disse Indy. Ela não estava olhando


para mim como se quisesse estrangular-me mais, o que eu
tomei como um bom sinal.

— Bem... - Eu disse. — ...sim.

Gostava dele, não. Amava e queria ter seus bebês, um,


merda sim.

Indy sorriu. — Eu sabia! - Ela gritou. — Isso é ótimo!


Você tem que dizer a ele, acho que ele...

— Não! - Eu gritei. — Não, eu não posso dizer a ele,


você não pode dizer também.

Ally deu a volta por Indy; ela estava sorrindo também,


— Você tem que dizer a ele.

— Eu não vou contar nada para ele. Ninguém pode


fazer isso.

— Ninguém pode fazer o quê?


A voz veio de trás de nós. Era de Lee. Ele estava
olhando para mim como se eu tivesse me arrastado para fora
de debaixo de uma pedra.

— Jet não é uma racista, ela tem uma grande queda


por Eddie, - Indy anunciou, Ally sorriu.

Fechei os olhos e senti meu rosto esquentar.

Quando abri os olhos, Lee estava olhando para mim.

— Estranha forma de demonstrar, - ele disse.

— Ela é estupidamente tímida. Fica com a língua


amarrada. Diz merda, - Tex resumiu rapidamente.

— Por favor, podemos parar de falar sobre isso? -


Perguntei.

— De jeito nenhum! - Ally disse. — Eu estive


observando Eddie com você e estou bastante certa...

— Ally, - Lee cortou.

— Por favor, - eu chorei. — Podemos parar de falar


sobre isso e você tem que prometer não dizer nada para
Eddie.
— Você quer que ele pense que você é uma racista? -
Indy olhou para mim como se eu apenas sorrisse para baixo
a partir de Marte.

— Não! Claro que não, mas... hum, sim. Seria mais


fácil evitá-lo.

— Você é maluca! - Disse Tex.

— Cala a boca Tex, - Ally veio e colocou a mão no meu


braço.

— Sério, Jet...

— Por favor, - eu disse (ou meio que supliquei).

Felizmente, Lee veio em meu socorro e quando ele


falava, as pessoas ouviam. — Que assim seja.

— Lee! - Ally largou a mão do meu braço.

— Você tem que prometer não quer dizer nada, - eu


disse.

— Claro! - Indy respondeu rapidamente, tão


rapidamente que eu pensei que talvez ela estivesse mentindo.
Eu também vi os olhos de Lee estreitando sobre ela e, em
seguida, ele balançou a cabeça e as rugas de seus olhos
aprofundaram-se. Eu tenho a impressão de que estava com
problemas mais graves do que tinha estado, quando eles
achavam que eu era uma racista, mas que não era nem a
metade disso.

Mais tarde, no início da tarde, Eddie apareceu. Eu não


o esperava, eu pensei que ele iria evitar-me também, mas lá
estava ele.

Ele entrou, seus olhos percorreram todo o salão em


frente a mim, como se eu não estivesse lá, e eu
imediatamente mudei minha mente que eu não queria que ele
pensasse que era uma racista.

Ele parecia muito bem; calça Levis gasta, que se


encaixam certinho (apertada em todos lugares certos, soltos
em todos os lugares certos), botas de cowboy preta, uma
camiseta de manga comprida preta que estava confortável em
seu peito e bíceps, e uma fivela grande e prata no centro em
seu cinto de couro preto. Seu cabelo negro estava meio
confuso a partir de algo, o vento, com o passar de sua mão, o
que for.

Ele dava água na boca.


Eu estava atrás do balcão de café expresso com Tex e
Indy. Eddie viu Indy e caminhou até ela, ignorando todos os
outros.

Eu estava apavorada que Indy dissesse alguma coisa,


ainda mais quando Tex deu-me uma cotovelada.

— Você deveria ir falar com ele, - Tex sussurrou.

— Eu não vou falar com ele! - Eu assobiei para trás.

— Você é maluca, - Tex me disse.

Em seguida, a campainha sobre a porta tocou de novo


e como eu estava concentrando em semi-argumentar com
Tex, eu não olhei para cima.

No início.

Então, eu ouvi alguém cantar.

— Jet! Jet!

Eu olhei para cima.

Tex olhou para cima.

Indy olhou para cima.


Ally caminhou até a frente da parte de trás, onde as
estantes estavam.

Eddie virou-se.

E lá estava Ray McAlister, meu papai, em pé no meio


da Fortnum, batendo a cabeça e tocando ‘air guitar’2,
enquanto ele cantarolava, em voz alta.

Meu queixo caiu.

Em seguida, papai continuou cantando Paul


McCartney e os Wings a canção ‘Jet’.

Ele era real e estava aqui. Papai estava aqui. Cantando


todas as letras, o ‘oo-oo’s’, tocando em sua guitarra no ar
como se não houvesse amanhã, estalando sua cabeça ao
redor tão forte que eu pensei que ele ia se dar uma chicotada.

Quando a letra incluía a palavra ‘papai’, ele tinha um


grande sorriso bobo no rosto, colocou as mãos em seu
coração e, eu não poderia evitar, eu comecei a andar ao redor
do balcão em direção a ele.

— Papai, - eu sussurrei.

2
Todo mundo estava olhando. Tex em fascinação, ávido,
com um sorriso enorme no rosto. Indy estava rindo. Ally
estava balançando a cabeça. Os braços de Eddie estavam
cruzados sobre o peito, observando, com a cara em branco,
com seu quadril encostado ao balcão de livros.

Mas papai não estava satisfeito. Mais ‘air guitar’. Mais


–‘oo-oo’s’.

Então, quando eu cheguei perto dele, ele pegou-me em


seus braços, puxou-me perto e começou a dançar comigo,
lançando-me ao redor, cantando, mas desta vez mais alto.

Na verdade, ele estava na parte onde McCartney pede a


Jet para amá-lo e meu papai era uma espécie gritante (como
sempre fazia quando ele cantava esta canção para mim, que
era muito, na verdade, a cada vez que ele voltava para a
cidade e encontrava-me).

Ele assobiou e eu comecei a rir, eu não conseguia


evitar.

Meu papai pode ter sido um papai porcaria, mas ele era
louco, o que o deixava engraçado e mesmo que ele só tivesse
estado na minha vida para o que equivalia a horas, nos
últimos 14 anos, ele estava aqui, o meu papai.
— Papai, - gritei por cima dele, cantarolando a parte
musical.

Ele estava meio me balançando ao redor, meio


dançando comigo, ignorando-me, e ele continuou. Ele
terminou a canção, como de costume, em um abraço,
balançando-me para os lados e cantarolando o final do
saxofone triste.

— Papai, - eu sussurrei de novo, meu rosto


pressionado contra sua barba por fazer, ele parou de
balançar e segurou-me perto.

— Jet, - ele sussurrou de volta e lágrimas brotaram dos


meus olhos, um par vazando nos cantos.

Ficamos assim por alguns segundos, segurando um ao


outro e, em seguida, ele empurrou-me para trás, segurando
meus braços.

— Como você me achou? - Eu perguntei, enxugando


minhas bochechas.

— Fui para aquele lugar que você costumava trabalhar.


Pedi para o velho atrás do balcão para dizer-me onde você
estava. Por que desistiu de um emprego confortável assim? -
Ele estava vestindo uma jaqueta do exército antiga, uma
camiseta com um caminhão na frente, um par de
desgastados jeans e botas de construção. Seus grisalhos
cabelos loiro areia, estavam muito longos e (se eu fosse
honesta) um pouco sujo. Seus olhos castanhos estavam
dançando, como de costume.

Eu ignorei sua pergunta.

— O que você está fazendo aqui?

— Vim para ver minha namorada. - Seus olhos


examinaram meu rosto, e depois foram para o meu cabelo.

Sua mão se aproximou e puxou o suporte do rabo de


cavalo com um puxão. Sem olhar para onde estava indo, ele
jogou-o por cima do ombro. Eu assisti-o voar, e, assistindo, vi
a mão de Eddie chegar e pegá-lo no ar.

— Sua mãe deu-lhe uma bela cabeleira, não sei por que
você está sempre escondendo isso. - Ele arranjou o cabelo em
volta do meu rosto. — Muito melhor. – Ele disse.

— Papai.

Ele me pegou em seus braços novamente e me deu um


aperto.

— Foda-se! - Ele gritou. — Você parece bem. Senti falta


da minha menina.
Quando ele me soltou, Eddie estava bem lá. Indy e Ally
estavam olhando para nós, nem mesmo tentando fingir que
não estavam e eu não tinha que virar-me para saber que Tex
estava assistindo.

Eddie estendeu o meu prendedor de cabelo.

— Obrigada Eddie, - eu disse, pegando o elástico e eu


podia sentir o calor vindo no meu rosto.

Papai olhou entre Eddie e eu.

— Quem é este? Seu namorado?

Meus pulmões congelaram e minha boca ficou seca.

Eddie ficou ali.

Papai olhou entre Eddie e eu, de novo.

— Bem? Você vai me apresentar? – Meu papai pediu.

Minha mente desengatou.

O papai assumiu a responsabilidade em suas próprias


mãos.

— Eu sou Ray McAlister, pai de Jet.


— Eddie Chávez, - Eddie respondeu e apertou a mão do
meu papai.

Papai acenou e sorriu. — Figuras. Jet sempre teve uma


coisa para os nossos irmãos do sul.

Oh Senhor! Por favor, me salve.

— Papai.

Eu poderia ter morrido feliz, naquele momento.

— O quê? - Perguntou meu papai, todo inocente.

— Engraçado, Jet explicou que ela tem um pequeno


problema com o meu tipo, - disse Eddie.

O papai virou-se para mim, os olhos cômicos.

— Desde quando? Todos os namorados que já teve


eram mexicanos.

Não, eu estava errada. Era neste momento em que eu


poderia ter morrido feliz.
— É isso mesmo? - Perguntou Eddie, os olhos
movendo-se para mim e eu podia jurar que ouvi tanto Indy e
Ally engolirem o riso.

— Sim. Pensei que já teria alguns netos, com doces


cabelos escuros, muito antes, mas agora Jet está com o
tempo ferrado. E você sabe, eu não estou ficando mais jovem,
- Papai me disse.

— Pelo menos você, afinal, conseguiu um emprego em


um lugar legal, - disse ele, olhando ao redor. — O antigo pode
ter sido agradável, mas... este?

Chato!

— Talvez devêssemos ir a algum lugar e conversar, -


sugeri.

— O que há de errado com este aqui? - Ele perguntou,


olhando para o balcão de café expresso, - eu poderia fazer um
café.

— Poderia fazer? - Tex cresceu.

Fechei os olhos. Quando abri os olhos, meu papai já


estava indo em direção ao café e tudo que eu podia ver era
Eddie.
Ele não estava sorrindo, como tal, mas a ondulação
estava em seu rosto.

Acho que eu não tinha que me preocupar mais com ele


pensando que eu era uma racista.

Antes que eu pudesse desabar de mortificação, a mão


de Eddie veio e ele colocou um pouco de cabelo atrás da
minha orelha. Ele examinou meu rosto e cabelo, em seguida,
seus olhos estavam presos nos meus e ele disse: — Eu gosto.

Meu estômago embrulhou.

Sem dizer uma palavra, eu virei de costas para ele,


amarrei meu cabelo em um rabo de cavalo e segui meu papai
que foi encomendar para Tex. Quando cheguei, ele passou
um braço em volta do meu pescoço e beijou o topo da minha
cabeça.

— Ela não é linda? - Ele perguntou a Tex.

— Ela é uma louca, - respondeu Tex.

Papai jogou a cabeça para trás e riu.

— Não é verdade?
Indy e Ally materializaram-se atrás do balcão, fiz
apresentações e houve bate-papo geral, enquanto meu papai
sugava de volta um café com leite.

Eles todos se afastaram, mas não suficientemente


longe que eles não pudessem ouvir tudo o que disse. Eu acho
que esta foi a minha vingança por ter sido tão cautelosa. As
pessoas iam ficar curiosas.

Eddie plantou-se no final do balcão de café expresso e


nem sequer pretendeu fingir que ele não estava escutando.

Virei-me para o papai.

— O que você está realmente fazendo aqui? - Eu


perguntei em voz baixa.

— O quê? Não posso ver a minha menina?

Eu olhei para ele.

Ele sorriu.

— Ok, você me pegou. Eu preciso de um lugar para


dormir por algumas noites.

O pânico percorreu-me. Mamãe mais papai no mesmo


apartamento, igual a desastre chegando.
— Eu não estou vivendo no mesmo lugar, - disse a ele.

— Tudo bem, - disse ele.

— Eu não tenho um quarto.

— Você não tinha quarto antes, mas você me deixava


ficar, - disse ele, olhando-me mais perto e sabendo que eu
estava segurando.

— Há algo... - Eu não consegui terminar. Eddie estava


bem ali, eu podia sentir seus olhos em mim. Papai não sabia
sobre a mamãe e eu não queria dizer a ele. Eu não queria que
todas as orelhas grandes em torno de mim ouvissem também.
E a mamãe teria tido um acesso de raiva se eu convidasse
meu papai para ficar. Armação ou não, ela jogaria tudo dele
do apartamento e o perseguiria ao redor em sua cadeira de
rodas.

— Princesa Jet, seu velho papai tem falhado. Já esteve


na estrada por muito tempo.

— Bem, conseguiremos um hotel.

Seus olhos brilharam, e depois desligaram.

Droga.
Ele não tinha nenhum dinheiro.

Eu não tenho nenhum dinheiro também. Cada dinheiro


foi comprimido, cada centavo que eu poderia espremer fora
dele.

Eu olhei para o meu papai. Ele parecia cansado, ele


precisava de um banho e por último, mas não menos
importante, ele era meu papai. Isto estava machucando, em
mais maneiras do que uma.

— Bem vou para o caixa automático, - eu disse com um


suspiro.

Eu poderia pegar mais turnos no Smithie.

Talvez.

Se Smithie estivesse de bom humor.

— Eu vou pagá-la de volta, - ele me disse.

Eu tinha ouvido isso antes.

Virei-me para Indy e vi Eddie, que se inclinava sobre o


balcão, observando-me. Seus olhos eram agudos e eu sabia
que ele ouviu cada palavra. Senti-me humilhada, desta vez
por mim e por meu papai.
— Indy, meu pai e eu vamos... - eu nem sequer
consegui terminar.

— Você sabe que nós fazemos nossas próprias horas,


menina. Vai com o seu papai, - disse Indy.

Eu me virei para o meu papai, tentando ignorar Eddie e


todos. Eu coloquei meu braço no dele.

— Já almoçou? - Eu perguntei, fingindo ser brilhante e


alegre, e alguém que pudesse se dar ao luxo de sair para o
almoço.

— Não, - disse ele em um grande sorriso. — Seu papai


está morrendo de fome.

— Por minha conta. - Eu avisei. Eu não tinha dinheiro


para tratá-lo com um almoço também, mas para quem já não
tinha muito, fazer o que.

Eu coloquei o meu papai em um motel barato e ele agiu


como se eu o tivesse colocado no Bellagio. Paguei duas noites
com antecedência e eu dei-lhe US $ 500, porque um homem
tinha que ter dinheiro no bolso.
Isso me deixou US $ 50 no banco; mantimentos para
comprar, meu carro precisava de gasolina.

Papai e eu planejamos nos encontrar na Fortnum na


manhã seguinte para trazer os donuts. Felizmente, eu teria
as minhas gorjetas no Smithie no meu bolso até amanhã de
manhã, então eu provavelmente poderia pagar os donuts.

Fui ao supermercado, resolver as necessidades, bati no


posto de gasolina e cheguei em casa mais tarde do que o
habitual. Eu precisava de um cochilo, mas provavelmente
não teria tempo. Não havia roupa a ser arrumada. Mamãe
tentou ajudar, mas ela se cansou rapidamente. Ela estava
tentando voltar a fazer as coisas ao redor da casa e cozinhar
para si mesmo, mas estava achando frustrante, então eu
teria que sair com ela na cozinha e ajudar quando ela
precisava.

Nós precisamos fazer alguns exercícios também porque


ela tinha terapia amanhã e eles não gostam quando você não
fazia os exercícios entre os compromissos. Então, eu tive que
deixar a maquiagem para o Smithie para depois e de volta
para fora da porta.

No minuto em que entrei na sala, carregando os


mantimentos, mamãe olhou para mim e disse: — O que há de
errado?
Ela me assustou algumas vezes.

— Nada.

Eu não tinha intenção de dizer que o papai estava na


cidade. Un-unh, de jeito nenhum.

Fui para a cozinha e comecei a descarregar as


compras. Ela rolou para a porta e me bloqueou.

— Algo está errado, - disse ela.

— Nada está errado.

— Henrietta Louise, - disse ela.

Ela sempre usava o meu nome real, quando ela estava


brava comigo. Ou isso, ou ‘senhorita’. Eu não sabia de onde
‘Senhorita’ veio, mas esse nome saía quando ela estava super
brava.

Mamãe tinha os olhos verdes brilhantes e grandes,


cabelo loiro grosso (louro porque Trixie vinha ao apartamento
e dava-lhe um corte e cor, a cada seis semanas, Trixie
também lhe fazia uma manicure e pedicure a cada duas
semanas. Trixie é a melhor amiga da minha mãe desde o
ensino médio, ela amava mamãe e ela era uma joia absoluta).
Mamãe também tinha um grande sorriso, antes do derrame,
agora era bom, mas meio desequilibrado. Ela era uma
animadora na escola e ela disse que lhe ensinaram a sorrir
quando era uma animadora de bastão. Eles fizeram um bom
trabalho, ela tinha um sorriso de classe mundial, mesmo
meu papai disse isso.

Ela não estava sorrindo agora, ela estava franzindo a


testa. — Você parece preocupada, - disse mamãe.

Eu sempre parecia preocupada, como ela podia decifrar


que eu estava mais preocupada, estava além das minhas
forças. Eu não tinha filhos e, portanto, ainda não tinha sido
incutida com a ‘capacidade de mãe’ para sentir o perigo,
preocupação, tristeza, problemas com o namorado e quando
as meninas eram mal-intencionadas com você na escola.

Eu decidi tomar o caminho de menor resistência, a


escolha de um tema que seria jogá-la fora o cheiro (em outras
palavras, eu meio que menti).

— Eddie acha que eu sou racista.

Ela engasgou. — O quê?

Dei de ombros.

— O que o faria pensar isso? - Ela perguntou.


Eu guardei o leite. — É um mal-entendido.

— Dizem isso. Você quer que eu o chame?

Eu tinha a minha cabeça na geladeira, mas para isso,


eu endireitei-me e virei-me.

— Não! Não o chame!

Minha mãe iria falar com ele, não havia dúvida sobre
isso. Ela não tinha o número dele, mas ela encontraria. Não
só ela o chamaria, ela chamaria sua mãe, apenas para cobrir
suas bases e começar o negócio de conversa de mãe para
mãe. E não só isso, ela ia chamar Trixie para falar com ele e
eu realmente não queria isso. Em seguida, eles teriam os
meus ex-namorados, Javier, Alex, Luís e Oscar para telefonar
para ele, bem assim, como referências do meu caráter
antirracista.

— Indy vai arrumar isso para mim, - eu disse. Esta era


também uma espécie de mentira, mas era também um tipo de
verdade, porque eu tenho a sensação de que Indy era o tipo
de pessoa que interferia.

— Bem eu espero que sim. Isso é horrível. Não é à toa


que você parece preocupada, doente.

Eu respirei fundo mentalmente.


Com esse obstáculo fora do caminho, abordamos o
resto dos obstáculos da noite: lavanderia, exercícios, jantar,
pratos e minha transformação em boneca Smithie.

Eu estava cambaleando para fora da casa em um par


de sapatos pretos, salto agulha e tiras finas ao redor dos
tornozelos, dizendo adeus à mãe quando eu abri a porta e
soltei um gritinho.

Ada, nossa vizinha estava parada do lado de fora da


porta. Ada era mais velha do que a sujeira, mais surda do
que uma maçaneta e tinha uma alma feita de luz solar pura.
Ela sorriu para mim, olhou para o meu traje de vagabunda e
disse: — Que bela roupa. - Eu olhei para a ultra-mini-saia e
camiseta preta que mostrava muita pele, que estava espiando
através da abertura do grande cardigã preto que eu tinha que
usar para afastar o frio do final de setembro. Então, eu olhei
para trás, Ada. Talvez ela estivesse ficando cega também.

— Eu vou assistir televisão com sua mãe. Há um bom


episódio de Cops esta noite, eu não quero perdê-lo. - Ada era
viciada em Cops e America’s Most Unbelievabe Police Chases e
praticamente qualquer coisa que tivesse a ver com os
policiais, caçadores de recompensa, perseguições em alta
velocidade, apreensões de drogas, câmeras de mão
perseguindo as pessoas que atravessam quintais, e as
pessoas cujos rostos tinham de ser feitos difusos.
Ela arrastou e eu saí gritando: — Divirtam-se meninas!
- Quando cheguei ao meu carro, não queria pegar.

Eu tentei de novo.

Ele não iria pegar.

Eu tentei uma terceira vez.

Nada.

— Pedaço de merda! - Eu gritei, batendo a mão no


volante e então talvez xingando mais e até mesmo batendo a
testa no volante um pouco.

Acho que o tanque de gasolina era um desperdício de


um bom dinheiro.

Eu tinha estado no mercado olhando um carro novo


antes de mamãe ter seu derrame, mas isso saiu pela janela.
O carro de mamãe era pior do que o meu e o vendi quando
nos mudamos para compor uma parte do depósito quando
nos mudamos. Agora, o velho calhambeque que foi usado
quando eu comprei há cinco anos estava no acostamento em
uma asa e uma oração.

Eu puxei o meu celular e chamei JoJo, uma das


dançarinas, que também estava sempre atrasada. JoJo veio e
me pegou e nós duas chegamos ao Smithie, atravessamos as
portas 15 minutos depois que era devido.

Smithie estava no bar e ele olhou para nós quando veio


através da porta.

— Você está atrasada porra, um ganho fodido. -


Smithie cumprimentou.

— Meu carro não pegava, - eu disse a ele,


aproximando-me do bar.

JoJo disparou como um foguete nos bastidores para


evitar o confronto com Smithie.

Ele deu-me o meu avental, eu peguei meu celular e o


deslizei em um bolso e entreguei-lhe a minha bolsa e cardigã
que ele pôs atrás do bar.

— Pelo menos veio com algo original, - disse ele.

— Estou falando sério.

— Você é um desastre ambulante.

Eu sorri para ele. Smithie era bravo, mas não mordia,


pelo menos com suas meninas. Ele era um cara grande e
negro, costumava ser musculoso, mas ele tinha estava um
pouco mole. Ele tinha uma meia dúzia de filhos com quatro
mulheres diferentes e ele adorava todos eles, incluindo as
mulheres.

— Ouça, Smithie, eu preciso pegar mais alguns turnos.


- Ele olhou para o teto: — Ela chega atrasada e, de imediato,
ela me pede mais porra de turnos.

— Eu tenho que consertar meu carro! - Eu chorei,


amarrando meu avental em torno da minha cintura.

— Você trabalha mais turnos, eu tenho que pagar hora


extra. Eu não pago horas extras.

— Smithie. - Eu dei-lhe um de olhar arregalado, de


menininha, um olhar ‘por favor’ que eu vi outras meninas
usarem com ele. Funcionava, assim eu tentei, e constatei que
funcionava para mim também.

Smithie não estava de bom humor.

— Você quer mais dinheiro, você trabalha em um


poste.

Eu olhei para o palco. Três dançarinas estavam nos


postes de trabalho, oleada para cima, todas vestindo apenas
tangas e lantejoulas.
Não em sua vida.

— Eu não vou trabalhar em um poste, - eu disse a


Smithie.

— Você estaria fazendo-me um favor. Mandy disse-me


hoje que ela tem que sair. Ela está grávida.

Eu não poderia evitar; eu aplaudi. Mandy e seu


namorado Ronnie estavam tentando engravidar desde antes
de eu trabalhar lá.

— Isso é ótimo! - Eu chorei.

— Isso não é uma grande porra. Eu tenho uma


dançarina a menos. Você trabalha em um poste, você tem a
minha gratidão para sempre e tanto dinheiro, que você
poderia comprar um Porsche.

— JoJo é a sua melhor dançarina e ela não possui um


Porsche, - disse a ele, e ela não tinha. Ela dirigia um Corolla.

— JoJo pode dançar, mas seus seios não são reais e ela
é pequena. Os caras percebem o verdadeiro do falso. Seus
peitos são reais e suas pernas são divinas naqueles sapatos
de salto. Os homens olham das pernas para os seios e eles
vão dar-lhe cinquenta dólares rapidinho.
— Eu não estou trabalhando em um poste, - eu disse
de uma forma ele sabia que eu estava falando sério.

Ele suspirou.

— Você quer que eu dê uma olhada no seu carro? - Ele


perguntou.

Veja, Smithie era um molenga.

Eu balancei a cabeça e sorri.

— Você é um pé no saco. Comece a trabalhar.

Eu comecei a trabalhar e fiz um bom extra com os


bêbados e idiotas que pagavam um bom dinheiro, essencial e
por nada.

Embora, obviamente, não visse dessa forma. As


gorjetas eram boas, eram poucos que tateavam e foi uma
noite decente.

Eu arranjei para Lenny levar-me para casa e, quando


todo mundo tinha ido embora, eu esperei por ele na porta.
Lenny era um segurança, pele de meia-noite e puro
músculo, em um quadro de um metro e noventa. Ele estava
recebendo um mestrado em Bioquímica na Universidade de
Denver.
Ele caminhou até onde eu estava na porta da frente. —
Espere lá fora, eu vou fazer uma varredura, ligar o alarme e a
trava.

— Ok, - eu disse, e saí para ficar do lado de fora na


porta da frente.

O Smithie era no Colorado Boulevard e apesar de


serem três horas da manhã, o tráfego estava passando
constante. Os dias eram quentes, mas as noites eram frias e
eu puxei o casaco mais próximo ao meu redor. Eu estava
cansada, minha mente começava a desligar e encontrei-me
aturdida olhando para a direita.

Algo veio até a mim a partir da esquerda; fui jogada


contra a parede do Smithie e vi o brilho de uma faca contra
as luzes do clube.

Uma mão estava no meu peito, me prendendo à parede.


Eu podia sentir a lâmina fria contra a minha garganta.

— Você é a filha de Ray McAlister?

Eu estava olhando para um cara que era alguns


centímetros mais baixo que eu, devido a meus saltos. Ele
tinha cabelo preto que parecia tingido e estava grudado na
testa. Ele era super magro, parecendo um roedor e em algum
momento de sua vida, seu nariz tinha sido quebrado e não
cicatrizou corretamente.

Ele empurrou-se contra mim com a mão, o corpo e a


lâmina. — Você está me ouvindo, cadela?

Eu balancei a cabeça, tanto para as suas perguntas.

— Você sabe onde ele está?

Olhei para ele; minha respiração ficou presa em meus


pulmões e meu coração batia tão forte que eu pensei que ia
pular para fora do meu peito.

Em vez de empurrar para uma resposta, balancei a


cabeça ao redor e ele olhou por cima do ombro.

Então, ele voltou para mim.

— Diga a ele que Slick quer o que lhe deve. Entendeu?


- Então, ele empurrou contra o meu peito, duro, o que
prejudicou, porque eu já estava contra a parede e não tinha
para onde ir. Então ele se afastou, entrou em um carro e
saiu.

A próxima coisa que eu vi, era que Vance estava lá,


como se tivesse aparecido do ar.
Vance trabalhava para Lee. Tinha o cabelo preto (não
tingido, definitivamente a coisa era real), longo e reto e ele
prendia para trás em um rabo de cavalo. Ele era alto, magro,
de fala mansa, nativo americano, e quente.

Eu não sabia se eu estava mais surpresa por ser


atacada com uma faca ou por ver Vance materializando do
nada.

— Você está bem? - Ele perguntou, com a mão no meu


ombro, seus olhos escuros estavam intensos.

Eu não estava bem. Eu estava tão longe de ‘tudo bem’,


que eu nunca poderia ficar bem de novo, mas eu acenei de
qualquer maneira.

— O que ele disse? - Perguntou Vance.

— Ele queria saber onde meu pai estava.

Vance não fez nenhum comentário a isso porque ele


estava ocupado com Lenny que saiu do clube em nossa
direção.

— Mãos para fora, - avisou Lenny, transformando para


o modo lutador.

— Está tudo bem, Lenny. Eu o conheço, - disse eu.


Um SUV veio gritando até nós, mais um dos meninos
de Lee, Matt, estava ao volante. Independentemente disto,
nem Vance nem Lenny mudou. Eles estavam em um cara a
cara.

— Lenny está me levando para casa, - disse a Vance.

Vance olhou de Lenny para mim e balançou a cabeça.


Uma vez.

Então, seus olhos se voltaram para o Lenny.

— Leve-a até a sua porta, - disse Vance, mudou-se


para o SUV, girou o corpo e Matt decolou.
Capitulo 3
Então, a vida ficou muito
interessante.

As gorjetas foram tão boas no Smithie, que na manhã


seguinte, em vez do ônibus, eu desfrutei de um táxi. Antes de
ir para a Fortnum, eu fui ao LaMarr e comprei rosquinhas
suficientes para alimentar um exército. Eu não podia levá-las
exatamente para o papai e para mim, sem levá-las para todos
os outros.

Entrei no trabalho às 7:15 da manhã, carregando


minha caixa de rosquinha e esperando que Vance e Matt
haviam guardado para a si mesmos e não tinham
compartilhado o incidente de ontem à noite com ninguém,
nomeadamente Lee, que poderia dizer para Indy, que poderia
contar a todos.

No caminho para casa ontem à noite, eu disse a Lenny


o que aconteceu e ele ficou com os lábios apertados.
Entramos em uma discussão sobre chamar à polícia (de jeito
nenhum, não quando meu papai estava envolvido), então
chamei Smithie (pior do que chamar a polícia, Smithie teria
uma hemorragia de merda). E ao final, Lenny acompanhou-
me até a porta da frente e fez com que eu estivesse segura.

Eu tive cerca de sete segundos de sono, porque ou eu


estava revivendo o fato de ter uma faca na minha garganta (o
que não foi divertido) ou preocupada com que diabos o meu
papai estivesse preso agora.

Papai era um pouco vagabundo; nunca teve dinheiro,


nunca teve um trabalho que eu pudesse ligar e eu
praticamente sabia (por alguns dos comentários feitos pela
mamãe, que confirmavam isso) ele tinha um passado
duvidoso, o presente e o futuro.

Isso, no entanto, era um pouco diferente das bagunças


que meu papai se envolvia.

Desde que eu não tinha tido um cochilo do meio-dia,


meus sete segundos de sono não exatamente colocaram-me
em uma boa posição para nada, muito menos trabalho, mas
eu tinha que continuar. Eu não posso me dar ao luxo de ter
tempo livre.

Tex, Duke e Jane estavam lá quando eu cheguei a


Fortnum, Indy e Ally estavam longe de serem vistas.

Isso, eu tomei como um bom sinal.


No minuto em que as portas se abriram às 7h30hs, a
multidão do café veio.

Tex era o principal barrista da Indy e um pouco de um


virtuoso com o café. Pessoas saíam de seu caminho para
beber uma de suas criações. Esta era uma das razões pela
qual Indy teve que me contratar; eles tornaram-se mega
ocupados porque Tex era tão popular. Eu também era muito
boa com um porta-filtro, o que me ajudou a conseguir o
emprego.

Eu estava viajando através de oito horas, relaxando um


pouco e pensando que talvez Vance e Matt decidiram não
compartilhar, quando o sino passou por cima da porta e
Eddie entrou. Prendi a respiração quando vi o olhar em seu
rosto. Dizer que Eddie estava infeliz seria como chamar o
Grand Canyon de um canal doce, em outras palavras, Eddie
estava extremamente chateado.

Eu deveria saber que Eddie não gostaria de alguém que


possa trazer personagens desagradáveis e possível perigo
para a livraria da Indy. Fiquei surpresa que Lee não tinha
chegado em primeiro lugar.

Os olhos de Eddie pegaram os meus e queimaram em


mim do outro lado da sala e eu fiquei congelada no local. Ele
andou para cima e ao redor do balcão e, com os olhos sobre
mim, agarrou meu braço e puxou-me para fora do balcão.
— Ei! O que o diabos você está fazendo? Você não vê as
vinte pessoas que querem café lá fora? - Tex cresceu para
Eddie.

Eddie ignorou e arrastou-me para as estantes de livros,


em volta de uma meia dúzia de linhas para a seção de Crimes
(que era o caso, eu pensei). Ele virou-se em seguida, levou-me
pelo caminho até a linha arquivada de livros encapados,
antes que parasse.

Estávamos bem longe do balcão de café e bem


escondidos; ninguém vinha à procura de livros durante a
hora do café.

Eddie manobrou-me para que as minhas costas


estivessem contra os livros, então ele mudou-se, o corpo dele
na minha frente, sua mão esquerda descansando em uma
prateleira perto da minha cabeça.

— O que está acontecendo? - Eu perguntei, decidindo


agir inocente.

— Você me diz, - disse Eddie.

Ele viu através dos meus atos. Como eu sabia disso, eu


não tinha certeza. Poderia ter sido ou o estreitamento de seus
olhos ou o aperto de sua mandíbula quando ele cerrou os
dentes depois que ele acabou de falar.
— Eu estava ajudando Tex a fazer café, - eu disse a ele.

Ele balançou a cabeça.

— Vamos falar sobre a noite passada.

Minhas esperanças foram frustradas.

Droga.

— Ontem à noite? - Eu perguntei.

— Ontem à noite.

— E o que na noite passada?

Eu tinha que admitir, eu estava sentindo-me um pouco


como eu me senti ontem à noite. Pelo menos meu coração
estava batendo tão duro como estava ontem à noite.

— Quando que você teve uma lâmina em sua garganta.


- Eu desisti de agir inocentemente e tentei parecer
indiferente.

— Oh, isso. — Não foi nada — não era uma boa


chamada. Se os olhos de Eddie estavam queimando dentro de
mim antes, eles estavam fervendo agora.
— Sim, é, - disse Eddie.

— Tenho certeza que não é nada, — disse a ele.

Ele olhou para mim por um instante, como se chifres


brotassem da minha testa. Então, ele disse um monte de
coisas em espanhol, rápido.

Eu sabia um pouco de espanhol, por ter quatro ex-


namorados mexicanos, então eu acho que eu peguei algumas
palavras feias, mas eu não podia ter certeza.

Ele voltou para o Inglês.

— Você chama ter uma faca em sua garganta de nada?


— Eu não respondi, pensando que talvez o silêncio fosse o
caminho a percorrer.

Errado de novo.

Ele chegou mais perto e porque ele já estava muito


perto, este ‘mais perto’ ficou predatório.

— Você já teve uma faca em sua garganta antes?

— Não que eu possa lembrar, — eu disse a ele.


Seus olhos negros tinham uma espécie de brilho
assustador.

— Será que você se esquecera de algo assim? – Ele


questionou.

— Provavelmente não, - eu duvido.

Ele aproximou-se e, neste momento, seu corpo estava


encostando-se ao meu.

— Por que você não chamou a polícia? - Ele


questionou.

— Não parecia um grande negócio, - eu respondi.

— Se alguém tem uma faca na sua garganta, é um


grande negócio. Você então a denúncia à polícia.

Normalmente, eu concordo com ele.

— Droga, Jet, por uma vez, fale comigo, - disse ele, e


certamente não foi um pedido.

Eu fiquei em silêncio. Não sendo uma cadela,


principalmente porque eu não sabia o que dizer.

— Você conhece o Slick? - Ele questionou.


Eu balancei minha cabeça.

— Vance diz que foi depois que seu papai apareceu.

Eu balancei a cabeça.

— Você sabe do que se trata?

Eu balancei minha cabeça novamente, mas então eu


disse: — Slick disse-me que o papai lhe devia alguma coisa.

Eu poderia dizer pela expressão no rosto de Eddie que


isso não era uma boa notícia e meu coração começou a bater
mais rápido.

— Eu conheço Slick, — Eddie disse, — e Slick não é


um cara legal.

— Eu tive essa impressão quando o conheci, - eu


concordei.

Nessa resposta, houve mais cerramento dos dentes.

— Onde está o seu pai? — Perguntou Eddie.

— Ele vem esta manhã para comer donuts. - A mão


livre de Eddie aproximou-se e ele arrastou os dedos pelo
cabelo. Ele fazia isso ocasionalmente, passar a mão pelo
cabelo. De perto, era fascinante. Mas, novamente, na faixa de
muita proximidade era fascinante demais; era só que eu
nunca tinha o visto fazer isso de perto. Eddie começou a falar
outra vez, sacudindo-me para fora do momento.

— Eu tenho que dizer-lhe, eu não estou tendo um


sentimento feliz com isso.

— Eu vou cuidar dele, — eu disse a ele.

Isso fez com que houvesse uma mudança no rosto de


Eddie. Eu não conseguia ler o que ele queria dizer, mas eu vi
a mudança.

— Como você vai fazer isso? — Ele questionou.

Dei de ombros.

— Você tem alguma ideia do que está acontecendo?

Eu balancei minha cabeça.

— Então, como você vai cuidar dele?

— Eu não sei, — eu disse. — Eu vou descobrir alguma


coisa. — Seus olhos brilharam.
— Algo que requeira outra viagem ao banco?
Eu estremeci, porque eu senti a questão no meu
intestino. Eu senti isso por duas razões. Um: era Eddie que
estava perguntando e doeu por ele perguntar isso, e toda essa
conversa, significava que ele sabia que meu papai era um
vagabundo. Dois: porque não havia mais nada no banco.

Fosse o que fosse que eu fizesse para consertar essa


bagunça provavelmente exigiria fazer uma viagem para a
Stripper Boutique e comprar uma tanga e outras coisas mais,
o que realmente não era um pensamento feliz.

— Jet, - disse Eddie, e eu parei de pensar meus


pensamentos infelizes e olhei para ele.

Seu rosto não estava chateado mais. Seus olhos


estavam diferentes. Essa diferença comunicou-se para mim
de uma forma física, lembrando-me de sua proximidade e
também me lembrando de que ele era quente.

— Isso não foi justo, — eu disse a ele.

Ele não respondeu.

Eu continuei: — Não é da sua conta. Nada disso é da


sua conta.
— Eu estou tornando da minha conta. - Ele me disse:
— Um aviso, Jet, estou tornando-a da minha conta.
Eu senti uma vibração em várias áreas do meu corpo,
simultaneamente.

Eu não tinha certeza do que ele quis dizer com isso,


mas eu tinha certeza de que isso assustou o inferno fora de
mim.

— Não se preocupe com isso, Eddie, - disse eu,


querendo fazer um movimento, ficar longe de Eddie (sim,
longe de Eddie), encontrar meu papai e resolver isso. — Eu
vou cuidar dele.

— E se você não puder? – Ele questionou.

— Eu posso.

— O que você faria se você não conseguisse? - Repetiu


ele.

— Eu vou cuidar disso.

Quer dizer, eu tinha anos de experiência em resolver os


problemas dos membros da minha família. Não foi apenas o
colapso da mamãe depois que meu papai os deixou. Não foi o
derrame dela. Eu não estava apenas dando dinheiro e um
lugar para dormir, cada vez que ele aparecia na cidade. Assim
como deixava Lottie chorar no meu ombro, tanto de perto e
de longa distância, quando um cara destroçava o seu
coração. Era tudo. Na minha vida. — Quem você vai chamar?
- A resposta não era caça fantasmas. A resposta era chame a
‘Jet’.

Eddie não sabia disso, é claro, e eu não ia contar a ele;


mas ainda assim.

— Eu estou supondo que qualquer problema com Slick


é um problema que você não pode cuidar sozinha, - disse
Eddie.

— Eu vou lidar com isso.

— Jet.

— Eu vou lidar com isso! É o que eu faço! Ok? Eu lido


com as coisas. Eu vou encontrar alguma maneira de lidar
com isso também! - Eu gritei.

— Ok.

Depois do meu desabafo, ele olhou-me por um


momento e eu vi seus olhos mudarem novamente. Desta vez,
eles cresceram quentes. Eu estava achando que eu não era
muito boa com os olhos quentes de Eddie sobre mim. Ele
fazia coisas engraçadas com os meus processos de
pensamento.

A mão dele subiu e ele correu os dedos pela minha


mandíbula.

— Não faça isso, - eu disse, afastando o meu rosto.

— Chiquita, quando você terminar esta tarde, vou pegar


você e levá-la para a minha casa. Eu vou fazer um jarro de
margaritas, você vai ficar bêbada e você finalmente irá falar
comigo.

Eu olhei para ele em choque total.

— Sobre o quê? - Eu perguntei, tentando não parecer


aterrorizada.

— Sobre qualquer coisa.

Era o momento de pânico. Como ele não chutou antes,


eu nunca saberia. Eu estava começando a sentir-me fraca
nos joelhos e algo estranho por todo o corpo. Eddie
continuou.

— Podemos começar com o porquê você está


trabalhando no Smithie, depois podemos seguir em frente,
com o porquê, que você queria que eu achasse que você não
gostava de mexicanos.

Hum, de jeito nenhum.


— Eu não posso, - eu disse.

Ele perguntou: — Por que não?

— Eu simplesmente não posso. Tenho coisas para


resolver.

— Que coisas?

Olhei para ele por um segundo. — Só... coisas. - Ele


ignorou-me.

— Eu vou estar aqui as três para buscá-la.

Eu balancei minha cabeça.

Ela registrou naquele momento inoportuno que eu


poderia sentir seu cheiro, ele cheirava muito bem e eu gostei.
Ela também registrou que eu gostava de sentir o calor de seu
corpo e a forma como ele roçava no meu. Além disso, eu
também gostava daquele olhar quente em seus olhos.

Eu gostava de um monte de coisas sobre Eddie.


Não, eu gostava de tudo sobre Eddie.

Querido Senhor.

Eu tomei uma respiração trêmula. Notei que Eddie


estava observando-me. Eu tinha que admitir, eu gostei disso
também.

— Jet, três horas, - disse Eddie.

— Eu gosto de como você cheira, - eu disse a ele;


apenas deixando escapar, como uma pessoa louca.

Uma vez que o meu comentário idiota foi proferido, o


pânico começou a cortar o torpor de Eddie, mas ele viu e
colocou a mão direita em uma prateleira do meu outro lado,
pelo meu quadril, prendendo-me.

Eu olhei para ele, minha mente voando longe, mas vi


que seus olhos tinham ficado quentes e ele parecia tão
maravilhosamente sexy, que meus ossos ficaram fluídos
também. Tanto é assim, que eu tive que agarrar o material de
sua camiseta em seu abdômen para manter-me.

Sua cabeça começou a descer e, juro por Deus, que ele


ia me beijar.

— Jet? - Era Indy chamando.


Eu empurrei para trás, batendo a minha cabeça na
estante.

Quando eu olhei para Eddie, com a cabeça já não tão


perdida, seus olhos estavam fechados e eu poderia dizer que
seus dentes estavam cerrados novamente, mas ele não se
afastou.

— Jet? - Indy chamou novamente. Então a ouvi dizer:


— Opa! Meu Deus! Sinto muito! Caramba, sinto muito.

Levantei-me na ponta dos pés e olhei por cima do


ombro de Eddie e vi Indy e Lee de pé no final do corredor.

Lee estava divertindo-se. Eu percebi isso porque ele


estava sorrindo tanto que parecia que estava prestes a
explodir em gargalhadas.

— Desculpe, eu não queria interromper, mas seu papai


está aqui, - disse Indy.

— Ótimo! - Eu respondi alegremente, deixando de lado


a camisa de Eddie e esquivando-me debaixo do seu braço.

— Obrigada. - Eu dei um passo, quando eu fui puxada


de volta para trás. Eu olhei e vi que Eddie tinha enganchado
um dedo no cinto da parte de trás da minha calça jeans.
— Espere aí, Chiquita, eu estou indo com você. Eu
tenho algumas coisas que eu gostaria de conversar com seu
pai.
Olhei para cima, para Eddie. Eu não tinha certeza se
queria Eddie falando com o meu papai.

— Ele está aqui apenas para comer donuts. - Os olhos


de Eddie ficaram presos nos meus.

— Eu poderia comer um donut. - Eu sabia que ele não


estava falando sobre rosquinhas; ele estava falando sobre a
doação para o meu papai.

Eddie puxou de novo no meu cinto e meu ombro entrou


em contato com o seu peito. Então ele disse no meu ouvido.

— Nós não terminamos. - Um arrepio de eletricidade, a


partir de minha orelha, passou por todo o meu corpo. Ignorei-
o e ignorei-o o mais forte que eu consegui.

Estávamos tão atraídos. Que algo tinha que ser feito.


Mas eu não tinha energia para isso, eu não tenho tempo para
isso e de qualquer maneira, se eu estivesse em chamas, de
paixão, quem cuidaria da minha mãe?

Indy e Lee estavam andando na nossa frente; Eddie


estava ao meu lado, com o dedo preso em meu cinto.
— Eu não quero ouvir isso, - disse Eddie,
aparentemente para Lee, porque Lee respondeu.

— Vamos lá. Eu tive por dez anos. Você já teve, o que?


Dois meses?

Eddie não respondeu.

Indy ficou um pouco para trás e em seu passo ao meu


lado.

— Do que eles estão falando? - Eu sussurrei para ela.

— Você não vai querer saber, - respondeu ela.

Havia pouco movimento no café quando chegamos à


frente, mas eu vi meu papai sentado na parte de trás de um
dos sofás, comendo um doce de chocolate com creme, e
bebendo um café com leite, como se ele não tivesse problema
algum no mundo. No minuto em que ele me viu, ele gritou: —
Princesa Jet! - Eddie ainda tinha o seu dedo no meu cinto,
então eu não poderia correr para o papai e avisá-lo para fugir.

Em vez disso, eu disse: — Oi, papai.

Papai olhou para Eddie e viu a mão de Eddie nas


minhas costas.
— Chávez, parece que você não vai deixar a grama
crescer.

— Ray, — foi à resposta de Eddie.

Os olhos do papai mudaram-se para Indy e ele sorriu,


em seguida, para Lee, que tinha vindo com a gente. — Ah!
Merda! - Ele respirou, com o sorriso desaparecendo de seu
rosto e ele parecia quase em pânico.

— Você é Lee Nightingale.

— Sim, - disse Lee.

— Foda-se, - papai disse.

Eu fiquei confusa. Olhei do papai para Lee e abri a


boca para falar quando o sino sobre a porta da frente tocou e
eu ouvi alguém chamar meu nome.

Eu me virei e olhei.

Era Oscar, meu último ex. Nós tínhamos terminado


cerca de um mês antes do AVC da mamãe. Antes disso, nós
estávamos juntos há dois anos. O término foi por mútuo
consentimento (mútuo no sentido de que eu conversei com
Oscar e ele aceitou) e ficamos amigos desde então. Ele
ajudou-nos em nosso novo apartamento. Ele era um cara
bom e, às vezes, eu sentia falta dele.

Oscar era cerca de dois centímetros mais alto do que


eu, tinha olhos castanhos quentes, fantástico cabelo, grosso,
escuro e algumas cicatrizes de acne que, felizmente para ele,
só serviram para fazê-lo parecer mais interessante.

Virei-me para ele, enquanto caminhava para nós. Ele


parecia chateado.

Isso não era bom. Oscar tinha pavio curto, e estando


chateado, poderia rapidamente transformar-se em algo muito
mais difícil de controlar.

— Oscar! O que você está fazendo aqui?

— Sua mãe, disse que um idiota chamou você de


racista. Mamita que merda está acontecendo? Eu quero ter
uma palavra com ele. Quem é este pedaço de merda?

O que eu disse a você?

Minha mãe.

Eu queria correr gritando para fora da loja, mas o meu


cinto foi puxado novamente, e de novo meu ombro entrou em
contato com o peito de Eddie, desta vez, ele ficou lá.
— Eu acho que eu sou o pedaço de merda, - disse
Eddie.
Os olhos de Oscar mudaram-se para Eddie e ele viu a
forma como estávamos. Eu acho que ele interpretou mal
porque seu temperamento ferveu indo diretamente para a
zona vermelha.

— Tire a porra de suas mãos dela! - Oscar gritou e todo


mundo (e havia um monte de gente) virou-se para olhar.

— Calma, amigo, temos as coisas arrumadas agora, -


respondeu Eddie.

— Oscar, está tudo bem, - eu disse.

Oscar não estava escutando.

— Você não chama a minha mulher de racista e


endireita as coisas. E eu tenho certeza que eu lhe disse para
tirar as mãos dela.

Eu me esqueci de mencionar, Oscar também tinha um


problema de possessividade. Esta foi uma das razões para
terminarmos. Para não mencionar, que Eddie confrontando-o
era estúpido, qualquer um podia ver, olhando para os dois
que Eddie poderia limpar o chão com ele. Eddie era mais alto,
mais magro e tinha cerca de metade de uma onça de gordura
corporal, o que ficou claro a partir da sua camiseta branca
colada ao corpo, que ele estava usando.

— Sua mulher? — perguntou Eddie, seu corpo


enrijeceu. Ele olhou para mim. — Você está vendo esse cara?

— Nós terminamos, - disse eu.

— Quando? - Perguntou Eddie.

— Nove meses atrás.

Eddie sorriu, pela primeira vez naquela manhã e a sua


covinha apareceu. Ele se voltou para o Oscar.

— Eu diria que ela não é a sua mulher mais.

Oscar inclinou-se e começou a amaldiçoar Eddie em


espanhol e Eddie revidou.

— Parem! - Eu gritei.

Eu tinha o suficiente. Eu não dormia há mais de 24


horas, o meu carro não estava funcionando, eu tive uma faca
na minha garganta e Eddie acaba de anunciar que ele estava
me fazendo o seu negócio.

Eu não aguentava mais.


Os dois homens continuaram encarando-se de forma
feia.

— Está resolvido, Oscar. Foi algo estúpido que eu disse


para fazê-lo pensar isso, em primeiro lugar. Mas ele não acha
mais que eu sou racista. Apenas infantil.

Oscar não ficou satisfeito ainda, indignado, ele virou-se


para mim.

— Você preocupa-se com sua mãe, - disse ele.

Maravilhoso.

— Oscar, tudo está sob controle.

— Merda, Mamita. Sua mãe diz...

— Pare de ouvir a minha mãe e pare de interferir. Eu


posso cuidar de mim mesma.

Ele inclinou-se para mim. — Pode? Eu não penso


assim. Eu tenho dois olhos na minha cabeça, não é? Você
perdeu peso; você parece cansada e pronta para desmaiar.
Como você está cuidando de si mesmo, quando você está
parecendo uma merda, cuidando do que?
— Oscar, - eu gritei, — Cale a boca! E pare de falar com
a minha mãe.

Ele olhou para mim por um momento e depois ficou


quieto. A seta saiu da zona vermelha e caiu para verde. Uma
vez que ele bateu na verde, ele olhou para mim com
preocupação em seus olhos.

— Jet, você precisa de alguém cuidando de você.

— Que seria eu mesma, - eu disse a ele.

Ele balançou a cabeça e suspirou.

— Mi Cielo, você quebra meu coração.

Foi então que eu soube que estávamos fora de perigo.


Oscar respirava rápido e soltou tão rapidamente.

Eu sorri para ele, — Vá pegar um donut.

— Não tenho tempo para donuts. Estou atrasado para


o trabalho. - Ele inclinou-se e beijou meu rosto, mandou à
Eddie um olhar e, em seguida, decolou.

Antes que eu pudesse reagir, Tex apareceu no nosso


pequeno círculo.
— Graças a Deus por você, Loopy Loo, - ele falou,
entregando-me um cappuccino. — As coisas estavam ficando
fora de controle por aqui. - Então ele foi para trás do balcão.

Todo mundo estava olhando para mim, Eddie, Lee e


Indy.

— Oscar é um pouco super protetor, - eu disse para


difundir o humor.

— Eu ia dizer isso, - papai falou.

A atenção de Lee e Indy foram para meu papai, mas


Eddie ficou olhando para mim. Seus olhos estavam ativos
novamente e sua mão passou de minha cintura para passar
um braço em volta do meu pescoço, enrolando-me nele.
Estávamos quase no peito a peito e eu tive que deslocar
minha mão contra seu abdômen para empurrar um pouco
longe dele. Seu braço apertado, segurando-me onde eu
estava.

A cabeça dele caiu e ele disse no meu ouvido: — Eu só


adicionei um par de coisas para a minha lista de merdas que
precisamos conversar. - Isso não era uma coisa boa.

Ele virou-me, ainda me segurando ao seu lado, com o


braço em volta do meu pescoço e olhou para o papai.
— Parece que precisamos ter uma conversa, Ray. -
Papai olhou entre Eddie e eu, e um sorriso brincando em sua
boca.
— Jet ficou com a ponta de uma faca ontem à noite por
um cara chamado Slick. Você sabe alguma coisa sobre isso? -
Eddie continuou.

O sorriso deixou o rosto do papai. Indy engasgou. Os


olhos do papai mudaram-se para Lee, de volta para Eddie e
depois para mim.

— Você está bem? — Papai perguntou.

— Ele não me machucou, — eu disse a ele.

— Porra, Jet, — meu papai disse, em seguida, baixou a


cabeça em suas mãos e enxugou os olhos com o polegar e o
indicador.

— Ele diz que lhe deve alguma coisa, - disse Eddie.

Papai olhou para cima.

— Eu vou falar com ele, - ele disse para Eddie. Então


ele virou-se para mim.

— Eu vou falar com ele, - repetiu ele.


— Você pode fazer isso, - disse Eddie. — Mais uma
coisa, Ray. O envolvimento de Jet nisto começou e terminou
ontem à noite, com sua conversa com Slick. Você entendeu?
Todo o meu corpo apertou-se e eu olhava para Eddie.

Este era um negócio de família, o que ele pensava que


era?

Mas papai respondeu a Eddie. — Claro. Sem


problemas. Acabou. Eu vou cuidar dele.

Papai olhou para mim.

— Eu vou cuidar dele, Jet. Eu prometo.

— Por que você não faz isso agora? - Lee sugeriu. Papai
olhou para Lee e o temor apareceu em seus olhos.

— Agora é uma boa hora.

Ele se levantou e eu puxei longe de Eddie e fui até ele.

— Você está bem?

— Tudo bem. Claro. — Ele abraçou-me. — Eu vou


resolver isso, Princesa Jet. Nada para preocupar-se. — Ele
beijou meu rosto, em seguida, sua mão subiu como se fosse
tocar onde ele beijou, mas caiu fora.
— Obrigado pelo donut. — Ele disse, então, sem dizer
uma palavra ou até mesmo um olhar, ele decolou.
No minuto em que a porta se fechou atrás dele, eu virei
para Eddie.

Eu não sei o que deu em mim. Falta de sono, talvez.

Vendo meu papai assim. Seja como for, eu deixei sair.

— Isso era um negócio de família! — Eu bati.

Eddie olhou para mim.

— Sua família?

— Minha.

— Uma vez que você é o meu negócio, então esse é o


meu negócio. — Eu fiquei boquiaberta para ele, de boca
aberta e tudo mais.

Sacudi-me para fora do meu puto estupor e gritei.

— Fique fora disso!

— Eu lhe dei um aviso justo, Jet. Eu já estou nisso, —


ele respondeu, frio como poderia ser.
Apertei os olhos e plantei as mãos nos quadris.

— Não mais. Seu papel neste cenário acabou de


terminar.

Ele balançou para trás em seus calcanhares e sorriu,


se sacudindo e tudo o mais.

— Nunca vi você com raiva.

— Isso não é raiva. Você ainda não me viu zangada. -


Isso foi uma mentira. Eu tendia a ser uma pessoa muito boa
e calma, em tudo. Eu não ficava com raiva muitas vezes, mas
eu estava tão irritada como eu nunca tinha estado.

— Então, considerando que você está sexy como


inferno agora, eu estou ansioso pela sua raiva.

Suas palavras bateram-me e foi um milagre eu não


cambalear para trás.

Então entrei em pânico e o mesmo correu através de


mim e eu comecei a bater nas estantes quando Eddie disse às
minhas costas: — Isto é familiar, acho que é hora de se
esconder.
Foi provavelmente uma mistura de humilhação e raiva
até então desconhecida que me fez balançar ao redor e bater
de volta para ele. Isso, e o fato de que eu estava vendo
vermelho. Eu acho que ele realmente não tinha me ‘visto
zangada ainda’, mas, novamente, eu não ficava zangada.

Eu cheguei de igual para igual com ele e sussurrei em


seu rosto.

— Deixe meu papai e eu em paz, Eddie Chávez!

Eddie inclinou-se para mim, tão perto, que ele era tudo
que eu podia ver.

Muito baixinho, ele perguntou: — É errado que eu


queira lhe beijar agora?

Eu meio que rosnei, baixo em minha garganta, zangada


demais para ficar assustada com o que ele disse.

— Dios mio, cariño, você é adorável.

— Eu já não estou falando com você, — eu disse a ele.

— Sim, você está, às três horas, então é você, eu e uma


jarra de margaritas, - ele respondeu.
Eu fui embora (bem mais ou menos), fui para trás do
balcão de café e comecei a bater ao redor, ignorando
completamente a ele e a todos.

Um par de minutos depois, Tex disse,


surpreendentemente tranquilo.

— Está tudo bem, querida, ele se foi.

Olhei para Tex e Indy, quando ela veio atrás do balcão.

— O que eu vou fazer? – Eu perguntei.

— Seguir o fluxo? - Tex sugeriu.

— Você quer conversar? - Perguntou Indy.

Eu balancei minha cabeça.

— Obrigada. Eu preciso colocar minha cabeça em dia.


Talvez mais tarde, - eu disse a ela.

— Sempre Jet, você sabe disso? - Perguntou Indy.

— Sabe o quê?
— Que a qualquer hora que você precise conversar, ou
precise de alguma coisa, você pode me chamar. Você sabe
disso?

Senti as lágrimas nos meus olhos arderem. Eu balancei


a cabeça e afastei-me, voltei ao trabalho e perdi o olhar que
Indy e Tex trocaram.

Eu não ia ter um colapso nervoso, não agora.

E se eu dissesse tudo o que eu estava sentindo, meu


sistema, provavelmente, fecharia por um mês.

Eu precisava concentrar-me, priorizar.

Ficar acordada era o primeiro passo. Descobrir o que


havia de errado com o meu carro ficou em segundo lugar.
Descobrir se o papai estava bem, era o terceiro. Encontrar
uma maneira de repor o dinheiro que eu dei ao meu papai era
o último, ou talvez o primeiro passo.

Ou talvez o problema era, tudo era o primeiro.


Capitulo 4
Fora da frigideira e dentro da cama de Eddie.

Minha sorte mudou quando Smithie chamou-me e


disse-me que um ‘Amigo’ ia estar no estacionamento do meu
prédio às duas horas para olhar o meu carro.

Isso significava que eu tinha uma verdadeira razão


para sair mais cedo, assim, evitando Eddie.

Saí da Fortnum às 13:30 horas, porque eu tinha que


pegar o ônibus e ver o amigo de Smithie que olharia o meu
Honda. Ele olhou ao redor em um par de segundos, em
seguida, endireitou-se e limpou as mãos de graxa no seu
macacão azul.

— Vou ter que rebocar, - ele disse-me.

Oh, não.

— É ruim? - Eu perguntei.

— Não é possível dizer. Preciso levá-lo.

Maravilhoso.
— Eu não posso rebocá-lo hoje, eu vou ter o guincho
aqui amanhã de manhã.

— Eu aprecio isso.

Eu chamei JoJo para organizar a ida ao trabalho,


enquanto observava a movimentação do mecânico à
distância. Então, eu arrastei meu traseiro até o apartamento,
ansiosa para dormir por umas três horas antes de ter que ir
para o Smithie.

Quando abri a porta do apartamento a mãe gritou: —


Ah, que bom! Você está adiantada.

Entrei na sala de estar, Trixie estava lá e parecia que


um salão de beleza tinha explodido na sala.

— Que bom! Eu vou ter mais tempo para trabalhar, -


disse Trixie.

Eu simplesmente amava Trixie. Ela tinha tingido o


cabelo de vermelho desde que eu consigo me lembrar. Usava
brincos grandes. Parecia bom para ela. Ela era pequena,
tinha felizes olhos castanhos e as mais belas mãos que eu já
vi em alguém.
Ela tinha o que eu pensava como as mãos de um
artista.

— Trixie, o que você está fazendo aqui? - Eu perguntei


quando lhe dei um abraço. Trixie costumava visitar minha
mãe na segunda-feira.

— Surpresa! Você está recebendo uma manicure,


pedicure, tratamento facial e tudo o mais.

Eu dei um gemido mental.

— Trixie...

— Não. Não há argumentos desta vez. Sua mãe diz que


está desgastada; então, hoje, é tudo sobre você. É o dia de
Beleza da Jet.

Eu precisava de uma manicure e maquiagem como eu


precisava de um buraco na minha cabeça. Ambas
manutenções necessitavam de tempo e dinheiro e eu não
tinha nenhum do dois.

Trixie estava correndo ao redor da sala, preparando-se


e mamãe estava sorrindo o seu sorriso torto e cheio de brilho.
Elas pensavam que estavam fazendo-me um favor. Elas
pensaram que isso era uma coisa boa.
Droga. Como você diria não a isso?

Trixie colocou uma das nossas cadeiras da sala de


jantar na sala, sentei-me nela e ela mergulhou uma cortina
em volta de mim.

— Oscar foi até meu trabalho hoje - eu disse a mãe.

— Sério? Como está Oscar? - Mamãe respondeu,


fingindo surpresa inocente.

— Eu não sei, já que a maior parte do tempo ele estava


lá, brigando com o Eddie em espanhol e no resto do tempo,
ele estava discutindo com ele em Inglês e em qualquer tempo
que sobrou ele estava discutindo comigo.

— Ah, meu Deus, - disse Trixie.

— Isso não saiu como planejado, - mamãe disse para


Trixie.

Minha mãe.

Se eu não a amasse, eu a mataria.

Trixie começou a misturar alguns produtos em uma


pequena tigela com um pincel grande plano e deu de ombros
para a mãe.
— Está tudo bem com Eddie, então vocês podem parar
de intrometer-se, - eu disse a elas.

— É melhor eu ligar para Javier, - Mamãe disse


calmamente.

Veja o que eu quero dizer.

— Quanto bem às coisas com Eddie está? - Perguntou


Trixie, dando-me um de seus olhares arregalados, o olhar
curioso.

Olhei para o teto e pedi a libertação.

Deus claramente tinha coisas melhores para fazer


naquele dia.

Guiei-as fora do tema Eddie. Eu caí no sono durante a


pedicure com a cabeça envolta em uma touca e tive que ser
acordada para que meu cabelo fosse lavado na pia da
cozinha.

— Voila! - Disse Trixie, entregando-me um espelho


quando ela terminou.

Olhei para mim, incrédula.


Ok, eu tinha que admitir, que parecia bom. Não,
realmente ele estava ótimo. Ela cortou alguns centímetros,
assim meu cabelo passou por meus ombros, me deu um
estrondo profundo e grosso que se dividia para o lado e
parecia quase sexy. Ela conseguiu alegrar-me. Na verdade,
meus olhos pareciam mais verdes do que avelã e minha pele
parecia tipo brilhante.

— Está ótimo, - eu disse.

— É! Você está! Perfeita! Você é uma nova Jet, - Trixie


anunciou.

Eu gostaria de ser uma nova Jet com uma vida


totalmente nova, mas eu ficaria com o primeiro ‘nova’, pois
não obteria o outro de jeito nenhum, isso era certo.

Trixie fez minha maquiagem para o Smithie, que


também parecia melhor do que eu poderia fazer, pois eu não
era uma especialista em maquiagem. Eu comemorei meu
novo visual, usando meus sapatos mais sexys com meu
uniforme do Smithie. Eles eram de couro preto, fechado, tiras
grossas duplas com uma fivela dupla no tornozelo. Smithie os
chamava de meus sapatos de dominatrix e ele não estava
errado.

JoJo e eu estávamos cinco minutos atrasadas quando


passamos pela porta. Smithie estava em seu lugar habitual
atrás do bar. Ele virou-se quando entramos, abriu a boca
para dizer alguma coisa inteligente e sua boca ficou aberta
apenas quando me viu.

Coloquei minha bolsa e cardigã no bar.

— Por favor, me diga que você fez isso com o seu


cabelo, porque você vai dançar em um poste.

— Eu não estou dançando em um poste, - eu disse a


ele.

Ele me entregou o meu avental e, como de costume, eu


deslizei meu celular no bolso. Eu sempre fazia isso; eu nunca
ficava sem meu celular, apenas no caso que minha mãe
precisasse chamar. Smithie continuou falando.

— Então, em seguida, me deixou confuso o fato de que


você não me chamou para dizer-me que algum idiota
encostou uma faca em você na noite passada.

Droga.

Lenny tinha contado.

— Não foi nada.


— Isso não parecia nada, parecia uma merda de
alguma coisa. Você será escoltada para o edifício em que
mora a partir de agora.

Eu abri minha boca para argumentar, mas ele levantou


a mão.

Todo mundo sabia que você calava a boca quando


Smithie levantava a mão.

— Ok, - eu disse.

— Acho que desde que você veio com JoJo, seu carro
não está funcionando, certo, - disse ele.

— Certo, - eu disse a ele. Ele colocou minha bolsa e


cardigã atrás do bar.

— Então, um dos seguranças lhe pega e a leva para


casa. Você não vai organizá-lo, eu vou.

Eu balancei a cabeça, porque ele não permitia


exatamente uma discussão.

— Bom, - disse ele. — Comece a trabalhar.

Eu comecei a trabalhar e soube imediatamente que não


ia ser uma boa noite. Minha estação incluía três mesas na
frente do palco. Em duas horas, essas mesas foram ocupadas
por uma festa de solteiro. Quem na terra teria uma despedida
de solteiro em uma terça-feira, eu não sei, mas lá estavam
eles.

Eles estavam ficando bêbados rapidamente e eu sabia


pela forma como eles estavam se comportando (me dando
piscadelas, chamando-me de ‘baby’, acotovelando-se e rindo
cada vez que eu estava perto) que eles seriam um problema.
De fato, para uma terça-feira, era uma noite movimentada.
Todas as mesas estavam cheias, havia alguns homens em pé
ao redor e o bar estava cheio.

Foi logo depois da meia-noite, que minha seção tinha


ido de bêbados para bêbados estúpidos e ficando turbulentos
e eu estava na estação de garçonete no bar. A estação de
garçonete era separada do resto do bar por dois grandes
trilhos de bronze que iam até a frente do bar, eram altos e
faziam a curva em volta do bar. Eu estava esperando por uma
ordem para ir embora e decidi que, mesmo que fossem meus
sapatos de puta mais sexy, eu os odiava com todo o meu
coração, porque meus pés estavam matando-me. Eu estava
cansada como um cão e ansiosa pelas minhas três horas de
sono quando Tanya, outra garçonete, deslizou ao meu lado.

Agora, Tanya queria estar em um poste. Ela era ótima,


muito cabelo escuro, uma falsificação de pernas longas. Ela
tentou o palco uma vez, mas ela era uma dançarina terrível;
não só tinha dois pés esquerdos, mas também não tinha
ritmo e quando ela tentou dançar de forma sexy, bem, não há
nenhuma maneira de descrevê-lo, era simplesmente errado.
Era difícil vê-la lá em cima, era tão ruim. Smithie a levou
para fora do palco e deu-lhe um uniforme. Ele quebrou seu
coração.

Ela agora estava tomando aulas de salsa na esperança


de uma outra chance.

— Estou apaixonada, - ela me disse.

— Sério? Isso é ótimo, - eu disse.

Ela riu.

— Sua idiota. Não é real. Mais como na luxúria. Tem


um cara na minha estação, dos gostosos que você não vê aqui
muito frequentemente. - Eu olhei por cima do meu ombro a
sua estação, mas havia pessoas em pé ao redor e eu não
conseguia ver nenhuma de suas mesas.

— Quem é ele?

Alguém se moveu e eu congelei quando vi Eddie


sentado sozinho em uma mesa, com as pernas esticadas na
frente dele, cruzadas nos tornozelos. Seus braços estavam
cruzados sobre o peito. Ele tinha uma garrafa de cerveja em
cima da mesa na frente dele, seu rosto estava em branco e
seus olhos estavam no palco. Ele observava o palco como eu
acho que ele assistiria um seriado, como se fosse tudo o
mesmo para ele.

— Puta merda! - Eu disse, virando-me.

— Eu sei! - Disse Tanya. — Ele não é quente?

Não.

Não, não, não, não.

Isso não estava acontecendo.

— Jet, você está bem? - Perguntou Tanya.

O que eu ia fazer?

Eu não podia sair, eu precisava das gorjetas e as horas


no Smithie, eu perderia a cabeça.

Eu não poderia ficar porque Eddie estava lá e ele iria


me ver em meu uniforme do Smithie e eu não pensei nisso
antes.

— Eu o conheço, - eu disse a Tanya.


— Você conhece? Quem é ele?

— Derrube uma cerveja nele, vire a mesa em cima dele.


Alguma coisa, qualquer coisa para levá-lo a sair, - eu disse a
ela.
— Ele é uma má notícia? - Ela perguntou, olhando
para a mesa.

— Não olhe! - Eu disse, pegando seu rosto pelo queixo


e fazendo-a olhar para mim.

— Ele machucou você ou algo assim? - Ela perguntou


entre os lábios esmagados e eu a deixei ir.

— Não. Ele é apenas... eu... merda!

Eu tinha que fazer isso, eu estava com uma roupa de


vagabunda e Eddie estava lá.

Tão rápido quanto eu podia, eu disse a ela minha


história de vida, deixando de fora alguns pedaços e pulando
outros, mas disse o essencial a ela sobre o meu problema de
confiança, a minha paixão e o que vinha acontecendo nos
últimos meses.

— O que há de errado com você? - Disse Tanya,


olhando para mim como se eu tivesse perdido minha mente.
— Entra aí, garota.
— Você não entende, - eu disse.

— Não, eu não, e eu não vou derramar uma cerveja


nele, embora eu gostasse de vê-lo com a camiseta molhada.
Você está fantástica nessa roupa e você não deve se
envergonhar disso. Seu cabelo novo é de matar e ele está
obviamente aqui para lhe ver, porque é claro que ele não está
interessado no que está no palco. Assim, ele deve vê-la.

— Tanya.

— Un-unh. - Ela balançou a cabeça, deu-me um gesto


com a mão de ‘sem conversa’, pegou sua bandeja e desfilou
para longe.

Maravilhoso.

Eu peguei os meus drinques e passei a próxima hora


tentando esconder-me de Eddie andando longe do meu
caminho, colocando as pessoas entre nós. Eu nem sequer
olhei em sua direção, embora tivesse que fazer um esforço
sobre-humano.

Eu estava na festa de despedida, depois de ter


descarregado outra bandeja de bebidas sobre eles quando eu
me virei e arrisquei um olhar para a mesa de Eddie. Estava
agora com quatro caras, bebendo cerveja, olhando para o
palco e ajustando as suas virilhas.

Dei um suspiro de alívio. Eddie foi embora.

Graças a Deus.

Eu estava prestes a ir para o bar, mas parei.

Eddie estava encostado no bar.

Eu não tive tempo para reagir, porque ele começou a


varrer o salão, olhou para mim, então sua cabeça foi para
trás e ficou com os olhos fixos em mim. Mesmo na penumbra,
vi as sobrancelhas desenharem juntas e ele endireitou-se
longe do bar.

Percebi, então, como eu o tinha evitado; foi o cabelo.


Ele provavelmente tinha me visto, mas não sabia quem eu
era.

— Droga, - eu disse.

Naquele momento, a minha sorte, que nunca é boa,


tornou-se cruel.

Senti uma mão mover na parte de trás do meu joelho,


até minha coxa, quase na minha minissaia.
Eu me virei.

— Sem as mãos. - Eu bati no solteiro número um, o


que eu tinha cronometrado como o único a assistir. Ele tinha
olhos gananciosos e, à primeira vista, eu não gostei dele.

— Hey baby, por que não está lá em cima? - Ele


apontou para o palco. — Você ficaria uma merda quente lá
em cima.

Eu comecei a ir embora, mas fui parada por uma mão


na minha camiseta e puxei de volta.

Eu virei-me.

— Eu disse, sem as mãos. - Eu olhei em volta para


Lenny ou um dos outros seguranças, mas não vi nenhum. O
lugar estava lotado.

— Você saiu sem a sua gorjeta, - disse o solteiro.

Ele levantou uma nota de cinquenta.

A de cinquenta era uma grande gorjeta do caralho e


definitivamente valeria a pena o trabalho de merda. Mesmo
as dançarinas não recebiam muitas vezes uma de cinquenta.

Fui levá-la e ele pegou-a fora.


Ele dobrou-o ao meio, longitudinalmente.

— Eu quero que você a tome com os dentes.

Em seguida, ele a segurou em sua braguilha.

Oh! Um idiota!

Meus olhos se mudaram para a sua e eu não poderia


evitar, cinquenta dólares ou não, meu lábio enrolou.

— Eu não penso assim.

Virei-me para ir embora; ele agarrou-me pela cintura,


puxou-me de volta para o seu colo e enrolou um braço
apertado ao meu redor. Com a outra mão, ele deslizou a nota
de cinquenta entre os meus seios.

Essa foi à última coisa que ele fez de sua própria


vontade.

A próxima coisa que eu vi, foi uma mão em volta do


meu pulso e Eddie empurrou-me para fora de seu colo. A
força do puxão e o movimento do meu corpo me jogou longe
dele vários metros e eu colidi com alguns rapazes que
estavam ao redor. Em seguida, eu vi Eddie puxar o solteiro
número um de sua cadeira pelo seu colarinho.
Então, ele segurou-o e colocou o punho na sua cara.
Não foi bonito e eu estremeci. Você podia ouvir seu nariz
quebrando.

Os outros meninos da despedida de solteiro


levantaram-se de seus assentos em defesa de seu irmão e
todo o inferno desabou.

Vários caras tentaram saltar em Eddie, mas ele tinha


seus olhos sobre o prêmio, arrancando o solteiro livre do
banco e, depois segurando sua camisa, bateu com o punho
em seu rosto novamente.

Isso é tudo que eu vi. Eu estava sendo empurrada e


empurrada para trás, oscilando nos meus sapatos de
dominatrix. Lenny chegou para mim e puxou-me para fora da
briga em rápido crescimento. Tudo começou com Eddie e a
despedida de solteiro e cresceu.

Eu vi um dos meninos da despedida de solteiro ser


jogado no palco.

JoJo estava dançando e ele quase colidiu com ela. Ela


soltou um grito e todas as meninas começaram a correr ao
redor e, em seguida, desapareceram na parte de trás.
Eu queria tentar chegar ao Eddie, mas Tanya agarrou
meu braço, empurrou minha bolsa em minhas mãos e
puxou-me para fora da porta da frente. As outras garçonetes
e algumas das dançarinas estavam do lado de fora,
aproveitando a oportunidade da briga para obter uma pausa
para fumar e alguns dos clientes foram cambaleando para
fora para fugir do pandemônio.

— Macacos me mordam! Você viu isso? - Perguntou


Tanya. — Eu assisti a coisa toda. Você estava no caminho
para o seu cara quente e não podia ver o que estava
acontecendo com o dinheiro. No minuto em que babaca a
puxou no colo dele, no entanto, o seu homem atirou três
rapazes para fora do seu caminho para chegar até você. Foi
um ás! - Ela gritou, claramente animada.

Eu senti uma corrida de emoção através de mim, pois


Eddie faria isso por mim.

Três viaturas chegaram e os policiais entraram, os


clientes saíram e ficamos à espera que tudo ficasse claro para
fechar o clube.

Eddie saiu com um homem de uniforme, esquadrinhou


a multidão e ficou com os olhos trancados em mim. Ele disse
algo para o policial, desengatou e caminhou até mim. Ele
tinha sangue em sua camiseta branca, mas não parecia que
era dele, graças a Deus. Seus olhos brilhavam, mesmo sob a
luz fraca do sinal do clube e lâmpadas de rua. Quando
chegou mais perto, notei que os dedos estavam sangrando e
eu estava adivinhando que um pouco era o seu sangue.

Eu não pensei, eu só peguei uma de suas mãos e olhei


para ele, em seguida, olhei para ele, segurando sua mão.

— Precisamos pegar um pouco de gelo, - disse eu.

Eddie não teve a chance de responder, porque Smithie


veio pesadamente para cima.

— Quantas vezes eu tenho que dizer as cadelas, sem


namorados? - Ele gritou para mim. — Merda, garota. Você é
uma porra de uma dor na minha bunda. Você sabe quanto
dano esse filho da puta fodido causou? - Ele se virou para
Eddie. - Eu sabia que você era problema no momento em que
entrou.

— Ele não é meu namorado, - eu disse ao Smithie e ele


virou-se para mim.

— Merda pura. Jet, você me deve. Eu tenho que


substituir a porra dos móveis quebrados. Amanhã à noite,
você está dançando no poste.

— Um de seus clientes estava sobre ela. Onde estavam


seus seguranças? - Perguntou Eddie, com a voz
estranhamente calma o que o tornou estranhamente
assustador.

— Os rapazes estavam ocupados, estava lotado, -


Smithie respondeu. — Jet pode cuidar de si mesma.

Eddie mudou seu corpo de uma maneira que estava


ameaçando abertamente, apesar de eu estar segurando a sua
mão. Smithie virou-se.

— Ele a tinha em seu colo com a mão para baixo em


sua camisa, - disse Eddie.

Os olhos de Smithie ficaram duros.

Ninguém mexe com suas meninas. Podia estritamente


olhar, mas não tocar no Smithie.

Ele virou-se para mim. — Não me diga?

Eu balancei a cabeça.

— Maldição, Jet. Se você estivesse em um poste,


poderíamos controlá-los. Você não é boa no chão. Você tem
que tomar um poste, para a porra da minha paz de espírito,
se nada mais.

— As outras meninas deveriam pegar também.


— Não tanto quanto você. Você tem que ser a próxima
garota de merda acontecendo. Porra!

— Eu não estou tomando um poste, Smithie.

— Amanhã, você está no palco, - disse Smithie.

Eddie percebeu o que estávamos falando e seu corpo


ficou tenso. Você poderia vê-lo; você quase podia senti-lo e a
ameaça aberta a Smithie tornou-se hostil.

— Ela não vai para o palco.

Smithie olhou de Eddie para mim, depois de volta para


Eddie.

Ele suspirou e balançou a cabeça.

— Você é uma dor na minha bunda, porra, - Smithie


disse para mim.

— Estou demitida? - Eu perguntei, com medo que eu


ao final, empurrei-o longe demais, rasgava o meu intestino.

— Não, você não está demitida porra. Temos uma briga


duas vezes por ano. Nós sabemos. - Smithie disse, enquanto
movia-se por trás de mim e puxou os laços do meu avental,
puxando-o. Em seguida, ele voltou ao redor e apontou para
mim. — Mas, lembre o seu namorado de merda para ficar
fora daqui.

— Ele não é meu namorado! - Eu gritei nas costas de


Smithie.

Era uma espécie de uma coisa estúpida de dizer,


porque eu ainda estava segurando a mão de Eddie o que
poderia ter sido isso o que parecia.

Eddie virou a mão ao redor, seus dedos se enroscaram


em torno dos meus e ele puxou-me para frente.

— Onde está o seu carro? – Ele questionou.

— Eu peguei uma carona com JoJo, - eu disse a ele.

Imediatamente, ele mudou de direção.

— Para onde vamos? - Eu puxei da sua mão, seja para


pegar a minha para fora da sua ou para fazê-lo parar,
qualquer coisa funcionaria para mim.

Não consegui e Eddie continuou andando.

— Eu tenho que ir para a delegacia e depois eu vou


levá-la para casa.
Oh não, eu não podia deixar que ele me levasse para
casa.

— Eddie eu posso pegar uma carona com Jojo.

Ele puxou-me para uma parada e deu-me um olhar


que calou a minha boca. Então, ele começou a andar
novamente, puxando-me atrás dele.

Ele acompanhou-me até um brilhante, vermelho,


Dodge Ram. Tinha até aquelas luzes extravagantes no topo.
Ele abriu a porta do lado do passageiro para mim e eu tentei
entrar no carro de maneira graciosa considerando a minha
saia curta e sapatos de vadia. Eu consegui, mas apenas um
pouco.

— Por que você não me leva para casa primeiro? - Eu


perguntei a ele quando entrou no carro.

— Porque, eu perdi a minha oportunidade de falar com


você esta tarde. Assim, mesmo que seja quase duas horas da
manhã, porra, eu tenho você para mim pela primeira vez e
você vai responder a algumas perguntas.

Eu afivelei o cinto de segurança (segurança em


primeiro lugar) e depois cruzei os braços no meu peito. Eu
não tinha tempo para conversar com Eddie (para não
mencionar, que eu não quero falar com Eddie). Eu precisava
dormir. Eu não tive um dia de descanso desde o domingo,
isso foi o....

Eu estava cansada demais para contá-los, mas eram


muitos dias para não dormir. Eu tentei falar com ele sobre
isso.

— Eu não entendo por que você está tão curioso sobre


mim. Eu sou apenas uma pessoa normal, tranquila. Eu sei
que você não quer trazer uma má influência para a loja da
Indy, mas... - Ele começou a manobrar enquanto eu estava
falando. No meu comentário, ele virou-se para mim, com o
antebraço no volante.

— Isso não tem nada a ver com a Indy. E, eu odeio


dizer isso para você, mas você é tudo menos normal. - Minha
cabeça deu um pequeno empurrão e eu olhei para ele.

— Sim eu sou! Eu sou a menina normal, média, de


todos os dias. - Ele balançou a cabeça.

— O tipo normal, médio, de menina não trabalha todos


os dias em um clube de strip. Ela não ganha uma serenata
bizarra de seu pai ao entrar em uma livraria. Ela não se
transforma em uma nova garota cada vez que ela faz algo em
seu cabelo ou maquiagem. E, ela não guarda cada pedaço de
informação pessoal sobre sua vida como se fosse um segredo
de Estado.

— Eu não guardo cada pedaço de informação pessoal! -


Eu bati.

— Diga-me uma coisa pessoal, então, - ele voltou.

Tentei encontrar algo interessante sobre mim mesma.


Eu estava muito cansada e apavorada, e de qualquer
maneira, não havia nada muito interessante sobre mim.
Então, eu joguei fora a primeira coisa que me veio à mente.

— Minha cor favorita é o verde, - eu disse a ele.

Ele se afastou de mim, colocou o carro em marcha e


disse, — Não conta.

— Por que não?

Ele dirigiu-se para a Colorado Boulevard.

— Sua cor favorita não é um pedaço de informação


pessoal.

— Sim, é.
— Ok, então, sua cor favorita é uma peça chata de
informação pessoal que não me diz uma coisa sobre você. -
Eu desisti e olhei para fora da janela. Parecia um bom
caminho a percorrer.

Estávamos em silencio a caminho da delegacia.

Quando ele estacionou, eu pulei para fora do carro,


desejando que meus sapatos de puta resistissem. Ele deu a
volta e pegou a minha mão de novo e entramos na delegacia.

Eu nunca tinha ido a uma delegacia de polícia na


minha vida. Era mais limpo do que eu esperava que fosse, ela
não parecia como a NYPD Bleu, em tudo.

Ele acompanhou-me através da entrada e levou-me


para um quarto com armários, abriu um, obviamente o dele,
puxou para fora uma camisa de flanela e entregou-a para
mim.

— Coloque isso. - Foi uma coisa boa para fazer. Não era
apenas infantil, mas eu não usava o meu uniforme do
Smithie em qualquer lugar, então peguei sua camisa e me
cobri.

Eu coloquei a camisa e ela cheirava como ele. Foi então


que eu pensei que a camisa não era uma boa ideia.
Cheirando a Eddie, isso estava perturbando o suficiente. O
cheiro de Eddie em mim não era uma coisa muito boa.

Eu não tive a chance de opor-me. Ele pegou minha


mão novamente e levou-me para outra sala, esta grande, em
sua maioria com mesas pretas. Havia um cara trabalhando:
digitando em um computador. Ele olhou para cima quando
entramos e seus olhos pararam na camisa com sangue de
Eddie.

— Noite difícil? - Questionou.

— Sim, - respondeu Eddie, não convidando a mais


discurso.

Os olhos do rapaz mudaram-se para mim.

— Parece que você ganhou.

Eddie não respondeu, levou-me até um sofá e virou-se


para mim.

— Espere aqui. Eu estarei de volta em cinco minutos. -


Então, ele foi embora.

Sentei-me no sofá e o cara estava observando-me.

— Houve uma briga de bar, - eu expliquei.


— Sim, eu ouvi.

— Tudo começou por uma boa razão. - Eu não sei por


que, mas eu decidi defender Eddie.

— Eddie iniciou? - Ele perguntou.

— Sim.

— Você é o motivo?

Mordi o lábio e disse: — Sim.

— Essa é uma razão boa o suficiente.

Voltou-se para o trabalho e eu aproveitei a


oportunidade para pescar o cinquenta do meu decote. Foi
duramente conquistado. Eu provavelmente deveria dar a
Eddie pelos problemas que lhe causei, mas eu precisava
muito. Eu coloquei no meu bolso e então esperei.

Então, eu esperei um pouco mais.

Então, olhei para o sofá e decidi que parecia bom e


confortável. Assim, para fins de pesquisa, eu decidi dar uma
olhada e ver se era confortável. Então, eu me estendi sobre
ele e em poucos minutos, eu estava morta, dormindo.
Acordei cheirando a Eddie.

Por um segundo eu pensei que estava sonhando, mas


eu podia sentir a luz do sol contra minhas pálpebras
fechadas, então as abri. Eu vi um ambiente desconhecido e
estava deitada na vertical na cama.

Eu estava em uma cama queen-size que tinha lençóis


xadrez e estava coberta com um edredom. Havia uma cômoda
com uma confusão de coisas em cima, piso de madeira, sem
tapetes, marrom coloria as paredes sem fotos, uma mesa de
cabeceira com um despertador, telefone e algumas coisas
nela. Então eu vi, no chão, minha brilhante minissaia
vermelha, minha bolsa e meus sapatos de puta deitados ao
lado de um par de jeans, botas de cowboy e uma camiseta
branca manchada de sangue.

— Merda, - eu pulei da cama e olhei para mim. Eu


estava usando sutiã preto de algodão, calcinha de biquíni,
camiseta do Smithie e a camisa de flanela de Eddie.

Olhei para o despertador. Eram 11:45 da manhã.

— Merda! Merda! Merda! - Eu gritei e corri para a


minha minissaia.
Não só eu estava super atrasada para Fortnum, como
não tinha ligado para a minha mãe. Ela estaria preocupada.
Eu deixei meu telefone celular no meu avental (com as
minhas gorjetas) e Smithie tomou-os.

Eu tinha que chegar a um telefone imediatamente para


que ela soubesse que eu estava bem. Então, eu tinha que
chamar Indy. Então, eu tinha que chamar um táxi. Então, eu
tinha que dar o fora de lá.

Eu puxei minha minissaia tentando não pensar em


como eu saí da delegacia para a casa de Eddie, na cama de
Eddie e sem algumas das minhas roupas. Olhei de volta para
a cama e vi que apenas um travesseiro tinha um amassado
nele. Eu também vi que o outro tinha uma nota sobre ele.
Corri para ele, minha saia abriu na parte de trás, e arrebatei-
o fora.

Fui para o trabalho. Quando você se levantar, me ligue.


E ele deixou um número de telefone.

— Merda!

Eu corri para fora da sala, com as mãos nas minhas


costas para fechar a saia, eu fiz isso enquanto ia para o hall e
caí de cabeça em Eddie.
Eu voei para trás um passo, o que teria sido mais se
suas mãos não tivessem me apanhado.

— Você está acordada, - disse ele. Eu olhei para ele.

— Eu preciso usar o telefone. - Sem saudação, sem


nada. Eu estava perto da histeria e Eddie deve ter percebido
isso, porque ele não fez nenhum comentário, saiu do hall e foi
para a sala de estar. Eu o segui, terminando de fechar a
minha saia. Ele pegou um telefone sem fio e entregou-o para
mim.

Levei-o e inclinei a cabeça sobre ele imediatamente,


vagando longe dele e socando o número de casa.

Mamãe respondeu ao primeiro toque.

— Mamãe?

— Jet! Meu Deus, eu estive preocupada.

— Você está bem? - Perguntei.

— Não, eu não estou, eu estou preocupada. Onde você


está? Você está bem?

— Sim, eu estou bem. Sinto muito. Eu deixei meu


telefone no meu avental e as coisas ficaram um pouco
estranhas no clube e eu acabei dormindo na delegacia de
polícia.

O que eu estava dizendo? Ela não precisa saber disso,


eu lhe daria outro acidente vascular cerebral.

— Desculpe? Delegacia? - Perguntou mamãe, sua voz


aumentando.

— Não foi nada, não importa. Eu vou estar em casa


logo. - Mas, eu ouvi o telefone mover-se ao redor e então ouvi
Trixie.

— Jet! Onde você está? Sua mãe está muito


preocupada. Que história é essa de uma delegacia de polícia?

Fechei os olhos, superando com alívio que a mãe não


estava sozinha. Eu me afundei no sofá, inclinei-me para
frente, coloquei meus cotovelos sobre os joelhos e a cabeça na
minha mão. — Trixie, estou tão feliz por você estar aí. A mãe
está bem?

— Não, ela não está bem, nós duas não estamos bem.
Você não voltou para casa ontem à noite.

— Eu sei. Eu sinto muito. Está tudo certo? Ela foi


capaz de chegar ao banheiro, cuidar de si mesma? - Eu
perguntei.
— Ela está bem. Ela arrumou-se, foi para seu quarto e
viu que você não voltou para casa, então ela chamou-me. Eu
vim e tomei conta dela.

— Será que ela tomou café da manhã?

— Sim.

— Você conseguiu fazer com que ela trocasse de roupa?

— Sim! Onde você está? Você não respondeu seu


celular. Nós ligamos na livraria; eles não sabiam onde você
estava. Ninguém estava respondendo no clube. Estávamos
morrendo de medo.

Em seguida, ocorreu-me onde eu estava e minha


cabeça levantou-se e eu olhei para Eddie. Ele estava em pé;
ombros inclinados contra a parede, os braços cruzados sobre
o peito, observando-me.

Merda.

Olhei para os meus joelhos. — Estou na casa de Eddie.


- Silêncio.

— Trixie?
Eu a ouvi dizer, não no bocal: — Ela está com Eddie.

O telefone foi transferido de novo e minha mãe disse: —


Você está com Eddie?

Seu tom de voz era ao mesmo tempo esperançoso e


curioso. Nenhum destes dois eram bons.

— É uma longa história. Eu vou contar depois. Olhe,


mamãe, eu vou estar em casa logo que eu puder.

— Não, não, não se apresse. Estamos bem. Ada está


vindo e Trixie reorganizou seus compromissos. Não tenha
pressa.

Fechei os olhos e orei por intervenção divina. Esperei


um momento e nada aconteceu.

Acho que Deus estava ocupado com a guerra, a fome e


afins.

— Mãe, eu vou estar em casa logo que eu possa chegar


lá. Ok?

— Eddie vai trazer você para casa?

— Eu não sei.
— Eu vou conhecê-lo?

— Eu não sei. Olhe, mãe, eu tenho que ir.

— Ok, minha cara, - disse ela, seu tom de voz mudou


de mãe possessa à beira de um ataque para doce como uma
torta. — Até logo.

Apertei o botão de ligar / desligar e olhei para Eddie. —


Eu tenho que falar com Indy.

— Eu falei com ela antes de vir para casa. Ela não está
preocupada. Seus funcionários vêm e vão como bem
entendem, - disse ele.

Eu não, eu trabalhava de manhã. Ela precisava de mim


para as horas de movimento e isso é quando eu trabalhava
para ela. Eu nunca tinha chegado atrasada na Indy.

Desci do sofá, coloquei o telefone em seu receptor e


atravessei a sala, passei Eddie, e fui para o quarto. Eu peguei
meus sapatos de puta e sentei-me na beira da cama.

— Sua mãe está bem? - Eu olhei para o lado e Eddie


estava encostado na porta.

Inclinei-me na cama de casal e comecei a deslizar sobre


meus sapatos.
— Sim. Trixie está lá e Ada está vindo. - A próxima
coisa que eu vi, Eddie estava agachado na minha frente e ele
tomou meus sapatos.

Minha cabeça ergueu-se.

— Ei!

— Eu quero que você volte para a cama, - disse ele,


endireitando-se e levantando-se.

— O quê? - Eu gritei, meio virada para fora, meio


zangada, pulando para fora da cama, o que me colocou em pé
a menos de um metro de distância dele.

— Volte para a cama, - ele repetiu.

— Eu não posso voltar para a cama. Eu tenho que


começar a trabalhar. - Comecei a deslizar, mas ele torceu o
torso e jogou os sapatos na direção de onde eles vieram.
Depois que fez isso, ele voltou ao redor e seu braço saiu,
bloqueando-me. Então ele disse: — Eu a carreguei nos braços
da delegacia para o carro, do carro para a cama, tirei sua saia
e sapatos, e você dormiu como os mortos o tempo todo. O
trabalho pode esperar. Você precisa descansar um pouco.
Eu não conseguia pensar em Eddie transportando-me,
ou tirando minha roupa, ou qualquer coisa, que fazia meu
interior estremecer, então eu não pensei nisso e foquei no
drama atual.

— O trabalho não pode esperar. Preciso do dinheiro, -


disse a ele.

— Quanto é que você deu a ele? - Perguntou Eddie.

Olhei para ele.

— Quem?

— O seu pai. Quanto você deu a ele?

Minha pressão arterial disparou.

— Isso não é da sua conta - eu atirei.

Ele pegou o mini passo que dei para trás. As costas das
minhas pernas bateram na cama e eu não tinha para onde ir,
mas para baixo, e ele estava a centímetros de distância.

— Afaste-se, - eu disse.

— Perguntei quanto você deu a ele, - Eddie repetiu.


— Afaste-se!

— Quanto?

— Quinhentos dólares, ok?

Eu me movi no espaço que tinha, ele estava encostado


em mim e eu não tinha para onde ir e o quarto parecia
mover-se.

— Eu vou dar-lhe quinhentos dólares para voltar para


a cama. - Meu queixo caiu e eu não disse uma palavra. Não
havia palavras para dizer.

— Estou falando absolutamente sério. Você fica na


cama e eu vou dar-lhe quinhentos dólares. Eu vou voltar a
trabalhar. Você descansa, come tudo o que quiser na minha
geladeira, veja televisão, eu não dou à mínima. Mas você não
está indo para o trabalho hoje. Você não está fazendo nada
hoje.

Eu não podia acreditar nos meus ouvidos,


principalmente porque era inacreditável.

— Eu não vou pegar o seu dinheiro e eu não estou


descansando, eu tenho coisas para fazer.

— Que coisas?
— Coisas! Certo? Agora recue.

Eu coloquei minhas mãos em seu peito e dei um


empurrão.

Ele não se moveu.

Maravilhoso.

Eu coloquei minhas mãos nos meus quadris e olhei


para ele.

— Eu tenho que ir para casa.

Ele não se moveu, não falou, não fez nada, apenas


olhou para mim com um olhar penetrante.

Fechei os olhos e respirei mentalmente.

— Sabe o que eu faço para ganhar a vida? - Ele


perguntou.

Eu abri meus olhos novamente para que eu pudesse


piscar em confusão.

— Sim. Você é um policial, - eu respondi.


— Eu sou um detetive.

— Ok, - eu disse. Eu não sabia mais o que dizer.

— Jet, o meu trabalho é colocar dois e dois juntos e


formar quatro.

— E? - Eu perguntei, sem saber o que ele estava


falando e pensando que isso era uma estranha reviravolta na
conversa.

Seus olhos ficaram quentes, sua mão veio e ele colocou


um pouco de cabelo atrás da minha orelha. Quando ele
terminou de fazer isso, com a mão enrolada em torno do lado
do meu pescoço.

— Eu acabei de formar o quatro, - ele disse


calmamente.

Eu não poderia ser pega por Eddie, seus quentes olhos


escuros, sua voz calma ou o fato de que ele tinha acabado de
me descobrir. Eu pensarei sobre isso mais tarde. Minha vida
estava em crise, eu precisava de foco e eu não conseguia
concentrar-me em torno de Eddie. Era impossível.

— Eddie, eu preciso ir para casa, - disse a ele em uma


voz que disse que eu quis dizer isso.
Ele olhou para mim por um instante. Em seguida, o
polegar saiu do meu pescoço e acariciou minha bochecha e
ele disse: — Eu vou levá-la para casa.

Ele atravessou a sala, pegou os sapatos e trouxe-os


para mim. Sentei-me na cama e, silenciosamente, coloquei-
os. Eu peguei a minha bolsa do chão. Eddie levou-me pela
porta dos fundos, ajudou-me a subir em sua caminhonete e
levou-me para casa.
Capitulo 5
Eu não poderia comprar uma pausa
(Mesmo que eu tivesse o dinheiro).

Eu vi o guincho pegar o meu carro quando Eddie


entrou no estacionamento do meu prédio. Eddie também viu.

Eu pulei para baixo da caminhonete fazendo uma


careta quando os meus pés irritados protestaram e olhei para
o guincho. Eddie caminhou para o meu lado da caminhonete,
os olhos no guincho.

O amigo de Smithie fazia o reboque, parecia que ele


estava usando o mesmo par de imundos jeans de ontem.

Ele me viu e deu um aceno. Eu acenei de volta.

— Você o conhece? - Perguntou Eddie.

— Esse é o meu carro. Tenho um pequeno problema


com o carro. - Os olhos de Eddie viraram para mim.
— Os pequenos problemas com um carro exigem um
macaco. Sérios problemas com o carro requerem um reboque,
- disse ele.

Dei de ombros. Eu não ia discutir sobre isso. Eu


provavelmente iria perder, principalmente porque ele estava
certo e eu estava tentando não pensar sobre o quanto os
problemas do carro seriam significativos.

Eu caminhei para o prédio e virei-me para parar na


porta da frente. — Obrigada por me trazer em casa, - eu disse
para Eddie, deixando claro que a porta da frente ia ficar tão
longe dele quanto possível.

Ele olhou para as portas, depois para mim, então sua


boca virou-se um pouco nos cantos, e ele balançou a cabeça.

— Apenas Jet, minha bunda, - ele murmurou.

Eu perguntei: — O quê?

— Nada.

Eu o ouvi. Eu não ia discutir sobre o que quer que isso


fosse. Não era como se eu estivesse com uma faca na minha
garganta e tivesse brigas de bar todos os dias, mas eu não
iria apontar isso. Não é como se um monte de meninas
tentaria defender quão chata elas são, especialmente, não
para caras como Eddie. Enfim, eu tinha ido por esse caminho
e eu não ia ganhar essa batalha também.

Ele tirou um cartão fora do bolso de trás e deu o cartão


para mim, colocando de volta os outros no bolso.

— Se você precisar de uma carona, você me liga, - disse


ele.

Eu não peguei o cartão.

— Eu vou ficar bem.

— Jet.

— Sério. Eu vou ficar bem.

De repente, ele deu três passos para frente, apoiando-


me no canto da saliência que protegia a porta da frente.

Minhas costas bateram na parede, parei e Eddie


chegou perto.

Eu olhei para ele para protestar e mantive o meu


silêncio quando vi seus olhos reluzentes e chateados.

— Quando alguém se oferece para fazer algo de bom


para você, você aceita.
— Eu vou ficar bem, - eu repeti, meio zangando-me, em
seguida, também.

— Eu acho que está bastante claro que você não vai


ficar bem. Você está trabalhando em dois postos de trabalho;
um deles não é seguro. Você não tem tempo para dormir.
Você não tem um carro. Você está cuidando de sua mãe que
não está bem. Seu pai aparece na cidade, limpa a sua conta
bancária e faz você o alvo de um bandido. Isso não está certo.

— Isto vai ficar melhor, - eu disse a ele.

— Quando?

— Eu não sei, mas eu tenho que acreditar, porque se


eu não...

Droga!

Lágrimas começaram a encher os meus olhos; mordi o


lábio e virei o rosto. Agora não era o momento de perder
minha calma. Não na frente de Eddie.

— Eu tenho que ir, - eu disse e eu fiz. Eu tinha que


ficar longe dele.
Não havia como fugir dele, porque seus braços foram
ao redor de mim e ele puxou-me em seu corpo.

Eu olhei para ele, surpresa, e vi que seus olhos tinham


ficado líquidos.

Meu corpo ficou tenso quando entrou em contato com o


dele, a partir de nossos peitos, e mais para baixo no encontro
de nossos quadris. A eletricidade passou por mim, eu tentei
manter distância, mas um de seus braços deslizou pelas
minhas costas, segurando-me na posição enquanto a sua
cabeça desceu e ele beijou-me.

Foi o pior beijo da história do mundo. Eu não podia


acreditar que ele estava me beijando. O quente, bonito Eddie
Chávez beijando a lisa e chata Henrietta Louise McAlister.
Isso me assustou; fui muito dura e isso não foi uma boa
combinação.

Sua cabeça aproximou-se e ele olhou para mim.

Senti o calor em meu rosto.

Esse beijo ruim foi humilhante e eu sabia que a culpa


era toda minha. Eu teria ficado feliz em estar correndo de um
elefante. Dançando com um fio-dental no Smithie. Em
qualquer lugar, menos lá.
Ele não disse nada, ele só estava olhando-me e eu
comecei a contorcer-me para fugir, mas ele segurou firme.

— Vamos tentar isso de novo, - ele murmurou.

— Não, eu não... - Eu comecei a dizer e, em seguida,


sua boca estava na minha.

Desde que eu estava falando quando os lábios dele


tocaram o meu, minha boca estava aberta e, de imediato, sua
língua deslizou para dentro.

Querido Deus.

No instante em que sua língua tocou a minha, meu


estômago enrolou, os meus ossos viraram água e eu derreti
nele. Meus braços foram ao redor de seu pescoço, meus
dedos deslizaram em seu cabelo, eu inclinei a cabeça para o
lado e foi isso.

Suas mãos foram sob a minha camiseta, eu podia


senti-las deslizando sobre a pele das minhas costas e fez-me
estremecer. Apertei mais fundo dentro dele, mantinha uma
das minhas mãos em seus cabelos e coloquei a outra debaixo
do braço, puxando sua camiseta livre da calça jeans e, então
eu deslizei através da pele em suas costas. Sua pele quente
estava gostosa. Na verdade, o beijo foi uma delícia pura e eu
queria continuar para sempre.
— Puxa, Jet, consiga um quarto.

Eu levei um susto; os braços de Eddie afrouxaram um


pouco (embora não muito, ele não me deixou ir). Ambos,
Eddie e eu, viramos para ver RJ, um dos meus vizinhos,
manobrando pela porta da frente em sua cadeira de rodas.

Meu rosto parecia que estava pegando fogo.

Meu corpo estava em chamas.

— Oi RJ, - eu disse, tentando recuperar-me do beijo.


Isso foi difícil, considerando-se que Eddie não tinha me
deixado ir.

— Quem é o cara? - Perguntou RJ, olhando para Eddie.

Eddie estava olhando por cima do ombro, com os


braços em volta de mim.

— O cara é Eddie. Eddie, RJ, RJ, Eddie, - eu disse,


sentindo-me como uma idiota completa. Eu tinha tirado a
minha mão debaixo da camiseta de Eddie, mas eu já estava
segurando ele do seu lado por medo que minhas pernas
dessem o fora se eu não segurasse sua preciosa vida.
Eddie acenou para RJ tornando visível à RJ que ele
estava interrompendo.

Em qualquer outra circunstância eu poderia achar isto


engraçado. Eddie e eu estávamos fazendo carícias na entrada
pública de um prédio de apartamentos em plena luz do dia e
Eddie encarou RJ como se tivéssemos direito à privacidade.

No entanto, naquele momento, eu não achei engraçado.

RJ sim e seu rosto abriu em um enorme sorriso.

— Rapaz, Jet, posso sempre contar com vocês para ser


divertido. - Maravilhoso.

Eu nunca ia convencer Eddie que eu era uma normal


de todos os dias, menina na média.

RJ pôs as mãos enluvadas nas rodas em ângulo de sua


cadeira e empurrou para frente.

— Até mais tarde, - disse ele, pegando a dica, e então


se foi.

Olhei para trás para Eddie e ele estava balançando a


cabeça. — Eu não agarrei ninguém na porta de alguém em...
porra, eu nunca tinha agarrado na porta de alguém.
Eu sorri para ele, porque ele era engraçado e na hora
que eu fiz isso, seus olhos mudaram e a mudança fez minhas
entranhas derreter.

— Cristo, Jet, você deve fazer isso mais vezes, - disse


ele.

— O quê?

— Sorrir.

Isso limpou o sorriso do meu rosto.

Os braços de Eddie apertaram ao meu redor. — Un-


unh, não retiro. Eu já ganhei terreno aqui, eu não vou perdê-
lo em dois minutos.

— Eu tenho que ir lá para cima, - eu disse a ele.

— Eu vou deixar você ir, quando você aceitar jantar


comigo esta noite, - disse Eddie.

Minha nossa!

Eu não tinha tido a chance de processar o beijo de


Eddie, eu certamente não estava pronta para um encontro.

Felizmente, eu tinha uma desculpa.


— Eu não posso, eu tenho um turno no Smithie.

Eddie não foi dissuadido.

— Amanhã.

Porra, eu tinha a noite de folga amanhã no Smithie.

Antes que eu pudesse pensar em uma desculpa


plausível, Eddie sorriu. Ele sabia que me tinha.

— Seis horas. Eu venho buscá-la aqui.

Ele não me deu a chance de dizer qualquer coisa, seus


lábios desceram e tocaram os meus. Eu podia sentir o seu
corpo pressionado contra mim, seus braços estavam ao meu
redor, eu podia cheira-lo e ele tinha acabado de tocar seus
lábios nos meus. Portanto, eu perdi a capacidade de pensar.

Seus lábios foram embora e ele perguntou: — Como


você vai trabalhar esta noite?

Pisquei para limpar o meu torpor de Eddie.

— Smithie descobriu sobre a coisa da faca. Ele diz que


eu tenho que ser escoltada para o edifício e, enquanto meu
carro estiver no conserto, ele está organizando para um dos
seguranças me levar para o trabalho.

Eddie passou os dedos pelo meu cabelo e no rosto e, eu


tinha que admitir que era bom.

— Talvez ele não seja o idiota que eu achava que ele


era, - disse Eddie.

— Ele cuida de suas meninas, - eu disse a ele.

— Pelo menos é uma pessoa que está tentando olhar


por você, mas se ontem à noite for qualquer indicação, ele
não está fazendo muito bem.

— A noite passada foi um golpe de má sorte, - eu tentei


tranquilizá-lo.

— Noite passada é como cada noite é em um clube de


strip. Você se veste daquele jeito em torno de caras bêbados,
e merda vai acontecer. - Eu olhei para ele.

— Você quer me deixar brava? - Perguntei.

Seus olhos mudaram, eles estavam quentes, mas


sérios.
— Chiquita, eu vou pegar qualquer coisa que me der. -
Eu não sabia o que dizer sobre isso, então eu não disse nada
em tudo, e só fiquei olhando para ele.

Eddie deixou-me ir e segurou o seu cartão entre nós.

— Eu tenho que voltar para o trabalho. Se você


precisar de alguma coisa ou a sua mãe precisar de alguma
coisa, ligue para mim.

Levei o cartão. Embora eu meio que queria uma


repetição do que aconteceu quando eu não o levei, eu
realmente precisava ver minha mãe. Depois eu precisava
verificar o papai. Então, eu precisava fazer umas mil outras
coisas.

— Obrigada Eddie, - eu disse.

Ele sorriu para mim, covinha e tudo, então ele correu


os dedos ao longo da minha mandíbula e, em seguida, ele
afastou-se e, sem olhar para trás, e eu fugi.

Quando eu apareci na sala, minha mãe estava em sua


cadeira na janela e Ada estava em pé ao lado dela.
— Será que é o Eddie? – Mamãe perguntou, não
virando a cabeça fora da janela.

Fui até a janela e vi Eddie em pé e conversando com o


senhor de macacão gorduroso.

— Sim.

— O homem mexicano ou o homem negro, - perguntou


Ada, seus olhos não deixando a janela também.

— O homem mexicano, - disse a ela, observando Eddie.


Ele colocou seus óculos escuros espelhados e estava com as
mãos nos quadris enquanto ele falava. Ele parecia muito legal
e muito quente.

— Ele é fofo - mamãe disse.

Só mamãe descreveria Eddie como ‘fofo’. Ele era um


monte de coisas, mas ele não era fofo.

Eddie começou a afastar-se e olhou para o prédio. Eu


pulei para fora da janela o mais rápido que pude, não
querendo que ele me pegasse espiando-o. Eu tinha o
suficiente para preocupar-me com o encontro aproximando-
se, do que tê-lo pensando que eu estava apaixonada como
uma adolescente olhando ansiosamente pela janela para ele.
Mamãe e Ada estavam dando uma de vizinhas
intrometidas.

— Saiam de perto da janela, - eu disse a elas.

— Isso com certeza é uma picape fantástica que ele


tem, - disse Ada.

Ela não estava errada, com certeza era.

Nenhuma delas moveu-se da janela e eu podia jurar


que vi Ada suspirar.

Eu gemi e fui ao banheiro, porque eu estava morrendo


de vontade. Então, eu olhei no espelho e soltei um gritinho.
Eu tinha metade da minha maquiagem e não era a parte boa.
Uma palavra: assustadora. E Eddie tinha me beijado deste
jeito.

Quão estranho que foi isso?

Pelo menos meu cabelo sexy levantou.

Lavei o rosto, fui para o meu quarto e vesti um jeans e


camiseta. Eu rolei até a camisa de Eddie e a enfiei-a debaixo
do meu travesseiro, como uma lembrança. Eu daria de volta
se ele perguntasse por ela, mas se não o fizesse, eu estava
roubando-a e eu não me importava o que isso significaria
sobre mim.

Então, eu entrei na cozinha para comer alguma coisa e


eu ouvi mamãe atrás de mim.

— Por que você não convidou Eddie para subir? - Ela


perguntou.

— Ele tinha que trabalhar, - eu disse a ela.

A mãe aproximou-se mais com a cadeira de rodas.

— Nós vimos que você estava entrando. Você ficou lá


por um longo tempo. Tempo suficiente para ele vir para cima
e conhecer sua mãe.

Maravilhoso.

Ela estava usando seu tom arrogante de mãe,


lembrando-me que eu tinha sido rude.

— Nós estávamos conversando sobre algumas coisas, -


eu expliquei.

— Você poderia ter falado sobre isso aqui. Eu poderia


servir um pouco de chá gelado, talvez fazer um sanduíche.
Estou ficando boa em sanduíches. É hora do almoço; todo
mundo tem que comer no almoço, - mamãe disse, ainda
brava.

— Ele é um cara ocupado.

— Não é tão ocupado que ele não possa ter tempo para
comer.

— O que ele faz? - Perguntou Ada, vindo por trás de


mamãe.

— Ele é um policial, - eu disse a ela.

Os olhos de Ada ficaram enormes em seu rosto


enrugado.

— Sério? - Ela respirou, seus olhos ainda arregalados,


deve estar se perguntando como ela poderia finalmente ter
um passeio.

— Você está com vergonha, - mamãe disse.

Meus olhos se moveram para mamãe e eu olhava para


ela.

— O quê?
— Você tem vergonha de mim. É por isso que você não
o trouxe aqui em cima.

— Eu não tenho vergonha!

E eu não tinha, havia muito mais complicadas razões


pelas quais eu não trouxe Eddie para cima e elas não tinham
nada a ver com ter vergonha da minha mãe.

— Não há nenhuma outra razão, - ela acusou.

— Eu lhe disse, ele teve que ir trabalhar.

— Você não quer que ele me veja assim. - Mamãe


indicou sua cadeira.

— Isso não é verdade.

— Eu não acredito em você. Você nunca traz ninguém


aqui. Eu não posso evitar como eu estou agora, mas eu estou
ficando melhor.

— Não é isso, - eu disse.

— Então o que é?

— Nós estávamos nos beijando, certo! - Eu gritei.


Sim.

A boca da mamãe estalou fechada e seus olhos ficaram


muito brilhantes e sonhadores. Ada juntou as mãos na frente
dela com alegria óbvia.

Este não era um bom sinal.

— Senhoras, não fiquem animadas. - Eu avisei.

— Como posso não ficar animada? Ele é bonito, ele tem


um bom emprego e uma picape dos sonhos. O que tem para
não ficar animada?

— E ele parece ser bem nesses óculos espelhados.


Aposto que a maioria dos policiais gostariam de poder usar
aqueles óculos de sol como o seu Eddie pode, ele pode
realmente colocá-los - Ada disse.

Virei-me para Ada, primeiro.

— Ada, doçura, ele não é o meu Eddie. - Então, eu


voltei-me para mamãe.

— A razão pela qual você não deve ficar animada é


porque ele é um cara legal, é isso, é o fim. Em primeiro lugar,
eu acho que ele estava curioso, mas agora ele está...
Eu não sabia o que ele estava. Eu tinha que encontrar
uma explicação para isso, para o beijo, sua defesa da minha
virtude ontem à noite, tudo.

Eu habitualmente fazia isso na minha cabeça, onde era


seguro, não em voz alta para minha mãe.

Minha mente virou-se para encontrar uma explicação.

Ele era um bom rapaz, um policial pelo amor de Deus.


Ele tinha que saber sobre mim, especialmente depois que eu
passei um tempo com seus amigos. Agora ele descobriu-me e
obviamente queria salvar-me. Embora, eu não me importasse
em ser resgatada por Eddie, o que aconteceria depois disso?
O que aconteceria quando ele percebesse que eu não era
interessante e emocionante? O que aconteceria quando ele
descobrisse que eu era apenas Jet?

Eu não quero saber.

— Ele está o quê? - Mamãe tirou-me dos meus


pensamentos.

— Nada. Nós vamos ver. Só não fique animada, ok? -


Ela concordou, mas ela pareceu sonhadora.

Maravilhoso.
Eu pensei sobre a nota de cinquenta na minha bolsa.

— Você ficou enfiada aqui por dias. Eu estou indo até o


Chipotle para o almoço. Ada, você vem? Por minha conta. -
Ada sorriu.

— Eu adoraria, eu nunca vou a qualquer lugar.

— Bem senhoras, estamos indo então.

Alimentos, descobri, eram sempre uma boa maneira de


convencer as pessoas a pensarem em outras coisas, incluindo
policiais consideráveis com picapes extravagantes.

Eu cheguei no Smithie no horário, porque Lenny


pegou-me e levou-me rápido. No minuto em que Smithie viu-
me, seus olhos rolaram para o teto e ele gritou; — É um
milagre da porra! - Eu sorri para ele quando eu lhe entreguei
minha jaqueta jeans e bolsa e ele entregou-me o meu avental
e um envelope.

— Seu celular está no bolso. O envelope tem suas


gorjetas da noite passada. Seu ferrado, suéter surrado está
por trás do bar.
— Obrigada, Smithie, - eu disse.

Abri a parte superior do envelope, olhei dentro e folheei


as notas. Eu mantinha uma contagem das minhas gorjetas, e
mentalmente pagava as contas e comprava mantimentos no
minuto em que eu conseguia o dinheiro. Quando eu folheava
as notas, eu decidi que tinha feito um erro de cálculo,
porque, se o meu cálculo estava correto, havia duzentos
dólares a mais do que eu esperava estar lá e isso era
impossível.

Eu me lembraria de um extra de duzentos dólares. Eu


lembrava-me de um extra de dois dólares.

O clube estava lotado na noite passada, mas as


gorjetas não eram tão boas.

Folheei-o novamente e os duzentos dólares ainda


estavam lá.

— Smithie, eu acho que você me deu algo errado.

A cabeça de Smithie virou-se, olhando para o palco e


ele não olhou para mim quando ele falou. — Não. Isso é o que
estava em seu avental depois que eu descontei o da briga. -
Eu olhei para ele.
— Smithie, há um extra de duzentos dólares aqui.
Talvez você acidentalmente deu-me...

Sua cabeça virou-se para mim: — Isso era o que estava


em seu avental, porra.

— Smithie... - Eu comecei de novo.

Sua mão foi para cima e ele tinha um olhar engraçado


no rosto. Foi, então que eu soube que ele tinha escorregado o
dinheiro extra.

Eu tinha comentado com o Smithie dos dias quando a


mamãe ainda estava ruim. Naquela época, eu arrastava-me
depois de visitá-la no hospital.

Ele sabia sobre a mamãe e o meu trabalho na


Fortnum, e agora ele sabia sobre o meu carro.

Meu coração apertou, meus olhos encheram de


lágrimas e eu abri minha boca para falar, mas ele inclinou-se
para mim.

— Não dê uma porra de grito e não diga outra merda de


palavra. Eu não quero isso circulando ao redor. Tanto quanto
você está preocupada, foi a sua gorjeta de ontem à noite.
Você me entendeu, porra?
Eu balancei a cabeça.

— Bom, - ele disse, afastando-me de novo. — Comece a


trabalhar.

Eu estava esperando por uma noite tranquila e parecia


estar indo assim. Foi uma experiência completamente
diferente, trabalhar depois de ter uma noite de sono inteira (e
mais alguma coisa).

Antes de eu ir para o trabalho, e depois de eu ter


levado mamãe e Ada para almoçar eu limpei a casa, eu liguei
para o hotel do meu papai apenas no caso de ele ainda estar
lá, mas eles disseram que tinha saído.

Então, eu liguei para Indy e ela foi legal comigo sobre a


reposição das horas (ou não, ela de verdade não se
importava, todos iam e vinham na Fortnum, e de alguma
forma funcionava). Perguntei-lhe se o papai tinha aparecido,
mas ela disse que não o tinha visto.

Era perto de fechar e eu tinha tido uma noite decente.


Eu tinha energia, eu tinha gorjeta de duas noites e eu tinha a
generosidade de Smithie. Se eu não estivesse em fogo lento, a
zona de aberração que, provavelmente, escalaria para
completar a histeria pelo tempo do meu encontro com Eddie,
eu teria realmente relaxado.
Eu estava voltando de uma ida ao banheiro, deixando o
banheiro e entrando no hall de volta quando eu fui agarrada
pelo braço e puxada de volta.

— Ei! - Eu gritei, virando-me, pronta para gritar,


quando eu vi meu papai.

Não era bom.

Eu não queria que meu papai soubesse que eu estava


trabalhando em um bar e eu, realmente não queria que ele
me visse em meu uniforme de Smithie.

— Papai, o que está fazendo aqui?

— Jet, eu não queria arrastá-la para isso, mas não


tenho escolha. - Ele olhou para o hall, claramente em pânico.

— Papai, o que está acontecendo?

Ele começou a puxar-me no chão do hall, em direção à


saída de incêndio na parte de trás. — Temos que ir. - Eu
puxei meu braço da sua mão e disse: — Eu não posso ir, eu
estou trabalhando. Diga-me o que está acontecendo.

Ele não teve a chance de dizer-me quando nós dois


ouvimos alguém do outro lado do hall dizer o nome do papai.
Papai empurrou-me para trás dele e nós dois olhamos
para o Slick no hall.

— Você é um homem difícil de encontrar, - disse Slick.

Com isso, eu percebi que meu papai não tinha passado


os últimos dois dias procurando Slick e resolvendo isto como
ele prometeu. Papai tinha passado esse tempo escondendo-se
de Slick.

— Temos coisas para falar, você e eu, - disse Slick.

— Tudo bem. Claro. Nós vamos falar. Vamos voltar ao


clube, - papai respondeu.

Papai estava posicionando o corpo na minha frente,


então Slick não conseguia chegar até mim.

— No clube não, aqui. Essa conversa deve durar cerca


de dois segundos depois de dar-me os trinta mil que me deve.

Oh... Caro... Senhor.

Trinta mil dólares?

Senti meu estômago cair aos meus pés.

Papai colocou as mãos, com as palmas para cima.


— Eu não tenho isso comigo, Slick. Quem carrega todo
esse dinheiro por aí? Eu tenho que ir buscá-lo e....

— Sim, - disse Slick, olhando para além do papai e


para mim: — Você vai buscá-lo, enquanto para mim basta ter
sua linda menina comigo e nós vamos nos divertir enquanto
você for buscar o dinheiro.

Meu coração foi aos meus dedos para manter meu


estômago no lugar.

— Slick, - disse o papai.

Slick puxou uma faca.

— Não há mais o que conversar. - Então, tudo


aconteceu tão rápido, não tive tempo para pensar.

Papai empurrou-me para trás, gritando: — Corra!

Eu teria corrido (talvez), mas em vez disso, eu vacilei


nos meus sapatos de vagabunda (desta vez, um par no estilo
dos anos quarenta, sandálias pretas com os dedos dos pés
para fora e uma pulseira de tornozelo fino) e fui para baixo,
duro, caí para trás.

Papai pulou para frente e vi o flash de uma faca.


Eu não pensei. Eu fiquei em pé, gritando com toda a
força dos meus pulmões e corri para frente também. Papai
tinha empurrado Slick para o lado, lutando com a faca e as
costas de Slick estavam para mim. Saltei sobre ele, passando
os braços ao redor de seu pescoço, minhas pernas ao redor
de sua cintura e apertei tão duro quanto eu podia.

Slick soltou-se do papai, correu para trás e bateu-me


em uma parede e minha cabeça voou para trás e bateu
contra o gesso.

— Não machuque minha garota, - papai gritou e pulou


para frente novamente.

— Vá, papai. Saia daqui! - Eu gritei.

De repente, havia um monte de gente. Eu estava


segurando Slick em um aperto de morte e ele estava
empurrando desta forma e, tentando expulsar-me. Havia
homens gritando, mulheres gritando, com as mãos em mim
tentando puxar-me longe.

Então, Slick girou e começou a cortar de forma


aleatória com a faca e todo mundo pulou para trás, inclusive,
eu vagamente notei, Vance, o cara quente que trabalhava
para Lee.
Então, Tanya correu e começou a bater em Slick com
sua bandeja, usando-a quando ela precisava como um
escudo. Vance agarrou-a pela cintura, pegando-a de corpo, as
pernas pedalando, batendo para fora no ar com a bandeja, e
ele puxou-a até o hall.

Slick voltou-se, correu para a saída de incêndio, torceu


o corpo para que com o seu peso e impulso me batesse contra
a porta. A barra transversal marcou o meu quadril tão duro,
eu gritei e deixei ir caindo cambaleante nos meus sapatos de
puta e Slick fugiu.

Eu não tinha tempo para pensar ou fazer qualquer


coisa. O alarme de incêndio disparou e ele estava tocando
alto.

Então, Smithie teve uma parte de mim, ele empurrou-


me e eu caí nos braços de Lenny.

— Leve-a para dentro e não saia do seu lado, porra, -


disse Smithie, então correu atrás de Slick.

Lenny puxou-me para dentro, Vance (sem Tanya)


passou por nós em uma corrida, saindo pela porta dos
fundos.

Eu não hesitei, eu arrastei Lenny ao redor de todo o


clube, olhando para o papai. Eu estava mancando, tipo,
porque meu quadril e o osso da bunda estavam feridos e
doendo como o inferno.

Não havia nenhum sinal dele.

Quando eu puxei Lenny de volta para o clube, no


camarim das dançarinas, as luzes estavam acesas, o alarme
de incêndio tinha sido desligado, o palco estava vazio, as
pessoas estavam em pé ao redor e os policiais estavam lá.

Olhei para as pessoas para ver se eu poderia encontrar


o meu papai, mas ele não estava lá.

— Foda-se! - Eu gritei, porque era definitivamente o


momento de dizer essa palavra.

Smithie veio de fora, respirando pesado, e veio para


cima de mim.

— Você quer dizer-me o que diabos está acontecendo? -


Ele gritou.

— Eu não sei! Eu tenho que encontrar o meu pai. Ele


estava aqui e Slick estava atrás dele.

— Esqueça o seu pai. Nós estamos falando sobre você.


É a segunda vez que você tinha um cara com uma porra de
faca atrás de você.
— Ele não está atrás de mim, - eu disse a ele.

— Não, de onde eu estava, ele fodidamente parecia que


estava atrás de você, - Smithie revidou.

— Eu pulei nele, pois tinha uma faca para o meu pai! -


Eu gritei.

— Quando alguém puxa uma faca, você dá o fora, sai


correndo. Você não pula em suas costas. Porra! Você é uma
mulher louca! - Smithie gritou.

— Eu não sou louca! - Eu gritei de volta.

Um policial à paisana aproximou-se e interrompeu-nos


com uma tosse suave. Ele apresentou-se como o detetive
Jimmy Marker e disse-me que tinha de fazer algumas
perguntas.

Smithie apontou para mim: — Você é uma dor na


minha bunda, porra. - Então ele pisou fora.

O detetive teve a oportunidade de fazer-me duas


perguntas antes que seus olhos se movessem para além de
mim e seu queixo levantasse em uma saudação silenciosa de
homens.
Então, eu senti dedos enrolarem no cós da minha
minissaia.

Eu comecei a virar quando ouvi Eddie dizer: — Dê-me


um minuto, Jimmy.

Uh-oh.

Jimmy olhou para Eddie, os olhos dele reconheceram e


talvez um pouco divertido, mas eu não sabia o que diabos era
divertido agora. Ele balançou a cabeça e afastou-se.

Eddie puxou-me de volta alguns passos e mudou-se em


frente a mim. Um olhar para o rosto e ‘uh-oh’ não fazem
justiça, era definitivamente o tipo de olhar que recebia um
‘puta merda’.

Eddie estava seriamente chateado.

Eu disse a você, eu não poderia comprar uma pausa.

Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, Eddie virou-


se para Lenny, que não tinha deixado meu lado. Ele
comunicou algo não verbal, porque Lenny disse: — Eu tenho
ordens para não a deixar.

Eddie pegou algo no bolso das calças de brim e


mostrou o distintivo.
Lenny balançou a cabeça, olhou para mim e afastou-
se.

— Eddie... - Eu disse antes que ele começasse, mas ele


levantou a mão, estilo Smithie, e eu calei a boca.

Eu estava recebendo muito ‘a mão’ nestes dias e isso


estava começando a me irritar.

Ele esperou um pouco, enganchando seu distintivo no


cinto de sua calça jeans. Então, ele sacudiu a cabeça.

— Você sabe, eu nem sei o que dizer, - disse ele.

— Deixe-me explicar.

— Você tem uma explicação para isso? Isso eu tenho


que ouvir. - Eu realmente não tinha uma explicação eu fiquei
em silêncio.

— Isso é o que eu pensava, - disse Eddie.

Direto, sim isso já era o suficiente. Quero dizer, o que


ele faria?
— O que eu poderia fazer? Ele tinha uma faca e estava
lutando com o meu pai. Eu tive que pular em suas costas e
tentar ajudar! - Eu gritei.

Ok, então antes, foi um momento ‘oh-oh’ e este foi um


momento ‘puta merda’.

O rosto de Eddie mudou e ele olhou-me como se eu


apenas tivesse dito que queria ir para Plutão para umas
férias de primavera.

— Eu não tinha ouvido essa parte, - disse Eddie, em


sua voz calma, assustadora.

— Eddie... - Eu comecei de novo. Ele não me deixou


terminar.

— Você perdeu sua cabeça?

Isso não foi dito em voz baixa, ele estava gritando e


todos, policiais, seguranças, dançarinas e garçonetes
viraram-se para olhar.

Eu abri minha boca para me defender (como se eu


pudesse, eu quero dizer, era o meu pai), mas não tinha uma
palavra para dizer.
— Isso é o que eu estou falando. - Como se não
bastassem às coisas estarem uma droga, com Eddie gritando,
Smithie apareceu no nosso tête-à-tête.

— Não foi como se eu pedisse para lutar no caminho do


hall com um cara com uma faca. - Eu disse para ambos,
irritando-me, agora, as mãos nos quadris e tudo mais.

— Você vê uma faca, você corre tão rápido quanto você


pode porra, - disse Smithie.

Agora ele estava repetindo-se.

— Você corra com estes sapatos, - eu disse a ele.

— É isso aí. Você usa tênis e a mudança começa a


partir de agora. - Meus olhos arregalaram-se e eu olhei.
Nenhuma das meninas do Smithie usava tênis. As garçonetes
eram obrigadas a terem nada menos do que um salto de três
polegadas (vi Smithie medindo uma vez) e as stripper usavam
plataformas altíssimas.

— Eu não posso usar tênis! - Eu bati. — Você sabe o


que faria com as minhas gorjetas?

Agora, tanto Eddie e Smithie estavam olhando para


mim como se eu tivesse doado meu cérebro para a ciência
pré-morte.
Smithie virou para Eddie. — Estou indo embora e
deixo-a em suas mãos. Você tenta um acordo com ela porra! -
E ele afastou-se. Mais uma vez.

Eddie passou a mão pelo cabelo.

— Eddie, - Jimmy Marker estava de volta. — Eu tenho


que fazer algumas perguntas a ela.

Eddie virou a mão em um gesto irritado ‘vá em frente’,


mas não saiu do meu lado enquanto o detetive Marker ficou
fazendo as perguntas. Eu disse-lhe a minha história (tive a
sensação de que Eddie ficava mais e mais tenso enquanto eu
contava a ele, não me pergunte como eu senti isso, confie em
mim, eu só sabia). Detetive Marker tomou notas e perguntou-
me se eu sabia onde meu pai estava ao que eu disse que não
sabia.

Ele pegou meu número, virou-se para Eddie e disse: —


Ela é toda sua.

Não era bom.

Antes que Eddie pudesse fazer ou dizer qualquer coisa,


eu andei rapidamente para o bar para pegar meu casaco,
blusa e bolsa. Talvez se eu o ignorasse, ele fosse embora.
Tirei o avental, peguei o meu celular e bati o avental
sobre a parte superior do bar para começar a fazer uma
retirada.

Smithie estava por trás do bar, olhando para mim.

— Estou demitida? - Perguntei.

Smithie arrebatou o avental fora e disse: — Você é uma


dor na minha bunda, porra, é o que você é. - Ele empurrou o
avental sob o bar e empurrou minhas coisas para mim, — eu
vou tirar o dinheiro para fora. Eu vou ter suas gorjetas
prontas para você na sexta-feira. - Acho que não fui demitida.

Então, eu notei, no bar, Lee estava em pé e


conversando com Vance.

Merda e maldito.

Minha noite foi concluída.

O que Lee está fazendo aqui?

— Ei Lee. - Eu chamei, tentando ser legal.

Ele olhou para cima, seus olhos foram atrás de mim,


ele sorriu largo e ele olhou para mim.
— Jet, - disse ele.

Sorri para Vance, que também estava sorrindo, seus


olhos dando ao meu corpo uma varredura, em seguida, seu
sorriso ampliou a um deslumbrante sorriso branco quando
seu olhar pegou o meu. Então, ele olhou atrás de mim e eu
senti uma onda de mão em volta do meu braço.

— Vamos, - disse Eddie em meu ouvido.

Eu endureci e virei-me. Obviamente, a coisa de ignorar


não funcionou.

Eu tentei outra tática evasiva.

— Lenny me leva para casa, - eu disse.

Isso não funcionou. Eddie guiou-me em direção à porta


da frente.

— Ninguém vai levar você para casa. Você está indo


para minha casa. - Ei!

Cavei nos meus calcanhares e puxei meu braço para


fora de sua mão.

— Eu não posso. Eu tenho que chegar em casa, - eu


disse a ele.
— Você não está indo para casa, - ele disse.

Olhei para ele.

— Eu tenho que ir para casa.

— Você não está segura em casa. Você está a salvo


comigo e é aqui que você vai ficar.

Às suas palavras, o pânico começou a percorrer-me.

— Você acha que Slick vai para o meu apartamento? –


Eu perguntei.

— Eu acho que Slick vai fazer praticamente qualquer


coisa para obter o seu dinheiro. - Meu estômago enrolou e
inclinei-me para frente.

— Mas, minha mãe está lá. Ela não pode... - Eu parei


de falar e então, sem querer, dei-lhe o olhar de garota
suplicante ‘por favor’, olhar que funcionava com Smithie, —
Eddie, eu tenho que ir para casa.

Ele olhou para mim por alguns segundos, em seguida,


ele murmurou: — Foda-se.

Ele agarrou minha mão e puxou-me para frente. — Eu


vou levá-la para casa.
Alívio inundou-me quando ele me empurrou pela porta
da frente.

— Obrigada, Eddie.

Meu alívio foi de curta duração.

— Nós vamos parar no meu apartamento no caminho.


Eu vou pegar uma muda de roupa.

Opa, opa e opa!

— O quê? - Eu gritei.

Eddie parou em sua caminhonete. — Se você não vai


ficar na minha casa, então eu vou ficar na sua.

Não.

Não, não, não.

— Tenho certeza que vai dar tudo certo, - eu assegurei


a ele.

— Tenho certeza também, principalmente porque eu


vou estar lá para ter certeza, - disse Eddie, abrindo a porta do
lado do passageiro.
— Nós não temos muito espaço, - eu disse a ele quando
ele me ajudou a subir no veículo.

Ele segurou a porta aberta, olhando para mim.

— Você tem um sofá? – Ele perguntou.

— Sim, - eu disse, e desejei que eu não o tivesse dito,


— Mas, não é muito confortável.

— Você dorme nele?

— Não.

— Sua mãe dorme nele?

Isso não estava ficando melhor.

— Não, - eu respondi.

— Então, você tem espaço.

— Eddie... - eu disse, e a porta bateu.

Eddie balançou-se ao volante e minha mente girou,


tentando encontrar uma desculpa, qualquer desculpa, para
Eddie não vir para a minha casa, passar a noite no sofá,
protegendo-me de homens com facas.

Eu não podia encontrar uma.

Ele ligou a caminhonete e lá fomos nós... A minha


desgraça.
Capitulo 6

Era hora de levar as coisas em minhas próprias


mãos.

O alarme disparou e eu olhei para ele.

05:20 a.m.

Eu odiava a minha vida.

Eu bati na soneca.

Meu despertador tocou novamente.

05:27 a.m.

Eu realmente odiava a minha vida.

Eu bati a soneca novamente.

Meu despertador tocou novamente.

05:34 a.m.

Sério, minha vida era uma droga.


Eu desliguei o alarme, rolei para fora da cama e, meio
adormecida, arrastei para fora da porta, através da sala de
estar e na cozinha. Abri o filtro de café para certificar-me de
que mamãe tinha arrumado ontem à noite o café. Ela fez,
então eu liguei o interruptor. Eu voltava pela sala e para
baixo no curto corredor, bocejando e arrumando meu cabelo
longe do meu rosto com uma das minhas mãos.

Eu bati na porta do quarto da mãe e quando eu a ouvi


chamar, abri-a e encostei-me no batente da porta. Eu não
tinha a energia para manter o corpo na posição vertical.

— Bom dia, mamãe, - eu disse do outro lado do quarto.

— Bom dia, cara de boneca, - Mamãe respondeu


sonolenta.

— Você levantou-se?

Eu levantei minhas mãos para puxar o meu cabelo do


meu pescoço e amarrá-lo em cima da minha cabeça e eu
deixei minhas mãos lá.

Mamãe tentava levantar-se comigo de manhã, dessa


maneira eu poderia arrumá-la antes de eu ir para o trabalho.
Ela conseguia dormir enquanto eu trabalhava, para não
mencionar que ela poderia ir para a cama cedo.
— Claro, eu vou tomar café da manhã com você, -
mamãe disse.

— Você quer tentar sozinha hoje? Ou você quer minha


ajuda? – Eu perguntei.

Mamãe estava andando um pouco. Dependendo dos


seus níveis de energia, ela poderia obter-se dentro e fora de
sua cadeira, ir ao banheiro, ao redor do apartamento, mesmo
no balcão da cozinha por um tempo. Ela também estava
conseguindo vestir-se sozinha, o que era cansativo com uma
só mão. Os fisioterapeutas disseram a ela que ela se
acostumaria com isso, ficaria mais forte, e eventualmente
poderia dar um passeio no parque. Mesmo que o progresso
fosse lento, ele estava acontecendo.

As manhãs eram boas. As noites não eram tão boas.


Ada vinha à noite para assistir TV com a mamãe, porque Ada
queria fazer isso, mas também para estar perto de mamãe no
caso de algo acontecer. Ada era velha demais para fazer
transferências ou carregar a mãe se passasse mal, mas ela
poderia fazer uma chamada de telefone ou descer o corredor e
pedir socorro para um dos vizinhos.

— Eu vou tentar isso sozinha, - mamãe disse-me,


sempre o soldado.
— Ok. - Eu disse, puxando a porta para mantê-la, mas
deixando entreaberta para que ela pudesse ter privacidade,
mas eu podia ouvir se ela chamasse. Afastei-me, minhas
mãos voltando para segurar meu cabelo, meus olhos para o
chão. Eu andei um passo e depois parei.

Vi dois pés descalços, seus calcanhares e tornozelos


cobertos com as bainhas de alguns jeans desbotados. Meus
olhos viajaram até o jeans, bati em um conjunto de músculos
abdominais definidos, cobertos de pele morena e sedutora. O
abdômen deu lugar a um peito muito agradável e nos ombros
em cima dele estava à cabeça de Eddie, com olhos sonolentos
e sexy cabelo bagunçado.

Eu congelei e olhei para ele.

Eu esqueci totalmente de Eddie.

— Onde é o banheiro? - Ele perguntou, com a voz um


pouco rouca de sono.

Eu não tinha a capacidade de falar, então eu só afastei


uma das minhas mãos de meu cabelo e apontei para uma
porta.

Ele andou os três passos para mim, parou, colocou a


mão no meu queixo e roçou seus lábios contra os meus. A
sensação de energia elétrica atravessou o meu corpo,
torcendo-me para o local e, em seguida, ele entrou no
banheiro e fechou a porta.

Fiquei ali um segundo, então eu corri para o quarto da


mamãe, de repente, cheia de energia. Eu abri a porta e, em
seguida, fechei-a atrás de mim.

Mamãe tinha a luz acesa e estava sentada ao lado da


cama. Sua cabeça atirou ao redor e ela olhou para mim, os
olhos brilhantes e bem acordados. — Foi a voz de um homem
que eu ouvi? - Ela perguntou.

Eu não respondi.

O que eu poderia dizer? Eu estava em um estado de


confusão.

Corri para o banheiro, ligando a luz e olhando para


mim mesma no espelho. Graças a Deus, eu não parecia um
monstro. Sem maquiagem, pois eu não tinha me arrumado.
Na verdade, o corte novo da Trixie, parecia bom o tempo todo,
mesmo depois de eu ter dormido sobre ele. Quando me virei,
mamãe estava de pé, encostada no batente da porta do
banheiro.

— O que está acontecendo? - Ela perguntou.


— Eu me esqueci de lhe dizer que Eddie está aqui, - eu
disse.

Os olhos dela se arregalaram.

— Você trouxe um homem para casa ontem à noite? -


Ela perguntou.

— Sinto muito, - eu disse. — Não é o que você...

— Isso é ótimo, - ela chorou.

Fechei os olhos.

Minha mãe.

Abri os olhos.

— Mãe, não é o que você pensa. É uma longa história,


eu vou contar a você mais tarde.

— Você tem um monte de histórias longas,


ultimamente, nenhum incidente, então você realmente vai
contar-me.

Eu não tenho tempo para isso. Era de manhã e Eddie


estava lá.
— Mãe, - eu gemia, soando como uma criança de seis
anos de idade.

— Eddie está aqui! - Mamãe olhou para mim por um


segundo, balançou a cabeça e virou-se.

— Certo. Eu preciso usar o banheiro, então você pode


me ajudar a conseguir o meu sutiã e eu vou vestir-me. -
Tivemos o cuidado com a mamãe primeiro e eu deixei-a para
terminar de vestir-se. Eu usei o banheiro e seu sabonete
facial e passei a escova pelo meu cabelo. Olhei para mim
mesmo no espelho. Eu estava vestindo o pijama LA Dodgers
que a minha irmã me enviou. Era enorme e disforme e descia
para o meio da coxa. Eddie já tinha me visto no mesmo, o que
não era exatamente devastador, mas eu gostaria de estar
vestindo algum pijama bonito de garota, ou uma camisola.

Eu não sabia o que fazer, se eu tinha que trocar de


roupa antes de aparecer nas áreas comuns do apartamento,
eu pareceria como se eu estivesse tentando demais. Mas, a
camiseta de dormir dos Dodgers faltava ostentação.

Quem eu estava enganando? Era em mim, que faltava


ostentação. Eu só tenho que ir com o fluxo.

Até o momento eu estava em seu banheiro, mamãe já


não estava em seu quarto, então eu fui para o corredor e a
porta do banheiro principal estava aberta. Eu abaixei
rapidamente, escovei os dentes e saí, ouvindo vozes vindo da
cozinha.

Eu tomei uma respiração calmante, levantei os meus


ombros e segui em frente.

Eu andei na cozinha, tentando parecer calma e casual,


como se eu tivesse mais caras o tempo todo e não me
sentindo como uma idiota na minha camiseta dos Dodgers.

Eddie estava sentado à mesa. Ele chegou ao topo das


calças de brim com uma camiseta vermelha apertada e tinha
uma caneca de café na frente dele. Ele olhou para mim
quando eu entrei, seus olhos moveram-se por todo o meu
corpo e eu podia ver a covinha aparecer. Eu não sabia o que
fazer com isso, mas decidi considerar isso uma coisa boa.
Então, mamãe falou e minha atenção voltou-se para ela.

— Ei! Cara de boneca. Não se preocupe, Eddie já se


apresentou. Eu estou fazendo os ovos. - Ela jogou um de seus
sorrisos lindos no Eddie, então seus olhos foram para mim:
— Você quer um café?

Mamãe estava em pé no balcão, sua cadeira de rodas


posicionada na mesa. Ela colocou um vestido lilás que tinha
flores de pêssego bordado no pescoço. Era essencialmente um
muito moderno. Era fácil de colocar, porque, se ela se
levantou, a gravidade fez um monte de trabalho e foi fácil
para que ela pudesse enfiar o braço bom e ajudar o outro.
Era simples e deselegante, mas com sua coloração, parecia
sensacional em cima dela.

— Obrigada, mamãe. Em um segundo.

Meu cérebro estava começando a chutar e a


preocupação estava começando a envolver-me. Virei-me para
Eddie e disse: — Posso falar com você um minuto? - Eu não
esperei que ele respondesse, apenas fui para a sala de estar.
Ouvi-o vir atrás de mim.

Eu precisava de um lugar privado para falar e olhei em


volta.

A sala não era boa, mamãe poderia ouvir (e ela estaria


ouvindo, com certeza). A sala de jantar era parte da sala de
estar e eu não podia levá-lo para o quarto da mamãe.

Suspirei alto e levei-o para o meu quarto.

Meu quarto era chato. Meu antigo apartamento era


parte de uma grande mansão vitoriana que tinha sido
transformada em apartamentos décadas atrás. Tinha todos
os tipos de quartos vacilantes, piso de madeira, e eu tinha
feito mais do mesmo, com divertidas bugigangas, as luzes de
Natal coberta de flores, esse tipo de coisa. Eu não tinha tido
tempo para fazer este novo espaço divertido, não só o meu
quarto, mas também todo o apartamento, meu material
antigo foi deixado em caixas nos cantos. O espaço era chato e
deprimente e, olhando para ele através do que eu imaginava
eram os olhos de Eddie, meio constrangedor.

Ele veio ao quarto e nem sequer olhou ao redor. Ele


estava observando-me.

— Você pode fechar a porta, por favor? - Eu perguntei.

Ele fez o que eu pedi e quando ele se virou para mim,


disparei.

— Ouça, Eddie, mamãe não sabe que o papai está na


cidade e eu não quero que ela saiba. Eles não se dão bem e
eu apenas não quero perturbá-la. Na verdade, eu não quero
que ela saiba de nada do que está acontecendo. Ela teve um
derrame há oito meses e eu não quero que ela fique
incomodada com isso. Se ela souber sobre essas coisas, ela
vai ficar preocupada, sua pressão arterial vai ficar fora de
controle e eu não quero nem pensar... - Fiz uma pausa, não
querendo ficar chateada, respirei e terminei.

— Então, você não pode dizer nada.

Eu esperei para discutir, para que ele me dissesse que


eu estava errada ou sendo injusta ou que deveria avisá-la ou
para discordar de mim, de alguma forma, mas ao invés disso
ele disse: — Tudo certo. - Eu pisquei para ele.

— Tudo certo? - Perguntei.

— Sim, tudo certo, - repetiu ele.

Eu olhei.

Ele estava muito mais desperto, seu cabelo estava


confuso, mas lhe convinha (em grande forma) e ele estava
observando-me de perto.

— Só isso? - Perguntei.

— Não, - ele respondeu.

Eu sabia. Aqui vamos nós.

— Ok, então, o quê?

Ele deu um passo em minha direção, puxou-me para


os seus braços e beijou-me. Foi um beijo forte, incluindo
língua; não passando boca na boca neste momento e não
havia absolutamente nenhuma necessidade de fazer tudo de
novo.

Estava uma delícia.


Quando ele terminou o beijo e comecei a levantar a
cabeça, eu pressionei meus dedos em seus cabelos, ao
mesmo tempo, fiquei na ponta dos pés, a minha boca
seguindo-o. Eu não me importava se parecia carente ou
gananciosa, eu sabia que parecia, mas eu queria mais.

Ele fez um barulho que parecia muito com um gemido


e ele beijou-me de novo, andando comigo para trás, sua boca
na minha. Ele mudou-nos e fomos parar em cima da cama,
ele de costas e eu em cima dele. Nós saltamos, nossos lábios
separados e eu estava prestes a dizer algo, tentando cortar
meu Eddie Torpor, quando ele me virou de costas e rolou em
cima de mim.

Ele não estava brincando, isso era coisa séria.


Estávamos em meio a carícias e tateando; bocas, línguas e
mãos em todos os lugares. Ele era incrivelmente fantástico.
Além disso, era um líder em algum lugar e eu queria ir para
lá. Eu queria isso de uma forma muito intensa.

De repente, ele tirou sua boca longe e colocou meu


rosto em sua garganta.

— Eddie? - Eu sussurrei contra sua pele, confusa com


a mudança rápida e não gostando da parada.

— Sua mãe. Os meus ovos, - foi tudo o que ele disse.


Droga! Eu me esqueci da minha mãe completamente.

Além disso, se eu continuasse assim, eu estaria


atrasada de novo para Indy.

Eu era a pior filha do mundo e a pior empregada do


universo. Se eu não resolvesse isso logo, eu estaria fora de
dois postos de trabalho e mamãe e eu estaríamos vivendo na
rua comendo comida de gato em latas com os nossos dedos.

Eu afastei-me para sair da cama, mas Eddie pegou um


punhado de minha camiseta e me puxou de volta.

— Espere aí, Chiquita, - disse ele e eu desequilibrei-me


e caí em seu colo.

Eu olhei para ele e murmurei semi-histérica.

— Eu tenho que ir. Eu tenho que tomar um banho. Eu


tenho que ir para o trabalho e, depois do trabalho, eu tenho
que encontrar meu pai e organizar a bagunça. - Eu estava
empurrando contra ele para levantar-me e entramos em uma
espécie de jogo de tapa com as mãos (bem, eu estava
batendo, Eddie estava mais no controle e em modo de defesa).
Ele finalmente agarrou meus pulsos e prendeu-os entre os
nossos corpos.
— Jet, acalme-se.

— Eu não posso acalmar-me. Eu tenho coisas para


fazer, eu não posso simplesmente...

Ele interrompeu: — Ter uma vida?

— Exatamente! - Eu estava tão aliviada que ele


entendeu que eu caí contra ele. Seus olhos ficaram estranhos
e ele balançou a cabeça.

— Jet, você não vai encontrar o seu pai. Se o seu pai


entrar em contato com você, você me telefona.

Eu olhei para ele.

Eu não penso assim.

Era hora de eu levar as coisas em minhas próprias


mãos.

— Eu tenho que resolver isso, Eddie. Se eu não fizer


isso, eu poderia perder meu emprego no Smithie e eu preciso
desse trabalho. Smithie é um bom rapaz, mas há limites para
os tempos com a polícia vir e acabar com ele por minha
causa. - Então, como uma idiota, eu segui em frente,
planejando o meu dia verbalmente.
— Eu vou trabalhar até à tarde para Indy, compensar
as horas, sair hoje à noite, bater os pontos onde o papai
costuma ficar quando ele está em Denver.

— Você não está esquecendo-se de alguma coisa? - Ele


interrompeu.

Olhei para ele, confusa.

— Nós temos um encontro hoje à noite, - disse ele.

Droga, eu me esqueci disso também. Ele olhou para o


meu rosto e sua mandíbula ficou tensa.

— Cristo, você sabe matar a autoconfiança de um cara.

Eu era uma idiota. Não, eu estava além de idiota, mas


eu não sabia o que estava para além de idiota.

— Eu sinto muito, - eu disse, inclinando-me para ele


um pouco.

Ele soltou meus pulsos e os braços a volta da minha


cintura. Ele enfiou o rosto no meu pescoço e logo abaixo da
minha orelha, ele disse: — Se você quiser realmente pedir
desculpas, você pode fazê-lo para mim essa noite.

Droga!
— Ovos, - eu disse, tentando manter o foco até mesmo
quando um arrepio me percorreu.

Ele puxou a cabeça de meu pescoço e sorriu para mim.

Eu estava certa de que o que senti foi um tremor. Em


seguida, a covinha desapareceu e ele olhou para mim.

— Eu vou levá-la para trabalhar, mas eu tenho que


pedir-lhe para não ir a qualquer lugar sem alguém com você,
não é seguro. Você pode prometer-me isso?

Eu pensei sobre isso, eu pensei em mentir sobre isso,


eu decidi que eu podia e disse: — Claro. - Ele me olhou por
um instante.

— Mãe, - eu o lembrei, pensando em mudar de assunto


e saindo de seu colo.

Eu peguei sua mão e puxei-o de cima da minha cama.

Não era uma imagem que eu iria esquecer tão cedo,


Eddie sentado na minha cama. Na verdade, eu esperava que
ela ficasse gravado na minha memória para sempre.

Ele não resistiu, mas, no minuto em que ele ficou em


pé, suas mãos aproximaram-se e descansaram em cada lado
do meu pescoço, exatamente onde se encontrava com os
meus ombros.

— Você não iria mentir para mim, não é? - Ele


perguntou, olhando-me de perto.

— Sobre? - Eu tentei de olhos arregalados e inocentes.


Ele não estava mordendo.

— Qualquer coisa, - disse ele.

Eu respirei fundo e decidi ser honesta.

— Talvez, mas só se for importante.

— Como seu pai estar na merda, esse tipo de


importante?

Mordi o lábio.

Ele suspirou.

— Você tem o meu cartão?

Eu balancei a cabeça.

— Salve o meu número em seu celular. Chame se você


precisar de alguma coisa e não faça nada de estúpido.
Eu poderia fazer os dois primeiros, o último eu não
tinha tanta certeza sobre.

Eddie deixou-me em frente da Fortnum e eu entrei


cinco minutos após o tempo de abertura.

A fila no balcão de café expresso estava grande, mas no


minuto em que Tex me viu, ele apontou o porta-filtro para
mim e explodiu: — Nós temos regras por aqui, Loopy Loo! -
Eu estava trabalhando lá por mais de três meses e a única
regra que parecia haver era que country ou rock 'n' roll
poderia ser reproduzido no leitor de CD. Eu não queria nem
me lembrar do dia que eu coloquei o meu CD do Coldplay,
Ally enlouqueceu.

Imaginei que Tex não estava feliz comigo fazendo um


show no dia anterior e eu me senti como um salto total. Eu
comecei a dizer algo quando Tex continuou.

— Da próxima vez que você entrar em uma briga de bar


ou lutar com um cara segurando uma faca, você me chama.

Ally e cinco clientes viraram-se e olharam para mim.


Olhei para Tex. Eu perguntei: — O quê?

— Eu sou o guarda-costas designado na Fortnum, -


Tex disse-me.

Olhei para Duke, que estava trabalhando atrás do


balcão de café expresso com Tex.

— Ele meio que é, - disse Duke.

Eu tinha que dizer, eu estava um pouco alarmada que


a Fortnum precisasse de um guarda-costas designado. Eu
não tive tempo para pensar sobre isso, porque Indy veio atrás
de mim, pegou minha mão e puxou-me por trás do balcão.

— Eu acho que Lee disse - eu disse a ela quando


paramos e eu peguei um olhar em seu rosto sério.

— Sim, ele me disse. Você está bem? - Ela perguntou.

— Claro, - eu disse, tentando fazer parecer que eu


tinha tudo certo. Ela não comprou e seus olhos estreitaram-
se.

— Jet?

— Não, eu realmente, eu estou bem.


Ela aproximou-se de mim e apertou minha mão. Em
seguida, ela disse em voz baixa: — Eu sei que você acha que
você está enganado todo mundo, mas todos sabem que tudo
não está bem com você. Fale comigo, Jet. Talvez eu possa
ajudar. - Eu não sabia o que era, talvez o aperto de mão,
talvez a voz calma, talvez porque ela sempre foi tão boa para
mim. Fosse o que fosse, eu respirei, tentando pensar em
alguma maneira de escapar a sua pergunta e, em seguida,
em vez disso, tudo veio à tona. Tudo. Papai deixando-nos,
mamãe quebrando, Lottie indo para Los Angeles, o acidente
vascular cerebral da mãe, tornando-nos a deixar na situação
atual com o papai.

Eu terminei com: — E se tudo não estivesse ruim o


suficiente, eu tenho um encontro hoje à noite com Eddie e eu
não tenho absolutamente nenhuma ideia do que vestir.

Ao longo da minha história, ela parecia preocupada, às


vezes com raiva, às vezes como se estivesse indo para
interromper, mas, no meu comentário final, ela sorriu.

— Essa última parte, eu posso ajudá-la. O resto, Lee


pode ajudá-la.

Eu sabia que Lee era um detetive particular. Eu


também sabia que ele era muito bom no que fazia e eu sabia
que ele era caro. Ele dirigia um carro de luxo, tinha uma
moto mais extravagante, tinha uma enorme força de trabalho
e tinha algum tipo de escritório de luxo em Lower Downtown
Denver. Eu não podia pagar Lee e eu não podia dar-me ao
luxo de dever um favor a ninguém.

— Eu não posso pedir a Lee... - eu comecei.

— Você pode perguntar a Lee, mas você não tem que,


eu ajudo, - Indy me assegurou.

— Indy, eu realmente gostaria de cuidar disso sozinha.

— Lee diz que é perigoso.

Eu ri.

— Você não ouviu a minha história? Eu posso cuidar


de mim mesmo, e todos os outros. Eu tive muita prática. -
Indy olhou para mim.

— Eu não sei, eu tive um encontro com o submundo


do crime de Denver e não foi muito divertido. - Eu estava
curiosa, mas não perguntei.

— Eu vou estar segura e eu vou ser inteligente, eu


prometo, - eu assegurei a ela, desejando que estivesse certa e
sabendo que não era nada.
— O que você vai fazer? - Ela perguntou. Dei de
ombros.

— Eu não sei. Encontrar o papai primeiro. Resolver


tudo isso. Em seguida, levá-lo de lá.

Imediatamente, ela disse: — Eu vou com você. - Não.

Não, não, não.

Eu não poderia ter Indy comigo, se algo acontecesse


com ela, tanto Lee como Eddie, estariam chateados comigo,
para não falar de Duke, Tex e a totalidade do Departamento
de Polícia de Denver (o pai de Indy era um policial, e seu
cunhado Hank também).

— Eu não acho que... - Eu comecei a dizer, mas, em


seguida, Tex estava lá.

— Eu estou indo também, - disse ele.

Fechei os olhos. Isto era uma espiral fora de controle.


Eu abri-os novamente.

— Por favor, me escutem...

— De jeito nenhum, Loopy Loo. Você não está


acumulando toda a ação. - Ele virou-se para Indy: — Você vai
dirigindo porque podemos caber no seu carro bobo. Quando
tivermos uma pausa na ação do café, eu vou para casa e pego
a minha espingarda. - Meu queixo caiu e eu tinha certeza de
que meus olhos saltaram da minha cabeça.

— Não se preocupe, Jet. Contanto que nós não


entremos em qualquer situação que exija granadas, nós
vamos ficar bem. - Indy disse isso como se ela não estivesse
brincando.

Tex olhou para Indy por um momento. — Embalarei


algumas, apenas no caso, - disse ele. Então, Tex
pesadamente foi embora e eu olhei para ele, de boca aberta.

Indy olhou para mim e, estranhamente (eu pensava),


ela riu.

Saímos e Duke e Jane ficaram no comando da livraria


após a corrida de cafeína pós-almoço e nós todos subimos no
VW New Beatle azul escuro da Indy.

Nós passamos pelo hotel onde papai ficou, mas eles


não o tinham visto. Também passamos por um par de lugares
que o papai ia quando ele estava na cidade e perguntamos ao
redor. Ninguém nos bares o tinha visto também. Em seguida,
fomos para Lakewood, um subúrbio a oeste de Denver, para
visitar o amigo do meu papai Bear.
Bear foi apelidado de Urso por razões óbvias. Ele era
quase tão grande quanto Tex (que era incrivelmente alto),
mais peludo do que Tex (que parecia um Papai Noel demente,
cinza loiro com barba ruiva, Bear parecia que tinha estado a
dormir por cem anos e não tinha tirado a barba quando
acordou) e ambos foram construídos para durar, como de
maneira sólida.

Bear era um encanador ocasional, mas a maior parte


do tempo era um beberrão. Ele era tão divertido e louco
como o papai, mas tinha mais senso de permanência. Ele
estava casado por mais de 30 anos, para o longo sofrimento
de Lavonne.

Lavonne, por outro lado, não têm poder de


permanência.

Ela deixava Bear, pelo menos uma vez por ano; no


entanto, por razões conhecidas apenas para Lavonne ela
sempre voltava.

Eu não tinha visto Bear em mais de um ano, lá atrás,


quando os tempos eram melhores, e ele e Lavonne tinham
vindo para um grande piquenique no parque de Washington
que fiz para Lottie, quando ela veio me visitar.

Tex, Indy e eu caminhamos até a casa de Bear, que era


de um andar, como uma caixa de biscoito que tinha
revestimento de alumínio amarelo e uma bagunça de
brinquedos infantis no jardim da frente. Era desse jeito, pois
Bear e Lavonne tinham dois filhos da mesma idade que eu e
Lottie e tinham saído de casa quase uma década antes.

Bati na porta e Bear respondeu. Seus olhos ficaram


grandes, então entraram em pânico, em seguida, eles
permaneceram cautelosos.

Nada bom.

— Jet! Merda! Não a vi em anos, menina. Como você


está?

— Oi Bear.

Ele me puxou em (você adivinhou) um abraço de urso


e, em seguida, deixou-me ir. Seus olhos se moveram
brevemente para Indy e depois mantiveram-se em Tex.

Eu apresentei todos. Ao longo das apresentações, Bear


fingiu ser cordial, mas ele não estava nada descontraído.

— O que os traz aqui? - Ele perguntou, sem tirar os


olhos de Tex e não se mexendo na porta.

— Papai está na cidade, - eu disse.


Os olhos de Bear finalmente ficaram em mim. — Ele
está? - Bear mentiu. Ele sabia, totalmente, que papai estava
na cidade.

— Ele está em apuros, Bear. Podemos entrar por um


segundo e conversar?

Bear não moveu seu corpo bloqueando a porta.

— Gostaria que você pudesse, menina, mas Lavonne


está trabalhando à noite e ela fica um pouco irritada quando
perturbada de seu sono de beleza. - Finalmente, Bear falou a
verdade. Lavonne se irritava quando o sol aparecia, quando
se definia e quando a Terra girava em torno dele. Então,
novamente, Lavonne apoiava um fanfarrão por trinta anos,
ainda que um amável, mas que me faria irritadiça também.

— Você sabe alguma coisa sobre o papai? – Eu


perguntei.

— Un-unh, não ouvi de Ray em anos, - disse o Bear.

De volta as mentiras.

Droga.

Eu suspirei, em seguida, contei sobre minhas últimas


aventuras com o papai, Slick e a faca de Slick.
Foi, então, que Bear pareceu irritado.

— O que você está fazendo trabalhando num bar de


strip? - Maravilha.

— Este não é o ponto.

— É o ponto. Você precisa de dinheiro?

Como se Bear tivesse dinheiro.

Antes que eu pudesse responder, Tex trovejou: —


Vamos manter o foco aqui, pessoal.

Bear ficou tenso, ainda com raiva e ele olhou para Tex.

Mudei-me para a linha de visão de Bear. Eu não


precisava de dois grandes, homens peludos lutando entre um
grupo de triciclos enferrujados. Eu tinha que encontrar meu
papai e, em seguida, encontrar uma roupa de matar para o
encontro com Eddie e ter certeza que minhas pernas tivessem
limpas e lisas com depilação. Eu não tinha tempo a perder.

— Bear, eu realmente preciso encontrar o papai.

Bear olhou para mim.


— Eu não ouvi de Ray. Certo? Se eu ouvir, eu ligo. E eu
não vou contar a Lavonne que você está trabalhando num
bar de strip. Ela teria uma hemorragia de merda.

Com isso, não tivemos escolha a não ser dizer adeus.


Em seguida, marchamos de volta para o Beetle da Indy. Nós
nos sentamos, eu na parte traseira, Indy no volante, Tex no
banco do passageiro da frente.

Olhamos para a casa.

— Você acha que seu papai está lá dentro? -


Perguntou-me Indy.

— Não, mas eu acho que Bear sabe onde ele está, - eu


disse.

— Talvez devêssemos dirigir até a esquina e esperar por


algum tempo, observar a casa, - sugeriu Indy.

— Foda-se. Eu não sou vigia. Eu preciso de comida.


Eu perdi o almoço. Vamos rodar, - Tex disse em uma voz que
não queria discutir.

Indy nos levou a Einstein’s Bagels na Alameda. Tex


pegou um bagel de cebola com peru, couve de Bruxelas e
cream cheese, um saco de batatas fritas, um enorme cookie e
Crispies como brinde. Indy e eu pegamos coca-cola diet. Nós
nos sentamos em uma mesa, assim Tex poderia comer.

— Você tem alguma ideia mais? - Tex me perguntou,


com sua boca cheia.

Eu balancei minha cabeça.

Ele virou-se para Indy.

— Você era mais divertida.

Eu tinha ouvido trechos de conversas sobre o drama da


Indy, mas nunca a história completa. Desde que eu tinha
compartilhado minha história de vida, eu pensei que só seria
justo perguntar a dela. O tempo estava certo, Tex tinha uma
montanha de comida pela frente, então eu perguntei.

Ela não hesitou. Ela não tinha nada a esconder.

Ela me disse a coisa toda, com Tex interrompendo de


vez em quando. Ele tinha sido mais do que um simples
jogador em seu drama. Ele tomou um tiro enquanto a
protegia (o que explicava a tipoia que ele usava quando eu o
conheci).
Eles só se conheciam algumas semanas a mais do que
eu os tinha conhecido, o que era surpreendente. Eu pensei
que eles se conhecessem há anos.

Depois que ela terminou, eu não sabia o que dizer. Sua


história fez Slick e sua faca parecerem mansas. Então,
novamente, ela tinha Lee e seu exército de homens quentes a
apoiando.

Tex limpou a boca com um guardanapo de papel e


jogou-o sobre a mesa. — Eu tenho que ir para casa, brincar
com os gatos. - Tex era uma espécie de homem renascentista
maluco: de dia, um gênio do café, de noite uma babá de
gatos. Aparentemente, ele sempre teve dezenas de gatos indo
e vindo em sua casa.

De acordo com ele, às vezes, se ele não gostava do


proprietário do gato, ele não os devolvia. Eu não achei isso
nada surpreendente, e nem um monte de gente iria discutir
com Tex, mesmo que ele estivesse essencialmente roubando
seu gato.

Nós nos levantamos quando notei Tex tenso e olhando


atrás de mim.

Eu me virei e vi dois homens que nunca tinha visto na


minha vida parada lá. Parecia que tinham visto o filme
Reservoir Dogs e decidiram basear seu guarda-roupa nele.
Ambos magros, ambos com cabeças escuras, ambos
vestindo ternos pretos, finas gravatas pretas e camisas
brancas.

— Você está procurando por Ray McAlister? - O mais


alto dos dois perguntou a Tex.

Ah, não.

Isso só estava piorando.

Quem eram esses caras?

— O que é isso para você? - Respondeu Tex,


obviamente, não sentindo a necessidade de ser gentil e
educado.

Eles olharam um para o outro.

Eu era a mais próxima a eles e Tex agarrou minha


camiseta, puxou-me para trás, para o lado e colocou-se entre
os bandidos e eu.

— Não há necessidade de ficar com raiva, só fiz uma


pergunta, - o mais baixo dos dois disse para Tex, tentando a
diplomacia.
— Sim, nós estamos procurando por ele. Estas duas
são escoteiras e ele deve dinheiro do biscoito, - Tex disse, não
se sentindo diplomático.

Eles olharam um para o outro novamente.

— Eu não estou certo se gosto da sua atitude, - disse o


homem mais alto.

Tex ficou encarando.

— Qual é o problema com você? Vocês têm dois corpos


e um cérebro?

Era como se Tex quisesse deixá-los com raiva.

Se era isso que ele queria, ele conseguiu.

O cara mais alto se aproximou.

— Vá se foder.

Uh-oh.

— Vá se foder você, - disse Tex.

Eek!
— Tex, - disse Indy, esgueirando-se de mim e me
mantendo a distância, — Vamos.

Os homens Reservoir Dogs não tinham terminado


ainda.

— Se você encontrar McAlister, diga a ele que Louie e


Vince querem falar com ele, - disse o menor.

— Você o encontra, diga a ele que Tex quer falar com


ele, mas em primeiro lugar, Lee Nightingale quer falar com
ele, - disse Tex.

Eles olharam um para o outro novamente, então eles


olharam para Indy.

— Eu achei que a reconhecia, - disse o mais alto.

— Tire os olhos fodidos dela. - Tex se colocou entre


Indy e eu, o que o colocou perigosamente perto do cara alto.
— Cai fora, velho. E diga a Nightingale para manter a
porra do nariz dele fora disso. Aqueles amigos dele também, o
policial cucaracho* [*do original wetback, palavra racista para
ofender descentes mexicanos nos EUA] e o fodido traficante.

Olhando para trás, talvez eu devesse ter contado até


dez.
Então, novamente, até recentemente, eu tinha sido
bem-educada e entediante, então, quem poderia imaginar que
eu teria perdido a cabeça, como eu fiz. Embora, palavras
como com a Letra N, ‘Cabeça de pano’, ‘cucaracha’* [dos
originais N-Word, raghead, wetback, todas ofensas à latino-
americanos] e afins sempre fazem meus dentes tremerem,
então eu acho que a minha reação a eles chamando Eddie
com uma daquelas palavras, não foi surpreendente.

Eu me joguei no cara alto. Acho que o peguei


desprevenido, porque ele cambaleou para trás e ambos
desabamos entre as mesas no Einstein.

Eu acabei em cima dele e ele fez — Ow! - E eu tenho


certeza que bati o ar fora dele. Esta foi a minha sorte, porque
em qualquer outra circunstância, ele poderia ter,
provavelmente, chutado a minha bunda.

Aproveitei e fomos rolando ao redor, um emaranhado


de pernas. Ouvi gritos e rolamos para dentro e envolvendo
um monte de mesas. Acho Tex entrou na confusão com o
cara mais baixo, porque eu ouvi uma briga, mas não podia
prestar muito a atenção, porque meu cara recuperou o fôlego
e começou a chutar a minha bunda.

Ouvi Indy gritar: — De uma joelhada nas bolas! - Isto


soou como um bom plano, eu me vi abrindo e levantando
meus joelhos com toda minha força e encaixei, solidamente.
Meu cara fez um barulho que até me fez sentir pena
dele. Eu fui levantada pela minha cintura, fixada em meus
pés e, então ouvi Tex gritar: — Corra!

Nós seguimos para o Beetle e Indy disparou fora do


estacionamento, mas nós poderíamos ver um carro da polícia,
sirenes tocando, aproximando-se na esquina da Alameda e
Logan.

Indy nem sequer diminuiu.

Voltamos para a Fortnum, que estava a apenas alguns


quarteirões de distância. Sem dizer uma palavra, nós todos
saímos do carro e caminhamos para a loja.

Duke e Jane olharam para cima quando entramos.

Os olhos de Duke se estreitaram. Jane começou a


sorrir.

— Se alguém perguntar, nós estivemos aqui o dia todo,


- disse Indy imediatamente.

Duke abaixou a cabeça na mão.


— Se você quer ir com essa história, você pode querer
escovar os chips de batata para fora do cabelo de Jet, -
comentou Jane.

Minha mão voou para o meu cabelo. Eu tinha perdido o


elástico do meu rabo de cavalo e então, passei a mão através
do meu cabelo. Fritas voaram para todos os lados.

— Eu pegarei a vassoura, - disse Indy.

— Você também pode querer limpar isso.... Isso é


cream cheese? Fora de sua camisa também, - Jane sugeriu.

Fiquei olhando para minha camisa.

A mão de Tex foi para minha cabeça.

— Agora, é assim que se faz, Loopy Loo, - disse ele.

Querido Deus!
Capitulo 7

Meu Encontro com Eddie.

Quando parecia que o caminho estava livre e a


Fortnum não ia ser invadida por uma equipe da SWAT em
busca dos criminosos que destruíram o Einstein’s Bagels,
Indy levou-me para a casa dela.

Ela me deu um monte de conselhos sobre o meu


guarda-roupa e decidiu que eu não tinha o que fazer. Ela
chamou Ally para ajudar a arrumar-me para o encontro de
matar com Eddie. Ally ensacou algumas de suas roupas e
acessórios e nós descemos para o duplex de Indy.

Eu experimentei umas mil roupas antes de nós


escolhermos alguma coisa. Bom, mas não muito bom. Sexy,
mas não óbvia.

Legal, mas não tentando ser legal.

Incluía a blusinha verde de Ally, envolvente e que


mostrava um pouco de pele, era super apertada em todos os
lugares e as mangas eram muito longas e tinha um pequeno
buraco em que eles viciavam em seu polegar. Este liderou um
par de jeans de Indy que estavam desbotadas o suficiente
para não parecer que eu estava sendo vistosa, mas também
não muito suja. Nós adicionamos um monte de pulseiras de
prata de Indy no meu pulso, usado sobre o tecido da parte
superior e alguns grandes brincos de Ally. O chique era um
par de sandálias de tiras verdes que eram tão sexys, Smithie
me deixaria quebrar o código de cores para os sapatos no
trabalho. Estes foram emprestados do vizinho da Indy que
era uma drag queen de Denver. Felizmente, ele tinha pés
pequenos (ou eu gostava de pensar dessa forma, não que
meus pés fossem grandes).

Ally levou-me para casa e, como de costume, eu estava


atrasada. Eu precisaria de uma década para preparar-me
para ter um encontro adequado com o delicioso Eddie. Eu
precisava de uma hora apenas para preparar-me para o
Smithie. Eu tinha 45 minutos para ficar pronta para
encontrar Eddie.

Eu estava no meu quarto, terminando meu cabelo


quando a campainha tocou e o pânico se apoderou de mim.

— Eu vou recebê-lo. - Mamãe gritou.

No pensamento da minha mãe deixando Eddie entrar,


pânico dissolveu-se em quase descontrole e histeria sobre
mim.
— Diga-lhe que estou atrasada, - eu gritei de volta.
— Boa menina, deixe-o esperando, - incentivou a
minha mãe.

Minha mãe.

Eu corri através dos toques finais, quase esqueci as


pulseiras e entrei em pânico quando eu não conseguia
encontrar uma bolsa adequada. Eu tive uma conversa
mental, para convencer-me de que os caras não percebem
bolsas quando uma batida soou na minha porta.

— Eddie está esperando, - Mamãe gritou através da


porta, obviamente pensando que Eddie esperou tempo
suficiente.

— Estou indo! - Eu gritei de volta.

Eu superei o trauma da bolsa, peguei a que eu usava


normalmente e corri para a porta quando ouvi a campainha
de novo.

— Eu atendo. - Mamãe gritou, fora da minha porta.

Quem seria?

Saí e Eddie estava descansando na sala de estar.


Jeans tinha sido uma boa dica. Ele não parecia
diferente do que o normal, camiseta manga comprida preta,
calça jeans desgastada, botas de cowboy preta e um cinto
preto com uma fivela de prata.

Não importa que ele estava vestido casualmente, ele


poderia ser um modelo de revista.

Seus olhos mudaram quando ele me viu e saiu de sua


cadeira.

— Oi, - eu disse, e apenas me impedi de dar um tapa


na minha testa, uma vez que pareci ofegante, como se eu
tivesse acabado de correr uma corrida.

Ele não disse nada, ele apenas sorriu.

Minhas entranhas enrolaram.

— Olha quem está aqui! - Mamãe, rodou no uso de seu


pé com Trixie atrás dela, carregando uma sacola para a noite.

Eu olhei.

Em seguida, Trixie começou a falar. — Eu pensei


comigo mesmo? O que você vai fazer em uma entediante noite
quinta-feira? E me respondi: -Você vai ter uma festa do
pijama com a sua boa amiga Nancy. - Então, aqui estou eu, -
disse Trixie, como se ela dormisse com minha mãe o tempo
todo (o que ela não fazia). — Você deve ser Eddie, - ela deixou
cair a bolsa e sorriu para Eddie.

Poderiam ser mais óbvias?

O sorriso de Eddie não vacilou.

— Eddie, esta é a melhor amiga da minha mãe, Trixie.


Trixie, este é, hum... Eddie.

Eu meio que queria que Slick tivesse me quebrado


naquele momento e me esfaqueado, tal era o meu desejo de
alguém para matar e me tirar fora da minha miséria.

Eddie cumprimentou Trixie e antes que pudesse ficar


mais fora de mão, eu quase atravessei a sala e agarrei a mão
de Eddie.

— Eu estava atrasada por isso temos que ir, - eu disse.

Eu puxei a mão de Eddie e, felizmente, mudou-se


comigo em direção à porta da frente.

— Não se preocupe com a gente, nós vamos ficar bem. -


Trixie gritou-nos, para a porta da frente.
Eu joguei um olhar por cima do ombro, que deveria tê-
la transformado em pedra. Ela apenas sorriu para mim.
— Fique fora o quanto você quiser - mamãe gritou da
sala de estar.

— Obrigada mãe, - eu gritei de volta, parei na porta e


olhei para Trixie. — Você vai cuidar dela? - Eu perguntei em
voz baixa.

— Você precisa perguntar? - Trixie era tão tranquila.

— Eu posso lhe ouvir! - Gritou minha mãe.

Eu estava certa de que ouvi Eddie dar uma risada.

Maravilhoso.

Eu beijei o rosto de Trixie, gritei adeus à minha mãe e


puxei Eddie abaixo para o corredor. Nós estávamos fora da
porta da frente do prédio quando Eddie disse: — Isso foi
divertido.

Eu não respondi e eu diminuí a minha


responsabilidade.

Agora que eu o tinha longe de mamãe e Trixie, eu


queria arrastar os pés.
Eddie assumiu e guiou-me em direção à sua
caminhonete. Na porta do passageiro, em vez de abri-la, ele
virou-se para mim, mas ele não disse nada.
Eu esperei.

Então eu disse: — O quê?

Ele empurrou-me contra o carro, seu corpo veio contra


o meu e ele me beijou, beijo de língua. Quando ele levantou a
cabeça, ele tinha um braço enrolado no meio das minhas
costas, as pontas dos dedos descansando quase ao lado do
meu peito e a outra mão apoiada no meu quadril.

— O que é que foi isso? - Droga, eu estava ofegante


novamente.

— Só queria dizer que eu gosto do que você está


vestindo.

— Você poderia apenas ter dito isso.

— Preferi mostrar isso.

Eu tinha que admitir, eu preferia também.

Ele soltou-me, puxou-me de lado, abriu a porta e


ajudou-me a entrar.
Levei algum tempo para recompor-me enquanto nós
fomos pelas ruas de Denver. Finalmente, eu disse: —
Desculpe dizer isso, mas eu deveria estar em casa cedo. Slick
está lá fora e mamãe e Trixie estão por si mesmo.

— Eu pedi um favor. Um carro de polícia vai fazer uma


ronda regular pelo prédio, - Eddie respondeu.

Algo sobre Eddie fazendo isso me fez sentir


agradavelmente estranha. Não foi um sentimento que eu
nunca tinha tido antes, mas foi bom.

— Como eles saberão se algo está errado? - Eu


perguntei.

— Eles vão dar uma desculpa e pronto, - respondeu


Eddie.

— Eles não vão dizer... - Eu comecei a me preocupar.

— Relaxe, Jet. Eu disse a eles para serem tranquilos.

Eu não sabia o que dizer. Então eu cheguei em um


simples.

— Obrigada. - Ele não respondeu.


A próxima coisa que eu sabia, era que estávamos em
sua casa.

Eddie apertou o botão em um controle de porta de


garagem que foi anexado ao seu para-sol e apontou para a
garagem na parte de trás de sua casa.

— Você se esqueceu de alguma coisa? - Perguntei.

— Não, - respondeu Eddie, puxando o freio e


desligando o veículo.

Sentei-me perfeitamente no meu lugar.

— O que estamos fazendo aqui? - Perguntei.

— Nós estamos jantando - disse ele, dobrando para


fora da caminhonete.

Eu o vi caminhar ao redor da frente e vir para o meu


lado.

Jantando?

Na casa de Eddie?

Eu não sabia como processar isto. Encontros


habitualmente não aconteciam na casa de alguém. Bem, não
os primeiros encontros. Eu conhecia Eddie há algum tempo,
e ele tinha entrado em uma luta por mim, passado a noite na
minha casa, nós tínhamos ficado um par de vezes e eu tinha
dormido em sua cama, mas este era um primeiro encontro.

Abri a porta e pulei.

Quando eu fiquei próxima a ele, Eddie empurrou


minha porta, agarrou minha mão e puxou-me junto atrás
dele.

— Você vai fazer o jantar para mim? - Eu perguntei as


suas costas.

— Não.

— Estamos pedindo pizza? - Ele abriu a porta dos


fundos e fomos para a cozinha.

— Minha mãe cozinhou para você, - disse ele.

Eu estava ao lado da porta e olhei para ele.

— Sua mãe... cozinhou... para mim? - Eu gaguejei.

Ele puxou-me para a sala, fechou a porta e manobrou-


me para que meus quadris estivessem contra o balcão, as
mãos dele estavam sobre eles e ele estava perto. — Sim. Ela
chamou-me hoje. Ela queria vir hoje à noite e eu disse a ela
que tinha planos. Ela perguntou sobre você, eu disse a ela e
ela decidiu fazer o jantar para você. - Eu pisquei para ele.

— O que você disse a ela sobre mim? - Ele chegou mais


perto, muito mais perto que eu tinha que inclinar minha
cabeça no caminho de volta para olhar para ele. Ele inclinou
o pescoço para que seu rosto estivesse perto do meu.

— Eu disse a ela que era uma linda loira com um


grande sorriso que está trabalhando em dois empregos e
toma todos os cuidados da sua mãe com deficiência, ao
mesmo tempo.

Meu corpo ficou tenso. Eu tive uma sensação de


desconforto que este era um jantar de pena, talvez em mais
de um sentido.

Sentia-me tensa.

— Firme lá, Chiquita. Mamá só sabe que você está


trabalhando duro e você precisa de uma noite tranquila. Após
te seguir por vários dias, eu preciso de uma noite tranquila
também. É isto que é, ela estava tentando ser legal.

— Eu não gosto de pessoas que sabem sobre mim, - eu


disse a ele, meu corpo ficou duro como uma tábua.
— Eu já percebi isso.

Nós estávamos em um impasse e apenas olhando para


o outro.

Então, eu senti o seu cheiro e comecei a escorregar em


um Eddie Torpor. Meu corpo começou a relaxar e, em
seguida, começou a formigar.

— Estou com fome, - disse a ele, tentando agitar o


‘torpor’.

A mão dele veio à minha mandíbula e seus olhos


ficaram quentes.

— Eu também.

Ele não estava falando sobre comida e meu corpo


começou a sentir-se engraçado.

— Devemos comer, - eu disse.

Seus lábios levantaram nos cantos e os seus olhos


caíram para a minha boca.

— Sim, nós devemos comer. - Sua voz era baixa e meio


rouca e eu perguntava-me o que ele estava pensando em
comer.
Eu deslizei para fora na frente dele e respirei fundo em
minha mente.

— O que posso fazer para ajudar? - Eu perguntei,


tentando parecer brilhante e alegre.

Ele sorriu para mim, ele sabia exatamente como ele me


afetava e eu o achei perversamente atraente e irritante.

Ele abriu o vinho e disse-me onde os pratos estavam.

Sua mãe tinha cozinhado tamales caseiros, arroz


espanhol, feijão frito e fez uma salada. O arroz e feijão
estavam em uma panela de barro, a salada na geladeira e os
tamales estavam quentes no forno.

Nós amontoamos nossos pratos e fomos para a sala de


jantar.

Eddie vivia em um bangalô com um piso em Platte


Park. Eu não tinha prestado muita atenção na última vez que
estive aqui e na noite anterior eu esperei (mais como cochilei)
na caminhonete enquanto ele arrumou as malas.

Quando ele ligou o interruptor de luz o que eu vi foi,


uma sala de estar na frente, com uma lareira de azulejos
lindos e um sofá e poltrona tanto menos construído para
decoração e muito mais para hospitalidade, conforto e
durabilidade. À esquerda havia dois quartos, separados por
um banheiro e um corredor pequeno. O chão era de madeira
e parecia que tinha sido recentemente refeito. As paredes
foram pintadas com um salvia quente. Não havia toques
decorativos, imagens na parede ou mobiliário de luxo. Apenas
um tapete grosso na frente do sofá com uma mesa de café
sobre ele.

A sala dava para uma sala de jantar com mesa de


madeira e cadeiras simples, uma janela de sacada com vidros
espelhados nas portas.

Não havia nada na sacada.

Olhei para a mesa da sala de jantar.

Eddie fez também e então ele disse algo em espanhol


que soou meio irritado, meio divertido.

Tinham sido colocados jogos americanos, talheres,


guardanapos e velas. Eu não acho que Eddie era o tipo de
cara que era dono de guardanapos de pano ou velas e
comecei a perguntar-me sobre a parte da ‘pena’ no jantar de
sua mãe. Eu comecei a perguntar-me mais se a mãe de Eddie
era uma espécie como a minha.
Sentamos e Eddie não se incomodou em acender as
velas.
Comecei a ficar nervosa, imaginando o que iria falar.

Eu não tinha com o que me preocupar. As perguntas


de Eddie não eram muito exigentes e eu respondi, contando
um pouco sobre Lottie, mas principalmente sobre a mamãe.

Fiz perguntas e descobri que Eddie comprou a casa


como um acidente cerca de três anos atrás, e foi lentamente
reformando-a. Ele tinha três irmãs, dois irmãos, ele era o
segundo filho e seu pai tinha morrido de um ataque cardíaco
pouco mais de um ano atrás. A família estava perto, todos
viviam em Denver, e a perda de seu pai foi um golpe. Eu
também descobri que ele conhecia Lee desde o terceiro ano e
com Lee veio Indy, Hank e Ally.

Em seguida, terminamos de comer e eu percebi que


tinha sido embalada em uma falsa sensação de segurança.

Querido Deus, o que iríamos fazer agora?

Eu não queria pensar no que poderíamos fazer então


eu pulei e agarrei os pratos.

— Eu vou lavar os pratos, - eu anunciei, decidindo que


era um bom plano. Então, eu fui para a cozinha.
Eu estava lavando os pratos quando ouvi Eddie vir
atrás de mim.
— Deixe-os, - disse ele para a parte de trás da minha
cabeça.

Eu não me virei.

— Não, não é muito. Eu estou apenas lavando estes e


retirando a comida. - E qualquer outra coisa que eu poderia
pensar para evitá-lo enquanto estávamos em sua casa. Eu
não estava muito longe de limpar o banheiro se eu tivesse
que limpar.

Eddie veio atrás de mim, seus quadris pressionados


aos meus na pia, um braço veio ao meu meio e sua outra
mão moveu-se em meu cabelo longe do meu pescoço. Em
seguida, sua boca estava onde meu cabelo costumava estar.

— Deixe-os, - disse ele contra o meu pescoço, com uma


voz que, claramente, as suas palavras não eram uma
sugestão.

Um arrepio passou por todo o meu corpo e, entre as


minhas pernas, meu núcleo tremeu.

Sua boca moveu-se até o pescoço para trás da minha


orelha.
Em seguida, a campainha tocou.

Seu braço apertou e sua boca foi embora.

— Jesus Cristo, - ele murmurou e mesmo que eu não


pudesse vê-lo, eu tinha certeza que estava resmungando
entre os dentes.

Eddie saiu da cozinha.

Lavei a louça e coloquei-os na máquina de lavar louça e


ouviu o meu telefone celular tocar. Limpei minhas mãos em
um pano de prato, peguei minha bolsa e só perdi o último
toque. Eu olhei para ver quem era preocupada que fosse a
mamãe, mas era Indy.

Ouvi vozes falando em espanhol, então eu coloquei o


telefone no balcão e decidi enviar um texto a Indy depois e
entrei no outro quarto. Eu vi Eddie em pé, na frente de uma
pequena mulher mexicana, com cabelo preto brilhante e um
corpo quase perfeitamente redondo. Ela estava carregando
uma caixa de padeiro pequena, do tipo em que você embala
bolos de aniversário.

Ela virou-se para mim e olhou-me de cima a baixo.


Então, seu rosto abriu-se em um sorriso.

— Oi, - eu disse. Ela veio em minha direção.


— Olá. Eu sou Blanca, mãe de Eddie.

Uh... Uau.

Esta foi uma surpresa.

Olhei para Eddie e suas mãos estavam na cintura, sua


cabeça estava inclinada para trás, olhando para o teto. Esta
não era uma postura feliz. Por alguma razão (histeria residual
provavelmente), eu achei isso engraçado.

Sorri para Blanca.

— Eu sou Jet, - Eu disse a ela.

Em seguida, a porta da frente abriu-se e duas


mulheres e um homem entraram. Não era difícil ver que eles
estavam relacionados com Eddie. Uma das mulheres era alta
e o homem também, a outra mulher era pequena, como
Blanca. Eram todos de boa aparência, assim como Eddie.

Todos eles olharam para mim.

Eddie olhou para eles, então baixou a cabeça e passou


a mão pelo cabelo e murmurou palavras em Espanhol e
Inglês, nenhuma delas agradável.
Eu olhei para os recém-chegados.

— Oi, - eu disse a eles.

Houve cumprimentos gerais e pequenos acenos e


muitos e muitos dentes brancos contra a pele escura.

— Estes são os meus filhos, Carlos, Rosa e Elena, -


disse Blanca (Elena era a baixinha).

— Eu sou Jet, - eu repeti, ainda sorrindo e começando


a pensar que essa coisa toda era hilária.

— Estamos tendo uma reunião? - Perguntou Eddie.

Carlos riu. Rosa e Elena se entreolharam e sorriram.


Blanca deu a Eddie um olhar mortal e cuspiu algo para ele
em espanhol. Então, ela virou-se para mim, todos sorriram
novamente.

Sim, a mãe de Eddie era igual à minha.

— Eu esqueci a sobremesa, então eu trouxe Napoleões


de Pasquini, - Blanca disse-me.

Ela não esqueceu a sobremesa. Ela deliberadamente


atrasou a entrega da sobremesa para que ela pudesse
conhecer o encontro de Eddie. Eu perguntei-me se era eu ou
se isso aconteceu com Eddie outras vezes. Eu não poderia
imaginar Eddie colocando-se em tal situação o tempo todo,
assim tinha que ser eu. Eu não sabia o que fazer, assim eu
empurrei-o de lado. Eu vim para frente e peguei a caixa dela.

— Isso soa agradável. O jantar estava delicioso, por


sinal. Obrigada.

— De nada, - disse ela, graciosamente inclinando a


cabeça. Todos ficaram em volta, sorrindo um para o outro.
Isso era, todo mundo, menos Eddie. E finalmente, eu quebrei
o silêncio.

— Você conseguiu o suficiente para todos? Devo servir


estes? Eu perguntei a Blanca.

— Não! - Eddie gritou afinal, estalou e eu não poderia


evitar, eu virei meu sorriso para ele.

Ele olhou para mim.

Sua família nos observava.

Eddie olhou para a mãe e disse algo em espanhol. Não


precisei de um intérprete para traduzir que ela estava sendo
deposta.
— Nós estamos indo, - disse ela e virou-se para mim, —
Eddie contou-me sobre tu madre. Como ela está? - Eu ainda
estava sorrindo, muito divertida para ficar irritada porque ela
sabia sobre a mãe.

— Ela está bem.

— Ela precisa de companhia esta noite? Talvez


pudéssemos oscilar em torno...

Eu não me controlei e comecei a rir.

Eddie não achava que era engraçado e começou a falar,


mais espanhol, muito rápido, além de aborrecido e vagamente
ameaçador.

— Ay Dios mio, niño mio, você acabou hoje à noite, -


disse Blanca para Eddie e Carlos soltou uma gargalhada.
Blanca virou-se para mim: — Ele é um pouco de sangue
quente, tal como o seu papai. – Não brinca. Eu já tinha
percebido isso.

— Eu vou ter isso em mente, - disse a ela, tentando


manter uma cara séria.

Ela veio para perto de mim e olhou-me nos olhos. Em


seguida, ela acenou para ele e tocou meu braço. Eu não sabia
o que fazer com isso também e decidi pensar em tudo isso
mais tarde.

Então, ela caminhou em direção a Eddie, estendeu a


mão e tocou-lhe o ombro. Ele se abaixou para dar-lhe um
beijo na bochecha e murmurou algo que parecia irritado, mas
também soou amoroso. A visão e o som dele fizeram-me
sentir agradavelmente estranha de novo e eu tive que me
forçar a desviar o olhar.

Houve muitas despedidas e eles se foram.

Eddie caminhou em minha direção, pegou a caixa e,


em seguida, caminhou até a cozinha.

Fui até a porta da cozinha e fiquei ali.

— Foi divertido, - eu disse a ele.

Ele colocou a caixa no balcão e começou a perseguir


novamente, desta vez seus olhos eram escuros e suas
intenções eram claras.

Ai!

Eu recuei, bati contra uma parede e ele posicionou seu


corpo perto do meu.
Eu estava olhando para cima, com a cabeça inclinada
no caminho de volta e seu rosto estava a menos de uma
polegada de distância.

— Uma coisa boa sobre isso, eu nunca vi você sorrir


tanto e eu não acho que eu já ouvi você rir.

— Sua mãe é engraçada, - disse a ele, começando a ter


dificuldade para respirar.

Ele chegou ainda mais perto e dificuldade para respirar


já não era a minha principal preocupação, pois o oxigênio em
meus pulmões começaram a queimar.

— A intromissão da minha mãe era para saber se ela


vai conseguir ter dezenas de netos, quanto mais cedo,
melhor. - Eu dei um aceno no quarto que eu tinha para
trabalhar. Eu estava tentando não pensar em dar netos à
Blanca, mas mais, tentando não pensar em como eu iria fazer
isso.

— Isso soa familiar, - eu disse.

Suas mãos foram até a minha mandíbula, segurando


meu rosto inclinado. Seus olhos estavam líquidos e ele
murmurou algo em espanhol. Eu peguei as palavras de cariño
e hermosa, comecei a levantar-me no meu pé, foi quando meu
celular começou a tocar.
— Ignore-o, - disse Eddie, contra a minha boca.

Eu queria, eu realmente queria, mas eu não podia.

— Eu não posso, - eu sussurrei. — Pode ser a mamãe.


- Ele imediatamente soltou-me e afastou-se.

Fui até a cozinha e peguei o telefone que tinha parado


de tocar.

Eu olhei para ver quem tinha chamado e era


novamente Indy. Eu pensei que era estranho, considerando
que ela sabia que eu estava em um encontro com Eddie. Ela
não poderia querer um relatório de progresso neste breve
tempo.

— Indy ligou duas vezes, - eu disse, enquanto Eddie


colocava o Napoleão3 em pratos.

Ele entregou um para mim.

— Se ela precisa falar com você, ela liga de volta. - Ele


pegou o vinho e entrou na sala de estar. Eu pensei se devia.
Ele colocou o vinho e seu prato na mesa de café, foi buscar os

3
nossos copos, colocou-os sobre a mesa e sentei-me. Ele pegou
o controle remoto e colocou em um jogo de basebol.

Eu estava ao lado do sofá e olhei para a TV.

— Hum... o que estamos fazendo? - Perguntei.

Eddie pegou seu doce e colocou os pés em cima da


mesa de café, — Eu tenho um outro irmão, uma irmã e cinco
dúzias de primos. Eu não estou começando nada novo até o
horário de visita acabar.

Bom. Um indulto.

Sentei-me no lado oposto do sofá, colocando o meu


telefone na mesa de café e eu comi meu Napoleão, meus
olhos sobre o jogo. Eu não era uma grande fã de esportes. Se
pressionada eu iria aos jogos, principalmente pela atmosfera,
mas eu não gostava de vê-los na televisão.

No minuto em que consumi o último pedaço do meu


bolo eu coloquei o meu prato para baixo, os pés de Eddie
saíram da mesa. Ele inclinou-se, pegou meus tornozelos e
puxou-os no seu colo. Em seguida, ele começou a trabalhar
nas alças dos meus sapatos.

— Eddie... - Eu comecei tentando puxar as minhas


pernas.
Suas mãos estavam em volta dos meus tornozelos.

— Calma, Chiquita. Você vai relaxar. - Ele jogou os


sapatos a vários metros de distância e, em seguida, ele tirou
suas botas. Eu estabeleci-me no meu canto, tão longe dele
como eu poderia, pensando que isso era um pouco
anticlímax. Eu não tinha grandes esperanças em meu
encontro com Eddie, mas eu esperava que fosse eu a estragar
as coisas de alguma maneira ou entedia-lo até a morte. Eu
não esperava passar a noite assistindo a um jogo de basebol.

Sua mão disparou e ele me agarrou, me arrastando em


todo o sofá enquanto ele colocou os pés sobre a mesa. Ele me
enfiou no seu lado assim que meu ombro estava preso
debaixo de sua axila e meu rosto estava contra seu peito. Ele
passou o braço em volta da minha cintura, com a mão
apoiada no meu quadril.

Deus querido.

Eu não estava mais aborrecida, eu sentia-me bem.


Tipo, muito bem.

Eu coloquei meus pés em cima do sofá e enrolei-me


nele, mantendo meus olhos no jogo e sonhando em fazer isso
com Eddie novamente, talvez todas as noites pelo resto de
nossas vidas.
A próxima coisa que eu sabia, meu telefone celular
estava tocando. Eu também podia ouvir o de Eddie.

Eu tinha caído em um cochilo e de alguma forma o


meu braço ficou envolto em toda a cintura de Eddie. Eu vim,
tirando meu cabelo longe do meu rosto e peguei meu celular.
Eddie inclinou-se para frente e puxou o telefone do bolso de
trás.

Meu telefone dizia: ‘Indy chamando’. - Eu o abri e


disse: — Alô? - Ao mesmo tempo, ouvi Eddie dizer: — Sim?

— Jet? Você está com Eddie? - Disse Indy, por meio de


saudação, com a voz soando engraçada e não em um bom
caminho.

— Sim. Há algo errado? - Perguntei.

Ela hesitou e depois disse: — Ele está no telefone? - Eu


olhei para ele. Ele estava ouvindo, então seu rosto ficou
apertado e seus olhos mudaram-se para mim.

— Sim, - eu disse a Indy.

— Ele está falando com Lee. Tentei impedi-lo. Eu


prometo que eu fiz tudo o que eu conseguia pensar.
Eu senti um frio correr até minha espinha.

— O que está acontecendo? - Eu perguntei.

— Olha, a nossa aventura no Einstein vazou e.... - Eu


não a ouvi dizer qualquer outra coisa, pois o telefone foi
puxado da minha mão e foi fechado.

Minha cabeça virou ao redor para Eddie.

— Ei! Eu estava conversando com Indy.

— Eu sei.

Ele deslizou o seu e o meu telefone na mesa, olhou


para mim, seus olhos sérios e talvez um pouco chateados.

— O que está acontecendo? - Eu perguntei, afastando-


me dele.

— Você teve um dia agitado, - disse ele.

Uh-oh.

Pensei que, naquele momento, poderia ser sábio


manter a minha boca fechada.
— Foi procurar por seu papai, quando eu lhe pedi para
não fazer e encontrou alguns problemas em um lugar que
vende bagel, - disse ele.

Esqueci-me de manter minha boca fechada.

— Eddie, não é da sua...

Seus olhos estreitaram-se.

— Chiquita, se você me disser que não é da minha


conta, eu juro por Deus, eu vou atirar em você.

Eu pulei do sofá e coloquei as minhas mãos para os


meus quadris.

— Bem, não é!

Inclinou-se no sofá e deu um passo em minha direção


assim que se levantou.

Eu gostaria de ter os meus sapatos de volta, mas eu


segurei minha boca.

— É sim, caralho - disse ele, em sua voz calma


assustadora.

Eu olhei para ele.


— Como você sabe disso? - Perguntei.

Ele abriu os braços e olhou em volta.

— Que porra você acha que está acontecendo aqui?

— Eu não sei! - Eu gritei para ele e, eu não sabia.

Ele olhou para longe de mim, rasgou a mão pelo cabelo


e murmurou em espanhol. Então, ele virou-se para mim.

— Testemunhas afirmam que uma mulher loira, com a


sua descrição, foi vista ao redor do Einstein na Alameda com
um cara que se encaixa na descrição de Vince Fratelli.

Eu decidi, mais uma vez, ficar em silêncio.

— Jet, Vince Fratelli é um cara mau. Não é apenas um


cara mau, é um vilão assustador. Ele é um bandido muito
assustador. Quem sabe o que ele fez? Provavelmente joelhos
quebrados, dedos cortados, assassinato de pessoas. E você o
atacou na porra do Einstein’s Bagels.

Não é bom. Verdadeiramente não é bom. Vince parecia


soar como um vilão assustador. Eu entrei em modo de
defesa.
— Bem, eu não sabia! - Eu gritei.

A voz calma de Eddie foi embora e ele gritou.

— O que você estava pensando porra?

— Ele chamou você de cucaracha! - Eu gritei de volta.

Sim.

Eddie ficou parado e olhou para mim.

— Perdão? - Ele perguntou.

— Eu não pensei. Ele disse isso e eu simplesmente


surtei e a próxima coisa que eu sabia que estávamos rolando
ao redor no chão. Indy gritou para mim e dei uma joelhada
no seu saco, Tex agarrou-me e saímos. A coisa toda durou
menos de dez minutos. - Ele balançou a cabeça.

— Eu não sei se lhe beijo ou coloco algum senso em


você.

Eu sabia qual eu escolheria, mas eu estava muito


irritada para fazer a sugestão.

Eu recuei e fui a mesa de café, recuperando os meus


sapatos e virei-me para Eddie.
— Eu quero ir para casa, - eu disse.

— Você não está indo para casa. Nós não terminamos


de conversar. - Virei-me e caminhei em direção à cozinha.

Tínhamos terminado de conversar, sim.

Eu quase cheguei lá, quando ele pegou minha mão,


deu-lhe um puxão e eu virei. Ele torceu meu braço em torno
de minhas costas e puxou meu corpo contra o dele.

— Eu estou cansado de ver você se afastar de mim, -


ele rosnou.

Meu coração parou.

Isso provavelmente seria parte dessa coisa de sangue


quente que Blanca estava falando.

— Eddie...

Ele não me deixou começar.

— Você já namorou mexicanos-americanos antes, as


pessoas dizem merda. É problema deles, você os ignora.

— Eddie... - Eu tentei de novo. Ele continuou.


— Eu já te disse que você é da minha conta, mas está
muito claro que você não entendeu. Eu tentei chamar sua
atenção por meses, mas você está tão ocupada e exausta e
não sei mais o quê que você está, que não funcionou. Então,
eu vou dizer, bem direto, para não haver confusão. Quero
passar mais tempo com você, eu quero conhecer você e eu
quero dormir com você e não tem que ser nessa ordem.

Eu nem sequer tentei falar. Eu não podia. Suas


palavras roubaram-me a capacidade de falar.

— Enquanto isso está acontecendo e não importa


quanto tempo isso dure, você é da minha conta e eu vou
explicar isso também. Eu vou mantê-la segura e a sua mãe
segura também, não importa como isso vai ter que acontecer.
E ninguém ameaça você, nem mesmo a porra do seu pai, ou
eles respondem para mim.

Eu não estava apenas sem palavras, minha sensação


de bem-estar estava começando a sentir-se engraçada e a
agradável sensação estranha estava de volta.

— Eu sei que você tem um problema com isso, você


deixou bem isso alto e claro, mas eu não dou à mínima. Eu
vou continuar indo em você até que eu consiga fazê-la
entender. Você me entendeu? - Ele fez uma pausa e olhou
para mim e eu percebi que ele esperava uma resposta.
Desde que eu era incapaz de uma resposta verbal, eu
só balancei a cabeça.

— Bom. Agora, é provável que você não só tenha Slick


atrás de você, mas também Louie e Vince, você tem duas
escolhas: ou eu a levo para casa e eu fico lá com você, ou eu
faço uma chamada e planto alguém em seu prédio e você
dorme aqui comigo.

— Trixie está em casa, não há lugar para você dormir, -


eu disse.

— Eu durmo com você.

Bom Deus.

— Eu vou dormir aqui, - eu decidi.

— Eu durmo com você aqui também.

Ai!

— Eu vou dormir no sofá, - eu disse ele.

— Você dorme na minha cama.

— Então, você vai dormir no sofá? - Eu perguntei.


— Eu vou dormir na minha cama com você.

— Eddie... - Eu comecei a protestar.

— Nada vai acontecer. Hoje não. Estou muito cansado


e muito irritado.

Tentei decidir se eu poderia dormir com um Eddie


cansado e irritado.

Eu decidi que não podia dormir com um Eddie cansado


e irritado.

— Essas duas escolhas não são escolhas diferentes, -


eu disse. — Elas são a mesma coisa em lugares diferentes.

— Elas são todas as que você tem, - ele me disse.

— Eu não gosto disto.

— Eu não me importo. Eu lhe disse para não ir atrás


de seu pai. Você foi e você comprou-se um monte de
problemas para adicionar à porrada que você já tem. Se eu
tenho que mantê-la segura, eu vou fazer isso como eu preciso
fazer e eu quero você por perto.

— Mas.... Dormir comigo? - Eu perguntei.


— Você não entende, - disse ele, suas sobrancelhas
apertando.

— Eu acho que não, - eu estava começando a ir de


apavorada a com raiva.

Ele soltou meu pulso, mas apertou os braços em volta


de mim.

— Slick é conhecido por usar aquela lâmina e não de


boas maneiras. Eu já lhe disse do que Vince é capaz. Eles
vêm atrás de você, eu quero que eles cheguem em mim em
primeiro lugar.

Ok então, para isso, a raiva começou a derreter para o


sentimento estranho de novo.

— Você não pode fazer isso por mim, - eu sussurrei.

— Eu não estou fazendo isso por você. Eu estou


fazendo isso por mim. Eu não vou conseguir o que quero de
você, se sua garganta for cortada. - Colocando dessa forma,
quase fazia sentido. Mas, só quase.

— Isso está indo rápido demais, é....

Mais uma vez, ele não me deixou terminar.


Ele me interrompeu, rindo. Se você pode acreditar, ele
realmente riu.

Suas mãos moveram-se até minhas costas e sua


cabeça inclinada em direção a mim.

— Desde que eu sou bem honesto com você, Chiquita,


eu vou dizer que eu normalmente jogo, com o que eu quero
pelo tempo que sinto necessário. A porra do tempo certo com
você passou há muito tempo atrás, mas você tem estado tão
focada em sua própria merda, que você não me deu nenhuma
abertura. Isto não tem sido fácil. Você quer ver o que é
rápido, nós vamos para o quarto e vamos mostrar-lhe rápido,
mas eu quero mostrar-lhe lento.

Ah... querido... Senhor.

Meu estômago enrolou e esta foi uma sensação


agradável também.

De qualquer maneira, para a minha autopreservação,


imediatamente eu disse: — Eu não quero ver rápido.

Seus braços se separaram, um ficou até as minhas


costas, o outro foi baixo na minha cintura.

Sua boca veio na minha e eu parei de respirar.


Com os seus lábios contra os meus, ele disse: — Você
tem o indulto de uma noite. Amanhã, eu começo meu
movimento. - O que eu faço com isso? Quero dizer, eu
praticamente achei que ele já estava movendo dentro.

Ele não me deu a chance de fazer nada.

— Eu tenho que fazer uma chamada e então nós vamos


para a cama. - Ai!
Capitulo 8
Eddie resolve um dos meus problemas.

O alarme disparou e, como não tocou como o meu, eu


soube imediatamente onde eu estava.

Eu fiz um balanço do que me rodeava e percebi que o


aconchegante e quente que eu sentia, tinha muito a ver com
estar enroscada em Eddie Chávez.

Meu corpo ficou tenso e eu comecei a afastar-me.

Os braços de Eddie estavam ao meu redor, apertados


(uma de suas coxas, incidentalmente, estava presa entre as
minhas pernas e minha coxa estava sobre seu quadril para
não falar de uma das minhas mãos que estava pressionada
contra o seu peito, o outro braço em volta de sua cintura,
hum... Senhor!).

— Você precisa desligar o alarme, - eu disse, em vez de


‘bom dia’.

— Desligar o alarme significaria deixar você ir, - disse


ele, sua voz era sexy e áspera. Decidi ignorar a sua voz sexy e
áspera.
— E? - Eu perguntei.

— Eu não vou fazer isso, - ele respondeu, e


aconchegou-se mais perto (embora eu não achasse que fosse
possível).

Eu escutei o barulho estridente, era irritante.

— Você tem que desligá-lo, - eu disse.

— Eu não estou virando.

— Alguém tem de desligá-lo, você está mais perto. Eu


não sei o botão para desligar.

Ele não respondeu.

Eu escutei o barulho.

Tentei afastar-me.

Desta vez, os braços e coxa de Eddie ficaram mais


apertados.

Eu estava presa.
— Ah, pelo amor de Deus, - eu disse e, em seguida,
empurrei-o, ele rolou de costas e estendeu a mão. Isto
significava que eu estava deitada em cima dele e eu decidi
odiar Eddie em vez de amá-lo e querer dar netos à Blanca.

Havia pelo menos sete dezenas de botões na parte


superior, então eu só passei os dedos para baixo em todos
eles na esperança de que um deles iria desligar o alarme. Em
vez disso, o zumbido foi embora e uma velha canção Big Head
Todd com sua melodia começou a tocar.

Não era apenas uma boa música, era uma grande


canção, mas também era uma música de sexo.

Maravilhoso.

Eu empurrei contra o peito de Eddie e olhei mais de


perto o alarme para ver qual botão iria desligar a música e vi
que era também um leitor de CD. Só quando eu estava
prestes a empurrar ‘Desligar’, ele pressionou em mim e rolou-
me nas minhas costas, ele em cima.

Não era bom.

Ontem à noite, depois que Eddie anunciou que íamos


para a cama, ele foi fiel à sua palavra. Ele plantou um vigia
no estacionamento do meu prédio. Eu liguei para a mamãe
para dizer-lhe que não estava indo para casa (a sua alegria
eterna atingiu um grito agudo de alegria que eu poderia jurar
que Eddie ouviu do outro lado da sala). Ele me deu uma
camiseta preta que estava desbotada e tinha sido lavada
muitas vezes, e era macia e confortável. Então, fui para a
cama e dormi, mais nada.

Eu não iria pressionar a minha sorte.

Eu decidi ir trabalhar. Eu precisava levantar-me,


vestir-me, e sair de lá o mais rápido que fosse humanamente
possível e eu percebi que eu era uma cadela nesse caminho a
percorrer.

— Saia de mim. Eu preciso desligar a música, - Eu


disse a ele, olhando nos olhos escuros que estavam
sonolentos e fazendo coisas estranhas à minha paz de
espírito.

— Eu gosto dessa música, - disse ele e, em seguida,


seu rosto desapareceu no meu pescoço e eu podia sentir os
lábios dele.

Adivinha? A funcionária não iria para o trabalho.

— O que você está fazendo? - Eu fingi não gostar de


seus lábios no meu pescoço.
— É amanhã, - ele respondeu, e então eu tive que fingir
que não gostei de sua voz rouca e sonolenta vibrando em meu
pescoço.

— Então?

Seus lábios deslizaram pelo meu pescoço, seus dentes


morderam minha orelha e disse: — Seu indulto acabou.

Droga. Eu estava com medo disso.

— Eddie... - Eu comecei a dizer, mas ele me beijou.

Verdade, isso era demais para tomar. Seu corpo quente


em mim, sua cama quentinha debaixo de mim, sua boca na
minha, sua língua na minha boca, as mãos em todos os
lugares; eu não poderia suportar isso.

Então, eu não tentei.

Eu o beijei de volta e, assim como em meus devaneios,


eu corri minhas mãos sobre o seu peito, seu abdômen e suas
costas. Ele era bom.... Duro, elegante e acolhedor.

Uma de suas mãos subiu minha camisa, segurou meu


seio e ele esfregou a ponta de seu polegar sobre meu mamilo.
Foi tão bom, a minha boca soltou-se da sua, eu fechei
os olhos e prendi a respiração.

Sua cabeça levantou e eu abri meus olhos para olhar


nos seus.

Eles estavam líquidos.

Seu dedo juntou-se ao polegar e eles fizeram um


círculo no meu mamilo. Eletricidade passou direto para o
meu interior. Meu pescoço arqueou, mordi o lábio e eu acho
que minhas unhas cravaram em suas costas.

Ele assistiu ao show, seu rosto mudou-se, procurando


de alguma forma, com fome, e o seu olhar enviou um calafrio
através de mim.

Sua outra mão levantou a camisa, ela foi levada pela


minha cabeça e então ela se foi.

Sua boca estava na minha, em seguida, ele viajou mais


baixo, até que seus lábios se fecharam em torno de meu
mamilo. Minhas mãos foram para seu cabelo, segurando sua
cabeça enquanto ele usava a língua, os dentes e sucção até
que eu não aguentei e gemi.

Ele moveu em cima de mim, sua boca na minha e eu


estava beijando-o com tudo que tinha, quando sua mão me
segurou entre as pernas, ao longo da minha calcinha, seus
dedos pressionando dentro, sua cabeça levantou apenas uma
polegada.

— Cristo, Cariño, você já está pronta para mim. - Sua


voz era rouca e parecia aprovar.

Independentemente disso, de suas palavras, eu


congelei. Então eu mudei a minha mão até o pulso e puxei-a.

— Não, - eu disse.

Quero dizer, era muito humilhante.

No auge da atividade sexual deliciosa, eu poderia


esquecer.

Eu poderia esquecer que eu era apenas Jet e haveria


um momento em que ele perceberia isso, quando a donzela
em perigo Jet fosse salva e não haveria nada interessante
sobre ela. Eu poderia esquecer que ele era o quente e bonito
Eddie e nunca ia durar porque ele eventualmente perceberia
que ele está fora do meu alcance. Eu poderia esquecer
sabendo que outras pessoas iriam olhar para nós e pensar: —
O que ele está fazendo com ela? - Eu poderia esquecer por
um momento. Mas a verdade era que tudo estava lá.

Ele estava com uma linda loira há apenas dois meses.


Eu não tinha tido um orgasmo em oito meses e não
tinha dormido com ninguém desde Oscar.

Ele era o garoto mais popular da escola, e eu era a


rapariga dos óculos, chaves e um guarda-roupa engraçado.

Isso nunca vai funcionar.

Sua mão torceu, desalojando o meu de seu pulso e


seus dedos entrelaçaram nos meus.

— Un-unh, Jet. Você não pode desligar-me desse jeito,


- disse ele e olhou-me de perto.

— Eu tenho que ir para o trabalho, - disse a ele.

— Fale comigo, - ele voltou.

Com a outra mão empurrei seu ombro, usando meu


corpo para empurrar para ele também.

Ele não se moveu.

Estávamos frente a frente, pele a pele, ele se sentia


bem, tudo o mais, de repente, eu queria chorar.

— Eu tenho que ir, - eu disse, um pouco desesperada.


Ele ergueu a mão e segurou-a entre os nossos corpos.

— Fale comigo, - ele repetiu, baixinho, neste momento.

Eu olhei para ele.

— Eu tenho que ir, - eu repeti muito mais alto desta


vez.

Ele ergueu as mãos à boca e tocou seus lábios neles,


seus olhos nunca deixando os meus. Então, ele os manteve
em seu peito e eu tinha que me lembrar de respirar.

— Será que alguém a machucou? - Ele perguntou


suavemente, seus olhos estavam engraçados, gentis e mais
alguma coisa, algo que eu não sabia ler.

Eu pisquei, confusa.

— Perdão? - Eu perguntei.

— Feriu você, tocou-lhe de uma forma que você não


queria? – Ele explicou.

Eu pisquei de novo, então a minha respiração ficou


presa na minha garganta.
— Você quer dizer estupro?

Ele não respondeu, ele apenas olhou para mim.

— Por que você acha isso? - Perguntei.

— Num segundo você está correndo quente, no


próximo, fria como gelo, perto das lágrimas. Isso certamente
explicaria por que você está tão bem guardada. Cariño, eu
gostaria de entender, - ele disse isso falando sério, e a
agradável sensação me bateu de novo, mas desta vez foi tão
poderosa, que bateu o vento fora de mim.

— Eu não fui estuprada, - falei em voz baixa.

— Você me diria? - Questionou.

— Eu diria a você, - eu respondi.

Eu não percebi o quanto tenso seu corpo estava até


que eu respondi e ele relaxou contra mim.

— Então me diga o que é, - disse ele.

— Não é isso, - eu respondi.

— Então o que é?
— Não é nada.

— Jet.

— Realmente, Eddie, não é nada.

Suas sobrancelhas uniram-se quando ficou claro para


ele que eu não era uma alma ferida, mas em vez disso,
apenas uma idiota.

— Não é nada. Se não fosse nada, agora, em vez de


falar, estaríamos aproximadamente na mesma posição, mas
suas pernas estariam enroladas em minhas costas. É algo. -
Meu estômago enrolou.

Eu ignorei.

— Não é nada.

— Maldição, Jet, - ele disse, com os dentes cerrados,


perdendo a paciência.

— Eddie, eu tenho que ir trabalhar.

— Não, você tem que falar comigo. Se você não falar


comigo, eu estou prendendo você na cama até que você fale
comigo. - Eu olhei para ele.
— Você não faria isso.

— Porra, tente-me.

Ah... Querido... Deus.

Eu olhei para ele novamente tentando descobrir se ele


faria isso.

O olhar em seu rosto disse que faria.

— Saia! - Eu rebolava contra ele, sem sucesso.

— Fale! - Ele estalou.

— Eu não tive um orgasmo em oito meses! Ok? - Eu


gritei. — Agora saia!

Nossa.

Os comprimentos que uma garota precisava ir era


ridículo e embaraçoso.

Ele olhou para mim.

— Você está brincando, - ele disse.


— Será que eu brincaria com algo assim? - Perguntei.
— Eu não iria brincar com algo assim. - Eu dei-lhe um olhar.

Ele sorriu.

— Não é engraçado, - eu respondi, sentindo-me


imensamente estúpida.

— Não, você está certa, não é. Estou feliz que há um


problema seu que eu, finalmente, posso resolver.

Uh-uh.

— Eu não acho que... - Eu comecei, mas ele beijou-me


novamente. Foi um grande beijo e depois foram mãos, boca,
dentes, língua, tanto a sua e a minha. Aquilo era delicioso;
era quase mesmo bonito.

Quando sua mão foi entre as minhas pernas de novo,


ele não mexeu com a minha roupa interior. Ele só mergulhou
direto, os dedos pressionando, batendo o ponto perfeito e eles
começaram a mover-se.

Não demorou muito. Como eu disse, fazia um longo


tempo, mas ele tinha dedos talentosos, fortes e criativos. Eu
estava respirando pesado contra sua boca, eu estava
segurando-o com força e então aconteceu.
E foi glorioso. Inacreditável para caralho e confie em
mim, definitivamente valia a pena o palavrão. Valia mil
palavrões.

Depois que eu terminei, eu abri meus olhos e vi-o


olhando-me com um olhar que era ao mesmo tempo suave e
satisfeito, embora ele não tivesse conseguido nada com isso.

Eu não tinha tempo para envergonhar-me. Ele rolou


por cima de mim e puxou-me para fora da cama, para que
estivesse em pé ao lado, com os braços em torno de mim e ele
pressionou-me profundamente em seu corpo.

— Agora, eu vou levá-la para o trabalho, - disse ele, e


ele inclinou a cabeça e tocou seus lábios nos meus. Então ele
soltou-me, virou e foi embora.

Levantei-me e o assisti ir. Ele tinha um grande traseiro,


eu gastei meses apreciando-o através de seus jeans, mas
agora eu podia ver esse fato especialmente, já que ele estava
vestindo apenas uma boxer azul e branca listrada.

A propósito, Big Head Todd e os Monsters ainda


estavam tocando no CD.
Eddie estacionou atrás da Fortnum e eu saí da
caminhonete. Ele saiu também, então corri para frente, mas
as minhas sensuais sandálias verdes me pararam. Ele
alcançou-me e agarrou a minha mão para que eu entrasse na
loja, dedos entrelaçados juntos. Indy, Ally e Tex estavam
todos atrás do balcão de café e suas cabeças viraram quando
entramos. Indy e Ally deram uma olhada para Eddie e eu, e
sorriram. Tex fez uma careta.

Havia uma fila de clientes, dez ao todo, prontos para


fazer seus pedidos.

— A cavalaria chega! - Tex cresceu. — Estas duas não


valem nada atrás do balcão. Volte aqui, Loopy Loo. - Eu
comecei a andar para frente, mas a mão de Eddie apertou na
minha e eu me virei.

— Eu tenho que começar a trabalhar, - eu disse, pela


milésima vez naquele dia.

Ele aproximou-se de mim e disse: — Tudo bem, mas


em primeiro lugar, prometa-me que não vai procurar por seu
pai.
Eu pensei sobre isso, então balancei a cabeça. Eu
decidi que se eu não desse a minha resposta verbal, então
talvez não fosse uma mentira real, mais como meia mentira
ou até mesmo um terço de uma mentira, o que não era tão
ruim, era?

Ele olhou para mim por um instante, em seguida,


virou-se para os livros e arrastou-me atrás de si. Ele
caminhou em duas fileiras, virou à esquerda e parou na
metade do corredor.

— Eddie, eu tenho que ajudar. Você viu quantas


pessoas estavam na fila?

Ele largou a minha mão, mas, em seguida, suas mãos


vieram sobre meus ombros o pescoço.

— Eu tenho outra coisa para explicar. - Oh não, não de


novo.

Eu preparei para o impacto.

— Esta manhã, as coisas mudaram, - disse ele.

Olhei para ele.

— Que coisas? - Perguntei.


— Antes, eu estava fazendo você da minha conta. As
coisas são diferentes quando eu durmo com uma mulher,
fazendo-a gozar e pretendo fazê-lo novamente. Agora você
apenas é da minha conta. - Querido Deus. Meus joelhos
ficaram fracos e eu agarrei sua camiseta para ficar de pé. Um
de seus polegares começou a acariciar meu pescoço.

— Você tem um segurança tomando conta de você no


Smithie? - Eu balancei a cabeça.

— Pegue Tex ou Duke para levá-la para casa, depois de


sair da Fortnum e levá-la até o seu apartamento. Eu vou
buscá-la no trabalho hoje à noite.

— Ah... ok, - eu disse.

Ele sorriu, covinha aparecendo, e inclinou a cabeça


para beijar-me profundamente. Ele deixou meu pescoço ir,
mas escondeu meu cabelo atrás da minha orelha.

Então ele se foi.

Eu saí do corredor dos livros em um Eddie Torpor.

No minuto em que saí das prateleiras, Indy e Ally


desceram sobre mim. Vi que Duke tinha chegado e estava
trabalhando no balcão de café expresso com Tex.
— Como foi? - Perguntou Indy.

— Você tem que perguntar? Ela está em suas roupas


da noite passada. Legal para caralho! - Disse Ally.

Ambas olharam para mim.

Olhei para trás.

— Bem! - Indy quase gritou.

Dei-lhes uma versão abreviada do encontro com Eddie.

Elas olharam uma para a outra, em seguida, viraram-


se para mim.

— Mais, - disse Ally.

Suspirei e dei-lhes a versão mais longa, incluindo a


mamãe e Trixie, Blanca e os irmãos de Eddie, detalhes sobre
a fala de Eddie ‘dormir com você / mantê-la segura / cuidar
de você’ e talvez tenha falado um pouco demais e
compartilhei um pouco mais sobre as atividades da manhã.

Quando eu terminei, tanto de suas bocas estavam


abertas e os seus olhos estavam vidrados, assim como eu
esperava que eu parecia quando eu estava em um Eddie
Torpor.
Eu balancei a cabeça em entendimento com a reação
delas.

— Eu sei, - eu disse.

— Se vocês galinhas terminaram de bicar sobre a


carcaça de Eddie, nós poderíamos usar uma mão aqui. -
Duke gritou.

A manhã foi demais, Ally escolheu um CD de


Nickelback para a ocasião e tocou alto.

Eu normalmente ‘trabalhava’ na Fortnum, mas não


parecia trabalho. Era mais como sair com seus amigos todos
os dias, que era por vezes interrompido por algo que parecia
um bocado como trabalho.

Pouco depois do meio-dia, a multidão morreu


significativamente e Tex virou para mim.

— Vamos, Loopy Loo. Eu tenho um plano para


conseguir que o amigo de seu papai fale. - Ele virou-se para
Ally. — Nós vamos tomar o carro. Você está dirigindo.

Dei-lhe uma olhada.


— Este plano envolve a sua espingarda? – Eu
perguntei.

— Não, - ele disse, e eu senti um pouco de alívio. Então


ele disse: — Pelo menos o Plano A, não.

Uh-oh.

— E o plano B? - Eu pressionei. Ele começou a


caminhar em direção à porta.

— Vamos esperar que o Plano A funcione.

Maravilhoso.

Nós entramos no carro de Ally um novíssimo Mustang


conversível, Indy, Tex, Ally e eu, e fomos para Lakewood. Ally
estacionou em frente à casa de Bear e mal abriu o Mustang
quando Bear apareceu na porta, virou-se e com cuidado
fechou. Ele nos encontrou no meio do caminho.

— Eu não vi o seu pai, - disse Bear por meio de


saudação.

Não é bom.
— Bear... - Eu comecei, mas depois a porta abriu-se e
apareceu Lavonne.

Lavonne tingiu o cabelo de um preto que parecia super


falso. Suas raízes eram de aço cinza, ela era dois centímetros
mais baixa do que eu e pelo menos trinta quilos mais leve, se
não mais. Ela era pequena, magra e tinha a voz de uma
fumante.

— O que está acontecendo aqui? Jet! Oh meu Deus!


Olhe para o seu cabelo. Parece ótimo!

Ela correu para frente, sempre um feixe de energia, e


me deu um abraço apertado.

— Tem sido um longo tempo, - disse ela e, em seguida,


seu prazer em ver-me começou a dissolver-se, enquanto
olhava em volta, viu Indy, Ally e especialmente Tex. Todos
olharam para Tex, Tex era uma visão para ver.

Então seu olhar pousou no Bear.

— O que está acontecendo? - Ela perguntou de novo,


lendo a situação como só uma mãe, ou a mulher de Bear,
poderia.

— Nada, - disse Bear.


— Eu estou procurando por papai, - eu disse, ao
mesmo tempo.

Lavonne olhou para mim.

— Seu pai esteve aqui esta manhã. Será que ele não foi
vê-la?

Olhei para Indy. Indy olhou para Ally. Ally olhou para
Tex.

Tex olhou para mim.

— O que está acontecendo? - Perguntou Lavonne pela


terceira vez.

— Podemos entrar? – Eu disse.

A boca de Lavonne apertou, ela virou-se e nós


entramos com ela.

O interior da casa de Lavonne e Bear não poderia ser


mais diferente do lado de fora. Lavonne tinha regras rígidas
sobre o que era de domínio de uma mulher e o que era de um
homem. O homem tende ao quintal, lixo e carro. A mulher
tende a casa, comida e roupa.
A sala de estar de Lavonne era limpa e arrumada e
excessivamente decorada com corações. Havia corações em
galhos dobrados na parede dobrados com flores secas, coroas
de corações, corações pintados na madeira, almofadas de
corações no sofá, quadros com fotos de seus filhos com
corações.

Eu fiz uma rodada de apresentações, Bear estava


sentado no sofá, Indy e Ally tomaram poltronas e eu fiquei em
pé. Tex posicionou-se perto de mim, como um guarda.
Lavonne ficou perto de Bear e acendeu um cigarro.

Todo mundo ouviu o meu mais recente conto de


aflição.

Em seguida, Lavonne ergueu a mão e ela apontou para


Bear na cabeça, usando o seu dedo médio impelido por seu
polegar.

— Oh mulher! - Bear gritou, ficando longe dela.

Lavonne virou-se para mim e disse: — Ray tem ficado


aqui nas duas últimas noites. Eu não sabia que nada disso
estava acontecendo. - O tom de Lavonne disse que ela estava
muito infeliz.

Em seguida, a mão de Lavonne saiu e ela jogou em


Bear novamente.
— Eu disse chega! - Bear gritou.

Ela tinha uma mão no quadril, a outra segurando o


cigarro no ar e o olhar que ela voltou para Bear era mau.

— O que é isso sobre ele, Bear? E eu estou avisando


você, ou você conta a verdade ou desta vez eu não estou indo
embora. Desta vez, estou fazendo as malas, as suas malas.

Esta não era claramente uma ameaça vã, porque, sem


qualquer atraso, Bear começou a falar.

— Jogos de azar. - Bear olhou para mim, — foi o jogo


do seu pai. Ficou em uma situação financeira ruim, então ele
foi para Slick, que é um agiota.

Eu me afundei no braço de uma das poltronas, ao lado


de Ally, pulando para obter o meu coração batendo normal
novamente.

— Ele ganhou uma herança inesperada há alguns dias


atrás, enfiou-se em mais um jogo para recuperar de volta o
dinheiro que ele deve a Slick. Em vez disso, ele perdeu e
agora ele deve a Marcus. - Tex, Ally e Indy entreolharam-se.
Eu não sabia o que significava aqueles olhares, mas eu
me preocuparia com isso mais tarde. Eu já tinha muito com
que me preocupar.

A herança que meu papai tinha ganhado era os meus


suados quinhentos dólares.

Tive vontade de chorar.

— Quanto é que ele deve a Marcus, - eu perguntei.

— Quinze mil dólares.

A mão de Ally saiu e pegou a minha.

Quinze mil? Como é que quinhentos dólares se tornam


uma dívida de quinze mil? Isso era a quantia quarenta e
cinco mil dólares no total. Mesmo que eu começasse a
desesperar-me, vendendo tudo o que tinha e vendesse meu
sangue a cada mês por um ano, eu não poderia chegar a
quarenta e cinco mil dólares.

Lavonne sacudiu Bear novamente.

— Por que não contou isso a ela ontem? E onde está


Ray agora? - Ela retrucou.
— Ray pediu-me para guardar segredo e ele está fora
tentando corrigir a situação. - Os olhos de Bear viraram-se
para mim: — Eu juro, Jet, ele está tentando corrigir tudo
isso.

Eu levantei-me e gritei.

— Como? Mais Jogos de azar? Roubando? Ele com


certeza não vai conseguir um emprego como garçom em
Bennigan e fazer esse tipo de trabalho!

Bear levantou-se também.

— Ele está tentando fazer direito!

Lavonne levantou e atirou nele.

— Não minta para Jet, - ela retrucou.

Todos olharam para Bear e o rosto de Bear ficou


vermelho, então ele explodiu.

— Por que está todo mundo com raiva de mim? Eu não


perdi quarenta e cinco mil no buraco jogando pôquer. Não é
minha culpa. - Então ele decidiu que a forma mais inteligente
para frente era desviar a atenção de si mesmo. — De
qualquer forma, Jet trabalha em um bar de topless.
Droga.

Todo mundo parou de respirar, olhos irritados de


Lavonne viraram-se para mim.

— Desculpe?

— Lavonne... - Eu comecei, mas ela interrompeu-me.

— Você está trabalhando em um bar de topless?

Maravilhoso.

— Eu não estou dançando, apenas sirvo as mesas, - eu


assegurei a ela.

Lavonne não se sentiu segura.

— Um bar de strip é um bar de strip. Você não é o tipo


de garota que trabalha em um bar de strip. Eu sei que a sua
mãe não lhe criou assim, - ela respondeu.

Eu olhei para todos a minha volta.

Em primeiro lugar, não havia nada de errado em


trabalhar em um bar de topless. Era um bom trabalho
honesto e pessoas boas e honestas trabalham lá (ok, talvez
Richie, um dos seguranças, fosse um pouco idiota). Em
segundo lugar, sobre a cômoda, mamãe tinha uma foto
emoldurada de Lottie esparramada no topo de um Corvette
com seus peitos nus pressionados contra o capô e sua bunda
em uma tanga glorificada apontando para o céu. Então a
mamãe nos criou assim.

— Não há nada de errado em trabalhar em um bar de


strip - eu disse.

Lavonne habilmente evitou a minha defesa de bares


noturnos.

— Sua mãe sabe sobre isso? - Perguntou Lavonne.

Eu balancei a cabeça.

— O que ela disse?

Eu hesitei, suspirei e sentei-me na poltrona.

Então eu dei à Lavonne o resto da história.

Quando eu terminei, ela caminhou até uma pequena


mesa no canto (que tinha um coração esculpido nela) e tirou
um pedaço de papel e entregou-o a mim. Em seguida, ela
voltou para a mesa, enfiou o cigarro entre os lábios e falou
com o cigarro balançando precariamente.
— Você, anote o seu endereço e número de telefone
nesta folha. Menina, eu não posso acreditar que você não me
disse que Nancy teve um derrame há oito meses. O que
Nancy deve pensar, nenhum de seus amigos aparecendo? -
Ela estava cavando através de sua mesa e pegou algo e
começou a escrever. — Sempre teve muito em si mesma,
como uma criança. Nunca deixando para os outros o seu
fardo. Pessoas fugindo com o assassinato. Aquele pai de
vocês tomando ‘vantagem’, Lottie fora desfrutando sem uma
preocupação na porra desse mundo, enquanto você limpa o
chão da cozinha. Você está parecendo a porra da cinderela, é
o que você é. - Ela rasgou um cheque de um talão de cheques
e entregou-me, levando o cigarro da boca e soltando uma
enorme nuvem de fumaça. — Exceto que a cinderela não
tinha uma escolha, você tem. - Eu peguei o cheque e olhei
para ele. Era de quinhentos dólares.

— Lavonne! Eu não posso pegar isso!

Lavonne esmagou o cigarro em um cinzeiro em forma


de coração e cruzou os braços sobre o peito liso.

— Você pode, você vai, você vai descontá-lo e você vai


usá-lo. - Eu olhei para o cheque, eu olhei para ela.

— Eu sei que você não tem esse tipo de dinheiro.


— Sim, eu tenho. É o meu presente de Natal. Estive
guardando durante o ano para comprar para esse idiota uma
TV de tela plana. Depois de hoje, ele não estará ganhando
uma TV de tela plana.

Bear caiu no sofá e colocou a mão na testa.

Lavonne acenou para mim, — Feliz Natal.

Tentei entregar o cheque de volta para ela.

— Realmente, eu não posso.

— Sua mãe sabe que Ray está na cidade e tudo o que


está acontecendo para você? - Ela perguntou.

Uh-oh.

Eu balancei minha cabeça lentamente.

— Ela vai continuar não sabendo se eu souber que o


cheque foi descontado.

Uau. Lavonne era boa.

— Eu não sei o que dizer, - eu disse a ela.


Seu rosto suavizou um pouquinho e seus lábios
apareceram.

— Diga obrigada e mantenha-se segura. Se virmos ou


ouvimos de Ray, nós chamaremos você.

— Você também? - Tex explodiu e todo mundo pulou.

Surpreendentemente, eu tinha esquecido que ele estava


na sala. Ele estava olhando para Bear, suas sobrancelhas
estavam unidas e seus olhos estreitaram-se.

— O quê? - Disse Bear.

— Você vê seu pai ou ouve sobre ele, você vai chamá-la.


Sim? - Bear acenou com a mão, ainda estava lidando com a
perda de sua TV de tela plana.

— Sim, - disse ele.

Eu escrevi o meu endereço e número de telefone e dei a


Lavonne e ela nos acompanhou até a porta.

— Eu irei a sua casa, e verei Nancy, assim que eu


puder, - Lavonne disse-me.
Virei-me e sorri para ela. — Venha sim. - Lavonne e eu
nos abraçamos, todo mundo disse adeus e nós entramos no
Mustang.

— Eu acho que eu quero ser ela quando eu crescer, -


disse Ally.

— Só que sem o marido bom para nada - Eu sorri para


Ally e meu telefone celular tocou. Eu puxei-o para fora da
minha bolsa e olhei para o visor.

Ele dizia, ‘número desconhecido’. Eu o abri de qualquer


maneira, esperando que fosse o papai.

Antes que eu pudesse dizer uma palavra, eu ouvi: -


Onde você está agora?

Isto foi dito por Eddie, ou, devo dizer, um Eddie não
muito feliz.

Entrei em pânico e para ganhar tempo, eu disse: —


Hum. - Mas eu enrolei o máximo de tempo que pude.

Indy estava sentada ao meu lado no banco de trás, do


lado do passageiro. Houve uma batida na sua janela e todo
mundo pulou.

Minha cabeça girou e assim fizeram todos os outros.


Pela janela, vi um par de quadris estreitos vestindo
jeans. Meu coração parou, pensando que era Eddie, em
seguida, Lee inclinou-se, olhou pela janela e entortou um
dedo para Indy.

Lee parecia tão feliz como Eddie soava ao telefone.

Droga.

Droga, droga, droga.

— Puta merda, - Indy sussurrou.

Ela estava certa. Foi um momento puta merda. Já para


não falar, obviamente que Lee nos viu e chamou Eddie. Isso
não era bom.

Pelo menos, não parecia bom para Indy.

Bem, a boa notícia (para mim) era que Eddie estava no


telefone, em vez de com Lee.

Então veio uma batida na minha janela.

A cabeça de todo mundo virou e, através da minha


janela, vi um par de quadris estreitos vestindo jeans e uma
fivela de cinto de prata familiar.
— Saia do carro, Jet, - disse Eddie em meu ouvido e,
em seguida, houve uma desconexão.

Meu coração parou. Infelizmente, eu temia que ‘puta


merda’ não descrevia isso.
Capitulo 9

Para mim, se isso pode piorar, então vai.

— Como estão rapazes? - Tex perguntou, quando ele


girou para fora do carro.

Ally saiu do lado do motorista e deixou a porta aberta.


Seu assento foi para frente, e a mão de um homem entrou e
agarrou a minha e eu fui ‘ajudada’ a sair do carro.

Eu mal pisei na calçada quando eu fui levada para


frente para um passeio rápido, por um chateado Eddie
Chávez.

Passamos por um cara legal, negro, magro, com seu


cabelo revolto, olhando para mim com um sorriso no rosto
que ia de orelha a orelha. Eu não tive tempo de dizer oi, pois
Eddie manteve-me junto a ele.

Olhei por cima do ombro. Eu não sei por que, talvez


para gritar ‘ajuda’, e eu vi que Lee e Indy estavam indo na
direção oposta.

Maravilhoso. Agora eu deixei Indy em apuros.


Eddie parou algumas casas abaixo, virou-se e puxou-
me em torno de modo que estava de costas para todos e ele
estava no meu caminho.

— O que você está fazendo aqui? - Perguntamos em


uníssono.

Eddie deu um passo mais perto, com os olhos


brilhando.

— Eu primeiro, - disse ele, olhando para mim.

— Eu estava visitando alguns amigos, - eu respondi e


não era totalmente mentira.

Os olhos de Eddie estreitaram-se.

— Então, isso não tem nada a ver com o fato de seu pai
passar a noite aqui? - Perguntou Eddie.

Prezado Deus, como é que ele sabe disso?

Eu decidi não perguntar e não responder. Em vez


disso, eu pensei que talvez eu devesse tentar ser vaga; eu não
tinha tentado essa tática antes.

— Hm... - Eu murmurei.
Eu vi sua mandíbula apertar e eu tinha certeza que ele
estava prestes a gritar.

— É o meu pai, Eddie, - eu disse calmamente.

Então (eu juro que eu não pude evitar), as lágrimas


encheram meus olhos.

Talvez eu pudesse tentar controlar-me, mas a mão de


Eddie envolveu em torno da minha cabeça e ele puxou meu
rosto em seu peito.

Ele cheirava bem, sentia-se duro e forte e, encostada


contra seu peito assim, eu poderia fingir que era a única
coisa no mundo. Eu sentia-me segura, talvez pela primeira
vez na minha vida, com certeza, pela primeira vez desde que
eu tinha quatorze anos. Então, peguei no material de sua
camiseta ao seu lado e deixei as lágrimas caírem.

— Acho que você sabe sobre Marcus e o extra de quinze


mil? - Perguntou Eddie.

Eu não sei como ele sabia sobre tudo isso, mas eu


estava chorando tanto, eu não tinha a voz para perguntar,
então eu balancei a cabeça.
Ele disse algo em espanhol e seu outro braço veio em
volta de mim, mas ele manteve a mão no meu cabelo, minha
cabeça segura contra o peito.

Quando eu consegui parar de chorar, eu disse: —


Minha vida é uma merda.

Seu braço em volta de mim apertou mais ainda.

— Eu tenho que concordar com isso, Chiquita, - ele


murmurou.

— Eu... eu... não acho que eu possa consertar isso,


Eddie, - eu gaguejei contra seu peito, admitindo em voz alta o
que eu estive pensando por dias, cavando mais e passando os
braços ao redor dele. — Eu continuo tentando pensar em
uma maneira de sair, mas eu não consigo.

— Deixe-me lidar com isso, - disse Eddie.

Minha cabeça voltou e eu olhei para ele.

— Como você vai fazer isso?

Então eu olhei ao meu redor e percebi que ele não


tinha respondido minha pergunta anterior, então eu fui um
pouco para trás e a mão de Eddie no meu cabelo para
embrulhar em torno de minhas costas.
— O que você está fazendo aqui? - Perguntei.

— Eu estava procurando por Ray.

Não é bom.

— Por quê? – Eu perguntei.

— Uma variedade de razões, - ele respondeu.

Agora Eddie estava sendo vago.

— Quais seriam?

Ele ergueu a mão e colocou-a na minha bochecha, seu


polegar enxugando minhas lágrimas. Então ele correu os
dedos pela minha outra face na mesma incumbência. Ele
observava seu trabalho de mão e, em seguida, seus olhos
vieram até os meus.

— Há uma menina, veja, eu quero conhecê-la, para não


mencionar fazer outras coisas com ela. Até que essa bagunça
seja resolvida, o que eu quero é mais um desafio. Então, eu
vou resolver isso.

Eu senti uma corrida de um arrepio através do meu


corpo.
— Mas, você não tem um emprego?

— Eles deixaram-me seguir meu próprio caminho.

O Departamento de Polícia de Denver não deixou Eddie


seguir seu próprio caminho. Indy disse-me que Eddie apenas
seguia seu próprio caminho e, em seguida, arcava com as
consequências.

— Deixe-me fazer isso por você, Chiquita. - Sua voz era


suave.

— É um problema de família, eu não posso pedir-lhe...


- Eu parei, quando me bateu.

— O que é Lee está fazendo aqui?

Nós dois olhamos por cima do ombro de Eddie. Lee e


Indy estavam a duas casas para baixo no outro lado de Bear
e Lavonne, eles com as mãos na cintura e não se parecia com
uma conversa amorosa.

Eddie olhou para mim.

— Lee está fazendo um trabalho conectado para alguns


clientes. Eu pedi ajuda a ele na busca de Ray. - Meus olhos
se arregalaram.
— Eu não posso pagar Lee!

— Você não tem que pagar Lee. Ele é mi hermano e


Indy a sua amiga e mulher dele, este é um favor.

— Eu não posso...

— Quer parar de dizer eu não posso? – Ele disse.

— Bem, eu não posso, - eu apontei.

— Você pode, Jet. Estes são os seus amigos. Você acha


que eles estão aqui somente pela emoção?

Eu olhei para trás sobre o ombro de Eddie, para Tex,


Ally e o negro, eles estavam encostados no Mustang
conversando. Tex estava obviamente impaciente e carrancudo
e para trás entre Indy, Lee e Eddie, era como se estivesse
assistindo a uma partida de tênis irritante.

Meu coração apertou-se e eu tive essa sensação


agradavelmente estranha, como as que estavam chegando
para mim durante o meu encontro com Eddie.

— Eu acho que eles estão aqui parcialmente pela


emoção. - Eu tentei esconder como eu estava comovida por
essa demonstração de apoio.
Quando eu olhei para Eddie novamente eu vi a
covinha.

— Eu espero que você esteja certa sobre isso.

Eu decidi mudar de assunto. — Quem é o cara negro?

— Mi otro hermano. Darius. Nós crescemos juntos.

— Ele não vai à Fortnum. Ele é um policial também? -


Todo mundo envolvido com o círculo de Eddie, Lee e Indy
eram policiais, detetives particulares ou pessoas loucas.
Darius não parecia louco por isso, arrisquei um palpite.

— Traficante de drogas, - Eddie disse, como se ele


dissesse, ‘vendedor de sapatos’. - Olhei para ele.

— Sério? - Eu respirei.

Ele acenou com a cabeça.

— Por que você não o prende? - Eu perguntei.

A covinha estava de volta, desta vez com um enorme


sorriso.

— Eu não o prendo porque ele é meu irmão. - Os


braços de Eddie apertaram em torno de mim e sua cabeça
mergulhou para baixo. — É uma longa história. Eu conto
para você algum dia quando não estivermos brigando um
com o outro, dormindo ou fugindo de nossas famílias
malucas. - Meu interior começou a enrolar.

— Ok, - era tudo o que eu conseguia pensar para dizer.


Ele olhou-me por um instante.

— Posso confiar em você para não ir atrás de seu pai? –


Ele questionou.

Eu balancei a cabeça.

— Será que isso significa que eu posso confiar em seu


aceno ou você prefere não mentir em voz alta?

Eu não poderia evitar, ele descobriu-me, então eu sorri


para ele.

Seus olhos aqueceram.

— Eu poderia me apaixonar por esse sorriso, - ele


murmurou, como se estivesse falando para si mesmo, e eu
nem estivesse lá.

Meu corpo inteiro congelou.


Senti seus lábios levantarem nos cantos, então ele
tocou os meus. E então ele disse: — Uma coisa de cada vez.

— Como é que foi o seu encontro com Eddie?

Mamãe tinha ouvido a chave na fechadura e estava em


pé no meio do caminho, no corredor, esperando por mim,
depois que Duke trouxe-me para casa.

— Foi um pouco estranho... - eu disse e passei por ela


indo para a sala. — Eu conheci a sua mãe.

— Você conheceu a sua mãe! Ah... meu... Deus. Isso é


ótimo! - Deixei minha bolsa no sofá e decidi mudar de
assunto e não contar a ela que eu também conheci a maioria
de sua família também. Ela ia começar a procurar floristas e
igrejas.

— O que você está fazendo fora da sua cadeira? – Eu


perguntei.

Ela entrou, com o braço esquerdo pendurado inútil,


sua marcha instável, mas ela pareceu toda direita, apesar de
que estava chegando o final do dia.
— Eu estou me sentindo bem. Eu também lavei duas
máquinas de roupa e limpei a máquina de lavar louça.

Eu sorri. Eu não poderia evitar. Esta era uma grande


notícia.

Ela sorriu de volta. Ela sabia que era uma grande


notícia.

— Será que o mecânico arrumou o meu carro?

— Não, mas você não iria acreditar no que aconteceu


ontem à noite. Tivemos um pouco de emoção. A polícia
chamou e disse que havia um alarme no edifício. Eles
queriam saber se Trixie e eu vimos alguma coisa. Nós não
vimos, mas temos certeza de como foi bom olhar para isso.

Eu comecei a rir, sabendo que este era o alarme que


Eddie arranjou como desculpa, então eu comecei a sentir-me
um pouco menos estressada.

Eu tinha quase mil dólares em minha bolsa de gorjetas,


a generosidade de Smithie e a ajuda de Lavonne. Para não
falar, que era dia de pagamento de ambos, do Smithie e da
Fortnum. Mamãe estava locomovendo-se melhor e eu tinha
amigos olhando por mim. Eddie ia descobrir o que fazer com
meu pai e eu tive um bom descanso, esta semana. Eu estava
começando a sentir que eu poderia enfrentar o mundo. Ou,
pelo menos, a próxima semana.

Eu, de costume, mal era capaz de lidar com a próxima


hora.

Eu deitei-me por algum tempo, tomei um banho e


liguei para Lenny ligar-me quando viesse buscar-me.

Eu entrei em Smithie na hora, pela segunda vez em


uma semana.

— Uma vez é um milagre, duas vezes significa que


porcos estão voando, - disse Smithie, quando me viu. — Você
conseguiu resolver a sua merda? - Ele perguntou, colocando
meu avental no bar com outro envelope de gorjetas.

— Ainda não, mas estou trabalhando nisso, - eu dei-lhe


o meu casaco e bolsa.

Smithie olhou para Lenny.

— Ela não pode ficar a cinco metros de distância de


você a noite inteira. Entendido? - Lenny assentiu.

— Ótimo, agora comece a trabalhar.


Era sexta-feira e as sextas-feiras sempre foram
agitadas no Smithie quando era dia de pagamento.
Pagamento também significava que os meninos ficavam
generosos, o que significava gorjetas decentes. Com duas
boas noites nesta semana e uma mudança no sábado, se o
meu carro não me custasse uma fortuna para consertar, eu
poderia até mesmo ficar muito bem.

Meia hora antes de fechar, eu senti uma mão no meu


ombro e, em seguida, Lenny se materializou ao meu lado.

— Sem mãos, grande homem, - disse Lenny. Ouvi a


risada de Tex e virei-me, deslocando a mão carnuda.

— Ele acha que pode levar-me. - A voz de Tex estava


divertida.

— Está tudo bem, Lenny. Ele é um amigo. - Lenny


afastou-se, seus olhos presos sobre nós e eu virei-me para
Tex.

— O que você está fazendo aqui?

— Eu vou falar com a Indy, para conseguir alguns


uniformes assim para as meninas na Fortnum. Nós vamos
nos aposentar neste ano.
Maravilhoso. A este ritmo, todo mundo ia me ver no
meu uniforme do Smithie.

Fingi que ia bater nele com a bandeja e ele fingiu ficar


com medo. Então, ele respondeu-me.

— Chávez chamou. Ele está preso em algo que soa


como o trabalho da polícia. Ele pediu-me para buscá-la. Ele
disse que ia vê-la amanhã.

Eu senti uma sensação imediata de decepção. Então eu


senti a necessidade de fingir que não fiquei decepcionada. Eu
sorri belamente para Tex.

— Eu vou demorar por algum tempo, - eu disse a ele.

— Não é como se não houvesse nada a fazer, - disse ele


e caminhou em direção ao bar, com os olhos no palco.

Eu trabalhei o final do turno e ajudei a organizar tudo


para o dia seguinte. Eu não percebi o quanto eu estava
aliviada que nada aconteceu até que eu entreguei meu
avental para Smithie.

— Eu devo estar ficando um porra louca. Eu estou


decepcionado que o clube não virou um pandemônio por
causa de sua merda, - disse Smithie para mim.
— Talvez amanhã, - eu respondi.

Smithie deu-me um sorriso malvado.

— Saia daqui. - Tex estava esperando na porta e ele


levou-me até seu El Camino bronze. Quando estávamos com
o cinto de segurança, Tex decolou como um foguete e eu senti
o empurrão contra o assento. George Thorogood estava
tocando desde as oito pistas.

— O que aconteceu com seu carro? - Ele gritou sobre a


música, de alguma forma, com calma, como se ele não
estivesse correndo muitos quilômetros por hora para a nossa
desgraça com ‘Bad to the Bone’ como a nossa trilha sonora.

Eu arranquei meu corpo do assento.

— É a mecânica, - Eu gritei de volta.

Tex ficou em silêncio um instante, em seguida, ele


gritou: — Eu tenho algum dinheiro guardado. Se você
precisar...

Eu o interrompi: — Não, Tex, eu estou bem.

— Não parece de onde eu estou sentado, mulher.


— Sério, - eu disse, um pouco mais baixo, mas alto o
suficiente para ser ouvida. — Eu vou ficar bem.

Ele fez um barulho que parecia um ronco.

— Se você precisar dele, ele está lá. Isso é tudo que eu


estou dizendo. - Eu senti a sensação de calor no meu peito
novamente.

Ele estacionou em um local desativado no meu prédio e


saiu para acompanhar-me.

Eu estava às portas do edifício, digitando o código de


segurança, sentindo Tex em pé atrás de mim quando eu ouvi
um barulho e uma briga. Virei-me para ver Tex caindo,
batendo no chão com um baque semelhante a uma árvore de
pau-brasil gigante.

Eu olhei para cima para ver Louie e Vince, vestindo


suas roupas de Reservoir Dogs e olhando para mim. O rosto
de Louie estava em branco. Vince parecia que queria quebrar-
me ao meio.

Louie aproximou-se, agarrou meu braço e disse: —


Vamos lá. Marcus quer falar com você.

Droga.
Droga, droga, droga e dupla maldição.

Eu deveria ter me lembrado de me manter vigilante,


porque, para mim, se algo poderia ficar pior, com certeza
ficaria.

Eles levaram-me ao sul, para a seção elegante de


Englewood com as grandes propriedades e residências
multimilionárias.

Nós viramos à direita, entrando em uma pista isolada


para uma parada em uma casa que não parecia uma casa e
sim um castelo. Eles orientaram-me a caminhada, Louie à
minha esquerda, Vince à minha direita, e fomos até uma
ponte que ia até o que parecia ser um fosso.

Normalmente, eu acharia engraçado, um castelo com


um fosso em Denver.

Nada era engraçado, naquele momento em particular,


no entanto.

Entramos pela porta da frente e eles levaram-me por


um corredor comprido e largo que era feito de pedra, e tinha
um tapete vermelho no meio do corredor. De vez em quando,
na parede, havia uma luz formada para se parecer com uma
tocha.

Havia também dois conjuntos de armaduras e um


monte de cristas e as espadas cruzadas sobre as paredes.

Nós viramos à direita em uma grande sala, em seguida,


novamente à direita para o que parecia uma cova, depois à
esquerda para o que era um escritório.

Havia mais decoração de castelo medieval lá com uma


grande mesa, com cadeiras de couro estofadas e bandeirolas
fortemente esculpidas que iam, em forma de barras de latão
até o teto.

Um homem estava ali. O rei do castelo, ele era mais


jovem do que eu esperava, e era muito bonito. Se eu o visse
na rua, eu lhe daria uma segunda olhada: alto, moreno, com
graves olhos azuis que eram de alguma forma, assustadores,
como se tivessem visto de tudo, feito de tudo um pouco e não
tivesse medo de qualquer um.

Seus olhos moveram-se por mim e algo cintilou neles


quando ele reconheceu o meu uniforme do Smithie. Ele
escondeu-o rapidamente.

— Sente-se, - disse ele.


Eu imediatamente fiz o que me foi dito e sentei-me em
uma das cadeiras em frente à mesa. Louie e Vince estavam
atrás de mim.

O homem sentou-se em frente a mim.

— Você é Jet McAlister? - Ele perguntou.

Eu balancei a cabeça.

— A filha de Ray? - Ele continuou.

Eu balancei a cabeça novamente. Mesmo que eu


soubesse que isso tinha que ser sobre o papai, eu senti meu
coração morrer um pouco, sabendo que ele era a causa de
mais um desastre para mim.

— Estou à procura de Ray, - ele me disse.

Eu balancei a cabeça, sem saber o que dizer e com


muito medo de falar de qualquer maneira.

— Você o viu?

Eu balancei minha cabeça negativamente.

Seus olhos moveram-se de mim para Louie e Vince,


depois de volta para mim.
— É importante que eu o encontre. Você sabe onde ele
estaria? – Ele questionou.

— Eu... - Havia um sapo na minha garganta então eu


limpei-o e disse: — Eu estou procurando por ele também. Ele
não é muito bom em ficar por perto quando as coisas ficam
difíceis... - eu terminei.

Seu rosto apertou naquele momento e a parte


assustadora de seus olhos intensificaram-se a tal ponto, que
eu estava certa de que eu ia fazer xixi nas calças.

Eu nunca conheci ninguém como ele antes, a ameaça


vibrava fora dele como um toque físico.

Eu queria correr, mas eu sentia-me presa ao chão. Eu


tinha a sensação de que este homem ia me machucar, ou ele
ia deixar Vince machucar-me, e eu não queria nenhuma
dessas coisas acontecendo.

— Doçura? O que está fazendo aqui... oh meu, temos


companhia.

Eu virei a esta nova voz, uma voz feminina com um


sotaque profundo. Minha boca caiu aberta com o que vi.
Doly Parton, ou uma representação justa dela, estava
em pé na porta, grandes cabelos loiros, corpo minúsculo,
seios enormes, usando um conjunto de lingerie rosa, com
penas de marabu, nos chinelos de salto alto que ela usava,
também. Eu percebi que ela não era Doly porque ela tinha a
minha idade ou talvez um ou dois anos mais velha.

Eu não sei o que me puxou da cadeira, mas eu estava


em pé e voltei-me para ela.

Ela espiou Louie e seus olhos azuis ficaram enormes.

Então, ela olhou para o homem atrás da mesa e eles


estreitaram-se.

— O que está fazendo com uma menina do Smithie? -


Ela perguntou, a mão no quadril, um quadril saliente e
atitude de bater a sala com um golpe do corpo.

— Daisy, doçura, isto é um negócio, - disse o homem


atrás do balcão.

— Com a menina do Smithie? No meio da noite? Eu


não penso assim. - Sua voz se elevou sobre as duas últimas
palavras.

— Não é o que você está pensando, - disse o homem.


— Qualquer coisa que eu ache, é melhor não ser,
Marcus, querido. - Louie, Vince e eu estávamos assistindo
essa discussão, com a cabeça balançando para frente e para
trás entre os participantes.

Marcus olhou para nós e disse: — Saiam. - Comecei a


seguir Louie e Vince, mas Marcus disse: — Jet, você fica.

Eu não sabia se ficava feliz ou triste porque eu fiquei


com Marcus e Daisy que estavam no meio de uma situação
doméstica. Embora, eu não esperasse que qualquer momento
que passei com Vince seria um bom tempo.

Daisy afastou apenas o suficiente para deixá-los passar


e, em seguida, fechou a porta e entrou na sala. Seus olhos
apertados em mim.

— Jet, não é?

Eu balancei a cabeça, morrendo de medo dela mesmo


ela sendo mais baixa do que eu, apesar de usar saltos altos.
Ela olhou para Marcus.

— O que é isso?

Marcus recostou-se na cadeira. — Seu pai me deve


quinze mil dólares. Pôquer.
Um pouco da tensão de Dayse aliviou e ela olhou para
mim novamente.

— Você é próxima de seu pai, doçura? - Ela perguntou.

Como parecia que um pouco da atitude tinha escoado


para fora da sala, eu cavei fundo e encontrei a minha voz.

— Ele deixou-nos quando eu tinha quatorze anos, mas


ele volta de vez em quando. Algumas pessoas não o querem
por perto, mas... ele é meu pai. - Daisy balançou a cabeça
como se entendesse perfeitamente. Ela voltou para Marcus.

— Diga-me novamente porque Jet está aqui?

— Seu pai é um homem difícil de encontrar.

A atitude perigosa voltou.

— Você vê o que ela está usando? - Perguntou Daisy.


Marcus suspirou.

— Eu vejo isso.

— Ninguém se mete com uma menina do Smithie. Nem


mesmo você. Entendeu? - Então, ela virou-se para mim: —
Eu trabalhei com Smithie. Dancei em um poste. Marcus
encontrou-me lá, então é meio o nosso lugar especial. Como
está o Smithie? Eu não tenho ido à cidade.

Seu tom tinha ido de chateado a sério, não mais a doce


garota lembrando o passado.

Tentei manter-me.

— Eu meio que o deixo louco - eu disse a ela,


aproveitando-me do que eu esperava ser uma virada de sorte
para mim.

Ela riu, parecia bonita, esbanjando sensualidade.

— Todo mundo deixa Smithie louco, - respondeu ela,


com a voz nostálgica.

— Ele diz que eu sou uma dor na bunda dele, - eu


continuei.

— Eu costumava ser uma dor na sua bunda, então eu


casei-me com Marcus. Agora, como você pode ver, eu sou
uma dor na bunda dele. - Ela sorriu para mim, enorme e
deslumbrante, seus dentes eram tão brancos, que poderiam
iluminar a escuridão.
Eu me senti segura para sorrir de volta para ela. De
qualquer forma, ela era meio engraçada e parecia doce,
quando ela não estava sendo assustadora.

— Se vocês meninas, terminarem as reminiscências,


talvez eu possa fazer a Jet mais algumas perguntas? -
Marcus intrometeu-se em nossa conversa.

Marcus foi salvo da borda da língua de Daisy quando


bateram à porta e Louie enfiou a cabeça dentro.

— Nightingale está aqui.

Obrigada, Deus.

Eu dei um suspiro mental de alívio.

Marcus fechou os olhos em frustração.

Daisy bateu palmas.

— Lee está aqui! Eu não o vejo em anos. - A porta


abriu-se e Lee entrou.

Seus olhos atingiram-me de uma forma que me disse


que estava examinando o meu bem-estar físico e mental. Ele
parecia bem com o que viu, o que me garantiu que eu não
parecia tão assustada como eu verdadeiramente estava.
Então ele olhou para Daisy.

— Daisy, - disse ele.

— Lee, docinho, parecendo bem, como de costume. -


Ela piscou para ele.

Seus lábios tremeram.

— Deixe-me adivinhar, - disse Marcus à Lee. — Esta


tem a sua proteção também. O quê? Você está construindo
um harém? - Lee balançou a cabeça.

— Eu estou nesta incumbência por Eddie.

Marcus, que parecia ter aceitado seu destino, ficou


assustadoramente tenso novamente. Eu tive a sensação de
que ele não gostava de Eddie.

— O que isso tem a ver com Chávez? - Ele perguntou


Lee.

— Jet, - disse Lee, e ele não estava falando comigo, ele


estava falando com Marcus, meu nome foi à resposta à
pergunta de Marcus.
— Merda, - disse Marcus e olhou para mim como se eu
fosse agora uma dor na sua bunda. Seus olhos retornaram
para Lee.

— Você diga à Chávez que eu quero os meus quinze


mil dólares.

— Procure-o com McAlister. E um conselho, Marcus,


mantenha Jet fora disso. Demorou muito para convencer
Eddie a não vir aqui com um par de policiais. Você não quer
esse tipo de problema.

— Eu tenho problemas com você sobre isso? -


Perguntou Marcus e a tensão estava lá.

— Mantenha Vince sob controle e seu foco em


McAlister. Se ele aparecer, mantenha-o longe de suas mesas.
Você faz isso, e não tem nenhum problema comigo, -
respondeu Lee.

Olhei para Daisy. Daisy estava assistindo tudo como


um falcão. Ela pegou-me olhando para ela e ela veio para
frente e enganchou seu braço no meu.

— Eu vou levá-la até a porta, Doçura, - disse ela e


levou-me para fora da sala.
— Eu sinto muito que você foi acordada no meio da
noite, - eu disse a ela, enquanto caminhávamos da sala
grande para baixo no corredor. Ela acenou com a mão.

— Acontece o tempo todo. - Hum... droga! Em seguida,


ela continuou: — Você deve ter acabado de sair do seu turno
e, sem dúvida, seus pés devem estar matando você.

Eu balancei a cabeça.

Ela parou na porta da frente e seu rosto ficou sério.

— Nenhum dano virá até você, eu vou cuidar disso.


Mas é melhor seu pai começar a arrumar a sua merda. Eu
não estou dizendo isso para assustar você, doçura, estou
dizendo para você avisá-lo, caso goste dele. Compreende? -
Eu balancei a cabeça novamente.

— Talvez eu vá visitar o Smithie em algum momento, -


ela disse em uma outra mudança rápida de humor.

— Eu estou trabalhando amanhã à noite.

Agora, por que eu disse isso a ela? Eu não queria fazer


amizade com a mulher assustadora de Marcus. Será que eu
queria?
— Parece bom para mim, - respondeu Daisy e seus
olhos deslizaram para os lados quando Lee juntou-se a nós.

— Não seja um estranho. - Ela disse depois que nós


saímos e eu não sabia se ela estava dizendo à Lee ou para
mim.

Lee colocou-me em seu Crossfire prata e fechou o cinto


de segurança. Depois que ele entrou, eu virei-me para ele.

— Eles derrubaram Tex fora do meu prédio, - eu disse


a ele.

— Arma de choque. Ele veio e me ligou. Ele está bem. -


Eu balancei a cabeça e comecei a tremer de reação atrasada
quando Lee virou na University Boulevard.

— Você está bem? – Ele perguntou.

Eu balancei minha cabeça e depois, percebendo que ele


não podia ver-me, porque ele estava dirigindo, eu disse: —
Não.

— Será que Vince...? - Começou Lee.

Eu interrompi: — Não, eles simplesmente apagaram


Tex, agarraram-me, colocaram-me em um carro e levaram-me
para Marcus. Eu não lutei nem nada.
Eu não sabia se isso era a coisa certa a fazer ou não
até que Lee murmurou.

— Inteligente.

Lee levou-me até meu prédio. O El Camino estava lá,


assim como a picape vermelha de Eddie, com Eddie inclinado
contra ele, braços e tornozelos cruzados. A postura informal
desmentia o olhar que eu peguei no rosto dele, quando as
luzes do Crossfire de Lee o atingiram.

Tex estava em pé ao lado dele.

Lee parou a poucos metros de distância da picape de


Eddie e virou-se para mim quando eu soltei o cinto de
segurança, impedindo-me de sair com uma mão no meu
braço.

— É improvável que Marcus venha a fazer qualquer


coisa para você. Não é o estilo dele. Ele permanece focado,
não gosta de bagunça e seu problema não é com você. Se
você tem que ter os criminosos, então você quer o tipo como
Marcus. Ele tomou-lhe porque ele iria voltar para o seu pai e
se seu pai pensasse que você estava na linha de fogo, ele
tentaria tirá-la para fora.
Senti um alívio adicionado com sua segurança e de
Daisy. Pelo menos alívio para mim, meu pai era outra
história.

Alguém abriu a porta, mas Lee ainda não tinha


terminado, então eu não me afastei.

— Vince é outra história. Ele está procurando por uma


desculpa para vingança do que aconteceu no Einstein. Vince
não é o tipo de cara que vai levar um golpe como esse à sua
reputação sem fazer nada. - Meu alívio foi imediatamente
embora.

— Fique atenta, e perto de Eddie e se você não puder


estar perto de Eddie, então chame Tex ou Duke. Se você
estiver presa, telefone-me e eu vou enviar um dos meus
homens. Sim?

Eu balancei a cabeça.

Ele olhou para mim.

— Estou falando sério, - disse ele e parecia sério.

Eu balancei a cabeça novamente.


Eu estava falando sério também. Serio como um ataque
cardíaco, o que eu entendi era muito sério, considerando que
eu quase tinha um a cada dia por semana.

Ele soltou-me e acenou com a cabeça para trás. Uma


mão enrolou em volta do meu braço e eu virei para ver Eddie
inclinando-se na minha porta. Ele ajudou-me a sair, fechou a
porta e Lee foi embora.

Tex veio até nós e colocou sua mão grande na minha


cabeça.

— Merda, mulher, - disse ele, em seguida, repetiu-se,


sacudindo a cabeça, — Merda.

Eu percebi que ele estava preocupado e eu senti


lágrimas subindo até minha garganta.

— Eu estou bem, Tex eles não me machucaram, - eu


disse a ele.

Seus olhos voltaram-se para Eddie.

— Eu estraguei tudo, Chávez. Juro por Deus, isso não


vai acontecer novamente.

Eddie assentiu.
— Vá para casa, - ele disse para Tex. Tex deu outro
olhar para mim e, em seguida, foi embora em seu El Camino.

Voltei-me para Eddie e abri minha boca, mas não saiu


uma palavra.

— Estou passando a noite com você, em sua cama, e


eu não estou discutindo sobre isso, - disse ele.

Eu senti alívio passando através de mim novamente.

Eu não queria ficar sozinha hoje à noite, de jeito


nenhum, não mesmo.

— Ok. - Foi tudo o que consegui dizer.


Capitulo 10
Eddie pensava que eu valia a pena.

Eu poderia jurar que ouvi uma batida na minha porta.


Todo o calor deixou-me, minha cama moveu-se, houve o som
de farfalhar de roupas e então ouvi a porta aberta.

— Eddie! - Minha mãe engasgou.

Eu enfiei a cabeça embaixo do travesseiro, tentando


encontrar a terra dos sonhos novamente. Eu queria ir para
onde a vida era segura, normal e mundana. Onde as pessoas
não seguravam facas em sua garganta, não a levavam contra
a sua vontade, ou que caras quentes não a perseguiam
contra todas as leis da natureza.

— Jet está cansada hoje, - disse Eddie, em voz baixa.

Houve uma hesitação, enquanto eu tinha certeza de


que minha mãe mentalmente estava projetando, o vestido da
minha dama de honra.
— Diga a ela que Lavonne apareceu para uma visita
surpresa e ela está levando-me para tomar café da manhã: -
Mamãe sussurrou.

— Eu não vou estar de volta por algumas horas, -


acrescentou sugestivamente.

Minha mãe.

Eu entrei mais ainda para baixo dos travesseiros.

Eddie não respondeu, mas a porta foi fechada, não


havia mais farfalhar de roupas, a cama moveu-se e o calor
voltou em forma do corpo de Eddie nu encaixando-se à minha
volta.

— Ela estava em sua cadeira? - Eu perguntei, minha


voz abafada pelo travesseiro.

Seus braços apertaram ao meu redor.

— Ela estava em pé. Volte a dormir.

Comecei a empurrar para cima.

— Ela precisa levar sua cadeira. Eu vou ter que


mostrar a Lavonne como dobrá-la, apenas no caso de
precisar.
Eddie puxou-me de volta para baixo.

— Elas vão descobrir. Durma.

— Que horas são? – Eu perguntei. — Eu tenho que ir


ao banco e ao supermercado.

A mão de Eddie veio e curvou-se ao redor do meu peito.

— Se você está acordada...

Eletricidade correu direta para o meu interior.

— Eu consigo dormir, - eu menti, voltando para baixo,


já dois terços do caminho para completamente ligada.

Sua mão permaneceu onde estava, mas ele não se


mexeu com a intenção e puxou-me mais fundo nele.

Surpreendentemente, depois de alguns minutos, eu


dormi.

Eu acordei, feliz e quente por cerca de dois segundos,


então fiquei apavorada. Estava enrolada em torno de Eddie,
que estava de costas. Ele tinha um braço em volta de mim e
outra mão descansando no meio de seu peito, muito perto de
onde meu rosto estava.

Eu olhei para cima para ver se ele estava acordado,


meu rosto deslizando sobre seu peito e eu vi que ele estava
dormindo, os olhos fechados, o rosto relaxado.

Eu nunca o tinha visto daquele jeito.

Ele era um cara legal, fodão quando acordado, sempre


exalando uma certa energia magnética um pouco perigosa.
No sono, ele era de alguma forma ainda mais quente, mais
atraente, mais magnético e definitivamente mais perigoso.

O total disso me assustou e eu pensei que já estava


apavorada.

Eu comecei a afastar-me, com o braço apertado, ele


rolou para dentro de mim e metade em mim. Sua cabeça
levantou, seus olhos se abriram e ele olhou para mim.

— Oi, - eu disse, por falta de qualquer outra coisa para


dizer.

Seus olhos estavam com sono, mas seus lábios


formaram um meio sorriso.
Ele não respondeu ao meu ‘oi’, em vez disso, a mão veio
e ele passou os dedos pelo cabelo no meu rosto, seus olhos
observando seu movimento de mão pelo meu cabelo. Em
seguida, ele enrolou e correu os dedos ao longo da minha
mandíbula.

— Você tem que me pagar de volta - ele murmurou,


com a mão cobrindo meu queixo, o polegar passando ao longo
do meu lábio inferior, os olhos ainda observando meus
movimentos.

— Perdão? - Eu perguntei, com a minha atenção


desaparecida e firmemente estabelecida em um Eddie Torpor.

O rosto dele desapareceu no meu pescoço.

— Ontem, eu cuidei de você. Hoje, nós dois


conseguimos o que queremos, - disse ele em meu ouvido.
Então ele pressionou seus quadris contra mim e eu sabia
exatamente o que ele queria, porque eu senti contra a minha
perna.

Meu coração saltou um par de vezes e gaguejou a uma


parada.

Senti sua língua tocando abaixo do meu ouvido e eu


tremi.
Tudo bem, seja o que for. Então, eu iria dormir com
Eddie. Então, ele provavelmente iria quebrar meu coração.
Coisas piores tinham acontecido comigo, certo?

Corri minhas mãos por suas costas, enganchei a perna


em torno de sua coxa e virei minha cabeça para lhe dar mais
acesso ao meu pescoço.

Então eu vi o horário no meu despertador e congelei.

— Puta merda!

Tentei levantar, mas Eddie estava em cima de mim,


então em vez disso, eu bati minha cabeça contra seu queixo,
quando ele tinha sentido que eu estava tensa, levantou a
cabeça para olhar para mim.

— Porra, inferno - ele murmurou, olhando para baixo.


— Qual é o problema?

— Você já ouviu se a mamãe voltou? - Eu perguntei a


ele.

— Não.

— Saia, saia, saia! - Eu exigi empurrando-o.


— Jet. - Eddie pegou minhas mãos pelos pulsos e
puxou-as sobre a minha cabeça.

— Acalme-se.

— Eu não posso me acalmar! São onze horas. Mamãe


saiu horas atrás. E se alguma coisa aconteceu? Onde está o
meu celular? - Eu estava procurando loucamente por aí.

— Está na mesa de cabeceira. Jet acalme-se. Ela é uma


menina grande. Ela chamaria se acontecesse alguma coisa.

Eu olhei para ele.

— Eu tenho que ir ao banco, ao mercado, chamar a


porra do mecânico e descobrir o que há de errado com meu
carro. Eu não posso dormir na porra de um sábado como
pessoas normais! Tenho coisas para fazer!

Ok, talvez esse não tenha sido um momento de falar


palavrão. Mas eu tinha quase certeza que o Eddie Torpor
destruiria a minha vida; eu estava em um fenômeno super,
mega, extra fora de mim.

Ele sorriu.

— Eu pensei que você fosse uma pessoa normal,


apenas na média, de todos os dias...
Eu provavelmente iria arrepender-me, mas eu rosnei.

Seu sorriso transformou-se em um espetacular sorriso


e ele soltou meus pulsos.

— Chiquita, você é muito adorável.

— Saia. - O rosto dele desceu e ele acariciou meu


pescoço.

— Quando eu estiver pronto.

— Eddie! O Credit Union fecha em uma hora! Sai fora! -


Sua cabeça surgiu novamente e ele enquadrou meu rosto
com as mãos.

— Não. - Eu olhei.

Ele ainda estava sorrindo e parecia quase... Brincalhão.

Isso não era bom.

— Eu vou fazer um acordo, cariña, se você conseguir


me jogar fora, eu vou sair. Se você não conseguir, passamos a
manhã do meu jeito. - Meus olhos saltaram.
— Isso não é justo. Você é mais forte do que eu, -
objetei.

— Você poderia tentar ser criativa.

Meu queixo caiu.

Eu poderia criar um joelho nas suas bolas, mas isso


poderia colocar dor nos sonhos de Blanca de ter dezenas de
netos e eu tinha certeza que eu gostava de Blanca.

Eu tentei o olhar ‘por favor’ doce e suplicante.

Sua cabeça inclinou-se e beijou o meu rosto. Quando


ele terminou, eu não estava pensando em nada,
especialmente não em jogá-lo fora. Eu gostava dele
exatamente onde ele estava.

Seus lábios deslizaram ao longo da minha bochecha


para meu ouvido, ele beliscou minha orelha com os dentes e
as suas mãos levantaram minha camiseta, ele levantou a
cabeça e, em seguida, a camiseta tinha desaparecido.

Uau. Ele não estava brincando e ele não estava


perdendo tempo. Acho que Eddie percebeu o meu fenômeno
Jet fora de si e não ia correr nenhum risco.
— Isto não é justo. Eu não posso jogá-lo fora seminua,
- eu murmurei.

— Você não poderia fazê-lo antes, mas ia ser mais


divertido dessa forma, se você tentasse, - disse ele em meus
lábios, sua mão ao redor da curva do meu peito, esfregando o
polegar ao longo do mamilo. Fechei os olhos e dei uma
repetição do dia anterior.

Quando eu os abri novamente, o olhar brincalhão tinha


ido embora e o olhar faminto estava lá e eu percebi que eu
tinha dado a ele exatamente o que queria.

— Eu não acho que gosto de você, - eu disse a ele,


mesmo que os meus braços estivessem em volta dele (por
vontade própria, eu juro).

Ele sorriu contra a minha boca.

— Você gosta de mim, - disse ele, e beijou-me


novamente.

Quando ele levantou a cabeça, eu balancei minha.

— Não, eu não gosto de você. Na verdade, eu realmente


não gosto de você. - De repente, sua mão desceu pelo meu
corpo e mergulhou na minha calcinha e meus olhos se
arregalaram, mesmo quando as minhas costas estavam
arqueadas quando seus dedos pressionaram dentro.

— Você gosta de mim. - Sua voz rouca tinha ido e eu


sabia que ele tinha a sua prova.

Tão rapidamente como veio, sua mão foi embora e ele


pegou minha mão e puxou-a entre nós, pressionando-a em
sua cueca e passando os dedos em torno dele e eu tinha
alguma prova também.

— E eu gosto de você, e apenas acerca de agora, eu


posso dizer que eu gostaria de estar dentro de você.

Apenas acerca de agora, eu poderia dizer que eu


também gostaria.

Mudei a minha mão contra ele, rolando o meu polegar


sobre a ponta. Ele fez um som em sua garganta que vibrou no
meu interior e ele beijou-me com uma intensidade que eu
nunca tinha sentido antes em minha não tão vasta
experiência.

Era muito mais quente, muito mais devastador para a


minha saúde mental e definitivamente selvagem.
Ele rolou de costas, levando-me com ele, com a mão na
minha bunda, em minha calcinha, e a minha mão em volta
dele acariciando.

— Você pode levantar-se agora, - disse ele em meu


ouvido enquanto eu corria meus lábios ao longo de seu
pescoço, sentindo o cheiro de Eddie e sabendo que eu nunca
esqueceria o seu perfume ou a sensação dele na minha mão,
não pelo resto da minha vida.

— Eu mudei de ideia. - Eu disse a ele.

— Já era maldita hora. - Ele murmurou, sua mão


moveu-se da minha bunda para prender os meus pulsos,
puxando-os longe dele. Ele arqueou e eu o montei, minha
cabeça abaixou-se, a sua inclinou para trás e eu estava
beijando ele, minhas mãos em seu cabelo, com as suas mãos
empurrando minha calcinha para baixo da minha bunda.

— Alguém em casa? - Minha mãe gritou.

Nós dois congelamos, boca a boca, as mãos dele em


minhas calcinhas, as minhas em seu cabelo.

— Você tem que estar brincando comigo, - disse Eddie,


com os dentes cerrados.
— Eu não entendo, Jet nunca dorme até tão tarde e a
picape de Eddie está lá em baixo. Lavonne, você coloca o café,
que eu vou verificar.

Eddie puxou minha calcinha, suas mãos foram para


minha cintura e ele meio deslocado, jogou-me para o lado.

Ele inclinou para fora da cama e pegou a calça jeans


quando ouvimos Lavonne arranhando a voz.

— Claro que sim, Nancy.

Eu rolei, saindo da cama, peguei a minha camiseta e


atirei-a sobre o corpo quando bateram na porta.

— Jet, bonequinha? Você está aí?

— Sim, mamãe. Eu já vou! - Eu gritei.

Eu estava em pé em um lado da cama, Eddie, do outro


vestindo calça jeans; três dos cinco botões estavam fechados.
Seu rosto parecia um trovão.

— Eddie está aí dentro? - Mamãe perguntou.

A cabeça de Eddie balançou para mim e ele parecia


prestes a cometer um homicídio.
Eu sufoquei uma risada e estava achando tudo muito
engraçado.

Quero dizer, realmente. Era demais. Éramos como


adolescentes sendo pegos no sofá.

— Sim. Nós dois estamos saindo.

— Tudo bem, querida. - Então, ouvi mamãe afastar-se.

Eddie virou-se para mim, seus olhos brilhando.

— É melhor você valer a pena, - ele rosnou, e eu sabia


que ele quis dizer isso como uma piada, mas o que ele disse
limpou o sorriso do meu rosto e eu fiquei perfeitamente séria.

— Eu não valho - eu disse a ele honestamente.

Eu vi como o rosto dele alterou, o brilho de


incredulidade desapareceu de seus olhos e outra coisa tomou
o seu lugar.

Algo que eu não sabia ler e não queria ler.

Antes que ele pudesse responder, puxei meu cabelo


para trás e saí do quarto.
Tomei o banho mais rápido da história do sexo
feminino, coloquei um par de jeans, uma camiseta preta, com
botões na frente e bem justa, como tal, mostrava um pouco
de pele (outro presente de Lottie) e um par de altas botas de
salto alto pretas (porque Eddie estava lá e eu tinha que fazer
algum esforço). Puxei meu cabelo para trás em um rabo de
cavalo, borrifei o meu perfume mais extravagante, não me
incomodando com maquiagem porque não havia tempo e saí
do meu quarto. Eddie estava vestido, sentado tomando café e
batendo papo com a mamãe e Lavonne na cozinha como se
isto fosse uma ocorrência normal, de todos os dias. Não
parecia que ele tinha sido interrompido por minha mãe com a
sua língua na minha boca e com as mãos empurrando minha
calcinha na metade na minha bunda.

Eu não tinha tempo para sutilezas, nem tinha tempo


para surtar com o Eddie estando na minha cozinha com
minha mãe e Lavonne, nem tinha tempo para surtar no geral
por tudo o que estava acontecendo na minha vida.

— Ei você aí, Jet. Você está muito bem. - Lavonne


falou.

— Oi Lavonne, - sorri uma saudação para ela e virei-me


para Eddie: — Eu tenho dez minutos para chegar ao banco.
Você vai me levar? - Eu perguntei a ele, não querendo, mas
sem ter escolha.

Eu realmente tinha que descobrir o que estava


acontecendo com o meu carro.

Como resposta, Eddie ficou parado e eu imaginei que


significava ‘Sim’.

— Você não tomou café, - disse minha mãe.

Eu derramei um pouco de leite e café em uma caneca


de viagem e virei-me para Eddie.

— Vamos.

Eddie caminhou com passos largos e eu apressei-me


em minhas botas de salto alto para a picape. Sem dizer uma
palavra, nós entramos e saímos.

Estávamos no meio do caminho, com apenas alguns


minutos de sobra, quando eu quase gritei: — Você não pode
ir mais rápido?

— Relaxe, Chiquita, eu já estou indo 10 milhas acima


do limite de velocidade.
Eu dei a ele um olhar que dizia: -Então? - Felizmente,
ele perdeu o olhar.

— Você não tem uma dessas coisas chamativas com


luzes como o Kojak? - Eu perguntei.

— Sim, mas eu não devo usá-la para idas ao Credit


Union, apenas em emergências.

Viu? Minha sorte é uma droga.

Ele mal havia estacionado no Credit Union quando abri


minha porta e eu pulei para fora da picape.

Amy estava fechando as portas quando eu corri para


cima. Eu já tinha trabalhado com Amy por anos, nós éramos
amigas e costumávamos sair juntas, ir ao cinema, passar o
tempo a beber margaritas e xingando (muito) os ex-
namorados de Amy. Ela era doce, engraçada e eu sentia falta
dela. Eu só a encontrava agora, quando eu fazia um depósito.

Enquanto eu caminhava até a porta, eu coloquei


minhas mãos em posição de oração, murmurando a palavra
‘por favor’.

Ela abriu as portas.

— Jet! Eu não vi você esta semana.


— Problemas com o carro, - eu expliquei, deslizando ao
lado dela.

— Eu tenho valor de uma semana de gorjetas que


precisam de depósito.

— Não tem problema, eu não contei minha gaveta


ainda.

— Obrigada, você é uma joia absoluta, - disse eu.

Eu olhei do outro lado da sala, sorri e acenei para


Jody.

Jody tinha cortado curto o seu cabelo loiro palha, e


estava com os óculos.

Jody tinha estado em Arapahoe Credit Union desde o


início dos tempos. Até onde eu sabia, Jody tinha sorrido uma
vez em toda a sua vida e foi quando um cliente antigo gostou
de ter seu carro recomprado.

Os olhos dela estavam na porta e os olhos de Amy se


mudaram para a porta também.

— Estamos fechados, - disse Jody, como um cão de


guarda na porta.
— Eu vou atender-lhe: - Amy respirou, também
encantada para realizar seu texto que não era exatamente
discreto.

Eu não tinha que olhar para saber que Eddie tinha


vindo atrás de mim.

— Estou com Jet, - ouvi-o dizer.

Tanto Amy e Jody olharam para mim como se eu


tivesse acabado de ganhar a trezentos mil dólares na loteria.

Veja o que eu quero dizer? As pessoas estavam


tentando entender o que Eddie estava fazendo comigo. Até os
meus amigos e conhecidos encaravam-me com admiração.

Peguei um comprovante de depósito e caminhei até à


estação de Amy.

Jody deixou sua gaveta, e parcialmente trancou-nos no


prédio, para principalmente bloquear todos os outros fora.

Eu puxei os meus maços de dinheiro e o cheque de


Lavonne e comecei a contar habilmente; minha mente em
minha tarefa, minhas mãos contando rapidamente, no
automático, colocando o dinheiro em pilhas de cem. Eddie
posicionou-se ao meu lado, o cotovelo no balcão, os olhos
observando minhas mãos.

— Como está a sua mãe? - Perguntou Amy, pegando


uma pilha e contando-a para verificar novamente.

— Ela lavou um par de cargas de roupa e esvaziou a


máquina de lavar louça ontem e ela está andando muito
mais. - Eu levantei minha cabeça e Amy e eu, sorrimos uma
para a outra.

Eu vinha dando-lhe um relatório semanal sobre a


mamãe durante meses, nós duas sabíamos como isso era
importante.

Então eu voltei para a contagem.

— Quando ela ficar melhor, você vai voltar a trabalhar


para nós? Não tem sido o mesmo desde que você se foi, - Amy
disse-me.

Fiz um esforço sobre-humano para manter meus olhos


longe de Eddie.

Ele não sabia nada sobre o meu passado e eu não


queria que ele soubesse.
De alguma forma, no final do dia, eu ia ter que deixar
Eddie saber onde eu estava, e que seria longe dele uma vez
que isto tudo terminasse.

Eu não tinha descoberto como fazer isso ainda, mas eu


gostaria de encontrar um caminho.

Eu tinha decidido no chuveiro que o que aconteceu


naquela manhã não poderia acontecer novamente. Nunca
mais. Tinha que parar, e logo, ou eu provavelmente iria
perder minha mente (para não mencionar o meu coração).

— Talvez, - eu disse a Amy. A resposta foi mais como


‘Provavelmente’. Por mais que isso fosse causar a saída da
Fortnum, o que significava ficar longe de Eddie e isto era algo
que eu tinha que fazer. Amy virou-se para Eddie e sorriu.

— Jet era muito boa no trabalho aqui. Talvez não seja


muito divertido aqui. Mas... - Ela virou-se para mim e seu
sorriso aumentou.

— Lembra aquela vez que nós fomos visitar o filho de


Donna, quando ele estava recebendo quimioterapia e você
teve as crianças na enfermaria todas juntas e fingiu ter um
tiroteio próximo do elevador usando as mãos como armas?
Isso foi hilário. - Ela virou-se para Eddie.
— Jet ainda caiu, rolou no chão e acidentalmente
derrubou um enfermeiro. Eu quase fiz xixi nas calças de
tanto rir. - Seu rosto corou quando percebeu que ela tinha
acabado de dizer a um cara quente que ela quase fez xixi em
suas calças.

Meu rosto corou quando percebi que Amy tinha apenas


contado à Eddie sobre a minha atuação no corredor do
hospital. O que não era um momento de coroação de glória
para mim.

Eu parei de contar e olhei para ela com horror. Este


definitivamente não era o momento para uma viagem pela
estrada das lembranças.

Eddie sorriu para Amy. O efeito foi hipnotizante


(mesmo para mim, e o sorriso não foi apontado em minha
direção) e foi o incentivo que Amy precisava.

Ela seguiu em frente, virando-se para mim, com os


olhos brilhantes e com certeza no meio de um mini Eddie
torpor.

— E quando nós encenamos essa piada prática com


David quando ele conseguiu uma nova namorada? - Amy
olhou para Eddie, — Ela era uma cadela berrante, a
propósito, ela mereceu totalmente.
— Essa foi uma boa, - Jody entrou na conversa,
lambendo os dedos e contando as notas.

— Amy... - Eu comecei, mas Amy estava aquecendo a


sua temática.

— Ele estava jantando com ela no Wazee Supper Club e


Jet entrou usando bobes no cabelo, chinelos e um velho
roupão de banho e começou a gritar com ele sobre sair com
uma meretriz, enquanto ela estava em casa com seus seis
filhos.

— Eu nunca vou esquecer, - disse Jody, — Nós


descemos para assistir. Isso valeu a pena perder os Broncos
no Monday Night Footbal. - Amy continuou.

— Agora ele está casado com Lisa e nós todos gostamos


dela.

Fechei os olhos e silenciosamente pedi ao Bom Deus,


se ele não estava ocupado e se talvez ele pudesse me ajudar.

— E lembro-me quando... - começou a Amy.

O Bom Deus pediu-me para deixar uma mensagem.

— Amy, Eddie não quer ouvir essas coisas, - eu


interrompi.
— Sim, eu quero, - disse Eddie.

Maravilhoso.

A cabeça de Jody aproximou-se e olhou atentamente


para mim.

— Veja, ele quer, - Amy passou alheia, e ela deu para


começar a falar novamente, mas Jody saiu de sua gaveta e
veio na estação de Amy.

— Eu vou ajudá-la a contar, Jet. Eu tenho certeza que


você tem muito o que fazer, com a sua mãe e tudo o mais.

Senti aliviar a tensão do meu corpo e eu gostaria de tê-


la beijado, se eu não achasse que ela bateria em mim, por
sequer tentar.

— Obrigada Jody - eu disse.

— Eu sinto muito, Jet. Eu não pensei... - Amy


murmurou e sorriu timidamente para Eddie, em seguida,
começou a concentrar-se no meu depósito.

Eu acho que o bom Deus pôs as mensagens de forma


rápida e mandou um anjo em forma de Jody como seu
substituto.
Tanto faz. Funcionava para mim.

Saímos do Crédit Union4, eu joguei-me na picape de


Eddie e peguei minha caneca de café do suporte de bebidas,
tomando o meu primeiro gole de cafeína no dia. Eu precisava
disso.

E eu precisava de um pouco de Jack Daniels também,


mas eu ia levar o que tinha.

Eddie entrou e virou-se para mim.

— Então, você costumava trabalhar lá.

Evitei os olhos, olhei para fora dos para-brisas e bebi


mais café.

— Sim, - eu respondi.

— Você tem que me ensinar a dobrar e rolar. Talvez eu


possa usá-lo durante um tiroteio.

4
União de Credito, tipo banco.
Onde estava a aberração do flash de um relâmpago
quando era necessário? Nesse ponto, eu não me importaria se
ele atirasse em mim, ou Eddie, ou ambos. Virei-me para ele.

— Você entra em tiroteios com frequência?

— Não realmente.

— Então você vai estar seguro.

Ele sorriu.

— Como está o garoto? – Ele questionou.

Olhei para ele, confusa.

— Que garoto?

— O que você foi ver no tiroteio no hospital, - ele


respondeu.

Do nada, senti as lágrimas baterem nas costas dos


meus olhos e eu respirei fundo para tentar controlá-las.

Foi à vez de Eddie olhar para mim.

— Merda, - ele murmurou.


— Sim, - eu sussurrei.

Devin era um bom garoto e Donna era uma boa amiga.

Ela e seu marido se mudaram para Montana depois


que ele morreu, não poderiam enfrentar as memórias e
queriam um novo começo. Se a sua última carta era qualquer
coisa para ficar perto, a tática não estava funcionando.

Quando consegui controlar-me falei: — Você pode


levar-me para casa agora.

— Eu pensei que nós estávamos indo ao supermercado.


- Eu desviei o olhar e tomei um gole de café.

— Lavonne está lá em casa, eu vou pedir-lhe para me


levar. Lavonne pode ser pequena e pode ser agradável, mas
principalmente ela é má como uma cobra, ninguém bagunça
com ela. Você pode ir e fazer... o que é que você faz em um
sábado. - Ele ligou o carro.

— Este sábado, eu vou levar você para o supermercado.


- Maravilhoso.
Ele levou-me ao hipermercado King Soopers na
Colorado Boulevard.

Peguei um carrinho e atingi a loja no meu ritmo


habitual, que era também conhecido como o eu não tenho
tempo para isto, eu precisava estar fora daqui vinte minutos
atrás.

Eu joguei as coisas no carrinho no trote e Eddie vagou.

Perdi-o na seção dos produtos diversos e ele encontrou-


me quando eu estava verificando o preço dos enlatados. Eu
fiz a minha escolha e comecei a andar rápido, mas ele pegou
meu braço.

— Estamos em uma corrida? – Ele questionou.

Eu olhei para a mão no meu braço e, em seguida, para


ele. Então eu levantei a minha mão e contei as coisas com
meus dedos.

— Eu tenho que chegar em casa e comer. Então eu


tenho que ajudar minha mãe com seus exercícios. Então eu
tenho que fazer as contas e equilibrar meu talão de cheques.
Depois eu tenho que fazer o jantar porque mamãe e eu
tentamos ter um jantar no sábado à noite juntas, não
importa o quê. Então eu tenho que...
Ele chegou tão perto, que minha respiração ficou presa.

— Estou convidado para o jantar? – Ele questionou.

Droga.

Eu dei um passo à direita.

— Você não tem mais o que fazer? Assistir jogos de


basquete na televisão? Criminosos para levar à justiça? - Ele
balançou a cabeça.

O que eu poderia dizer? Não?

Ok, talvez eu pudesse dizer não, mas isso seria rude.

— Oh, eu acho... - eu suspirei (como se isso não fosse


rude). Por alguma razão, ele parecia divertido.

Então nós dois ouvimos. — Mi hijo!

Virei-me para ver Blanca vindo em nossa direção,


empurrando um carrinho, que estava carregado com comida
suficiente para alimentar o Denver Broncos, o Colorado
Rockies e os funcionários da NORAD.
Ela estava com uma moça que devia ser parente de
Eddie que tinha um olhar em seu rosto que era muito
semelhante ao de Eddie.

Eddie se abaixou e beijou sua mãe na bochecha. Então


Blanca andou até mim, estendeu a mão e agarrou ambos os
lados do meu rosto e me puxou para baixo para dar-me uma
grande beijoca na boca.

Quando ela deixou-me ir, ela virou-se para a garota


atrás dela.

— Esta é a Jet, menina do Eddie, - disse ela e, em


seguida, virou-se para mim: — Esta é a minha filha mais
nova, Gloria. - Nós nos cumprimentamos. Eu não me
incomodei em dizer-lhe que eu não era nada de Eddie (ou,
pelo menos, tentando não ser) e notei que Gloria tinha uma
covinha como Eddie.

— Vocês dois estão fazendo as compras de


supermercado, - disse Gloria e era óbvio que este fato era
muito hilariante para ela.

Blanca assentiu com a cabeça, com aprovação, como se


tivessem nos pego arrumando a nossa lista de casamento.
Então os olhos de Blanca acenderam.
— Vocês podem vir a minha casa para o jantar hoje à
noite, - anunciou ela.

Não. Não, não, não.

— Vamos jantar na casa de Jet, com sua mãe, - Eddie


respondeu, e eu senti uma onda de alívio sobre mim.

Por cerca de um nano segundo.

Os olhos de Blanca arregalaram-se, depois estreitaram-


se. Em seguida, ela explodiu em uma enxurrada de espanhol
e eu peguei as palavras, madre della, primeira e comida e eu
sabia que estava em apuros. Blanca terminou em: — Então,
você vem à minha casa amanhã.

Não! Não, não, não, mil vezes não.

Eu abri minha boca para dizer algo, mas Eddie chegou


lá primeiro.

— Nós vamos estar lá às seis. - Minha boca ficou


aberta.

Isso ia colocar um grande freio em meus planos para


manter Eddie distante, ao comprimento do braço (que seria o
braço de Guliver se eu fosse de Liliput).
— Traga a sua mãe, Chiquita. Eu não posso esperar
para conhecê-la, - disse Blanca.

Como é que todo mundo estava atrás de mim, mas


ninguém podia matar-me ou mutilar-me? Deixariam minha
vida muito mais fácil.

— Mamãe adoraria isso, - eu disse a ela, o que ela


faria. Seria um encontro de mentes. A reunião em um
inferno.

Gloria estava sorrindo, muito agora.

— Talvez devêssemos convidar os primos, - sugeriu.

Eu virei-me e olhei para Eddie, pensando que talvez ele


fosse ajudar, mas ao invés disso ele passou o braço em volta
do meu pescoço e puxou-me para o seu lado.

Blanca olhou para nós com uma expressão que só


poderia ser descrita como bem-aventurada.

Em seguida, ela estalou fora dele.

— Gloria, pegue outro carro, - Blanca ordenou.

— Nós vamos ter que voltar e fazer a compra


novamente. Hasta mañana, - disse ela, que saiu fora
rapidamente, em tal missão, que ela foi sem beijos de
despedida.

Virei-me para Eddie e, como seu braço estava em volta


do meu pescoço, o que nos colocou bem de frente, inclinei a
cabeça para trás.

— Você poderia ter feito algo sobre isso, - eu respondi.

— Como o quê? - Respondeu ele, com o rosto muito


mais perto do que era confortável.

Tentei puxar de volta, mas não deu certo.

— Eu não sei. Educadamente recusasse de alguma


forma.

— Vou jantar com a sua mãe antes de jantar com a


minha. Venha o inferno ou o fundo do mar, Mamá vai até a
sua mãe de alguma forma. Confie em mim, mais cedo é
melhor do que mais tarde, dá-lhe menos tempo para planejar.

Sem pensar, eu disse: — Minha vida é uma merda. -


Eddie ficou tenso.

— É um jantar com a minha mãe, não é o fim do


mundo. - Para mim era.
— Não foi isso que eu quis dizer.

Foi, de certa forma, mas não no mau caminho que


Eddie tomou.

Seus olhos ficaram sérios.

— Precisamos ter outra conversa, - disse ele.

— Não! - Eu quase gritei, em pânico: — Não há mais


conversas. - Suas sobrancelhas uniram-se.

Tentei acalmar as coisas e disse: — Pelo menos, não


até eu descobrir o que eu tenho a dizer.

— E quanto tempo isso vai demorar? – Ele questionou.

Cerca de quatro vidas.

Claro, eu ia ter que acelerar.

Eu precisava que a minha vida voltasse ao seu tédio


normal, de todos os dias.

Mas, primeiro, eu precisava ir para a loja de bebidas e


comprar uma garrafa de Jack Daniels. Eu não bebia Jack,
mas eu pensei que agora era um bom momento para tomar
uísque.
Em vez de transmitir esta informação a Eddie, eu disse:
— Eu não sei.

Então ele disse: — Você tem até amanhã. - Meu queixo


caiu, então eu o fechei e disse: — Você está me dando um
prazo?

Ele afrouxou o braço, mas segurou-me pelo pescoço e


empurrou o carrinho com a outra mão, movendo-nos para
frente.

— Você não é exatamente um motor rápido e qualquer


vez que eu dar uma chance, você vai usar para recuar. Isso
não vai acontecer. Então, sim, eu estou lhe dando um prazo.

Eu decidi que era uma boa hora para parar de falar.

Fizemos isso pelo resto da provação, compras sem


incidentes, até que atingimos a linha do caixa. Eu não estava
prestando atenção e antes que eu percebesse, Eddie deslizou
seu cartão de crédito na máquina de cartão de leitura.

— O que você está fazendo? – Eu perguntei.

— Pagando pelos seus mantimentos, - ele respondeu.


Eu olhei. Então eu olhei.
— Você não pode pagar às minhas compras, - eu disse.

— Por que não?

Eu não sabia.

— Eu não sei, - então me bateu. — Elas não são as


suas compras, - eu terminei.

— Eu estou comendo algumas delas, não estou? - Isto


era verdade, ele estava.

Ele virou-se, de volta para a caixa. Acho que a conversa


tinha acabado.

Inclinei-me e bati minha cabeça na pequena mesa


acima do caixa.

— Eu o deixaria pagar às minhas compras, - a caixa


decidiu jogar dentro. Eu não respondi.

Fui até o fim do caixa, comandei o carrinho no minuto


que o menino colocou o meu último saco nele e, sem olhar
para trás, dirigi para fora da porta.
Vi o Senhor Macacão Engraxado no meu carro no
estacionamento do prédio pouco antes de Eddie e eu
entrarmos, eu senti um momento de euforia. Meu carro não
só estava funcionando, como parecia encerado e muito
brilhante, como se tivesse um novo sopro de vida.

Eddie estacionou, eu abri a porta da picape e fui até o


Senhor Macacão Engraxado.

— Está pronto! - Eu chorei.

— Sim, ele tinha um blá, blá, blá, com sua blá, blá, blá.
Depois, houve o blá, blá, blá. - Claro, ele usou palavras para
os ‘blá blá’, mas eu não entendia uma única delas.

— Quanto? - Eu perguntei, olhando feliz para o meu


carro, o que representava a minha liberdade, independência e
sem mais passeios emprestados ou ônibus ou táxi.

— Setecentos e cinquenta dólares. - Minha respiração


ficou presa, meu coração apertou e eu tinha certeza que eu ia
vomitar.

Olhei para o Senhor Macacão Engraxado.

— Por que você não me chamou antes de fazer


qualquer coisa? - Eu perguntei.
Mecânicos deveriam ligar, dizer-lhe quanto que ia
custar antes de sugar seu sangue vital. É assim que ele
deveria trabalhar. Eu pensei que era a lei.

— Esse é o valor antes de detalhar isso, a mudança de


óleo, colocar um novo filtro, novas velas e trocar os
limpadores. Ah, e você estava sem luz de freio.

Eu comecei a hiperventilar.

O Senhor Macacão Engraxado olhava-me como se eu


fosse uma artista particularmente inepta no meu
desempenho. Então ele olhou para Eddie. Em seguida, de
volta para mim quando eu gritei.

— Eu não tenho todo esse dinheiro! O carro nem vale a


pena para gastar todo esse dinheiro!

Ele olhou para Eddie quando a mão de Eddie deslizou


contra o meio das minhas costas.

— Tem de tomar cuidado. - O Senhor Macacão


engraxado disse, ao mesmo tempo exato em que Eddie disse:
— Jet.

— Tome... - Eu comecei a dizer e então me bateu.


Mamãe e Ada estavam olhando através da janela enquanto
Eddie falava com o Senhor Macacão Engraxado. Eu virei-me e
olhei para Eddie.

— Você não fez. - Um carro virou, entregou as chaves


do meu carro a Eddie e o Senhor Macacão Engraxado entrou
no outro carro e arrancou. Eu não tirei os olhos de Eddie o
tempo todo.

— Diga-me que você não fez, - eu exigi.

Ele observava-me atentamente.

— Eu fiz, - respondeu ele.

Eu considerei a arrancar os olhos para fora. Então eu


pensei que provavelmente não era muito bom, quero dizer, ele
apenas deu, tipo, mil dólares no meu pedaço de carro de
merda.

Então eu considerei gritar. Mas eu decidi reservar


minha energia. Quem sabia o que ia acontecer a seguir e eu
precisava estar preparada.

Então, em vez disso, eu fui para a picape. Eu abri a


porta para pegar as sacolas de supermercado, mas eu fui
puxada para fora do caminho e a porta foi fechada por Eddie.
Era isso, eu não podia tomar mais, e eu virei para
encará-lo.
— Eu vou pagar de volta, cada centavo. No momento
em que chegar lá em cima, eu vou fazer-lhe um cheque.

Seria quase quebrar o banco, mas eu iria fazer isso.

— Eu não vou tomar o seu dinheiro, - disse ele.

— Você vai. Eu não gosto de estar em dívida com


ninguém. -Especialmente você, eu pensei, mas não disse.

Sua mão foi para o meu corpo e ele empurrou-me


gentilmente contra a picape.

— Esse é o ponto. Eu quero que você fique em dívida


comigo. -Ele o quê?

— Você o quê? - Eu gritei.

Ele fechou e eu não tinha para onde recuar. Enfim, eu


estava muito assustada para recuar.

— Se você estiver em débito comigo, você está presa a


mim. Qualquer coisa que você cuide, da sua mãe, seu pai,
crianças recebendo quimioterapia e amigos que fazem más
escolhas sobre quem levar para um encontro, vão fazer você
ficar ligada a mim, porque você me deve. Você não está
conectada a mim, no minuto em que tudo resolver-se com
seu pai, você se foi. Eu estou tendo a certeza de que isso não
aconteça.

Eu não sabia o que dizer. Ele totalizou tudo e


perguntei-me. Como isso aconteceu? No entanto, eu tentei
falar.

— Eu.... Você...

Ele cortou-me, inclinou a cabeça para mais perto e


começou a falar. Eu poderia cheira-lo e eu podia sentir seu
calor e eu tinha que admitir, estava ficando difícil para mim.

— Seja qual for o seu próximo desastre, eu vou estar lá.


Comprando seus mantimentos, arrumado o seu carro,
negociando com o seu pai, eu não dou a mínima. Eu quero
que você me deva, me deixa em vantagem, e eu vou precisar
dessa vantagem para te acompanhar. E Jet...

Ele parou, ele estava olhando nos meus olhos e ele


tinha aquele olhar que ele tinha esta manhã, depois que a
mamãe e Lavonne chegaram em casa e antes que eu saísse
do meu quarto. O olhar fez o meu corpo sentir-se engraçado e
meus joelhos ficaram fracos.

Eu perguntei: — O quê? - Honestamente, o suspense


estava me matando.
— Há uma coisa que o dia de hoje provou.

Moveu-se ainda mais perto, seu corpo estava encostado


no meu e seu rosto estava à uma polegada de distância.

— O quê? - Eu meio que gritei. O que eu poderia dizer?


Tinha sido um dia difícil; eu estava perto de perdê-lo.

— Aconteça o que acontecer, você vale a pena e eu não


quero ouvir você dizer mais uma vez que você não vale.
Entendeu? - Senti aquela estranheza quente bater-me e eu
não tinha escolha a não ser concordar.
Capitulo 11

Jantar na Minha Casa.

— Eu atendo! - A mamãe gritou.

Eu estava na cozinha, terminando o jantar, em pânico


e eu sabia que Eddie estava na porta. Ele tinha saído depois
de ajudar-me a trazer os mantimentos, dizendo que ele tinha
coisas para fazer. Fiquei feliz com a pausa. Ele estava ficando
por mim, me acompanhando como ele disse que faria, e eu
precisava organizar-me.

Eu tinha feito minhas tarefas e, em seguida, fiquei


pronta para o Smithie, então eu estava com a minha
maquiagem de puta, mas usando a minha roupa normal. Eu
trocaria a minha roupa para o uniforme do Smithie no último
minuto.

Mamãe tinha ficado estranhamente quieta, sentindo


meu humor, mas também, eu pensei, ela estava tramando
algo. Eu não podia preocupar-me com isso. Eu tinha
preocupações suficientes para uma vida.

Mamãe foi para a porta da cozinha. Ela sobrecarregou-


se naquele dia e eu podia ver a exaustão em seu rosto. No
entanto, ela não estava em falta esta noite, de jeito nenhum,
não mesmo. Quando eu disse que Eddie viria para o jantar,
ela colocou as duas mãos em suas bochechas, sua boca
aberta e lágrimas saíram de seus olhos. Essa era a reação de
mães com grandes sonhos para suas filhas, quando
encontravam os caras quentes com bons empregos e picapes
chiques, que vinham para o jantar.

Decidi esperar para dizer a ela que iríamos amanhã à


casa de Blanca. Ela já estava morando nas nuvens, e era
muito cedo para uma promoção até a nuvem dez.

— Eddie está aqui, - ela me disse, desnecessariamente,


pois eu podia sentir a sua presença na casa com os sentidos
afiados de meses de Tortura Eddie.

— Ótimo, o jantar está pronto. Todos na mesa, - eu


pedi abruptamente.

Eu tinha planejado a noite de perto. Tínhamos uma


hora e meia para comer o jantar e durante esse tempo eu
também tinha que trocar de roupa e começar a trabalhar. Era
tempo suficiente para não parecer indelicada (ou, pelo menos,
não muito grosseira), mas não o suficiente para o verdadeiro
desastre.

Ou assim pensava eu.


— Mas... - A mãe disse: — Não devemos oferecer-lhe
uma bebida? Talvez sentar e ter uma conversa?

Eu não penso assim. Nada de conversa fiada. Eddie


podia beber a mesa enquanto colocava comida na boca.

— Em um instante, a ceia estará pronta e eu estou


prestes a esmagar as batatas. Vai, vai, vai!

A mãe saiu, desafiando o meu pedido e com a intenção


tanto de intrometer-se, como de ser educada: — Eu vou
perguntar a ele o que quer para beber.

— Apenas seja rápida! - Eu gritei atrás dela, sabendo


que Eddie provavelmente poderia ouvir.

— Nós não queremos que as batatas esfriem. - Eu me


escondi na cozinha, brincando sobre os retoques finais. Eu
sabia que era o ato de uma covarde suprema, mas eu não me
importei. Mamãe entrou, fez para Eddie um chá gelado, então
mamãe saiu.

Coloquei comida para servir em pratos e comecei a ir


para a mesa. Eu tinha feito filé de frango frito, um monte de
purê de batatas, molho branco salpicado e feijão verde.

Mamãe forçou-me a fritar todas as oito coxas com


sobre coxas de frango que eu comprei, ao invés de apenas
quatro, dizendo que Eddie era um homem e os homens eram
grandes comedores. Eu nunca conheci ninguém que pudesse
comer duas enormes coxas com sobre coxas de frango, muito
menos cinco, mas quem se importava. Eu não tinha energia
para lutar contra ela.

Talvez ele pudesse.

Talvez ele fizesse, apenas para ser agradável, e então


ele entraria e comeria os alimentos. Eu estava concentrada
na próxima hora e meia, e esperando que pudesse sobreviver.
Um Eddie comendo seria apenas um bônus.

— Vamos comer, - eu anunciei, entrando na sala e indo


em direção à mesa de jantar. Eu estava equilibrando duas
taças e um prato e quase deixei cair quando Eddie olhou para
mim.

No minuto em que ele me viu, seus olhos ficaram


engraçados, tipo preguiçoso, divertido e avaliadores, ao
mesmo tempo. Suas pálpebras desceram um pouco, os
cantos de seus lábios levantaram e sua covinha apareceu.

— Eu vou buscar o molho, - Mamãe disse e girou longe,


guiando-se com o pé.

Eu coloquei a comida na mesa, ocupada, ocupada,


ocupada. Eu estava apenas observando a mesa que a mãe
colocou, estava arrumada para cinco pessoas, em vez de três,
quando senti Eddie vir atrás de mim.

— Sente-se, - eu disse, sem virar-me para olhar para


ele e não me importando se eu parecia indelicada.

Eu estava de volta a minha estratégia em ser uma


cadela. Eu estava contando com o fato de que ninguém ia
querer estar em torno de uma cadela, nem mesmo Eddie.

Suas mãos foram para baixo, em meus quadris, eu


senti a pressão e ele virou-me. Suas mãos deslizaram em
torno de mim, em meus quadris, para que elas parassem na
parte superior do meu traseiro e ele apertou-me perto.

Eu olhei para cima, o olhar preguiçoso estava em seu


rosto, mas ele estava sorrindo muito agora.

Eu respirei fundo mentalmente.

— A comida vai ficar fria, - eu avisei.

— Qual é o problema agora? – Ele questionou.

Eu pisquei.

— O que você quer dizer? Não tem nenhum problema. -


Ele olhou-me e, em seguida, algo acendeu em seus olhos. Eu
não sabia que havia alguma coisa, mas, pelo olhar dele, era
algo que deixou Eddie muito feliz.

— Você está com medo de mim, - ele murmurou,


puxando-me mais perto. Pisquei de novo e meu corpo ficou
duro.

— Eu não tenho medo de você, - eu menti.

O sorriso estava lá, mas agora ele também virou


preguiçoso e de alguma forma.... Satisfeito.

— Sim, você tem.

— Não tenho, - eu disse.

— Você tem e deveria ter.

Meus olhos ficaram enormes.

— Por quê?

— Porque, você não dá, então eu vou levá-la e conhecê-


la.

— Dar o quê?
— Qualquer coisa, - disse ele e sua boca veio para a
minha. — Tudo.

Querido Deus.

Minha respiração ficou presa. Meu interior tremeu.


Agarrei seus bíceps e ele beijou-me. Eu escorreguei
firmemente no Eddie Torpor e, eu tenho medo de dizer, o
beijei de volta. Quando ele levantou a cabeça, levei alguns
segundos para abrir os olhos.

— Chiquita, você é muito adorável, - ele murmurou,


olhando-me, o olhar preguiçoso foi embora, e o olhar faminto
veio em seu lugar.

A campainha tocou e eu pulei.

— Eu vou atender! - A mãe gritou e imediatamente saiu


da cozinha, trazendo o molho e indo para a porta. Eu sabia
que ela estava dando um momento a Eddie e a mim e,
provavelmente, escutando ao mesmo tempo. Se seu rápido
avanço para a cozinha foi qualquer coisa próxima, ela
posicionou-se bem na porta.

Minha vida era uma droga.

— Eu realmente não gosto de você, - eu disse para


Eddie.
Ele apenas sorriu.

Ele soltou, mas ficou perto e eu virei-me.

Ada entrou, cumprimentou mamãe e levou o molho.

Isso explicava o lugar número quatro e minha mãe


fazendo-me preparar comida suficiente para um exército. Eu
tinha uma suspeita sobre quem ia ser a número cinco e meus
olhos estreitaram-se em minha mãe. Ela ignorou-me.

— Jet, você está bonita, - disse Ada e inclinei-me para


dar-lhe um beijo.

Só Ada descreveria minha maquiagem de puta como


bonita.

— Oi Ada. - Eu a cumprimentei.

Ela olhou para Eddie e seus olhos brilharam.

— E você é Eddie.

Ela ofereceu-lhe a mão, Eddie pegou e sorriu para ela.

Ela voltou a olhar brilhante para mim.


— Ele é um colírio. - Ela não estava errada.

— A comida vai esfriar, - eu repeti, começando a sentir-


me tanto em pânico como incomodada, algo que eu poderia
deixar transparecer naquele momento em particular.

— Mas Trixie ainda não chegou, - disse mamãe quando


todo mundo começou a tomar seus lugares na mesa redonda.

— Ela tem que apanhar, - eu respondi, realizando


manobras tanto em relação à mãe e Ada cruzando em torno
parecendo uma bola em uma máquina de pinbal, habilmente
obrigando-me a sentar-me ao lado de Eddie.

Droga. Droga, droga, droga.

— Jet me disse que você é um oficial da lei, - disse Ada,


quando começamos a passar a comida ao redor, mamãe
estava trêmula derramando chá gelado para todos os lados.
Eu queria levar a jarra para longe dela, ela estava desafiando
a si mesma, como os terapeutas disseram-lhe para fazer,
mostrando-se na frente de Eddie. Embora, eu desejasse que
ela não fizesse isso ao lidar com líquidos.

— Sim, - respondeu Eddie, colocando um filé de frango


frito e depois entregando o prato para mim.
— Alguma vez você já esteve em uma perseguição em
alta velocidade? - Perguntou Ada, passando a Eddie o feijão
verde.

— Uma ou duas vezes, - respondeu Eddie, pegando o


feijão.

Os olhos de Ada ficaram enormes, ao entregar as


batatas.

— Será que alguém bateu?

— Não.

Ela olhou desapontada então ela animou-se e


perguntou: — Você já esteve em um tiroteio?

Eddie amontoou as batatas em seu prato, os olhos


deslizando para mim, depois de volta para Ada.

— Sim.

Meu coração pulou uma batida com o pensamento de


Eddie em um tiroteio. Ele brincou sobre isso esta manhã e
nunca passou pela minha cabeça o quanto perigoso o
trabalho dele realmente era.

— Já levou um tiro? - Ada perguntou animadamente.


Eu segurei minha respiração e meu corpo ficou tenso.

— Não.

Senti meu corpo relaxar.

Graças a Deus.

Os lábios de Ada apertaram; negando os detalhes.

— Nunca atirou em ninguém? - Ela perguntou,


implacável, entregando-lhe o molho.

— Sim.

O rosto de Ada se iluminou.

Minha respiração ficou presa no pensamento de Eddie


atirar em alguém. Ele sempre me pareceu um cara durão,
perigoso, mas atirar em alguém o levou para um novo nível.

Eu olhei para ele com o canto dos meus olhos e pude


ver que ele estava sendo educado, mas não queria falar sobre
isso.
Então, novamente, quem gostaria de falar sobre atirar
em alguém, mesmo um alguém mau, mesmo se você fosse
um cara durão e perigoso?

Ada abriu a boca para dizer alguma coisa e eu a


interrompi.

— Ada, querida, talvez você e Eddie possam falar sobre


matar pessoas depois que comermos.

Sua boca se fechou em frustração. A mão de Eddie


passou por debaixo da mesa e ele passou os dedos até o lado
da minha coxa. Imaginei que era à sua maneira de dizer um
silencioso obrigado.

Eu tinha que admitir, eu gostei.

Ada tentou uma tática diferente: — A polícia não faz


passeios, você sabe, onde eles levam civis em patrulha? -
Eddie olhou para mim de novo, então ele começou a cortar o
bife.

— Claro, - respondeu ele.

Ada esbarrou em mamãe, na nuvem nove, em seguida,


ela foi para o ouro.
— Será que eles levam idosos? Tenho oitenta e um,
mas, eu juro, eu tenho os reflexos de uma pessoa de 60 anos
de idade. - Eu parei com um garfo espetado no frango,
batatas e molho até a metade para a minha boca, querendo
ver como Eddie saia disso e não a ponto de ajudá-lo neste
momento.

— Provavelmente não, - respondeu ele, honestamente,


não parando em sua alimentação.

Ele mastigou e engoliu.

Ha ha! Ele foi bloqueado e ganhou tempo.

— Mas eu posso organizar para você ter uma excursão


na delegacia, se quiser.

O rosto de Ada abriu um sorriso.

— Você acha que eles iriam me deixar tirar uma


impressão digital? - Ela perguntou. — Você sabe, apenas
para identificação?

— Sem problemas.

Ada parecia que tinha morrido e ido para o céu. Uma


memória de felicidade distante, ela estava na nuvem número
doze e sentada ao lado de Deus.
— Isso seria grande, - ela respirava.

Maravilhoso.

Agora Eddie estava fazendo favores para os meus


amigos. Eu nunca seria capaz de pagá-lo e tirá-lo da minha
vida.

— Ada é viciada nesses programas policiais. - Mamãe


explicou.

Eddie sorriu, e a campainha tocou.

— Eu vou atender, - eu disse, porque minha mãe


estava paralisada observando o sorriso de Eddie.

Trixie estava na porta, — Ei Jet. Desculpe o atraso. -


Eu estava aliviada que não houvesse sacola para passar a
noite.

— Já começamos a comer, - eu disse a ela.

Ela não estava ouvindo, ela estava caminhando para a


área de jantar e sorrindo para Eddie.
— Eddie! Que bom vê-lo de novo. Oi Ada. - Ela sentou-
se, serviu-se de um pouco de chá gelado e, sem mais
delongas, começou a colocar comida em seu prato.

— Eddie vai organizar uma excursão de uma delegacia


de polícia para mim, - Ada anunciou. — Eles vão tirar as
minhas impressões e tudo!

— Isso é fantástico, - Trixie respondeu, em seguida,


virou-se para a mamãe,

— Já arrumou tudo?

Eu olhava de uma para a outra, quando a mãe


concordou.

— Arrumou o quê? - Eu perguntei.

Trixie olhou para mim.

— Sua mãe vai passar a noite comigo. - Eu fechei os


olhos e silenciosamente pedi a Deus, por que eu?

Deus não tinha resposta.

A mesa foi criada para quatro, cinco era um ajuste


apertado.
O braço de Eddie deslizou ao longo das costas da
minha cadeira, enquanto ele continuou a comer. Olhei para
ele e percebi que ele estava tendo o momento de sua vida.

Ele encontrou meu olhar.

— Eu realmente não gosto de você, - eu sussurrei.

Sua covinha saiu.

— O que foi isso? - Perguntou mamãe.

— Nada, - eu murmurei e comecei a por comida em


minha boca.

— Jet, esta refeição está maravilhosa, - disse Trixie,


escavando, então ela olhou para Eddie.

— Jet é uma cozinheira excelente.

— A melhor! - A mãe comentou também.

— Você deve provar o bolo de carne. Nunca deve ter


comido um bolo de carne tão bom quanto o da Jet, -
acrescentou Ada.

Deus querido.
Bolo de carne era bolo de carne.

Sim.

— E ela faz torta de limão, a partir do zero, mesmo a


crosta. Suas crostas são leves e cremosas. Você nunca
provou nada tão bom, - disse Trixie.

— Sempre foi uma boa cozinheira. Ela tem o dom! -


Mamãe acrescentou.

Eu perguntava-me quanto grosseiro seria se eu me


levantasse e começasse a andar, e não parasse até que eu
chegasse a Vancouver.

— Ela é uma grande garota, - Trixie continuou


piscando para mim.

— Não poderia ter pedido por uma melhor. Ela tem


grandes qualidades, nunca teve problemas. Mesmo quando
seu papai nos deixou, Jet entrou... Cuidou de todos, - disse
mamãe.

Eu congelei.

Essa conversa particular, não ia acontecer, não agora,


nem nunca.
— Mamãe... - Eu avisei, dando-lhe um olhar mortal.

— O quê? Você fez. - Mamãe olhou para Eddie. — Ela


tinha quatorze anos, arrumou um emprego para me ajudar
com o dinheiro do supermercado...

— Mamãe... - eu repeti, muito mais alto desta vez.

— O quê? - Disse mamãe, muito mais alto. — Você fez.


Eu não tenho vergonha de admitir que eu fiquei distante
quando seu papai nos deixou. Especialmente não
considerando que eu tinha criado uma filha que manteve a
família unida. - Ela virou-se para Eddie e deu seu
deslumbrante sorriso. — Eu tomo todo o crédito. - Eu
inclinei-me para ela, com o que eu achava que era
ameaçador.

— Pare de falar, - eu exigi, no meio da estratégia de


cadela. Eu acho que eu não fui muito ameaçadora.

— Você deveria estar orgulhosa de si mesma! - Mamãe


disse-me, usando o seu tom ‘não discuta com a sua mãe’. Eu
ignorei-a.

— Por quê? Qualquer um faria isso, - eu voltei.

— Lottie não fez, - Trixie apontou.


Isto era verdade; Lottie não fez, principalmente porque
eu não queria que ela fizesse. Eu queria que ela fosse capaz
de ser uma criança e isso é o que ela era.

— Vamos mudar de assunto, - eu sugeri.

— Eddie, - disse Ada, aproveitando a brecha. — O que


você acha do novo penteado do Jet? Não é bonito? - Eu
desisti de tentar comer e recostei-me na cadeira.

— Alguém, por favor, poderia matar-me? - Eu perguntei


ao teto.

A mão de Eddie enrolado em volta do meu pescoço e


acariciou-me com o seu polegar.

Eletricidade correu do meu pescoço direto para os


meus mamilos.

Má ideia, inclinando-me para trás na cadeira. Esqueci


o braço de Eddie.

Eu inclinei-me para frente imediatamente.

— Qual é a sobremesa? - Perguntou Trixie, seus olhos


dançando.

Ela chamou a atenção da mamãe.


— Espero que seja torta de limão e merengue.

Eu poderia ter-me batido.

Eu tinha feito bolo de folha de chocolate. Trixie amava


o meu bolo de folha de chocolate, exigia que eu o fizesse em
seu aniversário todos os anos. Eu deveria ter comprado algo
para Sara Lee.

— Bolo de folha de chocolate, - mamãe anunciou.

Os olhos de Trixie ficaram enormes e ela virou-se para


Eddie.

— Você vai pedir-lhe para casar com você depois que


provar seu bolo de folha de chocolate.

Eu joguei minha cadeira para trás, levantei-me e


agarrei o meu prato.

— Terminei. Qualquer outra pessoa terminou? -


Mamãe olhou para mim.

— Jet, sente-se. Ninguém mais terminou.

— Então eu vou fazer mais chá gelado. - E eu corri.


Minha maldita mãe.

E sim, este definitivamente era um momento de falar


aquela palavra.

Eu me escondi na cozinha, fazendo mais chá gelado e


deixando o café pronto para acompanhar a sobremesa. Eu
também peguei os pratos de sobremesa e garfos. Eu limpei as
panelas, lavei meu prato e talheres, coloquei-os na máquina
de lavar louça e limpei os balcões.

Então Trixie entrou, trazendo os pratos usados. Ela


olhou para mim.

— Isso foi rude.

Eu não me importava se fui rude. Rude era bom. Eu


estava abraçando grosseiro com tudo que eu tinha.

— Você não entende o que está acontecendo, - disse a


ela.

— Então me explique, - ela disparou de volta.

Desde que eu não entendia o que estava acontecendo,


eu não podia.

— Confie em mim, isso não é o que parece.


— Mm-Humm, - disse ela, chateada e não acreditando
em mim, nem sequer um pouco. Ela colocou os pratos na pia
e, em seguida, uma mão em seu quadril.

Eu estava cercada por mulheres que poderiam colocar


a mão com atitude no quadril. Mais uma vez, eu tive que
perguntar, por que eu? Ela continuou: — De onde eu estava,
parecia que ele estava muito interessado em cada palavra que
dizíamos. De onde eu estava, ele parecia muito interessado
em assistir a você toda a vez que nos falamos. Pelo que posso
ver, ele parece ser um cara legal.

— Como você pode dizer? Não o deixou dizer uma


palavra sequer, - eu disse.

Ela começou a parecer desconfortável então se


escondeu.

— Talvez nós estivéssemos colocando-o em um pouco


de exagero.

— Um pouco, - eu bati.

Sua mão saiu de seu quadril, seu rosto mudou e ela


agarrou meus braços.
— Jet, doçura, quem fez a regra de que você não devia
ser feliz?

— Ninguém. Eu vou ser feliz... algum dia. Só não com


Eddie.

— Por que não com o Eddie?

— Você já olhou para Eddie?

Seus olhos tinham uma espécie de sonho. Ela olhou


para Eddie.

— Disse o suficiente, - eu terminei.

Ela olhou para mim, voltando para a sala.

— O que é que tem a maneira como Eddie parece, a ver


com o preço do chá na China?

Como explicar?

Veja, a coisa era, as coisas boas não aconteciam para


mim. Não era como se eu tivesse uma vida triste lamentável.
Minha vida não era melhor ou pior do que qualquer outra
pessoa. Eu tinha altos, e eu tinha tido baixos.
Ok, então havia um monte de baixos, mas havia
também um monte de bons momentos também.

Eu só sabia que eu não estava com sorte. Eu também


conhecia as minhas limitações. E eu afinal, sabia que os
sonhos não se tornam realidade, não os sonhos de sua mãe
para você, não os sonhos da melhor amiga da sua mãe para
você e certamente não os seus próprios. A vida era encontrar
o seu pedaço de felicidade, mesmo se você tinha que
trabalhar por ele, e estabelecendo-se nisso.

Eu sabia que ia encontrar meu pedaço de felicidade,


mas, mesmo que Eddie realmente tivesse alguma atração
estranha por mim, eu nunca, nem em um milhão de anos,
me estabeleceria com ele. Eu sempre estaria perguntando-me
quando ele descobriria ou encontraria algo melhor. E eu não
queria uma vida assim.

É por isso que pessoas de boa aparência ficavam com


pessoas de boa aparência, e gente simples ficava com gente
simples. Você não corteja esse tipo de infelicidade.

Trixie tinha sido casada duas vezes e estava


atualmente no mercado. Ela tinha gosto em homens como
minha mãe e Lavonne, mas a confiança suficiente para levá-
los a tomar uma caminhada quando fosse necessário. Ela
gostaria de encontrar alguém, que eu soubesse, ela sempre
quis. Ela era esse tipo de mulher. Quando ela terminasse de
ficar sozinha, ela não estaria sozinha. Ela nunca iria
entender.

— Não importa, - eu disse.

Ela olhou para mim.

— Da próxima vez que eu ver Ray, vou matá-lo. - Ela


teria que ficar na fila.

— Por quê? - Perguntei.

— Não importa, - disse ela.

Nós lavamos os pratos e colocamos na máquina de


lavar.

Trixie levou o bolo de folha de chocolate e eu parei com


sorvete e pratos. Trixie serviu enquanto eu servia café. O
tempo todo, eu evitava olhar para Eddie.

— Eu vou vir em torno de 17h30min para buscá-la


amanhã, - disse Eddie, terminando seu bolo e olhando para
mamãe.

Uh-oh.

Eu não tinha contado a mãe sobre o jantar de Blanca.


— Perdão? - Mamãe perguntou, olhando entre Eddie e
eu.

— Eu me esqueci de dizer a você, que nós vamos à casa


da mãe de Eddie para jantar amanhã, - eu disse.

Trixie sorriu. Mamãe sorriu. Ada realmente aplaudiu.


Sentei-me na minha cadeira e fechei os olhos.

— As senhoras podem vir se quiserem, mamãe vai dar


uma festa, - Eddie disse à Trixie e Ada.

Inclinei-me na minha cadeira e abri os olhos, virei-me


para Eddie e olhei.

— O que quer dizer, uma festa?

— Ela convidou os primos, Indy e Lee, todos os


Nightingale e o papai de Indy.

Não. Não, não, não.

Isso não estava acontecendo.

— Eu adoraria, - disse Trixie.


— Eu ficaria encantada. Eu nunca vou a qualquer
lugar, - disse Ada.

Maravilhoso.

— Eu vou passar por aqui às 17:30, eu vou levar Ada e


nós vamos seguir você, - Trixie planejou, conversando com
Eddie e Eddie assentiu.

Eu saí da minha cadeira novamente, desta vez, eu


tinha uma desculpa válida.

— Eu preciso preparar-me para o trabalho. - Sem


esperar por uma resposta, eu entrei no meu quarto.

Eu estava no meu uniforme do Smithie, sentada na


cama e deslizando em um par de sapatos pretos, quando
bateram à minha porta.

— Pode entrar. - Eu falei, pensando que era a mãe ou


Trixie para dar-me outra palestra.

Eddie entrou e fechou a porta.

Droga.

— Estou quase pronta.


Eu levantei-me e peguei minha jaqueta jeans,
colocando-a.

Eddie olhava-me; ombros contra a porta, os braços


cruzados sobre o peito, os olhos no meu uniforme. Pela
primeira vez naquela noite ele parecia infeliz.

Eu perguntei: — O quê?

— Eu não gosto de você trabalhar lá, - ele disse.

Peguei minha bolsa, mas ele não ficou satisfeito.

— E eu realmente não gosto dessa roupa. - Eu suspirei.

— Eu não tenho muita escolha, - eu disse, andando em


direção a ele. — De qualquer forma, não importa muito se
você gosta ou não, não tem nada a ver com você. - Ele estava
em pé contra a porta e não se moveu em nada.

— Você pode sair do caminho? - Eu perguntei, olhando


para ele.

Eu deveria ter olhado mais cedo. Seus olhos estavam


brilhantes, o que significava que ele tinha ido de infeliz a
irritado.
— Eu pensei que nós já havíamos passado por isso, -
comentou, sua voz calma e assustadora.

Uh-oh.

Eu decidi ignorá-lo.

— Eu não posso atrasar-me para o trabalho.

— Eu posso ver que o meu plano não está funcionando,


- respondeu ele, mudando de assunto.

— Seu plano? - Eu perguntei, ficando o mais longe dele


que pude, sem recuar ou parecer como se eu fosse ficar tão
longe dele quanto poderia. Eu estava começando a sentir um
arrepio de medo trabalhando pela minha espinha.

— Honestidade, ser um cara legal, fazendo boas ações,


deixando-a agradecida a mim.

Eu olhei para ele, com medo do que ele iria dizer em


seguida.

— Então? - Eu perguntei.

Ok, então eu tinha que saber, mesmo que eu não


quisesse saber.
— Então, eu vou ter que tentar um novo plano.

Se o seu plano antigo era a honestidade, ser simpático


e fazer coisas boas, eu não queria saber qual seria o seu novo
plano.

Ele disse-me de qualquer maneira.

— Da forma como eu vejo, na hora que eu tive a minha


mão em suas calças e a fiz gozar, comprou-me quase um dia
inteiro com você sendo bem legal comigo. Você não disse
nada para mim uma vez, você chorou em meus braços e
dormiu neles também. Então, eu estou achando que é a
maneira de mantê-la doce.

Ah... querido... Deus.

Eu só olhava. Quero dizer, o que você diz sobre isso?


Ele continuou.

— Eu vou levá-la para o trabalho, vou buscá-la e você


vai passar a noite na minha casa.

Ai! Meu Deus!

— Eu não gosto do seu plano, - eu afinal, encontrei a


minha voz.
— Então pare de agir como uma vadia, pois não é você
e não combina com você.

Meu queixo caiu. Eu sabia que estava sendo uma


cadela, mas eu nunca esperava que ele me dissesse algo
assim.

Meus olhos estreitaram-se e eu coloquei a mão no meu


quadril. Eu estava fazendo isso muito ultimamente. Eu não
acho que eu era o tipo de mulher que colocava a mão em seu
quadril, mas lá vai.

— Perdão?

— Sua mãe e suas amigas a amam e elas estão


orgulhosas de você. Hoje à noite, você envergonhou sua mãe.

— Não é sobre ela, - eu rebati. — É sobre você.

— Eu sei que é sobre mim. Não importa, você


envergonhou-a.

— Ela vai superar isso.

— Posso esperar mais disto amanhã à noite, com a


minha mãe?
Veja, eu não estava errada com o que eu disse a ele.
Trixie, Ada e mamãe iriam superar isso e eu sabia disso.

Não havia nenhuma maneira de eu ser mal-


intencionada com Blanca. Blanca era uma senhora
simpática.

Eddie não precisava saber disso. Por enquanto, se eu


estava indo ser uma cadela, então eu ia ter que ir por todo o
caminho. Inclinei-me um par de centímetros e meio que
menti: — Talvez. - Ele se afastou da porta e veio para mim.

— Então eu vou ter que ter certeza que você vai ser
doce. - Ai! Ai! Ai!

Eu coloquei minhas mãos para afastá-lo.

— Você poderia simplesmente recuar e deixar-me em


paz, - eu tentei.

Seu peito subiu contra minhas mãos e, em seguida,


empurrou-as para trás, até que foram pressionados entre
nossos corpos.

— Isso não vai acontecer.

Eu olhei para ele.


Ele olhou para mim.

Tivemos um concurso de encarar.

Eu perdi a disputa, soltei um grande suspiro e relaxei


contra ele.

— Ah, certo. Eu vou deixar de ser uma cadela. - O


assustador brilho saiu de seus olhos e calor infiltrou-os.

— Eu sabia que você não poderia continuar assim.

Isto era verdade.

Eu dei-lhe uma olhada.

Ele passou o braço em volta do meu pescoço e guiou-


me até a porta.

— Vamos levá-la para o trabalho.


Capitulo 12

Basta. É o suficiente.

Eddie entrou no clube comigo.

Smithie deu uma olhada em nós e gritou: — Eu


comprei mobília nova e coloquei em ordem e eu não quero ter
que comprar mais. Tire esse filho da puta fora daqui.

A mão de Eddie estava nas minhas costas e com as


palavras de Smithie, elas deslizaram em torno ao meu
quadril. Eu pensei que este era um sinal perigoso, então eu
olhei para ele para medir o nível de perigo. Não havia sorriso,
mas a coisa da covinha aparecendo me fez tomar isso como
indicação de que eu poderia relaxar.

Eu coloquei meu casaco e bolsa no bar e deslizei meu


celular no avental que Smithie me deu.

— Ele está apenas me trazendo.

Smithie deu uma olhada para Eddie, que tinha


colocado o seu ocasional antebraço no bar como ‘oi o que vai
acontecer esta noite’. Às minhas palavras, os olhos de
Smithie deslizaram para mim.

— Acho que desde que chegou com uma porra de uma


escolta, você não tem sua merda resolvida ainda, - disse ele.

— Não, - eu admiti.

— Richie! - Smithie gritou e eu pulei.

Richie, o segurança idiota, trotou, verificando Eddie e


eu quando veio (mais a mim, se você quiser a mais pura
verdade de Deus). Era loiro, de olhos azuis, com cerca de dois
centímetros a mais do que eu e cinquenta quilos mais
pesado, tudo nele era músculo.

— Você está cuidando de Jet esta noite. Você não deve


ficar a menos de cinco metros de distância dela por toda à
noite, entendeu? - Smithie ordenou.

Richie assentiu.

Eddie avaliou Richie, e eu poderia dizer pelo seu aperto


de mandíbula que ele não gostou do que viu, mas ele guardou
para si.

Smithie olhou para mim.


— Você é uma dor na minha bunda, porra. Mãos à
obra. - Eu saí do bar, amarrando meu avental em torno da
minha cintura. Eddie veio comigo e eu parei e olhei para ele.

— É melhor você ir. Se você ficar por mais tempo


Smithie vai ter um aneurisma.

Eddie olhou para mim, então sua mão passou por meu
cabelo no rosto. Ele viu-o ir e, em seguida, seus olhos ficaram
presos nos meus, sua mão estabeleceu-se na curva do meu
pescoço.

— Eu tenho que ir de qualquer maneira, tenho coisas


para fazer. Não entre em dificuldades. Se Slick vier com uma
faca, não seja uma heroína, você corre, você me chama. - Ele
esperou um pouco para ver se isso ficou claro. Eu balancei a
cabeça, um pouco curiosa sobre que coisas ele tinha que
fazer. Eu não perguntei, porque eu provavelmente não queria
saber.

— Eu venho buscá-la quando estiver pronta, - ele


completou.

Eu não tinha escolha, apenas aceitar a carona. Lee


disse-me para ficar com Eddie, ou alguém, e eu estava com
medo o suficiente para obedecer. Desde que a ideia de
chamar Duke ou Tex para vir e me pegar, às três horas da
manhã, não era certo, nem pedir um favor de um dos
meninos de Lee, eu estava presa. Eu teria que realizar o meu
plano para evitar Eddie por algum tempo. Então Eddie disse:
— Você está passando a noite comigo. - Não era uma
pergunta.

Eu decidi tratá-lo como uma. Inevitável será dizer que a


parada no tempo para evitar Eddie não incluía passar a noite
com ele.

— Eu prefiro ir para casa.

— Sem ofensa, mas a minha cama é mais confortável.

— Eu quis dizer sozinha.

Ele sorriu, como se o que eu disse fosse divertido,


inclinou-se e tocou seus lábios nos meus.

Em seguida, ele afastou-se.

Eu suspirei, observei-o ir e eu tinha que admitir, eu


apreciei o show.

Acho que eu estaria passando a noite com Eddie.

— Não é seu namorado, certo porra? - Smithie gritou


para mim.
Maravilhoso.

A noite começou bem, ocupada, mas tranquila. Não


havia despedidas de solteiro, sem brigas, sem homens com
facas.

Esta sorte não durou muito tempo.

— Jet!

Eu estava na estação de garçonete, quando eu girei ao


ouvir meu nome e vi Indy, Ally e dois homens, um magro,
outro latino-americano, em pé atrás de mim.

— Eu amo essa porra dessa roupa, - disse Ally, seus


olhos estavam enormes em aprovação.

— Eu também, - disse o magro.

— Posso pegar emprestada? Seria divino com ‘Ela


trabalhando duro pelo dinheiro’, você não acha? - Ele virou-
se para Indy, mas ele não esperou por uma resposta e olhou
em volta: — Não... espere... há uma loja de presentes aqui e
esses saltos altos?

Este deve ser o vizinho de Indy, Tod e o seu parceiro,


Stevie.
— Eu peguei emprestado seus sapatos, - eu disse a ele.

— Obrigada. Eu ainda estou com eles, eu vou levá-los


de volta para você amanhã.

— Fique com eles - disse ele, acenando com a mão. —


O vestido deles foi rasgado. Irreparável. Foi traumático. Eu
amei esse vestido. Os sapatos são apenas uma memória feia
agora.

— Mas... - Eu gaguejei, mais ou menos em choque com


a sua generosidade.

— Esses são grandes sapatos.

Ele deu de ombros.

— Pense em mim como a fada do sapato. - Então, ele


agiu como ‘ei o que me deu na cabeça’ com uma magia em
uma parede imaginária. — Faça suas próprias lembranças
boas com esses sapatos. - Eu fiquei boquiaberta por um
segundo, e então ele piscou para mim. Eu não poderia evitar,
então eu sorri para ele e, em seguida, virei-me para Indy.

Ela demorou com a introdução e eu perguntei: — O que


você está fazendo aqui?
— Vim para ver sua outra vida. Você não se importa,
não é? - Respondeu Indy.
Eu balancei minha cabeça e, por alguma razão, eu não
me importava. Estava muito no final do dia, o meu segredo
tinha vazado e quase todo mundo viu meu uniforme do
Smithie de qualquer maneira.

— Tenha certeza que você esteja na minha estação. -


Eu apontei para algumas das minhas mesas. — Eu vou
atender vocês.

— Ei, você! - Smithie gritou pesado para baixo no bar


em direção a nós, apontando para Ally.

— Ou você. - Ele apontou para Indy.

— Vocês são amigas da Jet?

Ambas Indy e Ally assentiram.

— Qualquer uma de vocês dança? - Ele perguntou


quando ele chegou à estação de garçonete.

Uh-oh.

Não é bom.

— Smithie... - eu comecei.
— Silêncio, Jet, eu sou a porra de um recrutador.

Às suas palavras, Indy, Ally, Tod e Stevie, olharam para


o palco, então olharam de volta para Smithie.

— Não esse tipo de dança, - disse Ally.

— Confie em mim, você faria uma fortuna da porra.

— Você pode explicar ‘da porra’? - Tod sussurrou em


voz alta para Stevie.

Smithie ignorou.

— Pense nisso, Jet tem o meu número, ligue para mim.


Você estaria dirigindo um Porsche em um mês, - prometeu
ele.

— Você me disse que eu estaria dirigindo um Porsche


em um mês, - eu o cortei.

— Bem, você tem uma porra de um tenso namorado


policial que não quer você no palco e eu ainda tenho uma
dançarina a menos. Tenho certeza que essas meninas são
talentosas.
— Hum... obrigada? - Indy falou, ou mais como,
perguntou.

— De nada - respondeu Smithie então virou-se para


mim e ergueu as sobrancelhas. — Alô? Isto não é um clube
social para gostosas e gays. Comece a trabalhar.

Então ele arrastou-se de volta para baixo do bar.

Tod virou-se para Stevie. — Viu, eu disse que seria


interessante. - Stevie deu-lhe uma olhada.

— Se qualquer um nos vir aqui, estamos sendo


expulsos do clube gay.

— Diga-me, - Tod virou em direção a minha estação. —


Quem vai nos ver aqui?

Indy acenou para Ally, quando eles foram e sentaram


em uma das minhas mesas.

Uma hora e meia mais tarde, eu estava terminando de


servir a quarta rodada de bebidas da Indy e companhia
quando me virei, ao ouvir meu nome outra vez.
— Bem, olá, doçura.

Era Daisy. Ela estava usando um par de plataformas


(saltos sem encosto, e, quando você os usa, você tinha que ‘ir
à frente’) e um vestido cintilante com tantas miçangas e
lantejoulas que brilhavam como um disco no alto de uma
discoteca. A bainha era cortada em uma inclinação de largura
a partir de sua coxa de um lado e indo até meados do quadril
do outro lado, a orla inteira ostentando uma franja frisada.
Ela tinha tanta pele estourando que eu temia que um de seus
seios iria sair ao menor movimento. Completando este
conjunto, com o cabelo duas vezes maior do que na noite
passada e parecia, à primeira vista ocupar a maior parte da
sala.

— Daisy, - eu a cumprimentei.

Ela deu-me um abraço, como se tivéssemos sido


amigas por anos, em vez de apenas me ver uma vez, em
circunstâncias extremamente assustadoras. Ela soltou-me e
disse: — Depois de conhecê-la ontem à noite, eu fiquei
nostálgica. Pensei em parar, ver o que a velha gangue está
fazendo. - Ela olhou para o palco. — Mas eu não conheço
nenhuma daquelas meninas.

Eu olhei para o palco também, pensando que, na


maioria dos casos, o palco não era uma perspectiva de
trabalho de longo prazo. JoJo e Mandy eram as únicas que
tinham estado lá desde que eu comecei, a maioria das outras
eram novas e algumas tinham ido e vindo nos oito meses que
eu estava por ali. Na verdade, não incluindo Tanya, eu era a
garçonete mais veterana na equipe.

Smithie tinha uma enorme rotatividade de empregados.

— Eu não quero ser desagradável, mas essas meninas


precisam obter alguns movimentos a mais. - Daisy observou.
— Quando eu dirigi até aqui, eu não vi um Porsche ou um
Corvette no estacionamento. Isso é triste.

— Será que você dirigia um Porsche quando você


trabalhou aqui? - Perguntei.

— Claro, Doçura. Eu comprei um no segundo mês. -


Uau.

Uau.

Olhei para a mesa de Indy. Eles estavam todos olhando


para Daisy com rostos assombrados.

— Daisy, eu quero que você conheça meus amigos. -


Daisy virou e deu um mega sorriso para todos da mesa em
geral e a admiração no rosto de Tod virou-se para a
reverência.
— Esta é Indy Savage, Ally Nightingale e hum... Tod e
Stevie, - Eu terminei, sem saber seus sobrenomes.

Agora os olhos de Daisy estavam arregalados.

— Indy Savage, Ally Nightingale! Eu ouvi sobre vocês


duas. Conheço Lee.

Indy e Ally entreolharam-se.

— Sou casada com Marcus, - explicou Daisy.

O entendimento atingiu-os e eles concordaram. Marcus


tinha estado envolvido no drama de Indy, mas, obviamente,
não tinham conhecido Daisy. Indy sorriu: — Você quer se
juntar a nós para uma bebida?

— Esta é a melhor oferta que eu tive nesta noite,


Doçura, - disse Daisy e Stevie imediatamente levantou-se e
pegou uma cadeira para ela. Ele segurou-a enquanto ela
plantou o rabo estreito nele.

— Bem, você não é doce? - Ela disse para Stevie, com


outro sorriso deslumbrante e uma risadinha quente.

— Eu vou pegar uma bebida, - disse Stevie, e se ele não


fosse gay, eu teria jurado que ele tinha se apaixonado.
— É o meu trabalho trazer as bebidas, - eu disse,
colocando a mão em seu braço e dando-lhe um sorriso, então
eu me virei para Daisy.

— O que vai ser?

Trouxe-lhe uma bebida e Smithie pegou-me na estação


de garçonete, enquanto eu estava colocando em ordens as
outras mesas e pedidos.

— Você tem Daisy na mesa dos seus amigos, - disse


ele. — Trate-a como uma rainha. Ela é uma VIP da porra, ela
costumava trabalhar aqui e uma vez menina do Smithie,
sempre menina do Smithie. Ainda mais agora que ela é
casada com o maior, filho da puta fodão em Denver.

— Eu sei quem é a Daisy, e eu conheço Marcus


também, - eu disse a ele. Ele olhou para mim.

— Como você conhece a porra do Marcus? - Pensei em


mentir e decidi contra isso. Não me pergunte por que, foi uma
decisão estúpida.

— Ele meio que me sequestrou ontem à noite, depois


do trabalho, é assim que eu conheci Daisy. Ela meio que me
salvou.
Percebi imediatamente que eu deveria ter mentido,
Smithie olhou para mim um pouco mais, seus olhos indo um
pouco selvagens. Então ele balançou a cabeça e eu não sabia
se era para limpá-la ou se era porque ele sabia que a minha
vida era uma bagunça completa.

— É claro que ela salvou você porra, você é uma


menina do Smithie.

— Isso foi o que ela disse. - Smithie deu-me um olhar


triste.

— Fique longe de Marcus. Ele é a porra de uma má


notícia, com M maiúsculo. - Eu balancei a cabeça. Eu tinha
toda a intenção de ficar longe de Marcus.

Eu comecei a colocar as minhas bebidas na bandeja,


mas Smithie pegou meu pulso.

— Tenho um amigo, um irmão, que me deve um favor.


Eu peço, ele a mantém segura e fora de vista, até que seu
problema seja resolvido e ele é o tipo de cara que ninguém
mexe. Se Marcus está envolvido nesta merda da porra, eu
estou pronto para pedir esse favor. Eu estou achando que seu
namorado policial tem coberto. No minuto em que eu achar
que ele está falhando no trabalho, você está tirando a porra
de umas férias.
Eu senti aquele calor estranho novamente enquanto eu
olhava para Smithie.

— Obrigada Smithie, mas eu não posso ir embora, eu


tenho uma mãe para me preocupar.

— Sua mãe pode ir ficar com LaTeesha.

LaTeesha era uma das mulheres de Smithie. Eu a


conheci em uma das várias reuniões e eu gostava dela. Ela
era auxiliar de enfermagem em um antigo asilo. Pelo seu
relato, ela amava seu trabalho e os idosos a amavam. Isso foi
provado com suas melhorias salariais regulares quando os
idosos iriam morrer e doavam um pouco da soma para ela em
seu bolso.

— Smithie... - Sua mão foi para cima.

— Não merda, sem discussão. Eu estou mantendo um


olho em você. - Então ele largou meu pulso e afastou-se.

Maravilhoso.

A noite ficou ocupada e tão pacífica quanto uma noite


poderia estar em uma noite normal. Indy, Ally, Daisy, Tod e
Stevie pediram rodadas constantes de bebidas, estavam
aproximando-se de três folhas completas na conta e as
explosões frequentes de risos poderiam ser ouvidas de sua
mesa. Eles eram mais entretenimento para os clientes;
mesmo com todas as roupas, Indy, Ally e Daisy não eram
difíceis de olhar.

Estava quase fechando quando eu deixei cair uma


rodada de bebidas em uma mesa na borda mais distante do
palco. Eu nunca gostei desse canto, mesmo quando a minha
vida não era um caos. Era sombrio e sempre parecia que de
alguma forma não pertencia ao clube.

Virei-me e quase corri para a direita ao ver Vince


Frateli.

Eu congelei, meu coração parou e eu olhei para ele.

— Eu estive assistindo, sei que tem um guarda-costas


e eu sei que você tem a proteção de Chávez, - disse ele, seus
olhos eram duros. — Mas haverá um momento em que você
não estará protegida e eu quero que você saiba, que nesse
momento, eu vou estar lá.

Meu coração começou a disparar e meus olhos voaram


para além de seu ombro. Richie estava perto, mas ele não
estava prestando atenção, ele estava assistindo a mesa de
Indy.
— Olhe para mim quando eu estou falando com você,
vadia. - Meus olhos voltaram a Vince e o medo fechou a
minha garganta com o seu tom.

— Estava gastando meu tempo pensando sobre o que


fazer com você. Você acha que está segura: pedaço de
Chávez. Você deve saber, Marcus e Chávez, eles se odeiam.
Marcus vai dar-me um bônus se eu foder você, não importa o
que diz a Daisy. Qualquer coisa irritar Chávez. Qualquer
coisa. Mesmo uma guerra com Nightingale.

Eu estava presa ao chão.

Eu queria correr, gritar, mas meu corpo não estava


funcionando.

Minha mente tinha desligado totalmente.

— Toda de quatro, - disse ele, inclinando-se para mim:


— Eu vou foder com você o estilo cachorrinho e você vai
implorar por isso, mesmo se eu tiver que colocar uma arma
na sua cabeça.

Eu pensei, por um segundo, que eu iria desmaiar, mas


depois ele foi embora. Tão rapidamente como veio, ele
misturou-se à multidão e desapareceu. Debrucei-me contra a
parede, abracei minha bandeja no meu peito e respirei fundo
para tentar acalmar-me.
Isto agora era oficial, eu estava com problemas.

Eu queria contar a alguém, eu queria alguém para


proteger-me, para me deixar segura.

Eu não sabia se Eddie estava bem, mas eu estava


começando a conhecê-lo bem rápido. Eu tinha a sensação de
que, se eu contasse a ele, a raia de sangue quente iria sair e
ele perderia sua sempre amada mente. Se eu dissesse a
Smithie, eu estaria tirando umas ‘férias’ e eu não podia pagar
pelas férias. Se eu dissesse a Indy, ela diria a Lee e ele diria
ao Eddie e a guerra iria começar. Eu não tinha certeza se eu
sabia o que significava a guerra, mas guerra era guerra e eu
não queria Eddie ou Lee envolvidos em qualquer tipo de
guerra, especialmente não por minha causa.

Mesmo em um clube de strip lotado eu nunca me senti


tão sozinha e com medo. Nunca em toda a minha vida.

Minha mente reengatou quando vi Tanya, andando


engraçado, com um homem que eu nunca tinha visto perto
de suas costas. Ela estava indo em direção ao corredor dos
bailarinos, onde era o seu camarim. As garçonetes raramente
voltavam lá durante o turno e os clientes nunca iam lá para
trás.
Olhei de perto e vi que ele tinha uma arma apontada
para suas costas.

Ah... querido... Senhor.

E agora?

Por alguma razão, eu não pensei, só agi. Eu não queria


chamar a atenção para Tanya e o cara, e eu não queria
perder tempo. Eu tive que admitir que eu esperava que Richie
fosse me notar. Era seu trabalho, mesmo que ele nunca
tivesse sido muito bom nisso.

Tão rápido quanto eu pude, eu fui atrás deles, direto


para o camarim das dançarinas. Eu ouvi o cara dizer: —
Fora. - E antes que eu entrasse na sala, as bailarinas foram
correndo para fora, rostos pálidos, empurrando-me.

— Chame Smithie, - eu sussurrei para JoJo quando ela


passou. Ela assentiu com a cabeça.

Eu entrei no quarto, tentando ficar calma e casual.

— Ei Tanya, o que se passa? A mesa dez está pedindo


bebidas. - O rosto de Tanya era uma máscara de terror e meu
estômago embrulhou com a visão. A cabeça do rapaz virou
para ela.
— Tanya? - Ele perguntou. — Eu pensei que você fosse
Jet.

Foda-se. Foda-se, foda, foda-se.

E foi um momento de várias palavras com f, deixe-me


contar a você.

Eu disse: — Eu sou Jet. - Ao mesmo tempo, Tanya


gritou: — Não! - O cara virou para mim. Ele era branco, de
cabelos castanhos e tinha uma cicatriz feia que ia do canto
da boca até o queixo. Meu coração estava disparando no meu
peito, mas tropecei e vacilei quando ele virou a arma para
mim.

— Leve uma mensagem para Ray, - ele disse para mim.

— Roube de mim e alguém tem que pagar. Isso seria


você.

Então, sem hesitar, ele atirou.

Minha sorte deu uma guinada e ele não acertou. Eu


mergulhei para o lado, minha bandeja voando na direção
oposta.

Tanya ficou livre e mergulhou para o lado também.


Eu fiz a minha dobra e rolei quando os tiros foram
disparados. Então eu parei, minha mente em um borrão,
exceto pelo fato de que eu estava chateada, como o inferno.

Quero dizer, realmente.

Já era o suficiente.

Eu corri para ele, curvada e bati-lhe no corpo com meu


ombro. Nós dois fomos para baixo, agarrando-me a arma.

Outro tiro foi disparado e eu vagamente senti atividade


na sala.

Logo, eu estava acompanhada por outros, lutando, com


muitos braços e pernas juntando-se a confusão.

JoJo juntou-se à briga, vestindo nada além de uma


tanga de lantejoulas. Tanya estava lá também, obviamente,
sentindo a necessidade de ajudar-me. Um par de outras
stripper entraram na briga, a arma foi arrancada e acabamos
comigo abrangendo o estômago do cara, as mãos empurrando
para baixo nos ombros. JoJo tinha os joelhos em um dos
seus pulsos, Tanya mantendo o outro braço com ambas as
mãos e Meena, uma outra stripper estava deitada em ambas
as coxas.
Nós não tivemos que segurá-lo por muito tempo, Indy
estava lá e tinha conseguido segurar a arma e estava
apontando-a para ele, parecendo seriamente fodona e como
se ela soubesse o seu caminho em torno de uma arma.

— Não se mexa, - Indy cortou.

Virei de Indy para o cara.

— Que porra é essa? - Eu gritei na cara dele. Ele


cuspiu em mim. Felizmente, isso também perdeu e a saliva
acabou de subir no ar e, em seguida, caiu bem em seu rosto.

— Fale ou eu juro por Deus. Eu vou estrangular você


até a morte. O que é isso tudo? - Eu bati.

Eu não era uma mulher à beira, eu era uma mulher


que tinha sido empurrada para fora da borda e estava em
queda livre.

Mudei minhas mãos, a fim de envolvê-las em torno de


seu pescoço quando fui arrastada fora dele. Eu lutei contra
ele, chutando e rosnando quando Richie e outros dois
seguranças o pegaram e o empurram com uma pancada, de
cara contra a parede, chutando as pernas abertas e batendo-
lhe para baixo.
— Acalme-se! - Disse Smithie no meu ouvido, seu
braço em volta do meu corpo, puxando-me para fora da
porta.

Vi Ally, Daisy, Tod e Stevie. Eles estavam em pé perto


da porta e olhando para mim. Tod e Stevie com expressões
mais preocupadas e cansadas do mundo. Daisy e Ally
pareciam tão chateadas quanto eu.

Smithie com firmeza, mas gentilmente empurrou-me


contra a parede em forma de corredor dos bailarinos e
levantou-se perto. Eu ainda estava lutando para voltar para o
cara mau.

— Resolvido, criança, acabou, - disse ele em uma voz


suave.

Sua voz suave bateu-me e eu parei de lutar, a luta só


me deixou.

— Smithie! O que diabos foi isso? Eu pensei que suas


meninas tinham proteção. - Daisy estava lá, com as mãos nos
quadris, a atitude quente, Indy e Ally flanqueando-a como
guardas de honra.

Eu vi um bartender escoltando dois policiais no


corredor, um deles, o namorado da Ally, Carl, e todos eles
estavam movendo-se em uma corrida. Eles foram para o
vestiário.

Smithie ignorou Daisy e virou-se para mim: — Você


está oficialmente de férias.

— O que está acontecendo aqui? Preciso chamar


Marcus? - Daisy, não estava acostumada a ser ignorada e
ameaçada.

— Porra nenhuma, - disse Smithie.

— Estou cuidando disso. Hoje à noite, Jet está saindo


de férias.

— Que tipo de problema você tem? - Daisy pediu-me.

Fechei os olhos e inclinei minha cabeça contra a


parede. Quando abri os olhos, olhei para Indy: — Ele disse
que o meu pai roubou dele.

Os olhos de Indy estavam queimando.

Daisy estava em uma confusão e quando ela começou a


falar, meus olhos foram para ela.
— Ninguém se mete com uma menina do Smithie.
Ninguém. Isso é ultrajante. Doçura, eu vou falar com Marcus.
Vamos resolver isso.

— Por favor, não... - Eu disse a ela, — não fale com


Marcus. - Marcus significava Vince. Eu não quero ter nada a
ver com qualquer um deles, e eu certamente não quero dever
um favor, enquanto o outro estava planejando estuprar-me.

Algo mudou no ar, algo mais forte e ainda mais


assustador do que a atitude de Daisy. Olhei à minha
esquerda e vi Eddie vindo em nossa direção.

Sério! uh-oh!

Ele segurou seu corpo de uma maneira que era


controlada, mas claramente hostil. Seus olhos estavam
brilhantes e ele tinha passado de chateado e subido
rapidamente em linha reta para fúria. Antes que ele pudesse
abrir a boca para dizer uma palavra, porém, Smithie moveu-
se. Para um homem grande, ele era um relâmpago.

Richie entrou no corredor. Em um piscar de olhos,


Smithie teve Richie pelo braço e ele bateu-o contra a parede,
com a mão deixando o braço de Richie e ele plantou em sua
garganta.
— Eu pensei ter-lhe dito porra, para não ficar a menos
de cinco metros de distância dela, - gritou na cara do Richie.

Richie olhou para Smithie e abriu a boca para falar.


Smithie não o deixou.

— Você presta mais atenção ao que está acontecendo


na porra do palco e não na proteção. As meninas no chão não
são colírios para te dar satisfação trabalho, filho da puta.
Você está lá para mantê-las seguras. Você está demitido seu
merda. Eu não quero ver sua bunda perto do meu clube.
Você me entendeu? - Smithie avisou.

Richie olhou para mim, com os olhos cheios de culpa e


raiva. Então, ele acenou para Smithie.

Maravilhoso. Outro inimigo.

Eu abri minha boca para protestar e defende-lo, não


porque Richie era um bom segurança, ele não era. Smithie
estava certo, ele estava lá para proteção, sendo um homem
grande e exagerado em um bar de stripper para ficar
admirando as meninas. Mas eu não queria alguém
prejudicado por minha causa.

Eu não consegui dizer nada, porque Eddie pisou


dentro.
— Olhe para mim, - ele pediu para Richie, forçando
Smithie fora e ficando de cara com espaço de Richie. Eddie
não precisou segurá-lo onde ele estava, sua ira foi suficiente
para manter Richie preso à parede.

Quando os olhos de Richie viraram-se para ele, Eddie


disse: — Nem mesmo pense sobre isso, porra.

Richie olhou para Eddie, seu rosto mudou e se ele


molhasse as calças, eu não teria ficado surpresa. Então,
novamente, Richie tinha estado lá na noite em que Eddie
cuidou do cara da despedida de solteiro e Eddie não estava
tão furioso, então, como ele estava agora.

Eddie virou-se para mim quando eu notei Lee e Carl


materializando-se atrás de Indy e Ally. Eu não tive a chance
de reagir quando a mão de Eddie enrolou em volta do meu
braço.

— Vamos, - disse ele.

— De jeito nenhum. - Smithie pisou em nosso


caminho. — Jet está saindo de férias. Ela não está segura e
você não está mantendo-a a salvo de modo que ela vai
desaparecer até que esta merda passe. - Eddie, já tenso,
congelou como rocha sólida.
— Desculpe? - Ele disse com sua voz calma. — Eu acho
que ela levou um tiro em seu clube.

Um olhar desconfortável passou pelo rosto de Smithie.

Eddie continuou falando.


— Encontre outra garçonete. Esta foi à última noite de
Jet. - Foi a minha vez de congelar feito pedra.

— O quê? - Eu disse a Eddie.

Eddie não me respondeu.

— Vamos, - ele repetiu.

— Eu não penso assim, - Eu gritei. — Eu preciso deste


emprego.

— Você vai ser cuidada, - disse Eddie, como se fosse


tão fácil como isso, e começou a levar-me para longe. Eu
puxei meu braço para fora de seu controle.

— Sim? É assim mesmo? Você vai pagar pela terapia


da minha mãe? O aluguel de um apartamento acessível?
Suas sessões de MRI? Você não tem nenhuma porra de ideia,
não é? Isto não é tão fácil como um par de sacos de
mantimentos e o conserto de um carro estúpido. Esta merda
é implacável, essa merda é a minha vida, - eu gritei.
Todo mundo estava olhando para mim e eu não me
importei. Virei-me para Smithie.

— Estou demitida? - Eu perguntei para o Smithie.

Ele balançou a cabeça, seu rosto com raiva, estava


amolecendo.

— Você não está, criança, mas você não vai voltar


também. Você não está segura aqui. Eu vou deixar o seu
trabalho em aberto até que você possa voltar e não levar um
tiro.

Meu mundo, já fora de controle, inclinado e eu poderia


jurar que eu ia cair fora. Não havia absolutamente nada para
segurar-me.

Então eu agarrei a única coisa que eu já tive. Eu


inclinei meus ombros.

Eu não tinha estado em locais piores do que isso, era


verdade, mas eu também sempre tinha feito o meu próprio
caminho.

Eu faria tudo de novo.

De algum modo.
— Tudo bem, - eu bati e afastei-me de Eddie, junto a
Smithie e através de Daisy, Indy, Ally, Lee, Carl, Tod e Stevie
e uma dúzia de dançarinas, seguranças e garçonetes.

Foda-se. Foda-se tudo.

Eu entrei no clube por trás do bar, peguei minha bolsa


e casaco, puxei meu celular fora do meu avental e entreguei o
avental para o barman.

— Eu vou voltar para pegar as minhas gorjetas. - Eu


disse a ele e fui até a porta da frente.

Eddie estava parado lá. Eu não olhei para ele.

Eu não tinha ideia para onde ir ou o que fazer. A única


coisa que eu sabia é que não ia chorar, mesmo que eu
quisesse, muito, mas muito.

Eu hesitei quando cheguei lá fora e Eddie agarrou


minha mão e puxou-me para a sua picape. Entramos em sua
casa em completo silêncio. Eu deveria ter protestado, mas eu
não tinha isso em mim. Eu estava lutando pelo controle das
minhas emoções. Eu tive um homem com uma faca em mim,
um outro homem estava pensando em me estuprar, outro
havia atirado em mim. Eu tinha que escolher minhas
batalhas.
Eddie entrou em sua cozinha e eu bati minha bolsa em
cima do balcão, em seguida, fiquei no meio da sala, enquanto
ele fechava a porta.

Ele veio para mim, mas eu o contornei, caminhei de


volta para a porta e abri.

Inclinei-me e tirei um dos meus sapatos de saltos de


puta e joguei-o no quintal depois fiz o mesmo com o outro.
Fechei a porta e olhei para Eddie.

Ele estava olhando para mim, a hostilidade residual


ainda brilhando em seus olhos.

— Eu odeio esses sapatos, - eu disse a ele.

Eu caminhei até a cozinha e fui para o quarto e


comecei a abrir e fechar gavetas, ou mais como, puxando
gavetas abertas e batendo-as fechadas, à procura de uma
camiseta.

Eddie entrou, gentilmente puxou-me para longe do


meu assalto em sua cômoda inocente e começou a puxar-me
para os seus braços.

— Não! - Eu arranquei livre.


— Eu preciso ir para a cama. Eu preciso de uma
camiseta.

Virei-me para as gavetas. Ele puxou-me para trás e


para os seus braços, desta vez menos suavemente e com mais
determinação.

— Não, Eddie. Eu estou pendurada por um fio aqui, -


eu disse a sua garganta. Se ele me segurasse, eu ia perder,
eu sabia disso.

— Por quê?

Meus olhos levantaram-se e notei que os seu estavam


guardados, mas a hostilidade tinha ido embora.

— Por quê?

— Por que você está segurando?

Olhei para ele.

— Eu não posso deixar ir, - eu disse a ele, achando que


era óbvio.

— Jet, todo mundo tem que deixar ir.

— Não eu, - eu respondi.


Seus braços apertaram-me e eu estava tensa e o
empurrei. Não fui longe, mas eu concentrei-me no ato de
qualquer maneira.

— Por que você não? – Ele questionou.

Eu não respondi. Ele balançou-me.

— Por que não você? - Repetiu ele.

As lágrimas bateram no fundo da minha garganta e eu


as engoli.

— Jet, - disse ele.

Eu balancei minha cabeça, mas respondi.

— Eu não posso, porque não há ninguém para me


pegar quando eu cair. - Sua guarda desceu e seus olhos
aqueceram. Ele olhou para mim com os olhos quentes antes,
mas nunca como isso, que veio completo com um olhar tão
terno que fez a minha respiração parar.

— Todo mundo tem suas mãos para fora esperando


para que você tome uma. Cariño, você tem que aprender
quando tomar a mão de alguém antes de cair.
Eu não poderia evitar, eu não podia aguentar mais. Eu
coloquei minha testa no seu peito, deslizei os braços ao redor
de seu meio e relaxei nele. Então, eu senti as lágrimas
rolarem pelo meu rosto.

Ele ficou ali, segurando-me e acariciando minhas


costas por algum tempo. Eu tinha que admitir, me senti bem.
Super bem.

Ambos ouvimos a campainha e Eddie disse em voz


baixa,

— Deve ser o Jimmy. - Ele afastou-se um pouco e


olhou para mim: — Você vai ficar bem? - Enxuguei as
lágrimas e assenti. Ele beijou minha testa e isso foi bom
também.

Entramos na sala de estar e Eddie deixou o Detetive


entrar. Ele cumprimentou-me, seus olhos eram suaves e com
preocupação. Um homem negro bonito e um cara branco de
aparência jovem, de uniforme, entraram com Detetive
Marker.

Eddie os apresentou como Sargento Willie Moses e


Policial Brian Bond.
— Desculpe, temos de fazer-lhe algumas perguntas,
enquanto está fresco. Não vai demorar muito. – O Detetive
Marker explicou.

Sentei-me no sofá e respondi as perguntas. Eddie


levantou do sofá por um tempo, então eu o vi movimento com
o queixo para Willie, o oficial de preto, e ambos
desapareceram na cozinha.

Eu continuei respondendo a perguntas, mas olhava


para a cozinha de vez em quando.

Eddie e Willie, estavam fora de vista, mas uma vez que


Eddie apareceu na porta, seu celular estava ao seu ouvido,
sua outra mão em seu quadril, então ele saiu de vista
novamente.

— Eu acho que terminamos, - disse o detetive Marker.


— Você tem o meu cartão da última vez?

Eu balancei a cabeça afirmando.

— Chame se você lembrar-se de mais alguma outra


coisa. - Eu acenei de novo.

— Eu terminei. - O Detetive gritou.


Eddie e Willie entraram; levantei-me e Eddie levou-os
para fora até à porta. Vi pela janela quando o detetive Marker
partiu e Eddie, Willie e Brian estavam na calçada ao lado da
viatura. Eddie estava falando, Willie e Brian ouvindo. Willie
olhou para a casa e disse algo para Eddie e Eddie olhou
também. Eu fiquei na janela observando. Ele separou-se
deles como um aceno fraco. Fiquei onde estava quando ele
voltou.

Seus olhos presos nos meus, depois que ele fechou e


trancou a porta.

— Vamos encontrar uma camiseta, - disse ele em voz


baixa.

Eu não me movi.

— O que vocês conversaram? - Eu empurrei minha


cabeça para a janela. Eu tinha meus braços cruzados e eu
estava tentando não parecer tão exausta quanto eu me
sentia.

Eddie veio até mim, lançou um braço em volta do meu


pescoço e levou-me para o quarto. Ele soltou-me, abriu uma
gaveta e entregou-me uma camiseta branca.

Peguei-a e olhei para ele.


— O que foi aquilo? - Eu repeti.

Ele virou para mim, mas não me tocou.

— Você está marcada.

Eu pisquei.

Isso não parece bom.

— Perdão? - Eu perguntei.

— Disse a Willie, para chamar Lee e Darius. A


informação sai hoje à noite, que você pertence a mim. Quem
se meter com você, vai meter-se com o DPD, com os meninos
da Nightingale Investigações e com Darius Tucker. Estou
chamando todos os meus detetives. Eu não vou correr mais
riscos com essa merda. Agora você tem um exército de
proteção, você querendo ou não. - Eu continuei olhando para
ele como aquela sensação estranha tomando conta de meu
corpo em um aperto quente.

— Mas... - Eu sussurrei. — Por quê?

Foi então que ele andou até mim, colocou as mãos no


meu pescoço e gentilmente puxou-me em sua direção até que
nossos corpos estavam tocando-se. Ele olhou para mim e
seus olhos mudaram.
O olhar quente estava lá, mas também havia outra
coisa. Algo que eu não sabia ler.

— Porque você faz a porra de um grande bolo de folha


de chocolate.
Capitulo 13
Saí, café da manhã

Eu acordei sozinha, na cama de Eddie.

Eu levantei-me e olhei para o lado da cama. Ele tinha


ido para a cama comigo, me segurado com os braços
apertados em torno de mim, até que eu adormeci. Agora ele
se foi, a única coisa, era uma nota sobre o travesseiro dele, ao
lado dela, uma escova de dente nova.

Peguei a nota.

Saí, café da manhã - era tudo o que dizia.

Eu saí da cama e fui para o banheiro. Tinha uma


banheira com pés, uma pia com pedestal e novos azulejos,
mas precisava ser pintado. Eu procurei no armário de
remédios e encontrei a sua pasta de dente, escovei os dentes
e lavei os restos assustadores da minha maquiagem com
sabonete. Minha pele gritou imediatamente por hidratante.
Ela ia ter que esperar.

Eu fui até a cozinha para pegar meu telefone e ligar


para mamãe e ouvi o meu telefone tocando dentro da minha
bolsa. Eu arrastei o meu celular da minha bolsa e vi que eu
tinha três mensagens e quatro chamadas telefônicas.

Olhei para o telefone. Eu nunca tinha sido tão popular.

A mensagem um era de Indy: — mande mensagem de


volta, deixe-me saber que você está bem.

Mensagem dois; Tod e Stevie: — Aqui é Tod e Stevie,


obrigado por uma noite emocionante. Venha para uns
cocktails, deixe todos os homens armados para trás, beijos.

Mensagem três; Ally: — Da próxima vez não vá sozinha,


lembre-se, nós a cobrimos.

Lágrimas encheram os meus olhos depois de ler o texto


de Ally, mas eu segurei-as com uma respiração profunda e
obriguei-as a não saírem.

Em seguida, fui para as mensagens telefônicas.

A primeira mensagem era de Tex; — Que porra é essa,


Loopy Loo! Eu pensei ter lhe dito que fui designado para ser
seu guarda-costas! Eu errei uma vez e eu estou fora do
circuito? - Desligado.

Em uma mudança brusca de humor, a mensagem de


Tex fez-me rir em voz alta.
A segunda mensagem era de Daisy; — Indy me deu o
seu número. Ela achou que estava tudo bem. Eu não chamei
por Marcus, doçura, porque você me pediu para não chamar,
mas eu acho que nós precisamos conversar. Nós, meninas
precisamos ficar juntas. Ligue-me. - E ela deixou seu número.

Pensativa e doce, mas ainda assim assustadora.

A terceira mensagem era de Indy; — Lee disse-me que


Eddie está cuidando de você. Ligue-me, querida. Eu quero
saber como você está bem. - A quarta mensagem era de Duke.
Ele já estava falando antes do sinal sonoro, então eu perdi o
primeiro par de palavras; —... esse tipo de merda, garota.
Dolores disse para trazer a sua mãe para ficar com a gente em
Evergreen. Vivemos em um lugar remoto e Tex pode arrumar
algumas armadilhas. Pense nisso. - Desligado. Novamente.

Eu inclinei meu quadril contra o balcão da cozinha,


aquele calor estranho que eu continuava sentindo, não
parecia mais tão estranho. Eu sabia que eram aquelas mãos
que Eddie disse que as pessoas estavam estendendo para
mim.

Eu respirei fundo, porque eu estava prestes a tomar


um tipo totalmente diferente de mergulho sério, e
programando alguns novos números no meu celular. Então
eu mandei uma mensagem geral, — Eu estou bem, - para
Indy, Ally, Daisy, Tod e Stevie (sim, mesmo Daisy). Nem
Duke, nem Tex tinham telefones celulares.

A porta de trás abriu e Eddie entrou, estava usando


uma camiseta cinza apertada de manga comprida, calças
jeans desbotadas, sem cinto neste momento e tênis de corrida
em vez de botas de cowboy.

Foi a primeira vez que eu o vi sem as botas de cowboy e


isso me afetou de uma forma estranha, como se ele tivesse
tirado algum tipo de máscara e estivesse mostrando-me um
Eddie diferente, um Eddie que ninguém mais via.

Ele estava carregando dois cafés e um saco branco.


Antes que qualquer um de nós pudesse dizer uma palavra,
meu telefone tocou.

Era Indy.

As sobrancelhas de Eddie levantaram e eu disse: —


Indy, - então abri meu telefone.

— Oi, - eu disse.

— Oi. Você está bem? - Ela respondeu.

— Sim, - eu disse.
Eddie entregou-me um café e despejou o saco sobre o
balcão. Dois enormes muffins de mirtilo caíram fora do saco.

— Onde você está? - Indy perguntou quando eu tomei


um gole de café.

Cappuccino, sem açúcar, assim como eu gosto.

Eddie sabia como eu gostava do meu café.

Hum... caramba!

Eddie inclinou-se um quadril contra o balcão a menos


de um metro de distância de mim, arrancou o papel do
muffin e deu uma mordida, deslizando o outro bolo para
mim.

— No Eddie, - eu respondi para Indy e olhei para ele.

Seus olhos estavam em mim e meu rosto começou a


queimar.

Algo sobre isso era estranhamente íntimo e eu não


estava pronta para isso. Eu tinha muitos traumas emocionais
para ficar ao redor na cozinha de Eddie calmamente comendo
bolinhos como se eu fizesse isso todos os domingos.
Abaixei minha cabeça e coloquei o meu café no balcão.
Eu tentei tirar o papel do meu bolinho com uma mão e senti
uma nova apreciação para a deficiência da minha mãe.

— Lee disse-me que Eddie marcou você. Nunca ouvi ser


chamado disso antes, mas Lee fez isso comigo durante a
minha provação. Bateu demais do cara que me bateu,
espalhando uma mensagem. É uma coisa boa, Jet, - ela
estava obviamente tentando convencer-me a confiar em Eddie
e não pirar completamente.

Tarde demais, eu estava aqui começando a


enlouquecer. Eu ia olhar para trás, para as minhas
enlouquecidas intermináveis, com uma feliz nostalgia. Não,
eu estava em modo ‘fêmea ferrada com contas a acertar’.

Exceto, é claro, quando se tratava de comer bolinhos


na cozinha de Eddie.

— Eddie explicou ontem à noite. Eu estou bem com


isso, - disse a Indy.

Eu tinha conseguido tirar o papel fora e liberei a parte


inferior do bolo. Eu dei uma mordida e a mão de Eddie entrou
na minha visão.

Eu olhei para ele, assim quando ele segurou meu


queixo.
— Diga adeus, - Eddie pediu com os olhos quentes.

Meu estômago apertou-se e eu engoli minha mordida.

— Será que é Eddie? - Perguntou Indy. — Diga a ele oi


por mim.

— Indy disse oi. - Eu disse a Eddie. A cabeça de Eddie


desceu.

— Adeus, - ele murmurou contra a minha boca.

Eu virei minha cabeça para escapar de sua boca.

— Eddie disse oi também, - eu disse a Indy, sentindo-


me como uma idiota, mas tentei mantê-la na linha como se
minha vida dependesse disso.

A boca de Eddie desviou para o meu pescoço e


formigamentos espalharam-se no meu pescoço.

Indy riu.

— Eu ouvi o que ele disse. Eu vou deixar você ir.


Encontro você hoje à noite.

— Não! - Eu disse desesperadamente, mas ela desligou.


Peguei o telefone longe do meu ouvido e o fechei.

Um dos braços de Eddie veio em volta de mim e ele


puxou-me forte contra ele. Senti sua língua tocando abaixo
do meu ouvido e os arrepios intensificaram-se.

Meu telefone tocou novamente.

Levantei a cabeça e um pouco antes que eu pudesse


abrir o celular e embarcar em uma muito, muito longa
conversa com quem me ligou, ele puxou-o fora da minha
mão, olhou para ele e, em seguida, abriu-o com o polegar e
colocou-o em sua orelha.

— Sim, - ele disse, então ele esperou. — Ela está bem.


Ligue novamente mais tarde. - Então ele desligou, sem
mesmo dizer adeus.

Eu olhei para ele quando ele deslizou o telefone no


balcão.

— Quem era? - Eu perguntei e os dois braços vieram


em torno de mim.

— Ally, verificando as coisas.


— Eu teria gostado de falar com ela, - eu disse a ele,
minha voz com atitude, uma atitude que eu nunca soube que
eu tinha antes.

— Eu sei, Chiquita, você está com tanto medo de mim,


que você falaria com Ted Bundy se você pensasse que ele iria
mantê-la fora da minha cama.

— Isso não é verdade! - Eu menti.

Era verdade sim. Ted Bundy era nojento, mas ele seria
interessante para conversar e eu estava em um momento
sério com o pensamento de estar de volta na cama de Eddie,
especialmente com Eddie nela.

— É verdade e isso não vai acontecer. Eu finalmente


vou ficar quase um dia inteiro, onde você não tem que correr
como uma louca e desgostosa, através de mercearias ou
implorando para o banco ficar aberto para você. E você não
tem que trabalhar. Você é minha o dia todo e eu tenho
planos.

Caro Deus.

Eddie tinha planos.

Senti meu interior em queda.


— Eddie, tenho que ligar para a minha mãe. Então eu
tenho que ir pegar algumas flores para sua mãe. Então eu
tenho que fazer alguma coisa, eu não sei, biscoitos ou uma
torta, para não ir até Blanca de mãos vazias. Minha mãe iria
morrer se formos para sua mamãe sem algum tipo bom de
assado. Então eu tenho que...

Ele pegou meu telefone e entregou-me, em seguida, o


braço voltou ao meu redor.

— Você tem cinco minutos para falar com a sua mãe, -


disse ele.

Meu queixo caiu.

— Cinco minutos! O quê? Você vai controlar o tempo?

— Sim, - disse ele.

Ah! Não. Então, eu tinha programado novos amigos no


meu celular e fui em frente com esse negócio de expansão
sem uma luta.

Havia um limite para as coisas que uma menina


poderia tomar.

Talvez houvesse algo entre Eddie e eu, e talvez eu fosse


estúpida não para explorá-lo. Mas eu tinha bandidos para
rastrear, em primeiro lugar, a porra do meu papai. Eu não
podia passar o dia na cama de Eddie.

Pelo menos, era isso que eu estava falando para mim


mesmo, era a minha desculpa. Não é que eu estivesse
morrendo de medo de ser ruim de cama e decepcioná-lo. Ou
pior, ser verdadeiramente feliz pela primeira vez na minha
vida e ver que não duraria.

Eu puxei para fora a ‘encarada’ novamente. Ela não


estava funcionando, mas eu continuei tentando.

— Você não pode me fazer ir para a cama com você.

A covinha saiu e uma de suas mãos mergulhou e foi


sob a minha camiseta, fazendo uma linha de abelha no meu
peito enquanto ele disse: — Chiquita, eu não vou ter que fazê-
la. - Ele segurou meu peito e meus lábios se separaram
quando sua mão quente segurou seu peso.

Droga.

Droga, droga, droga.

— Eu realmente não gosto de você, - eu disse a ele.


— Ligue para a sua mãe, - disse ele, com a mão
deixando meu peito e arrastando para baixo no meu lado à
minha volta.

Eu liguei para Trixie e empurrei toda a parte inferior do


bolo na minha boca. Eddie não me deixou ir, mas eu o ouvi
rir.

Eu continuei com a ‘encarada’. Poderia não funcionar,


mas isso me fazia sentir melhor.

— Alô? - Respondeu Trixie.

— Trixie. - Eu disse por meio de uma boca cheia de


muffin.

— Jet? É você?

Eu engoli, com dificuldade.

— Sim, como vão às coisas?

— Tudo bem. Sua mãe e eu acabamos de voltar de


IHOP e estamos pensando em ir ao Target. Você precisa de
alguma coisa?

Eu tentei pensar em uma lista de coisas que eu


precisava. Nenhuma coisa me veio à mente.
— Não, - eu respondi desanimada.

— Está em casa? - Perguntou Trixie.

Olhei para Eddie. Ele estava assistindo o movimento da


minha boca.

— Estou com Eddie.

— Bom. Tenha um ótimo dia. Nós nos veremos às


17:30.

— Certo, - eu disse.

— Posso falar com a mamãe? - Mas ela já tinha


desligado.

Droga!

Todo mundo estava conspirando contra mim.

Olhei o telefone fechado. Ele tocou de novo


imediatamente, mas Eddie tirou-o da minha mão.

— Pare de fazer isso, - eu reclamei.


Ele jogou na minha bolsa e, em seguida, virou-me para
que eu estivesse de costas para a porta e começou a andar
para frente, obrigando-me a andar para trás.

— Eles vão deixar uma mensagem, - disse ele. Uma de


suas mãos estava na minha camisa, sua outra mão foi para
baixo e para cima subindo a camiseta. Elas encontraram-se,
até então separadas, uma subindo em minhas costas, a outra
cobrindo a parte de trás. O tempo todo, ele levando-me para
trás.

Sua boca veio para a minha e ele roçou os lábios lá e,


em seguida, elas percorreram meu pescoço, passamos pela
porta da cozinha e ele estava movendo-se em direção ao
quarto.

Eu pensei descontroladamente em como atrasar.

— Eu decidi o que quero dizer, - eu anunciei, mesmo


que não tivesse, mas se parasse, eu improvisaria.

— Mais tarde, - disse ele contra o meu pescoço, a mão


chegando à minha bunda e, em seguida, mergulhando na
minha calcinha, para a pele com pele.

Senti-me bem.

Jet, foco, eu disse a mim mesma.


— É importante, - eu disse em voz alta.

Ele empurrou-me para o corredor, sua boca vindo à


minha.

— Isto é importante, isso vai esperar até mais tarde, -


disse ele, contra a minha boca e beijou-me, sua língua
deslizando na minha boca.

A próxima coisa que eu senti, meus mamilos estavam


formigando, meu corpo estava tremendo, eu estava beijando-
o de volta e minhas pernas bateram na cama.

No minuto em que elas encontraram a cama, ele parou


e as mãos tiraram a camiseta, ele jogou-a para o lado.

— Eddie... - Eu estava meio atordoada, meio em


negação.

Ele empurrou-me um pouco para trás e olhou para


mim.

— Eu nem mesmo a vi corretamente, Cariña, - ele


murmurou.

Ele deu um longo olhar e, em seguida, suas mãos


foram para o meio das minhas costas e empurrou-se,
arqueando-a. Ele estava murmurando em espanhol e eu
estava pensando meus últimos pensamentos de fuga antes de
sua cabeça inclinar-se e sua boca encontrar o meu mamilo.

— Sim, - eu sussurrei, com minha boca desconectada


do meu cérebro.

Sua boca moveu-se em mim e eu perdi todos os


pensamentos de fuga. Em vez disso, eu puxei a sua camiseta
livre da calça jeans e deslizei as mãos sob ela, tomando um
momento para explorar os músculos e a pele em suas costas
quando sua boca se moveu para o meu outro seio.

Depois eu terminei de explorar as costas e até pensei


que desalojei a sua cabeça, eu puxei a camiseta, e ele veio
com ela e eu puxei-a livre. Sua boca desceu sobre a minha,
mas fui eu quem o beijou e foi bem... isso.

Tudo ficou totalmente fora de controle; bocas, mãos e


línguas, em todos os lugares. Eventualmente consegui
desfazer os três dos botões do seu jeans, em seguida, deu-se
com impaciência e deslizei minha mão para baixo em sua
virilha fora dos jeans. Sentindo-o duro como pedra, eu decidi
que não estava satisfeita com o jeans no meu caminho então
eu entrei no jeans e envolvi a minha mão em torno dele.

Ele estava ficando sem controle.


Hum... yum.

Ele rosnou em minha boca, sua mão foi em torno de


meu pulso e puxou-o. Eu fiz um som de protesto que foi
perdido quando ele empurrou-me de volta. Eu caí na cama e
esperei-o vir para cima, mas em vez disso, o vi tirar os
sapatos e puxar para baixo seu jeans. Tive a segunda chance
para ter um vislumbre dele nu, e, nesse segundo, senti uma
pitada de pânico com sua dimensão. Então ele estendeu a
mão e puxou minha calcinha pelas minhas pernas, jogando-a
de lado.

Eu estava tão atordoada e ligada, que todos os


pensamentos de seu tamanho voaram para fora da minha
cabeça.

Ele colocou um joelho na cama, abriu minhas pernas e


passou por cima de mim, seu corpo quente decidindo-se por
mim, pressionando contra mim, em todos os lugares.

— Por favor, diga-me que você toma pílula. - Ele


murmurou em meu ouvido.

Sofri dores terríveis e uma hemorragia durante meus


períodos, eu tinha tomado anticoncepcionais desde que eu
tinha dezessete anos para controlar isso.

Claro, eu não contaria isso para ele.


— Eu tomo pílula, - eu disse.

Imediatamente, ele deslizou dentro de mim.

Sua boca moveu-se e foi contra a minha e, no minuto


em que ele se mexeu dentro de mim, a minha abriu-se em um
gemido silencioso.

Ele era grande, ele foi profundo e eu me senti linda.

Ele moveu-se, não lento, não gentil, não levando a


nada e não brincando.

Foi rápido, foi forte e foi duro.

Eu envolvi minhas pernas em torno de seus quadris,


meus braços debaixo de seu corpo, com as mãos segurando
em seus ombros. Eu só consegui sussurrar as palavras ‘mais
forte’ em seu ouvido antes que tomasse conta de mim e eu
gozasse.

Não tranquila, não delicada, mas um orgasmo torrente,


arqueando o pescoço, membros enrijecendo — Oh meu Deus,
Oh meu Deus... - e tremendo.
— Agora você pode dizer-me o que você queria dizer, -
Eddie disse. Foi bem depois, que a frequência cardíaca e a
respiração desaceleraram e ficamos frente a frente. Eddie
tinha enganchado meu joelho em torno de seu quadril e
colocou meu rosto em sua garganta.

Normalmente, eu estaria pirando tanto por estar nua


ao lado de um Eddie nu, depois de ter acabado de ter sexo e
ele pegando a minha mentira de mais cedo. Mas eu tinha
gozado com muita força, seu corpo sólido sentia-se muito
bem, ele cheirava muito bem e eu estava muito cansada de
preocupar-me com isso tudo.

— Eu esqueci - eu menti.

Ele estava acariciando a mão ao longo de minha


espinha e ele parou, levantou a cabeça e, no meu ouvido, ele
sussurrou: — Mi pequeña mentirosa.

Minha cabeça aproximou-se e quase bateu. Eu puxei


para fora a ‘encarada’, que estava recebendo um monte de
utilização naquele dia, e retruquei: — Eu não sou uma
mentirosa.
Ele sorriu para mim, com olhos quentes, satisfeitos e
olhar para eles fez meu corpo sentir-se mais engraçado do
que nunca, mas em um bom caminho.

— Sim, você é, - disse ele, colocando a parte de trás da


minha cabeça e pressionando-a contra a garganta de novo.
— Você não tem ideia do que você queria dizer.

— Tenho sim, - eu resmunguei contra sua garganta.

— Então diga.

Droga.

Droga, droga, droga.

— Bem... - Eu desenhei a palavra, longamente, até que


eu senti seu corpo tremer e eu tinha a sensação de que ele
estava rindo.

Minha cabeça voltou-se.

— Você está rindo?

Ele não estava apenas rindo, ele estava sorrindo,


dentes brancos, pele escura, covinha e tudo.

— Chiquita, você é adorável.


— Eu não sou adorável, - eu respondi.

Ele balançou a cabeça e rolou sobre, levando-me com


ele, então eu estava em cima. Eu puxei meus braços de cada
lado dele.

— Você é, - disse ele, quando eu estava olhando para


ele.

— Você é a única mulher que eu conheço que pode


gozar tão duro e começar a discutir cinco minutos depois.

— Eu não gozei 'tão duro', - eu menti.

Seu rosto mudou, a satisfação se aprofundou e eu


prendi a respiração.

— Você gozou. Eu assisti.

Maravilhoso.

— Ok. Você quer saber o que eu tenho a dizer? - Eu


perguntei, decidindo que eu preferia falar sobre este assunto
em vez de sobre o quanto duro foi o meu clímax.

Suas sobrancelhas subiram. — Você lembrou-se? -


Meus olhos se estreitaram.
— Não seja um idiota.

Ele rolou novamente, desta vez, deitou-me de costas,


ele apoiou-se no seu antebraço, metade de seu corpo no meu.

— Ok, Chiquita, estou ouvindo.

E ele estava.

Merda e maldito. Olhei para o teto.

— Tudo bem, então. Você e eu. Nós não vamos


funcionar. - Ele não disse nada, então eu olhei para ele.

Ele estava observando-me, com os olhos difíceis de ler.


Eu só olhava para ele.

Então ele falou.

— É isso aí?

Eu balancei a cabeça.

— É isso aí.
— Deixe-me ver se entendi. - Ele não se moveu, apenas
observava-me. — Você está deitada nua na minha cama e
você está terminando comigo?

Eu não sabia que havia algo para terminar, mas eu


acenei de qualquer maneira.

— Por quê?

Eu tinha medo de que ele ia perguntar isso.


Principalmente porque eu não tinha uma resposta, pelo
menos não que eu iria partilhar com ele ou até mesmo que eu
entenderia mais.

No final, eu fiz a única coisa que eu poderia pensar em


fazer, me agarrei em palhas.

— Eu sei que você tem uma coisa pela Indy.

Hum...

Uh-oh.

Eu deveria tê-lo deixado onde estava.

Seu rosto não era difícil de ler mais, pelo conjunto.


Seus olhos estavam brilhantes e sua mandíbula estava
apertada. Ele disse algumas coisas em espanhol, em seguida,
voltou para o Inglês.

— Você é um pedaço de trabalho. Vai dizer qualquer


coisa para proteger-se, mesmo quando você não sabe do que
está protegendo-se.

— Então, você está dizendo que você não tem uma


coisa pela Indy? - Houve outra mandíbula apertada, mas ele
falou e através de seus dentes também.

— Não, eu não estou dizendo isso. O que eu estou


dizendo é que o que eu sentia por Indy desapareceu no
momento em que você deixou cair a porra daqueles copos.

Minha boca abriu e eu o encarei.

— Era óbvio para todos que assistiram nossa dança


idiota. A única pessoa para quem não era óbvio era você. - Eu
não tenho nada a dizer sobre isso, porque ele estava certo,
não era óbvio para mim. Na verdade, isso era novidade para
mim, uma notícia que eu não sabia como lidar.

— Cristo! - Ele rasgou a mão pelo cabelo e depois em


suas costas. — Até eu que sei que você vale a pena, estou me
perguntando se você vale a pena - ele murmurou, e foi sua
vez de enfrentar o teto.
Fiquei ali um momento e então, sem pensar, eu
levantei-me e peguei a camiseta que eu dormi, eu não sabia
para onde ir a partir daí. Eu puxei-a sobre minha cabeça e só
tinha meus braços através quando eu fui pega em torno da
cintura e puxada de volta para a cama.

— O que você está fazendo? - Ele perguntou,


novamente pairando sobre mim, em minhas costas.

— Levantando-me.

— Por quê? - Eu pisquei.

— Você está com raiva de mim. Eu pensei que eu


deveria. - Seus olhos estreitaram-se.

— É esta é a sua nova tática, irritar-me para eu deixá-


la ir? - Não era, mas parecia uma boa tática. Eu gostaria de
ter pensado nisso. Era meio que a essência da estratégia
cadela, mas isso foi mais para fazê-lo pensar que eu não valia
a pena o esforço. Agora que ele pensava que ele sabia que eu
valia, e ele sabia que eu não podia me agarrar à estratégia
cadela por mais de uma hora e meia, eu estava à procura de
novas maneiras de agir.

Ele viu meu rosto em movimento com meus


pensamentos e então ele rolou por cima de mim. Suas mãos
foram com a camiseta e tiraram-na mais rápido do que a
coloquei. Ele arqueou-se e jogou-a, muito, muito longe da
cama. Definitivamente, não ao alcance das minhas mãos.

Então ele voltou para mim, abriu minhas pernas e


puxou-as em torno de suas costas.

Querido Deus.

— Eddie, - eu disse.

— Eu pensei que queria ouvir o que você tinha a dizer,


mas eu prefiro você com os seus segredos escondidos. Seus
amigos e família vão dizer-me tudo o que eu preciso saber e
eu vou descobrir a verdade.

— Eddie, - Eu tentei de novo.

— Chiquita, você vem completa, com bandidos atrás de


você com armas de fogo e facas, um pai imbecil, que a leva
para um passeio e coloca você em perigo, uma mãe que você
tem que cuidar muito menos do que você pensa que tem e
um senso de autopreservação que é quase impenetrável.

— Eddie, - eu tentei interrompê-lo, mas ele estava em


um discurso.

— Você também tem o sorriso mais bonito que eu já vi


e você é a mais doce bunda que eu já tive. Eu não sei se isso
se equilibra, mas agora, eu não dou à mínima. Você não vai a
nenhum lugar.

— Eddie! - Eu gritei.

— O quê? - Ele respondeu.

— Ok! Eu vou ficar, vamos ver como funciona. - No


momento em que as palavras saíram da minha boca, meus
olhos ficaram enormes.

O que eu estava pensando? Eu tinha enlouquecido?

Não.

Não, não, não.

Eu tinha que encontrar uma maneira de voltar.

Ele viu minha cara de novo e balançou a cabeça.

— Un-unh, Cariña, sem retirar. Você é minha.

Então, ele beijou-me, sua língua deslizou dentro da


minha boca, ao mesmo tempo ele deslizou dentro de mim.

Ele começou a mover-se, sua boca saía do meu ouvido


e no seu eu disse: — Eu não posso fazer isso, Eddie. Eu
tenho coisas para fazer, eu tenho que encontrar outro
emprego.... Eu tenho que...

— Jet. Quieta. - Disse ele, movendo-se dentro de mim.

— Nós vamos resolver isso.

Meus braços foram ao redor dele e meus quadris


começaram a mover-se com ele.

— Você não entende, - eu sussurrei.

— Nós vamos resolver isso, - repetiu ele.

— Eu não posso pedir para você... - Eu comecei a dizer,


mas sua mão foi entre os nossos corpos, os dedos
pressionados contra mim e minha boca ficou aberta, mas
nenhum som saiu quando uma descarga de eletricidade
correu através de mim.

Sua boca veio à minha e contra ela, ele disse: — Vamos


resolver isso.
Capitulo 14
Festa na casa de Blanca

— Não é emocionante?

Ada estava sentada entre Eddie e eu na picape e nós


estávamos a caminho de Blanca. Mamãe e Trixie foram
juntas, era mais fácil para mamãe entrar e sair do carro da
Trixie, e a sua cadeira de rodas já estava segura no porta-
malas. Ada queria andar na ‘picape chique’ e ninguém teve
coragem de recusar. Levamos algum tempo para empurrá-la
dentro, mas conseguimos e nós todos saímos.

Então, lá estávamos nós, um minicomboio a caminho


do meu destino.

Eu passei a maior parte do dia na cama de Eddie,


Eddie passou a maior parte do dia em mim.

Por volta das três horas, olhei o relógio e entrei em


pânico.

Eu empurrei Eddie para fora da cama e o importunei


para tomar banho.
Então eu andei e mandei uma mensagem para Daisy
como uma resposta à sua segunda mensagem de telefone (o
que restou após Eddie não deixar-me responder mais nada),
estabelecendo um encontro com ela no dia seguinte,
enquanto ele tomava banho e vestia-se. Ele usava o que eu
considerava (na minha experiência limitada) uma roupa que
combinava com Eddie, um suéter preto leve, de gola V sobre
uma camiseta branca, jeans que ficaram gravemente
desbotadas (o único tipo que eu acho que pertence a ele) e
sua assinatura, as botas de cowboy pretas e cinto de fivela de
prata.

Então, eu o arrastei para a Leve & Selvagem para que


eu pudesse comprar flores para Blanca. Eu estava usando o
meu uniforme de Smithie, ignorando todos os olhares quando
eu entrei em uma mercearia, uma elegante Cherry Creek em
minha roupa de vagabunda.

Depois fomos para minha casa. Tomei um banho e


comecei meus preparativos hercúleos. Ao mesmo tempo, eu
fiz biscoitos de manteiga de amendoim e com um grande e
velho quadrado de chocolate da Hershey esmagado neles,
depois que ficaram prontos, quentes e inchados, no forno,
corri para trás entre o banheiro e a cozinha como uma
mulher em chamas.
Eddie saiu no meio desta atividade toda,
alternadamente assistindo a um jogo de futebol e
observando-me.

Em um ponto, ele veio para a cozinha e pegou um dos


biscoitos quando eu não estava prestando atenção e comeu-o
em uma mordida, em seguida, imediatamente estendeu a
mão para outro.

Eu bati na mão dele.

— Esses são para sua mãe. - Seu braço veio em volta


da minha cintura e ele puxou-me para ele.

— Trixie estava errada. O Bolo de folha de Chocolate


comprou-lhe proteção. Faça isto para mim e vou colocar um
anel em seu dedo.

Querido Deus.

Trixie e minha mãe chegaram em casa, fiquei


agradecida por ambas já estarem em suas novas roupas que
relataram, tinham comprado naquele dia no TJ Maxx; cabelo
e maquiagem prontos.

Eu perdi um tempo precioso decidindo entre muitas e


muitas roupas para a festa, enquanto meu ouvido estava no
telefone celular, descrevendo cada peça a Ally e ouvindo a
sua opinião.

Ela decidiu pelo vestido verde que Trixie comprou-me


para o meu aniversário no ano anterior. Tinha mangas, um
decote quadrado, um corte quadrado na parte de trás
expunha meus ombros e a saia tinha uma bainha até o
joelho, respeitável. O problema é que era justíssimo. Isso foi
um golpe. O tom profissional ficou com as sensuais sandálias
verdes de Tod. Eu não tinha mais nada adequado e mamãe,
Trixie e Ally, todas aprovaram então eu fui com elas.

Trixie fez meu cabelo, enquanto eu fazia a minha


maquiagem, economizando um bom tempo. Eu coloquei
brincos grandes, de aros de ouro em meus ouvidos, grossas
pulseiras de madeira esculpidas em meus pulsos, borrifei
com o meu perfume preferido e corri para fora do quarto.

Tínhamos cinco minutos para chegar à casa de Blanca.

— Vamos para os carros, - eu anunciei e empurrei os


biscoitos para Trixie, as flores para a mamãe e conduzi todos
para fora, em pé na porta da frente e apontando todos através
de uma ampla varredura de meu braço.

Eddie parou na porta do corredor enquanto mamãe e


Trixie foram bater à porta de Ada.
— Vamos estar fora em um minuto.

Ele fechou a porta e empurrou-me contra ela.

— Eddie! Nós temos que ir, vamos nos atrasar. - Ele


não respondeu, ele pressionou seu corpo no meu e ele beijou-
me.

Não foi um leve toque na boca, mas uma sessão de


fazer subir tudo.

Eu estava presa em um torpor quando Eddie soltou dos


meus lábios, mas descansou sua testa contra a minha e
passou as mãos pelos meus lados.

— Eu gosto do seu vestido, - disse ele.

Eu estava percebendo isso.

Seus dedos foram para o zíper ao meu lado.

— Eu gosto dele, mas eu vou gostar de tira-lo depois. -


Opa!

Eddie estava parado na calçada do lado de fora do


bangalô de Blanca na área de Highlands, enquanto nós todas
descemos.
A rua estava cheia de carros e você podia ouvir uma
festa em andamento.

Mamãe me pegou pelo braço e Trixie decolou para


procurar uma vaga de estacionamento, com Eddie atrás dela.

Eu assisti-os ir e, em seguida, perguntei à mãe: — Você


não quer sua cadeira? - Ela balançou a cabeça.

— Nancy, isso é sábio? - Perguntou Ada, baixinho,


olhando para mamãe de perto e levando ambos, os biscoitos e
as flores.

— Eu vou andar lá, - disse a mamãe.

Não que ela estivesse com vontade de mostrar-se e


desafiar novamente. Isso era uma coisa de orgulho. Ela já
teve um longo dia e isso me deixou com medo.

Eu sabia melhor do que discutir, e felizmente mamãe


me tinha para segurar, caso ela precisasse. E ela segurou em
mim, e quando fez, ela tinha o meu braço em um aperto de
morte.

Caminhamos lentamente para a casa e vi Rosa, irmã de


Eddie, que vinha para o nosso lado.

— Hola! - Disse ela sorrindo.


— Pensei ter ouvido a picape de Eddie. Estamos lá trás,
por aqui.

Ela levou-nos para a parte de trás, em um quintal que


era uma das coisas mais mágicas que eu já vi. Flores de final
do verão foram colocadas no jardim, arbustos, com cachos de
luzes de Natal, lanternas coloridas foram amarradas em
luminárias altas que iluminavam tudo.

Parecia que cada cadeira e mesa no bairro tinha sido


arranjada, a maioria delas cheias de comida e havia mais
gente lá do que no estacionamento, parecendo a entrada do
Estádio Mile High antes de um jogo dos Bronxs. Vi Indy, Lee,
Ally, Hank, seus papais e o papai de Indy por ali e eu dei-lhes
um oi.

Um suave, violão mexicano tocava no fundo.

Percebi imediatamente que eu deveria ter feito mais


biscoitos.

Fiquei impressionada que Blanca pudesse arrumar isto


tudo em menos de 48 horas.

Eu estava com medo de que tudo isso significasse para


Eddie e eu.
Eu não poderia ter pedido uma recepção de casamento
melhor.

— Jet! - Blanca veio, de um grupo de pessoas e correu


para a frente. O grupo de pessoas que estava com ela virou-se
e olhou para mim abertamente.

Eu senti Eddie antes que eu sentisse a mão dele nas


minhas costas e Trixie veio ao redor do outro lado de Ada. Eu
não tive a oportunidade de cumprimentá-los quando Blanca
estava lá.

— Como você está? - Ela perguntou, com os olhos


sorrindo com o puro deleite de uma intenção de mãe em
terminar seus dias estragando os netos, transformando-os
em pirralhos indisciplinados e vendo o tempo deste
aparecimento brilhantemente logo à frente dela.

— Bien. Y Tú? - Eu respondi.

Ela agarrou meu rosto, puxou-me para baixo a ela e


deu-me um grande beijo na boca.

— Bien, mi hija. - Ela disse suavemente, deixando meu


rosto ir.

Uh-oh!
Em menos de uma semana com Eddie e eu tendo
apenas um (estranho) encontro com ela, eu tornei-me sua
hija.

Uh-oh!

Eu empurrei o pânico e fiz as apresentações.

— Blanca, eu gostaria que você conhecesse a minha


mãe, Nancy, e nossas amigas, Trixie e Ada.

As unhas de mamãe estavam cavando em meu braço,


mas ela soltou, equilibrada e estendeu a mão para Blanca.
Blanca levou-a para as suas.

— Bem-vinda à minha casa, - disse Blanca.

Mamãe sorriu seu sorriso brilhante e eu vi os olhos de


Blanca tornarem-se deslumbrados.

Em seguida, mamãe agarrou meu braço novamente e


nós quase fomos para o chão quando eu cambaleei um pouco
com o peso que ela transferiu para mim. Os olhos de Blanca
mudaram-se para a mão da mamãe no meu braço e, em
seguida, para mim. Eles estavam questionando. Eu balancei
minha cabeça na simples sugestão de ‘não’ e ela
imediatamente voltou sua atenção para Trixie e Ada enquanto
firmei a mãe e eu.
— Jet fez biscoitos! - Ada anunciou e empurrou os
cookies para Blanca.

Virei-me para Eddie, inclinando-me para longe da mãe,


da melhor maneira que pude enquanto continuava
segurando-a.

Levantei-me na ponta dos pés, coloquei minha mão


livre no bíceps de Eddie e disse em seu ouvido: — Mamãe
precisa de uma cadeira, meio que agora. - Nossos olhos se
encontraram, ele balançou a cabeça, em seguida, ele tocou
seus lábios nos meus.

Eu poderia jurar que ouvi um suspiro coletivo de nosso


público.

Maravilhoso.

— Nancy, você quer uma bebida? - Perguntou Eddie e


arrancou-lhe a mão soltando meu braço e guiou-a para longe.

Eu assisti-os ir, mamãe apoiando-se fortemente no


corpo de Eddie.

Ok, então, eu poderia amar esse cara.

Lá vai, eu admiti.
Merda e maldição.

Passei as duas horas seguintes entre Blanca, Elena e


Rosa sendo apresentada à família de Eddie; tias, tios e
primos. E havia um monte deles.

Neste momento, Eddie desapareceu. Ele estava lá, mas


não estava lá. Eu o vi com Lee. Eu o vi com Hank. Eu o vi
com o papai de Lee, Malcolm e o papai de Indy, Tom. Eu o vi
com alguns de seus primos (desnecessário será dizer, que era
definitivamente uma divisão macho/fêmea). Eu não o vi perto
de mim.

Eu também tive mais alimentos empurrados para mim


do que eu tinha comido em uma semana (eu consumi todos,
pois senão eu iria parecer rude) e eu parecia estar carregando
um copo de margarita sem fundo, místico.

Ponto de partida, não importa o quanto dolorida eu


estivesse, eu também estava muito bêbada.

Eu meio que precisava estar bêbada, porque eu


descobri a razão por trás da grande festa que incluía luzes de
Natal e mesas transbordando com alimentos. Era os 33 anos
de Eddie, (sim, eu soube disso também), e eu era apenas a
segunda mulher que ele já trouxe para conhecer ‘a família’.

Pior do que isso foi o fato digno, eu fui à única que


Blanca gostou.

Eu também descobri muito sobre Eddie. Talvez demais.

Veja, há uma razão para que Eddie parecesse perigoso.


Eddie tinha um passado duvidoso. Na verdade, todos, todos
no caminho até os primos, foram dizendo rosários em
agradecimento à Santíssima Trindade que Eddie escolheu
entrar na Academia, em vez de embarcar em uma vida de
crime.

No entanto, pelos muitos, muitos relatos de suas


aventuras, ele teria sido muito bom em uma vida de crime.

Eu estava ouvindo em um bêbado estupor de horror


uma das tias de Eddie falando sobre um determinado
momento (houve vários), quando Eddie roubou um carro,
quando uma mão enrolou no meu braço.

Eu virei-me, e então olhei para baixo para ver a irmã de


Eddie, Gloria.

Ela disse algo em espanhol para a tia e depois me levou


para longe.
Olhei por cima do ombro.

A tia parecia um pouco perturbada por ser


interrompida, enquanto estava assustando o inferno fora de
mim, então olhei para Gloria.

— Eu acho que pode ter sido rude, - eu disse.

— Você deveria agradecer-me. Eu a estou salvando. -


Gloria respondeu.

— Eles estão tentando assustá-la. Vendo se você é


casca grossa. Qualquer menina de Eddie tem que ter casca
grossa. Você parecia pronta para fugir. - Ela não estava
errada, eu estava pronta para fugir.

— Você precisa de outra margarita, - Gloria decidiu.

Essa era a única coisa que eu não precisava.

— Eu já estou a dois goles de distância de


extremamente bêbada.

Na verdade, eu estava encontrando dificuldades para


andar em linha reta e não conseguia mais sentir a minha
língua. Gloria riu: — Você precisa estar duas bebidas além de
completamente bêbada para lidar com a minha família.
Eu estava pensando que ela não estava errada sobre o
que queria dizer com isso.

Ela levou-me até Indy e Ally, e eu desabei em uma


cadeira desocupada. Gloria levou meu copo de margarita e foi
em direção ao jarro cheio mais próximo.

— Você está bem? - Perguntou Indy. Ela estava


sorrindo.

Bêbada ou não, eu não achei nada divertido.

— Minha vida é uma merda.

Ela riu.

— Esta é a nova definição de prova de fogo, - Ally


comentou, olhando em volta.

— Você entendeu isso direito, irmã, - eu disse, Gloria


entregou-me uma bebida fresca e sentou-se com a gente.

— Eu prefiro ser baleada, - eu terminei.

— A noite está só começando, - disse Ally.

Eu desejava que ela não estivesse falando a verdade.


A casca de gargalhadas femininas rasgou no meio da
multidão e eu olhei para onde mamãe, Trixie e Ada estavam
sentadas com a mãe de Ally, Kitty Sue, Blanca e algumas das
tias de Eddie.

— Sua mãe está tendo um bom tempo, - disse Indy.

— Você a conheceu? - Perguntei.

— Sim, ela é doce, - Indy respondeu.

— Ela é o diabo, - eu disse.

Era a nossa vez de dissolver em muitas gargalhadas.

Foi quando eu parei de rir e estava limpando uma


lágrima de alegria histérica no canto do meu olho quando
notei o olhar de Eddie trancado em mim. Ele estava com o
seu irmão, Carlos, Lee e Hank e ele tinham uma cerveja na
mão.

Ele parecia quente.

— Eddie é quente, - eu disse para ninguém em


particular.

Todo mundo olhou para Eddie, seus lábios tremeram e


ele virou-se.
— Você entendeu isso direito, irmã, - disse Ally.
Suspirei, um suspiro sonhador.

— Ele é tão fora do meu alcance. O que estou fazendo?


- Eu perguntei, de novo, para ninguém em particular.

Todas olharam para mim.

— Você está brincando, certo? - Perguntou Gloria.

Eu balancei minha cabeça, cruzei as pernas e bebi de


volta a metade da minha margarita.

— Nós tivemos sexo hoje. Um monte de sexo. Foi


incrível para caralho, definitivamente digno da palavra com
C. - Eu percebi quem estava no nosso círculo e virei para
Gloria.

— Perdão.

— Não me importo, - disse ela, sorrindo para Indy.

— Estou seriamente presa, em mais maneiras do que


uma. - Então eu ri para mim mesma e, felizmente, todo
mundo riu comigo.

— Talvez essa margarita não fosse uma boa ideia, -


Gloria comentou.
Minha bolsa estava deitada no meu colo e começou a
tocar. Eu entreguei a minha margarita para Indy e procurei o
meu celular.

— Provavelmente Tex, ele está chateado comigo que ele


perdeu o tiroteio.

As sobrancelhas de Gloria subiram para a linha dos


cabelos e eu abri meu celular.

— Alô-ô? - Eu cantei.

— Vestido atraente, - uma voz masculina que eu


conhecia muito bem porque a memória dela foi queimada em
meu cérebro, disse no meu ouvido.

Eu fiquei sóbria imediatamente e todo o meu corpo


endureceu.

— Talvez eu vá fazer você usá-lo quando eu estiver com


você, - disse Vince.

Terror correu pela minha espinha, bile subiu na minha


garganta e minha voz saiu de férias.

Como ele conseguiu meu número de telefone, eu nunca


saberia. Eu nem quero saber.
— Eu vou levantá-lo em torno de seus quadris... - ele
fez uma pausa. — Oh, agora, isso é doce. Aí vem o seu
namorado mexicano. - Minha cabeça levantou e eu vi Eddie
andando para mim.

Querido Deus.

Vince podia nos ver.

Eu estava com as pernas trêmulas e olhei ao redor em


pânico, tentando descobrir onde Vince estava escondendo-se.
O pátio dava para um beco e tinha casas de ambos os lados.
Havia pessoas em todos os lugares. O tremor em minhas
pernas passou para o meu torso e eu envolvi meu braço em
volta do meu estômago.

— Sim. Eu estou assistindo você cadela. Esperando


pelo meu momento. Eu não dou a mínima para qual prote...

O telefone foi arrancado de mim e Eddie estava lá. Ele


colocou o telefone no ouvido e escutou por um minuto.

Obviamente, Vince não terminou de falar.

Eddie mudou para uma expressão que eu nunca tinha


visto antes. Foi além da que ele usou na noite passada. Foi
além de qualquer coisa. Foi indescritível.
Ele fechou o telefone e olhou para o chão por um
segundo, sua mandíbula trabalhando.

Prendi a respiração.

Então ele virou-se e, com um vicioso lance lateral do


braço, ele jogou o meu telefone por todo o quintal. Ele bateu
no jarro de margarita com tanta força, que o jarro de vidro
explodiu, e assim o fez o meu telefone, pedaços atravessaram
o vidro e pularam sobre a mesa e na maior parte do quintal.

Todo mundo ficou em silêncio e virou-se para olhar.

Olhei na direção do meu celular.

— Eddie - Era Lee, em pé, perto, sua voz baixa, os


olhos sérios.

Eu percebi que a minha boca estava seca e eu engoli.

Os olhos de Eddie foram para Lee.

— Fratelli, - foi tudo o que disse.

Um músculo moveu-se na face de Lee.


— Mi hijo. - Blanca estava lá e falando baixinho em
espanhol para Eddie. Ele respondeu em espanhol e olhos
assustados de sua mãe vieram até mim.

— Sí, - disse ela. Eddie virou-se para mim.

— Sua mãe fica aqui esta noite, amanhã ela muda-se


para o Tex.

Este não era o momento para uma discussão e,


certamente, não era o momento para argumentar. Eddie
estava além de raivoso. Eu estava com medo e sem palavras.
Trixie e Ada chegaram, mamãe apoiada em Trixie, todas
parecendo preocupadas.

Eu assenti.

— Você está comigo.

Eu assenti novamente.

— A festa acabou, - ele completou.


Capitulo 15

Exausta.

Uma vez que Eddie anunciou que a festa tinha


acabado, eu descobri como Blanca poderia desmontar tal
extravagância tão rapidamente.

As irmãs e tias de Eddie entraram em ação; limpando,


e arrumando, enquanto os interessados foram para a sala de
estar de Blanca: eu, Eddie, Mamãe, Trixie, Ada, Blanca e,
para dar apoio moral, Indy e Ally.

Hank e Lee vieram conosco e ficaram por um tempo,


então, quando Tom trouxe a cadeira da minha mãe e
entregou as chaves de Trixie a ela, eles todos entraram no
corredor e formaram um amontoado masculino com Malcolm,
conversando em voz baixa com os rostos tensos.

Hank e Lee desapareceram. Malcolm e Tom ficaram


com Kitty Sue e saíram.

Eu notei isso e não o fiz, principalmente porque eu


estava ocupada tentando dizer à mãe sobre a bagunça que eu
estava envolvida sem dar-lhe outro golpe. Sentei-me de
joelhos no chão na frente dela, ela estava sentada no sofá e
Eddie estava em pé ao meu lado.

Eu contei-lhe a história da minha semana.

O rosto de mamãe ficou pálido.

Então seus olhos ficaram duros.

Quando terminei, ela disse: — Seu pai de merda - Uau.

Eu não acho que já ouvi mamãe dizer palavrão.

— Mãe, fique calma, - eu disse.

— Eu estou calma. Estou calma o suficiente para dizer


que quando me prenderem por assassinar seu pai, eles vão
saber que foi premeditado. Armada ou não, eu vou matar
aquele idiota. - Ela olhou para Eddie: — Desculpe Eddie. - Ele
inclinou a cabeça ligeiramente, indicando que ele não ia
algemá-la ainda. Os olhos de mamãe se viraram para mim.

— Por que você não disse nada?

— Eu não... - Eu comecei, mas ela interrompeu-me.

— Eu sei por que você não fez, - ela retrucou com a voz
da mãe falando a filha idiota. — Você não queria que eu
ficasse doente de novo. Jet, pelo amor de Deus, eu não sou
feita de vidro. Você não pode tratar-me o resto da minha vida
como se eu fosse quebrar.

— Fácil para você dizer, - eu sussurrei e olhei para ela.

Ela não se viu na cama de hospital depois que tinha


acontecido; todo o seu lado esquerdo mole e frouxo, mesmo
seu rosto, sua voz arrastada e seus olhos desfocados. Foi
horrível. Eu não ia dizer isso, mas eu não precisava.

Sua mão foi para o meu rosto.

— Obrigada, querida boneca, - ela disse em voz baixa, e


eu pressionei meu rosto em sua mão, enquanto as lágrimas
subiam até a minha garganta. Então ela disse: — Mas a
partir deste ponto, você está de folga. - Meus olhos voaram
para os dela, mas ela estava olhando para Eddie.

— Eu vou morar com Trixie, - anunciou ela.

Engoli em seco.

Eddie falou.

— Você vai ficar com a minha mãe esta noite. Amanhã


você vai com um amigo que pode mantê-la segura. Eu não sei
o que vai acontecer no próximo momento e eu não vou correr
nenhum risco. Quando isso acabar, você pode mudar-se para
a Trixie, - disse Eddie, em uma voz que não se discute.

— Tudo bem, - disse mamãe imediatamente, decidindo


não discutir.

— Mas... - Eu comecei sentindo a necessidade de


discutir e um pouco desesperada.

Eddie puxou o meu braço e falou sobre mim.

— Trixie, você volta com a gente, arruma uma mala


para Nancy, o suficiente para uma semana. - Ele virou-se
para mim: — Você arruma uma mala também. - Eu abri
minha boca para falar, mas Eddie continuava a emissão de
ordens, olhando para Trixie.

— Você pode trazer a mala de Nancy de volta, mas eu


não quero vocês duas indo a qualquer lugar a menos que
você leve alguém com vocês. Você entendeu o que eu estou
dizendo? - Trixie assentiu, os olhos arregalados como pires.

— Indy, diga para Tex que ele vai ter companhia. - Indy
assentiu também.

Eddie começou a arrastar-me em direção à porta.

— Vamos, - disse ele. Olhei para Blanca.


— Sinto muito, - eu disse a ela, no trote, porque Eddie
ainda estava me arrastando.

— Eu vou cuidar de tu mamá, - ela prometeu.

Saímos com o nosso minicomboio e fomos de volta para


o meu apartamento; Ada andando com Trixie. Antes de entrar
em seu apartamento, Ada deu-me um abraço apertado.

— Você é uma boa menina, - disse ela, com os olhos


brilhando. Ela acenou para Eddie, provavelmente com muito
medo dele nesse momento, para dar-lhe um abraço, e
atravessou a porta.

Eu me disse para não chorar e, felizmente, o meu eu


ouviu.

Trixie arrumou a mala para mamãe e deu-me outro


abraço apertado. Ela olhou para Eddie, então olhou para
mim.

— Tudo vai ficar bem, - disse ela.

Eu queria poder acreditar nela.


Trixie decolou, eu arrumei minhas coisas, então Eddie
e eu fomos para a sua casa.

Nós não falamos. Eddie não estava em um estado de


espírito.

Verdade seja dita, eu não estava em um estado de


espírito também, mas eu estava mantendo meu humor para
mim. E meu humor girava em torno da porra do meu pai.

Onde ele estava?

Não importava, eu iria encontrá-lo e dizer a ele


exatamente o que eu pensava.

Algo mais. Eu nunca mais vou estar tão assustada


quanto eu estava naquela noite.

Nunca.

Eu não sabia como eu iria obter o controle da minha


vida, mas eu iria fazer isso, de uma forma ou de outra.

Ninguém faz minha mãe dizer um palavrão.

Eddie levou a minha mala para sua casa e deixou-a


cair no chão no quarto. Então ele foi ao redor da casa,
fechando todas as cortinas e certificando-se que todas as
portas estavam seguras. Eu estava no meio da sala, girando
em círculos lentos, observando-o mover-se.

Seu rosto estava duro e eu podia dizer que ele estava


mal pendurado em seu controle.

Uma vez que ele terminou, fechando-nos longe de


olhares indiscretos e trancando-nos, ele pegou minha mão e
arrastou-me para o quarto. Lá, ele soltou minha mão e
afastou-se, tirando fora sua camiseta.

— Eddie, - eu disse.

Ele olhou para mim quando ele se sentou ao lado da


cama, arrastando as botas.

— Eu tenho algo para dizer a você e você tem que


prometer que não vai ficar bravo.

Ou, mais como, mais bravo.

Seus olhos brilharam e algo vibrou em meu corpo. Ele


baixou a segunda bota, ficou em pé e aproximou-se.

— O quê? - Sua voz estava tão apertada como o seu


rosto.
Eu respirei.

— Eu vi Vince ontem à noite, no Smithie, bem antes de


eu ver o cara com a arma. Ele fez sua ameaça, em seguida.
Eu não disse a você porque, bem, o cara com a arma tipo
tomou precedência.

Ok, então eu estava sendo meio honesta. Não era o


momento de dizer a Eddie que eu nunca pretendi contar isso.
Era o tempo de certificar-me que Eddie tinha cada pedaço de
informação que ele precisava ter para fazer... O que tinha que
fazer.

— Ele disse que se ele fodesse comigo, Marcus lhe


daria um bônus por sua causa. Ele disse que você e Marcus
se odeiam. E disse que Marcus sequer vai importar-se de ir à
guerra com Lee para chegar a você. O que isso significa?

A mandíbula de Eddie trabalhava. Então ele perguntou:


— Ele disse alguma outra coisa?

Eu balancei minha cabeça, mas desviei o olhar e disse:


— Só, coisas sobre o que ele ia fazer comigo.

— Sim, - disse Eddie e meus olhos voltaram até ele. —


Ele me disse isso também.
Ficou claro que nada disso melhorou o humor de
Eddie.

— Sinto muito sobre tudo isso. Você não pode... - Eu


parei, meus olhos caindo, sem saber o que dizer e eu dei um
passo para longe, mas ele pegou-me pela cintura e puxou-me
de volta.

— Jet, olhe para mim.

Eu olhei para ele.

— Ele não vai tocar em você.

Ele disse isso de uma maneira que me fez acreditar.

Sua mão foi até o meu lado e, em seguida, abriu o meu


zíper.

— Ninguém toca em você, - disse ele, e puxou minha


saia para cima em meus quadris, erguendo o vestido na
minha cintura e depois para cima, arrancando-o.

— Ninguém, além de mim. - Seus olhos não estavam


quentes e líquidos, eles estavam duros e brilhantes.

Eu tinha a sensação de que isso era mais do que


apenas sobre Vince; isto era sobre qualquer um, em qualquer
lugar. Isto era sobre eu estar marcada de uma forma
totalmente diferente.

A respiração de meus pulmões começou a queimar.

— O....k, - eu disse, e a palavra tremeu.

Ele puxou a camiseta em seguida, as suas mãos foram


ao redor de mim e tiraram meu sutiã. Ele deslizou as alças
pelos meus braços e jogou-os de lado. Eu queria me cobrir
com as minhas mãos, mas eu não achava que isso seria uma
boa jogada.

— Você está com raiva? - Perguntei.

Ele estava olhando para o meu corpo, mas seus olhos


vieram aos meus.

— Sim, - ele disse: — Eu estou com raiva.

Suas mãos empurraram para baixo minha calcinha até


que chegou ao chão. Ele me levantou pela minha bunda e eu
não tinha escolha, além de envolver meus braços e pernas em
torno dele. Ele torceu e colocou um joelho na cama,
plantando-me nela depois de se estabelecer em cima de mim.

— Talvez devêssemos conversar, - eu sussurrei.


— Agora ela quer conversar, - ele murmurou em meu
pescoço, a mão entre nós, trabalhando os botões na
braguilha.

Eu senti um tipo diferente de vibração no meu corpo.

Sua boca veio à minha orelha e seus dedos tocaram-me


entre as pernas e eu peguei minha respiração.

— Em um minuto, eu vou foder você tão duro, que


nenhum de nós vai pensar sobre isso e depois, nós vamos
estar tão exaustos, que dormiremos. Amanhã, nós
conversamos. Será que isso funciona para você? - Mordi o
lábio e assenti. Funcionava muito bem para mim.

— Bom.

Então ele fez o que prometeu.

Acordei, estava escuro e eu sabia que algo não estava


certo. Eddie não estava na cama comigo e eu ouvi vozes no
outro quarto.

Joguei minhas pernas para fora da cama, procurei no


chão por qualquer coisa para colocar e minha mão encontrou
a camiseta de Eddie. Eu puxei-a sobre a cabeça e caminhei
até a porta.

Estava fechada.

Ela não estava fechada quando fomos dormir.

Eu comecei a abri-la, ela ficou entreaberta uma


polegada e então eu parei e escutei quando ouvi Eddie
falando.

—.... Esta merda, - completou.

Houve uma pausa.

— Eu posso cuidar disso para você, - disse outro


homem.

Não houve resposta.

— Diga uma palavra, Ed. E eu vou cuidar de Fratelli. -


Minha respiração prendeu.

— Darius, você não vai cuidar de Vince Fratelli pela


minha namorada.
Ops!

Eddie chamou-me de sua namorada!


— Não, eu vou cuidar de Fratelli porque ele é um
idiota. Eu vou ter prazer em dar a ordem. Eu vou estar fora
de mim com alegria, porra.

Ah... querido... Deus.

Eu sabia o que ‘cuidar’ significava, eu assistia TV (ou


costumava).

Houve outra pausa e eu podia sentir as ondas


negativas batendo contra a porta.

— Você esquece, mi hermano, - disse Eddie, em voz


baixa, uma ponta de advertência em sua voz: — Que eu sou
um policial.

Silêncio e mais ondas negativas.

— A oferta está na mesa, - disse Darius no final.

— É aí que ela vai ficar, - Eddie respondeu.

Mais silêncio, enquanto eu imaginava Darius


encolhendo os ombros.
— Não diga à Smithie nada disso. Ele disse que está
pronto para pedir seu marcador por Jet, eu não quero que ele
tome essa oferta que você me deu, - disse Eddie.

Você poderia ter-me explodido com uma pena.

Darius era o ‘irmão’ que devia à Smithie um favor.

O quanto Denver era pequena? E se fosse assim tão


pequena, por que eu não conseguia encontrar o meu papai?
Então Eddie fez a mesma pergunta.

— Qualquer sinal de McAlister? - Perguntou Eddie.

— O cara é escorregadio. Eu sei que ele estava em uma


mesa na outra noite, fez bem, não bem o suficiente para
pagar Marcus, mas ele pagou-lhe tudo mesmo assim. Eu
estou achando que foi com tudo o que ele roubou do King.

King?

Quem diabos era o King? Ele tinha que ser o cara que
atirou em mim.

— O que ele pegou de King? - Perguntou Eddie.

— Os policiais não sabem? - Darius pareceu surpreso.


— Ele está bem guardado. Não está dizendo nada.
Pediu por um advogado imediatamente.

— Não é inteligente, atirar na namorada de um policial,


- Darius observou.

Sim, era o cara que atirou em mim.

E lá estava isso de novo, alguém me chamando de a


namorada de Eddie.

Querido Deus.

— Seja o que for, valia vinte. Isso é tudo que eu sei. -


Disse Darius.

Vinte?

Santa vaca.

Eu provavelmente atiraria em alguém, se eles


roubassem alguma coisa de mim que valesse vinte mil
dólares.

Bem, provavelmente não, mas eu consideraria isso.

— Slick ainda está em cena? - Eddie continuou.


— Slick foi para o solo. Slick tem o DPD e a Nightingale
Investigações, todos, sobre sua bunda. Slick não vai mostrar
sua cara por um bom tempo. Trinta mil ou não. - E no final,
uma boa notícia.

— Onde é que Marcus fica nisso? - Eddie continuou.

— Ele cortou Vince. Ou isso, ou perderia Daisy. Não há


nenhuma maneira dele estar perdendo Daisy, - respondeu
Darius.

Eu fiquei chocada. O que aconteceu com a guerra?

Não, é claro que eu não queria guerra.

— Vince é um renegado? - Eddie perguntou incrédulo.

— Vince está em uma missão e Vince está sozinho. -


Eu não tomei isso como uma boa notícia.

— Isso é muito ruim, eu queria Marcus ligado a isso, -


disse Eddie.

Eddie não tomou como uma boa notícia, mas por um


motivo muito mais assustador.

Darius riu.
— Você tem que pegá-lo de alguma outra forma, Ed. A
palavra é que Daisy gosta de Jet, e Marcus quer Daisy feliz.
Você sabe como é.

Nenhuma resposta e um longo momento de silêncio.

— Ela vale isso? - Perguntou Darius, calmamente.

— Jet? - Eddie perguntou em troca.

— Sim, - disse Darius.

Eu abri a porta e fiz o mais alto som que pude, em


seguida, caminhei até o banheiro.

Eu não queria ouvir a resposta de Eddie e eu não acho


que eu poderia fechar a porta sem que eles soubessem que eu
estava ouvindo.

Foi enquanto estava no banheiro que eu percebi que eu


não tinha nenhuma roupa de baixo.

Maravilhoso.

Fiz barulho no banheiro, batendo coisas em volta e


virando em cima da pia. Então eu voltei para o quarto, meus
olhos evitando a sala de estar. Fiquei ali pensando no que
fazer, então eu cavei na minha bolsa, peguei um par de jeans.
Então eu saí para a sala, puxando meu cabelo do meu
rosto.

Olhei para Eddie, depois para Darius. Ambos estavam


em pé na sala de estar, os dois estavam observando-me.

— Tudo bem? - Perguntei.

Parei ao lado de Eddie. Seu braço passou em volta do


meu pescoço e ele me puxou para o seu lado.

— Nós acordamos você? - Ele perguntou em voz baixa,


olhando para mim, com o braço envolto no meu pescoço.

Eu balancei minha cabeça negando e, em seguida,


parei e olhei para ele. Ele deve ter trabalhado a sua raiva
antes, seus olhos estavam de volta ao quente e líquido.

Eu escorreguei em um mini torpor e murmurei: —


Senti que você tinha saído.

Suas pálpebras baixaram um pouco e sua boca


relaxou.

— Volte para a cama, eu vou estar lá em um minuto, -


disse ele.
Eu dei um aceno de cabeça, coloquei minha mão em
seu estômago para empurrar para longe, mas Darius
interrompeu: — Estou fora daqui. Estarei em contato.

Eu olhei para ele, ele estava conversando com Eddie,


mas olhando para mim, seu rosto estava em branco, mas
seus olhos estavam avaliando.

Eddie disse-me que ele era um traficante de drogas e


ele falou casualmente sobre a encomenda de morte das
pessoas. Senti algo muito triste com isso, porque eu tinha
essa sensação estranha que ele era um cara legal. Eu tinha a
sensação de que isso não era quem ele era, mas o que ele
tinha que ser.

Darius saiu, fazendo algum tipo de gesto para Eddie e


não disse uma palavra para mim.

Eddie trancou a porta atrás dele e ele voltou para o


quarto. Ele vestiu a camiseta e os jeans para falar com
Darius. Ele os tirou no escuro.

Eu tirei minha calça jeans, deixando a camiseta e fui


para a cama.

Eddie juntou-se a mim, com as mãos vindo sob a


camiseta e tirando-a.
— Estou com frio, - eu disse a ele.

Ele enfiou-me dentro dele, de frente para frente.

— Você não vai ficar por muito tempo.

Ele segurou-me por algum tempo e ele estava certo.

Eu estava quase dormindo, não me pergunte como,


provavelmente, o calor do corpo de Eddie e algo a ver com
seus braços em volta de mim.

Então Eddie falou e fez-me ficar acordada.

— Quanto você ouviu?

Droga.

Pega.

— Eu não sei, - admiti. — Um monte?

Eddie não disse nada.

— Foi errado ouvir, - eu disse por meio de um pedido


de desculpas.

— Gostaria que tivesse ouvido, - ele me disse.


Eu não poderia evitar, eu sorri contra seu pescoço.

— Você vai ter que me explicar sobre Darius, - eu


sussurrei.

Eddie não hesitou.

— Quando éramos crianças, nós éramos próximos. Ele


era um bom rapaz, um pouco selvagem, menos selvagem do
que Lee e eu. - Do que eu descobri naquela noite, eu pensei
que seria difícil ser mais selvagem do que Eddie. Eddie
continuou falando.

— Seu pai foi assassinado e ele e sua família tiveram


uma vida difícil. Ele pegou uma estrada que parecia fácil no
momento, dinheiro rápido e uma forma de trabalhar a sua
merda. Esse caminho tornou-se mais difícil, mas ele escolheu
o caminho e, agora, recusa-se a olhar para trás.

— Isso soa muito triste. - E soava.

Eddie não fez nenhum comentário. Sendo amigo de


Darius durante tudo isso, ele sabia exatamente como era
triste.

— Por que ele estava aqui no meio da noite? -


Perguntei.
Eddie fez uma pausa, como se perguntando se era
seguro compartilhar. Então ele falou.

— Nós trabalhamos juntos, às vezes, quando é mútuo


e benéfico, mas mantemos em sigilo. O Departamento quer
ele retirado e eles não estão muito felizes com o nosso
relacionamento. Eu sou policial e não tremendamente
popular com os irmãos.

— Não é seguro, - concluí.

— Não. Não é seguro.

— Para qualquer um de vocês?

— Não.

— Mas vocês estão trabalhando juntos agora?

Ele não respondeu.

— Por mim?

Ele não respondeu.

— Eu acho que você pode ser um pouco assustador, -


eu disse a ele.
Ele virou-se de costas puxou-me para o seu lado.

— Não dê ouvidos as minhas tias. Eu não sou tão


assustador como elas querem que eu seja.

Ele estava errado.

Ele era aterrorizante.


Capitulo 16

Cafeteira

O alarme disparou, Eddie tocou um botão e rolou para


fora da cama.

Eu aconcheguei-me no travesseiro.

Ele passou a mão em volta do meu pulso e puxou-me


para fora da cama.

— O que você está fazendo? - Eu perguntei, meio


dormindo, meio irritada e no meio do caminho para o outro
lado do quarto.

— É hora de tomar banho, e então hora de encontrar


bandidos, - Eddie respondeu.

Tomar banho?

Eu ainda estava acordando quando ele me pegou e


colocou-me sob a água quente. Eu olhei para ele, incrédula,
piscando quando a água veio em cima de mim, então ele
juntou-se a mim e puxou a cortina de chuveiro ao nosso
redor.

— Uma coisa para aprender sobre mim, - eu lhe disse:


— Eu sou uma Menina do Botão Soneca.

Ele sorriu para mim, atingiu a saboneteira e pegou o


sabonete.

O que ele não fez foi responder.

Eu virei de costas para ele, a melhor maneira de


esconder o meu corpo nu.

Por que os homens ficam tão bem com a nudez? Não


era justo.

Claro, Eddie tinha um grande corpo, ele certamente


não tinha nada a esconder. Se eu tivesse o corpo de Eddie, eu
provavelmente passearia nua o tempo todo. Não é que eu
tivesse um corpo ruim, eu tinha curvas em todos os lugares
certos. Tinha mais curvas alguns meses atrás, quando eu
tinha tempo para comer.

— Eu realmente não gosto de você, - eu disse, para o


chuveiro.
Suas mãos ensaboadas vieram ao redor de minha
cintura, ele pressionou seu corpo contra as minhas costas e
sua boca encontrou a minha nuca.

— Uma coisa que eu aprendi sobre você, você é


ranzinza pela manhã.

— Eu não sou ranzinza de manhã. - Eu resmunguei.

Suas mãos em meu meio, se separaram. Uma foi


segurar o meu peito e a outra para o meio das minhas
pernas.

— Não, você é ranzinza o tempo todo, - disse ele como


se isto fosse divertido.

Eu estava apenas metade prestando atenção. Eu estava


mais interessada no que as mãos dele estavam fazendo. Seus
dedos em uma mão faziam um círculo no meu mamilo
enquanto seus outros dedos pressionaram profundo.

Era bom.

Minha cabeça caiu para trás em seu ombro.

— Eu também aprendi a deixá-la doce, - ele murmurou


contra minha bochecha.
Eu tinha que admitir, ele definitivamente aprendeu
isso.

Virei à cabeça e corri a minha língua no seu pescoço.

Eu provei água e Eddie, e eu não me sentia mais


ranzinza.

Após o nosso banho um pouco prolongado e


incrivelmente agradável, eu escovei os dentes, coloquei uma
calcinha e uma das camisetas limpas de Eddie e entrei na
cozinha para fazer café. Eu não encontrei sua cafeteira, na
verdade, eu não consegui encontrar muita coisa.

Voltei para o banheiro, bati em uma porta que já estava


aberta e entrei para falar com Eddie. Ele estava em pé na pia,
vestindo jeans e nada mais, fazendo a barba.

— Eu não consigo encontrar a sua cafeteira, - eu disse.

Seus olhos deslizaram para mim.

— Eu não tenho uma.


Eu olhei. Todo mundo tinha uma cafeteira. Isto era a
América.

Ainda mais, Eddie era um policial. Todo mundo sabia


que os policiais bebiam muito café e comiam donuts.

Olhei para o abdômen bem definido de Eddie.

Ok, talvez Eddie não comesse donuts.

Eu sacudi a minha surpresa.

— Eu não consegui encontrar a sua chaleira ou


qualquer instantâneo, - eu tentei.

— Eu não tenho uma chaleira ou café instantâneo. -


Eu continuei encarando.

— O que você faz para tomar café?

Seus olhos voltaram para o espelho.

— Eu vou para a Fortnum.

— Bem, então, o que eu faço para o café, tipo, agora? -


Perguntei.

— Prepara-se para o trabalho? - Sugeriu.


Coloquei a ‘encarada’.

— Você precisa de uma mulher, - eu disse a ele,


tentando ser arrogante e jogar um pouco de atitude.

Não foi uma coisa inteligente a fazer.

Seus olhos voltaram para mim e sua expressão


transformou meus ossos em água.

Ops!

Saí do banheiro.

Eu coloquei o mínimo de maquiagem, coloquei um


jeans e uma camiseta de manga comprida vermelha escarlate
com um V no pescoço que mamãe me comprou e sim, você
adivinhou, era justíssima. Eu sequei o meu cabelo e puxei-o
para trás em um rabo de cavalo. Porque eu sentia-me com
vontade, eu coloquei um par de botas bronze de salto alto
‘chuta-bundas’, e um cinto tão grande, que ele esticou os
limites das tiras da calça onde coloca o cinto.

Eddie colocou uma camiseta branca, de manga


comprida, calça jeans, botas e cinto, pegou sua arma e
algemas da gaveta na mesa de cabeceira e colocou-as no
cinto de sua calça jeans. Seu toque final foi pegar o distintivo
da cabeceira e colocá-lo em seu cinto.

Peguei minha bolsa e saí pela porta dos fundos.

Nós estávamos do outro lado do quintal quando notei a


varredura de Eddie. Meu estômago apertou-se e eu comecei a
varredura também, à procura de cabeças sobre a cerca alta
de Eddie. Ele abriu a garagem e estávamos na picape,
esperando a porta da garagem abrir-se, ele olhava através de
seu espelho retrovisor, enquanto pegava algo no bolso. Em
seguida, ele estendeu um conjunto de chaves para mim.

— Chaves da casa, - foi tudo o que disse.

Peguei-as. Meu estômago apertou-se novamente e ele


ligou a caminhonete. Ele estava prestes a colocar o caminhão
em marcha quando eu coloquei minha mão em seu
antebraço. Ele não moveu a sua mão, mas seus olhos vieram
aos meus.

Havia um monte de coisas para dizer.

— Obrigada, - sendo a maior delas na lista, mas as


palavras não eram boas o suficiente.

— Eu sinto muito por ser um pé no saco, - foi outra


que estava lá em cima.
Eu sabia que devia dizer alguma coisa, qualquer coisa,
mas eu não sabia o que dizer.

— Eu não sei o que dizer, - eu disse.

Suas sobrancelhas subiram.

Eu levei a minha mão de seu braço e desviei o olhar.

— Chiquita, isto é, sobre as chaves? – Ele questionou.

— É sobre tudo, - eu disse a janela.

Silêncio.

— Ei, - ele disse calmamente e eu olhei para ele.

Seus olhos estavam graves.

— Eu estou achando que você sente que me deve algo


grande agora. - Eu afirmei com a cabeça.

Ele sorriu lentamente. Primeiro, a covinha, então seus


lábios curvaram, em seguida, os dentes brancos apareceram.

Apertei os olhos para ele, virei-me, coloquei o meu cinto


de segurança e cruzei os braços no meu peito.
— Eu realmente não gosto de você, - eu disse.

Ele riu.

— Eu não estou brincando.

— Você é tão cheia de merda. - Mas ele disse isso como


se fosse uma coisa boa.

Maravilhoso.

Nós caminhamos para a Fortnum juntos. Faltavam


alguns minutos antes de abrir, mas já havia duas pessoas
esperando para entrar, eu deixei-os entrar e deixei a porta
aberta. Jane e Tex estavam atrás do balcão do café. Ambos
olharam para cima quando chegamos e Tex abriu a boca,
mas eu cheguei lá primeiro.

— Eddie não tem uma cafeteira. Café! Agora! Nenhum


piu! - Eu bati.

Fui diretamente atrás do balcão e olhei para Tex


quando ele bateu em torno da máquina de café expresso,
fazendo-me um Americano forte ao mesmo tempo em que ele
fez para Eddie um cappuccino.

O tempo todo, ele estava sorrindo.

Entreguei a Eddie o cappuccino que Tex deu-me,


salpicado de leite em meu americano e tomei um gole sem
mexer nele.

Olhei para Tex, e ele ainda estava sorrindo.

— O que é engraçado?

— Você, Loopy Loo. - Seus olhos moveram-se para


Eddie: — Desculpe Chávez, mas ela é muito mais divertida
quando as pessoas estão atirando nela.

— Você é louco, - eu disse a ele.

— Este sou eu, querida, - ele respondeu,


imperturbável, e virou-se para o primeiro cliente.

Eddie estava apoiado no balcão atrás da máquina de


café expresso.

— Tenho que ir, - disse ele, com os braços deslizando


em torno de mim, uma mão segurando o copo.
Minhas mãos estavam entre nós e tive que enrolá-las
em torno dele ou espalharia café sobre nós dois. Como o café
era uma força de vida, naquele momento, acabei colocando
meus braços em torno dele.

Seus olhos tinham aquele olhar quente e macio.

— Depois do trabalho, nós vamos ao shopping para


comprar uma cafeteira, - disse ele.

Deus querido.

Compras com Eddie, para uma cafeteira.

Como isso aconteceu?

Eu apenas me impedi de ver se o meu cabelo e


sobrancelhas tinham queimado considerando que nosso
relacionamento estava progredindo na velocidade da luz.

Ele olhou-me e, em seguida, seu rosto aproximou-se do


meu. — Eu odeio dizer isso, mas parte de mim gosta que você
esteja forçada a um canto, desta maneira você não pode
recuar e eu posso ver o que você realmente quer.

Foi a minha vez de assisti-lo.


— O que acontece quando eu estou fora do canto e eu
não preciso de você para me salvar mais?

Era a pergunta de seis milhões de dólares e eu prendi a


respiração à espera da resposta.

— Uma coisa de cada vez, - disse ele.

Não a resposta certa.

— Não, eu realmente quero saber. O que acontece


quando eu não estou levando tiros e eu não sou mais
interessante? - Seus olhos mudaram e ele olhou para mim
como se eu tivesse perguntado se eu poderia passar a tarde
pintando sua casa em tons de Pepto Bismol e adornando o
jardim da frente com flamingos de plástico.

Então ele disse: — Você acha que eu sou um pouco


assustador? Eu acho que você é um pouco louca.

Ok, então que era hora de deixar tudo sair.

— Eu não sou louca, eu sou tudo, menos louca, eu sou


tão não louca, que eu sou anti-louca. Eddie, eu odeio dizer
isso, mas eu sou chata.

Ele esperou um pouco, olhando-me, e depois soltou


uma gargalhada.
Minha boca caiu.

Em seguida, sua cabeça caiu e ele acariciou meu


pescoço.

— Definitivamente louca. - Ele murmurou contra o


meu pescoço e, em seguida, levantou a cabeça e olhou para
mim, — e totalmente cheia de merda. Você não poderia ser
chata mesmo que você tentasse. E se esta é a sua próxima
tática para tentar fazer com que eu desista, vá em frente. Vai
ser divertido ver você tentar ser chata. Quase tão divertido
como era ver você fingir ser normal.

Bem, o que você poderia dizer sobre isso?

Exceto, eu tenho tanta... tanta... certeza.

Ele não leu o meu olhar de infelicidade suprema, ou,


mais provavelmente, ignorou. Em vez disso, ele tocou seus
lábios nos meus e ele se foi.

Ok.

Mesmo a verdade não funcionou.


No meio da manhã, Indy passou pela porta.

— Como você está? - Ela perguntou, quando ela chegou


a mim, com os olhos preocupados.

— Depois do trabalho, Eddie e eu vamos fazer


compras... comprar uma cafeteira, - eu respondi, pensando
que ela iria entender minha situação.

Ela piscou.

— Não, eu quero dizer com o cara que está ameaçando


estuprá-la. - Eu acenei minha mão e voltei para a vaporização
do leite.

— Oh, isso. Eu superei isso, - eu disse.

Sua boca ficou aberta. Ela fechou-a e disse: — Ontem


à noite, com o telefone ao ouvido, você parecia que ia ter um
enfarte.

— Isso foi ontem à noite, eu fui tomada de surpresa.


Agora eu estou com vontade de arrebentar, chutar bundas e
pegar nomes e.... tanto faz. - Eu esgotei-me, não tendo mais
discurso ‘macho’ pronto: — Eu estou cansada de estar com
medo.

— Correto, Loopy Loo! - Encorajou Tex, puxando um


porta-filtro para fora da cafeteira expressa com força bruta,
mesmo que ele não precisasse, e batendo os sedimentos para
fora.

— O que você vai fazer? - Perguntou Indy. Eu olhei


para ela.

— Eu não tenho ideia, mas eu vou pensar em algo. A


única coisa que eu sei que eu não vou fazer é nada. - Ela
olhou para mim por um instante, depois sorriu.

Era quase meio-dia quando o sino por cima da porta


tocou e mamãe e Blanca entraram.

— Ótimo, Tex, aqui está ela, - eu disse para Tex.

— Agora você pode conhecer a minha mãe. - Tex olhou


para cima e em toda a loja.

Então seu rosto congelou.


— Un-unh, - ele murmurou.

— Ei, cara de boneca, - mamãe chamou.

Eu sorri e acenei para mamãe e Blanca, mas virei-me


para Tex.

— O que você quer dizer com 'un-unh'? - Eu sussurrei


freneticamente.

Tex ainda estava congelado.

Mamãe chegou ao balcão do café e ela deu-lhe o sorriso


brilhante.

— Você deve ser o Tex, - disse ela.

Ele fez uma espécie de ruído gutural, agarrou meu


braço e marchou comigo saindo de trás do balcão. Ele
caminhou comigo e Indy, que ele também pegou pelo braço e
empurrou-nos para o corredor de livros de ficção, a seção M-
N-O. Então ele parou e olhou para mim.

— Você não me disse que ela era bonita, - ele disse.

Olhei para Indy, Indy olhou para mim.

— Dê-me seu telefone, mulher, - disse Tex para Indy.


Ela entregou o telefone dela, ele abriu-o e começou a
apertar botões aleatoriamente.

Indy pegou o telefone da mão dele.

— Quem você quer chamar, - ela perguntou.

— Chávez. Ligue para Chávez.

Indy procurou no telefone e bateu o número de Eddie.


Tex pegou o telefone de sua mão e colocou-o em seu ouvido.

— Chávez? - Pausa. — Nós temos um problema. - Ele


andou pelo corredor e murmurou alguma coisa.

Olhei para Indy, ela estava sorrindo. Eu sorri de volta.

— Uh-huh, - disse ele, balançando a cabeça, — Uh-


huh, - disse ele de novo, balançando a cabeça. Houve uma
pausa.

— Porra nenhuma! - Foi uma explosão e eu pulei.


Então, — Certo. - Então ele jogou o telefone de volta para
Indy que o apanhou e fechou-o.

Ele olhou para mim.


— Tudo bem, Loopy Loo. Vamos conhecer sua mãe. -
Voltamos para frente da loja e, eu não poderia evitar, eu
estava perto de rir.

Tex achava que minha mãe era bonita.

Mamãe e Blanca estavam parecendo preocupadas.

— Vamos tentar isso de novo, - eu disse, quando nos


aproximamos deles.

— Tex, Nancy e Blanca. Nancy e Blanca, esse é o Tex.

— Você gosta de gatos? - Tex explodiu na minha mãe.

Mamãe deu um pulo, olhou para Tex e assentiu.

Qualquer um assentiria mesmo quem odiasse gatos.

— Então vamos ao trabalho. Eu estou indo para casa a


uma você pode esperar tanto tempo?

— Claro? - Mamãe perguntou e respondeu, sem saber


para onde ir.

Todos ficaram ao redor e se entreolharam.

— Talvez você possa fazer-lhes um café? – Eu sugeri.


Tex virou-se para mim, pálido.

Eu senti um pouco de pena dele, quero dizer, eu sabia


como ele se sentia.

— O que vai ser? - Perguntou Indy. — Tex é o melhor


barrista nas Montanhas Rochosas, o que quiser, vai ser
fantástico.

— Café com leite? - Disse mamãe.

— Só café para mim, - disse Blanca.

Tex arrastou-se pesadamente atrás do balcão.

— Ele é um pouco estranho, não é? - Mamãe inclinou-


se e sussurrou para mim.

— Ele dará a sua vida por você, ou, mais precisamente,


pela Jet, - Indy respondeu, com uma voz que dizia que ela
estava falando sério.

Mamãe e Blanca entreolharam-se.

Isso foi o suficiente para elas.


Vinte minutos depois, Ally e Kitty Sue entraram.

— Blanca! Qué pasa? Como vai, Nancy? - Kitty Sue


falou e foi sentar-se com elas e Ally veio até mim.

Ela entregou-me um brilhante, novo, e muito caro,


telefone celular.

— Mamãe e eu conseguimos isso. Eu já programei os


números de todos nele e está carregado. Você deve mandar
mensagem para todos, para eles terem o seu número, - disse
Ally.

Olhei para o telefone, eu olhei para ela. Eu abri minha


boca para falar, mas ela chegou lá antes de mim.

— Pense nisso como um presente de Natal, - disse ela,


atacando de surpresa a minha negação.

— É outubro, - eu disse a ela.

Ela encolheu os ombros.

— Eu não sei o que dizer, - eu disse calmamente.


— Que tal, obrigada? - Mamãe gritou do outro lado da
sala, usando ‘A Voz’.

Tex soltou uma gargalhada, em seguida, fechou a boca


e eu poderia jurar que seu rosto ficou um pouco rosa.

Olhei para Ally e engoli.

— Obrigada, - eu disse.

Um sorriso veio aos cantos dos olhos de Ally.

— O prazer é meu.

Eu mandei uma mensagem para todos que Ally


programou no meu celular, incluindo Indy, Ally, Tod, Stevie,
Daisy e sim, até Eddie, com o meu novo número.

Kitty Sue foi embora e Blanca também. Tex carregou a


cadeira da mamãe e mala para parte de trás do El Camino,
carregando a mamãe na frente, e rugiu fora com Carlos
Santana tocando ‘Winning’ estridente dano oito faixas.

Duke apareceu pouco antes de Tex sair e quinze


minutos depois, o sino sobre a porta tocou e Vance entrou.
Prendi a respiração. Qualquer garota que vê Vance prende a
respiração, tenha ela cinco ou cento e cinco.
Ele simplesmente era bonito assim.

Ele estava usando uma calça verde de brim do exército,


muito desgastada, uma camiseta cor de vinho colante que
parecia em perigo de cortar a circulação em seus bíceps
musculosos e um par de botas de cowboy marrons
empoeiradas que se pareciam como se realmente tivessem
sido colocadas em um par de estribos 5 (mais de uma vez).
Seu cabelo preto brilhante estava puxado para trás em um
rabo de cavalo e seus olhos escuros eram franjados com um
conjunto de cílios tão exuberantes, que você poderia quase
chamá-los de afeminados, se você tivesse um desejo de
morte.

— Bom! Você veio, - Indy chorou imediatamente e olhei


para ela.

Ela agarrou meu braço e puxou-me em direção a


Vance.

Ele balançou a cabeça quando chegamos a ele.

— Pensei em dizer na sua cara, isso não vai acontecer,


- disse Vance a Indy.

Indy estreitou os olhos.

5
Onde o cavaleiro apoia o pé para montar no cavalo.
— O que não vai acontecer? - Eu perguntei.

Vance virou-se para mim: — Quando nós falamos sobre


você na reunião de pessoal, eu votei em trancá-la na sala
segura. - Minha boca ficou aberta.

Eu nem sabia o que a sala segura era, mas eu sabia


que eu não queria ter nada a ver com isso. E eu não queria
pensar em ser um item da agenda em uma reunião de
pessoal da Nightingale Investigações de nenhuma forma.

— Perdão? - Eu perguntei.

— Eddie tinha um plano de merda, você ficando por lá


durante o dia, passando tempo com os caras. Lee pensou que
você iria ser uma distração. Os caras votaram comigo. - Seus
olhos fizeram uma varredura de corpo e o olhar neles alterou
para algo que me fez sentir como se balançando na direção
dele, como se ele tivesse um poderoso raio abdutor sexual me
puxando com ele.

— Às vezes, as distrações são boas, - disse ele em voz


baixa. — No seu caso, seria uma satisfação no trabalho.

Querido Deus.

Minha boca ficou seca.


O que foi isso?

— Lee vetou, - Vance terminou e o raio abdutor


desconectou.

Graças a Deus.

Eu puxei-me de volta.

— Você não vai nos ajudar, nós vamos sozinhas, - Indy


ameaçou, ignorando completamente a estranha tensão sexual
carregada.

— Você tenta ir sozinha, e eu vou agarrá-la e levá-la


para o escritório. Eddie pode buscá-la lá. Lee vai lidar com
você, - Vance retornou.

Ops!

Isso não parece bom. Eu não queria Vance me


agarrando (pelo menos não dessa maneira... o que eu estava
dizendo, eu estava dormindo com Eddie, não queria de
nenhuma maneira) e eu certamente não queria Lee ‘lidando
com Indy’. Lee era assustador com um A maiúsculo.

— Do que vocês estão falando? - Eu cortei.

Indy virou-se para mim.


— Você quer encontrar seu pai, Vance é muito, muito
bom em encontrar pessoas. Pedi-lhe para ajudar.

Olhei para Vance.

Vance estava assistindo Indy falar, mas quando eu


falei, ele olhou para mim.

— Seria bom se você pudesse ajudar, - eu disse, não


querendo, mas também querendo encontrar meu pai, o
suficiente para perguntar.

— Eu vou pagar-lhe, - eu adicionei como uma reflexão


tardia. Eu também não poderia pagá-lo, mas talvez ele
parcelasse. Seu corpo virou para mim e o raio abdutor ligou
novamente.

— Eu vou encontrar o seu pai, mas você não tem que


ajudar e você não vai me pagar. Porém, não será de graça.
Você me deve.

Querido Deus.

Em dívida com outro cara quente. Eu não sabia se eu


poderia pagar isso.

Não, eu sabia que não poderia pagar.


Olhei-o nos olhos e tinha que saber de que forma seu
favor viria.

Não precisava de um leitor de mente para obter a


essência.

Enquanto esperava pela minha resposta, seus olhos


ficaram estranhos, estranhos de forma sexy.

— Menina suave e educada do café, de dia, - ele


murmurou. — Mas eu a vi no seu uniforme do Smithie.

Doce Jesus.

Essa porra de uniforme do Smithie.

Era como um collant do Super-Homem. Ninguém


prestava atenção ao Superman quando ele era Clark Kent;
colocou o collant e todas as mulheres caíam aos seus pés. O
uniforme de Smithie tinha o mesmo poder.

— Eu não estou trabalhando no Smithie mais, - eu


disse a ele. Seus olhos caíram para a minha camiseta
vermelho escarlate.

— Isso é uma pena. - Obriguei-me a respirar e olhei


para Indy.
Ela estava incomodada com seus olhos em mim como
se estivéssemos na quinta série e o menino mais bonito na
escola, estivesse vindo até mim durante o recreio.

Olhei para trás para Vance.

— Eu acho que eu vou sozinha, - eu disse.

Ele olhou para mim um segundo, em seguida, disse: —


Não posso deixá-la fazer isso também.

Hum... O quê?

Eu perguntei. — O quê?

— Você não sabe com que está lidando e você não sabe
o que está fazendo.

Ok, então, eu estava ficando um pouco farta de caras


dizendo-me o que eu podia ou não podia fazer. Mesmo caras
quentes.

— Eu não tenho certeza se você tem direito a uma


opinião.

Eu estava orgulhosa de mim mesma, isso saiu com


atitude e convicção. O suficiente para fazer seus olhos
escuros incendiarem. Eu pensei que ele estava com raiva, por
um segundo, então superou isso e seus lábios tremeram.

— Chávez está fodido.

Eu não sabia o que aquilo significava e eu não


perguntei. Vance olhou para Indy.

— Nós estamos indo para o Zip’s.

Imediatamente, Indy aplaudiu e gritou: — Yippee!

— Zip’s? - Perguntei.

— É uma loja de armas, - disse Indy.

— O quê? - Eu meio que gritei.

Por que diabos precisamos de uma loja de armas?


Vance respondeu à minha pergunta não formulada. — Eu
não vou lhe ajudar, mas eu não vou deixar vocês duas soltas
em Denver sem proteção. Nós estamos indo para que você
obtenha alguns equipamentos. - Ele virou-se para Indy.

— Você pega o seu carro, e Jet vem na Harley comigo.

Harley?
Tipo, uma motocicleta Harley Davidson?

Com Vance?

Não.

Não, não, não e não.

— Eu vou com a Indy, - disse eu.

— Você não vai ficar fora da minha vista no meu


horário. - Vance anunciou com uma ‘Voz de Cara Durão, ’
portanto ‘Sem Discussão’.

Maravilhoso.

Eu nunca tinha montado na parte de trás de uma


motocicleta na minha vida, muito menos em uma Harley. Eu
tinha que admitir, eu gostei.

Eu gostei muito.

Eu descobri que Zip não apenas vendia armas, o velho


Zip vendia um monte de diferentes tipos de armas, revólveres,
espingardas, rifles. Lá também vendia facas, munições,
armas de choque, tasers, bastões, spray de pimenta e
calendários com a foto da minha irmã na frente. Eu disse isso
a Indy enquanto Vance não estava prestando atenção.

— Legal, - disse ela, olhando para Lottie vestindo um


biquíni que mal estava lá, o seu corpo completamente
molhado, com o cabelo surpreendentemente seco e
equilibrando precariamente em uma motocicleta BMW.

Vance nos equipou com armas de choque, tasers e


spray de pimenta. Ele explicou como usá-los, ele deu
instruções sobre como ser seguro e tentou pagar.

Eu argumentei.

Ele me deu o ‘Olhar Cara Durão’.

Eu coloquei para fora ‘A Encarada’.

Enquanto isso estava acontecendo, Indy pagou.

Isso foi bom para mim, eu poderia dever a Indy. Eu não


esperava que seu favor tivesse algo a ver com meu uniforme
no Smithie.

Nós estávamos em nosso caminho de volta para a


Fortnum, nosso saco de guloseimas com Indy no New Beetle,
Indy nos seguindo. Nós não tínhamos muito tempo antes de
ter que encontrar Daisy no Oxford Hotel para uma bebida e
eu estava ficando inquieta. Eu não queria manter Daisy
esperando, ela poderia ser assustadora.

Nós estávamos parados em um semáforo na Colfax e eu


estava pressionada contra Vance, minha virilha em sua
bunda, meu peito em suas costas, meu queixo meio
descansando em seu ombro. Ele dirigia rápido e duro. Eu
tentei agarrar sua cintura e manter uma distância, mas eu
quase caí para fora da traseira da moto quando ele arrancou
do meio-fio.

Era uma espécie de passeio ‘envolva seus braços em


volta e segure pela sua vida’.

Um carro parou no semáforo e eu automaticamente


olhei à minha direita.

Meus olhos arregalaram-se com o que vi e acho que eu


gritei um pouco dentro do meu capacete. Sentado no banco
do motorista estava Eddie, ele estava olhando para fora da
janela, seus óculos escuros espelhados dirigidos a mim, o
resto do seu rosto com uma expressão assassina.

Eu estava com um capacete, mas eu também estava


vestindo uma camiseta vermelho escarlate, meu cabelo estava
saindo da parte de trás do capacete, porque eu tive que tirar
o meu rabo de cavalo, eu estava com o Vance e Indy no carro
que estava bem atrás de nós. Não seria preciso um detetive
de polícia para descobrir que era eu, mas Eddie era um
detetive da polícia e pela expressão no rosto de Eddie, ele
descobriu.

Droga.

Droga, droga, droga.

Houve um apito no carro atrás de nós, Vance olhou no


espelho e olhei para trás. Indy estava gesticulando para o
lado dela e Eddie. Olhei para o carro e fiquei ao lado dela.

Eddie estava sendo seguido por um Crossfire, o


Crossfire de Lee, com Lee atrás do volante.

Foda-se.

Foda-se, foda, foda-se.

Vance olhou para a direita, não usando um capacete;


ele fez um gesto de saudação de mão para Eddie, dois dedos
para fora e um movimento do pulso. Senhor Legal.

Nós fomos juntos para a Fortnum, Vance e eu levando


a nova definição de ‘Meu Comboio da Desgraça’. O tempo
todo eu tentava chegar a uma explicação plausível, em outras
palavras, uma mentira acreditável.

Vance parou em frente, Indy e Lee estacionaram na


parte de trás, Eddie estacionado atrás de nós. Eu estava fora
da moto e tirei o capacete quando Eddie chegou.

— Que porra é essa? - Perguntou Eddie, olhando para


Vance e usando sua voz calma assustadora.

Vance tinha vindo fora da moto e estava sorrindo. Eu


não achava que isso era bom, eu pensei que era uma espécie
de provocação em seu rosto. Mesmo que ele não estivesse
ajudando na situação, eu tinha que dizer, que eu admirava
Vance por ter senso de humor e achar graça.

Decidi neutralizar a situação.

— Eddie, eu posso explicar, - disse eu.

Seus olhos se voltaram para mim. Ele tinha os braços


cruzados sobre o peito, com as pernas plantadas abertas e eu
desejei que eu tivesse deixando-o descontar sua raiva em
Vance. Vance era um fodão também, pelo menos seria uma
luta justa.

— Sim? - Perguntou Eddie, sua voz cheia de


incredulidade.
Ok, eu tinha usado o passeio para casa para tentar
chegar a uma mentira acreditável. O problema era que eu não
consegui.

— Bem... - Eu comecei tirando a palavra para ganhar


tempo.

De repente, Eddie agarrou meu braço, arrancou o


capacete da minha mão, jogou-o para Vance e puxou-me para
longe cerca de cinco metros.

Acho que ele não tinha vontade de dar-me tempo para


chegar a uma mentira acreditável.

Quando paramos, ele abriu a boca para falar, mas eu


cheguei lá pela primeira vez.

— Eu posso ver que você está com raiva, eu não sei por
que, mas... - Ele me interrompeu.

— Você não sabe por quê? – Ele questionou.

— Não, você vê... - eu comecei de novo.

— Não? - Ele interrompeu novamente, usando sua voz


calma assustadora.
— Bem, não, o que eu ia dizer era...

— Eu estou dirigindo na estrada e, parado em um


sinal, eu vejo a mulher que saiu da minha casa, da minha
cama, enrolada em outro cara. Você é aquela mulher e você
não sabe por que estou com raiva?

Não soava bem quando ele dizia isso dessa forma.

— Eddie...

Ele se aproximou, seus olhos estavam brilhantes e sua


voz era suave e assustadora.

— Não venha com a porra do ‘Eddie’ para cima de mim.


Parece que eu tenho que explicar tudo para você então ouça
bem, Chiquita. Ontem à noite, quando eu disse que ninguém
toca em você, além de mim, significa que você não toca em
ninguém além de mim também.

Eu coloquei a mão no meu quadril.

Quero dizer, ele pensou que eu estava traindo ele?

— Não era o que você, obviamente, pensou, Vance


estava apenas levando-nos ao Zip's!

Uh-oh.
Vi imediatamente o meu erro. Eu deveria ter dito a ele
que estávamos indo almoçar, visitando o canil para brincar
com cachorros abrigados, ou comprando crack, qualquer
coisa menos indo ao Zip’s.

— O que você estava fazendo no Zip’s? - De alguma


forma, a voz baixa, assustadora ficou mais baixa e mais
assustadora.

Eu decidi não mentir, não porque eu pensei que era


uma boa maneira de ir, mais como eu não poderia vir acima
com outra história rápida o suficiente.

— Vance estava equipando-nos.

— Que tipo de equipamento?

— Alguns pedaços aqui e ali. - Eu decidi ser vaga.

— Que tipo de pedaços? - Eu não deveria ter tentado


ser vaga, eu já tinha aprendido que Eddie não gostava de
vago.

— Armas de choque, tasers, spray de pimenta, - disse


eu.

— Por quê?
Eu tomei uma respiração profunda e, já que eu estava
sendo honesta, eu fui com o porco inteiro.

— Eu vou procurar papai. - Seus olhos se estreitaram,


sua boca apertou e meu estômago embrulhou, mas eu tentei
não deixar transparecer que ele meio que estava me
enlouquecendo.

— Mostre-me, - disse ele.

Olhei para ele. Pensei em ignorar seu pedido, mas


decidi contra isso. Ele empurraria e eu ia acabar fazendo isso
de qualquer maneira.

Indy tinha as armas de choque e tasers em seu carro, a


única coisa que eu tinha era o spray de pimenta na minha
bolsa. Abri minha bolsa e mal consegui quando a mão de
Eddie saiu e bateu contra a minha, o enviou o spray de
pimenta em voo e deslizando pela calçada.

— Ei! - Eu bati minha cabeça chegando e eu puxei para


fora um verdadeiro brilho.

— O que você faz agora? - Ele perguntou e veio para


perto.
Eu estava ficando louca, ele estava fazendo-me parecer
uma idiota. Eu sabia que ele estava fazendo isso para fazer
um ponto, mas ainda assim.

Não, espere. Fazendo uma busca rápida emocional eu


percebi que eu já estava louca.

— Bem, - ele retrucou, inclinando-se mais perto.

Eu passei a alça da minha bolsa por cima do meu


ombro e plantei ambas as minhas mãos em meus quadris,
uma ameaça de Diva dupla.

— Isso não é justo. Você é Eddie, e eu não estava


pronta...

— Você não vai estar pronta quando essa merda vir


para baixo também.

Inclinei-me para ele também.

— Eu venho fazendo tudo direito até agora.

— Você tem tido sorte até agora.

Tudo bem, já chega.


Eu joguei minhas mãos para fora, ficando cara a cara,
e eu gritei em seu rosto.

— Sim? Bem, finalmente! Pela primeira vez na porra da


minha vida, eu tive sorte e eu vou montar essa onda. O que
eu não vou fazer é algo foda como sentar em uma casa com a
porra das persianas fechadas e as malditas portas trancadas
e esperar por outras pessoas resolverem os meus problemas
de merda, o tempo todo assustada para caralho.

Ok.

Isso foi um monte de palavrão, mas o momento


justificava.

— Você precisa ser inteligente, - disse ele, sem mover-


se para fora do espaço que eu invadi.

— Eu preciso obter o controle da minha vida e eu estou


indo obtê-lo e eu não me importo como. Você pode não
gostar, mas essa é a maneira que é.

— Se você se colocar lá fora, eu não posso mantê-la


segura. - Eu olhei.

Então, eu juro, não pude evitar, e ri. E outra coisa que


eu não podia evitar, já que eu estava tão perto de Eddie,
inclinei-me para ele e quando eu fiz, eu passei meus braços
em torno de seu meio e coloquei a minha testa contra o peito.
Era isso ou acabar com a graça disso.

— Esta merda não é uma porra engraçada, - disse


Eddie, para o topo da minha cabeça. Suas mãos estavam em
seus quadris, ele não estava me tocando, e ele não estava
feliz.

Eu olhei para ele, meus braços ainda envoltos em torno


dele, meu corpo pressionado contra o dele.

— Eddie, você não entendeu? - Eu perguntei em voz


baixa, ainda sorrindo: — Eu nunca me senti segura em toda
a minha vida. Nunca. Até agora. - Algo brilhou em seus olhos,
mas ele não se mexeu.

Apertei mais e inclinei a cabeça para trás ainda mais.

— Três meses atrás, se isso acontecesse comigo, eu


teria sentado em uma casa com as persianas fechadas, as
portas trancadas e ficado assustada para caralho.

Ele hesitou por um momento, então eu senti seu corpo


relaxar e sua mão veio até onde minha mandíbula estava
perto do meu pescoço, a ponta de seu polegar contra a minha
bochecha.
— Você é tão cheia de merda, Chiquita, - ele disse em
voz baixa, mas o assustador tinha saído do baixo. Ele estava
olhando nos meus olhos, o brilho em sua fusão e eu sabia
que eu tinha ganhado.

Finalmente eu ganhei uma discussão com Eddie.

Eu me senti com vontade de dançar, em vez disso, dei-


lhe um aperto.

— Não sou, - eu disse.

— Você teria arriscado o seu pescoço para resolver os


problemas do seu papai, você só não teria tido alguma louca
Rock Chick para colocar você em problemas, enquanto ela
está tentando lhe dar cobertura.

— Indy não é uma louca Rock Chick.

— E Indy não é a única lhe dando cobertura. - Eu sorri


para ele. Eu sabia o que ele queria dizer, porque essa
sensação de calor estava no meu corpo novamente, mas eu
decidi, e juro pela minha vida que eu não sabia por que,
provocá-lo e talvez, apenas um pouco, paquerar.

Então eu inclinei minha cabeça e disse: — Eu sei. Ally


está dando cobertura também.
Uau. Flertar funcionou.

Seus olhos ficaram líquidos, meu corpo vibrou, o seu


outro braço veio em volta de mim e seu polegar veio sob meu
queixo e inclinou a minha cabeça para trás ainda mais.

— Ally é uma Rock Chick louca. - Disse ele.

Eu não poderia evitar, deixei escapar uma risadinha.


Ele olhou-me por um instante, então seu rosto ficou sério.

— Eu não gosto do que você está fazendo, eu não


concordo com isso e se puder, vou pará-la.

Maravilhoso.

Eu não gostei que ele não gostou, mas eu acenei de


qualquer maneira.

Nós estávamos em um impasse e ambos sabíamos


disso.

— Esta é à sua maneira de tentar provar para mim que


você é chata? Se for, devo avisá-la, não está dando certo. - Eu
neguei com a cabeça, em seguida, tentei novamente usar a
verdade e disse:
— Eddie, confie em mim, eu sou chata. - A covinha
apareceu.

— Você é louca.

— Eu não sou.

— O que você está fazendo agora?

— Indy e eu vamos nos encontrar com Daisy no Cruise


Room para uma bebida.

Seus olhos queimaram.

— Você é louca.

— Eu não sou.

Olhamos um para o outro novamente, eu estava


preparando-me para mais uma batalha, mas para minha
surpresa, ele cedeu novamente.

— Pelo amor de Deus, Chiquita, tenha cuidado. - Disse


ele.

Eu aconcheguei mais fundo em seu corpo, eu não tinha


escolha desde que o seu braço estava super apertado em
volta de mim, e eu disse: — Ok.
Capitulo 17

Daisy, Indy e eu – A Trindade Profana.

Nós nos encontramos com Daisy no ultra legal, art


decor Cruise Room do Hotel Oxford.

Daisy já estava sentada em uma cabine, esperando por


nós. Ela estava vestida com uma segunda pele de brim e com
strass, a jaqueta com dois botões abotoados expondo acres de
decote. A luz neon roxa-roseada que tinha dado uma
atmosfera fresca na Cruise Room por quase cem anos estava
brilhando no cabelo loiro platinado, que foi tão provocado e
pulverizado que imaginei que grupos de vigilância ambiental
haviam criado campanhas dedicadas a parar sua destruição
sozinha da camada de ozônio.

Nós pedimos martinis e nos acomodamos. Daisy virou


os olhos azulados para mim. — Tudo certo, doçura, conte
para a Tia Daisy tudo sobre isso.

Eu não hesitei, ela conhecia uma parte de qualquer


maneira, depois do meu colapso no Smithie’s, então eu disse-
lhe a história da minha vida, recitando-a pela milionésima
vez essa semana. Qualquer esperança de que eu mantivesse
silêncio, e fosse sozinha foi há muito tempo, desapareceu.

Na metade da minha história, ela pegou minha mão e


não a soltou.

Quando terminei, ela apertou minha mão.

Por alguma razão, ela perguntou: — Jet, querida, você


já viu Flores de Aço?

Eu afirmei com a cabeça.

— Esse é o meu filme favorito de todos os tempos, - ela


me disse.

Isso não foi uma surpresa. Ela se inclinou para mim.

— Você e eu, Doçura, somos Flores de Aço. - Então ela


soltou a minha mão e, sem mais delongas, ela lançou-se em
sua história.

Era todo um inferno de muito mais triste e assustadora


do que a minha.

No meio de sua história eu peguei a mão dela e não a


soltei. Quando eu fiz, lágrimas saíram do fundo dos seus
olhos, mas ela não as deixou cair.
Isto não foi uma surpresa também. Se a sua história
era qualquer parâmetro, Daisy não tinha sido muito tocada
pela bondade em sua vida, seja física ou emocionalmente. Na
verdade, Marcus e Smithie foram os dois únicos homens que
ela tinha conhecido que a trataram bem.

Quando ela terminou, eu apertei a mão dela.

— Agora eu estou com Marcus e, não me interpretem


mal, eu sou feliz na maioria do tempo. Mas uma garota tem
que ter amigas, compreende? - Indy e eu acenamos com a
cabeça, nós compreendíamos.

— E, eu estou aqui para contar para vocês, que as


cadelas esnobes da alta sociedade de Denver só não me
entendem. Eu não tenho uma única amiga em todo o mundo
que não está rindo pelas minhas costas ou mortalmente
assustada com Marcus.

Olhei para Indy.

— Eu acho que é hora de mais um martini, - disse Indy


e fez um gesto para um garçom.

Daisy continuou depois que tínhamos recebido a nossa


segunda rodada.
— Não tenho vergonha de dizer, eu não me divertia
tanto como eu me diverti com você e seus amigos no
Smithie’s há anos. Isso, é claro, antes de você levar um tiro. -
Disse ela para mim.

— É claro, - eu disse.

Nós deixamos isso afundar enquanto tomávamos um


gole da segunda rodada.

— Você acha que eu tenho que me preocupar com


Vince? - Eu perguntei.

Ela fez uma careta.

— Vince é um filho da puta sujo e malvado, se você


desculpar meu francês. Eu não pensei que ele iria contra o
Marcus, mas o idiota é inteiramente incapaz de tomar um
golpe em sua masculinidade, neste caso, literalmente.

Então, ela deu uma risadinha brilhante. Eu não tinha


certeza se eu achava que era engraçado. Ela pegou o olhar no
meu rosto e o riso saiu dela.

— Eu vou pedir a Marcus para manter um olho nele. -


Hum, eu não achava que era uma boa ideia. Eu não tinha
certeza se Eddie queria Marcus sendo um membro da minha
Posse e Proteção.
— Daisy...

Ela negou com a cabeça, sacudiu um dedo para mim e


eu estava quieta. Eu não estava quieta porque eu não tinha
um argumento, eu estava hipnotizada por sua unha, que era
super longa, com uma curva letal e tinha pequenos
diamantes falsos embutidos nela na forma de um trevo de
quatro folhas.

Ela deixou cair o dedo e nós todas tomamos outro gole


da segunda rodada.

Então Daisy disse: — O que você vai fazer sobre o seu


pai?

Eu tomei uma respiração profunda e compartilhei.

— Eu estive pensando, ele está jogando pôquer, certo?


- Indy e Daisy assentiram: — Então, eu decidi. Eu preciso
entrar em um jogo e fazer algumas perguntas. Talvez alguém
saiba onde ele está. - Daisy olhou para mim como se eu
tivesse acabado de anunciar a minha intenção de invadir a
Nicarágua.

— Você joga pôquer? - Ela perguntou.


— Não.
— Esses jogos são sérios, garota. Primeiro, eles não
conhecem você e, provavelmente, não vão deixar você entrar.
Em segundo lugar, eles não gostam de mulheres sentadas em
uma mesa. Terceiro, você não se senta em uma mesa a
menos que você saiba o que está fazendo.

Eu tinha percebido isso.

— Eu tenho um plano, - eu disse, e eu tinha. Era uma


espécie de um plano estúpido, mas era tudo que eu tinha.

— Estamos ouvindo. - Indy pediu quando eu não fui


em frente.

— Bem. Pensei em usar um uniforme do Smithie’s


modificado; o uniforme tem um poder estranho sobre os
homens, por isso, se eu usasse algo assim, talvez eles me
deixassem entrar. Então, antes de fazer isso, eu leria um livro
sobre pôquer e então... - Eu hesitei. — Eu acho que, em
seguida, eu apenas improvisaria.

Daisy deu uma risada novamente.

— Você não é doce? - Disse ela quando parou de rir.


Hum, acho que o meu plano não estava funcionando. Então
seus olhos ficaram sérios.
— Eu jogo pôquer. Eu vou sentar-me para um jogo,
ninguém vai dizer nada para mim. Você e Indy vêm comigo e
eu vou fazer as perguntas. Aqueles meninos me conhecem e
eles vão conversar comigo, pensando que eu estou pedindo
por Marcus. Nós descobriremos onde seu pai está e nós
resolveremos tudo isso.

Eu não tinha certeza de que era uma boa ideia.

— Talvez eu devesse tentar fazer isso sozinha, você e


Indy... - Daisy abanou a cabeça e com o que eu estava
percebendo era sua honestidade brutal de costume, ela disse:

— Eu não posso ter filhos, doçura, Marcus e eu


tentamos por dois anos. Mas eu tenho um instinto, acredite
em mim, e esta mamãe ursa não está deixando um de seus
novos filhotes serem comidos pelos leões grandes e maus,
compreende?

Eu não tinha certeza que tudo isso vinha junto, mas eu


não ia dizer nada.

— Isto vai ser divertido, - disse ela em uma mudança


rápida de humor, apesar de ‘ser comida por leões grandes e
maus’ não soar divertido. — Nós vamos nos vestir, fazer uma
noite disso tudo. Vocês duas tem algo brilhante para vestir? -
Sua cabeça loira oscilou de Indy para mim.
Eu neguei com a cabeça, pensando que este poderia
ser o nosso caminho para fora, mas Indy disse: — Você se
lembra de Tod? - Daisy assentiu.

— Bem, ele é uma drag queen e generosa com o seu


guarda-roupa. - Maravilhoso.

Estas duas tinham uma resposta para tudo.

Daisy tomou metade de seu martini. Minha garganta


queimou em simpatia.

Quando ela terminou, ela disse: — Perfeito. Nós vamos


fazê-lo esta noite.

Eu engasguei com meu martini.

Hoje à noite?

— Eu acho que eu tenho um problema com isso, - eu


disse.

Indy e Daisy viraram-se para mim.

— Eddie não está bem sobre eu ir atrás de meu pai e


eu estou tipo vivendo com ele. Nós vamos fazer compras para
cafeteiras esta noite e então eu não sei o que estamos
fazendo. Eu não tenho certeza se eu vou ser capaz de fugir.
— Oh! Oh! Cafeteiras. Parece que este Eddie está sério,
- disse Daisy.

Eu dei-lhe um olhar e ela riu.

Indy sentou.

— É aqui onde eu entro. Eu costumava ficar de castigo


o tempo todo. Eu posso estar um pouco enferrujada, mas eu
era a rainha do plano de fuga. Deixe isso comigo. - A risada
de Daisy tilintou novamente

— Isto está soando melhor a cada minuto.

Não para mim.

Para mim, estava soando mais assustador a cada


minuto, mas eu não tinha escolha. Se eu não quisesse ser
estuprada, (eventualmente), alvo de tiros e ter uma legião de
novos amigos para salvar a minha vida e minha virtude um
pouco contaminada, eu tinha que entrar com tudo.

Então, a gente levantou nosso segundo martini e


brindamos ao nosso plano; Daisy com uma risadinha, Indy
com um sorriso e eu com um aperto na barriga.
Era uma hora mais tarde e fomos lentamente tomando
o nosso quarto martini (porque dois era o suficiente, quatro
era simplesmente loucura) quando os olhos de Daisy
trancaram em alguma coisa sobre o meu ombro e ela puxou
uma respiração.

— Oh, querido Deus, se eu não tivesse Marcus, eu


pegaria um pouco disso. - Olhei por cima do ombro e vi Eddie
fazendo uma varredura do ambiente. Seus olhos bateram em
mim e ele começou a vir em nossa direção.

Meu corpo enrolou de uma maneira feliz.

Eu ignorei o meu corpo, voltei-me e disse à Daisy.

— Esse é Eddie.

Os olhos de Daisy caíram para o emblema que Eddie


usava em seu cinto.

— Eddie, como Eddie Chávez? - Ela disse para mim, os


olhos ficando grande.

Eu assenti.
— Vendo como meu bebê está no negócio que ele está,
eu normalmente não gosto de policiais, mas desta vez, eu
estou fazendo uma exceção. - Eu senti uma curva de mão ao
redor da parte de trás do meu pescoço e eu inclinei a cabeça
para olhar para cima. Eddie curvou e sua boca tocou a
minha, a ondulação feliz na minha barriga se extenuou, em
seguida, ele endireitou-se e percebeu Indy e Daisy.

— Senhoras, - disse ele.

Eu apresentei Daisy, ela colocou a mão na sua e disse,


direto para fora.

— Doçura, você está de parabéns. - Eddie sorriu, mas


não disse nada. O que você poderia dizer?

Seus olhos se voltaram para mim.

— Temos uma missão para executar, - ele lembrou-me


(como se eu fosse esquecer).

Levantei-me e acenei para as meninas.

— Eu vou ligar mais tarde, - disse Indy, dando-me um


olhar.
Eu acenei com a cabeça para Indy e Eddie conduziu-
me para fora do lugar. Precisei de muita condução, eu estava
seriamente bêbada.

Quando eu vaguei para ele, Eddie olhou para mim e


sua mão nas minhas costas deslizou envolta do meu lado e
ele me puxou para ele, mas continuou andando.

— Você está bêbada? - Ele perguntou, parecendo


divertido.

— Talvez apenas um pouco, - eu admiti. — Eu acho


que eu deveria ter parado no terceiro martini.

Nós tínhamos saído do bar e estávamos em pé na


picape de Eddie, estacionado no meio-fio. Ele empurrou-me
para a picape com uma mão em meu corpo e chegou perto.

— Então, você está dizendo que você não parou no


terceiro martini? - Eu neguei com minha cabeça.

— E você talvez esteja um pouco bêbada? - Eu assenti.


Ele ficou mais perto.

— Chata, minha bunda, - ele murmurou. Desta vez, eu


inclinei minha cabeça e puxei para fora ‘A Encarada’.
Talvez tenha sido o terceiro martini, talvez tenha sido o
segundo gole no quarto, mas eu estava toda com atitude.

— Marque minhas palavras, Eddie Chávez e não diga


que eu não avisei. Quando tudo isso acabar você vai se
perguntar que infernos você está fazendo comigo. Eu sou
chata, chata, chata... c-h-a-t-a. - Eu estava bastante
satisfeita, considerando que eu estava seriamente
embriagada, que eu poderia soletrar chata. Sua cabeça caiu e
chegou perto da minha.

— O quanto você precisa de café na manhã? -


Questionou.

Pisquei, não acompanhando a conversa.

— Por quê?

— Estou pensando, em sua condição, eu poderia tentar


e ver quão chata você é nua.

Ops.

— Eu realmente preciso de café na manhã, - eu disse a


ele.

Ele sorriu.
— Certo, - ele disse.

Entramos na picape e Eddie saiu fora.

— Por que aquele olhar? - Eddie perguntou quando


estávamos indo para fora da cidade.

— Que olhar? - Eu tentei inocência.

Claro, Eddie teria notado o olhar de Indy.

— O olhar de Indy, - ele respondeu.

Veja o que eu quero dizer?

— Não havia um olhar, - eu menti.

— Você é tão cheia de merda, - ele murmurou.

Desta vez, ele não estava errado.

Fomos a Best Buy no Colorado Boulevard e Eddie nos


dirigiu em direção às cafeteiras. Eu estava no corredor,
balançando um pouco, não só por causa dos martinis, mas
também porque eu estava na Best Buy com um cara quente
comprando uma cafeteira. Olhei para o grande número de
cafeteiras em exposição como se fosse crescer dentes e me
morder.
— O que você quer? - Perguntou Eddie.

— Uma cafeteira, - eu respondi.

— Sim, - ele sorriu para mim.

— Mas qual? - Eu olhei para elas, fiz uma verificação


de preços rápida e apontei para a mais barata.

Eddie balançou a cabeça, o sorriso ainda no lugar,


orientado, passou pelo que eu apontava para e pegou uma
superior, programável, 14 xícaras programáveis. Não era a
mãe das cafeteiras, mas não era nada para debochar
também. Ele colocou-a debaixo do braço, pegou minha mão e
puxou-me para o corredor.

— Mais alguma coisa que você precisa para torná-la


menos ranzinza de manhã? Um liquidificador? Uma
torradeira? – Ele questionou.

Eu parei morta e olhei para ele.

— Você não tem uma torradeira? - Eu perguntei,


horrorizada.

Ele mudou de direção e dirigiu-se para as torradeiras.


Nós passamos no meu apartamento e peguei algumas
provisões (mais especialmente café) e depois fomos para a
casa de Eddie.

Ele descarregou os novos aparelhos enquanto eu


desempacotei as compras. Então eu liguei para o Famous e
pedi uma grande pizza, metade com tudo para Eddie, a outra
metade três queijos e cogumelo para mim. Eddie me ouviu
pedir ao conectar a cafeteira e suas sobrancelhas se
ergueram.

— É tudo sobre o queijo, - eu expliquei.

Seus olhos passaram pelo meu corpo e seus lábios


tremeram quando ele abriu o livro de instruções para a
cafeteira. Eu não tinha certeza do que isso significava, mas
eu tinha certeza que eu não ia perguntar.

Deixei-o a lidar com as coisas com as cordas, entrei na


sala, sentei-me no sofá e liguei para mamãe.

— Oi mãe, - eu disse quando ela atendeu.

— Ei cara de boneca. - Ela respondeu.

— Como você está indo? - Perguntei.


Eddie desgarrou, sentou-se e ligou a TV. O controle
remoto entrou em hipervelocidade quando ele passeou pelos
canais.

— Tex e eu estamos bebendo bebida alcoólica, -


respondeu mamãe.

Eu estava inclinada para trás, mas eu fiquei ereta


quando ouvi sua resposta.

— Você não pode beber bebida alcoólica com seus


remédios! - Eu gritei.

Os olhos de Eddie vieram até mim.

— Só um pouco de bebida. - Disse a mãe.

— Pare de beber, - eu pedi.

Sua voz veio a mim, ignorando o meu pedido, e ela


estava sussurrando: — Eu acho que Tex meio que gosta de
mim. - Então, ela deu uma risadinha.

Deus do céu.

— Tex é um louco, - eu disse a ela.

— Ele é doce.
Tex? Doce?

— Você acha que Tex é doce? Quanto você já bebeu?

— Oh! Tenho que ir, Tex encontrou suas luzes de laser


e vamos brincar com os gatinhos. Amo você. - Então ela
desligou.

Fechei o telefone e olhei para ele.

— Eu acho que Tex e mamãe estão no encontro mais


estranho da história do mundo.

Eddie largou o controle remoto, pegou o telefone da


minha mão, deslizou-o sobre a mesa de café ao lado do
controle remoto e, em seguida, colocou as mãos sob minhas
axilas e arrastou-me do outro lado do sofá, torcendo-me para
que eu fosse sobre seu colo. Ele empurrou-me de volta e ele
deslizou para fora de debaixo de mim, para o seu lado e veio
em seu cotovelo. Ele rolou-me para o seu lado, ao mesmo
tempo, ele inclinou-se para frente, pressionando-me, pegou o
controle remoto, os olhos voltaram para a TV e, com o braço
em volta de mim ainda, ele começou a passear pelos canais
novamente.

Era uma manobra complicada, mas ele fez sem esforço


e ignorou completamente o meu comentário.
Torci minha cabeça para olhar para ele.

— Eddie, você me ouviu? Acho que alguma coisa está


acontecendo entre mamãe e o Tex.

Os olhos de Eddie não se moveram da TV.

— Bom. Fazer algum poderia melhorar a disposição de


Tex e eu acho que faz algum tempo para a sua mãe também.
- Ops!

— Você não acabou de dizer isso, - eu disse.

Eddie encontrou um jogo de baseball e jogou o controle


remoto sobre a mesa. Ele olhou para mim.

— Ela é uma mulher, ela é bonita. Ele é um homem, ele


vai notar.

— Ele não é um homem, ele é uma pessoa louca. Ele


tem uma arma e eu acho que ele tem granadas.

— Pelo que ouvi, gás lacrimogêneo também, - os olhos


de Eddie voltaram para a TV.

Era isso.
Eu afastei-me e levantei-me.

— É isso aí, estamos indo para... oof!

Eddie me pegou pelo meio, puxou-me de volta no sofá e


rolou sobre mim.

— Você tem o suficiente para se preocupar, Chiquita.


Você não tem que inventar merda.

Meus olhos se arregalaram.

— Eu não estou inventando merda!

Seus olhos ficaram quentes, as suas pálpebras


abaixadas, suas mãos começaram a passear e eu tinha
outras coisas para me preocupar. Sua boca começou a passar
com as mãos e parei de preocupar-me por completo.

— Isso funciona, Tex pode ser seu padrasto, - disse


Eddie contra o meu pescoço, sua mão indo debaixo da
camisa.

Eu pensei sobre isso. Este não era um pensamento


ruim. Tex era um louco, mas ele era um bom rapaz.

— Ele seria um bom padrasto. - Eu disse no ouvido de


Eddie e eu deslizei minhas mãos em sua camisa.
Eddie olhou para mim.

— Merda funciona de maneiras estranhas. - Ele tocou


seus lábios nos meus, em seguida, ele levantou a cabeça e
disse: — Há dois meses, eu não podia levá-la a olhar para
mim, agora você está vivendo comigo.

— Temporariamente, - eu disse.

— Tanto faz, contanto que eu comece a fazê-la doce em


uma base diária, eu não dou à mínima.

Minha respiração ficou presa.

A campainha tocou.

— Hora da pizza! - Eu disse um pouco alto,


considerando-se que seu rosto estava a menos de uma
polegada de distância.

Os olhos de Eddie acenderam, ele sorriu e então ele


beijou-me, com o sorriso ainda no rosto (eu podia sentir isso),
fazendo o cara da pizza esperar. Então, ele inclinou-se e
deixou-me ofegante no sofá e pensando que, enquanto Eddie
me beijasse assim numa base diária, eu não ia querer ter
nada a ver com temporariamente.
Nós dois tiramos as botas e nós estabelecemos para a
noite. Nós comemos a pizza, Eddie bebeu algumas cervejas e,
como eu já tinha tido minha quota de álcool para o dia (e
tinha que me preparar para o que a noite traria), bebi Coca
Diet. Vimos um jogo por algum tempo; eu contra o lado de
Eddie com meus pés descalços debaixo de mim no sofá, e os
pés de Eddie estavam sobre a mesa.

Senti-me bem. Era bom. Foi tão bom e tão bom que eu
poderia acostumar-me com isso. Eu sabia que não deveria,
mas eu decidi apenas ir com o fluxo.... Por agora.

Foi quando Eddie estava limpando a caixa de pizza que


meu celular tocou.

Era Indy.

— Não fale, apenas ouça. - Disse ela.

Oh, não. Aqui vamos nós.

— Ok, - eu respondi.

— Por volta das dez, Ally vai vir para a porta. Eddie
responde. Você deve estar no quarto. Deixe uma nota para
Eddie e rasteje para fora da janela do quarto. Você não
precisa de nada, apenas sua bolsa e você. Temos tudo
coberto.

Caro Deus. Isso não soava como um bom plano de


fuga.

Na verdade, parecia um terrível plano de fuga amador


que Eddie descobriria.

Eu ouvi Eddie caminhar de volta na sala.

Olhei para o tempo no aparelho de DVD. Eram só


depois das nove.

— Você entendeu? - Perguntou Indy.

— Sim, - eu disse.

— Dez horas, a janela do quarto. Vejo você, então.

— Claro, - eu disse.

Ela desligou, eu lancei o telefone e coloquei-o na mesa


de café.

— Tudo bem? - Perguntou Eddie.


— Sim, - eu menti, tentando não hiperventilar.

— Tem certeza? - Eddie estava em pé ao lado do sofá.

Eu olhei para cima e dei-lhe um, sorriso falso


brilhante.

— Claro que eu tenho certeza, - eu menti novamente.

Ele deu uma olhada para o meu rosto, suas


sobrancelhas uniram-se e eu estava certa de que ele ia me
dizer que eu estava cheia de merda de novo.

Eu precisava de um motivo para estar no quarto em


menos de uma hora.

Eu sempre fui uma boa menina, eu nunca tinha ficado


de castigo, eu nunca tive um motivo para ser furtiva. Eu não
estava fora de prática, eu nunca tinha tido prática.

Levantei-me e fiz o melhor que podia.

— Eu vou para a cama, - eu anunciei.

Eddie olhou para o quarto, depois de volta para mim,


então seus olhos se estreitaram sob as sobrancelhas
desenhadas.
— Boa noite, - eu disse, e caminhei por ele para o
quarto.

Eu puxei meu pijama da minha bolsa. Eles tinham um


elástico, camiseta com ilhós pêssego e leves calças com
cordão de algodão. Elas eram bonitas. Eu comprei para o
Natal do ano passado, mas quase nunca usava. Eu imaginei
que eles eram finos o suficiente, eu poderia colocar minhas
roupas em cima deles em um flash.

Eu estava focando meu pijama e praticando a


respiração profunda quando Eddie entrou e foi ao banheiro.

— Você não tem que vir para a cama, você pode


terminar de assistir ao jogo, - eu disse a ele, tornando a
caminhar por ele, mas ele agarrou meu pijama e jogou-os e
eles desembarcaram em minha bolsa.

Eu parei e assisti-os cair.

— Eu ia colocar aquilo, - eu disse.

Seus braços deslizaram em torno de mim, seu rosto


estava fechado e ele estava observando-me.

Prendi a respiração.

E ao final, ele disse: — Cama parece bom.


Droga.

Ele acompanhou-me para trás, com as mãos vindo


debaixo da minha camiseta e depois para cima e, em seguida,
desapareceu.

Hmm, isso não parece estar indo como planejado. Se


eu não pudesse sair fora na primeira parte dele, como eu iria
gerenciar a última? Eu joguei um tiro no escuro.

— Eddie, eu estou cansada. Exausta. Longas noites,


você sabe?

Ele tirou a sua camiseta e jogou-a na direção da


minha.

Respirei fundo. Ele tinha um grande peito, o que eu


poderia dizer?

— Não se preocupe, Chiquita, eu vou fazer todo o


trabalho. - Caramba!

Ele desabotoou o cinto de minha calça e empurrou-me


de volta então eu caí na cama. Ele era gentil, mas também
era macho e eu senti meu coração começar a disparar
quando o meu corpo tremeu.
Suas mãos foram para seu cinto, ouvi o tilintar quando
veio desfeito e ele começou a trabalhar nos botões de sua
calça jeans. Eu rolei e comecei a rastejar sobre a cama.

— Eu mudei de ideia, eu acho que eu quero ver o fim


do jogo, - eu menti, começando a entrar em pânico.

— Espere aí, Chiquita, - disse ele e pegou minhas


pernas e puxou-me de volta, chicoteando-me para cima.
Então, antes que eu pudesse protestar, ele estava em mim,
sua boca na minha e Ally, Indy, Daisy e os nossos planos
para a noite voaram para fora da minha cabeça.

Ele abriu o zíper do meu jeans, ainda me beijando e


sua mão foi para dentro, entre as minhas pernas. Eu
pressionei contra ele e deslizei minhas mãos em seu jeans na
parte de trás, segurando em sua bunda de classe mundial.
Ele tinha o melhor traseiro, ou, pelo menos, o melhor que eu
já tive.

Seus dedos empurraram mais profundo, eu rebolava


contra sua mão, respirando pesado contra sua boca e, de
repente, seu dedo deslizou dentro de mim.

O oxigênio começou a queimar em meus pulmões.

— Querido Senhor, - eu respirei, os meus lábios contra


os dele.
— Você quer me dizer o que está acontecendo hoje à
noite? - Ele perguntou.

Meus olhos estavam fechados. Em sua pergunta, eles


se abriram e eu olhei para ele. Estavam líquidos, mas eles
estavam determinados e eu sabia que ele iria descobrir.

Merda e maldito.

Eu disse a verdade.

— Não.

Seu dedo moveu-se. Era bom.

Mordi o lábio.

— Eu preciso algemá-la na cama? - Ele perguntou.

— Não, - eu sussurrei, embora ele provavelmente faria.

Seu dedo moveu-se para fora e depois para dentro. Isso


era tão bom que estava fora das escalas de agradável.

— Você e Indy planejam fazer algo estúpido? - Eu


pressionei meu rosto em seu pescoço e toquei minha língua
lá, parcialmente para ganhar tempo, mas principalmente
porque eu queria.

Eu fui com a honestidade, eu estava muito ligada para


tentar qualquer outra coisa.

— Talvez, - eu disse.

Seu dedo foi embora, mas só para ir e fazer um


redemoinho em algum lugar melhor.

— Eu vou ser capaz de falar com você sobre isso? – Ele


questionou.

Uma das minhas mãos foi de sua bunda para sua


virilha. Ele estava duro. Tomei isso como um sinal promissor.

— Provavelmente não.

A promessa não deu certo, ele puxou seus quadris e


sua mão de mim e ele começou a se afastar.

Hum, não.

Não, não e, definitivamente, não.

Eu rolei com ele, empurrei-o de volta a seus ombros e


fiquei em cima, montando ele. Ele esfaqueou-se e quase me
deslocou, mas eu segurei firme. Ele estava sentado na beira
da cama e eu estava sentada montada em seu colo. Eu olhei
para ele e eu poderia dizer que ele estava chateado.

Senti meu coração apertar.

Eu sabia que tinha que fazer algo sobre sua ira, não só
porque precisava que Eddie terminasse o que ele começou,
mas também porque realmente não gosto da ideia de que ele
estivesse com raiva de mim.

Eu não sabia o que fazer, então eu decidi apenas pedir.

— Eu tenho que fazer isso, e eu quero que você


entenda, - eu sussurrei. — Por favor, não fique com raiva de
mim.

Então eu fui para quebrada, coloquei minhas mãos em


ambos os lados de seu rosto, inclinei a cabeça e beijei-o. Eu
acho que foi a primeira vez que eu o beijei, sem que seja no
calor da paixão (bem, tudo bem, não havia calor), mas mais
simplesmente beijei-o.

O beijo foi uma boa ideia.

Depois de um segundo, os braços vieram em torno de


mim, uma mão foi para o meu jeans na minha bunda, a
outra soltou meu sutiã. Ele deslizou para fora dos meus
ombros, pressionando no meio das minhas costas, rompeu
com meu beijo e pegou meu mamilo na boca.

Foi tão bom, minhas costas arqueadas e os meus dedos


deslizaram em seu cabelo.

Ele segurou meu outro seio e inclinou a cabeça para


trás para olhar para mim.

— Quanto tempo nós temos?

Seus olhos não estavam mais chateados e eu sorri para


ele.

Porque eu estava feliz, porque ele era um cara bom e


porque eu estava indo obter algum.

— Ally deve bater à porta as dez, então eu tenho que


sair pela janela.

Ele balançou a cabeça com nossa estupidez, virou-me


de costas, puxou meu jeans pelas minhas pernas e jogou-o de
lado.

Eu senti vontade de pular de alegria, mas isso exigiria


levantar-me e não havia nenhuma maneira que eu ia fazer
isso.
— Quando eu terminar com você, você pode chamar
Indy e dizer-lhe para vir para a porta da frente com Ally.

Para mostrar o meu apreço, eu corri minha língua até


sua mandíbula e no seu ouvido eu disse: — Obrigada Eddie.

— Tenho certeza que você pode encontrar formas mais


criativas para demonstrar sua gratidão.

Caro Deus.

Eu empurrei com o pé e ele rolou de costas.

Meu cabelo caiu ao nosso redor quando eu levantei


minha cabeça.

— Eu posso fazer isso, - eu disse a ele e estava certa de


que poderia, ou, pelo menos, poderia tentar.

Eu comecei a trabalhar o meu caminho até seu peito.

— É melhor você estar aqui na parte da manhã, - disse


ele quando minha boca estava em seu abdômen. Corri minha
língua ao longo do cós da calça jeans, e ele passou a mão pelo
meu cabelo.

— Eu vou fazer o café, - eu prometi.


— Eu não dou a mínima para o café, eu estou
pensando sobre o chuveiro.
Capitulo 18

Pôquer e Armas de Choque.

Nós nos arrumamos na Ally e na chegada descobri que


Indy recrutou Tod e Stevie para a parte de se vestir para a
noite.

Eu entrei pela porta da frente e sem dizer uma palavra


de saudação, Tod olhou-me de cima a baixo e disse: — Eu
tenho apenas a coisa.

Então ele vasculhou um monte de vestidos, jogando


sapatos de lado e mexendo em casacos de penas e, em
seguida, ele jogou o que parecia ser uma amostra de material
azul marinho para mim. Peguei-o e sacudi o vestido. Ele era
pequeno, com elástico, tinha alças finas e era costurado com
pequenos discos de plástico azuis.

— Sapatos! - Tod gritou, estalando os dedos para Stevie


que deu a Tod um olhar que tinha que estar na disputa para
‘A Encarada de Todos os Tempos’, tal era a sua
magnificência. Ele estava jogando ‘A Encarada’, Stevie
avançou com sapatos correspondentes e que tinham um salto
de lápis fino, um dedo do pé assustador em pontas e uma
fileira dos mesmos discos de plástico azuis que estavam no
vestido foram costurados em todo o dedo do pé.

— Tod encontrou os sapatos em primeiro lugar, em


seguida, ele fez o vestido, - Stevie disse-me.

— Eu não posso usar este vestido, - eu sussurrei para


Stevie. — Foi feito para uma criança pequena.

— É elástico, - Stevie sussurrou de volta.

— Vai ter que ser, - eu disse a ele.

Era, ele cobriu tudo que supostamente tem que cobrir


(por pouco) e até descia para o meio da coxa (se eu puxasse
com força suficiente).

Tod fez minha maquiagem em um nível e meio abaixo


do de uma drag completa e Daisy fez meu cabelo da única
forma que ela sabia como. Quando eu olhei para mim mesmo,
eu tinha quatro vezes mais de cabelo que eu normalmente
tinha. Eu não me parecia comigo, eu parecia um colírio para
os olhos em um vídeo de rock dos anos 80.

— Como você fez isso com o meu cabelo? - Eu


perguntei à Daisy.

— Mágica, Doçura, - ela respondeu.


Ally e Indy estavam na mesma situação. Indy estava em
um vestido verde de Lycra com um decote que dava mais do
que um toque de pele (muito mais). Ally estava usando o seu
próprio vestido de malha vermelho, com um pescoço de
tartaruga, mas sem mangas, uma lágrima cortada no seu
decote e era tão curto, ela não seria capaz de curvar-se, com
medo de uma lua inadvertida.

— Meus bebês! Estou muito orgulhoso. Vocês se


parecem com os Burgundy-ettes, - disse Tod, jogando os
braços para nos envolver todas e, em seguida, abraçando-
nos, por sua vez. O nome dele de drag era Burgundy Rose e
ele parecia em perigo de propor um show na estrada.

— É melhor ir andando, - disse Indy rapidamente antes


que Tod produzisse um CD da Tina Turner e nos fizesse
praticar fazendo reserva para ‘Proud Mary’.

Stevie parou à porta.

— Tudo certo meninas. - Ele distribuiu as bolsas.

— Eu já verifiquei, armas de choque e tasers estão


carregados, sprays de pimenta estão prontamente
disponíveis. Arrasem!

Querido Deus.
Eu peguei a minha bolsa e dei em Stevie um beijo na
bochecha e fui para o Mustang. Nós quase não poderíamos
caber com os nossos cabelos dentro do carro, mas felizmente
estávamos vestindo menos roupas, por isso ficou equilibrado.

— Jet? - Perguntou Indy, girando no banco do


passageiro da frente para olhar para mim quando Ally
começou a ir à direção que Daisy deu.

— Sim?

— O que você quer dizer sobre o uniforme do Smithie


ter um poder estranho sobre os homens?

Dei de ombros, então eu percebi que o meu cabelo


escondia os meus ombros.

— Você ouviu Vance, - eu disse como explicação.

Ela se manteve virada e eu podia sentir seu olhar no


escuro.

— Na festa de Blanca, você disse a Eddie que estava


fora de seu alcance. Sobre o que é tudo isso? - Ally perguntou
do banco do motorista.

Daisy estava sentada ao meu lado e ouvi o tecido do


vestido (azul gelo, colante, ultra mini saia com um decote em
V, que mostrava a maior parte de seu corpo) sentada contra
seu assento, quando ela olhou para mim.

— Você acha isso, Doçura?

— Bem, - eu disse, sentindo-me desconfortável, ‘sim’.


Daisy soltou uma gargalhada.

Olhei na direção do seu cabelo.

— Ele é uma gracinha, isso é certo, mas não se engane,


vocês dois ficam muito bem juntos. Fenomenal. Ele é muito
alto, moreno e bonito e você é toda loira, doce e bonita. A
combinação perfeita. Compreende?

Eu olhei para fora da janela.

— É só porque vocês todos gostam de mim, - eu


murmurei.

Eu não estava dizendo isso para pescar elogios, na


verdade, eu não queria estar no assunto de maneira alguma.

A mão de Daisy levou a minha em um aperto.

— Doçura, é verdade, eu gosto de você, mas não há


nenhuma maneira que eu ia levar uma amiga minha em um
mundo de dor, se ela se visse presa com algum idiota com a
cabeça enfiada na bunda. - Rapaz, Daisy não media suas
palavras.

— Você é linda, - Indy jogou dentro.

— Por favor, não vamos falar sobre isso, - eu disse.

— Eddie pensa que você é, - Indy ignorou-me.

— Eddie quer me resgatar, - eu expliquei.

Daisy emitiu uma risada estridente.

— Eddie quer muito mais do que isso. Ninguém compra


uma cafeteira com uma mulher que ele quer resgatar. De jeito
nenhum, não mesmo. Ele compra uma cafeteira com uma
mulher que ele quer foder. Muito. E por um bom tempo, e eu
não quero dizer o foder. Eu só quero dizer o tempo.
Compreende? - Disse Daisy.

Querido Deus.

Como eu poderia não ‘compreender’?

— Vance acha que você é quente, - Indy colocou


dentro.
— Vance tinha me visto em meu uniforme de Smithie, -
eu disse.

— Hank não viu você no uniforme do Smithie e ele


acha que você é quente, - disse Ally.

Meu queixo caiu e eu vi o cabelo de Indy virar-se para


Ally.

— Ele disse isso? - Disse Indy.

— Ouvi ele falando com Lee, - disse Ally.

— Caramba, - eu disse, em um estado de tipo, choque


total. — Sério?

— É, hum, eu não entendo. Você não se olha no


espelho? - Perguntou Ally.

— Isso é o que minha irmã diz. - Eu disse a ela.

— Doçura, eu espero que você não se importe que eu


esteja dizendo, seu pai lhe deixou porque é um idiota, não
porque você não é tudo isso, porque eu estou aqui para dizer
que você é. Smithie não teria uma garota trabalhando para
ele que não fosse tudo isso, e essa é a verdade de Deus, -
declarou Daisy.
Isto era verdade. Toda garota que trabalhava no
Smithie era quente. Era uma exigência de trabalho.

— Eu pensei que Smithie sentia pena de mim por


causa da mamãe. - Daisy soltou a minha mão e fez um
barulho bufando com o nariz.

— Smithie iria dar-lhe cinquenta dólares e diria para


você dar uma caminhada. Ele não iria colocá-la em saltos e
uma roupa acanhada e ter você caminhando ao redor de seu
bar. A questão é que todas as suas meninas têm que dar aos
caras ereções e fazê-los querer ficar mais tempo, pedir
drinques e aproveitar o show. Ele não vai fazer nenhum
dinheiro se ele tiver alguma cadela sem graça andando ao
redor.

Eu vi o cabelo de Indy acenar.

Assim, tudo isto fazia sentido para mim, mas ainda me


deixou desconfortável.

— Ok. Podemos parar de falar sobre o quanto quente


eu sou e dar aos caras ereções? - Eu perguntei.

— Claro, Doçura. - Daisy cedeu, como se fosse tudo o


mesmo com ela.
— Vamos falar sobre o seu Eddie e suas ereções.
Conte, a promessa de que eu vi naqueles jeans é verdadeira?
Por favor, me diga que é. Seria tão decepcionante se ele
enfiasse uma meia lá ou algo assim.

Eu ri. Se Eddie usasse uma meia em sua virilha, iria


entrar na sala antes que ele.

— Ele não usa uma meia e ele é tão não decepcionante


que é meio assustador.

— Quanto assustador? - Perguntou Ally.

— Assustadoramente assustador, - eu respondi.

— Eu sempre quis saber se Eddie estava perto da


promessa de Eddie, porque a promessa de Eddie é seriamente
quente. - Disse Ally.

Eu pensei sobre Eddie. Pensei em mamãe encostada


em Eddie. Eu pensei sobre Eddie ficar tão bravo em meu
nome que ele bateu no Solteiro número um e lançou um
celular em um jarro de margarita. Pensei nas mãos e boca de
Eddie sobre mim. Eu pensei sobre Eddie movendo-se dentro
de mim. Eu pensei sobre Eddie no chuveiro. Pensei em ser
dobrada contra Eddie no sofá.
Eu suspirei, profundamente. Indy voltou em seu
assento. — Eu acho que isso disse o suficiente.

— Você tem isso certo, irmã, - Ally concordou.

Chegamos à mesa, que era um lugar que eu não


conhecia e em algum lugar que eu nunca queria ir
novamente. Eu só sabia que era na parte de trás de um bar
seriamente não moderno e em cima de umas escadas mal
iluminadas que não cheiravam bem. Daisy bateu em uma
porta fechada e quando o grandalhão abriu, ele não parecia
feliz em vê-la. Então, ele o escondeu e ficou todo sorridente.
— Daisy! – Ele disse.

— Tem um jogo acontecendo, Butch? - Ela perguntou.

— Claro Daisy, - disse Butch.

-Tem lugar para mim? - Ela perguntou.

— Sempre tem lugar para você, Daisy. - Então seus


olhos foram para Indy, Ally e eu, e eu me perguntava por que
ele terminou tudo o que ele disse com ‘Daisy’.
— Essas são apenas as minhas meninas, elas não vão
jogar, apenas assistir. - Ele arrastou os pés.

— Eu não tenho certeza sobre isso Daisy, - disse ele.

— Aonde eu vou, minhas meninas vão. - Ela empurrou


e eu tinha que admirá-la mesmo que ela assustasse tudo fora
de mim.

Ele era duas vezes o seu tamanho, o que era muito


mais alto que todas nós. Eu não sabia sobre empurrar em
uma sala onde eu não era desejada, mas Daisy estava dentro
e eu nós não tínhamos escolha além de segui-la.

Nós todas caminhamos (neste ponto como as meninas


da Daisy) e a doce e risonha como a Sininho Daisy
desapareceu. Esta era uma Séria ‘Chuta Bundas’ Daisy.

— Meninos, - disse ela, olhando a mesa.

Os homens na mesa olharam para ela.

Em seguida, eles olharam para nós.

Eles não estavam felizes.

Não era exatamente Brad Pitt ensinando como jogar


pôquer em Onze Homens. Era sujo, cheio de fumo, cheirava a
suor e eu não gosto da ideia de meu pai sair em tais lugares,
noite após noite. O pensamento era simplesmente triste.

Eles terminaram o seu jogo, encontraram uma cadeira


e Daisy sentou-se; Butch dando suas fichas quando ela lhe
deu um rolo de dinheiro. Meus olhos saltaram quando vi o
rolo de dinheiro, mas ela virou-se para mim e eu vi sua
mudança de cabelo em um ‘não’ e eu simplesmente parei a
mim mesma de dar um gritinho.

Indy, Ally e eu ficamos quietas e a vários metros de


distância da mesa. Ninguém falou, foi tudo sobre as cartas.
Daisy dobrou para sua primeira mão. Ela foi batida em um
blefe na sua segunda mão.

Ela ganhou uma enorme quantia em sua terceira.

Enquanto eles estavam lidando com a quarta, ela falou


para o homem ao seu lado.

— Onde está o Ray hoje à noite? - Ela perguntou, como


se meu papai fosse um convidado frequente em jantares.

— Não sei, - ele murmurou, sem olhar para ela.

— Marcus está procurando por ele, - disse ela, e o cara


se encolheu.
— Pensei que ele tinha tomado conta de sua coisa com
o Marcus, - disse o outro cara.

— Esta é uma coisa nova, - Daisy respondeu.

— Ray é um merda estúpido, - disse um homem


diferente.

Agora, eu poderia ter ficado brava com meu pai, mas


eu não gostava de ouvir alguém lhe chamando de um merda
estúpido. Eu fiquei tensa, visualizando a minha arma de
choque na minha mão e Daisy, no modo mãe ursa, deslizou
os olhos para mim e seu cabelo fez outro balanço de cabeça
negativo.

Daisy voltou para mudo Foda dos meninos: — Você


sabe onde ele está hoje?

— Se ele fosse esperto, ele estaria na Argentina. Uma


vez que ele não é, ele deve estar sentado uma mesa em algum
lugar. - Seus olhos encontraram os de Daisy.

— E não, eu não sei onde.

Daisy dobrou na próxima mão e perdeu uma enorme


quantia (e eu acho que foi de propósito) na próxima. Então,
ela levantou-se, fez um sinal para nós e acompanhamos
Butch. Saímos da sala e nenhuma de nós disse adeus. Eles
não ligavam que fôssemos mal-educadas.

Nós caminhamos até o bar abaixo, pedimos bebidas e


ficamos ali tentando ignorar os olhares que estávamos
recebendo.

— Posso apenas dizer, você é foda, - disse Ally para


Daisy.

Indy e eu assentimos.

A Sininho Sorridente Daisy estava de volta.

— Obrigada, Doçura, - ela riu.

— Você perdeu a última mão de propósito? - Perguntei.

Ela assentiu: — Não era uma boa forma de sair uma


grande vencedora, não se eu não quiser criar problemas para
o meu Marcus. - Eu tinha que admitir, era verdade, ela foi
foda. Ela sabia de tudo.

— Nós ainda não sabemos onde o pai do Jet está, -


Indy apontou.

Ok, talvez não tudo.


Daisy bateu para trás suas vodcas.

— Nós ainda não terminamos, também.

Marchamos para o Mustang e Daisy deu à Ally mais


direções. Nós batemos em um bar em Colfax, profundamente
em Colfax, em uma zona que eu nunca tinha estado antes.

Entramos e eu notei que tinha a maioria de uma


mistura de raças reversa, alguns rostos brancos,
predominantemente negros.

Independentemente do fato de que nós não éramos as


únicas pessoas brancas lá, nós éramos as únicas pessoas
brancas lá vestindo lycra colante e spray de cabelo suficiente
para suprir as Cheerleaders do Denver Broncos para uma
temporada inteira. Isso causou um pouco de uma sensação e
eu senti essa sensação levantando os cabelos na parte de trás
do meu pescoço.

Daisy caminhou através do bar como se ela fosse dona


do conjunto, desceu um corredor no fundo e bateu em uma
porta fechada.

Uma enorme mulher negra, com um afro ainda maior


do que o cabelo de Daisy (desnecessário dizer, que era
enorme), abriu a porta, com o rosto como uma nuvem de
tempestade. Puxei a minha respiração e a minha bolsa mais
perto, melhor para alcançar o meu spray de pimenta. Então a
nuvem apurada e rosto da mulher abriu um sorriso
brilhante.

— Menina Daisy, - ela disse, e entrou no corredor


conosco, fechando a porta e envolvendo Daisy em um grande
abraço.

— Shirleen. Como vão os truques? - Daisy perguntou


quando Shirleen soltou-a.

— Merda, eles são sempre uma merda. Você sabe


disso, - disse Shirleen, o sorriso nunca deixando seu rosto, o
que eu pensei que era estranho considerando que ‘truques’
estavam uma merda.

— Deixe-me apresentar as minhas meninas, - disse


Daisy e fez as apresentações.

— Oowee! Parece que vocês todas estão pintando a


cidade de rosa demais! - Shirleen declarou e olhou-nos todas
mais com aprovação nos olhos castanhos. Eu tive a sensação
que Shirleen tinha os óculos cor de rosa de Ada nela ou ela
foi prematuramente ofuscada.

— Só assim uma cidade deveria ser, - disse Ally.


— Você entendeu isso direito, irmã, - observou Shirleen
e nós todas sorrimos.

Daisy foi direto ao assunto.

— Nós estamos procurando por Ray McAlister. Ele está


aí?

— Ray? Não vi Ray tem uns dois dias. Ele tem um


problema, você sabe o que quero dizer? - Shirleen respondeu.

O cabelo de Daisy balançou a cabeça, assim como o


meu, de Ally e Indy. Nós sabíamos o que ela queria dizer.

— Esta é a sua menina. - Ela apontou para mim.

— Merda! - Shirleen gritou e seus olhos se voltaram


para mim, grande, brilhantes e felizes. — Eu queria conhecê-
la. Todo mundo está falando sobre você. Ouvi dizer da
joelhada que você deu no Fratelli, nas bolas, no lugar que
vende pão. Eu queria ter estado lá. Você poderia ter vendido
ingressos para isso.

— Foi uma espécie de impulso, coisa de momento. Ele


chamou meu namorado de cucaracha, - eu expliquei.

Droga. Agora eu estava chamando Eddie de meu


namorado.
O sorriso de Shirleen desapareceu e seus olhos se
estreitaram.

— Idiota fodido, - disse ela.

— Fratelli não é um grande fã dos irmãos também. -


Ela virou-se para Daisy.

— Marcus, agora, ele é um bom homem, respeita os


irmãos, já era tempo de cortar Fratelli.

O cabelo de Daisy balançou a cabeça novamente.

— Você vê Ray, você me chama, você faria isso


Shirleen? - Daisy perguntou.

— É isso aí. - Ela colocou a mão na maçaneta da porta.

— Tenho que voltar. Vá para o bar, diga que Shirleen


disse para lhe servir.

— Você é um pêssego, - disse Daisy.

Shirleen desapareceu atrás da porta. Fomos para o bar


e dissemos ao barman que Shirleen disse para nos servir. Ele
não discutiu ou usou uma mão pesada.
— E agora? - Perguntou Ally, bebericando sua Diet
Coke de Motorista Designado.

— Sei de outra mesa, mas não há nenhuma maneira


que me deixassem sentar e não há nenhuma maneira que eu
ia tentar. Marcus teria um acesso de raiva, - Daisy
respondeu.

Esta não era uma boa notícia. Isto significava que a


noite foi um fracasso.

Sem papai, sem controle da minha vida, não havia fim


para o meu pesadelo.

Toda vestida e nada para mostrar por isso.

Droga.

Olhei pela sala e, em seguida, congelei quando eu vi


Darius.

Ele me viu, ao mesmo tempo e fez uma tomada de olho,


uma varredura em Indy e Ally. Então, sem hesitar, a sua mão
foi para o bolso de trás de seus acolhedores jeans e ele puxou
o seu celular.

— Merda! - Eu assobiei, voltando-me para o bar.


— O quê? - Perguntou Indy.

— Darius está aqui, ele nos viu, ele está ligando para o
Eddie. - Eu olhei para ela. — Ou Lee.

Indy olhou através da sala, obviamente viu Darius e,


em seguida, virou-se.

— Merda, - ela sussurrou.

— Eu vou dizer oi, - disse Ally.

Indy agarrou.

— Não diga oi! Estamos no Domínio de Darius. Ele não


quer uma mulher branca em um vestido vermelho com seu
rabo de fora, andando até ele para dizer oi.

— Ele é Darius, - Ally voltou como se isso explicasse


tudo.

Algo, a saber, sobre Ally, aparentemente, ela não tinha


medo de nada.
Daisy estava olhando do outro lado do bar, negrito
como bronze, olhando diretamente para Darius.

— Vocês, meninas o conhecem? - Ela perguntou.


Nós assentimos.

Ela virou-se para nós, séria, Daisy firmemente no


lugar.

— Vocês não o conhecem agora.

Ally olhou para ela.

— Entendido, - disse Indy, puxando Ally e voltando


para o bar.

Felizmente, foi isso.

Nós engolimos a nossa vodca. Minha e a de Indy com o


suco de cranberry, a bebida de Daisy com gelo.

Tanto para a grande noite perigosa com as meninas.

— Ei, cadela!

Nós todas viramos para ver quem era a cadela.

Para minha surpresa, a cadela parecia ser Indy.

Uma pequena, mulher negra redonda com cachos que


invadiram o espaço da Indy.
— Lembra-se de mim?

Indy piscou para ela.

— Hum... - murmurou Indy.

A mulher olhou para mim.

— Ela não se lembra de mim, - disse ela.

Eu olhei.

Acho que eu estava errada sobre a grande e perigosa


noite com as meninas.

Voltou-se para Indy.

— Poucos meses atrás, você usou uma arma de choque


em mim.

Daisy, Ally e eu olhamos para Indy. O rosto de Indy


registrou reconhecimento.

— Uh-oh, - disse Ally.

— Uh-oh está certo vadia, - disse a mulher, não tirando


os olhos de Indy.
A força do poder negativo envolvendo-nos acima de um
entalhe.

— Quem você chamou de vadia? - Perguntou Ally, com


mão indo no quadril.

Ok, então nós tínhamos alcançado o marco zero de


uma grave situação Santa Merda.

A mulher mudou-se para o espaço de Ally.

— Estou chamando você de uma vadia.

Eu estava pensando que não era a resposta certa.

— Por que eu não pego uma bebida? - Eu coloquei,


tentando acalmar a situação Santa Merda.

— Não quero uma bebida, - ela respondeu, sem olhar


para mim.

— Não há ninguém me desrespeitando. Você ouve o


que eu estou dizendo? - Seus cachos estavam saltando ao
redor, enquanto ela estava balançando a cabeça e eu não
tomei isso como um bom sinal.

— Eu não sou a única que chegou cobrando por aqui,


se metendo na cara das pessoas. Isso é falta de respeito. Você
ouviu o que eu estou dizendo? - Ally piscou de volta, cabelo
balançando ao redor de sua cabeça e de alguma forma a
situação Santa Merda foi aumentando.

— Senhoras, - eu tentei cortar bem quando o punho da


mulher veio para frente em um soco.

Eu abaixei, ela perdeu-me e bateu em Daisy bem nos


olhos.

Eu levantei e olhei.

Daisy cambaleou um passo para trás em seu vestido de


strass, azul gelo, plataforma indo em frente.

Em seguida, ela firmou-se.

— Uh-oh, - Indy, Ally e eu dissemos em uníssono.

Então Daisy atacou.

Era justo dizer que nesse momento o caos seguiu-se.

Ally saltou sobre a pilha de braços e as pernas no chão,


que consistia de um emaranhado de Daisy e a senhora negra.

A amiga da senhora negra veio e empurrou Indy e elas


entraram em uma briga. Outras pessoas ou assistiam ou
pensavam que seria divertido participar e começaram a
empurrar e esmurrar o outro. Eu estava no meio de tudo,
abri minha bolsa, puxei a minha arma de choque e liguei-a.
Começou a estalar e a assobiar, o que eu percebi significava
que estava pronta para rolar.

Eu não estava errada.

Inclinei-me e toquei a senhora negra número um.

Ela soltou um grito e foi folgando a briga. Então eu


toquei para a senhora negra número dois, com o mesmo
resultado, exceto que ela estava de pé e ela bateu no chão
como um peso morto.

Eu olhei para a arma de choque, então olhei para Indy.

— Rock 'n' rol! - Indy gritou, colocando os braços para


cima, dedo indicador e mindinho estendido no famoso chifre
do diabo rock 'n' rol.

Desliguei a arma, empurrei-a na minha bolsa e eu


ajudei Daisy e Ally. Eu agarrei o braço de Indy, virei correndo,
arrastando Indy comigo.

Eu por acaso olhei para trás na briga crescente vendo


Ally acenando para Darius.
Ele estava sorrindo.

Entramos no Mustang e Ally saiu queimando borracha.

Estávamos um par de quilômetros de distância,


quando Indy disse: — Eu acho que rasguei o vestido de Tod,
ele vai ter uma crise de merda.

— Isso não é nada, Doçura, eu acho que eu poderei ter


um olho preto, e pior, eu quebrei uma unha. - Disse Daisy.

Houve um momento de silêncio.

— Isso foi justo, - disse Ally calmamente.

— Você entendeu isso direito, irmã. - Indy respondeu.

Deixamos Daisy primeiro, então Ally levou-me para o


Eddie. Nós ficamos ociosas no meio-fio, eu no banco da
frente, todas nós ficamos olhando para a casa de Eddie. As
luzes estavam acesas.

— Porra, merda, merda, - eu sussurrei.


Foi definitivamente um momento de muitas maldições
em palavras.

A luz do lado de fora ligou, a porta da frente abriu, em


seguida, a porta de segurança abriu. Eddie ficou dentro da
porta aberta vestindo jeans e uma camisa de flanela xadrez,
pés descalços, camisa desabotoada, peito e barriga
parcialmente exposto, cabelo uma bagunça sexy, rosto
ilegível.

— Santa merda, - Indy respirou do banco traseiro.

— Merda, merda, merda, - eu sussurrei.

Eu estava errada, este era um momento de muitos


palavrões.

— Eu não sei se sinto pena de você ou eu pego a pistola


e tomo o seu lugar, - disse Ally.

— Eu acho que ele vai me algemar a cama da próxima


vez, - eu disse.

— Lee tentou isso comigo, não funcionou, - Indy


ofereceu.

Hum... ops!
— Eu acho que é melhor subir de fininho,
companheira. Ele não parece como se fosse esperar muito
mais tempo e eu não tenho certeza que você quer saber o que
ele faz quando se cansa de esperar. - Eu saí do banco da
frente e Indy saiu da parte de trás e nosso cabelo foi forçado a
sair com a gente.

Abracei Indy.

— Obrigada, - eu disse em seu ouvido.

— Foi demais, - disse ela no meu.

Inclinei-me, o meu vestido subiu, eu puxei-o apenas


antes do desastre e acenei para Ally. Ela jogou-me um beijo.

Então eu subi até Eddie.

Ele ficou de lado e deixou-me entrar.

— Oi, - eu disse enquanto eu caminhava,


surpreendendo-me por soar legal, em vez de apavorada.

Seus olhos fizeram uma varredura por todo o corpo.


Então, lentamente, ele balançou a cabeça.

Ok, eu terminei com ser legal.


Eu fiz um caminho mais curto para o banheiro,
deixando ele para trancar a porta.

Lavei o rosto e passei uma escova no meu cabelo. Com


esforço passei de Louca Diva para As Panteras.

A casa estava escura quando eu abri a porta do


banheiro, uma luz fraca vinda do quarto.

Eddie estava na cama, ao seu lado, coberto até a


cintura, peito nu, a cabeça na mão, os olhos em mim, cara
ainda ilegível.

Ops!

Apaguei a luz, deslizei para fora os meus sapatos,


arranquei o vestido e entrei na camisola que ainda estava na
minha bolsa, mas eu deixei a calcinha para outro dia.

Eu arrastei-me para a cama e deitei de costas para ele.

Eddie não se mexeu.

— Obrigada por me deixar entrar, - eu disse para a


parede, tentando avaliar o seu estado de espírito.

Sem resposta.
— Boa noite, - eu tentei.

Ele se moveu, estabelecendo-se, obviamente, de costas,


não me tocando e não falando também.

Humm.

Havia alguns problemas com isso, primeiro; eu estava


bem acordada e dominada por uma onda de adrenalina séria,
adrenalina que precisava ser trabalhada de alguma forma (e
eu sabia como eu preferia que ela fosse trabalhada). Em
segundo lugar; eu estava em um pânico tímido para fazer
alguma coisa sobre isso, definitivamente, eu não era capaz de
fazer o primeiro movimento. E por último; eu estava certa de
que Eddie estava irritado, então mesmo que eu não fosse
muito tímida, ele claramente não estava no clima.

Em vez disso, eu mexia, eu me mudei, eu me virei e


tentei contar carneiros.

Eu estava arrumando meus travesseiros, pela terceira


vez, quando o braço de Eddie saiu e arrastou-me pela cama,
aconchegando-me em seu lado.

Finalmente.

— Animada? - Ele questionou.


— Hum... sim.

— Usar armas de choque em mulheres negras em


bares em Colfax faz isso com você.

Maravilha. Darius me dedurou.

— Darius, - eu disse.

Eddie não respondeu.

— Eu tentei ser uma mediadora, eu juro. Eu até me


ofereci para comprar-lhe uma bebida. Mas, aparentemente,
Indy usou uma arma de choque nela alguns meses atrás.
Então ela chamou Ally de vadia, e Ally não gostou. Então, ela
deu um soco no olho de Daisy. Então Daisy saltou sobre ela e
Ally saltou e elas começaram rolando ao redor no chão. Em
seguida, outra mulher empurrou Indy e.... - Eddie
interrompeu-me.

— Você pode parar de falar agora. - Fechei minha boca


e deitei lá por um segundo, pressionando contra seu corpo
quente, com força.

Então (eu juro, eu não poderia evitar, era a adrenalina,


e talvez um pouco de minha frieza recém-descoberta) passei a
mão em seu peito, em seu abdômen, em seguida, de volta
sobre seu peito e minha unha pode ter um pouco e
propositalmente arranhado seu mamilo.

Ele agarrou meu pulso e segurou a minha mão onde


estava.

— Você está cansado? - Eu sussurrei.

— Passa da uma da manhã, - respondeu ele, mas não


respondeu minha pergunta.

Eu pensei sobre isso e vim com uma solução.

— Eu vou fazer todo o trabalho, - eu disse calmamente.

Ele não respondeu e ele não se mexeu.

Droga. E finalmente, ele disse: — Por favor, me diga


que você não teve a chance de se curvar com esse vestido.

Eu fiz um replay mental da noite.


Eu não tinha.

Exceto quando eu me inclinei para usar a arma de


choque, é claro.

Eu não compartilhei isso com Eddie.


— Eu nem sequer sentei-me, somente quando eu
estava no Mustang. - Ele não disse nada.

Eu me contorci ao lado dele.

— Hum... - Eu arrastei-o para fora ‘sobre fazer todo o


trabalho’? - Ele puxou-me sobre seu corpo, suas mãos
deslizavam pela minha bunda, as costas das minhas coxas e
ficou em meus joelhos, erguendo-os para que eu ficasse
montada nele.

Minha boca encontrou a sua no escuro.

— Posso tomar isso como um sim? - Eu perguntei.

Ele não respondeu, mas ele tirou a minha camisola.

Eu estava achando que era um sim.

Fui com o meu palpite e eu estava certa.


Capitulo 19

Lottie

O alarme disparou, Eddie tocou o botão e saiu da


cama.

Eu deslizei as cobertas sobre a minha cabeça. Talvez,


se eu me escondesse, ele não se lembraria de que eu estava
lá.

Ele puxou as cobertas de cima de mim, pegou minha


mão e puxou-me para fora da cama.

— Você não ouviu o que eu disse sobre o botão de


soneca? - Eu perguntei quando ele me empurrou pela sala.

— É uma coisa boa você ser tão bonita, Chiquita,


porque na maior parte, você é uma dor na bunda.
Eu não tive que fazer o café. Eddie programou na noite
anterior e quando entrei na cozinha, a jarra estava cheia até
a borda; catorze copos inteiros de quente, café fresco. Céus.

Eu tive dois copos enquanto preparava-me e eu fiz um


para Eddie.

Eu derramei nas duas canecas térmicas para viagem,


nós nos carregamos para a picape e Eddie levou-me para a
Fortnum. Ele beijou-me, profundo, mas breve, enquanto
estávamos sentados na picape, na frente da loja. Ele estava
parado na calçada, observando enquanto eu caminhava para
dentro eu dei-lhe um aceno quando eu abri a porta e entrei.
Ele ergueu o queixo, deslizou seus óculos e decolou.

Então eu olhei atrás do balcão de café expresso. Duke e


Jane, mas Tex não estava.

Meu coração deslizou e parou.

— Onde está o Tex? - Eu perguntei.

O primeiro cliente veio atrás de mim.

— Não está aqui, - disse Duke.

— O que quer dizer, não está aqui? - Eu perguntei.


Duke olhou em volta.
— Quero dizer, não... aqui.

— Ele está sempre aqui, - eu disse.

— Bem, ele não está agora, - Duke respondeu.

— Foda-se! - Eu gritei e o cliente virou-se para olhar


para mim.

— Desculpe, — eu murmurei, colocando a minha


caneca de viagem no balcão e puxando o meu celular.

Eu liguei para o celular da mãe e caiu seu correio de


voz. Deixei uma mensagem.

— Ligue-me no momento em que receber isso. - Então


eu desliguei, procurei na minha agenda e liguei para o Tex.

Ele não tinha uma secretária eletrônica, então tocou


cerca de vinte vezes antes de eu desligar.

Então eu liguei novamente.

No sétimo toque, ele respondeu.

— O quê? — Sua explosão com a voz baixa.


— Tex? Onde você está? - Perguntei.

— Ressaca, - ele respondeu.

— Mamãe não atende o celular, onde ela está? Ela está


bem?

— Ela está bem.

Então ele desligou. Olhei para o telefone.

— Tex simplesmente desligou na minha cara, — disse a


Duke e Jane.

Eles só olharam para mim.

— Ele disse que está de ressaca, — eu disse a eles


quando o segundo cliente entrou.

— Talvez ele esteja, — Jane ofereceu.

Eu procurei na agenda o número de Eddie e apertei o


botão verde.

— Sim, — ele respondeu.

— Ei, sou eu, — eu disse.


— Sim?

— Jet, -— eu disse a ele, certificando-me de que ele


sabia com quem estava falando.

Silêncio por um instante, em seguida, ele disse: —


Chiquita, eu sei quem é.

Eu podia ouvir o sorriso em sua voz que fez o meu


corpo entrar em uma onda, mesmo que eu estivesse na borda
do modo pirando.

Eu ignorei a sensação.

— Nós temos uma crise, — eu disse.

Silêncio por outro segundo.

— Eu não a deixei a cerca de cinco minutos atrás?

— Sim.

— Como é que nós temos uma crise em cinco minutos?

— Tex não está no trabalho. Ele diz que está de


ressaca, — eu disse a ele.
— Então talvez ele esteja de ressaca, — Eddie
respondeu.

— Ele não pode estar de ressaca e proteger a mamãe!


Ele está faltando no trabalho. Mamãe tem que morar com a
gente. — Mais silêncio.

Então, — Sua mãe não está morando com a gente. —


Não havia sorriso em sua voz nesse comentário.

— Então nós temos que voltar para a minha casa.

— Da última vez que passei a noite na sua casa, sua


mãe bateu na porta quando minhas mãos estavam em suas
calças. Nós não estamos nos mudando para o seu
apartamento e sua mãe não está se mudando para a minha
casa.

— Eddie!

— Jet, o meu plano tem dois objetivos. Um deles é


manter você e sua mãe seguras. O segundo é para nós termos
um pouco de privacidade e tempo para poder conhecer um ao
outro. Sua mãe se muda, e o meu segundo objetivo é jogado
no lixo.

— Nós podemos conhecer um ao outro com a minha


mãe por perto.
— Não do jeito que eu quero que conheçamos um ao
outro. — Meu corpo formigou novamente e senti espasmos
em três lugares diferentes. Eu respirei e sacudi.

— Eu aposto que você apertaria o botão soneca se a


mamãe estivesse com a gente, — eu disse.

— Sim, mas aí nós não teremos tempo para um longo


banho.

— Querido Senhor.

Eu tinha que admitir, eu gostava dos banhos longos,


pelo menos, eu gostava dos banhos longos com Eddie.

Eu não disse isso a Eddie. Em vez disso, eu disse: —


Estou bastante certa de que eu não gosto de você.

Então ele disse: — Você é tão cheia de merda.

O sorriso estava de volta em sua voz.

Suspirei e desliguei meu telefone. O que mais eu


poderia fazer?
Indy chegou no meio da manhã.

— Como foi com Eddie? - Ela perguntou, quando ela


jogou a bolsa na gaveta trancada atrás do balcão.

— Darius me dedurou, — eu disse. Ela assentiu com a


cabeça.

— Ele me dedurou também.

— Como é que Lee levou? — Eu perguntei.

— Lee está acostumado comigo fazendo merda. O que


eu quero saber é como foi que Eddie levou?

— Ele não gostou, mas ele superou isso.

Por alguma razão, isso me fez feliz e eu sorri para ela.

Ela sorriu de volta.

Meia hora mais tarde, Vance entrou com mais um dos


meninos de Lee, um cara chamado Mace. Mace não aparecia
muitas vezes. De acordo com a Indy, ele era mais uma pessoa
da noite. Mace tinha que ter um metro e oitenta e cinco
centímetros de altura, esse era o pré-requisito da Nightingale
Investigações, cabelo preto, olhos de jade e uma mandíbula
tão quadrada, que poderia ser usada na aula de matemática.

Indy relatou que Mace tinha um pouco de ascendência


do nativo havaiano nele e era supostamente um surfista top
de linha. Isso não era surpreendente. Mesmo para um cara
grande, Mace tinha a graça de um atleta de alto nível, que
sabia como usar seu corpo. Desistiu de surf quando
descobriu snowboarding. Em seguida, ele perdeu o zen
boarder quando alguma merda aconteceu com a sua irmã e
ele desistiu desse jogo para lazer em seu tempo livre. Agora,
que seu tempo não é tão livre, ele caçava pessoas para Lee e
rachava cabeças quando estava no clima (que era muito).

Indy não sabia que merda aconteceu com a sua irmã, a


não ser que realmente não foi bom, e colocou Mace de mau
humor perpétuo.

Só mais uma coisa, Mace era quente. Os caras de Lee


eram quentes, de uma forma ou de outra, mas Mace era um
pouco diferente. Mace era um quente chocante.

Dez minutos depois que Mace e Vance resolveram ir


para a confortável área de sentar com seus cafés, Lee e outro
de seus rapazes, Matt, entrou.
— Reunião, — Duke murmurou, olhando para os
meninos e Indy, Jane e eu vimos quando Matt foi sentar-se
com Vance e Mace, e Lee aproximou-se e pediu café.

Às vezes, Lee realizava reuniões na Fortnum. Eu não


sei por que, eu não perguntei e quando o fizeram, eu evitei.

A importância da reunião ampliou quando Hank


chegou e nem sequer se incomodou em comprar um café.
Hank era um policial, e não um dos garotos, e sua presença
tornou as coisas um pouco mais oficiais.

Ele também colocou o quociente gostosura da área de


estar da Fortnum em níveis desconhecidos.

— Caramba, — disse Indy.

Ela poderia dizer isso de novo, mas apenas em um bom


caminho.

O sino tocou em cima da porta e olhei para cima.

Tex entrou empurrando mamãe com ele.

— Oi meu bebê, — mamãe cumprimentou.


— Eu não estou falando com você, — eu respondi alto o
suficiente para que a Tripulação Quente acalmasse e olhasse
para mim. Eu ignorei.

— E especialmente não você, — eu disse a Tex.

— O que eu fiz? — Perguntou mamãe, com os olhos


redondos.

— Não me dê nenhuma merda, Loopy Loo, — Tex


explodiu, mas em silêncio (não me pergunte como, mas ele
conseguiu isso), — Eu não estou com humor.

— Você deixou a minha mãe bêbada! — Eu gritei, com


a mão no quadril (de onde eu estava tirando este negócio de
mão no quadril eu não sabia, mas eu estava gostando). Tex
estremeceu.

— Pare de gritar.

— Eu não estou gritando! - Eu gritei.

Eles fizeram isso para mim. Mamãe pegou minha mão,


ignorou o meu desabafo e disse: — Tex vai ensinar-me como
fazer expressos, cappuccinos, café com leite, tudo. Ele diz que
há pelo menos uma dúzia de sabores de xarope, mesmo
queimando os grãos! Não é mesmo, Tex? — Seus olhos
estavam brilhando.
Santo Deus.

— É isso mesmo, Nance, — Tex respondeu e virou para


a mãe em torno de onde eu estava no meio da parte da frente
da loja e levou-a para atrás do balcão de café expresso.

— Nance? — Eu perguntei, virando-me em um meio


círculo e seguindo o seu progresso.

Mamãe jogou-me um sorriso brilhante.

Tex olhou bravo.

— Você não tem nada para fazer? — Ele questionou.

Eu abri minha boca para dizer alguma coisa. Eu não


sei o quê, mas ia ser alguma coisa, o sino sobre a porta tocou
novamente. Olhei naquela direção e Smithie estava entrando.

Meu brilho transferiu-se para Smithie.

— Eu não estou falando com você! — Eu gritei.

— Silêncio, cadela. Qual é o seu problema? — Smithie


revidou.

— Você me despediu! — Eu gritei. Suas mãos foram


para fora em seus lados.
— Eu não a demiti. Acabei de colocá-la em uma porra
de férias não remuneradas.

— Sim, você me despediu! — Eu bati de volta.

— Eu estou achando pela sua atitude que você não


resolveu a sua merda ainda. — Disse Smithie.

— Não, eu não arrumei. Eu estou trabalhando nisso,


ok?

Ele se aproximou de mim e entregou-me um envelope.

— Suas gorjetas de sábado.

O vento saiu de minhas velas. Era uma coisa boa de


fazer, ir todo o caminho até a Fortnum para me dar as
minhas gorjetas.

Peguei-as.

— Obrigada, — eu murmurei.

— Há um extra lá das meninas e dos seguranças. Eles


fizeram uma arrecadação, sabiam que precisava disso, —
disse ele.
Droga.

Confie na minha sorte, depois de 28 anos, para


encontrar a minha atitude e lançá-la em torno das pessoas
estavam fazendo algo de bom para mim.

Senti as lágrimas subindo pela parte de trás da minha


garganta e eu as engoli.

— Eu não sei o que dizer, — eu murmurei, enquanto


eu empurrei o envelope no bolso de trás.

— Talvez ‘obrigada’? — Mamãe saiu de trás do balcão


de café expresso, novamente, usando ‘A voz’.

— Sim, você pensaria que eu não lhe dei educação, —


ela disse ao Tex.

— Esta é a sua mãe? — Perguntou Smithie.

Eu não tive a chance de responder quando o sino tocou


por cima da porta.

Eu virei-me e vi minha irmã, Lottie, ali em pé.

Ela estava usando um justíssimo jeans preto e um top


preto com os círculos da Audi sobre seus seios.
Ela tinha um bronzeado estonteante e seu cabelo loiro
estava debatendo em torno de sua cabeça com um monte de
fios soltos projetados para parecerem sexys e bagunçados.
Funcionou.

— Eiiii, — eu gritei, emocionada por vê-la, esquecendo-


me de todos; Tex, Duke, Smithie, Jane, Indy, mamãe e do
Comando Wild Bunch. Eu corri e joguei-me para ela.

Lottie gritou muito e nos abraçamos, balançando uma


à outra trás e rindo alto.

A mãe veio na cadeira de rodas para cima e se puxou


para fora de sua cadeira para o seu próprio abraço em Lottie.
Lottie ajudou-a a sentar-se, em seguida, virou-se e atirou um
gigante sorriso para mim.

— O que está fazendo aqui? — Eu perguntei, ainda


sorrindo.

— Recebi uma ligação de Lavonne, em seguida, de


Trixie, então de Lavonne novamente e por último de mamãe,
— disse Lottie.

Meu sorriso morreu e, com ele, a minha emoção ao ver


Lottie.

— O que elas disseram? — Perguntei.


O sorriso de Lottie também morreu. — Elas disseram-
me o que está acontecendo.

Maravilha. Minha mão voltou para o meu quadril.

— Elas não deveriam ter feito isso. — Sua mão foi para
seu quadril.

— Por que não? Não, espere, por que você não me


disse? — Ela perguntou.

— Eu estava lidando com isso. - Ela empurrou meu


ombro.

Meu corpo inteiro congelou.

— Você não estava lidando com isso, você é uma cadela


louca, — disse ela.

— Isso é o que eu estou dizendo, — Smithie falou.

Lottie nem sabia quem ele era e ela assentiu para ele.
Eu puxei a ‘ameaça de Diva dupla’ e coloquei minhas mãos
em meus quadris.

— Eu estou lidando com isso.


Ela empurrou meu ombro novamente.

— Não me empurre. — Eu bati, empurrando-a para


trás.

— Meninas, — Mamãe avisou.

Como tínhamos feito por toda a nossa vida, nós a


ignoramos.

— Você é louca, — Lottie me disse.

— Toda essa merda acontecendo com o papai e você,


trabalhando em clube de strip! — Enfiei-a novamente.

— Não há nada de errado em trabalhar em um clube de


strip, — disse eu.

— Não, você está certa, não há nada de errado em


trabalhar em um clube de strip, exceto você trabalhando num
clube de strip. Você não é o tipo de garota que trabalha em
um clube de strip.

Ela empurrou-me e depois ela puxou meu cabelo.

— O que isso quer dizer? E você não puxa o meu


cabelo, — Eu arranquei dela de volta.
— Meninas. — Mamãe repetiu, percebendo a partir de
tempo de experiência que o puxão de cabelo era uma
significativa escalada nas hostilidades.

— Eu vou puxar seu cabelo, se eu quiser puxar o seu


cabelo! — Ela puxou-o novamente e eu a empurrei. Ela
ignorou meu empurrão e continuou falando: — Sempre
levando tudo em seus ombros, não ligando, não me dizendo
que você precisava de dinheiro, tendo dois empregos. Você é
uma idiota.

— Eu não sou uma idiota! — Eu gritei.

— Você é deveria ter me chamado, — ela gritou de


volta.

— Eu não queria preocupá-la. Eu queria que você


vivesse a sua vida, — disse a ela.

— Você e a mamãe são a minha vida, estúpida. —


Então ela empurrou-me de novo. — Eu estou voltando para
Denver. — Enfiei os dois ombros.

— Não está! — Eu gritei.

Ela agarrou meu cabelo, puxou e não deixou ir.


— Eu estou sim, — ela gritou. Depois fomos para
baixo, principalmente puxando o cabelo uma da outra e
gritando: — Vamos lá! -— Mas também rolando ao redor, ela
mordeu meu ombro e eu dei uma cotovelada nas costelas.
Não era nada que não tivesse feito antes, no entanto, a última
vez que eu fiz isso estava no colegial.

De repente, nós estávamos encharcadas. Nós


congelamos e olhamos para cima e minha mãe estava
segurando uma jarra de plástico vazia.

Então, olhamos para nós mesmos. Estávamos


molhadas.

Lottie estava tudo bem; ela já estava vestindo uma


blusa preta colante. Embora seu rímel estivesse escorrendo
por suas bochechas.

Eu estava usando uma camiseta branca, de mangas


compridas, que ficava transparente com água. Eu também
estava usando meu sutiã de renda, você poderia vê-lo, mas
graças a Deus ele estava segurando e não expondo todo o
show.

— Minhas duas meninas, rolando ao redor no chão de


uma cafeteria. Valha-me Deus, levantem-se. — Mamãe
quebrou, em pé e utilizando a ‘ameaça de Diva’
representando muito melhor do que eu poderia fazê-lo,
mesmo com um braço.

Levantamo-nos.

Virei-me para Lottie.

— Tem certeza em se mudar para Denver? —


Perguntei.

— Sim, — ela respondeu.

— Mas você ama Los Angeles, — eu disse.

— Johnny e eu nos separamos. Los Angeles sem


Johnny é uma merda e eu sinto falta das montanhas. Eu
estou voltando para casa.

Ela sorriu para mim.

Ela não sentia falta das montanhas, ela sentia falta de


sua família.

Eu sorri de volta.

Eu tinha que admitir, seria bom ter Lottie em casa.


— Você quer trabalho? — Smithie, de repente, estava
lá.

Querido Deus.

Eu executei as apresentações, encharcada e não dando


a mínima. — Smithie meu chefe no clube de strip. Smithie,
esta é a minha irmã, Lottie.

— Eu sei quem diabos ela é. Ela é Lottie Mac, Rainha


do Calendário Corvette, — disse ele para mim e virou-se para
Lottie.

— Você dança no meu clube, e eu vou dar-lhe uma


marquise foda. Eu vou dar-lhe um refletor. Eu vou limpar o
palco para as suas danças. Eu vou ter que comprar uma
corda de veludo da porra e contratar novos seguranças.
Silêncio, você vai dirigir um Porsche em uma semana. - Lottie
olhou para ele.

— Isso funciona para mim, — disse ela, como se fosse


isso.

— O quê? — Eu gritei.

Smithie virou para mim.


— Você faz um ato de irmã, eu vou levar você para fora
das férias não planejadas e porra, colocá-la em minha estreia.

— Eu não estou dançando um poste, — eu gritei.

— Tudo certo, acalme-se. Foda-se, — disse Smithie.

Foi então que eu senti algo desagradável, mas não


deslizei em um pouco assustador em toda a minha pele e eu
olhei para cima para ver a turma de gatos todos de pé,
assistindo tudo e o último deles piscando um sorriso.

— O que você está olhando? — Eu bati, não a qualquer


um deles em particular, mas em sua direção geral.

Não me pergunte por que eu não corri e me escondi nos


livros, eu só não o fiz. Eu acho que eu não era mais eu.

— Baby, você acabou de me fazer um regular, — disse


Mace.

Eu olhei e seu sorrisinho se aprofundou em um sorriso.


Eu nunca tinha visto Mace sorrir, eu nunca vi Mace sorrindo,
e eu senti meus mamilos irem duros.

Lottie, então percebeu os meninos e sua boca ficou


aberta.
— Bom Cristo, — ela sussurrou.

— Não se preocupe com eles, - eu disse. — Eles estão


aqui o tempo todo. — Lentamente, Lottie virou-se para olhar
para mim.

— Você estava escondendo isso de mim, — respondeu


ela. — Eu devia ter mordido você mais forte.

Indy nos levou para o seu duplex para trocarmos para


roupas secas.

Infelizmente, o meu rímel estava escorrendo pelo meu


rosto também, então nós também fizemos uma correção de
maquiagem rápida.

Tod veio, anunciou que havia uma promoção no King


Soopers e Stevie tinha comprado uma quantidade de peru
fatiado que dava para um ano, então todos fomos para o lado
deles do duplex para comer sanduíches suíços de peru.

Entramos na cozinha e fomos confrontados por um cão


chow, pequeno por sua raça, com uma enorme juba ao redor
do pescoço, mas sua parte inferior foi quase completamente
raspada. Ela parecia uma miniatura, um mini leão com
atitude. Ela latiu duas vezes, com os pés de frente saindo do
chão, suas garras clicando sobre as lajotas, quando ela
pousava.

Então ela correu para cada um de nós, por sua vez, a


cabeça batendo em nossas canelas.

Ajoelhei-me para acariciá-la e ela ofegava na minha


cara e permitia isso como se ela estivesse valorizando-me
como um tesouro sagrado. Em seguida, ela empinou para
fora da cozinha, com o rabo peludo quicando na bunda
careca dela.

— Essa é a nossa cachorra, Chowleena. - Tod sorriu


para mim.

— Ela gosta de você.

Estávamos sentados em torno da mesa da sala de


jantar, Lottie, Indy e Tod comparando estratégias de
alongamento, quando meu telefone tocou. Ele dizia: ‘Daisy
ligando’.

Eu abri.
— Ei, Daisy.

— Oi Doçura, o que você está fazendo? - Ela


perguntou.

— Bem, eu acho que a minha mãe está no encontro


mais longo da história com um ex-presidiário louco, veterano
do Vietnã, que tem uma espingarda, granadas, bombas de
gás lacrimogêneo e vinte e cinco gatos. E eu entrei numa luta
de camiseta molhada, de nos derrubar e nos arrastar no chão
da Fortnum com a minha irmã, que acabou de chegar de LA.
Ah, e nós fizemos isso na frente da maioria dos meninos na
folha de pagamento de Lee Nightingale, - eu disse.

Silêncio.

— Querida, você sabe como viver, - Daisy disse afinal.

— Normalmente, eu sou realmente chata, - eu disse a


ela.

Ela deu uma gargalhada. Ela não acreditou em mim


também.

— O que há com você? - Perguntei.


— Recebi uma chamada de Shirleen. Há rumores de
que Ray vai estar à noite na mesa.

Eu olhei para Indy, Tod e Lottie e meus olhos se


arregalaram.

— Vocês meninas estão prontas para rodar de novo? -


Eu ouvi Daisy dizer no meu ouvido.

— Só um segundo. Indy está bem aqui, deixe-me


perguntar. - Eu repassei a história para todos. Indy e Tod
sorriram, Lottie olhou com raiva.

— Papai é um imbecil, - disse Lottie.

— Vocês estão dentro? - Eu perguntei.

Tod e Lottie assentiram.

— Ally tem um turno no Brother’s essa noite, mas eu


estou dentro, - respondeu Indy.

Ally era uma barman no My Brother’s Bar. Seria uma


chatice que não poderia vir, mas eu percebi que com Lottie e
Tod na mistura, quase poderíamos igualar sua atitude.

— Ally está trabalhando, mas Tod quer vir e minha


irmã também, tudo bem? - Eu disse à Daisy.
— Pêssego, querida. Mal posso esperar para conhecer
sua irmã, - respondeu Daisy.

— Você talvez a conheça, ela é Lottie Mac, Rainha do


Calendário do Corvette.

— Não me diga? Claro que eu sei quem ela é, querida,


ela é uma celebridade. - Eu sorri para a minha irmã.

— Sim, - eu disse, sentindo-me orgulhosa.

Então eu hesitei.

— Você se importa se usarmos nossas próprias


roupas? - Eu perguntei.

Mais das risadinhas.

— Claro, contanto que você tenha um pouco de brilho


nelas. - Eu percebi que eu poderia usar um pouco de brilho.

— Diga a ela para vir aqui. - Tod pediu.

— Tod diz nos encontrarmos em sua casa. - Eu dei a


direção a ela, terminei a chamada e fechei meu celular.

— Você está pronta para isso? - Eu perguntei à Lottie.


— Pronta para chutar o traseiro do papai? Porra, sim! -
Lottie respondeu.

Eu rolei os olhos.

Indy e Tod sorriram um para o outro.

Acho que Lottie teve o selo de aprovação.

Meu telefone tocou novamente.

Ele dizia: ‘Eddie chamando’.

— Uh-oh, - eu murmurei quando eu vi.

— Eddie? - Perguntou Indy imediatamente.

— Será o seu novo namorado? - Perguntou Lottie.

Tod acenou para mim.

Eu não estava pronta para comprometer-me com a


coisa de namorado, eu disse isso uma vez e uma vez foi
suficiente.

— Quem me dedurou agora? - Eu perguntei, abrindo o


telefone.
— Meia dúzia, você pode escolher, - disse Indy.

Minha vida era uma merda.

— Alo? - Eu disse ao telefone.

Minha abertura foi recebida com silêncio.

— Eddie? - Eu perguntei quando o silêncio foi


prolongado.

— Você tem certeza que quer manter essa tática de


chata? Tenho que dizer a você, Chiquita, está seriamente não
funcionando. - Maravilha.

— Lee telefonou para você, - eu disse.

— Lee, Hank, Duke, não mencionando Mace e meia


dúzia de policiais que ouviram sobre e queriam determinar o
nível de comprometimento do nosso relacionamento. - Eu
pisquei para a mesa.

— Perdão? - Eu perguntei.

— Para constar, eu deixei claro que o nosso nível de


compromisso está na zona vermelha, - disse ele.

Caro Deus.
— Nós só tivemos um encontro, - eu respondi.

Silêncio. Em seguida, alguns murmúrios em espanhol e


finalmente.

— Nós temos que ter outro bate-papo?

Não!

Sem mais bate-papos.

— Eu acho que entendi isso, - eu disse a ele.

— Espero que sim Chiquita, se você não entendeu, você


irá, - disse ele em voz baixa.

Ops!

— Deixa comigo.

— Merda, você está me matando! - Ele parecia


frustrado.

Eu me senti mal por ele, mas eu não sabia como


ajudar. Ajudá-lo seria me expor e eu já me sentia muito
exposta. Eu decidi mudar de assunto.

— Minha irmã está na cidade.


— Sim, ouvi isso também. Eu gostaria de conhecê-la,
mas eu estou preso em alguma coisa e preciso trabalhar até
tarde hoje. Eu vou buscá-la no Tex.

Olhei ao redor da mesa. Todo mundo estava olhando


para mim.

— Eu vou sair hoje à noite com Indy, Tod, Lottie e


Daisy. Eu provavelmente vou chegar tarde.

Isso é tudo que eu compartilhei, ele poderia adivinhar o


resto.

Mais silêncio. Mais espanhol. Ele adivinhou o resto.

— Eddie...

— Eu vou pedir à Lee para lhe seguir.

— Não! Achamos que temos uma pista do papai e Lee


vai assustá-lo.

Lee assusta a todos, um olhar para nós com Lee no


comando, a palavra ia se espalhar como fogo e papai teria
ido.

— Vai ficar tudo bem, - disse Eddie.


— Qualquer um que vê-lo com a gente... - Eddie riu,
mas foi uma risada grave.

— Se Lee a seguir, ninguém vai vê-lo, nem mesmo você.


- De alguma forma, isso me assustou mais.

— Eu não acho que... - eu comecei.

— Confie em mim, Chiquita.

— Eu não tenho certeza, - Eu tentei de novo.

— Eu quero que você confie em mim e eu estou


perguntando-lhe para fazer isso por mim. Isso vai me dar paz
de espírito. Eu poderia ter alguma merda indo para baixo
hoje à noite. Eu não preciso estar preocupado com você. -
Minha respiração congelou em meus pulmões.

Isso foi muito, confiando em Eddie, fazendo algo para


Eddie e me preocupando com Eddie tudo ao mesmo tempo.

Fiz uma decisão numa fração de segundo.

— Ligue para Lee, - Eu cedi.

Ele falou em espanhol novamente, sua voz suave agora,


eu conhecia algumas das palavras, elas eram doces. Então
ele disse: — Quando você tiver acabado, você está vindo para
a minha casa. - Ele não estava pedindo.

— Sim, - eu disse, sentindo o calor enroscando no meu


corpo, eu não poderia dizer mais nada; eu estava em um
Eddie Torpor.

— Deixe sua irmã com Tex.

— Ok, - eu estava em Grande Torpor.

— Seja cuidadosa.

— Você também, - eu disse, em voz baixa, querendo


dizer ambas as palavras, querendo dizer muito.

Ele ficou em silêncio por um instante e então ele disse:


— Esta é a parte que faz com que você valha a pena.

Eu pisquei de novo, não o acompanhando.

— Perdão?

— Você tem dois tipos de doce e eu gosto muito deles. -


Então ele desligou.

Querido Deus.
Capitulo 20

Guerra.

A tarde passou em um zumbido.

Voltamos para Fortnum, em seguida, Duke levou-me


para o banco (o meu segundo passeio de Harley) para que eu
pudesse depositar as minhas gorjetas e (a muito generosa)
doação do pessoal do Smithie.

Enquanto eu estava fora, Lottie arrastou mamãe e Tex


para casa com o seu carro alugado para visitar com a mamãe
e se instalar no Tex.

Tex parecia surpreendentemente contente com sua


casa enchendo-se com as mulheres. Indy explicou que Tex
tinha sido um solitário e meio eremita por anos antes que ele
a conhecesse, então ela achou que estava recuperando o
tempo perdido.

Duke e eu voltamos para Fortnum. Eu ajudei a fechar


e, em seguida, Lee e Indy levaram-me para o meu
apartamento para encontrar algo brilhante para vestir. Eu
tinha arrumado as malas para ficar no Eddie durante uma
loucura gigantesca, portanto, não fiz isso muito bem. Eu ia
aproveitar a oportunidade para colocar mais (uma menina
tem que ter opções).

Lee fez Indy e eu ficarmos no corredor, enquanto ele


fazia uma varredura através do apartamento. Senti-me um
bocado estúpida ali, para não mencionar desconfortável. Os
favores que as pessoas faziam para mim foram se espalhando
por toda parte, tão longe e tão grande, eu nunca estaria em
uma posição de retribuir.

— Tudo certo, - disse Lee com uma sacudida no queixo.

Indy deixou-me no meu quarto enquanto Lee saiu da


sala e abriu seu celular. Antes de ir para o meu quarto, olhei
para ele enquanto movia-se ao redor da minha sala de estar e
um arrepio subiu na minha espinha. Ele estava falando no
telefone, mas ele de alguma forma reivindicou completamente
o espaço. Na verdade, sua presença requeria todo o
apartamento com uma espécie de magnetismo perigoso,
fodão.

— Ele meio que me assusta, - eu admiti para Indy


quando tinha entrado no meu quarto.

Ela atirou-se na minha cama para me assistir arrumar


as coisas.
— Ele é meio assustador, - ela me disse.

Eu parei de cavar através de meu armário e olhei para


ela.

— Como você superou isso? - Eu perguntei, logo em


seguida comecei a cavar novamente. Era uma pergunta
intrometida e, realmente, não era da minha conta.

Então, eu não poderia evitar, eu tinha que fazer, então


eu decidi compartilhar.

— Eu só estou perguntando porque Eddie meio que me


assusta também. Ele é um policial, ele disse que algo 'vai
acontecer' esta noite. Eu não sei o que, mas isso não parece
bom. Isso me enlouquece. Como você lida com a
preocupação?

Claramente não pensando que eu era intrometida, ela


deu de ombros: — Eu o amo.

Simples como isso.

Embora, eu ache que isso bastava.

Fomos para casa de Eddie para deixar as minhas


coisas, Lee fazendo novamente a coisa percorrendo o
local/tudo certo.
Eu separei o que eu ia vestir naquela noite e, em
seguida, fomos até Indy e Lee.

Indy e eu entramos juntas em seu quarto. Lee


silenciosamente nos trouxe um rum e coca diet, e depois
desapareceu. A maneira como ele fez isso, eu estava
começando a perceber por que ela o amava (além do fato de
que ele era quente). Não porque ele pegou uma bebida para
ela (o que era legal), mas a forma como ele pegou uma bebida
para ela. Ele não perguntou, ele não fez uma grande coisa
sobre isso e foi uma coisa doce de se fazer. Foi
tremendamente legal e, no fundo, eu esperava por algo assim
para mim um dia. Para todos os efeitos, eu gostava de Indy e
eu estava feliz que ela já tinha algo assim.

Enquanto nós nos preparamos, conversamos e demos


risadinhas e eu juro, parecia que eu estava de volta na escola
preparando-me para ir a um baile no ginásio.

Eu não tinha nada tão brilhante então Indy emprestou-


me um pouco de glitter em pó para colocar no meu rosto e
um pouco de creme que fez minhas bochechas brilharem.
Não era muito de brilho, mas teria que servir.

Eu usava uma túnica de seda cinza, com um corte


baixo na garganta, que virava para a direita deixando um
pouco de pele à mostra. Fora isso, era uma espécie
perfeitamente recatada (eu mesmo comprei), com mangas
compridas que ficaram abaixo do comprimento. A coisa que o
fazia tipo recatada em vez de totalmente recatada, era que
tinha duas fendas nas laterais, que eram cerca de dois
centímetros mais altos do que realmente precisavam ser e,
portanto, eles mostraram um pouco de pele.

Coloquei jeans e sapatilhas pretas (apenas no caso de


eu ter que correr). Eu fiz uma maquiagem pesada, não
exatamente como a do Smithie, mas não a minha de todos os
dias, depois eu fiz a parte profunda, deixando o meu cabelo
sensual.

Eu pensei que eu parecia certa, embora nada digna de


uma notícia. Eu me senti segura no jeans e esperava que
Daisy não ficasse chateada.

Veja, calça jeans tinha multi propósito em Denver. Um


convite poderia dizer ‘semiformal’ e haveria pessoas na festa
vestindo jeans. Era apenas o jeito das Montanhas Rochosas.
Um verdadeiro morador de Denver usaria jeans para
conhecer a Rainha da Inglaterra e de alguma forma pareceria
bem.

Assim que saímos do quarto, descobrimos que Lee não


só desapareceu, Lee desapareceu deixando um bilhete.
Então, nós fomos até a casa de Tod e Stevie, e Daisy já estava
lá com um coquetel, brincando com Chowleena e você mal
podia ver o olho preto sob seu corretivo.

Mais uma prova de que Daisy era do caralho, eu nunca


seria capaz de esconder um olho roxo e parecer tão bem
quanto ela.

Stevie e Tod eram ambos assistentes de voo e Stevie


estava em um voo e não deveria voltar até altas horas, o que
significava que Tod era um homem desacompanhado.

Quando entrei, os olhos de Tod ficaram enormes.

— Menina, você é a Rainha Camaleão. Toda vez que


vejo você, você parece diferente. - Eu sorri.

— Isso é bom?

— Foda-se, sim, é bom. Você está funcionando nessa


camisa e você só está na minha sala de estar. O mundo
poderia parar quando você sair pela porta. - Daisy sorriu para
mim.

— Viu? - Ela perguntou, como se a aprovação de Tod


provasse um ponto.

— Ele é gay, - eu disse.


Tod olhou entre mim e Daisy.

— O que a minha sexualidade tem a ver com alguma


coisa? - Perguntou Tod. Daisy virou-se para ele.

— Ela não acha que ela é isso tudo. Pensa que ela é a
simples e chata Jet. - Tod virou os olhos arregalados para
mim.

— Bom. Você está funcionando isso também e você


nem sabe que está funcionando nisso. - A risada satisfeita de
Daisy soou.

— Isso aí, Doçura!

Querido Deus.

— Quem é o motorista designado? - Perguntou Indy.

— Eu só tomei um rum e coca, pode ser eu. – Eu disse.

— Eu não penso assim, - disse Daisy. — Você precisa


de coragem líquida para encarar o seu pai. Esta vai ser a
minha última, eu dirijo.

Lottie apareceu. Nós a apresentamos para Daisy e


Daisy e Lottie formaram um vínculo profundo em cinco
minutos e compartilharam histórias de cirurgia de aumento
de mama.

Pedimos chinês, comemos chinês, bebemos e nós


esperamos.

Nós não queríamos aparecer na cena do nosso último


crime muito cedo e Shirleen disse a Daisy que o papai não
era de aparecer no início normal da mesa.

Às 23h30min, começamos a sair, mas, em seguida, Tod


parou na cozinha.

— Un-unh, eu tentei, eu realmente tentei, mas não


poderei fazê-lo. Já volto. - Então, ele subiu as escadas
correndo.

Nós todos estávamos na cozinha olhando uma para a


outra. Ele veio com um par de sapatos de salto alto prata
polida, aberto na frente e uma pulseira de tornozelo fino que
cruzava na parte de trás, bem assim como um cinto
combinando. Ele entregou o cinto para mim e, em seguida,
ajoelhou-se aos meus pés.

— O que você está fazendo? - Eu perguntei quando ele


levantou um pé, tirou minha sapatilha preta e atirou-o para a
sala.
Chowleena estava parada na porta da cozinha, ela viu
meu sapato voar sobre a cabeça, deu um grito, então se
sentou.

Tod deslizou o sapato em seu lugar.

— Eu não adoro o altar de Sarah Jessica Parker e todas


as coisas de Sex and the City para sair com uma menina
quente em uma sapatilha preta. Você usa sapatilhas pretas
quando você tem noventa e oito, e não antes disso.

— Tod...

— Huh, - ele retrucou, dando-me a mão.

Eu sabia que não devia discutir com a mão.

Assim, se algo acontecesse e eu não pudesse correr,


pelo menos eu iria morrer vestida com esmero da cabeça aos
pés.

Fomos direto para o bar, quando chegamos lá eu fiz a


varredura da multidão para qualquer sinal de Darius ou
mulheres negras irritadas.
Felizmente, o caminho estava livre. O barman veio até
nós.

— Shirleen disse para esperar até que ela dê o sinal,


disse à Daisy e Daisy assentiu. Então ela virou-se para mim.

— Você está pronta para isso, Doçura? - Não. Eu não


estava pronta para isso. Eu tinha um monte de coisas para
dizer ao papai, mas não tinha ideia de como dizê-las. E o que
isso importa, afinal? Vince ainda estaria atrás mim. Eu
apenas ia ter que ir com o momento.

— Pronta como eu sempre estarei, - eu disse a ela. Ela


apertou o meu braço.

— Essa é minha garota. - A tropa voltou para o bar


para pedir bebidas e eu fiquei do lado de fora da ninhada.

— Posso lhe comprar uma bebida? - Eu ouvi um


homem perguntar e eu virei-me para olhar.

Meus olhos bateram num peito definido e uma


garganta muscular acima de uma camiseta da marinha,
então eu olhei para cima.
Mace estava ali.

— Diga que sim e, em seguida, pareça como se você


estivesse flertando comigo, - ordenou com uma voz suave.
Meu estômago apertou e eu ignorei as suas instruções,
porque eu estava em uma espécie de mini enlouquecimento.
Mace poderia colocar qualquer menina em um mini
enlouquecimento, especialmente dizendo para flertar com ele
e principalmente usando uma voz suave.

— O quê? - Eu perguntei, soando estúpida.

Seus olhos mexeram-se e ele ergueu um queixo para o


barman.

— Duas cervejas, - disse ele. Afastei o


enlouquecimento e mirei nele.

— O que você está fazendo aqui? - Eu sussurrei.

Ele rodeou-me, chegando perto, cortando-me de minha


posse e forçando a minha volta para a sala. Ele encostou-se
no bar, olhando, para todo mundo, como um cara à espreita
comigo.

— Lee tem alguma merda acontecendo hoje à noite. Ele


montou uma equipe.

Não.

Não, não, não.


Sem merda acontecendo e sem equipe.

Eu poderia apenas lidar com os meus amigos


oferecendo apoio moral, quando eles estavam divertindo-se,
enquanto eles estivessem fazendo isso.

Eu não precisava do Bando Selvagem lá fora fazendo


horas extras pagas com a moeda de Lee. Esse era um favor
muito grande.

O barman depositou nossas cervejas no bar e Mace


escorregou-lhe uma nota, então ele ignorou a bebida e eu
também.

— Se isso ficar perigoso, nós vamos sair, - eu disse a


ele. Ele balançou a cabeça.

— Termine o que começou, - disse ele. — Nós temos


tudo sob controle.

— Você tem o que sob controle?

— Não sei, quando soubermos, vai estar sob controle. -


Ops.

— O que está acontecendo? - Perguntei.


— Você está aqui para falar com seu pai. Lee está lá
fora, em algum lugar, e por isso tem Vance e Matt. Estou
atribuído a você. Alguma coisa acontece, eu agarro você e
vamos para um ponto seguro.

Ponto seguro?

Ponto seguro?

Isso não parece bom.

De fato, soou realmente não parecendo bom. Eu abri


minha boca para falar, mas ele não tinha terminado.

— Algo acontece e eu tenho que agarrá-la, você vem


comigo, nenhum argumento, nenhuma luta, não se preocupe
com os seus amigos ou eu vou neutralizar você, sem
hesitação. Entendeu? - Ah... querido... Deus.

Eu estava certa de que eu não queria Mace


neutralizando-me. Eu não sei como ele faria isso e eu não
queria saber. Decidi mudar a atitude.

— Estou cancelando isso. Sem neutralização, sem ficar


me preocupando com os meus amigos e sem ficar devendo
horas extras para Lee, as que ele está pagando a vocês, - eu
disse.
Ele olhou-me por um instante e algo aconteceu com
sua expressão. Seu rosto tornou-se duro, mas o olhar em
seus olhos verdes ficou suave. Eu assisti, fascinada, e eu
senti a mudança ao longo de todo o meu sistema.

— Tire isso da sua cabeça e concentre-se. Estas são


horas extras voluntárias, para todos nós.

Olhei, tentando processar suas palavras, mas ele não


me deu uma chance.

Ele aproximou-se e sua voz caiu para um sussurro.

— Baby, vendo você nestes últimos meses foi como


assistir a uma flor desabrochar. Não nos decepcione. - Então
ele se foi.

Levantei-me e olhei no espaço que ele estava ocupando.

— Hum.... Olá? - Disse Tod para mim, acabando com o


‘momento’.

Virei a e olhei para eles. Eles estavam todos olhando


para mim.

— Mace estava aqui, - eu disse.

— Ele estava? - Indy perguntou olhando ao redor.


Eu não podia acreditar que não o tinham visto, mas eu
ignorei, como havia coisas um pouco mais prementes na
mão.

Eu disse-lhes tudo o que ele disse.

Eles todos continuaram a olhar para mim.

— Temos que ir, - declarei.

Eles olharam um para o outro.

— Nós não vamos, Doçura. Ele está certo, termine o


que começou, - disse Daisy.

Lottie estava observando-me, então com um lento


sorriso no rosto.

— Eu não poderia colocar o dedo sobre isso, mas é


verdade. Você é uma flor. Eu pensei que era o cabelo, mas
não é o cabelo, é você. Minha irmã.

— Ah! Por favor! - Eu murmurei e rolei os olhos.

Ela apenas balançou a cabeça, olhando toda feliz em


face de certo perigo.
Meus olhos foram para Indy. — O que ele quis dizer,
olhando-me nos últimos meses tem sido como assistir a uma
flor desabrochar? Quem fala assim? E, de qualquer maneira,
ele mal entra na Fortnum.

— Hum, eu meio que me esqueci de dizer a você. - Indy


estava mudando desconfortavelmente e isso me preocupou.

Eu perguntei: — O quê?

— Lee tem vigilância total na Fortnum, câmeras e


microfones, vinte e quatro horas, sete dias por semana. Ele
colocou-as quando eu estava passando por meu drama e
nunca tirou. Os meninos no escritório fazem a vigilância para
fins de segurança e.... hum, por diversão. - Olhei para ela.

— Você está brincando, - eu respirei, ao mesmo tempo,


em silêncio, pedindo a Deus para fazer Indy dizer-me que ela
estava brincando.

Ela balançou a cabeça.

Eu sabia que era egoísta, mas eu realmente queria que


Deus prestasse mais atenção em mim.

Eu estava processando isso, pensando em tudo que


aconteceu na Fortnum, a Eddie Tortura, correndo e
escondendo-me de Eddie, a serenata do papai, Lottie e eu
lutando.

— Puta merda, - eu respirei.

Indy mordeu o lábio.

Daisy ficou tensa.

— Nós temos o sinal alto, - Daisy sussurrou.

Eu não tinha tempo para preocupar-me sobre estar no


show, quase todos os dias, para o Bando Selvagem.

Era hora de confronto.

Nós todas nos preparamos emocionalmente.

— Todo mundo tem suas armas de choque? -


Perguntou Tod.

— Eu não posso esperar para colocar minhas mãos no


papai, - disse Lottie.

— Vamos arrebentar, - disse Indy.

Querido Deus.
Descemos o corredor para trás e Shirleen estava nele.

— Eles estão em uma pausa para o banheiro. Ray está


à mesa, chegou a pouco, - disse ela.

Daisy balançou a cabeça e todo mundo afastou-se para


deixar-me ir primeiro.

Olhei para Shirleen.

— Obrigada, - eu disse a ela, e havia um monte de


sentimento nisso.

Ela virou os olhos para mim e seu rosto era suave.

— Filha, você não tem nada que me agradecer. Você


tem a chance de fazer uma boa ação, você faz. Dessa forma,
quando você precisar de uma boa ação feita, ela deve voltar
para você. Carma. - Eu não estava certa se queria ter uma
discussão sobre carma naquele momento e felizmente
Shirleen não esperou por meu comentário, ela afastou-se.

Eu andei em outra sala escura, enfumaçada, cheirando


a suor.
Papai estava sozinho, sentado à mesa, olhando mais
sujo e muito mais desgastado do que tinha há uma semana.

— Papai, - Eu chamei.

Ele olhou para cima, seus olhos ficaram brilhantes e


meu coração apertou.

Então ele viu meu rosto fechado, e o brilho morreu e


ele levantou-se.

— Princesa Jet, - disse ele, em seguida, seu olhar foi


além de mim e seus olhos ficaram brilhantes de novo, —
Lottie! - Parecia que ele estava indo atrás dela, mas sua
linguagem corporal não convidou à abordagem.

Eu falei. — Você tem que sair da cidade, papai. Isso


tem que parar. Mamãe está em uma casa segura e eu vou
ficar com Eddie, porque é muito perigoso estar em casa.
Eddie resolveu as coisas, mas quanto mais problemas você
causa, mais difícil vai ser para ele. Você tem que ir.

Eu parecia calma, corajosa e controlada. Por dentro, eu


não era nada disso. Eu queria começar a chorar. Eu queria
colocá-lo em um carro e correr com ele. Eu queria levá-lo a
reunião dos jogadores anônimos. Eu queria colocar meus
braços em torno dele e dançar com ele ao redor, cantando
canções de Paul McCartney. Eu queria perguntar-lhe por que
ele deixou mamãe, Lottie e eu. Eu queria saber por que ele
era um vagabundo.

Em vez disso, fiquei de pé e olhando para ele.

— Eu vou resolver isso, Princesa Jet. Estou


trabalhando nisso.

— Você não está resolvendo roubando o jogo. Alguém


atirou em mim e alguém quer me estuprar. - Seus lábios
apertaram.

— Isso não vai acontecer, Jet, eu tenho meu olho em


Frateli.

— Sim, claro, - Lottie murmurou.

Olhei por cima do ombro para ela. Ela estava em pé,


com um pé para fora, os braços cruzados sobre o peito, o
rosto irado. O resto do bando estava atrás de Lottie, seus
olhos não em papai, mas em mim. Tod me deu um sorriso
encorajador e piscou.

Eu olhei de volta para meu papai e o vi tentar um


sorriso de tranquilidade.
— Vocês meninas me deem algum tempo. Eu vou
entrar em algo grande e eu vou levá-las para a Riviera
Francesa.

Sem hesitar, Lottie disse: — Nós já ouvimos isso antes.

Ela estava certa, nós ouvimos. Nós tínhamos ouvido


muito aquilo. Eu apenas nunca soube o que ele pensou que
iria conseguir de grande.

O rosto do papai ficou apertado e ele jogou em Lottie


um olhar irritado.

— Papai... - eu comecei.

— Dê-me tempo, - ele gritou e nós pulamos.

Papai era um bom menino velho, ele não gritava.


Nunca.

— Eu vou resolver isso, - continuou ele, com o rosto


ficando vermelho. — Você não sabe, você não entende, porra.
Eu vou voltar, mas só quando eu conseguir algo grande.
Somente quando vocês meninas e Nancy puderem orgulhar-
se de mim, quando poderemos viver como grandes, como
vocês merecem. - Suas palavras atingiram-me como se ele
estivesse atirando-me com pedras.
Quero dizer, realmente, ele estava louco? Que tipo de
merda ele estava falando?

Eu coloquei as duas mãos em meus quadris e inclinei-


me para frente.

— É tarde demais! O tempo para fazer isso foi há 14


anos. Você se foi metade da minha vida! - Eu gritei. — Nós
mudamos. Acabou! Você tem que sair da cidade, papai, e
ficar fora. Para seu próprio bem, mas especialmente para o
nosso. - Ele encolheu-se como se eu tivesse batido nele.

— Você não quis dizer isso princesa Jet.

Eu não quis dizer isso. Eu não quis dizer uma palavra.


Eu queria que ele voltasse, eu queria viver bem com mamãe,
Lottie e papai, todos juntos novamente.

Mas isso era um sonho e eu sabia que os sonhos não


se tornam realidade.

Meu papai ensinou-me isso.

Eu não tive tempo de voltar sobre o que eu disse,


suavizar o golpe ou terminar o meu ponto.

Foi nesse momento, que eu descobri como se sentia a


guerra.
Olhando para trás, ficou surpreendentemente claro,
cada pedacinho disso. Você poderia pensar que no meio da
confusão você perderia o controle, mas lembrei-me de cada
momento de uma forma que eu sabia que nunca iria
esquecer.

Houve o tempo em que era só eu, papai, Lottie e sua


turma em pé na sala esfumaçada, Shirleen tinha fechado a
porta para nós.

Em seguida, a porta foi aberta e Slick estava lá, Slick e


seus amigos. Slick aparentemente tinha ido ao chão e com
reforços reunidos; demais, demais para todos nós.

Ele também tinha decidido que a tática da faca não foi


uma boa arma escolhida, ele veio com pistolas.

Infelizmente, em algum lugar ao longo da linha, o papai


decidiu se armar.

Eddie estava certo. A arma de choque na minha bolsa


não era uma merda quando balas começavam a voar. Não foi
como nos filmes, não houve comentários inteligentes para
dar-lhe a chance de se preparar. Slick não veio de brincadeira
e era isso.

Eles dispararam na entrada e o papai arrancou a arma


da cintura e, aleatoriamente, voltou gritando fogo: —
Meninas, se abaixem!

Eu joguei-me em Lottie e ambas caímos. Eu rolei longe


da porta, levando-a comigo.

Acabamos cara a cara e começamos a engatinhar,


rastejando sobre nossos corpos, Lottie movendo-se debaixo
de mim. Segurei a maior parte do meu corpo sobre ela.

Houve mais tiros, um monte, muitos mesmo. Era tão


alto que tocou em meus ouvidos e eu poderia cheirar a
pólvora no meu nariz.

Então eu ouvi gritos, e mais gritos, passos correndo,


batidas de carne contra carne. Vi Lee, correndo baixo,
pegando Indy em movimento, como se ela não pesasse mais
que uma pluma. Ele virou-se e eles desapareceram.
Eu vi Matt, agachando-se com Daisy numa segurada
de bombeiro por cima do ombro. Então, rápido como um raio,
eles desapareceram na esquina da porta.

Em seguida, uma mão em volta do meu tornozelo e eu


fui puxada de costas, meus braços soltaram Lottie e rolaram,
pensando que Mace tinha chegado a mim, mas não era Mace,
era Vince.

Apenas a porra da minha sorte.

Ele puxou-me para os meus pés, um braço em volta da


minha cintura e começou a correr, comigo debaixo do braço.
Notei que ele pulou uma Shirleen de bruços, deitada de lado
no corredor.

Porra!

Eu não deixei a surpresa ao vê-lo chegar até mim e eu


não queria deixar a minha preocupação pela Shirleen quebrar
o meu foco.

Isto era sobre vida, morte e estupro. Eu não queria


fazer parte dos dois últimos e o primeiro estava apenas
começando a ficar interessante e eu não estava disposta a
deixá-lo ir.

Torci, lutei e gritei com toda a força dos meus pulmões.

Foi quando Mace chegou.

Eu o vi, Vince viu e Vince parou. Ele empurrou-me em


pé e puxou-me de volta contra o seu corpo, um braço ao
redor da minha caixa torácica.
— Nem mais um passo, - disse Vince e eu senti o frio
contra o meu rosto.

Mace congelou.

Mace estava carregando uma arma, levantou e apontou


para nós, a mão esquerda no seu pulso direito, a cabeça
inclinada para a visão da arma, mas seus olhos voltaram-se
para o meu rosto.

Meus olhos ficaram lá também.

Eu podia ver a arma de Vince colocada em minha


cabeça.

Maravilhoso.

Agora, neste momento eu tinha duas escolhas. Eu


poderia arrastar-me para fora de lá e esperar que alguém me
encontrasse e cuidasse de Vince antes que ele me estuprasse
e possivelmente matasse. Ou eu poderia lutar, talvez chegar
a morrer, mas pelo menos eu não iria passar as últimas
horas de minha vida estando com medo que minha mente e
corpo fossem violados.

Sem escolha.
Eu trouxe a minha cabeça para frente, em seguida,
voltei com um estalo vicioso. Eu rachei minha cabeça contra
o queixo de Vince e por alguma razão, não doeu.

A arma disparou e eu senti a dor em queimação na


minha têmpora.

Agora doeu.

Eu pensei que com certeza eu estava morta, mas meus


membros estavam recebendo às ordens de um cérebro que
ainda estava trabalhando e posicionado na minha cabeça e
notei Mace em movimento, rápido como um relâmpago.

O braço de Vince ao meu redor ficou frouxo quando ele


entrou em modo de defesa, esquecendo-me, quando
confrontado com um agressor que, a um segundo, estava a
cinco metros de distância, no segundo seguinte, em cima de
nós.

Mace pegou-me e soltou-me deixando-me livre e uma


vez que, aparentemente, eu poderia correr, eu fiz.

Ouvi uma luta, um gemido de dor, mas eu continuei e


não olhei para trás.

Desci correndo, fazendo uma derrapagem deslizando de


joelhos, parando ao lado de Shirleen. Tive tempo para chegar
em minhas mãos sobre ela e percebi que ela estava
respirando quando um braço forte foi em torno da minha
cintura. Eu fui puxada pelos meus pés e redirecionada.

Era Mace, ele estava correndo, meio me arrastando


junto com ele. Lembrei-me de suas ordens e não tentei voltar,
embora eu realmente quisesse.

Nós chegamos ao bar, a mão de Mace na minha, para


um SUV. As fechaduras e luzes foram acesas enquanto
corríamos em direção a ela (e eu descobri que em uma
situação desesperadora eu poderia correr de salto agulha).

Ele dirigiu-me direto para o lado do motorista. Ele


pegou-me e empurrou-me até o lado do passageiro, entrou,
ligou a caminhonete e saiu sem nenhum de nós dois estar
com cintos de segurança.

Ele dirigia pela Colfax, em seguida, entrou em um


estacionamento vazio e voltou à parte de trás de um prédio.
Ele freou, apagou as luzes e virou-se para mim.

Antes que eu soubesse o que estava fazendo, seus


dedos fecharam-se no meu queixo e ele gentilmente puxou
meu rosto ao redor. Era o meio da noite e não havia luzes
onde estávamos.
Não havia nenhuma maneira que ele podia ver, mas eu
poderia dizer que ele estava procurando.

— De raspão, - disse ele, embora eu não soubesse


como ele poderia determinar isso no escuro.

Então ele murmurou: — Porra.

Ele soltou-me, olhou para frente, e eu tinha a estranha


sensação de que ele escorregou em outro lugar por um
momento. Então ele gritou: — Porra! - E a palavra era como
algo sem controle, sem som, uma explosão que fiquei
surpresa que não abalou as janelas.

Eu coloquei minha mão na minha cabeça,


provisoriamente explorando a umidade de lá, mas eu podia
sentir que não era tão ruim assim. Eu já tinha esfolado os
joelhos pior.

— Eu já esfolei meus joelhos pior, - eu disse a ele.

Com minhas palavras, ele virou-se, seu braço foi em


torno da minha cintura, ele puxou-me pelo assento e então
ele beijou-me.

Ops!
Foi um beijo, com línguas e tudo o mais. Eu não
deveria ter correspondido, mas eu fiz. Talvez tenha sido a
situação de vida ou morte, a emoção de estar viva, gratidão
desesperada ou talvez fosse porque esse era um grande beijo.
Era provável que fosse tudo isso e muito mais. Eu não estava
analisando, eu estava indo junto com ele, e depois me
enterrando nele. Profundamente.

Sua cabeça surgiu, mas ele não me deixou ir e ficou


firme em meu espaço.

De minha parte, eu tinha as duas mãos enroladas em


seu pescoço, logo abaixo das orelhas, e eu descobri que eu
não poderia deixar ir.

Nós dois ali sentados, em silêncio, olhando um para o


outro no escuro com a respiração pesada.

Havia algo importante sobre esse momento para Mace,


eu senti, eu não entendo completamente, mas eu estava
honrada por isso.

A única coisa que eu sabia era que, para mim, era


sobre ele salvar a minha vida e estar viva.

Então Mace quebrou o momento.


— Você diz à Chávez que eu a beijei, então nós
desapareceremos no México, onde ninguém poderá nos
encontrar.

Doce Jesus.

Ele disse ‘nós’.

Eu não podia pôr a culpa daquilo no uniforme do


Smithie.

— O que foi aquilo? - Eu sussurrei.

Ele ficou quieto por um segundo.

— Estou feliz que você tem um rosto para beijar. -


Humm.

Acho que, para Mace, era a emoção de eu estar viva.

Sim, os homens eram tão estranhos.

Ele soltou-me e eu deixei cair minhas mãos. Ele puxou


a camiseta para fora da calça, puxou um canivete do bolso,
cortou a orla e a pressionou contra o meu rosto. Isso deve
significar que ele não tinha lenços no porta-luvas.

Eu assumi a prensagem, ele virou-se e apertou o cinto.


Eu coloquei o meu cinto de segurança também e lá
fomos nós.

Ele dirigiu para o estacionamento na faixa Kmart da


Alameda e a Broadway, para a casa de Indy. Havia um
punhado de veículos estacionados ao acaso, perto da entrada
da Alameda, todos SUVs exceto pelo Dodge Ram vermelho.

Olhei para o amontoado de pessoas, contando. Lottie


estava lá, seus braços em volta de sua cintura, ao lado de
Vance. Indy estava sendo segurada por Lee. Tod tinha posse
da Daisy. Matt estava encostado em um dos SUVs.

Sem papai.

Todo mundo estava vivo e respirando e eu parecia ser o


único membro da caminhada ferida.

Eddie estava perto de Indy e Lee, passando a mão pelo


cabelo, mas quando as nossas luzes piscavam no caminho,
com a cabeça virando ao redor. Ele começou a caminhar em
direção a nós e antes que Mace tivesse a chance de chegar
perto.

Mace girou a caminhonete ao redor, posicionando


minha porta perto de Eddie e parou. Eu nem sequer tive a
chance de colocar a mão para fora quando a porta se abriu,
as luzes interiores passaram e Eddie me viu.

— Dios mio, - disse ele, suave e silencioso.

— Não é nada, foi só...

Ele não me deixou terminar. Ele chegou perto, tirou o


cinto, puxou-me para fora do carro e pegou-me em seus
braços e passou ao meu redor tão apertado, que eu mal podia
respirar.

—... de raspão, - eu terminei soltando uma respiração.

Ele inclinou-se para trás, pegou a minha mão para


longe do meu rosto e olhou para a minha ferida.

— Nós vamos para o hospital, - disse ele.

— Eddie, não é nada, eu só preciso limpá-lo e.... - Seus


olhos cortaram os meus e eu parei de falar.

— Nós estamos indo para a merda do hospital, - ele


repetiu em uma voz que soava como sem discussão, até
mesmo para mim, e eu parecia ser capaz de discutir com
Eddie em qualquer hora.

— Ok, - eu respondi.
Afastou-se, com o braço em volta de mim e todos se
aproximaram.

Lágrimas começaram a cair dos olhos de Lottie, o rosto


de Indy ficou tão pálido, que brilhou no escuro e Tod
amaldiçoou. Daisy retrucou: — Isso apenas definiu tudo. Eu
não estou de brincadeira com esse negócio. Doçura, você teve
sua maneira, agora estou chamando Marcus. Isso significa
guerra.

Eddie continuou a passos largos, mesmo com a ameaça


de Marcus entrar na confusão. Ele ignorou o comentário e
continuou caminhando, em linha reta em direção à
caminhonete. Ele abriu as fechaduras, abriu a minha porta e
ajudou-me a entrar então ele fechou, Lee estava lá.

Eddie olhou para ele.

— Eu vou querer saber como você deixou isso sair do


controle, - disse Eddie para ele, e eu poderia dizer que ele
estava com raiva e colocando toda a culpa sobre os ombros
de Lee.

Um músculo saltou no rosto de Lee, ele deu um aceno


com a cabeça, aceitando a culpa.
— Não, - eu disse. Eddie começou a fechar a porta,
mas eu coloquei meu pé para fora para detê-lo.

— Não, - eu disse de novo.

— Mova sua perna, Chiquita. - Não havia raiva quando


ele se dirigiu a mim, ele estava de volta usando sua voz
suave.

— Você não está culpando Lee e você não está


culpando Mace, você não está culpando ninguém. Mace me
disse que merda iria acontecer, eu disse a todos os outros e
decidimos ficar. É a minha merda que trouxe todo mundo
para fora, em primeiro lugar. Se há alguém para culpar, sou
eu.

Eddie não estava ouvindo-me. Eddie estava focado.

— Mova sua perna, - repetiu ele.

Então eu pensei sobre o que eu disse.

— Realmente, se há alguém para culpar, é o meu pai, -


eu gritei alterada.

Os olhos de Eddie foram para mim.


— Mi amor, eu estou pedindo a você, mova sua perna. -
Olhei para a multidão e vi que Lottie estava atrás de Lee, ao
lado de Indy.

— Nosso pai é um maldito idiota, - eu disse a ela.

Sério, se houve um momento em que a palavra foda


estava na minha vida, era agora.

— Jet, vamos, Eddie tem que levá-la para o hospital, -


disse Lottie.

Tudo estava batendo-me, reação atrasada.

— Ele pensou que poderia apostar até conseguir seu


grande momento e que nós todos íamos ‘viver grande’. Que
tipo de estúpido, idiota de merda é ele? - Eu perguntei a ela.

— Jet, você tem que ir ao hospital, - Lottie repetiu.

— Eu tenho trabalhado desde que eu tinha quatorze


anos de merda, e ele jogou fora todos os dólares da porra que
eu já lhe dei. Que porra do caralho! - Para pontuar o meu
ponto, eu trouxe a minha mão para baixo sobre o parapeito
da janela e, em seguida, gritei: — Ai! - Principalmente porque
doía. Olhei para Eddie.
— Eu machuquei minha mão, - informei a ele
desnecessariamente.

Sua covinha apareceu pela primeira vez, em seguida,


seus lábios formaram um sorriso.

— Talvez nós possamos conseguir que os médicos a


olhem depois de verificar a ferida na sua cabeça. - Eu pisquei
para ele, depois acenei com a cabeça: — Isso é uma boa ideia.

— Você vai tirar a perna agora? – Ele questionou.

— Claro, - eu respondi, a alma de amenidades e depois


puxei minha perna.

Ele bateu a porta e caminhou em torno da frente do


caminhão.

Todos estavam reunidos ao lado. Principalmente eles


pareciam meio chocados. Exceto Daisy, ela parecia chateada.
E não Lee e seus meninos, eu notei que eles estavam
tentando esconder seus sorrisos.

Eddie entrou e ligou a picape.

Para que eles soubessem que tudo estava certo, eu dei


um sorriso e dei um aceno alegre quando Eddie foi para
longe.
Não foi até muito mais tarde que eu vi
(independentemente do fato de que era apenas um arranhão)
a quantidade de sangue que tinha vazado pelo meu rosto. Eu
estava sentada na ponta de uma cama na sala de emergência
no Denver Health e a enfermeira estava limpando-me.

— Isso é um monte de sangue, - comentei, olhando a


cena na toalha que estava usando como se fosse sangue de
outra pessoa.

— Ferimentos na cabeça sangram, - disse ela, em um


tom monótono e cansado; a voz da experiência.

Isso é tudo que eu ouvi, porque foi então que eu


desmaiei.

Eddie estava sentado ao lado da cama quando acordei.

— Ei você aí, Cariña, - ele sussurrou.


— Não diga a ninguém que eu desmaiei, - eu sussurrei
de volta.

Seus olhos sorriram, embora seus lábios não o


fizessem.
— Eles devem ter pensado que eu era uma lunática,
discursando sobre o papai com sangue escorrendo pelo meu
rosto.

— Eu não espero que eles pensem muita coisa, exceto


que estavam felizes que você estivesse viva para reclamar.

Eu imaginei que ele estava certo.

Ele ajudou-me a sentar-me e, em seguida, partiu para


ir para a sala de espera para dizer a todo mundo que eu
estava bem, enquanto eu preenchia formulários (eu estava
orando, já que eu estava em férias não planejadas, e sem
pagamento, que Smithie ainda tinha segurado.... Eu disse
que ele cuidava de suas meninas, provavelmente, nenhum
outro clube de strip tinha um bom seguro).

Então Eddie voltou.

— Você deve saber, alguém disse a Duke e Tex e os


dois estão lá fora. Sua mãe também. Eu disse a eles que
estava bem, que eu cuidaria de você e enviei-os para casa.
Você pode falar com eles amanhã.

Eu empurrei para trás o alarme da mamãe sabendo


que eu tinha sido atingida de raspão por uma bala e foquei
em sentir-me grata. Grata, pois eu tinha amigos que iriam
sentar-se ao redor na sala de espera de um hospital para
ouvir a notícia de um arranhão e grata que Eddie cuidava
deles para que eu não precisasse fazer isso. Porque eu era
grata, eu achei a mão dele e eu dei-lhe um aperto. Ele só
aumentou o meu aperto, trazendo os dedos para cima e
passando seus lábios contra os meus dedos.

O gesto foi tão íntimo, que minha barriga enrolou e o


oxigênio queimou em meus pulmões.

Foi então, que o Detetive Marker chegou.

Eddie ficou comigo enquanto o Detetive Marker falou


comigo, outra vez.

A única boa notícia que Jimmy Marker me deu foi que


Shirleen estava bem. Ela sofreu uma pancada na cabeça. Ela
foi levada para Hospital Saint Lucas Presbiteriano, e admitida
para a observação apenas, uma pequena concussão.

— Você sabe onde o meu pai está? - Eu perguntei ao


Detetive Marker.

Ele olhou para mim.

— Normalmente essa é a minha linha de perguntas, -


ele voltou, tentando brincar.
Olhei para ele.

Ele suspirou, olhou para Eddie, depois para mim.

— Temos testemunhas que dizem que ele foi levado por


Slick, ele estava vivo, mas parecia ferido. Nenhuma palavra,
nenhum sinal. Estamos procurando e nós continuaremos
procurando, - ele prometeu-me.

Eu senti suas palavras cortando-me como uma faca.

A mão de Eddie entrou em meu cabelo e, muito


suavemente, ele apertou o lado ileso da minha cabeça contra
ele.

— Eu estou bem, - eu menti, olhando para ele.

Ele olhou para baixo.

— Você é tão cheia de merda.

Isso o fez ganhar um sorriso.

Ele levou-me para a casa dele, ajudou-me a despir-me


e entrou no chuveiro comigo. Ele virou o spray e usou o
chuveiro em mim, e, com cuidado para evitar o curativo no
meu rosto, ele lavou o sangue do meu cabelo. Nós nos
secamos, eu penteava meus cabelos e Eddie colocou-me na
cama nua e me abraçou forte. Depois de algum tempo, seu
calor infiltrou em mim e eu comecei a sentir-me segura
novamente.

— Estou preocupada com o meu pai, - eu sussurrei


como se eu estivesse admitindo um pecado grave. — Eu sei
que não deveria estar, mas eu estou.

— Você não seria você, se você não o fizesse, - ele


respondeu, com a voz suave e, juro, talvez até um pouco mais
carinhoso (ou talvez até muito). Fiquei ali por algum tempo,
de repente sentindo ainda mais quente.

— Eddie?

— Sí, mi amor?

— Eu tenho que dizer-lhe uma coisa e você tem que me


prometer que não vai ficar bravo.

Ele ficou em silêncio.

— Promete? - Ele suspirou.

— Você está me matando, - ele murmurou. Exigi dele.


— Você tem que prometer.

— Eu prometo. — Ele pode ter prometido, mas ele


claramente não estava feliz com isso.

Eu disse a ele o que aconteceu, em detalhes, com Vince


e Mace.

Ele escutou sem fazer um único ruído, mas seu corpo


ficava cada vez mais tenso.

Então eu disse a ele sobre o beijo e ele estava


totalmente passado.

— Foi só.... Não é o que você pensa.... Foi, eu nem sei o


que foi. Mace disse-me para não dizer nada, mas... - Eddie
interrompeu-me.

— A irmã de Mace foi assassinada enquanto Mace foi


forçado a assistir. Teve sua cabeça arrancada. Tiro na
cabeça. - Foi a minha vez de ficar totalmente parada,
enquanto eu senti meu sangue gelar. Eddie continuou: —
Provavelmente não é divertido reviver e provavelmente vale
um beijo de você quando o final foi diferente. - Eu não
poderia evitar, foram os flashbacks que continuavam a entrar
na minha cabeça, era o conhecimento de por que Mace estava
puto o tempo todo, comecei a chorar.
Eddie acariciou minhas costas e falou baixinho comigo
em espanhol, até que, finalmente, parei de chorar e como a
adrenalina diminuiu. Eu comecei a ficar sonolenta e
aconcheguei-me mais fundo dentro dele. Logo antes de eu
cair dormindo, ele disse em voz baixa: — Amanhã, nós
precisamos ter uma conversa.

— Eu pensei que nós estávamos conversando, - eu


murmurei, meio dormindo.

— Esta não é um tipo de bate papo ‘nua na cama após


levar um tiro e ser ferida na cabeça’. Este é um tipo ‘bem
acordada e escutando o Eddie’ de bate papo.

Querido Deus.

Não mais um desses.

Acho que se eu pudesse sobreviver sendo segurada


com uma arma apontada, eu poderia sobreviver a um bate
papo ‘escutando o Eddie’.

Com esse pensamento, eu dormi.


Capitulo 21

A palavra Namorada transforma-se na palavra


Mulher. (Hum... Ops!)

O alarme disparou, Eddie tocou um botão e rolou em


mim.

Eu fiquei tensa, esperando ele jogar as cobertas e


arrastar-me para fora da cama.

Em vez disso ele puxou minhas costas para a sua


frente e ele perguntou baixinho: — Como está sua cabeça?

Eu fiz uma varredura de todo o meu corpo. Meus


joelhos estavam machucados, minha cabeça doía e meu
corpo inteiro parecia duro. Por outro lado, eu estava
respirando e não trancada em um frigorífico do lado
assustador do necrotério, então eu percebi que eu estava
sentindo-me muito bem. Em resposta eu disse: — Eu não
posso acreditar que eu tenho que levar um tiro para você
apertar o botão soneca.

Seu corpo vibrou.


— Podemos fazer um acordo? - Ele perguntou, sua voz
ainda tranquila.

Eu não estava acordada o suficiente para fazer um


acordo com Eddie, mas não estava com vontade de
argumentar também.

— Talvez, - eu disse, pensando que era um bom


compromisso.

— O negócio é o seguinte: essa foi à última vez que você


faz piada sobre você levar um tiro.

Minha respiração ficou presa e eu segurava. Seus


lábios vieram ao meu pescoço.

— Combinado? - Ele perguntou.

— Ok, — eu concordei em um grande suspiro.

Eu tinha que admitir, suas palavras e o significado por


trás delas sacudiram-me direto na minha alma. Eu não tinha
tempo para concentrar-me em minha alma abalada, os lábios
de Eddie começaram a deslizar, para cima do meu ombro.

— Vamos tomar um banho? - Perguntei.


Ele virou-me com cuidado, para que ficássemos cara a
cara e suas mãos deslizaram pelas minhas costas até a
minha bunda. Inclinei a cabeça para olhar para ele e seus
olhos estavam em meu rosto.

— Eu acho que é melhor fazermos isso deitados. - Eu


assenti, porque ele provavelmente estava certo. Eu sobrevivi a
um tiro, eu não tinha necessidade de ter uma morte trágica
ao ganhar um orgasmo no chuveiro.

Então ele beijou-me e eu não estava pensando em nada


acerca de trágico.

Então ele fez amor comigo.

Não era quente, nem rápido, como parecia que Eddie


eu gostávamos.

Foi como uma queimadura lenta; ele foi gentil e foi


doce.

Foi tão lento, suave e doce que, no final, ele acumulou


um orgasmo, — Oh meu Deus, Oh meu Deus, - com o
pescoço arqueando, aquilo foi bom, pois depois, meu corpo
não se sentia mais tenso.
— Nós vamos nos atrasar para o trabalho, - eu disse
para a garganta de Eddie quando as coisas acalmaram e eu
estava deitada em seus braços. Seus braços ficaram mais
apertados, indicando que não iríamos a lugar nenhum.

— Indy não se importa quando você aparece e todo


mundo sabe que a minha namorada levou um tiro na noite
passada. Eu não acho que eles estão nos esperando.

Lá estava ele de novo, com aquela palavra, namorada.

— Todo mundo sabe? - O que eu quis dizer foi, todo


mundo sabia que eu era sua... namorada.

— Policiais falam. Você tem sido o principal tema de


conversa desde que cheguei e puxei briga após a despedida
de solteiro. - Ah... Querido... Deus.

Eu rolei em suas costas e eu olhei para ele.

— O que quer dizer, puxou a briga após a despedida de


solteiro?
Ele estava usando o seu olhar satisfeito e meu corpo
enrolou. Colocou meu cabelo atrás da minha orelha e depois
segurou meu queixo, correndo o polegar sobre meu lábio
inferior.

Meu corpo transformou-se em uma onda torcida.

— Eles não vão exatamente me dar um elogio por


iniciar uma briga e quebrar o nariz de um cara poucos dias
antes do casamento dele. - Eu pisquei, então continuei
olhando.

— Você está com problemas?

— Relaxe Chiquita. - Eu sorri e ele me puxou para


baixo dele.

— Nada aconteceu. O noivo não estava animado para


dizer à sua noiva que ele quebrou o nariz porque ele colocou
a mão por baixo da camisa de uma garçonete em uma casa
de strip tease. E Smithie não o empurrou, provavelmente por
causa de você.

Pensei no solteiro número um, e a despedida de


solteiro, pensei nele casando com um grande curativo no
nariz. Isso seria uma chatice séria para as fotos do
casamento.
Eu tinha que admitir, eu gostei da ideia,
principalmente porque ele era um idiota, mesmo eu sentindo
pena de sua noiva (por uma variedade de razões).

Eu não poderia evitar, uma foto do casamento


apareceu na minha cabeça e isso me fez sorrir. Como meu
rosto estava contra o peito de Eddie, ele o sentiu e beijou o
topo da minha cabeça.

Então eu perdi o meu sorriso quando os meus


pensamentos foram longe.

Eddie começou a ter problemas no trabalho por mim.


Eddie também pagou pelo meu carro, que tinha custado mil
dólares, pelo menos, para não mencionar a cafeteira. Eddie
era um policial. Imaginei que os policiais provavelmente
ganham bem, em relação a dinheiro, por exemplo, em
comparação com vagabundos como o meu papai. Eles não
eram conhecidos por serem uns imbecis. E, ontem à noite,
Eddie deveria estar em algum lugar onde algo estava ‘para
acontecer’, mas ao invés disso ele estava no hospital comigo.

Sério, isso não poderia continuar.

Achei que era hora de ter um bate papo de Jet.

— Eddie? - Eu comecei.
— Merda, eu pensei que tinha os seus 'Eddie'
descobertos, mas esse soa como um novo. - Eu o ignorei.

— Eu pensei que você tinha alguma coisa acontecendo


na noite passada.

— Eu tinha.

— Será que resolveu? - Eu perguntei. Sua mão deslizou


pelas minhas costas e começou a brincar com o meu cabelo.

— Ouvi a chamada no rádio, Indy tem seu próprio


código, o que não deveria surpreendê-la. Eu sabia que você
estava com ela, então eu desliguei.

Fechei os olhos.

— Eu sou um pé no saco, - eu sussurrei.

Ele puxou-me suavemente sobre o meu cabelo e eu


olhei para ele. Ele tinha mergulhado o queixo, olhando para
mim. Seu rosto era grave ainda doce. Era um novo olhar e,
como qualquer um de seus olhares, eu gostei.

— Eu estava em uma demarcação, nada estava


acontecendo, estava se tornando claro que nada ia acontecer
e era chato como inferno. Embora eu preferisse ter voltado
para casa com você como outra noite, você não interrompeu
nada.

Bem, isso foi um alívio. Eu decidi falar o tópico


número dois. Eu não sabia como abordar isso, então eu
decidi ser apenas direta.

— Você tem que parar de gastar dinheiro comigo.


Ele me virou de costas, o seu corpo principalmente em
mim.

— Chiquita...

— Não, de verdade. Eu sei que você quer ter-me em


dívida com você, mas está ficando ridículo. O carro foi
demais, a cafeteira...

Ele começou a rir. Seu corpo estava vibrando.

Eu não tinha certeza do que era tão hilário. De acordo


com Daisy, cafeteiras eram muito graves e Daisy sabia quase
tudo.

— O que é engraçado? - Eu perguntei. — Não, espere.


Eu vou dizer-lhe o que não é engraçado e isso não é
engraçado. Estou falando sério.
— Você realmente tem um problema com aquela
cafeteira, não tem? - Perguntou Eddie.

— Eddie.

— Callate, mi amor. - Disse e lá estava ele novamente.


Eu podia ouvir o afeto em sua voz. Eu não estava pronta para
a afeição divertida, quando estávamos discutindo algo tão
importante como cafeteiras.

— Não me diga para calar a boca, - eu disse a ele. Os


nós dos dedos percorreram a minha mandíbula e eu olhei
para os seus olhos; estava acompanhando o seu riso.

— Eu sei que você trabalha duro pelo seu dinheiro.


Mas você deve saber que isso significa mais para você do que
provavelmente significa para mim.

— O dinheiro significa muito para todos e eu sei que


você não está rolando nele, por isso você tem que parar de
gastar comigo. - O riso morreu em seus olhos.

Eu tinha, é claro, meio que realizar o meu bate papo de


Jet, esquecida de que Eddie era um homem mexicano-
americano e eles tendem a ser tanto masculinos e
orgulhosos, mas eu apenas passei por cima de ambos.
Ainda assim, eu não me importei. Isso ia muito mais
longe e muito mais rápido do que me fez confortável. Na
verdade, este acontecimento fez-me desconfortável em tudo.
Eu tinha que colocar freios, em breve.

— Nós não estamos falando sobre isso, Chiquita, - ele


disse para mim.

— Sim, nós estamos, - eu respondi.

Seus olhos começaram há ficar um pouco brilhantes.

— Ok, então, nós estamos, - ele disse.

Uh-oh.

Eu não acho que eu tivesse mais o controle da


conversa.

— Tempo para a nossa conversa, - ele anunciou.

O bate papo da Jet tinha acabado de tomar um rumo


assustador na estrada que leva direto para a conversa do
Eddie.

Droga.
— Eu acho que eu preciso de café antes de nossa
conversa, - eu disse com a esperança de ganhar tempo.

— Depois. Nós vamos deixar algumas coisas em linha


reta, você e eu.

Droga, merda, merda e inferno.

Eu não estava fazendo muito bem com as coisas tortas


entre Eddie e eu. Eu realmente não queria as coisas em linha
reta. Eu não sabia certamente como eu queria as coisas. O
que eu sabia era que não as queria e aquilo era coisa
Extenuante de Relacionamento, enquanto o resto da minha
vida estava um caos.

— Eddie...

— Eu sei o significado desse ‘Eddie’, - ele disse, — e


você pode me poupar. Você não vai sair dessa. - Como
exatamente ele me entendia tanto?

Eu desisti e encarei-o.

Ele ignorou ‘A Encarada’.

— Veja, mesmo com balas voando por aí, eu tive a


chance de conhecê-la. Chame-me de louco, mas eu gostaria
de fazer isso melhor. - Minha encarada aprofundou-se.
Eu continuei a ignorá-lo.

— Dito isso, balas estão voando por aí, uma quase


explodiu seu lindo rosto ontem à noite, por isso, eu tenho que
dizer a você, eu gostaria muito mais disso se você chegar a
ver o seu próximo aniversário. Da maneira que eu vejo, isso
lhe dá duas opções. Porta número um: você acalma este
negócio de ‘obter o controle da minha vida’ e me deixa mantê-
la segura, o que significa que você vai fazer o que eu digo e
não vai mais sair pela cidade com a sua gangue de salto alto.
Porta número dois: você vai para o seu próprio caminho. Você
faz isso, eu vou pedir para Lee buscá-la e colocá-la em seu
quarto seguro até eu resolver essa merda. Se isso significa
que estamos terminados, eu vou aceitar essa escolha,
sabendo que depois que isto estiver acabado, você vai estar
em algum lugar viva e respirando, mesmo que você esteja
fazendo isso na cama de outra pessoa.

Engoli em seco através da encarada e disse: — Eddie...

— Nada de 'Eddie'. Você escolhe, neste momento, a


porta número um ou a número dois, nenhuma discussão.

Sério. Eu não penso assim. Ele não ia ficar lá e dar-me


um ultimato.
Eu o empurrei, sentei-me, levando o lençol comigo, e
olhei para ele, mas ele sentou-se também, então eu perdi a
minha vantagem.

Que assim seja, eu estava acostumada a não ter


nenhuma vantagem.

— Há sempre espaço para discussão, - eu disse a ele.

— Não desta vez, - ele rebateu.

Apertei os olhos para ele e, em seguida, disse algo


imensamente estúpido. Não me pergunte por que, eu apenas
fiz. Talvez tenha sido a minha atitude recém-descoberta; eu
não me tinha sob controle ainda, e vazou contra minha
vontade na pior das hipóteses possíveis.

(Em minha defesa, Eddie estava sendo meio que


mandão.)

— Porta número três é que eu faço o que eu quero e


consigo que Daisy me ajude a evitar você enquanto eu estou
fazendo isso. E a porta número quatro é virar as costas e
correr, escapar, conversando com Mace e pedindo para ele
ajudar eu e minha mãe a desaparecer no México, como ele
disse na noite passada.
Os olhos de Eddie que já estavam um pouco brilhantes,
eles agora estavam reluzentes.

— Me desculpe?

Hum... talvez fosse hora de deixar de lado a atitude e


manter a minha boca fechada.

— Eu gostaria de ouvir essa parte novamente acerca de


Mace ajudá-la a desaparecer.

Eu não achava que ele gostaria de ouvi-la novamente,


então eu decidi não dizer isso de novo.

— Diga-me sobre Mace, - ele insistiu.

— Não, - eu disse.

— Eu acho que eu perdi alguma coisa, talvez devemos


voltar para aquele beijo que você compartilhou, - ele sugeriu
e eu podia sentir as vibrações negativas passando por ele em
ondas, batendo contra mim.

— Eddie.

— Pelo amor de Deus, Jet! – Ele explodiu e eu nunca


tinha o ouvido falar tão alto. Quer dizer, eu tinha ouvido ele
gritar, mas este era um rugido.
— Você foi baleada ontem à noite.

— Acredite em mim, eu sei. - Eu gritei (mas o meu tom


não era tão bom).

— Você não está indo embora, e você não está indo em


qualquer lugar perto de Mace de novo, - ele gritou.

— Você não pode dizer-me o que fazer!

Seus olhos se estreitaram.

— É melhor você acreditar que eu posso, porra.

Senti minha cabeça latejar e eu escolhi cair de volta


para os travesseiros em vez de ter outra competição de
encarar, eu nunca ganhei dele de qualquer maneira.

Fechei os olhos e coloquei minha mão na minha


cabeça.

Ele estava certo, é claro e isso me irritou totalmente.


Eu não tinha nada que me colocar lá fora; eu não sabia o que
estava fazendo. Ele tentou me avisar com o incidente usando
spray de pimenta, mas eu ouvi? Não. Então, eu acabei no
chão de uma sala cheia de cigarro e sujeira, protegendo a
minha irmã de levar um tiro, meus amigos na linha de fogo,
Shirleen, que eu mal conhecia, deitada inconsciente no
corredor para fora e terminando com uma arma na minha
cabeça. A arma disparou, e isso na frente de Mace, fazendo-o
reviver um pesadelo.

Droga, merda, merda, inferno e de volta.

— Ok! Está certo, - eu gritei, abrindo meus olhos. —


Eu vou me acalmar, mas você tem que me prometer que não
vai dizer ao Mace o que eu lhe disse neste momento.

Ele deixou-se cair a meu lado e rolou em cima de mim,


prendendo-me na cama.

— Não mesmo porra, Mace e eu vamos ter uma


conversa.

— Não! Você tem que prometer.

— Você já escolheu a porta número um, o que significa


que você me escolheu, o que significa que você está ficando
na minha vida e na minha cama. Eu sei que você não vai
gostar disso, Chiquita, porque parece como se você estivesse
preparando-se para fugir a qualquer momento, e algo parece
ou soa sério sobre nós, mas também significa que você é
agora oficialmente a ‘minha mulher’ e, como tal, Mace e eu
vamos ter uma conversa.
Eu não tive tempo para pirar acerca de ser ‘mulher de
Eddie’. Isso era pior do que ser a namorada. Muito pior. Mil
vezes pior. A palavra namorada era para a palavra mulher, o
que a palavra puta era para a palavra vagabunda. Eu não
podia nem dizer a palavra com v na minha cabeça!

Eu tive que deixar a palavra ir e resolver uma coisa de


cada vez.

— Ele disse que se eu lhe dissesse, nós íamos


desaparecer no México! Você não pode dizer a ele. Isso vai
quebrar o que quer que isso fosse para ele. Ele não estava lá,
ele deslizou em outro momento, eu vi, eu senti. Aconteceu
que eu estava lá quando ele deslizou, poderia ter sido
qualquer uma. Mas era eu e isso nos liga, mas não de uma
maneira ruim. Você não pode compreendê-lo, você não estava
lá. Mas eu lhe disse o que aconteceu. Eu não menti e não me
escondi. Não faça eu me arrepender de não ter mentido.

Ele tinha uma mandíbula apertada e olhou para mim.

— Eddie, prometa.

— Jet, você não é apenas qualquer uma para aqueles


meninos. Lee tem câmeras e microfones na Fortnum. Eles
assistiram você por meses e gostaram do que viram, eu sei,
eu os ouvi dizerem isso. Quando Lee me disse que recebeu a
notícia de que Slick estava em movimento e que Lee estava
pedindo voluntários para executar a proteção para o seu
grupo, cada porra de indivíduo da sua folha de pagamento
voluntariou-se. Ele teve que escolher uma equipe de seus
melhores homens, pondo-se na linha de fogo por você ‘de
graça’.

Doce Jesus. Ele tinha que estar brincando.

— Você está brincando, - eu sussurrei.

Ele balançou a cabeça.

Achei que eu estava tendo dificuldade para respirar. Eu


nunca iria processar isso, isto estava além do processamento.

— Por quê? - Perguntei.

— Eu estou pensando que é porque eles gostariam de


estar onde estou agora. Para minha sorte, eu cheguei lá em
primeiro lugar e deixei claro que eu estava interessado. Ou
melhor, eu deixei claro para todo mundo, exceto você. - Ele
parou e ficou me olhando de perto, — Jesus, Jet, você não
tem a menor ideia, não é?

Eu achava que eu não queria conversar mais, eu tinha


terminado de conversar.
Eu precisava levantar-me, ir trabalhar, ir ver Shirleen,
certificar-me que minha mãe e Lottie estavam bem e
processar o fato de que eu era agora ‘oficialmente’ a mulher
de Eddie. Eu não queria estar tendo esta discussão. Para
comunicar isso para Eddie, eu disse: — Eu preciso de café.

Ele ficou olhando para mim por um tempo, então, algo


mudou em seus olhos, o brilho saiu e voltou com o calor,
ternura e carinho. Eu estava começando a sentir saudades do
horror de ter uma arma apontada para a minha cabeça.

— Chiquita, as mulheres gastam muito tempo sentadas


reclamando que não existem homens bons lá fora. Odeio
dizer isso, mas não há um monte de mulheres boas também.
A diferença é que, quando um homem vê uma, ele sabe disso.
Então, ele vai atrás dela e faz de tudo até que ela seja sua.
Então, se ele é mesmo um homem, ele não vai deixá-la ir. -
Ops!

Isso só estava piorando.

— Eu realmente preciso de café, - eu disse.

Suas pálpebras baixaram um pouco e a covinha saiu,


mas seus lábios não sorriram.

— Vejo que você está no modo de ‘pronto para fugir’ de


forma que eu vou deixá-la fora do gancho. Só para terminar
isto, espero que você possa entender agora por que eu vou
acertar as coisas com Mace.

Eu suspirei, sabendo que este era outro argumento que


eu não iria ganhar e decidi então salvar a minha energia para
um que eu pudesse ganhar.

Seja lá quando for isso, provavelmente quando eu


tivesse noventa e oito e usasse sapatilhas pretas.

Então eu disse: — Se ele me agarrar e desaparecer no


México, você só terá que se culpar. - O sorriso saiu.

— Eu vou correr esse risco.

Eu usei as melhores palavras que uma mulher tinha


em seu arsenal de argumento, sem dúvida era o seu próprio
tipo especial de palavra foda-se para os homens.

— Tudo bem, - eu recortei, querendo dizer tudo menos


isso. — Posso tomar um café agora?

De alguma forma, parecia que Eddie achou o meu ‘tudo


bem’ divertido. Eu poderia dizer pelo calor e ternura
acompanhado por um brilho carinhoso em seus olhos.

Maravilhoso.
Isso que eu ia colocar os pés no freio. Parecia que invés
disso, nos mudei de relacionamento sério para
relacionamento hiper sério. Seus lábios tocaram os meus,
então ele disse: — Sim, você pode tomar o seu café.
Capitulo 22

Uma de minhas meninas.

No final da manhã, Eddie e eu entramos na Fortnum,


meu braço estava em volta da cintura de Eddie, minha outra
mão em seu abdômen. O braço de Eddie estava enrolado em
volta do meu pescoço, sua mão solta na minha frente, o que
significava que eu estava enfiada muito perto de seu lado.

Isso, eu tinha decidido chamar de ‘O Abraço da Mulher


de Eddie’ e mesmo que a palavra com M me enlouquecesse,
eu tinha que admitir que ‘O Abraço’ não era tão ruim.

No minuto em que entramos, minhas reflexões sobre


isso cessaram e eu queria virar e correr.

Eu não era uma grande fã de ser o centro das atenções,


eu preferia muito mais voar abaixo do radar. Isso,
obviamente, não iria acontecer pela manhã depois que eu
tinha sido atingida de raspão por uma bala.

Eu olhei no espelho de manhã e pensei que eu parecia


normal, olhei, eu só tinha um machucado pequeno no rosto.
Não era tão ruim, certamente não tão ruim quanto os olhares
nos rostos de todos.

Duke e Tex estavam atrás do balcão de café expresso.


Jane e Ally atrás do balcão de atendimento. Mãe, Trixie, Ada,
Blanca e Lottie formando um amontoado na área de sentar,
com a irmã de Eddie, Gloria, Tod, Stevie e Indy em outra e o
Bando Selvagem mais Hank na última.

Quando entramos, todo mundo ficou olhando para nós.

Eddie e eu paramos. Eu fiz uma varredura na loja.

Então eu dei um aceno de mão vago. Então eu disse:


—Oi.

Ninguém se moveu. Eu suspirei.

— Eu estou perfeitamente bem, - eu disse a eles.

Isso levou a alguma ação, mas somente de Duke.

Ele veio de trás do balcão de café, pegou uma vassoura


que estava contra a parede e saiu fora. Ele balançou a
vassoura como se fosse um taco de baseball contra um poste
de telefone. Ele fez isso com tanta força, que dividiu a
vassoura ao meio, parte de vassoura voando na Broadway,
onde felizmente os carros estavam parados do outro lado da
interseção em um semáforo.

Então ele fez um lance abaixo, jogando a parte restante


na rua e para trás.

Todos assistiram a isto, portanto, todo mundo estava


assistindo a Duke quando ele voltou. Ele apontou para mim,
sobrancelhas desenhadas sob a sua marca registrada, a
bandana vermelha que estava amarrada na testa.

— Você acabou, - disse ele, sua voz de cascalho baixa e


mal controlada.

Eu assenti. Eu estava com muito medo para fazer


qualquer outra coisa.

Em seguida, ele apontou para Eddie.

— Você tem dois dias para resolver essa merda. Se você


não resolver, Jet e sua mãe estão desaparecendo. Tenho
pessoas em todos os lugares que me devem favores. Ela fica
nesse tipo de perigo, e eu vou colocá-la na parte de trás de
uma Harley e ela se foi. Entendeu-me? - Esta explosão pegou-
me de surpresa.

Em primeiro lugar, eu não sabia que Duke gostava


tanto de mim. Duke era meio mal-humorado assim eu achava
que ele principalmente me aturava, não que gostasse de mim.
Não o suficiente para quebrar uma vassoura e
definitivamente não o suficiente para ir cara a cara com
Eddie. Em segundo lugar, eu estava pirando porque Duke
estava indo no cara a cara com Eddie. Eu não acho que Eddie
gostava disso.

— Acalme-se, hombre, - disse Eddie, num tom de


advertência.

Eu estava certa, Eddie não gostava disso.

— Eu vou me acalmar quando eu não precisar saltar


na minha moto no meio da noite para certificar-me que uma
das minhas meninas não chegou com a cabeça estourada.

— Duke, é só um arranhão, - eu coloquei, sentindo as


palavras 'uma das minhas meninas' passando através de
mim como uma seda. Seus olhos em mim.

— Eu não dou uma merda para isso porra, você vê


onde está? Uma polegada e meia sua cabeça teria ido. Jesus
Cristo! - Ele explodiu.

Eu não tive nenhuma chance de acalmar a situação,


senti as mãos em mim então. Eu fui tirada do braço de Eddie
e, em seguida, envolta em um abraço. Senti a camisa de
flanela de Tex contra minha bochecha e então senti sua
barba contra minha testa.

— Porra, Loopy Loo, - disse ele, com a voz embargada.

Eu não poderia suportar isso. Tex sempre teve uma voz


forte. Lágrimas atingiram meus olhos e eu não podia
controlá-las.

— Eu estou bem, - eu sussurrei.

— O mundo seria um lugar mais pobre, sem você nele,


- ele sussurrou de volta, realmente sussurrou.

— Eu estou bem, - eu repeti, colocando meus braços ao


redor de sua cintura, ou tentando, ele era um cara grande.
Se você me dissesse a duas semanas que eu estaria
abraçando Tex, eu teria rido na sua cara. Mas lá vai.

Seus braços soltaram-me e ele me virou para mamãe


que estava lá. Ela puxou-me para ela, um braço só e assim
começaram as rodadas de abraços, beijos na bochecha
(exceto Blanca, que lançou um bem em meus lábios) e um
monte de vezes, eu dizendo: — Eu estou bem.

Eu tinha que admitir que isso tudo trouxe um lar para


mim. Você perde-se em seu caos, e você não percebe o quanto
está arrastando todo mundo junto com você.
No final, eu estava largada, exausta, em um sofá entre
a mamãe e Trixie, a minha cabeça no ombro da mamãe, a
cabeça apoiada contra a minha. O lenço de Ada com a
maioria do meu rímel estava agarrado na minha mão.

— Sinto muito, - disse a mamãe.

— Eu só queria consertar as coisas. - Ela levantou a


cabeça e olhou para mim.

— Você pode me fazer um favor, cara de boneca?

Eu balancei a cabeça.

— Desta vez, você pode deixar alguém consertar as


coisas? - Eu olhei para Eddie, que era a outra pessoa que
estava indo consertar as coisas. Ele estava falando em voz
baixa com Mace. Eles romperam e saíram.

Droga. Eu suspirei.

Como Eddie diria, uma coisa de cada vez.

— Claro, - eu disse a mãe. Mamãe relaxou em mim.

— Isso me faz sentir muito melhor. - Blanca, sentada


em frente de nós, disse algo em espanhol. Eu olhei para ela.
— Perdão? - Eu perguntei.

Ela balançou a cabeça, mas Gloria respondeu.

— Ela disse que valeu a pena esperar. - Agarrei o lenço


apertado.

Senhor. Eu estava com problemas ou o quê?

— Obrigada, - era tudo que eu conseguia pensar para


dizer.

Foi então que Ada arrastou-me, com os olhos brilhando


e ela apontou para Vance.

— Aquele menino ali é um caçador de recompensas e


ele tem uma moto e ele disse que ia me levar para um
passeio. - Querido Deus.

Eu visualizei Ada na parte de trás da Harley de Vance e


eu não pude fazer nada, comecei a rir.

Mace desapareceu, mas Eddie voltou e eu não tinha


certeza que eu poderia ler seu rosto, exceto pelo fato de que
tudo o que ele estava pensando não era bom.
Levantei-me e fui até ele. No minuto em que veio ao
nosso alcance, ele pegou minha mão e puxou-me para mais
perto, deslizando um braço de baixo na minha cintura, ele
chamou-me em seu corpo e tocou seus lábios nos meus.

— Tenho que começar a trabalhar, - disse ele, quando


terminou.

Hmm. Ele estava tentando uma tática de fuga.

— Como foi com Mace? - Eu perguntei, não o deixando


fugir com isso.

Seus olhos brilharam, não era um bom sinal.

— Eu deixei claro onde eu estou. - Isto não era um


monte de informações.

— Eddie...

A mão que não estava na minha cintura foi para o meu


pescoço e seus olhos ficaram presos nos meus.

— Fique longe de Mace, - disse ele.

Uh-oh.

— O que isso quer dizer? - Perguntei.


— Isso significa ficar longe de Mace, - disse ele.

— Eddie. - Ele me puxou mais profundo.

— Mace sabe onde eu estou, eu sei onde Mace está.


Agora que eu sei, eu estou pedindo para você, fique longe de
Mace. - Meus olhos saltaram.

O que isso significa?

Não, eu não quero saber.

Eu tentei por garantia.

— Eu nunca vejo Mace, ele é uma pessoa da noite.

— Ótimo. - Ele fez outro toque de lábios, então eu acho


que ele estava certo, ele disse: — Eu conversei com Lee, você
vai ter proteção quando você não estiver comigo. O primeiro é
Matt. - Não.

Não, não, não.

— Eddie! Eu não posso...

— Eu não estou discutindo sobre isto Chiquita. Eu


tenho sido parte das cenas como a que aconteceu quando nós
entramos aqui, mas eu sempre fui o homem distante. Não
gosto de ser parte da cena ou de pessoas que eu respeito
quebrando vassouras e jogando isso na minha cara. Quando
você não estiver comigo, você tem um guarda-costas. Fim da
discussão.

Eu puxei para fora ‘a encarada’, era apenas para


mostrar e Eddie sabia, e tinha que ser por isso que ele sorriu.

— Você é adorável, - disse ele.

— Não sou, - eu retruquei.

Ele fez outro toque de lábios, este era um novo. Durou


mais tempo e incluía um toque de língua.

Foi delicioso.

Isso me atingiu por completo, no Eddie Torpor, ele


colocou meu cabelo atrás da minha orelha, em seguida, ele se
foi.

Dez minutos depois de Eddie sair, Daisy entrou, foi um


mau momento. As coisas estavam começando a se acalmar.
Trixie voltou para o seu salão de beleza e Gloria levou
Blanca para casa. Ada foi passar o dia no café com a mamãe,
enquanto Tex e eu trabalhamos. Lottie e Indy tinham descido
a rua para Walgreen para pegar um jornal para Lottie poder
procurar apartamentos. Tod e Stevie ambos tinham voos e
eles foram para casa. O Bando Selvagem e Hank saíram,
deixando Matt para trás.

Daisy olhou para mim e derrapou até parar em sua


bota plataforma coberta de brim, que tinha pedras brilhantes
e strass em acima e dos lados.

— Bem, isso não é simplesmente um pêssego! - Ela


retrucou, num tom que disse que ela sentiu que não parecia
em nada com um pêssego. — Você tem uma cicatriz, doçura,
vou rasgar o rosto de Vince Fratelli com minhas unhas
malditas!

Hum... ops!

— Daisy, eu estou bem, - eu disse pela milésima vez no


dia.

Ela ergueu a mão.

— Isso é culpa de Marcus. Dei-lhe uma repreensão na


noite passada e não ache que eu não fiz. Ele prometeu
consertar isso. Ele não consertou, e eu estou cortando sua
água, você sabe o que eu estou dizendo? - Realmente, eu não
sabia, mas ela estava em um discurso então eu não tive que
esperar por uma explicação.

— Ele não tem uma parte de mim até eu ter certeza de


não haver mais partes de você voando. Compreende? Você e
eu só temos que marcar uma reunião entre Marcus e Eddie e
eles deixam essa merda arrumada.

Isso não era bom. Eu não acho que Eddie ficaria


pulando de alegria com a ideia de uma conversa com Marcus.

Claro, Daisy, que sabia tudo, já tinha pensado em


tudo.

— Não se preocupe com nenhuma coisa, querida. Eu


sei que os nossos meninos não são os melhores amigos. Nós
só precisamos que eles escolham seus segundos. Para manter
a paz. Marcus escolheu Smithie, eu acho que Lee vai
conversar por Eddie.

— Daisy...

Ela levantou ‘a mão’ novamente.

— Tarde demais, Marcus já tem o negócio rolando. Ele


gosta de sua água, ele não está brincando. Eu acho que
Eddie deve estar sendo chamado praticamente agora. Você
apenas tem que convencê-lo. - Maravilhoso.

Eu não tinha mais chance de argumentar, Daisy tinha


terminado e estava olhando ao redor. Seus olhos fixos em
mamãe. — Esta é a sua mãe, ela gritou, em uma mudança
brusca de humor e marchou para a mamãe, inclinou-se e
deu-lhe um grande abraço.

— Oi, eu queria conhecê-la. - Ada estava olhando para


Daisy com olhos enormes. Mamãe olhou muda ou talvez seu
rosto tivesse ficado congelado no lugar depois de entrar em
contato com a super desenvoltura de Daisy.

— Eu gosto de suas botas, - disse Ada. Daisy virou os


olhos azuis para Ada.

— Bem, você não é doce? Eu sou Daisy.

Deixei-as para apresentações e retirei-me para o balcão


de café expresso.

— Eu me sinto como se eu estivesse em pé sobre areia


movediça, - eu disse a Duke, Tex e Jane.

— Isso é porque você está. - Duke atirou de volta,


franzindo o cenho para Daisy. Ele foi para as estantes e
desapareceu.
Merda e maldição.

Meu celular estava no meu bolso de trás e ouvi-o tocar.


Eu puxei-o para fora e vi que era ‘Eddie chamando’. Eu
suspirei, então eu o abri e disse: — Não foi minha ideia, eu
não tinha nada a ver com isso, eu juro.

— Chiquita... - disse Eddie.

— Você não tem que fazê-lo, - eu sussurrei, para que


Daisy não pudesse me ouvir. — Eu vou pensar em alguma
coisa, eu vou lhe tirar dessa.

— Eu já aceitei o encontro. - Fiquei em silêncio.

Então eu disse: — Eddie...

— Lembre-se que eu disse sobre querer que você veja o


seu próximo aniversário?

A areia movediça estava mastigando os meus sapatos e


se dirigindo para os meus joelhos.

— Eddie...

— Fique perto de Matt. Não se preocupe, Chiquita, vai


ficar tudo bem. Eu vou ligar mais tarde.
Em seguida, ele desligou.

Eu fechei meu telefone e olhei para Tex, ele estava


observando-me.

— Eddie acabou de marcar um encontro com o seu


inimigo mortal por mim. Daisy cortou a água de Marcus.
Duke quebrou uma vassoura. Lee está gastando dinheiro
como hemorragia para me manter com um guarda-costas.
Isto só está cada vez mais fora de controle. Como isso está
acontecendo? Por que isso está acontecendo? - Eu perguntei,
e eu queria saber.

Tex colocou uma mão grande e musculosa suavemente


sobre o topo da minha cabeça.

— Tudo o que vai, volta, Loopy Loo. - Então, sua mão


foi embora e ele explodiu para o outro lado da loja, — Oi,
Daisy. O que vai ser?

Eu estava atrás do balcão de café, deixando a minha


segunda, muito mais breve palestra sobre o carma.

Bem, então, foda-se. Se todo mundo estava tão


decidido a ser bom para mim, eu os deixaria. Eu lidaria com
as consequências mais tarde. Eu mentalmente puxei-me para
fora da areia movediça, enquanto Daisy caminhou até o
balcão e pediu um café mocha, chocolate duplo com leite
desnatado.

Olhei para ela.

— Chocolate é bom para você, o leite não é. Eu não ligo


para o que os anúncios de celebridades estúpidas dizem, -
Daisy me disse.

Tanto faz.

— Você sabe onde Shirleen mora? - Eu perguntei a ela.

— Não, mas posso descobrir, - disse ela. — Nós vamos


fazer uma visita? - Eu não esperava que fosse uma ‘situação
para nós’, mas, novamente, com Daisy na mistura, nunca foi
nada menos.

Virei-me para Tex.

— Coloque-o em um copo para viagem. - Virei-me para


Daisy.

— Faça a chamada. - Virei-me para Matt. — Ligue o


SUV, estamos caindo fora. - Daisy estava observando-me.

— Merda, Doçura, Vince difundiu algo mandão em


você, ou o quê? - Perguntou Daisy.
Tex riu baixo.

— Eu não devo fazer piadas sobre o tiroteio, - eu disse


a ela, quando Tex entregou-lhe o copo.

— Quem disse? - Perguntou Daisy.

— Eddie, - eu respondi.

Ela inclinou a cabeça um pouco e assentiu.

— O que eu disse sobre a cafeteira?

Maravilhoso.

Shirleen morava em um condomínio fechado; novo,


grande, casas lindas, construídas tão próximas umas das
outras que você poderia passar o molho pela janela para os
vizinhos do lado. Ainda que fossem melhores do que qualquer
coisa que eu já tivesse vivido, eu suspeitava que dirigir um
bar com uma mesa de pôquer na parte de trás pagava bem.
Daisy, Matt e eu fomos até a casa (bem, Matt não saiu, depois
de ouvir toda a maneira de Daisy falar a mil por hora,
saltando em torno de temas que vão do escopo das ameaças
de vingança a dicas de pele, ele deixou-nos um olhar como se
ele preferisse estar em outro lugar, no meio de outro tiroteio,
tendo suas unhas arrancadas pelas raízes, em qualquer
lugar).

Daisy bateu na porta e em poucos segundos, ela abriu.

Darius estava ali.

Que diabos?

— O que você está fazendo aqui? - Eu perguntei, muito


chocada com a sua presença para ser educada.

— Família de Shirleen, - respondeu ele, obviamente,


não surpreso com a minha surpresa.

Maravilhoso.

Apenas eu para fazer um membro da família de um


traficante assustador inconsciente, enquanto minha merda
caia.

Minha maldita sorte.

Eu não poderia ajudar-me, eu só tinha que encarar.

— Podemos falar com ela? - Perguntei.


Ele deu um passo largo para trás.

Meia dúzia de pessoas estavam penduradas em torno


da sala e a cozinha com a área plana aberta que era alta,
parecendo um teto de catedral. Eles todos observaram
quando nós entramos.

Shirleen estava deitada em um sofá grande, decorado


em preto contra um fundo branco. Deixou-me tonta só de
olhar para ele.

Ela parecia bem, mas como eu ia saber, eu não era


enfermeira.

— Oi Shirleen, - disse Daisy.

— Oi menina Daisy. - Shirleen respondeu, com um


grande sorriso em seu rosto, em seguida, seus olhos
deslizaram para mim e o sorriso morreu.

Eu não tomei isso como um bom sinal. Eu não sabia o


que dizer, então eu disse: — Ei Shirleen.

— O que aconteceu com a sua cabeça? - Ela


perguntou.
Olhei para Daisy, depois de volta para Shirleen. —
Fratelli segurou-me com uma arma na minha cabeça. Eu
girei tentando fugir. - Seus olhos arregalaram-se, então seus
lábios ficaram finos.

— Você está bem? - Ela perguntou.

Eu balancei a cabeça.

— Você está bem? - Perguntei.

— Cabeça doendo e eu estou chateada, fora isso, tudo


bem.

— Sinto muito, - eu disse.

— O que você sente muito?

Se ela não sabia, eu não tinha certeza de que queria


esclarecê-la.

Oh bem, perdido por cem, perdido por mil.

— É minha culpa que você foi ferida. - Com isso, ela


começou a rir.

— Menina, você tem um parafuso solto. Você me bateu


na cabeça?
— Não, - eu disse.

— Não se preocupe com Shirleen, Shirleen pode cuidar


de si mesma. Se ela não puder, ela vai encontrar alguém que
possa. - Foi quando Shileen olhou para Darius.

— Você sabe sobre Jet levando um tiro? - Ela


perguntou.

Ele acenou com a cabeça.

— É isso aí, meu filho, você ouviu o que eu estou


dizendo para você? - Ele balançou a cabeça novamente, desta
vez seus lábios viraram-se um pouco nas pontas.

Algo assustador estava acontecendo e eu sabia que era


a verdade quando Matt ficou tenso e os olhos arregalados de
Daisy viraram para mim.

— Shirleen, - disse Daisy, voltando-se para Shirleen: —


Eu tenho Marcus no caso.

— Bem, então, eu tenho Darius no caso. Isso é bom,


isso significa que esses filhos da puta, estúpidos e burros não
vão fugir, eles pensam o que? Acham que podem foder em
torno da mesa de Shirleen, atirar nos meus amigos, eu não
penso assim.
Não.

Não, não, não.

Quer dizer, tudo bem, eu gostei que Shirleen não


estivesse com raiva de mim e pensava em mim como uma
amiga, mas eu percebi que estávamos falando de alguém ser
abatido. Embora eu quisesse que os meus problemas fossem
embora, e eu queria que a correção fosse permanente, eu não
estava pronta para isso.

— O que estamos falando aqui? - Perguntei.

Shirleen abriu a boca para falar, mas Daisy cortou: —


O homem dela é Eddie Chávez.

A boca de Shirleen fechou e seus olhos se arregalaram.

Maravilhoso. Agora, Eddie era ‘meu homem’.

Eu tomei uma respiração profunda.

Tanto faz.

— Realmente, eu não posso... - Eu comecei a dizer.


— Feche a boca, consiga um chá gelado e sente sua
bunda aqui. Nós vamos assistir Days of Our Lives. - Sem
mais delongas, ela ligou a TV e alguém me deu um chá
gelado. Eu estava um pouco assustada com Shirleen para
desobedecer sua ordem para assistir Days of Our Lives,
mesmo que eu tivesse outras coisas para fazer, um monte de
outras coisas, como dizer à Eddie eu estava certa de que eu
só vi Shirleen dar a ordem para Vince Fratelli ser ripado. Em
vez disso, eu andei e sentei-me em uma cadeira estofada do
Barney, o dinossauro roxo.

Os olhos de Shirleen assistiram Matt e Darius


moverem-se em direção à porta.

— Ela tem a proteção de Nightingale, - disse Daisy,


estabelecendo-se em no sofá aos pés de Shirleen com o seu
próprio chá gelado.

— Imaginei isso depois que eu ouvi que o exército dele


varreu ontem à noite. Esse rapaz se transformou de uma
criança selvagem para um filho da puta malvado, agora ele
assusta-me. - Eu estava um pouco surpresa ao ouvir que Lee
poderia assustar Shirleen.

Shirleen parecia não ter medo de nada. Embora, eu


soubesse de onde ela estava vindo e eu assenti concordando
com ela. Ela pegou meu aceno de cabeça e olhou para mim.
— Qual é a história com você e Eddie? - Antes que eu
pudesse responder, Daisy chegou lá.

— Eles compraram uma cafeteira juntos no outro dia. -


Os olhos de Shirleen quase saltaram para fora de sua cabeça
e, em seguida, ela caiu na gargalhada.

— Eddie Chávez e uma cafeteira! Puta merda! Darius,


você ouviu isso? - Ela perguntou.

Darius estava em pé na porta com Matt, ele olhou para


o corredor, nada feliz em ser interrompido.

— Eu ouvi isso, - disse ele.

— Jet, menina, você está trabalhando em se tornar


uma lenda. A bola da vez, você perambulando com proteção
de Nightingale e comprando utensílios de cozinha com o
fodão do Eddie Chávez. Veja só, Darius, - ela falou, não
mostrando sinal da concussão ou que ela tinha uma
preocupação no mundo que Darius não queria ser
interrompido. Decidi focar nesse fato como semi-positivo, em
vez de no novo rumo assustador da conversa.

— Quantas meninas de fato gostariam de comprar uma


cafeteira com Eddie? O que, cem? - Enviei a palavra ao Bom
Deus que eu, realmente precisava de libertação.
Darius não respondeu. Pelo menos isso era algo.

Então Shirleen inclinou-se para mim e eu percebi que


eu deveria ter sido mais específica sobre meu pedido celestial.

— Darius é meu sobrinho, eu conheço Eddie há muito


tempo. Aquele menino pegou cada pedaço de bunda que se
movesse. Faz Lee Nightingale parecer um coroinha. Eddie
enviou sua mãe ao desespero. Acho que eles escreveram ao
Papa, foi um milagre quando ele se tornou um policial. Ainda,
mesmo depois que ele pegou o distintivo, ele fodeu tudo o que
respirava, não tendo nenhuma cafeteira à vista. Jet, menina,
você é foda! - Daisy inclinou-se para trás e colocou as botas
de plataforma sob seu traseiro magro, preparando-se para
ficar por algum tempo. Percebi imediatamente que eu deveria
ter vindo sozinha, mas eu estava grata que eu não tinha
compartilhado da torradeira.

— Ela acha que é chata e fora do alcance dele, - Daisy


lançou.

Eu atirei-lhe um olhar assassino.

Ela soltou uma de suas risadas.

Shirleen combinou com outra explosão de hilaridade.


Sentei-me, coloquei o meu chá gelado de lado, cruzei os
braços e as pernas, um pé saltando de impaciência com raiva
e puxei para fora ‘a encarada’.

— Eu não sei o que é tão engraçado, porra, - eu disse a


elas, e talvez isso não valesse o palavrão e talvez eu não
deveria ter confrontado os gostos de Daisy e Shirleen com o
palavrão, mas eu estava sentindo-me um pouco incomodada.
— Vocês vão ver. Quando tudo isso tiver acabado ele vai
desaparecer como um tiro.

Elas não tomaram conhecimento do palavrão ou da


minha atitude. Elas explodiram em gargalhadas e se elas
começassem a rolar pelo chão rindo, eu não teria ficado
surpresa.

Quando elas recuperaram o controle de si, Shirleen


estendeu a mão a um dos carrascos e estalou os dedos.

— Dê-me o telefone, Wanda. Tenho de chamar


Dorothea. Esta merda é boa demais para não compartilhar.

Maravilhoso.

— Dorothea? - Perguntou Daisy, com cuidado


enxugando uma lágrima de humor, para não borrar o rímel.

Wanda entregou a Shirleen o telefone.


— A mãe de Darius. Ela vai adorar isso. - Seus olhos
vieram a mim, enquanto ela socou os botões com o polegar.

— Qual a marca da cafeteira que vocês compraram,


menina? - Olhei para o aparelho de TV.

— KitchenAid, - eu murmurei.

— Oh! Não o estúpido Senhor Café para Eddie Chávez.


Quando esse menino faz alguma coisa ele faz por inteiro, -
Shirleen piou, colocando o telefone no ouvido.

— Dorothea? Você não vai acreditar nisso!

Daisy riu e eu cerrei os dentes.

Minha vida era uma merda.


Capitulo 23

Cinza.

Eu ouvia Shirleen falar para a mãe de Darius sobre a


cafeteira; claramente as duas apreciando a história muito
mais do que eu jamais apreciaria.

Em seguida, vimos Days of Our Lives. Então Dorothea


chegou.

Ela era bonita, de fala mansa. Os olhos brilharam


quando ela me reconheceu, então se estabeleceu para o que
eu suspeitava ser uma tristeza permanente que ela tentou
esconder, mas não funcionou muito bem.

Ela não era o que eu esperaria que a mãe de um


traficante fosse; ela parecia normal e amável, muito parecida
com Darius quando não estava sendo assustador.

Fomos embora, com Dorothea fazendo-me prometer


que ligaria todos os dias; fazendo-me prometer voltar e
assistir Days of Our Lives com ela e mantê-la informada de
quaisquer utensílios de cozinha novos que Eddie e eu
comprássemos juntos.
Darius tinha ido embora fazia tempo.

Matt estava parecendo que ia pedir um aumento.

Daisy foi embora no minuto em que chegamos a


Fortnum e eu descobri por Indy que mamãe, Tex e Lottie
estavam no nosso apartamento para o PT da minha mãe,
então eles iam pegar o El Camino para procurar
apartamentos pelos bairros.

Jane e Duke foram para casa e eu liguei para Eddie.

Nenhuma resposta.

Eu deixei uma mensagem.

— Ligue-me.

Quando eu fechei meu telefone, eu temia que eu


devesse ter dito adeus ou oferecido algo espirituoso e
divertido. Então eu passei algum tempo tentando pensar em
coisas espirituosas e divertidas para dizer próxima vez que eu
tivesse que deixar uma mensagem para Eddie. Então eu
desisti porque eu não era espirituosa ou divertida.
Indy e eu fechamos a loja e fomos lá fora trancar as
portas quando algo pela calçada chamou a atenção de Matt e
ele fez a elevação do queixo.

— Até mais tarde, - ele disse, o que poderia ter sido a


primeira coisa que ele disse no dia. Então ele foi embora.

— Meninos de Lee não gostam de dever de guarda-


costas, eles são homens de ação, - explicou Indy.

Eu balancei a cabeça e vi Hank andar até nós.

Hank era da mesma altura que Eddie, talvez mais alto


por um centímetro. Ele tinha o corpo de um atleta, magro e
musculoso. Ele também tinha o cabelo grosso, marrom
escuro e os olhos cor uísque. Hank não era um fodão, bad
boy. Hank era o cara certinho. Hank era o sonho de toda mãe
e sonho molhado de cada menina. E, tive a suspeita de que
Hank era o meu próximo guarda-costas.

Indy cumprimentou-o e eu olhei para ele.

— Você pegou o Dever Jet? - Perguntou Indy.

Hank cortou os olhos para mim.

— Sim.
Ele não parecia feliz com isso.

Indy riu e olhou para mim.

— Não torne isso pessoal. A última vez que Hank


brincou de guarda-costas, eu o levei para uma fazenda de
maconha e não deu muito certo. Não pergunte, eu lhe conto
mais tarde.

Ela me deu um abraço e saiu.

Eu estava lá e olhei para ele, me sentindo


desconfortável.

— E agora? – Eu perguntei.

— Jantar, - ele respondeu, me pegou pelo braço e me


guiou pela calçada a um Toyota 4Runner preto que estava
estacionado na rua. Sua cabeça para cima, seus olhos alerta.

— Hum.... Onde está o Eddie? Eu liguei para ele...

— Eddie está ocupado, - Hank me respondeu, abrindo


as portas e entrando na rua para me escoltar até o lado do
passageiro.

— Ocupado com o quê? O encontro com Marcus? - Ele


olhou para mim.
— Isso é mais tarde.

— Quanto mais tarde?

— Muito mais tarde, - disse ele.

Ele abriu a porta para mim.

Acho que isso era tudo que eu ia saber sobre os planos


de Eddie para a noite.

Eu entrei, ele também. Ele deu partida e começou a


dirigir.

— Eu sinto muito que você tenha que fazer isso, - eu


disse para os para-brisas, me sentindo estranha. Eu tinha
estado em torno de Hank, várias vezes, mas nunca sozinha.

E de qualquer maneira, Ally disse que ele pensava que


eu era quente. O que eu faço com isso?

— Todo mundo tem que comer o jantar, posso muito


bem fazer isso com uma garota bonita, mesmo que ela seja a
mulher de um amigo. - Siiiiim. A palavra com M.
Ele me levou para Bonnie Brae Tavern, um negócio de
família simples próximo a University Boulevard que não
mudou em 70 anos. É especializada em pizza e alguns lhe
bateriam se você lhes dissesse que não era a melhor em
Denver. Eu preferia a Famous.

Eu não ia dizer isso a Hank.

Felizmente, eles tinham um cardápio gorduroso que


não mudou em 70 anos também. Havia um monte de escolha
e a maioria era muito boa.

Nós nos estabelecemos em uma cabine verde, havia


placas de neon de cervejas e sinais de equipes de esportes do
Colorado dando um ar de Denver na atmosfera. Eu pedi um
Reuben. Hank pediu um cheeseburger. Então eu verifiquei o
meu telefone.

— Esperando uma ligação? - Perguntou Hank, sentado,


braço estendido ao longo de seu lado da cabine, me
observando.

— Eu deixei uma mensagem para Eddie, - eu disse.


— Pode demorar um pouco para ele lhe retornar. - Eu
balancei a cabeça.

Hmm.

Dilema.

Veja, em primeiro lugar, eu não tenho muita


experiência conversando com caras quentes. Bem, eu acho
que acumulei experiência ultimamente, mas principalmente
discutindo com Eddie quando não estávamos fazendo sexo ou
quando eu estava no meio de uma situação de vida ou morte.

Não saindo em uma pizzaria. Em segundo lugar, eu


estava certa de que um crime ia ser cometido, e parcialmente
por minha causa, e Hank era um policial. Eu estava
pensando que eu deveria denunciar, embora eu gostasse de
Shirleen e não queria ser uma delatora.

Merda.

Olhei em qualquer lugar, menos para ele, tentando


pensar no que dizer.

Enquanto eu olhava ao redor, eu o peguei sorrindo


para mim.

Eu perguntei; — O quê?
— É bonito, - disse ele.

— O quê? - Eu perguntei novamente.

— Você tímida. Eu gosto disso. É melhor do que a


atitude, no entanto, ela funciona bem também.

Meu queixo caiu.

Eu o fechei e foquei em um sinal de cerveja Coors com


a intenção de memorizá-lo.

Ele se inclinou para frente e eu olhei para ele.

— Relaxe, Jet, eu não vou morder você.

Ops.

O jantar foi duro o suficiente, eu não preciso de visões


de Hank me mordendo.

— Eu tenho um problema, - eu soltei, decidindo ser


uma dedo-duro, em vez de gastar mais tempo pensando nos
dentes retos, brancos de Hank afundando em minha carne.

— Você tem um monte de problemas, - ele me disse.


Eu dei-lhe uma ‘encarada’. Eu não estava
completamente comprometida com essa, porque eu não o
conhecia muito bem, mais eu o encarei mesmo assim.

— Sim, - ele murmurou, seus olhos com um fascínio


preguiçoso, enquanto ele olhava para mim, — Isso funciona
também. - Doce Jesus.

Eu me concentrei em meu objetivo.

— Eu preciso falar sobre o meu problema.

Ele sentou-se novamente. — Manda.

— Você é um policial, - eu disse a ele.

Seus lábios tremeram e ele concordou.

— Bem, digamos que alguém, hipoteticamente, meio


que sabe que algo ruim vai acontecer. Algo realmente ruim.
Então, digamos que uma coisa ruim acontece. Vai estar em
apuros se ela... ou ele... não o denunciar à polícia, tipo,
imediatamente?

Seus olhos mudaram de novo, ele não estava jogando


de flertar mais, ele estava me observando de perto.

— Quanto ruim é essa coisa?


— Ruim, - eu disse.

— Roubar uma barra de chocolate, ruim ou pior?

— Pior, muito pior.

Então eu me inclinei sobre a mesa e fiz um gesto para


que ele fizesse o mesmo. Ele fez e, quando ele estava a
centímetros de distância, eu sussurrei ‘Assassinato’.

Então eu me sentei.

Pronto, eu fiz isso.

Ufa. Isso tirou um peso da minha mente.

Hank ficou onde estava, com o rosto impassível e sério


e ele entortou um dedo para mim.

Uh-oh.

A carga resolveu voltar a minha mente.

Eu não queria, mas eu me inclinei para frente


novamente.

— Fale comigo, - ele exigiu.


Eu suspirei.

Então eu disse a ele sobre Darius e Shirleen, mantendo


nomes de fora, mas não seria preciso ser um gênio para
descobrir isso.

Quando terminei, ele sentou-se e passou o braço ao


longo do assento novo. Ele desviou o olhar e murmurou: —
Porra, inferno.

A garçonete serviu nossa comida, pegou nossas


bebidas e disparou para nos trazer refis, mesmo que nós dois
apenas tomamos alguns goles. Eu sabia por experiência
própria o que poderia fazer com suas gorjetas se você não
fosse supercuidadosa com refis.

— Era por isso que queria falar com Eddie? -


Perguntou Hank.

Eu assenti.

— Lee sabe sobre isso?

— Matt estava lá.

— Lee sabe sobre isso, - disse ele para si mesmo. Ele


cavou em seu jeans e puxou para fora o telefone. Ele estava
ignorando sua comida e eu também, mesmo que eu tivesse
perdido o almoço devido ao chá gelado e Days of Our Lives,
então eu estava com fome.

Ele apertou um botão e colocou o celular ao seu


ouvido, seus olhos brilharam em mim e disse: — Coma. Eu
tenho algumas ligações a fazer.

Eu comi.

A garçonete trouxe de volta as nossas bebidas.

Hank fez algumas ligações.

Então ele comeu.

— Eu não quero que eles fiquem com raiva de mim, -


eu disse depois que terminamos.

Ele perguntou: — Quem?

— As pessoas que... bem, eu acho que eles são meio


que meus amigos e de uma maneira fizeram isso por mim.
Acho que eles são boas pessoas fazendo coisas ruins.

— É simples. Um coisa ruim é um coisa ruim, não


importa quem a faz ou por que, e homicídio é a pior coisa que
existe.
Ele estava certo. Embora eu percebesse que forçar uma
menina a viver com medo de ser estuprada era muito alto lá
em cima.

— Jet, - Hank chamou e eu olhei para ele, — Fratelli


tem um amigo de verdade agora e esse é você. Marcus não
está feliz, não só porque Daisy está chateada com ele, Vince o
está fazendo parecer mau. Eddie e Lee vão passar a reunião
tentando fazer Marcus desistir de dar a mesma ordem que
você ouviu hoje. Marcus vai fingir que joga o jogo, porque se
ele não o fizer, Eddie vai estar em cima dele, ele está apenas
procurando uma desculpa. Mas Marcus vai dar a ordem
mesmo assim. É a única forma de enviar a mensagem. Vince
está em uma carga de dor, tanto com Darius e Marcus
ordenando a morte. Você mantém Eddie, ou eu, informados
dessa merda quando você ouvir, talvez possamos detê-la
antes que aconteça.

Eu balancei a cabeça.

Ele ficou me olhando.

— Você não parece feliz.

— Eu acho que traí um amigo, - eu sussurrei.


Hank pegou a minha mão sobre a mesa e a puxou. Eu
vim para frente e ele também, mas ele não soltou a minha
mão.

— Eddie fala sobre Darius? - Ele questionou.

Eu afirmei com a cabeça.

— Eu conheço ambos Darius e Shirleen pelo que


parece toda a minha vida. Darius veio de uma boa família,
mas Shirleen teve um mau casamento. Seu marido, Leon, foi
um filho da puta, maldoso como o inferno e tão sujo quanto
possível. Foi ele quem transformou Darius. Shirleen era uma
Shirleen diferente naquela época, abatida e impotente. Ela
não conseguia controlar o que acontecia com Darius e Leon
havia muito, e a amarraram nessa merda. Leon foi morto há
dois anos e Shirleen e Darius assumiram suas posições
quando o rei estava morto. Eles fizeram isso porque era tudo
o que eles conheciam e era o único lugar em que eles se
sentiam seguros. Eles têm um conjunto diferente de regras,
mas é o conjunto errado.

Eu engoli e sua mão apertou a minha.

— Jet, é o conjunto de errado. Você fez a coisa certa.


Eu gosto de ambos e eu odiaria ver qualquer um deles ir para
baixo, mas se eles forem, eles merecem.
Avancei um pouco mais e perguntei: — Como você vive
essa vida? Eles são seus amigos. Como você faz isso? Eu não
poderia suportar.

Seus olhos mudaram e sua mão apertou ainda mais na


minha, — Eu posso fazer isso, porque a merda deles não fica
em seu círculo, ela filtra para baixo para as crianças nas
escolas e as pessoas de idade que querem uma vida calma;
forçados a viver ao lado de casas de crack e para bonitas
meninas que trabalham em livrarias e têm papais de merda.
Alguém tem que proteger essas pessoas.

— Esse é você, - eu disse.

— Esse sou eu e esse é Eddie, - respondeu ele.

— Você não vê cinza, - eu disse a ele.

Sua mão soltou a minha.

— Desculpe?

— Você vê preto e branco, você não vê cinza, - eu disse.

— Não. Eu não vejo cinza, não é o meu trabalho, é o


trabalho do juiz ver cinza, - disse ele, e ele estava falando
sério. Eu poderia ver porque seu rosto ficou duro e meio
assustador.
Olhei para ele. Ele era o garoto da casa ao lado, o
garoto da casa ao lado com uma borda.

— Você é assustador também, - eu disse.

Ele sorriu, levando-nos para fora do momento.

— Eu sou o bom rapaz.

— Você é o bom rapaz assustador, - eu disse.

Ele acenou para a garçonete. Nossa conversa tinha


acabado.

— Vamos para casa.

Por ‘casa’ Hank quis dizer casa do Eddie. Ele


estacionou na rua, e eu usei a minha chave, pela primeira
vez. Ele sentou-se e imediatamente encontrou um jogo na TV.

(Por que sempre há um jogo na TV? Essas pessoas de


esportes não tiravam uma noite de folga?).
Eu peguei cervejas para mim e para Hank e liguei para
minha mãe e Lottie.

Eles estavam jogando Trivial Pursuit com Tex. Eu liguei


para Daisy.

Ela estava esperando Marcus chegar à casa no Castelo


de Denver e dando-se um tratamento facial. Eu liguei para
Ally. Ela estava gritando para mim sobre a multidão no
Brother’s. Eu liguei para Indy. Ela estava assistindo um
Reality enquanto Tod e Stevie estavam voando para Deus
sabia onde (palavras de Indy) e fazendo bolinhos para pôr na
Fortnum no dia seguinte.

Eu desisti de ligar para as pessoas, então eu tirei os


sapatos, coloquei meus pés em cima da mesa, sentei no sofá
e dei um gole em minha cerveja.

Eu assisti ao jogo por cerca de cinco segundos.

Era entediante.

— Estou entediada, - disse para Hank.

Os olhos de Hank deslizaram para mim, depois de volta


para o jogo.
— Não tenho certeza se eu posso alcançar sua marca
de emoção, - disse ele.

— Qual marca que é essa?

— Usando armas de choque, correndo por sua vida,


brigas de bar. Nós poderíamos sair e tentar arranjar alguma
coisa, mas eu acho Eddie ficaria bravo sobre isso.

— Você tem algum criminoso para seguir? - Eu


perguntei esperançosa, soando deprimente. Não seria uma
grande dose de divertimento, mas seria algo. — Eu faria uma
garrafa térmica de café.

Os lábios dele apertaram. — Estou de folga hoje à


noite. - Hmm.

— Você sabe como jogar pôquer? - Eu tentei.

Seus olhos deslizaram para mim novamente. — Você


joga pôquer? – Ele questionou.

— Não, eu pensei que você poderia me ensinar.

Seus olhos brilharam novamente. Eu imediatamente


pensei que era uma má ideia, mas já era tarde demais. Ele
desligou a TV, se levantou, pegou minha mão e puxou-me.
— Vamos ver se Eddie tem algumas cartas.

— Merda, Hank. Sério?

Eu estava sonhando, Eddie estava falando e parecia


meio chateado.

— Ela está dormindo. Eu não queria acordá-la, - isso


ficou confuso. Agora Hank estava falando e ele parecia um
bocado divertido.

Eu estava acostumada a sonhar com Eddie, eu não


tinha sonhado com Hank ainda. Sonhando com Hank e Eddie
provavelmente não era uma coisa boa.

Eu tentei abrir meus olhos.

Eles abriram, a direita eu podia ver uma longa perna,


no final do qual era um pé usando uma bota marrom, que
estava sentado em uma mesa de café. Além da mesa vi outro
par de pernas em jeans desbotado. Eu olhei para cima do
jeans para ver o cinto de Eddie, então o abdômen de Eddie,
então o peito de Eddie, então Eddie.

— Ei, - eu disse para Eddie, saiu meio adormecido.


Ele estava olhando para mim e eu estava certa, ele
estava meio chateado.

Eu pisquei.

Eu perguntei. — O quê?

— Você quer colocar sua cabeça para fora do colo de


Hank? - Levantei-me e virei, eu fiz isso tão rápido, que fiquei
tonta e tive que jogar minha mão para me equilibrar. Ela
pousou na coxa de Hank. Eu puxei-a como se tivesse me
queimado e fiquei olhando para Hank.

Ele estava sorrindo para mim.

Minha maldita sorte.

Definitivamente o garoto da casa ao lado com uma


borda.

Sua mão saiu e ele envolveu-a em torno da minha


cabeça.

Então ele se inclinou para frente, beijou minha testa,


puxei para trás e olhei nos seus olhos.

— Noite divertida, Jet, - disse ele.


Então ele se levantou, sorriu para Eddie e disse: — Nós
tivemos o jantar, jogamos pôquer, não levamos um tiro e ela
caiu no sono assistindo a um filme. Você deveria me
agradecer. - Eddie só olhava para ele, obviamente, não se
sentindo muito agradecido.

Isso transformou o sorriso de Hank em um grande


sorriso.

— Eu vou me levar até a porta, - Hank ofereceu, o


sorriso firme no lugar.

Ele achava que isso era hilário.

Levantei-me e olhei de Eddie para Hank. Eddie também


não estava se sentindo com vontade de ser educado, então eu
levei Hank até a porta.

— Obrigada Hank, - eu disse, quando ele abriu a porta.

Ele se virou, piscou e foi embora.

Eu tranquei atrás dele, comecei a voltar para o quarto e


meu ombro esbarrou em Eddie.

Eu olhei para ele.


Uh-oh.

— Divertiu-se? - Ele perguntou.

Eu realmente me diverti. Hank me venceu mão após


mão no pôquer, mas desde que nós estávamos jogando por
varas de pretzels, eu não me importava muito. Ele também
flertou comigo escandalosamente, o que, a princípio, me
assustou bastante.

Então eu percebi que ele estava apenas brincando


comigo e eu achei um pouco divertido também.

Eu não disse nada disso à Eddie.

Eu estava lendo alto e claro que Eddie não pensaria


que nada disso era divertido.

— Eddie...

Ele não me deixou terminar, suas mãos vieram à


minha cintura e ele me puxou para ele, tirando minha
camiseta. Em seguida, ela se foi.

— Eddie...

— Sentei-me com Marcus esta noite, - disse Eddie,


andando para trás e levando-me com ele. — Marcus que lida
com armas, drogas e prostitutas. Brinca com drogas, se
concentra principalmente na carne e em vender merdas que a
rasgam. - Ops!

Nós passamos pela mesa de café e sofá e eu pensei que


estávamos indo para o quarto, mas eu estava errada. Em vez
disso, ele se virou, a minha volta, sentou no sofá e me levou
ao seu colo, se apertando a mim.

— Fizemos um acordo com ele. Ele encontra Vince,


Slick ou seu papai, ele os entrega para mim. Desde que ele
está procurando, principalmente por Daisy, isso não seria tão
ruim; entretanto ele tem de entregá-los a mim.

Suas mãos estavam em minha calça jeans, ele desfez o


meu cinto e minha calça, enquanto ele estava falando.
Quando ele parou, ele se abaixou para puxa-las para baixo,
agarrando minha calcinha e mantendo-me contra a parede
com a outra mão no meu peito.

Querido Deus.

— Eddie... - eu disse.

Ele aproximou-se e ambas as mãos foram para minha


bunda e ele me puxou para cima. Eu joguei meus braços e
pernas em torno dele para segurar e ele apertou-me com
força contra a parede. Minhas costas se chocaram em uma
forma não totalmente desagradável (na verdade, foi
totalmente agradável).

Sua boca foi para o meu pescoço e ele continuou


falando.

— O problema é que Marcus não faz nada de graça. -


Seus dentes beliscaram suavemente minha orelha e eu tremi.

Ele continuou sussurrando em meu ouvido: — Então,


para que ele me dê esses caras, e há uma boa chance de ele
encontrar eles antes de mim, eu tenho que fazer algo para ele
em retorno.

Ele fez uma pausa para executar sua língua na minha


mandíbula e, eu não poderia evitar, eu queria ficar zangada
ou indignada, mas eu estava ligada. Eu não sabia o que dizer
sobre mim, mas eu não me importei.

Seus lábios passaram de meu queixo à minha


bochecha e então ele disse contra a minha boca, — Eu não
gosto de dever a Marcus. - Eu segurei minha respiração, abri
os olhos e olhei para ele.

Seus olhos eram brilhantes e líquidos. Outro novo


visual.

— Sinto muito, - eu sussurrei.


Ele soltou minha bunda, mas eu segurei firme.

Sua mão foi entre nós e trabalhou em seu jeans.

— Desculpe-me por Marcus ou por voltar para casa e


ver você com a cabeça no colo de Hank?

Eu deveria ter dito: -Os dois.

Em vez disso, eu disse: — Marcus. Eu não estava no


colo de Hank, apenas aconteceu...

Seus dedos passaram da calça jeans para mim e, sem


um aviso, ele deslizou dentro.

— Oh meu Deus, - eu sussurrei. Eu não poderia evitar,


me senti tão bem, que merecia um ‘Oh meu Deus’.

— Um monte de merda ‘apenas acontece’ quando você


está com outros caras, - disse Eddie baixo, a boca ainda
contra a minha, então seus dedos se moviam, seu polegar se
moveu, meus ossos dissolveram, e eu fechei os olhos e apertei
os quadris contra ele.

— Não é nada, - eu respirei.

— Jet, abra os olhos e olhe para mim.


Eu abri.

Seus olhos estavam queimando dentro de mim. Percebi


no meio de um torpor excitado que algo estava acontecendo e
que tinha muito a ver com Eddie sendo de sangue quente, eu
sendo sua palavra com M, e Eddie não gostar de voltar para
casa depois de uma tarefa de merda que ele fez, para me
encontrar com a minha cabeça no colo de outro homem.

Eu não poderia dizer que eu o culpava.

Seus dedos mantiveram sua tortura enquanto ele


falava.

— Você vai ter que acordar para a merda acontecendo


ao seu redor. Se você acha que Hank não quer isso... - Seu
dedo saiu e, em seguida, voltou e eu tinha certeza que ele
estava acompanhado com um outro, — você está errada.

Eu estava encontrando dificuldades para manter a


minha concentração na nossa conversa, mas senti que era
importante eu fazer.

Eu tentei explicar.
— Hank é seu amigo, ele vê em preto e branco, ele joga
pelas regras do bom rapaz. Ele me disse isso. Ele não iria
tentar nada comigo.

Eddie não estava convencido.

— Eu acho que eu tenho sido tolerante para caralho


com sua merda até agora; mas estou alertando você, hoje à
noite termina. Você entendeu?

Eu balancei a cabeça, embora eu não estivesse


realmente entendendo.

Seus dedos foram embora, mas depois ele me


preencheu e imediatamente começou a se mover.

— Você não entende. Você não tem a menor ideia,


porra - disse ele contra o meu pescoço.

Eu nunca tinha tido relações sexuais contra uma


parede, ou em qualquer lugar que não fosse uma cama,
exceto, é claro, quando eu e Eddie estivemos no chuveiro. O
chuveiro não era sexo como tal, uma vez que não envolvia
penetração e acrobacia, apenas os dedos, bocas e eventuais
orgasmos. Na maior parte, os meus orgasmos.

Ok, todos meus orgasmos.


Isto era algo novo para mim.

Novo e bom.

Eu movi meu braço pendurado pela minha vida em


torno de seus ombros e deslizei meus dedos em seu cabelo.

— Eddie, - eu sussurrei.

Sua cabeça surgiu. — O quê? - Ele perguntou, ainda


em movimento.

— Já acabou de falar?

Ele apertou os quadris em mim e eu mordi meu lábio.

— Sim, - disse ele.

— Então, você poderia, por favor, me beijar?

O brilho saiu de seus olhos, deixando apenas o líquido.


Senti um alívio, em seguida, um impulso profundo em algum
lugar e, em seguida, ele me beijou.
Capitulo 24
Camisetas sangrentas e sacos de risco biológico

O alarme disparou, Eddie tocou o botão e rolou fora da


cama.

Eu fiquei tensa, esperando que ele me puxasse contra


ele, mas ele não o fez.

Ouvi-o se movendo ao redor do quarto e eu abri os


olhos, percebendo que estava escuro, muito cedo e eu
sinceramente esperava que ele só estivesse se levantando
para usar o banheiro ou programar a cafeteira para mais
tarde.

Eu iria voltar a dormir.

Então eu ouvi o apitar de botões como alguém os


pressionando e eu abri meus olhos.

Eu estava no lado de Eddie da cama, abraçando o


travesseiro e sentindo o seu cheiro.
Ele estava agachado ao lado da cama, completamente
vestido e brincando com o alarme.

— Eddie, - eu murmurei.

Sua cabeça se virou para mim, — Shh, Cariña, volte a


dormir.

Notei o relógio, ainda era cedo.

Levantei-me no meu cotovelo.

— O que está acontecendo? - Eu murmurei. Era tão


cedo que mal conseguia formar as palavras.

Ele saiu do agachar, mas sentou-se na beira da cama.

— Eu vou para o trabalho, - disse ele.

Pisquei, ficando rapidamente acordada. — E o nosso


banho?

— Nós faremos mais tarde.

Alguma coisa estava errada. Eddie gostava de nossos


banhos, muito (ou, tanto quanto eu).
Sentei me sentindo estranha e, talvez, um pouco
assustada. — Você está com raiva de mim? - Eu sussurrei.

Sua mão saiu e colocou o cabelo atrás da minha


orelha. — Por que você acha isso?

Senti algo alojado na minha garganta.

Eu sabia o que era.

Era o medo.

Ok, talvez eu estava muito assustada.

— Na noite passada... Hank, - eu respondi.

Por um segundo, ele não se mexeu, então ele colocou


as mãos na minha cintura e me puxou em torno de modo que
eu acabei sentada em seu colo.

Então seus lábios tocaram meu pescoço e disse: — Eu


não estava bravo com você na noite passada.

— Você tem certeza?! Parecia bravo.

— Não estava bravo, eu estava frustrado.


Querido Deus, se isso não fosse bravo, eu não tinha
certeza se eu queria vê-lo bravo.

Sua cabeça se aproximou e ele olhou para mim no


escuro.

— Eu não gosto de Marcus, - disse ele.

— Eu acho que eu entendi isso.

Eu poderia jurar que, mesmo no escuro, eu podia vê-lo


sorrir.

— Eu também não gosto de ver você com outros caras.

— Eu não estive com outros caras.

— Vance?

Hmm.

— Mace?

Bem, o que eu poderia dizer? Essa foi uma situação de


vida ou morte.

— Hank?
Eu realmente não tinha uma desculpa para isso.

— Eu vou tentar fazer melhor.

— Tente para valer.

Ops.

Hora de um novo assunto.

— Eddie?

— Sim?

Seus braços se apertaram e eu vim mais perto. Eu


deslizei minhas mãos em torno de sua cintura e coloquei
minha cabeça em seu ombro.

— Ontem, nada aconteceu. Ninguém atirou em mim e


eu não tive de lutar com ninguém e minha arma de choque
ficou na minha bolsa o dia todo. Exceto por ver Shirleen falar
para Darius matar Vince, ontem foi um bom dia. - O corpo de
Eddie endureceu quando eu falei sobre Shirleen e Darius.

— Não se preocupe, eu disse a Hank sobre isso. Ele fez


algumas ligações, - eu assegurei a ele.
— Lee disse-me ontem à noite. Foi por isso que me
deixou uma mensagem?

Eu balancei a cabeça em seu ombro.

Seu corpo relaxou.

— Eu acho que nós devemos comemorar, - decidi,


levantando a cabeça para olhar para ele, — Não sobre Darius
matar Vince, mas por um dia sem experiências de arrepiar os
cabelos. Eu farei o jantar hoje à noite.

Ele passou a mão pelo lado do meu cabelo e depois


descansou contra o meu pescoço.

— O jantar seria bom, - disse ele com uma voz suave.

Meu estomago fez uma onda.

— Talvez mamãe e Lottie possam vir. E também Tex.

— Eu pensei que a sua irmã estava se mudando para


Denver? – Ele questionou.

— Ela está.

— Eles podem vir outra noite.


— Ok, - eu concordei.

Ele tocou seus lábios nos meus.

— Por que você está me deixando tão cedo? - Eu


perguntei.

— Tenho merda para fazer.

— Minha merda?

— Sua merda.

Maravilhoso.

Eu realmente era um pé no saco.

Coloquei minha cabeça em sua garganta.

— Sinto muito, - eu disse contra sua pele. — Eu odeio


isso.

— Mi amor, tudo vai se resolver em breve.

— Eu espero que sim, quem teria pensado isso, mas eu


quero a minha chata e velha, vida normal de volta.

Seu corpo tremia com o riso suave.


— Chiquita, eu não tenho certeza que você é capaz de
ser chata e normal.

Eu desejava que ele estivesse certo.

— Apenas espere, - eu murmurei.

Ele não disse nada, mas eu poderia sentir, mesmo em


seu silêncio, ele não acreditava em mim.

— Eu defini o alarme para que você possa se levantar


depois. Bobby estará aqui às 7:30 para levá-la para Fortnum.

Bobby era outro dos homens de Lee e eu estava


adivinhando que Bobby havia sido arrastado para o Dever Jet
naquela manhã.

Eu suspirei.

— Tudo certo.

Ele me beijou, nossos lábios se tocaram, senti sua


língua. Foi um dos meus favoritos.

Quem eu estava enganando? Todos eram os meus


favoritos.
— Seja boa, - ele disse a contra a minha boca.

Eu suspirei de novo.

— Vou tentar.

Ele estava rindo quando ele me colocou de volta na


cama.

Foi só quando ele se foi que eu percebi que eu ainda


tinha um medo apertando minha garganta. Não era medo de
homens com armas e facas e estupro em mente, era todo
outro tipo de medo que, me chame de louca, era muito pior.

O alarme disparou e eu bati no despertador,


agradecendo a Deus por um pequeno favor, que o botão de
soneca sempre foi o maior botão. O alarme disparou outra
vez, e mais uma vez eu bati o soneca.

Isso aconteceu mais duas vezes.

Às 7:15, eu olhava com os olhos turvos para o relógio,


soltei um gritinho e pulei da cama.
Eu estava de calcinha e uma das camisas de flanela de
Eddie, o cabelo molhado de um banho rápido e em um estado
de confusão completa, quando veio uma batida na porta.

Era Bobby.

Bobby era construído como uma árvore e ele parecia


um membro da Família Tex, exceto mais jovem e antes da
loucura chutar para dentro.

Ele fez um exame no meu corpo e suas sobrancelhas se


ergueram.

— Eu estou atrasada, você pode esperar? - Eu disse a


ele.

Ele deu de ombros, sentou-se no sofá, pegou o controle


remoto e encontrou um jogo.

— Como pode haver um jogo de Futebol às 7:30? - Eu


disse, exasperada, olhando para a tela.

— Futebol inglês, é mais tarde lá. Man U x Arsenal, é


um amistoso.

Era como se ele estivesse falando em código, mas eu


não estava verdadeiramente escutando, eu estava olhando
para a tela.
Esses caras não usavam almofadas e capacetes que
escondiam seus rostos, esses caras não usavam calças e
caneleiras com franzidos nos tornozelos.

Esses caras usavam bermudas e camisetas, sem


chapéus ou capacetes e você podia ver, em linha reta para
fora, eles eram quentes.

Sentei-me no braço do sofá e assisti.

Um cara oficial levantou uma bandeira amarelada.

— O que isso quer dizer? - Perguntei.

Bobby explicou que alguém fez algo ruim, mas eu não


estava escutando, os jogadores estavam chateados e ficaram
um na cara do outro.

Eu empurrei Bobby e senti-me no sofá.

Vinte minutos mais tarde, Bobby olhou para mim. —


Você não precisa começar a trabalhar? – Ele questionou.

Merda!

— Merda, - eu disse, levantei e corri para a cafeteira.


Fiz café para mim e para Bobby.
Estava nublado e não o normal, brilhante, e ensolarado
dia do Colorado. Eu coloquei uma camiseta cinza, uma blusa
de lã berinjela, casaco de lã, calça jeans e minhas botas
pretas de salto alto. Cabelo para trás em um rabo de cavalo,
maquiagem mínima, espirrei perfume chique e pronta para
sair.

Nós entramos na Fortnum tarde.

Ninguém notou.

Mamãe estava no sofá, Lottie ao lado dela e dei-lhes


ambas um beijo e fui para trás do balcão de café expresso
para ajudar a Duke e Tex com a fila de clientes.

— Vejo que você ainda está viva, - Duke disse,


obviamente ainda se sentindo irritado sobre os meus
problemas recentes e decidindo colocar a culpa em mim.

Senti que o melhor curso de ação não era a resposta.

Isso provou não ser o melhor curso de ação.

Duke olhou para mim por um momento, em seguida,


virou-se para o CD player, arrancou Steppen wolf de Tex e
colocou em Charlie Daniels.
Era normal, alguém sempre trocava. Uma vez que o
som estava ligado ele tinha que tocar algo ou country de
Duke, ou algo de Ally, da Indy ou o rock’n’roll de Tex.

Prendi a respiração à espera de Tex reagir.

Tex não estava surtando.

Isso foi estranho, Tex sempre surtava.

Ambos, Duke e eu, olhamos para ele.

— Você está bem? - Eu perguntei a Tex.

Ele se virou para mim, — Vou chamar sua mãe para


jantar e eu quero a sua bênção.

Meu queixo caiu.

Duke fez um som como se alguém lhe desse um soco


no estômago.

— Bem? - Tex me perguntou.

Eu lutei para encontrar a minha voz.

— Hum.... Vocês dois são adultos consentidos, vocês


não precisam da minha bênção.
— Não quero que você e sua irmã joguem truques
esnobes em mim como esses pirralhos na TV, - disse Tex.

Eu pisquei.

— Os moleques na TV são crianças, não adultos que se


aproximam dos trinta como Lottie e eu.

Suas sobrancelhas grossas bateram na testa.

— Não foi muito adulto, pularem uma no cabelo da


outra e ter a porra de uma briga no chão, Loopy Loo. - Ele
tinha um ponto.

— Você tem a minha bênção, - eu disse.

Então eu sorri gostando da ideia de Tex namorar a


minha mãe.

Ele fez uma careta.

— O quê? Eu disse que você tem a minha bênção, -


disse a ele.

— Agora eu tenho que perguntar a ela.


Olhei para mamãe; ela estava nos observando. Ou,
mais provavelmente, observando Tex. Ela desviou no minuto
em que ela me viu olhando para ela.

Olhei para Tex. — Acho que ela vai dizer que sim.

— Sim, - ele parecia incerto.

Eu fiz o meu melhor para não rir.

Não funcionou.

— Espero, - disse Tex, se afastando de mim.

A porta se abriu e Daisy entrou, seu cabelo mal


domado por duas tranças que caiam para fora dos lados do
pescoço. Deixei Tex aos seus pensamentos preocupados e
Duke de seu puto estado de espírito e sai de trás do balcão.

Daisy acenou para mim e depois olhou para Lottie.

— Você está pronta, docinho? - Ela disse a Lottie.

— O que está acontecendo? - Eu perguntei.

— Daisy vai me levar para dançar, mostrar-me alguns


movimentos, certificar-se que recebo o meu Porsche, -
explicou Lottie.
— Mamãe virá conosco.

Pensei em mamãe saindo e assistindo sua filha praticar


rotinas de strip.

Minha família.

Então eu me virei para Daisy.

— Você se importaria em passar por nosso prédio? Ada


pode querer ir. Com Mamãe fora de casa, ela não tem muita
coisa a fazer. Ela provavelmente gostaria de ver seus
movimentos.

Isso era estranho, mas era a verdade.

— Não tem problema querida, - ela me disse, em


seguida, olhou para Tex e chamou, — Tex, você pode ficar de
guarda-costas?

— Foda-se, - disse Tex.

— Vamos, - Daisy ordenou e foram saindo.

Jane chegou dez minutos depois, Ally 10 minutos


depois disso.
Dez minutos depois, o meu celular tocou e eu o abri,
‘Eddie ligando’.

— Oi, - eu disse.

— Você está bem? – Ele questionou.

Uh-oh.

— Eu não deveria estar?

— Com você, Chiquita, é um negócio arriscado. -


Maravilhoso.

Eu saí de trás do balcão, deixando Ally com o cliente


para que eu pudesse lidar com Eddie. Ele sempre tinha
minha completa atenção.

Eu estava na janela, olhando para fora.

— Como está o seu dia? - Perguntou Eddie.

— Apertei o botão soneca, tipo, dez vezes, então Bobby


me apresentou ao futebol e eu comecei a trabalhar atrasada.
Agora, estou no Fortnum, Tex pediu minha benção para um
encontro com a mamãe, em seguida, Daisy entrou e recolheu
Mamãe, Lottie e Tex para ir ao Smithie dançar e para que ela
pudesse ensinar Lottie. Elas estão passando para pegar Ada,
apenas no caso de ela querer ir.

Silêncio.

— Smithie diz que Lottie estará dirigindo um Porsche


em uma semana, - eu disse a ele.

Mais silêncio.

Eu continuei; era como se eu não pudesse parar,


mesmo se eu tentasse.

— Smithie disse que se eu fizer um número de irmãs,


ele vai me colocar em seu testamento.

Agora houve algum espanhol. Isso o fez sorrir.

— O que está acontecendo com você? - Eu perguntei,


começando a me sentir animada e o sorriso morreu.

Esta era uma conversa estranha, porque era uma


conversa normal. Este era o tipo de conversa natural, do dia-
dia.

Ele respondeu, mas eu não ouvi. Notei um carro


freando engraçado no meio da Broadway, em frente de onde
eu estava. O carro não veio para uma parada completa, mas
abriu uma brecha e um corpo foi arremessado para fora.

Um corpo que parecia ser o corpo do meu papai.

— Papai, - eu sussurrei para o telefone e vi como o meu


papai caia; membros sacudindo inutilmente, não tentando
quebrar ou controlar a queda.

— Papai, - gritei enquanto eu observava ele rolar, a


porta do carro fechou e o carro fugiu.

Afastei o celular do meu rosto, fechei e empurrei-o em


meu jeans, correndo fora.

— Não vá! - Duke gritou, mas eu já estava para fora da


porta, correndo para o tráfego, direto para o corpo caído do
meu papai.

Carros desviaram e buzinaram e eu fui de joelhos no


meio da pista, ao lado do corpo do meu papai.

Eu estava do seu lado e havia sangue por toda parte.


Em suas roupas, no cabelo; o sangue estava molhado e seco,
novo e velho.
Eu gentilmente rolei sobre ele e o que vi causou uma
onda de náusea subindo até minha garganta. Eu estremeci, e
engoli.

Seu rosto era uma polpa sangrenta. Ele estava quase


irreconhecível. Olhos fechados e inchados. Lábios rachados e
rasgados.

Nariz esmagado, quebrado. A carne de seu rosto cheia


de cortes e mutilado. A maioria de suas roupas foram
arrancadas e cortadas em fiapos e o sangue fluía livremente
dos buracos.

Inclinei-me baixo, colocando meu rosto para o dele e


escutei sua respiração enquanto minha mão foi sentir o
pulso.

Ouvi Bobby emitindo ordens ‘chamem 911’. – E


‘controle de tráfego’.

Eu senti o pulso de papai, eu não sabia nada sobre os


pulsos, mas achei ele ter um era um sinal de que Deus ainda
o mantinha conosco.

Sentei-me, puxei meu cardigã e coloquei debaixo da


sua cabeça.

— Jet, - disse Bobby, com a mão no meu ombro.


Eu puxei meu ombro de sua mão e com cuidado afastei
a rasgada camisa do meu papai de seu peito, vendo o que
pareciam feridas de facadas e balas, velhas e novas, e ao
longo, sangue escorrendo deles, marrom e um pouco de
vermelho. Ninguém poderia perder muito sangue e sobreviver.

— Jet, - disse Bobby novamente, agachando-se ao meu


lado.

Ouvi sirenes e sentei-me, puxando o peso morto do


meu pai até uma posição sentada utilizando toda a minha
força, pressionando seu torso para mim, envolvendo meus
braços apertados ao redor dele e colocando a boca na sua
orelha.

Não sabendo mais o que fazer, eu comecei a cantar


baixinho ‘Jet’ de Paul McCartney.

— Tire ela dali, - Duke rosnou de algum lugar próximo.

Eu pulei um pouco da música e fui para a parte boa


sobre Jet querer amá-lo para sempre.

Foi então que meu papai foi puxado suavemente longe


dos meus braços por um policial uniformizado e fui ajudada a
levantar por outro.
Os braços de Duke me envolveram imediatamente.

Vimos como a polícia trabalhou, em seguida, a


ambulância estava lá, então Duke me ajudou na SUV e
Bobby decolou atrás da ambulância, se mantendo perto.

Ele estava em seu celular ouvindo alguém, então ele


disse: — É ruim.

Sim, ele estava certo, era ruim. Era muito, muito,


muito ruim.

Bobby estacionou em um local ilegal fora do Denver


Health, mas eu estava fora do carro antes que ele parasse
totalmente. Ele me alcançou e entramos na sala de
emergência juntos.

A recepcionista olhou para mim, os olhos enormes com


horror, e ela começou a ficar em pé.

— Ela está ilesa, é o sangue de outra pessoa, - Bobby


assumiu, falando com a recepcionista.

Eu puxei meu celular para fora do meu bolso e


procurei o número de Daisy.

Daisy atendeu no segundo toque.


— Ei, Doce. Nós acabamos de pegar Ada e estamos
no....

Eu a interrompi.

— Quinze minutos atrás, meu papai foi arremessado


para fora de um carro em movimento na Broadway. Ele foi
espancado, esfaqueado e baleado. Eu estou no Denver
Health. Você pode encontrar uma maneira de trazer mamãe e
Lottie aqui?

Silêncio por um instante, então, calmamente: — Sim,


querida. - Eu virei o telefone fechado e vi Bobby tomar um
avental da recepcionista, então ele agarrou meu braço e me
puxou na direção onde ela estava apontando. Fomos para o
pronto-socorro, ele abriu uma porta e fomos para uma sala
vazia com uma mesa de exame, um monte de material médico
e uma pia. Ele me levou até a pia.

— Camisa, - disse ele.

— O quê?

Suas mãos foram para a minha camiseta e ele puxou-a


sobre minha cabeça. Eu estava congelada e olhei para a
camiseta em sua mão. Ela estava coberta de sangue.
— Você não quer que sua mãe a veja nessa camisa.
Vamos deixa-la limpa.

Ele me entregou o avental, era um verde. Eu coloquei


enquanto ele caminhava para um saco de risco biológico,
abriu a parte superior e empurrou minha camisa dentro. Ele
pegou uma gaze no caminho de volta, empurrou-a sobre a
torneira e virou-se para mim.

-Você está totalmente coberta - ele murmurou,


limpando o meu pescoço, os olhos em sua tarefa, rosto
definido como se esculpido em pedra.

Olhei para baixo. Ele estava certo, a camisa tinha ido


embora, mais ainda havia sangue sobre meus braços,
pescoço e jeans.

— Bobby... - Eu disse minha voz se quebrando em seu


nome.

Seus olhos me procuraram.

— Não. Não faça isso, Jet. Você está segurando até


agora. Não quebre agora.

Eu balancei a cabeça e engoli.


Os olhos de Bobby caíram para o meu pescoço e
começou a limpar, a porta se abriu e Eddie estava lá.

Eu olhei para ele. Bobby olhou para ele. Eddie olhou


para nós.

— Jesus Cristo, caralho, - Eddie murmurou, mas eu


podia ouvi-lo do outro lado da sala.

— Não é o meu sangue, - eu disse a ele.

Ele veio para frente, Bobby deu-lhe a gaze e


desapareceu.

Eddie não hesitou e ele não olhou para mim, ele só


começou a limpar.

Então ele jogou a gaze ensanguentada na pia e foi


pegar mais.

Quando ele limpou o sangue todo, eu disse: — Havia


muito sangue.

Os olhos dele foram aos meus.

— Eu podia ver.

— Não, quero dizer, em meu papai.


Sua mão veio à minha mandíbula. — Eu sei o que você
quer dizer.

Eu olhei para ele. — Eu quero chorar.

Seus olhos passaram de cuidadosamente brancos para


aquecidos.

— Fique à vontade, Chiquita.

— Bobby me disse para não quebrar.

— Bobby é um idiota machista.

Sua mão se moveu de minha mandíbula, deslizou no


meu cabelo e ele puxou minha cabeça em seu peito. Eu
passei meus braços em torno de seu meio e ele moveu o
braço em volta da minha cintura, o outro lado ficou no meu
cabelo.

Eu tomei uma respiração profunda. Ele quebrou no


meio de um par de vezes, mas eu não chorei.

Ficamos ali, segurando-se um ao outro por um bom


tempo.
Então eu percebi uma coisa, algo tremendamente bom
e algo assustadoramente ruim.

Eddie era minha âncora. Eu era um barco, jogado no


mar em uma tempestade feia que queria me engolir e Eddie
estava me mantendo presa e segura.

Como isso aconteceu?

Eu vinha jogada no mar por 28 anos, eu estava


acostumada a lançar sobre as ondas em torno de mim
mesmo, boiando na água como uma louca.

Como é que eu havia encontrado uma âncora?

E se essa âncora rompesse comigo?

Merda e maldito.

Bobby estava certo, eu não poderia quebrar.

Eu tinha que continuar firme, eu não podia me


acostumar com uma âncora.

— Mamãe e Lottie podem estar aqui, - eu disse para o


peito de Eddie.

— Cariña...
Eu levantei minha cabeça, coloquei minhas mãos em
sua cintura, me afastei um pouco e olhei para ele.

— Eu tenho que ir lá e falar com elas. Veja se os


médicos têm alguma coisa a dizer...

Ele olhou para mim e, em seguida, uma batida, ele


disse, — Você não está sozinha neste barco.

Tentei empurrar para longe, mas ele me trouxe de volta


com os braços apertando.

— Jet, você não está sozinha.

Eu balancei a cabeça e tentei sorrir.

Não funcionou.

Suas mãos foram para o meu rosto, segurando-me pelo


queixo e ele me beijou levemente.

— Eu estou bem, - eu sussurrei.

Seus lábios tremeram, mas não foi exatamente


divertido e não era exatamente um reflexo.

— Você é tão cheia de merda.


Capitulo 25

Chilli

No momento em que chegamos à sala de espera,


mamãe, Daisy, Tex, Ada e Lottie estavam lá. Eles haviam dito
que papai estava em cirurgia. E isso, nada mais. Agora era
um jogo de espera.

Eddie pegou seu distintivo do bolso traseiro, conectou


em seu cinto e caminhou até a recepção para ver se ele
poderia obter mais respostas.

Eu peguei a todos olhando para o sangue na minha


calça jeans, então mamãe avançou e me puxou para um
abraço de um braço só, Lottie se juntou a nós e tornou-se o
amontoado McAlister.

Então Tex nos agarrou com o braço grande, nos


envolvendo e Daisy se juntou a ele, trazendo Ada com ela.

Tex, Daisy e Ada deram a única coisa que tinham para


dar, já que eles não eram os cirurgiões, enfermeiras ou
operadores de milagres, eles deram conforto, e pegamos.
Eddie se aproximou de nós, Tex notou e nos liberou.

Eddie nos olhou e foi bem direto. — As feridas de tiro


eram da outra noite e deveriam ter sido tratadas, as facadas
eram mais recentes. Ele perdeu muito sangue e sofreu uma
série de prejuízos. Isso não parece bom.

Eu estava feliz que ele havia sido direto. Eu queria


saber e ele disse tudo porque ele confiava em mim o
suficiente para dizer, embora as lágrimas começassem a rolar
dos olhos de Lottie.

Indy veio em poucos minutos mais tarde, com os


cookies que ela tinha feito na noite anterior. Ally a seguia
com uma caixa de papelão cheia de café que Jane tinha feito.

Era o início do desfile.

Mamãe fez algumas ligações e Trixie, Lavonne e Bear


apareceram. Lavonne e Trixie se posicionaram como
sentinelas ao lado de mamãe e Bear estava sentado sozinho
com sua cabeça em suas mãos, provavelmente pensando
duas vezes sobre sua escolha de carreira como um
vagabundo.

Vance e Matt chegaram, acenaram com o queixo para


mim e ficaram conversando com Bobby e Eddie, então eles
arrancaram e desapareceram.
Depois de algum tempo, Daisy decolou com Ada e
Trixie no reboque e voltaram com sacos de hambúrgueres e
batatas fritas e mais bandejas de papelão de bebidas.

Daisy entregou-me um hambúrguer, — Nada diz ‘sala


de espera do hospital’, como batatas fritas gordurosa e um
hambúrguer com queijo.

Eu duvidava que a lanchonete fosse usar isso em sua


próxima campanha publicitária.

Lee apareceu e Indy caminhou imediatamente para ele.


Eddie estava em pé ao meu lado, ele pegou minha mão e me
levou.

— Oi, - disse Lee em voz baixa, então, não estou


brincando, ele deslizou um braço ao redor da minha cintura e
beijou minha testa, logo acima da bandagem que ainda
estava lá.

— Oi, - eu disse, quando ele me soltou. Seus olhos


eram quentes e preocupados e pensei que talvez ele não fosse
tão assustador.

Ele olhou para Eddie e o calor derreteu e surgiu


preocupação em seus olhos e eu pensei que talvez eu
estivesse errada.
— Temos Slick.

Ambos, Eddie e eu, ficamos tensos.

— Você o tem? - Perguntou Eddie.

Lee balançou a cabeça uma vez.

— Ele está na sala de detenção. Temos mais algumas


perguntas a fazer e depois vamos levá-lo à delegacia. - Eu não
sabia o que era a sala de detenção, mas não soava como um
bom lugar para estar. Eu não me senti muito triste por Slick.
Pode me achar uma pessoa má, mas eu não me sentia mal
por ele.

Eddie não parecia sobrecarregado com felicidade sobre


esta afirmação, ele parecia resignado a ela, como se não fosse
à primeira vez que isso acontecesse.

Os olhos de Lee se voltaram para mim: — Pelo o que ele


tem feito com seu pai, deve haver um maior envolvimento
com a sua família. - Eu não sabia se Slick havia feito aquilo
com o meu pai ou porque ele bateria a merda fora dele. Eu
não perguntei a qualquer um, principalmente porque a
expressão no rosto de Lee não estava convidando a minha
participação na discussão.
— Ele formou uma aliança com Vince, - Lee continuou:
— Vince convenceu-o que tinham o mesmo objetivo e Slick
estava à procura de reforços, então ele não precisava ser
muito convincente. É por isso que Vince estava lá na outra
noite. - Ele fez uma pausa, — Não encontramos Vince.

Esta não era uma boa notícia.

Lee olhou para Eddie.

— Mace está tomando dias de férias, ele está atrás de


Vince, ele está em uma missão fodida. Tenho dois homens
para baixo com Mace indo e fornecendo proteção para Jet. Eu
tenho que tirar Bobby. Mace teve uma atribuição e Bobby
precisa cobri-lo. Eles estarão disponíveis quando você
precisar deles.

Eddie não estava feliz com essa notícia também.

— O que está na mente de Mace? - Perguntou Eddie.

— Mace está trabalhando através de algumas questões,


- Lee disse.

Isso realmente fez Eddie infeliz, eu poderia dizer pela


forma como a sua mandíbula apertou.
— Vince está fodido se eu não o encontrar, - disse
Eddie.

— Vince está fodido a menos que você o encontre - Lee


concordou.

Eddie disse algumas palavras ruins em duas línguas,


em seguida, ele disse:

— Eu não posso acreditar que eu tenho que proteger


esse merda idiota. - Eu não podia acreditar.

— Tenho que sair na rua, - disse Eddie, o braço vindo


ao meu redor.

Nossos corpos estavam colados e eu olhei para ele.

— Vá. Eu vou ficar bem. - Então eu me virei para Lee e


disse: — Você não tem que enviar mais guarda-costas, tenho
Tex e.... -

Lee me interrompeu: — O objetivo principal da


Nightingale Investigações agora é sua proteção. Você está
bem nesta sala de espera, mas uma vez que você a deixe,
você tem cobertura.

— Mas...
Virou-se para Indy. — Ela não sai a não ser que esteja
acompanhada.

Indy assentiu.

— Eu não posso pedir para você...

Ele me interrompeu novamente. — Você não pediu.

— Lee... - Eu tentei.

Seus olhos cortaram para mim e eu calei a boca.

Sim, eu estava errada sobre Lee não ser assustador.

Indy, obviamente, não achava que ele era assustador,


Indy estava sorrindo.

Eddie, Lee e Bobby se foram e nós nos preparamos


para a longa espera. Lavonne saía a cada vinte minutos para
fumar um cigarro.

Eu considerei me juntar a ela, mesmo que eu nunca


tivesse fumado, a situação parecia justificar. Embora, eu
imaginasse a equipe de investigação Nightingale descendo em
mim com roupas pretas da SWAT, rapel do lado de fora do
hospital, me acorrentando e me levando para a sala segura se
eu pisasse fora da sala de espera. Eu decidi começar a fumar
da próxima vez que alguém que eu amasse fosse arremessado
para fora de um veículo em movimento.

Eddie, obviamente, fez um par de ligações e Blanca e


Elena apareceram e se revezaram com Indy, Ally, Daisy e Ada
nos cafés e para ter certeza de que ninguém estava a sós com
os seus pensamentos por muito tempo.

Passei a maior parte do meu tempo sentada com Lottie


e segurando sua mão.

— Eu não fui muito boa para ele a última vez que nos
falamos, - disse ela para mim.

Eu apertei sua mão, — Pare com isso, não fique


pensando nisso. - Ela apertou minha mão de volta.

— Amo você, Jet, - disse ela, olhando para a parede.

Eu engoli as lágrimas. Mais uma vez.

— Também amo você.

Um par de horas mais tarde, os médicos saíram. Eles


nos disseram um monte de coisas sobre os ferimentos de
papai e o que eles fizeram com ele, mas tudo que eu ouvi foi
que ele estava vivo.

Ele estava na UTI, em estado crítico. Estávamos nos


revezando para entrar; um por um. Primeiro Lottie (porque
ela tinha coisas a dizer), então mamãe (porque eu suspeitava
que ela tinha coisas a dizer) e depois eu.

Eu não disse nada, apenas segurei a mão dele por


algum tempo. Ele estava dormindo, mas ele aparentava estar
melhor. Principalmente porque não havia todo aquele sangue
sobre ele.

Saí da UTI, longe de todos e desci para o hall.

Eu liguei para Eddie.

— Sim?

— Vivo, crítico, na UTI. - Eu mal conseguia formar uma


frase na minha cabeça.

Ele ficou em silêncio uma batida, então ele disse: —


Você vai ficar? - Eu pensei sobre isso.

— Eu acho que eu preciso fazer chili, - eu respondi. —


Você se importa se eu usar a sua cozinha?
— Não.

— Você se importa se eu convidar a todos de novo?

— Não.

— Se você não chegar em casa a tempo, eu guardo um


pouco para você.

— Seu chili é tão bom quanto o seu filé de frango frito?


- Questionou.

O que eu poderia dizer? Até eu realmente gostava do


meu chili.

— Dá para o gasto, - eu menti.

— Você é tão cheia de merda.

Ike apareceu e todo mundo parou de falar para


executar as tarefas que atribui. Um contingente foi para o
meu apartamento para pegar a minha enorme panela, de
fundo grosso que eu fazia chili e outros utensílios de cozinha
que seriam necessários (porque Deus sabia que Eddie não
tinha o que eu precisava). Outro contingente foi para a loja de
bebidas (porque Deus sabia que precisaríamos de bebida
alcoólica). E mandei Lottie e Ike ao King Soopers para pedir o
meu favorito. Ike era outro dos meninos de Lee que eu não
conhecia muito bem.

Eu não achei que Ike era do tipo de cara que bebia


café.

Ele era mais como ovos crus e não servíamos isso na


Fortnum.

Ele era um homem de pele morena clara, umas poucas


polegadas mais alto que eu, magro, careca e tinha uma
daquelas tatuagens que se originavam de outro lugar; e você
podia ver que ela deslizava do pescoço até abaixo do braço.

Chegamos na casa do Eddie e todo mundo foi para


dentro. Mamãe e Trixie imediatamente começaram a olhar ao
redor com expressões que só poderiam ser descritas como
reverência, como se tivéssemos entrado no Taj Mahal.

— Eddie possui este lugar? - Perguntou Trixie, mais


como suspirou.

Maravilhoso.

— Sim, - eu disse, carregando mantimentos para a


cozinha.
Daisy já estava lá.

— Esta é a cafeteira? - Ela estava apontando para a


KitchenAid.

Eu sabia que estava empurrando, considerando que


Deus deixou meu papai viver esse dia, mas eu ainda
precisava dele.

— O que tem a cafeteira? - Perguntou mamãe.

— Eddie e Jet compraram aquela juntos, - respondeu


Daisy.

A resposta de Deus era que ele não tinha vontade de


trabalhar horas extras.

Mamãe e Trixie olharam para mim.

Eu não poderia evitar. Elas tinham esperança


brilhando em seus olhos e nós precisávamos de esperança
naquele dia, então eu balancei a cabeça e deixei a cafeteira
trabalhar a sua magia.

Fiz grandes quantidades de chili.

Normalmente, era fácil de fazer.


Era mais difícil quando Blanca estava pairando em
torno de mim.

— Você precisa de mais Caiena, - disse ela, depois de


tomar uma colher do cozido em fogo brando.

— Ok, - eu não discuti. Joguei mais e mexi.

Ela pegou outra colherada. — Mais tempero.

Eu fiz um suspiro mental e despejei mais dentro.

Ela pegou outra colherada. — Precisa de jalapeños. Eu


irei à loja.

Então, ela puxou Elena e elas saíram.

Elas voltaram com sete sacos de mantimentos, alguns


para a festa, a maioria para Eddie e eu, para que pudéssemos
ter sexo ininterrupto pelo próximo mês. O melhor, para dar
netos a Blanca.

Nós comemos, bebemos. Vance apareceu provou uma


tigela de chili e decidiu ficar. Ele deve ter chamado Matt e
Bobby porque eles vieram também. A cerveja estava
acabando assim Lottie decolou para obter mais e para repor o
fornecimento de fritos que estava diminuindo rapidamente.
Duke e Dolores apareceram e eu corri para a cozinha e
separei uma massa de chili em um tupperware para colocar
na geladeira para que Eddie pudesse ter algum quando
chegasse em casa.

Foi quando meu celular tocou.

Eu sabia que não era inteligente.

Ike, Vance, Bobby e Matt estavam todos na outra sala,


para não mencionar Tex e Duke. Eu tinha tanta proteção, era
um exército de proteção. Eu poderia ter andado lá, eu poderia
ter perguntado, eu poderia ter assumido o risco.

Mas não o fiz. O risco era muito grande.

O risco era Lottie.

Olhei para a tela, que dizia: ‘Lottie chamando’.

Eu o abri e na hora que eu coloquei em meu ouvido,


Vince disse: — Tenho sua irmã. Você não quer que aconteça
com ela o que é suposto acontecer com você, você me
encontra no estacionamento da 711 em Louisiana e Pearl.
Sem guardas, sem proteção, agora. Entendeu?

Desliguei.
Foda-se.

Foda-se, foda-se, foda-se.

Naquele ponto da minha vida, eu estava além de me


preocupar com o mundo.

Eu estava na cozinha e desperdicei dois segundos


decisivos.

Então eu peguei as chaves de Blanca que estavam na


bancada e sai correndo pela porta dos fundos.

Blanca havia estacionado ao lado da garagem. Eu a vi


fazer isso quando ela voltou com as compras. Ela dirigia um
Honda Accord prata, e havia acabado de comprar, espero que
ela não se importe de eu roubá-lo. Eu esperava mais ainda
que eu estivesse viva para descobrir.

A 711 em Louisiana e Pearl estava a menos de cinco


minutos de carro, mas eu fiz em tempo recorde.

Avistei que haviam um monte de carros no


estacionamento e vi um no final, com pessoas sentadas, o
cabelo loiro de Lottie era visível.

Eu saí, com as chaves no bolso e caminhei até ele.


Vince saiu também, arrastando Lottie por todo o banco
do motorista com ele. Ela estava pálida e tremendo
visivelmente, os olhos arregalados, as mãos algemadas, ou
amarradas atrás das costas.

— Jet, você não deve... - ela começou.

Eu estava dentro da distância de alcance. Lottie foi


empurrada para frente, antes que ela pudesse terminar. Meu
braço foi agarrado e eu fui empurrada para dentro do carro
pelo lado do motorista. Então tudo aconteceu em questão de
segundos, eu nem sequer fiz um barulho.

Eu podia ver que Lottie estava de joelhos e lutando


para se levantar sem o uso de seus braços. Vince colocou o
carro em marcha e disparou para fora do estacionamento 711
tão rápido, que por pouco ele não a atropela.

Ele dirigia como um louco e eu segurava minha


preciosa vida, mas ainda assim tinha a minha cabeça no
lugar o suficiente para verificar e ver se eu poderia abrir a
porta e me jogar para fora do carro. Eu imaginei que iria me
matar, que ia doer, mais que deixariam cicatrizes mentais
menores do que as que Vince tinha planejado.

Não havia mãos amarradas e sem trava na porta.


Maravilhoso.

Eu poderia me jogar para ele, forçar um acidente, mas


eu não estava de cinto e um acidente, com a velocidade que
ele estava dirigindo, podia me matar.

Eu decidi tentar falar.

— Vince...

Isso é tudo que saiu. Ele bateu com a parte traseira de


sua mão contra a minha boca e eu imediatamente senti gosto
de sangue.

Acho que falar estava fora de questão também.

Eu decidi esperar pela minha oportunidade. Tinha que


haver uma, senão eu apenas tinha que criar.

Eu desliguei o pensamento enquanto ele dirigia.

Ele me levou para um lugar onde eu nunca tinha


estado; não haviam razões para estar lá e eu esperava que eu
nunca tivesse a opção de voltar ou não (eu escolheria não).
Seguimos por um caminho que parecia uma grande ratoeira,
uma massa de estrada acima de nós, nada que nos rodeava,
mas cimento e lixo, provavelmente deixados por moradores de
rua e viciados em drogas nenhum dos quais estavam em
atendimento para as festividades da noite.

Vince parou, me puxou para fora do carro pelo lado do


motorista e antes que eu pudesse lutar ou fugir, ele puxou
uma arma da cintura de suas calças.

Em seguida, ele colocou à na minha cabeça.

— Esperei por isso por um longo tempo, - ele disse,


enquanto ele me levou para a frente, — Desfaça seus jeans.

Eu estava ficando um pouco inquieta.

Minha oportunidade não estava surgindo e eu estava


começando a ficar com medo.

Portanto, eu hesitei.

Ele pegou a arma da minha cabeça e atirou.

Eu pulei, pensando que ele tinha atirado em mim, mas


percebi que ele tinha disparado para longe de mim.

Ele colocou a arma de volta na minha cabeça.


— Desfaça a calça jeans, porra!

Eu fiz o que me foi dito. Talvez a morte antes da


violação era o caminho a percorrer, mas eu não conseguia
pensar naquele momento.

No minuto em que soltei o meu cinto e deslizei para


baixo o zíper do meu jeans, ele me virou e forçou meu tronco
para o capô do carro. Ele apertou sua virilha por trás de mim,
o resto do seu corpo contra as minhas costas e a arma contra
o meu à minha têmpora.

— Vou foder você contra o carro, - disse ele em meu


ouvido.

Meu coração estava disparado, minha respiração, vindo


em empurrões e minha mente estava absolutamente em
branco.

Ele não iria fazer isso.

— Então, vou pegar uma garrafa e eu vou foder você


com isso também, quebrá-la e foder você com ela. Duro.
Rasgar você. A próxima vez que o seu namorado bichinha
colocar o pau em você, você vai gritar para caralho.
Foi então que eu decidi morte antes da violação; era o
caminho melhor a percorrer.

— Primeiro, você tem que implorar, - disse ele.

Ele tentou puxar meu jeans. O problema era que não


era fácil com uma mão apontando uma arma na minha
cabeça e meu corpo dobrado nos quadris.

— Implore, cadela! - Ele exigiu.

Era real.

Já era o suficiente.

— Vá se foder! - Eu gritei e, em seguida, dei uma


cabeçada para trás, pegando-o em algum lugar pontudo e eu
esperava que tivesse doído, porque para mim doeu como o
inferno.

Levantei, levando-o comigo.

Ele tentou me forçar para trás e comecei a ir com ele,


mas eu me virei um pouco e fiquei presa lateralmente contra
ele e o carro.

Lutei, consegui deslizar para frente e tentei pegar a


arma.
Ambas as mãos arranhando para o controle da arma,
eu coloquei minha bunda no carro, forcei meus joelhos para
cima, coloquei meus pés nele e empurrei.

Ele saiu voando e eu sai do carro e pulei em cima dele


antes que ele pudesse se recuperar.

Talvez eu devesse ter corrido, mas eu não fiz. Eu estava


muito puta para correr. Ele fez da minha vida um inferno e
isso era tudo que estava na minha cabeça. Provavelmente era
estúpido, mas eu não me importei, era real. Eu o montei,
recuei o punho e bati em seu rosto.

— Filha da puta! - Ele rosnou e levantou a arma,


tentando apontar para mim. Eu vi, dei um golpe na lateral e
bati em seu antebraço.

A arma saiu voando.

— Filho da puta! - Eu gritei, minhas mãos indo para os


lados de sua cabeça, eu o levantei e rachei contra o cimento.

Eu nunca tinha rachado a cabeça de qualquer pessoa


contra o cimento e causou uma sensação estranha, que só
poderia ser descrita como uma corrida repulsiva, mas morda
minha bunda.
Eu não tinha que me perguntar se eu era uma pessoa
ruim. Naquele momento eu apenas era.

Meu braço voltou, levantou no cotovelo para acertá-lo


no rosto, mas ele agarrou meu pulso, resistiu e rolou-me
sobre minhas costas com ele em cima.

Hmm.

Esta não era, provavelmente, uma posição vantajosa.

Eu tive pouco tempo para refletir sobre isso, porque um


segundo ele estava lá, no segundo seguinte ele estava voando
pelo ar.

Pisquei e olhei para cima.

Mace estava de pé em cima de mim, olhando para


baixo, com o rosto muito duro. Ele deve ter verificado que
estava tudo bem, porque ele mudou-se em volta do meu
corpo e avançou para Vince.

Eu fiquei parada lá por um momento, respirando com


dificuldade e sentindo-me estranha. Um súbito alívio de que
eu não estava mais sozinha rasgou através do meu corpo.

Ok, então eu aprendi a lição.


Deus, não lidar mais com as coisas sozinha. Ok, Deus
intervinha quando a merda era importante.

Bom saber.

Bom saber.

Levantei-me trêmula e percebi que não estávamos


sozinhos.

Nós realmente não estávamos sozinhos.

Todos os caras sombra estavam aqui. Darius veio para


frente e assim fez Lee. Hank estava atrás de mim. Moisés, o
policial que foi à casa de Eddie, o que parecia há muito
tempo, também se materializou, desta vez, à apaisana.

Eddie também estava lá. Até o momento que eu tinha


verificado a cena, ele já tinha Vince algemado e pressionado
contra o capô do carro exatamente como Vince tinha me
pressionado (exceto para as diferenças óbvias).

A viatura, conduzida por Brian, em silêncio balançou


ao lado do carro de Vince.

— Caramba, - eu sussurrei.
Era como a Liga da Justiça de super-heróis, mas em
vez disso, era a Liga da Justiça dos caras quentes.

Meu coração ainda estava disparando e eu ainda


estava ofegante e eu me senti estranhamente super fria.

Fiquei ali olhando para todos eles, surpreendente


imóvel, exceto pelo tremor.

Eddie olhou para mim, puxou Vince do carro e


empurrou-o, afastando-se dele e não olhando para trás.

Então, ele veio até mim.

Ele chegou perto, bloqueando todos, do ponto de vista e


suas mãos foram para os meus jeans. Eu não me movi, talvez
nem sequer respirasse enquanto ele abotoou depois os fechou
e fechou a fivela, seus olhos olhando para o meu o tempo
todo.

— Você está bem? - Ele perguntou, quando ele


terminou.

Eu assenti.

Era uma mentira. Eu estava seriamente cheia de


merda. Eu não estava bem. Eu estava apavorada.
— Seria mais seguro se você respirasse, - disse Eddie.

Deixei escapar uma golfada de ar.

Ele fechou os olhos, colocou a testa na minha, então os


abri.

— Melhor, - ele murmurou.

— Levem ele para a delegacia.

Eddie virou-se e acenou com a cabeça. Decidido,


afastou-se falando com Vince e Brian teve a porta dos fundos
do carro-patrulha aberta.

Tudo tinha acabado.

Querido Deus, tinha acabado.

Eu não sabia o que fazer, rir em voz alta ou desabar a


chorar.

Eu não tive a chance de decidir.

Lee chegou perto.

Eddie virou-se para Lee, seu rosto mudando,


registrando raiva, como tipo, muita raiva.
Ok, talvez não tivesse acabado.

— Você e eu temos que conversar, - disse Eddie.

Uh-oh. Conversar com Eddie.

Ops!

— Tudo sobre controle, - Lee retornou.

Olhei de um para o outro em confusão. Confusão era


bom, eu estava abraçando a confusão, ela me fazia super fria
e o tremor ia embora.

Darius, Hank e Mace também chegaram perto, mas eu


acho que eles chegaram perto no caso de Lee e Eddie
chegassem às vias de fato.

— Hombre, ele não deveria ter posto as mãos sobre ela


e ele definitivamente não deveria ter suas calças
desabotoadas, - disse Eddie na voz de ‘Eddie Assustador’.

Talvez Eddie não estivesse se sentindo com raiva, talvez


fosse algo mais alguns graus acima de raiva.
— Ele passou de duas acusações de sequestro para
duas acusações de sequestro e tentativa de estupro com suas
calças desabotoadas, - respondeu Lee, com toda calma.

Eu pisquei.

Hum.... Perdoem-me?

— Desculpe? - Eu sussurrei.

Eddie moveu cerca de uma polegada, mas foi uma


polegada assustadora.

Ele me ignorou e seu corpo e rosto agora registravam


hostilidade, mas sua voz ainda era tranquila.

— Sim? Isso está tudo bem para você? Você está tudo
bem com isso?

— Darius estava aqui o tempo todo, - disse Lee.

— Foda-se, Lee. Você usou minha mulher como isca! -


Eddie gritou.

Ops!

A palavra com M, era ainda mais assustadora.


— Do que você está falando? – Eu disse.

Lee se virou para mim e Eddie passou uma mão pelo


cabelo. — Eu escorreguei um dispositivo de rastreamento em
seu jeans, hoje no hospital, e Vance disse a Lottie todo o
plano na casa de Eddie. Mace tinha encontrado Vince e
sabíamos que ele estava observando você. Lottie saiu
desprotegida com o seu próprio dispositivo. Vince mordeu a
isca. Agora, ele está preso.

Às suas palavras, um filme vermelho cobriu meus


olhos.

Felizmente, ele estava lá por mim, assustador ou não,


Lee estava indo para obter uma dose de atitude da Jet.

— Você usou minha irmã como isca! - Eu gritei, levei


minha vida em minhas mãos pela segunda vez naquela noite,
e empurrei seu ombro.

Eddie agarrou meu pulso e puxou-me de volta para o


seu peito, passando o braço em volta da minha cintura na
frente.

— Eu tinha ela controlada, Lee. Ela estava coberta.


Definitivamente eu a tinha, - Eddie me ignorou e
(egoisticamente, se você me perguntasse) manteve-se em seu
próprio tema.
— Estava cinco minutos atrasado, - disse Lee.

Lutei contra o domínio de Eddie.

— Você usou minha irmã como isca? - Eu gritei


novamente, sentindo que pela primeira vez na minha vida, a
atenção deveria ser centrada em mim.

Os olhos de Lee se viraram para mim.

— Eu estava cobrindo sua irmã.

Oh.

Bem então.

Isso era algo.

Eu parei de lutar.

— Acabou, - Darius finalmente falou. — O que importa


como isso está feito? Parem com essa merda, - ele disse isso
como se tivesse muita prática parando Eddie e Lee de lutar.

Eddie e Lee olharam um para o outro.

Eu esperei tensa.
Hmm.

Eles não pareciam que estavam prontos para parar de


lutar.

Bah. Homens.

— Eu fiz chili, - eu soltei.

Todo mundo olhou para mim e, depois de um segundo,


o braço de Eddie relaxou em torno de mim.

— Se todos na casa do Eddie não tiverem comido tudo


ainda deve haver alguma coisa, - eu continuei.

Eu estava tentando apaziguar a situação.

Não estava funcionando.

— Tenho que ir, - disse Darius, parecendo pronto para


desaparecer nas sombras.

Virei-me para ele. — Há muito.

Eu vi um clarão branco dos dentes, então ele se foi.

Veja, eu estava certa. Darius era um bom rapaz.


Eu dei uma olhada para Hank comunicando sem
palavras que a vida definitivamente era realizada em tons de
cinza.

Hank apenas piscou para mim.

Tanto faz.

Eu me virei e o braço de Eddie ficou em torno de mim,


mas escorregou em torno de minhas costas.

Eu olhei para ele.

— Eddie, pare de lutar com Lee. Vamos para o hospital


e verificar papai e, em seguida, vamos para casa. - Eu tentei
usar uma voz doce, persuadindo, mas Eddie não se sentia
com vontade de ser doce, conversar e persuadir.

— Você não teria deixado Indy ser colocada nessa


posição, - Eddie disse para Lee, empurrando o ponto.

— Você está certo. Eu não deixaria, - Lee respondeu. —


Indy teria colocado a si mesmo. E, dois dias atrás, quando
nós sabíamos que Vince tinha se alinhado com Slick e
queríamos oferecer essa opção para Jet, você não deixou,
mas eu estou achando que ela teria tomado.
Eu virei para olhar para Lee, meus olhos quase
pulando para fora da minha cabeça.

O que ele disse me surpreendeu. O que me


surpreendeu mais foi que ele estava certo, eu teria tomado.

— Eu teria preferido que você soubesse, - Lee disse.

Uau. Isso foi enorme. Era mesmo meio de fazer a terra


tremer, não só que eu teria tomado, mas que ele pensou que
eu faria.

— Obrigada, - eu disse e quis dizer isso.

Com isso, Eddie estava feito. Mudou-se, pegando a


minha mão e me levando com ele.

Acho que estava feita também.

— Não se esqueçam do que eu disse! - Eu falei volta


para Lee, Hank e Mace.

Eles haviam formado um amontoado e viraram a


cabeça para olhar para mim, todos eles me deram a elevação
do queixo e sorriram.
Eddie me levou embora, para longe, para onde ele
havia estacionado a picape. Ele me ajudou no lado do
passageiro e, em seguida, ele entrou no lado do motorista.

Ele virou para mim antes de ligar a picape.

— Você tem certeza que está bem?

Eu balancei a cabeça e sorri.

— Acabou, - eu disse a ele, sentindo-me quase tonta e


pensando que agora era o momento adequado para tanto
explodir em risos ou lágrimas, ou ambos.

Errado de novo.

De repente, ele me puxou pelo assento, eu me enrolei


em seu colo. Os braços dele ao meu redor, apertado, e seu
rosto foi para o meu pescoço.

— Porra, inferno, - ele murmurou.

Ele estava certo, era foda que tudo finalmente havia


terminado.

— Você pode dizer isso de novo, - eu disse a ele.


Sua cabeça se aproximou e passou a mão pelo meu
cabelo, seus dedos se enroscaram em torno da volta da
minha cabeça e me beijou. Não foi profundo, apaixonado,
todo língua, era doce e suave, real e agradável.

— Eu teria aceitado a oferta de Lee, - eu disse a ele


depois que ele levantou a cabeça.

— Eu sei, é por isso que eu não o deixei falar a você. -


Uau, isso foi meio que Uau.

Independentemente disso, eu puxei ‘a encarada’.

Ele balançou a cabeça, completamente não afetado


pela encarada.

Eu não iria empurrar, agora não era o momento para


discutir, especialmente com uma questão pendente na mão.

Eu coloquei minhas mãos em seus ombros, os dedos


brincando com o decote de sua camiseta.

— Hum.... Há um pequeno problema, - eu disse.

Eddie acalmou.

— Você está brincando, certo?


Hmm.

Oh inferno, como eu iria falar para ele...

— Eu meio que roubei o carro de sua mãe, - eu disse.

Sua mão no meu cabelo deslizou pelas minhas costas e


ele me puxou profundo nele.

— Eu acho que ela vai perdoa-la, - ele me disse.

Isso foi um alívio.


Capitulo 26
O espaço vazio onde minha mala costumava
estar.

O alarme toca, Eddie aperta um botão e rola para fora


da cama.

Eu me aconcheguei no travesseiro imaginando que


Eddie me daria um alívio. Quer dizer, eu tinha apenas
sobrevivido as mais traumáticas duas semanas da minha
vida, culminando em ser sequestrada e quase estuprada..

A mão de Eddie se enrolou no meu pulso e me puxou


para fora da cama.

— Eddie! - Eu disse ao ser arrastada pelo quarto, — Eu


mereço pelo menos uns minutos a mais. Eu fui sequestrada e
quase estuprada na noite passada.

Ele parou de repente, me fazendo colidir com ele, olhei


então para cima.

Hum... ops!

— Nós não brincamos sobre isso também, - disse ele.


— Eu não estava brincando, - eu disse.

Suas mãos foram para a camiseta que eu estava


usando, depois para cima e, em seguida, ela desapareceu.

— Você vai se sentir melhor após o banho.

Ele não estava errado.

Voltei para a cama após o banho e Eddie começou a


trabalhar. Quando eu acordei definitivamente e tropeçei no
banheiro, eu percebi depois que eu olhei para o espelho que o
novo penteado da Trixie tinha uma fraqueza; você não podia
dormir com ele depois que ele estava molhado.

Uma palavra: assustador.

Tirei o curativo da minha têmpora para ver se o


arranhão já estava cicatrizando. Eu molhei meu cabelo,
peguei a camiseta que estava caída no caos no caminho de
volta para o quarto, coloquei-a e olhei para a minha mala no
chão. Em algum lugar ao longo da linha, tinha explodido. Não
houve um monte de tempo para manter as coisas arrumadas.

Portanto, eu iria arruma-la.


Em primeiro lugar, eu liguei para Fortnum e disse-lhes
que eu iria me atrasar um pouco, ou talvez não.

Então, eu tirei a roupa de cama, encontrei as escadas


ao lado da cozinha, que levou para o porão que tinha a
lavanderia, que tinha lençóis limpos, então a cama estava
arrumada, agora eu iria arrumar todo o resto.

O tempo todo eu estava pensando.

Na noite anterior, Eddie me levou para a delegcia para


falar com o detetive e fazer a minha declaração para que
pudessem apresentar queixa. Então, ele me levou para uma
rápida visita ao meu papai, que ainda estava dormindo e sua
condição não foi alterada.

Depois fomos para a casa de Eddie, e Eddie comeu


chilli enquanto todo mundo me colocou sob um microscópio.

Uma vez que eles tinham constatado que eu estava


bem e não sob ameaça iminente de sofrer um colapso
nervoso, eles foram para casa. Eddie deu-me uma camiseta e
fomos para a cama.

Agora, tudo estava acabado e eu estava segura. Slick e


Vince foram presos e meu papai estava seguro.

Fim.
Segura.

De volta para ‘Apenas Jet’.

Eu realmente não precisava de muito tempo para


tomar uma decisão, era fácil.

Eu me vesti, coloquei um pouco de maquiagem e puxei


meu cabelo em um rabo de cavalo. Liguei para Lottie me
pegar, arrumei minha mala e lavei a louça da cozinha e
limpei a cafeteira.

Lottie apareceu em seu carro alugado e me levou de


volta para o meu apartamento.

— Você está bem? - Ela perguntou a caminho de casa,


deslizando os olhos para mim.

— Eu ficaria melhor se todo mundo parasse de me


perguntar se eu estou bem, - eu disse a ela.

— Nós nos preocupamos, - ela parecia meio irritada.

Eu suspirei.

— Eu estou bem.
— O que se passa em sua cabeça? Você quer voltar
para casa?

— Sim, - eu disse.

— Por quê?

— Acabou.

— O que acabou? - Ela perguntou.

Olhei pela janela lateral.

— Tudo.

— Jet...

— Eu não quero falar sobre isso.

— Jet...

Virei-me para ela, — Eu disse, que não quero falar


sobre isso. - Ela me encarou.

— Você é um pé no saco, sabia disso?

— Sim, - eu disse, — Eu sei.


Nós carregamos minhas coisas até as escadas. Evitei
uma conversa com mamãe (mesmo que eu não pudesse
ignora-la para sempre), e colocamos as malas de volta em
meu quarto.

Eu liguei meu carro pela primeira vez em duas


semanas. Ele ronronou como um gatinho.

Maravilhoso. Quem teria pensado que eu quero meu


carro sendo rabugento?

Eu fui o Credit Union e acenei para Jody e Amy e bati


na porta de Nicki, a gerente.

— Oi Jet, - ela disse quando me viu, então seus olhos


ficaram grandes, — Caramba! O que aconteceu com sua
cabeça?

— Ferimento de bala, - eu respondi como se fosse uma


coisa normal e seus grandes olhos quase saltaram para fora
de sua cabeça.

Eu ignorei.

— Posso falar com você? - Eu perguntei.


Nós conversamos. Eu perguntei se podia ter o meu
emprego de volta. Ela disse que não tinha quaisquer posições
abertas. Então ela me disse que me ligaria quando abrisse
uma vaga.

Conversei com Jody e Amy por algum tempo, mantendo


o assunto fora do meu ferimento de bala (mesmo que os seus
olhos continuassem se desviando dele) e minhas angústias
recentes.

Então eu fui até o Smithie’s. Smithie’s ficava aberto o


dia todo, mas sua tripulação do dia era muito ruim. Não era
uma coisa agradável para dizer, mas era uma coisa honesta a
dizer.

Eu resolvi me arriscar mesmo assim.

— Bem olha quem está aqui. Ouvi dizer que você teve
um tempo ruim à noite passada, - disse Smithie quando me
sentei.

Eu estava aprendendo rápido, que Darius tinha uma


boca grande.

Eu balancei a cabeça para ele.


LaTeesha, uma das mulheres de Smithie, estava em pé
em frente a ele no bar. Smithie tinha nos armários roupas de
quatro mulheres diferentes e elas não pareciam se importar
em compartilhar. Isto poderia ser porque um pedaço de
Smithie fosse grande. Também poderia ser porque Smithie
tinha um coração grande o suficiente para mantê-las feliz.
Poderia ser um pouco de ambos.

— Oi amiga, como está indo? - LaTeesha perguntou,


vindo para um abraço.

— Muito melhor agora, obrigada, - eu digo a ela e a


abraço de volta.

Quando ela me deixar ir, eu me viro para Smithie.

— Posso ter meu emprego de volta? - Eu pergunto.

Suas sobrancelhas se ergueram. — Pensei que sua


irmã ia ajudar.

— Eu tenho certeza que ela vai.

— Então por que você precisa de dois empregos?

— Eu estou saindo da Fortnum, este paga melhor. -


Smithie olha para mim, então ele olha para Lateesha, depois
de volta para mim.
— O que o seu namorado policial acha disso?

— Estamos terminando, - eu disse.

Smithie olhou para LaTeesha, ela estava mordendo o


lábio e olhando para mim.

— E se ele aparecer aqui? - Smithie diz, seus olhos de


volta para mim.

— Estamos terminando.

— Terminando, não terminados? - Perguntou Smithie.

— Eu não disse a ele ainda.

Mais olhares entre Smithie e LaTeesha.

— Você quer conversar com LaTeesha sobre isso? - Ela


perguntou.

Eu balancei minha cabeça, mas sorri.

— Eu só quero saber se eu posso voltar a trabalhar


aqui. - Smithie suspirou.
— Uma vez menina do Smithie’s, sempre uma menina
do Smithie’s. Você quer voltar então pode começar na
segunda-feira. Você não quer voltar, então tenha cuidado.
Você sempre será bem-vinda aqui, vestindo ‘um avental’ ou
para ter uma bebida. Embora, eu ache que você deve deixar
de trabalhar um tempo e contar com a ajuda da sua irmã e
só ter uma bebida, mas que porra eu sei? Eu também não
acho que você deve terminar com seu namorado que colocou
a bunda em risco para lhe ajudar.

— Smithie, - LaTeesha disse suavemente.

Eu o ignorei.

Bem, eu não sabia de verdade como ignorá-lo, porque


eu senti suas palavras no meu intestino, mas eu não o deixei
saber disso.

Eu balancei a cabeça e disse: — Vou estar aqui as sete


na segunda-feira.

— Ou não, se tiver juízo. - Smithie voltou antes que ele


desviasse o olhar.

LaTeesha apertou meu braço.

Fui embora.
Eu fui para o King Soopers e comprei material para
fazer o jantar, quando me arrastei de volta para o
apartamento fui direto para a cozinha, dei um olá para
mamãe, Lottie e Ada que estavam na sala de estar. Puxei o
material para fora dos sacos e começei a me preparar para
fazer o jantar.

Mamãe, Lottie e Ada entraram na cozinha.

— O que você está fazendo? - Perguntou mamãe.

— Cozinhando, - eu disse, colocando a farinha com um


pouco mais de força do que necessário fazendo subir o pó
branco ‘puf’.

— Cozinhando? - Perguntou mamãe.

— Eu não posso me dar ao luxo de comprar coisas


boas para dizer obrigado a todos, então eu vou cozinhar para
eles.

— Isso é bom, - disse Ada.

Lottie inclinou o quadril contra o balcão.


— Mamãe e eu estávamos conversando.

Maravilhoso. Mamãe e Lottie conversando. Isto parece


para mim um desastre com um D bem grande.

— Sobre o quê? - Eu perguntei, embora eu não


quisesse saber.

— Bem, o senhorio veio falar com mamãe, pois está


acabando o contrato de aluguel. Ele tem uma lista de espera
e quer subir o aluguel então ele está feliz da vida.

Eu me virei e olhei.

— O quê?

— Eu vou morar com Trixie, - disse a mamãe.

— Você não pode ir morar com Trixie! - Eu gritei.

— Por que não? - Perguntou mamãe.

Eu não tinha uma resposta para isso. Ela estava se


virando melhor o tempo todo. Eddie estava certo, ela não
precisa de mim tanto quanto eu pensei que ela precisava.

Eu sabia que não podia lutar contra isso e não tinha a


energia de qualquer maneira.
Voltei-me para cozinhar.

— Onde é que eu vou viver? – Eu perguntei.

— Encontramos um quarto muito bom, em uma grande


antiga casa vitoriana perto do Eddie, - Lottie me disse.

Fechei os olhos.

Abri os olhos.

— Onde você vai viver? - Eu perguntei a Lottie.

— Eu tenho algum dinheiro guardado, eu vou comprar


um lugar. Eu também vou pagar o plano de saúde da mamãe,
e todo o seu material médico e dar a Trixie um pouco mais
até que mamãe possa ficar de volta em seus pés. Eu vou ficar
com elas até eu conseguir o meu lugar. Você está por sua
conta.

Virei-me para elas.

— Quem disse que eu quero estar por minha conta? -


Eu perguntei.

— Ninguém, estamos apenas deixando você por sua


conta, - Lottie respondeu.
Eu olhei para elas, então virei para cozinhar.

— Tanto faz, - eu murmurei.

— Ouça, senhorita... - Uh-oh, mãe usou a palavra com


S, — Você está determinada a não viver a sua própria vida,
por isso estamos fazendo isso por você e você não tem nada a
dizer sobre isso. Entendeu?

Eu balancei a cabeça. Eu sabia que não devia discutir


durante um momento Senhorita.

— Henrietta Louise... - Mamãe sabia que não era estar


totalmente comprometida com o aceno de cabeça.

Querido Deus.

Eu me virei e olhei para mamãe e disse,


definitivamente, arrogante, — O quê?

— Não fale 'o que' para mim. Eu não sei o que está
acontecendo com você e o porquê suas malas estão de volta
em casa, mas agora você vai me ouvir, você está sendo muito
idiota, se você não se pegar a Chavez e segurar firme.

— Mamãe...
Ela me deu a mão.

— Você terminou com Oscar por nenhuma boa razão...


- Mamãe me informou.

— Ele era possessivo, - eu disse.

— E daí? - Mãe retrucou: — Bom traço em um homem


se você me perguntar. De qualquer forma, ele adorava você,
fazia o que você quisesse e essa é a mais pura verdade de
Deus.

Sim.

Voltei para a medição, mamãe voltou a falar.

— Você soltou Luís depois que ele pediu para casar


com você.

— Ele morava com a mãe.

— E qual o problema? Ele teria se mudado por você. -


Mamãe revidou.

— Nós temos que passar por isso? – Eu perguntei.


Mamãe começou a conversar com o teto, — Eu não sei
mesmo o que havia de errado com Alex, ele era um bom
garoto. - Acho que tinha que passar por isso.

Foi então que Ada veio para frente e envolveu sua mão
ao redor do meu pulso. Eu parei a medição e olhei para ela.

Ela olhou nos meus olhos, sorriu um sorriso meio


triste, soltou meu pulso e virou. — Está começando agora
World’s Most Unbelievable Police Chases Caught on Video.
Vamos vê-lo em minha casa. - Ela disse à mãe e Lottie.

Tanto a minha mãe quanto minha irmã abriram a boca


para argumentar, mas Ada deve ter-lhes dado uma olhada.
Eu não sabia que Ada era capaz de dar uma olhada, mas o
que ela fez, e funcionou.

Elas se foram.

Eu assisti o espaço que elas estavam há muito tempo


forçando, com um esforço super-humano, faço com que
minha mente fique em branco.

Então eu cozinho.

Eu passo pelo hospital para visitar meu papai.


Eles disseram que era bom que ele teve uma noite boa.
Tiraram-no fora da lista crítica e iriam movê-lo para fora da
UTI, se as coisas continuassem como estavam.

Eles me disseram que ele tinha acordado por algum


tempo, mas ele estava dormindo quando eu fui vê-lo.

Sentei-me, segurando sua mão e lhe contei sobre o


meu dia.

Então eu disse a ele sobre minha decisão.

Ele não respondeu, ele não me julgou, ou teve qualquer


atitude ou me deu conselhos e certamente não segurou
minha mão.

Isso, eu achava que era bom, mas eu sabia que ele não
fez porque ele não tem qualquer julgamento, atitude ou
conselho, não porque ele não queria, mas porque seu cérebro
está em coma.

Então, eu parti.

Entrei na Fortnum cerca de meia hora antes de fechar


carregando sacolas com latas e caixas que foram recheadas
com biscoitos, bolos e tortas.
Todo mundo estava lá. Lee, Indy, Ally, Tex, Duke, Jane
e Hank.

— Jet, - Indy exclamou quando ela me viu e correu até


mim, dando-me um grande abraço.

Eu estava prestes a lhe dizer estava tudo bem, mas ela


se afastou e enfiou a mão no meu rosto.

Havia uma enorme pedra em seu dedo anelar.

— Oh meu Deus! - Eu disse, largando as sacolas e


abraçando-a, balançando o corpo de um lado para o outro e
rindo. — Você vai se casar, - eu disse, quando eu puxei um
pouco para trás.

Ela assentiu com a cabeça. — Lee me pediu durante o


café da manhã, com champanhe. - Então ela se inclinou, —
Acabamos de sair da cama, tipo, uma hora atrás, - ela
sussurrou.

Ela se inclinou para trás, os olhos brilhantes e felizes, e


eu assenti.

— Bom, - eu disse

— É melhor você acreditar nisso, - respondeu ela.


Todo mundo estava em modo de celebração e foi muito,
muito melhor do que o modo desespero então eu fui com eles.
Eu iria contar para Indy que estava me demitindo depois.

Eu entreguei biscoitos, bolos e tortas, dando a Lee um


grande saco para ele levar ao escritório. No início, eu estava
feliz que eu tinha recebido a notícia de Lee para tirar a
atenção fora dos presentes. Não funcionou realmente,
considerando os olhares e abraços que recebi, mas eles me
conheciam o suficiente até agora para não fazer um grande
negócio disto.

Estávamos indo com Indy e Lee para uma bebida de


celebração quando Daisy chegou, carregando o que parecia
vinte revistas.

— Ally me mandou uma mensagem. Peguei Noiva,


Noiva Moderna, Noiva Contemporânea, Noiva de Hoje, Denver
Noiva, Casamento, Casamento Martha Stewart e Vogue, será
que elas se vestem assim para as fotos ou realmente se
vestem assim? Acho que só as celebridades fazem isso, mas
acho que podemos roubar algumas ideias.

— Legal, - disse Ally.

— É mesmo, - disse Indy.


— Inferno de merda, - Hank murmurou, parecendo
horrorizado.

Eu atirei-lhe um sorriso.

Ele pegou-o, jogou o braço em volta do meu pescoço e


me deu um abraço de lado, mantendo-me contra ele em uma
distância amigável possivelmente por eu ser a mulher de
Eddie.

Meu sorriso ficou falso e eu ignorei a crise dolorosa em


minha barriga.

Eu ia sentir falta desses caras.

Tod e Stevie apareceram, Chowleena a reboque, meia


hora depois que chegamos na casa de Indy e Lee. Eles
estavam dividindo, entre eles, o que parecia ser uma dúzia de
garrafas de vinho espumante gelado.

— Desde que Lee se mudou, temos nos preparado.


Agora teremos mais espaço na nossa geladeira, - disse Stevie.
Ele e Tod entraram na ala feminina, sentada na sala da
Indy, que estavam se derramando sobre revistas de
casamento.

Os homens, (Lee e Hank tinham sido unidos por Vance,


Matt e Bobby), no andar de cima foram assistir a um jogo e
beber cerveja. Duke tinha ido para a casa de Dolores, Tex
tinha ido para casa com os gatos e Jane só foi para casa (ela
não gosta de multidões).

— Aiyeee! - Tod gritou: — Será que é Modern Bride? Eu


amo Noiva Moderna. Mova-se dai, - disse ele, não exatamente
me movendo mais, mas me empurrando fora da poltrona
fazendo com que eu caísse de bunda no chão e ele confiscou
a revista que eu estava folheando tirando-a fora das minhas
mãos.

— Eu estou pensando em casamento com cores verde e


amarelo, - Tod decidiu. — Não, não, vermelho e vinho, - ele
mudou de ideia. — Não, safira e gelo, - ele mudou de ideia
novamente.

Eu não sabia que ‘gelo’ era uma cor.

Indy começou a rir.

Stevie abriu uma garrafa de vinho.


— Pegue as taças!!! - Gritou, em seguida, olhou ao
redor, — Que se dane, hoje estamos celebrando e temos o
suficiente para que todos possam ter a sua própria garrafa.

Então, ele tomou um gole direto da garrafa.

Fomos jogar Yahtzee. Eu estava de bem com a minha


garrafa de vinho, sentada entre Hank e Vance na mesa da
sala de jantar da Indy.

A mesa era enorme, mas ainda assim, com onze


pessoas sentadas em torno dela, ficava meio apertado. Era a
minha vez quando o meu celular que estava no meu bolso de
trás tocou.

Eu puxei-o para fora e vi o nome no display : ‘Eddie’.

— Droga, - eu sussurrei.

Então eu dei um gole nada saudável na minha garrafa,


com Hank e Vance assistindo. Eu tinha certeza que eles
tinham visto a tela no meu telefone, o que significava que eu
não podia ignorá-lo, como eu queria.

Eu atendi.
— Oi, - eu disse.

— Onde está você? - Perguntou Eddie.

Olhei para a mesa, todos tinham os olhos em mim.

Maravilhoso.

Eu odiava isso.

— Eu estou na Indy e Lee, bebendo vinho espumante e


jogando Yahtzee. Indy e Lee ficaram noivos hoje e estamos
comemorando, - eu respondi.

Silêncio.

— Eddie? Você me ouviu? Indy e Lee ficaram noivos. -


Mais silêncio.

Hmm.

— Onde está você? – Eu perguntei.

— Eu estou em pé no meu quarto olhando para o


espaço vazio onde sua mala costumava ficar.

Ops!
Eu dei um sorriso fraco para a mesa, levantei-me e fui
em direção à cozinha.

— Eu queria ter conversado com você, - eu disse


enquanto eu estava andando.

— Quando?

Eu não tinha a intenção magoá-lo. Eu tinha a intenção


de evitá-lo até que eu tivesse a chance de descobrir o que eu
queria com ele.

O que significava, descobrir a minha vida, resolver o


meu emprego na Fortnum e Smithie, em seguida, dizer
adeus. Eu tinha desviado pela festa de noivado informal, pelo
vinho espumante e pelo Yahtzee.

Amaldiçoei as revistas de casamento, champanhe e


jogos de dados e atingi a cozinha.

— Talvez possamos conversar sobre isso depois, - eu


sugeri.

— Quando?

Imaginei que Eddie era muito bom em uma sala de


interrogatório.
— Eddie...

— Estarei aí em dez minutos.

Não.

Não, não, não.

— Estou saindo em poucos minutos, - eu menti. Eu


não tinha a intenção de sair, eu tinha os pontos de bônus
amarrados naquele jogo e eu estava indo a uma vitória (ou,
pelo menos, um dos três primeiros). Eu só tinha uma casa e
uma oportunidade para sair e Tod disse que casas simples
eram fáceis de obter.

— Se você não estiver aí quando eu chegar, eu vou


atrás de você e não vai ser nada bom quando eu a encontrar.

Querido Deus.

— Eddie...

Mas ele tinha desligado.

Eddie apareceu e, felizmente, ele foi forçado a


comemorar pelo simples fato de que era uma celebração. Ele
deu um abraço em Indy e em Lee deu um abraço de homem
(de um braço só, tapa na parte de trás que provavelmente iria
deixar uma contusão, enquanto agitavam as mãos).

Então os seus olhos fixaram em mim.

Eles eram brilhantes.

E isso não era bom.

Não é bom.

Eu estava sentada de volta entre Vance e Hank.

Em seguida Hank deslizou sua cadeira para longe de


mim, e Lee encontrou uma cadeira.

Eddie então se sentou ao meu lado, muito perto de


mim, com a mão enrolada em volta do meu pescoço e ele me
puxou para ele. Os lábios dele bateram no meu rosto e se
mudaram para a minha orelha.

— Nem sequer pense sobre isso, - disse ele.

Meu estômago apertou e eu tinha certeza que eu estava


tendo palpitações no coração.

— Yahtzee! - Stevie gritou e eu pulei.


Eddie me soltou e sentou-se próximo ao jogo bebendo
minha garrafa de vinho.

Eu meio que queria pedir outra, eu estava pensando


que ficar bêbada era definitivamente o caminho a percorrer.

Assim que o jogo acabou, Daisy levantou-se e declarou:


— Marcus deve estar imaginando onde eu estou.

Ela disse e fez suas despedidas com abraços e beijos no


ar.

Tod e Stevie foram depois dela e Bobby e Matt foram


para casa de suas namoradas (isso foi uma surpresa, eu não
sabia que eles tinham namoradas).

Vance recebeu um telefonema que mudou a expressão


em seu rosto, e o fez enviar um olhar significativo para Lee, e
então ele saiu da sala.

— Vamos jogar strip pôquer, - Ally sugeriu quando a


porta se fechou atrás Vance.

— Essa é uma boa ideia, vinda de uma jogadora de


pôquer de merda, - disse Hank.

Querido Deus, me salve.


— Mas eu não estou jogando strip pôquer com a minha
irmã, - concluiu Hank.

Obrigada Deus por este favor.

— Hora de ir para casa, - disse Eddie, empurrando a


cadeira para trás para se levantar.

Eu olhei para ele. Ele podia estar no clima da


comemoração e estar brincando, mas um olhar para ele me
disse que ele simplesmente não estava brincando.

Olhei para a mesa.

— Talvez pudéssemos jogar apenas pôquer, - eu tentei.

Sua mão agarrou a minha e ele me puxou para cima.

— Indy e Lee provavelmente vão querer ficar sozinhos, -


disse Eddie.

Ele provavelmente estava certo. O olhar no rosto de Lee


disse que estava definitivamente certo.

Todos levantaram, mais abraços e beijos e Eddie e eu


saímos na frente.

— Meu carro está na Fortnum, - eu disse a ele.


— Eu a levo para pegá-lo amanhã de manhã, - Eddie
respondeu, andando para a picape. Ele desbloqueou as
portas, eu puxei forte a minha mão para separá-la da sua.
Não funcionou.

Ele parou na porta do lado do passageiro.

— Eu estou indo para casa, - disse eu.

— Já lhe disse, eu prefiro a minha cama, - ele voltou.

— Ok, você dorme em sua cama e eu durmo na minha


cama. - Resposta errada.

Ele me empurrou contra a picape com uma mão em


minha barriga.

— Você quer ter essa conversa aqui na rua ou que você


quer fazê-la em minha casa?

Eu não queria conversar na rua. Mas eu sabia que


tínhamos que ter esta conversa final.

— Eu estava pensando, talvez amanhã.

— Você estava pensando errado.


Querido Jesus.

— Eddie...

Ele abriu a porta da picape.

— Entra no carro, Jet.

Eu mudei a atitude. Certamente, a jogada de medrosa


não estava chegando a nenhum lugar.

Eu dei-lhe um olhar. — Você é incrivelmente agressivo!


- Eu bati.

— Entra no carro, - repetiu ele.

Eu me virei para ir embora.

— Eu estou indo para o meu carro, - eu anunciei.

Eu estava presa de volta, o dedo agarrando o cinto do


meu jeans.

Ele me empurrou de volta contra a lateral da picape e


chegou perto.

— Lembre-se que eu disse sobre não ser tolerante com


suas merdas?
Ele parecia bastante irritado, tão zangado que as
palavras me escaparam, então eu assenti.

— Eu quis dizer essa merda também, agora entra no


carro.

— Eu realmente não gosto de você, - eu disse a ele,


tentando ter alguma atitude.

Novamente, foi à escolha errada.

Seu corpo deu um tranco e, em seguida, ele ficou ainda


mais perto.

— Agora, - ele disse calmamente, — Você apenas jogou


baixo. Então, eu vou ter que provar que você está errada.
Depois de eu fazer isso, nós vamos conversar.

Ops!

O que eu poderia dizer?

Eu apenas fui com ele.

Ainda assim, eu dei-lhe um olhar antes de eu chegar à


picape. Simples assim.
Capitulo 27

A conversa.

Eu vim em silêncio traçando uma estratégia para a


conversa com Eddie.

Ele estacionou na garagem e fomos para a cozinha.


Coloquei minha bolsa no balcão e ele entrou na sala de estar.
Eu respirei fundo e fui atrás.

Ele se virou para mim, plantou as mãos nos quadris e


olhou para mim.

— Você quer explicar por que vim para casa para


descobrir que você foi embora?

A boa notícia era que ele tinha desistido da ideia de


provar que estou errada sobre não gostar dele.

A má notícia foi, nós não estávamos sentando e


relaxando na frente um do outro antes da nossa conversa.

Oh Deus, era agora ou nunca.


Eu fui até ele e deslizei os braços ao redor da sua
cintura. Eu pressionei meu corpo contra o dele. Coloquei meu
rosto em seu pescoço e, com os lábios pressionados contra o
lado de sua garganta, eu disse. — Não realmente.

— Chiquita...

Eu fiquei na ponta dos pés, os meus lábios se moviam


e eu o beijei atrás da orelha.

Eu nunca tinha tentado seduzir Eddie. Eddie era uma


espécie de mandão quando se tratava de sexo (realmente,
Eddie era uma espécie mandão em qualquer aspecto), ele
queria, ele conseguia.

Eu nunca tinha seduzido ninguém, e eu não sabia


exatamente o que fazer. Eu estava esperando começar e, em
seguida, Eddie poderia assumir.

— Jet, eu lhe fiz uma pergunta, - disse ele.

Minhas mãos subiram suas costas. Ele tinha um corpo


lindo e eu podia sentir a definição dos músculos sob meus
dedos. Eu também podia sentir o cheiro dele e isso era uma
combinação mortal.
— Eu ouvi, - eu disse contra sua pele e, em seguida,
movi a minha boca um pouco mais para frente chegando em
sua garganta e raspo meus dentes em seu pescoço.

— Você vai me responder? - Ele perguntou e eu tinha a


sensação de que ele não ia cair na minha sedução. A razão
que eu achava isso era porque ele ainda tinha as mãos
plantadas em meus quadris.

Isso era uma chatice, considerando que eu estava


gostando do meu plano cada vez mais que os segundos
passavam.

Eu puxei meus braços da sua cintura e coloquei-os em


torno de seu pescoço, meus dedos ficaram em seus cabelos e
eu inclinei minha cabeça para trás.

— Eu vou responder... mais tarde.

Então eu o beijei.

Eu deveria ter tentado isso em primeiro lugar.

No começo, ele não respondeu, mas então eu fiquei


indo e toquei a ponta da minha língua sobre os lábios
fechados. A segunda vez que eu fiz isso, seus braços foram ao
redor de mim e ele me beijou de volta. Em seguida, ele
assumiu o beijo, sua boca abriu sobre a minha, sua língua
deslizando para dentro.

O meu corpo derreteu e meu estômago se enrolou.

Ele levantou a cabeça e eu disse: — Yum.

Eu não sabia a verdadeira intenção do que acabou de


sair.

Eu abri meus olhos e quando eu o olhei os seus olhos


eram líquidos puro.

Então ele começou a andar em direção ao quarto, os


braços ao meu redor, eu estava voltando, ele estava se
movendo para frente, as mãos estavam ativas e ele me beijou
novamente.

Isto era mais parecido com ele.

Foi um pouco mais tarde (um longo tempo), depois que


ele me deixou comandar de novo (por pouco tempo), então ele
assumiu novamente (por um longo tempo), quando ele me
virou de costas, abriu minhas pernas e finamente e
lentamente, deslizou dentro de mim.

— Chiquita.
Eu abri meus olhos com o seu chamado enquanto ele
pressionava profundamente.

— Sim, - eu sussurrei, passando as pernas ao redor de


suas coxas.

— Eu gosto de onde você estava indo com isso, mas


você ainda vai me responder, - ele me disse.

Eddie tinha tudo planejado.

Depois, eu estava pressionada contra seu lado, Eddie


estava de costas. Suas mãos estavam nos meus quadris e
seus dedos estavam se movendo distraidamente. Meu plano
era distraí-lo da conversa, pelo menos até a manhã. Na luz do
dia, eu poderia descobrir como dizer o que eu queria dizer.

Esta seria a última vez que eu ficava com Eddie. Eu


precisava disso. Eu merecia. Para fazer amor e dormir ao lado
dele, sentir o cheiro dele no meu nariz e sentí-lo contra a
minha pele. Para fazer uma última memória que eu pudesse
manter comigo por um longo, longo tempo.
E nós tínhamos feito uma verdadeira boa memória.
Envolvi meu braço em volta dele e me aconcheguei ao seu
lado.

Seus dedos se enroscaram no meu quadril.

— Você acha que conseguiu se livrar, - ele murmurou e


eu poderia dizer que ele achou graça.

— Não, - eu disse honestamente: — Mas eu estou


esperando que você esteja se sentindo feliz o suficiente para
esperar até de manhã.

— Jet...

Eu puxei para cima e olhei para ele.

— Eddie, por favor. Posso ter uma noite sem discutir?


Por favor?

Ele olhou para mim por um segundo, em seguida, sua


mão se aproximou e deslizou no meu cabelo e puxou meu
rosto para baixo para um toque de lábios.

— Uma noite, - disse ele contra a minha boca.

Eu sorri para ele.


Sua mão se moveu para o meu queixo e seu polegar
traçou o meu sorriso enquanto seus olhos observavam.

— Eu estou esperando que, quando sua merda


terminar, eu veja mais desse sorriso.

Eu caí e me aconcheguei contra ele.

Ele não estaria vendo qualquer um dos meus sorrisos,


mas onde eu estaria (que seria longe dele e de seus amigos),
eu provavelmente não estaria sorrindo muito de qualquer
maneira.

Eu podia ouvir o toque do seu telefone. Ele me


desalojou, inclinou-se, pegou sua calça jeans e puxou o
celular fora do bolso de trás. Ele voltou, me trouxe com ele
novamente e abriu o telefone com uma mão.

— Sim?

Ele ouviu um pouco então eu senti o seu corpo tenso.

Eu fiquei no meu cotovelo para olhar para ele e seu


olhar fixou no meu.

— Você está brincando comigo, - disse ele ao telefone.


Ele ouviu mais e então ele tomou o seu braço em torno
de mim e enxugou os olhos.

— Certo. É. Mais tarde. - Então ele fechou o telefone e


jogou-o na mesa de cabeceira.

— O quê?

Ele olhou para mim.

— Eles acharam Fratelli morto em sua cela. Alguém


quebrou o seu pescoço.

Chupei minha respiração.

— Querido Deus, - eu disse em um suspiro.

Seus braços vieram em torno de mim e ele rolou para


dentro de mim para que nós dois ficássemos frente a frente.
— Você está bem? – Ele questionou.

— Como isso aconteceu?

— Eles não sabem. Eles estão investigando. Ele não


estava em aberto, ele estava em uma cela privada. Fiz
arranjos, achei que Marcus iria renegar o acordo.

— Você acha que ele fez?


Eddie fez um único encolher de ombros.

— Eu não acredito nisso, - eu disse. Eu não queria


Vince morto. Talvez, se eu fosse honesta comigo mesmo, o
queria agredido um pouco, mas não morto.

— Você está bem? – Eu perguntei.

— Isso não importa para mim. É só mais um pedaço de


merda morto.

Mas... Eddie era um dos mocinhos.

Eu o olhei.

Então eu disse: — O homicídio é uma coisa ruim.

Ele deu uma volta, aproximando-se de mim, seu corpo


pressionado contra o meu.

— Sim, - disse ele.

— A pior coisa, - eu disse a ele.

Suas mãos deslizaram para o cabelo de cada lado da


minha cabeça.
— Você não está bem.

— Eu não me importo com Vince. Ele me disse que ia


me estuprar com uma garrafa quebrada.

Os olhos de Eddie mudaram, em vez de cauteloso e


calmo, eles tornaram-se ativos, assustadoramente ativos.

— Ele disse isso?

Eu balancei a cabeça.

— Então eu verdadeiramente não dou uma merda que


ele esteja morto.

— Mas você é um policial!

— E?

— Hank diz que vocês são os mocinhos, você joga pelo


comprimento das regras e homicídio é errado, não importa
quem o faz ou por quê.

Ele fez um toque dos lábios e, em seguida, rolou


novamente, levando-me com ele para que eu estivesse em
cima.
— Hank é um tipo diferente de policial do que eu. Um
idiota fez da vida da minha mulher um inferno e a ameaçou
de estupro com uma garrafa quebrada, então eu não estou
ligando ou perdendo o sono por causa do fato de que ele não
está respirando mais.

— Então, Hank joga pelas regras e você vê tons de


cinza, - eu disse.

Seu corpo se movia com o riso.

— Hank joga pelas regras, - ele repetiu isso como se


fosse engraçado.

— Ele não faz?

— Chiquita, Hank tem um livro de regras e eu aposto


que ele o estuda, mas ele também tem um monte de merda
riscado e uma porra de um monte de notas de rodapé.

Hmm.

— Oh, - eu disse.

Veja, eu estava certa. Hank era um bom rapaz


assustador.
— Vamos falar sobre o que Vince disse a você. - Eu
suspirei e pressionei meu rosto em seu pescoço e empurrou
meus braços em torno dele.

— Não vamos.

— Você tem que falar sobre isso.

— Por quê? Acabou. Você lida. Você segue em frente.


Eu estou bem, todo mundo que eu amo está bem, exceto meu
pai e há esperança de ele ficar bem também. Vince era um
idiota. Agora ele está morto. Fim. - Os braços de Eddie se
apertaram em torno de mim e ele disse algumas coisas
baixinho em espanhol.

Minha cabeça voltou-se.

— O quê? Eu não entendi nada.

Ele resmungou novamente, e beijou o topo da minha


cabeça novamente.

Então, ele disse: — Você não quer conversar? Então


não iremos conversar. - Então ele me beijou.

Então, na próxima hora, houve algumas palavras


murmuradas, mas você realmente não podia chamá-los de
conversa.
O alarme disparou, Eddie tocou um botão e rolou de
volta para mim, envolvendo os braços em minha volta. Era
sábado. Sábado significava que não havia sequer a
necessidade do botão de soneca.

Eu aninhei minha bunda em sua virilha e tentei voltar


a dormir.

Então eu ouvi Eddie dizer: — Acorde, Cariña, chegou o


tempo para a nossa conversa.

Merda, inferno maldito.

— Eu quero dormir mais, - eu disse.

— Depois da nossa conversa e depois que eu fizer amor


com você, então você pode dormir. Em primeiro lugar, a
conversa.

Meu estômago se enrolou.

Eu ignorei.
— Mas eu quero dormir mais agora.

Eu estava, em parte, tentando evitar a conversa, em


parte tentando não pensar em Eddie fazendo amor comigo e
em parte, eu realmente queria dormir mais.

Ele se afastou e puxou-me para as minhas costas. Ele


estava em seu cotovelo e olhando para mim. — Mais tarde, -
disse ele.

Eu joguei um braço sobre os olhos. — Eu preciso de


café, - eu disse.

— Mais tarde.

Eu não ia sair dessa eu não estava atrasando isso e eu


não ia dormir mais.

Ergui o braço e olhei para ele.

Era um olhar sério, nenhuma atitude, nenhuma


merda.

— Eu preciso de café antes de falar.

Ele olhou para mim, sério, em seguida, rolou para fora


da cama e me puxou com ele.
Eu coloquei uma das camisas de flanela de Eddie
(pensando que eu iria roubar isso também quando eu me
fosse) e uma das cuecas e Eddie puxou um jeans.

Fizemos café.

Utilizou-se o delicioso pão que Blanca comprou na


padaria, quebrando o selo na nova torradeira de Eddie. Nós
as untamos com manteiga real (que Blanca comprou) e geleia
de uva (mais uma vez, que Blanca comprou).

Sentamo-nos à mesa da sala de jantar com o nosso


café e torradas. Eddie sentou-se, com as pernas para fora na
frente dele e seus pés cruzados nos tornozelos. Não era uma
boa posição, porque era uma boa posição e era uma nova
posição.

Eu não tinha tido a oportunidade de estar em torno de


um Eddie que estava relaxado, sentando-se à mesa da sala de
jantar, vestindo apenas jeans. Eu conhecia o Eddie na
Fortnum, Eddie o homem de ação ou, no máximo, Eddie
descansando no sofá me segurando enquanto assistia a um
jogo de basquete. Mas ainda descansando no sofá, havia algo
sobre ele ativo, alerta, atento, focado, o que for.

Ele estava concentrado agora, mas nós fizemos um


monte de sexo ontem à noite e eu tinha concordado em
conversar. Sem mencionar, eu estava sentada em sua mesa
de sala de jantar comendo torradas e vestindo sua camisa.

Ele estava concentrado, mas descontraído. Ele parecia


realmente bonito e ambos iam tornar as coisas muito mais
difícil para mim.

Ele pegou um pedaço de torrada e ficou me olhando.

— Você está ficando com aquele olhar de ‘estou pronta


para fugir’, de novo - disse ele, enquanto engolia e então ele
tomou um gole de café, ao mesmo tempo em que me olhava.

— Eu não sabia que você iria ficar louco porque eu me


mudei. Eu não estava morando aqui eu estava apenas
ficando aqui... - Eu comecei, mas ele me interrompeu.

— Você não se mudou, nós não estávamos prontos


para que você se mudasse. Ainda assim, você poderia ter me
dito e você poderia ter ficado um tempo. Pelo menos até que
sua irmã encontrasse um lugar para você ficar.

— Mamãe desistiu do apartamento. Ela e Lottie estão


indo morar com Trixie.

Seus olhos não me deixaram, mas eles tornaram-se


ativos.
— Isso foi rápido. Onde você vai viver?

— Elas encontraram um apartamento para mim. Estou


desistindo da Fortnum e vou ficar trabalhando com Smithie
até que apareça uma vaga na Credit Union. Então, eu estou
indo para lá.

Ele apenas me observando.

— Preferia o contrário, você ficar na Fortnum e sair do


Smithie.

— Smithie dá mais dinheiro.

— Então, você está se mudando para cá até que você


possa pagar o seu próprio lugar.

Eu balancei minha cabeça.

— Não foi uma oferta, Chiquita. Eu não quero você


trabalhando com Smithie.

— Eddie, - eu disse, comendo a minha torrada, — Você


não tem muito a dizer sobre isso.

Seus olhos começaram a mudar.

Oh-oh.
Eu me inclinei para trás, tomei um grande fôlego e, em
seguida, disse em linha reta para fora, — Eu estou
terminando com você. - Seus olhos mudaram rápido como
um flash.

— Desculpe? - Ele perguntou em voz baixa

— Eu estou terminando com você, - eu repeti.

Não só os olhos mudaram, mas seu corpo não estava


mais descontraído. Ele estava na mesma posição, mas ele
estava de volta ao alerta e consciente, muito alerta e
consciente.

— Eu... - Eu comecei, engoli então comecei novamente:


— Eu quero lhe agradecer por tudo o que tem feito por mim,
eu tenho cookies no meu carro...

— Eu não quero que os seus cookies, porra.

Hmm.

Isso não é bom.

Eddie gostava dos meus cookies. Fiz a manteiga de


amendoim e os quadrados da Harshey especialmente para
ele.
— Eddie...

— Que porra é essa que você tem medo? – Ele


questionou.

Eu pisquei. — Perdão?

Ele olhou para mim em uma batida então disse: —


Você está sendo incrivelmente ignorante, porra.

Arrumei-me na cadeira. — Isso não foi legal.

— Isto é bom, - disse ele.

— O que é bom?

— Nós.

Eu acenei com a cabeça.

Ele estava certo. Foi muito bom. Esse era o ponto.

Eu me levantei. — Eu acho que eu deveria ir.

Comecei a andar para o quarto, repensando sobre


roubar sua camisa. Ele era um pouco mais difícil de romper
do que Oscar, ou Luís e Luís me pediu para casar com ele.
Naquele momento, eu não acho que Eddie me agradeceria por
roubar suas roupas.

Eu dei cerca de três passos antes que meu braço fosse


agarrado e Eddie me virasse.

Comecei a falar imediatamente, eu não queria ouvir o


que ele tinha a dizer.

— Eu vou ficar na casa da Lottie, vou ligar para ela vir


me pegar.

— Você não vai a lugar nenhum, vamos resolver esta


merda.

— Não há nada para falar.

— É melhor você acreditar que há, porra.

— Eddie, por favor. Não.

— Chiquita, você é um pé no saco, mas você não é


chata, você não é normal e você não está na média. Esse é o
ponto. Seria bonito que você não perceba como você é bonita
para caralho, exceto que você acaba sendo beijada e com a
cabeça no colo de outro cara. Você tímida é doce, mas a sua
atitude é a melhor...
— A atitude era latente. Slick e Vance, e provavelmente
Indy e Ally trouxeram para fora.

— Realmente, eu não acho que...

Seus braços vieram em torno de mim e ele me puxou,


duro, contra seu corpo e sua cabeça inclinada para baixo
para os meus olhos quando eu olhei para cima.

— Eddie...

— Você não está terminando comigo e você não está


indo embora. Nós vamos terminar o nosso café e torradas e
então eu vou levar você para o quarto e fodê-la tão forte que o
seu cérebro idiota não vai pensar em nada, a não ser sobre
eu mexendo dentro de você. Então, depois disso, nós vamos
ter um dia normal, fazendo alguma merda normal, antes que
alguma crise nos mande de volta em um pandemônio.

— Não haverá outra crise, - disse eu.

— Há sempre uma nova crise.

— Eddie, deixe-me ir.

— Isso não vai acontecer.


Eu comecei a entrar em pânico. Foi uma reação de
pânico atrasada, mas eu finalmente percebi que isso não
estava indo bem.

Nada bem.

— Eddie, deixe-me ir! – Eu gritei.

Seus braços se apertaram e ele me abalou um pouco.


— Isso não vai acontecer, - ele gritou de volta.

Ok, eu era puro pânico naquele ponto.

— Você tem que me deixar ir!

Definitivamente um grito.

— Por quê?

— Você apenas tem.

Outro agito.

— Por quê?

Senti as lágrimas queimarem na minha garganta.

Não, a sério isso não estava me fazendo bem.


— Jet, fale comigo.

Eu balancei a cabeça e tentei manter distância.

Ele me trouxe ainda mais perto.

— Eddie, deixe-me ir!

— Você gosta de mim, você não quer, mas você gosta e


tudo isso é apenas besteira.

— Eu não gosto de você! - Eu falei.

— Você gosta, porra! - Ele gritou de volta.

Eu dei um puxão vicioso e as lágrimas que queimaram


minha garganta começaram a queimar os meus olhos, eu não
conseguia as engolir e elas começarem a fluir.

Ele me pegou de novo e me trouxe de volta.

— Eu tenho que provar isso para você? - Sua voz


estava de volta à calma e foi muito mais assustador, do que
ele gritando.

— Eu não gosto de você.

Outro agito.
Eu puxei para longe novamente, mas fiquei na frente
dele e gritei: — Eu não gosto de você! Eu o amo. Eu o amei
desde o minuto em que o vi. Deus! - Eu olhei para o teto e
passei a mão no meu rosto para enxugar as lágrimas. — Você
é um cara bom, eu pude dizer logo de cara. Você é bom para
os seus amigos e eles o amam. Você é bonito e você se
levantou por mim, foi me manter segura e.... e.... - eu hesitei
e depois continuei. — Você tem uma picape chique!

Por um segundo ele pareceu chocado, então o calor


entrou em seus olhos e ele estendeu a mão para mim.

Virei-me, totalmente em pânico, eu me apavorei, indo


direto para a insanidade temporária.

O que eu estava pensando, deixando escapar que o


amava?

Insanidade temporária total.

Eu comecei a correr, mas ele me pegou, me virou


novamente e me levou de volta até que eu estava pressionada
contra a parede, seu corpo contra o meu.

— Não! - Eu gritei. — Nós não podemos ter relações


sexuais contra a parede de novo, eu tenho que ir.
— Nós não estamos tendo relações sexuais contra a
parede.

Eu olhei para ele e não devia ter olhado. O calor estava


lá, mas ele também estava se divertindo, ele achava que isso
era engraçado.

Isso não era nada engraçado.

— Eu tenho que ir.

— Você não vai a lugar nenhum.

— Eddie...

— Chiquita, acalme-se.

Eu balancei minha cabeça. Calma não era uma opção,


o meu coração batia tão forte que eu pensei que eu pudesse
ouvi-lo, mesmo que eu não conseguisse ouvir nada, o sangue
corria para os meus ouvidos.

— Por que você está com medo? – Ele questionou.

Eu balancei minha cabeça.

— Por que você quer terminar comigo?


Eu balancei minha cabeça novamente, mas respondi.

E eu respondi honestamente. — Não vai dar certo. Eu


sei isso. Eu prefiro que acabe agora, quando vai machucar,
mas eu não quero que acabe mais tarde, quando vai me
destruir.

Eu estava lutando contra ele, para fugir, mas ele


pressionou mais profundo e eu poderia cheirá-lo e eu parei.
Eu tive que segurar minhas reservas, eu não poderia queimar
muito rápido, eu tinha que manter energia suficiente para
encontrar uma maneira de sair de lá.

— Por que não vai funcionar? - Ele perguntou.

— Isso nunca funciona.

— Por quê?

— Eu não sei. Só não funciona. Você pode amar muito


alguém e tratá-los bem e fazer tudo por eles e, em seguida,
eles apenas vão. Acontece. Eu vi isso acontecer com a minha
mãe e eu não quero que isso aconteça comigo. Ela ficou
desfeita, era como se eu a tivesse observado desvencilhar. E
ela era forte, é forte, e isso a destruiu.

Eu estava conversando com sua garganta, era a única


maneira de evita-lo.
Seu corpo continuava pressionado contra o meu, suas
mãos vieram para o meu rosto e inclinou-se, obrigando-me a
olhar para ele.

— Jet, eu não sei o que vai acontecer e eu não posso


prometer nada, mas eu sei que eu não quero que isso acabe.
O que temos é bom, é tão bom para caralho, é ótimo.

— Eddie...

— Sem ‘Eddie’, me escute. Você vai, eu a sigo e vou


trazê-la de volta. Você me deixa, eu vou lhe buscar
novamente. Você quer parar de trabalhar na Fortnum, pare.
Mas eu vou estar no Smithie a cada noite para buscá-la. Eu
disse que ia lhe mostrar o que eu sinto e eu pensei que
estávamos chegando a algum lugar, mas parece que eu tenho
trabalho a fazer.

— Não, - eu sussurrei.

— Eu sei que você a ama, mas o seu pai é um idiota. -


Eu balancei minha cabeça, mas eu estava começando a
sentir, chegando, indo e me tirando o controle.

A atitude.

Ninguém chama meu pai de idiota.


Ok, bem, talvez Eddie pudesse, mas não sem um pouco
de atitude jogada nele.

— E sua mãe tem gosto de merda em homens, - ele


continuou.

Parei balançando a cabeça e olhei para ele.

Ele fez um toque de lábios e meu corpo congelou.

— Mas você não tem, - disse ele.

Ele me puxou para longe da parede e nos braços.

Então, ele sorriu. — Você tem um fodido grande gosto


para homens, - ele completou.

Isso me trouxe para fora do meu congelamento e eu


olhei para ele.

— Isso não é engraçado, - eu atirei.

— Você está errada. Isso é hilário. Você me ama e você


está tentando terminar comigo.

Eu coloquei minhas mãos em meus quadris em uma


ameaça Diva dupla.
— Eu não estou tentando, estou terminando com você.
- O sorriso se abriu em ‘um sorriso’; dentes brancos, covinhas
e tudo.

— Você é tão cheia de merda.

Sério.

Ele estava falando sério?

— Eddie...

— Cállate, mi amor. Terminamos por agora. Estou


levando você para o quarto.

Eu plantei meus pés. — Nós não terminamos de falar! -


Ele me pressionou de volta.

— Você quer fazer contra a parede de novo? - Ele


perguntou em voz baixa, em seguida, seus lábios foram para
o meu pescoço.

— Não me ignore, enquanto eu estou tentando


terminar com você, - eu respondi para ele.

Suas mãos foram para a minha camisa.


— Eu não estou ignorando você, estou apenas não
escutando a sua merda.

— Eddie.

Ele me beijou.

Foi um bom beijo.

Não, foi um grande beijo.

Meus dedos se enroscaram no cós da calça jeans.

— Eu realmente não gosto de você, - eu sussurrei


contra sua boca, enquanto sua mão segurou meu peito.

— Eu sei. Você me ama.

Eu tentei dar atitude, eu até tentei segurar o pânico,


mas ele estava apenas me derretendo.

E então ele se foi.

Assim mesmo.

— Eu nunca vou ouvir o fim disso, não é? - Eu


perguntei.
Seu polegar fez um mamilo balançar.

Eu soltei um suspiro.

— Provavelmente não, - disse ele.

Oh, bem.

Tanto faz.

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