SHORT PAPERS
O PROFESSOR PRECISA SABER UTILIZAR OS RECURSOS
DA INFORMÁTICA: O QUE ELE QUER APRENDER?
Glaucia da Silva Brito – UFSC – glaucia@[Link]
João Roberto Mendes– CEFET/PR – jmendes@.[Link]
Eliane Weber– IEPPEP – ieppep@[Link]
Resumo
Neste artigo relatamos uma pesquisa em andamento, que tem como propósito,
verificar como o professor tem enfrentado o desafio para a incorporação do uso da
informática educativa no ensino fundamental de uma escola pública que possui laboratório
de informática e qual a sua expectativa em relação a um próximo curso de capacitação. A
pesquisa vêm sendo realizada através da observação, relatos de experiências e entrevistas
semi-estruturadas.
Palavras-chaves: capacitação profissional; professor e a informática.
Por que realizar está pesquisa?
O mundo contemporâneo está marcado por avanços científicos e tecnológicos que
invadem o cotidiano dos seres humanos afetando-os na maneira como aprendem, se
organizam e interagem intervindo nas várias esferas da vida social, política e cultural. Neste
contexto, tais avanços começam pelos objetos de uso cotidiano e as crescentes aplicações
de computadores na indústria, na pesquisa científica, nas comunicações e nos transportes,
nas informações e no campo de serviços. SCHAFF (1996). Estas transformações
tecnológicas afetam, também, o mundo do trabalho exigindo um novo perfil de profissional.
Aquele que desempenhava somente funções manuais já não serve mais.
Diante desta realidade a escola depara-se com um novo desafio: preparar um
trabalhador com uma experiência educacional diversificada e flexível capacidade de
adaptação a novas situações. Consequentemente, exige-se também um educador que
tenha competência para incorporar as tecnologias de informática em sua práxis educativa
para desenvolver no educando estas habilidades. Diante da complexidade das relações
comunicacionais do mundo contemporâneo, os professores precisam aprender a pensar e a
praticar comunicações midiatizadas como requisito para a formação de profissionais e
cidadãos críticos, reflexivos, criativos para atuar na sociedade tecnológica em que vivemos.
Atualmente, as novas tecnologias da informação e da comunicação já estão
presentes nas escolas, mesmo que em algumas lentamente, dada as condições políticas e
pedagógicas. O fato é que, como diz APPLE (1995, p. 169) “elas estão aí, e não irão
embora”. Portanto, faz-se necessário que os professores modifiquem suas atitudes diante
destas tecnologias, pois não podem mais ignorar a televisão, o fax, o vídeo, o cinema, o
computador. Estas tecnologias são veículos de lazer, aprendizagem, de informação e de
comunicação.
Há muito tempo o professor e o livro didático deixaram de ser as únicas fontes do
saber. Os alunos aprendem de múltiplas e variadas situações. Já chegam à escola sabendo
muitas coisas, ouvidas no rádio, vistas na televisão, em apelos de outdoors e informes de
mercado e shoppings centers que visitam desde bem pequenos. KENSKI (1996).
Portanto, acreditamos que os professores necessitam incorporar as tecnologias da
informação e comunicação em suas práticas pedagógicas, não como recursos meramente
didáticos, mas, para levar os alunos a buscarem o conhecimento e atribuir-lhes significados
para assim desenvolverem as habilidades exigidas pelo mundo do trabalho da sociedade
contemporânea.
A formação de profissionais para o exercício desta prática competente e reflexiva é
inquestionável. No entanto, o conhecimento “acabado” que o professor atuante recebeu na
sua formação não garante o desenvolvimento de estratégias metodológicas que atenda às
necessidades do educando de forma que possa atuar ativamente nesta sociedade
tecnológica em que vivemos. Nesse sentido, é que pretendemos verificar como os
professores de Ensino Fundamental, de uma escola pública, incorporaram as tecnologias da
informática para utilizarem-nas no seu trabalho em sala de aula.
Vários autores concordam que a introdução do computador na escola é complexa,
e o professor é a peça chave para o êxito de seu desenvolvimento. Ele é insubstituível no
seu papel de educador, além disso, é o professor que deverá decidir sobre todo o processo
da introdução do computador na escola. Se o papel do professor no projeto de informática
na escola é reconhecidamente essencial, ao falarmos dele, ao planejarmos um curso de
capacitação devemos levar em conta todos os valores que ele traz consigo, não perdendo
de vista a concepção político-pedagógico que norteou todo o seu processo de formação.
Um curso de capacitação para informática aplicada à educação deve ter
características diferentes das formas tradicionais de qualificação de um trabalhador de
qualquer outra área, pois devemos considerar, entre outras coisas, a multiplicidade de
elementos políticos, econômicos, culturais, ideológicos e pedagógicos que definem a prática
do profissional professor. Com base nas idéias acima expostas, após a realização da
pesquisa, procuraremos estruturar um modelo de capacitação que será estruturado a partir
das necessidades reais dos professores pesquisados.
A pesquisa
A pesquisa vem sendo desenvolvida em uma escola pública, com professores do
ensino fundamental que utilizam ou não o ambiente informatizado da escola. Ela está
dividida em cinco etapas:
1. Observação: realizada pelos professores pesquisadores no momento que o
professor está utilizando o ambiente informatizado. Período de realização: início
das aulas do ano letivo de 2000 até o mês de abril.
2. Relatos de experiências: em conversas informais no ambiente informatizado.
Período de realização: mês de abril
3. Entrevistas semi-estruturadas: aplicadas aos professores fora do ambiente
informatizado. Período de realização: mês de maio.
4. Estruturação do curso de capacitação para aprovação pelos professores.
Período de realização: maio
5. Capacitar os professores. Período de realização: segundo semestre de 2000
Após a realização das etapas 1, 2 verificamos que 99% dos professores
pesquisados, mesmo utilizando o computador na escola ou fora dela querem fazer um curso
de informática na escola que comece do básico. Entendemos que este básico seria
aprender a usar o computador numa perspectiva pedagógica, ou seja, o professor foi
habilitado a mexer no computador e não a formular e a executar uma proposta consistente
de utilização da tecnologia como recurso pedagógico no ensino.
Neste momento, terminando a etapa 3 já temos uma primeira pista por onde
devemos começar a estruturar o curso de capacitação para estes professores, ou seja, o
básico deve estar firmemente aliado às atividades que o professor realiza em sala de aula.
O curso deverá, desde o início, mostrar a relação da sala de aula e o ambiente
informatizado da escola.
Os professores pesquisados já foram seduzidos pelo computador, neste momento
querem ocupar sucessivamente posições ativas e passivas no que diz respeito a essa
tecnologia na escola e usá-la como mais uma aliada no processo ensino – aprendizagem e
este, será o principal objetivo do curso de capacitação que está sendo estruturado.
Referências Bibliográficas
APPLE, Michael. Trabalho docente e textos: economia e políticas das relações de classe
e de gênero em educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.
BRITO, Glaucia da Silva . Uma análise sobre a implantação de laboratórios de
informática nas escolas de 1o grau. Dissertação de Mestrado, PPGTE – CEFET-PR,
1997
KENSKI, Vani Moreira. O ensino e os recursos didáticos em uma sociedade cheia de
tecnologias. In: VEIGA, Ilma P. Alencastro (Org.). Didática: o ensino e suas relações.
São Paulo: Papirus, 1996. p. 127-147.
LIBÂNEO, José Carlos. Adeus Professor, Adeus Professora? Novas exigências
educacionais e profissão docente. São Paulo: Cortez, 1998.
LIGUORI, Laura M. As Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação no Campo de
Velhos Problemas e Desafios Educacionais. In: LITWIN, Edith (Org.). Tecnologia
Educacional: política, história e propostas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997. p. 78-
77.
SCHAFF, Adam. A sociedade informática. 4ª ed. São Paulo: UNESP,1996.