INSTITUTO SUPERIOR POLITECNICO CATÓLICO DE BENGUELA
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS ECONÓMICAS E JURÍDICAS
ESPECIALIDADE DIREITO
SEBENTA ESCOLAR DE AJUDA À CADEIRA DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL III
ELABORADO POR: Dércio António Teixeira Jorge.
ANO: 2025.
RESUMO
Dentro do processo de aprendizagem, o discente poderá socorrer em diversos meios para se
verem sanadas as suas dúvidas e consequentemente obter uma preparação para a aula,
provas e até mesmo a vida. Sendo assim, como académico que sou, sinto-me bastante
orgulhoso por poder oferecer qualquer material que poderá futuramente ser utilizado como
meio de aprendizagem por indivíduos que passaram ou passarão pela mesma experiência que
eu, e como bónus, poderão ter esse arquivo, feito resumo para usar do melhor jeito possível.
Tal arquivo, respeitando a liberdade de pensamento, constando nos artigos? da nossa CRA,
está abertamente disponível a críticas, analises e objeções. Tanto quanto que, o espírito critico
tem sido combustível para a ciência jurídica.
Dizia Japiassu “Para o espírito científico qualquer conhecimento é uma resposta á uma
pergunta.
Palavras chaves
Sumário:
✓ Requisitos para a sentença
✓ Estrutura da sentença
✓ Limites da condenação.
✓ Nulidade da sentença.
Requisitos para a sentença:
Os requisitos para as sentenças são internos e externos, artigo 157 e 158 do cpc
Externos: parte decisória necessariamente manuscrita pelo juiz. Rubrica das folhas
dactilografadas, relativamente a fundamentação e ao relatório. Ressalva de todas as
emendas do processo. Data e assinatura do juiz.
Internos: dever de fundamentação, descrevendo assim o exercício intelectual
desenvolvido por eles, dando a possibilidade de tanto as partes quanto a opinião publica
avaliar a eficácia da função jurisdicional. Esse dever comporta duas vertentes:
Fundamentação de facto: indicando os factos que considera provados e não provados,
e dizer quais provas lhe fizeram chegar na decisão, artigo 653.
Fundamentação de direito: indicando, interpretando e aplicando as normas jurídicas
aos factos a causa.
ESTRUTURA DA SENTENÇA
1- Relatório.
2- Fundamentação.
3- Decisão.
A estrutura de uma sentença judicial é organizada de maneira a garantir clareza e precisão na
comunicação das decisões judiciais. O artigo 659 do Código de Processo Civil Angolano define
essa estrutura:
1. Relatório: Esta parte inicial da sentença apresenta um resumo dos fatos e dos
procedimentos que levaram ao julgamento. Inclui a identificação das partes envolvidas,
a causa de pedir, o pedido formulado e as principais etapas processuais que ocorreram
até o momento da decisão.
2. Fundamento: No fundamento, o juiz expõe as razões jurídicas que embasam a decisão.
Esta seção deve conter a análise dos argumentos apresentados pelas partes, a aplicação
das normas jurídicas pertinentes e a interpretação dos fatos à luz do direito. É essencial
para justificar de maneira lógica e coerente a conclusão a que se chega.
3. Decisão: Finalmente, a decisão é a parte conclusiva da sentença onde o juiz pronuncia
o resultado do julgamento. Aqui são estabelecidas as consequências jurídicas para as
partes, incluindo a procedência ou improcedência dos pedidos, bem como eventuais
condenações, absolvições ou determinações para a execução de atos específicos
Limites da condenação
O juiz, embora tenha independência nas suas decisões, acaba por estar vinculado ao princípio
da legalidade, e esse princípio acaba por limitar o juiz ao tomar certas decisões. O artigo 661 do
Código de Processo Civil Angolano trata dos limites da condenação, estabelecendo que o juiz
deve proferir a sentença de acordo com os pedidos das partes, mas não pode conceder algo
diferente ou além do que foi solicitado. Em outras palavras, a condenação deve se restringir aos
termos do pedido feito pelas partes no processo.
Isso significa que o juiz deve respeitar os limites estabelecidos pelos pedidos formulados e não
pode decidir sobre questões não submetidas à sua apreciação. Esses limites podem ser:
✓ Limite quantitativo: o juiz está proibido de condenar em quantidade superior á pedido.
✓ Limite qualitativo: impede o juiz de condenar em objecto diverso do objecto pedido
Ambos os limites representam colorario do princípio do dispositivo.
Nulidade das sentenças.
O artigo 668 do Código de Processo Civil Angolano trata das nulidades das sentenças, ou
seja, das situações em que uma sentença pode ser considerada nula. Existem várias razões
pelas quais uma sentença pode ser declarada nula, e estas são algumas das principais:
1. Falta de assinatura do juiz: Se a sentença não for assinada pelo juiz que a proferiu,
ela é considerada nula. A assinatura é um requisito essencial para validar a decisão
judicial.
2. Incompetência do juiz: Se a sentença for proferida por um juiz que não tinha
competência para julgar a matéria, essa sentença é nula.
3. Ultrapassagem dos limites do pedido: Se a sentença conceder algo além ou diferente
do que foi solicitado pelas partes, ela pode ser considerada nula, conforme o princípio
estabelecido no artigo 661.
4. Falta de fundamentação: A sentença deve ser fundamentada, ou seja, o juiz deve
explicar os motivos e as razões que levaram àquela decisão. A falta de fundamentação
pode levar à nulidade da sentença.
5. Decisão sobre questão não submetida ao juiz: Se o juiz decidir sobre uma questão
que não foi submetida à sua apreciação pelas partes, a sentença pode ser considerada
nula.
A Ambiguidade e obscuridade da sentença: Ambiguidade e obscuridade são fundamentos
que podem ser usados para se pedir a aclaração ou esclarecimento da sentença
Ambiguidade ocorre quando a redação da sentença permite mais de uma interpretação,
criando dúvidas sobre o real sentido da decisão. Isso pode gerar incertezas para as partes
envolvidas, que podem não saber exatamente quais são os efeitos da sentença ou como devem
proceder.
Obscuridade refere-se a partes da sentença que são difíceis de entender devido à falta de
clareza na redação. Uma sentença obscura pode conter termos técnicos mal explicados, frases
complexas ou insuficientemente detalhadas, dificultando a compreensão da decisão judicial.
Quando uma sentença apresenta qualquer um desses problemas, as partes interessadas podem
solicitar ao juiz que esclareça ou aclare a sentença, garantindo assim que todas as partes
compreendam plenamente o alcance e os efeitos da decisão. Esse pedido é feito através de
embargos de declaração, que visam corrigir esses vícios e aperfeiçoar a clareza da decisão
judicial.
Sumario:
✓ Meios de impugnação judicial.
MEIOS DE IMPUGNAÇÃO DAS DECISÕES JUDICIAIS
Teoria geral do recurso: apos uma decisão judicial, as partes têm duas faculdades, a de aceitar
a decisão e a de não aceitar a decisão, se as partes ou uma delas não se conformar com a decisão,
o sistema jurídico coloca a sua disposição um conjunto de meios que lhe permitem obter a
respetiva reapreciação, sendo eles denominados: meios de impugnação. Artigo 676.
Os meios de impugnação das decisões judiciais são: artigo 196 CPC.
1- Reclamação: É o meio de impugnação das decisões judiciais junto do próprio órgão
que as produziu, as quais se destinam a expurgar a sentença de vícios formais que a
inquinam, sendo solicitadas ao mesmo tribunal que a proferiu “A reclamação representa
um pedido de revisão do problema sobre que incidiu a decisão judicial, revisão feita
pelo mesmo órgão judicial e sobre a mesma situação em face da qual decidiu.
2- Recurso: Meio de impugnação judicial que pode ter como fundamento a ilegalidade de
uma decisão proferida pelo juiz! Tem por objetivo submeter o caso á uma revisão da
legalidade ou ilegalidade da decisão judicial, por um tribunal de instância superior que
poderá confirmar, modificar ou anular a decisão.
3- Embargo: Tem uma natureza declarativa. Ataca os fundamentos que deram razão a
decisão e é interposto ao órgão que decidiu.
Sumário:
✓ Recurso
✓ Efeitos do recurso
✓ Classificação do recurso
✓ Tipos de recursos:
O recurso Trata-se da consagração do princípio do duplo grau de jurisdição, o qual consiste na
possibilidade de as decisões dos tribunais poderem ser apreciadas, do ponto de vista da matéria
de facto e da matéria de direito, por um tribunal superior. Ou seja, a possibilidade de as decisões
dos tribunais de primeira instância serem objecto de recurso.
“O duplo grau de jurisdição consiste numa garantia concedida ao poder judicial, destinada a
lhe propiciar uma maior segurança. … a competência recursal é exercida, por excelência, por
órgãos colegiados, o que implica em tese, em uma melhor apreciação da matéria”
EFEITOS DO RECURSO
1. Efeito devolutivo;
2. Efeito suspensivo;
Suspensivo: Pelo efeito suspensivo tem-se que a decisão combatida por meio de recurso não
produzirá efeitos até que o recurso seja julgado. Fala-se, por isso, que os efeitos da decisão
combatida ficam suspensos.
Devolutivo: Aqueles que são remetidos a um tribunal de instância superior ao que praticou o
ato.
CLASSIFICAÇÃO DO RECURSO
Os recursos, legalmente podem ser classificados em:
1- Ordinários: aqueles interpostos antes do transito em julgado, constituindo o ato de
interposição um facto impeditivo deste transito. (Agravo, apelação)
2- Extraordinários: Aqueles que são interpostos e certos prazos contados a partir do
transito em julgado da decisão. (revisão, de oposição a terceiro, de uniformização de
jurisprudência)
Transito em Julgado: a decisão considera-se passada ou transitada em julgado, logo que não
seja suscetível de recurso ordinário, ou de reclamação.
Sumário:
✓ Tipos de recuso (Classificação doutrinaria)
TIPOS DE RECURSOS (Classificação doutrinária)
Os especialistas em direito classificam os recursos em:
1- Puros.
2- Mistos.
3- Típicos.
4- Atípicos.
5- Independente.
6- Subordinado.
7- De adesão.
Puros são aqueles que têm efeito devolutivo e acabam por nos remeter a um tribunal de
instância superior. (essa característica é típica do recurso ordinário, principalmente na apelação)
Mistos são aqueles híbridos, que apresentam características de dois. Eles em si podem ser
remetidos a um tribunal de instância superior, porém, não obstante a isso, o tribunal percebendo
que pode fazer correção do vicio, então exara um despacho que pode fazer correção do ato, se
autocorrigindo, sem esperar a decisão de um tribunal superior.
Típicos são aqueles que observam as 3 fases do recurso, sendo elas:
1- Interposição do recurso.
2- Exposição ou subida. (caracter devolutivo)
3- Decisão.
O recurso de agravo é misto e atípico por não ter caracter devolutivo.
Recurso Independente: É interposto autonomamente, sem depender de qualquer outro
recurso. Cada parte pode interpor recursos de maneira independente, visando a reforma de
decisões que consideram prejudiciais.
Recurso Subordinado: Está condicionado à interposição de um recurso pela parte contrária.
Normalmente, esse tipo de recurso só é conhecido se o recurso principal for admitido.
Recurso por adesão é um instrumento jurídico que permite a uma parte aderir ao recurso já
interposto por outra, aproveitando a oportunidade para também apresentar suas razões de
inconformismo. Este tipo de recurso é particularmente relevante no contexto de pluralidade de
sujeitos, coligação e litisconsórcio.
Quando há vários sujeitos envolvidos no mesmo processo, o recurso por adesão permite que
uma parte que inicialmente não interpôs um recurso possa aderir ao recurso interposto por outra
parte. Isso assegura uma economia processual e evita a necessidade de múltiplos recursos
independentes.
Sumário:
✓ Pressupostos do recurso.
Pressupostos processuais: São os requisitos que quando negativo, não devem se fazer
presentes e quando positivos devem estar presente para que um processo siga o seu caminho na
normalidade.
Esses pressupostos devem estar presentes para que se possa interpor o recurso, sendo eles:
1- Recorribilidade.
2- Tempestividade
3- Legitimidade
4- Competência
5- Patrocínio judiciário.
Recorribilidade: Define quais decisões são recorríveis e quais não são, estabelecendo a
exclusão legal de certas decisões.
Tempestividade: Refere-se ao prazo dentro do qual o recurso deve ser interposto. A
interposição fora do prazo legal resulta na inadmissibilidade do recurso.
Legitimidade: Legitimidade para recorrer. Pode recorrer quem for parte principal na Acão e
tenha ficado vencido, ou seja, a quem a decisão tenha sido desfavorável. Pressuposto necessário
à legitimidade para recorrer é o prejuízo real sofrido com a decisão, ainda que não seja um
desvalor económico. Sem esse prejuízo não há interesse em agir, sendo inadmissível o recurso.
Competência: Estabelece a competência dos tribunais para julgar os recursos, garantindo que
o recurso seja analisado pelo tribunal apropriado.
Patrocínio judiciário: Regulam a representação das partes no processo, incluindo a
necessidade e obrigatoriedade de patrocínio judiciário para a interposição de recursos.
Sistema de recurso
O nosso sistema é de revisão ou ponderação.
Este sistema foca na reavaliação jurídica da decisão recorrida, sem reexaminar os fatos já
estabelecidos. O tribunal de recurso apenas verifica se houve correta aplicação do direito,
ponderando sobre os aspectos jurídicos da decisão.
Sumario:
✓ Recorribilidade
Recorribilidade
• Exclusão legal
• Vontade das partes
• Natureza das decisões
• Relação entre o valor da causa e alçada do tribunal
A recorribilidade no processo civil refere-se à possibilidade de as partes impugnarem decisões
judiciais, buscando uma revisão por instância superior. A seguir, abordo os elementos
relevantes para a recorribilidade, considerando a exclusão legal, vontade das partes, natureza
das decisões e a relação entre o valor da causa e a alçada do tribunal.
1. Exclusão Legal: A lei processual civil estabelece quais decisões são recorríveis e quais não
são, excluindo explicitamente algumas do rol de decisões passíveis de recurso. Essa exclusão
legal tem como objetivo evitar a morosidade processual e assegurar a efetividade das decisões
judiciais.
2. Vontade das Partes: O recurso só acontece se as partes tiverem vontade. As partes podem,
em alguns casos, renunciar ao direito de recorrer ou aceitar a decisão de primeira instância
como final. A vontade das partes é um elemento importante que pode influenciar a
recorribilidade.
3. Natureza das Decisões: A recorribilidade também é determinada pela natureza da decisão
judicial. Decisões que resolvem questões de mérito tendem a ser mais recorríveis do que as
que tratam de questões processuais.
4. Relação entre o Valor da Causa e a Alçada do Tribunal: A alçada do tribunal refere-se
ao limite de competência material do tribunal para julgar determinadas causas, baseado no
valor da causa. A recorribilidade pode ser afetada pela relação entre o valor da causa e a
alçada do tribunal. Existem valores que tornam inadmissível o recurso dentro de um processo.
O juiz pode manifestar sua autoridade por despachos:
Despacho interlocutores: são aqueles que resolvem questões incidentais ou acessórios ao
mérito da causa. Esses despachos tratam de pontos que surgem durante o curso do processo,
mas não resolvem definitivamente o litígio.
Despacho proferido no uso legal do poder discricionário: Estes despachos são emitidos
quando o juiz exerce seu poder discricionário dentro dos limites da lei. O poder discricionário
permite ao juiz decidir com base em critérios de conveniência e oportunidade, sempre dentro
do marco legal.
Despacho de mero expediente: são aqueles que o juiz profere sobre o andamento regular do
processo (como o despacho que marca dia para julgamento), dentro dos seus termos legais ou
previamente estabelecidos, e que nada decidem, portanto, sobre a forma do processo ou sobre
direitos e obrigações dos litigantes. Trata-se de despachos internos, proferidos no âmbito da
relação hierárquica estabelecida com a secretaria, ou de um despacho que diz respeito à mera
tramitação do processo, não tocando em direitos das partes ou de terceiros.
Os despachos de mero expediente e as decisões que ordenam atos dependentes da livre
resolução do tribunal, não admitem recurso, porque, pela sua própria natureza, não são
suscetíveis de ofender direitos processuais das partes ou de terceiros e não olham pelo mérito
da causa.
20\11\2024
Sumario:
✓ Actos processuais
O processo começa com a entrega da Petição inicial na secretária, artigo 267. Na secretaria
judicial, cada função desempenha um papel específico e vital para o funcionamento eficiente
e adequado dos processos. Vamos explorar cada uma delas:
1. Secretário: É responsável pela supervisão geral e coordenação das atividades na
secretaria. O secretário garante que todos os processos sejam executados conforme os
procedimentos estabelecidos e que a comunicação entre as diferentes partes seja
eficiente.
2. Técnicos: Estes profissionais auxiliam em várias tarefas administrativas e técnicas.
Eles podem lidar com a gestão de documentos, manutenção de sistemas informáticos e
outras funções que exigem conhecimento técnico específico.
3. Escrivão: O escrivão é encarregue de redigir e manter os registos oficiais dos
processos judiciais. Ele assegura que todos os atos processuais sejam devidamente
documentados e registados nos autos.
4. Ajudante de escrivão: Este profissional apoia o escrivão nas suas funções, ajudando
na organização e gestão dos documentos processuais.
5. Oficiais de diligência: São responsáveis pela execução de mandados judiciais e outras
ordens emitidas pelo tribunal. Eles realizam as notificações e diligências necessárias
para o andamento dos processos, assegurando que todas as partes estejam devidamente
informadas.
Cada um desses papéis é essencial para garantir que o sistema judicial funcione de maneira
justa, eficiente e transparente. Juntos, formam uma equipe coesa que sustenta a integridade do
processo judicial.
Actos praticados pela secretaria:
No campo do direito declarativo, especialmente em termos de recursos, a secretaria
desempenha um papel crucial e detalhado, composto por vários atos administrativos, sendo
eles:
1. Recebimento de expediente: Esta é a primeira etapa onde todos os documentos e
petições são oficialmente recebidos pela secretaria. Esse processo é fundamental para
garantir que os registos sejam atualizados e que todos os documentos sejam
devidamente contabilizados.
2. Registar: Após o recebimento, é essencial registar todos os documentos no sistema da
secretaria. Isso assegura que haja um rastreamento adequado e organizado dos
documentos, facilitando o acesso e a consulta futura.
3. Autuação: Nesta fase, os documentos são formalmente incluídos em processos
específicos, sendo atribuídos um corpo físico ao processo por meio da costura.
4. Conclusão: Nesta fase, o processo é remetido ao gabinete do juiz para proferir o
despacho.
5. Emissão de guias: Esta etapa envolve a preparação de guias de pagamento ou
documentos necessários para prosseguir com os processos. A emissão dessas guias é
vital para garantir a regularidade financeira e processual dos casos.
6. Expedição: Os documentos, após a preparação adequada, são enviados para o tribunal
hierarquicamente superior.
7. Notificação: Finalmente, as partes são notificadas sobre os diversos atos e etapas do
processo. A notificação é um passo crucial para manter todos informados sobre o
progresso e as decisões tomadas ao longo do processo judicial.
Actos processuais das partes
✓ Requerimento de interposição de recuso
✓ Alegacões
Requerimento de interposição de recuso: Este é o ato inicial através do qual a parte
interessada manifesta sua intenção de recorrer contra uma decisão judicial. O requerimento
deve seguir determinadas formalidades e incluir informações específicas:
1. Identificação das Partes: O requerimento deve identificar claramente as partes
envolvidas no recurso.
2. Decisão. Recorrida: Deve ser indicado qual decisão está sendo impugnada.
3. Motivos do Recurso: É necessário expor os motivos pelos quais a parte considera que
a decisão recorrida deve ser revista.
4. Pedido: O requerimento deve conter o pedido de reforma ou anulação da decisão.
5. Prazo: A interposição deve ser feita dentro dos prazos legais, sob pena de preclusão.
Alegações: As alegações são a parte em que a parte recorrente apresenta seus
fundamentos jurídicos e argumentos de forma detalhada, buscando convencer o tribunal
recursal da necessidade de revisão da decisão impugnada. Podem ser divididas em:
Actos processuais do tribunal.
Os juízes desenvolvem as suas actividades proferindo despachos, sentenças e acórdãos
Data: 25\11\2024
Sumário:
✓ Fases do direito recursal
1- Interposição:
2- Subida\ exposição:
3- Decisão:
No contexto do direito recursal, as fases principais são fundamentais para garantir que o
processo de revisão de uma decisão judicial seja conduzido de maneira ordenada e justa. Aqui
está uma visão detalhada dessas etapas:
1. Interposição: Esta é a fase inicial do recurso, onde a parte interessada apresenta
formalmente sua intenção de recorrer contra uma decisão judicial. Nesta etapa, a parte
deve cumprir todos os requisitos processuais, incluindo a apresentação dos motivos do
recurso e a observância dos prazos legais.
2. Subida/Exposição: Após a interposição, o recurso é encaminhado ao tribunal
competente para sua análise. Esta fase envolve a compilação e o envio dos autos do
processo, bem como a preparação de pareceres e manifestações das partes envolvidas.
É nesta etapa que os argumentos do recurso são expostos de forma mais detalhada e
técnica.
3. Decisão: Finalmente, o tribunal de recurso analisa o processo e os argumentos
apresentados pelas partes. Após a devida deliberação, o tribunal proferirá uma decisão,
que pode confirmar, modificar ou anular a decisão recorrida. Esta decisão é crucial,
pois pode pôr fim ao litígio ou possibilitar novos desdobramentos processuais.
“Subfase: Preparação para o Julgamento:”
Antes do julgamento propriamente dito, há uma preparação cuidadosa onde:
1. Exame de Admissibilidade: O tribunal de recurso verifica se o recurso atende aos
requisitos formais e materiais para ser conhecido.
2. Distribuição: O processo é distribuído a um relator, que irá estudar o caso em
profundidade.
3. Alegações das Partes: As partes apresentam suas alegações e contra-razões, expondo
seus argumentos detalhadamente.
Forma de extinção dos recursos
A extinção dos recursos pode ocorrer por várias causas ou formas, que são essenciais para
garantir a eficiência e a legalidade no processo judicial. Vamos detalhar essas causas,
incluindo situações anómalas conforme mencionado no artigo 288, bem como deserção,
desistência, confissão ou transação, e a falta de pagamento do preparo inicial.
Situações Anômalas (Artigo 288): O artigo 288 do Código de Processo Civil Angolano
trata de situações anómalas que podem levar à extinção do recurso. Essas situações incluem
irregularidades processuais ou situações excepcionais que inviabilizam a continuidade do
recurso. Podem incluir erros graves na interposição do recurso ou circunstâncias imprevistas
que tornam impossível o prosseguimento do processo recursal.
Deserção: A deserção ocorre quando o recorrente não cumpre os requisitos formais para a
interposição do recurso, como o pagamento das custas processuais dentro do prazo legal. A
falta desse cumprimento acarreta na perda do direito de recorrer, extinguindo o recurso.
Desistência: A desistência é quando o recorrente opta por renunciar ao recurso já interposto.
Isso pode acontecer por várias razões, incluindo acordos extrajudiciais ou mudanças na
estratégia processual. A desistência formalizada leva à extinção do recurso, sem julgamento
do mérito.
Confissão ou Transação: Quando as partes chegam a um acordo (transação) ou uma das
partes confessa judicialmente (confissão) os fatos ou o direito do adversário, o recurso pode
ser extinto, já que o conflito foi resolvido pelas próprias partes. A transação e a confissão são
formas extrajudiciais de resolver disputas que levam à extinção do recurso.
Falta de Pagamento do Preparo Inicial: O preparo inicial refere-se ao pagamento das
custas processuais exigidas para a interposição do recurso. A falta de pagamento dentro do
prazo legal resulta na extinção do recurso por deserção. Esse requisito é essencial para a
admissibilidade do recurso.