13- A razão pela qual eu a odeio
Boa garota da tia...
Por causa dessas palavras que deixei escapar, não dormi nas últimas três noites. Fiquei surpresa por ter
dito algo assim. E abraçar
A-Nueng para agradecê-la por ter nascido neste mundo não era algo que alguém como eu faria
normalmente.
Se eu tivesse uma arma, atiraria na minha cabeça naquele momento.
De repente, meu celular antigo tocou ao lado da minha cama. Olhei para o telefone que ainda não estava
quebrado depois de todos esses anos e estendi minha mão para pegá-lo e ver quem estava ligando. O
nome de Chet estava na tela.
Eu só pude suspirar porque provavelmente não poderia deixar de atender sua ligação dessa vez. Ele já
tinha ligado mais de cinquenta vezes nos últimos três dias. Algo me dizia que meu ex-namorado também
não estava comendo nem dormindo. Ele provavelmente estava pensando no que eu disse a ele naquela
noite.
Ele provavelmente ficou tão surpreso e perdido quanto eu.
- Sim?
Eu só disse uma palavra porque não queria mexer a boca. Chet simplesmente suspirou através da linha.
Parecia que eu tinha conhecido alguém como eu. Ele também estava cansado demais para fazer
barulho.
- Eu gostaria de me encontrar com você.
- Ainda não estou com vontade de ver ninguém.
- Por favor. Estou em um estado de confusão há muitos dias. Por favor, venha me encontrar.
- Tem certeza de que nosso estresse não nos fará cometer suicídio juntos?
- A menos que a gente se case tenho certeza de que morreremos sozinhos.
Isso foi realmente uma conversa entre dois adultos de trinta e poucos anos? Desliguei antes de suspirar
e tomei banho depois de me trancar no quarto, sobrevivendo com macarrão instantâneo nos últimos três
dias. Chet veio me buscar cerca de 15 minutos depois de desligar. E como sempre acabamos em um
restaurante italiano. Porém naquele dia... Nenhum de nós tinha apetite.
- Você me convidou para sair, então faça alguma coisa. Por que estamos sentados em silêncio sem
sequer comer?
- Não consigo comer
Eu sentia o mesmo.
Mas como não queria que o ambiente ficasse muito sombrio, peguei meus utensílios e comecei a comer
o espaguete mesmo sem fome, como um robô. Chet olhou para mim enquanto eu comia e iniciou uma
conversa depois de termos tentado evitá-la até agora.
- A-Nueng é realmente minha filha?
Olhei nos olhos dele e balancei a cabeça enquanto mastigava.
- Qual a idade dela?
- Ela está no último ano do ensino médio
- Limpei a boca com um guardanapo e coloquei ao lado do meu prato.
- Então ela tem 18 anos.
Chet contou nos dedos e calculou algo mentalmente antes de pentear o cabelo para trás, como alguém
que tem muito no que pensar.
- Sua idade e momento são muito parecidos com quando eu estava com Piengfag.
- Você sabia que ela estava grávida!
Minha pergunta direta o deixou atordoado. Ele olhou para baixo e começou a comer, sem ousar dizer
nada. E essa foi a minha resposta...
- Eu sabia.
- Você era muito jovem.
Ele não pensava demais nas coisas porque não era possível voltar no tempo para mudar o passado. Eu
só estava perguntando porque queria saber.
- Eu disse a ela... que não estava pronto. Meu pai teria me espancado até a morte.
- E o que Fah disse?
- Ela não disse nada. Foi como se ela apenas... quisesse me contar e depois desapareceu. Confesso
que me senti aliviado naquele momento. Tive medo que ela chorasse e que alguém viesse atrás de mim.
Naquela época, eu... Eu era tão imaturo.
- É bom que você pelo menos admita isso com franqueza. Você não disse a ela para fazer um aborto,
não é?
- Não. Eu não disse nada disso. - Chet rapidamente acena com a mão para negar isso. Era como se ele
tivesse medo de que eu pensasse pior dele do que já pensava. - Eu só estava com medo, mas não
queria que ela se livrasse do bebê.
- Você é uma pessoa melhor que eu. Fui eu quem deu o remédio para ela se livrar do bebê.
- Ah...
- Mas A-Nueng sobreviveu. Ela sobreviveu para se tornar essa linda garota – dei de ombros e ri
secamente antes de continuar a questioná-lo. E se Fah chorasse e pedisse para você assumir a
responsabilidade, o que você teria feito?
- Realmente não sei.
- No final você teria pedido para ela se livrar do bebê... Éramos jovens e estúpidos. Isso é o que teria
acontecido - eu ri e pensei em mim naquele momento. A gravidez de Fah nem era da minha conta, mas
eu dei a ela aquele remédio só porque não queria que minha amiga perdesse o seu futuro.
- O que eu tenho que fazer?
- Você não tem que fazer nada. É o passado.
- Mas agora sei que sou pai de alguém. Conheci minha filha... Na verdade, eu deveria fazer um teste de
DNA.
Eu dei a ele um olhar frio. Chet rapidamente tenta explicar enquanto agita vigorosamente as mãos.
- Não é que eu não acredite que A-Nueng seja minha filha. Só quero que tudo seja legítimo para saber
como lidar com a situação. A transparência tornaria tudo mais fácil. Não desprezo minha própria filha, é
claro. Estou pronto agora.
- Eles não estão pedindo nada. Portanto, você não precisa realizar nenhum papel. A-Nueng foi criada
por sua avó. Você é apenas um estranho para ela. - Dei de ombros.
Chet curvou as costas em desespero. Olhei para a reação do meu ex-namorado e ri um pouco.
- Por que você está tão desesperado? Você está agindo como se quisesse uma filha.
- Estou muito feliz em ter uma filha. Estou pronto agora... tipo, tudo bem, enquanto eu não sabia, mas
agora que sei... além disso, minha filha é tão linda.
Dei um sorriso fraco para Chet quando ele falou sobre A-Neng daquele jeito porque concordei com ele.
- O Sim. A-Nueng é linda... Seria uma pena se Fah tivesse mudado de ideia tarde demais e não
chegasse ao hospital a tempo.
- Nossa... Minha filha é tão forte.
- Você ainda nem fez o teste de DNA e já está chamando ela de filha tão rápido assim.
Chet me deu um sorriso tímido.
- Honestamente. Adoro A-Nueng desde que a conheci. Agora que sei que ela é minha filha, amo-a
instantaneamente. É estranho... eu nem a criei, mas eu posso amá-la imediatamente
- Para ser totalmente exato, A-Nueng é apenas uma proteína que saiu de você quando você teve
relações sexuais.
- Ah...
- Só estou dizendo isso cientificamente.
- Dei de ombros com indiferença ao que ele tinha acabado de dizer. Era como se estivesse sendo
casualmente sarcástica por acaso. - Não é nada estranho... A- Nueng é uma menina adorável. Todos ao
seu redor podem facilmente se apaixonar por ela.
- Você também? - Chet me olhou feliz, mas me assustei porque ele devolveu a palavra -amor-.
- Eu não amo ela. Quer dizer, acho que ela é uma garota adorável.
- Fico feliz.
- Que? - Eu me contorci desconfortavelmente enquanto colocava meu cabelo atrás das costas
- Por que você está feliz?
- Normalmente você parece não se importar com ninguém, mas você adora A-Nueng... Ela tem muita
sorte em receber seu amor.
- Eu não amo ela. Não diga isso.
- Mas você não parece estar falando sério.
- Cale a boca e coma. Você é tão irritante.
Encerrei a conversa ali e me concentrei em comer minha comida.
Por que eu a amaria? Ela não era minha filha...
Caralho. É o Suficiente!
Chet me deixou em minha casa. Provavelmente tiraria mais um dia de folga porque não tinha energia
para ir a loja e A-Nuen poderia estar me esperando lá. Mas eu esqueci... A-Nueng não precisava ir me
esperar lá porque ela já havia me esperado aqui antes.
- Tia Nueng.
A voz animada e o rosto sorridente correram em minha direção. Olhei para a garota linda, que não sabia
de nada, e me senti tão culpada que não ousei olhá-la nos olhos.
- Ah... Ei.
- Olá, tio Chet.
Chet não era diferente de mim. Meu ex-noivo olhou para A-Nueng com entusiasmo. Eu não sabia se
sorria ou chorava.
- Você pode me chamar de pai? Vou te dar 15.000 baht como mesada
- Que?
Olhei para a pessoa que parecia estar cantando música tradicional tailandesa e balancei a cabeça. Chet
parecia perdido no espaço. Ele rapidamente limpou a garganta, mas ainda não conseguia agir
normalmente.
- Ir para a escola foi uma experiência agradável para você?
O que ele estava dizendo?
- Ah... foi uma experiência agradável. - A-Nueng respondeu, aparentemente tão surpresa quanto eu.
Você deveria voltar e descansar um pouco. Te chamo mais tarde.
- Mas eu...
- Aproveite a viagem.
- Que tipo de ditado é esse?
- Um gentil... Se é que você me entende... Volte primeiro.
Eu queria dizer a ele que nós dois não sabíamos o que fazer. Chet hesitou por um momento antes de
finalmente retornar voluntariamente. Então fomos só eu e A-Nueng. A menina imediatamente começou a
fofocar assim que seu pai (que ela provavelmente não sabia que existia) foi embora.
- Tio Chet estava agindo de forma estranha. Ele parece perdido.
De repente ele teve uma filha. Quem não estaria perdido? Você quer tentar ter um pai de repente?
Claro, eu não disse isso em voz alta. Eu estava apenas pensando na minha cabeça.
- Ele provavelmente não dormiu o suficiente. Então você tem algo pra mim?
- Não.
- Por que você está aqui então?
- Por que não posso ir ver você? Estou com saudades de você, - ela reclamou em seu tom de voz
anasalado. Olhei para a menina, atordoada, quando ouvi isso.
Linda...
- Tia Nueng... Você está bem?
-Ah... eh?
- Não te vejo desde o evento escolar.
- Como poderíamos? Você não está sob toque de recolher
- Ah, como você sabia? Mas desde o evento na escola, minha avó não me repreende mais. Ela também
me disse para convidar você para comer em casa.
- O que? - Encolhi o pescoço de surpresa. E assim que olhei para aqueles olhos castanhos por trás dos
óculos, desviei o olhar. - Eu... farei isso quando tiver oportunidade.
- Você também parece estranha hoje.
- Eu?
- Por que você não me olha nos olhos? Você fez algo errado? - A-Nueng tentou com que eu mostrasse
meu rosto e que olhasse em seus olhos. - Por que você está evitando meus olhos!
- Não é nada.
- Viu? Você está evitando meus olhos. Alguém tão confiante como você nunca esteve assim. Minha mãe
falou alguma coisa sobre mim? - A voz da menina ficou trêmula de medo. - Ela deve ter dito alguma
coisa. Caso contrário, você não estaria agindo assim.
- Como que?
- Como se você me odiasse.
meus olhos se abriram eles se arregalaram enquanto eu olhava para a pessoa queixando-se, toda
confusa.
- Você está pensando muito nisso. Quem te odeia?
- Se isso não é ódio, o que é?
- Estou te dizendo, eu não te odeio - ainda tentei evitar o olhar dela. Mas continuei dando desculpas
porque não queria ser mal interpretada.
- Me odeia.
- Não te odeio.
- Me odeia.
- Não te odeio!
- Se você não me odeia, então o que é?
- Qual é o oposto do ódio?
- Você me ama?
- Sim.
O que?
Eu caí na sua armadilha...
Lentamente lancei meu olhar para a garota, que estava olhando pra mim como um cachorrinho pedindo
lanches. Então eu suspirei
- O que está acontecendo?
- Você disse que sim.
- Então?
- Você finalmente me ama. Eba! - A-Nueng ficou tão feliz que eu não soube como olhar para ela. Então
eu a empurrei e gesticulei para ela se afastar.
- Volto para casa. Não irei a loja hoje.
- Eu não quero voltar
- Sua avó vai te repreender se você chegar tarde em casa
- Não ele não vai. Porque agora ele não presta atenção em mim. Toda a sua atenção está voltava para
minha mãe nesse momento
- Então você deveria prestar atenção na sua mãe como à sua avó.
- Não.
- Porque?
A-Nueng sorriu levemente para mim. É sinal de que a menina não estava de bom humor.
- Eu odeio minha mãe
Olhei para a menina se rebelando contra a mãe e senti como se estivesse observando a mim mesma me
rebelando contra a minha avó. A garota percebeu, fiquei em silêncio, ela sorriu e tentou quebrar o
silêncio entre nós.
- Não. Não vamos falar sobre isso. Posso ir ao seu quarto hoje? Você pode me levar pra casa mais
tarde, como de costume.
Ela estava pedindo carinho. Isso me suavizou
- Está bem. Mas me diga, por que você odeia sua mãe? Você me disse que não está incomodada e que
você entende sua mãe... por tentar abortar
Enquanto conversávamos sobre isso, era como se eu também estivesse tentando encontrar uma saída
para minha culpa. Se ela pudesse perdoar a mãe dela, provavelmente também não ficaria brava comigo,
ou... Algo assim.
- Não estou com raiva porque minha mãe tentou abortar quando me teve.
- Então. Por que você está brava com ela?
- A garotinha olha para cima e me olhou nos olhos. Ela sorriu friamente.
- Estou com raiva porque ela disse que foi você quem mandou ela fazer isso.