O BRASIL NOS
ANOS 1950
Eu já botei o meu
Bota o retrato do velho outra vez
E tu não vais botar?
Bota, no mesmo lugar
Já enfeitei o meu
O sorriso do velhinho
E tu vais enfeitar?
Faz a gente trabalhar
O sorriso do velhinho
Faz a gente se animar
Retrato do Velho, Haroldo Lobo [1950]
“
É sempre bom lembrar que o crescimento da industrialização levava ao crescimento cada vez maior da
população urbana, o que, por sua vez, representava cada vez mais votos. Mas onde entra a política nesse
momento? Que relação isso teria com a história da industrialização do Brasil? A relação está em que
novos e múltiplos grupos de interesse econômico haviam se desenvolvido no país e precisavam ser
atendidos. E, para tanto, era necessária uma boa dose de negociação política, pois o Brasil das décadas
de 1940 e 1950 pouco tinha a ver com aquele do começo deste livro [anos 1910]. Nesse novo momento,
portanto, a própria economia passou a depender muito do jogo político para seguir o seu rumo. Em
meio a uma situação tão delicada, os destinos da industrialização brasileira oscilariam como numa
gangorra. De um lado, estavam as forças político-econômicas partidárias do liberalismo. De outro,
achavam-se grupos, como os industriais, que eram adversários dessa doutrina, temerosos da
concorrência estrangeira, caso o país abrisse as suas barreiras alfandegárias.
[MENDONÇA, S. A industrialização brasileira. São Paulo: Moderna, 2004, p. 64]
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GRANDE MOBILIZAÇÃO SOCIAL
Religiosos Estudantes Camponeses
Juventude Estudantil Católica A União Nacional dos Estudantes Sem direitos trabalhistas,
(JEC), Juventude Operária Católica(UNE) lutava por gratuidade do sofrendo com as pressões de
(JOC) e Juventude Universitária ensino, contra aumento nas grandes proprietários de terras e
Católica (JUC) defendiam passagens dos transportes atingidos por secas constantes,
posições políticas articuladas públicos e mais conquistas na na região nordestina, esses
com questões de evangelização. área do ensino. Foi reprimida no setores organizaram em
Em 1952 foi criada a Conferência período Dutra, lançou a 1954/1955 as Ligas Camponesas,
Nacional dos Bispos do Brasil campanha pelo petróleo é nosso em Galileia, Pernambuco, em
(CNBB) destacando -se em áreas com Vargas e envolveu-se em defesa de um projeto de reforma
rurais nordestinas e no campo grandes debates políticos agrária para o país.
educacional nacionais na era JK.
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GRANDE MOBILIZAÇÃO SOCIAL
Movimento Negro Trabalhadores Nacionalismo
Desde seu surgimento, em 1944, Greves, protestos públicos e Trabalhadores urbanos e rurais + setores
o Teatro Experimental do Negro movimentações populares militares + comunistas + frações
(TEN), idealizado por Abdias do ocupavam praças e ruas das empresariais + correntes políticas reuniram
-
Nascimento, atuou para garantir cidades sobretudo para se em correntes nacionalistas a partir do
que a população negra reivindicarem melhorias na entendimento de que era possível uma
conquistasse maiores espaços infraestrutura de bairros espécie de desenvolvimento nacional
político-culturais. Em 1950 periféricos, mais moradias, independente, concentrando esforços na
realizou-se o 1º Congresso do transporte, melhores salários e industrialização do país e na proteção de
Negro Brasileiro, resultando na contra a carestia. Surgiram seus recursos naturais, como petróleo e
criação do Conselho Nacional entidades que rompiam com as outros tipos de minérios.
das Mulheres Negras. amarras sindicais.
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O ABISMO SOCIAL DOS ANOS 1950
36% da população vivia em cidades, que começaram a inchar, “Entre as camadas altas e médias da população urbana assiste-se a
sobretudo com as migrações, dando espaços a habitações uma padronização do consumo provocada pela expansão da
coletivas e centros comerciais (que ocuparam espaços de propaganda, instrumento básico para a ampliação do comércio e da
antigos prédios residenciais). Favelas, bairros periféricos, produção. Fios sintéticos, alimentos enlatados, eletrodomésticos e
bairros de classe média e espaços elitizados das cidades utensílios saltavam das coloridas páginas das revistas semanais
cresceram por todos os espaços urbanos. criando novos hábitos e despertando necessidades”. [RODRIGUES,
Marly. A década de 50. Populismo e metas desenvolvimentistas no
“A concentração de multidões nos grandes centros urbanos
Brasil. São Paulo: Ática, 2001, p. 34-35]
tornou-os palcos privilegiados da manifestação dos conflitos
sociais que se agravaram com o rápido desenvolvimento Em 1950 havia 243 emissoras de rádio no Brasil, concentradas nas
alcançado pelo capitalismo no Brasil, durante a década de 50”. capitais e algumas com alcance nacional. Em 1951 existiam apenas 375
[RODRIGUES, Marly. A década de 50. Populismo e metas televisores em SP.
desenvolvimentistas no Brasil. São Paulo: Ática, 2001, p. 33]
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1.
O segundo governo Vargas
1951
-1954
A campanha varguista
▹ Dezembro de 1946, Vargas rompeu politicamente com Dutra
▹ Fevereiro de 1950: ‘eu voltarei’.
▹ Candidatura lançada: desenvolvimento e -estar
bem social,
industrialização com independência econômica do país
combatendo a inflação e a alta do custo de vida.
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“
O sr. Getúlio Vargas, senador, não deve ser candid
à Presidência. Candidato, não deve ser eleito. Elei
não deve tomar posse. Empossado, devemos
recorrer à revolução para impedi
-lo de governar.
[Carlos Lacerda, jornalista e líder da UDN]
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OS CANDIDATOS PRESIDENCIAIS
CRISTIANO MACHADO JOÃO MANGABEIRA
GETÚLIO VARGAS EDUARDO GOMES PSD PSB
PTB-PSP UDN
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VITÓRIA NAS URNAS, PRESSÕES SOBRE O GOVERNO
Todos os
partidos
UDN e setores entraram
militares no
encamparam a governo
ideia da falta
absoluta de Temas como a
votos
participação do capital
estrangeiro na economia,
na exploração de petróleo
e dos minérios, além da
Investimento em inserção brasileira na
industrialização; Guerra Fria, por conta da
+ consumo; Guerra da Coreia eram
maior renda; temas explosivos.
menos inflação:
plano varguista
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ADICIONANDO MAIS TENSÕES
A greve dos 300 mil, março
de 1953, em SP, foi o
movimento mais forte.
03 Têxteis, metalúrgicos,
carpinteiros, gráficos,
vidraceiros, trabalhadores da
construção civil, do gás, do
Janeiro de 1953: lei sobre os
telefone, da indústria de
crimes contra o Estado e a
calçados e de conservas.
ordem política e social,
punindo quem fizesse
manifestações públicas sem
autorização da polícia. 01 02 Passeata das Panelas Vazias,
em SP, 18 de março de 1953,
com 60 mil pessoas: poder
de compra dos salários em
baixa – aumento do custo de
vida.
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ADICIONANDO MAIS TENSÕES
A reação foi violenta de
imprensa e setores
empresariais. Em começos
06 de agosto de 1954,
aconteceu o crime da Rua
Em fevereiro de 1954 veio a Toneleros.
público o Manifesto dos
Coronéis, criticando Vargas,
reclamando do tratamento
ao Exército, da política Goulart, ministro do
salarial presidencial e do Trabalho, defendia 100% de
risco de desordem 04 05 aumento do salário mínimo.
comunista. Foi destituído, mas dois
meses depois, o próprio
Vargas decretou tal
majoração do salário.
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O FIM DE UMA ERA
As pressões para renúncia Na madrugada de 24 de
cresceram enormemente agosto, Vargas suicida
-se.
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Saída do corpo de Getúlio Vargas do
Palácio do Catete em direção ao aeroporto
Populares destroem veículo do jornal O Globo
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18
2.
O período JK
1955-1960
Pausa para o...Café Filho
Apesar dos protestos populares, Café Filho, vice, ligado ao PSD, assumiu para completar o mandato. Eugenio Gudin, ministro da
economia, instaurou uma política de atração do capital estrangeiro, contenção de salários e da inflação. Muitas greves estour
aram,
organizadas pelo Pacto de Unidade Intersindical. Eleições para o Congresso aconteceram em outubro de 1954 e a coligação getul ista
PSD/PTB foi a grande vencedora.
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JK venceu com votos rurais Café Filho afastou-se alegando
do PSD e pelos GOLPE E CONTRAGOLPE problemas de saúde. O deputado
trabalhadores urbanos Carlos Luz assumiu. O Ministro
mobilizados pelo PTB, com da Guerra, general Henrique T.
36% dos votos do país, A oposição udenista e
setores militares reagiram à Lott, temia que Luz fosse aliado
vencendo, também, com dos golpistas. Em 11de novembro
Goulart de vice – vitória: criam uma campanha
contra a posse, alegando que de 1955, Lott comandou tanques
conquistando mais votos que e 25 mil homens pelas ruas do
JK (3.591.409 contra 3.077.411). haviam sido eleitos pelos
comunistas e não tinham Rio de Janeiro, depondo o
conquistado maioria presidente. O senador Nereu
absoluta. Ramos assumiu o cargo até a
posse dos eleitos.
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50 anos em 5: as vias para o ‘desenvolvimento’
JK atraiu militares para postos estratégicos na Processo dependente de empréstimos e
Nada de alterar a propriedade rural + administração estatal e concedeu equipamentos e investimentos estrangeiros: controle
ampliar o mercado de trabalho investimentos internacional, + dívidas e inflação
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Aprofundamento de
desequilíbrios
Nova tentativa golpista: a revolta de 2 4 6
[campo/cidade +
Jacareacanga (Pará/1956)
‘Desenvolvimentismo’: industrialização e nordeste/sudeste]
urbanização para construir um Brasil
‘moderno’
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“
O Plano de Metas fez do governo de JK um sucesso. Atribuiu ao Estado a tarefa de viabilizar uma agen
crescimento econômico acelerado, aprofundou o processo de industrialização e privilegiou o setor industria
de consumo duráveis, alterando os hábitos e o cotidiano da população, que, deslumbrada e espantada, p
conviver com um sem -número de novidades. Entre outras coisas, um punhado de eletrodomésticos moderní
máquina de lavar roupa, grill automático, rádio de pilha, ventilador portátil, enceradeira com três escovas, f
visor panorâmico, som estereofônico, TV com controle remoto preso por um fio ao aparelho. Tão formidáve
os eletrodomésticos eram os produtos para casa: sabão em flocos, Detefon com pulverizador, pilhas Ever
ainda, os novos utensílios e as peças de vestuário fabricados em massa com materiais sintéticos, baratos e
alguns de nomes estranhíssimos—polímeros, náilon, raiom, banlon, courvin, acrílico, napa, fórmica, vinil e lin
[SCHWARCZ, Lilia; STARLING, Heloisa. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras,
-416]
2015, p. 415
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Permanência Em 1959, antigos
do golpismo conspiradores, perdoados
em 1956, tentaram outro
no cenário golpe, a Revolta de
político Aragarças, Goiás, depois de
sequestrarem aviões.
brasileiro
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