Semiologia Cardíaca: Guia Completo
Semiologia Cardíaca: Guia Completo
P A U L O D A L T O
S E M I O LO G I A CA R D Í ACA
APRESENTAÇÃO:
PROF. PAULO
DALTO
Olá, Estrategista!
Este é o seu livro de Semiologia Cardiovascular. Eu sei
que você pode estar com uma certa insegurança, mas fique
tranquilo(a)! Após seu estudo, você irá sentir-se muito mais
seguro(a) para responder às questões de provas.
Durante a faculdade, sempre tive medo das provas de
Residência. Buscava alguém que me orientasse sobre a melhor
forma de estudar e, principalmente, que me ensinasse a resolver
provas e acertar questões. O primeiro e mais importante passo
você já deu: é aluno do Estratégia MED!
Antes de iniciarmos nosso estudo, apresento-me para que
você conheça parte da minha história.
Estratégia
@profpaulodalto MED
Meu nome é Paulo, sou médico e professor de cardiologia especialidade. Atualmente, faço parte da equipe de Cardiologistas
do Estratégia MED. Sou graduado em Medicina pela Faculdade e Ecocardiografistas de diversos hospitais particulares, além de
de Medicina de Catanduva (FAMECA) , fiz Residência de Clínica trabalhar como Cardiologista em clínicas privadas.
Médica na USP/RP e de Cardiologia e Ecocardiografia no Preparei este material da forma mais completa e didática
Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (IDPC). Possuo título possível para que você acerte qualquer questão que cair em prova
de especialista em Cardiologia e Ecocardiografia pela Sociedade sobre o tema. Então, vamos juntos em busca da tão sonhada vaga
Brasileira de Cardiologia (SBC). na Residência Médica?!
Por meio de muito estudo e disciplina durante a graduação,
consegui ser aprovado em várias Residências Médicas, como Paulo Cesar Dalto Filho.
USP/RP, UNESP, FAMERP e SUS-SP. Após ter concluído os
primeiros dois anos da Residência em Clínica Médica, fui buscar
novos ares e mudei-me para São Paulo a fim de concluir minha
/estrategiamed @estrategiamed
SUMÁRIO
1.0 ESTATÍSTICA 6
2.0 INTRODUÇÃO 7
3.0 FASES DO CICLO CARDÍACO 7
3.1 CONTRAÇÃO VENTRICULAR (SÍSTOLE) 7
4.0 ANAMNESE 11
5.0 EXAME FÍSICO 12
5.1 INSPEÇÃO E PALPAÇÃO DO PRECÓRDIO 12
5.6.2 DESDOBRAMENTOS 27
CAPÍTULO
1.0 ESTATÍSTICA
Este é um tema que traz muita dificuldade na hora do estudo, principalmente para quem não possui muita experiência prática com a
Semiologia Cardiovascular. Mas, fique tranquilo(a), você irá entender tudo ao término da sua leitura! A semiologia cardíaca está presente em
questões de diversos assuntos (valvopatias, insuficiência cardíaca, cardiomiopatias, febre reumática, cardiopatia congênita, etc) e especialidades
(cardiologia, pediatria, pneumologia). Portanto, é muito importante que você se dedique e busque informações complementares nos livros
com os outros temas e das outras especialidades.
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Outros
Medicina livre, venda proibida. Twitter @livremedicina
CARDIOLOGIA Semiologia cardíaca Estratégia
MED
CAPÍTULO
2.0 INTRODUÇÃO
A Semiologia Cardíaca envolve a inspeção, a palpação e a ausculta do coração e dos principais vasos arteriais e venosos. Mas, antes
de entrar no tema do livro, é importante que você saiba alguns conceitos sobre a fisiologia do coração. Entendendo a fisiologia, você
compreenderá o exame físico muito mais facilmente.
CAPÍTULO
A sístole ventricular ocorre em três etapas: (1) contração isovolumétrica, (2) ejeção rápida e (3) ejeção lenta. Veja o que acontece em
cada uma delas.
Na fase final do seu enchimento, o ventrículo esquerdo fica em seu volume máximo e a pressão dentro dele começa a aumentar
a um nível suficiente para vencer a pressão atrial e, consequentemente, fechar as valvas atrioventriculares (AV), o que gera a primeira
bulha cardíaca (B1). Nesse momento, inicia-se a fase sistólica. Porém, as valvas semilunares (aórtica e pulmonar) permanecem fechadas
até que a pressão do ventrículo supere a pressão da raiz dos vasos da base (aorta e artéria pulmonar). Portanto, nessa primeira fase, ocorre
o início da contração ventricular sem a ejeção do sangue, ou seja, uma contração sem alteração do seu volume (isovolumétrica), que dura
aproximadamente 40 ms.
Como o ventrículo possui uma pressão intracavitária maior, ele empurra a valva AV para o átrio, o que gera aumento transitório da
pressão atrial (onda C da pressão venosa jugular).
Nessa fase, o ventrículo esquerdo esvazia-se rapidamente. a saída de sangue do ventrículo. Esses eventos são representados
Como a velocidade de esvaziamento é rápida, ocorre uma dilatação pelo pico onda R do eletrocardiograma (ECG).
transitória da raiz da aorta, estimulando os barorreceptores A fase de ejeção rápida é finalizada quando as pressões nos
localizados nas paredes da artéria. Os centros bulbares captam ventrículos e nas artérias atingem seu maior nível.
esse estímulo e determinam a vasodilatação periférica, facilitando
Na fase de ejeção lenta, à medida que o sangue entra na vez menor, até o fechamento das valvas semilunares, gerando a
aorta, ela distende-se para acomodar o volume, aumentando a segunda bulha cardíaca (B2).
pressão no seu interior. Dessa forma, a diferença de pressões entre No pulso venoso, há o início da onda V, que representa o
o ventrículo esquerdo e a aorta diminui cada vez mais e o sangue enchimento atrial no fim da sístole ventricular.
passa a sair do ventrículo esquerdo com uma velocidade cada
O relaxamento ventricular ocorre em quatro etapas: (1) relaxamento isovolumétrico, (2) enchimento rápido, (3) enchimento lento e
(4) sístole atrial.
Nessa fase, a pressão do ventrículo fica menor do que a pressão do átrio, promovendo a abertura das valvas mitral e tricúspide e a
passagem de um grande fluxo em direção aos ventrículos. Ela pode ser clinicamente identificada pelo descenso Y do pulso venoso, que ocorre
após o pico da onda V e reflete a queda na pressão do átrio direito após a abertura da valva tricúspide.
Essa fase ocorre como consequência da diminuição do gradiente entre os átrios e os ventrículos. Com o enchimento do ventrículo e o
fim da fase de relaxamento, o fluxo de sangue do átrio para o ventrículo começa a diminuir. As valvas AV tendem a fechar-se passivamente.
É o período da perfusão miocárdica pelas coronárias.
No final da diástole, ocorre a contração atrial, dando um impulso adicional ao fluxo sanguíneo para os ventrículos. As valvas AV abrem-
se, permitindo a passagem do sangue para os ventrículos. Nesse momento, a pressão do átrio aumenta, gerando a onda A no pulso venoso.
O volume de sangue transmitido nessa fase corresponde a 20% do enchimento ventricular normal.
Figura 1. Diagrama de Wiggers representando o ciclo cardíaco e sua relação com eventos mecânicos (curva de pressão), elétricos (eletrocardiograma)
e acústicos (fonocardiograma). Figura 2. linha do tempo das fases do ciclo cardíaco.
*ECG: eletrocardiograma; PVJ: pressão venosa jugular; M1: componente da primeira bulha (fechamento da valva mitral); T1: segundo componente
da primeira bulha (fechamento da valva tricúspide); A2: componente aórtico da segunda bulha (fechamento da valva aórtica); P2: componente de
segunda bulha (fechamento da valva pulmonar); B3: terceira bulha cardíaca; B4: quarta bulha cardíaca. A: sístole atrial; B: contração isovolumétrica do
ventrículo esquerdo; C: ejeção rápida; D: início do relaxamento e da ejeção reduzida; E: relaxamento isovolumétrico; F: fase de enchimento rápido; G:
enchimento lento (diástase).
Inicia-se com a B2
Relaxamento isovolumétrico
Pico da onda V no final desta fase
CAI NA PROVA
(SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DE GOIÁS (SES GO) – 2019) Do ponto de vista do ciclo cardíaco,
A) o componente tricuspídeo (T1) da primeira bulha ocorre antes do componente mitral (M1), pois a pressão diastólica final do átrio direito
é menor que a do átrio esquerdo.
B) o componente aórtico (A2) da segunda bulha ocorre antes do componente pulmonar (P2), pois a pressão gerada pela contração do
ventrículo esquerdo é maior que a gerada pelo ventrículo direito.
C) o desdobramento fisiológico da segunda bulha ocorre durante a expiração.
D) o bloqueio de ramo direito é o responsável pelo desdobramento paradoxal da segunda bulha.
COMENTÁRIO:
Essa é uma questão conceitual a respeito de semiologia cardíaca. Vamos analisar cada uma das alternativas em busca da correta.
Incorreta a alternativa A: o componente mitral (M1) ocorre um pouco antes do componente tricuspídeo (T1) e apresenta maior fonese.
de fato, o componente aórtico (A2) da segunda bulha ocorre antes do componente pulmonar (P2). Isso
Correta a alternativa B:
acontece porque a pressão gerada pela contração do ventrículo esquerdo é maior do que a do ventrículo
direito, de forma que a sístole do VE costuma ser mais breve do que do VD e a valva aórtica se fecha pouco antes da valva pulmonar.
Incorreta a alternativa C: o desdobramento fisiológico da segunda bulha ocorre durante a inspiração, que é o momento no qual há aumento
do retorno venoso para o coração direito. O maior volume de sangue que chega até o VD prolonga seu tempo de ejeção. Esse prolongamento
faz com que a valva pulmonar demore um pouco mais para fechar, atrasando o componente P2 e gerando o desdobramento fisiológico da
segunda bulha.
Incorreta a alternativa D: o bloqueio de ramo direito é uma das causas de desdobramento amplo da B2. O desdobramento paradoxal ocorre
quando há um atraso no início da sístole do VE ou seu prolongamento. São causas de desdobramento paradoxal de B2: bloqueio de ramo
esquerdo, estenose aórtica e disfunção ventricular esquerda.
Você estudará os desdobramentos das bulhas cardíacas logo adiante, em um capítulo específico.
CAPÍTULO
4.0 ANAMNESE
Antes de examinarmos o paciente, devemos coletar a história clínica. Os principais pontos a serem informados são a queixa principal e
a história da doença atual, as quais irão orientar o raciocínio diagnóstico.
Entre os principais sintomas relacionados ao aparelho cardiovascular, temos: dispneia, ortopneia, dispneia paroxística noturna, dor
torácica (incluindo angina), palpitações, lipotimia (ou pré-síncope), síncope e outros sintomas inespecíficos (fadiga, cansaço, indisposição,
vertigem, etc.).
Os antecedentes pessoais e familiares também devem ser questionados, pois fornecem informações que serão úteis no momento do
exame físico e na hora de estabelecermos a principal hipótese diagnóstica.
CAPÍTULO
Devem ser pesquisados abaulamentos, analisado o ictus em barril é sugestivo de pneumopatia crônica, podendo, inclusive,
cordis, movimentos anormais, palpação das bulhas e de frêmito dificultar o exame físico cardíaco devido ao abafamento das bulhas.
cardiovascular. A palpação do precórdio inicia-se pela pesquisa do ictus
A área de projeção do coração é chamada de precórdio. Na cordis e das impulsões cardíacas. A avaliação inicial deve ser feita
inspeção torácica, a ocorrência de deformidades, como cifoescoli- com o paciente em decúbito dorsal, com a cabeceira elevada (no
ose, tórax em barril, pectus excavatum ou pectus carinatum, pode máximo 45°). Deve-se utilizar a ponta dos dedos e as regiões tênar
estar presente em doenças do colágeno e alertar sobre possível e hipotênar para palpar o precórdio, as áreas paraesternais baixas,
presença de cardiopatias, como o prolapso da valva mitral. O tórax áreas aórticas e pulmonar, fúrcula e epigástrio.
Você sabe qual região da mão devemos usar para palpar o tórax do paciente?
- Para palpar as impulsões apicais como o ictus cordis, usar a extremidade dos dedos;
- Para palpar frêmitos, usar o terço distal da palma da mão; e
- Para sentir os impulsionamentos do mesocárdio, presente na sobrecarga do ventrículo direito (VD), usar
o terço proximal da palma da mão.
Algumas dicas:
1. Ictus cordis palpado em mais de um
espaço intercostal é sinal de provável aumento
da área cardíaca
Figura 6. O ictus cordis não deve ser maior do que duas polpas digitais,
independentemente da posição do paciente durante o exame físico.
A palpação dos pulsos arteriais permite avaliar o ritmo em quinze ou em trinta segundos, multiplicando o resultado por
cardíaco, a frequência cardíaca e até mesmo sugerir a presença de quatro ou por dois, respectivamente. O normal é que o número de
cardiopatias estruturais que alterem sua morfologia. Várias artérias batimentos por minuto esteja entre 50 e 100.
podem ser utilizadas: carótidas, radiais, temporal superficial, O ritmo cardíaco merece uma avaliação mais cautelosa,
subclávia, axilar, braquial, femorais, poplíteas, tibiais posteriores e durante um período maior, para que sejam detectadas arritmias,
pediosa. extrassístoles, pausas, etc.
As principais características que devem ser obtidas durante Em condições normais, a parede arterial deve ser lisa,
a palpação são: a frequência cardíaca, o ritmo, o estado da parede sem tortuosidades e facilmente depressível. Quando endurecida,
arterial, sua amplitude (ou magnitude) e os tipos de onda. irregular e tortuosa, semelhante a uma “traqueia de passarinho”, é
A frequência cardíaca nada mais é do que o número de sinal de arteriosclerose.
batimentos por minutos. Se o ritmo for regular, ela pode ser contada
A amplitude é a sensação captada a cada pulsação e está diretamente relacionada ao enchimento da artéria durante a sístole e seu
esvaziamento na diástole. Um pulso arterial amplo significa que um grande volume de sangue passa por aquela artéria, “empurrando” o dedo
do examinador. Pode estar presente em estados hipercinéticos (febre, anemia, tireotoxicose), fístula arteriovenosa, bradicardia importante e
em regurgitação aórtica (pulso de Corrigan ou em martelo d'água).
Agora, você irá estudar os principais tipos de pulsos arteriais e suas representações gráficas.
• Pulso normal: sua curva é suave e arredondada. Na porção descendente, observa-se uma incisura dicrótica que marca o início da
diástole.
• Pulso filiforme: é um pulso de baixa amplitude e “fino”. Quase sempre associado ao colapso circulatório (choque hemodinâmico).
• Pulso parvus et tardus: possui tensão diminuída e o pulso parece fraco, com menor amplitude. Tem uma ascensão lenta (parvus)
e duração prolongada (tardus). Está classicamente associado à estenose aórtica importante, sendo melhor identificado na palpação da
carótida. Em algumas referências, esse pulso é chamado de anacrótico.
• Pulso célere (martelo d’água): também chamado de pulso de Corrigan. Apresenta amplitude aumentada, com subida e queda
rápidas. Associado à pressão arterial divergente. É clássico da insuficiência aórtica importante, mas pode ser encontrado em outras
situações, como anemia, beribéri, hipertireoidismo e fístulas arteriovenosas.
• Pulso dicrótico: esse pulso possui dois picos, um na sístole e outro na diástole. Pode ser observado em pacientes com choque
hipovolêmico, insuficiência cardíaca grave, tamponamento cardíaco e condições com baixo volume sistólico ejetado.
• Pulso bisferiens: assim como o pulso dicrótico, também apresenta dois picos, mas ambos ocorrem na sístole. Está relacionado
à insuficiência aórtica crônica moderada ou importante; entretanto, também pode ser visto na dupla lesão valvar aórtica (estenose e
insuficiência), com predomínio da insuficiência. Menos frequentemente, pode ser observado na cardiomiopatia hipertrófica.
• Pulso paradoxal: observa-se uma diminuição exagerada da amplitude do pulso palpada ou aferida durante a inspiração profunda.
Por definição, é uma queda inspiratória da pressão arterial sistólica maior do que 10 mmHg. É classicamente descrito no tamponamento
cardíaco, mas também pode estar presente na pericardite constritiva, embolia pulmonar, asma grave, obesidade extrema e gravidez (as
duas últimas pelo fato de obstruírem o fluxo da veia cava inferior).
• Pulso alternante: ocorre uma alternância na palpação de um pulso amplo, seguido por outro com amplitude menor. Essa variação
é observada batimento a batimento em pacientes com ritmo cardíaco regular e independe do ciclo respiratório. Geralmente, é visto na
insuficiência cardíaca esquerda grave.
CAI NA PROVA
(FAMERP - 2021) Homem de 75 anos, portador de hipertensão arterial sistêmica e dislipidemia, vem em consulta ambulatorial de seguimento
de rotina. Na sua avaliação do exame físico, observa-se que paciente apresenta pulsos arteriais periféricos com baixa amplitude e com pico
sistólico tardio (parvus et tardus). Diante dessa alteração, opta por solicitar o seguinte exame complementar, pensando na seguinte hipótese
diagnóstica:
COMENTÁRIO:
Para resolver essa questão você precisa conhecer a semiologia das valvopatias.
A questão traz um paciente idoso, com pulsos arteriais periféricos com baixa amplitude e pico sistólico tardio (parvus et tardus). A
banca descreveu o pulso arterial típico da ESTENOSE AÓRTICA!
A estenose aórtica possui um sopro sistólico rude, ejetivo, em diamante (crescendo e decrescendo), com irradiação para fúrcula e
pescoço, que diminui sua intensidade com a manobra de Valsalva. Sinais de gravidade são sopro com pico tardio, desdobramento paradoxal
da segunda bulha (B2) ou B2 inaudível, pulso parvus et tardus (atraso no pico de fluxo carotídeo e com amplitude reduzida), presença de B4.
pois a estenose aórtica é a principal hipótese diagnóstica. Diante da suspeita, o ecocardiograma transtorácico
Correta a alternativa A:
é o principal exame a ser solicitado.
Incorreta a alternativa B: A cardiomiopatia hipertrófica (CMH) é uma doença autossômica dominante, de penetrância variável, que causa
um desarranjo da musculatura cardíaca, com disfunção diastólica e hipertrofia das paredes, podendo haver obstrução da via de saída do
ventrículo esquerdo. É a principal causa de morte súbita em jovens e em atletas no mundo, por isso não é a principal hipótese diagnóstica
para essa questão.
Incorreta a alternativa C: A insuficiência aórtica é caracterizada pela presença do pulso de Corrigan, ou pulso em martelo d’água. Possui
amplitude aumentada, com subida e queda rápidas, associado à pressão arterial divergente.
Incorreta a alternativa D: pois a doença arterial obstrutiva periférica é caracterizada pela presença de claudicação intermitente associada
a diminuição dos pulsos arteriais periféricos.
(SECRETARIA MUNICIPAL DE MACAÉ (RJ) – 2017) O pulso paradoxal é um achado clínico que está presente no seguinte distúrbio:
A) Miocardiopatia restritiva.
B) Tamponamento cardíaco.
C) Pericardite constritiva.
D) Infarto agudo do miocárdio de ventrículo direito.
E) Dissecção aórtica.
COMENTÁRIO:
O pulso paradoxal é o mais cobrado em prova. Ele ocorre devido a uma acentuação da queda fisiológica da pressão arterial durante a
inspiração. Para definirmos que há pulso paradoxal, a pressão deve cair > 10 mmHg durante a inspiração. Apesar de ser típico do tamponamento
cardíaco, pode ser encontrado em outras situações.
Portanto, muito cuidado ao resolver esse tipo de questão. Como você verá, as alternativas B e C estão corretas, o que deixa margem
para recurso.
Incorreta a alternativa A: devemos suspeitar de miocardiopatia restritiva nos pacientes com sinais e sintomas de insuficiência cardíaca com
fração de ejeção preservada.
o pulso paradoxal é típico do tamponamento cardíaco. Pode estar presente em outras situações, como:
Correta a alternativa B: pericardite constritiva, embolia pulmonar, crise aguda de asma, insuficiência cardíaca com cardiomegalia
acentuada, obesidade importante e gestação.
o sinal de Kussmaul (distensão venosa jugular durante uma inspiração profunda) é o mais encontrado na
Correta a alternativa C:
pericardite constritiva; porém, apesar de incomum, o pulso paradoxal pode estar presente. Na pericardite
constritiva, todo o pericárdio está espesso, de forma que o coração fica “preso” dentro dessa carapaça. Como as cavidades cardíacas não
conseguem se expandir adequadamente para acomodar o volume de sangue que chega durante a inspiração, o ventrículo direito, ao receber
esse volume de sangue, desloca o septo interventricular em direção ao VE, resultando no pulso paradoxal.
Incorreta a alternativa D: no infarto do ventrículo direito, estão presentes sinais de insuficiência cardíaca direita (edema de membros
inferiores, turgência jugular, hepatomegalia).
Incorreta a alternativa E: a insuficiência aórtica é caracterizada pelo retorno de sangue da aorta para o VE na diástole. Esse sangue “extra”
que retorna provoca aumento das pressões de enchimento e protege o VE caso o VD tente “empurrar” o septo interventricular em sua
direção. Um exemplo interessante ocorre no caso da dissecção de aorta associado ao tamponamento cardíaco e à insuficiência aórtica aguda.
A insuficiência aórtica protegerá o VE da pressão exercida pelo líquido no espaço pericárdico, ou seja, haverá um quadro de tamponamento
cardíaco sem pulso paradoxal.
Gabarito Estratégia MED: alternativas B e C.
Gabarito da banca: alternativa B.
O pulso venoso jugular é formado pelas pulsações observadas na base do pescoço e reflete a dinâmica do retorno
venoso ao coração direito. Suas ondas representam as mudanças de volume que ocorrem no átrio direito a cada momento
do ciclo cardíaco.
Cuidado para não confundir as pulsações venosas com a carotídea! Veja, na tabela a seguir, as principais características de cada um:
Antes de identificar se o pulso venoso jugular está alterado, devemos saber seu estado normal e o significado de cada onda. Então,
vamos às definições.
Ocorre devido à queda da pressão atrial pela movimentação da valva tricúspide para baixo, na
Descenso X
sístole do VD
Uma forma de identificar as ondas do pulso venoso é palpar a artéria carótida contralateral simultaneamente, observando qual onda
venosa aparece mais próxima ao pulso arterial – esta é a onda A. A onda que aparece entre os pulsos arteriais é a onda V.
Para facilitar a compreensão, veja a representação que mostra a diferença entre os pulsos venosos e arteriais, além de suas relações
com as bulhas cardíacas e o eletrocardiograma.
• Descenso Y proeminente (sinal da raiz quadrada): também chamado de pulso venoso em W. Ocorre na pericardite constritiva,
nas miocardiopatias restritivas com acometimento do VD e no infarto de VD. O descenso Y termina de forma repentina devido ao súbito
aumento das pressões de enchimento do VD, típico de ventrículos com pouca complacência.
• Descenso Y ausente ou atenuado: pode ser observado no tamponamento cardíaco. A elevada pressão intrapericárdica restringe o
enchimento ventricular na diástole, atenuando o descenso Y.
CAI NA PROVA
(ASSOCIAÇÃO MÉDICA DO PARANÁ - AMP 2019) O pulso venoso pode ser analisado no pescoço, por observação das pulsações que ocorrem
nas veias jugulares. Com respeito ao pulso venoso jugular, identifique qual a resposta INCORRETA.
A) Na fibrilação atrial não existe contração efetiva atrial, o que faz com que não haja uma onda precedendo a primeira bulha cardíaca.
B) A onda "a" ocorre imediatamente antes da primeira bulha cardíaca. Representa a transmissão retrógrada da pressão gerada pela
contração atrial.
C) O fator de correção da pressão venosa central de centímetros de água para milímetros de mercúrio é de 1,36. Ou seja, 1,36 cm de água
equivalem a 1 mm de mercúrio.
D) Mensurando-se a altura do cume do pulso venoso jugular em relação ao ângulo de Louis (inflexão esternal), se tem uma estimativa da
pressão venosa central em cm de água.
E) Na insuficiência da valva atrioventricular esquerda, ocorre um refluxo do sangue do ventrículo para o átrio. Isto gera uma onda "v", de
enchimento atrial muito aumentada, nitidamente perceptível no pulso jugular. A amplitude da onda v tende a ser proporcional ao grau
de refluxo.
COMENTÁRIO:
O conhecimento do pulso venoso pode diferenciar o candidato durante a prova, já que são questões com um grau de dificuldade
elevado. Agora que você acabou de estudar esse assunto, vamos resolver a questão.
Correta a alternativa A: na fibrilação atrial, não existe contração atrial regular coordenada e efetiva. Tendo em vista que a contração atrial
precede a B1, pois ocorre no final da diástole, e que na onda de pulso venoso jugular está relacionada à onda A, é esperado não encontrar
onda de pulso bem formada precedendo a B1 na FA.
Correta a alternativa B: a onda de pulso A decorre do aumento da pressão no interior da veia jugular em consequência à contração do átrio
direito, ou seja, relacionada à sístole atrial, imediatamente antes da B1.
Correta a alternativa C: trata-se de uma questão conceitual. O candidato deve saber que a conversão de cm de H2O para mmHg envolve uma
relação de 1,36. Ou seja, 1,36 cm de água equivalem a 1 mm de mercúrio.
Correta a alternativa D: essa questão também é conceitual e envolve o conhecimento da técnica de medição da PVJ (pressão venosa jugular).
A altura do pulso venoso jugular corresponde à pressão venosa jugular e deve ser medida na vertical, entre o ângulo de Louis e o ponto mais
alto das pulsações da veia jugular interna direita.
na insuficiência da valva atrioventricular DIREITA (insuficiência tricúspide), ocorre um refluxo do sangue
Incorreta a alternativa E:
do ventrículo direito para o átrio direito. Isso gera uma onda V de enchimento atrial muito aumentada,
nitidamente perceptível no pulso jugular. A amplitude da onda V tende a ser proporcional ao grau de refluxo.
O receptor, seja o diafragma ou a campânula, deve ficar levemente apoiado sobre a pele e, simultaneamente, deve-se obter uma boa
coaptação de suas bordas na área que está sendo auscultada.
A primeira coisa a ser feita é identificar as bulhas cardíacas, pois todos os outros achados (sopros, estalidos, bulhas adicionais) serão
localizados de acordo com a identificação da primeira e da segunda bulhas. Também é importante definir o momento de cada som (sístole ou
diástole), sua intensidade, duração, frequência sonora e localização de acordo com os focos ou áreas de ausculta.
Veja no esquema a seguir os focos de ausculta cardíaca (Figura 11).
Figura 11. Focos de ausculta. Foco aórtico: 2º EIC direito; foco pulmonar: 2º EIC esquerdo; foco aórtico acessório: 3º EIC esquerdo; foco tricúspide: 4-5º
EIC esquerdo na borda paraesternal; foco mitral: 5º EIC esquerdo na linha hemiclavicular. *EIC: espaço intercostal.
Já que a identificação das bulhas cardíacas é o primeiro passo da ausculta, vamos estudar cada uma delas.
O principal componente da B1 é o fechamento das valvas mitral e tricúspide, sendo identificado com um som “TUM”. Normalmente,
a primeira bulha pode ser audível em todo precórdio, mas tem maior intensidade nos focos mitral e tricúspide. Ela é mais duradoura e menos
intensa do que a segunda bulha. Deve ser auscultada com o diafragma do estetoscópio.
A origem da B2 dá-se com o fechamento das valvas aórtica e pulmonar. Como o ventrículo esquerdo se esvazia mais rápido do que o
direito, o componente aórtico ocorre antes do pulmonar e é mais intenso. Normalmente, o timbre da B2 é mais agudo e soa de maneira mais
seca, sendo designada como uma “TÁ”.
Assim como a B1, a ausculta da B2 é mais evidente usando-se o diafragma do estetoscópio.
Agora que você já sabe o ciclo cardíaco e como identificar as principais bulhas cardíacas, veja a relação entre ambos (Figura 12).
CICLO CARDÍACO E SUA RELAÇÃO COM AS BULHAS CARDÍACAS
B1 B2 B1 B2
B1 B2 B1 B2
Sístole Diástole Sístole Diástole
Figura 12. Relação do ciclo cardíaco com o fechamento das valvas cardíacas.
CAI NA PROVA
(UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ - 2016) À ausculta cardíaca, a primeira bulha, em relação ao ciclo cardíaco:
COMENTÁRIO:
A ausculta cardíaca é parte fundamental não somente do exame físico cardiovascular, mas também do exame clínico geral. Por meio
dela, é possível realizar o diagnóstico e, muitas vezes, avaliar a gravidade da enfermidade apresentada pelo paciente.
A questão diz respeito à primeira bulha (B1) cardíaca. Vamos respondê-la:
Incorreta a alternativa A: pois é um som normal, melhor percebido com o paciente em decúbito dorsal, com o diafragma do estetoscópio nos
focos mitral e tricúspide. Ocorre concomitantemente ao pulso carotídeo na sístole.
Incorreta a alternativa B: é um som normal, que ocorre durante a sístole.
Incorreta a alternativa C: é um ruído normal, que tem relação com a sístole ventricular.
Incorreta a alternativa D: a segunda bulha (B2) é decorrente do fechamento das valvas aórtica e pulmonar.
a primeira bulha (B1) é resultado principalmente do fechamento das valvas mitral e tricúspide. Quando a B1
Correta a alternativa E:
for mais intensa do que a B2 nos focos da base (aórtico e pulmonar), diz-se que a B1 é hiperfonética.
No indivíduo normal ou em algumas condições patológicas, pode haver variações da primeira e segunda bulhas. A diferenciação entre
essas condições é de extrema importância, pois a conduta diante de cada uma delas é diferente.
• Primeira bulha:
A B1 pode apresentar-se de forma hipofonética (“abafada”) ou hiperfonética (mais intensa). Como você já sabe, a B1 é mais alta do
que a B2 nos focos mitral e tricúspide. Quando ocorre o contrário, a B2 mais alta que B1, dizemos que a primeira bulha está hipofonética.
Quando a B1 está mais intensa do que a B2 nos focos da base (aórtico e pulmonar), dizemos que a primeira bulha está hiperfonética. Diversas
condições podem causar variação da intensidade de B1 (Tabela 4).
Hipofonética Hiperfonética
Bradicardia Taquiarritmia
• Segunda bulha:
Assim como a primeira bulha, a B2 pode estar hipo ou hiperfonética. Dizemos que a B2 está hipofonética quando ela é pouco audível
nos focos da base, ao passo que, quando audível difusamente com intensidade elevada, está hiperfonética.
Hipofonética Hiperfonética
Tetralogia de Fallot
5.6.2 DESDOBRAMENTOS
Os desdobramentos são divididos didaticamente em três da valva aórtica pode causar desdobramento amplo. Ele está
tipos: (1) fisiológico; (2) amplo; e (3) paradoxal. Vamos estudar cada presente tanto na inspiração (em que ele aumenta) quanto na
um deles: expiração (em que ele diminui). As principais causas são: bloqueio
• Desdobramento fisiológico da B2: em cerca de 65 a 75% de ramo direito (que irá atrasar a contração do ventrículo
dos indivíduos normais, especialmente os mais jovens, pode direito, atrasando o fechamento da valva pulmonar), estenose
ser observado o desdobramento da segunda bulha. Durante a pulmonar, embolia pulmonar e insuficiência do ventrículo direito.
inspiração, o retorno venoso para o ventrículo direito aumenta. A insuficiência mitral encurta a sístole do ventrículo esquerdo,
Com isso, o ventrículo direito fica mais cheio e seu esvaziamento antecipando o fechamento da valva aórtica, sendo também uma
demora mais para acontecer, o que resulta no afastamento causa de desdobramento amplo da B2.
do componente pulmonar (fechamento mais tardio da valva • Desdobramento paradoxal da B2: ocorre em situações
pulmonar). Quando a segunda bulha está desdobrada, seu ruído que sobrecarregam o ventrículo esquerdo, como estenose
corresponde à expressão “TRÁ”. Uma característica própria aórtica, hipertensão arterial e bloqueio de ramo esquerdo. Em
do desdobramento da B2 é o de aparecer ou aumentar com a outras palavras, qualquer situação que antecipa o fechamento
inspiração e desaparecer ou diminuir com a expiração. da valva pulmonar ou atrase o fechamento da valva aórtica
• Desdobramento amplo da B2: ocorre em situações que pode causar desdobramento paradoxal. Na inspiração profunda,
sobrecarregam o ventrículo direito. Qualquer doença que atrase o componente pulmonar atrasa-se e junta-se ao componente
o fechamento da valva pulmonar ou adiante o fechamento aórtico, fazendo o desdobramento desaparecer.
A2 A2
P2 P2
Desdobramento
fisiológico
B1 B2 B1 B2
EXPIRAÇÃO INSPIRAÇÃO
A2 A2
Desdobramento
P2 P2
amplo
B1 B2 B1 B2
A2 A2
P2 P2
Desdobramento
paradoxal
B1 B2 B1 B2
CAI NA PROVA
(PSU ALAGOAS – 2019) Homem de 48 anos queixa-se de fraqueza generalizada e dispneia. Ao exame físico, ausculta-se desdobramento
da segunda bulha que é constante, mas aumenta quando o paciente inspira. O ritmo cardíaco é regular, a primeira bulha é normal e não há
sopros. Qual das seguintes alterações eletrocardiográficas é MAIS COMPATÍVEL com os achados auscultatórios observados no paciente?
COMENTÁRIO:
Questão direta e difícil de semiologia cardíaca, mais especificamente a respeito do desdobramento da segunda bulha cardíaca
(desdobramento de B2).
O desdobramento de B2 pode ser fisiológico, ocorrendo na inspiração devido ao aumento do retorno venoso para o coração direito.
Com isso, o volume de sangue do coração direito aumenta, havendo um prolongamento do tempo de sua ejeção (sístole de VD), o que causa
um atraso no fechamento da valva pulmonar. O atraso do fechamento da valva pulmonar leva a um atraso do componente P2 da segunda
bulha, o que é perceptível como desdobramento de B2.
Entretanto, existem outras condições não fisiológicas que levam a um retardo da ejeção do VD, resultando em um desdobramento de
B2 amplo. Essa questão é sobre isso.
Correta a alternativa A: o BRD causa atraso da ejeção de VD, o que gera o desdobramento amplo de B2.
Incorretas as alternativas B, C e D: nenhuma das causas apresentadas nessas alternativas gera atraso da sístole de VD. Portanto, não resultam
em desdobramento fixo de B2.
É um som de baixa frequência (mais bem auscultado com a normal em crianças e em adolescentes. Quando patológica, é de-
campânula) que se origina das vibrações da parede ventricular que nominada galope (ritmo de galope).
foi subitamente distendida pelo sangue durante a fase de enchi- São três as situações principais nas quais a B3 patológica está
mento rápido do ventrículo. Ocorre após a B2 (na protodiástole) e presente: sobrecarga de volume crônica (ex.: insuficiência mitral
indica presença de ventrículo aumentado e pouco complacente. Se ou aórtica crônica, comunicação interatrial e interventricular),
ocorrer no ventrículo esquerdo, é mais audível no foco mitral e em diminuição da complacência ventricular (ex.: cardiomiopatias
decúbito lateral esquerdo. Já a B3 do ventrículo direito é melhor dilatadas, restritivas e hipertrófica) e na insuficiência cardíaca
auscultada no foco tricúspide ou no aórtico acessório, aumentando descompensada com fração de ejeção reduzida (< 40%).
com a inspiração profunda (manobra de Rivero-Carvallo). Pode ser
Dica de prova
Quando a banca fala que o paciente possui B3, ela quer dizer que há uma combinação de aumento de
volume do ventrículo esquerdo, com complacência reduzida e aumento das pressões no átrio esquerdo.
Frequentemente, há disfunção sistólica associada.
Quais as causas? Infarto agudo do miocárdio, insuficiência cardíaca descompensada e insuficiência mitral
crônica descompensada.
Assim como a B3, também é um ruído de baixa frequência devido ao sangue que chega após uma contração vigorosa do átrio.
e, portanto, mais audível com a campânula do estetoscópio. É uma Situações em que a B4 está presente são: hipertrofia do ventrículo
bulha pré-sistólica (ocorre um pouco antes da B1). A origem da esquerdo concêntrica, isquemia do miocárdio e cardiomiopatias
bulha está na vibração da parede do ventrículo (pouco complacente) dilatadas e restritivas.
Como a B4 se origina devido à contração atrial, ela desaparece nos pacientes com fibrilação atrial.
Qual a origem da B4?
Pela contração do átrio, ou seja, B4átrio.
CAI NA PROVA
(UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA (UEL) – 2019) Quanto às bulhas cardíacas, assinale a alternativa correta.
A) A primeira bulha cardíaca é formada pelo som causado pela coaptação das 3 cúspides da valva mitral, não participando o aparelho
subvalvar.
B) A terceira bulha cardíaca é a representação do som causado pelo choque da coluna de sangue na parede do ventrículo esquerdo durante
a fase de enchimento rápido na diástole.
C) A segunda bulha cardíaca é formada pela composição de sons quando as valvas semilunares aórtica e pulmonar são abertas pela coluna
de sangue ejetada dos ventrículos.
D) A quarta bulha cardíaca representa o choque entre a coluna de sangue e a parede do ventrículo esquerdo no início da diástole.
E) A sequência de sons que compõem a segunda bulha cardíaca é formada pelo componente pulmonar e, depois, pelo componente aórtico.
COMENTÁRIO:
Aposto que você consegue resolver essa questão com maior facilidade agora.
Incorreta a alternativa A: a primeira bulha é causada pelo fechamento das valvas atrioventriculares (mitral e tricúspide). Essa alternativa está
claramente errada ao citar que a valva mitral possui 3 cúspides. Sabemos que a valva mitral apresenta 2 cúspides e a tricúspide possui 3, como
o próprio nome sugere.
a terceira bulha é protodiastólica (ocorre logo após a B2) e caracteriza-se por um som de baixa frequência,
Correta a alternativa B:
que é decorrente da vibração da parede ventricular causada pelo brusco choque da coluna de sangue na
transição da fase de enchimento rápido para a fase de enchimento ventricular lento. Tem como significado uma sobrecarga volumétrica
ventricular.
Incorreta a alternativa C: a segunda bulha cardíaca é formada pela composição de sons, quando as valvas semilunares aórtica e pulmonar
são fechadas pela coluna de sangue ejetada dos ventrículos. É composta pelo componente aórtico (A2) e pelo componente pulmonar (P2).
Incorreta a alternativa D: a quarta bulha cardíaca representa o choque entre a coluna de sangue ejetado pelos átrios durante a contração
atrial e a parede do ventrículo esquerdo no final da diástole. É uma bulha pré-sistólica (ocorre logo antes da B1). Geralmente, está associada
à alteração da complacência do ventrículo.
Incorreta a alternativa E: a sequência de sons que compõe a segunda bulha cardíaca é formada pelo componente aórtico (A2), seguida pelo
componente pulmonar (P2).
Como o próprio nome sugere, são sons que ocorrem na paredes quando o sangue passa após a sístole ventricular.
ejeção ventricular (sístole). São ruídos de alta frequência (melhor Os ruídos de ejeção são mais audíveis nos focos da base. O
audíveis com o diafragma) que surgem logo após a B1, quando aórtico no foco aórtico e o pulmonar no foco pulmonar. O ruído de
as valvas semilunares se abrem. São decorrentes da vibração da ejeção pulmonar é o único som do lado direito do coração que
estrutura valvar e/ou da parede arterial, geralmente associada não aumenta com a inspiração, podendo até reduzir. Isso acontece
a condições patológicas. Por exemplo: nas estenoses das valvas porque, na inspiração, há um aumento do retorno venoso para o
aórtica e pulmonar, com as valvas ainda apresentando uma certa ventrículo direito, fazendo com que sua pressão no final da diástole
mobilidade, ocorre uma abertura em “cúpula” que, subitamente, aumente. Com isso, a valva pulmonar ficará semiaberta no fim da
é frenada, gerando as vibrações do ruído. Nas dilatações arteriais diástole, reduzindo seu movimento de abertura durante a sístole.
(aórtica ou pulmonar), ocorre um aumento das vibrações de suas
São sons protodiastólicos de alta frequência (mais audíveis com o diafragma do estetoscópio), resultantes da abertura de uma valva
mitral com acometimento reumático. Quando há estenose mitral, além de sua abertura estar restrita, ela termina de forma brusca, gerando
vibrações que produzem um som de alta frequência: o famoso estalido.
Quanto mais precoce for o estalido de abertura da valva Quanto mais calcificada for a valva mitral na estenose de
mitral (mais próximo da B2), maior a gravidade da estenose. A etiologia reumática, menor será a intensidade do estalido de
explicação é a seguinte: quanto mais grave a estenose mitral, maior abertura. Como você pode perceber, o estalido de abertura fornece
será a pressão dentro do átrio esquerdo. Essa pressão elevada força muitas informações a respeito da gravidade da estenose mitral.
a abertura da valva de uma forma mais precoce. Logo adiante, você verá representação gráfica dessa alteração no
estudo dos sopros diastólicos.
Esta é a parte mais importante do livro! Antes de começar o estudo dos sopros, é importante que você saiba
que as particulares de cada um são discutidas em detalhes no livro de “Valvopatias” . Nesse livro, você irá estudar as
características gerais dos sopros cardíacos. Mas fique tranquilo(a), pois os principais tipos de sopros serão relembrados
brevemente.
Os sopros cardíacos são produzidos por vibrações decorrentes do fluxo sanguíneo (turbulência). Os principais
mecanismos envolvidos na sua formação são:
1. Fluxo aumentado: mesmo quando não há uma alteração anatômica no local, um aumento exagerado do fluxo sanguíneo pode
causar sopro. Exemplos: exercício físico, hipertireoidismo e síndrome febril;
2. Obstrução ao fluxo: pode ser devido à passagem de sangue por uma zona estreita ou pela passagem de um grande volume de
sangue através de um orifício normal. Exemplos: lesões valvares, cardiopatias congênitas (comunicação interatrial ou interventricular,
persistência do canal arterial); e
3. Aumento do calibre do vaso: é o mecanismo menos comum. Poder estar presente nos aneurismas de aorta.
Vale ressaltar que a viscosidade sanguínea também pode ser responsável pelos sopros. Pacientes com lesões valvares e anemia podem
ter o sopro acentuado devido à alteração da viscosidade.
Saber quando investigar um sopro cardíaco com exames complementares é um grande desafio. É fundamental que o médico esteja
seguro de suas habilidades propedêuticas, já que a ausculta cardíaca é o método com melhor custo-benefício para a triagem.
Sopros sistólicos suaves, regurgitativos e não mais intensos do que 2+ (sopro audível em todos os focos, mas
não irradiado para a axila ou pescoço), geralmente, não necessitam de investigação!
Os sopros que não são considerados patológicos podem ser Sopros com desvio do ictus ou frêmito, diastólicos ou mais
chamados de sopros inocentes ou fisiológicos. A maioria é sistólico, intensos do que 2+ merecem investigação complementar!
de grau 1 ou 2, suave e, frequentemente, com timbre musical. Eles Quando necessária, a investigação deve ser feita através
são auscultados ao longo da borda esternal esquerda, são ejetivos e, da radiografia de tórax, eletrocardiograma de repouso e
provavelmente, originam-se da vibração dos folhetos pulmonares. ecocardiograma. O ecocardiograma não deve ser solicitado
Sopros mesossistólicos suaves e ejetivos também podem ser isoladamente, pois a análise conjunta dos três exames aumenta a
detectados em situações de aumento do débito cardíaco (gestação, especificidade dos achados (figura 15).
anemia, febre e hipertireoidismo).
Avaliação do
sopro cardíaco
• Sopro diastólico
• Sopro maior do que ++/6
• Presença de frêmito, desvio do ictus cordis,
bulhas palpáveis, alteração do pulso ou
pressão arterial
Considerar avaliação
do especialista
Os sopros apresentam algumas características que devem ser diferenciadas no exame físico:
GRAU 6 Intenso, com frêmito, audível com o estetoscópio próximo à pele (sem contato)
A primeira e mais importante etapa da ausculta cardíaca é situar o sopro no ciclo cardíaco. Para fazer isso, deve-se palpar o pulso
carotídeo (ou outro pulso arterial) concomitantemente à ausculta cardíaca. Dessa forma, determina-se se um sopro é sistólico (entre B1 e B2),
diastólico (entre B2 e B1) ou contínuo (inicia na sístole, mas estende-se após B2, na diástole).
Os sopros sistólicos localizam-se entre B1 e B2 e podem ser de dois tipos: ejeção ou regurgitação (Figura 16).
Figura 16: Tipos de sopros sistólicos e suas principais características. *CMPH: cardiomiopatia hipertrófica; CIA: comunicação interatrial; CIV: comunicação
interventricular; HAS: hipertensão arterial sistêmica; BED: borda esternal direita, VD: ventrículo direito.
• Características do sopro de ejeção: originam-se logo após a primeira bulha. É do tipo crescendo-decrescendo, terminando antes da
segunda bulha. É descrito como sopro em diamante e aparece na estenose aórtica, na estenose pulmonar, na cardiomiopatia hipertrófica
obstrutiva, na coarctação de aorta e nas situações de hiperfluxo na via de saída (comunicação interatrial, insuficiência aórtica importante).
Entre os sopros sistólicos ejetivos, o mais importante é o da estenose aórtica. Vamos vê-lo?
O sopro da estenose aórtica é descrito da seguinte forma: sistólico, ejetivo, rude, começa crescendo e depois decresce
(formato de diamante - mesotelessistólico), com irradiação para as carótidas e para a fúrcula. É panprecordial, porém,
mais audível em foco aórtico ou aórtico acessório. Quanto mais tardio for o pico do sopro, pior o prognóstico.
B1 Sístole B2
Você sabe a diferença entre o sopro da estenose aórtica (EAo) discreta/moderada para a estenose
B1 B2
importante? B1
Quando a EAo é discreta ou moderada, o sopro geralmente é suave e seu pico se localiza no meio da sístole
(veja o esquema anterior).
Na EAo importante, a saída do fluxo de sangue está mais limitada, fazendo com que o pico do sopro se desloque
B1 como na representação gráfica
para o final da sístole, B2 a seguir: B1
B1 B2 B1
B1 B2 B1
B1 B2 B1
Figura 18. Representação da estenose importante, com pico do sopro no final da sístole.
• Características do sopro de regurgitação: é audível desde o início da sístole, aparecendo junto com a primeira bulha, podendo
recobri-la e mascará-la. Ocupa toda a sístole (holossistólico), com intensidade parecida do começo ao fim, e termina imediatamente antes
da segunda bulha, podendo recobri-la. As principais causas são as insuficiências mitral e tricúspide e a comunicação interventricular.
Entre os sopros sistólicos regurgitativos, o da insuficiência mitral é o principal: holossistólico ou em barra, melhor audível no foco mitral,
com irradiação para a axila.
B1 B2 B1
B1 Sístole B2 Diástole
B1 B2 B1
B1 B2 B1
B1 B2 B1
Você sabe a diferença entre o sopro da insuficiência mitral (IMi) crônica e aguda?
B1 crônica ocupa toda a B2
O sopro da IM diástole (holodiastólico)B1
de maneira uniforme (“em barra”), como
B1 B2 B1
representado pelo esquema anterior.
Na IMi aguda (ex.: por ruptura do músculo papilar), como a regurgitação se instala de forma súbita, não há
tempo de o ventrículo esquerdo se dilatar para acomodar o excesso de sangue. Dessa forma, as pressões dentro do
átrio esquerdo sobem rapidamente, fazendo com que o fluxo entre o ventrículo esquerdo e o átrio esquerdo reduza
progressivamente. A representação do sopro da IM aguda fica semelhante ao exemplificado abaixo:
B1 B2 B1
B1 B2 B1
Figura 20. Representação do sopro da IM aguda.
CAI NA PROVA
(UNIFESP - 2023) Homem, 65 anos de idade, apresenta cansaço, falta de ar e edema de membros inferiores há 2 meses. Exame físico: sopro
sistólico em crescendo-decrescendo na borda esternal superior esquerda, como paciente sentado e inclinado para frente. Qual é a doença
valvar mais provável?
A) Estenose aórtica.
B) Dupla lesão aórtica.
C) Dupla lesão mitral.
D) Insuficiência mitral grave.
COMENTÁRIO:
Questão puramente de semiologia cardíaca. Sempre que você estiver diante de uma questão de sopro cardíaco, três informações são
importantes para você chegar ao diagnóstico: (1) a idade do paciente; (2) as características do sopro e (3) sua localização.
Levando em consideração essas três características, a estenose aórtica é a principal hipótese.
A estenose aórtica tem tido um aumento de prevalência nos últimos anos. Isso se deve ao fato de que a principal etiologia no mundo
é degenerativa (valva calcificada) e o envelhecimento populacional predispõe a esse aumento. Essa valvopatia, aliás, é a valvopatia mais
prevalente na população idosa, atingindo 3-5% dos indivíduos acima de 75 anos. Existe uma tríade clássica de sintomas relacionada a essa
valvopatia, e é fundamental que você conheça. A tríade de sintomas da estenose aórtica grave é composta por PRECORDIALGIA, SÍNCOPE
E DISPNEIA.
Quanto à ausculta cardíaca, alguns achados são absolutamente fundamentais para seu conhecimento. Como a ejeção ventricular se dá
contra uma valva parcialmente fechada, ocorre turbilhonamento do fluxo e surgimento de um sopro. O sopro da estenose aórtica é descrito
como sendo sistólico, ejetivo, rude, começa crescendo e depois decresce (formato de diamante – mesotelessistólico), tem irradiação para
as carótidas e para a fúrcula e é panprecordial, porém mais audível em foco aórtico (2º espaço intercostal direito) ou aórtico acessório (3-4°
espaço intercostal esquerdo). Quanto mais tardio for o pico do sopro, pior o prognóstico.
Incorreta a alternativa B: pois na dupla lesão aórtica (estenose + insuficiência) deve estar presente um sopro diastólico, mais bem audível
no foco aórtico acessório.
Incorreta a alternativa C: o sopro da dupla lesão mitral está localizado no foco mitral de ausculta (5º EIC esquerdo, na linha hemiclavicular).
Incorreta a alternativa D: o sopro da insuficiência mitral grave é holossistólico e localiza-se no foco mitral. Tem irradiação para a axila e
dorso.
(HOSPITAL OFTALMOLÓGICO DE BRASÍLIA – 2019) Em razão do aumento da expectativa de vida e do consequente envelhecimento da
população, a estenose aórtica (EAo) apresenta prevalência crescente na atualidade, o diagnóstico de estenose aórtica é importante e apresenta
diversas características. Quanto a isso, determine o item que NÃO faz parte de uma dessas características:
COMENTÁRIO:
A estenose aórtica é uma valvopatia comum que acomete indivíduos de diversas faixas etárias. As principais etiologias são degenerativa
ou senil (principalmente em idosos), valva aórtica bicúspide (doença congênita) e febre reumática.
Os sintomas clássicos, por ordem de aparecimento, são: dor precordial, síncope e dispneia. O surgimento de sintomas marca uma piora
significativa de prognóstico. Pacientes com dor precordial têm sobrevida média de 5 anos; os com síncope, 3 anos; e os com dispneia, apenas
2 anos! Por isso, o surgimento de sintomas é indicativo claro de troca valvar.
Vamos relembrar a semiologia da estenose aórtica respondendo às alternativas:
Incorreta a alternativa A: pois o pulso clássico da estenose aórtica avançada é parvus e tardus. Isso significa que tem um pico tardio e uma
amplitude reduzida. É fácil entender: a estenose aórtica dificulta a saída do sangue para a aorta; com isso, o esvaziamento ventricular fica
lento e tardio, gerando esse tipo de pulso.
pois o sopro da estenose aórtica é sistólico rude, ejetivo, em crescendo-decrescendo (diamante). Seu pico,
Correta a alternativa B:
à semelhança do pulso, é tardio, ou seja, o sopro é mesotelessistólico. Quanto mais tardio o sopro, mais
grave a estenose.
Incorreta a alternativa C: pois a hipofonese de B2 pode surgir em casos avançados. Lembre-se de que essa bulha corresponde ao fechamento
das valvas atrioventriculares (aórtica e pulmonar). Como na estenose aórtica grave a valva aórtica praticamente não abre, seu fechamento
também não produzirá um som forte, por isso, há a hipofonese de B2.
Incorreta a alternativa D: a primeira bulha corresponde ao fechamento das valvas atrioventriculares (mitral e tricúspide). Devemos pensar
que quanto menor o caminho para essas valvas fecharem, menor será o som produzido. Como na estenose aórtica o ventrículo esquerdo
encontra-se sobrecarregado, há um aumento da pressão nessa câmara, fazendo com que a valva mitral não fique totalmente aberta ao final
da diástole. Sendo assim, apesar de não ser um achado típico, pode haver hipofonese de B1 na estenose aórtica.
Localizam-se entre B2 e B1 e são classificados conforme o momento da diástole que se situam: protodiastólico (início), mesodiastóli-
cos (meio) ou telediastólicos (final).
Estão associados a anormalidades cardíacas e ocorrem em duas situações principais: estenose das valvas atrioventriculares e regurgitação
das valvas aórtica e pulmonar.
• Suave
INSUFICIÊNCIA AÓRTICA • Irradia para foco ao acessório
• Aumenta com handgrip
SOPRO
DIASTÓLICO
• Hiperfonese de B1
• Estalido de abertura
ESTENOSE MITRAL • Reforço pré-sistólico
• P2 hiperfonética
Figura 21: Tipos de sopros diastólicos e suas principais características.*AO: aórtico; EMi: estenose mitral.
Os sopros diastólicos da estenose mitral e da estenose tricúspide apresentam um pico na parte média da diástole e podem ter um
segundo pico imediatamente antes da B1, no final da diástole. No início do sopro, ausculta-se um estalido de abertura (EA) quando a valva
é móvel. Outras características importantes: são de baixa frequência, ou seja, mais audível com a campânula do estetoscópio, o que lhes
confere um caráter em ruflar.
B1 Sístole B2 Diástole B1
EA
B1 B2 B1 B1
Figura 22. Representação gráfica dos sopros diastólicos da estenose mitral e da estenose tricúspide.
O outro grupo de sopros diastólicos são os aspirativos, representado pela insuficiência aórtica e pulmonar. Suas principais características
são: início imediatamente após B2, podendo ficar restrito à primeira parte da diástole (protodiastólico) ou também ocupar a meso ou a
telediástole. São de alta frequência, em decrescendo e de tonalidade aguda, características que dão a qualidade de aspirativo a esse sopro.
B1 B2 Diástole B1
EA
B1 B2 B1 B1
B1 B2 B1 B1
Você sabia que o local de ausculta do sopro da insuficiência aórtica varia dependendo da sua causa?
- Valvopatia: melhor audível ao longo da borda esternal esquerda (BEE).
- Dilatação da raiz da aorta: o sopro tende a irradiar para a borda esternal direita.
B1 B2 MedicinaB1 B1 @livremedicina
livre, venda proibida. Twitter B2 B1
CARDIOLOGIA Semiologia cardíaca Estratégia
MED
EA
Repare na diferença entre o início do estalido de abertura entre as duas representações anteriores. Nota-se que, no segundo esquema,
o estalido localiza-se bem mais próximo da B2. Com isso, o sopro B1 B2
diastólico fica mais longo. A EMi da segunda representaçãoB1
é mais grave
que a da primeira.
EA EA
Figura 25. Representação gráfica do sopro na insuficiência aórtica.
B1
Na insuficiência B1 normalmente, os sopros são
aórtica importante, B2holodiastólicos: B1
B1 B1 B2 B1
CAI NA PROVA
(UERJ - 2023) Homem de 35 anos, com quadro de febre reumática, apresentou piora, com febre diária, queda do estado geral e dispneia, há
alguns dias. A suspeita é de endocardite infecciosa com regurgitação aórtica. A correta descrição do sopro típico dessa lesão orovalvar e os
outros achados no exame físico, respectivamente, serão:
A) sopro diastólico de baixa frequência (rude) em foco aórtico / B2 apagada e pressão de pulso convergente.
B) sopro sistólico de baixa frequência (rude) em foco aórtico / B1 apagada e pressão de pulso convergente.
C) sopro sistólico de alta frequência (suave) em foco aórtico acessório / B1 apagada e pressão de pulso alargada.
D) sopro diastólico de alta frequência (suave) em foco aórtico acessório / B2 apagada e pressão de pulso alargada.
COMENTÁRIO:
Endocardite infecciosa é uma infecção que acomete a membrana interna do coração (o endocárdio). Ocorre quando bactérias (ou
fungos) circulantes na corrente sanguínea conseguem estabelecer-se na superfície endocárdica, sendo mais comum o comprometimento das
valvas cardíacas do que o endocárdio atrial ou ventricular. Por isso, é uma doença que surge mais frequentemente quando ocorre bacteremia
(circulação de bactérias no sangue) transitória em um indivíduo com alterações valvares que facilitam a aderência bacteriana em sua superfície.
A presença da vegetação na superfície valvar é importante para a fisiopatologia da endocardite infecciosa por dois motivos: permite a
manutenção da infecção e pode causar disfunção ou lesão valvar.
Nessa questão, a endocardite acometeu a valva aórtica, resultando em insuficiência. O sopro da insuficiência aórtica é suave (mais bem
auscultado com o diafragma do estetoscópico), protodiastólico, aspirativo e decrescente, mais audível no foco aórtico acessório (3º espaço
intercostal esquerdo), com irradiação cervical e que aumenta com o paciente sentado e inclinado para frente. A segunda bulha (B2) encontra-
se hipofonética ou mesmo ausente. Outro achado do exame físico é a pressão arterial divergente (pressão de pulso aumentada), resultado
da grande quantidade de sangue que volta da aorta para o coração.
Incorreta a alternativa A: pois o sopro é suave, mais audível no foco aórtico acessório, associado a pressão de pulso divergente. Um
exemplo de sopro rude é o da estenose aórtica.
Incorreta a alternativa B: pois o sopro é diastólico.
Incorreta a alternativa C: pois o sopro é diastólico.
(IAMSPE - 2023) Assinale a alternativa que apresenta o achado propedêutico esperado em um paciente com estenose mitral grave.
COMENTÁRIO:
A estenose mitral (EMi) é um transtorno da valva em que, durante a diástole, sua abertura se encontra limitada.
No Brasil, ela apresenta praticamente uma única causa. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, 95% dos casos de estenose
mitral têm origem reumática.
O sintoma mais comum é a dispneia, que pode vir associada a sintomas clássicos de insuficiência cardíaca, como ortopneia e dispneia
paroxística noturna (sensação de afogamento à noite que melhora após se levantar). Frequentemente, por haver tanta sobrecarga atrial
esquerda, os pacientes podem desenvolver também fibrilação atrial e reclamarem de palpitações.
No exame físico, podemos encontrar alguns sinais clássicos de insuficiência cardíaca, como crepitações pulmonares, edema de membros
inferiores, hepatomegalia, turgência jugular patológica, refluxo hepatojugular etc. A ausculta cardíaca mostra diversos achados: a primeira
bulha (B1) é hiperfonética em foco mitral. Porém, em fases tardias da doença, quando a estenose se torna mais importante e há um aumento
da calcificação, a primeira bulha pode se normalizar. Além disso, a abertura da valva também produz um ruído, conhecido como estalido de
abertura da valva mitral. O sopro da estenose mitral é diastólico, em ruflar, com reforço pré-sistólico, mais audível com a campânula, em foco
mitral e em decúbito lateral esquerdo. Esse reforço acontece, já que, ao final da diástole, o átrio esquerdo se contrai e, dessa forma, acelera
a passagem de sangue pela valva mitral estenosada.
Resumidamente, as palavras-chave da ausculta cardíaca na estenose mitral são: sopro diastólico, com reforço pré-sistólico, estalido de
abertura e B1 hiperfonética.
A Atualização da Diretrizes Brasileiras de Valvopatias (2020) elaborou uma tabela com os principais achados de um paciente com
estenose mitral importante. Vou deixá-la aqui para você ler com atenção.
Correta a alternativa B: reforço pré sistólico e o ruflar diastólico estão presentes na estenose mitral importante.
Incorreta a alternativa C: essa alternativa ficou confusa e abre margem para recurso. O estalido de abertura está presente desde a EMi
discreta a moderada. O que é típico da EMi importante é o estalido de abertura precoce da valva.
Incorreta a alternativa D: pois a quarta bulha não é um achado típico da EMi importante.
Incorreta a alternativa E: pois a terceira bulha não é um achado típico da EMi importante.
(ENARE - 2023) Um homem de 75 anos, portador de estenose mitral grave, procura atendimento médico com queixa de dispneia e lipotimia.
Sobre o exame físico desse paciente, é correto afirmar que:
COMENTÁRIO:
A definição da estenose mitral (EMi). Trata-se de um transtorno da valva em que, durante a diástole, sua abertura se encontra limitada.
Quanto à etiologia, essa valvopatia, no Brasil, apresenta praticamente uma única causa. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia,
95% dos casos de estenose mitral têm origem reumática.
O sintoma mais comum é a dispneia, que pode vir associada a sintomas clássicos de insuficiência cardíaca, como ortopneia e dispneia
paroxística noturna (sensação de afogamento à noite que melhora após se levantar). Frequentemente, por haver tanta sobrecarga atrial
esquerda, os pacientes podem desenvolver também fibrilação atrial e reclamarem de palpitações.
No exame físico, podemos encontrar alguns sinais clássicos de insuficiência cardíaca, como crepitações pulmonares, edema de membros
inferiores, hepatomegalia, turgência jugular patológica, refluxo hepatojugular etc. A ausculta cardíaca mostra diversos achados: a primeira
bulha (B1) é hiperfonética em foco mitral. Porém, em fases tardias da doença, quando a estenose se torna mais importante e há um aumento
da calcificação, a primeira bulha pode se normalizar. Além disso, a abertura da valva também produz um ruído, conhecido como estalido de
abertura da valva mitral. O sopro da estenose mitral é diastólico, em ruflar, com reforço pré-sistólico, mais audível com a campânula, em foco
mitral e em decúbito lateral esquerdo. Esse reforço acontece, já que, ao final da diástole, o átrio esquerdo se contrai e, dessa forma, acelera
a passagem de sangue pela valva mitral estenosada.
Resumidamente, as palavras-chave da ausculta cardíaca na estenose mitral são: sopro diastólico, com reforço pré-sistólico, estalido de
abertura e B1 hiperfonética.
A) Figura a
B) Figura b
C) Figura c
D) Figura d
COMENTÁRIO:
Questão de semiologia cardíaca, mas que você consegue acertar com base na principal hipótese diagnóstica. Vamos lá!
Paciente jovem (36 anos), com “reumatismo” na infância e quadro de dispneia e palpitações aos esforços. A banca que dizer pra
você que se trata de uma valvopatia associada a um quadro reumático na infância, em outras palavras, estenose mitral secundária a febre
reumática.
Lembre-se que a lesão valvar aguda mais comum da febre reumática é a insuficiência mitral, porém, a mais prevalente (crônica) é
a estenose mitral. Acabou a questão! A única figura que representa um sopro diastólico, característico da estenose mitral, é a B. O sopro
diastólico da estenose mitral apresenta um pico na parte média da diástole e pode ter um segundo pico imediatamente antes da B1, no final
da diástole. No início do sopro, ausculta-se um estalido de abertura (EA) quando a valva é móvel. Outras características importantes é que são
de baixa frequência, ou seja, mais audível com a campânula do estetoscópio, o que lhe confere um caráter em ruflar.
Incorreta a alternativa A: Essa figura representa o sopro da insuficiência mitral. Esse tipo de sopro é audível desde o início da sístole,
aparecendo junto com a primeira bulha, podendo recobri-la e mascará-la. Ocupa toda a sístole (holossistólico) com intensidade parecida
do começo ao fim (em barra) e termina imediatamente antes da segunda bulha, podendo recobri-la.
Incorreta a alternativa C: Essa figura representa o sopro sistólico da estenose aórtica. Esse sopro tem característica ejetiva, rude, começa
crescendo e depois decresce (formato em diamante), com irradiação para as carótidas e fúrcula esternal.
Incorreta a alternativa D: Essa figura também representa um sopro sistólico de ejeção, mais especificamente, um sopro de estenose
pulmonar, já que respeita o tempo de abertura e fechamento da valva pulmonar.
(UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP SP) – 2019) Mulher, 35 anos, queixa-se de dispneia aos esforços há 3 meses. Exame físico: FC = 92
bpm, PA = 120 x 82 mmHg, ritmo cardíaco regular, com hiperfonese da primeira bulha cardíaca, sopro mesotelediastólico 2+/4+, de baixa
frequência, mais intenso em região apical com paciente em decúbito lateral esquerdo, iniciado logo após som de estalo mesodiastólico. Qual
é o diagnóstico mais provável?
A) Estenose mitral.
B) Prolapso valvar mitral.
C) Insuficiência tricúspide.
D) Comunicação interventricular.
COMENTÁRIO:
Incorreta a alternativa B: o prolapso mitral é uma causa frequente de insuficiência mitral. O exame físico é caracterizado pela presença
de hipofonese de B1 e sopro holossistólico melhor audível no ápice cardíaco, com o paciente em decúbito lateral esquerdo. Nos casos de
prolapso valvar mitral, pode-se identificar também um clique mesossistólico característico dessa etiologia de insuficiência mitral.
Incorreta a alternativa C: a insuficiência tricúspide geralmente está associada à dilatação do ventrículo direito (insuficiência tricúspide
secundária), o que pode ocorrer nos casos de hipertensão pulmonar e na disfunção primária do ventrículo direito. O exame físico lembra
o da insuficiência mitral, com hipofonese de B1 e sopro holossistólico, porém o sopro é melhor audível na borda esternal esquerda média
ou baixa, diferente da insuficiência mitral que é melhor audível no ápice. Outra característica que diferencia as duas condições é o fato de o
sopro da insuficiência tricúspide aumentar de intensidade com a inspiração profunda (manobra de Rivero-Carvallo), o que não acontece na
insuficiência mitral.
Incorreta a alternativa D: a comunicação interventricular (CIV) é uma cardiopatia congênita em que ocorre um orifício ou defeito no septo
interventricular, gerando shunt sanguíneo do lado esquerdo para o lado direito do coração (sendo assim, um tipo de cardiopatia congênita
acianótica), com consequente hiperfluxo e hipertensão pulmonar. O exame físico caracteriza-se pela presença de sopro holossistólico de alta
frequência, melhor audível na borda esternal esquerda média e baixa, cuja intensidade varia de acordo com o tamanho do defeito, sendo
de maior intensidade nos defeitos pequenos e de menor intensidade nos defeitos maiores. Além disso, pode haver hiperfonese de B2 em
foco pulmonar (indicando presença de hipertensão pulmonar) e, nos casos mais graves, presença de terceira bulha, indicando sobrecarga de
volume. No caso da paciente, o sopro é diastólico e mais intenso no ápice cardíaco, sendo assim, não é compatível com diagnóstico de CIV.
São auscultados durante toda a sístole, estendendo-se para hum venoso e o sopro mamário.
a diástole. São ininterruptos e mascaram a primeira e a segunda O hum venoso ocorre em crianças, é auscultado na região
bulhas. A parte sistólica costuma ser mais intensa e rude. Por cervical e altera seu comportamento com a mudança de posição
lembrarem o ruído de uma máquina a vapor em movimento, são da cabeça. Já o sopro mamário pode estar presente em algumas
chamados de sopro em “maquinaria”. gestantes, sendo melhor audível sobre as mamas. É consequência
O mais presente na prática clínica é sopro da persistência do do hiperfluxo através da artéria mamária interna.
canal arterial. No entanto, há outras causas de sopros contínuos: o
CAI NA PROVA
(HOSPITAL ESTADUAL DO ACRE - HEA 2018) A presença de "sopro em maquinaria" à ausculta de trajeto vascular é característica de:
COMENTÁRIO:
O “sopro em maquinaria” é contínuo. Começa na sístole e continua sem interrupção até toda a diástole ou parte dela. Recebe essa
denominação pois lembra uma locomotiva à vapor. Normalmente, resulta de situações em que o sangue flui de uma área de alta pressão para
outra de baixa pressão, em que uma diferença de pressão contínua mantém esse fluxo por todas as fases do ciclo cardíaco. Suas principais
causas são: shunt aortopulmonar (persistência do canal arterial), shunt arteriovenoso (fístula de diálise), estenose de artérias periféricas,
sopro mamário e o hum venoso.
Incorreta a alternativa A: o sopro da estenose carotídea é sistólico, ejetivo, à semelhança do sopro da estenose aórtica.
Incorreta a alternativa B: a dissecção da aorta pode resultar num sopro de insuficiência aórtica, regurgitativo, diastólico.
Incorreta a alternativa C: pseudoaneurisma é uma complicação vascular que pode ocorrer após procedimentos arteriais ou venosos. Seu
sopro é sistodiastólico, mas não apresenta as características do sopro em maquinaria.
Na avaliação dos sopros cardíacos, podemos utilizar diversas manobras semiológicas que interferem na resistência vascular sistêmica
ou no retorno venoso para auxiliar na ausculta. Veja as alterações dos sopros provocadas por essas manobras na tabela a seguir.
Agachamento (cócoras)
Decúbito dorsal (deitado)
↑ Os volumes do lado direito e esquerdo do coração
Valsalva
Ficar em pé (posição ortostática)
↓ Os volumes do lado direito e esquerdo do coração
Handgrip
Vasodilatador
Tabela 8. Manobras semiológicas para os sopros cardíacos.
De maneira geral, os sopros das câmaras direitas aumentam com a inspiração (devido ao aumento do retorno venoso) e o das câmaras
esquerdas ficam mais intensos na expiração.
Vamos discutir o que acontece em cada manobra? Muita concentração para não precisar decorar.
• Agachamento (posição de cócoras): aumenta o retorno venoso devido à compressão dos vasos venosos do abdome e dos membros
inferiores. Esse sangue é deslocado para o coração, aumentando o volume e os fluxos cardíacos.
Cardiomiopatia
hipertrófica
• Decúbito dorsal (deitado): se o paciente está de pé e assume a posição deitada, o retorno venoso para o coração aumenta e,
consequentemente, seus volumes e fluxos.
• Inspiração profunda (Rivero-Carvallo): a inspiração profunda faz com que a pressão intratorácica fique negativa, o que facilita o
retorno de sangue para o lado direito do coração. Com isso, os sopros das câmaras direitas irão aumentar.
• Manobra de Valsalva: é realizada quando o paciente tampa o nariz e a boca com a mão e faz um esforço expiratório. Com isso, há
uma elevação súbita da pressão intratorácica, reduzindo o retorno venoso para o coração (direito e esquerdo). Portanto, os volumes e
os fluxos cardíacos ficam diminuídos. A manobra de Valsalva tem efeito hemodinâmico oposto ao da posição de cócoras. A maioria dos
sopros irão reduzir, com duas exceções: na cardiomiopatia hipertrófica (sopro fica mais intenso) e no prolapso da valva mitral (sopro fica
mais longo).
Reduz a intensidade da
Manobra de Valsalva
maioria dos sopros
Cardiomiopatia hipertrófica
- fica mais intenso
Apenas 2 sopros ficam
mais audíveis
Prolapso da valva
mitral - fica mais longo
Figura 29. Diferença entre ventrículo esquerdo (VE) normal e septo do VE hipertrófico.
x Agachamento
• Reduz CMH
• Aumenta EAo
Cardiomiopatia
Hipertrófica Valsalva • Aumentam CMH
e ortostatismo • Reduzem EAo
Figura 30. Respostas dos sopros da estenose aórtica e cardiomiopatia hipertrófica às principais manobras semiológicas. *CMH: cardiomiopatia
hipertrófica, EAo: estenose aórtica.
• Posição ortostática (em pé): quando o paciente está deitado e assume a posição ortostática, reduz-se o retorno venoso para o
coração, diminuindo os seus volumes e fluxos. Ou seja, o ortostatismo tem a mesma função da manobra de Valsalva, reduzindo a maioria
dos sopros, com exceção dos dois já comentados.
• Handgrip: também chamado de esforço isométrico. Acontece quando o paciente aperta alguma coisa com a mão ou a fecha com
força. Essa manobra aumenta a resistência vascular periférica (pós-carga), reduzindo a ejeção de sangue através da valva aórtica e pela
via de saída do ventrículo esquerdo. Com isso, tende a aumentar o sopro da insuficiência aórtica, da comunicação interventricular (CIV) e
da insuficiência mitral (IMi).
Figura 31. Manobra de handgrip e sua relação com sopros cardíacos. *CMH: cardiomiopatia hipertrófica, EAo: estenose aórtica; CIV: comunicação
interventricular; CIA: comunicação interatrial; IAo: insuficiência aórtica; VE: ventrículo esquerdo.; EMi: estenose mitral; IMi: insuficiência mitral.
• Vasodilatador: o fármaco mais utilizado é o nitrato de amila, que, após ser inalado, provoca hipotensão e redução dos sopros da
insuficiência aórtica, CIV e IMi. Os sopros da estenose aórtica, estenose mitral e das cavidades direitas aumentam. Seu efeito é o inverso
do handgrip, já que a vasodilatação reduz a resistência vascular sistêmica e aumenta a ejeção de sangue através da valva aórtica.
Figura 32. Nitrato de amila, outros vasodilatadores e sua relação com sopros cardíacos. *EAo: estenose aórtica; CIV: comunicação interventricular; IAo:
insuficiência aórtica; VE: ventrículo esquerdo; IMi: insuficiência mitral, CMH: cardiomiopatia hipertrófica.
CAI NA PROVA
(CASA DE CARIDADE DE ALFENAS - 2018) Uma mulher de 68 anos apresenta-se com queixa de respiração curta nos últimos meses. Portadora
de artrite reumatoide e faz uso de metotrexato. No exame clinico, o médico detecta um sopro cardíaco sistólico ejetivo. Devido à dificuldade
em auscultar, o médico pede a paciente que realize uma manobra para auxiliar. Qual a instrução mais adequada?
COMENTÁRIO:
A artrite reumatoide é a forma mais comum de poliartrite inflamatória crônica. Estudos com autópsias indicaram envolvimento frequente
das valvas cardíacas e da aorta. A vasculite granulomatosa pode resultar em uma valvulite aórtica rapidamente progressiva, com necessidade
de substituição valvar. Sabendo que podemos estar diante de uma estenose aórtica, a questão quer saber qual manobra semiológica pode
ser realizada para intensificar seu sopro.
Incorreta a alternativa A: para auxiliar na ausculta dos sopros nos focos da base (aórtico e pulmonar), o paciente deve inclinar-se para frente.
Incorreta a alternativa B: o decúbito lateral esquerdo auxilia na ausculta dos sopros da valva mitral.
o agachamento aumenta o volume de sangue para as câmaras cardíacas, intensificando os sopros do lado
Correta a alternativa C:
esquerdo. Apenas dois sopros têm sua intensidade reduzida: cardiomiopatia hipertrófica e prolapso da valva
(INSTITUTO E HOSPITAL OFTALMOLÓGICO DE ANÁPOLIS - IHOA 2019) Paciente de 18 anos com queixa de dispneia aos esforços habituais
há 6 meses e 1 episódio de síncope sem sintomas premonitórios durante esforço físico, na última semana. Ao exame físico, apresenta ritmo
cardíaco regular com sopro sistólico na borda esternal esquerda (2+/6+) que aumenta durante a manobra de Valsalva e diminui com a posição
de cócoras. A hipótese diagnóstica mais provável é:
A) comunicação interventricular
B) miocardiopatia hipertrófica
C) estenose aórtica
D) estenose pulmonar
COMENTÁRIO:
A modificação dos sopros cardíacos com as manobras semiológicas é um tema muito cobrado em prova. O foco aórtico acessório
localiza-se na borda esternal esquerda baixa. Um sopro sistólico nesse foco define alguma obstrução na via de saída do ventrículo esquerdo.
É aí que entra a importância das manobras de semiologia.
Um sopro que aumenta de intensidade com a manobra de Valsalva e diminui com a posição de cócoras ocorre na cardiomiopatia
hipertrófica. O sopro da estenose aórtica comporta-se de maneira oposta (veja na tabela a seguir):
Incorreta a alternativa A: a comunicação interventricular (CIV) é uma cardiopatia congênita que se caracteriza por uma abertura ou orifício
na parede (septo) que divide os ventrículos. A maioria dos sopros reduz de intensidade com Valsalva!! Apenas 2 sopros ficam mais audíveis:
cardiomiopatia hipertrófica (fica mais intenso) e prolapso da valva mitral (fica mais longo). O sopro da CIV fica mais audível com a manobra
de handgrip.
Correta a alternativa B: dica de prova: sempre pensar em cardiomiopatia hipertrófica em pacientes jovens com síncope cardíaca.
Incorreta a alternativa C: é um sopro sistólico rude, ejetivo, em diamante (crescendo e decrescendo), com irradiação para fúrcula e pescoço.
Sinais de gravidade são: sopro com pico tardio, desdobramento paradoxal da segunda bulha (B2) ou B2 inaudível, pulso parvus et tardus (atraso
no pico de fluxo carotídeo e com amplitude reduzida), presença de B4.
Incorreta a alternativa D: o foco pulmonar localiza-se nos 2º e 3º espaços intercostais esquerdos junto ao esterno. Possui um
sopro sistólico rude que tende a ocupar toda sístole na medida em que há progressão da estenose. Assim como a maioria dos sopros, ele
diminui de intensidade com a manobra de Valsalva.
(UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE – 2018) O médico está muito contente com sua aprovação no concurso de residência
médica e seu primeiro estágio é na enfermaria de cardiologia. Após algumas semanas, a confiança na interpretação do eletrocardiograma e na
semiologia cardíaca aumentam, mas para testar seus conhecimentos chegam os novos alunos da aula de semiologia, que estão apreensivos
com a prova que se aproxima e o professor é muito exigente. Eles tiveram dificuldade em determinar o foco e a valvopatia de um senhor que
se encontra internado com um sopro sistólico “panfocal”. Considerando o quadro clínico desse paciente, a orientação que poderá ajudar os
alunos a estabelecer o diagnóstico do tipo de valvopatia é:
A) as manobras que aumentam a resistência vascular periférica, como a preensão isométrica ou “Handgrip”, intensificam o sopro da
insuficiência mitral e diminuem o da estenose aórtica.
B) a manobra de Valsalva aumenta o sopro da estenose aórtica e diminui o da insuficiência mitral.
C) a manobra da inspiração profunda ou de Rivero-Carvallo ajuda a diferenciar o sopro da insuficiência mitral da insuficiência tricúspide,
diminuindo a intensidade do sopro na tricúspide.
D) a intensidade do sopro e da segunda bulha tem boa correlação com a gravidade da estenose aórtica, de modo que quanto maior o sopro
e mais hiperfonético é o componente aórtico da B2, maior é a gravidade da estenose.
COMENTÁRIO:
A questão procura estabelecer o diagnóstico entre vários tipos de sopros sistólicos. Quanto a isso, vários aspectos podem colaborar
para diferenciarmos os sopros, como intensidade, localização, comportamento durante manobras, características sonoras, etc.
pois a manobra de handgrip aumenta a resistência vascular periférica. Entenda isso como “aumenta a
Correta a alternativa A:
pressão na aorta”. Sendo assim, dificulta a saída do sangue pela valva aórtica, logo, diminui o sopro da
estenose aórtica (menos sangue em turbilhonamento, menos sopro). Ao dificultar a passagem do sangue pela valva aórtica, a manobra irá
aumentar o volume de sangue que retorna ao átrio esquerdo pela valva mitral (insuficiência mitral), aumentando o sopro nessa valvopatia.
Incorreta a alternativa B: pois a manobra de Valsalva aumenta a pressão intratorácica, sendo assim, diminui o retorno venoso. Quanto menos
sangue passar pela valva aórtica, menor o sopro. Portanto, essa manobra diminui o sopro na estenose aórtica.
Incorreta a alternativa C: pois a inspiração profunda (manobra Rivero-Carvallo) determina uma diminuição da pressão intratorácica e um
aumento do retorno venoso para as câmaras direitas. Sendo assim, se houver uma regurgitação tricúspide, haverá um aumento do sopro
nessa manobra. A manobra Rivero-Carvallo serve para diferenciar sopros de insuficiência mitral e tricúspide. No primeiro, o sopro diminui ou
não se modifica; no segundo, o sopro aumenta.
Incorreta a alternativa D: pois, em fases avançadas de estenose aórtica, o sopro pode diminuir, já que pouco sangue passará pela valva e o
ventrículo esquerdo começa a perder contratilidade. A B2 representa o fechamento da valva aórtica. Imagine que, quanto menos a valva abrir,
menos ruído irá produzir ao fechar-se; portanto, nos casos graves de estenose aórtica, a B2 é hipofonética ou ausente.
CAPÍTULO
O estudo detalhado das cardiopatias congênitas está no livro “Cardiopediatria e Cardiopatias congênitas”. Aqui, irei abordar as principais
cardiopatias congênitas dos adultos, com foco no exame físico cardíaco.
Na CIA, há um defeito no septo interatrial que permite uma comunicação direta entre os átrios, resultando na passagem de sangue
entre eles.
A alteração no exame físico cardiovascular
pode ser entendida por meio da fisiopatologia.
O fluxo sanguíneo entre os átrios é determinado
pelo tamanho do defeito. Como o átrio esquerdo
é uma câmara de maior pressão, a direção do
fluxo dá-se da esquerda para a direita. Com
isso, um maior volume de sangue chegará ao
AD e, consequentemente, ao VD, resultando em
sobrecarga de volume dessas câmaras. O excesso
de sangue que está no VD chegará aos pulmões,
levando a um hiperfluxo pulmonar.
Muitos pacientes permanecem
assintomáticos durante anos. O início dos sintomas
correlaciona-se com o aumento progressivo do
shunt esquerda-direita com o passar do tempo.
Na idade adulta, os pacientes com CIA grande
apresentam sintomas de cansaço aos esforços,
palpitações e, eventualmente, episódios de
tromboembolismo. Alguns pacientes podem
desenvolver hipertensão arterial pulmonar e sinais
de insuficiência cardíaca direita, secundária ao
Figura 33. Representação da comunicação interatrial. hiperfluxo pulmonar crônico.
Ao exame físico, o precórdio revela impulsões sistólicas na borda esternal esquerda por dilatação do ventrículo direito. A segunda bulha
geralmente apresenta desdobramento amplo e fixo devido ao grande volume ejetado pelo ventrículo direito, o que atrasa o componente
pulmonar.
Geralmente, ausculta-se um sopro sistólico ejetivo no foco sopro sistólico da CIA não é consequência do fluxo de sangue entre
pulmonar, secundário ao fluxo aumentado por esta valva. No foco os átrios, como é natural pensar. Isso se deve ao fato de a diferença
tricúspide, pode estar presente um sopro mesodiastólico em ruflar, de pressão entre o átrio direito e o esquerdo ser pequena; portanto,
resultante do aumento do fluxo através da valva tricúspide. não gera um sopro audível pelo estetoscópio.
Perceba que os sopros da CIA são todos consequentes Nos indivíduos que evoluem com hipertensão arterial
ao aumento do volume de sangue para as câmaras direitas, pulmonar, ocorre um aumento do componente pulmonar da
classicamente decorrente do aumento do fluxo ejetado pelo VD segunda bulha, com diminuição progressiva do sopro em foco
em direção à valva pulmonar e à artéria pulmonar. Portanto, o pulmonar.
CAI NA PROVA
(HOSPITAL MUNICIPAL JOSÉ LUCAS FILHO - HMJLF 2017) Mulher de 21 anos, assintomática, com sopro mesossistólico audível
no 2° espaço intercostal esquerdo, irradiando para a região infraescapular ipsilateral, em crescendo-decrescendo, grau II, além de
movimento paraesternal inferior esquerdo de grande amplitude, pulsação no 2°espaço intercostal esquerdo e desdobramento fixo da segunda
bulha. Considerando o caso descrito, assinale a alternativa CORRETA.
A) Esses achados são fisiológicos nessa faixa etária.
B) O sopro auscultado se deve ao hiperfluxo na valva pulmonar.
C) A primeira bulha cardíaca, geralmente, é hipofonética.
D) A estenose pulmonar congênita é a principal hipótese.
COMENTÁRIO:
Preste muita atenção quando alguma questão cita o desdobramento fixo de segunda bulha (B2). Essa alteração está diretamente
relacionada à comunicação interatrial (CIA).
Esse desdobramento ocorre por um atraso no fechamento da valva pulmonar e é denominado fixo porque não se altera com a
respiração.
De forma isolada, a CIV é a cardiopatia congênita mais comum, correspondendo a aproximadamente 20% de todas as cardiopatias
congênitas. Decorre de um defeito no septo interventricular que permite a passagem de sangue do ventrículo esquerdo (câmara de maior
pressão) para o ventrículo direito (de menor pressão).
O quadro clínico e as alterações no exame físico dependem do grau de repercussão do defeito. Se pequeno, os pacientes são
assintomáticos e apresentam um precórdio calmo ao exame físico. Frêmito sistólico pode estar presente em bordo esternal esquerdo baixo,
com sopro holossistólico e B2 normofonética em foco pulmonar.
Defeitos moderados resultam em sintomas discretos a moderados de insuficiência cardíaca. O exame físico revela impulsões sistólicas
na região paraesternal, sopro holossistólico, podendo estar presente a B3 e um sopro diastólico mitral secundário ao hiperfluxo imposto à
valva mitral pelo retorno de sangue excessivo através das veias pulmonares.
Já os pacientes com defeitos grandes evoluem com quadro de insuficiência cardíaca franca. Nesses indivíduos, o precórdio apresenta-
se com deformidade (abaulamento precordial) e hiperdinâmico. O sopro pode ser holossistólico e a B2 hiperfonética.
Se o defeito não for corrigido, o paciente pode desenvolver hipertensão arterial pulmonar importante. Quando a resistência vascular
pulmonar exceder a sistêmica, o shunt inverte-se e passa a ocorrer da direita para esquerda, com aparecimento de cianose. Essa situação é
denominada síndrome de Eisenmenger.
O canal arterial é uma estrutura tubular arterial que conecta a aorta e a artéria pulmonar, importante na circulação fetal, pois desvia o
fluxo do VD para a circulação sistêmica.
O fluxo da aorta para a artéria pulmonar ocorre tanto na sístole quanto na diástole, o que é representado na ausculta cardíaca por um
sopro contínuo, “em maquinaria”, audível na região infraclavicular esquerda.
No exame físico, pode estar presente o aumento de amplitude dos pulsos, com precórdio hiperdinâmico e o clássico sopro “em
maquinaria”. Em indivíduos com hipertensão pulmonar severa, pode ser observada cianose diferencial, presente nos membros inferiores e
ausente ou discreta nos membros superiores. Isso acontece pois parte do sangue do ventrículo direito que chega à artéria pulmonar é desviado
pelo canal arterial para a aorta descendente, abaixo da artéria subclávia esquerda, causando cianose e, frequentemente, baqueteamento
digital nas extremidades inferiores.
É uma alteração congênita que leva a um estreitamento na região da aorta descendente no local de inserção do canal arterial, logo
abaixo da artéria subclávia esquerda. Em alguns casos, pode haver estreitamento do arco aórtico.
CAI NA PROVA
(SANTA GENOVEVA COMPLEXO HOSPITALAR - SGCH 2017) Na coarctação da aorta, temos hipertensão arterial:
COMENTÁRIO:
Coarctação da aorta é uma doença congênita caracterizada pela constrição da aorta no início de sua porção descendente (próxima
ao canal arterial). A suspeita clínica baseia-se em sintomas (epistaxe, cefaleia, manifestações de insuficiência cardíaca, fraqueza nas
pernas aos esforços) e no exame físico (pulsos femorais ausentes ou diminuídos, pressão arterial diminuída em membros inferiores,
sopro sistólico interescapular no tórax).
Incorreta a alternativa A: como a coarctação ocorre após a emergência das artérias do arco aórtico (tronco braquicefálico, artéria carótida
comum esquerda e artéria subclávia esquerda), os pulsos e a pressão arterial estarão diminuídos nos membros inferiores e elevados nos
superiores.
Incorretas as alternativas B e C: a coartação da aorta é uma cardiopatia congênita acianótica.
a pressão arterial está mais elevada nos membros superiores, já que a constrição ocorre na porção
Correta a alternativa D:
descendente do arco aórtico, quando as artérias do arco aórtico já foram emitidas. Sendo assim, a PA dos
membros inferiores estará reduzida.
É uma arteriopatia significativa, com evolução progressiva e sobrevida média de 2,8 anos se não tratada. A HAP, especialmente a
síndrome de Eisenmenger, tem impacto significativo na qualidade de vida e na sobrevida dos pacientes.
A manifestação clínica mais observada é a dispneia progressiva aos esforços. Nos casos mais graves, podem ocorrer síncope, angina
pectoris (por isquemia do VD), hemoptise e sinais de insuficiência cardíaca direita: edema de membros inferiores, estase jugular, hepatomegalia,
terceira bulha (B3), refluxo hepatojugular e ascite.
Os achados na ausculta cardíaca estão relacionados às principais causas: CIV, CIA e PCA.
[Link]
CAPÍTULO
CAPÍTULO
“Você não tem que ser grande para começar, mas tem que começar para ser grande.”
Zig Ziglar – escritor americano
Cordial abraço,
Prof. Paulo Dalto.