0% acharam este documento útil (0 voto)
5 visualizações8 páginas

Modelos Assistenciais em Saúde: História e Impactos

Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
5 visualizações8 páginas

Modelos Assistenciais em Saúde: História e Impactos

Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM SERVIÇO SOCIAL E SAÚDE (CESSS) – MODALIDADE RESIDÊNCIA

DISCIPLINA: PARADIGMA E MODELOS ASSISTENCIAIS EM SAÚDE


DOCENTE: ROSIMARY GONÇALVES DE SOUZA
DISCENTE: MARCELA LANES DE SOUZA

FICHAMENTO

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
SILVA, Aluísio. O Modelo Hegemônico de prestação dos serviços em saúde e suas reformas (capítulo 1) In: MODELOS TECNOASSISTENCIAIS
EM SAÚDE: O Debate no Campo da Saúde Coletiva, São Paulo: HUCITEC, 1998.

N° DA
PÁGINA CITAÇÃO DIRETA TEMA DA CITAÇÃO CITAÇÃO INDIRETA E
COMENTÁRIOS
PG.34 Inicialmente, nos primeiros parágrafos, o
“A Inglaterra, com sua tradição política liberal, I.1- ANTECEDENTES
autor traz um resgate histórico, destacando a
historicamente, relegou as questões de saúde pública HISTÓRICOS segunda metade do século XIX como um
ao âmbito da Lei dos Pobres, atribuindo aos poderes período em que a Europa, a partir do
locais responsabilidades na assistência aos crescimento da industrialização, arrocho dos
indigentes.” operários e de movimentos socialistas e
ocorrências de epidemias com a migração
do campo para a cidade, sendo desfavorável
a qualidade de vida e saúde da população,
viu-se a necessidade de um Estado para
atender a essas questões.
PG. 34 “Os clamores das populações mais atingidas e o Pressão para ações em saúde na Na Inglaterra, a saúde baseava-se em ações
surgimento de movimentos como das comissões de Inglaterra. de cunho privado, de forma atender as
saúde das cidades, de médicos sanitaristas e outros mínimas condições de vida da população, e
pressionaram por uma maior coordenação por parte esta conseguir manter suas condições de
do poder central sobre as ações desenvolvidas pelos sobrevivência de acordo com o mercado.
poderes locais. O ato da Saúde Pública, em 1875, Ainda segundo o autor, a partir de 1834,
iniciou a organização, em escala nacional da houve uma defesa de meios preventivos a
administração sanitária inglesa.” respeito das condições precárias de vida e
saúde dos indivíduos, trazendo a
responsabilização do Estado nesse contexto
a partir de movimentos sanitaristas e de
médicos, como se pode também citar o ato
da Saúde Pública, em 1875.
PG. 35 “No final do século XIX e nas primeiras três décadas A crise política Européia e suas Todo fluxo migratório ocorrido na Europa
do século XX, as turbulências políticas na Europa, consequências. no final do século XIX e nas primeiras
promoveram um intenso fluxo migratório para os décadas do século XX, trouxeram grandes
EUA criando problemas urbanos sentidos, epidemias, desfavorecendo também a
principalmente, nas cidades portuárias como Nova economia e possibilitando organizações no
Iorque e Boston.” âmbito local e estadual das ações de saúde
pública, com alguns estados e municípios
promovendo ações no âmbito publico,
portanto, prevalecendo como já é de se
imaginar, as iniciativas de associações
privadas.
“Na França, as necessidades de incremento Ampliação da atenção do Estado às A busca por um aumento na população visava
PG. 35 populacional para aumentar a massa de trabalhadores questões de saúde aos trabalhadores ampliar a disponibilidade de mão de obra,
disponíveis, aumentar a produtividade na indústria e na França. impulsionar a eficiência na indústria e regular o
controlar as populações que se urbanizavam na busca crescimento das áreas urbanas onde os
de trabalho nas fábricas, geraram uma política de trabalhadores migravam em busca de emprego
nas fábricas. Essa necessidade deu origem a
assistência, baseada no poder local. A atenção médica
uma política de assistência administrada
aos trabalhadores enfermos, às gestantes e crianças, e principalmente pelas autoridades locais,
o saneamento das cidades eram as ações principais.” destacando-se a prestação de cuidados médicos
aos trabalhadores doentes, gestantes e crianças,
assim como a implementação de medidas de
saneamento nas cidades.
“Na Alemanha, as idéias liberais francesas e os Influencia das ideias liberais O autor aponta o sugimento de uma corrente
PG.36 estudos ingleses e franceses sobre a relação entre a francesas aos médicos alemães. médico-política alemã, que se preocupava
industrialização e condições de vida e saúde das com a relação entre o processo de
populações, vieram a influenciar uma corrente de industrialização e as consequências para a
médicos alemães, liderados por Vichow, Neumann e saúde da população trabalhadora. Tal
Leubuscher.” corrente sustenta a ideia de Saúde Pública
como promotora do desenvolvimento
saudável dos cidadãos, enfatizando a
prevenção dos riscos à saúde e o controle
das doenças. Tinham como principal
bandeira política da saúde como direito do
cidadão e dever do Estado, inclusive
intervindo nas liberdades individuais dos
sujeitos.
“Nas primeiras décadas do século XX aceleraram-se Mudanças na economia Tal fato acelerou o processo de migração às
PG.36
importantes mudanças na economia industrializada.” industrializada e suas consequências. cidades, acentuando seus desdobramentos.

“A crise do capitalismo dos anos 30 reforça a posição Crise do capitalismo e seus Segmentos políticos que reclamam a
PG. 36 de segmentos políticos que defendem a intervenção desdobramentos. intervenção do Estado.
do Estado na economia (...)”.

“As pressões dos partidos e das massas de Pressão para maior interveção do Evidência do surgimento de movimentos
PG.37 trabalhadores urbanas, através de sindicatos, Estado. sociais que reclamava a execução de ações
colocaram na agenda política a necessidade do no campo do bem-estar social.
desenvolvimento de ações no campo do bem estar
social. A organização dos Sistemas Nacionais de
Saúde foi gestada nesta conjuntura. Põe-se em
evidência as formas de organizar e prestar serviços de
saúde às populações.”
“O modelo hegemônico, de prestação de serviços em I.2- A GÊNESE DO MODELO Autor apresenta a mudança no modo de
PG. 37 saúde, no mundo ocidental, tem sua gênese nos HEGEMÔNICO: a Medicina entender a doença.
séculos XVIII e XIX, com as contribuições de Científica.
Pasteur, Koch e outros no campo da biologia e da
microbiologia. A descoberta de microorganismos e
sua associação a doenças veio contrapor-se à teoria
miasmática e, à corrente da determinação social das
doenças, liderada por Virchow e Neuman, na
Alemanha no início do século XIX.”
“(...) os hospitais, até o século XVIII considerados Avanço da Mecidina Científica. Na passagem do século XIX para o século
PG. 37 morredouros, se tornaram locais de trabalho da XX, a medicina cientifica se fazia presente
chamada Medicina Científica”. “(...) os avanços na nos hospitais, aumentando indústrias de
Medicina Científica proporcionaram o aumento da equipamentos médicos, de medicamentos,
indústria de equipamentos médicos, de medicamentos ensino e pesquisa.
e, do ensino e da pesquisa médicos.”
“Tomamos como marco da Medicina Científica o Marco da Medicina Científica. A medicina cientifica foi marcada pelo
PG. 37 Relatório Flexner, de 1910.” Relatório Flexner, em 1910 que propunha
uma avaliação da educação médica.
PG. 38 “A concepção da Medicina Científica determinou I.3- A Estruturação da Medicina A partir da estrututação da concepção de
uma mudança na prática médica; um conjunto de Científica. Medicina científica, houve uma mudança na
elementos estruturais complementares, sinérgicos prática médica.
entre si, passam a redirecionar essa prática (...).”
PG. 38 “(...) Esses elementos estruturais são: a) O Primeiro elemento estrutural. Neste elemento o corpo é visto como uma
MECANICISMO: o corpo humano é visto como uma máquina, e conhecendo o processo da
máquina, elemento essencial do modo de produção doença, é possivel intervi-la.
dominante. (...)”.
“(...) b) BIOLOGISMO: originado nos avanços da Segundo elemento estrutural. Segundo o autor, nesse elemento estrural da
PG.38 microbiologia, a partir do século XIX, pressupõe o Medicina Científica, não leva-se em
reconhecimento, exclusivo e crescente, da natureza consideração a história social da doença, ou
biológica das doenças e de suas causas e seja, seus determinantes sociais.
conseqüências; os determinantes econômicos e
sociais são excluídos da causação. Cria-se uma
concepção de história “natural” da doença, excluindo-
se sua história social.”
“(...) c) INDIVIDUALISMO: a Medicina Científica Terceiro elemento estrutural. Tendo como estratégia a alienação de sua
PG. 39 elegeu o indivíduo como seu objeto, alienando-o de vida social, a medicina científica centralizou
sua vida e dos aspectos sociais, foi possível assim, o indivíduo como o principal responsável
responsabilizá-lo por sua doença, vista como um por seu adoencimento.
fenômeno restrito a suas práticas individuais.”
PG. 39 “(...) d) ESPECIALIZAÇÃO: o mecanicismo induziu Quarto elemento estrutural. Tendo como interesse a apliação do capital,
o aprofundamento do conhecimento científico na surgiu a necessidade de fragmentação do
direção de partes específicas. A especialização já processo de produção, inserindo o processo
existia na medicina anterior à científica; as de especialização.
necessidades de acumulação do capital, no entanto,
exigiram a fragmentação do processo de produção e
do produtor pela divisão do trabalho, incrementando-
se o processo de especialização.”
PG. 39
“(...) e) EXCLUSÃO DAS PRÁTICAS Quinto elemento estrutural. Imposição da Medicina Científica sob as
ALTERNATIVAS: a Medicina Científica se impôs demais práticas, como única prática que,
sobre as outras práticas médicas, acadêmicas e “comprovadamente”, seria a única eficaz.
populares, construindo-se um mito da eficácia,
“cientificamente comprovada”, de suas práticas,
anulando-se ou se restringindo as outras alternativas,
tidas como “ineficazes”.”
PG. 39 “(...) f) TECNIFICAÇÃO DO ATO MÉDICO: o Sexto elemento estrututal. Desenvolvimento da engenharia biomédica,
advento da concepção flexneriana, na medicina, onde se deu o incremento de novas
estruturou uma nova forma de mediação entre o tecnologias para o diagnóstico da doença,
homem e as doenças, a tecnificação do ato médico.” inclusive a indústria farmacêutica que
produz medicamentos sem de fato terem
efeitos terapêuticos, mas amplamente
consumidos. Tudo isso ligado ao mercado.
PG. 40 “(...) g) ÊNFASE NA MEDICINA CURATIVA: ao Sétimo elemento estrutural.
prestigiar o processo fisiopatológico como base do
conhecimento para o diagnóstico e a terapêutica,
objetivou-se as doenças em “lesões” e o critério de
cura na “”remissão de lesões” dando à prática médica
um caráter eminentemente curativo, nestes termos.”
PG. 40 “h) CONCENTRAÇÃO DE RECURSOS: a Oitavo elemento estrutural. A centralidade da prática da Medicina
necessidade de um aparato tecnológico e o suporte de Científica em determinados espaços, como a
especialistas passou a concentrar a Medicina instituição de hospitais. Tal feito fez com
Científica em determinados espaços físicos. A que a população se deslocasse aos centros
instituição dos hospitais, como centros de diagnóstico urbanos.
e tratamento, abrigou essas práticas.”
PG. 40 “Essa medicina se incorporou ao desenvolvimento do Medicina Científica a favor do O autor coloca um importante apontamento,
sistema capitalista monopolista, exercendo um papel capitalismo. quando traz o fato da incorporação da
importante na reprodução de força de trabalho, no prática médica, legitimando o sistema
aumento da produtividade e na reprodução da capitalista, no sentido de normatizar a
ideologia capitalista, legitimando-a.” sociedade, medicalizando seus problemas
sociais.
PG. 41 “A ineficiência da Medicina Científica se faz sentir I.4- A Crise da Medicina Científica Medicina Científica tinha um investimento
nos crescentes investimentos necessários ao seu muito alto, além disso, mostrou-se incapaz
desenvolvimento, com uma contrapartida decrescente de resolver as questões de saúde da
de resultados.” sociedade. O autor ainda aponta o
incremento da tecnologia sendo a
justificativa para o aumento dos custos.
PG. 43 “A Medicina Científica se articula no processo de Medicina científica voltada para o Nesta citação, o autor traz novamente a
industrialização da sociedade e passa a ser conduzida mercado. articulação da Medicina Científica aos
para os interesses de um mercado lucrativo nem interesses do mercado, como campo
sempre voltado para os interesses da maioria da lucrativo de interesses do capital. Aponta
população em termos de proteção de suas vidas, também, que por ter altos investimentos
promoção e recuperação de suas saúdes.” tecnologias, acaba por não se tonar
universal, impedindo o acesso àquela
população que mais necessita, gerando
profundas iniquidades.
PG. 43 “(...) há três teorias principais que tentam explicar e I.5- As Teorias Explicativas da Crise De acordo com a citação, o autor apresenta
propor soluções para a crise da Medicina Científica: primeiramente que a base da Teoria
a) teoria gerencialista; (...).” Gerencialista reside na convicção
amplamente difundida de que os desafios do
subdesenvolvimento derivam de uma
competência gerencial insuficiente,
atribuindo a crise unicamente a questões
internas; sob essa perspectiva, os sistemas
de saúde são considerados irracionais e
contribuem para a ineficácia, ineficiência e
disparidade.
PG. 43 “(...) b) teoria cultural; (...)” As Teorias Explicativas da Crise Já a Teoria Culturalista se baseia na
convicção de que a ideologia do
industrialismo e sua essência influenciam a
estruturação da sociedade. A abordagem
culturalista propõe reverter o curso da
industrialização e desenvolver uma
abordagem de saúde alternativa, centrada na
desprofissionalização, na redução da
burocracia e no fortalecimento da
autonomia individual para o autocuidado em
saúde.
PG. 43 “(...) c) teoria política (...)” As Teorias Explicativas da Crise A Teoria Política busca elucidar a crise da
Medicina Científica de uma ótica estrutural,
considerando-a como resultado e reflexo de
uma crise mais abrangente, a crise de
legitimidade e acumulação de capital do
sistema capitalista. A partir da década de 60,
essa crise se manifesta nos países centrais e
impacta as economias periféricas.
PG. 45
“As pressões dos segmentos da sociedade também Importância da participação social. As demandas dos diversos setores da sociedade também
destacam a importância de aumentar o envolvimento do
reforçam a necessidade de expansão da participação Estado nos gastos para legitimar ações, agindo de forma
estatal nas despesas de legitimação, assim agindo, coordenada para lidar com a crise da medicina. O autor
sinergicamente, sobre a crise da medicina.” finaliza analisando o fato de que combater doenças não
significa apenas enfrentar serviços de saúde ineficazes,
mas também fazer parte de uma luta mais ampla pelos
direitos sociais da população, entre outras batalhas.

Você também pode gostar