Prólogo
No Vale das Nuvens Vermelhas, um manto de fumaça e
destruição cobre a cidade O lugar, antes vibrante, agora se assemelha a um campo
de batalha, com edifícios em ruínas e o som incessante de gritos e aço se chocando.
Chamas dançam pelas ruas, iluminando o caos. No pico mais alto da montanha,
figuras envoltas em luz e sombras lutam ferozmente. Cultivadores de
todas as seitas estão ali, movidos por um objetivo em comum: matar
aquele que, em sua busca por poder, trouxe desgraça ao mundo.
No centro de tudo, Lì Zhàn está parado, com olhos cheios de
uma energia quase incompreensível, segurando a Pedra Yin Yang que
pulsa em suas mãos como um coração vivo. De frente para ele, Wú
Wànjī, desgastado e ferido, tenta alcançar o amigo que uma vez
conheceu.
Wànjī: "Você não precisa fazer isso! Lì Zhàn, você me prometeu que,
se perdesse o controle, você pararia."
Li zhan disse com a voz gélida, mas com uma sombra de dor "E eu
disse para você que promessas são apenas palavras faladas da boca
para fora." Wànjī dá um passo à frente, ignorando o perigo. A chuva
começa a cair, misturando-se com o sangue no chão.
Wànjī: "Eu acreditei em você. Sempre acreditei. Mesmo agora, sei que
você ainda está aí, em algum lugar!"
“Então você é mais ingênuo do que eu pensei. O que resta de mim
não pode ser salvo, Wànjī. E você deveria saber disso."
O vento sopra ferozmente ao redor deles, carregando palavras
não ditas e memórias enterradas. Wànjī hesita por um momento, mas
aperta os punhos, determinado.
"Chega de papo furado, alteza! Vamos lutar, vou mostrar para você
que está errado, mesmo que isso me destrua junto com você."
Lì Zhàn sorri, mas há tristeza em seu olhar. Ele ergue a mão com a
Pedra Yin Yang brilhando intensamente, enquanto o campo ao redor
parece tremer.
Lì Zhàn: "Então venha, Wànjī. Vamos ver até onde a sua
determinação pode te levar."
Capítulo um
Tempos passados
“A chuva sempre me pareceu uma maldição,” pensou Lì Zhàn,
enquanto gotas escorriam por seu rosto. Era como se o céu
compartilhasse sua melancolia, um espelho de seus pensamentos
sombrios. Mas então, a lembrança o atravessou como um raio de luz:
ele e Wànjī, rindo em meio a uma tempestade no Refúgio da Chuva.
Eles eram jovens, despreocupados, e, por um breve momento,
parecia que nada mais importava além do barulho das gotas ao redor
deles.
Doze anos antes, o Refúgio da Chuva pulsava com vida. O
Festival de Bênçãos e Gratidão enchia o ar com música, cheiros de
comida fresca e o riso de crianças correndo entre lanternas coloridas.
Realizado apenas uma vez a cada dez anos, atraía cultivadores,
mortais e curiosos de todas as partes do mundo. No entanto, naquele
ano, algo incomum estava prestes a acontecer.
“Wùjī! Quantas vezes já disse que é proibido beber aqui? Pare
de dar dor de cabeça aos mais velhos!” A voz cortante de Wú Zǐyú
fez-se ouvir enquanto ela cruzava os braços, tentando impor
autoridade apesar de sua baixa estatura.
Wànjī, sentado em um muro alto, riu ao descer com uma garrafa
de licor na mão. “É Wànjī, irmãzinha! Todos me chamam assim. Ou, se
preferir, Senhor Confusão. E lembre-se, Zǐzi, o Refúgio da Chuva não é
só seu!” Ele estendeu a garrafa para ela, mas a menina apenas o
encarou com desdém, o que o fez gargalhar ainda mais.
Zǐyú revirou os olhos. “Você devia mostrar mais respeito.
Especialmente hoje. O príncipe está vindo para o festival...” Sua voz
foi diminuindo ao perceber que Wànjī já não estava ao seu lado. Olhou
adiante e viu que ele corria para fora do refúgio, atravessando a
multidão.
“Eu não entendo esse garoto...” murmurou para si mesma antes
de seguir seu próprio caminho. Pouco depois, parou abruptamente. A
resposta para a fuga repentina de Wànjī estava à sua frente. Ela
inclinou a cabeça, fez uma breve reverência ao mestre e se afastou
com pressa, deixando o local o mais rápido possível.
Wu Wanji corre em direção ao portão de energia, mas o portal estava
fechado e proibiram a abertura dele antes da entrada do príncipe,
então Wanji ansioso para fugir, joga a garrafa de licor pelo muro e
pula.
Mais tarde no Salão do Silêncio, sempre tão respeitoso e quieto, foi
tomado por murmúrios quando um dos cultivadores, Zhāo Yún,
exclamou, surpreso:
“O quê? O filho do rei está aqui?”
Os olhares repreensivos não tardaram, e uma senhora presente logo o
advertiu: “Zhāo Yún, controle-se. Todos, saiam para receber o
príncipe.”
Os cultivadores começaram a deixar o salão, cada um se
posicionando com calma nas colunas que circundavam o pátio. Os
murmúrios agora eram abafados, mas o ar estava carregado de
curiosidade.
“E o Wú Wànjī? Não o vejo desde manha” Ziyu, com expressão
impaciente, sussurrou para Zhāo yun
“Não me pergunte. Nem ideia do paradeiro dele”, respondeu,
encolhendo os ombros.
Ela estreitou os olhos, um pouco irritada, mas ficou ao lado dele,
aguardando. Logo, a figura do príncipe surgiu pelo portão de energia,
acompanhado por dois guardas do clã Wú. Sua fita amarela
destacava-se contra os cabelos, e as vestes brancas da realeza
chamavam a atenção entre os demais. O tilintar do talismã que ele
carregava ecoava suavemente, somando ao ar cerimonial da
recepção.
Ele se aproximou, fazendo uma saudação discreta e agradecendo
com gentileza: “Agradeço a todos pela recepção.”
Quando tudo parecia tranquilo, um homem correu pelo portão,
tentando atravessar antes que ele se fechasse, mas tropeçou numa
pedra e perdeu o equilíbrio. Antes que pudesse se recuperar, acabou
caindo bem em cima do príncipe.
Um murmúrio de surpresa e alguns risos contidos escaparam da
multidão. Os presentes se entreolharam, um pouco desconcertados,
sem saber se ajudavam o desajeitado ou apenas observavam a cena
inusitada.
Enquanto os guardas se apressavam para ajudar o príncipe a se
levantar, o silêncio foi rompido por uma risada inconfundível. Era Wú
Wànjī, ainda estirado no chão, segurando a barriga de tanto rir. “Ah,
foi mal aí, Vossa Alteza,” disse ele, tentando se recompor, mas com
um sorriso brincalhão que não conseguia disfarçar.
O príncipe, claramente incomodado mas tentando manter a
compostura, ergueu-se com a ajuda dos guardas. Ele olhou para
Wànjī, sua expressão era um misto de surpresa e irritação, mas,
acima de tudo, curiosidade. “E quem seria você?” perguntou ele,
ajeitando sua fita amarela e tirando um pouco de poeira das vestes.
“Eu? Ah, só um cultivador qualquer tentando não perder a festa,”
respondeu Wànjī, levantando-se e ajeitando suas roupas
desalinhadas. Ele fez uma saudação casual, sem nenhuma reverência
que se esperava. Antes que o príncipe pudesse responder, Zǐyú
apareceu, empurrando a multidão de curiosos para chegar até Wànjī.
“VOCÊ!” gritou ela, com as bochechas coradas de raiva e vergonha.
“Você não consegue passar um dia sem causar problemas,
consegue?”
Wànjī apenas deu de ombros. “Relaxa, irmãzinha. Não foi nada
demais.”
Zǐyú virou-se para o príncipe, curvando-se profundamente. “Perdoe a
grosseria, Vossa Alteza. Ele... ele é um burro que não olha por onde
anda.”
O príncipe, agora mais tranquilo, acenou com a mão, sinalizando que
não havia problema. “Não se preocupe,” disse ele, com um leve
sorriso. “Afinal, não é todo dia que somos literalmente derrubados por
um cultivador tão... peculiar.”
Os murmúrios voltaram, dessa vez com tons de diversão. Wú Wànjī,
por sua vez, parecia encantado com a situação. Ele olhou diretamente
para Lì Zhàn, que o observava com uma expressão indecifrável, e fez
uma pequena reverência exagerada, como se estivesse diante de um
amigo e não do príncipe.
“Bem, já que estamos nos conhecendo assim, de maneira tão...
única,” começou Wànjī, “qual é o seu nome, Alteza? Ou prefere que
eu te chame de Senhor Elegância Real?”
A multidão conteve risos, e Zǐyú cobriu o rosto, claramente
mortificada.
Lì Zhàn arqueou uma sobrancelha, mas, para a surpresa de todos, um
leve sorriso escapou de seus lábios. “Lì Zhàn,” respondeu ele
calmamente. “Mas, se preferir, Senhor Elegância Real também
serve.”
A resposta causou uma onda de risos discretos entre os cultivadores,
e Wànjī abriu um sorriso largo. “Gostei de você, Alteza.” Respondeu
com sarcasmo
O incidente deixou a recepção do príncipe mais descontraída,
por mais que Lí Zhan estivesse nervoso, ninguém notaria, pois os
olhares estavam todos em Wu Wanji, que estava dando gargalhadas
enquanto Ziyu batia nele e se desculpava com o príncipe. O príncipe
parecia perdido, e um pouco desconfortável com a multidão, os
guardas perceberam e acompanharam o príncipe ao quarto dele.
O festival iria acontecer na noite da mudança de estação