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Ações de Enfermagem na Malária Renal

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REPUBLICA DE ANGOLA

GOVERNO PROVINCIAL DO UÍGE

GABINETE PROVINCIAL DE EDUCAÇÃO DO UÍGE

INSTITUTO TÉCNICO PRIVADO DE SAÚDE MANDOGEX –UÍGE

PROVA DE APTIDÃO PROFISSIONAL

Apresentada para obtenção do grau Técnico Médio de Enfermagem


Geral

ACÇÕES DE ENFERMAGEM PRESTADO AO PACIENTE COM


DIAGNÓSTICO DE MALÁRIA COMPLICADA POR DISFUNÇÃO RENAL
ASSISTIDO NA SECÇÃO DE MEDICINA DO HOSPITAL MUNICIPAL DE
NEGAGE NO IIIº TRIMESTRE DE 2024.

ELABORANDO POR:

YOLANDA JOÃO FILIPE

UÍGE /2024
INSTITUTO TÉCNICO PRIVADO DE SAÚDE MANDOGEX –UÍGE

PROVA DE APTIDÃO PROFISSIONAL

ACÇÕES DE ENFERMAGEM PRESTADO AO PACIENTE COM


DIAGNÓSTICO DE MALÁRIA COMPLICADA POR DISFUNÇÃO RENAL
ASSISTIDO NA SECÇÃO DE MEDICINA DO HOSPITAL MUNICIPAL DE
NEGAGE NO IIIº TRIMESTRE DE 2024.

AUTORA: Yolanda João Filipe

ORIENTAÇÃO CIENTÍFICA:
_____________________________

Dr. LUKUBO WUTAWAKO.

UÍGE / 2024
FICHA DE CATALOGAÇÃO

Yolanda João Filipe

Acções de enfermagem prestado ao paciente com diagnóstico de Malária complicada por


disfunção renal assistido na Secção de Medicina do Hospital Municipal de Negage no IIIº
Trimestre de 2024.

Orientador: Prof. Lukubo Wutawako. Trabalho de Fim de Curso – Instituto Técnico


Privado de Saúde Mandogex do Uíge, Enfermagem Geral.

1. Acções de enfermagem. 2. Malária complicada.


FOLHA DE APROVAÇÃO

O trabalho intitulado “Acções de enfermagem prestado ao paciente com diagnóstico de


Malária complicada por disfunção renal assistido na Secção de Medicina do Hospital
Municipal de Negage no IIIº Trimestre de 2024”, de autoria de Yolanda João Filipe, foi
examinado e avaliado pela banca avaliadora, sendo considerado APROVADO no Curso de
Enfermagem Geral.

BANCA EXAMINADORA

Aprovado em: ____/_____/_____

_________________________________________________________________

O Presidente da Banca Examinadora

_________________________________________________________________

(Orientador da Monografia)

Prof. Lukubo Wutawako

_________________________________________________________________

Coordenador (a) do Curso

Prof. Teca João Kamauacana

UÍGE 2024
ÍNDICE

DEDICATÓRIA....................................................................................................................I

EPÍGRAFE...........................................................................................................................II

AGRADECIMENTOS.......................................................................................................III

RESUMO............................................................................................................................IV

ABSTRACT.........................................................................................................................V

ABREVIATURAS, SIGLAS E SEUS SIGNIFICADOS..................................................VI

SUMÁRIO.........................................................................................................................VII

INTRODUÇÃO....................................................................................................................8

Breves considerações............................................................................................................8

TIPO DE PESQUISA E DELIMITAÇÃO DO TEMA........................................................9

PROBLEMA CIENTÍFICO..................................................................................................9

JUSTIFICATIVA E IMPORTÂNCIA DO TEMA..............................................................9

OBJECTIVOS DO TRABALHO.......................................................................................10

Geral....................................................................................................................................10

Específicos..........................................................................................................................10

HIPOTESES.......................................................................................................................10

CAPÍTULO I-FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA..............................................................11

1.1. Definição de termos e conceitos.............................................................................11

1.2. HISTORIAL DA MALÁRIA.................................................................................11

1.3. FISIOPATOLOGIA...............................................................................................12

1.5. SINAIS E SINTOMAS DE MALÁRIA................................................................13

1.6. FACTORES DE RISCO.........................................................................................14

1.7. EPIDEMIOLOGIA.................................................................................................14

1.8. MODO E/OU FORMAS DE TRANSMISSÃO.....................................................15

1.9. DIAGNÓSTICO.....................................................................................................15

1.10. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL..........................................................................16


1.11. TRATAMENTO.....................................................................................................16

1.12. COMPLICAÇÕES.................................................................................................19

1.13. CUIDADOS DE ENFERMAGEM........................................................................20

1.14. MEDIDAS DE PREVENÇÃO E CONTROLO....................................................21

1.15. MEDIDAS DE PROTECÇÃO CONTRA A PICADA DO MOSQUITO.............21

1.16. EDUCAÇÃO PARA SAÚDE................................................................................21

CAPÍTULO II-ESTUDO DE CASO..................................................................................23

2.1. Identificação do paciente.............................................................................................23

2.2. Sinais e Sintomas.........................................................................................................23

2.3. Queixas principais........................................................................................................23

2.4. Tratamento inicial........................................................................................................23

2.5. História da doença........................................................................................................24

2.7. Exame físico.................................................................................................................24

2.8. Exames completares.....................................................................................................24

2.9. Diagnóstico..................................................................................................................25

2.10. Tratamento.................................................................................................................25

2.11. Complicações.............................................................................................................25

2.12. Intervenção de enfermagem.......................................................................................25

2.13. Evolução clínica.........................................................................................................25

2.14. Educação para saúde..................................................................................................25

 CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................................26

 SUGESTÕES..........................................................................................................27

 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 GLOSSÁRIO

 ANEXOS
DEDICATÓRIA

Dedico o presente trabalho aos meus pais por todo o carinho e paciência merecida durante a
minha formação.

I
EPÍGRAFE

“A vida pode ser compreendida, olhando-

se para trás, mais só pode ser vivida,

olhando-se para frente”

(Darwen)

II
AGRADECIMENTOS

À Deus, que na Sua Bondade infinita me sustentou durante momentos difíceis, e a cada passo
me guiou para um caminho de forma que possa exercer minha verdadeira vocação e o servir e
exaltar em todos os momentos de minha vida.

Á Direcção do Instituto Técnico de Saúde Mandogex, pela organização e educação que me


concederam durante a minha estadia nesta casa de saber científico.

Deixo expresso o meu agradecimento ao meu orientador, Professor “Lukubo Wutawako” pela
paciência, orientação e disponibilidade demonstradas durante toda a elaboração deste
trabalho.

Aos meus familiares que sempre rezaram por mim e se preocuparam com minha volta para
casa, pelo amor e apoio de sempre.

Aos meus amigos e companheiros, que partilharam comigo os bons e maus momentos, quer
ao longo da elaboração deste trabalho, quer ao longo do meu percurso académico, pois sem
eles tudo teria sido mais difícil.

Seria ingrata se não estendesse os votos de agradecimento a Direcção do Hospital Municipal


de Negage pela belíssima forma que fui recebida nos referidos serviços da mesma instituição.

III
RESUMO

Trata-se de uma Prova de Aptidão Profissional (APP), realizado pela Estudante Finalista do
ITPSM, com vista “Analisar as acções de enfermagem prestado ao paciente com diagnóstico
de Malária complicada por disfunção renal assistido na Secção de Medicina do Hospital
Municipal de Negage no IIIº Trimestre de 2024”, a pesquisa foi realizada através de um
estudo Discritivo observacional transversal “ O mesmo consta de uma introdução, problema
de pesquisa, justificativa e importância do tema, objectivos, hipóteses, desenvolvido em dois
capítulos (fundamentação teórica e estudo de caso), incluindo as considerações finais,
referências bibliográficas e demais elementos pós-textuais.
A malária complicada é uma forma de apresentação de alto risco, provocada geralmente pela
infecção por plasmódio falciparum, embora também possa ser provocada por plasmódios
vivax e knowlesi. Pode cursar com disfunção multiorgânica sendo por isso uma emergência
médica, que requer uma avaliação clínica cuidadosa e tratamento urgente, sempre que
possível numa unidade de cuidados diferenciados. Na ausência de sinais e de sintomas de
outra patologia, o diagnóstico clínico deve ser feito com base na história, nos sinais e
sintomas de doença grave.

Resultados: Após o estudo realizado cheguei as seguintes considerações finais: A paciente


em estudo tem 23 anos de idade de Género Feminino; A paciente reside em Capopa; As
principais queixas apresentada pela paciente foram: calafio, vômitos, dor abdominal e delírio;
Os exames complementares realizados: TDR (+), WIDAL (-), Teste de gravidez, Glicemia e
Parcial de urina. A paciente apresentou Disfunção neurológica como complicação; O
tratamento administrado foi segundo a prescrição médica; Os cuidados de enfermagem
prestados a paciente foram: Repouso no leito; Acesso venoso; Avaliação dos sinais vitais;
Dieta líquida. A paciente evoluiu satisfatoriamente e teve alta por melhoria. Assim, posso
concluir que a malária, é uma doença que requer um cuidado específico por parte dos
técnicos, por que quando negligenciada ela é fatal e as crianças muitas das vezes são o grupo
alvo.

Palavras chaves:

 Acções de enfermagem;
 Paciente;
 Malária complicada;
 Disfunção renal.

IV
ABSTRACT

This is a Professional Aptitude Test (APP), carried out by the Final Year Student of ITPSM,
with a view to “Analyzing the nursing actions provided to the patient diagnosed with Malaria
complicated by renal dysfunction assisted in the Medicine Section of the Municipal Hospital
of Negage in the III Quarter of 2024”, the research was carried out through a descriptive
observational cross-sectional study “It consists of an introduction, research problem,
justification and importance of the topic, objectives, hypotheses, developed in two chapters
(theoretical basis and case study), including the final considerations, bibliographical
references and other post-textual elements.

Complicated malaria is a high-risk form of presentation, generally caused by infection by


plasmodium falciparum, although it can also be caused by plasmodium vivax and knowlesi. It
can occur with multiorgan dysfunction and is therefore a medical emergency, which requires
careful clinical evaluation and urgent treatment, whenever possible in a differentiated care
unit. In the absence of signs and symptoms of another pathology, the clinical diagnosis should
be made based on the history, signs and symptoms of serious illness.

Results: After the study, I reached the following final considerations: The patient under study
is a 23-year-old female; The patient lives in Capopa; The main complaints presented by the
patient were: chills, vomiting, abdominal pain and delirium; The complementary exams
performed: TDR (+), WIDAL (-), pregnancy test, blood glucose and partial urine test. The
patient presented neurological dysfunction as a complication; The treatment administered was
according to the doctor's prescription; The nursing care provided to the patient was: bed rest;
intravenous access; assessment of vital signs; liquid diet. The patient evolved satisfactorily
and was discharged due to improvement. Therefore, I can conclude that malaria is a disease
that requires specific care from technicians, because when neglected it is fatal and children are
often the target group.

Key words:

 Nursing actions;
 Patient;
 Complicated malaria;
V
 Kidney dysfunction.

ABREVIATURAS, SIGLAS E SEUS SIGNIFICADOS

% Percentagem

/ . Por

A. Anos (idade)

DMS Direcção Municipal de Saúde

EPS Educação Para Saúde

g grama

GPS Gabinete Provincial de Saúde

GPU Governo Provincial do Uíge

HMMZ Hospital Municipal de Maquela do Zombo

ITPSM Instituto Politécnico Privado de Saúde Mandogex

kg quilograma

ml mililitro

mg miligrama

MINSA Ministério da Saúde

Nº número

OMS Organização Mundial da Saúde

Pág. Página

Prof. Professor

P.P Pesquisa de Plasmódio

TFC Trabalho de Fim do Curso

TDR Teste Diagnóstico Rápido

Hb Hemoglobina

Hto Hematócrito

VI
SUMÁRIO

CAPÍTULO I-FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

CAPÍTULO II-ESTUDO DE CASO

VII
INTRODUÇÃO

Breves considerações

A malaria, actualmente, e uma das doenças que, a par da tuberculose e de algumas infecções
sexualmente transmitidas (ISTs), maior impacto tem na Economia e Saúde Publica dos países
em vias de desenvolvimento. Segundo o ultimo relatório da OMS, ocorreram, em 2018, cerca
de 243 milhões de casos documentados e perto de 863 mortes causadas por esta infecção
(91% em Africa e 85% em crianças com menos de 5 anos), sendo que cerca de metade da
população mundial esta em risco de contrair malaria.

De acordo o Ministério da Saúde (OMS, 2023), a malária complicada é uma forma de


apresentação de alto risco, provocada geralmente pela infecção por plasmódio falciparum,
embora também possa ser provocada por plasmódios vivax e knowlesi. Pode cursar com
disfunção multiorgânica sendo por isso uma emergência médica, que requer uma avaliação
clínica cuidadosa e tratamento urgente, sempre que possível numa unidade de cuidados
diferenciados. Na ausência de sinais e de sintomas de outra patologia, o diagnóstico clínico
deve ser feito com base na história, nos sinais e sintomas de doença grave.

Segundo Teodor (2021), afirma que a malária é uma parasitose provocada por quatro
espécies do género Plasmodium, nomeadamente: Plasmodium falciparum, Plasmodium
malariae, Plasmodium vivax e Plasmodium ovale. O parasita é transmitido ao homem através
da picada do mosquito Anopheles fêmea, o principal vector de transmissão da doença.

A malária é a primeira infecção parasitária, na qual foi claramente demonstrável uma


associação com a síndrome nefrótico nas áreas tropicais. O envolvimento renal do doente com
malária é um achado frequente nos doentes com malária complicada, ou seja, nos que
demonstram elevado grau de parasitémia, sendo também um indicador sensível de
prognóstico nas formas graves. As alterações renais mais específicas estão relacionadas coma
infecção pelo P. falciparum – essencialmente alterações renais agudas (necrose tubular aguda
e glomerulonefrite aguda) – e pelo P. malariae – relacionado principalmente com alterações
crónicas, nomeadamente síndroma nefrótico com evolução para insuficiência renal crónica
(SILVA, 2019).

8
TIPO DE PESQUISA E DELIMITAÇÃO DO TEMA

Na minha pesquisa basei-me no tipo de estudo Descritivo observacional transversal, quanto


ao tempo delimitou-se no IIIº Trimestre de 2024, e quanto ao espaço delimitou-se na Secção
de Medicina do Hospital Municipal de Negage.

Esta unidade hospitalar esta localizada no município sede de Negage propriamente no Bairro
Lunguila fazendo fronteiro:

 A Norte com o Bairro Tinguita;


 A Sul com Bairro Kapopa:
 A Este com Bairro Kabala;
 A Oeste com Bairro Kacongolo respectivamente

PROBLEMA CIENTÍFICO

A malária é uma das doenças infecciosas com maior índice de morbilidade e mortalidade no
mundo em particular Angola, possivelmente que possa existe erros no diagnostico, como no
tratamento da mesma. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), existem mais de 2,5
biliões de pessoas que residem em 103 países endémicos de grande risco. Desses são
infectados anualmente cerca de 300 a 500 milhões, contabilizando-se aproximadamente 1 a 3
milhões de mortes/ano devido à malária, 90% das quais no continente africano. A população
infantil é a mais afectada, tornando-se esta a principal causa de morte nessa faixa etária.
Diante deste trajo facto surgiu-me a seguinte pergunta científica:

 Quais são as acções de enfermagem prestado ao paciente com diagnóstico de Malária


complicada por disfunção renal assistido na Secção de Medicina do Hospital
Municipal de Negage no IIIº Trimestre de 2024?

JUSTIFICATIVA E IMPORTÂNCIA DO TEMA

A malária é responsável por elevada morbilidade e mortalidade, assumindo-se como um


problema de saúde pública mundial, com predomínio no continente africano, essencialmente
devido à existência de condições favoráveis para a multiplicação do mosquito. Facto este que
me levou a desenvolver mais sobre as acções de enfermagem prestado ao paciente com
diagnóstico de Malária complicada por disfunção renal assistido na Secção de Medicina do
Hospital Municipal de Negage no IIIº Trimestre de 2024.

9
OBJECTIVOS DO TRABALHO

Geral:

 Analisar as acções de enfermagem prestado ao paciente com diagnóstico de Malária


complicada por disfunção renal assistido na Secção de Medicina do Hospital
Municipal de Negage no IIIº Trimestre de 2024.
Específicos:

 Identificar o paciente quanto a faixa etária e o género;


 Conhecer a proveniência do paciente;
 Mencionar as principais queixas de ingresso;
 Descrever os exames complementares realizados;
 Identificar as complicações mais frequentes;
 Verificar os cuidados específicos de enfermagem;
 Acompanhar a Evolução Clinica do paciente;
 Garantir educação para Saúde ao paciente.

HIPOTESES

De acordo Darwen, (2022)” trata-se de uma afirmação hipotética cuja afirmação da


veracidade obtém-se ao longo da investigação do fenómeno. No presente trabalho formulou-
se as seguintes:

Hipo1: É provável que o tempo de internamento dos pacientes com Diagnóstico de Malária
complicada sejam de poucos dias.

Hipo2: Talvez que as acções de enfermagem prestado ao paciente com diagnóstico de


Malária complicada por disfunção renal ajudam no controlo da doença e na melhoria do
mesmo.

10
CAPÍTULO I-FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

1.1. Definição de termos e conceitos

Malária: é uma doença infeciosa causa por um protozoário unicelular, do género


Plasmodium, que reparte o seu ciclo de vida entre mosquitos do género anófeles e
vertebrados. (Camargo, E.P. (2013).

Plasmódio: são protozoários, eucariontes, unicelulares que fazem parte do reino protista.
(Luse, & Miller, 1972).

Banco de urgência: refere-se à unidade de atendimento do paciente com condições clínicas


que perigam a vida [Link]

Enfermagem: é a ciência cuja objectivo é a implantação do tratamento de doenças e cuidados


ao ser humano, individualmente, na família ou em comunidade de modo integral holístico
[Link]

Plasmódio: é um parasita unicelular, protozoário que infecta os eritrócitos causando a malária


(LEAO, 2021).

Paciente: é aquele que tem por base a acção de um serviço médico (ambulatório posto de
assistência medica, clinica, policlínica, serviço médico hospitalar ou do hospital) (SANTOS,
2019).

Hospital: é um elemento organizador de caráter médico-social, cuja função consiste em


assegurar assistência médica completa, curativa e preventiva a população, e cujos serviços
externos se irradiam até a célula familiar considerada em seu meio; é um centro de medicina e
de pesquisa biossocial (CARDENA 2019).

1.2. HISTORIAL DA MALÁRIA

A Malária é uma enfermidade que ao longo da história tem flagelado o homem, surgindo
quase que simultaneamente ao aparecimento da humanidade, uma vez que as modificações
presentes no ambiente passaram a contribuir decisivamente para a sua proliferação
(CARDENA 2019).

11
A malária foi relatada pela primeira vez no Egito em 1570 a.c, e Hipócrates a descreveu como
“Febre dos Pântanos” e posteriormente como “Febre do Nilo”. No ano de 1880, Charles Louis
Alphonse Laveran, na Argélia descreve a Malária como Oscilaria mallariae.

A origem orgânica da malária data desde tempos muito remotos, entretanto somente no século
XIX, que surgiu definitivamente o termo malária.

Escritos italianos defendiam a tese de que a doença era causada por vapores nocivos exalados
por pântanos tiberianos, dessa forma designando-a como a “malária”, ou seja mal ar.

1.3. FISIOPATOLOGIA

A infecção de malária desenvolve-se em duas fases: uma que envolve o fígado (fase
exoeritrocítica) e outra que envolve os glóbulos vermelhos, ou eritrócitos (fase eritrocítica).
Quando um mosquito infectado perfura a pele de uma pessoa para se alimentar de sangue, os
esporozoítos presentes na saliva do mosquito penetram na corrente sanguínea e depositam-se
no fígado, onde infectam os hepatócitos, reproduzindo-se assexualmente e sem haver
manifestação de sintomas ao longo de 8-30 dias.

Depois de um período de dormência no fígado, estes organismos diferenciam-se para produzir


milhares de merozoítos, os quais, após romperem as células hospedeiras, se introduzem na
corrente sanguínea e infectam os glóbulos vermelhos, dando início à fase eritrocítica do ciclo
de vida. O parasita é capaz de abandonar o fígado sem ser detectado, ao se envolver com a
membrana celular da célula hepática do hospedeiro. No interior dos glóbulos vermelhos, os
parasitas reproduzem-se novamente, também de forma assexuada, rompendo periodicamente
as células hospedeiras para infectar novos glóbulos vermelhos.

O parasita encontra-se relativamente protegido de ataques do sistema imunitário do corpo,


uma vez que durante a maior parte do seu ciclo de vida humano se encontra no interior das
células do fígado e dos glóbulos vermelhos, sendo por vermelhos infectados em circulação
são destruídos no baço. Para evitar a sua destruição, o parasita P. falciparum introduz
proteínas adesivas na superfície dos glóbulos vermelhos infectados, o que faz com que os
glóbulos se agarrem às paredes dos vasos sanguíneos mais pequenos e não tenham que
percorrer o sistema circulatório e passar pelo baço. O bloqueio dos vasos pode provocar
malária placentária. Os glóbulos vermelhos sequestrados podem penetrar na barreira
hematoencefálica e provocar malária cerebral.

12
1.4. CAUSAS
Segundo Gomes (2011) a malária é causada pela picada do mosquito do género Anopheles,
mas o mosquito não é um vilão, é que ele se encontra infectado por uma das espécies do
Plasmodium. Existem cinco espécies de Plasmodium que podem infecta os seres humanos:

 Plasmodium falciparum
 Plasmodium vivax
 Plasmodium ovale
 Plasmodium malariae
 Plasmodium knowlesi (raramente)
 A maior parte das mortes são causadas pelo P. falciparum. As espécies Vivax, P. ovale
e malariae geral.

1.5. SINAIS E SINTOMAS DE MALÁRIA

Os sinais e sintomas da malária manifestam-se geralmente entre 8 a 25 dias após a infecção.


No entanto, os sintomas podem-se manifestar mais tarde em indivíduos que tenham tomado
medicação anti malárica de prevenção. As manifestações iniciais da doença, iguais em todas
as espécies de malária, são semelhantes aos sintomas da gripe, podendo ainda ser semelhantes
aos de outras doenças virais e condições clínicas como a sepse ou gastroenterite. Entre os
sinais ou os sintomas mais comuns incluem-se:

Malária: febre alta e dores musculares são os principais sintomas;

 Calafrios;
 Delírios;
 Febre alta (no início contínua e depois com frequência de três em três dias);
 Dores de cabeça e musculares;
 Dores nas articulações;
 Taquicardia;
 Aumento do baço;
 Anemia hemolítica;
 Os casos mais graves de malária são geralmente provocados por P. falciparum,
variante que é muitas vezes denominada "malária falciparum". Os sintomas desta
variante manifestam-se entre 9 a 30 dias após a infecção. Existe uma chance em de
muito das vezes se desenvolver o que se chama de malária cerebral, responsável por
cerca de 80% dos casos letais da doença.

13
Os indivíduos com ‘’’malária cerebral’’’ apresentam muitas vezes sintomas neurológicos,
entre os quais postura anormal, nistagmo, paralisia do olhar conjugado (incapacidade de
mover em conjunto os olhos na mesma Direcção), opistótono, convulsões ou coma.

1.6. FACTORES DE RISCO

A Malária é uma protozoose dos eritrócitos, causada nos seres humanos por cinco espécies do
género Plasmodium, transmitida pela picada do mosquito fêmea do género Anopheles. As
pessoas propensas a desenvolverem as malárias e as suas complicações, são as pessoas não
imunes ou com baixa imunidade, quer adultos como crianças, consistem em:

 Crianças> 6 meses (1 -3 anos)


 Mulheres grávidas (primíparas)
 Tratamento Imunossupressor
 Viajantes não imunes
 Doentes Imunocomprometidos
 Indivíduos que abandonaram a zona endémica aviários anos (> 5anos)
 Pobreza extrema
 Falência dos sistemas de saúde
 Migração das populações
 Degradação do sistema sanitário
 Alterações climatéricas
 Ausência de saneamento básico.

1.7. EPIDEMIOLOGIA

De acordo com o Relatório Mundial da Malária de 2015, o número estimado de casos de


malária em todo o mundo caiu 18%, passando de 262 milhões no ano 2000 para 214 milhões
em 2015. Levando-se em conta o crescimento da população, estima-se que a incidência da
malária diminuiu 37%, entre 2000 e 2015. (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE,
2020).

Em todo o mundo, a malária continua a ser um dos mais relevantes problemas de saúde
pública e em nosso país também persiste como uma das principais questões, em especial na
região Amazônica, que registra cerca de 90% dos casos e onde a transmissão da doença está
diretamente relacionada às condições ambientais e socioculturais. Mas é na região extra-
amazónica que a malária apresenta maior letalidade, seja devido ao diagnóstico tardio, seja
por manejo clínico inadequado dos casos esporádicos importados de áreas endêmicas ou
mesmo autóctones em poucos estados.

Estima-se que mais de 40 % da população mundial está exposta ao risco de adquirir malária.
A área endêmica da malária no Brasil, possui aproximadamente 6,9 milhões de km,

14
correspondendo a 81% do território nacional, com 61 milhões de habitantes, sendo 19 milhões
na Amazônia legal. A população mais exposta ao risco de contrair a infecção corresponde a 6
milhões de habitantes, na Amazônia Legal, e a menor de 1 milhão, no restante do país.
Malária é uma doença infecciosa febril aguda transmitida pela picada da fêmea do mosquito
Anopheles, infectada por um protozoário do género Plasmodium.

1.8. MODO E/OU FORMAS DE TRANSMISSÃO

Por meio da picada da fêmea do mosquito Anopheles, infectada pelo Plasmodium. Os


vectores são mais abundantes nos horários crepusculares, ao entardecer e ao amanhecer. Toda
via, são encontrados picados durante todo período noturno, porém em menor quantidade de
algumas horas da noite.

Outras formas de transmissão, menos frequente ocorrem de mãe-feto (transmissão congénita


ou placentária), por meio do cordão umbilical; podem ocorrer raramente a transmissão por
meio de transfusão de sangue contaminado ou do uso compartilhado de objectos perfuro
cortantes (agulhas) contaminadas. Não há transmissão direita da doença de pessoa a pessoa
(ZAPATA, 2013).

1.9. DIAGNÓSTICO

O diagnóstico da Malária é feito de forma clinica e laboratorial. O diagnóstico da malária só é


possível pela demonstração do parasita ou de antígenos relacionados, no sangue periférico do
paciente, por meio dos métodos diagnósticos especificados. O diagnóstico laboratorial é
essencial para a confirmação do diagnóstico da malária.

Os métodos de diagnóstico recomendado pela OMS /PNCM para todos os casos suspeitos de
malária, em todos os locais de transmissão, são: o Microscópio Ótico (MO), através da Gota
Espessa e Esfregaço, e os Testes de Diagnóstico Rápido (TDR).

Recomendações da OMS para o diagnóstico da malária:

Rápida confirmação parasitológica por microscópio ou TDR, em todos os doentes com


suspeita de malária, antes de se iniciar o tratamento.

O tratamento apenas com base na suspeita clínica só deverá ser considerado no caso de
impossibilidade de se realizar o diagnóstico parasitológico por MO ou TDR.

O diagnóstico parasitológico deverá estar rapidamente disponível (menos de duas horas), após
o exame clínico do doente. Caso não for possível a confirmação do diagnóstico, só assim é

15
que o doente deve ser tratado com base num diagnóstico clínico, tendo-se descartado os
diagnósticos diferenciais.

1.10. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

A malária é uma importante causa de morte dentre crianças e adultos residentes em países
onde a mesma é endêmica, e o diagnóstico diferencial é feito mediante a outras doenças entre
as quais:

 Febre tifoide;
 Hepatite infecciosa;
 Leptospirose;
 Dengue;
 Leishmaniose visceral;
 Febre-amarela,
A malária confunde-se com outras doenças infecciosas dos tratos respiratório, urinário e
digestivo, quer de etiologia viral ou bacteriana.

No período de febre intermitente, as principais doenças que se confundem com a malária são
as infecções urinárias, tuberculose miliar, salmoneloses septicêmicas, leishmaniose visceral,
endocardite bacteriana e as leucoses. Todas apresentam febre e, em geral, esplenomegalia.
Algumas delas apresentam anemia e hepatomegalia.

1.11. TRATAMENTO

Após o diagnóstico correcto e oportuno da malária, o tratamento adequado é essencial para


curar o paciente, prevenir o agravamento clínico, interromper a transmissão da doença e evitar
o óbito. Abordaremos o tratamento apropriado para Malária grave considerando as
particularidades clínicas de cada caso (MARQUES, 2018).

Os antimaláricos podem ser classificados de diferentes maneiras de acordo com suas


características químicas, farmacológicas, seu local de ação no ciclo biológico do parasito, as
finalidades com que podem ser utilizadas, seu modo de obtenção, entre outras (MARQUES,
2018).

Tratamento da malária simples

Considerando a malária não complicada causada por P. Falciparum, o tratamento em adultos e


crianças (excetuando grávidas no primeiro trimestre) deve ser feito com ACT durante 3 dias.
Em grupos de risco, mulheres grávidas e doentes com VIH, terá que ser considerada uma
terapêutica diferente, ajustada às condições e necessidades de cada um. (OMS, 2013).

16
Quadro 1. Descrição do tratamento da malária

Tratamento Terapêutica Combinada Baseada em Artemisina

Crianças e Adultos Artemeter + Lumefantrina

Artesunato + Amodiaquina1

Artesunato + Mefloquina

Dihidroartemisinina + Primaquina

Artesunato + Sulfadoxina+Pirimetamina (SP) 2

Grávidas Quinina + Clindamicina durante 7 dias


Fonte: Modificado de Brasil, 2010.
No tratamento da malária severa, deverá ser administrado uma terapêutica parentérica de 24h
com Artesunato até o doente ser capaz de tolerar a terapêutica oral ACT (MARQUES, 2018).

O fármaco recomendado em países endémicos para tratar malária não complicada por Pv
continua a ser a cloroquina ou ACT em associação com Primaquina de modo a eliminar
formas latentes no fígado e impedir reativações (MARQUES, 2018).

Contudo, o conhecimento da suscetibilidade do parasita, tendo em conta a área geográfica em


questão, dá informações acerca de possíveis resistências a antimaláricos o que poderá alterar
completamente os regimes terapêuticos a utilizar (MARQUES, 2018).
Tratamento da malária Complicada

Segundo Júnior (2017), aponta que, as principais drogas antimaláricos podem ser utilizadas
de acordo o estado da mesma enfermidade. O tratamento de malaria complicada ou grave
deve ser feito na base de:

 Artesunato EV/ IM (tratamento de eleição).


 Artemeter IM (segunda opção)
 Dihidrocloridrato Quinino EV/IM (terceira opção.
 Artesunato EV (Tratamento de eleição) ou IM
Preparação:

O Artesunato é um derivado éster solúvel na água que está disponível sob a forma de pó. Este
pó deve ser dissolvido em 1 ml de bicarbonato de sódio a 5% (normalmente fornecido com o

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frasco) e agitado durante 2 a 3 minutos. Depois deve ser diluído em 5 ml de soro fisiológico
para uso EV ou diluído apenas em 2,5 ml para uso IM.

Na ampola padrão de 60 mg, cada 1 ml da diluição EV corresponde a 10 mg de Artesunato


(LEÃO, 2021).

Posologia:

 Administração de Artesunato IV para crianças com o peso inferior ou igual a 20 kg.


Kg x 3 x6
60mg
 Às H0-H12-24H,e continuar diariamente até ao 6º dia. (Total de 7 dias).
Administração de Artesunato IV para Adultos com o peso superior ou igual a 20Kg.

Kg x 2,4 x6

60mg

Às H0-H12-24H,e continuar diariamente até ao 6º dia. (Total de 7 dias)


Administração de Artesunato IM para Crianças e Adultos, devemos retirar 0,5 de bicarbonato
de sódio e agitado durante 2 a 3 minutos em seguida retirar 2.5 ml de cloreto de sódio fazendo
o total de 3 ml (INDAM, 2021).

 Administração em, crianças com o peso inferior ou igual a 20 kg.

Kg x 3 x6

60mg

Às H0-H12-24H,e continuar diariamente até ao 6º dia. (Total de 7 dias)

 Administração de Artesunato IV para Adultos com o peso superior ou igual a 20Kg.

Kg x 2,4 x6

60mg

Às H0-H12-24H,e continuar diariamente até ao 6º dia (Total de 7 dias) (LEÃO, 2021).

Administração de Artemeter IM 80 Mg Posologia do Artemeter IM

Crianças:

 Iniciar no 1.º dia com dose de carga de 3.2 mg/Kg de peso e continuar com dose de
manutenção de 1.6 mg/kg de peso durante mais 6 dias (LEÃO, 2021).

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Adultos:

 Iniciar no 1º dia com a dose de carga de 160 mg e continuar com 80 mg equivalente a


uma ampola em 24h durante 6 dias IM (LEÃO, 2021).
Administração de Dihidrocloridrato de Quinina IV

Dose de Carga ou Dose de ataque, 15 a 20 mg sal / Kg / dose, diluída em 5 a 10 ml/Kg de


solução salina ou glicosada isotónica (de preferência a glicosada a 5% ou 10%) máxima 500
ml, a correr durante 4 horas- 42 gotas /minuto (LEÃO, 2021).

Obs: Não deve ser utilizada a dose de carga nas grávidas, devido ao efeito hiperinsulinémico
da Quinina, que agrava ainda mais a hipoglicemia.

Ter em atenção, na dose de carga, a possibilidade do efeito cardiotóxico da Quinina. De


preferência administrar a dose de carga através de bomba volumétrica, seringa infusória ou
sistema de microgotas (pediatria), para minimizar estes efeitos.

Dose de manutenção 10 mg sal / Kg / dose, na mesma diluição, repetir de 8/8 horas e correr
durante 4 horas (LEÃO, 2021).

Sulfato de Quinina VO

 Dose: 10 mg sal / kg / dose via oral de 8/8 horas


 Dose Total: nas 24 horas: 30 mg / Kg
 Duração Total do Tratamento: 7 Dias

Obs.: Não ultrapassar os 1800 mg /dia. Pode provocar arritmias graves e/ou paragem cardíaca.
Se não houver viabilidade para a perfusão, usar a via IM na mesma dose na face anterior da
coxa, numa concentração de 60 - 100mg/ ml, em dois sítios diferentes, para evitar uma
injecção de grande volume no mesmo local (BRAGA et al, 2010).

1.12. COMPLICAÇÕES

Malária cerebral: estima-se que ocorra em cerca de 2% dos indivíduos não imunes,
parasitados pelo P. Falciparum. Os principais sintomas são uma forte cefaleia, hipertermia,
vômitos e sonolência. Em crianças ocorrem convulsões. O paciente pode evoluir para um
quadro de coma, com pupilas contraídas e alteração dos reflexos profundos.

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Insuficiência renal aguda: caracteriza-se pela redução do volume urinário a menos de 400
ml ao dia e aumento da ureia e da creatinina plasmáticas. É mais frequente em adultos do que
em crianças e tem sido descrita como a complicação grave mais frequente de áreas de
transmissão instável, como o Brasil.

Edema pulmonar agudo: é particularmente comum em gestantes e inicia-se com


hiperventilação e febre alta. As formas mais graves caracterizam-se por intensa transudação
alveolar, com grave redução da pressão arterial de oxigênio (síndrome da angústia respiratória
do adulto).

Hipoglicemia: mais frequente em gestantes e crianças, ocorre geralmente em associação com


outras complicações da doença, principalmente a malária cerebral.

Os níveis de glicose sanguínea são inferiores a 30 mg/dl e a sintomatologia pode estar ausente
ou ser mascarada pela sintomatologia da malária. Pacientes em tratamento com quinina
podem apresentar acentuação da hipoglicemia.

Disfunção hepática: definida instalação de icterícia acentuada, com aumento maior que três
vezes nos níveis séricos de transaminases.

Hemoglobinúria: caracterizada por hemólise intravascular aguda maciça, acompanhada por


hiper-hemoglobinemia e hemoglobinúria, ocorrendo em alguns casos de malária aguda e
também em indivíduos que tiveram repetidas formas de malária grave por P. falcaárum.

O paciente apresenta urina cor de coca-cola, vômitos biliosos e icterícia intensa. Necrose
tubular aguda com insuficiência renal é a complicação mais frequente e que pode causar a
morte.

1.13. CUIDADOS DE ENFERMAGEM

Para Mateus (2020), os cuidados de enfermagem para essa patologia envolvem


necessariamente o seguinte:

 Verificação dos sinais vitais a cada 2horas.


 Monitoração da diurese e observação da coloração da urina para pacientes que
apresentem quadros de insuficiência renal.
 Avaliação do nível de consciência com a utilização da escala Glasgow.
 Ao exame físico: atentar para o surgimento de icterícia.
 Atentar-se aos sinais de hipoglicemia (sonolência, tontura, alteração do humor
sudorese...)
 Orientar a realização do teste da gota expressa ainda no primeiro mês da vida do bebé.
 Terapia medicamentosa

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 Passagem adequada dos pacientes para administração da dose correcta do anti
malárico prescrito.

1.14. MEDIDAS DE PREVENÇÃO E CONTROLO

De acordo com Júnior (2017), existem várias medidas de proteção individual que podem ser
adotadas pela população para reduzir a possibilidade da picada do mosquito transmissor da
doença, como:

 Uso de mosquiteiros, repelentes, e inseticidas.


 Manter redes nas janelas, fixar janelas e portas as 17h 30.
 Manter tapados os recipientes de conservação de água.
 Evitar águas paradas, pneus e capim no quintal.
 Pulverização ou fumigação
 Uso intermitente e preventivo com Sulfadoxina+Pirimetamina (SP) na grávida.
Em Angola todo o país é endémico, portanto o risco de contrair malária existe em todas as
províncias, sendo mais frequente nas províncias do norte e do centro, Exposição do corpo às
picadas do mosquito desde o entardecer ao amanhecer, principalmente em áreas abertas, com
partes do corpo desprotegidas, por ex. uso de calções. O uso de medidas adequadas reduz o
risco da inoculação do parasita e consequentemente da infecção (JÚNIOR, 2017).

1.15. MEDIDAS DE PROTECÇÃO CONTRA A PICADA DO MOSQUITO

Utilizar um repelente nas áreas do corpo expostas, entre o entardecer e o amanhecer, lendo e
seguindo com atenção as recomendações do fabricante;

Ter o cuidado de manter fechadas as portas e janelas das residências a partir do entardecer,
utilizar insecticidas (sprays ou difusores elétricos) e, sempre que disponível, ligar os aparelhos
de climatização;

Dormir debaixo dum mosquiteiro tratado com insecticidas (MTI) (JÚNIOR, 2017).

1.16. EDUCAÇÃO PARA SAÚDE

Segundo a OMS (2020), afirma que existem varias formas meios para comunicar anunciar a
população famílias e comunidade sobre o quão bom é acatar as orientações técnicas
profissionais de saúde reduzindo assim o índice elevado de casos de Malaria nas regiões
afectadas, as pessoas consideradas não imunes que se movimentem para áreas endémicas de
malária devem ser informadas sobre:

 Usar repelente;
 Os perigos e a gravidade da situação;
 Evitar frequentar locais próximos a lixeiras;

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 Os riscos de se infectarem e desenvolverem a doença.
É de extrema importância as realizações de campanhas e palestras que visão a promover a
educação em saúde e de mobilização social, para que o individuo saiba proteger a si e a sua
família da doença, de modo a manter o saneamento básico (evitar águas paradas, capins no
quintal e ao arredor da casa, deitar o lixo constantemente, usar roupas que cobrem o corpo de
modo a não deixar a maior parte do corpo exposto).

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CAPÍTULO II-ESTUDO DE CASO

2.1. Identificação do paciente

 Nome: J.B
 Idade: 23 anos
 Género: Feminino
 Peso: 52Kg
 Naturalidade: Uíge
 Residência: Capopa
 Nível académico: IIº Ciclo 9ªclasse
 Filiação: H.V e C.B
 Acompanhante: C.B
 Grau de afinidade: Mãe
 Ocupação: Doméstica
 Data de baixa: 30/10/2024
2.2. Sinais e Sintomas:

 Dor abdominal
 Cefaleia há mais ou menos 4 dias
 Calafrio
 Delírios.

2.3. Queixas principais

 Dor abdominais
 Cefaleia
 Delírios

2.4. Tratamento inicial

 Artesunato (60mg/6ml)
 17 ml I.V-----19 horas
 17 ml I.V-----07 horas
 17 ml I.V------19 horas
 Cloreto de Sódio (500ml) 0,9% 8/8h I.V
 Amoxicilina (1g/5ml) 1bb 8/8h I.V
 Dipirona (2,5g/5ml) 2ml 8/8h I.M

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2.5. História da doença

Trata-se de uma paciente que deu entrada no BUA, acompanhada pela sua mãe informado que
durante os últimos 3 dias esteve a sentir dor de cabeça frequentemente e que se acompanha de
calafio, vômitos e dor abdominal. Tendo feito varios tratamentos mais sem sucessos hoje por
apresentar delírio decidimos procurar os serviços de saúde para melhor cuidados.

2.6. Antecedentes

 APP-Lombalgia

2.7. Exame físico

Sinais vitais

 T: 39ºC
 FR: 19 Cr/m
 FC: 85 p/m
 T.A: 110/70 mmHg

Estado geral de razoável

 Mucosas orais e conjuntivas coradas.


 TCS: não infiltrado
 A.R: tórax normal, múrmuros vesiculares mantido em ambos campos pulmonares sem
presente de estertores.
 ACV: tons cardíacos rítmicos norfoneticos sem sopros.
 A.B.D: plano, depressível que segue os movimentos respiratórios com dor intensa a
palpação profunda no hipogástrica.
 S.N.C: desorientado

2.8. Exames completares

 TDR (+)
 WIDAL (-)
 Teste de gravidez
 Glicemia
 Parcial de urina

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2.9. Diagnóstico

 Malária Complicada

2.10. Tratamento

 Soro fisiológico 500ml + Vitamina C 5ml + Neurobion 3ml I.V 12/12h


 Artesunato (60mg/6ml) 17 ml I.V 19 horas
 Metronidazol 100ml I.V 8/8h
 Dipirona 2,5ml I.M 8/8h
 Amoxicilina (1g/5ml) 1bb 8/8h I.V

2.11. Complicações

 Disfunção Neurológica

2.12. Intervenção de enfermagem

 Repouso no leito
 Acesso venoso
 Avaliação dos sinais vitais
 Dieta líquida.

2.13. Evolução clínica

7 dias de estadia com Malária complicada, paciente colabora com astenias física, com as
mucosas coradas.

 ACV: tons cardíacos rítmicos normofóneticos sem sopro;

 T.A: 110/70 mmHg;

 Teve alta por melhoria no dia 05/11/2024

2.14. Educação para saúde

 Usar repelente;
 Os perigos e a gravidade da situação;
 Evitar frequentar locais próximos a lixeiras;
 Os riscos de se infectarem e desenvolverem a doença.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Depois de ter realizado um estudo “Descritivo observacional transversal” com base


nas“Acções de enfermagem prestado ao paciente com diagnóstico de Malária complicada por
disfunção renal assistido na Secção de Medicina do Hospital Municipal de Negage no IIIº
Trimestre de 2024”.

Após o estudo realizado cheguei as seguintes considerações finais:

 A paciente em estudo tem 23 anos de idade de Género Feminino;


 A paciente reside em Capopa;
 As principais queixas apresentada pela paciente foram: calafio, vômitos, dor
abdominal e delírio;
 Os exames complementares realizados: TDR (+), WIDAL (-), Teste de gravidez,
Glicemia e Parcial de urina. A paciente apresentou Disfunção neurológica como
complicação;
 O tratamento administrado foi segundo a prescrição médica;
 Os cuidados de enfermagem prestados a paciente foram: Repouso no leito; Acesso
venoso; Avaliação dos sinais vitais; Dieta líquida.
 A paciente evoluiu satisfatoriamente e teve alta por melhoria.
 Assim, posso concluir que a malária, é uma doença que requer um cuidado específico
por parte dos técnicos, por que quando negligenciada ela é fatal e as crianças muitas
das vezes são o grupo alvo.

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SUGESTÕES

Com base o resultado da pesquisa e das dificuldades vividas tomou a seguinte posição:

Á Direção do Instituto Técnico Privado de Saúde Mandogex:

 A pedrejar a biblioteca da instituição com livros e outros materiais para facilitar os


estudantes, na pesquisa ou facilitar a investigação.
 Que se analise primeiro os temas a entregar nos estudantes pré-finalistas para a
realização dos trabalhos de conclusão do curso, para evitar mudanças do tema em fase
final do trabalho ou repentina.
Á Direcção do Hospital Municipal de Negage:

 Que supervisionem os profissionais de saúde na prestação dos cuidados de


enfermagem aos pacientes com vista a melhorar a qualidade assistencial.
 Que sejam promovidas ações que visam prevenir os casos de malária a nível da nossa
província.
 Que sejam aumentados o número de técnicos e matérias nas secções com vista a
melhorar a capacidade assistencial

27
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 BRAGA ET AL, A. C. Combate a malaria no Brasil: Evolucao situacao e


perspectivas. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, 2010.

 CARDENA A importancia do perfil clinico-laboratorial no diagnostico


diferencial entre malaria e hepatite aguda viral. Jornal pediatrico, 79(5), 429-434,
2019.

 GOMES Prevenção da malária. Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar,


19(3), 263-6, 2011.

 LEÃO. Doenças infecciosas e parasitárias: enfoque amazónico. 3º ed, Madeirnu


Belem. 2021.

 MARQUES . Malaria cerebral. Iatreia, ág-202. Análises de sequências var de


populações naturais de Plasmodium falciparum da Amazônia brasileira. 2018

 MATEUS. Malária, maleita, paludismo. Ciência e cultura, 55(1), 26-29.) 2020

 TEODOR. Sistematização da Assistência de Enfermagem em uma Unidade de


Internação: desenvolvimento e implantação de roteiro direcionador, relato de
experiência. São Paulo, Brasil 2021.

 JÚNIOR. Fatores determinantes dasituação da malária na Amazônia. Revistada


Sociedade Brasileira de Medicina Tropica, 2017.

 OMS. Aspectos da transmissão focal de malária na Ilha de São Luis, Maranhão.


Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, 39(3), 250-254. 2015

 SILVA, A importância do perfil clínico-laboratorial no diagnóstico diferencial


entre malária e hepatite aguda viral. Jornal de Pediatria, 79(5), 429-434, 2019.

 ZAPATA. Malária e suas principais complicações: aspectos fisiopatológicos. 2013


GLOSSÁRIO

Anorexia: é um transtorno alimentar capaz de afectar pacientes de ambos os sexos causado


por um desejo excessivo e limitado sem controlo de emagrecer e se manter em um
determinado padrão de beleza.

Anticorpos: são glicoproteínas ou imunoglobulinas que garantem a defesa do organismo.

Antígenos: é toda substância estranha ao organismo que desencadeia a produção de


anticorpos.

Cefaleia: é um termo médico utilizado para designar aquilo que conhecemos como dor de
cabeça.

ADN: é uma molécula orgânica que contém as instruções genéticas que coordena o
desenvolvimento e o funcionamento dos seres e que transmite as características hereditárias
de todo ser vivo.

Enzima: são substâncias químicas capaz de desencadear uma determinada reação química.

Enfermagem: é uma ciência cujo objetivo é a implementação do tratamento de doenças e o


cuidado ao ser humano, individualmente, na família ou em comunidade de modo integral e
holístico.

Enfermidade: é uma condição particular anormal que afeta negativamente o organismo e a


estrutura ou função do seu todo do organismo ou parte dele.

Esquizogonia: é a divisão de uma célula.

Esquizonte: é uma célula polinuclear, formada pelo crescimento de um trofozoito em uma


célula.

Esporozoítos: é uma célula alongado causador da malária. É a forma infectante da malária.


ANEXOS
INSTITUTO TÉCNICO PRIVADO DE SAÚDE MANDOGEX

I.T.P.M

CURSO DE ENFERMAGEM

FICHA DE INQUÉRITO

A presente ficha de inquérito destina-se a um estudo na Secção de Medicina Hospital


Municipal da Negage, e baseia-se no âmbito da Prova de Aptidão Profissional (PAP) cuja
finalidade é de ajudar de forma grandiosa a estudante finalista do Instituto Técnico Privado de
Saúde Mandogex - Uíge, para a obtenção do grau de Técnico Médio de Enfermagem Geral,
subordinada ao tema: Acções de enfermagem prestado ao paciente com diagnóstico de
Malária complicada por disfunção renal assistido na Secção de Medicina do Hospital
Municipal de Negage no IIIº Trimestre de 2024.

de uma forma unânime e honesta estudar os casos abaixo. Deste modo, garantimos que a
mesma tem um fim científico e não de carácter invasivo. Os dados e todas as informações
obedecerão sempre as normas éticas aplicáveis na investigação científica.

I- ASPECTOS SOCIODEMOGRÁFICOS:

2.1. Identificação do paciente

Nome-------------------------Género-------------Idade------Raça --------Peso----------------------

Filhação------------------------------ e de ---------------------------------------------------------------

Naturalidade --------------------Município -------------------Risidente -----------------------------

2.2-Sinais e Sintomas

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------

2.3- Queixas Principais

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------
2.4- Tratamento Inicial

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------

2.5- História da doença Actual

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------

2.6- Antescedentes

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------

2.7- Exames Físico

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------

2.8- Exames Complementares

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------

2.9- Diagnóstico

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------

2.10- Tratamento

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------

2.11- Complicações

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------

2.12- Intervenções de Enfermagem ou Especifica

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------

2.13- Evolução Clinica

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------

2.14- Educação para Saúde

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Estudante: Tutor:
_______________________
______________________

YOLANDA JOÃO FILIPE Dr. LUKUBO


WUTAWAKO.

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