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Guia Completo de Redação e Ortografia

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© © All Rights Reserved
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REDAÇÃO: Gênero textual; textualidade e estilo (funções da

linguagem; coesão e coerência textual; tipos de discurso;


intertextualidade; denotação e conotação; figuras de
linguagem; mecanismos de coesão; a ambiguidade; a não
contradição; paralelismos sintáticos e semânticos; continuidade
e progressão textual); texto e contexto; o texto narrativo: o
enredo, o tempo e o espaço; a técnica da descrição; o
narrador; o texto argumentativo; o tema; a impessoalidade; a
carta argumentativa; a crônica argumentativa; argumentação e
persuasão; o texto dissertativo-argumentativo; a consistência
dos argumentos; a contra-argumentação; o parágrafo; a

1
informatividade e o senso comum; formas de desenvolvimento
do texto dissertativo-argumentativo; a introdução; a conclusão..

Alterações introduzidas na ortografia da língua portuguesa


pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado
em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990, por Portugal, Brasil,
Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné Bissau,
Moçambique e, posteriormente, por Timor Leste, aprovado no

8
Brasil pelo Decreto nº 6.583, de 29 de setembro de 2008 e
alterado pelo Decreto nº 7.875, de 27 de dezembro de 2012.....
APOSTILAS OPÇÃO A Sua Melhor Opção em Concursos Públicos

grandes mestres do idioma, clássicos e contemporâneos; redigir frequen-


REDAÇÃO temente, para familiarizar-se com o processo e adquirir facilidade de ex-
pressão; e ser escrupuloso na correção da composição, retificando o que
não saiu bem na primeira tentativa. É importante também realizar um
1) Objetivo exame atento da realidade a ser retratada e dos eventos a que o texto se
Elaboração de texto com correção, clareza e objetividade, que conte- refere, sejam eles concretos, emocionais ou filosóficos. O romancista, o
nha no mínimo 20 (vinte) e no máximo 30 (trinta) linhas, com assunto, tema cientista, o burocrata, o legislador, o educador, o jornalista, o biógrafo,
e modalidade específicos, expressos na proposta constante da folha de todos pretendem comunicar por escrito, a um público real, um conteúdo que
prova. A produção textual deve respeitar, integralmente, as características quase sempre demanda pesquisa, leitura e observação minuciosa de fatos
da modalidade textual proposta e a linguagem utilizada deve estar de empíricos. A capacidade de observar os dados e apresentá-los de maneira
acordo com os padrões da norma culta da língua portuguesa. própria e individual determina o grau de criatividade do escritor.
Para que haja eficácia na transmissão da mensagem, é preciso ter em
2) Conteúdo mente o perfil do leitor a quem o texto se dirige, quanto a faixa etária, nível
As modalidades de texto (descrição, narrativa e dissertação); os tipos cultural e escolar e interesse específico pelo assunto. Assim, um mesmo
de descrição; características da descrição; os tipos de narrativa; caracterís- tema deverá ser apresentado diferentemente ao público infantil, juvenil ou
ticas da narrativa; o interesse humano; narrativa e descrição; os tipos de adulto; com formação universitária ou de nível técnico; leigo ou especializa-
discurso (direto, indireto e indireto livre); os tipos de dissertação; a lingua- do. As diferenças hão de determinar o vocabulário empregado, a extensão
gem retórica; figuras de linguagem; narrativa e dissertação. do texto, o nível de complexidade das informações, o enfoque e a condução
do tema principal a assuntos correlatos.
3) Critérios de correção Organização das ideias. O texto artístico é em geral construído a partir
a) Narrativa: seleção de elementos significativos e sugestivos; coerên- de regras e técnicas particulares, definidas de acordo com o gosto e a
cia; movimento; coesão da linguagem; criatividade. Serão observados, habilidade do autor. Já o texto objetivo, que pretende antes de mais nada
ainda, o respeito integral à modalidade textual proposta, a seleção lexical transmitir informação, deve fazê-lo o mais claramente possível, evitando
(linguagem), o atendimento à norma culta da língua, a correção gramatical palavras e construções de sentido ambíguo.
e a apresentação do texto (caligrafia, margens e limpeza). Para escrever bem, é preciso ter ideias e saber concatená-las. Entre-
b)Dissertação: assunto e tema; coerência nos parágrafos (argumenta- vistas com especialistas ou a leitura de textos a respeito do tema abordado
ção); criatividade (persuasão); coesão na linguagem. Serão observados, são bons recursos para obter informações e formar juízos a respeito do
ainda, o respeito integral à modalidade textual proposta, a seleção lexical assunto sobre o qual se pretende escrever. A observação dos fatos, a
(linguagem), o atendimento à norma culta da língua, a correção gramatical experiência e a reflexão sobre seu conteúdo podem produzir conhecimento
e a apresentação do texto (caligrafia, margens e limpeza). suficiente para a formação de ideias e valores a respeito do mundo circun-
dante.
4) Correção da redação É importante evitar, no entanto, que a massa de informações se dis-
Não terá a parte discursiva de Português (redação) corrigida, o candi- perse, o que esvaziaria de conteúdo a redação. Para solucionar esse
dato que apresentar o texto de sua Redação: problema, pode-se fazer um roteiro de itens com o que se pretende escre-
a) com fuga total ao tema proposto na Parte Discursiva de Português; ver sobre o tema, tomando nota livremente das ideias que ele suscita. O
b) em modalidade textual diferente da pedida na Parte Discursiva de passo seguinte consiste em organizar essas ideias e encadeá-las segundo
Português; a relação que se estabelece entre elas.
c) ilegível, isto é, que não pode ser lido; Vocabulário e estilo. Embora quase todas as palavras tenham sinôni-
d) em linguagem e/ou texto incompreensível, isto é, o vocabulário não mos, dois termos quase nunca têm exatamente o mesmo significado. Há
pode ser compreendido; sutilezas que recomendam o emprego de uma ou outra palavra, de acordo
e) em forma de poema ou outra que não em prosa; com o que se pretende comunicar. Quanto maior o vocabulário que o
f) em texto com menos de 20 (vinte) ou mais de 30 (trinta) linhas; indivíduo domina para redigir um texto, mais fácil será a tarefa de comuni-
g) com marcas ou rasuras que possam identificar o candidato na Folha car a vasta gama de sentimentos e percepções que determinado tema ou
de Redação; e objeto lhe sugere.
h) redigido sem a utilização de caneta esferográfica de tinta azul ou Como regras gerais, consagradas pelo uso, deve-se evitar arcaísmos e
preta. neologismos e dar preferência ao vocabulário corrente, além de evitar
cacofonias (junção de vocábulos que produz sentido estranho à ideia
original, como em "boca dela") e rimas involuntárias (como na frase, "a
2) Conteúdo
audição e a compreensão são fatores indissociáveis na educação infantil").
As modalidades de texto (descrição, narrativa e dissertação); os O uso repetitivo de palavras e expressões empobrece a escrita e, para
tipos de descrição; características da descrição; os tipos de narrati- evitá-lo, devem ser escolhidos termos equivalentes.
va; características da narrativa; o interesse humano; narrativa e A obediência ao padrão culto da língua, regido por normas gramaticais,
descrição; os tipos de discurso (direto, indireto e indireto livre); os linguísticas e de grafia, garante a eficácia da comunicação. Uma frase
tipos de dissertação; a linguagem retórica; figuras de linguagem; gramaticalmente incorreta, sintaticamente mal estruturada e grafada com
narrativa e dissertação. erros é, antes de tudo, uma mensagem ininteligível, que não atinge o
objetivo de transmitir as opiniões e ideias de seu autor.
Redação Tipos de redação. Todas as formas de expressão escrita podem ser
A linguagem escrita tem identidade própria e não pretende ser mera classificadas em formas literárias -- como as descrições e narrações, e
reprodução da linguagem oral. Ao redigir, o indivíduo conta unicamente nelas o poema, a fábula, o conto e o romance, entre outros -- e não-
com o significado e a sonoridade das palavras para transmitir conteúdos literárias, como as dissertações e redações técnicas.
complexos, estimular a imaginação do leitor, promover associação de ideias Descrição. Descrever é representar um objeto (cena, animal, pessoa,
e ativar registros lógicos, sensoriais e emocionais da memória. lugar, coisa etc.) por meio de palavras. Para ser eficaz, a apresentação das
Redação é o ato de exprimir ideias, por escrito, de forma clara e orga- características do objeto descrito deve explorar os cinco sentidos humanos
nizada. O ponto de partida para redigir bem é o conhecimento da gramática -- visão, audição, tato, olfato e paladar --, já que é por intermédio deles que
do idioma e do tema sobre o qual se escreve. Um bom roteiro de redação o ser humano toma contato com o ambiente.
deve contemplar os seguintes passos: escolha da forma que se pretende A descrição resulta, portanto, da capacidade que o indivíduo tem de
dar à composição, organização das ideias sobre o tema, escolha do voca- perceber o mundo que o cerca. Quanto maior for sua sensibilidade, mais
bulário adequado e concatenação das ideias segundo as regras linguísticas rica será a descrição. Por meio da percepção sensorial, o autor registra
e gramaticais. suas impressões sobre os objetos, quanto ao aroma, cor, sabor, textura ou
Para adquirir um estilo próprio e eficaz é conveniente ler e estudar os sonoridade, e as transmite para o leitor.
Narração. O relato de um fato, real ou imaginário, é denominado narra-

Redação (Prova Discursiva) 1 A Opção Certa Para a Sua Realização 1


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ção. Pode seguir o tempo cronológico, de acordo com a ordem de sucessão também personagens cujos traços de personalidade ou padrões de com-
dos acontecimentos, ou o tempo psicológico, em que se privilegiam alguns portamento são extremamente acentuados (às vezes tocando o ridículo);
eventos para atrair a atenção do leitor. A escolha do narrador, ou ponto de nesses casos, muito comuns em novelas de televisão, por exemplo, temos
vista, pode recair sobre o protagonista da história, um observador neutro, personagens caricaturais.
alguém que participou do acontecimento de forma secundária ou ainda um A personagem Sérgio, do romance O Ateneu, constitui-se numa indivi-
espectador onisciente, que supostamente esteve presente em todos os dualidade, ou seja, numa figura humana complexa que vive conflitos com o
lugares, conhece todos os personagens, suas ideias e sentimentos. mundo exterior e consigo mesmo. Já o diretor do colégio, o Dr. Aristarco,
A apresentação dos personagens pode ser feita pelo narrador, quando embora não seja uma caricatura, apresenta alguns traços de personagem
é chamada de direta, ou pelas próprias ações e comportamentos deste, caricatura.
quando é dita indireta. As falas também podem ser apresentadas de três O Nome das Personagens
formas: (1) discurso direto, em que o narrador transcreve de forma exata a É interessante observar como os bons escritores se preocupam com a
fala do personagem; (2) discurso indireto, no qual o narrador conta o que o relação personagem/nome próprio. Veja Graciliano Ramos, em Vida secas:
personagem disse, lançando mão dos verbos chamados dicendi ou de Vitória é o nome de uma nordestina que alimenta pequenos sonhos, nunca
elocução, que indicam quem está com a palavra, como por exemplo "dis- concretizados; Baleia é o nome de uma cachorra que morre em conse-
se", "perguntou", "afirmou" etc.; e (3) discurso indireto livre, em que se quência da seca, em pleno sertão nordestino.
misturam os dois tipos anteriores. Machado de Assis é outro exemplo brilhante; em Dom Casmurro, o
O conjunto dos acontecimentos em que os personagens se envolvem personagem-narrador chama-se Bento e tem sua vida em grande parte
chama-se enredo. Pode ser linear, segundo a sucessão cronológica dos determinada pela carolice da mãe, que queria torná-lo padre.
fatos, ou não-linear, quando há cortes na sequência dos acontecimentos. É Lima Barreto também trabalha muito bem o nome dos seus persona-
comumente dividido em exposição, complicação, clímax e desfecho. gens: Clara do Anjos é uma rapariga negra que é engravidada e abandona-
Dissertação. A exposição de ideias a respeito de um tema, com base da por um rapaz branco; Isaías Caminha é um escrivão (lembra-se do Pero
em raciocínios e argumentações, é chamada dissertação. Nela, o objetivo Vaz ?); Quaresma é um ingênuo nacionalista que morre às mãos de um
do autor é discutir um tema e defender sua posição a respeito dele. Por ditador.
essa razão, a coerência entre as ideias e a clareza na forma de expressão No romance O Ateneu, o diretor autocrático e majestático, responsável
são elementos fundamentais. por um ensino conservador e ultrapassado, é significativamente batizado de
A organização lógica da dissertação determina sua divisão em introdu- Aristarco (de áristos, "ótimo" + arqué, "governo", ou seja, o bom governo,
ção, parte em que se apresenta o tema a ser discutido; desenvolvimento, com toda ironia possível). Conclusão: ao ler bons autores ou mesmo ao
em que se expõem os argumentos e ideias sobre o assunto, fundamentan- criar personagens, preste atenção aos nomes.
do-se com fatos, exemplos, testemunhos e provas o que se quer demons- Em Quincas Borba temos um narrador omnisciente. Veja como o nar-
trar; e conclusão, na qual se faz o desfecho da redação, com a finalidade rador "lê" os sentimentos, os desejos e mesmo o jogo de cena da persona-
de reforçar a ideia inicial. ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações gem; sabemos, por exemplo, que Rubião mirava disfarçadamente a bande-
Ltda. ja, que amava de coração os metais nobres. O narrador conhece as prová-
veis opções de Rubião: a preferência pela bandeja de prata aos bustos de
ELEMENTOS DA NARRATIVA bronze.
Narração na 3ª Pessoa e narrador omnisciente e omnipresente
Introdução O narrador omnisciente ou omnipresente é uma espécie de testemunha
A narração é um relato centrado num fato ou acontecimento; há perso- invisível de tudo o que acontece, em todos os lugares e em todos os mo-
nagens a atuar e um narrador que relata a ação. O tempo e o ambiente (ou mentos; ele não só se preocupa em dizer o que as personagens fazem ou
cenário) são outros elementos importantes na estrutura da narração. falam, mas também traduz o que pensam e sentem. Portanto, ele tenta
passar para o leitor as emoções, os pensamentos e os sentimentos das
O Enredo personagens.
O enredo, ou trama, ou intriga, é, podemos dizer, o esqueleto da narra- Nas narrações em terceira pessoa, o narrador está fora dos aconteci-
tiva, aquilo que dá sustentação à história, ou seja, é o desenrolar dos mentos; podemos dizer que ele paira acima de tudo e de todos. Esta situa-
acontecimentos. Geralmente, o enredo está centrado num conflito, respon- ção permite ao narrador saber de tudo, do passado e do futuro, das emo-
sável pelo nível de tensão da narrativa; podemos ter um conflito entre o ções e pensamentos dos personagens. Daí dizer-se omnisciente.
homem e o meio natural (como ocorre em alguns romances modernistas), Texto Descritivo
entre o homem e o meio social, até chegarmos a narrativas que colocam o Vamos abordar o texto descritivo, sob o ponto de vista da sua produ-
homem contra si próprio (como ocorre em romances introspectivos). ção e funcionamento discursivo, com base na ideia de que um texto se
define pela sua finalidade situacional - todo o ato de linguagem tem uma
Em O Ateneu o enredo desenvolve-se a partir da entrada do menino intencionalidade e submete-se a condições particulares de produção, o que
Sérgio, aos onze anos de idade, no colégio interno. Colocado diante de um exige do falante da língua determinadas estratégias de construção textual.
mundo diferente, sem estar preparado para isso, o menino vivência uma Em cada texto, portanto, podem combinar-se diferentes recursos (narrati-
série de experiências e acontecimentos que culminam com o incêndio e a vos, descritivos, dissertativos), em função do tipo de interação que se
consequente destruição do colégio. estabelece entre os interlocutores. Nesse contexto teórico, o texto descritivo
O Ambiente identifica-se por ter a descrição como estratégia predominante.
O ambiente é o espaço por onde circulam personagens e se desenrola Inserindo-se numa abordagem mais geral sobre os mecanismos de e-
o enredo. Em alguns casos, é de importância tão fundamental que se laboração textual, com base nos conceitos de coesão e coerência, o traba-
transforma em personagem, como no caso do colégio interno em O Ateneu, lho pedagógico de leitura e produção do texto de base descritiva deve partir
de Raul Pompéia, e da habitação coletiva em O cortiço, de Aluísio Azevedo. dos seguintes pontos:
O Tempo a) O texto de base descritiva tem como objetivo oferecer ao leitor
Observe, no fragmento de O Ateneu, como o tempo é um elemento im- /ouvinte a oportunidade de visualizar o cenário onde uma ação se desen-
portante: "Eu tinha onze anos", afirma o personagem-narrador (perceba a volve e as personagens que dela participam;
expressividade do pronome pessoal e do verbo no pretérito). Fica caracteri- b) A descrição está presente no nosso dia-a-dia, tanto na ficção (nos
zada, assim, uma narrativa de caráter memorialista, ou seja, o tempo da romances, nas novelas, nos contos, nos poemas) como em outros tipos de
ação é anterior ao tempo da narração. O personagem-narrador na sua vida textos (nas obras técnico-científicas, nas enciclopédias, nas propagandas,
adulta narra fatos acontecidos durante a sua pré-adolescência. nos textos de jornais e revistas);
As Personagens c) A descrição pode ter uma finalidade subsidiária na construção de
Os seres que atuam, isto é, que vivem o enredo, são as personagens. outros tipos de texto, funcionando como um plano de fundo, o que explica
Em geral a personagem bem construída representa uma individualidade, e situa a ação (na narração) ou que comenta e justifica a argumentação;
apresentando, inclusive, traços psicológicos distintos. Há personagens que d) Existem características linguísticas próprias do texto de base descri-
não representam individualidades, mas sim tipos humanos, identificados tiva, que o diferenciam de outros tipos de textos;
antes pela profissão, pelo comportamento, pela classe social, enfim, por e) Os advérbios de lugar são elementos essenciais para a coesão e a
algum traço distintivo comum a todos os indivíduos dessa categoria. E há coerência do texto de base descritiva, permitindo a localização espacial dos

Redação (Prova Discursiva) 2 A Opção Certa Para a Sua Realização 2


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cenários e personagens descritos; das verdes, ladeado com duas mesinhas de mármore, abajur, um quadro,
f) O texto descritivo detém-se sobre objetos e seres considerados na reprodução de Van Gogh. Em frente tem uma mesinha de mármore e
sua simultaneidade, e os tempos verbais mais frequentes são o presente do em frente a esta mesa e portanto defronte do sofá tem um estrado com
indicativo no comentário e o pretérito imperfeito do indicativo no relato. almofadas areia, o aparelho de som, um baú preto. À esquerda desse
O que é um texto descritivo estrado há uma televisão enorme, horrorosa, depois há em frente à televi-
Segundo Othon M. Garcia (1973), "Descrição é a representação verbal são duas poltroninhas vermelhas de jacarandá e aí termina o primeiro
de um objeto sensível (ser, coisa, paisagem), através da indicação dos ambiente. Depois então no outro, no alongamento da sala há uma mesa
seus aspectos mais característicos, dos pormenores que o individualizam, grande com seis cadeiras com um abajur em cima, um abajur vermelho. A
que o distinguem." sala é toda pintadinha de branco ..."
Descrever não é enumerar o maior número possível de detalhes, mas Comentário sobre o texto
assinalar os traços mais singulares, mais salientes; é fazer ressaltar do Neste trecho da entrevista, a informante descreve a sala, nomeando as
conjunto uma impressão dominante e singular. Dependendo da intenção do peças que compõem os dois ambientes, reproduzidos numa sequência bem
autor, varia o grau de exatidão e minúcia na descrição. organizada. A localização da mobília é fornecida por meio de diversas
Diferentemente da narração, que faz uma história progredir, a descri- expressões de lugar, como em frente, defronte, à esquerda, em cima, que
ção faz interrupções na história, para apresentar melhor um personagem, ajudam a imaginar com clareza a distribuição espacial. Há uma preocupa-
um lugar, um objeto, enfim, o que o autor julgar necessário para dar mais ção da informante em fazer o nosso olhar percorrer a sala, dando os deta-
consistência ao texto. Pode também ter a finalidade de ambientar a história, lhes por meio das cores (verde, areia, preto, vermelhas), do tamanho (
mostrando primeiro o cenário, como acontece no texto abaixo: televisão enorme, poltroninhas, mesinhas, sala pintadinha). É também
"Ao lado do meu prédio construíram um enorme edifício de apartamen- interessante observar que essa informante deixa transparecer as suas
tos. Onde antes eram cinco românticas casinhas geminadas, hoje instala- impressões pessoais, como por exemplo ao usar o adjetivo horrorosa,
ram-se mais de 20 andares. Da minha sala vejo a varandas (estilo medi- para falar da televisão e pintadinha, no diminutivo, referindo-se com carinho
terrâneo) do novo monstro. Devem distar uns 30 metros, não mais. à sua sala de estar e de jantar.
E foi numa dessas varandas que o fato se deu." b) ponto de vista mental ou psicológico
(Mário Prata. 100 Crônicas. São Paulo, Cartaz Editorial, 1997) A descrição pode ser apresentada de modo a manifestar uma impres-
A descrição tem sido normalmente considerada como uma expansão são pessoal, uma interpretação do objeto. A simpatia ou antipatia do obser-
da narrativa. Sob esse ponto de vista, uma descrição resulta frequentemen- vador pode resultar em imagens bastante diferenciadas do mesmo objeto.
te da combinação de um ou vários personagens com um cenário, um meio, Deste ponto de vista, dois tipos de descrição podem ocorrer: a objetiva e a
uma paisagem, uma coleção de objetos. Esse cenário desencadeia o subjetiva.
aparecimento de uma série de subtemas, de unidades constitutivas que A descrição objetiva, também chamada realista, é a descrição exata,
estão em relação metonímica de inclusão: a descrição de um jardim (tema dimensional. Os detalhes não se diluem, pelo contrário, destacam-se níti-
principal introdutor) pode desencadear a enumeração das diversas flores, dos em forma, cor, peso, tamanho, cheiro, etc. Este tipo de descrição pode
canteiros, árvores, utensílios, etc., que constituem esse jardim. Cada sub- ser encontrado em textos literários de intenção realista (por exemplo, em
tema pode igualmente dar lugar a um maior detalhe (os diferentes tipos de Euclides da Cunha, Eça de Queiroz, Flaubert, Zola), enquanto em textos
flor, as suas cores, a sua beleza, o seu perfume...). ] não-
Em trabalho recente, Hamon (1981) mostra que o descritivo tem carac- Literários (técnicos e científicos), a descrição subjetiva reflete o estado
terísticas próprias e não apenas a função de auxiliar a narrativa, chegando de espírito do observador, as suas preferências. Isto faz com que veja
a apontar aspectos linguísticos da descrição: frequência de imagens, de apenas o que quer ou pensa ver e não o que está para ser visto. O resulta-
analogias, adjetivos, formas adjetivas do verbo, termos técnicos... Além do dessa descrição é uma imagem vaga, diluída, nebulosa, como os qua-
disso, o autor ressalta a função utilitária desempenhada pela descrição face dros impressionistas do fim do século passado. É uma descrição em que
a qualquer tipo de texto do qual faz parte: "descrever para completar, predomina a conotação.
descrever para ensinar, descrever para significar, descrever para arquivar, "Ao descrever um determinado ser, tendemos sempre a acentuar al-
descrever para classificar, descrever para prestar contas, descrever para guns aspectos, de acordo com a reação que esse ser provoca em nós. Ao
explicar." enfatizar tais aspectos, corremos o risco de acentuar qualidades negativas
No texto dissertativo, por exemplo, a descrição funciona como uma ou positivas. Mesmo usando a linguagem científica, que é imparcial, a
maneira de comentar ou detalhar os argumentos contra ou a favor de tarefa de descrever objetivamente é bastante difícil.
determinada tese defendida pelo autor. Assim, para analisar o problema da Apesar dessa dificuldade, podemos atingir um grau satisfatório de im-
evasão escolar, podemos utilizar como estratégia argumentativa a descri- parcialidade se nos tornarmos conscientes dos sentimentos favoráveis ou
ção detalhada de salas vazias, corredores vazios, estudantes desmotiva- desfavoráveis que as coisas podem provocar em nós. A consciência disso
dos, repetência. habilitar-nos-á a confrontar e equilibrar os julgamentos favoráveis ou
Numa descrição, quer literária, quer técnica, o ponto de vista do autor desfavoráveis.
interfere na produção do texto. O ponto de vista consiste não apenas na Um bom exercício consiste em fazer dois levantamentos sobre a coisa
posição física do observador, mas também na sua atitude, na sua predispo- que queremos descrever: o primeiro, contendo características tendentes
sição afetiva em face do objeto a ser descrito. Desta forma, existe o ponto a enfatizar aspectos positivos; o segundo, a enfatizar aspectos negativos.
de vista físico e o ponto de vista mental. Características linguísticas da descrição
a) Ponto de vista físico O enunciado narrativo, por ter a representação de um acontecimento,
b) É a perspectiva que o observador tem do objeto; pode determinar fazer-transformador, é marcado pela temporalidade, na relação situação
a ordem na enumeração dos pormenores significativos. Enquanto uma inicial e situação final, enquanto que o enunciado descritivo, não tendo
fotografia ou uma tela apresentam o objeto de uma só vez, a descrição transformação, é atemporal.
apresenta-o progressivamente, detalhe por detalhe, levando o leitor a Na dimensão linguística, destacam-se marcas sintático-semânticas encon-
combinar impressões isoladas para formar uma imagem unificada. Por tradas no texto que vão facilitar a compreensão:
esse motivo, os detalhes não são todos apresentados num único período, Predominância de verbos de estado, situação ou indicadores de propri-
mas pouco a pouco, para que o leitor, associando-os, interligando-os, edades, atitudes, qualidades, usados principalmente no presente e no
possa compor a imagem que faz do objeto da descrição. imperfeito do indicativo (ser, estar, haver, situar-se, existir, ficar).
Observamos e percebemos com todos os sentidos, não apenas com os Ênfase na adjetivação para melhor caracterizar o que é descrito;
olhos. Por isso, informações a respeito de ruídos, cheiros, sensações Exemplo:
tácteis são importantes num texto descritivo, dependendo da intenção "Era alto , magro, vestido todo de preto, com o pescoço entalado num
comunicativa. colarinho direito. O rosto aguçado no queixo ia-se alargando até à calva,
c) Outro fator importante diz respeito à ordem de apresentação dos vasta e polida, um pouco amolgado no alto; tingia os cabelos que de uma
detalhes. orelha à outra lhe faziam colar por trás da nuca - e aquele preto lustroso
Texto - Trecho de conversa informal (entrevista) dava, pelo contraste, mais brilho à calva; mas não tingia o bigode; tinha-
"Vamos ver. Bom, a sala tem forma de ele, apesar de não ser grande, o grisalho, farto, caído aos cantos da boca. Era muito pálido; nunca tirava
né, dá dois ambientes perfeitamente separados. O primeiro ambiente da as lunetas escuras. Tinha uma covinha no queixo, e as orelhas grandes
sala de estar tem um sofá forrado de couro, uma forração verde, as almofa- muito despegadas do crânio. "(Eça de Queiroz - O Primo Basílio)

Redação (Prova Discursiva) 3 A Opção Certa Para a Sua Realização 3


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*** em prosa como em verso.
Emprego de figuras (metáforas, metonímias, comparações, sinestesi- Descrição de pessoas
as). A descrição de personagem pode ser feita na primeira ou terceira pes-
Exemplos: soa. No primeiro caso, fica claro que o personagem faz parte da história; no
"Era o Sr. Lemos um velho de pequena estatura, não muito gordo, mas segundo, a descrição é feita pelo narrador, que, ele próprio, pode fazer ou
rolho e bojudo como um vaso chinês. Apesar de seu corpo rechonchudo, não parte da história.
tinha certa vivacidade buliçosa e saltitante que lhe dava petulância de rapaz Texto - Retrato de Mônica
e casava perfeitamente com os olhinhos de azougue." (José de Alencar - Mônica é uma pessoa tão extraordinária que consegue simultaneamen-
Senhora) te: ser boa mãe de família, ser chiquíssima, ser dirigente da "Liga Interna-
Uso de advérbios de localização espacial. cional das Mulheres Inúteis", ajudar o marido nos negócios, fazer ginástica
Exemplo: todas as manhãs, ser pontual, ter imensos amigos, dar muitos jantares, ir a
"Até os onze anos, eu morei numa casa, uma casa velha, e essa casa muitos jantares, não fumar, não envelhecer, gostar de toda gente, toda
era assim: na frente, uma grade de ferro; depois você entrava tinha um gente gostar dela, colecionar colheres do século XVII, jogar golfe, deitar-se
jardinzinho; no final tinha uma escadinha que devia ter uns cinco degraus; tarde, levantar-se cedo, comer iogurte, fazer ioga, gostar de pintura abstra-
aí você entrava na sala da frente; dali tinha um corredor comprido de onde ta, ser sócia de todas as sociedades musicais, estar sempre divertida, ser
saíam três portas; no final do corredor tinha a cozinha, depois tinha uma um belo exemplo de virtudes, ter muito sucesso e ser muito séria.
escadinha que ia dar no quintal e atrás ainda tinha um galpão, que era o Tenho conhecido na vida muitas pessoas parecidas com a Mônica.
lugar da bagunça ..." (Entrevista gravada para o Projeto NURC/RJ) Mas são só a sua caricatura. Esquecem-se sempre do ioga ou da pintura
"A ordem dos detalhes é, pois, muito importante. Não se faz a descri- abstrata.
ção de uma casa de maneira desordenada; ponha-se o autor na posição de Por trás de tudo isto há um trabalho severo e sem tréguas e uma disci-
quem dela se aproxima pela primeira vez; comece de fora para dentro à plina rigorosa e contente. Pode-se dizer que Mônica trabalha de sol a sol.
medida que vai caminhando na sua direção e percebendo pouco a pouco De fato, para conquistar todo o sucesso e todos os gloriosos bens que
os seus traços mais característicos com um simples correr d'olhos: primei- possui, Mônica teve de renunciar a três coisas: à poesia, ao amor e à
ro, a visão do conjunto, depois a fachada, a cor das paredes, as janelas e santidade.
portas, anotando alguma singularidade expressiva, algo que dê ao leitor Texto - Calisto Elói
uma ideia do seu estilo, da época da construção. Mas não se esqueça de Calisto Elói, naquele tempo, orçava por quarenta e quatro anos. Não
que percebemos ou observamos com todos os sentidos, e não apenas era desajeitado de sua pessoa. Tinha poucas carnes e compleição, como
com os olhos. Haverá sons, ruídos, cheiros, sensações de calor, vultos que dizem, afidalgada. A sensível e dissimétrica saliência do abdômen devia-se
passam, mil acidentes, enfim, que evitarão que se torne a descrição uma ao uso destemperado da carne de porcos e outros alimentos intumescen-
fotografia pálida daquela riqueza de impressões que os sentidos atentos tes. Pés e mãos justificavam a raça que as gerações vieram adelgaçando
podem colher. Continue o observador: entre na casa, examine a primeira de carnes. Tinha o nariz algum tanto estragado das invasões do rapé e
peça, a posição dos móveis, a claridade ou obscuridade do ambiente, torceduras do lenço de algodão vermelho. A dilatação das ventas e o
destaque o que lhe chame de pronto a atenção (um móvel antigo, uma escarlate das cartilagens não eram assim mesmo coisa de repul-
goteira, um vão de parede, uma massa no reboco, um cão sonolento...). são. (Camilo Castelo Branco, A queda dum anjo)
Continue assim gradativamente. Seria absurdo começar pela fachada, Comentário sobre a descrição de pessoas
passar à cozinha, voltar à sala de visitas, sair para o quintal, regressar a um A descrição de pessoas pode ser feita a partir das características físi-
dos quartos, olhar depois para o telhado, ou notar que as paredes de fora cas, com predomínio da objetividade, ou das características psicológicas,
estão descaiadas. Quase sempre a direção em que se caminha, ou se com predomínio da subjetividade. Muitas vezes, o autor, propositadamente,
poderia normalmente caminhar rumo ao objeto serve de roteiro, impõe uma faz uma caricatura do personagem, acentuando os seus traços físicos ou
ordem natural para a indicação dos seus pormenores." comportamentais.
Fica evidente que esse "passeio" pelo cenário, feito como se tivésse- Os personagens podem ser apresentados diretamente, isto é, num de-
mos nas mãos uma câmara cinematográfica, registrando os detalhes e terminado momento da história, e neste caso a narrativa é momentanea-
compondo com eles um todo, deve obedecer a um roteiro coerente, evitan- mente interrompida. Podem, por outro lado, ser apresentados indiretamen-
do idas e vindas desconexas, que certamente perturbam a organização te, por meio de dados, como comportamentos, traços físicos, opiniões, que
espacial e prejudicam a coerência do texto descritivo. vão sendo indicados passo a passo, ao longo da narrativa.
Textos descritivos ***
Conforme o objetivo a alcançar, a descrição pode ser não-literária ou li- Texto - Trecho de "A Relíquia" (Eça de Queiroz)
terária. Na descrição não-literária, há maior preocupação com a exatidão "Estávamos sobre a pedra do Calvário.
dos detalhes e a precisão vocabular. Por ser objetiva, há predominância da Em torno, a capela que a abriga, resplandecia com um luxo sensual e
denotação. pagão. No teto azul-ferrete brilhavam sóis de prata, signos do Zodíaco,
Textos descritivos não-literários estrelas, asas de anjos, flores de púrpura; e, dentre este fausto sideral,
A descrição técnica é um tipo de descrição objetiva: ela recria o objeto pendiam de correntes de pérolas os velhos símbolos da fecundidade, os
usando uma linguagem científica, precisa. Esse tipo de texto é usado para ovos de avestruz, ovos sacros de Astarté e Baco de ouro. [...] Globos
descrever aparelhos, o seu funcionamento, as peças que os compõem, espelhados, pousando sobre peanhas de ébano, refletiam as jóias dos
para descrever experiências, processos, etc. retábulos, a refulgência das paredes revestidas de jaspe, de nácar e de
Exemplo: ágata. E no chão, no meio deste clarão, precioso de pedraria e luz, emer-
a) Folheto de propaganda de carro gindo dentre as lajes de mármore branco, destacava um bocado de rocha
Conforto interno - É impossível falar de conforto sem incluir o espaço bruta e brava, com uma fenda alargada e polida por longos séculos de
interno. Os seus interiores são amplos, acomodando tranquilamente passa- beijos e afagos beatos."
geiros e bagagens. O Passat e o Passat Variant possuem direção hidráulica Considerações Finais
e ar condicionado de elevada capacidade, proporcionando a climatização Um enunciado descritivo, portanto, é um enunciado de ser. A descrição
perfeita do ambiente. não é um objeto literário por princípio, embora esteja sempre presente nos
Porta-malas - O compartimento de bagagens possui capacidade de textos de ficção, ela encontra-se nos dicionários, na publicidade, nos textos
465 litros, que pode ser ampliada para até 1500 litros, com o encosto do científicos.
banco traseiro rebaixado. Há autores que apresentam a definição como um tipo de texto descriti-
Tanque - O tanque de combustível é confeccionado em plástico reci- vo. Para Othon [Link] (1973), "a definição é uma fórmula verbal através
clável e posicionado entre as rodas traseiras, para evitar a deformação em da qual se exprime a essência de uma coisa (ser, objeto, ideia)", enquanto
caso de colisão. "a descrição consiste na enumeração de caracteres próprios dos seres
Textos descritivos literários (animados e inanimados), coisas, cenários, ambientes e costumes sociais;
Na descrição literária predomina o aspecto subjetivo, com ênfase no de ruídos, odores, sabores e impressões tácteis." Enquanto a definição
conjunto de associações conotativas que podem ser exploradas a partir de generaliza, a descrição individualiza, isto porque, quando definimos, esta-
descrições de pessoas; cenários, paisagens, espaço; ambientes; situações mos a tratar de classes, de espécies e, quando descrevemos, estamos a
e coisas. Vale lembrar que textos descritivos também podem ocorrer tanto detalhar indivíduos de uma espécie.

Redação (Prova Discursiva) 4 A Opção Certa Para a Sua Realização 4


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Definições de futebol narrador-personagem.
Texto extraído de uma publicidade - encontramos aqui uma interessan- Exemplo:
te definição do futebol, feita de uma maneira bastante diferente daquela que Andava pela rua quando de repente tropecei num pacote embrulhado
está nos dicionários. em jornais. Agarrei-o vagarosamente, abri-o e vi, surpreso, que lá havia
Futebol é bola na rede. Festa. Grito de golo. Não só. Não mais. No uma grande quantia em dinheiro.
Brasil de hoje, futebol é a reunião da família, a redenção da Pátria, a união 2. Narrador de 3ª pessoa: é aquele que não participa da ação, ou seja,
dos povos. Futebol é saúde, amizade, solidariedade, saber vencer. Futebol não se inclui na narrativa. Temos então o narrador-observador. 2. Narrador
é arte, cultura, educação. Futebol é balé, samba, capoeira. Futebol é fonte de 3ª pessoa: é aquele que não participa da ação, ou seja, não se inclui na
de riqueza. Futebol é competição leal. Esta é a profissão de fé da ***. narrativa. Temos então o narrador-observador.
Porque a *** tem o compromisso de estar ao lado do torcedor e do cida- Exemplo:
dão brasileiro. Sempre. João andava pela rua quando de repente tropeçou num pacote embru-
Enciclopédia e Dicionário Koogan/Houaiss lhado em jornais. Agarrou-o vagarosamente, abriu-o e viu, surpreso, que lá
Desporto no qual 22 jogadores, divididos em dois conjuntos, se esfor- havia uma grande quantia em dinheiro.
çam por fazer entrar uma bola de couro na baliza do conjunto contrário, OBSERVAÇÃO:
sem intervenção das mãos. (As primeiras regras foram elaboradas em Em textos que apresentam o narrador de 1.ª pessoa, ele não precisa
1860). ser necessariamente a personagem principal; pode ser somente alguém
A diferença entre descrição, narração e dissertação que, estando no local dos acontecimentos, os presenciou.
Esquema da narração Exemplo:
Tipos de redação ou composição Estava parado na paragem do autocarro, quando vi, a meu lado, um
Tudo o que se escreve recebe o nome genérico de redação (ou com- rapaz que caminhava lentamente pela rua. Ele tropeçou num pacote embru-
posição). Existem três tipos de redação: descrição, narração e dissertação. lhado em jornais. Observei que ele o agarrou com todo o cuidado, abriu-o e
É importante que perceba a diferença entre elas. Leia, primeiramente, as viu, surpreso, que lá havia uma grande quantia em dinheiro.
seguintes definições: Elementos da narração
Descrição Depois de escolher o tipo de narrador que vai utilizar, é necessário ain-
É o tipo de redação na qual se apontam as características que com- da conhecer os elementos básicos de qualquer narração.
põem um determinado objeto, pessoa, ambiente ou paisagem. Todo o texto narrativo conta um FATO que se passa em determinado
Exemplo: TEMPO e LUGAR. A narração só existe na medida em que há ação; esta
A sua estatura era alta e seu corpo, esbelto. A pele morena refletia o ação é praticada pelos PERSONAGENS.
sol dos trópicos. Os olhos negros e amendoados espalhavam a luz interior Um fato, em geral, acontece por uma determinada CAUSA e desenro-
de sua alegria de viver e jovialidade. Os traços bem desenhados compu- la-se envolvendo certas circunstâncias que o caracterizam. É necessário,
nham uma fisionomia calma, que mais parecia uma pintura. portanto, mencionar o MODO como tudo aconteceu detalhadamente, isto é,
Narração de que maneira o fato ocorreu. Um acontecimento pode provocar CONSE-
É a modalidade de redação na qual contamos um ou mais fatos que QUÊNCIAS, as quais devem ser observadas.
ocorreram em determinado tempo e lugar, envolvendo certas personagens. Assim, os elementos básicos do texto narrativo são:
Exemplo: 1. FATO (o que se vai narrar);
Numa noite chuvosa do mês de Agosto, Paulo e o irmão caminhavam 2. TEMPO (quando o fato ocorreu);
pela rua mal-iluminada que conduzia à sua residência. Subitamente foram 3. LUGAR (onde o fato se deu);
abordados por um homem estranho. Pararam, atemorizados, e tentaram 4. PERSONAGENS (quem participou do ocorrido ou o observou);
saber o que o homem queria, receosos de que se tratasse de um assalto. 5. CAUSA (motivo que determinou a ocorrência);
Era, entretanto, somente um bêbado que tentava encontrar, com dificulda- 6. MODO (como se deu o fato);
de, o caminho de sua casa. 7. CONSEQUÊNCIAS.
Dissertação Uma vez conhecidos esses elementos, resta saber como organizá-los
É o tipo de composição na qual expomos ideias gerais, seguidas da a- para elaborar uma narração. Dependendo do fato a ser narrado, há inúme-
presentação de argumentos que as comprovem. ras formas de dispô-los. Todavia, apresentaremos um esquema de narra-
Exemplo: ção que pode ser utilizado para contar qualquer fato. Ele propõe-se situar
Tem havido muitos debates sobre a eficiência do sistema educacional. os elementos da narração em diferentes parágrafos, de modo a orientá-lo
Argumentam alguns que ele deve ter por objetivo despertar no estudante a sobre como organizar adequadamente a sua composição.
capacidade de absorver informações dos mais diferentes tipos e relacioná- Esquema de narração
las com a realidade circundante. Um sistema de ensino voltado para a 1º Parágrafo: Explicar que fato será narrado. Determinar o tempo e o
compreensão dos problemas socio-econômicos e que despertasse no aluno lugar INTRODUÇÃO
a curiosidade científica seria por demais desejável. 2º Parágrafo: Causa do fato e apresentação das personagens. DE-
** SENVOLVIMENTO
Não há como confundir estes três tipos de redação. Enquanto a descri- 3º Parágrafo: Modo como tudo aconteceu (detalhadamente).
ção aponta os elementos que caracterizam os seres, objetos, ambientes e 4º Parágrafo: Consequências do fato. CONCLUSÃO
paisagens, a narração implica uma ideia de ação, movimento empreendido OBSERVAÇÕES:
pelos personagens da história. Já a dissertação assume um caráter total- 1. É bom lembrar que, embora o elemento Personagens tenha sido ci-
mente diferenciado, na medida em que não fala de pessoas ou fatos espe- tado somente no 2º parágrafo (onde são apresentados com mais detalhes),
cíficos, mas analisa certos assuntos que são abordados de modo impesso- eles aparecem no decorrer de toda a narração, uma vez que são os desen-
al. cadeadores da sequência narrativa.
A NARRAÇÃO 2. O elemento Causa pode ou não existir na sua narração. Há fatos
Tipos de narrador que decorrem de causa específica (por exemplo, um atropelamento pode
Narrar é contar um ou mais fatos que ocorreram com determinadas ter como causa o descuido de um peão ao atravessar a rua sem olhar).
personagens, em local e tempo definidos. Por outras palavras, é contar Existe, em contrapartida, um número ilimitado de fatos dos quais não
uma história, que pode ser real ou imaginária. precisamos explicar as causas, por serem evidentes (por exemplo, uma
Quando vai redigir uma história, a primeira decisão que deve tomar é viagem de férias, um assalto a um banco, etc.).
se você vai ou não fazer parte da narrativa. Tanto é possível contar uma 3. três elementos mencionados na Introdução, ou seja, fato, tempo e
história que ocorreu com outras pessoas como narrar fatos acontecidos lugar, não precisam necessariamente aparecer nesta ordem. Podemos
consigo. Essa decisão determinará o tipo de narrador a ser utilizado na sua especificar, no início, o tempo e o local, para depois enunciar o fato que
composição. Este pode ser, basicamente, de dois tipos: será narrado.
1. Narrador de 1ª pessoa: é aquele que participa da ação, ou seja, que Utilizando esse recurso, pode narrar qualquer fato, desde os incidentes
se inclui na narrativa. que são noticiados nos jornais com o título de ocorrências policiais (assal-
Trata-se do narrador-personagem. 1. Narrador de 1ª pessoa: é aquele tos, atropelamentos, raptos, incêndios, colisões e outros) até fatos corri-
que participa da ação, ou seja, que se inclui na narrativa. Trata-se do queiros, como viagens de férias, festas de adeptos de futebol, comemora-

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ções de aniversário, quedas e acontecimentos inesperados ou fora do homem) devido à sua fúria incontrolável. Ela ia gritando empolgando-se
comum, bem como quaisquer outros. com a sua raiva crescente e ficando cada vez mais vermelha, como os
É importante ressaltar que o esquema apresentado é apenas uma su- tomates, ou até mais.
gestão de como se pode organizar uma narração. Temos inteira liberdade De repente, no auge de sua ira, avançou contra o homem já atemori-
para nos basearmos nele ou não. Mostra-se apenas uma das várias possi- zado e, tropeçando em alguns tomates podres que estavam no chão, caiu,
bilidades existentes de se estruturarem textos narrativos. Caso se deseje, tombou, mergulhou, esborrachou-se no asfalto, para o divertimento do
poderá inverter-se a ordem de todos os elementos e fazer qualquer outra pequeno público que, assim como eu, assistiu àquela cena incomum.
modificação que se ache conveniente, sem prejuízo do entendimento do OBSERVAÇÃO:
que se quer transmitir. O fundamental é conseguir-se contar uma história de A narração pode ter a extensão que convier. Pode aumentá-la ou dimi-
modo satisfatório. nuí-la, suprimindo detalhes menos importantes. Lembre-se: quando um
A narração objetiva determinado parágrafo ficar muito extenso, pode dividi-lo em dois. Desta-
Observe-se agora um exemplo de narração sobre um incêndio, criado camos, mais uma vez, que o esquema dado é uma orientação geral e não
com o auxílio do esquema estudado. Lembre-se de que, antes de começar precisa ser necessariamente seguido; ele pode sofrer variações referentes
a escrever, é preciso escolher o tipo de narrador. Optamos pelo narrador de ao número de parágrafos ou à ordem de disposição dos elementos narrati-
3ª pessoa. vos.
O incêndio Fonte: [Link]
Ocorreu um pequeno incêndio na noite de ontem, num apartamento de Retórica
propriedade do Sr. António Pedro. Existe uma retórica natural, assimilada empiricamente junto com a lin-
No local habitavam o proprietário, a sua esposa e os seus dois filhos. guagem. É um patrimônio coletivo, embora não inteiramente consciente, de
Todos eles, na hora em que o fogo começou, tinham saído de casa e todos os membros de uma sociedade falante. Essa retórica natural vem a
estavam a jantar num restaurante situado em frente ao edifício. A causa do ser a base desenvolvida e sistematizada pela retórica escolar.
incêndio foi um curto circuito ocorrido no sistema elétrico do velho aparta- Retórica é a arte de exprimir-se bem pela palavra, ou seja, de utilizar
mento. todos os recursos da linguagem com o objetivo de provocar determinado
O fogo começou num dos quartos que, por sorte, ficava na frente do efeito no ouvinte. A premissa básica da retórica é que todo discurso é feito
prédio. O porteiro do restaurante, conhecido da família, avistou-o e imedia- com a intenção de alterar uma situação determinada. A retórica escolar tem
tamente foi chamar o Sr. António. Ele, rapidamente, ligou para os Bombei- sentido mais restrito: é a arte do discurso partidário, exercida principalmen-
ros. te nos tribunais. Como disciplina ensinada e aprendida, a retórica apresenta
Embora não tivessem demorado a chegar, os bombeiros não consegui- um sistema de formas de pensamento e de linguagem, que devem ser
ram impedir que o quarto e a sala ao lado fossem inteiramente destruídos conscientemente utilizadas.
pelas chamas. Não obstante o prejuízo, a família consolou-se com o fato de Evolução histórica. A arte da retórica nasceu na Sicília, em meados do
aquele incidente não ter tomado maiores proporções, atingindo os aparta- século V a.C., quando a política dos tiranos deu lugar à democracia. No
mentos vizinhos. mundo grego, a oratória veio a ser uma necessidade fundamental do cida-
Vamos observar as características desta narração. O narrador está na dão, que teria de defender seus direitos nas assembléias. Pouco a pouco,
3ª pessoa, pois não toma parte na história; não é nem membro da família, começaram a surgir profissionais da retórica -- os primeiros advogados --
nem o porteiro do restaurante, nem um dos bombeiros e muito menos que ainda não representavam seus clientes na tribuna, mas orientavam
alguém que passava pela rua na qual se situava o prédio. Outra caracterís- seus discursos, quando não os escreviam totalmente, obrigando os clientes
tica que deve ser destacada é o fato de a história ter sido narrada com a decorá-los, para realizar uma exposição correta e obter o ganho da
objetividade: o narrador limitou-se a contar os fatos sem deixar que os seus causa.
sentimentos, as suas emoções transparecessem no decorrer da narrativa. Os primeiros profissionais retores de que há notícia são dois sicilianos
Este tipo de composição denomina-se narração objetiva. É o que cos- de Siracusa, Córax e Tísias, que, no ano de 460 a.C., definiram-na como a
tuma aparecer nas "ocorrências policiais" dos jornais, nas quais os redato- arte da persuasão e começaram a sistematizar as regras do discurso
res apenas dão conta dos fatos, sem se deixar envolver emocionalmente forense, para o qual prescreveram três seções: provímion, "proêmio",
com o que estão a noticiar. Este tipo de narração apresenta um cunho agones, "pleito" e epílogos, "epílogo".
impessoal e direto. No mesmo século, os sofistas foram responsáveis por um grande im-
A narração subjetiva pulso na evolução da retórica. Consideravam que, sendo a verdade relativa,
Existe também um outro tipo de composição chamado narração subje- poderia depender da forma do discurso no qual fosse apresentada. Criaram
tiva. Nela os fatos são apresentados levando-se em conta as emoções, os então escolas de retórica, que passaram a ser frequentadas pelas pessoas
sentimentos envolvidos na história. Nota-se claramente a posição sensível que tinham necessidade de falar em público. Platão não compartilhava das
e emocional do narrador ao relatar os acontecimentos. O fato não é narrado ideias dos sofistas e postulava a existência de uma verdade absoluta,
de modo frio e impessoal, pelo contrário, são ressaltados os efeitos psico- inquestionável. Portanto, a linguagem seria fundamentalmente um meio de
lógicos que os acontecimentos desencadeiam nas personagens. É, portan- expressão dessa verdade e das leis da moral.
to, o oposto da narração objetiva. Aristóteles é o autor do mais importante tratado da antiguidade sobre o
Daremos agora um exemplo de narração subjetiva, elaborada também tema. Em sua Retórica, estabeleceu como qualidades máximas para o
com o auxílio do esquema de narração. Escolhemos o narrador de 1.ª estilo a clareza e a adequação dos meios de expressão ao assunto e ao
pessoa. Esta escolha é perfeitamente justificável, visto que, participando da momento do discurso. Relacionou os métodos de persuasão do júri e da
ação, ele envolve-se emocionalmente com maior facilidade na história. Isso assembléia e classificou-os em três categorias: os que induzem atitude
não significa, porém, que uma narração subjetiva requeira sempre um favorável à pessoa do orador, os que produzem emoção e os argumentos
narrador em 1. lógicos e exemplos. Concordou com Platão quanto aos aspectos morais da
Com a fúria de um vendaval retórica e distinguiu três tipos de discurso: deliberativo, para ser pronuncia-
Numa certa manhã acordei entediada. Estava nas minhas férias esco- do nas assembléias políticas; forense, para ser ouvido no tribunal; e epidíc-
lares do mês de Agosto. Não pudera viajar. Fui ao portão e avistei, três tico, ou demonstrativo, tais como panegíricos, homenagens fúnebres etc.
quarteirões ao longe, a movimentação de uma feira livre. Cada tipo de discurso se estruturava segundo regras próprias para efetuar
Não tinha nada para fazer, e isso estava a matar-me de aborrecimento. a persuasão.
Embora soubesse que uma feira livre não constitui exatamente o melhor A Roma republicana adotou a teoria aristotélica e em seu sistema legis-
divertimento do qual um ser humano pode dispor, fui andando, a passos lativo e judicial atribuía grande importância à oratória, disciplina básica em
lentos, em direção daquelas barracas. Não esperava ver nada de original, seu sistema de educação. A prática da retórica decaiu no período imperial,
ou mesmo interessante. Como é triste o tédio! Logo que me aproximei, vi em consequência da perda das liberdades civis. Os maiores oradores
uma senhora alta, extremamente gorda, discutindo com um feirante. romanos foram Cícero, no século I a.C., e Quintiliano, um século depois. A
O homem, dono da barraca de tomates, tentava em vão acalmar a ner- retórica romana elaborou as práticas gregas e desenvolveu um processo de
vosa senhora. Não sei por que brigavam, mas sei o que vi: a mulher, imen- composição do discurso em cinco fases: a invenção, escolha das ideias
samente gorda, mais do que gorda (monstruosa), erguia os seus enormes apropriadas; a disposição, maneira de ordená-las; a elocução, que se
braços e, com os punhos cerrados, gritava contra o feirante. Comecei a referia ao uso de um estilo apropriado; a memorização; e, finalmente, a
assustar-me, com medo de que ela destruísse a barraca (e talvez o próprio pronunciação. A retórica se estruturava assim como uma técnica mecanicis-

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ta de construção do discurso. hipérbole (ou exagero, como na frase: "Já lhe disse milhares de vezes"), a
O declínio do Império Romano levou ao desaparecimento dos foros lítotes (ou diminuição, por humildade ou escárnio, como quando se diz que
públicos e a retórica civil praticamente se restringiu à elaboração dos pane- alguém "não é nada tolo", para indicar que é esperto).
gíricos dos imperadores. A retórica foi também praticada pelos teólogos Figuras de sintaxe. Quando se busca maior expressividade, muitas ve-
cristãos, que, quanto ao conteúdo, seguiam com fidelidade as doutrinas zes usam-se lacunas, superabundâncias e desvios nas estruturas da frase.
ditadas pela igreja, embora imitassem o estilo dos autores clássicos. Por Nesse caso, a coesão gramatical dá lugar à coesão significativa. Os pro-
volta do século XVI, era aplicada à redação de cartas. Sob a influência do cessos que ocorrem nessas particularidades de construção da frase cha-
humanista francês Petrus Ramus foi reduzida principalmente a questões de mam-se figuras de sintaxe. As mais empregadas são a elipse, o zeugma, o
estilo e se tornou uma coleção de figuras de linguagem. A partir de então anacoluto, o pleonasmo e o hipérbato.
ganhou a fama de ser mera ornamentação formal, sem conteúdo. Foi Na elipse ocorre a omissão de termos, facilmente depreendidos do
relegada às escolas para ensino do latim e permaneceu por três séculos contexto geral ou da situação ("Sei que [tu] me compreendes."). Zeugma é
sem maiores alterações. uma forma de elipse que consiste em fazer participar de dois ou mais
Retórica moderna. As transformações registradas na teoria do conhe- enunciados um termo expresso em apenas um deles ("Eu vou de carro,
cimento, iniciadas após o Renascimento com René Descartes e John você [vai] de bicicleta."). O anacoluto consiste na quebra da estrutura
Locke, superaram algumas das ideias da retórica clássica. Nietzsche e regular da frase, interrompida por outra estrutura, geralmente depois de
filósofos contemporâneos como Thomas Kuhn já não consideram a lingua- uma pausa ("Quem o feio ama, bonito lhe parece."). O pleonasmo é a
gem como simples espelho da realidade e expressão da verdade absoluta, repetição do conteúdo significativo de um termo, para realçar a ideia ou
mas, pelo contrário, acreditam que atua como um filtro que condiciona a evitar ambiguidade ("Vi com estes olhos!"). Hipérbato é a inversão da
percepção. ordem normal das palavras na oração, ou das orações no período, com
Devido a essas mudanças na epistemologia, a retórica clássica fornece finalidade expressiva, como na abertura do Hino Nacional Brasileiro: "Ouvi-
um modelo capcioso para os estudiosos da linguagem enquanto comunica- ram do Ipiranga as margens plácidas / de um povo heróico o brado retum-
ção ou transmissão de conhecimento. A verdade não é mais definida como bante. ("As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de
ideia prefixada que a linguagem apresenta de forma atraente, mas como um povo heróico.") ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.
ideia relativa a uma perspectiva que é intrínseca à própria linguagem. Metaplasmo
Pensadores do pós-estruturalismo, que vêem a linguagem como estrutura As palavras, tanto no tempo quanto no espaço, estão sujeitas a altera-
cultural preexistente, que condiciona o indivíduo, pretendem fazer o exame ções fonéticas, que chegam por vezes a desfigurá-las. Só se admite que a
retórico inclusive de outras formas de discurso relacionadas à linguagem. palavra "cheio" era, em sua origem latina, o vocábulo plenus, porque leis
Tornam-se objeto desse estudo o cinema, a televisão, a publicidade, o fonéticas e documentos provam essa identidade.
mercado financeiro, os partidos políticos e os sistemas educacionais, Metaplasmo é a alteração fonética que ocorre na evolução dos fone-
estruturas produtoras de discurso e intrinsecamente retóricas, já que institu- mas, dos vocábulos e até das frases. Os metaplasmos que dizem respeito
ídas para persuadir e provocar resultados específicos. Outros retóricos aos fonemas são vários. Na transformação do latim em português alguns
modernos compreendem toda comunicação linguística como argumentação foram frequentíssimos, como o abrandamento, a queda, a simplificação e a
e advogam que a análise e a interpretação do discurso sejam baseadas em vocalização.
um entendimento da reação e da situação social da audiência. ©Encyclo- No caso do abrandamento, as consoantes fortes (proferidas sem voz)
paedia Britannica do Brasil Publicações Ltda. tendem a ser proferidas com voz, quando intervocálicas (lupus > lobo,
Figuras de Linguagem defensa > defesa). Na queda, as consoantes brandas tendem a desaparer
Consideradas pelos autores clássicos gregos e romanos como inte- na mesma posição (luna > lua, gelare > gear). Excetuam-se m, r, e por
grantes da arte da retórica, de grande importância literária, as figuras de vezes g (amare > amar, legere > ler, regere > reger). O b, excetuando-se
linguagem contribuem também para a evolução da língua. também, muda-se em v (debere > dever).
Figuras de linguagem são maneiras de falar diferentes do cotidiano Ocorre a simplificação quando as consoantes geminadas reduzem-se a
comum, com o fim de chamar a atenção por meio de expressões mais singelas (bucca > boca, caballus > cavalo). O atual digrama ss não constitui
vivas. Visa também dar relevo ao valor autônomo do signo linguístico, o que exceção, porque pronunciado simplesmente como ç (passus > passo).
é característica própria da linguagem literária. As figuras podem ser de Quanto ao rr, para muitos conserva a geminação, na pronúncia trilada,
dicção (ou metaplasmos), quando dizem respeito à própria articulação dos como no castelhano (terra > terra); para outros os dois erres se simplificam
vocábulos; de palavra (ou tropos), quando envolvem a significação dos num r uvular, muito próximo do r grasseyé francês.
termos empregados; de pensamento, que ocorre todas as vezes que se Consiste a vocalização na troca das consoantes finais de sílabas interi-
apresenta caprichosamente a linguagem espiritual; ou de construção, ores em i, ou u: (acceptus > aceito, absente > ausente). Muitos brasileiros
quando é conseguida por meios sintáticos. estendem isso ao l, como em "sol", que proferem "çóu", criando um ditongo
Metaplasmos. Todas as figuras que acrescentam, suprimem, permutam que não existe em português.
ou transpõem fonemas nas palavras são metaplasmos. Assim, por exem- Os vocábulos revelam, em sua evolução, metaplasmos que se classifi-
plo, mui em vez de muito; enamorado, em vez de namorado; cuidoso, em cam como de aumento, de diminuição, e de troca. Como exemplos de
vez de cuidadoso; desvario, em vez de desvairo. acréscimos anotam-se os fonemas que se agregam às antigas formas. Em
Figuras de palavras. As principais figuras de palavras são a metáfora, "estrela" há um e inicial, e mais um r, que não havia no originário stella.
a metonímia e o eufemismo. Recurso essencial na poesia, a metáfora é a Observem-se essas evoluções: foresta > floresta, ante > antes. "Brata",
transferência de um termo para outro campo semântico, por uma compara- oriundo de blatta, diz-se atualmente "barata". Decréscimos são supressões
ção subentendida (como por exemplo quando se chama uma pessoa astuta como as observadas na transformação de episcopus em "bispo". Ou em
de "águia"). A metonímia consiste em designar um objeto por meio de um amat > ama, polypus > polvo, enamorar > namorar.
termo designativo de outro objeto, que tem com o primeiro uma dentre Apontam-se trocas em certas transformações. Note-se a posição do r
várias relações: (1) de causa e efeito (trabalho, por obra); (2) de continente em: pigritia > preguiça, crepare > quebrar, rabia > raiva. Os acentos tam-
e conteúdo (garrafa, por bebida); (3) lugar e produto (porto, por vinho do bém se deslocam às vezes, deslizando para a frente (produção), como em
Porto); (4) matéria e objeto (cobre, por moeda de cobre); (5) concreto e júdice > juiz, ou antecipando-se (correpção), como em amassémus > a-
abstrato (bandeira, por pátria); (6) autor e obra (um Portinari, por um quadro mássemos. A crase (ou fusão) é um caso particular de diminuição, caracte-
pintado por Portinari); (7) a parte pelo todo (vela, por embarcação). O rístico aliás da língua portuguesa, e consiste em se reduzirem duas ou três
eufemismo é a expressão que suaviza o significado inconveniente de outra, vogais consecutivas a uma só: avoo > avô, avoa > avó, aa > à, maior >
como chamar uma pessoa estúpida de "pouco inteligente", ou "descuida- mor, põer > pôr. A crase é também normal em casos como "casa amarela"
do", ao invés de "grosseiro". (káz ãmáréla).
Figuras de construção e de pensamento. Tanto as figuras de constru- Os metaplasmos são, em literatura, principalmente na poesia, figuras
ção quanto as de pensamento são às vezes englobadas como "figuras de dicção. Os poetas apelam para as supressões, para as crases, para os
literárias". As primeiras são: assindetismo (falta de conectivos), sindetismo hiatos, como para recursos de valor estilístico. A um poeta é lícito dizer no
(abuso de conectivos), redundância (ou pleonasmo), reticência (ou interrup- Brasil: "E o rosto of'rece a ósculos vendidos" (Gonçalves Dias). Quando
ção), transposição (ou anástrofe, isto é, a subversão da ordem habitual dos Bilac versifica: "Brenha rude, o luar beija à noite uma ossada" dá ao encon-
termos). As principais figuras de pensamento são a comparação (ou ima- tro u-a um tratamento diferente daquele que lhe notamos adiante em:
gem), a antítese (ou realce de pensamentos contraditórios), a gradação, a "Contra esse adarve bruto em vão rodavam "no ar". No ar reduzido a um

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ditongo constitui uma sinérese. ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publi- ou pensamentos opostos, quer fazendo confrontos, quer associando-os.
cações Ltda. Por exemplo: Buscas a vida, e eu a morte; procuras a luz, e eu as trevas.
FIGURAS DE ESTILO IRONIA = consiste no uso de uma expressão, pela qual dizemos o con-
METÁFORA = significa transposição. Consiste no uso de uma palavra trário do que pensamos com intenção sarcástica e entonação apropriada.
ou expressão em outro sentido que não o próprio, fundamentando-se na Por exemplo: A excelente D. Celeste era mestra na arte de judiar dos
íntima relação de semelhança entre coisas e fatos. A metáfora é sempre alunos.
uma imagem, isto é, representação mental de uma realidade sensível. É EUFEMISMO = consiste no uso de uma expressão em sentido figurado
uma espécie de comparação latente ou abreviada. Por exemplo: Paulo é para suavizar, atenuar uma expressão rude ou desagradável. Por exemplo:
um touro. Ficou rico por meios ilícitos(= roubou).
COMPARAÇÃO = consiste em comparar dois termos, em que vêm ex- HIPÉRBOLE = consiste em exagerar a realidade, a fim de impressionar
pressos termos comparativos, constituindo-se em intermediário entre o o espírito de quem ouve. Por exemplo: Ele se afogava num dilúvio de
sentido próprio e o figurado. Por exemplo: Paulo é forte como um touro. cartas.
METONÍMIA = significa mudança de nome. Consiste na troca de um PROSOPOPÉIA = consiste na personificação de coisas e evocação de
nome por outro com o qual esteja em íntima relação por uma circunstância, deuses ou de mortos. Por exemplo: As estrelas disseram-me: aqui esta-
de modo que um implique o outro. Há metonímia quando se emprega: mos.
o efeito pela causa = Sócrates tomou a morte(= o veneno). ANTONOMÁSIA = substituição de um nome próprio por um nome co-
a causa pelo efeito = Vivo do meu trabalho(= do produto de meu traba- mum, por uma apelido ou por um título que tornou a pessoa conhecida. Por
lho). exemplo: O Mártir da Inconfidência (para Tiradentes).
o autor pela obra = Eu li Castro Alves(= a obra de Castro Alves). PERÍFRASE = rodeio de palavras, circunlóquio: por exemplo: A mais
o continente pelo conteúdo = Traga-me um copo d’água(= a água do antiga das profissões (a prostituição).
copo). SINESTESIA = figura que se baseia na soma de sensações percebidas
a marca pelo produto = Comprei um gol(= carro). por diferentes órgãos dos sentidos. Por exemplo: A ondulação sonora e
o conteúdo pelo continente = As ondas fustigavam a areia(= a praia). táctil entrava pelos meus ouvidos.
o instrumento pela pessoa = Ele é um bom garfo(= comilão). PARADOXO = expressão contraditória. Por exemplo: Ia divina, num
o sinal pela coisa significada = A cruz dominará o Oriente(= Cristianis- simples vestido roxo, que a vestia como se a despisse(Raul Pompéia).
mo). APÓSTROFE = é uma invocação, um chamado emotivo. Por exemplo:
o lugar pelo produto = Ele só fuma Havana(= cigarro da cidade de Ha- Deuses impassíveis… Por que é que nos criastes?(Antero de Quental).
vana). GRADAÇÃO = é a disposição das ideias numa ordem gradativa. Por
SINÉDOQUE = consiste em alcançar ou restringir a significação própria exemplo: Homens simples, fortes, bravos… hoje míseros escravos sem ar,
de uma palavra. É o emprego do mais pelo menos ou vice-versa, isto é, a sem luz, sem razão…(Castro Alves).
troca de um nome pelo outro de modo que um contenha o outro. ASSÍNDETO = é a ausência de conectivos numa sequência de frases.
a parte pelo todo = No horizonte surgia uma vela(= um navio). Por exemplo: Destrançou os cabelos, soltou-os, trançou-os de novo(Pedro
o todo pela parte = O mundo é egoísta(= os homens). Rabelo).
o singular pelo plural = O homem é mortal(= os homens). HIPÉRBATO = é uma inversão dos termos da frase, uma alteração na
a espécie pelo gênero = Ganhei o pão com o suor do rosto(= alimento). ordem direta. Por exemplo: Já da morte o palor me cobre o rosto(Álvares de
o indivíduo pela classe = Ele é um Atenas(= cidade culta). Azevedo).
a espécie pelo indivíduo = No entender do Apóstolo…(São Paulo). ANÁFORA = é a repetição de um termo no início das frases ou versos.
a matéria pelo instrumento = Ela possui lindos bronzes(= objetos). Por exemplo: Tem mais sombra no encontro que na espera. Tem mais
o abstrato pelo concreto = A audácia vencerá(= os audaciosos). samba a maldade que a ferida(Chico Buarque de Holanda).
CATACRESE = é o desvio da significação de uma palavra por outra, ALITERAÇÃO = é a repetição de sons consonantais iguais ou seme-
ante a inexistência de vocábulo apropriado. Origina-se da semelhança lhantes. Por exemplo: E as cantilenas de serenos sons amenos fogem
formal entre dois objetos, dois seres. É uma metáfora estereotipada. Por fluidas, fluindo à fina flor dos fenos(Eugênio de Castro).
exemplo: Dente de alho; pernas da mesa. ASSONÂNCIA = é a repetição de sons vocálicos iguais ou semelhan-
ELIPSE = é a omissão de um termo da frase facilmente subentendido. tes. Por exemplo: Até amanhã, sou Ana da cama, da cana, fulana, saca-
Por exemplo: "Na terra tanta guerra, tanto engano, tanta necessidade na(Chico Buarque de Holanda).
aborrecida, no mar tanta tormenta e tanto engano"(Camões). Os casos PARANOMÁSIA = é o encontro de duas palavras muito semelhantes
mais comuns são de verbos(ser e haver), a conjunção integrante(que), a quanto à forma. Por exemplo: Ser capaz, como um rio, (…) de lavar do
preposição(de) das orações subordinadas substantivas indiretas e comple- límpido a mágoa da mancha(Thiago de Mello).
tivas nominais, sujeito oculto. Fonte: [Link]
ZEUGMA = é a omissão de um termo já expresso anteriormente na fra-
se. Por exemplo: Nem ele entende a nós, nem nós a ele. ACORDO ORTOGRÁFICO
PLEONASMO = consiste na repetição de uma mesma ideia por meio
de vocábulos ou expressões diferentes. Por exemplo: Resta-me a mim DECRETO Nº 6.583, DE 29 DE SETEMBRO DE 2008.
somente uma esperança. Promulga o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado
POLISSÍNDETO = é a repetição de uma conjunção. Por exemplo: E ro-
em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990.
la, e rebola, como uma bola.
ANACOLUTO = consiste na interrupção do esquema sintático inicial da O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe
frase, que termina por outro esquema sintático. Por exemplo: Este, o rei confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e
que têm não foi nascido príncipe(Camões). Considerando que o Congresso Nacional aprovou, por meio do Decreto
ONOMATOPÉIA = consiste no uso de palavras que imitam o som ou a Legislativo no 54, de 18 de abril de 1995, o Acordo Ortográfico da Língua
voz natural dos seres. Graças a seu valor descritivo, é também excelente Portuguesa, assinado em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990;
subsídio da linguagem afetiva. Por exemplo: Os sinos bimbalhavam ruido- Considerando que o Governo brasileiro depositou o instrumento de rati-
samente. ficação do referido Acordo junto ao Ministério dos Negócios Estrangeiros da
RETICÊNCIA = consiste na proposital suspensão do pensamento, República Portuguesa, na qualidade de depositário do ato, em 24 de junho
quando se julga o silêncio mais expressivo que as palavras. Por exemplo: de 1996;
Nós dois … e, entre nós dois, implacável e forte. Considerando que o Acordo entrou em vigor internacional em 1o de ja-
SILEPSE = concordância ideológica. A concordância não é feita com o neiro de 2007, inclusive para o Brasil, no plano jurídico externo;
elemento gramatical expresso, mas sim com a ideia, com o sentido real. DECRETA:
A silepse pode ser: de gênero = Vossa Majestade mostrou-se genero- Art. 1o O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, entre os Governos
so. ([Link] = feminino e generoso = masculino); de número = O povo da República de Angola, da República Federativa do Brasil, da República
lhe pediram que ficasse. (o povo = singular e pediram = plural); de pessoa = de Cabo Verde, da República de Guiné-Bissau, da República de Moçambi-
Os brasileiros somos nós.(os brasileiros = 3ª pessoa e somos = 1ª pessoa). que, da República Portuguesa e da República Democrática de São Tomé e
ANTÍTESE = consiste na exposição de uma ideia através de conceitos Príncipe, de 16 de dezembro de 1990, apenso por cópia ao presente Decre-
to, será executado e cumprido tão inteiramente como nele se contém.
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Artigo 2o
Art. 2o O referido Acordo produzirá efeitos somente a partir de 1o
de Os Estados signatários tomarão, através das instituições e órgãos
janeiro de 2009. competentes, as providências necessárias com vista à elaboração, até 1 de
Parágrafo único. A implementação do Acordo obedecerá ao período janeiro de 1993, de um vocabulário ortográfico comum da língua portugue-
de transição de 1o de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2012, durante o sa, tão completo quanto desejável e tão normalizador quanto possível, no
qual coexistirão a norma ortográfica atualmente em vigor e a nova norma que se refere às terminologias científicas e técnicas.
estabelecida. Artigo 3o
Art. 3o São sujeitos à aprovação do Congresso Nacional quaisquer a- O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa entrará em vigor em 1o de
tos que possam resultar em revisão do referido Acordo, assim como quais- janeiro de 1994, após depositados os instrumentos de ratificação de todos
quer ajustes complementares que, nos termos do art. 49, inciso I, da Cons- os Estados junto do Governo da República Portuguesa.
tituição, acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio Artigo 4o
nacional. Os Estados signatários adotarão as medidas que entenderem adequa-
Art. 4o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. das ao efetivo respeito da data da entrada em vigor estabelecida no artigo
Brasília, 29 de setembro de 2008; 187o da Independência e 120o da 3o.
República. Em fé do que, os abaixo assinados, devidamente credenciados para o
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA efeito, aprovam o presente acordo, redigido em língua portuguesa, em sete
Celso Luiz Nunes Amorim exemplares, todos igualmente autênticos.
Este texto não substitui o publicado no DOU de 30.9.2008 Assinado em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990.
ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA PELA REPÚBLICA POPULAR DE ANGOLA
Considerando que o projeto de texto de ortografia unificada de língua JOSÉ MATEUS DE ADELINO PEIXOTO
portuguesa aprovado em Lisboa, em 12 de outubro de 1990, pela Academia Secretário de Estado da Cultura
das Ciências de Lisboa, Academia Brasileira de Letras e delegações de PELA REPÚBLICA FEDERATIVA
Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, DO BRASIL
com a adesão da delegação de observadores da Galiza, constitui um passo CARLOS ALBERTO GOMES CHIARELLI
importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa e para Ministro da Educação
o seu prestígio internacional, PELA REPÚBLICA DE CABO VERDE
Considerando que o texto do acordo que ora se aprova resulta de um DAVID HOPFFER ALMADA
aprofundado debate nos Países signatários, Ministro da Informação, Cultura e Desportos
a República Popular de Angola, PELA REPÚBLICA DA GUINÉ-BISSAU
a República Federativa do Brasil, ALEXANDRE BRITO RIBEIRO FURTADO
a República de Cabo Verde, Secretário de Estado da Cultura
a República da Guiné-Bissau, PELA REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE
a República de Moçambique, LUIS BERNARDO HONWANA
a República Portuguesa, Ministro da Cultura
e a República Democrática de São Tomé e Príncipe, PELA REPÚBLICA PORTUGUESA
acordam no seguinte: PEDRO MIGUEL DE SANTANA LOPES
Artigo 1o Secretário de Estado da Cultura
É aprovado o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que consta PELA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE
como anexo I ao presente instrumento de aprovação, sob a designação de LÍGIA SILVA GRAÇA DO ESPÍRITO SANTO COSTA
Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990) e vai acompanhado da Ministra da Educação e Cultura
respectiva nota explicativa, que consta como anexo II ao mesmo instrumen- ANEXO I
to de aprovação, sob a designação de Nota Explicativa do Acordo Ortográ- ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA
fico da Língua Portuguesa (1990).

(1990)
Base I
Do alfabeto e dos nomes próprios estrangeiros e seus derivados
1o)O alfabeto da língua portuguesa é formado por vinte e seis letras, cada uma delas com uma forma minúscula e outra maiúscula:

a A (á) j J (jota) s S (esse)


b B (bê) k K (capa ou cá) t T (tê)
c C (cê) l L (ele) u U (u)
d D (dê) m M (eme) v V (vê)
e E (é) n N (ene) w W (dáblio)
f F (efe) o O (ó) x X (xis)
g G (gê ou guê) p P (pê) y Y (ípsilon)
h H (agá) q Q (quê) z Z (zê)
i I (i) r R (erre)

Obs.: 1. Além destas letras, usam-se o ç (cê cedilhado) e os seguintes b)Em topónimos/topônimos originários de outras línguas e seus deriva-
dígrafos: rr (erre duplo), ss (esse duplo), ch (cê-agá), lh (ele-agá), nh (ene- dos: Kwanza, Kuwait, kuwaitiano; Malawi, malawiano;
agá), gu (guê-u) e qu (quê-u). c)Em siglas, símbolos e mesmo em palavras adotadas como unidades
2. Os nomes das letras acima sugeridos não excluem outras formas de de medida de curso internacional: TWA, KLM; K-potássio (de kalium), W-
as designar. oeste (West); kg-quilograma, km-quilómetro, kW-kilowatt, yd-jarda (yard);
2º)As letras k, w e y usam-se nos seguintes casos especiais: Watt.
a)Em antropónimos/antropônimos originários de outras línguas e seus 3º)Em congruência com o número anterior, mantêm-se nos vocábulos
derivados: Franklin, frankliniano; Kant, kantismo; Darwin, darwinismo; derivados eruditamente de nomes próprios estrangeiros quaisquer combi-
Wagner, wagneriano; Byron, byroniano; Taylor, taylorista; nações gráficas ou sinais diacríticos não peculiares à nossa escrita que

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figurem nesses nomes: comtista, de Comte; garrettiano, de Garrett; jeffer- intrujice, jecoral, jejum, jeira, jeito, Jeová, jenipapo, jequiri, jequitibá, Jere-
sónia/jeffersônia, de Jefferson; mülleriano, de Müller, shakespeariano, de mias, Jericó, jerimum, Jerónimo, Jesus, jibóia, jiquipanga, jiquiró, jiquitaia,
Shakespeare. jirau, jiriti, jitirana, laranjeira, lojista, majestade, majestoso, manjerico,
Os vocabulários autorizados registrarão grafias alternativas admissí- manjerona, mucujê, pajé, pegajento, rejeitar, sujeito, trejeito.
veis, em casos de divulgação de certas palavras de tal tipo de origem (a 3º)Distinção gráfica entre as letras s, ss, c, ç e x, que representam sibi-
exemplo de fúcsia/ fúchsia e derivados, buganvília/ buganvílea/ bougainvíl- lantes surdas: ânsia, ascensão, aspersão, cansar, conversão, esconso,
lea). farsa, ganso, imenso, mansão, mansarda, manso, pretensão, remanso,
4º)Os dígrafos finais de origem hebraica ch, ph e th podem conservar- seara, seda, Seia, Sertã, Sernancelhe, serralheiro, Singapura, Sintra, sisa,
se em formas onomásticas da tradição bíblica, como Baruch, Loth, Moloch, tarso, terso, valsa; abadessa, acossar, amassar, arremessar, Asseiceira,
Ziph, ou então simplificar-se: Baruc, Lot, Moloc, Zif. Se qualquer um destes asseio, atravessar, benesse, Cassilda, codesso (identicamente Codessal ou
dígrafos, em formas do mesmo tipo, é invariavelmente mudo, elimina-se: Codassal, Codesseda, Codessoso, etc.), crasso, devassar, dossel, egresso,
José, Nazaré, em vez de Joseph, Nazareth; e se algum deles, por força do endossar, escasso, fosso, gesso, molosso, mossa, obsessão, pêssego,
uso, permite adaptação, substitui-se, recebendo uma adição vocálica: possesso, remessa, sossegar; acém, acervo, alicerce, cebola, cereal,
Judite, em vez de Judith. Cernache, cetim, Cinfães, Escócia, Macedo, obcecar, percevejo; açafate,
5º)As consoantes finais grafadas b, c, d, g e t mantêm-se, quer sejam açorda, açúcar, almaço, atenção, berço, Buçaco, caçanje, caçula, caraça,
mudas, quer proferidas, nas formas onomásticas em que o uso as consa- dançar, Eça, enguiço, Gonçalves, inserção, linguiça, maçada, Mação,
grou, nomeadamente antropónimos/antropônimos e topónimos/topônimos maçar, Moçambique, Monção, muçulmano, murça, negaça, pança, peça,
da tradição bíblica: Jacob, Job, Moab, Isaac; David, Gad; Gog, Magog; quiçaba, quiçaça, quiçama, quiçamba, Seiça (grafia que pretere as erró-
Bensabat, Josafat. neas/errôneas Ceiça e Ceissa), Seiçal, Suíça, terço; auxílio, Maximiliano,
Integram-se também nesta forma: Cid, em que o d é sempre pronunci- Maximino, máximo, próximo, sintaxe.
ado; Madrid e Valhadolid, em que o d ora é pronunciado, ora não; e Calecut 4º)Distinção gráfica entre s de fim de sílaba (inicial ou interior) e x e z
ou Calicut, em que o t se encontra nas mesmas condições. com idêntico valor fónico/fônico: adestrar, Calisto, escusar, esdrúxulo,
Nada impede, entretanto, que dos antropónimos/antopônimos em a- esgotar, esplanada, esplêndido, espontâneo, espremer, esquisito, estender,
preço sejam usados sem a consoante final Jó, Davi e Jacó. Estremadura, Estremoz, inesgotável; extensão, explicar, extraordinário,
6º)Recomenda-se que os topónimos/topônimos de línguas estrangeiras inextricável, inexperto, sextante, têxtil; capazmente, infelizmente, velozmen-
se substituam, tanto quanto possível, por formas vernáculas, quando estas te. De acordo com esta distinção convém notar dois casos:
sejam antigas e ainda vivas em português ou quando entrem, ou possam a)Em final de sílaba que não seja final de palavra, o x = s muda para s
entrar, no uso corrente. Exemplo: Anvers, substituído por Antuérpia; Cher- sempre que está precedido de i ou u: justapor, justalinear, misto, sistino (cf.
bourg, por Cherburgo; Garonne, por Garona; Genève, por Genebra; Ju- Capela Sistina), Sisto, em vez de juxtapor, juxtalinear, mixto, sixtina, Sixto.
tland, por Jutlândia; Milano, por Milão; München, por Munique; Torino, por b)Só nos advérbios em –mente se admite z, com valor idêntico ao de s,
Turim; Zürich, por Zurique, etc. em final de sílaba seguida de outra consoante (cf. capazmente, etc.); de
Base II contrário, o s toma sempre o lugar de z: Biscaia, e não Bizcaia.
Do h inicial e final 5º)Distinção gráfica entre s final de palavra e x e z com idêntico valor
1º)O h inicial emprega-se: fónico/fônico: aguarrás, aliás, anis, após atrás, através, Avis, Brás, Dinis,
a)Por força da etimologia: haver, hélice, hera, hoje, hora, homem, hu- Garcês, gás, Gerês, Inês, íris, Jesus, jus, lápis, Luís, país, português,
mor. Queirós, quis, retrós, revés, Tomás, Valdés; cálix, Félix, Fénix, flux; assaz,
b)Em virtude de adoção convencional: hã?, hem?, hum!. arroz, avestruz, dez, diz, fez (substantivo e forma do verbo fazer), fiz,
2º)O h inicial suprime-se: Forjaz, Galaaz, giz, jaez, matiz, petiz, Queluz, Romariz, [Arcos de] Valde-
a)Quando, apesar da etimologia, a sua supressão está inteiramente vez, Vaz. A propósito, deve observar-se que é inadmissível z final equiva-
consagrada pelo uso: erva, em vez de herva; e, portanto, ervaçal, ervaná- lente a s em palavra não oxítona: Cádis, e não Cádiz.
rio, ervoso (em contraste com herbáceo, herbanário, herboso, formas de 6º)Distinção gráfica entre as letras interiores s, x e z, que representam
origem erudita); sibilantes sonoras: aceso, analisar, anestesia, artesão, asa, asilo, Baltasar,
b)Quando, por via de composição, passa a interior e o elemento em besouro, besuntar, blusa, brasa, brasão, Brasil, brisa, [Marco de] Canave-
que figura se aglutina ao precedente: biebdomadário, desarmonia, desu- ses, coliseu, defesa, duquesa, Elisa, empresa, Ermesinde, Esposende,
mano, exaurir, inábil, lobisomem, reabilitar, reaver; frenesi ou frenesim, frisar, guisa, improviso, jusante, liso, lousa, Lousã,
3º)O h inicial mantém-se, no entanto, quando, numa palavra composta, Luso (nome de lugar, homónimo/homônimo de Luso, nome mitológico),
pertence a um elemento que está ligado ao anterior por meio de hífen: anti- Matosinhos, Meneses, narciso, Nisa, obséquio, ousar, pesquisa, portugue-
higiénico/anti-higiênico, contra-haste; pré-história, sobre-humano. sa, presa, raso, represa, Resende, sacerdotisa, Sesimbra, Sousa, surpresa,
4º)O h final emprega-se em interjeições: ah! oh! tisana, transe, trânsito, vaso; exalar, exemplo, exibir, exorbitar, exuberante,
Base III inexato, inexorável; abalizado, alfazema, Arcozelo, autorizar, azar, azedo,
Da homofonia de certos grafemas consonânticos azo, azorrague, baliza, bazar, beleza, buzina, búzio, comezinho, deslizar,
Dada a homofonia existente entre certos grafemas consonânticos, tor- deslize, Ezequiel, fuzileiro, Galiza, guizo, helenizar, lambuzar, lezíria, Mou-
na-se necessário diferençar os seus empregos, que fundamentalmente se zinho, proeza, sazão, urze, vazar, Veneza, Vizela, Vouzela.
regulam pela história das palavras. É certo que a variedade das condições Base IV
em que se fixam na escrita os grafemas consonânticos homófonos nem Das seqüências consonânticas
sempre permite fácil diferenciação dos casos em que se deve empregar 1º)O c, com valor de oclusiva velar, das seqüências interiores cc (se-
uma letra e daqueles em que, diversamente, se deve empregar outra, ou gundo c com valor de sibilante), cç e ct, e o p das seqüências interiores pc
outras, a representar o mesmo som. (c com valor de sibilante), pç e pt, ora se conservam, ora se eliminam.
Nesta conformidade, importa notar, principalmente, os seguintes ca- Assim:
sos: a)Conservam-se nos casos em que são invariavelmente proferidos nas
1º)Distinção gráfica entre ch e x: achar, archote, bucha, capacho, ca- pronúncias cultas da língua: compacto, convicção, convicto, ficção, friccio-
pucho, chamar, chave, Chico, chiste, chorar, colchão, colchete, endecha, nar, pacto, pictural; adepto, apto, díptico, erupção, eucalipto, inepto, núp-
estrebucha, facho, ficha, flecha, frincha, gancho, inchar, macho, mancha, cias, rapto.
murchar, nicho, pachorra, pecha, pechincha, penacho, rachar, sachar, b)Eliminam-se nos casos em que são invariavelmente mudos nas pro-
tacho; ameixa, anexim, baixel, baixo, bexiga, bruxa, coaxar, coxia, debuxo, núncias cultas da língua: ação, acionar, afetivo, aflição, aflito, ato, coleção,
deixar, eixo, elixir, enxofre, faixa, feixe, madeixa, mexer, oxalá, praxe, coletivo, direção, diretor, exato, objeção; adoção, adotar, batizar, Egito,
puxar, rouxinol, vexar, xadrez, xarope, xenofobia, xerife, xícara. ótimo.
2º)Distinção gráfica entre g, com valor de fricativa palatal, e j: adágio, c)Conservam-se ou eliminam-se, facultativamente, quando se proferem
alfageme, Álgebra, algema, algeroz, Algés, algibebe, algibeira, álgido, numa pronúncia culta, quer geral, quer restritamente, ou então quando
almargem, Alvorge, Argel, estrangeiro, falange, ferrugem, frigir, gelosia, oscilam entre a prolação e o emudecimento: aspecto e aspeto, cacto e cato,
gengiva, gergelim, geringonça, Gibraltar, ginete, ginja, girafa, gíria, herege, caracteres e carateres, dicção e dição; facto e fato, sector e setor, ceptro e
relógio, sege, Tânger, virgem; adjetivo, ajeitar, ajeru (nome de planta india- cetro, concepção e conceção, corrupto e corruto, recepção e receção.
na e de uma espécie de papagaio), canjerê, canjica, enjeitar, granjear, hoje, d)Quando, nas seqüências interiores mpc, mpç e mpt se eliminar o p

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de acordo com o determinado nos parágrafos precedentes, o m passa a n, em –eio, -eias, etc.: clarear, delinear, devanear, falsear, granjear, guerrear,
escrevendo-se, respectivamente nc, nç e nt: assumpcionista e assuncionis- hastear, nomear, semear, etc. Existem, no entanto, verbos em –iar, ligados
ta; assumpção e assunção; assumptível e assuntível; peremptório e peren- a substantivos com as terminações átonas –ia ou –io, que admitem varian-
tório, sumptuoso e suntuoso, sumptuosidade e suntuosidade. tes na conjugação: negoceio ou negocio (cf. negócio); premeio ou premio
2º)Conservam-se ou eliminam-se, facultativamente, quando se profe- (cf. prémio/prêmio); etc.
rem numa pronúncia culta, quer geral, quer restritamente, ou então quando f)Não é lícito o emprego do u final átono em palavras de origem latina.
oscilam entre a prolação e o emudecimento: o b da seqüência bd, em Escreve-se, por isso: moto, em vez de mótu (por exemplo, na expressão de
súbdito; o b da seqüência bt, em subtil e seus derivados; o g da seqüência moto próprio); tribo, em vez de tríbu.
gd, em amígdala, amigdalácea, amigdalar, amigdalato, amigdalite, amigda- g)Os verbos em –oar distinguem-se praticamente dos verbos em –uar
lóide, amigdalopatia, amigdalotomia; o m da seqüência mn, em amnistia, pela sua conjugação nas formas rizotónicas/rizotônicas, que têm sempre o
amnistiar, indemne, indemnidade, indemnizar, omnímodo, omnipotente, na sílaba acentuada: abençoar com o, como abençoo, abençoas, etc.;
omnisciente, etc.; o t, da seqüência tm, em aritmética e aritmético. destoar, com o, como destoo, destoas, etc.: mas acentuar, com u, como
Base V acentuo, acentuas, etc.
Das vogais átonas Base VI
1º)O emprego do e e do i, assim como o do o e do u, em sílaba átona, Das vogais nasais
regula-se fundamentalmente pela etimologia e por particularidades da Na representação das vogais nasais devem observar-se os seguintes
história das palavras. Assim se estabelecem variadíssimas grafias: preceitos:
a)Com e e i: ameaça, amealhar, antecipar, arrepiar, balnear, boreal, 1º)Quando uma vogal nasal ocorre em fim de palavra, ou em fim de e-
campeão, cardeal (prelado, ave planta; diferente de cardial = “relativo à lemento seguido de hífen, representa-se a nasalidade pelo til, se essa vogal
cárdia”), Ceará, côdea, enseada, enteado, Floreal, janeanes, lêndea, Leo- é de timbre a; por m, se possui qualquer outro timbre e termina a palavra; e
nardo, Leonel, Leonor, Leopoldo, Leote, linear, meão, melhor, nomear, por n, se é de timbre diverso de a e está seguida de s: afã, grã, Grã-
peanha, quase (em vez de quási), real, semear, semelhante, várzea; amei- Bretanha, lã, órfã, sã-braseiro (forma dialetal; o mesmo que são-brasense =
xial, Ameixieira, amial, amieiro, arrieiro, artilharia, capitânia, cordial (adjetivo de S. Brás de Alportel); clarim, tom, vacum; flautins, semitons, zunzuns.
e substantivo), corriola, crânio, criar, diante, diminuir, Dinis, ferregial, Filinto, 2º)Os vocábulos terminados em –ã transmitem esta representação do a
Filipe (e identicamente Filipa, Filipinas, etc.), freixial, giesta, Idanha, igual, nasal aos advérbios em –mente que deles se formem, assim como a deri-
imiscuir-se, inigualável, lampião, limiar, Lumiar, lumieiro, pátio, pior, tigela, vados em que entrem sufixos iniciados por z: cristãmente, irmãmente,
tijolo, Vimieiro, Vimioso; sãmente; lãzudo, maçãzita, manhãzinha, romãzeira.
b)Com o e u: abolir, Alpendorada, assolar, borboleta, cobiça, consoada, Base VII
consoar, costume, díscolo, êmbolo, engolir, epístola, esbaforir-se, esboroar, Dos ditongos
farândola, femoral, Freixoeira, girândola, goela, jocoso, mágoa, névoa, 1º)Os ditongos orais, que tanto podem ser tónicos/tônicos como áto-
nódoa, óbolo, Páscoa, Pascoal, Pascoela, polir, Rodolfo, távoa, tavoada, nos, distribuem-se por dois grupos gráficos principais, conforme o segundo
távola, tômbola, veio (substantivo e forma do verbo vir); açular, água, elemento do ditongo é representado por i ou u: ai, ei, éi, ui; au, eu, éu, iu,
aluvião, arcuense, assumir, bulir, camândulas, curtir, curtume, embutir, ou: braçais, caixote, deveis, eirado, farnéis (mas farneizinhos), goivo,
entupir, fémur/fêmur, fístula, glândula, ínsua, jucundo, légua, Luanda, goivar, lençóis (mas lençoizinhos), tafuis, uivar, cacau, cacaueiro, deu,
lucubração, lugar, mangual, Manuel, míngua, Nicarágua, pontual, régua, endeusar, ilhéu (mas ilheuzito), mediu, passou, regougar.
tábua, tabuada, tabuleta, trégua, virtualha. Obs: Admitem-se, todavia, excepcionalmente, à parte destes dois gru-
2º)Sendo muito variadas as condições etimológicas e histórico- pos, os ditongos grafados ae(= âi ou ai) e ao (= âu ou au): o primeiro,
fonéticas em que se fixam graficamente e e i ou o e u em sílaba átona, é representado nos antropónimos/antropônimos Caetano e Caetana, assim
evidente que só a consulta dos vocabulários ou dicionários pode indicar, como nos respectivos derivados e compostos (caetaninha, são-caetano,
muitas vezes, se deve empregar-se e ou i, se o ou u. Há, todavia, alguns etc.); o segundo, representado nas combinações da preposição a com as
casos em que o uso dessas vogais pode ser facilmente sistematizado. formas masculinas do artigo ou pronome demonstrativo o, ou seja, ao e
Convém fixar os seguintes: aos.
a)Escrevem-se com e, e não com i, antes da sílaba tónica/tônica, os 2º)Cumpre fixar, a propósito dos ditongos orais, os seguintes preceitos
substantivos e adjetivos que procedem de substantivos terminados em – particulares:
eio e – eia, ou com eles estão em relação direta. Assim se regulam: aldeão, a)É o ditongo grafado ui, e não a seqüência vocálica grafada ue, que
aldeola, aldeota por aldeia; areal, areeiro, areento, Areosa por areia; aveal se emprega nas formas de 2a e 3a pessoas do singular do presente do
por aveia; baleal por baleia; cadeado por cadeia; candeeiro por candeia; indicativo e igualmente na da 2a pessoa do singular do imperativo dos
centeeira e centeeiro por centeio; colmeal e colmeeiro por colmeia; correa- verbos em – uir: constituis, influi, retribui. Harmonizam-se, portanto, essas
da e correame por correia. formas com todos os casos de ditongo grafado ui de sílaba final ou fim de
b)Escrevem-se igualmente com e, antes de vogal ou ditongo da sílaba palavra (azuis, fui, Guardafui, Rui, etc.); e ficam assim em paralelo gráfico-
tónica/tônica, os derivados de palavras que terminam em e acentuado (o fonético com as formas de 2a e 3a pessoas do singular do presente do
qual pode representar um antigo hiato: ea, ee): galeão, galeota, galeote, de indicativo e de 2a pessoa do singular do imperativo dos verbos em – air e
galé; coreano, de Coreia; daomeano, de Daomé; guineense, de Guiné; em – oer: atrais, cai, sai; móis, remói, sói.
poleame e poleeiro, de polé. b)É o ditongo grafado ui que representa sempre, em palavras de ori-
c)Escrevem-se com i, e não com e, antes da sílaba tónica/tônica, os gem latina, a união de um u a um i átono seguinte. Não divergem, portanto,
adjetivos e substantivos derivados em que entram os sufixos mistos de formas como fluido de formas como gratuito. E isso não impede que nos
formação vernácula – iano e –iense, os quais são o resultado da combina- derivados de formas daquele tipo as vogais grafadas u e i se separem:
ção dos sufixos –ano e –ense com um i de origem analógica (baseado em fluídico, fluidez (u-i).
palavras onde –ano e –ense estão precedidos de i pertencente ao tema: c)Além, dos ditongos orais propriamente ditos, os quais são todos de-
horaciano, italiano, duriense, flaviense, etc.): açoriano, acriano (de Acre), crescentes, admite-se, como é sabido, a existência de ditongos crescentes.
camoniano, goisiano (relativo a Damião de Góis), siniense (de Sines), Podem considerar-se no número deles as seqüências vocálicas pós-
sofocliano, torriano, torriense (de Torre(s)). tónicas/pós-tônicas, tais as que se representam graficamente por ea, eo, ia,
d)Uniformizam-se com as terminações –io e –ia (átonas), em vez de – ie, io, oa, ua, ue, uo: áurea, áureo, calúnia, espécie, exímio, mágoa, mín-
eo e –ea, os substantivos que constituem variações, obtidas por ampliação, gua, ténue/tênue, tríduo.
de outros substantivos terminados em vogal: cúmio (popular), de cume; 3º)Os ditongos nasais, que na sua maioria tanto podem ser tóni-
hástia, de haste; réstia, do antigo reste; véstia, de veste. cos/tônicos como átonos, pertencem graficamente a dois tipos fundamen-
e)Os verbos em –ear podem distinguir-se praticamente, grande número tais: ditongos representados por vogal com til e semivogal; ditongos repre-
de vezes, dos verbos em –iar, quer pela formação, quer pela conjugação e sentados por uma vogal seguida da consoante nasal m. Eis a indicação de
formação ao mesmo tempo. Estão no primeiro caso todos os verbos que se uns e outros:
prendem a substantivos em –eio ou –eia (sejam formados em português ou a)Os ditongos representados por vogal com til e semivogal são quatro,
venham já do latim); assim se regulam: aldear, por aldeia; alhear, alheio; considerando-se apenas a língua padrão contemporânea: ãe (usado em
cear, por ceia; encadear, por cadeia; pear, por peia; etc. Estão no segundo vocábulos oxítonos e derivados), ãi (usado em vocábulos anoxítonos e
caso todos os verbos que têm normalmente flexões rizotónicas/rizotônicas derivados), ão e õe. Exemplos: cães, Guimarães, mãe, mãezinha; cãibas,

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cãibeiro, cãibra, zãibo; mão, mãozinha, não, quão, sótão, sotãozinho, tão; plural, algumas das quais passam a proparoxítonas: amável (pl. amáveis),
Camões, orações, oraçõezinhas, põe, repões. Ao lado de tais ditongos Aníbal, dócil (pl. dóceis), dúctil (pl. dúcteis), fóssil (pl. fósseis), réptil (pl.
pode, por exemplo, colocar-se o ditongo ũi; mas este, embora se exemplifi- réptéis; var. reptil, pl. reptis); cármen (pl. cármenes ou carmens; var. carme,
que numa forma popular como rũi = ruim, representa-se sem o til nas formas pl. carmes); dólmen (pl. dólmenes ou dolmens), éden (pl. édenes ou e-
muito e mui, por obediência à tradição. dens), líquen (pl. líquenes), lúmen (pl. lúmenes ou lumens); açúcar (pl.
b)Os ditongos representados por uma vogal seguida da consoante na- açúcares), almíscar (pl. almíscares), cadáver (pl. cadáveres), caráter ou
sal m são dois: am e em. Divergem, porém, nos seus empregos: carácter (mas pl. carateres ou caracteres), ímpar (pl. ímpares); Ájax, córtex
i)am (sempre átono) só se emprega em flexões verbais: amam, devi- (pl. córtex; var. córtice, pl. córtices), índex (pl. index; var. índice, pl. índices),
am, escreveram, puseram; tórax, (pl. tórax ou tóraxes; var. torace, pl. toraces); bíceps (pl. bíceps; var.
ii)em (tónico/tônico ou átono) emprega-se em palavras de categorias bicípite, pl. bicípites), fórceps (pl. fórceps; var. fórcipe, pl. fórcipes).
morfológicas diversas, incluindo flexões verbais, e pode apresentar varian- Obs.: Muito poucas palavras deste tipo, com as vogais tónicas/tônicas
tes gráficas determinadas pela posição, pela acentuação ou, simultanea- grafadas e e o em fim de sílaba, seguidas das consoantes nasais grafadas
mente, pela posição e pela acentuação: bem, Bembom, Bemposta, cem, m e n, apresentam oscilação de timbre nas pronúncias cultas da língua e,
devem, nem, quem, sem, tem, virgem; Bencanta, Benfeito, Benfica, ben- por conseguinte, também de acento gráfico (agudo ou circunflexo): sémen e
quisto, bens, enfim, enquanto, homenzarrão, homenzinho, nuvenzinha, sêmen, xénon e xênon; fémur e fêmur, vómer e vômer; Fénix e Fênix, ónix
tens, virgens, amém (variação de ámen), armazém, convém, mantém, e ônix.
ninguém, porém, Santarém, também; convêm, mantêm, têm (3as pessoas b)As palavras paroxítonas que apresentam, na sílaba tónica/tônica, as
do plural); armazéns, desdéns, convéns, reténs; Belenzada, vintenzinho. vogais abertas grafadas a, e, o e ainda i ou u e que terminam em –ã(s), –
Base VIII ão(s), –ei(s), –i(s), –um, –uns ou –us: órfã (pl. órfãs), acórdão (pl. acór-
Da acentuação gráfica das palavras oxítonas dãos), órfão (pl. órfãos), órgão (pl. órgãos), sótão (pl. sótãos); hóquei,
1º)Acentuam-se com acento agudo: jóquei (pl. jóqueis), amáveis (pl. de amável), fáceis (pl. de fácil), fósseis (pl.
a)As palavras oxítonas terminadas nas vogais tónicas/tônicas abertas de fóssil), amáreis (de amar), amáveis (id.), cantaríeis (de cantar), fizéreis
grafadas –a, –e ou –o, seguidas ou não de –s: está, estás, já, olá; até, é, (de fazer), fizésseis (id.); beribéri (pl. beribéris), bílis (sg. e pl.), íris (sg. e
és, olé, pontapé(s); avó(s), dominó(s), paletó(s), só(s). pl.), júri (pl. júris), oásis (sg. e pl.); álbum (pl. álbuns), fórum (pl. fóruns);
Obs.: Em algumas (poucas) palavras oxítonas terminadas em –e tóni- húmus (sg. e pl.), vírus (sg. e pl.).
co/tônico, geralmente provenientes do francês, esta vogal, por ser articula- Obs.: Muito poucas paroxítonas deste tipo, com as vogais tóni-
da nas pronúncias cultas ora como aberta ora como fechada, admite tanto o cas/tônicas grafadas e e o em fim de sílaba, seguidas das consoantes
acento agudo como o acento circunflexo: bebé ou bebê; bidé ou bidê, nasais grafadas m e n, apresentam oscilação de timbre nas pronúncias
canapé ou canapê, caraté ou caratê, croché ou crochê, guiché ou guichê, cultas da língua, o qual é assinalado com acento agudo, se aberto, ou
matiné ou matinê, nené ou nenê, ponjé ou ponjê, puré ou purê, rapé ou circunflexo, se fechado: pónei e pônei; gónis e gônis, pénis e pênis, ténis e
rapê. tênis; bónus e bônus, ónus e ônus, tónus e tônus, Vénus e Vênus.
O mesmo se verifica com formas como cocó e cocô, ró (letra do alfabe- 3º)Não se acentuam graficamente os ditongos representados por ei e oi
to grego) e rô. São igualmente admitidas formas como judô, a par de judo, e da sílaba tónica/tônica das palavras paroxítonas, dado que existe oscilação
metrô, a par de metro. em muitos casos entre o fechamento e a abertura na sua articulação:
b)As formas verbais oxítonas, quando, conjugadas com os pronomes assembleia, boleia, ideia, tal como aldeia, baleia, cadeia, cheia, meia;
clíticos lo(s) ou la(s), ficam a terminar na vogal tónica/tônica aberta grafada coreico, epopeico, onomatopeico, proteico; alcaloide, apoio (do verbo
–a, após a assimilação e perda das consoantes finais grafadas –r, –s ou –z: apoiar), tal como apoio (subst.), Azoia, boia, boina, comboio (subst.), tal
adorá-lo(s) (de adorar-lo(s)), dá-la(s) (de dar-la(s) ou dá(s)-la(s)), fá-lo(s) como comboio, comboias, etc. (do verbo comboiar), dezoito, estroina,
(de faz-lo(s)), fá-lo(s)-ás (de far-lo(s)-ás), habitá-la(s)-iam (de habitar-la(s)- heroico, introito, jiboia, moina, paranoico, zoina.
iam), trá-la(s)-á (de trar-la(s)-á); 4º)É facultativo assinalar com acento agudo as formas verbais de pre-
c)As palavras oxítonas com mais de uma sílaba terminadas no ditongo térito perfeito do indicativo, do tipo amámos, louvámos, para as distinguir
nasal grafado –em (exceto as formas da 3a pessoa do plural do presente do das correspondentes formas do presente do indicativo (amamos, louva-
indicativo dos compostos de ter e vir: retêm, sustêm; advêm, provêm; etc) mos), já que o timbre da vogal tónica/tônica é aberto naquele caso em
ou –ens: acém, detém, deténs, entretém, entreténs, harém, haréns, porém, certas variantes do português.
provém, provéns, também; 5º)Recebem acento circunflexo:
d)As palavras oxítonas com os ditongos abertos grafados –éi, –éu ou – a)As palavras paroxítonas que contêm, na sílaba tónica/tônica, as vo-
ói, podendo estes dois últimos ser seguidos ou não de –s: anéis, batéis, gais fechadas com a grafia a, e, o e que terminam em –l, –n, –r ou –x,
fiéis, papéis; céu(s), chapéu(s), ilhéu(s), véu(s); corrói (de corroer), herói(s), assim como as respectivas formas do plural, algumas das quais se tornam
remói (de remoer), sóis. proparoxítonas: cônsul (pl. cônsules), pênsil (pênseis), têxtil (pl. têxteis);
2º)Acentuam-se com acento circunflexo: cânon, var. cânone, (pl. cânones), plâncton (pl. plânctons); Almodôvar,
a)As palavras oxítonas terminadas nas vogais tónicas/tônicas fechadas aljôfar (pl. aljôfares), âmbar (pl. âmbares), Câncer, Tânger; bômbax (sg. e
que se grafam –e ou –o, seguidas ou não de –s: cortês, dê, dês (de dar), lê, pl.), bômbix, var. bômbice, (pl. bômbices).
lês (de ler), português, você(s); avô(s), pôs (de pôr), robô(s). b)As palavras paroxítonas que contêm, na sílaba tónica/tônica, as vo-
b)As formas verbais oxítonas, quando, conjugadas com os pronomes gais fechadas com a grafia a, e, o e que terminam em –ão(s), –eis, –i(s) ou
clíticos –lo(s) ou –la(s), ficam a terminar nas vogais tónicas/tônicas fecha- –us: bênção(s), côvão(s), Estêvão, zângão(s); devêreis (de dever), escre-
das que se grafam –e ou –o, após a assimilação e perda das consoantes vêsseis (de escrever), fôreis (de ser e ir), fôsseis (id.), pênseis (pl. de pên-
finais grafadas –r, –s ou –z: detê-lo(s) (de deter-lo(s)), fazê-la(s) (de fazer- sil), têxteis (pl. de têxtil); dândi(s), Mênfis; ânus.
la(s)), fê-lo(s) (de fez-lo(s)), vê-la(s) (de ver-la(s)), compô-la(s) (de compor- c)As formas verbais têm e vêm, 3as pessoas do plural do presente do
la(s)), repô-la(s) (de repor-la(s)), pô-la(s) (de por-la(s) ou pôs-la(s)). indicativo de ter e vir, que são foneticamente paroxítonas (respectivamente
3º)Prescinde-se de acento gráfico para distinguir palavras oxítonas /tãjãj/, /vãjãj/ ou /tẽẽj/, /vẽẽj/ ou ainda /tẽjẽj/, /vẽjẽj/; cf. as antigas grafias
homógrafas, mas heterofónicas/heterofônicas, do tipo de cor (ô), substanti- preteridas, tẽem, vẽem), a fim de se distinguirem de tem e vem, 3as pesso-
vo, e cor (ó), elemento da locução de cor; colher (ê), verbo, e colher (é), as do singular do presente do indicativo ou 2as pessoas do singular do
substantivo. Excetua-se a forma verbal pôr, para a distinguir da preposição imperativo; e também as correspondentes formas compostas, tais como:
por. abstêm (cf. abstém), advêm (cf. advém), contêm (cf. contém), convêm (cf.
Base IX convém), desconvêm (cf. desconvém), detêm (cf. detém), entretêm (cf.
Da acentuação gráfica das palavras paroxítonas entretém), intervêm (cf. intervém), mantêm (cf. mantém), obtêm (cf. obtém),
1º)As palavras paroxítona não são em geral acentuadas graficamente: provêm (cf. provém), sobrevêm (cf. sobrevém).
enjoo, grave, homem, mesa, Tejo, vejo, velho, voo; avanço, floresta; aben- Obs.: Também neste caso são preteridas as antigas grafias detẽem, in-
çoo, angolano, brasileiro; descobrimento, graficamente, moçambicano. tervẽem, mantẽem, provẽem, etc.
2º)Recebem, no entanto, acento agudo: 6º)Assinalam-se com acento circunflexo:
a)As palavras paroxítonas que apresentam, na sílaba tónica/tônica, as a)Obrigatoriamente, pôde (3a pessoa do singular do pretérito perfeito
vogais abertas grafadas a, e, o e ainda i ou u e que terminam em –l, –n, –r, do indicativo), que se distingue da correspondente forma do presente do
–x e –ps, assim como, salvo raras exceções, as respectivas formas do indicativo (pode).

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b)Facultativamente, dêmos (1a pessoa do plural do presente do conjun- delinquem; mas delinquimos, delinquís) ou têm as formas rizotóni-
tivo), para se distinguir da correspondente forma do pretérito perfeito do cas/rizotônicas acentuadas fónica/fônica e graficamente nas vogais a ou i
indicativo (demos); fôrma (substantivo), distinta de forma (substantivo; 3a radicais (a exemplo de averíguo, averíguas, averígua, averíguam; averígue,
pessoa do singular do presente do indicativo ou 2a pessoa do singular do averígues, averígue, averíguem; enxáguo, enxáguas, enxágua, enxáguaim;
imperativo do verbo formar). enxágue, enxágues, enxágue, enxáguem; delínquo, delínques; delínque,
7º)Prescinde-se de acento circunflexo nas formas verbais paroxítonas delínquem; delínqua, delínquas, delínqua, delinquám).
que contêm um e tónico/tônico oral fechado em hiato com a terminação – Obs.: Em conexão com os casos acima referidos, registre-se que os
em da 3ª pessoa do plural do presente do indicativo ou do conjuntivo, verbos em –ingir (atingir, cingir, constringir, infringir, tingir, etc.) e os verbos
conforme os casos: creem, deem (conj.), descreem, desdeem (conj.), leem, em –inguir sem prolação do u (distinguir, extinguir, etc.) têm grafias absolu-
preveem, redeem (conj.), releem, reveem, tresleem, veem. tamente regulares (atinjo, atinja, atinge, atingimos, etc; distingo, distinga,
8º)Prescinde-se igualmente do acento circunflexo para assinalar a vo- distingue, distinguimos, etc.)
gal tónica/tônica fechada com a grafia o em palavras paroxítonas como Base XI
enjoo, substantivo e flexão de enjoar, povoo, flexão de povoar, voo, subs- Da acentuação gráfica das palavras proparoxítonas
tantivo e flexão de voar, etc. 1º)Levam acento agudo:
9º)Prescinde-se, quer do acento agudo, quer do circunflexo, para dis- a)As palavras proparoxítonas que apresentam na sílaba tónica/tônica
tinguir palavras paroxítonas que, tendo respectivamente vogal tónica/tônica as vogais abertas grafadas a, e, o e ainda i, u ou ditongo oral começado por
aberta ou fechada, são homógrafas de palavras proclíticas. Assim, deixam vogal aberta: árabe, cáustico, Cleópatra, esquálido, exército, hidráulico,
de se distinguir pelo acento gráfico: para (á), flexão de parar, e para, prepo- líquido, míope, músico, plástico, prosélito, público, rústico, tétrico, último;
sição; pela(s) (é), substantivo e flexão de pelar, e pela(s), combinação de b)As chamadas proparoxítonas aparentes, isto é, que apresentam na
per e la(s); pelo (é), flexão de pelar, pelo(s) (ê), substantivo ou combinação sílaba tónica/tônica as vogais abertas grafadas a, e, o e ainda i, u ou diton-
de per e lo(s); polo(s) (ó), substantivo, e polo(s), combinação antiga e go oral começado por vogal aberta, e que terminam por seqüências vocáli-
popular de por e lo(s); etc. cas pós-tónicas/pós-tônicas praticamente consideradas como ditongos
10º)Prescinde-se igualmente de acento gráfico para distinguir paroxíto- crescentes (-ea, -eo, -ia, -ie, -io, -oa, -ua, -uo, etc.): álea, náusea; etéreo,
nas homógrafas heterofónicas/heterofônicas do tipo de acerto (ê), substan- níveo; enciclopédia, glória; barbárie, série; lírio, prélio; mágoa, nódoa;
tivo e acerto (é), flexão de acertar; acordo (ô), substantivo, e acordo (ó), exígua, língua; exíguo, vácuo.
flexão de acordar; cerca (ê), substantivo, advérbio e elemento da locução 2º)Levam acento circunflexo:
prepositiva cerca de, e cerca (é), flexão de cercar; coro (ô), substantivo, e a)As palavras proparoxítonas que apresentam na sílaba tónica/tônica
coro (ó), flexão de corar; deste (ê), contracção da preposição de com o vogal fechada ou ditongo com a vogal básica fechada: anacreôntico, brête-
demonstrativo este, e deste (é), flexão de dar; fora (ô), flexão de ser e ir, e ma, cânfora, cômputo, devêramos (de dever), dinâmico, êmbolo, excêntrico,
fora (ó), advérbio, interjeição e substantivo; piloto (ô), substantivo, e piloto fôssemos (de ser e ir), Grândola, hermenêutica, lâmpada, lôstrego, lôbrego,
(ó), flexão de pilotar, etc. nêspera, plêiade, sôfrego, sonâmbulo, trôpego;
Base X b)As chamadas proparoxítonas aparentes, isto é, que apresentam vo-
Da acentuação das vogais tónicas/tônicas grafadas i e u das gais fechadas na sílaba tónica/tônica, e terminam por seqüências vocálicas
palavras oxítonas e paroxítonas pós-tónicas/pós-tônicas praticamente consideradas como ditongos crescen-
1º)As vogais tóncias/tônicas grafadas i e u das palavras oxítonas e pa- tes: amêndoa, argênteo, côdea, Islândia, Mântua, serôdio.
roxítonas levam acento agudo quando antecedidas de uma vogal com que 3º)Levam acento agudo ou acento circunflexo as palavras proparoxíto-
não formam ditongo e desde de que não constituam sílaba com a eventual nas, reais ou aparentes, cujas vogais tónicas/tônicas grafadas e ou o estão
consoante seguinte, excetuando o caso de s: adaís (pl. de adail), aí, atraí em final de sílaba e são seguidas das consoantes nasais grafadas m ou n,
(de atrair), baú, caís (de cair), Esaú, jacuí, Luís, país, etc.; alaúde, amiúde, conforme o seu timbre é, respectivamente, aberto ou fechado nas pronún-
Araújo, Ataíde, atraíam (de atrair), atraísse (id.), baía, balaústre, cafeína, cias cultas da língua: académico/acadêmico, anatómico/anatômico, céni-
ciúme, egoísmo, faísca, faúlha, graúdo, influíste (de influir), juízes, Luísa, co/cênico, cómodo/cômodo, fenómeno/fenômeno, género/gênero, topóni-
miúdo, paraíso, raízes, recaída, ruína, saída, sanduíche, etc. mo/topônimo; Amazónia/Amazônia, António/Antônio, blasfémia/blasfêmia,
2º)As vogais tónicas/tônicas grafadas i e u das palavras oxítonas e pa- fémea/fêmea, gémeo/gêmeo, génio/gênio, ténue/tênue.
roxítonas não levam acento agudo quando, antecedidas de vogal com que Base XII
não formam ditongo, constituem sílaba com a consoante seguinte, como é Do emprego do acento grave
o caso de nh, l, m, n, r e z: bainha, moinho, rainha; adail, paul, Raul; Aboim, 1º)Emprega-se o acento grave:
Coimbra, ruim; ainda, constituinte, oriundo, ruins, triunfo; at-rairn. a)Na contração da preposição a com as formas femininas do artigo ou
demiuñrgo, influir, influirmos; juiz, raiz; etc. pronome demonstrativo o: à (de a + a), às (de a + as);
3º)Em conformidade com as regras anteriores leva acento agudo a vo- b)Na contração da preposição a com os demonstrativos aquele, aque-
gal tónica/tônica grafada i das formas oxítonas terminadas em r dos verbos la, aqueles, aquelas e aquilo ou ainda da mesma preposição com os com-
em –air e –uir, quando estas se combinam com as formas pronominais postos aqueloutro e suas flexões: àquele(s), àquela(s), àquilo; àquelou-
clíticas –lo(s), –la(s), que levam à assimilação e perda daquele –r: atraí- tro(s), àqueloutra(s);
lo(s) (de atrair-lo(s)); atraí-lo(s)-ia (de atrair-lo(s)-ia); possuí-la(s) (de possu- Base XIII
ir-la(s)); possuí-la(s)-ia (de possuir-la(s)-ia). Da supressão dos acentos em palavras derivadas
4º)Prescinde-se do acento agudo nas vogais tónicas/tônicas grafadas i 1º)Nos advérbios em –mente, derivados de adjetivos com acento agu-
e u das palavras paroxítonas, quando elas estão precedidas de ditongo: do ou circunflexo, estes são suprimidos: avidamente (de ávido), debilmente
baiuca, boiuno, cauila (var. cauira), cheiinho (de cheio), saiinha (de saia). (de débil), facilmente (de fácil), habilmente (de hábil), ingenuamente (de
5º)Levam, porém, acento agudo as vogais tónicas/tônicas grafadas i e ingênuo), lucidamente (de lúcido), mamente (de má), somente (de só),
u quando, precedidas de ditongo, pertencem as palavras oxítonas e estão unicamente (de único), etc.; candidamente (de cândido), cortesmente (de
em posição final ou seguidas de s: Piauí, teiú, teiús, tuiuiú, tuiuiús. cortês), dinamicamente (de dinâmico), espontaneamente (de espontâneo),
Obs.: Se, neste caso, a consoante final for diferente de s, tais vogais portuguesmente (de português), romanticamente (de romântico).
dispensam o acento agudo: cauim. 2º)Nas palavras derivadas que contêm sufixos iniciados por z e cujas
6º)Prescinde-se do acento agudo nos ditongos tónicos/tônicos grafados formas de base apresentam vogas tónica/tônica com acento agudo ou
iu e ui, quando precedidos de vogal: distraiu, instruiu, pauis (pl. de paul). circunflexo, estes são suprimidos: aneizinhos (de anéis), avozinha (de avó),
7º)Os verbos arguir e redarguir prescindem do acento agudo na vogal bebezito (de bebê), cafezada (de café), chapeuzinho (de chapéu), chazeiro
tónica/tônica grafada u nas formas rizotónicas/rizotônicas: arguo, arguis, (de chá), heroizito (de herói), ilheuzito (de ilhéu), mazinha (de má), orfãozi-
argui, arguem, argua, arguas, argua, arguam. Os verbos do tipo de aguar, nho (de órfão), vintenzito (de vintém), etc.; avozinho (de avô), bençãozinha
apaniguar, apaziguar, apropinquar, averiguar, desaguar, enxaguar, obli- (de bênção), lampadazita (de lâmpada), pessegozito (de pêssego).
quar, delinquir e afins, por oferecerem dois paradigmas, ou têm as formas Base XIV
rizotónicas/rizotônicas igualmente acentuadas no u mas sem marca gráfica Do trema
(a exemplo de averiguo, averiguas, averigua, averiguam; averigue, averi- O trema, sinal de diérese, é inteiramente suprimido em palavras portu-
gues, averigue, averiguem; enxaguo, enxaguas, enxagua, enxaguam; guesas ou aportuguesadas. Nem sequer se emprega na poesia, mesmo
enxague, enxagues, enxague, enxaguem, etc.; delinquo, delinquis, delinqui, que haja separação de duas vogais que normalmente formam ditongo:

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saudade, e não saüdade, ainda que tetrassílabo; saudar, e não saüdar, d)Adverbiais: à parte (note-se o substantivo aparte), à vontade, de mais
ainda que trissílabo; etc. (locução que se contrapõe a de menos; note-se demais, advérbio, conjun-
Em virtude desta supressão, abstrai-se de sinal especial, quer para dis- ção, etc.), depois de amanhã, em cima, por isso;
tinguir, em sílaba átona, um i ou um u de uma vogal da sílaba anterior, quer e)Prepositivas: abaixo de, acerca de, acima de, a fim de, a par de, à
para distinguir, também em sílaba átona, um i ou um u de um ditongo parte de, apesar de, aquando de, debaixo de, enquanto a, por baixo de, por
precedente, quer para distinguir, em sílaba tónica/tônica ou átona, o u de gu cima de, quanto a;
ou de qu de um e ou i seguintes: arruinar, constituiria, depoimento, esmiu- f)Conjuncionais: a fim de que, ao passo que, contanto que, logo que,
çar, faiscar, faulhar, oleicultura, paraibano, reunião; abaiucado, auiqui, por conseguinte, visto que.
caiuá, cauixi, piauiense; aguentar, anguiforme, arguir, bilíngue (ou bilingue), 7º)Emprega-se o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasio-
lingueta, linguista, linguístico; cinquenta, equestre, frequentar, tranquilo, nalmente se combinam, formando, não propriamente vocábulos, mas
ubiquidade. encadeamentos vocabulares (tipo: a divisa Liberdade-Igualdade-
Obs.: Conserva-se, no entanto, o trema, de acordo com a Base I, 3º, Fraternidade, a ponte Rio-Niterói, o percurso Lisboa-Coimbra-Porto, a
em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros: hübneriano, de ligação Angola-Moçambique), e bem assim nas combinações históricas ou
Hübner, mülleriano, de Müller, etc. ocasionais de topónimos/topônimos (tipo: Áustria-Hungria, Alsácia-Lorena,
Base XV Angola-Brasil, Tóquio-Rio de Janeiro, etc.).
Do hífen em compostos, locuções e Base XVI
encadeamentos vocabulares Do hífen nas formações por prefixação, recomposição e sufixação
1º)Emprega-se o hífen nas palavras compostas por justaposição que 1º)Nas formações com prefixos (como, por exemplo: ante-, anti-, cir-
não contêm formas de ligação e cujos elementos, de natureza nominal, cum-, co-, contra-, entre-, extra-, hiper-, infra-, intra-, pós-, pré-, pró-, sobre-,
adjetival, numeral ou verbal, constituem uma unidade sintagmática e se- sub-, super-, supra-, ultra-, etc.) e em formações por recomposição, isto é,
mântica e mantêm acento próprio, podendo dar-se o caso de o primeiro com elementos não autônomos ou falsos prefixos, de origem grega e latina
elemento estar reduzido: ano-luz, arcebispo-bispo, arco-íris, decreto-lei, és- (tais como: aero-, agro-, arqui-, auto-, bio-, eletro-, geo-, hidro-, inter-,
sueste, médico-cirurgião, rainha-cláudia, tenente-coronel, tio-avô, turma- macro-, maxi-, micro-, mini-, multi-, neo-, pan-, pluri-, proto-, pseudo-, retro-,
piloto; alcaide-mor, amor-perfeito, guarda-noturno, mato-grossense, norte- semi-, tele-, etc.), só se emprega o hífen nos seguintes casos:
americano, porto-alegrense, sul-africano; afro-asiático, afro-luso-brasileiro, a)Nas formações em que o segundo elemento começa por h: anti-
azul-escuro, luso-brasileiro, primeiro-ministro, primeiro-sargento, primo- higiénico/anti-higiênico, circum-hospitalar, co-herdeiro, contra-
infeção, segunda-feira; conta-gotas, finca-pé, guarda-chuva. harmónico/contra-harmônico, extra-humano, pré-história, sub-hepático,
Obs.: Certos compostos, em relação aos quais se perdeu, em certa super-homem, ultra-hiperbólico; arqui-hipérbole, eletro-higrómetro, geo-
medida, a noção de composição, grafam-se aglutinadamente: girassol, história, neo-helénico/neo-helênico, pan-helenismo, semi-hospitalar.
madressilva, mandachuva, pontapé, paraquedas, paraquedista, etc. Obs.: Não se usa, no entanto, o hífen em formações que contêm em
2º)Emprega-se o hífen nos topónimos/topônimos compostos, iniciados geral os prefixos des- e in- e nas quais o segundo elemento perdeu o h
pelos adjetivos grã, grão ou por forma verbal ou cujos elementos estejam inicial: desumano, desumidificar, inábil, inumano, etc.
ligados por artigo: Grã-Bretanha, Grão-Pará; Abre-Campo; Passa-Quatro, b)Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina na mesma
Quebra-Costas, Quebra-Dentes, Traga-Mouros, Trinca-Fortes; Albergaria- vogal com que se inicia o segundo elemento: anti-ibérico, contra-almirante,
a-Velha, Baía de Todos-os-Santos, Entre-os-Rios, Montemor-o-Novo, Trás- infra-axilar, supra-auricular; arqui-irmandade, auto-observação, eletro-ótica,
os-Montes. micro-onda, semi-interno.
Obs.: Os outros topónimos/topônimos compostos escrevem-se com os Obs.: Nas formações com o prefixo co-, este aglutina-se em geral com
elementos separados, sem hífen: América do Sul, Belo Horizonte, Cabo o segundo elemento mesmo quando iniciado por o: coobrigação, coocupan-
Verde, Castelo Branco, Freixo de Espada à Cinta, etc. O topóni- te, coordenar, cooperação, cooperar, etc.
mo/topônimo Guiné-Bissau é, contudo, uma exceção consagrada pelo uso. c)Nas formações com os prefixos circum- e pan-, quando o segundo
3º)Emprega-se o hífen nas palavras compostas que designam espécies elemento começa por vogal, m ou n (além de h, caso já considerado atrás
botânicas e zoológicas, estejam ou não ligadas por preposição ou qualquer na alínea a): circum-escolar, circum-murado, circum-navegação; pan-
outro elemento: abóbora-menina, couve-flor, erva-doce, feijão-verde; ben- africano, pan-mágico, pan-negritude.
ção-de-deus, erva-do-chá, ervilha-de-cheiro, fava-de-santo-inácio; bem-me- d)Nas formações com os prefixos hiper-, inter- e super-, quando com-
quer (nome de planta que também se dá à margarida e ao malmequer); binados com elementos iniciados por r: hiper-requintado, inter-resistente,
andorinha-grande, cobra-capelo, formiga-branca; andorinha-do-mar, cobra- super-revista.
d’água, lesma-de-conchinha; bem-te-vi (nome de um pássaro). e)Nas formações com os prefixos ex- (com o sentido de estado anterior
4º)Emprega-se o hífen nos compostos com os advérbios bem e mal, ou cessamento), sota-, soto-, vice- e vizo-: ex-almirante, ex-diretor, ex-
quando estes formam com o elemento que se lhes segue uma unidade hospedeira, ex-presidente, ex-primeiro-ministro, ex-rei; sota-piloto, soto-
sintagmática e semântica e tal elemento começa por vogal ou h. No entan- mestre, vice-presidente, vice-reitor, vizo-rei.
to, o advérbio bem, ao contrário do mal, pode não se aglutinar com palavras f)Nas formações com os prefixos tónicos/tônicos acentuados grafica-
começadas por consoante. Eis alguns exemplos das várias situações: bem- mente pós-, pré- e pró- quando o segundo elemento tem vida à parte (ao
aventurado, bem-estar, bem-humorado; mal-afortunado, mal-estar, mal- contrário do que acontece com as correspondentes formas átonas que se
humorado; bem-criado (cf. malcriado), bem-ditoso (cf. malditoso), bem- aglutinam com o elemento seguinte): pós-graduação, pós-tónico/pós-
falante (cf. malfalante), bem-mandado (cf. malmandado), bem-nascido (cf. tônicos (mas pospor); pré-escolar, pré-natal (mas prever); pró-africano, pró-
malnascido), bem-soante (cf. malsoante), bem-visto (cf. malvisto). europeu (mas promover).
Obs.: Em muitos compostos, o advérbio bem aparece aglutinado com 2º)Não se emprega, pois, o hífen:
o segundo elemento, quer este tenha ou não vida à parte: benfazejo, ben- a)Nas formações em que o prefixo ou falso prefixo termina em vogal e
feito, benfeitor, benquerença, etc. o segundo elemento começa por r ou s, devendo estas consoantes dupli-
5º)Emprega-se o hífen nos compostos com os elementos além, aquém, car-se, prática aliás já generalizada em palavras deste tipo pertencentes
recém e sem: além-Atlântico, além-mar, além-fronteiras; aquém-mar, a- aos domínios científico e técnico. Assim: antirreligioso, antissemita, contrar-
quém-Pirenéus; recém-casado, recém-nascido; sem-cerimônia, sem- regra, comtrassenha, cosseno, extrarregular, infrassom, minissaia, tal como
número, sem-vergonha. biorritmo, biossatélite, eletrossiderurgia, microssistema, microrradiografia.
6º)Nas locuções de qualquer tipo, sejam elas substantivas, adjetivas, b)Nas formações em que o prefixo ou pseudoprefixo termina em vogal
pronominais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais, não se emprega em e o segundo elemento começa por vogal diferente, prática esta em geral já
geral o hífen, salvo algumas exceções já consagradas pelo uso (como é o adotada também para os termos técnicos e científicos. Assim: antiaéreo,
caso de água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé- coeducação, extraescolar; aeroespacial, autoestrada, autoaprendizagem,
de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa). Sirvam, pois, de exemplo de agroindustrial, hidroelétrico, plurianual.
emprego sem hífen as seguintes locuções: 3º)Nas formações por sufixação apenas se emprega o hífen nos vocá-
a)Substantivas: cão de guarda, fim de semana, sala de jantar; bulos terminados por sufixos de origem tupi-guarani que representam
b)Adjetivas: cor de açafrão, cor de café com leite, cor de vinho; formas adjetivas, como açu, guaçu e mirim, quando o primeiro elemento
c)Pronominais: cada um, ele próprio, nós mesmos, quem quer que se- acaba em vogal acentuada graficamente ou quando a pronúncia exige a
ja; distinção gráfica dos dois elementos: amoré-guaçu, anajá-mirim, andá-açu,

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capim-açu, Ceará-Mirim. perfeitas:
Base XVII i) do, da, dos, das; dele, dela, deles, delas; deste, desta, destes, des-
Do hífen na ênclise, na tmese e com o verbo haver tas, disto; desse, dessa, desses, dessas, disso; daquele, daquela, daque-
1º)Emprega-se o hífen na ênclise e na tmese: amá-lo, dá-se, deixa-o, les, daquelas, daquilo; destoutro, destoutra, destoutros, destoutras; dessou-
partir-lhe; amá-lo-ei, enviar-lhe-emos. tro, dessoutra, dessoutros, dessoutras; daqueloutro, daqueloutra, daquelou-
2º)Não se emprega o hífen nas ligações da preposição de às formas tros, daqueloutras; daqui; daí; dali; dacolá; donde; dantes (= antigamente);
monossilábicas do presente do indicativo do verbo haver: hei de, hás de, ii) no, na, nos, nas; nele, nela, neles, nelas; neste, nesta, nestes, nes-
hão de, etc. tas, nisto; nesse, nessa, nesses, nessas, nisso; naquele, naquela, naque-
Obs.: 1. Embora estejam consagradas pelo uso as formas verbais quer les, naquelas, naquilo; nestoutro, nestoutra, nestoutros, nestoutras; nessou-
e requer, dos verbos querer e requerer, em vez de quere e requere, estas tro, nessoutra, nessoutros, nessoutras; naqueloutro, naqueloutra, naquelou-
últimas formas conservam-se, no entanto, nos casos de ênclise: quere-o(s), tros, naqueloutras; num, numa, nuns, numas; noutro, noutra, noutros,
requere-o(s). Nestes contextos, as formas (legítimas, aliás) qué-lo e requé- noutras, noutrem; nalgum, nalguma, nalguns, nalgumas, nalguém.
lo são pouco usadas. b)Por uma ou duas formas vocabulares, se não constituem, de modo
2. Usa-se também o hífen nas ligações de formas pronominais enclíti- fixo, uniões perfeitas (apesar de serem correntes com esta feição em
cas ao advérbio eis (eis-me, ei-lo) e ainda nas combinações de formas algumas pronúncias): de um, de uma, de uns, de umas, ou dum, duma,
pronominais do tipo no-lo, vo-las, quando em próclise (por ex.: esperamos duns, dumas; de algum, de alguma, de alguns, de algumas, de alguém, de
que no-lo comprem). algo, de algures, de alhures, ou dalgum, dalguma, dalguns, dalgumas,
Base XVIII dalguém, dalgo, dalgures, dalhures; de outro, de outra, de outros, de outras,
Do apóstrofo de outrem, de outrora, ou doutro, doutra, doutros, doutras, doutrem, doutro-
1º)São os seguintes os casos de emprego do apóstrofo: ra; de aquém ou daquém; de além ou dalém; de entre ou dentre.
a)Faz-se uso do apóstrofo para cindir graficamente uma contração ou De acordo com os exemplos deste último tipo, tanto se admite o uso da
aglutinação vocabular, quando um elemento ou fração respectiva pertence locução adverbial de ora avante como do advérbio que representa a contra-
propriamente a um conjunto vocabular distinto: d’ Os Lusíadas, d’ Os Ser- ção dos seus três elementos: doravante.
tões; n’ Os Lusíadas, n’ Os Sertões; pel’ Os Lusíadas, pel’ Os Sertões. Obs.: Quando a preposição de se combina com as formas articulares
Nada obsta, contudo, a que estas escritas sejam substituídas por empregos ou pronominais o, a, os, as, ou com quaisquer pronomes ou advérbios
de preposições íntegras, se o exigir razão especial de clareza, expressivi- começados por vogal, mas acontece estarem essas palavras integradas em
dade ou ênfase: de Os Lusíadas, em Os Lusíadas, por Os Lusíadas, etc. construções de infinitivo, não se emprega o apóstrofo, nem se funde a
As cisões indicadas são análogas às dissoluções gráficas que se fa- preposição com a forma imediata, escrevendo-se estas duas separadamen-
zem, embora sem emprego do apóstrofo, em combinações da preposição a te: a fim de ele compreender; apesar de o não ter visto; em virtude de os
com palavras pertencentes a conjuntos vocabulares imediatos: a A Relí- nossos pais serem bondosos; o fato de o conhecer; por causa de aqui
quia, a Os Lusíadas (exemplos: importância atribuída a A Relíquia; recorro estares.
a Os Lusíadas). Em tais casos, como é óbvio, entende-se que a dissolução Base XIX
gráfica nunca impede na leitura a combinação fonética: a A = à, a Os = aos, Das minúsculas e maiúsculas
etc. 1º)A letra minúscula inicial é usada:
b)Pode cindir-se por meio do apóstrofo uma contração ou aglutinação a)Ordinariamente, em todos os vocábulos da língua nos usos corren-
vocabular, quando um elemento ou fração respectiva é forma pronominal e tes.
se lhe quer dar realce com o uso de maiúscula: d’Ele, n’Ele, d’Aquele, b)Nos nomes dos dias, meses, estações do ano: segunda-feira; outu-
n’Aquele, d’O, n’O, pel’O, m’O, t’O, lh’O, casos em que a segunda parte, bro; primavera.
forma masculina, é aplicável a Deus, a Jesus, etc.; d’Ela, n’Ela, d’Aquela, c)Nos bibliónimos/bibliônimos (após o primeiro elemento, que é com
d’A, n’A, pel’A, m’A, t’A, lh’A, casos em que a segunda parte, forma femini- maiúscula, os demais vocábulos, podem ser escritos com minúscula, salvo
na, é aplicável à mãe de Jesus, à Providência, etc. Exemplos frásicos: nos nomes próprios nele contidos, tudo em grifo): O Senhor do Paço de
confiamos n’O que nos salvou; esse milagre revelou-m’O; está n’Ela a Ninães, O senhor do paço de Ninães, Menino de Engenho ou Menino de
nossa esperança; pugnemos pel’A que é nossa padroeira. engenho, Árvore e Tambor ou Árvore e tambor.
À semelhança das cisões indicadas, pode dissolver-se graficamente, d)Nos usos de fulano, sicrano, beltrano.
posto que sem uso do apóstrofo, uma combinação da preposição a com e)Nos pontos cardeais (mas não nas suas abreviaturas); norte, sul
uma forma pronominal realçada pela maiúscula: a O, a Aquele, a Aquela (mas: SW sudoeste).
(entendendo-se que a dissolução gráfica nunca impede na leitura a combi- f)Nos axiónimos/axiônimos e hagiónimos/hagiônimos (opcionalmente,
nação fonética: a O = ao, a Aquela = àquela, etc.). Exemplos frásicos: a O neste caso, também com maiúscula): senhor doutor Joaquim da Silva,
que tudo pode; a Aquela que nos protege. bacharel Mário Abrantes, o cardeal Bembo; santa Filomena (ou Santa
c)Emprega-se o apóstrofo nas ligações das formas santo e santa a Filomena).
nomes do hagiológio, quando importa representar a elisão das vogais finais g)Nos nomes que designam domínios do saber, cursos e disciplinas
o e a: Sant’Ana, Sant’Iago, etc. É, pois, correto escrever: Calçada de (opcionalmente, também com maiúscula): português (ou Português), mate-
Sant’Ana, Rua de Sant’Ana; culto de Sant’Iago, Ordem de Sant’Iago. Mas, mática (ou Matemática); línguas e literaturas modernas (ou Línguas e
se as ligações deste gênero, como é o caso destas mesmas Sant’Ana e Literaturas Modernas).
Sant’Iago, se tornam perfeitas unidades mórficas, aglutinam-se os dois 2º)A letra maiúscula inicial é usada:
elementos: Fulano de Santana, ilhéu de Santana, Santana de Parnaíba; a)Nos antropónimos/antropônimos, reais ou fictícios: Pedro Marques;
Fulano de Santiago, ilha de Santiago, Santiago do Cacém. Branca de Neve, D. Quixote.
Em paralelo com a grafia Sant’Ana e congêneres, emprega-se também b)Nos topónimos/topônimos, reais ou fictícios: Lisboa, Luanda, Maputo,
o apóstrofo nas ligações de duas formas antroponímicas, quando é neces- Rio de Janeiro; Atlântida, Hespéria.
sário indicar que na primeira se elide um o final: Nun’Álvares, Pedr’Eanes. c)Nos nomes de seres antropomorfizados ou mitológicos: Adamastor;
Note-se que nos casos referidos as escritas com apóstrofo, indicativas Neptuno / Netuno.
de elisão, não impedem, de modo algum, as escritas sem apóstrofo: Santa d)Nos nomes que designam instituições: Instituto de Pensões e Apo-
Ana, Nuno Álvares, Pedro Álvares, etc. sentadorias da Previdência Social.
d)Emprega-se o apóstrofo para assinalar, no interior de certos compos- e)Nos nomes de festas e festividades: Natal, Páscoa, Ramadão, Todos
tos, a elisão do e da preposição de, em combinação com substantivos: os Santos.
borda-d’água, cobra-d’água, copo-d’água, estrela-d’alva, galinha-d’água, f)Nos títulos de periódicos, que retêm o itálico: O Primeiro de Janeiro,
mãe-d’água, pau-d’água, pau-d’alho, pau-d’arco, pau-d’óleo. O Estado de São Paulo (ou S. Paulo).
2º)São os seguintes os casos em que não se usa o apóstrofo: g)Nos pontos cardeais ou equivalentes, quando empregados absolu-
Não é admissível o uso do apóstrofo nas combinações das preposições tamente: Nordeste, por nordeste do Brasil, Norte, por norte de Portugal,
de e em com as formas do artigo definido, com formas pronominais diver- Meio-Dia, pelo sul da França ou de outros países, Ocidente, por ocidente
sas e com formas adverbiais (excetuado o que se estabelece nas alíneas europeu, Oriente, por oriente asiático.
1º) a) e 1º) b)). Tais combinações são representadas: h)Em siglas, símbolos ou abreviaturas internacionais ou nacionalmente
a)Por uma só forma vocabular, se constituem, de modo fixo, uniões reguladas com maiúsculas, iniciais ou mediais ou finais ou o todo em mai-

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úsculas: FAO, NATO, ONU; H2O; Sr., V. Exa. NOTA EXPLICATIVA DO
i)Opcionalmente, em palavras usadas reverencialmente, aulicamente ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA
ou hierarquicamente, em início de versos, em categorizações de logradou- (1990)
ros públicos: (rua ou Rua da Liberdade, largo ou Largo dos Leões), de 1. Memória breve dos acordos ortográficos
templos (igreja ou Igreja do Bonfim, templo ou Templo do Apostolado A existência de duas ortografias oficiais da língua portuguesa, a lusita-
Positivista), de edifícios (palácio ou Palácio da Cultura, edifício ou Edifício na e a brasileira, tem sido considerada como largamente prejudicial para a
Azevedo Cunha). unidade intercontinental do português e para o seu prestígio no Mundo.
Obs.: As disposições sobre os usos das minúsculas e maiúsculas não Tal situação remonta, como é sabido, a 1911, ano em que foi adotada
obstam a que obras especializadas observem regras próprias, provindas de em Portugal a primeira grande reforma ortográfica, mas que não foi exten-
códigos ou normalizações específicas (terminologias antropológica, geoló- siva ao Brasil.
gica, bibliológica, botânica, zoológica, etc.), promanadas de entidades Por iniciativa da Academia Brasileira de Letras, em consonância com a
científicas ou normalizadoras, reconhecidas internacionalmente. Academia das Ciências de Lisboa, com o objetivo de se minimizarem os
Base XX inconvenientes desta situação, foi aprovado em 1931 o primeiro acordo
Da divisão silábica ortográfico entre Portugal e o Brasil. Todavia, por razões que não importa
A divisão silábica, que em regra se faz pela soletração (a-ba-de, bru- agora mencionar, este acordo não produziu, afinal, a tão desejada unifica-
ma, ca-cho, lha-no, ma-lha, ma-nha, má-xi-mo, ó-xi-do, ro-xo, tme-se), e na ção dos dois sistemas ortográficos, fato que levou mais tarde à convenção
qual, por isso, se não tem de atender aos elementos constitutivos dos ortográfica de 1943. Perante as divergências persistentes nos Vocabulários
vocábulos segundo a etimologia (a-ba-li-e-nar, bi-sa-vô, de-sa-pa-re-cer, di- entretanto publicados pelas duas Academias, que punham em evidência os
sú-ri-co, e-xâ-ni-me, hi-pe-ra-cú-sti-co, i-ná-bil, o-bo-val, su-bo-cu-lar, su-pe- parcos resultados práticos do acordo de 1943, realizou-se, em 1945, em
rá-ci-do), obedece a vários preceitos particulares, que rigorosamente cum- Lisboa, novo encontro entre representantes daquelas duas agremiações, o
pre seguir, quando se tem de fazer em fim de linha, mediante o emprego do qual conduziu à chamada Convenção Ortográfica Luso-Brasileira de 1945.
hífen, a partição de uma palavra: Mais uma vez, porém, este acordo não produziu os almejados efeitos, já
1º)São indivisíveis no interior da palavra, tal como inicialmente, e for- que ele foi adotado em Portugal, mas não no Brasil.
mam, portanto, sílaba para a frente as sucessões de duas consoantes que Em 1971, no Brasil, e em 1973, em Portugal, foram promulgadas leis
constituem perfeitos grupos, ou sejam (com exceção apenas de vários que reduziram substancialmente as divergências ortográficas entre os dois
compostos cujos prefixos terminam em b, ou d: ab- legação, ad- ligar, sub- países. Apesar destas louváveis iniciativas, continuavam a persistir, porém,
lunar, etc., em vez de a- blegação, a- dligar, su- blunar, etc.) aquelas su- divergências sérias entre os dois sistemas ortográficos.
cessões em que a primeira consoante é uma labial, uma velar, uma dental No sentido de as reduzir, a Academia das Ciências de Lisboa e a Aca-
ou uma labiodental e a segunda um l ou um r: a- blução, cele- brar, du- demia Brasileira de Letras elaboraram em 1975 um novo projeto de acordo
plicação, re- primir, a- clamar, de- creto, de- glutição, re- grado; a- tlético, que não foi, no entanto, aprovado oficialmente por razões de ordem política,
cáte- dra, períme- tro; a- fluir, a- fricano, ne- vrose. sobretudo vigentes em Portugal.
2º)São divisíveis no interior da palavra as sucessões de duas consoan- E é neste contexto que surge o encontro do Rio de Janeiro, em Maio
tes que não constituem propriamente grupos e igualmente as sucessões de 1986, e no qual se encontram, pela primeira vez na história da língua
de m ou n, com valor de nasalidade, e uma consoante: ab- dicar, Ed- gardo, portuguesa, representantes não apenas de Portugal e do Brasil mas tam-
op- tar, sub- por, ab- soluto, ad- jetivo, af- ta, bet- samita, íp- silon, ob- viar, bém dos cinco novos países africanos lusófonos entretanto emergidos da
des- cer, dis- ciplina, flores- cer, nas- cer, res- cisão; ac- ne, ad- mirável, descolonização portuguesa.
Daf- ne, diafrag- ma, drac- ma, ét- nico, rit- mo, sub- meter, am- nésico, O Acordo Ortográfico de 1986, conseguido na reunião do Rio de Janei-
interam- nense; bir- reme, cor- roer, pror- rogar, as- segurar, bis- secular, ro, ficou, porém, inviabilizado pela reação polêmica contra ele movida
sos- segar, bissex- to, contex- to, ex- citar, atroz- mente, capaz- mente, sobretudo em Portugal.
infeliz- mente; am- bição, desen- ganar, en- xame, man- chu, Mân- lio, etc. [Link]ões do fracasso dos acordos ortográficos
3º)As sucessões de mais de duas consoantes ou de m ou n, com o va- Perante o fracasso sucessivo dos acordos ortográficos entre Portugal e
lor de nasalidade, e duas ou mais consoantes são divisíveis por um de dois o Brasil, abrangendo o de 1986 também os países lusófonos de África,
meios: se nelas entra um dos grupos que são indivisíveis (de acordo com o importa refletir seriamente sobre as razões de tal malogro.
preceito 1º), esse grupo forma sílaba para diante, ficando a consoante ou Analisando sucintamente o conteúdo dos acordos de 1945 e de 1986, a
consoantes que o precedem ligadas à sílaba anterior; se nelas não entra conclusão que se colhe é a de que eles visavam impor uma unificação
nenhum desses grupos, a divisão dá-se sempre antes da última consoante. ortográfica absoluta.
Exemplos dos dois casos: cam- braia, ec- tlipse, em- blema, ex- plicar, in- Em termos quantitativos e com base em estudos desenvolvidos pela
cluir, ins- crição, subs- crever, trans- gredir, abs- tenção, disp- neia, inters- Academia das Ciências de Lisboa, com base num corpus de cerca de
telar, lamb- dacismo, sols- ticial, Terp- sícore, tungs- tênio. 110.000 palavras, conclui-se que o Acordo de 1986 conseguia a unificação
4º)As vogais consecutivas que não pertencem a ditongos decrescentes ortográfica em cerca de 99,5% do vocabulário geral da língua. Mas conse-
(as que pertencem a ditongos deste tipo nunca se separam: ai- roso, cadei- guia-a sobretudo à custa da simplificação drástica do sistema de acentua-
ra, insti- tui, ora- ção, sacris- tães, traves- sões) podem, se a primeira delas ção gráfica, pela supressão dos acentos nas palavras proparoxítonas e
não é u precedido de g ou q, e mesmo que sejam iguais, separar-se na paroxítonas, o que não foi bem aceito por uma parte substancial da opinião
escrita: ala- úde, áre- as, ca- apeba, co- ordenar, do- er, flu- idez, perdo- as, pública portuguesa.
vo- os. O mesmo se aplica aos casos de contiguidade de ditongos, iguais Também o acordo de 1945 propunha uma unificação ortográfica abso-
ou diferentes, ou de ditongos e vogais: cai- ais, cai- eis, ensai- os, flu- iu. luta que rondava os 100% do vocabulário geral da língua. Mas tal unifica-
5º)Os digramas gu e qu, em que o u se não pronuncia, nunca se sepa- ção assentava em dois princípios que se revelaram inaceitáveis para os
ram da vogal ou ditongo imediato (ne- gue, ne- guei; pe- que, pe- quei), do brasileiros:
mesmo modo que as combinações gu e qu em que o u se pronuncia: á- a)Conservação das chamadas consoantes mudas ou não articuladas, o
gua, ambí- guo, averi- gueis, longín-quos, lo- quaz, quais- quer. que correspondia a uma verdadeira restauração destas consoantes no
6º) Na translineação de uma palavra composta ou de uma combinação Brasil, uma vez que elas tinham há muito sido abolidas.
de palavras em que há um hífen, ou mais, se a partição coincide com o final b)Resolução das divergências de acentuação das vogais tônicas e e o,
de um dos elementos ou membros, deve, por clareza gráfica, repetir-se o seguidas das consoantes nasais m e n, das palavras proparoxítonas (ou
hífen no início da linha imediata: ex- -alferes, serená- -los-emos ou serená- esdrúxulas) no sentido da prática portuguesa, que consistia em as grafar
los- -emos, vice- -almirante. com acento agudo e não circunflexo, conforme a prática brasileira.
Base XXI Assim se procurava, pois, resolver a divergência de acentuação gráfica
Das assinaturas e firmas de palavras como António e Antônio, cómodo e cômodo, género e gênero,
Para ressalva de direitos, cada qual poderá manter a escrita que, por oxigénio e oxigênio, etc., em favor da generalização da acentuação com o
costume ou registro legal, adote na assinatura do seu nome. diacrítico agudo. Esta solução estipulava, contra toda a tradição ortográfica
Com o mesmo fim, pode manter-se a grafia original de quaisquer firmas portuguesa, que o acento agudo, nestes casos, apenas assinalava a tonici-
comerciais, nomes de sociedades, marcas e títulos que estejam inscritos dade da vogal e não o seu timbre, visando assim resolver as diferenças de
em registro público. pronúncia daquelas mesmas vogais.
ANEXO II A inviabilização prática de tais soluções leva-nos à conclusão de que

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não é possível unificar por via administrativa divergências que assentam em setor, etc.), outras vezes entre normas cultas distintas (cf., por ex., facto,
claras diferenças de pronúncia, um dos critérios, aliás, em que se baseia o receção em Portugal, mas fato, recepção no Brasil).
sistema ortográfico da língua portuguesa. A solução que se propõe para estes casos, no novo texto ortográfico,
Nestas condições, há que procurar uma versão de unificação ortográfi- consagra a dupla grafia (v. Base IV, 1º c).
ca que acautele mais o futuro do que o passado e que não receie sacrificar A estes casos de grafia dupla devem acrescentar-se as poucas varian-
a simplificação também pretendida em 1986, em favor da máxima unidade tes do tipo de súbdito e súdito, subtil e sutil, amígdala e amídala, amnistia e
possível. Com a emergência de cinco novos países lusófonos, os fatores de anistia, aritmética e arimética, nas quais a oscilação da pronúncia se verifi-
desagregação da unidade essencial da língua portuguesa far-se-ão sentir ca quanto às consoantes b, g, m e t (v. Base IV, 2º).
com mais acuidade e também no domínio ortográfico. Neste sentido impor- O número de palavras abrangidas pela dupla grafia é de cerca de 0,5%
ta, pois, consagrar uma versão de unificação ortográfica que fixe e delimite do vocabulário geral da língua, o que é pouco significativo (ou seja, pouco
as diferenças atualmente existentes e previna contra a desagregação mais de 575 palavras em cerca de 110.000), embora nele se incluam
ortográfica da língua portuguesa. também alguns vocábulos de uso muito frequente.
Foi, pois, tendo presentes estes objetivos, que se fixou o novo texto de 4.2. Justificação da supressão de consoantes não articuladas (Base IV
unificação ortográfica, o qual representa uma versão menos forte do que as 1º b)
que foram conseguidas em 1945 e 1986. Mas ainda assim suficientemente As razões que levaram à supressão das consoantes mudas ou não ar-
forte para unificar ortograficamente cerca de 98% do vocabulário geral da ticuladas em palavras como ação (acção), ativo (activo), diretor (director),
língua. ótimo (óptimo) foram essencialmente as seguintes:
[Link] e substância do novo texto a)O argumento de que a manutenção de tais consoantes se justifica
O novo texto de unificação ortográfica agora proposto contém altera- por motivos de ordem etimológica, permitindo assinalar melhor a similarida-
ções de forma (ou estrutura) e de conteúdo, relativamente aos anteriores. de com as palavras congêneres das outras línguas românicas, não tem
Pode dizer-se, simplificando, que em termos de estrutura se aproxima mais consistência. Por outro lado, várias consoantes etimológicas se foram
do acordo de 1986, mas que em termos de conteúdo adota uma posição perdendo na evolução das palavras ao longo da história da língua portu-
mais conforme com o projeto de 1975, atrás referido. guesa. Vários são, por outro lado, os exemplos de palavras deste tipo,
Em relação às alterações de conteúdo, elas afetam sobretudo o caso pertencentes a diferentes línguas românicas, que, embora provenientes do
das consoantes mudas ou não articuladas, o sistema de acentuação gráfi- mesmo étimo latino, revelam incongruências quanto à conservação ou não
ca, especialmente das esdrúxulas, e a hifenação. das referidas consoantes.
Pode dizer-se ainda que, no que respeita às alterações de conteúdo, É o caso, por exemplo, da palavra objecto, proveniente do latim objec-
de entre os princípios em que assenta a ortografia portuguesa, se privilegi- tu-, que até agora conservava o c, ao contrário do que sucede em francês
ou o critério fonético (ou da pronúncia) com um certo detrimento para o (cf. objet), ou em espanhol (cf. objeto). Do mesmo modo projecto (de pro-
critério etimológico. jectu-) mantinha até agora a grafia com c, tal como acontece em espanhol
É o critério da pronúncia que determina, aliás, a supressão gráfica das (cf. proyecto), mas não em francês (cf. projet). Nestes casos o italiano
consoantes mudas ou não articuladas, que se têm conservado na ortografia dobra a consoante, por assimilação (cf. oggetto e progetto). A palavra
lusitana essencialmente por razões de ordem etimológica. vitória há muito se grafa sem c, apesar do espanhol victoria, do francês
É também o critério da pronúncia que nos leva a manter um certo nú- victoire ou do italiano vittoria. Muitos outros exemplos se poderiam citar.
mero de grafias duplas do tipo de caráter e carácter, facto e fato, sumptuo- Aliás, não tem qualquer consistência a ideia de que a similaridade do
so e suntuoso, etc. português com as outras línguas românicas passa pela manutenção de
É ainda o critério da pronúncia que conduz à manutenção da dupla a- consoantes etimológicas do tipo mencionado. Confrontem-se, por exemplo,
centuação gráfica do tipo de económico e econômico, efémero e efêmero, formas como as seguintes: port. acidente (do lat. accidente-), esp. acciden-
género e gênero, génio e gênio, ou de bónus e bônus, sémen e sêmen, te, fr. accident, it. accidente; port. dicionário (do lat. dictionariu-), esp. dic-
ténis e tênis, ou ainda de bebé e bebê, ou metro e metrô, etc. cionario, fr. dictionnaire, it. dizionario; port. ditar (do lat. dictare), esp. dictar,
Explicitam-se em seguida as principais alterações introduzidas no novo fr. dicter, it. dettare; port. estrutura (de structura-), esp. estructura, fr. struc-
texto de unificação ortográfica, assim como a respectiva justificação. ture, it. struttura; etc.
[Link]ção ou supressão das consoantes c, p, b, g, m e t em certas Em conclusão, as divergências entre as línguas românicas, neste do-
seqüências consonânticas (Base IV) mínio, são evidentes, o que não impede, aliás, o imediato reconhecimento
[Link] da questão da similaridade entre tais formas. Tais divergências levantam dificuldades à
Como é sabido, uma das principais dificuldades na unificação da orto- memorização da norma gráfica, na aprendizagem destas línguas, mas não
grafia da língua portuguesa reside na solução a adotar para a grafia das é com certeza a manutenção de consoantes não articuladas em português
consoantes c e p, em certas seqüências consonânticas interiores, já que que vai facilitar aquela tarefa.
existem fortes divergências na sua articulação. b)A justificação de que as ditas consoantes mudas travam o fechamen-
Assim, umas vezes, estas consoantes são invariavelmente proferidas to da vogal precedente também é de fraco valor, já que, por um lado, se
em todo o espaço geográfico da língua portuguesa, conforme sucede em mantêm na língua palavras com vogal pré-tónica aberta, sem a presença de
casos como compacto, ficção, pacto; adepto, aptidão, núpcias; etc. qualquer sinal diacrítico, como em corar, padeiro, oblação, pregar (= fazer
Neste caso, não existe qualquer problema ortográfico, já que tais con- uma prédica), etc., e, por outro, a conservação de tais consoantes não
soantes não podem deixar de grafar-se (v. Base IV, 1º a). impede a tendência para o ensurdecimento da vogal anterior em casos
Noutros casos, porém, dá-se a situação inversa da anterior, ou seja, como accionar, actual, actualidade, exactidão, tactear, etc.
tais consoantes não são proferidas em nenhuma pronúncia culta da língua, c)É indiscutível que a supressão deste tipo de consoantes vem facilitar
como acontece em acção, afectivo, direcção; adopção, exacto, óptimo; etc. a aprendizagem da grafia das palavras em que elas ocorriam.
Neste caso existe um problema. É que na norma gráfica brasileira há muito De fato, como é que uma criança de 6-7 anos pode compreender que
estas consoantes foram abolidas, ao contrário do que sucede na norma em palavras como concepção, excepção, recepção, a consoante não
gráfica lusitana, em que tais consoantes se conservam. A solução que articulada é um p, ao passo que em vocábulos como correcção, direcção,
agora se adota (v. Base IV, 1º b) é a de as suprimir, por uma questão de objecção, tal consoante é um c?
coerência e de uniformização de critérios (vejam-se as razões de tal su- Só à custa de um enorme esforço de memorização que poderá ser
pressão adiante, em 4.2.). vantajosamente canalizado para outras áreas da aprendizagem da língua.
As palavras afectadas por tal supressão representam 0,54% do voca- d)A divergência de grafias existente neste domínio entre a norma lusi-
bulário geral da língua, o que é pouco significativo em termos quantitativos tana, que teimosamente conserva consoantes que não se articulam em
(pouco mais de 600 palavras em cerca de 110.000). Este número é, no todo o domínio geográfico da língua portuguesa, e a norma brasileira, que
entanto, qualitativamente importante, já que compreende vocábulos de uso há muito suprimiu tais consoantes, é incompreensível para os lusitanistas
muito frequente (como, por ex., acção, actor, actual, colecção, colectivo, estrangeiros, nomeadamente para professores e estudantes de português,
correcção, direcção, director, electricidade, factor, factura, inspector, lectivo, já que lhes cria dificuldades suplementares, nomeadamente na consulta
óptimo, etc.). dos dicionários, uma vez que as palavras em causa vêm em lugares dife-
O terceiro caso que se verifica relativamente às consoantes c e p diz rentes da ordem alfabética, conforme apresentam ou não a consoante
respeito à oscilação de pronúncia, a qual ocorre umas vezes no interior da muda.
mesma norma culta (cf. por ex., cacto ou cato, dicção ou dição, sector ou e)Uma outra razão, esta de natureza psicológica, embora nem por isso

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menos importante, consiste na convicção de que não haverá unificação Não tendo tido viabilidade prática a solução fixada na Convenção Orto-
ortográfica da língua portuguesa se tal disparidade não for revolvida. gráfica de 1945, conforme já foi referido, duas soluções eram possíveis
f)Tal disparidade ortográfica só se pode resolver suprimindo da escrita para se procurar resolver esta questão.
as consoantes não articuladas, por uma questão de coerência, já que a Uma era conservar a dupla acentuação gráfica, o que constituía sem-
pronúncia as ignora, e não tentando impor a sua grafia àqueles que há pre um espinho contra a unificação da ortografia.
muito as não escrevem, justamente por elas não se pronunciarem. Outra era abolir os acentos gráficos, solução adotada em 1986, no En-
4.3. Incongruências aparentes contro do Rio de Janeiro.
A aplicação do princípio, baseado no critério da pronúncia, de que as Esta solução, já preconizada no I Simpósio Luso-Brasileiro sobre a
consoantes c e p em certas sequências consonânticas se suprimem, quan- Língua Portuguesa Contemporânea, realizada em 1967 em Coimbra, tinha
do não articuladas, conduz a algumas incongruências aparentes, conforme sobretudo a justificá-la o fato de a língua oral preceder a língua escrita, o
sucede em palavras como apocalítico ou Egito (sem p, já que este não se que leva muitos utentes a não empregarem na prática os acentos gráficos,
pronuncia), a par de apocalipse ou egipcio (visto que aqui o p se articula), visto que não os consideram indispensáveis à leitura e compreensão dos
noturno (sem c, por este ser mudo), ao lado de noctívago (com c por este textos escritos.
se pronunciar), etc. A abolição dos acentos gráficos nas palavras proparoxítonas e paroxí-
Tal incongruência é apenas aparente. De fato, baseando-se a conser- tonas, preconizada no Acordo de 1986, foi, porém, contestada por uma
vação ou supressão daquelas consoantes no critério da pronúncia, o que larga parte da opinião pública portuguesa, sobretudo por tal medida ir
não faria sentido era mantê-las, em certos casos, por razões de parentesco contra a tradição ortográfica e não tanto por estar contra a prática ortográfi-
lexical. Se se abrisse tal exceção, o utente, ao ter que escrever determina- ca.
da palavra, teria que recordar previamente, para não cometer erros, se não A questão da acentuação gráfica tinha, pois, de ser repensada.
haveria outros vocábulos da mesma família que se escrevessem com este Neste sentido, desenvolveram-se alguns estudos e fizeram-se vários
tipo de consoante. levantamentos estatísticos com o objetivo de se delimitarem melhor e
Aliás, divergências ortográficas do mesmo tipo das que agora se pro- quantificarem com precisão as divergências existentes nesta matéria.
põem foram já aceites nas Bases de 1945 (v. Base VI, último parágrafo), [Link] de dupla acentuação
que consagraram grafias como assunção ao lado de assumptivo, cativo, a [Link] proparoxítonas (Base XI)
par de captor e captura, dicionário, mas dicção, etc. A razão então aduzida Verificou-se assim que as divergências, no que respeita às proparoxí-
foi a de que tais palavras entraram e se fixaram na língua em condições tonas, se circunscrevem praticamente, como já foi destacado atrás, ao caso
diferentes. A justificação da grafia com base na pronúncia é tão nobre como das vogais tônicas e e o, seguidas das consoantes nasais m e n, com as
aquela razão. quais aquelas não formam sílaba (v. Base XI, 3º).
[Link] de dupla grafia (Base IV, 1º c, d e 2º) Estas vogais soam abertas em Portugal e nos países africanos rece-
Sendo a pronúncia um dos critérios em que assenta a ortografia da lín- bendo, por isso, acento agudo, mas são do timbre fechado em grande parte
gua portuguesa, é inevitável que se aceitem grafias duplas naqueles casos do Brasil, grafando-se por conseguinte com acento circunflexo: académico/
em que existem divergências de articulação quanto às referidas consoantes acadêmico, cómodo/ cômodo, efémero/ efêmero, fenómeno/ fenômeno,
c e p e ainda em outros casos de menor significado. Torna-se, porém, génio/ gênio, tónico/ tônico, etc.
praticamente impossível enunciar uma regra clara e abrangente dos casos Existem uma ou outra exceção a esta regra, como, por exemplo, cômo-
em que há oscilação entre o emudecimento e a prolação daquelas conso- ro e sêmola, mas estes casos não são significativos.
antes, já que todas as sequências consonânticas enunciadas, qualquer que Costuma, por vezes, referir-se que o a tônico das proparoxítonas,
seja a vogal precedente, admitem as duas alternativas: cacto e cato, carac- quando seguido de m ou n com que não forma sílaba, também está sujeito
teres e carateres, dicção e dição, facto e fato, sector e setor; ceptro e cetro; à referida divergência de acentuação gráfica. Mas tal não acontece, porém,
concepção e conceção, recepção e receção; assumpção e assunção, já que o seu timbre soa praticamente sempre fechado nas pronúncias
peremptório e perentório, sumptuoso e suntuoso; etc. cultas da língua, recebendo, por isso, acento circunflexo: âmago, ânimo,
De um modo geral pode dizer-se que, nestes casos, o emudecimento botânico, câmara, dinâmico, gerânio, pânico, pirâmide.
da consoante (exceto em dicção, facto, sumptuoso e poucos mais) se As únicas exceções a este princípio são os nomes próprios de origem
verifica, sobretudo, em Portugal e nos países africanos, enquanto no Brasil grega Dánae/ Dânae e Dánao/ Dânao.
há oscilação entre a prolação e o emudecimento da mesma consoante. Note-se que se as vogais e e o, assim como a, formam sílaba com as
Também os outros casos de dupla grafia (já mencionados em 4.1.), do consoantes m ou n, o seu timbre é sempre fechado em qualquer pronúncia
tipo de súbdito e súdito, subtil e sutil, amígdala e amídala, omnisciente e culta da língua, recebendo, por isso, acento circunflexo: êmbolo, amêndoa,
onisciente, aritmética e arimética, muito menos relevantes em termos argênteo, excêntrico, têmpera; anacreôntico, cômputo, recôndito, cânfora,
quantitativos do que os anteriores, se verificam sobretudo no Brasil. Grândola, Islândia, lâmpada, sonâmbulo, etc.
Trata-se, afinal, de formas divergentes, isto é, do mesmo étimo. As pa- [Link] paroxítonas (Base IX)
lavras sem consoante, mais antigas e introduzidas na língua por via popu- Também nos casos especiais de acentuação das paroxítonas ou gra-
lar, foram já usadas em Portugal e encontram-se nomeadamente em escri- ves (v. Base IX, 2º), algumas palavras que contêm as vogais tônicas e e o
tores dos séculos XVI e XVII. em final de sílaba, seguidas das consoantes nasais m e n, apresentam
Os dicionários da língua portuguesa, que passarão a registrar as duas oscilação de timbre, nas pronúncias cultas da língua.
formas, em todos os casos de dupla grafia, esclarecerão, tanto quanto Tais palavras são assinaladas com acento agudo, se o timbre da vogal
possível, sobre o alcance geográfico e social desta oscilação de pronúncia. tônica é aberto, ou com acento circunflexo, se o timbre é fechado: fémur ou
[Link] de acentuação gráfica (Bases VIII a XIII) fêmur, Fénix ou Fênix, ónix ou ônix, sémen ou sêmen, xénon ou xênon;
[Link]álise geral da questão bónus ou bônus, ónus ou ônus, pónei ou pônei, ténis ou tênis, Vénus ou
O sistema de acentuação gráfica do português atualmente em vigor, Vênus; etc. No total, estes são pouco mais de uma dúzia de casos.
extremamente complexo e minucioso, remonta essencialmente à Reforma [Link] oxítonas (Base VIII)
Ortográfica de 1911. Encontramos igualmente nas oxítonas (v. Base VIII, 1º a, Obs.) algu-
Tal sistema não se limita, em geral, a assinalar apenas a tonicidade mas divergências de timbre em palavras terminadas em e tônico, sobretudo
das vogais sobre as quais recaem os acentos gráficos, mas distingue provenientes do francês. Se esta vogal tônica soa aberta, recebe acento
também o timbre destas. agudo; se soa fechada, grafa-se com acento circunflexo. Também aqui os
Tendo em conta as diferenças de pronúncia entre o português europeu exemplos pouco ultrapassam as duas dezenas: bebé ou bebê, caraté ou
e o do Brasil, era natural que surgissem divergências de acentuação gráfica caratê, croché ou crochê, guiché ou guichê, matiné ou matinê, puré ou
entre as duas realizações da língua. purê; etc. Existe também um caso ou outro de oxítonas terminadas em o
Tais divergências têm sido um obstáculo à unificação ortográfica do ora aberto ora fechado, como sucede em cocó ou cocô, ró ou rô.
português. A par de casos como este há formas oxítonas terminadas em o fecha-
É certo que em 1971, no Brasil, e em 1973, em Portugal, foram dados do, às quais se opõem variantes paroxítonas, como acontece em judô e
alguns passos significativos no sentido da unificação da acentuação gráfica, judo, metrô e metro, mas tais casos são muito raros.
como se disse atrás. Mas, mesmo assim, subsistem divergências importan- [Link]ção estatística dos casos de dupla acentuação gráfica
tes neste domínio, sobretudo no que respeita à acentuação das paroxíto- Tendo em conta o levantamento estatístico que se fez na Academia
nas. das Ciências de Lisboa, com base no já referido corpus de cerca de

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110.000 palavras do vocabulário geral da língua, verificou-se que os citados apenas por permitir eliminar uma diferença entre a prática ortográfica
casos de dupla acentuação gráfica abrangiam aproximadamente 1,27% brasileira e a lusitana, mas ainda pelas seguintes razões:
(cerca de 1.400 palavras). Considerando que tais casos se encontram a) Tal supressão é coerente com a já consagrada eliminação do acento
perfeitamente delimitados, como se referiu atrás, sendo assim possível em casos de homografia heterofônica (v. Base IX, 10º, e, neste texto atrás,
enunciar a regra de aplicação, optou-se por fixar a dupla acentuação gráfica 5.4.1.), como sucede, por exemplo, em acerto, substantivo, e acerto, flexão
como a solução menos onerosa para a unificação ortográfica da língua de acertar, acordo, substantivo, e acordo, flexão de acordar, fora, flexão de
portuguesa. ser e ir, e fora, advérbio, etc.
[Link]ões da manutenção dos acentos gráficos nas proparoxítonas e b)No sistema ortográfico português não se assinala, em geral, o timbre
paroxítonas das vogais tônicas a, e e o das palavras paroxítonas, já que a língua portu-
Resolvida a questão dos casos de dupla acentuação gráfica, como se guesa se caracteriza pela sua tendência para a paroxitonia. O sistema
disse atrás, já não tinha relevância o principal motivo que levou em 1986 a ortográfico não admite, pois, a distinção entre, por exemplo cada (â) e fada
abolir os acentos nas palavras proparoxítonas e paroxítonas. (á), para (â) e tara (á); espelho (ê) e velho (é), janela (é) e janelo (ê), escre-
Em favor da manutenção dos acentos gráficos nestes casos, pondera- vera (ê), flexão de escrever, e Primavera (é); moda (ó) e toda (ô), virtuosa
ram-se, pois, essencialmente as seguintes razões: (ó) e virtuoso (ô); etc.
a)Pouca representatividade (cerva de 1,27%) dos casos de dupla acen- Então, se não se torna necessário, nestes casos, distinguir pelo acento
tuação. gráfico o timbre da vogal tónica, por que se há-de usar o diacrítico para
b)Eventual influência da língua escrita sobre a língua oral, com a pos- assinalar a abertura dos ditongos ei e oi nas paroxítonas, tendo em conta
sibilidade de, sem acentos gráficos, se intensificar a tendência para a que o seu timbre nem sempre é uniforme e a presença do acento constitui-
paroxitonia, ou seja, deslocação do acento tônico da antepenúltima para a ria um elemento perturbador da unificação ortográfica?
penúltima sílaba, lugar mais frequente de colocação do acento tônico em [Link] paroxítons do tipo de abençoo, enjoo, voo, etc. (Base IX, 8º)
português. Por razões semelhantes às anteriores, o novo texto ortográfico consa-
c)Dificuldade em apreender corretamente a pronúncia em termos de gra também a abolição do acento circunflexo, vigente no Brasil, em pala-
âmbito técnico e científico, muitas vezes adquiridos através da língua vras paroxítonas como abençoo, flexão de abençoar, enjoo, substantivo e
escrita (leitura). flexão de enjoar, moo, flexão de moer, povoo, flexão de povoar, voo, subs-
d)Dificuldades causadas, com a abolição dos acentos, à aprendizagem tantivo e flexão de voar, etc.
da língua, sobretudo quando esta se faz em condições precárias, como no O uso do acento circunflexo não tem aqui qualquer razão de ser, já que
caso dos países africanos, ou em situação de auto-aprendizagem. ele ocorre em palavras paroxítonas cuja vogal tônica apresenta a mesma
e)Alargamento, com a abolição dos acentos gráficos, dos casos de pronúncia em todo o domínio da língua portuguesa. Além de não ter, pois,
homografia, do tipo de análise(s)/ analise(v.), fábrica(s.)/ fabrica(v.), secre- qualquer vantagem nem justificação, constitui um fator que perturba a
tária(s.)/ secretaria(s. ou v.), vária(s.)/ varia(v.), etc., casos que apesar de unificação do sistema ortográfico.
dirimíveis pelo contexto sintático, levantariam por vezes algumas dúvidas e [Link] formas verbais com u e ui tônicos, precedidos de g e q (Base
constituiriam sempre problema para o tratamento informatizado do léxico. X, 7º)
f)Dificuldade em determinar as regras de colocação do acento tônico Não há justificação para se acentuarem graficamente palavras como
em função da estrutura mórfica da palavra. Assim, as proparoxítonas, apazigue, arguem, etc., já que estas formas verbais são paroxítonas e a
segundo os resultados estatísticos obtidos da análise de um corpus de vogal u é sempre articulada, qualquer que seja a flexão do verbo respecti-
25.000 palavras, constituem 12%. Destes, 12%, cerca de 30% são falsas vo.
esdrúxulas (cf. génio, água, etc.). Dos 70% restantes, que são as verdadei- No caso de formas verbais como argui, delinquis, etc., também não há
ras proparoxítonas (cf. cômodo, gênero, etc.), aproximadamente 29% são justificação para o acento, pois se trata de oxítonas terminadas no ditongo
palavras que terminam em –ico /–ica (cf. ártico, econômico, módico, prático, tónico ui, que como tal nunca é acentuado graficamente.
etc.). Os restantes 41% de verdadeiras esdrúxulas distribuem-se por cerca Tais formas só serão acentuadas se a seqüência ui não formar ditongo
de duzentas terminações diferentes, em geral de caráter erudito (cf. espíri- e a vogal tônica for i, como, por exemplo, arguí (1a pessoa do singular do
to, ínclito, púlpito; filólogo; filósofo; esófago; epíteto; pássaro; pêsames; pretérito perfeito do indicativo).
facílimo; lindíssimo; parêntesis; etc.). [Link] do hífen (Bases XV a XVIII)
[Link]ão de acentos gráficos em certas palavras oxítonas e paro- [Link] da questão
xítonas (Bases VIII, IX e X) No que respeita ao emprego do hífen, não há propriamente divergên-
[Link] casos de homografia (Bases VIII, 3º e IX, 9º e 10º) cias assumidas entre a norma ortográfica lusitana e a brasileira. Ao com-
O novo texto ortográfico estabelece que deixem de se acentuar grafi- pulsarmos, porém, os dicionários portugueses e brasileiros e ao lermos, por
camente palavras do tipo de para (á), flexão de parar, pelo (ê), substantivo, exemplo, jornais e revistas, deparam-se-nos muitas oscilações e um largo
pelo (é), flexão de pelar, etc., as quais são homógrafas, respectivamente, número de formações vocabulares com grafia dupla, ou seja, com hífen e
das proclíticas para, preposição, pelo, contração de per e lo, etc. sem hífen, o que aumenta desmesurada e desnecessariamente as entradas
As razões por que se suprime, nestes casos, o acento gráfico são as lexicais dos dicionários. Estas oscilações verificam-se sobretudo nas for-
seguintes: mações por prefixação e na chamada recomposição, ou seja, em forma-
a)Em primeiro lugar, por coerência com a abolição do acento gráfico já ções com pseudoprefixos de origem grega ou latina.
consagrada pelo Acordo de 1945, em Portugal, e pela Lei nº 5.765, de Eis alguns exemplos de tais oscilações: ante-rosto e anterrosto, co-
18/12/1971, no Brasil, em casos semelhantes, como, por exemplo: acerto educação e coeducação, pré-frontal e prefrontal, sobre-saia e sobressaia,
(ê), substantivo, e acerto (é), flexão de acertar; acordo (ô), substantivo, e sobre-saltar e sobressaltar, aero-espacial e aeroespacial, auto-
acordo (ó), flexão de acordar; cor (ô), substantivo, e cor (ó), elemento da aprendizagem e autoaprendizagem, agro-industrial e agroindustrial, agro-
locação de cor; sede (ê) e sede (é), ambos substantivos; etc. pecuária e agropecuária, alvéolo-dental e alveolodental, bolbo-raquidiano e
b)Em segundo lugar, porque, tratando-se de pares cujos elementos bolborraquidiano, geo-história e geoistória, micro-onda e microonda; etc.
pertencem a classes gramaticais diferentes, o contexto sintático permite Estas oscilações são, sem dúvida, devidas a uma certa ambiguidade e
distinguir claramente tais homógrafas. falta de sistematização das regras que sobre esta matéria foram consagra-
[Link] paroxítonas com os ditongos ei e oi na sílaba tônica (Base IX, das no texto de 1945. Tornava-se, pois, necessário reformular tais regras
3º) de modo mais claro, sistemático e simples. Foi o que se tentou fazer em
O novo texto ortográfico propõe que não se acentuem graficamente os 1986.
ditongos ei e oi tônicos das palavras paroxítonas. Assim, palavras como A simplificação e redução operadas nessa altura, nem sempre bem
assembleia, boleia, ideia, que na norma gráfica brasileira se escrevem com compreendidas, provocaram igualmente polêmica na opinião pública portu-
acento agudo, por o ditongo soar aberto, passarão a escrever-se sem guesa, não tanto por uma ou outra incongruência resultante da aplicação
acento, tal como aldeia, baleia, cheia, etc. das novas regras, mas sobretudo por alterarem bastante a prática ortográfi-
Do mesmo modo, palavras como comboio, dezoito, estroina, etc., em ca neste domínio.
que o timbre do ditongo oscila entre a abertura e o fechamento, oscilação A posição que agora se adota, muito embora tenha tido em conta as
que se traduz na facultatividade do emprego do acento agudo no Brasil, críticas fundamentadas ao texto de 1986, resulta, sobretudo, do estudo do
passarão a grafar-se sem acento. uso do hífen nos dicionários portugueses e brasileiros, assim como em
A generalização da supressão do acento nestes casos justifica-se não jornais e revistas.

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6.2.O hífen nos compostos (Base XV) já são transcritos por outras.
Sintetizando, pode dizer-se que, quanto ao emprego do hífen nos com-
postos, locuções e encadeamentos vocabulares, se mantém o que foi [Link]ção do trema (Base XIV)
estatuído em 1945, apenas se reformulando as regras de modo mais claro, No Brasil, só com a Lei nº 5.765, de 18/12/1971, o emprego do trema
sucinto e simples. foi largamente restringido, ficando apenas reservado às sequências gu e qu
De fato, neste domínio não se verificam praticamente divergências nem seguidas de e ou i, nas quais u se pronuncia (cf. aguentar, arguente, elo-
nos dicionários nem na imprensa escrita. quente, equestre, etc.).
6.3.O hífen nas formas derivadas (Base XVI) O novo texto ortográfico propõe a supressão completa do trema, já
Quanto ao emprego do hífen nas formações por prefixação e também acolhida, aliás, no Acordo de 1986, embora não figurasse explicitamente
por recomposição, isto é, nas formações com pseudoprefixos de origem nas respectivas bases. A única ressalva, neste aspecto, diz respeito a
grega ou latina, apresenta-se alguma inovação. Assim, algumas regras são palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros com trema (cf. mülleria-
formuladas em termos contextuais, como sucede nos seguintes casos: no, de Müller, etc.).
a)Emprega-se o hífen quando o segundo elemento da formação come- Generalizar a supressão do trema é eliminar mais um fator que pertur-
ça por h ou pela mesma vogal ou consoante com que termina o prefixo ou ba a unificação da ortografia portuguesa.
pseudoprefixo (por ex. anti-higiênico, contra-almirante, hiper-resistente).
b)Emprega-se o hífen quando o prefixo ou falso prefixo termina em m e [Link] e ortografia do novo texto
o segundo elemento começa por vogal, m ou n (por ex. circum-murado, Na organização do novo texto de unificação ortográfica optou-se por
pan-africano). conservar o modelo de estrutura já adotado em 1986. Assim, houve a
As restantes regras são formuladas em termos de unidades lexicais, preocupação de reunir, numa mesma base, matéria afim, dispersa por
como acontece com oito delas (ex-, sota- e soto-, vice- e vizo-; pós-, pré- e diferentes bases de textos anteriores, donde resultou a redução destas a
pró-). vinte e uma.
Noutros casos, porém, uniformiza-se o não emprego do hífen, do modo
seguinte: Através de um título sucinto, que antecede cada base, dá-se conta do
a)Nos casos em que o prefixo ou o pseudoprefixo termina em vogal e o conteúdo nela consagrado. Dentro de cada base adotou-se um sistema de
segundo elemento começa por r ou s, estas consoantes dobram-se, como numeração (tradicional) que permite uma melhor e mais clara arrumação da
já acontece com os termos técnicos e científicos (por ex. antirreligioso, matéria aí contida.
microssistema).
b)Nos casos em que o prefixo ou pseudoprefixo termina em vogal e o
segundo elemento começa por vogal diferente daquela, as duas formas
aglutinam-se, sem hífen, como já sucede igualmente no vocabulário cientí-
fico e técnico (por ex. antiaéreo, aeroespacial)
6.4.O hífen na ênclise e tmese (Base XVII)
Quanto ao emprego do hífen na ênclise e na tmese mantêm-se as re-
gras de 1945, exceto no caso das formas hei de, hás de, há de, etc., em
que passa a suprimir-se o hífen. Nestas formas verbais o uso do hífen não
tem justificação, já que a preposição de funciona ali como mero elemento
de ligação ao infinitivo com que se forma a perífrase verbal (cf. hei de ler,
etc.), na qual de é mais proclítica do que apoclítica.
[Link] alterações de conteúdo
[Link]ção do alfabeto (Base I)
Uma inovação que o novo texto de unificação ortográfica apresenta, lo-
go na Base I, é a inclusão do alfabeto, acompanhado das designações que
usualmente são dadas às diferentes letras. No alfabeto português passam a
incluir-se também as letras k, w e y, pelas seguintes razões:
a)Os dicionários da língua já registram estas letras, pois existe um ra-
zoável número de palavras do léxico português iniciado por elas.
b)Na aprendizagem do alfabeto é necessário fixar qual a ordem que
aquelas letras ocupam.
c)Nos países africanos de língua oficial portuguesa existem muitas pa-
lavras que se escrevem com aquelas letras.
Apesar da inclusão no alfabeto das letras k, w e y, mantiveram-se, no
entanto, as regras já fixadas anteriormente, quanto ao seu uso restritivo,
pois existem outros grafemas com o mesmo valor fônico daquelas. Se, de
fato, se abolisse o uso restritivo daquelas letras, introduzir-se-ia no sistema
ortográfico do português mais um fator de perturbação, ou seja, a possibili-
dade de representar, indiscriminadamente, por aquelas letras fonemas que

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