Energia de Deformação e Teoremas Aplicados
Energia de Deformação e Teoremas Aplicados
Introdução........................................................................................................................................2
Objetivos..........................................................................................................................................2
Metodologia.....................................................................................................................................3
Resumo............................................................................................................................................4
ENERGIA DE DEFORMAÇÃO E TEOREMAS DA ENERGIA.................................................6
Conceito de energia de deformação.................................................................................................6
Tipos de Deformações.....................................................................................................................6
Deformação Elástica (Reversível)...................................................................................................6
Deformação Plástica (Permanente)..................................................................................................6
Cálculo pelas tensões e deformações...............................................................................................9
Cálculo pelos esforços solicitantes................................................................................................12
Análise da expressão geral de U....................................................................................................13
Cálculo pelas cargas .....................................................................................................................15
Teoremas sobre Energia de deformação:.......................................................................................17
Teorema de Maxwell.....................................................................................................................17
Teorema de Castigliano.................................................................................................................18
Cálculo do Deslocamento pelo Teorema de Castigliano...............................................................19
Exemplos:......................................................................................................................................20
Conclusão......................................................................................................................................26
Referências Bibliográficas.............................................................................................................27
1
Introdução
Este trabalho tem como objetivo estudar detalhadamente os princípios da energia de deformação
e seus teoremas associados, com foco em sua aplicação na análise de estruturas mecânicas. A
relevância desses conceitos será explorada tanto teoricamente quanto com exemplos práticos que
demonstram sua utilidade na engenharia estrutural.
Objetivos
Objetivo Geral
O objetivo geral deste trabalho é estudar e apresentar de maneira detalhada o conceito de energia
de deformação e os teoremas da energia no contexto da resistência dos materiais, com ênfase
em sua aplicação prática na análise de estruturas aplicadas a diferentes tipos de treinamento.
Objetivos Específicos
2
Metodologia
3
Resumo
4
Abstract
This paper explores the concept of strain energy and the main energy theorems, such as
Castigliano's Theorem and the Complementary Energy Theorem, within the context of
strength of materials. Strain energy describes the ability of materials to store energy when
subjected to external forces, being a fundamental concept in structural analysis. The energy
theorems, in turn, provide efficient methods for calculating displacements and stresses in
statically indeterminate systems. The theoretical study is complemented with practical examples,
in which the theorems are applied to solve structural problems, demonstrating their importance in
engineering. Additionally, the limitations of these theorems are discussed, especially in the case
of materials exhibiting plastic behavior.
5
ENERGIA DE DEFORMAÇÃO E TEOREMAS DA ENERGIA
Tipos de Deformações
Características:
Reversível : O material volta à sua forma inicial após a remoção da força ou carga
aplicada.
Lei de Hooke : A relação entre tensão (σ\sigmaσ) e deformação (e\varepsilone) segue a
Lei de Hooke , ou seja, é linear até o limite elástico do material:
σ=E⋅e
Características:
Permanente : Uma vez que a carga é removida, o material não retorna à sua forma
original e mantém uma deformação residual.
Relação não-linear : A relação entre a tensão e a deformação é não linear além do ponto
de escoamento (limite de elasticidade).
Limite de escoamento : A deformação plástica começa quando o material atinge o limite
de escoamento . Até esse ponto, o material se comporta elasticamente, mas a partir daí, o
comportamento plástico domina.
Estrutura interna alterada : Durante a deformação plástica, ocorrem mudanças
permanentes na microestrutura do material, como a penetração de planos atômicos.
Falha ou escoamento : Se a tensão continuar a aumentar após o início da deformação
plástica, o material pode eventualmente falhar ou romper.
( NILSON TADEU MASCIA & BRUNO FERNANDES, 2017) Tomando-se uma barra
submetida a força axial de tração (Fig. 1), por exemplo, um ensaio de tração, tem-se um exemplo
prático e experimental para se analisar o fenômeno de energia de deformação.
7
Fig. 1 – Barra tracionada. Fonte: UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS
N=k∆l
Sendo k uma constante. A energia de deformação (U) corresponde ao trabalho realizado pela
força N no deslocamento ∆l.
Graficamente:
Nx=kx
8
dU=Nxdx
Dai:
∆l ∆l 2
Kx
U =∫ Nxdx=¿∫ Kx dx ¿ = /0 , ∆ l
0 0 2
É importante ressaltar que o trabalho realizado por uma carga num deslocamento ∆l não é
U=N∆l e sim, como mostrado, é U = N∆l⁄2, evidenciando assim que a carga N é usualmente
aplicada lentamente na estrutura. Somente em casos de carregamento rápido ou instantâneo
(carga móvel trem-tipo, carga sísmica e carga de vento, por exemplo) que se considera U=N∆l
( NILSON TADEU MASCIA & BRUNO FERNANDES, 2017).
De seguida serão apresentados três métodos de cálculo para a energia de deformação: cálculo
pelas tensões e deformações, cálculo pelos esforços solicitantes e cálculo pelas cargas.
9
Fig. 3 – Estado geral de tensão num elemento. Fonte: UNIVERSIDADE ESTADUAL DE
CAMPINAS.
Fy (Fy=σydx dz)
∆dy=εydy
Fig. 4 – Deslocamento sob efeito da força e tensão na direção y num elemento. Fonte:
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS.
Fazendo-se agora:
1 1
dUy= F y ∆ dy = σ ydxdz ×ε ydy
2 2
Tem-se a energia de deformação devido a força Fy no deslocamento εydy, sendo o fator 1⁄2
resultante do carregamento lento.
1
dUx= σ xdydz ×ε xdx
2
1
dUz= σ zdydx × ε zdz
2
10
Sabendo que o produto dxdydz representa um elemento do volume dV tem-se que:
1
dUx= σ x ε xdV
2
1
dUy= σyεydV
2
1
dUz= σzεzdV
2
Então:
1 1
dUyz= τyzdxdy γ yz dz= τyzγ yz dV
2 2
Observando-se que a área de atuação da tensão tangencial τyz é dxdy e que o deslocamento é
dado por γ yz dz.
1
dUxz= τxzγ xz dV
2
1
dUxy= τxyγ xy dV
2
Agora pode-se juntar as parcelas de energia de deformação normais e tangenciais e mais todo o
volume do corpo. Portanto:
11
Dividindo por dV tem-se:
dU 1 1 1 1 1 1
Uo= = σxε + σyεy + σzεz+ τxyγ xy+ τxzγ xz + τyzγ yz
dV 2 2 2 2 2 2
Considerando-se uma viga e nela um estado plano de tensão como mostra a figura a seguir:
N M
σx= + y
A I
VS
τxy =
bI
12
❑
U =∫ UodV
V
[ ]
1 2 2 2 2
1
U= ∫ N + M + c V + T dx
2 0 EA EI GA G I t
Com auxílio das figuras a seguir, que são os deslocamentos elementares numa barra sujeita aos
esforços indicados, tem-se que:
N
∆ dx=¿ εxdx= dx
EA
M
dϕ= dx
EI
cV
dV = dx
GA
13
I
dα = dx
GIt
Para se obter a energia de deformação basta multiplicar as deformações elementares pelo esforço
solicitante, acrescentado o fator 1/2 do carregamento lento.
Para a obtenção da energia de deformação armazenada em toda a estrutura, sendo esta composta
de várias barras, a integração deve ser estendida para todas as barras.
a) Em treliças:
1 2 n 2
1 N 1 li N i
U= ∫
2 0 EA
dx= ∑
2 i=1 E A i
b) Em vigas e pórticos:
1 2
1 M
U= ∫ dx
2 0 EI
Em arcos deve-se levar em conta a parcela de N, porém não leva em consideração a parcela de
V. Em estruturas sujeitas a torção, o termo com T é predominante no cálculo de U.
14
3. Cálculo pelas cargas .
Em Ai, um ponto da estrutura, tem-se uma carga aplicada Pi. Seja Bi a posição deslocada do
ponto Ai obtida pela ação do Pi e que Ai e Bi são suficientemente próximos para se utilizar a
teoria de 1ª ordem.
O caminho Ai -Bi ̅̅̅̅̅̅̅ que percorre Ai durante o carregamento depende da maneira e da sequência
de aplicação das cargas, mas, normalmente, será atingido a mesma posição Bi, que depende
apenas dos valores finais das cargas.
Interpretando o trabalho executado pelas cargas como energia potencial perdida, a soma dos
trabalhos Ti deve ser igual a energia de deformação acumulada na estrutura. Isto permite a
conclusão de que o trabalho das cargas não depende do caminho Ai -Bi ̅̅̅̅̅̅̅ percorrido, mas apenas
da posição final deslocada que define as deformações totais e com isto a energia de deformação.
Deste modo pode-se considerar Ai -Bi ̅̅̅̅̅̅̅ linear e o trabalho da carga Pi vale:
1
T i = Pi V i
2
15
onde visignifica a projeção do segmento Ai -Bi ̅̅̅̅̅̅̅ sobre a direção da força.
1
T=
2
∑ Pi V i=U
Assim:
CAMPINAS.
Com:
1
Trabalho Externo→T = PV
2
Igualando U e T, obtém-se:
16
3
Pl
V=
3 EI
O teorema de Maxwell trata de uma estrutura elástica com apenas duas cargas (Pi e Pk) que
podem ser forças ou momentos estáticos. Neste exemplo serão utilizadas forças, pois são mais
visíveis os deslocamentos, e uma viga horizontal. Este caso particular pode ser extrapolado a
estruturas quaisquer, porém preservando-se a ideia do deslocamento v com projeções nas
direções das forças conforme visto no tópico 4.
Assim tem-se uma viga com duas cargas, Pi e Pk, aplicadas nos pontos i e k com a elástica
obtida por este carregamento conforme a Fig.10:
As ordenadas vi e vk da elástica pode ser obtida por superposição de efeito (valendo a teoria de
1ª ordem), como mostra a figura abaixo:
Assim:
V i=Piδii+ Pkδik
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V K =Piδki + Pkδkk
Calcula-se agora o trabalho executado pelas cargas, que deve ser igual a energia de deformação
acumulada na viga deformada. Oque resultará em:
δ ik =δ ki
Passando-se agora esse conceito para as estruturas de engenharia, feito por Otto Mohr em 1874,
que seguem a teoria de 1ª ordem (estruturas planas ou espaciais, isostática ou hiperestática).
2. Teorema de Castigliano
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onde vk é definido como a projeção do deslocamento sobre a direção da carga.
Este teorema enuncia derivada parcial porque U é função de muitas variáveis. Considerando as
cargas como variáveis independentes, os deslocamentos são funções lineares delas:
[ ]
n n
1 ∂P ∂V
U=
2
∑ ∂ P i V i+ ∑ Pi ∂ P i
i=1 k i=1 k
Na primeira soma:
∂ Pi
i≠ k → =0
∂ Pk
∂ Pi
i=k → =1
∂ Pk
Na segunda soma:
Portanto:
∂U 1
= ( V + P δ + P δ + P δ +… )
∂ Pk 2 k 1 1k 2 2k 3 3k
Mas:
V k =P 1 δ 1 k + P 2 δ 2 k + P 3 δ 3 k +⋯
δ ik=δ ki
Assim:
∂U 1
= ( V +V )
∂ Pk 2 k k
∂U
=V k
∂ Pk
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2.1. Cálculo do Deslocamento pelo Teorema de Castigliano
∂U
V k=
∂ Pk
[ ]
❑ 2 2 2 2
1
U= ∫ N + M + c V + T dx
2 est EA EI GA G I t
Assim:
( )
❑
NN MM cVV TT
V k =∫ + + + dx
est
EA EI GA G I t
A integração deve ser estendida a toda estrutura. Os termos N̅ ,M̅ ,V̅ e T̅ são esforços solicitantes
causados por Pk=1, enquanto N,M,V e T são esforços reais provocados pelo carregamento total
dado.
Treliças:
n
N i N i li
V k =∑
i=1 E Ai
Pórticos e vigas:
❑
MM
V k =∫ dx
est EI
Nos arcos e pórticos em que os esforços N seja considerável, o termo NN̅ / EA deve ser levado
em conta.
20
Exemplos:
Deslocamento no nó 9:
δ 9=√ δ 29 h+ δ 29V
Sendo:
δ9h=deslocamento horizontal do nó 9;
δ9v=deslocamento vertical do nó 9.
21
a) Carregamento real: os esforços nas barras e as reações de apoio são indicadas na Fig.14.
22
Fig. 16 – Esforços e reações nas barras (carregamento virtual vertical). Fonte: UNIVERSIDADE
ESTADUAL DE CAMPINAS.
∑=0,351c ∑=1,165c
n n
m m
i=1 i=1
23
1
δ 9 h=
21000 x 3
[ ( 2× 30× 0 , 5+2× 30 ×1 ) 150+30 ×0 , 5 ×150+ (−30 √ 2 ) × (−0 , 5 √ 2 ) × 150 √2 ]=0,351 cm
1
δ 9V=
21000 x 3
{3 × [ 1 ×1 × 4 ×1 ×0 × (−√ 2 ) × (−√ 2 ) × 4 × 150 √2+1 ×1 ×150 ] }=1,165 cm
E o deslocamento total vale:
δ 9=√ 0,3512+1,1652=1,217 cm
24
∂M
=− X
∂P
1
(−P x ) . (− X )
V =∫ dx
0 EI
1 3
P
V= ∫ X 2 dx= P3 EI
EI 0
X
/0 , 1
3
Pl
V=
3 EI
25
Conclusão
A análise também destacou que, embora os teoremas de energia sejam amplamente aplicáveis a
materiais que operam no regime elástico, suas limitações surgem quando lidamos com materiais
que apresentam deformação plástica. Portanto, é essencial entender as hipóteses subjacentes a
esses teoremas e aplicá-los dentro do contexto adequado.
No final, este trabalho ressalta a importância dos teoremas energéticos como ferramentas
versáteis e práticas no projeto e análise de estruturas, contribuindo para a segurança e a
otimização dos materiais utilizados nas mais diversas aplicações de engenharia.
26
Referências Bibliográficas
POPOV, E. G. - Introdução à Mecânica dos Sólidos. São: Editora Edgar Blumer Ltda, 1978.
534p.
SHIEL, F. - Introdução à Resistência dos Materiais. São Paulo: Harpetc & Row do Brasil, 1984.
395p
27