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ARTIGOS

ISSN: 1982-8918 ORIGINAIS

A PESQUISA SOBRE O FUTEBOL NO BRASIL:


ANÁLISE DOS GRUPOS DE PESQUISA E DA
PRODUÇÃO CIENTÍFICA RECENTE
THE SOCCER RESEARCH IN BRAZIL: ANALYSIS OF SCIENTIFIC
RESEARCH GROUPS AND RECENT SCIENTIFIC PRODUCTION +

LA INVESTIGACIÓN SOBRE EL FÚTBOL EN BRASIL: ANÁLISIS DE LOS


GRUPOS DE INVESTIGACIÓN Y DE LA PRODUCCIÓN CIENTÍFICA
RECIENTE +

[Link]

Whyllerton Mayron da Cruz* <whmcruz@[Link]>


Maryon Gotardo dos Santos* <maryonsantos@[Link]>
Anderson D’Oliveira* <andersondoliveira3@[Link]>
Bruno Manoel Medeiros e Silva* <bruno2000manoel@[Link]>
Ian Umberto Ouriques* <ianouriques@[Link]>
Lucas Wollinger da Silva* <wollingerlucas06@[Link]>
Alexandro Andrade* <[Link]@[Link]>

__________
* Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Florianópolis, SC, Brasil.

Resumo: Este estudo teve como objetivo identificar, mapear e analisar os grupos
de pesquisa (GP) sobre futebol no Brasil, a quantidade e a qualidade da produção
científica dos pesquisadores líderes. Trata-se de um estudo sistemático, descritivo,
realizado na base de dados do Diretório de Grupos de Pesquisa no Brasil do
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Analisou-
se a produção científica recente (2016 e 2022) disponível no currículo Lattes dos
líderes. Identificaram-se 46 GP, a maioria deles localizados nas regiões Sudeste e Sul
Recebido em: 21 jan. 2022
do Brasil (n=22/47,8%). O primeiro GP não específico surgiu em 1984 e em 2006 foi
Aprovado em: 14 jun. 2022
cadastrado o primeiro GP específico. Nos últimos anos, foram 409 publicações sobre
Publicado em: 05 nov. 2022
futebol. Conclui-se que houve um aumento de GP recentemente, com tendência de
estabilidade nas publicações, melhora na qualidade dos artigos em periódicos com
melhor estratificação Qualis e fator de impacto, indicando avanços nas pesquisas
sobre futebol no Brasil. Este é um artigo publicado
sob a licença Creative
Palavras-chave: Futebol. Bibliometria. Esportes. Indicadores de Produção Commons Atribuição 4.0
Científica. Internacional (CC BY 4.0).

Movimento, v. 28, e28057, 2022. DOI: [Link]


ISSN: 1982-8918
Whyllerton Mayron da Cruz et al.

1 INTRODUÇÃO

O futebol é o esporte mais popular do mundo (GIULIANOTTI, 2012). Estima-


se que aproximadamente 260 milhões de jogadores estejam inscritos em clubes de
futebol, do nível profissional ao amador (DVORAK et al., 2004). Embora estudos
recentes frequentemente indiquem esse número de atletas cadastrados, é provável
que esse número esteja subestimado atualmente (DVORAK; FULLER; JUNGE,
2012; JANSEN et al., 2019). Além disso, o futebol não é apenas a atividade esportiva
mais praticada mundialmente em momentos de lazer e recreação (HULTEEN et al.,
2017), mas também o esporte mais estudado (KIRKENDALL, 2020).
O futebol como fenômeno esportivo tem importante relevância social e
desperta grande interesse na comunidade científica em diferentes partes do mundo
(CROSSLEY et al., 2020; ERMIDIS et al., 2019; FORD et al., 2020, VIGNESHWARAN
et al. 2014). Para observar essa dimensão, em uma busca básica realizada na Web of
Science ™, mantida pela Clarivate Analytics, a principal base de dados multidisciplinar
de citações e estudos científicos do mundo, utilizando os termos “soccer OR football
OR Fútbol OR futebol” em inglês, espanhol e português sem limite de descritores ou
data, no total, foram identificados 43.707 estudos, 15.056 apenas nos últimos quatro
anos. Kirkendall (2020) recentemente identificou cerca de 14.000 citações listadas na
base de dados PubMed, superando em quase 60% os estudos relacionados ao tênis,
o segundo esporte mais investigado.
Embora um grande volume de produção científica seja observado em
grande parte do mundo, o Brasil, comumente descrito como “o país do futebol” por
sua posição de destaque no ranking de times da FIFA e por ter grandes clubes de
prestígio, não tem representação igual no cenário científico ao analisar a produção de
conhecimento sobre o tema, visto que em relação à produção científica ocupa uma
posição distante daquela ocupada pela seleção nacional (ESCAMILLA-FAJARDO et
al., 2020; KIRKENDALL, 2020).
Além disso, a partir dos anos 2000, o futebol no Brasil, que tem grande
tradição e representatividade histórica e cultural, estimulou uma nova geração
de pesquisadores sobre a modalidade e surgiram novas perguntas, discussões e
análises nas mais diversas áreas (CURI, 2014). Entretanto, até o momento, não foi
identificado estudo que tenha realizado levantamento quantitativo abrangente recente
e com análises documentais atuais referente à pesquisa sobre o futebol no Brasil,
apesar de estudos anteriores terem realizado análises interessantes com diferentes
abordagens e teorias em relação à produção científica sobre futebol (ALABARCES,
2011; GIGLIO; SPAGGIARI, 2010; SILVA, et al. 2009; TOLEDO, 2001). Recentemente
Toledo (2020) observou o fluxo de pesquisas inseridas em Ciências Sociais e
acompanhou a variedade de demandas que tensionam a centralidade temática sobre
futebol historicamente (TOLEDO, 2021). Mesmo assim, é necessária a realização de
estudos que analisem o estado da arte da pesquisa sobre futebol no Brasil em uma
abordagem mais abrangente, incluindo análises temáticas dos GP existentes, além
de analisar a qualidade e quantidade da produção científica brasileira, a rede de
pesquisadores cadastrados, as instituições de ensino e universidades engajadas na
pesquisa, bem como a produção científica na área do futebol (FERRAZ et al., 2018). 02

Movimento, v. 28, e28057, 2022. DOI: [Link]


ISSN: 1982-8918
A pesquisa sobre o futebol no Brasil: análise dos grupos de pesquisa e da produção científica recente

Assim, o presente estudo tem como objetivo fornecer uma avaliação original
recente e identificar, mapear e analisar os grupos de pesquisa sobre futebol no Brasil,
especialmente suas características, evolução, distribuição geográfica, como também
analisar a quantidade e a qualidade da produção científica produzida nos últimos
anos, por pesquisadores registrados nos grupos de pesquisa no Brasil.

2 MÉTODO

2.1 CARACTERÍSTICAS DO ESTUDO

Trata-se de uma pesquisa sistemática e descritiva, de análise bibliométrica


(ANDRADE; DOMINSKI; COIMBRA, 2017, VILARINO et al., 2017), com a aplicação
de técnicas semelhantes às análises dos GP de Ferraz et al., (2018) e Dominski et
al., (2020). Devido à especificidade deste estudo, focado nos GP sobre futebol, a
base para a busca dos dados foi o Diretório dos Grupos de Pesquisa do Brasil (DGP)
do CNPq. Desde 1993, o CNPq mantém essas informações atualizadas por meio
de censos semestrais. O banco de dados contém informações sobre as linhas de
pesquisa dos grupos de pesquisa, sua área de concentração, recursos humanos e
parcerias entre as instituições a que pertencem. Dessa maneira, é possível identificar
o estado da arte em uma determinada área, além de detectar lacunas que servirão
de base para pesquisas futuras. De acordo com o mais recente censo DGP, realizado
em 2016, existem mais de 37 mil grupos de pesquisa no país e mais de 147 mil linhas
de pesquisa com aproximadamente 200 mil pesquisadores cadastrados.
Além disso, para a análise da produção científica dos grupos de pesquisa,
foi consultado o currículo acadêmico do líder de pesquisa de cada grupo, o qual
está publicamente disponível na Plataforma Lattes do CNPq (CNPq, 2022)1. Essa
plataforma permite reunir a produção acadêmica de pesquisadores, de estudantes e
docentes de instituições públicas e privadas do Brasil.

2.2 SELEÇÃO DOS GRUPOS DE PESQUISA

Os termos utilizados na estratégia de busca foram “futebol”, “futebol de


campo”, “futsal”, “futebol 7”, “futebol de areia”, “beach soccer”, “futevôlei”, “futebol
de cegos”, “futebol paralímpico”, “futebol adaptado”. Foram realizadas consultas
parametrizadas utilizando os termos de maneira isolada e assim selecionados os
seguintes campos: ‘‘nome do grupo’’ e ‘‘nome da linha de pesquisa’’, “palavra-chave”
sem utilização de filtros em relação à localização, ao tempo de existência do grupo,
à área do conhecimento, à formação acadêmica, aos bolsistas CNPq ou docentes
para não restringir o levantamento, assim como não foram selecionados os grupos
desatualizados ou excluídos.

2.3 CRITÉRIOS DE ELEGIBILIDADE

Foram incluídos todos os grupos com certificação da instituição de origem,


excluindo os não atualizados, extintos e grupos não certificados. Esta autenticação

1 PLATAFORMA Lattes. Disponível em: [Link] Acesso em: 15 set. 2022. 03

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ISSN: 1982-8918
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é responsabilidade dos dirigentes das atividades de pesquisa da instituição à qual o


grupo está vinculado. As buscas ocorreram em maio de 2022.
As linhas de pesquisa dos GP foram incluídas e analisadas de acordo com os
temas relacionados ao futebol e suas variações de acordo com os termos utilizados
na estratégia de busca. Foram excluídas as linhas de pesquisa em que não havia
nenhum tipo de aplicação aos temas.
Em relação à especificidade dos GP, foram considerados como grupos
específicos (GE) de pesquisa sobre futebol aqueles que apresentassem algum
dos termos usados para busca no nome do grupo registrado. Os demais foram
classificados como grupos não específicos (GNE).

Figura 1 – Fluxograma do método empregado nas análises dos grupos de pesquisas e na produção
científica dos líderes sobre futebol no Brasil entre os anos 2016-2022.

Resultados da pesquisa Diretórios dos GP no


Identificação

Brasil (N>37.000) Grupos incluídos atualizados


Futebol (n=86), Soccer (n=2); Football (n=78)
(n=0); Futsal (n=10); Beach soccer (n=1); Grupos desatualizados (n=17)
Futevôlei (n=0); Futebol de cegos (n=0); Grupos em preenchimento (n=3)
Futebol paralímpico (n=0) e Futebol
adaptado (n=0)

Total de registros (n=99)


Triagem

Registros após a remoção de


duplicados Registros excluídos por não estudar
(n=69) futebol e/ou não ter sido excluído (n=30)

Grupos de pesquisa elegíveis


Elegibilidade

(n = 46) Produção de artigos pelos líderes total


(n - 1324)

GP GP (não-
(específicos específicos)
(n = 15) elegíveis
(n = 31)
Inclusão

Total de Grupos
incluídos Produção dos líderes sobre futebol
(n = 46) (n = 409)

Fonte: dados da pesquisa

2.4 ANÁLISE DAS INFORMAÇÕES

As informações dos GP selecionados para as análises foram: ano de


formação, área de conhecimento e subárea, instituição de ensino superior (pública
ou privada), unidade da federação, região demográfica, linhas de pesquisa e número
de integrantes (professores, estudantes, técnicos e rede de colaboração nacional e
04

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A pesquisa sobre o futebol no Brasil: análise dos grupos de pesquisa e da produção científica recente

internacional) e a produção científica dos grupos (artigos, periódicos, fator de impacto


e autores). Para a análise da produção científica, examinou-se individualmente o
currículo do líder de pesquisa de cada grupo através da Plataforma Lattes do CNPq.
Dois revisores (MS e WC) independentemente fizeram as buscas e selecionaram
apenas artigos completos e aceitos de acordo com os critérios de elegibilidade.
Eventuais discordâncias foram resolvidas por um terceiro revisor (AA).
A produção científica dos líderes dos grupos analisada foi delimitada à
produção mais recente de artigos publicados em periódicos avaliados por pares
nos últimos anos, compreendida no período de janeiro de 2016 até maio de 2022,
independentemente do ano de criação do GP. Conforme apresentado em outros
estudos, este período se mostrou suficiente para análise da produção científica por
meio de indicadores bibliométricos mais atuais (DOMINSKI et al., 2020, AQUINO et
al., 2017). Além disso, métricas importantes, como 5-Year Impact Factor, Eigenfactor
e Google Scholar Metrics, vinculadas ao Journal Citation Report® consideram os
últimos cinco anos envolvendo as publicações e citações recentes. No presente
estudo o tempo de análise da produção dos líderes dos GP foi superior a esta
recomendação. Outro fator que justificou nossa decisão considerou que as agências
de fomento (e.g. CNPq) utilizam período de cinco anos para avaliação da produção
dos pesquisadores e GP. Em nosso estudo, utilizou-se Tabela de Equivalência e
classificação das Áreas de Especialidades do Conhecimento, disponível na Árvore
do conhecimento do CNPq/Capes (2020)2. Além disso, atualmente há um conjunto de
procedimentos utilizados pela Capes para estratificação da qualidade da produção
intelectual dos programas de pós-graduação, com base na publicação em periódicos
científicos de artigos de docentes afiliados às Instituições de Ensino Superior (IES)
brasileiras.
Para a análise da qualidade da produção científica foram considerados
apenas artigos completos e artigos aceitos sobre futebol e futsal e modalidades que
pertencem às mesmas características e adotando os mesmos procedimentos dos
termos utilizados no levantamento dos GP. A classificação dos artigos foi por meio
do Qualis periódicos da Plataforma Sucupira – classificação de periódicos quadriênio
2013-2016. A avaliação da produção científica de cada líder dos GP foi realizada nos
periódicos das subáreas correspondentes, classificados nos estratos A1, A2, B1, B2,
B3, B4, B5 e C. Também foram considerados os artigos publicados em periódicos
não classificados, estabelecida a legenda - s/Q- sem Qualis.
Foi analisado o fator de impacto atualizado dos periódicos por meio da métrica
JCR (Journal Citation Reports®) - ISI Web of Science, a partir da produção científica
dos líderes dos GP. Posteriormente, analisou-se o número total de artigos com tema
futebol, futsal e modalidades afins, para identificar a produtividade dos líderes dos
GP e a qualidade das publicações. As palavras-chave foram consideradas no idioma
original de publicação de cada artigo e foi realizado o agrupamento dos sinônimos,
conforme aplicados nos modelos de análise dos estudos de Andrade et al., (2017).

2 Tabela de Áreas do Conhecimento. Disponível em [Link]


[Link]/d192ff6b-3e0a-4074-a74d-c280521bd5f7. Acesso em: 15 set. 2022. 05

Movimento, v. 28, e28057, 2022. DOI: [Link]


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Destaca-se também a relevância no cenário esportivo mundial que o Brasil


representou nesse período, especialmente após sediar a Copa do Mundo 2014 e
os Jogos Olímpicos do Rio 2016. Esses fatores despertaram interesse como ponto
de partida para examinar a importância desses megaeventos no desenvolvimento
científico nacional (SPAGGIARI, MACHADO e GIGLIO, 2016; VIVEIROS et al., 2015).
Para o processamento dos dados estatísticos foram utilizados o Statistical
Package for the Social Sciences - SPSS - IBM® versão 20.0 e o Microsoft Excel.
Empregou-se estatística descritiva com medidas de tendência central (média),
medidas de dispersão (desvio padrão) e frequências. Para a montagem das nuvens
de palavras, utilizou-se ferramenta disponível no website [Link] e
para criar os infográficos e mapas, o aplicativo Piktochart (para Google Chrome).

3 RESULTADOS

A análise preliminar rastreou 79 GP registrados em toda a base de dados no


Brasil. Foram selecionados 46 GP cadastrados até maio de 2022 no DGP de acordo
com os termos e com os critérios de inclusão adotados neste estudo, destes, 15
foram classificados como grupos específicos (GE) e 31 como grupos não específicos
(GNE) (Tabela 1).

06

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ISSN: 1982-8918
A pesquisa sobre o futebol no Brasil: análise dos grupos de pesquisa e da produção científica recente

Tabela 1 - Grupos de pesquisa sobre futebol no Brasil cadastrados no DGP.

F. R. da produção sobre futebol em

F. R Produção com FI em relação a


relação a produção total sobre

F.R. da produção total sobre


F.R da produção do líder em

futebol com FI geral (n=184)

própria produção do líder


F. A. dos Artigos com FI
relação ao total do líder
Total sobre futebol**
Ano de Formação

F. A. da produção

F. A. da produção

futebol (n=409)
Total Geral
Tipo

IES
Grupos de Pesquisas*

Psicologia Transcultural: funcionamento psicológico


1984 N UFAM 41 0 0,00% 0,00% 0 0,00% 0,00%
entre grupos de diferentes etnoculturas
Termorregulação e Mecanismos de Fadiga 1989 N UFMG 32 0 0,00% 0,00% 0 0,00% 0,00%
Laboratório de Psicologia do Esporte - LAPES 1991 N UFMG 42 8 19,05% 1,96% 4 0,98% 50,00%
NAVI - NÚCLEO DE ANTROPOLOGIA VISUAL E
ESTUDOS DA IMAGEM/Grupo de Antropologia Urbana 1994 N UFSC 24 8 33,33% 1,96% 1 0,24% 12,50%
e Marítima
Espaço e sociabilidades 1997 N UFPR 5 4 80,00% 0,98% 0 0,00% 0,00%
Centro de Estudos da Performance Física - CEPEFIS 2000 N UFPR 41 6 14,63% 1,47% 3 0,73% 50,00%
Laboratório de Fisiologia Renal 2000 N UFPR 8 2 25,00% 0,49% 2 0,49% 100,00%
GRECCO - Grupo de Estudos sobre Esporte, Cultura e
2002 N UFRGS 22 2 9,09% 0,49% 1 0,24% 50,00%
História
Energia, Espaço e Sociedade - EES 2004 N UFRJ 0 0 0,00% 0,00% 0 0,00% 0,00%
CORPO (COtidiano, Resgate, Pesquisa e Orientação) 2005 N UFBA 13 1 7,69% 0,24% 0 0,00% 0,00%
Neurologia Cognitiva e do Comportamento 2006 N UFMG 101 2 1,98% 0,49% 2 0,49% 100,00%
Grupo de Estudos sobre Futebol e Torcidas - GEFuT 2006 E UFMG 19 13 68,42% 3,18% 3 0,73% 23,08%
Grupo de Pesquisa em Robótica da UFS 2010 N UFS 14 1 7,14% 0,24% 1 0,24% 100,00%
FULIA - Núcleo de Estudos sobre Futebol, Linguagem
2010 E UFMG 56 5 8,93% 1,22% 0 0,00% 0,00%
e Artes
Grupo de Pesquisa em Atividade Física, Esporte e
2010 N UTFPR 16 6 37,50% 1,47% 0 0,00% 0,00%
Tecnologia (GEPAFETec)
07

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Bases Biológicas da Atividade Física e Saúde 2010 N UFV 19 5 26,32% 1,22% 3 0,73% 60,00%
Núcleo de Pesquisa e Estudos em Futebol (UFV) 2010 E UFV 87 70 80,46% 17,11% 37 9,05% 52,86%
GECEF - Grupo de Estudos em Comunicação sobre
2010 E UNESP 29 13 44,83% 3,18% 0 0,00% 0,00%
Esporte e Futebol
Grupo de Estudos de Dinâmica territorial (GEDITE) 2010 N UEMA 20 1 5,00% 0,24% 0 0,00% 0,00%
Hermenêutica e[m] Filosofia e Literatura 2010 N UNISINOS 14 0 0,00% 0,00% 0 0,00% 0,00%
Laboratório de Estudos em Pedagogia do Esporte
2011 N UNICAMP 87 36 41,38% 8,80% 12 2,93% 33,33%
(LEPE) - Futebol
Laboratório de Biomecânica Aplicada 2012 N UEL 64 32 50,00% 7,82% 22 11,96% 68,75%
Gepecs - Grupo de Estudos e Pesquisas em Esporte,
2012 N UFMT 7 1 14,29% 0,24% 0 0,00% 0,00%
Cultura e Sociedade
ProFut - Grupo de Estudos e Pesquisa dos Aspectos
2014 E UFSCAR 12 7 58,33% 1,71% 1 0,24% 14,29%
Pedagógicos e Sociais do Futebol
UFMG Soccer Science Center 2014 E UFMG 41 18 43,90% 4,40% 11 2,69% 61,11%
Grupo de Estudos e Pesquisas Aplicadas em Futebol -
2014 E UEM 38 22 57,89% 5,38% 8 1,96% 36,36%
GEPAFUT
Grupo de Pesquisa e Estudo sobre o Futsal e o Futebol
2015 E UFMA 28 10 35,71% 2,44% 0 0,00% 0,00%
- GPEFF
GRUPO DE ESTUDOS EM ESPORTES PARA
2015 N UNICAMP 57 13 22,81% 3,18% 3 0,73% 23,08%
PESSOAS COM PARALISIA CEREBRAL
Grupo de Pesquisa e Desenvolvimento do Futebol e do
2015 E UFSC 23 23 100,00% 5,62% 14 3,42% 60,87%
Futsal
INTEGRAFUT - Integração das dimensões Físico,
2015 E UFRJ 9 5 55,56% 1,22% 2 0,49% 40,00%
Técnico e Tática do Futebol e Futsal
Centro de Traumatismo Dentário da FOC/UNIFLU
2015 N UNIFLU 1 0 0,00% 0,00% 0 0,00% 0,00%
(linha de pesquisa em futebol)
Grupo de Estudos em Atividade Física, Saúde e
2015 N UFPE 5 2 40,00% 0,49% 0 0,00% 0,00%
Desempenho
Grupo de Estudo e Pesquisa dos Esportes (GEPEs) 2016 N UNESP 12 2 16,67% 0,49% 1 0,24% 50,00%
Núcleo de Futebol Competente 2016 E UEFS 3 1 33,33% 0,24% 0 0,00% 0,00%
ESTUDOS AVANÇADOS EM DIREITO EMPRESARIAL
2016 N UNIVALI 13 0 0,00% 0,00% 0 0,00% 0,00%
(linha de pesquisa em futebol)
Laboratório de Estudos sobre Violência, Esporte e
2017 N UNIVERSO 43 2 4,65% 0,49% 0 0,00% 0,00%
Educação Física (LEVEEF)
08

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A pesquisa sobre o futebol no Brasil: análise dos grupos de pesquisa e da produção científica recente

EXERCÍCIO FÍSICO: SAÚDE E DESEMPENHO


2017 N UFMA 31 6 19,35% 1,47% 1 0,24% 16,67%
HUMANO
Laboratório de Estudos da Ciência do Futebol de
2017 E UFRJ 77 7 9,09% 1,71% 2 0,49% 28,57%
Campo, Futsal e Beach Soccer
RAI - Robotics And Artificial Intellingence 2019 N UFRB 2 0 0,00% 0,00% 0 0,00% 0,00%
Le´FUT (Laboratório de Estudos de Futsal e Futebol) 2019 E UNIMEP 9 3 33,33% 0,73% 2 0,49% 66,67%
Grupo de Estudos e Pesquisa em Ciência no Futebol
2019 E UFES 69 55 79,71% 13,45% 42 10,27% 76,36%
(GECIF)
Grupo de Estudos e Pesquisas em Esporte e
2019 N UNICAMP 18 7 38,89% 1,71% 0 0,00% 0,00%
Humanidades (GEPEH)
Grupo de Pesquisa em Cineantropometria e
2020 N UFPE 26 3 11,54% 0,73% 2 0,49% 66,67%
Treinamento (vice-líder mais produtivo)
Gestão da Informação e Evidenciação Contábil 2020 N UFS 5 0 0,00% 0,00% 0 0,00% 0,00%
Atuação multiprofissional no futebol de alto rendimento 2021 E UNIS/MG 14 0 0,00% 0,00% 0 0,00% 0,00%
Grupo de Pesquisa, Inovação e Tecnologia Aplicada ao
2022 N UFPI 27 7 25,93% 1,71% 4 0,98% 57,14%
Esporte (GSporTech)
- - - - 1324 409 - 100% 184 51,57% -

Fonte: dados da pesquisa


* Análise realizada a partir da produção dos líderes dos GP
**Produção total sobre futebol dos líderes dos GP entre 2016 e 2022.
*** Primeiro Grupo específico sobre futebol registrado.
Legendas:
IES – Instituição de Ensino Superior; E – Grupo específico; N – Grupo não específico; F.I – Fator de impacto; F. A – Frequência Absoluta; F. R -Frequência Relativa

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3.1 ANO DE FORMAÇÃO DOS GRUPOS DE PESQUISA

O registro do primeiro GP abrangendo o tema futebol surgiu em 1984,


cujo nome é Psicologia Transcultural: funcionamento psicológico entre grupos de
diferentes etnoculturas, da Universidade Federal de Pernambuco. No entanto, o
primeiro GP específico, o Grupo de Estudos sobre Futebol e Torcidas – GEFuT foi
registrado 22 anos depois, no ano de 2006 (Tabela 1).
Nos últimos dez anos o número de GP em futebol dobrou, passando de 23
em 2012 para 46 no último registro ano de 2022. Destacam-se os anos de 2010 com
o registro de oito GP sobre futebol e 2015 com seis, durante estes anos. A Figura 2
apresenta o crescimento anual da formação dos GP de 1984 até 2022, considerando
o número total de GP sobre futebol acumulados neste período de 38 anos.

Figura 2 - Ano de formação dos grupos de pesquisa no Brasil relacionados ao futebol.

Grupos cadastrados na base do DGP


50
46
44 45
45 42
40 38
35
35
32
30
26
25 23
20 21
20

15 12
8 9 10
10 7
4 5
5 2 3
1
0
1983
1984
1985
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
2021
2022

Ano

Fonte: dados da pesquisa

3.2 DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DOS GRUPOS DE PESQUISA

Os GP estão localizados em 14 estados brasileiros. A maioria dos grupos sobre


futebol está concentrada na Região Sudeste (n=22/47,8%). Verificou-se predomínio
de GP nos estados de Minas Gerais (n=9/19,6%), de São Paulo (n=7/15,2 %), do
Paraná (n=6/13,0%) e do Rio de Janeiro (n=5 10,9%) (Figura 3). Observaram-se
poucos GP sobre futebol em estados das regiões Nordeste e Centro-Oeste, além
disso, na Região Norte do Brasil, apenas o estado do Amazonas apresentou GP
sobre futebol.

10

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A pesquisa sobre o futebol no Brasil: análise dos grupos de pesquisa e da produção científica recente

Figura 3 - Distribuição geográfica e a quantidade de artigos publicados por estado dos grupos de
pesquisa sobre futebol no Brasil até 2022.

MA (3 / 6,5%)

AM (1 / 2,2%)

PE (2 / 4,3%)

SE (2 / 4,3%)
Produção de Artigos
MT (1 / 2,2%) por Estado
BA (3 / 6,5%)

MT; 1

PR; 72

MG (9 / 19,6%)
MG; 121
ES (1 / 2,2%)
SE; 1
SP (7 / 15,2%) RJ; 14

RJ (5 / 10,9%) RS; 2
PE; 5

PR (6 / 13,0%)

AM; 0
SC (3 / 6,5%)
SP; 81
RS (2 / 4,3%)
ES; 55

PI; 7 BA; 2
MA; 17 SC; 31

Fonte: dados da pesquisa

3.3 CARACTERÍSTICAS DOS GRUPOS DE PESQUISA

Os GP que investigam futebol são predominantemente oriundos de instituições


públicas de ensino (n=40/87%), sendo que apenas seis grupos são vinculados a
instituições privadas (n=6/13%). A Universidade Federal de Minas Gerais possui
seis GP registrados, a Universidade Federal do Paraná e a Universidade Federal
do Rio de Janeiro têm registrados três grupos cada uma. A Universidade Estadual
de Campinas, a Universidade Federal de Viçosa, a Universidade Federal de Santa
Catarina, a Universidade Estadual Paulista, a Universidade Federal do Maranhão,
a Universidade Federal de Pernambuco e a Universidade Federal de Sergipe
apresentaram dois grupos cada. As demais 19 IES apresentam um GP registrado
cada, conforme a Tabela 1.
Em relação aos líderes, observa-se predomínio do sexo masculino (n=39).
Além disso, a maior parte dos integrantes dos GP é composta por estudantes dos
cursos ligados às IES (n=547). Ao todo, são 1.029 pessoas envolvidas na produção
cientifica da área, 459 pesquisadores, 15 técnicos e oito colaboradores estrangeiros.
A área predominante de conhecimento dos GP sobre futebol está vinculada em
Ciências da Saúde e relacionada à área da Educação Física (Figura 4). Os GP
apresentaram um total de 226 linhas de pesquisa, variando entre uma e 15 linhas de
pesquisa por grupo. A maioria dos grupos possui de quatro a seis linhas de pesquisa
(Tabela 2).

11

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Tabela 2 - Distribuição dos integrantes, instituições, área de conhecimento e linhas de pesquisas dos
grupos de pesquisa sobre futebol no ano de 2022 no DGP no Brasil.

Característica dos grupos de pesquisa n %


Instituição de ensino superior
Privada 6 13,0
Pública 40 87,0
Líderes
Homens 38 82,6
Mulheres 8 17,4
Integrantes
Pesquisadores 459 44,6
Estudantes 547 53,2
Técnicos 15 1,5
Colaboradores Estrangeiros 8 0,7
Total 1029 100
Área de conhecimento
Ciências Biológicas 1 2,2
Ciências da Saúde 32 69,5
Ciências Exatas e da Terra 1 2,2
Ciências Humanas 6 13,1
Ciências Sociais Aplicadas 4 8,6
Engenharias 1 2,2
Linguística, Letras e Artes 1 2,2
Total 46 100
Linhas de pesquisa
1a3 15 32,6
4a6 23 50,0
7a9 4 8,6
10 a 12 2 4,3
13 a 15 2 4,3
Total 46 100
Fonte: dados da pesquisa

12

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A pesquisa sobre o futebol no Brasil: análise dos grupos de pesquisa e da produção científica recente

Figura 4 - Áreas de conhecimento e suas subáreas dos líderes dos GP sobre o futebol no Brasil até
2022

Subáreas

Ciências da Saúde Ciências da Saúde - 29


Medicina - 1
Saúde Coletiva - 1
Odontologia - 1

Filosofia - 1
Ciências Humanas
Sociologia - 1
Antropologia - 1
História - 1
Geografia - 1
Ciências Exatas e da Psicologia - 1
Terra

Ciência da Computação - 1

ÁREAS
DE Ciências Biológicas Fisiologia - 1
CONHECIMENTO

Letras - 1

Linguística,
Letras e Artes

Engenharia Elétrica - 1

Engenharia
Arquitetura e Urbanismo - 1
Administração - 1
Ciências Sociais
Comunicação - 1
Aplicadas
Direito - 1

Fonte: (adaptado de MACIEL et al. 2019).

Figura 5 Categorização e frequência temática das linhas de pesquisas dos GP/DGP sobre futebol no
ano de 2022.

Fonte: dados da pesquisa

13

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Foram encontradas 227 linhas de pesquisa nos GP. Entretanto, observou-se


que algumas das linhas não estavam relacionadas com futebol. Assim, optou-se por
selecionar apenas as linhas de pesquisas especificas relacionadas ao futebol para a
análise de categorização e frequência temática da Figura 5. Verificou-se a existência
de 57 linhas de pesquisas específicas sobre o futebol. Entre estas, observa-se
predominância da pesquisa relativa a dimensões históricas, geográficas, políticas e
sociais, aspectos técnico-táticos e metodologia de treinamento e ensino. As demais
linhas de pesquisas podem ser verificadas na Figura 5.

3.4 PRODUÇÃO CIENTÍFICA DOS GP E CARACTERÍSTICAS DAS


PUBLICAÇÕES

Os líderes dos GP publicaram 1.324 estudos entre janeiro de 2016 e maio


2022, sendo que 30,8% (n=409) das publicações identificadas são relacionadas ao
futebol. Os GP específicos concentraram 61,6% de toda a produção sobre futebol
(n=252). No período analisado (2016-2022), a maior produção sobre futebol se
concentrou em cinco GP (52,8%) e o grupo mais produtivo publicou 70 estudos. A
maioria dos GP (n=35) apresentou baixa produção de artigos, com menos de dez
publicações no período analisado. Embora identificados como GP de futebol, um
número significativo de líderes (n=9) não publicou estudos sobre o tema (Tabela 1).
Outro dado relevante refere-se ao fator de impacto dos periódicos no JCR
(Journal Citation Reports, Web of Science, Clarivate Analitics, 2022), revelando que
a maior parte da produção científica foi publicada em periódicos sem indexação
na WoS e não possuem fator de impacto (n=225; 55 %), o que pode indicar baixa
visibilidade internacional e maior regionalização da pesquisa nacional brasileira.
Foram publicados 184 estudos sobre futebol em 57 periódicos com fator de impacto,
o que representa 44,9% de toda a produção (n=409). Observou-se média de fator
de impacto de 2,04 (±1,34) dos periódicos sendo o maior com 11,14 e o menor 0,02.
A frequência relativa da produção científica com fator de impacto em relação
à produção total sobre futebol indicou que apenas dois GP apresentaram valores
superiores a 10% quando considerada a soma de todas as publicações de todos
os líderes, concentrando 51,57% da produção científica publicada em revistas FI.
Destes, o GP denominado Laboratório de Biomecânica Aplicada – UEL obteve
11,96% de todas as publicações nessas revistas com FI entre 2016 e 2022. Cerca de
47,8% dos GP não publicou estudos sobre futebol em revistas com fator de impacto
(Tabela 1).
A maior produtividade sobre futebol se concentra na Região Sudeste do Brasil,
totalizando 271 estudos (66,2%), sendo a Universidade Federal de Viçosa no estado
de Minas Gerais e Universidade Federal do Espírito Santo as mais produtivas, com
125 publicações (30,6%).
O líder do GP Núcleo de Pesquisa e Estudos em Futebol (UFV) apresentou o
maior número de publicações no período analisado (n=70) (Tabela 1), sendo 54 estudos
classificados nos estratos A1, A2 e B1. Os pesquisadores com maior quantidade de
artigos no estrato A1 foram o líder do GP do Laboratório de Biomecânica Aplicada
14

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(n=11) e o líder do Grupo de Estudos e Pesquisa em Ciência no Futebol (GECIF)


(n=11).
Quanto ao Qualis, foram identificadas 235 publicações nos estratos A1, A2
(n=134) e B1 (n=101), representando 57,5% de todas as publicações (n=409), sendo
os GP específicos responsáveis pela maioria destas publicações nesses estratos
(n=173; 76,6%) (Figura 6).

Figura 6 - Classificação da produção dos GP específicos e não específicos sobre o futebol de 2016 a
2022

Grupos Específicos Grupos Não Específicos

68
59
Número de artigos

38
34 33
24 24 22
20 21
17
12
6 8 10 10
1 2

A1 A2 B1 B2 B3 B4 B5 C Sem
QUALIS
Qualis Periódicos

Fonte: dados da pesquisa

Figura 7 - Quantidade e qualidade da produção científica dos GP sobre o futebol por ano no Brasil de
2016 a 2022.

A1, A2 B1, B2, B3 B4, B5, C s/Q


35

30

25

20

15

10

0
2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022

Anos

Fonte: dados da pesquisa

A Figura 7 apresenta a quantidade e qualidade da produção científica dos GP


sobre o futebol por ano no Brasil de 2016 a 2022. Verifica-se queda na produção nos
estratos B1, B2 e B3 entre 2018, 2019 e 2020 com um discreto aumento em 2018.
Por outro lado, a publicação nos estratos A1 e A2 aumentou entre os anos de 2018,
2019 e 2020, com uma redução em 2021 (Figura 7). 15

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A maior produtividade de artigos ocorreu no ano de 2021, com 82 estudos


publicados. Conforme a classificação da produção dos GP sobre o futebol, podemos
observar predomínio das produções científicas publicadas em periódicos nos estratos
A1, A2 e B1, totalizando 235 publicações (57,4%) (Tabela 3).

Tabela 3 - Classificação da produção dos GP sobre o futebol de acordo com o ano.

Estratos Qualis
Ano
A1 A2 B1 B2 B3 B4 B5 C s/Q Total
2016 7 8 21 3 3 11 5 0 2 60
2017 2 7 27 5 2 10 6 0 2 61
2018 11 12 9 3 4 6 5 0 5 55
2019 10 14 12 1 2 8 4 1 5 57
2020 8 23 8 2 3 8 3 0 8 63
2021 11 7 19 2 3 17 9 2 12 82
2022 5 9 5 2 1 2 2 0 5 31
Total 54 80 101 18 18 62 34 3 39 409
Fonte: dados da pesquisa

Figura 8 - Revistas e frequências utilizadas nas publicações dos líderes dos GP sobre o futebol no
Brasil.

Fonte: dados da pesquisa

Os estudos sobre futebol foram publicados em 142 periódicos diferentes,


destacando-se a Revista Brasileira de Futsal e Futebol (n=22), seguido da Human
Movement (n=18) e Motriz: Revista de Educação Física (online) (n=17). A maioria
dos periódicos (n=100) publicou entre um e dois estudos no período de 2016 a 2022
(Figura 8).

16

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Tabela 4 - Principais palavras-chave dos estudos publicados nas revistas nacionais e internacionais
pelos líderes dos GP sobre futebol no Brasil até 2022.

Revistas Nacionais Revistas Internacionais


Palavras-Chave Frequência Palavras-Chave Frequência
Futebol 104 Soccer 132
Esportes 24 Tactics 64
Desempenho 18 Performance 40
Treinamento Esportivo 17 Sport science 34
Futsal 16 Youth players 27
Tática 13 Team sport 23
Atletas 9 Association football 20
Copa do Mundo 9 Athletic performance 20
Educação Física 9 Cognition 18
Jogo 8 Training 16
Cognição 6 Decision-making 15
Psicologia do Esporte 6 Match analysis 15
Análise de Desempenho 5 Physical Fitness 13
Lazer 5 Body composition 11
Análise de Tarefas 4 Task 11
Fonte: dados da pesquisa

Foram identificadas 1.671 palavras-chave no total. Após análise das 15


palavras-chave mais frequentes nos artigos publicados pelos líderes dos GP sobre
futebol no Brasil, em revistas nacionais e internacionais, observou-se que os termos
mais citados foram “futebol/soccer”, presentes em 236 artigos. Nosso levantamento
revelou ainda que as palavras-chave mais utilizadas nos artigos estão relacionadas ao
desempenho esportivo, performance e tática, evidenciando tendências semelhantes
quanto à publicação dos estudos tanto nas publicações em revistas nacionais quanto
nas internacionais (Tabela 4)

4 DISCUSSÃO

Este estudo objetivou identificar, mapear e analisar os grupos de pesquisa


sobre futebol no Brasil, especialmente suas características, evolução, distribuição
geográfica, a quantidade e a qualidade da produção científica produzidas nos últimos
anos (2016-2022) por pesquisadores líderes registrados nos grupos de pesquisa no
Brasil. Investigar e analisar tais informações e produzir conhecimento atual sobre
o estado da arte dos GP sobre futebol no Brasil é passo estratégico e fundamental
no processo de desenvolvimento da ciência do esporte aplicada a esta modalidade,
podendo contribuir na orientação de políticas científicas, aspectos fortes ou carentes,
indicando pontos de interesse e investimento científico.

4.1 CENÁRIO ATUAL DOS GRUPOS DE PESQUISA SOBRE FUTEBOL NO


BRASIL

Os resultados obtidos evidenciaram 46 grupos de pesquisa sobre futebol


cadastrados no DGP e seus respectivos líderes e 409 estudos sobre o tema. Destaca-
se o predomínio das IES públicas envolvidas no estudo do futebol, demostrando 17

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a relevância acadêmico-científica que estas instituições representam na produção,


inovação e disseminação de conhecimento, além disso contribui para a capacitação
profissional em diversas áreas aplicadas ao futebol (ROCHA et al., 2017).
Embora se tenha alguma discussão sobre as características e diferentes
demandas entre o futebol masculino e feminino (PEDERSEN et al., 2019) e o número
total de jogadores de futebol esteja aumentando (FIFA, 2021), o impacto na produção
científica no futebol feminino está desatualizado, merecendo maior atenção no
contexto científico do esporte (KIRKENDALL, 2020).
Observa-se predomínio masculino nos GP sobre futebol; dos 46 líderes dos
GP, oito são mulheres (17,4%), sendo que dessas, três pesquisadoras publicaram
estudos sobre futebol (n=13) o que representa 3,2% de toda produção. Também há
baixa produção de conhecimento sobre o futebol feminino. De acordo com Barreira
et al. (2018), os estudos sobre futebol e futsal feminino representam menos de 4%
de todos os artigos publicados em um periódico exclusivo para estas modalidades.
Este dado revela o desequilíbrio entre as publicações e pode estar relacionado com
o atraso da inserção do gênero em grandes competições nesses esportes, o qual
ocorreu gradativamente entre os anos 1980 e 1990 (GOELLNER, 2005). Esses
fatores podem reduzir o interesse de pesquisadores já que no Brasil a primeira edição
do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino ocorreu no ano de 2013 (PASSERO
et al., 2020). É fundamental perceber que o fenômeno do fortalecimento do futebol
feminino no mundo está em curso através de maior visibilidade, premiações, interesse
de patrocinadores, investimento e interesse econômico e profissional, com aumento
da produção científica internacional. Não ocorrendo mudanças rápidas também na
participação feminina na formação, pesquisa e publicações de qualidade no futebol,
isso se constitui em mais um fator prejudicial neste contexto no Brasil.
Em pesquisa anterior, Giglio e Spaggiari (2010) verificaram o estado de São
Paulo com maior número de publicações relacionadas ao futebol. Em nosso estudo,
a partir de recorte mais recente, Minas Gerais aparece com maior número de GP
e publicações sobre futebol no Brasil. Como confirmam outros estudos, na Região
Sudeste há predominância de GP também em outras áreas das ciências do esporte,
como, por exemplo, GP em treinamento de força no Brasil (DOMINSKI et al. 2020).
Estes estudos foram publicados por pesquisadores que estão vinculados à Área
21 da Capes, formada por programas de pós-graduação stricto sensu, envolvendo
a Educação Física. A Região Sudeste apresenta elevado número de cursos de
mestrado e doutorado no país (BRASIL, 2016).
Deve-se observar que os GP sobre futebol são formados por pesquisadores
vinculados à área das Ciências da Saúde, sendo em sua maioria ligados à subárea
da Educação Física, que tem destaque no meio esportivo. No Brasil, a graduação
em Educação Física inclui em seu currículo disciplinas especificas sobre o futebol
e ciências do esporte e forma profissionais para atuar tanto na licenciatura como
no bacharelado. Esses fatores, além de contribuírem diretamente na ampliação das
possibilidades de atuação profissional, tanto na iniciação esportiva como também no
futebol de alto rendimento, pode impactar também no fomento de pesquisas (RAYA-
CASTELLANO; URIONDO, 2015).
18

Movimento, v. 28, e28057, 2022. DOI: [Link]


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A pesquisa sobre o futebol no Brasil: análise dos grupos de pesquisa e da produção científica recente

Em nosso estudo, surpreende que sejam apenas 15 GP específicos, levando


em conta a importância socioeconômica, histórica e cultural do futebol na sociedade
brasileira, mais de um século de história com fortíssimas influências na política,
economia, artes, literatura entre outros fatores. Por outro lado, ficou evidente que os
GP específicos apresentam maior quantidade e qualidade na produção científica em
relação aos não específicos. Isso pode indicar que fatores organizacionais dedicados
a investigação, como maior dispêndio de recursos e de tempo em uma modalidade
esportiva, tendem a impactar na produtividade de conhecimento em ciências do
esporte (COIMBRA et al., 2019). Considerando esta relevância do futebol no Brasil e a
influência e representatividade do futebol brasileiro internacionalmente, são urgentes
novos estudos, reflexão e proposição de ações para aumentar a quantidade dos GP
na área, articulando universidades e laboratórios, clubes e entidades, fomentando
qualidade na formação profissional e na produção de conhecimento científico e
técnico.
É importante destacar que nove grupos registrados no DGP, identificados
como GP sobre futebol, não publicaram estudos relacionados ao futebol no período
analisado. Todos estão classificados como grupos não específicos e quatro deles são
provenientes de instituição privada. Conforme a Figura 6, observa-se que os grupos
não específicos têm menor produção, se comparados com os grupos específicos,
demonstrando a importância organizacional nos temas de pesquisas.

4.2 PRODUÇÃO RECENTE DAS PESQUISAS SOBRE FUTEBOL NO BRASIL

A produção científica sobre o futebol brasileiro começou a se constituir em


meados dos anos 1980 (HELAL, 2011). No entanto, destaca-se a importância das
defesas de teses e dissertações entre 1990 e 2009, vinculadas aos programas de
pós-graduação, relacionadas ao crescimento, produtividade e avanço das pesquisas
na área do futebol (HELAL, 2011). Recentemente, utilizando o termo “soccer”, na
base PubMed, identificou-se o registro de 11.301 estudos, sendo o tênis o segundo
esporte investigado, com 8.714 registros. Embora apareça como modalidade
esportiva investigada com destaque no mundo, a produção científica recente sobre
futebol no Brasil (2016 e 2022), ainda que em evolução, é considerada discreta em
comparação a outros países (KIRKENDALL, 2020).
Em nosso estudo, ao analisar os 409 artigos publicados pelos líderes dos GP, os
termos que aparecem com maior frequência e mais investigados foram relacionados
ao “desempenho esportivo” e “aspectos físicos, técnicos e táticos” assim como os
termos relacionados às ciências aplicadas ao treinamento, estratégias e métodos de
ensino e aprendizagem do futebol. Sabe-se que o esporte de alto rendimento fomenta
grande parte das pesquisas no mundo e, no futebol, uma quantidade significativa
de tempo é destinada ao treinamento e à preparação do atleta, visando melhorar
a capacidade física e técnica dos jogadores, o que gera interesse por diferentes
propostas para melhorar o desempenho (CLEMENTE; AFONSO; SARMENTO, 2021;
PEDERSEN; AKSDAL; STALSBERG, 2019).
Apesar de o Brasil demonstrar avanço em relação aos GP e as pesquisas
serem amplas e com temáticas diversificadas, a internacionalização das publicações 19

Movimento, v. 28, e28057, 2022. DOI: [Link]


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Whyllerton Mayron da Cruz et al.

ainda é um desafio. Constatamos que em apenas cinco, dos 46 GP no Brasil, se


concentra a maior parte da produção publicada em revistas com fator de impacto.
Isso pode revelar que os demais grupos apresentam dificuldades e não têm em sua
produção (mais da metade dos GP) estudos publicados em periódicos com fator de
impacto.
Em uma análise bibliométrica dos 100 estudos mais citados em ciências
do esporte e do exercício no mundo, o futebol obteve destaque, no entanto
surpreendentemente os Estados Unidos foram responsáveis pela maioria dos artigos
sobre futebol, ainda que essa modalidade tenha popularidade relativamente baixa
em comparação com outros esportes importantes, como futebol americano, beisebol
e basquete (KHATRA et al., 2021).
Nossa análise dos temas de pesquisa publicados pelos GP no Brasil demonstra
carência de pesquisas em temas muito sensíveis ao esporte, como, por exemplo,
sobre aspectos psicológicos do esporte aplicados ao futebol e futsal brasileiro e
saúde mental do atleta (ANDRADE et al., 2019; BRANDT et al., 2014). Isso sugere
que, apesar temáticas relevantes no cenário esportivo, ainda há muito espaço para
avanços, sobretudo na produção de conhecimento sobre futebol.

5 LIMITAÇÕES E FUTUROS ESTUDOS

Embora realizada uma análise da produção científica recente dos líderes


dos GP dos últimos anos, nosso estudo apresenta limitações pois pode ter excluído
outros pesquisadores de GP que não são líderes. A análise da produção recente
levou em conta os termos sobre futebol pelo título das publicações disponíveis nos
currículos Lattes dos líderes dos GP, contudo é importante considerar a possiblidade
de estudos que envolveram diversas modalidades esportivas podem ter incluído o
futebol de maneira secundária nas análises.
Mesmo analisando todos os 46 GP sobre o futebol registrados no DGP, não
foram incluídos grupos independentes que não estavam vinculados a essa plataforma
pública do CNPq. Devemos considerar que o uso exclusivo da base de dados do
DGP pode não contemplar todos os grupos existentes, assim como a análise da
produção e publicações estão condicionadas a atualizações de responsabilidade do
pesquisador.
Nosso estudo faz análises sobre os aspectos quantitativo e qualitativo da
produção científica. É sabido que os pesquisadores no Brasil são relativamente
pressionados à produtividade científica, com especial destaque para a produção de
artigos científicos, uma vez que o pesquisador com mais produção é beneficiado
por programas de incentivo, o que favorece na captação de recursos e bolsas de
pesquisa e outros investimentos diretos e indiretos. Contudo, embora tenhamos a
compreensão da importância e relevância para a pesquisa e grupos no Brasil, o Qualis
e Fator de Impacto dos periódicos, que avaliam em parte esta produção, podem
apresentar falhas, pois há pesquisas de excelente qualidade que são publicadas em
periódicos de menor visibilidade e que não apresentam fator de impacto.

20

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A pesquisa sobre o futebol no Brasil: análise dos grupos de pesquisa e da produção científica recente

Ademais, há de se considerar eventuais falhas processuais e que podem


gerar súper ou subvalorização em alguns periódicos em detrimento de outros,
podendo assim gerar melhores ou notas inferiores para os cursos de mestrado e
doutorado de algumas instituições (SESTREM, 2020). Muitas vezes, a escolha do
periódico científico ao qual é submetido o manuscrito a ser publicado é justificada
por vários motivos. As IES brasileiras vêm sofrendo com a redução orçamentária e
altos valores são cobrados pelas editoras para que a publicação tenha livre acesso.
É importante considerar que a publicação de artigos científicos em periódicos com
melhor avaliação no Qualis e com melhor fator de impacto, ainda que seja a mais
valorizada atualmente, não é a única. Entendemos que outras formas de publicações
como livros e capítulos de livros sobre futebol apresentam grande relevância, além de
pesquisas publicadas em anais de congressos podem ser consideradas em análises
futuras.
Recomendamos em estudos futuros comparar o status e a evolução da
pesquisa de acordo com as características e especificidades da produção por áreas e
temas de outras modalidades esportivas considerando a abrangência de publicações
para além do artigo publicado em periódicos.
Sem dúvida, um estudo internacional com análise global da produção
cientifica sobre futebol completará o quadro e permitir outras análises. Considerar a
ampliação de tempo na análise da produção e um número maior de pesquisadores,
independentemente da posição no GP também ampliará nosso conhecimento.

6 INOVAÇÕES, FORÇA E APLICAÇÕES FUTURAS DO ESTUDO

Nosso estudo mapeia e atualiza o cenário das pesquisas sobre futebol no Brasil
a partir de abordagens inovadoras. Foi observada forte participação das instituições
públicas na produção do conhecimento científico sobre futebol no Brasil. Contudo,
em décadas anteriores, com a utilização do futebol e do esporte como uso político,
havia grande apreensão no meio acadêmico quanto à produção com viés político,
sobretudo a partir da década de 1960, gerando vários manifestos intelectuais dentro
das universidades que manifestavam a contrariedade quanto ao aproveitamento
do esporte como instrumento de propaganda política (ALVES e PIERANTI, 2007).
Ademais, é importante destacar que o provável reflexo da discreta participação dos
clubes de futebol e da iniciativa privada nas pesquisas relacionadas ao futebol no
Brasil reforça a importância das instituições públicas. Do ponto de vista prático,
sabe-se que existem barreiras de ordem multifatorial em parcerias de instituições
públicas e privadas, sendo que seus resultados ainda são desconhecidos sob o
aspecto científico aplicado. Problemas como contexto competitivo e necessidade
constante por resultados positivos das equipes e atletas e as urgências na rotina do
futebol profissional e amador podem inibir e reduzir a expectativa quanto ao tempo
necessário para que respostas e resultados se concretizem em ações. Futuros
estudos podem surgir permitindo maior contribuição na construção do conhecimento
científico e elevar a importância e investimento das instituições que dirigem o futebol
em pesquisas.
21

Movimento, v. 28, e28057, 2022. DOI: [Link]


ISSN: 1982-8918
Whyllerton Mayron da Cruz et al.

7 CONCLUSÃO

Nossos resultados permitem concluir que a pesquisa científica estruturada


e organizada sobre futebol no Brasil é relativamente recente, ocorrendo aumento
relevante no número de GP específicos que impactou positivamente na produção
de artigos publicados em periódicos com melhor qualidade e estratos Qualis. Pouco
mais da metade dos estados brasileiros contam com GP sobre futebol, entretanto foi
observado importante crescimento aumentando em duas vezes a criação de novos
grupos nos últimos dez anos, o que demonstra evolução e possível expansão em
outros estados em médio e longo prazo.
Os grupos mais organizados e produtivos localizam-se na Região Sudeste,
suportados por IES públicas. Os grupos considerados específicos em relação ao
estudo sobre futebol concentraram a maioria da produção de conhecimento em
publicação de artigos em periódicos científicos, demonstrando o papel da organização
destes GP na pesquisa e na produção do conhecimento sobre o tema do futebol.
Quanto à produção nacional e internacional, podemos concluir que não há diferenças
temáticas na produção de artigos sobre futebol. Nossa pesquisa indica que há um
crescimento e melhora no desenvolvimento da pesquisa científica sobre futebol no
Brasil a partir das análises e da produção dos líderes dos GP de pesquisa.

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ISSN: 1982-8918
ABSTRACT
ISSN: 1982-8918 RESUMEN

Abstract: This study aimed to identify, map, and analyze the research groups on
soccer in Brazil, the quantity and quality of the scientific production of research
leaders. This is a systematic and descriptive study carried out in the database of
the Directory of Research Groups of Brazil of the National Council for Scientific
and Technological Development (CNPq). It analyzed the scientific production (2016
and 2022) of the Lattes of the leader’s curriculum. 46 groups were identified, most
located in the Southeast and South regions of Brazil (n=22/47.8%), the first non-
specific GP appeared in 1984 and the first specific GP was registered in 2006. In
recent times, they made 409 publications about soccer. It is concluded that there
has recently been an increase in GP, with a trend towards stability in publications,
indicating advances in research on soccer in Brazil.

Keywords: Soccer. Bibliometrics. Sports. Science, Technology and Innovation


Indicators.

Resumen: Este estudio tuvo como objetivo identificar, mapear y analizar los
grupos de investigación científica sobre el fútbol en Brasil, la cantidad y la calidad
de la producción científica de los investigadores líderes. Se trata de un estudio
sistemático y descriptivo realizado en la base de datos del Directorio de Grupos de
Investigación de Brasil del Consejo Nacional de Desarrollo Científico y Tecnológico
(CNPq). Se analizó la producción científica reciente (2016 y 2022) disponible en
el curriculum Lattes de los líderes. Se identificaron 46 grupos de investigación, la
mayoría ubicados en las regiones Sudeste y Sur de Brasil (n=22/47,8%), el primer
GI no específico surgió en 1984, y el primer GI específico fue registrado en 2006.
En los últimos años, se registraron 409 publicaciones sobre fútbol. Se concluye que
recientemente hubo un aumento de grupos de investigación, con una tendencia
hacia la estabilidad en las publicaciones, mejoría en la calidad de los artículos
en revistas con mejor calificación Qualis y mayor factor de impacto, lo que indica
avances en la investigación sobre el fútbol en Brasil.

Palabras clave: Fútbol. Bibliometría. Deportes. Indicadores de Producción


Científica.

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Movimento, v. 28, e28057, 2022. DOI: [Link]


ISSN: 1982-8918
NOTAS
ISSN: 1982-8918 EDITORIAIS

LICENÇA DE USO
Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative
Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0), que permite uso, distribuição
e reprodução em qualquer meio, desde que o trabalho original seja corretamente
citado. Mais informações em: [Link]

CONFLITO DE INTERESSES
Os autores declararam que não existe nenhum conflito de interesses neste trabalho.

CONTRIBUIÇÕES AUTORAIS
Whyllerton Mayron da Cruz: Conceituação; Análise formal; Supervisão,
Validação, Escrita - redação do rascunho original - revisão e edição.
Maryon Gotardo dos Santos: Conceituação; Curadoria de dados Análise
formal; Escrita - redação do rascunho original.
Anderson D’Oliveira: Análise formal; Curadoria de dados Validação,
Escrita - redação do rascunho original.
Bruno Manoel Medeiros e Silva: Curadoria de dados; Redação de rascunho
original.
Ian Umberto Ouriques: Curadoria de dados. Redação de rascunho original.
Lucas Wollinger da Silva: Curadoria de dados; Redação de rascunho original.
Alexandro Andrade: Conceituação; Curadoria de dados; Análise formal; Aquisição
de financiamento Metodologia de investigação; Administração de projetos;
supervisão, Validação, Visualização, Escrita - redação do rascunho original - revisão
e edição.

AGRADECIMENTO
Os autores agradecem a Patrick Maia Cardoso pela significante contribuição na
atualização deste estudo.

FINANCIAMENTO
Esta pesquisa foi financiada pela a) Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal
de Nível Superior – Brasil (CAPES) - Código Financeiro 001; b) FAPESC - Fundação
de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina - Bolsa número
2019031000035 e telefone 04.2018; c) Bolsa de Estudo MGS e AD’O PROMOP /
UDESC nº 002/2020 Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC - Programa
de Bolsas de Acompanhamento de Pós-Graduação (PROMOP / UDESC).

ÉTICA DE PESQUISA
A pesquisa seguiu os protocolos vigentes nas Resoluções 466/12 e 510/2016 do
Conselho Nacional de Saúde do Brasil.

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Movimento, v. 28, e28057, 2022. DOI: [Link]


ISSN: 1982-8918
NOTAS
ISSN: 1982-8918 EDITORIAIS

COMO REFERENCIAR
CRUZ, Whyllerton Mayron da; SANTOS, Maryon Gotardo dos; D’OLIVEIRA,
Anderson; SILVA, Bruno Manoel Medeiros e; OURIQUES, Ian Umberto; SILVA,
Lucas Wollinger; ANDRADE, Alexandro. A pesquisa sobre o futebol no Brasil:
análise dos grupos de pesquisa e da produção científica recente. Movimento, v.
28, p. e28057, jan./dez. 2022. DOI: [Link]

RESPONSABILIDADE EDITORIAL
Alex Branco Fraga*, Elisandro Schultz Wittizorecki*, Mauro Myskiw*, Raquel da
Silveira*
*Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Escola de Educação Física, Fisioterapia
e Dança, Porto Alegre, RS, Brasil.

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Movimento, v. 28, e28057, 2022. DOI: [Link]


ISSN: 1982-8918

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