Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo
PATOLOGIAS NA CONSTRUÇÃO CIVIL
Laís Santos
Prontuário: 1641123
Data:12/06/2017
Índice
1. INTRODUÇÃO
2. Patologias na construção civil
2.1. O que são patologias
2.2. Origem das patologias
2.3. Classificações das patologias
3. Causas
3.1. Falhas construtivas
3.2. Materiais inadequados
3.3. utilização indevida e manutenção ausente
3.4. Efeitos de condições climáticas
4. Tipos de patologias mais comuns
4.1. Fissuras
4.2. desagregação do concreto e eflorescência
4.3. Infiltrações e danos por umidade
4.4. Corrosão das armaduras
[Link]ão
Introdução
Inspecionar, avaliar e diagnosticar as patologias da construção são tarefas que
devem ser realizadas sistematicamente e periodicamente, de modo a que os
resultados e as ações de manutenções devem cumprir efetivamente a reabilitação
da construção, sempre que for necessária.
No decorrer do trabalho situarei o que são patologias na construção civil, sua
origem, causas e tratamentos, em especifico será mais evidenciado sobre corrosão
nas armaduras, nas quais encontra-se nos tipos mais comuns de algumas das
patologias na construção civil.
Porem ocorrem diversos problemas nas estruturas e poderiam ser evitados caso
houvesse cuidados maiores na elaboração dos projetos, na especificação e
utilização dos materiais, no uso adequado da estrutura e na sua manutenção
preventiva, podendo assim evitar ou menos retardar a necessidade de trabalhos de
recuperação ou reforço das estruturas.
Constata-se também que a correta escolha técnica a ser utilizada numa
recuperação estrutural, é que vai garantir o sucesso do trabalho realizado, pois a
escolha errada pode acabar piorando o problema.
O estabelecimento de um diagnostico que proporcione a identificação e
classificação de ocorrências é uma condição fundamental para a correção
adequada das possíveis anomalias observadas.
2.1. O que são patologias ?
É a ciência que estuda a origem, os sintomas e a natureza das doenças. No caso do
concreto, a patologia significa o estudo das anomalias relacionadas à deterioração do
concreto na estrutura.
Essas patologias podem se manifestar de diversos tipo, tais como: trincas, fissuras,
infiltrações e danos por umidade excessiva na estrutura. Por ser encontrada em
diversos aspectos, recebe o nome de manifestações patológicas.
2.2. Origem das patologias
De acordo com a Norma de Inspeção Predial do IBAPE-SP/2001, a origem das
patologias podem ser classificadas em Construtivas ou endógenas adquiridas ou
funcionais; acidentais.
2.3. Classificação das patologias
Construtivas ou endógenas:
São provenientes de irregularidades de projeto ou de execução, em função da não
observância das Normas Técnicas, erros e omissões dos profissionais, ou emprego
de mão-de-obra despreparada, produtos não certificados e ausência de metodologia
para execução dos serviços, ou ainda, da combinação desses fatores. As falhas
construtivas ou endógenas podem ser aparentes ou ocultas.
Adquiridas ou funcionais:
Ocorrem durante a vida útil dos materiais, sendo resultado da exposição ao meio
em que se inserem, podendo ser naturais, decorrentes da agressividade do meio,
ou decorrentes da ação humana, em função de manutenção inadequada ou
realização de interferência incorreta.
Acabadas as etapas de concepção e de execução, e mesmo quando tais etapas
tenham sido de qualidade adequada, as estruturas podem vir a apresentar
problemas patológicos originados da utilização errônea ou da falta de um programa
de manutenção adequado.
Acidentais, exógenas ou externas:
Caracterizadas pela ocorrência de algum fenômeno atípico, resultado de uma
solicitação incomum, como a ação da chuva de intensidade superior ao normal,
intervenção de terceiros na edificação, tais como os danos causados por obra
vizinha, choques de veículos em partes da edificação, vandalismos, ou até mesmo
incêndio.
Os procedimentos inadequados durante a utilização podem ser divididos em dois
grupos: ações previsíveis e ações imprevisíveis ou acidentais. Nas ações
previsíveis, podemos compreender o carregamento excessivo, devido a ausência de
informações no projeto e/ou inexistência de manual de utilização. No caso das
ações imprevisíveis temos: alteração das condições de exposição da estrutura,
incêndios, abalos provocados por obras vizinhas, choques acidentais, etc.
3. Causas
3.1. Falhas construtivas
Várias são as falhas possíveis de ocorrer durante a etapa de concepção da
estrutura. Elas podem se originar durante o estudo preliminar (lançamento da
estrutura), na execução do anteprojeto, ou durante a elaboração do projeto de
execução, também chamado de projeto final de engenharia.
''SOUZA e RIPPER'' (1998) constataram que os responsáveis, principalmente, pelo
encarecimento do processo de construção, ou por transtornos relacionados à
utilização da obra, são as falhas originadas de um estudo preliminar deficiente, ou
de anteprojetos equivocados, enquanto as falhas geradas durante a realização do
projeto final de engenharia geralmente são as responsáveis pela implantação de
problemas patológicos sérios e podem ser tão diversas como:
Falta de compatibilização entre a estrutura e a arquitetura, bem como com os
demais projetos civis;
Especificação inadequada de materiais;
Detalhamento insuficiente ou errado;
Detalhes construtivos inexequíveis;
3.1. Materiais inadequados
Após a definição das especificações dos materiais, deve ser feito um controle rígido
na aquisição dos insumos, com o intuito de garantir o atendimento às especificações
técnicas, pois a utilização de materiais inadequados ou fora do padrão estabelecido
pela norma especifica que a rege, podem vir a gerar anomalias na edificação.
3.2. utilização indevida e manutenção ausente
cabe ao cliente garantir que carregamentos previstos em projetos não sejam
ultrapassados e manutenções periódicas sejam feitas. No que diz respeito à
manutenção, a NBR 5674 define o termo como o conjunto de atividades a serem
executadas com o objetivo de conservar ou recuperar a capacidade funcional da
edificação e de todos os elementos que a compõem, atendendo requisitos de
desempenho e segurança por tempo determinado em projeto.
3.3. Efeitos de condições climáticas
Ocorrem durante a vida útil dos materiais, sendo resultado da exposição ao meio
em que se inserem, decorrentes da agressividade do meio, ou da ação humana, em
função de manutenção inadequada ou realização de interferências incorretas
principalmente em revestimentos, sejam eles cerâmicos, cimentícios, pinturas e nos
revestimentos impermeabilizantes, danificando camadas e desencadeando
processos patológicos.
4. Tipos de patologias mais comuns
4.1. Fissuras
As fissuras são um tipo comum de patologia nas edificações e podem interferir na
estética, na durabilidade e nas características estruturais da obra. Tanto em
alvenarias quanto nas estruturas de concreto, a fissura é originada por conta da
atuação de tensões nos materiais.
Quando a solicitação é maior do que a capacidade de resistência do material, a fissura
tem a tendência de aliviar suas tensões. Quanto maior for a restrição imposta ao
movimento dos materiais, e quanto mais frágil ele for, maiores serão a magnitude e a
intensidade da fissuração. A formação das fissuras está ligada a situações externas
ou internas. Entre as ações externas aos componentes, estão as fissuras causadas
por movimentações térmicas, higroscópicas, sobrecargas, deformações de
elementos de concreto armado e recalques diferenciais. Entre as ações internas, as
causas das fissuras estão ligadas à retração dos produtos à base de cimento e às
alterações químicas dos materiais de construção.
4.2. desagregação do concreto e eflorescência
É um resíduo pulverulento de sais com giz branco e pode ser formada sobre a
superfície de qualquer produto contendo cimento, não importa que colora o. Este
fenômeno ocorre quando a umidade dissolve-se os sais de cálcio no betão e migra
para a superfície através da ação capilar. Quando estes sais de atingir a superfície,
eles reagem com CO 2 em ar e evaporar-se deixar um depósito mineral é carbonato
de cálcio. Este resíduo de sal branco pode aparecer em poucos ou muitos valores,
ele também pode ser formada tanto lento e muito rápida; depende da quantidade de
umidade para o betão e livre de cálcio presente em que é submetido. A
eflorescência pode ser induzida pela chuva, a água de pé, aspersores, baixas
temperaturas, condensação, orvalho, a água é adicionada à superfície de betão
fresco ou para facilitar troweling palustra, em suma qualquer umidade na superfície,
porque água provoca a reação para produzir eflorescência.
[Link]ções e danos por umidade
O problema da infiltração de início pode parecer algo irrelevante, que não
influenciará na edificação, porém não é tão simples e fica ainda mais grave quando
não tratado. O problema pode ser diagnosticado no momento de aplicação das
instalações, onde se encontra alguma falha na instalação ou então no processo de
impermeabilização. Processo esse de extrema importância para evitar infiltrações
no local. As infiltrações causam danos visíveis a pintura do local. Dentro do corpo da
obra, as infiltrações danificam a estrutura e podem ocasionar danos ainda maiores,
como por exemplo corrosão na estrutura metálica.
4.4. Corrosão das armaduras
A corrosão das armaduras é uma das principais manifestações patológicas,
responsáveis por enormes prejuízos. Como material de construção denso e
resistente, se pensa que o concreto armado tem uma duração ilimitada. No entanto,
atualmente se constata um número crescente de estruturas prematuramente
deterioradas por corrosão das armaduras de reforço.
A corrosão das armaduras é uma área claramente interdiciplinária, onde a química,
eletroquímica e cinética tem papel fundamental. A displicência na execução do
concreto armado tem se demonstrado na principal causa do início precoce da
corrosão das armaduras, principalmente pelos seguintes fatos: o recobrimento das
armaduras abaixo dos valores recomendados pelas normas da ABNT.
O concreto executado com elevado fator água/cimento, acarretando elevada
porosidade do concreto e fissuras de retração. o ausência ou deficiência de cura do
concreto, propiciando a ocorrência de fissuras, porosidade excessiva, diminuição da
resistência, etc. o segregação do concreto com formação de ninhos de concretagem,
erros de traço, lançamento e vibração incorretos, formas inadequadas, etc.
O concreto proporciona às armaduras uma dupla proteção. o Uma barreira física que
separa o aço do contato direto com o meio ambiente que contém elementos
agressivos ao aço; o Capa passivadora formada meio alcalino do concreto a capa
passivadora é formada pela solução aquosa, constituída principalmente por íons OHˉ
, que proporciona elevada alcalinidade do concreto (pH > 12.5). Inicialmente pensava-
se que o hidróxido de cálcio produzido durante a hidratação do cimento era o principal
elemento para originar a elevada alcalinidade do concreto.
No entanto, demonstrou-se posteriormente que a solução aquosa contida nos poros
apresenta pH entre 13 a 14, devido aos hidróxidos de cálcio e potássio, já que o íon
cálcio praticamente desaparece da dissolução quando o cimento processa sua
hidratação.
A elevada alcalinidade e a presença de oxigênio forma em torno do aço uma capa
passiva de óxidos muito aderentes, compacto e invisível, que preserva o aço da
corrosão, quando o concreto seja de boa qualidade e não mude suas características
fisico-química por ação do meio ambiente. Por outro lado, em ausência de oxigênio,
o aço oxida-se muito lentamente, sem causar problemas de corrosão, como o caso
de estruturas submergidas, onde o concreto não se encontra gretado. A corrosão das
armaduras do concreto consiste na oxidação destrutiva do aço, pelo meio que o
envolve.
A corrosão das armaduras pode-se originar por uma ação química ou eletroquímica,
resultando numa modificação do aço de forma contínua, até que todo o aço se
transforme em ferrugem.
A corrosão eletroquímica do aço do concreto resulta da falta de uniformidade do aço
(diferentes tipos, soldas, elementos ativos sobre a superfície do aço, assim como
também a heterogeneidade química e física do concreto que envolve a armadura.
Ainda que a potencialidade para a corrosão do aço pode existir devido à falta de
uniformidade do aço, a corrosão normalmente é prevenida pela formação de uma
película de óxidos de ferro passivante já citada.
No entanto, quando as condições de utilização e ataque do meio ambiente sobre o
concreto armado ocorrem, se produz a perda da capa passivante, desencadeando
uma tríplice consequência: O aço diminui sua seção, e se converte completamente
em óxidos; O concreto pode fissurar ou delaminar-se devido às pressões de
expansão dos óxidos; A aderência da armadura diminui ou desaparece.
O processo de corrosão pode ser subdividido em dois tipos:
Corrosão química: Também denominada oxidação, é provocada por uma reação
gás-metal, isto é, pelo ar atmosférico e o aço, formando compostos de óxido de ferro
(Fe2 O3). Este tipo de corrosão é muito lento e não provoca deterioração substancial
das armaduras. Como exemplo, o aço estocado no canteiro de obra, aguardando sua
utilização sofre este tipo de corrosão.
Corrosão eletroquímica ou eletrolítica: Também denominada corrosão catódica
ou simplesmente corrosão, ocorre em meio aquoso é o principal e mais sério processo
de corrosão encontrado na construção civil. Neste processo de corrosão, a armadura
se transforma em óxidos e hidróxidos de ferro, de cor avermelhada, pulverulenta e
porosa, denominada ferrugem.
A corrosão eletroquímica Para ocorrer a corrosão eletrolítica, devem interagir as
seguintes condições: Presença de um eletrólito a presença de sais dissolvidos do
cimento, como o hidróxido de cálcio (CaOH2) ou a presença do anidro carbônico
(CO2), que sempre contém pequenas quantidades de ácido carbônico, podem
funcionar como eletrólito.
Quantidades pequenas de íons cloreto (Cl-), íons sulfatos (S--), dióxido de carbono
(CO2), nitritos (NO3-), gás sulfídrico (H2S), amônia (NH4+), óxidos de enxofre (SO2,
SO3), fuligem, etc., aumentam potencialmente a ação do eletrólito e,
consequentemente, o fenômeno da corrosão. Isto explica que a velocidade da
corrosão em regiões industriais, orlas marítimas, poluídas, etc. são mais elevadas,
devido a maior concentração de elementos agressivos.
Corrosão em espaços confinados
A corrosão em espaços confinados pode ocorrer quando sobre a superfície do aço
existe um espaço suficiente resguardado que evita o acesso contínuo de oxigênio,
podendo criar zonas diferenciais de oxigênio que induzem à corrosão.
Corrosão sob tensão Este tipo de corrosão ocorre em presença de duas
circunstâncias conjuntas: esforços de tração meio agressivo Este efeito ocorre
preferencialmente em concreto protendido, onde se utiliza aço de alta resistência,
devido, em geral, a presença de hidrogênio atômico difundido através do metal. Este
hidrogênio pode estar presente de diferentes fontes, como corrosão do aço, proteção
catódica, etc. A corrosão sob tensão é um fenômeno muito específico, geralmente
associado a concreto de baixa qualidade, (mau preenchimento das bainhas, ou a
presença de cloretos nos aditivos de concreto). Nos concretos protendidos, a
presença de “pits” de corrosão, causadas por íons de cloretos, podem induzir ao aço
a corrosão por tensão. A única maneira de se confirmar a fragilidade do hidrogênio
ou a corrosão sob tensão é mediante a observação microscópica da superfície
fraturada do aço. Este dano é considerado catastrófico, já que é associado a uma
perda de ductibilidade e fratura do aço.
Corrosão por correntes de interferência
As correntes de interferência, chamadas também como erráticas ou de fuga, pode ser
definido como as correntes que fluem em uma estrutura e que não formam parte do
circuito elétrico ou célula eletrolítica. Para que ocorra a corrosão por correntes de
interferência deve existir um intercâmbio de corrente entre o aço e um meio
eletrolítico. A corrente contínua é a que tem um efeito mais pronunciado, já que flui
continuamente em um único sentido. Ao contrário, a corrente alternada, que inverte
sua direção, ao redor de uma centena de vezes por segundo, pode causar um efeito
muito menos pronunciado.
Corrosão uniforme generalizada
A corrosão uniforme é o resultado de uma perda generalizada da película passiva,
resultante da carbonatação do concreto ou a quantidade excessiva de íons cloretos.
Também pode ocorrer por efeito de “lixiviação” de componentes alcalinos do concreto,
devido à percolação de águas puras ou ligeiramente ácidas.
Corrosão galvânica
Este tipo de corrosão pode-se dar quando existem dois metais diferentes no meio
eletrolítico. No aço do aço do concreto, esta situação se dará cada vez que em alguma
zona se danifique, ou não se forma uma capa passivadora característica. Esta zona
atuará como um ânodo, frete ao restante do material, onde permanece a passivação,
o qual atuará como cátodo. Também se poderia apresentar quando o aço se encontra
em contato com outros condutores mais nobres.
Corrosão por cloretos
A corrosão por ação dos cloretos ocorre pela dissolução da capa passivadora de
corrosão, pelo ingresso de através do meio externo de íons cloretos no concreto ou
no caso de contaminação da massa do concreto, como por exemplo, através da água,
aditivos aceleradores inadequados ou areia do mar. A ação de íons de cloretos forma
uma célula de corrosão onde existe uma capa passiva intacta, atuando como cátodo,
no qual se produz oxigênio e uma pequena área onde se perdeu a capa passivadora,
atuando como cátodo, na qual se produz a corrosão. As corrosões por cloreto são
autocatalíticas, e se generalizam em contínuo crescimento.
Conclusão
Na execução de obras entre o caro e barato prioriza-se a economia, optando-se por
contratar simples pedreiros, ou qualquer profissional sem qualificação, para a
execução e acompanhamento, inclusive na função de Responsável Técnico, sem
oferecer qualquer segurança ao cliente no que se refere à estabilidade e durabilidade
da obra, podendo gerar patologias por vícios na construção civil causando também
riscos e prejuízos materiais e humanos. Faz-se necessário então que seja dada a
devida importância para todas as etapas da execução de uma edificação, evitando-
se desta forma os vícios na construção civil. É importante também que estes valores
sejam incorporados aos conceitos dos profissionais da área, para que seja dada a
devida atenção e responsabilidade para com suas obras e consequentemente seus
clientes.