REPÚBLICA
Assim como o nome indica “coisa pública”, tem um sentido muito próximo do significado
de democracia, uma vez que indica a possibilidade de participação do povo no governo.
• Prós da República
1. Escolha popular e legitimidade democrática: Na República, os governantes são
eleitos pelo voto popular, o que fortalece a legitimidade do governo e permite que o povo
participe diretamente na escolha de seus líderes.
2. Alternância de poder: A República estabelece mandatos limitados, o que evita a
perpetuação de uma única pessoa ou grupo no poder. Esse mecanismo favorece a
renovação de ideias e impede que governantes se mantenham indefinidamente.
3. Accountability (Responsabilização) e controle: Governantes na República são
responsabilizados pelas suas ações, pois estão sujeitos ao controle popular e ao
julgamento por eleições regulares. Isso incentiva um comportamento mais alinhado com
os interesses públicos.
4. Maior adaptabilidade: A alternância e a temporariedade dos mandatos permitem que o
sistema republicano se adapte mais facilmente às mudanças de demandas da população
e do contexto social, econômico e político.
5. Igualdade política: Em teoria, a República propõe uma igualdade de oportunidades
para que qualquer cidadão possa ocupar cargos públicos, o que simboliza a igualdade de
direitos e a ausência de privilégios hereditários, como no caso da monarquia .
• Contras da República
1. Instabilidade política: A alternância de poder e a fragmentação partidária, comuns em
sistemas republicanos, podem gerar instabilidade, especialmente em países onde as
instituições democráticas ainda estão em desenvolvimento.
2. Custos de eleições frequentes: A República demanda eleições periódicas, que
podem ser onerosas e até desgastantes, tanto para o Estado quanto para a população,
especialmente quando são frequentes e há pouca continuidade entre governos.
3. Populismo e políticas de curto prazo: A necessidade de reeleição pode levar
governantes a tomarem decisões visando popularidade imediata, ao invés de
implementarem políticas de longo prazo, que podem ser mais impopulares, mas
necessárias.
4. Possível fragmentação e polarização: Em sistemas republicanos, especialmente
onde há liberdade partidária e um eleitorado diversificado, pode haver uma polarização
excessiva que dificulta a governabilidade e o consenso, prejudicando a estabilidade
social.
5. Riscos de corrupção eleitoral: A República, como é baseada na escolha popular, está
sujeita a riscos de práticas de corrupção e manipulação eleitoral, especialmente em
contextos de baixa fiscalização e educação política limitada, o que pode afetar a
legitimidade do sistema.
MONARQUIA (CONTRA)
1. Se o monarca não governa é uma inutilidade, geralmente muito dispendiosa, que
sacrifica o povo sem qualquer proveito.
2. A unidade do Estado e a estabilidade das instituições não podem depender de um fator
pessoal, mas devem repousar na ordem jurídica, que é um elemento objetivo e muito
mais eficaz.
3. Se o monarca efetivamente governa, será extremamente perigoso ligar o destino do
povo e do Estado à sorte de um indivíduo e de sua família. Mesmo com a educação
especial que se ministra ao herdeiro da coroa, não têm sido raros os exemplos de
monarcas desprovidos das qualidades de liderança e de eficiência que se exigem de um
governante;
4. A monarquia é essencialmente antidemocrática, uma vez que não assegura ao povo o
direito de escolher seu governante. E como o monarca é hereditário, vitalício e
irresponsável dispõe de todos os elementos para sobrepor sua vontade a todas as
demais, desaparecendo, pois, a supremacia da vontade popular, que deve ser mantida
permanentemente nos governos democráticos.
A república, que é a forma de governo que se opõe à monarquia, tem um sentido
muito próximo do significado de democracia, uma vez que indica a possibilidade de
participação do povo no governo. Na Antiguidade há referências à república, mas o
sentido que se dá ao termo não corresponde ao moderno, como se verifica, por exemplo,
com a expressão “república romana”, que identifica o próprio Estado e não sua forma de
governo. Modernamente, é com MAQUIAVEL que aparece o termo república, em
oposição a monarquia.
O desenvolvimento da ideia republicana se deu através das lutas contra a
monarquia absoluta e pela afirmação da soberania popular. Desde o século XVIII muitos
teóricos e líderes pregavam a abolição da monarquia, considerada um mal em si mesma,
não lhes parecendo que bastasse limitá-la por qualquer meio. Exemplo bem expressivo
dessa opinião são os escritos de JEFFERSON, que chegou a dizer que as sociedades
sem governo ainda são melhores que as monarquias. Tendo visitado vários Estados
europeus, todos monárquicos, JEFFERSON ficou de tal forma impressionado que
escreveu em carta a GEORGE WASHINGTON: “Eu era inimigo ferrenho de monarquias
antes de minha vinda à Europa. Sou dez mil vezes mais desde que vi o que elas são. Não
há, dificilmente, um mal que se conheça nestes países, cuja origem não possa ser
atribuída a seus reis, nem um bem que não derive das pequenas fibras de republicanismo
existente entre elas. Posso acrescentar, com segurança, que não há, na Europa, cabeça
coroada cujo talento ou cujos méritos lhe dessem direito a ser eleito pelo povo conselheiro
de qualquer paróquia da América”. Ao mesmo tempo que se apontavam os males da
monarquia, aumentava a exigência de participação do povo no governo, surgindo a
república, mais do que como forma de governo, como o símbolo de todas as
reivindicações populares. A república era expressão democrática de governo, era a
limitação do poder dos governantes e era a atribuição de responsabilidade política,
podendo, assim, assegurar a liberdade individual. E a implantação do governo
republicano na América com a comprovação de suas vantagens, sobretudo com a
demonstração de que a possibilidade de substituir os governantes periodicamente
aproximava o povo do governo, estimulou os anseios republicanos de outros povos.
Mas a monarquia, aceitando as limitações constitucionais e fazendo outras
concessões, ainda resistiria durante o século XIX em grande número de Estados. Mas,
desde o início do século XX, primeiro sob influência das transformações econômicas e,
depois, da I Guerra Mundial, começou a liquidação das monarquias, que a II Guerra
Mundial iria acelerar. Atualmente, qualquer pretensão monarquista é vista como um
anacronismo e uma originalidade, não havendo um só movimento significativo no sentido
de uma restauração monárquica.
As características fundamentais da república, mantidas desde o século XVII e que
foram a razão de seu prestígio e de sua receptividade, são as seguintes:
a) Temporariedade. O Chefe do Governo recebe um mandato, com o prazo de
duração predeterminado. E, para evitar que as eleições reiteradas do mesmo indivíduo
criasse um paralelo com a monarquia, estabeleceu-se a proibição de reeleições
sucessivas.
b) Efetividade. Na república o Chefe do Governo é eleito pelo povo, não se
admitindo a sucessão hereditária ou por qualquer forma que impeça o povo de participar
da escolha.
c) Responsabilidade. O Chefe do Governo é politicamente responsável, o que
quer dizer que ele deve prestar contas de sua orientação política, ou ao povo diretamente
ou a um órgão de representação popular. Essas características básicas, entretanto,
sofreram adaptações, segundo as exigências de cada época e de cada lugar, surgindo
peculiaridades que não chegaram a desfigurar o regime.