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Código do IRPC em Moçambique: Guia Completo

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1. Introdução...........................................................................................................................

2
1,1 Contexto Histórico........................................................................................................ 2
I – Incidência...........................................................................................................................2
II – Isenções............................................................................................................................4
III – Determinação da Matéria Coletável...............................................................................4
Os elementos que compõem a matéria coletável incluem:................................................4
IV – Taxas................................................................................................................................ 5
V – Liquidação........................................................................................................................ 5
VI – Pagamento..................................................................................................................6
Formas de pagamento do imposto...............................................................................6
Adiantamento............................................................................................................... 6
● Retenção na fonte: Prazos de entrega do IRPC retido na fonte...............................6
O que é e quem é obrigado ao pagamento por conta (PC)......................................... 7
O que é e quem é obrigado ao pagamento especial por conta (PEC).........................8
Quando deve ser efectuado o PEC?............................................................................8
VII – Obrigações Acessórias.............................................................................................. 9
Manutenção de Registros Contábeis........................................................................... 9
Casos Práticos........................................................................................................... 10
Conclusão............................................................................................................................. 12
Referências Bibliográficas.................................................................................................. 13
1. Introdução

O Código do Imposto sobre Pessoas Colectivas (IRPC), estabelecido pela Lei nº


34/2007 de 31 de dezembro, é um componente essencial da estrutura tributária em
Moçambique. Com o objetivo de regular a tributação das entidades que realizam atividades
econômicas, o código busca garantir um sistema fiscal justo e eficiente, promovendo a
arrecadação de recursos necessários para o desenvolvimento do país.

1,1 Contexto Histórico

A legislação tributária em Moçambique passou por várias reformulações ao longo dos


anos, refletindo as mudanças econômicas e sociais do país. Antes da promulgação do IRPC, a
tributação sobre o rendimento das pessoas coletivas era regida pela Lei nº 15/2002. No entanto,
a evolução do ambiente econômico e a necessidade de uma abordagem mais integrada e eficiente
motivaram a introdução do IRPC. O código foi criado para simplificar a legislação tributária,
proporcionando clareza nas disposições e aumentando a eficiência na arrecadação.

I – Incidência

O IRPC é um imposto direto que incide sobre os rendimentos obtidos por sujeitos passivos, que
incluem:
● Sociedades Comerciais
Compreende sociedades anônimas, limitadas e outras formas de sociedade que realizam
atividades comerciais. Essas entidades são obrigadas a registrar suas operações de acordo com as
normas comerciais.
● Cooperativas
Entidades que visam promover a colaboração entre seus membros, atuando especialmente em
setores como agricultura, artesanato e serviços. As cooperativas são reconhecidas por seu papel
na promoção do desenvolvimento local.
● Empresas Públicas
Entidades pertencentes ao Estado que operam em setores estratégicos, como energia, água e
transporte. Essas empresas desempenham um papel vital na economia moçambicana, oferecendo
serviços essenciais à população.
● Pessoas Colectivas de Direito Público
Inclui instituições governamentais e autarquias locais que não visam lucro. Essas entidades são
fundamentais para a prestação de serviços públicos.
● Entidades Desprovidas de Personalidade Jurídica
Associações sem fins lucrativos, heranças jacentes e sociedades civis não registradas que geram
receitas não tributáveis sob o Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRPS).
● Entidades Não Residentes
Empresas ou organizações que não têm sede em Moçambique, mas operam no país por meio de
um estabelecimento estável, como filiais ou sucursais.
O conceito de "estabelecimento estável" é crucial, referindo-se a qualquer instalação fixa onde a
atividade econômica é exercida, abrangendo filiais, escritórios e locais de produção.
A incidência do IRPC é ampla e abrange lucros de entidades que operam em
Moçambique, além de rendimentos de entidades não residentes que possuam um
estabelecimento estável no país.
Âmbito de aplicação
c) Às entidades, com ou sem personalidade jurídica, que não tenham sede nem direcção
efectiva em território moçambicano, cujos rendimentos nele obtidos não estejam sujeitos a IRPS
1. O Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas – IRPC, incide sobre os
rendimentos obtidos, mesmo quando provenientes de actos ilícitos, no período de
tributação, pelos respectivos sujeitos passivos, nos termos do Código do IRPC,
aprovado pela Lei n.º 34/2007, de 31 de Dezembro.
2. Os rendimentos a que se refere o número anterior, correspondem ao lucro ou ao
rendimento global das diversas categorias consideradas para efeitos do Imposto sobre
o Rendimento das Pessoas Singulares, obtidos por sociedades e outras entidades,
descritas no artigo anterior.

II – Isenções

O IRPC prevê isenções para determinadas entidades, promovendo atividades de interesse social
e cultural. As isenções incluem:
● Estado e Autarquias Locais
Entidades governamentais que não visam lucro e que são essenciais para a prestação de serviços
públicos.
● Instituições de Segurança Social
Entidades que oferecem serviços de previdência e assistência social, promovendo o bem-estar da
população.
● Associações de Utilidade Pública
Entidades que promovem fins sociais, culturais ou de caridade, reconhecidas legalmente e que
não realizam atividades comerciais.
● Cooperativas de Utilidade Pública
Cooperativas que operam em áreas específicas e que têm um impacto positivo na comunidade,
isentas de IRPC para promover sua sustentabilidade.
Essas isenções são importantes para incentivar atividades que não buscam lucro, permitindo que
as entidades concentrem seus recursos em ações sociais e comunitárias.

III – Determinação da Matéria Coletável

A matéria coletável é definida como o lucro tributável, que é calculado pela diferença
entre os valores do patrimônio líquido no início e no final do período de tributação, com as
devidas correções. O código estabelece regras detalhadas para garantir a correta determinação da
matéria coletável, evitando assim a evasão fiscal.

Os elementos que compõem a matéria coletável incluem:

● Lucros
● Diferença entre receitas e despesas, considerando os custos envolvidos na operação da
entidade.
● Variações Patrimoniais
● Ganhos e perdas que afetam o patrimônio líquido da entidade, como a venda de ativos.
● Deduções
Permite que os contribuintes deduzam despesas operacionais, custos e perdas que possam ser
comprovadas, reduzindo a base tributável.
O código também aborda a questão das provisões e perdas por imparidade, permitindo que
entidades reconheçam e deduzam esses valores para fins fiscais.
IV – Taxas

O código define uma taxa geral que se aplica à maioria dos sujeitos passivos, além de
taxas específicas para situações particulares, como retenções na fonte. A taxa geral do IRPC é
determinada anualmente e pode variar de acordo com a categoria da entidade e sua atividade
econômica.
As taxas de retenção na fonte são aplicáveis a pagamentos feitos a não residentes, garantindo que
o imposto seja recolhido no momento da transação.
A taxa do imposto fixada no Código do IRPC, aprovado pela Lei n.º 34/2007, de 31 de
Dezembro, é de 32%, excepto nos seguintes casos:
a) 10% para a actividade agrícola e pecuária, até 31 de Dezembro de 2010;
b) 35% para os encargos não devidamente documentados e as despesas de carácter
confidencial ou ilícito tributados autonomamente, conforme dispõe o n.º 4 do artigo 61 do
Código do IRPC.

V – Liquidação
A liquidação do imposto é um processo que envolve a avaliação e cobrança do IRPC. O
código atribui competência às autoridades fiscais para realizar essa tarefa, garantindo que a
arrecadação seja feita de maneira eficiente.

Os procedimentos de liquidação incluem:


● Cálculo do Imposto
● As autoridades fiscais calculam o imposto devido com base nas declarações apresentadas
pelas entidades.
● Notificação
● As entidades são notificadas sobre o montante do imposto a ser pago, com prazos
específicos para a quitação.
● Recursos
● As entidades têm o direito de contestar a liquidação, apresentando recursos em caso de
divergências.
VI – Pagamento

O código estabelece regras claras sobre como e quando o imposto deve ser pago,
incluindo a possibilidade de pagamentos por conta, que facilitam a gestão financeira das
empresas. O pagamento do IRPC deve ser efetuado em prazos estipulados, geralmente
trimestrais ou anuais, dependendo da categoria da entidade.
O não cumprimento das obrigações de pagamento pode resultar em penalidades, incluindo
multas e juros de mora, incentivando o cumprimento das obrigações fiscais.

Formas de pagamento do imposto

Adiantamento

● Retenção na fonte: Prazos de entrega do IRPC retido na fonte

As retenções na fonte devem ser entregues nas Direcções de Áreas Fiscais do domicílio fiscal do
sujeito passivo que efectuou as retenções até ao dia 20 do mês seguinte àquele em que foram
deduzidas, conjuntamente com a guia de pagamento M/39.

● Pagamentos por conta (PC)

O que é e quem é obrigado ao pagamento por conta (PC)

Os pagamentos por conta são considerados como adiantamentos de imposto, pois são
efectuados durante o exercício a que respeita o lucro tributável, antes do mesmo ser apurado e
do respectivo imposto ser liquidado.
São obrigados a efectuar pagamentos por conta os sujeitos passivos que exerçam a título
principal uma actividade de natureza comercial, industrial ou agrícola e os não residentes com
estabelecimento estável em território nacional.

Como é calculado o PC?


O pagamento por conta é calculado com base no imposto liquidado relativamente ao
exercício imediatamente anterior àquele a que correspondem os rendimentos, líquido das
retenções na fonte sendo corresponde a 80% desse valor repartido em três pagamentos de igual
valor, arredondados por excesso, como é apresentado pela seguinte fórmula:

Sempre que o sujeito passivo verifique, com base nos elementos que possui, que o
montante total dos três pagamentos por conta venha a ser superior ao IRPC previsto a final,
poderá:
❖ Suspender a entrega de novo pagamento por conta, quando verifique que o total dos
pagamentos já efectuados é igual ou superior ao IRPC considerado devido a final, ou
❖ Limitar o valor do pagamento por conta a efectuar à diferença entre o montante do
imposto total considerado devido a final e as entregas já efectuadas.

● Pagamento especial por conta (PEC)- na realidade o PEC reveste em determinadas


situações a natureza de um imposto mínimo e não um imposto por conta, porque ele é
devido independentemente do sujeito passivo apresentar rendimentos.
Pagamento final do IRPC liquidado.

Quando devem ser efectuados os pagamento por conta


Os pagamentos por conta são efectuados durante os meses de Maio, Julho e Setembro,
excepto para os sujeitos passivos que adoptem um período de tributação diferente do ano civil,
caso em que deverão efectuar os seus pagamentos nos meses 5, 7 e 9 do respectivo período de
tributação, através de guia de pagamento M/39.

O que é e quem é obrigado ao pagamento especial por conta (PEC)

É considerado um pagamento antecipado de imposto, a realizar durante o exercício a que


respeitam os rendimentos, devido pelos sujeitos passivos que exerçam a título principal uma
actividade de natureza comercial, industrial ou agrícola e aos não residentes com estabelecimento
estável em território nacional, sendo efectuado a partir do segundo ano de actividade nas
seguintes condições cumulativas:
Os sujeitos passivos possuírem contabilidade organizada ou estarem enquadrados no
regime simplificado de escrituração, e
Do cálculo do PEC (fórmula apresentada a seguir) resultar imposto a pagar, isto é, a
obtenção de um resultado >0.

Quando deve ser efectuado o PEC?

O pagamento especial por conta pode ser pago de uma só vez ou repartido em três
pagamentos iguais a efectuar nos meses de Junho, Agosto e Outubro, excepto para os sujeitos
passivos que adoptem um período de tributação diferente do ano civil, que deverão efectuar os
seus pagamentos nos meses 6, 8 e 10 do respectivo período de tributação. O pagamento e
efectuado através de guia de pagamento M/39.

Como deve ser efectuado o pagamento final do IRPC liquidado?


O montante do IRPC devido ao final é constituído pela diferença entre o IRPC liquidado
e as importâncias entregues por conta (importâncias retidas na fonte e pagamentos por conta).
Se essa diferença for positiva há lugar ao pagamento final do IRPC deve ser efectuado
nas Direcções de Áreas Fiscais do domicílio fiscal do sujeito passivo nos seguintes prazos:
- Até ao termo do prazo fixado para a apresentação da declaração de rendimentos
(M/22) conjuntamente com a guia de pagamento M/39; ou
- Até ao dia da apresentação da declaração de substituição (M/22) conjuntamente com a
guia de pagamento M/39.
-Se esse montante for negativo (campo 314) há lugar a reembolso ao sujeito passivo,
devendo este ser efectuado pelos serviços até ao fim do terceiro mês imediato ao da
apresentação do M/22, quando apresentada dentro do prazo.
VII – Obrigações Acessórias

As empresas têm obrigações contabilísticas e de reporte, que visam garantir a transparência e a


conformidade com a legislação tributária. As obrigações acessórias incluem

Manutenção de Registros Contábeis

As entidades devem manter registros detalhados de suas transações financeiras, garantindo que
possam comprovar suas receitas e despesas.
Declarações Fiscais
As entidades são obrigadas a apresentar declarações fiscais periódicas, informando os
rendimentos e o imposto devido.
Auditorias
Em alguns casos, as entidades podem ser submetidas a auditorias fiscais para verificar a
conformidade com a legislação tributária.
Análise Crítica
O IRPC representa um avanço significativo na legislação tributária moçambicana,
proporcionando uma estrutura clara para a tributação das pessoas coletivas. No entanto, a
eficácia do código depende da sua implementação e da capacitação das autoridades fiscais. A
simplificação dos procedimentos e a redução da burocracia são fundamentais para fomentar um
ambiente de negócios mais favorável.

Além disso, é essencial promover a educação fiscal, garantindo que as entidades compreendam
suas obrigações e direitos, o que pode reduzir a evasão fiscal e aumentar a arrecadação.

Casos Práticos

Entidades como cooperativas agrícolas e associações culturais se beneficiam das isenções


previstas no IRPC, permitindo que concentrem seus recursos em suas atividades sociais. Por
outro lado, sociedades comerciais devem se adaptar às exigências do código para garantir a
conformidade tributária.

Exemplo: Uma cooperativa agrícola que promove a produção sustentável pode ser isenta de
IRPC, permitindo reinvestir seus lucros em melhorias para a comunidade.
Conclusão

O Código do Imposto sobre Pessoas Coletivas é uma ferramenta crucial para a arrecadação de
impostos em Moçambique, contribuindo para o desenvolvimento econômico e social do país. A
sua implementação eficaz é fundamental para garantir que as entidades tributáveis cumpram suas
obrigações, ao mesmo tempo em que são incentivadas as atividades que promovem o bem-estar
social. Sugestões para melhorias incluem a revisão periódica do código, a capacitação contínua
das autoridades fiscais e a promoção de campanhas de conscientização sobre a importância do
cumprimento das obrigações fiscais.
Referências Bibliográficas

● Código do Imposto sobre Pessoas Coletivas, Lei nº 34/2007 de 31 de dezembro.


● Artigos acadêmicos sobre legislação tributária em Moçambique.
● Relatórios da administração fiscal sobre a implementação do IRPC.
● [Link]
● 4-Manual-de-IRPC-PT-Dec-2011

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