ChatGPT na Educação: Potencial e Desafios
ChatGPT na Educação: Potencial e Desafios
Fall 8-7-2023
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ChatGPT na Educação: Potencialidades, Desafios
Abstract
Artificial Intelligence is widely used in many sectors, including education. However, the use of ChatGPT in
education generates discussions about its impacts on skills acquisition and the future of society. This
study aims to analyze society's perception of the use of ChatGPT in education. Through a survey, the study
investigates beliefs, motivators and practical application, with data being analyzed quantitatively and
qualitatively. Results show that ChatGPT has potential, however, most participants believe that people are
not prepared to use it and that its use requires a broad reflection on the teaching structure. It is necessary
to avoid dependence on ChatGPT, ensuring its use as a complementary tool. Responsible and ethical use
implies considering its limitations, ensuring the quality of teaching and being aware of privacy issues and
information manipulation.
Keywords
Resumo
A Inteligência Artificial é amplamente utilizada em diversos setores, incluindo a educação. No entanto, o
uso do ChatGPT na educação gera discussões sobre seus impactos na aquisição de competências e no
futuro da sociedade. Este estudo tem como objetivo analisar a percepção da sociedade em relação ao uso
do ChatGPT na educação. Por meio de um survey, o estudo investiga crenças, motivadores e aplicação
prática, com os dados sendo analisados de forma quantitativa e qualitativa. Resultados mostram que o
ChatGPT possui potencialidades, porém, a maioria dos participantes acredita que as pessoas não estão
preparadas para utilizá-lo e que seu uso requer uma reflexão ampla sobre a estrutura do ensino. É
necessário evitar a dependência do ChatGPT, garantindo sua utilização como uma ferramenta
complementar. O uso responsável e ético implica considerar suas limitações, garantir a qualidade do
ensino e estar atento a questões de privacidade e manipulação de informações.
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Information Systems in Latin America (ISLA 2023)
ChatGPT na Educação: Potencialidades, Desafios
Palavras-chave
Introdução
A Inteligência Artificial (IA) vem sendo utilizada tanto para fins pessoais quanto comerciais. Os usuários
de IA podem aproveitar os recursos que ela oferece para obter informações de forma mais rápida e
precisa, além de auxiliar tarefas complexas. Por exemplo, essa tecnologia pode ajudar os governos locais a
monitorar as políticas e a maneira como elas estão sendo implementadas e os usuários também podem
usá-la para avaliar os produtos e serviços em que estão interessados. O uso da Inteligência Artificial vem
sendo aplicada em diversos setores, como na medicina, educação, robótica, agricultura, entre outros
setores. A IA vem sendo utilizada na educação como uma forma de auxilio, tanto para o aluno quanto para
o professor. A utilização de IA motiva os alunos através de diversos recursos que prendem a atenção,
testam seus conhecimentos sobre o que lhe foi apresentado e os avaliam. Quanto ao uso de IA pelos
professores também é relevante, já que permite avaliar o desempenho dos alunos através de dados
estatísticos que foram obtidos com a utilização desta tecnologia (Pozzebon, Frigo & Bittencourt, 2004).
O ChatGPT (Generative Pre-Training Transformer) é uma programa de inteligência artificial e
rapidamente se tornou sensação cultural (Thorp, 2023). Dois meses após seu lançamento, o aplicativo já
acumulava 100 milhões de usuários ativos mensais, se tornando o aplicativo voltado ao consumidor com
maior velocidade de adoção, nos últimos 20 anos (Reuters, 2023). Em janeiro de 2023, o aplicativo já
registrava 863 milhões de acessos em todo o mundo (Alencar, 2023). O aplicativo possui interface
conversacional, e no seu lançamento, o acesso era gratuito, mas a empresa lançou também uma versão
paga, com recursos adicionais. Estatísticas indicam que o Brasil é o quinto país que mais acessa o
aplicativo; que 89% dos usuários e visitantes são do sexo masculino; e que a faixa etária predominante é
de adultos de 25 a 34 anos (47,6%) e jovens entre 18 e 24 anos (35,3%) (Alencar, 2023).
O uso do Chatgpt na educação tem gerado muitas discussões sobre sua utilidade e consequências. Ao
questionar a própria aplicação sobre seu potencial estratégico de uso no setor de educação, ela responde
que “o uso estratégico do ChatGPT na educação pode proporcionar uma aprendizagem personalizada,
escalável e acessível, melhorando a eficiência, a qualidade e a experiência geral de ensino e
aprendizagem”. Lima (2023) argumenta que “o ChatGPT é uma inovação útil para todos os utilizadores
[...] no entanto, apesar de a ferramenta ter pontos positivos, não podemos ignorar os seus efeitos
negativos e como eles podem afetar a aquisição de competências e o futuro da sociedade” (p.7). O uso do
ChatGPT na educação ainda está em fase de exploração, experimentação e aprovação pela sociedade.
Embora haja um interesse crescente acerca de seu potencial, ainda não existe um cenário consolidado
sobre seu uso na educação. Assim, este estudo tem como objetivo analisar a percepção da sociedade
em relação ao uso do ChatGPT na educação, fornecendo informações importantes para orientar a
implementação e o desenvolvimento futuro dessa tecnologia de forma responsável e alinhada às
expectativas e necessidades da sociedade e do setor de educação.
Revisão bibliográfica
Inteligência artificial
Definir inteligência artificial (IA) é um desafio complexo, uma vez que não existe uma definição única e
precisa para esse conceito. Sichman (2021) descreve a IA como um ramo da ciência que busca facilitar a
resolução de problemas e auxiliar na tomada de decisões. O cientista cognitivo Marvin Minsky define IA
como “a ciência de fazer as máquinas fazerem coisas que exigiriam inteligência se fossem feitas por
homens” (Minsky, 1968, tradução nossa). Por outro lado, Navega (2000) a define como uma ciência
interdisciplinar presente no nosso cotidiano, que visa reproduzir a inteligência humana em máquinas.
Russell e Norvig (2013) sintetizaram as diferentes definições de IA e as categorizaram em quatro
abordagens principais: sistemas que pensam como seres humanos, focados em fazer os computadores
pensarem (Haugeland, 1985); sistemas que agem como seres humanos, com máquinas executando
funções que requerem inteligência semelhante à humana (Kurzweil, 1990); sistemas que pensam de
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forma racional, explorando modelos computacionais (Charniak e McDermott, 1985); e sistemas que agem
de forma racional (Poole et al., 1998).
A IA tem a capacidade de auxiliar as pessoas em tarefas simples ou até mesmo realizar tarefas repetitivas
por longos períodos. Sua relevância se estende a todas as atividades humanas, abrangendo uma ampla
gama de subcampos, desde aplicações de uso geral, como aprendizado de máquina, até tarefas específicas,
como resolução de problemas matemáticos, criação de poesia e diagnóstico de doenças (Gomes, 2010). A
inteligência artificial tem sido objeto de estudo e desenvolvimento ao longo de várias décadas (Pereira &
de Souza, 2023). No entanto, foi com o lançamento do ChatGPT-3 que seu uso e impacto se tornaram
mais amplamente discutidos e integrados ao cotidiano de inúmeras pessoas.
O ChatGPT-3 é um avançado modelo de linguagem desenvolvido pela OpenAI, lançado em novembro de
2022. Esse modelo de linguagem foi treinado utilizando a técnica de Reinforcement Learning from
Human Feedback (RLHF), e possui 175 milhões de parâmetros. Através da inteligência artificial, o
ChatGPT-3 é capaz de participar de conversas contínuas, compreender o contexto das perguntas e
fornecer respostas coerentes e em tempo real, tornando-o uma ferramenta extremamente útil e prática
(De Moraes & Matilha, 2023).
ChatGPT na Educação
No contexto educacional contemporâneo, a presença de tecnologias disruptivas como o ChatGPT tem
despertado o interesse de educadores e pesquisadores. Com sua capacidade de gerar respostas em
linguagem natural e interagir de forma dinâmica, o ChatGPT apresenta potenciais aplicações na área da
educação. Contudo, com o aumento do seu uso na área, surgem também diversas preocupações.
A utilização do ChatGPT na educação oferece diversos benefícios tanto para estudantes quanto para
professores. Para os estudantes, a ferramenta pode auxiliar na elaboração de esboços acadêmicos,
proporcionar suporte nos estudos e facilitar a compreensão de conteúdos complexos (Sok & Heng, 2023).
Já para os professores, o ChatGPT pode ser empregado na avaliação de trabalhos, no aprimoramento de
práticas pedagógicas, na criação de provas e planos de aula (Sok & Heng, 2023). Além disso, a utilização
do ChatGPT pelos professores resulta em economia de tempo e esforço, permitindo a criação de diversos
recursos de aprendizagem e a geração de perguntas mais direcionadas ao conteúdo abordado (Zhai, 2023;
Baidoo-Anu & Ansah, 2023). Outra vantagem do ChatGPT é a possibilidade de gerar um sistema de
avaliação dos alunos, fornecendo feedback individualizado sobre pontos fortes e áreas a serem
aprimoradas (Kasneci et. al., 2023). Isso permite que os professores identifiquem as dificuldades
específicas de cada aluno e ofereçam o suporte adequado (Kasneci et. al., 2023).
Além dos benefícios mencionados, o ChatGPT pode atuar como um recurso para sanar dúvidas e fornecer
exemplos práticos, especialmente em disciplinas como matemática, onde os estudantes podem solicitar
ajuda na resolução de equações (Isotani et. al, 2023). A ferramenta também é útil como agregadora de
conhecimento, auxiliando no processamento de grandes volumes de informações (Isotani et. al, 2023).
Além disso, o ChatGPT pode desempenhar um papel importante no processo de aprendizagem de crianças
com deficiência cognitiva, fornecendo suporte constante durante todo o processo (Isotani et. al, 2023).
Outra vantagem significativa é o potencial do ChatGPT em oferecer ajuda individualizada aos estudantes,
fornecendo materiais de leitura, tarefas e atividades interativas adaptadas às necessidades de cada aluno
(Firat, 2023). Isso promove a autonomia dos estudantes e melhora suas experiências de aprendizado,
permitindo maior acessibilidade, feedback em tempo real, flexibilidade na aprendizagem, autoavaliação e
reflexão (Firat, 2023). Além de seu papel como suporte ao ensino e aprendizagem, o modelo de linguagem
do ChatGPT pode ser efetivamente utilizado no processo de escrita de pesquisa. Ele é capaz de identificar
e corrigir erros tipográficos, aprimorar a consistência gramatical e fornecer recomendações e estratégias
de melhoria. Isso permite que os pesquisadores dediquem mais tempo à experimentação e implementação
de suas pesquisas (Rahman & Watanobe, 2023).
Embora o ChatGPT seja uma ferramenta promissora para auxiliar estudantes e professores, é
fundamental exercer cautela em relação às informações fornecidas, a fim de evitar erros ou disseminação
de informações falsas (Zhai, 2022; Gordijn & Have, 2023; Mogali, 2023). O modelo de linguagem
apresenta uma série de desafios, tais como a possibilidade de confiar em dados enviesados, limitações no
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conhecimento atualizado, geração de informações incorretas, riscos de plágio (Lo, 2023) e potenciais
violações éticas (Isotani et. al, 2023). Estudos indicam que aproximadamente 56% das respostas geradas
pelo ChatGPT podem ser consideradas incoerentes (Rahman, 2023).
Entre as preocupações pertinentes, destaca-se a possibilidade de utilização da ferramenta para a
conclusão de tarefas, exames, redações e cálculos, suscitando receios em relação a práticas desonestas por
parte dos alunos (Lo, 2023). Segundo Blikstein (2021 apud Dos Santos, 2023), o uso excessivo de
tecnologias inteligentes pode prejudicar a criatividade e a habilidade crítica, resultando em uma
aprendizagem passiva por parte dos alunos. No contexto da avaliação de trabalhos, o emprego do
ChatGPT requer a colaboração de líderes educacionais e professores para revisar os padrões de avaliação
dos alunos, a fim de evitar possíveis "injustiças de aprendizagem" (Sok & Heng, 2023). Para que isso
ocorra, é imprescindível que os alunos empreguem seu senso crítico, habilidades comunicativas e de
resolução de problemas ao fazer uso da ferramenta de IA (Cotton et al., 2023).
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processo é responsável por explicar o que motiva ou impede um grupo social de adquirir uma nova
tecnologia. Usando o conceito de mecanismos, podem-se identificar os fatores que influenciam essa
decisão, levando em consideração suas perspectivas e interesses. Por fim, o pilar conteúdo, o terceiro pilar
do modelo, analisa as práticas de uso da tecnologia. Ele permite identificar como a tecnologia é
efetivamente utilizada na prática, considerando tanto os comportamentos esperados quanto os não
esperados. Esses comportamentos resultam da compreensão da tecnologia e dos fatores que influenciam
seu uso (Hino, 2013).
Procedimentos metodológicos
O objetivo deste estudo é analisar a percepção do uso do ChatGPT na educação através de uma abordagem
baseada em survey. Foi desenvolvido um questionário semiestruturado alinhado com as diretrizes do
modelo teórico adotado, visando identificar crenças sobre o uso do ChatGPT, fatores motivadores de uso e
compreender a sua aplicação prática na educação. O questionário consistiu em cinco seções distintas. A
primeira seção introduziu a pesquisa e solicitou a compreensão e o consentimento voluntário dos
participantes. A segunda seção coletou dados demográficos dos participantes. A terceira seção abordou o
uso do ChatGPT na educação, com questões abertas e questões com escala Likert. A quarta seção incluiu
perguntas abertas relacionadas à motivação de uso do ChatGPT na educação. A última seção abordou o
uso geral de tecnologia, apresentando perguntas com resposta de escolha única, questões abertas e
afirmações para captura do grau de concordância dos participantes em uma escala Likert. O
preenchimento do questionário foi anônimo e todas as questões foram de preenchimento obrigatório.
A coleta de dados foi realizada eletronicamente durante o mês de maio de 2023. Foi elaborado um
formulário que foi amplamente divulgado em redes sociais, grupos de professores e grupos de alunos. A
seleção dos participantes ocorreu por conveniência, uma vez que a pesquisa ocorreu no ambiente
educacional. A análise dos dados foi abordada a partir de diferentes perspectivas. As questões em escala
Likert foram analisadas quantitativamente, enquanto as questões abertas foram analisadas
qualitativamente utilizando a técnica de análise de conteúdo orientada por Bardin (1995), com o suporte
do software [Link]®. Em certos casos, a análise qualitativa buscou fornecer informações para explicar as
respostas da escala Likert. Redes de códigos foram construídas para facilitar a compreensão e a análise
dos dados coletados. Vale ressaltar que uma resposta foi excluída da análise devido à falta de
compreensão ou discordância do participante em relação à pesquisa.
É importante destacar que a quantidade de participantes não pode ser atribuída diretamente, uma vez que
o questionário permitia que uma mesma pessoa respondesse mais de uma vez, adotando diferentes
perspectivas. Assim, a distribuição das respostas reflete o seguinte perfil: 22% das respostas foram
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fornecidas por professores, 53% por estudantes e 25% por outras perspectivas. Na sequência são
apresentadas as informações dos participantes e seus modelos mentais.
P9. A ferramenta auxilia na resolução de problemas 4,118 0,993 3,800 1,095 3,714 1,380
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As diferenças entre os diferentes grupos também podem ser observadas no Gráfico 1, que apresenta o grau
de concordância com as afirmações por grupo/perspectiva, por meio de um gráfico de boxplot. Os dados
sugerem que os professores possuem uma visão mais clara das características e efeitos do uso do ChatGPT
na educação, em comparação aos alunos ou à sociedade em geral (grupo outros). Vale ressaltar a notável
concentração de respostas em "concordo totalmente" em relação à capacidade do ChatGPT de realizar as
atividades dos alunos, com prejuízo para o seu aprendizado (P3)."
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Considerações finais
O estudo se propôs analisar a percepção da sociedade em relação ao uso do ChatGPT na educação. Os
resultados indicam que o ChatGPT possui potencialidades que podem ser exploradas na educação, como o
auxílio em atividades pontuais, a ampliação do conhecimento, o estímulo intelectual e o suporte aos
docentes na criação de conteúdo. Contudo, sua utilização demanda um conhecimento aprofundado sobre
suas potencialidades, forma de uso, limitações, assim como a capacidade de integrá-lo, de maneira
responsável e ética no processo educacional.
Os dados da pesquisa mostram uma divisão de opiniões entre os participantes. Enquanto uma parcela
considerável é favorável ao uso do ChatGPT na educação, a maioria acredita que as pessoas não estão
preparadas para utilizá-lo. O uso da ferramenta na educação requer uma reflexão ampla e profunda sobre
a estrutura do ensino, tanto em relação à interação com os alunos quanto aos métodos de ensino
adotados. É necessário evitar a dependência excessiva do ChatGPT, utilizando-o como uma ferramenta
complementar e de apoio, em vez de uma solução para todas as atividades educacionais.
O uso responsável e ético da ferramenta implica em considerar suas limitações, garantir a qualidade do
ensino oferecido e estar atento a questões como a privacidade e a manipulação de informações. Essas
considerações ressaltam a importância de uma abordagem cuidadosa e crítica na incorporação do
ChatGPT na educação, aproveitando seus benefícios potenciais e os desafios e questões éticas envolvidas.
As limitações do estudo incluem a quantidade limitada de respostas analisadas, impactando a
representatividade dos resultados, a distribuição desigual de respostas entre os grupos e possíveis
limitações nas escolhas metodológicas. Para futuros estudos, pretende-se ampliar a quantidade de
respostas, o que permitirá uma análise mais robusta e representativa dos dados. Além disso,
complementar o trabalho com a utilização de outras ferramentas estatísticas de análise enriquecerá a
compreensão dos resultados obtidos. E também adotar a estratificação das respostas de acordo com os
atributos de perfil dos participantes, como idade, sexo, renda e escolaridade, fornecerá percepções
adicionais sobre as diferentes perspectivas e influências desses fatores.
Referências
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