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Desconsideração da Personalidade Jurídica

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WBA1395_v1.

0 JUR0234_v2_VA_PREM_v1_21

Temas especiais I
Processo societário
Desconsideração da personalidade jurídica

Bloco 1
Prof. Dr. Edilson Vitorelli
3

• Responsabilidade secundária indireta dos sócios: É a que trata o


art. 790, VII, no caso de desconsideração da personalidade jurídica.
• CC, modificado pela lei 13.874/2019:
• “Art. 49-A. A pessoa jurídica não se confunde com os seus sócios,
associados, instituidores ou administradores.
• Parágrafo único. A autonomia patrimonial das pessoas jurídicas é um
instrumento lícito de alocação e segregação de riscos, estabelecido pela
lei com a finalidade de estimular empreendimentos, para a geração de
empregos, tributo, renda e inovação em benefício de todos.”
• “Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado
pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a
requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber
intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e
determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens
particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica
beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso.
• § 1º Para os fins do disposto neste artigo, desvio de finalidade é a
utilização da pessoa jurídica com o propósito de lesar credores e para a
prática de atos ilícitos de qualquer natureza.
4

• § 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de


separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por:
• I - cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do
sócio ou do administrador ou vice-versa;
• II - transferência de ativos ou de passivos sem efetivas
contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente
insignificante; e
• III - outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial.
• § 3º O disposto no caput e nos §§ 1º e 2º deste artigo também
se aplica à extensão das obrigações de sócios ou de
administradores à pessoa jurídica.
• § 4º A mera existência de grupo econômico sem a presença
dos requisitos de que trata o caput deste artigo não autoriza a
desconsideração da personalidade da pessoa jurídica.
• § 5º Não constitui desvio de finalidade a mera expansão ou a
alteração da finalidade original da atividade econômica
específica da pessoa jurídica.
5

• O STJ aplica a teoria menor no direito do consumidor:


• No contexto das relações de consumo, em atenção ao art. 28, § 5º,
do CDC, os credores não negociais da pessoa jurídica podem ter
acesso ao patrimônio dos sócios, mediante a aplicação da disregard
doctrine, bastando a caracterização da dificuldade de reparação dos
prejuízos sofridos em face da insolvência da sociedade empresária.4.
Precedente específico desta Corte acerca do tema (REsp. nº
279.273/SP, Rel. Min. ARI PARGENDLER, Rel. p/ Acórdão Min.
NANCY ANDRIGHI, Terceira Turma, DJ de 29.03.2004).5. RECURSO
ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO.(REsp 737.000/MG, Rel.
Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA,
julgado em 01/09/2011, DJe 12/09/2011)
• É possível, em linha de princípio, em se tratando de vínculo de índole
consumerista, a utilização da chamada Teoria Menor da
desconsideração da personalidade jurídica, a qual se contenta com o
estado de insolvência do fornecedor, somado à má administração da
empresa, ou, ainda, com o fato de a personalidade jurídica
representar um "obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados
aos consumidores" (art. 28 e seu § 5º, do Código de Defesa do
Consumidor). (REsp 1111153/RJ, Rel. Ministro LUIS FELIPE
SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 06/12/2012, DJe
04/02/2013)
6

• Por outro lado, não aceita nas demais esferas:


• Nos termos do Código Civil, para haver a desconsideração da
personalidade jurídica, as instâncias ordinárias devem,
fundamentadamente, concluir pela ocorrência do desvio de sua finalidade
ou confusão patrimonial desta com a de seus sócios, requisitos objetivos
sem os quais a medida torna-se incabí[Link]. (AgRg no REsp
1496638/SP, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em
20/10/2016, DJe 28/10/2016)
• A controvérsia está a determinar se a simples inexistência de bens de
propriedade da empresa executada constitui motivo apto à desconsideração
da personalidade jurídica - o que, como é cediço, permite a constrição do
patrimônio de seus sócios ou administradores. Na hipótese dos autos, a
desconsideração jurídica determinada pelo TJ baseou-se na aparente
insolvência da empresa recorrente, pelo fato de ela não mais exercer suas
atividades no endereço em que estava sediada, sem, contudo, demonstrar a
confusão patrimonial nem desvio de finalidade. Por isso, tal entendimento não
pode prosperar, sendo de rigor afastar a desconsideração da personalidade
jurídica da recorrente. Diante do exposto, a Turma deu provimento ao recurso
especial. REsp 970.635-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 10/11/2009.
7
O encerramento das atividades da sociedade ou sua dissolução, ainda que
irregulares, não são causas, por si sós, para a desconsideração da personalidade
jurídica a que se refere o art. 50 do CC. Para a aplicação da teoria maior da
desconsideração da personalidade social - adotada pelo CC -, exige-se o dolo das
pessoas naturais que estão por trás da sociedade, desvirtuando-lhe os fins
institucionais e servindo-se os sócios ou administradores desta para lesar credores
ou terceiros. É a intenção ilícita e fraudulenta, portanto, que autoriza, nos termos
da teoria adotada pelo CC, a aplicação do instituto em comento. Especificamente
em relação à hipótese a que se refere o art. 50 do CC, tratando-se de regra de
exceção, de restrição ao princípio da autonomia patrimonial da pessoa jurídica,
deve-se restringir a aplicação desse disposto legal a casos extremos, em que a
pessoa jurídica tenha sido instrumento para fins fraudulentos, configurado
mediante o desvio da finalidade institucional ou a confusão patrimonial. Dessa
forma, a ausência de intuito fraudulento afasta o cabimento da desconsideração da
personalidade jurídica, ao menos quando se tem o CC como o microssistema
legislativo norteador do instituto, a afastar a simples hipótese de encerramento ou
dissolução irregular da sociedade como causa bastante para a aplicação do
disregard doctrine.. Ressalte-se que não se quer dizer com isso que o
encerramento da sociedade jamais será causa de desconsideração de sua
personalidade, mas que somente o será quando sua dissolução ou inatividade
irregulares tenham o fim de fraudar a lei, com o desvirtuamento da finalidade
institucional ou confusão patrimonial. EREsp 1.306.553-SC, Rel. Min. Maria Isabel
Gallotti, julgado em 10/12/2014, DJe 12/12/2014.
INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA
PERSONALIDADE JURIDICA

Incidente pelo qual, a requerimento da parte ou do MP, os sócios de uma pessoa jurídica, que até
então era a ré do processo, são chamados a integrar o polo passivo ou, na hipótese de
desconsideração inversa, a pessoa jurídica é chamada a um processo cujo sócio seu era réu.

O objetivo da desconsideração é ampliar o patrimônio disponível para a satisfação do credor, no


caso em que o devedor originário tenha praticado alguma conduta que a lei reputa ilícita, como o
uso da pessoa jurídica para ocultação de seu patrimônio pessoal ou para a prática de fraudes.
É preciso que sejam satisfeitos os requisitos legais, que variam de acordo com o ramo do direito.
Ver, por exemplo, o direito do trabalho, tributário e do consumidor.

Art. 133. O incidente de desconsideração da personalidade jurídica será instaurado a pedido da


parte ou do Ministério Público, quando lhe couber intervir no processo.

Art. 134. O incidente de desconsideração é cabível em todas as fases do processo de


conhecimento, no cumprimento de sentença e na execução fundada em título executivo
extrajudicial.

Art. 137. Acolhido o pedido de desconsideração, a alienação ou a oneração de bens, havida em


fraude de execução, será ineficaz em relação ao requerente.
• PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA.
ITCMD.
• CONSTRIÇÃO DE PATRIMÔNIO DE EMPRESA. GARANTIA DE
DÉBITO DE SÓCIO.
• ILEGALIDADE.
• 1. A impetração de mandado de segurança contra decisão judicial
somente é admitida em casos de manifesta ilegalidade ou abuso de
poder. Precedentes.
• 2. A personalidade e o patrimônio (direitos e obrigações) da pessoa
jurídica não se confundem com a de seus sócios.
• 3. Hipótese em que se revela flagrantemente ilegal a decisão que, sem
prévio pedido e instauração do incidente de desconsideração da
personalidade jurídica inversa previsto no art. 133 e seguintes do
CPC, determina a reserva de bens e a penhora de faturamento de
empresa que não figura no processo de inventário para fins de garantir
a quitação de débito de ITCMD devido por um de seus sócios.
• 4. Recurso ordinário provido.
• (RMS 63.192/MG, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA
TURMA, julgado em 09/02/2021, DJe 03/03/2021)
• PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
NO RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC.
AGRAVO DE INSTRUMENTO. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE
JURÍDICA REJEITADA.
• FIXAÇÃO DA VERBA HONORÁRIA. INCIDENTE PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE
PREVISÃO NO ART. 85 DO NCPC. ACÓRDÃO EM CONSONÂNCIA COM O
ENTENDIMENTO FIRMADO NESTA CORTE. SÚMULA Nº 568 DO STJ. DECISÃO
MANTIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO.
• 1. Aplica-se o NCPC a este recurso ante os termos do Enunciado Administrativo nº
3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos
com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de
março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma
do novo CPC.
• 2. Tratando-se de incidente de desconsideração da personalidade jurídica, o
descabimento da condenação nos ônus sucumbenciais decorre da ausência de
previsão legal excepcional, sendo irrelevante se apurar quem deu causa ou foi
sucumbente no julgamento final do incidente. Precedentes.
• 3. Não sendo a linha argumentativa apresentada capaz de evidenciar a
inadequação dos fundamentos invocados pela decisão agravada, o presente agravo
não se revela apto a alterar o conteúdo do julgado impugnado, devendo ele ser
integralmente mantido em seus próprios termos.
• 4. Agravo interno não provido.
• (AgInt nos EDcl no REsp 1767525/RJ, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA
TURMA, julgado em 07/12/2020, DJe 11/12/2020)
Desconsideração na execução fiscal
• A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ)
decidiu que é necessária a instauração do Incidente de
Desconsideração da Personalidade Jurídica (IDPJ) –
previsto pelo artigo 133 do Código de Processo Civil de
2015 – quando há o redirecionamento da execução fiscal
a pessoa jurídica que integra o mesmo grupo econômico
da sociedade originalmente executada, mas que não foi
identificada no ato de lançamento (na Certidão de Dívida
Ativa) ou que não se enquadra nas hipóteses dos
artigos 134 e 135do Código Tributário Nacional (CTN).
Desconsideração na execução fiscal
• “Sem a indicação da pessoa jurídica no ato de lançamento, ou
sendo inexistentes as hipóteses dos artigos 134 e 135 do CTN,
a imputação da responsabilidade ao grupo econômico ou à
pessoa jurídica dele integrante dependerá da desconsideração
da personalidade jurídica, cujo reconhecimento somente pode
ser obtido com a instauração do referido incidente”
• “Caso o pedido de redirecionamento da execução fiscal mire
pessoas jurídicas não elencadas na Certidão de Dívida Ativa,
após a comprovação, pela Fazenda, da caracterização de
hipótese legal de responsabilização dos terceiros indicados, o
magistrado também pode decidir pela inclusão no polo passivo
sem a instauração do incidente de desconsideração, pois a
responsabilização de terceiros tratada no Código Tributário
Nacional não necessita da desconsideração da pessoa jurídica
devedora”, REsp 1775269, rel. Min. Gurgel de Faria, j. 12.3.19.
Desconsideração na execução fiscal
• “o redirecionamento de execução fiscal a pessoa jurídica que
integra o mesmo grupo econômico da sociedade empresária
originalmente executada, mas que não foi identificada no ato de
lançamento (nome na CDA) ou que não se enquadra nas
hipóteses dos artigos 134 e 135 do CTN, depende da
comprovação do abuso de personalidade, caracterizado pelo
desvio de finalidade ou confusão patrimonial, tal como consta
do artigo 50 do Código Civil – daí porque, nesse caso, é
necessária a instauração do incidente de desconsideração da
personalidade da pessoa jurídica devedora”, disse.
• O ministro destacou ainda que a atribuição de responsabilidade
tributária aos sócios-gerentes, nos termos do artigo 135 do
CTN, não depende do IDPJ previsto no artigo 133 do
CPC/2015, pois a responsabilidade dos sócios é atribuída pela
própria lei, de forma pessoal e subjetiva, na hipótese de “atos
praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato
social ou estatutos”.
Processo societário
Ação de dissolução parcial de sociedade

Bloco 2
Prof. Dr. Edilson Vitorelli
Objetivo
• É a ação utilizada para apurar o valor das cotas de um sócio,
liquidá-las e permitir a saída desse sócio, mantendo a
sociedade em funcionamento.
• A dissolução total da sociedade segue o procedimento comum.
• Cabe em relação a qualquer sociedade, simples ou empresária.
• CC, Art. 1.031. Nos casos em que a sociedade se resolver em
relação a um sócio, o valor da sua quota, considerada pelo
montante efetivamente realizado, liquidar-se-á, salvo disposição
contratual em contrário, com base na situação patrimonial da
sociedade, à data da resolução, verificada em balanço
especialmente levantado.
• § 1o O capital social sofrerá a correspondente redução, salvo se
os demais sócios suprirem o valor da quota.
• § 2o A quota liquidada será paga em dinheiro, no prazo de
noventa dias, a partir da liquidação, salvo acordo, ou
estipulação contratual em contrário.
Objeto

• Art. 599. A ação de dissolução parcial de sociedade pode ter por


objeto:
• I - a resolução da sociedade empresária contratual (exclui as SA,
que são sociedades institucionais) ou simples em relação ao
sócio falecido, excluído ou que exerceu o direito de retirada ou
recesso; e
• II - a apuração dos haveres do sócio falecido, excluído ou que
exerceu o direito de retirada ou recesso; ou
• III - somente a resolução ou a apuração de haveres.
• § 1o A petição inicial será necessariamente instruída com o
contrato social consolidado.
• § 2o A ação de dissolução parcial de sociedade pode ter também
por objeto a sociedade anônima de capital fechado quando
demonstrado, por acionista ou acionistas que representem cinco
por cento ou mais do capital social, que não pode preencher o seu
fim.
• No caso das SAs, de modo geral, incide o art. 137 da Lei das SAs.
O problema das SAs
• As sociedades anônimas, em geral, nascem para ser intuitu pecuniae, motivo pelo
qual não se submetem ao procedimento de dissolução parcial. O sócio retirante
deve vender suas ações.
• Contudo, a prática percebeu que muitas SAs brasileiras são pequenas empresas,
intuitu personae ou até mesmo intuitu familiae. Essa é a razão da previsão do §2º,
advindo da jurisprudência do STJ.
• ” A impossibilidade de preenchimento do fim da sociedade
anônima caracteriza-se nos casos em que a companhia apresenta
prejuízos constantes e não distribui dividendos, possibilitando aos
acionistas detentores de 5% ou mais do capital social o pedido de
dissolução, com fundamento no art. 206, II, b da Lei nº 6.404/76.
Hipótese em que no período de 12 (doze) anos a companhia
somente gerou lucros em três exercícios e só distribuiu os
dividendos em um deles.3. Caso em que configurada a
possibilidade de dissolução parcial diante da viabilidade da
continuação dos negócios da companhia, em contrapartida ao
direito dos sócios de se retirarem dela sob o fundamento que eles
não podem ser penalizados com a imobilização de seu capital por
longo período sem obter nenhum retorno [Link]ção do
princípio da preservação da empresa, previsto implicitamente na
Lei nº 6.404/76 ao adotar em seus arts. 116 e 117 a ideia da
prevalência da função social e comunitária da companhia,
caracterizando como abuso de poder do controlador a liquidação
de companhia próspera. (REsp 1321263/PR, Rel. Ministro MOURA
RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 06/12/2016, DJe
15/12/2016)
• EMPRESARIAL. SOCIEDADE ANÔNIMA FECHADA. CUNHO
FAMILIAR. DISSOLUÇÃ[Link] NA QUEBRA DA
AFFECTIO SOCIETATIS. POSSIBILIDADE. DEVIDO
PROCESSO LEGAL. NECESSIDADE DE OPORTUNIZAR A
PARTICIPAÇÃO DE TODOS OS SÓCIOS. CITAÇÃO
INEXISTENTE. NULIDADE DA SENTENÇA RECONHECIDA.1.
Admite-se dissolução de sociedade anônima fechada de cunho
familiar quando houver a quebra da affectio societatis.2. A
dissolução parcial deve prevalecer, sempre que possível, frente
à pretensão de dissolução total, em homenagem à adoção do
princípio da preservação da empresa, corolário do postulado de
sua função social.3. Para formação do livre convencimento
motivado acerca da inviabilidade de manutenção da empresa
dissolvenda, em decorrência de quebra da liame subjetivo dos
sócios, é imprescindível a citação de cada um dos acionistas,
em observância ao devido processo legal substancial.4.
Recurso especial não provido.(REsp 1303284/PR, Rel. Ministra
NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em
16/04/2013, DJe 13/05/2013)
• O instituto da dissolução parcial erigiu-se baseado nas sociedades contratuais e
personalistas, como alternativa à dissolução total e, portanto, como medida
mais consentânea ao princípio da preservação da sociedade e sua função
social, contudo a complexa realidade das relações negociais hodiernas
potencializa a extensão do referido instituto às sociedades
"circunstancialmente" anônimas, ou seja, àquelas que, em virtude de cláusulas
estatutárias restritivas à livre circulação das ações, ostentam caráter familiar ou
fechado, onde as qualidades pessoais dos sócios adquirem relevância para o
desenvolvimento das atividades sociais ("affectio societatis"). (Precedente:
EREsp 111.294/PR, Segunda Seção, [Link] Castro Filho, DJ 10/09/2007)
2. É bem de ver que a dissolução parcial e a exclusão de sócio são fenômenos
diversos, cabendo destacar, no caso vertente, o seguinte aspecto: na primeira,
pretende o sócio dissidente a sua retirada da sociedade, bastando-lhe a
comprovação da quebra da "affectio societatis"; na segunda, a pretensão é de
excluir outros sócios, em decorrência de grave inadimplemento dos deveres
essenciais, colocando em risco a continuidade da própria atividade social.3. Em
outras palavras, a exclusão é medida extrema que visa à eficiência da atividade
empresarial, para o que se torna necessário expurgar o sócio que gera prejuízo
ou a possibilidade de prejuízo grave ao exercício da empresa, sendo
imprescindível a comprovação do justo motivo. (...) Caracterizada a sociedade
anônima como fechada e personalista, o que tem o condão de propiciar a sua
dissolução parcial - fenômeno até recentemente vinculado às sociedades de
pessoas -, é de se entender também pela possibilidade de aplicação das regras
atinentes à exclusão de sócios das sociedades regidas pelo Código Civil (...)
(REsp 917.531/RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA,
julgado em 17/11/2011, DJe 01/02/2012)
Legitimidade ativa
• Art. 600. A ação pode ser proposta:
• I - pelo espólio do sócio falecido, quando a totalidade dos sucessores não
ingressar na sociedade;
• II - pelos sucessores, após concluída a partilha do sócio falecido;
• III - pela sociedade, se os sócios sobreviventes não admitirem o ingresso
do espólio ou dos sucessores do falecido na sociedade, quando esse
direito decorrer do contrato social;
• IV - pelo sócio que exerceu o direito de retirada ou recesso, se não tiver
sido providenciada, pelos demais sócios, a alteração contratual
consensual formalizando o desligamento, depois de transcorridos 10 (dez)
dias do exercício do direito;
• V - pela sociedade, nos casos em que a lei não autoriza a exclusão
extrajudicial (ex: sócio se tornou incapaz, art. 1.030, CC); ou
• VI - pelo sócio excluído.
• Parágrafo único. O cônjuge ou companheiro do sócio cujo casamento,
união estável ou convivência terminou poderá requerer a apuração de
seus haveres na sociedade, que serão pagos à conta da quota social
titulada por este sócio
Legitimidade passiva
• Há litisconsórcio necessário entre os demais sócios e a
sociedade:
• Art. 601. Os sócios e a sociedade serão citados para, no prazo
de 15 (quinze) dias, concordar com o pedido ou apresentar
contestação.
• Parágrafo único. A sociedade não será citada se todos os
seus sócios o forem, mas ficará sujeita aos efeitos da
decisão e à coisa julgada.
• O parágrafo único faz uma concessão em nome da praticidade.
Se todos os sócios já foram citados, não faria sentido exigir
também a citação da sociedade.
• Art. 602. A sociedade poderá formular pedido de indenização
compensável com o valor dos haveres a apurar.
• Trata-se de pedido contraposto, feito na contestação.
Hipótese de falecimento
• CC, Art. 1.028. No caso de morte de sócio, liquidar-se-á sua quota, salvo:
• I - se o contrato dispuser diferentemente;
• II - se os sócios remanescentes optarem pela dissolução da sociedade;
• III - se, por acordo com os herdeiros, regular-se a substituição do sócio falecido.
Direito de retirada
• CC, Art. 1.029. Além dos casos previstos na lei ou no contrato, qualquer sócio pode
retirar-se da sociedade; se de prazo indeterminado, mediante notificação aos
demais sócios, com antecedência mínima de sessenta dias; se de prazo
determinado, provando judicialmente justa causa.
Exclusão do sócio
• CC, Art. 1.030. Ressalvado o disposto no art. 1.004 e seu
parágrafo único, pode o sócio ser excluído judicialmente,
mediante iniciativa da maioria dos demais sócios, por falta
grave no cumprimento de suas obrigações, ou, ainda, por
incapacidade superveniente.
• Art. 1.085. Ressalvado o disposto no art. 1.030, quando a
maioria dos sócios, representativa de mais da metade do
capital social, entender que um ou mais sócios estão pondo em
risco a continuidade da empresa, em virtude de atos de
inegável gravidade, poderá excluí-los da sociedade, mediante
alteração do contrato social, desde que prevista neste a
exclusão por justa causa.
• Parágrafo único. A exclusão somente poderá ser determinada
em reunião ou assembléia especialmente convocada para esse
fim, ciente o acusado em tempo hábil para permitir seu
comparecimento e o exercício do direito de defesa.
Decisão
• Art. 603. Havendo manifestação expressa e unânime pela
concordância da dissolução, o juiz a decretará, passando-se
imediatamente à fase de liquidação.
• § 1o Na hipótese prevista no caput, não haverá condenação em
honorários advocatícios de nenhuma das partes, e as custas
serão rateadas segundo a participação das partes no capital
social.
• § 2o Havendo contestação, observar-se-á o procedimento
comum, mas a liquidação da sentença seguirá o disposto neste
Capítulo.
• A sentença do procedimento somente define o direito a
dissolução. A apuração dos haveres ocorrerá em fase de
liquidação, com as adaptações previstas no procedimento
especial.
• O procedimento é especialmente adequado para a negociação
entre as partes, na forma do art. 190, a qual pode estar contida
no próprio contrato social.
Decisão
• A sentença de dissolução parcial pode ser declaratória ou
constitutiva, dependendo da causa que leva à dissolução:
• Art. 605. A data da resolução da sociedade será:
• I - no caso de falecimento do sócio, a do óbito;
• II - na retirada imotivada, o sexagésimo dia seguinte ao do
recebimento, pela sociedade, da notificação do sócio retirante;
• III - no recesso, o dia do recebimento, pela sociedade, da
notificação do sócio dissidente;
• IV - na retirada por justa causa de sociedade por prazo
determinado e na exclusão judicial de sócio, a do trânsito em
julgado da decisão que dissolver a sociedade; e
• V - na exclusão extrajudicial, a data da assembleia ou da
reunião de sócios que a tiver deliberado.
• A hipótese do inciso IV é constitutiva. As demais são
declaratórias. Além disso, a sentença terá eficácia
condenatória, se determinar o pagamento dos haveres
apurados.
Apuração dos haveres
• Art. 604. Para apuração dos haveres, o juiz:
• I - fixará a data da resolução da sociedade;
• II - definirá o critério de apuração dos haveres à vista do disposto no
contrato social; e
• III - nomeará o perito.
• § 1o O juiz determinará à sociedade ou aos sócios que nela
permanecerem que depositem em juízo a parte incontroversa dos haveres
devidos.
• § 2o O depósito poderá ser, desde logo, levantando pelo ex-sócio, pelo
espólio ou pelos sucessores.
• § 3o Se o contrato social estabelecer o pagamento dos haveres, será
observado o que nele se dispôs no depósito judicial da parte incontroversa.
• Art. 606. Em caso de omissão do contrato social, o juiz definirá, como
critério de apuração de haveres, o valor patrimonial apurado em balanço
de determinação, tomando-se por referência a data da resolução e
avaliando-se bens e direitos do ativo, tangíveis e intangíveis, a preço de
saída, além do passivo também a ser apurado de igual forma.
Apuração dos haveres
• Art. 607. A data da resolução e o critério de apuração de
haveres podem ser revistos pelo juiz, a pedido da parte, a
qualquer tempo antes do início da perícia.
• Art. 608. Até a data da resolução, integram o valor devido ao
ex-sócio, ao espólio ou aos sucessores a participação nos
lucros ou os juros sobre o capital próprio declarados pela
sociedade e, se for o caso, a remuneração como
administrador.
• Art. 609. Uma vez apurados, os haveres do sócio retirante
serão pagos conforme disciplinar o contrato social e, no
silêncio deste, nos termos do § 2o do art. 1.031 da Lei
no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil). (§ 2o A
quota liquidada será paga em dinheiro, no prazo de noventa
dias, a partir da liquidação, salvo acordo, ou estipulação
contratual em contrário.)
Processo societário
Teoria da arbitragem

Bloco 3
Prof. Dr. Edilson Vitorelli
Justiça multiportas (Frank Sander)
• É a noção de que a jurisdição não é a única forma de resolver conflitos, mas apenas
uma delas. Assim, o estado reconhece e estimula os acordos, a conciliação, e
mediação e a arbitragem.
• O ideia de Sistema multiportas reconhece que o Estado deveria proporcionar uma
série de possibilidades (métodos) distintas de solução de conflitos, permitindo que
os diferentes conflitos, com diferentes características, fossem solucionados pelo
método mais adequado.
Lei de arbitragem: principais aspectos
• Art. 1º As pessoas capazes de contratar poderão valer-
se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos
patrimoniais disponíveis.
• § 1o A administração pública direta e indireta poderá
utilizar-se da arbitragem para dirimir conflitos relativos a
direitos patrimoniais disponíveis.
• § 2o A autoridade ou o órgão competente da
administração pública direta para a celebração de
convenção de arbitragem é a mesma para a realização
de acordos ou transações.
Arbitragem
• Arbitragem é a atribuição consensual, pelas partes, da
decisão de um conflito a um terceiro imparcial, privado.
• Há polêmica doutrinária em relação à natureza da
arbitragem. Há quem diga (Didier) que se trata de
jurisdição exercida por particulares, uma vez que tem
aptidão para formar coisa julgada, já que a decisão do
árbitro se torna imutável. Há quem diga (Marinoni), que é
um equivalente jurisdicional, porque é uma atividade
privada, decorrente da autonomia da vontade.
• A polêmica é, em si, irrelevante. A questão é perceber que
a arbitragem é admitida pelo ordenamento jurídico
brasileiro e, uma vez contratada voluntariamente, sua
decisão só poderá ser invalidada pelas razões contidas
em lei.
• Art. 2º A arbitragem poderá ser de direito ou de
eqüidade, a critério das partes.
• § 3o A arbitragem que envolva a administração pública
será sempre de direito e respeitará o princípio da
publicidade.
• Art. 3º As partes interessadas podem submeter a solução
de seus litígios ao juízo arbitral mediante convenção de
arbitragem, assim entendida a cláusula compromissória
e o compromisso arbitral.
• Art. 8º A cláusula compromissória é autônoma em
relação ao contrato em que estiver inserta, de tal sorte
que a nulidade deste não implica, necessariamente, a
nulidade da cláusula compromissória.
• Art. 9º O compromisso arbitral é a convenção através da
qual as partes submetem um litígio à arbitragem de uma
ou mais pessoas, podendo ser judicial ou extrajudicial.
• § 1º O compromisso arbitral judicial celebrar-se-á por
termo nos autos, perante o juízo ou tribunal, onde tem
curso a demanda.
• Art. 19, § 2o A instituição da arbitragem interrompe a
prescrição, retroagindo à data do requerimento de sua
instauração, ainda que extinta a arbitragem por ausência
de jurisdição. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015)
Processo Societário
Efeitos das decisões arbitrais

Bloco 4
Prof. Dr. Edilson Vitorelli
O árbitro
• Art. 13. Pode ser árbitro qualquer pessoa capaz e que tenha a
confiança das partes.
• § 6º No desempenho de sua função, o árbitro deverá proceder com
imparcialidade, independência, competência, diligência e discrição.
• § 7º Poderá o árbitro ou o tribunal arbitral determinar às partes o
adiantamento de verbas para despesas e diligências que julgar
necessárias.
• Art. 14. Estão impedidos de funcionar como árbitros as pessoas
que tenham, com as partes ou com o litígio que lhes for submetido,
algumas das relações que caracterizam os casos de impedimento
ou suspeição de juízes, aplicando-se-lhes, no que couber, os
mesmos deveres e responsabilidades, conforme previsto no
Código de Processo Civil.
• § 1º As pessoas indicadas para funcionar como árbitro têm o dever
de revelar, antes da aceitação da função, qualquer fato que denote
dúvida justificada quanto à sua imparcialidade e independência.
• Art. 17. Os árbitros, quando no exercício de suas funções ou em
razão delas, ficam equiparados aos funcionários públicos, para os
efeitos da legislação penal.
Obs: a regra da competência-competência
• Todo juiz e o árbitro têm competência para analisar sua própria
competência. Assim, todo juiz é o primeiro julgador de sua própria
competência.
• CPC, Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando:
• VII - acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem
ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência;
• Contudo, o STJ atenuou essa regra, decidindo:
Independentemente do estado em que se encontre o
procedimento de arbitragem, o Poder Judiciário pode declarar
a nulidade de compromisso arbitral quando o vício for
detectável prima facie. Como regra geral, a jurisprudência do STJ
indica a prioridade do Juízo arbitral para se manifestar acerca de
sua própria competência e, inclusive, sobre a validade ou
nulidade da cláusula arbitral (REsp 1.602.696-PI, Terceira Turma,
DJe 16/8/2016). Toda regra, porém, comporta exceções para
melhor se adequar a situações cujos contornos escapam às
situações típicas abarcadas pelo núcleo duro da generalidade e
que, pode-se dizer, estão em áreas cinzentas da aplicação do
Direito.
• Obviamente, o princípio competência-competência (kompetenz-
kompetenz) deve ser privilegiado, inclusive para o
indispensável fortalecimento da arbitragem no País. Por outro
lado, é inegável a finalidade de integração e desenvolvimento
do Direito a admissão na jurisprudência do STJ de cláusulas
compromissórias "patológicas" - como os compromissos
arbitrais vazios (REsp 1.082.498-MT, Quarta Turma, DJe
4/12/2012) e aqueles que não atendam o requisito legal
específico (art. 4º, § 2º, da Lei n. 9.307/1996) - cuja apreciação
e declaração de nulidade podem ser feitas pelo Poder Judiciário
mesmo antes do procedimento arbitral. São, assim, exceções
que permitem uma melhor acomodação do princípio
competência-competência a situações limítrofes à regra geral
de prioridade do Juízo arbitral. REsp 1.602.076-SP, Rel. Min.
Nancy Andrighi, julgado em 15/9/2016, DJe 30/9/2016.
Procedimento
• Art. 22, § 3º A revelia da parte não impedirá que seja proferida
a sentença arbitral.
• Art. 22-A. Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão
recorrer ao Poder Judiciário para a concessão de medida
cautelar ou de urgência. (Incluído pela Lei nº 13.129, de
2015) (Vigência)
• Parágrafo único. Cessa a eficácia da medida cautelar ou de
urgência se a parte interessada não requerer a instituição da
arbitragem no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de
efetivação da respectiva decisão.
• Art. 22-B. Instituída a arbitragem, caberá aos árbitros manter,
modificar ou revogar a medida cautelar ou de urgência
concedida pelo Poder Judiciário. (Incluído pela Lei nº
13.129, de 2015) (Vigência)
• Parágrafo único. Estando já instituída a arbitragem, a medida
cautelar ou de urgência será requerida diretamente aos
árbitros.
• Art. 22-C. O árbitro ou o tribunal arbitral poderá expedir
carta arbitral para que o órgão jurisdicional nacional
pratique ou determine o cumprimento, na área de sua
competência territorial, de ato solicitado pelo
árbitro. (Incluído pela Lei nº 13.129, de
2015) (Vigência)
• Parágrafo único. No cumprimento da carta arbitral será
observado o segredo de justiça, desde que comprovada
a confidencialidade estipulada na arbitragem.
• Art. 23, § 1o Os árbitros poderão proferir sentenças
parciais. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015)
Efeitos e execução da decisão
• Art. 18. O árbitro é juiz de fato e de direito, e a sentença
que proferir não fica sujeita a recurso ou a homologação
pelo Poder Judiciário.
• Art. 23. A sentença arbitral será proferida no prazo
estipulado pelas partes. Nada tendo sido convencionado,
o prazo para a apresentação da sentença é de seis
meses, contado da instituição da arbitragem ou da
substituição do árbitro.
• § 1o Os árbitros poderão proferir sentenças parciais.
• Art. 24. A decisão do árbitro ou dos árbitros será
expressa em documento escrito.
Efeitos e execução da decisão
• Art. 30. No prazo de 5 (cinco) dias, a contar do
recebimento da notificação ou da ciência pessoal da
sentença arbitral, salvo se outro prazo for acordado entre
as partes, a parte interessada, mediante comunicação à
outra parte, poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal
arbitral que: (Redação dada pela Lei nº
13.129, de 2015) (Vigência)
• I - corrija qualquer erro material da sentença arbitral;
• II - esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição
da sentença arbitral, ou se pronuncie sobre ponto omitido
a respeito do qual devia manifestar-se a decisão.
• Art. 31. A sentença arbitral produz, entre as partes e seus
sucessores, os mesmos efeitos da sentença proferida
pelos órgãos do Poder Judiciário e, sendo condenatória,
constitui título executivo.
Nulidade
• Art. 32. É nula a sentença arbitral se:
• I - for nula a convenção de arbitragem;
• II - emanou de quem não podia ser árbitro;
• III - não contiver os requisitos do art. 26 desta Lei;
• IV - for proferida fora dos limites da convenção de arbitragem;
• VI - comprovado que foi proferida por prevaricação, concussão
ou corrupção passiva;
• VII - proferida fora do prazo, respeitado o disposto no art. 12,
inciso III, desta Lei (extrapolação do prazo para decidir); e
• VIII - forem desrespeitados os princípios de que trata o art. 21,
§ 2º, desta Lei. (princípios do contraditório, da igualdade das
partes, da imparcialidade do árbitro e de seu livre
convencimento)
• Art. 33. A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder
Judiciário competente a declaração de nulidade da sentença arbitral,
nos casos previstos nesta Lei.
• § 1o A demanda para a declaração de nulidade da sentença arbitral,
parcial ou final, seguirá as regras do procedimento comum, previstas
na Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil),
e deverá ser proposta no prazo de até 90 (noventa) dias após o
recebimento da notificação da respectiva sentença, parcial ou final, ou
da decisão do pedido de esclarecimentos.
• § 2o A sentença que julgar procedente o pedido declarará a nulidade
da sentença arbitral, nos casos do art. 32, e determinará, se for o
caso, que o árbitro ou o tribunal profira nova sentença arbitral.
• § 3o A decretação da nulidade da sentença arbitral também poderá
ser requerida na impugnação ao cumprimento da sentença, nos
termos dos arts. 525 e seguintes do Código de Processo Civil, se
houver execução judicial.
• § 4o A parte interessada poderá ingressar em juízo para requerer a
prolação de sentença arbitral complementar, se o árbitro não decidir
todos os pedidos submetidos à arbitragem.
• Art. 35. Para ser reconhecida ou executada no Brasil, a
sentença arbitral estrangeira está sujeita, unicamente, à
homologação do Superior Tribunal de Justiça.
• É o mesmo procedimento da sentença judicial
estrangeira.
• Obs: títulos executivos extrajudiciais estrangeiros
dispensam homologação.
Bons estudos!

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