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Entendendo a Dengue: Sintomas e Diagnóstico

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raissa policarpo
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Dengue

● O que é?
Doença infecciosa febril aguda, que pode ser de curso benigno ou grave, a
depender de sua forma de apresentação: formas inaparentes, dengue, dengue com
sinais de alarme e dengue grave.
Um dos maiores problemas de saúde pública do mundo, especialmente nos países
tropicais, cujas condições sócio ambientais favorecem o desenvolvimento e a
proliferação de seu principal vetor, o
Aedes aegypti.
- Crescimento nas
últimas décadas: Crescimento
populacional; Urbanização sem
planejamento.

● Agente Etiológico: vírus de genoma de RNA, do qual são reconhecidos quatro


sorotipos (DEN1, DEN2, DEN3 e DEN4).
● Classificação da Dengue: Doença Clássica, Dengue com sinais de alarme, Dengue
grave.
● Caso Suspeito
- Pessoa que viva em área onde se registrem casos de dengue, ou que tenha
viajado nos últimos 14 dias para área com ocorrência de transmissão de
dengue (ou presença de A. Aegypti). Deve apresentar febre, usualmente
entre 2 e 7 dias, e duas ou mais das seguintes manifestações: náusea,
vômitos; exantema; mialgias, artralgia; cefaleia, dor retro-orbital; petéquias;
prova do laço positiva; leucopenia.
- Também pode ser considerado caso suspeito toda criança proveniente de (ou
residente em) área com transmissão de dengue, com quadro febril agudo,
usualmente entre 2 e 7 dias,e sem foco de infecção aparente.
● Caso suspeito de dengue com sinais de alarme
É todo caso de dengue que, no período de defervescência da febre, apresenta um
ou mais dos seguintes sinais de alarme: dor abdominal intensa e contínua, ou dor a
palpação do abdome; vômitos persistentes; acumulação de líquidos (ascites,
derrame pleural, derrame pericárdico); sangramento de mucosa ou outra
hemorragia; letargia ou irritabilidade; hipotensão postural e/ou lipotimia;
hepatomegalia maior do que 2cm; aumento progressivo do hematócrito; queda
abrupta das plaquetas.
● Caso suspeito de dengue grave
É todo caso de dengue que apresenta um ou mais dos resultados abaixo.
- Choque devido ao extravasamento grave de plasma evidenciado por
taquicardia, extremidades frias e tempo de enchimento capilar igual ou maior
a 3 segundos, pulso débil ou indetectável, pressão diferencial convergente
≤20mmHg; hipotensão arterial em fase tardia, acumulação de líquidos com
insuficiência respiratória.
- Sangramento grave, segundo a avaliação do médico (exemplos:
hematêmese, melena, metrorragia volumosa, sangramento do sistema
nervoso central).
- Comprometimento grave de órgãos, tais como: dano hepático importante
(AST/ALT>1.000), sistema nervoso central (alteração da consciência),
coração (miocardite) ou outros órgãos.

● Vetor
- No Brasil, a principal espécie vetora é o Aedes aegypti;
- A transmissão ocorre pela picada da fêmea do mosquito vetor.
- O mosquito adulto vive, em média, de 30 a 35 dias. A sua fêmea põe ovos de
4 a 6 vezes durante sua vida e, em cada vez, cerca de 100 ovos, em locais
com água limpa e parada.
- Um ovo do Aedes aegypti pode sobreviver por até 450 dias, mesmo que o
local onde ele foi depositado
fique seco.
- A transmissão
do ser humano para o
mosquito ocorre enquanto
houver presença de vírus no
sangue do ser humano,
chamado período de viremia
(1º dia antes do aparecimento
dos sintomas até o 6º dia da
doença).

Manifestações da doença
● Fase Febril:
- A febre é o primeiro sintoma, sendo geralmente alta (39º a 40°C), com início
abrupto, associada à cefaléia, adinamia, mialgia, artralgia, dor retroorbitária.
Pode estar presente ainda o exantema máculo papular, acompanhado ou
não de prurido. Também pode haver quadros diarréicos, vômitos, náuseas e
anorexia.
- A doença tem duração média de 5 a 7 dias; o período de convalescença
pode se estender de poucos dias a várias semanas, dependendo do grau de
debilidade física causada pela doença
● Fase crítica:
- Tem início entre o terceiro e o sétimo dia do início da doença acompanhado
do surgimento dos sinais de alarme.

● Dengue com Sinais de alarme


a) dor abdominal intensa (referida ou à palpação) e contínua
b) vômito persistente
c) Acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural, derrame pericárdico)
d) hipotensão postural e/ou lipotimia
e) Hepatomegalia maior que 2 cm abaixo do rebordo costal
f) Sangramento de mucosa
g) Letargia e ou irritabilidade
h) Aumento progressivo do hematócrito
● Dengue grave
- As formas graves da doença podem manifestar-se com extravasamento de
plasma, levando ao choque ou acúmulo de líquidos com desconforto
respiratório, sangramento grave ou sinais de disfunção orgânica como o
coração, os pulmões, os rins, o fígado e o sistema nervoso central (SNC).
- Derrame pleural e ascite podem ser clinicamente detectáveis, em função da
intensidade do extravasamento e da quantidade excessiva de flúidos
infundidos.
- O extravasamento plasmático também pode ser percebido pelo aumento do
hematócrito, quanto maior sua elevação maior será a gravidade, pela
redução dos níveis de albumina e por exames de imagem

● Choque
- Nos casos graves de FHD, o choque ocorre geralmente entre o 3° e o 7° dias
de doença, frequentemente precedido por dor abdominal.
- O choque ocorre devido ao aumento da permeabilidade vascular, seguida de
hemoconcentração e falência circulatória. A sua duração é curta e pode levar
a óbito em 12 a 24 horas.
- Caracteriza-se essa síndrome por pulso rápido e fraco, com diminuição da
pressão arterial, extremidades frias, pele pegajosa e agitação.

● Sinais de choque:
taquicardia, pressão arterial
convergente (PA diferencial
<20 mmHg), extremidades
frias, pulso fraco e filiforme,
enchimento capilar lento (>2
segundos), taquipneia,
Oliguria (<1,5 ml/kg/h),
hipotensão arterial (fase tardia
do choque), Cianose (fase
tardia do choque).
● Hemorragia grave
Em alguns casos pode ocorrer hemorragia massiva sem choque prolongado e este
sangramento massivo é critério de dengue grave. Este tipo de hemorragia, quando é
do aparelho digestivo, é mais frequente em pacientes com histórico de úlcera
péptica ou gastrites, assim como também pode ocorrer devido a ingestão de ácido
acetil salicílico (AAS), anti-inflamatórios não esteroides (Aines) e anticoagulantes.
● Diagnóstico da dengue:
- Isolamento viral:
Vários dias
Pequena quantidade de vírus viáveis encontrados nas amostras
- Detecção de antígenos virais:
Imunohistoquímica
Imunofluorescência
- Detecção de RNA viral no soro dos pacientes:
RT-PCR
- Detecção de anticorpos anti-dengue
Testes sorológicos:
Inibição da hemaglutinação
Fixação do complemento

Anamnese:
• Pesquisar a presença de
febre, referida ou medida,
incluindo o dia anterior à
consulta;
• Data de início da febre e de
outros sintomas.
• Presença de sinais de
alarme.
• Alterações gastrointestinais
(náuseas, vômitos, diarreia,
gastrite).
• Alterações do estado da
consciência: irritabilidade,
sonolência, letargia, lipotimias,
tontura, convulsão e vertigem.
• Diurese: frequência nas últimas
24 h, volume e hora da última
micção.
• Se existem familiares com dengue
ou dengue na comunidade, ou
história de viagem recente para
áreas endêmicas de dengue (14
dias antes do início dos sintomas).
• Condições preexistentes, tais
como lactentes menores (29 dias a
6 meses de vida), adultos maiores
de 65 anos, gestante, obesidade,
asma, diabetes mellitus, hipertensão etc.

● Exame físico
Um exame físico detalhado também se faz necessário com vista à condução e
manejo adequado dos pacientes:
• PA e pulso, enchimento capilar, frequência respiratória, temperatura.
• Medidas Antropométricas
• Pesquisa pelos sinais de alarme
• Pele: temperatura, sinais de desidratação, exantema, petéquias, hematomas.
• Cabeça: sensibilidade à luz, edema subcutâneo palpebral, hemorragia conjuntival,
petéquias no palato, epistaxe, gengivorragias
• Tórax: desconforto respiratório, derrame pleural e pericárdico
• Segmento abdominal – pesquisa de hepatomegalia, dor e ascite, timpanismo,
macicez.
• Exame neurológico – cefaléia, convulsão, sonolência, delírio, insônia, irritabilidade.
• Músculo-esquelético: mialgias, artralgias, edemas
• Verificação do estado de hidratação

● Prova do laço
- Pode ser a única manifestação hemorrágica de casos da FHD,
podendo representar a presença de plaquetopenia ou de fragilidade
capilar.
- A sua realização se dá da seguinte forma:
• desenhar um quadrado de 2,5 cm no antebraço do paciente e
verificar a PA; • calcular o valor médio (PAS+PAD/2);
• insuflar novamente o manguito até o valor médio e manter por cinco
minutos (em crianças, 3 minutos) ou até o aparecimento de
petéquias.
A prova do laço deve ser realizada obrigatoriamente em todos os
casos suspeitos de dengue.

Petéquias no
palato
● IMPORTANTE
- Os dados de anamnese e exame físico serão utilizados para estadiar os
casos e para orientar as medidas terapêuticas cabíveis.
- É importante lembrar que a dengue é uma doença dinâmica e o paciente
pode evoluir de um estágio a outro rapidamente.
- O manejo adequado do paciente com dengue depende:
Reconhecimento precoce dos sinais de alarme
Contínuo monitoramento
Reestadiamento dos casos
Pronta reposição hídrica

- A partir da anamnese, do exame físico e dos resultados laboratoriais


(hemograma completo), os profissionais de saúde devem ser capazes
de responder às seguintes perguntas: É dengue? Em que fase
(febril/crítica/recuperação) o paciente se encontra? Tem sinais de
alarme? Qual o estado hemodinâmico e de hidratação? Está em
choque? Tem condições preexistentes? O paciente requer
hospitalização? Em qual grupo de estadiamento?

● Causas de DESIDRATAÇÃO na Dengue: Febre Falta de ingesta hídrica e recusa


alimentar, Vômitos, Diarréia, Perda capilar – FHD e SCD
● Drogas em Sintomáticos: é recomendado para os pacientes com febre elevada ou
dor.
- Antitérmicos e analgésicos: Dipirona/Paracetamol Os salicilatos não devem
ser administrados, pois podem causar sangramento.
- Antieméticos: Metoclopramida/Bromoprida
- Antipruriginosos: O prurido é autolimitado, durando em torno de 36 a 48
horas. A resposta à terapêutica antipruriginosa usual nem sempre é
satisfatória, mas podem ser utilizadas as medidas a seguir:
- Medidas tópicas: banhos frios, compressas com gelo, pasta d’água, etc;
- Drogas de uso sistêmico: Dexclorfeniramina/Loratadina

● Tratamento com prova do laço + ou sangramento


a) Hemograma completo: obrigatório A coleta deve ser imediata, com resultado no
mesmo período.
b) Exames específicos (sorologia/isolamento viral): obrigatório.
Esses pacientes devem ser atendidos nas UBS, podendo necessitar de leito de
observação, na dependência da evolução.
● Paciente com hemograma normal:
• Tratamento em regime ambulatorial, como Grupo A.
• Tratamento ambulatorial;
• Hidratação oral (80 ml/kg/dia), conforme orientado no grupo A;
• Analgésicos e antitérmicos;
• Orientar sobre sinais de alarme;
• Retorno para reavaliação clínico laboratorial em 24 horas e reestadiamento.

● Tratamento: Paciente com ou sem sangramento e com Sinais de Alarme-


Sem Choque (PA normal)
● Grupo D: Presença de sinais de choque, sangramento grave ou disfunção grave de
órgãos.
Indicações para internação
hospitalar
Presença de sinais de
alarme ou de choque,
sangramento grave ou
comprometimento grave de
órgão Recusa na ingesta de
alimentos e líquidos
Comprometimento
respiratório Impossibilidade
de seguimento ou retorno a
UBS Co-morbidades: DM,
HAS, Insuficiência cardíaca,
crise asmática, uso de dicumarínicos

Controle da Dengue
● Mapeamento rápido dos índices de infestação por Aedes aegypti.
- Critérios:
◦ Capitais e municípios de regiões metropolitanas ◦ Municípios com mais de
100 mil habitantes
◦ Municípios com grande fluxo de turistas e de fronteira Vantagens: ◦
Identifica os criadouros predominantes e a situação de infestação do
município
◦ Permite o direcionamento das ações de controle para as áreas mais críticas
Como é feito:
◦ O município é dividido em grupos de 9 mil a 12 mil imóveis com
características semelhantes.
- Em cada grupo, também chamado estrato, são pesquisados 450
imóveis. Os estratos com índices de infestação predial:
◦ Inferiores a 1%: estão em condições satisfatórias
◦ De 1% a 3,9%: estão em situação de alerta
◦ Superior a 4%: há risco de surto de dengue

Há três principais tipos de controle:


Químico: -Utilização de inseticidas e
larvicidas. -Esta deve ser uma
medida complementar de controle.
-Os mosquitos podem desenvolver
resistência a estas substâncias.
-Quando utilizados de forma
indiscriminada elimina apenas os
indivíduos de mosquitos
susceptíveis, permitindo a
perpetuação da população
resistente. Exemplos: fumacê
(controle de mosquitos adultos) e espinosade (controle de larvas).
Biológico:
-Utilização de organismos vivos.
-Esta medida deve ser utilizada de forma integrada com os outros tipos de controle.
Exemplos: -Bactérias: Bacillus thurigiensis (matam larvas) -Mosquitos estéreis
(inviabilização de ovos) -Mosquitos transgênicos (gene letal).
Mecânico
-Eliminação dos criadouros.
-Prevenção de acúmulo de água em recipientes e em quaisquer outros lugares que pode
fazê-lo.
-Esta medida deve ser permanente.
-Abrange a população, agentes de saúde e o governo. Exemplos: não permitir acumulo de
água em vasos de plantas, garrafas sem tampas, pneus, lixo, evitar deixar as caixasd’água
abertas, etc.

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