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Cartas de Controle para Variáveis: Guia Completo

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Letícia Resende
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Módulo 3

Cartas de controle para variáveis: construção e


interpretação. Estudos de normalidade,
estabilidade e capacidade.
Cartas de controle – Sistema americano
(Walter Shewhart - 1927)
 Segundo Shewhart, o processo sob controle supõe (premissas):
Que a característica de qualidade tem uma Distribuição Normal
(segundo a proposição de Gauss), e que essa distribuição permanece
estável no tempo (média e desvio padrão constantes).
 A partir daí, Shewhart elaborou o modelo gráfico das cartas de controle, com
a faixa de estabilidade (controle), entre os limites superior e inferior de
controle do processo, LSC e LIC, equivalendo à média, mais ou menos 3
desvios padrões da linha média (LM), ou seja, contendo cerca de 99,7% dos
dados. Esse modelo é válido até hoje.

Zona II
µ+3σ
σ x LSC
x

99,73% µ
x
x Zona I
x
LM
x
x
x Zona I
µ-3σ
σ LIC
Zona II

N°° da amostra (ou tempo)


Cartas de controle - Componentes
 Cada carta usa um parâmetro (um para indicar a centralização do processo, média ou
mediana, e outro para indicar a sua variação, amplitude total ou desvio padrão), contém:
Uma escala da medição, no eixo vertical, numa dada unidade de medida;
Uma escala de tempo (ou ordem seqüencial da amostra), no horizontal;
Os limites inferior e superior de controle do processo (LIC e LSC), em conjunto
com a linha média (LM);
A projeção dos valores amostrais de um parâmetro, através de pontos unidos por
segmentos de reta, para permitir a análise da tendência.
Cartas de controle - Construção

Coleta de dados

Ação
Cálculo dos limites
no
de controle
local
Ação
Não Análise de
no
estabilidade
sistema
Sim
Não
Análise de
capacidade
Sim

Controle contínuo do
processo

O fluxo mostrado vale para qualquer tipo de carta (variável ou atributo).


Limites de controle e de especificação

 Limites de controle do processo (LIC e LSC):


Resultam do processo de fabricação empregado;
Refletem o que o processo é capaz de realizar;
Só são usados nas cartas de controle, para se analisar
a estabilidade do processo.

 Limites de especificação (LIE e LSE):


São estabelecidos pelo cliente ou pela engenharia;
Representam aquilo que se exige do produto, para que
ele atenda a finalidade desejada;
Só são usados em análises de capacidade, após
garantir-se que o processo está estabilizado.

É um erro freqüente, usar esses dois tipos de limites


simultaneamente. Recomenda-se nunca misturá-los, ou seja, limites de
controle nas cartas de controle e limites de especificação só nas
análises de capacidade!!!
Cartas de controle - Tipos

 Cartas para variáveis: envolvem medições de


características, de processos ou de produtos. Exemplos:
velocidade de avanço de um torno, temperatura de um
banho, Ph de uma mistura, vazão de um tanque,
pressão de um condensador, espessura de uma chapa,
dureza de um material, medida de um torque, etc.

 Cartas para atributos: envolvem classificações dos


produtos, em duas categorias. Exemplos: produto
bom/ruim, lote aprovado/rejeitado, calibrador passa/não-
passa, uma lâmpada acende/não acende, etc.

 Cada um desses tipos tem pelo menos quatro subtipos,


que serão analisados detalhadamente. Neste Módulo 3,
nossa preocupação é conhecer as Cartas para variáveis.
Cartas para variáveis

Medição do resultado
Máquinas e processo, numa dada
Pessoal equipamentos Materiais unidade de medição (mm,
kgf, ºC, etc)

Resultado

Métodos de Ambiente de
trabalho trabalho
Cartas de
controle

Processo
Cartas para variáveis - Tipos
 Cartas X e R (Média e amplitude), as mais usadas, pela razoável
simplicidade;

 Cartas X e S (Média e desvio padrão), as mais precisas, embora


envolvam cálculos mais difíceis;

 Cartas ~
X e R (Mediana e amplitude), as mais imprecisas, mas
recomendadas quando se tem pessoal com baixa escolaridade;

 Cartas Xind e Rmóvel (Valor individual e amplitude móvel),


recomendadas para medições demoradas, assim como para
ambientes homogêneos.

Obs.: Sempre usadas aos pares, sendo uma para análise de


centralização e a outra análise de dispersão.
Cartas para variáveis - Comparações

Tipo Vantagens Desvantagens

X, R Facilidade na elaboração dos R indica com menos segurança a


cálculos. variabilidade do processo.
X, S S é mais seguro para analisar a S apresenta maior dificuldade de
variação do processo. cálculo (uso de calculadora).
~
X, R Mais fácil no controle contínuo, com Mediana é um estimador mais fraco
menos cálculos. que a média.

Xind,
Para medições demoradas, caras e Exige cuidados especiais, quando a
Rmóv
testes destrutivos. Adequada para distribuição do processo não se
materiais com certa homogeneidade apresenta simétrica. Não é tão
num certo ponto ou momento. sensível às alterações do processo.
Fluxograma do CEP - Variáveis

Definir Variáveis ou
característica Atributos?
As médias Não Usar carta de
podem ser cal-
Variáveis Mediana/Ampl.
culadas?
Possível se- Sim
parar em sub- Sim
grupos?
O tam. da
Variáveis amostra é seis Não Usar carta de
Não Média/Ampl.
ou mais?
Usar carta de
val. individuais Sim
Sim Usar carta de
As variân- Média/Var.
Não
Usar carta de cias podem ser cal-
Média/Ampl. culadas?
Cartas para variáveis – Condições básicas

1. Verificar se o processo está sob controle (estável).


 É a fase inicial do programa de controle;
 Os limites de controle são calculados, com base nos
valores obtidos nas amostras iniciais;
 A variação dos valores amostrais, além daquela atribuída
ao acaso, indica falta de estabilidade.

2. Verificar se o processo permanece sob controle.


 Visa manter a fabricação, em certo nível de qualidade;
 A variação dos valores amostrais deve manter as posições dos limites
de controle (em caso negativo, o processo perdeu estabilidade, ou seja,
saiu de controle).
Cartas da média e da amplitude
(Amostragem)

 Tamanho da amostra (n):


Três a cinco elementos (deve ser constante);
Deve-se ter a mínima variação, entre os elementos da amostra.

 Freqüência da amostragem:
A princípio, ela deve ocorrer em intervalos curtos;
À medida que o processo estabiliza, a freqüência pode ser
diminuída (maior tempo entre amostras).

 Quantidade de amostras (k):


20 a 25 amostras são suficientes, para se ter uma boa estimativa
da localização e da dispersão da população (pelo menos 80 dados
medidos).
Cartas X e R - Exemplo
C lie n te : N o m e d a O p e ra ç ã o : U s in a g e m d o e ix o C ó d ig o : 1 .0 2 .3 6 .4 4 - 0 9
C ia . X Y Z
C o r: P ra ta E q u ip ./M a q . N o : 303 Cabeçalho
C a ra c te rís tic a : D iâ m e tro d o e ix o
E s p e c if ic a ç ã o d e E n g e n h a r ia : ( 1 0 + /- 0 ,5 ) m m S e to r: T o rn e a ria

M É D IA S A m o s tra : 3 U n id a d e s p o r: h o ra
X = 1 0 ,5 1 7 L SC = 1 0 ,9 2 3 L IC = 1 0 ,1 1 1
Amostra e
X
1 1 ,0 0 L SC
limites da
média
1 0 ,7 5
M é d ia
1 0 ,5 0
Carta da
1 0 ,2 5
L IC média
1 0 ,0 0

Limites da
A M P L IT U D E S
R = 0 ,3 9 7 L SC = 1 ,0 2 2 L IC = não há
amplitude
R

1 ,5 0 Carta da
1 ,0 0
L SC amplitude
0 ,5 0 M é d ia
0 ,0 0

D a ta 2 8 /0 2 2 8 /0 2 2 8 /0 2 2 8 /0 2 2 8 /0 2 2 8 /0 2 2 8 /0 2 2 8 /0 2 2 8 /0 2 2 8 /0 2 2 8 /0 2 2 8 /0 2
H o ra 7 :0 0 8 :0 0 9 :0 0 1 0 :0 0 1 1 :0 0 1 2 :0 0 1 3 :0 0 1 4 :0 0 1 5 :0 0 1 6 :0 0 1 7 :0 0 1 8 :0 0
1
2
1 0 ,6 9
1 0 ,8 0
1 0 ,2 0
1 0 ,3 0
1 0 ,4 2
1 0 ,6 1
1 0 ,9 8
1 0 ,2 7
1 0 ,6 1
1 0 ,5 2
1 0 ,5 7
1 0 ,4 6
1 0 ,4 4
1 0 ,2 9
1 0 ,2 0
1 0 ,2 9
1 0 ,4 6
1 0 ,7 6
1 0 ,1 1
1 0 ,3 3
1 0 ,2 9
1 0 ,5 7
1 0 ,8 3
1 1 ,0 0
Dados
3 1 0 ,3 9 1 0 ,7 2 1 0 ,5 4 1 0 ,5 0 1 0 ,6 7 1 0 ,5 0 9 ,8 6 1 0 ,4 1 1 0 ,7 4 1 0 ,9 8 1 0 ,6 5 1 0 ,6 5 medidos
4
5
6
X -b a rra 1 0 ,6 2 7 1 0 ,4 0 7 1 0 ,5 2 3 1 0 ,5 8 3 1 0 ,6 0 0 1 0 ,5 1 0 1 0 ,1 9 7 1 0 ,3 0 0 1 0 ,6 5 3 1 0 ,4 7 3 1 0 ,5 0 3 1 0 ,8 2 7 Média e
R 0 ,4 1 0 ,5 2 0 ,1 9 0 ,7 1 0 ,1 5 0 ,1 1 0 ,5 8 0 ,2 1 0 ,3 0 0 ,8 7 0 ,3 6 0 .3 5
amplitude
Diário de bordo - Exemplo

 Todas as modificações de pessoas, ambiente, materiais, máquinas ou


métodos devem ser anotadas pelo operador.
 Tais anotações ajudarão na análise da estabilidade e na tomada de
eventuais ações corretivas para sinais de instabilidade assinalados na
carta. Incentivar o operador a preenchê-lo corretamente.
 Normalmente é colocado no verso das cartas de controle.

Data Hora Comentário


Cartas X e R – Limites de controle

LSC
LM
LIC

A) Cálculo da média e da amplitude, de cada amostra, feito pelos


operadores, e colocação nas cartas:
X + X + ... + X
X = 1 2 n
R = Xmáximo - Xmínimo
n

B) Cálculos das médias das médias e das amplitude, feitos pelos analistas do
CEP, e colocação nas cartas, além dos quatro limites de controle (onde A2, D3 e
D4 são tabelados, em função do tamanho das amostras):

X1 + X 2 + .... + X k R 1 + R 2 + ... + R k
X= R=
k k

LSC = X + A 2 . R LSC R = D 4 .R
X

LIC X
= X − A 2 . R LIC R = D 3 .R
Cartas para variáveis – Tabelas de fatores
__ __
Cartas ( X e R ) Cartas ( X e S )
Tamanho __ __
Carta X Carta R Carta X Carta S
Amostra
A2 d2 D3 D4 A3 C4 B3 B4
2 1,880 1,128 - 3,267 2,659 0,7979 - 3,267
3 1,023 1,693 - 2,574 1,954 0,8862 - 2,568
4 0,729 2,059 - 2,282 1,628 0,9213 - 2,266
5 0,577 2,326 - 2,114 1,427 0,9400 - 2,089
6 0,483 2,534 - 2,004 1,287 0,9515 0,030 1,970
7 0,419 2,704 0,076 1,924 1,182 0,9594 0,118 1,882
8 0,373 2,847 0,136 1,864 1,099 0,9650 0,185 1,815
9 0,337 2,970 0,184 1,816 1,032 0,9693 0,239 1,761
10 0,308 3,078 0,223 1,777 0,976 0,9727 0,284 1,716
~
11 0,285Cartas3,173
de Medianas
0,256( X e R 1,744
) Carta de0,9754
0,927 Individuais 0,321
( Xind e Rmov )
1,679
Tamanho ~
Carta X Carta R Carta X Carta R
Amostra ~
A 2 d2 D3 D4 E2 d2 D3 D4
2 1,880 1,128 - 3,267 2,660 1,128 - 3,267
3 1,187 1,693 - 2,574 1,772 1,693 - 2,574
4 0,796 2,059 - 2,282 1,457 2,059 - 2,282
5 0,691 2,326 - 2,114 1,290 2,326 - 2,114
6 0,548 2,534 - 2,004 1,184 2,534 - 2,004
7 0,508 2,704 0,076 1,924 1,109 2,704 0,076 1,924
8 0,433 2,847 0,136 1,864 1,054 2,847 0,136 1,864
9 0,412 2,970 0,184 1,816 1,010 2,970 0,184 1,816
10 0,362 3,078 0,223 1,777 0,975 3,078 0,223 1,777
Interpretação das cartas para variáveis,
segundo o Manual do CEP da 1ª. edição

Ponto acima ou abaixo dos limites de controle

7 ou mais ciclos consecutivos entre os limites

Muitos (ou poucos) pontos concentrados perto da


média (ideal: 2/3 dos pontos no terço central)

Tendência crescente(ou decrescente) de 7 ou


mais pontos consecutivos

7 ou mais pontos consecutivos acima (ou abaixo)


da linha média, mesmo estando entre os limites
Exemplos de interpretação –
Carta das médias

- Ajuste de máquina diferente;


- Mudança no processo, no método ou na
matéria prima;
-4 - Quebra de componente da máquina.

- Mudança de temperatura (gradual);


- Desgaste do equipamento;
3
- Desgaste do ferramental.

- Erro na marcação dos pontos;


- Dados estimados ou forjados;
- Instrumento de medição não adequado.

- Matéria prima não uniforme;


- Oscilação no fornecimento de energia
para o equipamento.
Exemplos de interpretação –
Carta das amplitudes

- Equipamento sobrecarregado;
- Quebra de componente da máquina;
- Instrumento de medição desregulado.

- Matéria prima muito heterogênea;


- Aplicação de métodos diferentes;
- Quebra de componente.
-4

- Mudanças de turno;
- Alternância entre dispositivos/operadores.

- Perda na uniformidade na MP;


- Desgaste do equipamento;
- Instrumentos de medição danificados.
Critérios para causas especiais –
(Segundo o Manual da 2ª. edição)

 1 ponto fora de 3 desvios padrão da linha central


 7 pontos consecutivos no mesmo lado da linha central
 6 pontos seguidos, todos crescentes ou decrescentes (?)
 14 pontos seguidos, alternadamente acima e abaixo
 2 pontos em 3 acima de 2 desvios padrão da linha central (mesmo
lado)
 4 pontos em 5 acima de 1 desvio padrão da linha central (mesmo lado)
 15 pontos consecutivos dentro de 1 desvio padrão da linha central
(qualquer lado)
 8 pontos consecutivos acima de 1 desvio padrão da linha central
(qualquer lado)
 (?): Este valor 6 ainda é passível de acerto, pois o manual não deixa
claro se vai manter o antigo valor 7, ou se altera para 6.
Minitab – Cartas X e R

Stat > Control charts > Variables charts for subgroups > Xbar- R

Indicar coluna
de dados

Indicar tamanho
da amostra
Minitab – Definição dos testes

Xbar - R Chart > Options > Tests

5 testes
(TS 16949 – Ed. 1)

3 outros testes
(TS 16949 – Ed. 2)
Xbar R: Options – Estimate e
Scale - Stamp (opcional)
Usado quando se quer eliminar
amostras do cálculo de
parâmetros

Usado para cartas R

Usado para
PPAP
Indicar (opcional) a coluna
identificadora das amostras (título)
Minitab - Cartas

Xbar-R Chart of Diâmetro


UC L=109,22
100
Sample M ean

80
_
_
X=76,35 Pontos
vermelhos,
60
eventuais,
LC L=43,48 indicam sinais de
40
1
1
2 3 4 5 6 7 8 9 10 instabilidade
Sample

60
UC L=57,10

45
Sample Range

30
Detalhamento na
_
15
R=17,48 janela de sessão
(“session”)
0 LC L=0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Sample
Exercício – Peso de uma peça, em gramas
Dia 6 Dia 7 Dia 8 Dia 9 Dia 10 Dia 11 Dia 12 Dia 13 Dia 14 Dia 15
13 10,1 12,2 10,8 9,8 11,2 9,2 10,4 10,8 12
11 11 10,5 11,2 13 13 11 11,4 9,2 11,3
12 11,5 9,3 11,1 13,1 10,1 11,3 11,8 11,4 11,9
12,5 9,7 10,8 12,8 11,2 12 10,2 11,2 12 11,6
10,5 12,5 11,5 10 10,8 11,1 9,3 10 10,2 10,3
9,5 11,2 12,7 9,5 11 9,3 11,7 10,2 10,4 12,5
11 11 9,5 11,5 11,5 10,2 12,4 10,5 9,4 12
11,6 9 11,1 11,4 13,5 12,5 9,8 13,4 10,5 12,4
13,7 10,4 11,2 12,8 11,2 10,5 13,4 11,2 11,2 11
9,8 10,8 11 13,1 12,6 11 11,2 10,5 10,6 10,3

Dia 16 Dia 17 Dia 18 Dia 19 Dia 20 Dia 21 Dia 22 Dia 23 Dia 24 Dia 25
12,5 12,4 11,3 10,8 10,8 11,4 10,6 11,4 10,7 11,3
9,1 13,4 11,6 13,1 12,6 10,2 11,2 12,2 10,5 9
9,6 14 11,2 11,2 11,3 11,4 9,8 11,8 9,7 11,2
10,4 12,6 12,2 11,8 9,4 9,4 11,2 12,7 10,5 10,4
9,3 11,3 11,2 11,5 13 13 12 11,7 11,5 14
10,8 11,5 10,7 11,7 11,5 10,8 10,2 12,6 10,2 11,2
12,9 10,8 10,4 9,8 10,7 9,4 11,9 11,5 10,2 11,5
14,2 10,2 12,8 10,5 10,2 11,2 10,3 10,7 11,4 10,1
11 10,5 11,2 10 12,2 11,5 10,2 10,2 10,7 13
10 11,8 11 12,6 11,8 13,6 10,9 13,6 10 11,4

Dadas as 20 amostras diárias, com 10 peças cada, construir e interpretar as


cartas da média e da amplitude. A seguir, analisar a capacidade (histograma).
Exercício do peso - Cálculos
Média 11,5 10,7 11,0 11,4 11,8 11,1 11,0 11,1 10,6 11,5
Ampl. 4,2 3,5 3,4 3,6 3,7 3,7 4,2 3,4 2,8 2,2
Média 11,0 11,9 11,4 11,3 11,4 11,2 10,8 11,8 10,5 11,3
Amplit. 5,1 3,8 2,4 3,3 3,6 4,2 2,2 3,4 1,8 5,0

1) Na tabela acima, estão calculadas as médias e amplitudes, das 20 amostras.


2) Então: Média das médias = (11,5 + 10,7 + 11,0 + ....)/20 ≅ 11,205g;
Média das amplitudes = (4,2 + 3,5 + 3,4 + ....)/20 ≅ 3,475g.
3) Daí: Carta das médias – LSC = 11,205 + 0,308 x 3,475 ≅ 12,276g;
LIC = 11,205 – 0,0308 x 3,475 ≅ 10,134g.
Carta das amplitudes – LSC = 1,777 x 3,475 ≅ 6,175;
LIC = 0,223 x 3,475 ≅ 0,775.
onde: 0,308, 1,777 e 0,223 são tirados da tabela do slide 17 (amostra = 10).
4) Construir os 2 gráficos, lançando os limites (LIC e LSC), as linhas médias (LM), os
pontos (cada média e cada amplitude) e unir os pontos.
5) Analisar os gráficos, com base nos 5 testes (ou 8) mostrados no slide 18. Neste caso,
o processo foi aprovado em todos, donde ele é considerado estável (vide próximo slide).
Exercício do peso – Solução (cartas)

Carta Xbar-R do Peso


LS C =12,276
12,0
M édia amostr al

11,5 _
_
X=11,205
11,0

10,5

LIC =10,134
10,0
Dia 6 D ia 8 Dia 10 D ia 12 Dia 14 D ia 16 Dia 18 Dia21 Dia 22 D ia 24
Data

6,0 LS C =6,175
A mplitude amostr al

4,5
_
R=3,475
3,0

1,5
LIC =0,775
0,0
Dia 6 D ia 8 Dia 10 D ia 12 Dia 14 D ia 16 Dia 18 Dia21 Dia 22 D ia 24
Data

Processo estável (sob controle), pois foi aprovado em todos os 5 testes (ou 8).
Perceba que nenhum ponto saiu em vermelho.
Exercício do peso – Solução (histograma)
 Supondo que o cliente tenha como especificação do peso 9,5 a 13,5g, analisar,
através do histograma, se o processo é capaz (atende as necessidades do cliente).

Histograma do Peso
LIE=9,5 LS E=13,5
Méd ia 11,21
25
[Link] rão 1,135
N 200

20
Frequência

15

10

0
9,00 9,75 10,50 11,25 12,00 12,75 13,50 14,25
Peso

Apesar do processo ser estável, ele não atende às especificações do cliente (LIE e LSE),
daí ele não ser considerado capaz. Depois, veremos como obter os índices de capacidade
(Cp e Cpk) e as porcentagens de rejeição.
Cartas média e desvio padrão (X e S)
 Os cálculos são semelhantes à carta anterior, porém o cálculo de S (desvio padrão) é
mais difícil, embora tenha mais precisão para estimar a variação.
 As constantes A3, B3 e B4 são dadas nas tabelas já mostradas.

X =
X 1 + X 2 + ... + X k
S =
∑ (X i − X )2
(p/ cada amostra)
i
k n − 1

LSC S = B 4 .S LSC X
= X + A 3 . S
LIC S = B 3 .S LIC = X − A . S
X 3

Média e desvio padrão

MINITAB:
Stat > Control charts >
Variables charts for subgroups
> Xbar- S
Exercício – Peso (média e desvio padrão)

 Usando os mesmos dados do exercício anterior (peso), construir as cartas da


média e do desvio padrão.
 Para facilitar, estamos fornecendo, para cada amostra, sua média e seu
desvio padrão:
Média 11,5 10,7 11,0 11,4 11,8 11,1 11,0 11,1 10,6 11,5
D.P. 1,4 1,0 1,1 1,2 1,2 1,2 1,4 1,0 0,9 0,8
Média 11,5 10,7 11,0 11,4 11,8 11,1 11,0 11,1 10,6 11,5
D.P. 1,4 1,0 1,1 1,2 1,2 1,2 1,4 1,0 0,9 0,8

 Respostas (vide próximo slide):


A3 = 0,976; B3 = 0,284; B4 = 1,716 (para n = 10);
Média das médias = 11,205g;
Média dos desvios padrões = 1,093g;
LSC = 12,271g e LIC = 10,139g (carta das médias);
LSC = 1,876g e LIC = 0,310g (carta dos desvios padrões);
Processo sob controle (estável).
Exercício do peso, com D.P. - Resposta

Carta Xbar-S do Peso


LS C =12,271
12,0
M édia amostr al

11,5 _
_
X=11,205
11,0

10,5

LIC =10,139
10,0
D ia 6 D ia 8 Dia 10 D ia 12 Dia 14 Dia 16 Dia 18 D ia21 Dia 22 D ia 24
Data

2,0
Desvio padr ão amostr al

LS C =1,876

1,5

_
S =1,093
1,0

0,5
LIC =0,310
D ia 6 D ia 8 Dia 10 D ia 12 Dia 14 Dia 16 Dia 18 D ia21 Dia 22 D ia 24
Data

Interpretação: Processo estável.


Carta de valores individuais e
amplitude móvel (Xind e Rmov)
 Trabalha-se com valores individuais do processo, sendo os mesmos plotados
diretamente na carta e a amplitude (Rmov) geralmente é calculada para cada par
sucessivo de dados registrados, sendo denominada amplitude móvel.
X1 + X 2 + ... + X k
X = R i : ( X 1 − X 2 ), (X 2 − X 3 ) , etc
k
LSC R = D 4 .R LSC X = X + E 2.R
LIC R = D 3 .R LIC X = X − E 2.R

Valor individual e
amplitude móvel

MINITAB:
Stat > Control charts >
Variables charts for
individuals > I-MR
Exercício - Baterias

Na fabricação da massa para usar em placas de baterias automotivas, mede-se


o percentual de chumbo livre na massa (valores na tabela, em %).
Admitindo que a especificação para esse chumbo seja de 25 a 32 %, pede-se
analisar se o processo está estável e capaz. Usar carta de individuais.
Dia 11/jan 11/jan 11/jan 11/jan 11/jan 11/jan 12/jan 12/jan 14/jan 14/jan
Hora 8 9 10 11 13 14 9 10 8 9
Valor 26 28 24 21 24 23 25 24 26 24

Dia 14/jan 14/jan 14/jan 16/jan 16/jan 16/jan 16/jan 17/jan 17/jan 17/jan
Hora 10 11 13 13 14 15 16 13 14 15
Valor 25 26 25 24 25 24 26 24 25 23

Dados: Média dos valores individuais = 24,6%; Média das amplitudes


móveis = 1,737%; A3 = 2,660; D3 = 0; D4 = 3,267 (para n = 2, pos a amplitude
móvel foi calculada para cada par (2) de valores consecutivos.
Respostas: Processo estável, com limites da carta de individuais = 29,22%
e 19,98%, e limites da carta de amplitude móvel = 5,675 e 0.
Lembrar que: estabilidade é diferente de capacidade!!!
Exercício das baterias – Resposta (cartas)

Carta I-MR da % Pb
LS C =29,22
28
V alor individual

26
_
X=24,6
24

22

20 LIC =19,98
11-8h 11-10h 11-13h 12-9h 14-8h 14-10h 14-13h 16-14h 16-16h 17-14h
Dia-hor as

6,0
LS C =5,675
A mplitude móvel

4,5

3,0
__
M R=1,737
1,5

0,0 LIC =0
11-8h 11-10h 11-13h 12-9h 14-8h 14-10h 14-13h 16-14h 16-16h 17-14h
Dia-hor as

Interpretação: Processo estável (ou sob controle).


Exercício das baterias – Histograma

Histograma da % Pb
LIE=25 LSE=32
Média 24,6
7
D. Padrão 1,465
N 20
6

5
Frequência

0
22 24 26 28 30 32
% Pb

Apesar do processo ser estável, ele não atende às especificações do cliente


(LIE e LSE), daí ele não ser considerado capaz. Depois, veremos como
obter os índices de capacidade (Cp e Cpk) e as porcentagens de rejeição.
~
Carta da mediana e da amplitude (X , R)

 Substitui a carta da média e da amplitude, quando o operador tem uma


dificuldade muito grande em realizar o cálculo da média.
 As constantes das fórmulas são dadas nas mesmas tabelas já mostradas.
~ ~ ~
~ X1 + X 2 + ... + X k
X= R = (R1 + R 2 + .... + R k ) / k
k
~ ~
LSC R = D 4 .R LSC X~ = X + A 2 . R
~ ~
LIC R = D 3 .R LIC X~ = X − A 2 . R

Obs.: O Minitab não tem essa opção.


Capacidade do processo

 A análise da capacidade do processo é feita através do cálculo de


alguns medidores, como Cpk Cp, Ppk, Pp.

LIE LSE LIE LSE


Processo capaz de Processo não capaz de
cumprir as especificações cumprir as especificações

 LIE e LSE = limites de especificação, inferior e superior (cliente).

 Antes de se iniciar a análise de capacidade, é necessário realizar


o estudo de sua normalidade e de sua estabilidade!!!
Capacidade, para PPAP (Pp e Ppk )

 O índice Pp analisa apenas a relação entre a variabilidade do


processo e os limites de especificação (LIE e LSE).
 O PPAP (Processo de aprovação de peças de produção) é usado
para aprovar amostras, junto ao cliente, antes de produzir em rotina.
 O índice Ppk denota a variabilidade do processo e, também, a
centralização dos valores analisados, em relação às especificações
(fornece mais informações do que o Pp).

LSE − LIE  LSE - X X − LIE 


Pp = Ppk = Mín  ; 
6σ̂  3σ̂ 3σ̂ 

onde: σ̂ =
∑ i
(X − X ) 2

= estimativa do desvio padrão do processo


n −1

n = número de elementos da amostra


Capacidade, para Rotina (Cp e Cpk )
O índice Cp analisa apenas a relação entre a variabilidade do
processo e os limites de especificação (LIE e LSE).
O índice Cpk denota a variabilidade do processo e, também, a
centralização dos valores analisados, em relação às especificações
(fornece mais informações do que o Cp).

Cp =
LSE − LIE
6σ̂
[
C pk = Mín C pi e C ps ]
X − LIE LSE − X
C pi = C ps =
onde: 3σ̂ 3σ̂

R = desvio padrão estimado, inerente ao processo


σ̂ =
d2
d2 = tabelado, em função de n (tamanho da amostra)
Exemplo: Comparação entre Cpk e Cp

LSE = 1,010

Tolerância
1,000 ± 0,010

LIE = 0,990

Caso 1 Caso 2 Caso 3 Caso 4 Caso 5


X = 1,002 X = 1,000 X = 1,006 X = 0,992 X = 1,010
σ = 0,001 σ = 0,001 σ = 0,001 σ = 0,001 σ = 0,001

A) Cpk : Caso 1 Caso 2 Caso 3 Caso 4 Caso 5


Cpk = 2,67 Cpk = 3,33 Cpk = 1,33 Cpk = 0,67 Cpk = 0

B) Cp : Cp = 3,33 Cp = 3,33 Cp = 3,33 Cp = 3,33 Cp = 3,33


Interpretações dos indicadores

 Pp e Ppk ≥ 1,67: O processo atende às especificações, iniciar produção;


 1,33 ≤ Pp e Ppk < 1,67: O processo atende às especificações, tendo
cuidado com características importantes, até obter Cpk ≥ 1,33;
 Ppk < 1,33: O processo não atende às especificações (tentar melhorá-
lo, antes de colocá-lo em produção). PPAP
 Cp e Cpk ≥ 1,33: O processo atende às especificações. Rotina
 Cpk < 1,33: O processo não atende às especificações e necessita de
melhoria (há refugos e retrabalho).
 Observações:
Cp é sempre maior ou igual a Cpk.
Quanto maior o Cpk, menor a variabilidade e mais centrado o processo se
encontra, com relação às especificações.
Quando o processo está centrado, e tem pequena variabilidade: Cp = Cpk.
Os cálculos de Cp e de Cpk só têm validade, se o processo seguir uma
distribuição normal (idem para Pp e Ppk).
Capacidade de máquina (Cm e Cmk)

LSE − LIE  LSE − X X − LIE 


Cm = C mk = min  ; 
6 σ̂  3 σ̂ 3 σ̂ 

$=
σ estimativa do desvio padrão
total do processo e n = nº de σ̂ =
∑ i
(X − X ) 2

elementos do processo n −1

Interpretações:
Cm e Cmk ≥ 1,67: A máquina atende à necessidade, iniciar o run-at-rate.
1,33 ≤ Cm e Cmk < 1,67: A máquina atende à necessidade, iniciar o run-at-
rate tendo cuidado especial com as características mais importantes do
processo até que um Pmk ≥ 1,67 seja atingido.
Cmk < 1,33: A máquina não atende à necessidade, deve-se tentar melhorá-la,
antes de iniciar o run-at-rate.
Aqui, o número de amostras é pequeno (intenção é conhecer só a variabilidade
da máquina), donde a coleta deve ser feita num curto espaço de tempo.
Relação entre Cpk , σ (Sigma) e PPM

CPK ± % dentro da Quant. de


Sigma tolerância defeitos
(PPM)
0,33 1 68,268948 317.310
0,67 2 95,4499876 45.500
1,00 3 99,7300066 2.699
1,33 4 99,9936628 64
1,67 5 99,9999425 0,6
2,00 6 99,9999998 0,002
Capacidade do processo, no Minitab

Stat > Quality tools > Capability analysis > Normal

Indicar a coluna
de dados

Indicar o tamanho
da amostra

Indicar LIE

Indicar LSE
Minitab (estimate e options)

Usada para carta Xbar e R


Usada para carta Xbar e S

Usada para PPAP

Usada para carta Xind, Rmov

Normalmente usa-se 2

Usado para o Cpm


(indicar um valor)

Within usado para


rotina e Overall para
PPAP

Escolher as formas
Exercício do peso - Resolução
1. Já havíamos visto, no cálculo da estabilidade: Média das médias amostrais =
11,205g e média das amplitudes = 3,475g.
2. Os limites da especificação são dados pelo cliente: 9,5 e 13,5g.
3. Então o desvio padrão inerente do processo (within):
σ̂ = R/d 2 = 3,475/3,078 ≅ 1,13g
4. Índice Cp = (13,5 – 9,5) / (6 x 1,13) ≅ 0,59 < 1,33 (não capaz).
5. Cpi = (11,205 – 9,5)/(3 x 1,13) ≅ 0,50 Cps = (13,5 – 11,205)/(3 x 1,13) ≅ 0,68,
daí o índice Cpk = 0,50 (menor dos dois) < 1,33 (não capaz).
6. Rejeições, usando a tabela da distribuição normal, calculando antes o escore
reduzido, z = (Xi - µ)/σ:
 zs = (13,5 -11,205)/1,13 = 2,03, então 2,11% (tabela), acima do LSE;
 Zi = (9,5 -11,205)/1,13 = -1,51, então 6,55% (tabela), abaixo do LIE.
7. Comparar esses cálculos manuais, com os do Minitab (próximo slide).
Minitab – Exemplo do peso

Capacidade do processo (Peso)

LIE LSE
D ados do processo C apacidade potencial (Within)
LIE 9,5 Cp 0,59
LS E 13,5 C pi 0,50
M édia amostral 11,205 C ps 0,68
A mostra N 200 C pk 0,50
D.P adrão (Within) 1,12898

Índices de
capacidade

9,00 9,75 10,50 11,25 12,00 12,75 13,50 14,25

P erformance observ ada P erformance Within (teórica, normal)


% < LIE 6,50
% > LS E 3,00
% < LIE 6,55
% > LS E 2,10
Performance observada é baseada no
% Total 9,50 % Total 8,65 histograma e a “within” na curva
normal

Processo não capaz.


Capacidade para outras cartas de variáveis

 As expressões de cálculo de Pp , Ppk , Cp e Cpk são as mesmas.

 Apenas o cálculo do desvio padrão inerente do processo, no caso de


Cp e Cpk , muda:

σ̂ = S /C 4 (no caso da carta X, S)


σ̂ = R/d 2 (nos demais casos)
onde: C4 e d2 são tabelados, em função do tamanho da amostra (n).

 As interpretações continuam sendo as mesmas.


Minitab, capacidade “sixpack”

Stat > Quality tools > Capability sixpack > Normal

Capacidade sixpack do processo (Peso)


Carta Xbar (médias) Histograma da capacidade
LSL USL
LSC=12,276
Média amostral

12 S pecifications
_
_
LS L 9,5
X=11,205 U S L 13,5
11

LIC=10,134
10 00 75 50 25 00 75 50 25
9, 9, 10, 11, 12, 12, 13, 14,
1 3 5 7 9 11 13 15 17 19

Carta R (amplitudes) PPN


P v : < 0,005
Amplitude amostral

LSC=6,175
5,0
_
R=3,475
2,5

LIC=0,775
0,0
1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 8 10 12 14

Últimos 20 grupos Capacidade (plotagem)


14 Within (rotina) Within O v erall (P P A P )
D.P adrão 1,12898 D. P adrão 1,13539
Valores

12 Cp 0,59 Pp 0,59
O v erall
C pk 0,5 P pk 0,5
10 C pm *
S pecs
5 10 15 20
Amostra
Fim do Módulo 3

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