Kerr
Kerr
In this work we introduce Kerr-Schild method to obtain new solutions to Einstein field equations from a known
background solution. We show some properties, a historical introduction of the method, and some examples of its
application.
Keywords: Kerr-Schild, Black Holes, Einstein Equations
vantagem do método de Kerr-Schild radica em que as geral, os símbolos de Christoffel determinam a existência
equações de campo resultantes são lineares na perturba- da força gravitacional (e a existência de curvatura numa
ção tensorial, facilitando enormemente sua solução. variedade) e, pela relação a seguir, é a métrica que faz o
Neste artigo, apresentaremos a transformação tanto papel do potencial gravitacional:
na sua forma original, publicada por Roy Kerr e Alfred
1 σκ
Schild, em 1965 [3], como a generalização apresentada Γκµν = g (gσµ,ν + gσν,µ − gµν,σ ) , (2)
numa revisão de Abraham H. Taub [6] publicada em 2
1981, além de expor algumas propriedades conhecidas e onde a vírgula representa uma derivada: gσµ,ν ≡ ∂ν gσµ ≡
exemplos de suas aplicações.
∂xν . Esta equação permite o cálculo dos símbolos de
∂gσµ
Consideremos o intervalo entre dois eventos no espaço- A generalização para tensores de ordem superior é sim-
tempo ou elemento de linha como sendo: ples: para cada índice contravariante µ somamos um
termo contendo o símbolo de Christoffel correspondente
ds2 = gµν dxµ dxν , (1) Γµ•• , e para cada índice covariante µ subtraimos um termo
contendo Γ•µ• . A importância da derivada covariante se
onde os índices gregos representam as coordenadas do manifesta em dois fatos: ela converte tensores em outros
espaço-tempo (α = 0, 1, 2, 3), dxµ representa um desloca- tensores e ela se reduz à derivada ordinária na ausência
mento infinitesimal genérico da coordenada xµ e gµν é a de gravitação (variedade plana), ou seja, quando Γκµν = 0.
chamada métrica desse espaço-tempo, na qual está codi- Por fim, é necessário caracterizar a curvatura do espaço-
ficada toda a informação da geometria dele. A Eq.(1) é tempo com um novo objeto: o tensor de curvatura ou
uma quantidade invariante, ou seja, todos os observadores tensor de Riemann, que pode ser escrito em termos dos
em qualquer sistema de referência concordarão com uma símbolos de Christoffel:
medida desta. Além disso, a métrica introduz a noção
de distância através do elemento de linha (1), que pode
ser entendido como um análogo do teorema de Pitágoras Rα βµν := Γα α α σ α σ
βν,µ − Γβµ,ν + Γσµ Γβν − Γσν Γβµ . (5)
num espaço pseudo-Riemanniano2 . Matematicamente, a
métrica é um tensor de ordem 2 definido em cada ponto Esse tensor indica a mudança que ocorre nas componentes
de uma variedade como o produto de 2 vetores de base de um tensor quando ele é transportado em um caminho
do espaço tangente nesse ponto, e é útil representá-la fechado; se essa mudança for nula, a variedade não possui
como uma matriz d × d, sendo d a dimensionalidade do curvatura. Uma das propriedades desse tensor, que tem a
espaço-tempo. Nesse trabalho consideraremos espaços- ver com os dois pares de índices dele, é que ele é simétrico
tempos tanto em 3 como em 4 dimensões e a assinatura na troca desses dois pares e antisimétrico na troca dos
da métrica será (-++) e (-+++), respectivamente, i.e., índices de cada par. A partir desse tensor é útil definir
(-) para a coordenada temporal e (+) para as coorde- o tensor de Ricci e o escalar de Ricci por operações de
nadas espaciais. Essa escolha faz com que ds2 possa ser contração:
positivo, negativo ou zero, definindo assim o intervalo
como sendo tipo espaço, tipo tempo ou tipo luz, respec- Rαβ := Rµ αµβ = Rβα , (6)
tivamente. Essa é a diferença básica com o teorema de R := g µν
Rµν . (7)
Pitágoras onde ds2 é sempre positivo.
Uma outra quantidade de grande utilidade é a chamada 2.2. Equações de Einstein
conexão afim, um objeto geométrico definido sobre uma
variedade suave, que conecta espaços tangentes próximos. O tensor de Riemann (5) obedece uma equação de con-
Uma classe especial são os chamados símbolos de Ch- servação importante chamada de identidades de Bianchi:
ristoffel Γκµν , que fornecem uma representação concreta Rαβµν;λ + Rαβλµ;ν + Rαβνλ;µ = 0 . (8)
desse tipo de conexão na geometria pseudo-Riemanniana
em termos das coordenadas da variedade. Na relatividade Contraindo duas vezes esta identidade, podemos definir
2 Um espaço Riemanniano cumpre certos requisitos, dentre eles,
um novo tensor, cuja derivada covariante é nula:
que a métrica seja suave e sempre positiva definida. No caso da
relatividade este último requisito não se cumpre, daí o prefixo 1
Rαβ − g αβ R ≡ Gαβ ;β = 0 , (9)
pseudo. 2 ;β
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onde Gαβ é chamado de tensor de Einstein, a partir Suponhamos uma variação gµν → gµν + δgµν ; como
do qual podemos formular as equações de campo de g µσ gσν = δ µ ν , podemos escrever:
Einstein [7].
Considerando um conteúdo material descrito pelo tensor δg µν = −g µκ g λν δgκλ ; (15)
de energia-momento T αβ , o qual deve ser conservado,
também, tendo em vista que Det gµν = e Tr (ln gµν )
, temos:
i.e., T αβ ;β = 0, podemos relacioná-lo à curvatura do
espaço-tempo representada por algum tensor simétrico √ 1 √ µν
de ordem 2, que é precisamente o tensor de Einstein: δ g= gg δgµν . (16)
2
Gαβ = k T αβ . (10) A variação do tensor de Ricci com respeito à métrica é:
A constante de proporcionalidade pode ser determinada δRµν = (δΓλµλ );ν − (δΓλµν );λ . (17)
usando o limite newtoniano da teoria, obtendo k =
8πG/c4 , sendo G a constante de gravitação de Newton e Com o auxílio das identidades (15), (16) e (17), pode-se
c a velocidade da luz no vácuo. Usualmente em Relati- verificar que:
vidade Geral, costumamos usar unidades geometrizadas 1
Z
√
1
que consideram: G = c = 1, de tal maneira que a forma δSG = − −g Rµν − g µν R δgµν d4 x. (18)
16π 2
final das equações de Einstein está dada por:
1 Combinando as equações (18) e (14), temos que o prin-
Rαβ − g αβ R = 8πT αβ . (11) cípio de Hamilton, δS = 0, é satisfeito se e somente
2
se,
Também é possível obter as equações (11) a partir de 1
uma formulação concisa e elegante da relatividade geral Rµν − g µν R = 8πT µν , (19)
2
que usa o formalismo Lagrangiano para campos [8]. Essa que são as equações de campo de Einstein.
demonstração será desenvolvida a seguir.
Tendo em vista que a métrica gµν é o campo que
2.3. Campos Vetoriais de Killing
descreve a gravidade, iremos considerá-la como o grau de
liberdade do sistema para o qual desejamos encontrar as Uma simetria em um espaço-tempo caracterizado por
equações de movimento e, uma vez que a Lagrangiana é uma variedade n-dimensional M pode ser entendida
uma função escalar, devemos procurar escalares obtidos a como um difeomorfismo 3 f : U → V, onde U e V são
partir da métrica para construir a densidade Lagrangiana. subconjuntos abertos de M, que preserva alguma carac-
√
As escolhas mais diretas e simples são −g, g = Det gµν terística geométrica de M [9].
e R = g µν Rµν , sendo Rµν o tensor de Ricci, que, por ser Suponha um campo vetorial ξ µ (xα ). Podemos definir
formado a partir de derivadas da métrica, será o termo o seguinte deslocamento infinitesimal [10]:
cinético; uma vez que esses escalares são construídos
a partir de tensores, temos garantida a covariância da xα = xα + ξ α (xµ )dλ = xa + δxa . (20)
Lagrangiana. A partir desses escalares, podemos escrever
Para essa transformação, temos,
a ação do campo gravitacional SG [8],
1
Z
√ δgαβ = gαβ,µ ξ µ dλ, (21)
SG = −g R d4 x; (12)
16π δ(dxα ) = d(δxα ) = ξ α ,µ dxµ dλ, (22)
que é denominada ação de Einstein-Hilbert. de maneira que os elementos de linha nos pontos xα e
Supondo a existência de uma ação SM que descreva a xα serão idênticos se:
dinâmica da matéria presente no espaço-tempo, podemos
escrevê-la como, δ(ds2 ) = δ(gαβ dxα dxβ ) = (23)
Z
√
µ
= (gαβ,µ ξ + gµβ ξ µ
,α + gαµ ξ µ α
,β )dx dx dλ = 0 , (24)
β
SM = L (φ) −g d4 x, (13)
ou seja, haverá uma simetria se, e somente se,
onde φ representa os campos que descrevem o conteúdo
material da teoria e, L (φ) é a densidade lagrangiana gαβ,µ ξ µ + gµβ ξ µ ,α + gαµ ξ µ ,β = 0. (25)
correspondente. Partindo da variação da equação (13) Escrevendo a Eq.(25) em termos de derivadas covariantes,
com respeito à métrica gµν , definimos o tensor de energia- temos:
momento T µν da seguinte maneira: ξα;β + ξβ;α = 0. (26)
√
Z
1 O conjunto das soluções da Eq.(26), chamada de equa-
δSM = T µν δgµν −g d4 x. (14)
2 ção de Killing, forma um grupo, denominado de grupo de
Assim, a ação total do sistema será dada por S = SG + 3 Um difeomorfismo é um mapa diferenciável e inversível entre duas
SM . variedades, cujo mapa inverso também é diferenciável.
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e20180350-4 Geração de soluções exatas em Relatividade Geral através do Método de Kerr-Schild
isometria (ou grupo de movimentos). Os campos vetoriais tipos de campos eletromagnéticos: o campo de Coulomb
ξα que satisfazem a equação de Killing são denominados e o campo de radiação, cujas componentes elétrica e
vetores de Killing e, para uma determinada métrica gαβ , magnética possuem o seguinte comportamento,
são determinados pelos valores de ξα e ξα;β em um dado 1
ponto p ∈ M; esses fatores são obtidos a partir da equa- Campo de Coulomb : E ∼ , B = 0, (30)
r2
ção de Killing e da seguinte propriedade (obtida a partir 1
da definição do tensor de Riemann): Campo de radiação : E ∼ , kEk = kBk, E · B = 0.
r
ξγ;αβ = −Rβγα δ ξδ . (27) Mostraremos que ambos os casos correspondem à classi-
ficação do tensor Fµν em categorias distintas.
Como consequência, um máximo de 12 n(n + 1) fatores Um tensor de segunda ordem é dito simples se pode
definem todos os vetores de Killing de uma métrica, ser escrito na forma:
o que, por sua vez, implica que existe um máximo de 1
2 n(n + 1) vetores de Killing linearmente independentes,
1 Aµν = a[µ bν] = (aµ bν − aν bµ ).
2
fato que também define a dimensão máxima do grupo
de isometria (no caso de uma variedade com dimensão Em geral, o tensor eletromagnético não é simples, mas ele
n = 4, como é usual em relatividade, isso implica que sempre pode ser decomposto em um par de tensores de
existem, no máximo, 10 vetores de Killing em um dado segunda ordem simples, Fµν = a[µ bν] + c[µ dν] . Também é
espaço-tempo). verdade que, se Fµν é simples, então existem dois vetores
A existência de um vetor de Killing implica na existên- ortogonais p e q (i.e., pµ q µ = 0), tais que Fµν = p[µ qν] .
cia de uma isometria na variedade: os valores da métrica Na decomposição mencionada, temos:
em um dado ponto p ∈ M mantém-se inalterados quando 1 1
calculados em um outro ponto q ∈ M numa direção de- Fµν F µν = (pµ qν −pν qµ )(pµ q ν −pν q µ ) = (pµ pµ )(qν q ν ).
4 2
terminada por um vetor de Killing (ou combinação linear (31)
deles). A família de curvas que une os pontos que satisfa- Consideremos os casos Fµν F µν < 0 e Fµν F µν = 0, que
zem a condição de isometria pode ser obtida integrando correspondem, respectivamente, aos campos do tipo Cou-
as seguintes equações: lomb e de radiação.
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Já no caso em que Fµν é nulo, há duas soluções (λ = 0) Utilizando a identidade (45) na notação de bivetores,
duplamente degeneradas: verifica-se que Tr N = 0.
Para impor a condição (43) e estabelecer as respectivas
λ = 0 ⇒ k ν lν = k ν aν = 0, k µ kµ > 0 ou kµ = Alµ restrições em M , Q e N , definiremos a métrica em termos
(A = constante). (40) de bivetores a partir do seguinte tensor:
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e20180350-6 Geração de soluções exatas em Relatividade Geral através do Método de Kerr-Schild
Utilizando a decomposição dada na Eq.(52), a Eq.(51) Podem ser geradas, no máximo, três auto-soluções do tipo
separa-se em dois pares de equações tridimensionais, (λ, F A ) que, juntamente com seus complexos conjugados,
(λ̄, F̄ A ), consistem em, no máximo, seis auto-soluções da
M E + N B = −λE, (53) matriz de Weyl, C A B . Nota-se então que as classificações
−N E + M B = −λB. (54) das matrizes de Weyl, C A B , e de Petrov, P , são equi-
valentes; neste artigo, devido à maior simplicidade, será
Apesar de nenhuma dessas equações constituir separada- feita a classificação de P .
mente um problema de autovalor, podemos transformá- Tendo alcançado o problema de autovalor desejado, a
las em um tomando uma combinação linear adequada; classificação algébrica da matriz de Petrov (e, consequen-
multiplicando a Eq.(53) por k, somando à Eq.(54) e temente, da matriz de Weyl) pode ser feita de acordo
tomando −k = 1/k ⇔ k = ±i, o seguinte sistema é com a degenerescência de seus autovalores e autovetores,
obtido, conforme a Tabela 2. Como exemplo, os autovalores de
(M + iN )(E − iB) = −λ(E − iB) (55) uma matriz de Petrov de classe 1 devem satisfazer à
condição ω1 + ω2 + ω3 = 0 e os de classe 2, a condição
(M − iN )(E + iB) = −λ(E + iB). (56)
2ω1 + ω2 = 0; as condições referentes às outras classes
Tomando o complexo conjugado da Eq.(56), definindo possuem maior complexidade e não serão dadas, estando
a matriz de Petrov como a seguinte matriz simétrica de disponíveis em [14].
traço nulo P := M + iN e as notações u := E − iB e Por fim, o tensor de curvatura de uma distribuição
ω := −λ, podemos reescrever as equações (55) e (56) na de matéria isolada pode ser escrito conforme a seguinte
forma: expansão:
Tabela 2: Classes algébricas de P e relação com as classes de Petrov (L.I. significa linearmente independente).
Classe Mult. dos autovalores Mult. dos autovetores Classe de Petrov
1 3 3 autovetores L.I. I
2 2 (um degenerado) 3 autovetores L.I. D
3 2 (um degenerado) 2 autovetores L.I. II
4 1 (degenerado) 3 autovetores L.I. N
5 1 (degenerado) 2 autovetores L.I. III
6 1 (degenerado) 1 autovetor L.I. O
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disso, apesar de em um primeiro momento o método ser Sob as condições que apresentamos, as equações de
perturbativo, a nova métrica g̃µν é de fato uma solução campo assumem a seguinte forma linear [16]:
exata das equações de campo linearizadas.
A transformação foi originalmente proposta pelo físicos 1
8πT ν λ =
ηµλ (η αβ g µν − η µα g νβ − η να g µβ + η µν g αβ ),αβ .
Andrzej Trautman e Ivor Robinson, em 1962 [15], base- 2
(72)
ada na ideia de que ondas gravitacionais, em analogia
A seguir, apresentaremos algumas propriedades dos
às ondas eletromagnéticas, pudessem transportar infor-
subcasos possíveis para métricas de Kerr-Schild. Cabe
mação através do espaço e que, a nova métrica g̃µν se
observar que as deduções dessas propriedades possuem
comportasse assintoticamente como campos de radiação.
um certo grau de complexidade e não serão apresentadas;
o leitor interessado é remetido às referências originais,
3.1. A transformação original indicadas no decorrer da seção.
Originalmente, a transformação possui a seguinte forma [11]: Para construir a classificação, será utilizada uma base
ortonormal específica6 ; essa base é construída a partir de
gµν = ηµν + 2H`µ `ν , (64) dois vetores reais, lµ e nµ , e um par de vetores complexo
conjugados, mµ e m̄µ (uma forma de construir mµ é
onde ηµν é a métrica de Minkowski, H é uma função a partir de dois vetores reais unitários, aµ e bµ , tipo
escalar e `µ é um vetor nulo com respeito a gµν e ηµν , de espaço, definindo mµ = √12 [aµ − ibµ ]), que satisfaçam
maneira que: as seguintes propriedades: lµ lµ = nµ nµ = mµ mµ =
m̄µ m̄µ = 0, lµ nµ = −mµ m̄µ = −1 e lµ mµ = lµ m̄µ =
gµν `µ `ν = ηµν `µ `ν = 0, g µν = η µν − 2H`µ `ν . (65) nµ mµ = nµ m̄µ = 0. Também será utilizado o coeficiente
ρ = −mα m̄β lα;β .
Podemos verificar que as seguintes condições são satis-
feitas:
3.1.1. Campos de Vácuo
√
Γαβγ `β γ
` = Γ α
`
βγ α `γ
= 0, −g = 1. (66) • Caso ρ 6= 0: Para o caso em que ρ é não-nulo, temos
as seguintes propriedades para uma solução de
A partir da Eq.(66), temos:
Kerr-Schild das equações de Einstein no vácuo:
`α;β `β = `α,β `β , `α;β `β = `α,β `β , (67)
(I) A solução é algebricamente especial, de forma que
o vetor nulo `µ é autovetor do tensor de Weyl e, conse-
quentemente, livre de torção e geodésico.
(II) Ela será de tipo II ou D na classificação de Petrov.
βγ `α = −(H`β `γ );α ` , Γβγ ` = (H` `γ );β ` ; (68)
Γα α α β α β
Soluções do tipo III ou N não podem ocorrer.
onde, o ponto e vírgula representa a derivada covariante (III) É admitido pelo menos um grupo uniparamétrico
com relação às coordenadas no espaço-tempo descrito por de isometrias, com vetor de Killing,
gµν , e a vírgula, a derivada em relação às coordenadas
do espaço-tempo descrito por ηµν . Juntando a definição ξ = (c, p, q̄, q), (73)
do tensor de Ricci em termos dos símbolos de Christoffel
dado no sistema de coordenadas (u, v, ζ, ζ̄), construído
com as relações anteriores, temos:
a partir da base original {lµ , nµ , mµ , m̄µ }, com c e p
Rαβ `α `β = −2Hg αβ (`β;γ `γ )(`α;σ `σ ) = 8πTαβ `α `β , constantes reais e, q e q̄ constantes complexas.
(69)
• Caso ρ = 0: Se ρ é nulo, a métrica não será expansível
que nos mostra que, `α ;β `β = 0 ⇔ Tαβ `α `β = 0.
Também é possível verificar que o tensor de Ricci e não possuirá torção7 , além de necessariamente ser de
obedece à seguinte equação de autovalor [11] tipo N na classificação de Petrov.
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e20180350-8 Geração de soluções exatas em Relatividade Geral através do Método de Kerr-Schild
obtemos a seguinte expressão para o tensor de Ricci: onde E é uma constante; é trivial a verificação das con-
dições dadas.
ω
R̃αβ = Rαβ + Dαβ;ω ω
− Dσβ σ
Dαω , (78) Aplicando o método, a nova métrica ĝµν ficará com a
seguinte forma:
onde as derivadas covariantes, denotadas pelo ponto e
vírgula, são tomadas em relação à métrica gµν . Também −1 + 2H(r)E 2 −2H(r)E 2
0 0
é possível relacionar as bases de ambas as métricas [18]. −2H(r)E 2 1 + 2H(r)E 2 0 0
.
Sejam V e Ṽ os espaços definidos por gµν e g̃µν , res- ĝµν = 2
0 0 r 0
pectivamente, temos as seguintes propriedades [11, 18]: 0 0 0 r2 sin θ
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Ribeiro e cols. e20180350-9
Calculando as componentes não nulas do tensor de Eins- 4.2. Solução BTZ carregada
tein, temos:
A solução BTZ descreve um buraco negro com massa e
2E 2
G t = − 2 (rH 0 (r) + H(r)) ,
t momento angular em um espaço-tempo tridimensional
r com constante cosmológica negativa, o chamado espaço
2E 2
Anti de Sitter (AdS). Foi descoberta por Máximo Baña-
Gr r = − 2 (rH 0 (r) + H(r)) ,
r dos, Claudio Teitelboim e Jorge Zanelli em 1992 [22].
E2 Uma das peculiaridades dessa solução é que ela não pos-
θ
G θ=− (rH 00 (r) + 2H 0 (r)) , sui uma singularidade de curvatura na origem, como
r
E2 usualmente acontece com todo buraco negro em Relati-
Gϕ ϕ = − (rH 00 (r) + 2H 0 (r)) . (81) vidade Geral. De outro lado, embora o nosso universo
r
não tenha três dimensões, o estudo da gravidade tridi-
Utilizando o tensor de energia-momento das equações
mensional é importante devido à sua simplicidade, sendo
de Einstein-Maxwell, dado por:
um laboratório útil para a análise de questões importan-
tes em gravitação. Apesar do campo gravitacional nao
1 1
T µν = F µα Fνα − δ µ ν F αβ Fαβ , (82)
8π 4 ter graus de liberdade que se propaguem, a estrutura
onde Fµν é o tensor eletromagnético que, no caso em assintótica do espaço-tempo em (2+1) dimensões é extra-
questão, consiste no campo elétrico de uma carga pontual ordinariamente mais rica que aquela em (3+1) dimensões.
Q: É por esse motivo que os buracos negros tridimensionais
0 Q
0 0
tem desempenhado um papel importante na conjectura
AdS/CFT 8 e nos cenários de cosmologia de branas 9 .
r2
− Q2 0 0 0
Fµν = A métrica BTZ possui a seguinte forma:
r ;
0 0 0 0
0 0 0 0
ds2 = −N 2 dt2 + N −2 dr2 + r2 (N ϕ dt + dϕ)2 , (86)
obtemos as seguintes componentes:
Q2 onde a função lapso e o desvio angular são, respectiva-
− 2r4 0 0 0
Q2 mente,
µ 1 0 − 2r 4 0 0
T ν= 2 .
8π 0 Q r2 J2
0 0
2r 4 2 N 2 (r) = −M + + , (87)
0 0 0 Q l2 4r2
2r 4
J
Usando as equações de campo para encontrar a fun- N ϕ (r) = − 2 , (88)
2r
ção H, temos, por exemplo, analisando a componente
temporal: com −∞ < t < ∞, 0 < r < ∞ e 0 6 ϕ 6 2π. A função
2E2
Q 2 N (r) se anula para dois valores de r, dados por:
− 2
(rH 0 (r) + H(r)) = − 4 , (83)
r 2r s 2 1/2
M
de onde obtemos H(r) = − 14 EQ2 r2 + Cr (sendo C uma 1 ± 1 − J
2
r± = l ,
constante), e que satisfaz da mesma maneira as outras 2 Ml
componentes. Substituindo na métrica, temos:
1 EQ2 2CE 2
onde r+ é o horizonte de eventos do buraco negro.
2
ds = −1 − + dt2 + Usando essa métrica em (62) e (63), obtemos o seguinte
2 r2 r
vetor nulo:
1 EQ2 2CE 2
1− + dr2 p !
2 r2 r E 2 r2 − L2 f (r)
`µ = −E, ,L . (89)
1 Q2 rf (r)
C
2 2
+ r dΩ − 4E − 2
+ dtdr. (84)
4 Er2 r
Para obter a solução com carga, anularemos a compo-
Aplicando a transformação dt = dt̂ + u(r)dr, com nente angular; assim, a equação (89) se torna
Cr − Q2
u(r) = − , E
Cr − Q2 − r2 L = 0 ⇒ `µ = −E, ,0 . (90)
f (r)
e fazendo M = E 2 C, Q02 = Q2 /2, temos:
8A conjectura AdS/CFT (AdS por Anti de Sitter e CFT pelas
Q2
2M siglas em inglês de Teoria de Campos Conforme) é uma forma
ds2 = − 1 − + 2 dt̂2
r r generalizada do chamado princípio holográfico, onde a ideia central
é que toda a informação de certo volume está codificada na borda
2 −1
2M Q dele.
+ 1− + 2 dr2 + r2 dΩ2 , (85) 9 Estes cenários, inspirados em teoria de cordas, postulam que o
r r
nosso universo é uma membrana (brana) imersa num espaço-tempo
que é a solução de Reissner-Nördstrom [20, 21]. com mais dimensões onde somente a gravidade tem acesso.
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e20180350-10 Geração de soluções exatas em Relatividade Geral através do Método de Kerr-Schild
A nova métrica será dada por g̃µν = gµν + 2H(r)`µ `ν , e o termo cruzado dr dt se anula, tal que a métrica se
terá as seguintes componentes: torna:
2
−f (r) + 2H(r)E 2 −2H(r) fE(r) 0 2 2 r
ds = − f (r) − Q ln dt̂2
g̃µν =
2
−2H(r) fE(r) 1 E2
0 .
r0
f (r) + 2H(r) f 2 (r)
r2 dr2
0 0 + + r2 dϕ2 , (94)
As componentes das equações de campo corresponden- f (r) − Q ln rr0
2
tes são:
que é a forma usual da solução BTZ com carga, conforme
1 E2 0 E2 foi publicada originalmente em [23].
t
Gt= 2− H (r) ⇒ T t t ∝ − H 0 (r) , (91)
` r r
1 E2 0 E2 0
r
G r= 2− r
H (r) ⇒ T r ∝ − H (r) , 5. Conclusão
` r r
1
G ϕ = 2 − E H (r) ⇒ T ϕ ∝ −E 2 H 00 (r) .
ϕ 2 00 ϕ O objetivo deste trabalho foi oferecer uma revisão simples
` e concisa do método de Kerr-Schild, bem como as diversas
O termo 1/`2 no tensor de Einstein vem do fato da propriedades que motivam a sua aplicação no contexto
solução se comportar assintoticamente como um espaço- da Relatividade Geral.
tempo AdS, o que leva as equações de campo a terem De fato, sua versatilidade motivou estudos com o obje-
uma constante cosmológica; portanto, o tensor de energia- tivo de encontrar generalizações para um número maior
momento deve ser igual ao tensor de Einstein menos o de dimensões, bem como modificações na forma do An-
termo relacionado à constante cosmológica. satz [24, 25] (como, por exemplo, a adição de um vetor
No caso estudado, o tensor eletromagnético será aquele tipo-espaço); ademais, o método tem sido aplicado com
de uma carga pontual em (2+1) dimensões: sucesso na cosmologia de branas [26]. Além disso, é pos-
Q
sível entender o método como a deformação na métrica
0 r 0 causada por uma transformação do espaço-tempo; tal
Fµν = − Q r 0 0 . deformação, por sua vez, gera um grupo contínuo de
0 0 0 transformações que uma dada métrica pode admitir, os
Desta forma, teremos o seguinte tensor de energia-momento: chamados grupos de Kerr-Schild [27,28], cujo estudo pode
levar a um melhor entendimento da natureza matemática
Q2
do método, bem como à construção de um grupo de ob-
− 2r 2 0 0
1
T µν = Q2
− 2r jetos invariantes sob tais transformações e das simetrias
0 2 0
8π de uma métrica.
Q2
0 0 2r 2
Revista Brasileira de Ensino de Física, vol. 41, nº 4, e20180350, 2019 DOI: [Link]
Ribeiro e cols. e20180350-11
DOI: [Link] Revista Brasileira de Ensino de Física, vol. 41, nº 4, e20180350, 2019