Manhattan, Nova York
Alguns meses antes.
Kate
— Eu vou gozar, porra.
— Ahhh, Keith. Sim, desse jeito! — Meus olhos se fecham
quando Keith acelera seus movimentos, seu pau entrando e saindo melado
com meu prazer e sua mão forte segurando a minha cintura ao ponto de
deixar marcas.
— Vamos, Kate! Eu só vou gozar depois que eu sentir sua
boceta me apertando. Vamos, lá.
Keith investe em meter bem fundo e eu não consigo controlar os
gemidos que saem dos meus lábios, até que meu corpo não resiste ao prazer
e se entrega a ele por completo, fazendo-me estremecer da cabeça aos pés.
— Agora sim. Vou gozar bem fundo dentro de você — ele diz
em meu ouvido com sua voz rouca, deliciosa. Então mordisca a minha
orelha e recosta sua testa na minha enquanto busca seu próprio prazer.
Espalmo minhas mãos nas costas de Keith e sinto-o
estremecendo ao mesmo tempo que seus movimentos desaceleram e o gozo
me preenche. Ele sai de dentro de mim e se joga ao meu lado na cama,
sorrindo satisfeito.
Aproximo-me, deslizando meu braço por cima de seu peito e
aproveito para roubar um beijo de seus lábios deliciosos.
— Foi especial, Keith — digo, suspirando e deitando minha
cabeça em seu peito.
— Foi mesmo. Delicioso, como sempre. — Seus dedos
começam a deslizar em minhas costas desnudas. — Quem diria que um dia
estaríamos assim?
Ergo a cabeça e fito seu rosto.
Keith Davies-Heyd é um homem lindo e eu nem digo isso por
estar perdidamente apaixonada por ele, eu digo porque é a pura verdade.
Ele tem cabelos escuros, olhos azuis, um queixo marcante e as pequenas
linhas de expressão servem como um charme, demonstrando sua
experiência de vida.
Temos uma diferença de idade de dezesseis anos, enquanto estou
com os meus 29, Keith está com seus 45. Eu acho que até gosto disso, acho
que ele é muito mais maduro que os caras com quem saí no passado.
— No começo nos odiávamos — digo.
Ele sorri.
— Eu nunca a odiei. — Seus dedos colocam uma mecha do meu
cabelo atrás da orelha. — Te achava um pouco irritante, é verdade.
— Irritante? Acho que está falando de você mesmo, não é? —
Solto uma risada. — Quem é o Britânico que chegou aqui dando uma de
bonzão só porque conseguiu um caso famoso?
— Eu simplesmente vim ajudar a um conhecido, que depois se
tornou o meu amigo. Melhor amigo, se assim posso dizer. A fama, veio
logo atrás, quando eu consegui inocentá-lo de todas as acusações.
— E é por isso que eu quis ficar com você. Achei tão sexy a
maneira como você defendeu o Matthew na corte. Você estava muito
gostoso naquele dia.
— E eu precisei de muita concentração porque não conseguia
tirar os olhos de você.
Solto uma risada e me agarro com mais força em Keith.
Céus...
A vida é uma caixinha de surpresas, mas eu amo que ela me uniu
a este homem, que tem me feito muito feliz nos últimos três anos.
Afasto-me dele um pouco e me deito de barriga para cima,
olhando para o teto. As luzes amarelas do quarto dão um efeito de descanso
e apesar de estar cansada, não consigo fechar os olhos, porque algo está
martelando a minha mente já faz um tempo.
— Keith, você... ahn... você...
— Eu? O quê?
Suspiro pesadamente, não sei como entrar neste assunto
delicado.
— Você já parou para pensar no futuro? Digo, entre você e eu?
Keith se vira para o meu lado e eu me viro de frente para ele.
— O que quer dizer, Kate?
— Ah, não sei. Estamos juntos há três anos, namorando ou... não
sei bem definir o que temos, porque nunca usamos um título para isso.
— Não gosta do que temos?
— Gosto, claro. — Levo uma mão ao seu queixo e o aliso. Sua
barba está recém-feita, seu rosto liso. — Eu só... É que esses dias me
encontrei com a Ava e estávamos conversando, saímos para comer algo e
passamos em frente à uma loja que tinha um vestido de noiva maravilhoso,
então ela me perguntou quando íamos nos casar.
Keith respira fundo, sei que esse é um assunto delicado para ele,
devido ao seu passado, que tentamos ao máximo não trazer para a nossa
relação. Mas agora não sei como fugir disso, eu preciso falar.
— E eu disse que casamento é algo que nunca falamos a
respeito.
— E isso faz diferença para você? — ele pergunta devagar. —
Não estamos juntos? Você é a minha vida, Kate. Eu desisti de uma vida na
Inglaterra para ficar aqui com você.
— Eu sei disso e dou valor para o que você fez. Mas eu quero
mais, Keith. — Fito-o no fundo dos olhos. — Quero que você me apresente
às pessoas como a sua esposa. Entende?
Seus olhos se abaixam e ele balança a cabeça afirmativamente.
— Você sabe a minha história, Kate. Sabe que eu nunca procurei
por casamento novamente.
— Eu sei, meu amor. Mas não acha que chegou a hora de
recomeçar? — Aproximo-me de seu corpo, nossos rostos a milímetros de
distância. — O passado só vai ficar no passado, se deixarmos lá e
seguirmos em frente.
Keith fecha os olhos e respira fundo, depois os abre e me fita
intensamente.
— É um casamento que você quer?
Balanço a cabeça afirmativamente.
— Então vamos nos casar. — Ele puxa a minha mão e deposita
um beijo demorado entre os meus dedos. — Eu sei que estou fazendo a
coisa certa, porque você é uma mulher maravilhosa.
— Não, Keith. Se você está fazendo isso apenas por mim, eu
peço que não faça. Eu te amo e posso deixar essa coisa de casamento para
lá. Afinal, são apenas formalidades para a sociedade.
Ele passa os braços pela minha cintura e me puxa para cima de
seu corpo.
— São formalidades, sim. Mas se você sonha com isso, eu posso
colaborar com o seu sonho.
Apoio minhas mãos em seu peito.
— Eu te amo, Keith.
— Eu também te amo, Kate. — Seus olhos descem até os meus
seios e eles brilham. — E amo esses peitões maravilhosos.
Dou risada e um tapa de leve em seu peito.
Mas então Keith abocanha o meu mamilo e me faz esquecer o
que eu ia dizer, porque quando sua língua circula o bico intumescido, jogo a
cabeça para trás e me acendo completamente.
— Nós vamos nos casar e sabe o que é mais legal disso tudo?
— O quê? — Solto em meio a um gemido.
— Que eu vou poder te foder todos os dias. A hora que eu
quiser.
— Mas você já faz isso.
— Não mesmo. Espere até morar debaixo do mesmo teto que eu,
Kate Richards.
Solto uma risada e de repente minhas costas já estão no colchão.
Keith está sobre o meu corpo, sua boca faminta passeando pela minha
barriga e eu só posso esperar que isso dure eternamente.
˜
Algumas semanas depois...
Idealizar um casamento nunca é uma tarefa fácil. Envolve tantas
coisas: Convites, decoração, salão de festas, padrinhos, vestido de noiva,
terno do noivo... Ahhh! É uma verdadeira loucura.
E posso dizer que passei as últimas semanas vivendo dentro
deste redemoinho. Tive ajuda da Ava, minha melhor amiga e de sua irmã, a
Georgia, que também se tornou minha amiga desde que terminou a
faculdade na Escócia e voltou a morar nos Estados Unidos.
Só que é claro que a maior parte da confusão ficou para mim, a
noiva. Mas eu acho que só suportei tudo isto, porque a pessoa que eu mais
amo, está agora sentado ao meu lado, segurando a minha mão com tanta
ternura, que faz com que os problemas, os desgastes emocionais de querer
uma cerimônia perfeita, voem pelos ares.
— E é por isso que eu acho que vocês são perfeitos! — Ava,
minha melhor amiga termina de dizer, em pé na ponta da extensa mesa que
preparamos para o nosso último jantar de solteiros. Nem a pau que eu ia
deixar levarem Keith para uma despedida de solteiro regado a mulheres
nuas. — E eu estou ansiosa para amanhã, porque eu acho que a cor que
você escolheu para os vestidos das madrinhas, é perfeito!!!
As risadas ecoam entre os convidados e Georgia, irmã de Ava,
solta um gritinho animado.
— Eu falei que eu tinha bom gosto! É só verem pelo noivo, olha
que gato! — Aperto o queixo do Keith, deixando-o vermelho, com
vergonha.
Céus, estou tão feliz esta noite! Amanhã é o dia em que irei me
casar, finalmente unir a minha vida a desse homem que eu amo tanto.
E olha que a nossa jornada até aqui, não foi nada fácil. Precisei
entrar no coração endurecido deste homem e fazê-lo se apaixonar por mim,
mesmo ele dizendo que isso não ia acontecer.
— Eu que fiz a escolha certa — ele diz, acariciando o meu rosto
de volta. — Você é perfeita. A minha escolha ideal.
— Bem, mas você demorou para pedir a mão desta “escolha
ideal”, hein! Lembro-me das brigas intermináveis entre vocês, achando que
a gente não sabia que vocês se pegavam nos bastidores — Matthew diz,
erguendo uma sobrancelha.
— Sim, mas finalmente deu certo. Do ódio ao amor, essa coisa
meio clichê — responde Keith, olhando-me nos olhos.
Sorrio de volta.
É verdade que no começo brigamos muito, ele era muito
arrogante com seu jeito Britânico de ser. Todo certinho e se achando
milênios à frente de todo mundo. Só que depois, a atração cresceu e não
conseguimos frear. E bem, aqui estamos com o nosso casamento marcado.
Para amanhã!!!
— É, do ódio ao amor. Como as coisas devem ser — concluo.
Sorrimos e então ele se aproxima e deposita um beijo cálido em
meus lábios.
Aqui estamos, sei que está sendo difícil para Keith essa questão
do casamento devido o seu passado triste, mas eu acho que consegui me
infiltrar em sua vida e fazê-la mudar completamente.
— Então, um brinde aos noivos!!!! — Fred, o motorista da Ava,
grita, erguendo sua taça.
E batemos nossas taças mais uma vez.
— Porra, foi difícil despistar o Keith — Ava diz, entrando no
meu apê. — Ele queria saber o que a gente ia vir fazer aqui com você.
Ainda bem que eu estava com essa bolsa, aí deu pra guardar aqui dentro o
teste.
— Ai, me dá isso logo. — Pego o teste de gravidez de sua mão e
olho temerosa para ele. — Será que eu faço isso mesmo? Pode ser coisa da
minha cabeça, sabe. Estresse, ansiedade...
— Amiga, quando foi a última vez que você menstruou? —
Georgia pergunta.
— Ah, não sei. Vocês sabem que o meu ciclo é maluco. Sempre
foi.
— É, mas sempre descia. — Ava diz. — Anda, vai logo mijar no
palitinho, porque estou super curiosa.
Respiro fundo.
Nunca pensei que eu ia passar a noite da véspera do meu
casamento fazendo um teste de gravidez, mas os últimos meses foram tão
malucos que eu simplesmente esqueci de tomar as pílulas algumas vezes.
— E se eu estiver grávida?
— Ah, vai ser bom, não vai? Vocês vão se casar amanhã,
mesmo.
— Você sabe como o Keith é sobre essa questão de ter filhos.
Estou com muito medo. Já foi difícil sobre o casamento.
Ava e Georgia me olham com compreensão.
Keith perdeu sua primeira esposa e sua filha quando ela ainda
era bem nova em um acidente de carro. Desde então, ele disse que nunca
mais queria filhos. Nem casamento. A segunda coisa eu consegui mudar,
mas não sei em relação à primeira.
— Se você ficar aí pensando e se martirizando vai ser pior, vá
logo fazer o teste — Georgia ralha.
Sim, elas estão certas.
Reúno a minha coragem e vou até o banheiro social do apê que
estou morando no momento.
Faço xixi no palitinho e o deixo em cima da pia, mas é claro que
consigo ouvir as meninas sussurrando do outro lado da porta.
Ava e Georgia são o que tenho de mais próximo na vida.
Primeiro fiz amizade com Ava, acompanhei sua trajetória até o seu
envolvimento com o bilionário Matthew. Ela agora é atriz e está
trabalhando em alguns filmes em Hollywood, que sempre foi o seu sonho,
uma agenda muito cheia, mas é claro que separou um tempinho para o meu
casamento.
Georgia é uma menina doce e é compreensiva como sua irmã.
Um risquinho fica rosa e eu prendo a respiração até que o
segundo risquinho também fica rosa.
— E aí, Kate? Qual é o resultado?
Pego o teste e o olho fixamente por vários segundos.
Não pode ser.
Será que está certo? Meu Deus do céu!!!
Abro a porta e encontro as meninas me olhando com
curiosidade. Abro a boca para dizer algo, qualquer coisa que represente o
que estou sentindo neste momento, mas eu só consigo desabar.
— Meu Deus, Kate!!! — Ava é a primeira a me socorrer. —
Você está chorando por quê? Deu negativo?
Balanço a cabeça negativamente.
— Então deu positivo? — Georgia pergunta.
Balanço a cabeça afirmativamente.
— Porra, então por que está chorando? — Ava intervém.
— Por felicidade!!!! Eu vou ser mamãe!!!
Minhas amigas me levantam e nos abraçamos e choramos juntas.
Eu sei que apesar de tudo, quando Keith receber essa notícia,
ficará emocionado. Eu sei que ele quer se pai novamente e acho que isso
veio no momento certo para selar a nossa união.
Uma nova chance.
Vai ser tão lindo.
— E agora, Kate? Vai ligar para o Keith? Ele precisa saber! —
Georgia estende o celular.
— Não. Não vou contar agora.
— Ué, por quê? — Ava cruza os braços e ergue uma
sobrancelha. — Ele precisa saber que sua noiva, futura esposa em algumas
horas, está esperando um bebê dele!
Sorrio e olho novamente o teste.
— Ele vai saber, mas só amanhã quando dissermos sim um ao
outro. Aí eu vou contar para ele, que em alguns meses, ele terá um bebê nos
braços para chamar de seu.
— Ohhhhh! — Ava me abraça. — Apesar de doida, você sempre
foi uma romântica incurável.
Solto uma risada.
— É, eu acho que sim.
As horas passaram rapidamente e agora estou a caminho da
igreja, com as mãos suadas e tremendo por dentro, mas feliz e extasiada por
me casar com o homem que eu amo, que vai ser também o papai do bebê
em meu ventre.
Automaticamente passo as mãos pela minha barriga.
Sorrio.
Então foi por isso que precisei mandar ajustar o meu vestido
duas vezes nos últimos dias, porque estou engordando mesmo seguindo a
dieta que a nutricionista me passou.
Fred encosta a limusine em frente à igreja e eu vejo minhas
amigas descerem no carro da frente. Elas vieram com a minha mãe em
outro veículo porque eu pedi que queria ir em silêncio, concentrando-me.
Além do mais, eu não tenho muita proximidade com minha mãe, mas não
deixei de convidá-la.
Apesar de ter sido uma péssima mãe, daquelas que me deixava
sozinha por dias para usar drogas com seus amigos, ela ainda é minha mãe.
— Aiii, vem Kate! Vamos te ajudar com esse vestidão. — Ava
abre a porta e Georgia já estende a mão para me ajudar a sair. Minha mãe
pega a minha bolsa e vem logo atrás.
O dia hoje está bonito, ensolarado. Bem como eu imaginava que
ia ser quando eu me casasse.
Georgia puxa a cauda gigante do vestido e Ava me acompanha
até a entrada da igreja, onde eu vejo muita gente esperando por mim. Claro
que a maioria desses convidados são mais amigos da Ava e do Matthew,
mas tudo bem.
É agora, chegou o meu grande momento.
— Você falou com o Keith? — Matthew se aproxima com uma
cara estranha.
— Hey, o que está fazendo aqui? — Ava ralha. — Você não
tinha que estar lá dentro ao lado do noivo?
— Eu estaria, se ele já tivesse chegado.
Então de repente, sinto um arrepio percorrer o meu corpo.
— O quê? O Keith não chegou ainda?
— Não. — Matthew me olha novamente. — Achei que ele ia vir
com vocês.
— Mas já ligou para ele? — Ava pergunta.
— Já, mas o celular está desligado. Não sei.
Olho para as minhas amigas com certo temor. O que será que
aconteceu? Eu estou quinze minutos atrasada, era esse o combinado.
— Me dá o celular, vou ligar para ele.
Matthew pega o aparelho e me entrega, então disco algumas
vezes, mas só cai na caixa postal.
Inferno.
— Calma, Kate. Algum imprevisto deve ter acontecido, mas ele
já vai chegar, ok? — Georgia segura o meu rosto. — Respira, amiga.
Respiro fundo várias vezes, no entanto, nada tira a sensação
ruim que se apossa do meu peito.
Tento me convencer de que apenas um imprevisto que
aconteceu, nada mais.
De repente, minha mãe aparece com o meu celular em mãos.
— Filha, acho que o Keith te ligou. Eu não sei mexer com isso,
então não atendi.
— Mamãe! Por que só diz isso agora? — Pego o celular e vejo
várias chamadas perdidas do meu noivo.
Disco para o seu número de volta e espero. Então no terceiro
toque, ele atende.
— Keith? — Tampo um ouvido para conseguir ouvi-lo melhor.
— Cadê você? Eu já estou aqui na igreja e está todo mundo preocupado!
Silêncio.
— Keith?
Silêncio novamente.
Meu coração começa a bater mais forte.
— Keith???????
Então ouço o seu suspiro pesado.
— Eu... eu... não posso, Kate. Me desculpe.
Sua voz está trôpega, como a de alguém que passou a noite
inteira bebendo.
— O quê??? O que você não pode??? Você está me assustando,
Keith!!!!!!
Ele respira fundo.
— Me perdoa, Kate! Eu não posso me casar com você... Eu...
essa coisa toda, me perdoe!!!
E então ele desliga.
Mas o quê?
Disco novamente, só que desta vez só cai na caixa postal.
— O que foi, Kate??? — Ava avança em mim, preocupada.
Mas eu não consigo enxergar nada a minha frente, a não ser as
lágrimas que começam a fluir de meus olhos.
E eu acho que é nesse momento que o meu mundo desaba.
Keith não vai se casar comigo.
Keith acabou de me abandonar no altar.
— Kate??? — Ouço a voz preocupada de Georgia, mas não dou
ouvidos, porque estou entrando na igreja lindamente decorada com lírios
brancos.
— NÃO VAI TER CASAMENTO!!! NÃO VAI TER
CASAMENTO, PORRA!
E de repente, empurro uma pilastra ao chão.
Depois outra.
As pessoas abrem a boca, olham-me assustadas, mas eu não me
importo. Ninguém consegue entender o que estou sentindo neste momento e
eu só preciso colocar para fora.
Percorro todo o extenso corredor, derrubando pilastra após
pilastra que se quebram no chão assim como o meu coração neste momento
e desabo em frente ao altar.
Deixo as lágrimas rolarem com força.
Meu peito arde tanto que não consigo falar, nem respirar direito.
Acho que vou morrer.
— Kate!!! Vamos sair daqui! — Sinto as mãos de Ava tentando
me ajudar, mas eu me afasto.
— Me deixe aqui!!! Eu não vou sair daqui!!!
— Você precisa sair, amiga! Por favor, venha! Estão te filmando
e eu não quero que você vire piada na internet! — Ela me puxa para seus
braços.
Eu já sou uma piada.
Podem colocar quantos vídeos quiserem, mas a verdade é essa.
Eu fui abandonada e rejeitada no altar, grávida. Ele nem imagina o que
acabou de fazer, mas eu sei que nunca vou perdoá-lo por isso.
Keith Davies-Heyd acabou de me destruir.
Eu vou criar este bebê sozinha.
Ele nunca vai saber que tem um filho comigo.
Manhattan, Nova York
Alguns meses depois
Kate
— Amiga, você está comendo salgadinho de novo? Você sabe
que isso não vai fazer bem ao bebê. — Fecho os olhos, respiro fundo e tento
não me irritar com a minha melhor amiga louca ao telefone. — E não
adianta bufar, porque eu estou apenas cuidando de você.
— Eu sei, Ava. A questão é que eu fiquei viciada nesses
salgadinhos. Eles são maravilhosos.
— Mas não mude de assunto, eu estava lhe perguntando se vai
vir à Premiere do meu filme novo?
— Quando vai ser, mesmo? — Levo outro montante de
salgadinho até a boca enquanto espero sua resposta.
— Daqui a duas semanas.
— Ah, eu tenho um bom tempo para pensar ainda.
— Não mesmo!!! Eu preciso saber se você vai vir, preciso
segurar lugares para você e a minha família. Tem também as festas,
precisamos de vestidos e...
— Você é a estrela, Ava. Não eu. Qualquer coisa que eu vestir,
estará de bom tamanho. Sem falar que você sabe que eu não saio mais de
casa, minha barriga está enorme e eu não vejo a hora do bebê nascer.
Ava solta uma risada.
— Você vai ter que aguentar mais um tempinho, querida. A não
ser que o seu bebê seja ansioso e queira nascer logo.
Sorrio e passo a mão livre na minha barriga de 32 semanas.
— Eu só quero ter forças para arrumar o quartinho dela.
— Ahhhh, eu queria tanto estar aí para te ajudar com tudo. Mas
você sabe, esses últimos seis meses foram uma loucura na minha vida.
— Eu sei, Ava. Não precisa se preocupar com isso.
— Preocupo-me sim. Todos os dias. Georgia disse que você tem
umas recaídas às vezes.
— Sua irmã é uma exagerada. Eu só... Só quero ficar quieta
dentro de casa, há algum problema nisto?
— Problema algum, desde que você não se afunde na escuridão.
— Ava suspira. — Kate, ele se foi, mas você tem alguém para cuidar e
precisa ser forte.
Meus olhos se enchem de lágrimas ao reviver cada lembrança
daquele dia doloroso. E depois, quando Keith veio atrás de mim, para tentar
se explicar de algo que não havia explicação e minhas amigas o enxotaram
da minha casa, deletaram seu número do meu celular e bloquearam o seu e-
mail. Mudei-me daquele apartamento para um mais simples, onde eu tive
certeza de que ele nunca mais ia me encontrar.
Acho que foi melhor assim, mas cada vez que me lembro de ter
sido rejeitada no altar, sinto aquela mesma dor, como se meu coração
estivesse sendo esmagado por um Trator.
— Ok, Ava. Onde vai ser a sua Premiere?
— Vai ser em Londres!!!
Meu coração dá um salto.
— O quê? Você realmente está me convidando para algo em
Londres?
— Ué, sim. Por quê?
Bufo.
— Esqueceu-se de que aquele a quem não devemos nomear é
um exímio inglês? E se nos encontrarmos com ele?
Ava fica em silêncio por alguns segundos, depois ri.
— Nãooo! Claro que não. Até parece, amiga. Você sabe quantos
habitantes existem nessa cidade? Pelo amor de Deus.
— Mas você sabe que eu sou cagada na vida. Pode acontecer.
— Não vai acontecer, Kate. E eu digo isso com toda a certeza do
mundo, porque apesar de eu ter cortado relações com ele, sei que Matthew
e ele ainda são amigos. E neste momento, ele está em Nova York resolvendo
algumas coisas para o Matt.
De repente meu coração para de bater acelerado e eu respiro
fundo.
— Então ele voltou?
Ava fica em silêncio.
Respiro fundo.
— Não precisa dizer nada. Eu não quero saber nada daquele
otário.
— Ele voltou, Kate. Mas já faz algum tempo. E eu só sei disso
porque Matthew deixou escapar que deu um trabalho para ele resolver.
Depois que Keith me deixou, fiquei sabendo por Ava que ele
simplesmente tinha sumido do mapa. Por meses. Achamos que ele tinha
voltado para a Inglaterra, talvez tenha sido isso mesmo. A questão é que eu
não quero mais saber.
— Se isso for armação, Ava, eu juro que nunca mais...
— Amiga, eu juro para você. Não convidei aquele idiota para a
minha Premiere. Vocês não vão se reencontrar, pode ficar tranquila.
Por um lado, Ava tem razão. Qual é a possibilidade de dar de
cara com Keith em uma cidade como Londres? É mais fácil nos
esbarrarmos aqui em Nova York.
— Tá bom, Ava. Eu vou, mas eu posso levar alguém comigo?
— Quem?
— O Jordan, meu vizinho.
— Hummmm, aquele gostoso que você quer dar uns pegas?
— Eu não quero dar uns pegas nele. Somos apenas amigos.
Ava ri.
— Sei, bem, é o que você diz, né? Mas tudo bem, eu vou mandar
reservar um lugar para ele. Eu acho até bom, porque ele pode te ajudar,
essa barriga gigante deve atrapalhar muita coisa, eu sei disso porque na
minha gravidez, meu Deus do céu.
Sorrio.
— Obrigada, Ava. Você é a melhor e esse filme vai te dar um
Oscar, já digo isso antes de assistir.
— Ahhh obrigada, amiga. Que assim seja. Já pensou se eu
realmente ganho um Oscar? Vai ser o melhor dia da minha vida, claro,
depois do dia do meu casamento com o Matt e do dia que ganhei o meu
bebê.
— Sim, mas são alegrias distintas. Ganhar um Oscar deve ser
tipo a maior realização profissional de um ator, uma atriz.
— Verdade. — Ava suspira. — Enfim, eu vou arrumar tudo e nos
próximos dias entro em contato para que você esteja ao meu lado neste dia
especial.
— Tá bom, amiga. Eu aguardo seu contato.
Nos despedimos e após encerrar a ligação, deixo o celular de
lado e direciono o meu olhar para o sol se pondo no horizonte, bem na linha
dos prédios de Manhattan e do rio Hudson.
Falta pouco tempo para o meu bebê nascer e a cada dia me sinto
mais ansiosa por isso. Ainda não escolhi o seu nome, apesar de saber que é
uma menina. Acho que só vou escolher na hora que nascer, até lá espero ter
boas ideias.
Ava vai preparar tudo e sei que com isso não devo me preocupar,
mas não consigo deixar de lado a sensação de que eu posso dar de cara com
Keith a qualquer momento e se isso acontecer, sinceramente não sei como
vou reagir.
Ainda estou muito magoada.
Machucada.
Apesar de já ter pensado em ligar para ele várias vezes, disposta
a ouvir sua versão do por que me deixou plantada no altar, mas eu sempre
desisto, porque se ele não foi homem o suficiente para ir até o fim, não será
o homem que preciso para me ajudar a criar minha filha.
— É bebezinha, somos só você e eu. Mas também tem a tia Ava,
a tia Georgia e o tio Matthew e suas amiguinhas, Alicia e Luna. Quando
você nascer, tenho certeza de que irá gostar delas também.
Como resposta, sinto um pequeno chute que me faz abrir o
maior sorriso de todos.
Solto um suspiro forte ao parar em frente à porta de Jordan,
porque ele tem a mania de ouvir músicas pesadas no último volume.
Caramba, a porta até treme com o barulho da guitarra ou bateria,
seja lá o que for.
Viro as costas e decido deixar para outra hora, mas no momento
em que dou o primeiro passo a porta se abre.
— Kate? Você bateu aqui?
— Ah, oi Jordan. — Viro-me em sua direção com um meio-
sorriso. — Eu ia bater, mas deixei para lá porque eu acho que você não ia
me escutar mesmo.
— Claro que eu ia. Espera aí, deixa eu abaixar o volume.
Jordan é um cara extremamente gato. Ele é alto, forte, mas sem
exageros, cabelos escuros e sua pele denuncia sua descendência italiana.
Ele é dono de uma academia aqui em Nova York e é o sonho de consumo
de muitas mulheres. Se fosse em outros tempos eu com certeza já teria
desvendado o restante de seu corpo.
A questão é que aquele desgraçado do Keith me estragou para
todos os homens, pelo visto.
Ele volta alguns segundos depois e para na minha frente com os
braços musculosos cruzados.
— E então? Queria falar comigo?
— Queria, mas se estiver ocupado...
— Para você e para ela — Ele apoia uma mão em minha barriga.
— Nunca estou ocupado. Quer entrar? Eu estou montando alguns lanches
porque preciso voltar para a academia daqui a pouco.
— Obrigada, Jordan. — Sorrio. — Eu só... bem, nem sei como
te dizer isso, mas...
— Venha, Kate. Entra logo, não é legal ficarmos aqui no
corredor.
Solto um suspiro e aceito o convite de Jordan para entrar em seu
apartamento.
Logo de cara me deparo com dois sacos de pão, algumas fatias
estão espalhadas ao longo do balcão, enquanto há um pote de maionese
light aberto, frango desfiado em outro pote e muito alface picado.
— Uau, você está preparando lanches para um batalhão?
Ele ri.
— Mais ou menos. Hoje é aniversário de um dos membros da
minha equipe e decidimos fazer uma festa. Cada um vai levar uma coisa e
eu prometi que ia levar os meus lanches proteicos.
— Isso é demais, Jordan, adorei a ideia.
— Quer provar um?
— Ah, eu quero.
— Vou fazer um fresquinho para você. Espera só um pouco.
Sento-me na cadeira do balcão e fico observando-o montar o
lanche com todo o capricho do mundo.
Ele coloca bastante frango desfiado, bastante salada e finaliza
com um molho.
— Esse molho é zero calorias, pode consumir sem medo.
— Ah, você diz isso como se eu estivesse muito magra.
— Você está indo muito bem, Kate. Quando o bebê nascer, seu
corpo vai voltar ao que era e pronto. Depois eu quero vê-la comigo
treinando na academia.
Pego o lanche envolto em papel alumínio e o cheiro.
É bom demais.
— Veremos. Eu nunca fui fã de academias.
Dou a primeira mordida e solto um gemido de satisfação com o
sabor explodindo no céu da minha boca.
— Uauuuu, isso está perfeito. Eles vão amar!
Jordan sorri, todo orgulhoso.
— Receita de família. Mamãe que me ensinou.
Mordo mais alguns pedaços e me delicioso no lanche até ver o
seu fim. Enquanto isso, ele arruma mais pães para levar para a festa.
— Perfeito, perfeito. — Seco a boca com papel toalha e meus
dedos engordurados. — Me fez até esquecer o que eu tinha vindo aqui falar
para você.
Ele ri.
— É verdade, não acho que você veio aqui apenas por causa da
minha música alta.
— Embora ela seja um problema.
— São quatro da tarde, Kate. Relaxa.
— Ok, mas depois não reclame quando receber uma cartinha
com uma multa gigantesca do síndico.
Jordan dá de ombros e joga para cima um pedaço de frango, que
cai em sua boca em cheio. Ele mastiga de uma forma tão sensual, que por
alguns segundos eu fico vidrada nas veias que circulam o músculo de sua
garganta.
Porra.
— Então, Jordan, eu vim aqui para te fazer um convite.
Ele ergue uma sobrancelha.
— Um convite? Sobre o quê?
— Ahnnn, você se lembra da Ava, minha amiga que é atriz e
veio me visitar no mês passado?
— Aquela que a irmã dela é uma nerd meio esquisitinha?
— A Georgia não é uma nerd meio esquisitinha.
— É, sim. — Ele sorri. — Só fica com a cara enfiada nos livros
e tal. É bonita, mas também é muito calada.
Reviro os olhos.
— Não importa. Mas sim, é a irmã dela de quem estou falando.
— Tá. E o que tem ela? — Jordan pousa os braços em cima do
balcão e se inclina em minha direção.
Repito: Se fosse em outros tempos, eu já estaria nua na cama
desse cara.
Eu ainda tenho o agravante de estar grávida e cheia de vontades
que não serão saciadas.
Credo, como a minha vida é complicada.
— Ahn, ela... anh... — Dou uma tossida para disfarçar. — Vai
ter uma Premiere do novo filme dela e eu sou uma convidada especial. —
Sorrio. — Mas é claro que ela também o convidou. O que acha de ir
comigo?
— Uau e vai ser aqui mesmo em Nova York?
— Não. Vai ser em Londres. Daqui a duas semanas.
— Hummm.
Jordan se levanta do balcão e assente.
— Ok, eu vou sim. Adoro Londres.
— Sério? Você vai mesmo? Não vai atrapalhar os seus
compromissos na academia?
Ele puxa a minha mão e a segura com delicadeza.
— É claro que eu vou e não, não vai atrapalhar os meus planos
na academia. Eu posso deixar alguém em meu lugar. — Pisca. — Não
posso deixar você ir sozinha, ainda mais quando está tão perto de ganhar o
bebê.
— Bem, ainda falta algum tempo.
— Mas tudo pode acontecer e como seu amigo, eu quero estar lá
para te proteger. A você e ao bebê.
Ele sorri e seus olhos se fixam em minha barriga.
Por um lado, sinto-me feliz por ter encontrado alguém que cuide
assim de mim, por outro, me sinto triste, porque era para Keith estar aqui.
— Obrigada, Jordan.
— Não precisa me agradecer.
Eu preciso sim. Sei que preciso, porque são poucas pessoas no
mundo que realmente estão dispostas a estar ao seu lado quando as coisas
estão bem ruins.
— Dá para me fazer mais um lanche desse aí?
— Opa, claro que faço!
Damos risadas e eu consigo relaxar um pouco, porque sei que
nunca mais vou encontrar Keith.
Ele faz parte do meu passado agora.
˜
Ava nos coloca na primeira classe de um voo comercial e é claro
que eu aproveito tudo o que eu tenho direito. A cada momento a aeromoça
vem oferecer algo e eu como de tudo.
Jordan está ao meu lado direito, com um fone de ouvido,
assistindo a um filme. Como ainda falta um bom tempo para chegarmos em
Londres, decido mexer com ele para sair do tédio.
— Tá assistindo o quê? — Abaixo-me ao lado da televisão e ele
rapidamente tira o fone de ouvido.
— Kate, me perdoa. O que você perguntou?
— Perguntei o que você está assistindo?
— Ah, é um filme sobre uma invasão a Londres. Sabe, estou
entrando no clima.
Solto uma risada e ergo meu tronco, passando a mão na minha
barriga.
— Estou entediada. E o pior é que ainda falta muito tempo para
aterrissarmos.
— Falta mesmo. Você quer... hum, sei lá. Eu acho que podemos
conversar um pouco.
— É, acho que sim. — Volto para o meu lugar e me sento. —
Hummm, o que podemos falar?
Ele sorri.
— Você que sempre vai nessas coisas da sua amiga, me diz uma
coisa. — Ele ergue uma sobrancelha. — Será que vai ter algum famoso que
eu consiga... hum, sabe, fazer negócios?
— Bem, depende. Depende de que negócios você está falando.
Ele suspira.
— Eu quero expandir os meus negócios, Kate. E essa
oportunidade que estou tendo é maravilhosa. Se eu conseguir algum famoso
que se interesse pela minha academia, posso expandir e mudar de vida.
Sorrio.
Jordan, assim como eu, veio de família humilde e seu sonho
sempre foi mudar de vida.
Não é de hoje que eu vejo o quanto ele luta por sua academia,
pelos seus negócios. Ele é um cara esforçado, que acorda cedo e dorme
tarde, que não vê tempo ruim para fazer o que precisa. É por isso que ele
precisa de uma namorada que esteja a sua altura.
E eu não sou esse tipo, infelizmente.
Minha vida nos últimos meses se tornou tudo o que eu mais
temia: Monotonia, depressão, tristeza e melancolia. Tenho as minhas crises
às vezes, no entanto, a única coisa que ainda me salva de me afundar de vez
no buraco, é saber que eu preciso manter pelo menos um fio de sanidade
para criar a minha filha.
— Vai dar tudo certo, Jordan. Você vai ver. — Sorrio. — Daqui
a pouco vou ver você saindo de Ferrari para levar alguma garota linda para
passear.
Ele sorri de volta.
— E essa garota pode ser você.
Minhas bochechas esquentam, sei que é hora de encerrar o
assunto.
Viro-me de frente para a minha tela.
— Sabe, acho que também vou assistir a um filme. Pelo menos
assim o tempo passa logo.
Jordan ainda me encara por alguns segundos, mas depois volta a
se concentrar em seu filme.
Ah, céus.
Matthew, marido da Ava, é quem nos recebe quando chegamos
ao hotel, localizado nos arredores da Grosvenor Square.
— Fico muito feliz que vieram. — Ele dá um beijo em meu
rosto e depois cumprimenta Jordan com um aperto de mão. — Eu vou
mostrar o quarto de vocês.
O hotel é luxuoso e requintado, como aqueles que vemos nos
filmes. Há gente entrando e saindo a todo o tempo.
— Foi esse hotel que você comprou, Matt? — pergunto,
enquanto nos encaminhamos ao elevador. — Lembro-me de a Ava ter
comentado algo sobre isso.
Entramos no elevador e ele aperta o botão do oitavo andar.
— Sim, esse mesmo. Estou apenas esperando passar essa
correria da Premiere da Ava para começar algumas reformas por aqui.
Jordan me olha com as sobrancelhas erguidas.
— Por que um hotel em Londres? Por que não em Nova York?
— Eu tenho uma rede de hotéis em Nova York — Matt diz. —
Mas queremos expandir os negócios e por que não em Londres? Esse é o
segundo lugar favorito da Ava e eu quis dar esse presente a ela.
Eles são ricos pra caralho, não há dúvidas disso.
Ava realmente tirou a sorte grande quando deu de cara com
Matthew.
Chegamos ao nosso andar e Matthew nos mostra o nosso quarto.
O de Jordan fica ao lado do meu.
— Bem, se precisarem de algo, podem me chamar. Ou chamem
na recepção, eles vão dar prioridade a vocês. — Ele sorri. — Kate, mais
uma vez, muito obrigado por ter vindo. Você sabe o quanto a Ava te ama.
Sorrio de volta.
— Eu também a amo. Só por isso que eu vim, porque de outro
caso... — Passo as mãos pela minha barriga. — Eu teria ficado em casa
mesmo, assistindo TV.
Matthew assente.
— As malas de vocês vão ser entregues logo. Agora eu peço
licença porque preciso saber das minhas filhas. Nos vemos em breve.
Ele se vai e eu olho para um Jordan vislumbrado com tudo.
— Hey, eu vou descansar um pouco. Depois nos falamos, ok?
— Ok, Kate. Qualquer coisa me chama.
Abro a porta do meu quarto e entro, então olho ao redor e solto
um suspiro ao ver a beleza do local.
Acho que esses dias têm tudo para serem tranquilos e eu posso
tentar me divertir um pouco, esquecer os meus problemas e ser feliz com a
amiga que me trouxe até Londres para ver o lançamento de seu novo filme.
Quem não queria uma vida dessas?
Kate
— Oláaaaaa! Vim aqui ver se você está bem acomodada. — Ava
abre a porta do meu quarto e entra com um sorrisão no rosto. — Uau, que
quarto lindo, amei. — Levanto-me da cama e abro os braços, onde Ava se
joga neles, abraçando-me com força. — Ainn, obrigada por ter vindo, isso é
tão importante para mim.
— Eu sei e é por isso que eu vim.
Nos afastamos e Ava me olha da cabeça aos pés.
— Você está cada dia mais linda. Sério, mesmo.
— Obrigada, mas isso não anula o fato de que estou enorme.
Inchada.
— Faz parte. — Ela se afasta e começa a andar ao redor do
quarto e vai até a janela. — Espero que tenha descansado, porque esta noite
teremos um jantar muito especial.
— Mas já? A Premiere não é só daqui a três dias?
— Sim, mas eu te falei que teríamos alguns eventos extras. Por
isso que pedi que viessem alguns dias antes.
Respiro fundo.
— Amiga, se fosse em outros tempos, você sabe que eu já
estaria com a roupa escolhida e o Scarpin no pé, porém...
— Não fique se autodepreciando, Kate. Você é uma mulher linda
e a gravidez só realçou isso.
— E eu vou ter que concordar com a sua amiga — Olhamos na
direção da porta e Jordan está com a cabeça enfiada por uma fresta, nos
olhando. — Desculpa, eu ia bater, mas estava entreaberta.
— Jordan!!! Ah, você veio, que ótimo! — Ava dá um pulinho
animada e quando Jordan se aproxima, ela fica na ponta dos pés para
abraçá-lo. — Obrigada, viu.
— Imagina, eu que agradeço o convite. — Ele se afasta e sorri.
— Mas como vocês estavam falando, eu concordo plenamente com você.
— Seus olhos encontram os meus. — A gravidez só realçou a sua beleza,
Kate.
Solto um longo suspiro, porque Ava já está com aquela cara de
quem quer dizer “está vendo? Ele quer te comeeeeer”.
— Muito obrigada por tentarem levantar a minha autoestima,
mas infelizmente ela não está dando as caras por aqui já tem um bom
tempo. — Volto a me sentar na cama e estico minhas pernas. — Nossa,
minhas pernas estão me matando, sinceramente eu espero que tenha
cadeiras na sua Premiere, porque não vou aguentar ficar no salto por muito
tempo.
— Você é forte, Kate. Vai conseguir. Ahn, então Jordan, como
você está? Faz um bom tempo que não nos falamos.
— Estou bem, trabalhando muito. Não sei se a Kate te falou,
mas estou em busca de investidores para a minha academia.
— Uauuu! Que demais! E aí, Kate? Já foi treinar com o Jordan?
— Seu tom de voz é muito sugestivo e eu quero enforcá-la, mas tento me
controlar e abro um sorriso.
— Ainda não. Agora só depois que eu ganhar o bebê.
— Certo, certo... — Ava junta as mãos em frente ao corpo e
respira fundo. — Eu vim aqui para avisar a Kate que teremos um jantar esta
noite, então peço que não faltem. Inclusive, acho que vai ser muito bom
para você, Jordan. Aquele fisiculturista famoso vai estar aqui também, ele
fez uma participação especial no meu filme.
— Quem?
— Ah, é um tal de... Cbum... alguma coisa.
Jordan arregala os olhos.
— O Chris Bumstead?
— Ele mesmo!!!
— Uauuu, que demais! O meu sonho é ver aquele cara treinando
na minha academia.
— E você vai conseguir. — Ava dá um tapinha no braço do
Jordan. — Enfim, nos vemos a noite, então?
— Nos vemos a noite — ele responde, todo animado.
Ava me encara, esperando uma resposta também.
— Nos vemos a noite.
Ela sorri.
— Ótimo!
Ava nos lança uma última piscadela, vira as costas e sai do meu
quarto, deixando-nos a sós.
Sei lá, desde que chegamos estou me sentindo estranha. Quase
como uma sensação ruim, angustiante, não sei explicar. Acho que Jordan
está percebendo isso.
— Kate? você está bem?
— Estou sim.
— Mas não parece. Você está estranha desde que
desembarcamos em Heathrow.
Solto um longo suspiro.
— É que... Eu não queria ter vindo, sabe? Eu vim por causa da
Ava, porque ela é a minha amiga e eu a amo. Mas eu só queria ter ficado em
casa, assistindo a minha TV e comendo.
Jordan se aproxima devagar, então quando dou espaço na cama,
ele se senta ao meu lado.
— Está com medo de encontrar o inglês que te machucou?
Não gosto de admitir esse tipo de coisa em voz alta, mas não
tenho muito o que fazer.
— Sim, estou.
— Mas a sua amiga não garantiu que ele não vai vir?
— É, ela falou, mas estou com uma sensação ruim desde que
chegamos. E como sou muito azarada na vida, não duvido que isso pode
acontecer.
Jordan estica a sua mão e a apoia em cima da minha, que está
em meu joelho.
— E se ele aparecer, por que isso te deixa tão assustada?
— Ele não sabia que eu estava grávida quando me abandonou no
altar — confesso. Jordan ergue as sobrancelhas. — Ele acha que abandonou
somente a mim, mas na verdade, abandonou o seu filho também.
— Porra.
Meus olhos se enchem de lágrimas de repente.
Na verdade, não faz muito tempo que conheço Jordan, foi
quando me mudei do outro apartamento para o que estou agora. Ficamos
amigos e um tempo atrás eu contei uma parte da minha história, mas deixei
essa parte de fora, porque tinha medo do que ele ia pensar de mim, mas
agora não estou muito preocupada com isso.
— Você vai me julgar dizendo que eu devia ter contado, não é?
— Eu nunca vou te julgar, Kate. Aquele cara te deixou plantada
no altar, acho que você não tem a mínima obrigação de incluí-lo em
nenhum aspecto da sua vida.
Suas palavras me enchem de alívio.
— Obrigada, Jordan. — Encosto minha cabeça em seu ombro.
— Obrigada por me apoiar.
Ele acaricia o meu rosto.
— Amigos são para essas coisas.
Sorrio.
De repente fico pensando que talvez Ava tenha razão e eu ainda
consiga ser a mesma Kate que eu era antes de tudo ter acontecido.
A mesma Kate apaixonada,
Feliz.
Radiante.
— Jordan, eu preciso de um vestido maravilhoso para esta noite.
— Levanto-me revigorada. — E sapatos também, os que eu trouxe não são
ideais para esta noite.
— Sério? Quer fazer compras em Londres?
— Quero. E também quero ir até a Trafalgar Square, e depois ao
Big Ben. Estamos em Londres, porra. Vamos aproveitar!
Jordan se levanta e sorri.
— É isso mesmo. Assim que eu gosto de te ver, sorridente e
animada. Vamos lá, vamos curtir essa cidade.
Jordan e eu vamos até um shopping enorme, onde eu me divirto
comprando um monte de coisa e é claro que todas as sacolas é ele quem
carrega.
Em alguns momentos eu preciso parar e me sentar para
descansar um pouco as pernas, mas isso não tira a minha animação. Depois,
quando passamos em frente à uma vitrine onde eu vejo o vestido ideal, eu
peço a ele para esperar um pouco, porque preciso experimentar.
E bem, o vestido cai como uma luva para mim.
Ele é na cor vinho, com muita renda e pele que fica à mostra. Só
espero que o vestido da Ava seja mais bonito que esse, porque senão vão
achar que a artista sou eu.
Decido levá-lo.
— Acho que agora precisamos parar e comer algo, Kate. Já faz
um tempo que estamos andando.
— Ah, também acho. Estou morta de fome.
— Então vamos ali.
Vamos até a praça de alimentação e eu me contento com comida
mexicana, uns Tacos bem deliciosos.
Acho que agora estou bem, aquela sensação ruim foi embora e
eu vou aproveitar esta viagem para colocar minha cabeça no lugar e viver
cada momento como se fosse o único.
Depois de comermos, voltamos para o hotel e quando estamos
chegando nos nossos quartos, damos de cara com Georgia e Matthew.
— Kate? Onde você estava? — Georgia pergunta. — O jantar é
daqui a pouco e eu não estava te encontrando em lugar algum.
— Eu fui atrás de algo legal para vestir. Mas, por quê? O que
houve?
— Nada, é que a Ava mandou algo para você e colocaram lá no
seu quarto. Como eu vi que você não estava lá, fiquei preocupada.
— Ela está bem, estava comigo. — Jordan passa um braço ao
redor da minha cintura e isso é bem esquisito, mas ninguém comenta nada,
apenas os olhos de Georgia e Matthew se fixam ali. — Mas obrigado pela
preocupação com a nossa gravidinha.
Matthew coça a cabeça.
— Ótimo, estão todos bem, vamos, Georgia? Temos que
terminar de nos arrumar e descer para encontrar com a Ava.
— Vamos, cunhado.
Georgia e Matthew se afastam e eu passo o cartão na porta do
meu quarto.
— Quer companhia enquanto você se veste?
— Não, Jordan. — Sorrio. — Você tem que se vestir também.
Vai lá.
Ele sorri, mas sei que, se pudesse, gostaria de ficar aqui comigo.
— Ok, nos vemos daqui a pouco.
Ele vai na direção de seu quarto e eu entro no meu, toda afobada
com as coisas que acabei de comprar. Deixo as sacolas em cima da cama e
me viro de costas, dando de cara com um buquê enorme de rosas
vermelhas.
São as mais lindas que já vi em toda a minha vida.
— Caramba, Ava. Nem precisava.
Aproximo-me das rosas para ver se há algum bilhete, mas no
momento que vou levar minha mão, ouço batidas na porta.
— Ah, depois eu leio. — Aproximo-me da porta e a abro, dando
de cara com Jordan mais uma vez.
— Desculpa, mas eu queria sua opinião. Camisa branca — Ele
ergue um cabide. — Ou camisa preta? — Ergue o outro cabide.
— Hummm, a preta fica sexy. A branca também. Não sei,
Jordan.
Ele ri.
— Bem, a minha intenção sempre é a de ficar sexy.
— Então qualquer uma que você usar, vai dar certo.
Ele olha para suas opções e respira fundo.
— Ok, vou de camisa branca mesmo. Casual e estiloso, só para
ver o Cbum de perto.
Dou risada e ele vai novamente para o seu quarto se vestir.
Está tarde, também preciso me arrumar.
Algum tempo depois estou finalizando a minha maquiagem
quando Jordan retorna.
— Já estou terminando, pode esperar aí no quarto! — grito do
banheiro e ele concorda.
Finalizo colando os cílios postiços e passando o rímel.
Uau, acho que estou gata.
Quando saio do banheiro e encontro Jordan sentado na minha
cama, seus olhos varrem o meu corpo inteiro.
— Porra, como você está linda!
— Obrigada.
Ele se levanta imediatamente e se aproxima.
— Kate, eu...
Meu celular vibra em cima da cômoda e eu me viro para pegá-
lo.
— Ih, é a Ava. Já estão todos lá embaixo nos esperando. Vamos?
Jordan assente.
— Sim, claro. Vamos.
Ele me deixa ir na frente e quando estamos dentro do elevador
lembro-me de que ele ia dizendo algo, mas o cortei quando recebi a
mensagem.
— Você ia me dizer algo lá no quarto? Desculpa, eu acabei te
interrompendo.
— Não, relaxa. Era bobeira.
— Ok.
Respiro fundo e fico em silêncio até descermos ao hall.
Ava e os demais já estão nos esperando e ela está deslumbrante
em um vestido prateado, que deixa as costas de fora. Os cabelos loiros em
um coque com alguns fios soltos.
— Amiga, este é um Alexander McQueen, acredita? É perfeito.
— Ela gira ao redor de si mesma.
— É perfeito. Combina muito com você.
Matthew segura o braço de Ava e a arrasta na direção da saída,
onde uma limusine preta e deslumbrante nos espera.
— Será que vai caber todo mundo? — Jordan pergunta baixinho.
— Ah, vai sim. Sempre cabe.
O jantar é em um restaurante de um Chef famoso e estrelado.
Lugar muito lindo e recheado de sabores maravilhosos.
Ava me apresenta o seu diretor, James Cameron. Na verdade,
nem precisava me apresentar, por que quem não conhece a porra do James
Cameron? O cara é simplesmente um dos maiores cineastas dos últimos
tempos.
Ela teve uma sorte muito grande de trabalhar com ele.
— Estou nervoso, sabe — Jordan murmura quando somos
levados para uma mesa gigantesca. — É o Cbum, porra.
Solto uma risada.
— Cuidado, desse jeito você vai querer ir para a cama com ele
esta noite.
— Se ele me quisesse, eu ia mesmo.
Solto outra risada, desta vez mais escandalosa. Jordan tem essa
coisa de me fazer rir nas horas impróprias.
Algum tempo depois de fazermos nossos pedidos, o tal Chris
Bumstead chega e Jordan vai à loucura.
Ele é uma criança diante de um ídolo.
Claro que também fico deslumbrada, o cara é um gigante. E é
bonito também.
O jantar segue com tranquilidade, Ava está radiante com seu
novo filme e James Cameron não economiza elogios ao descrever como ela
é batalhadora e consegue reproduzir com perfeição qualquer papel que
destinam a ela.
Eu sabia que um dia isso ia acontecer, Ava, sem dúvidas é a
mulher mais inteligente que eu já conheci.
Seu marido, Matthew, está todo orgulhoso. Eles têm uma
filhinha linda, a Luna, que não veio hoje, ficou com a babá. Tem também a
linda Alícia, filha do primeiro casamento de Matthew. Hoje ela está mais
grandinha, mas quando Ava a conheceu, ela tinha apenas seis anos.
Eles são lindos juntos e eu fico feliz pela minha amiga ter
encontrado a felicidade. No começo fiz julgamentos ruins de Matthew, mas
hoje vejo que ela fez a escolha certa.
Eu só queria sentir essa mesma plenitude.
— Hey, por que está com essa carinha triste novamente? — Ava
se aproxima enquanto os outros estão jogando conversa fora.
— Não estou com a cara triste. — Aliso a minha barriga. —
Apenas cansada.
— É, fiquei sabendo que você e o Jordan quase foram parar em
Stratford, porque estavam atrás de um shopping decente.
— E eu encontrei.
— Podia ter ido em alguma loja da Bond Street.
Solto um suspiro.
— Eu não sou rica como você, Ava. E só estou aqui, porque
você pagou as passagens.
— E eu pagaria o seu vestido também.
— Você já faz muito por mim, não precisa se incomodar com
mais coisas.
Ava morde o lábio.
— O Jordan está babando no Cbum. Ele realmente parece
apaixonado pelo cara.
Solto uma risada.
— É, eu falei para ele, que deste jeito, vai acabar na cama do
cara esta noite.
Ava joga a cabeça para trás, rindo.
— Garanto que ele ia querer você no meio.
Arregalo os olhos.
— Ava!
— Ah, qual é? Você já fez isso...
— Fiz sim, quando eu não estava grávida, quando eu não tinha
conhecido o amor da minha vida.
E de repente eu me calo.
É sempre muito dolorido falar do Keith, porque ele foi um
homem que me marcou de todas as formas possíveis.
— Kate, você ainda é a mesma pessoa de antes daquele a quem
não devemos nomear. Você pode fazer o que quiser, com quem quiser.
Precisa saber disso.
— Eu sei, mas agora eu tenho outra vida, Ava. — Aliso a minha
barriga. — Agora eu pertenço a este bebê e é só nisto que eu quero focar.
Ela sorri.
— Você está certa. — Sua mão encosta em minha barriga. —
Não vejo a hora dela nascer. Já decidiu o nome?
— Ainda não. Eu acho que vou esperar ver o rostinho dela, aí eu
nomeio.
— Espero que não escolha um nome que façam bullying no
colégio.
— E eu lá tenho mau gosto? Até parece que não me conhece!
Ava sorri.
— Ahn, deixa eu ir conversar com a minha irmã, ela anda muito
caladinha nos últimos tempos e eu preciso saber o que está acontecendo.
Ava se levanta, mas antes dela ir, seguro sua mão.
— Obrigada pelas rosas, elas são lindas.
Ela faz uma careta de confusão.
— Que rosas?
— As que você me mandou, oras. Quando eu voltei das
compras, elas estavam em cima da cômoda, só não consegui ler o cartão.
Ava abre um sorriso confuso.
— Mas eu não te mandei rosas. Para quê eu ia mandar um buquê
de rosas, sendo que você nem gosta muito de flor?
De repente sinto um arrepio, uma sensação estranha.
Meu coração bate mais rápido.
— Ava, você tem certeza de que ele não vai aparecer aqui?
— Céus, Kate. Claro que tenho certeza, eu não o convidei. Eu
nem falo com ele desde que tudo aconteceu!
Solto sua mão e assinto lentamente.
— Ok, deve ter sido do Jordan então.
— Hum, aí sim. Pergunta para ele.
Ava se afasta para conversar com sua irmã, mas não consigo
deixar de lado essa sensação de que algo não está normal.
Jordan está ocupado conversando com Cbum e eu não posso
simplesmente interromper o seu momento de fã com as minhas paranoias.
Decido me levantar e sair do restaurante para tomar um ar.
Talvez eu esteja paranoica à toa. Porra, Ava disse que Keith está em Nova
York cuidando de um caso para Matthew.
É claro que ele não vai ser cara de pau de aparecer aqui.
Saio do restaurante e tremo da cabeça aos pés quando um vento
gelado e cortante passa por mim.
Eu devia ter pegado o meu casaco.
Afasto-me um pouco da entrada do restaurante e pego meu
celular, acho que é melhor eu enviar uma mensagem para Jordan avisando
que estou indo embora. Há Táxis passando por aqui, eu posso chegar no
hotel rapidamente.
Pego meu celular e abro as mensagens e quando começo a
digitar ouço o meu nome saindo da boca de alguém.
Alguém, não.
Um homem.
Aquele mesmo arrepio de antes me atinge novamente, porque eu
reconheço essa porra desta voz.
Eu a reconheceria até no inferno.
— Kate?
Fecho os olhos, meu coração batendo mais forte. Minhas pernas
estão fracas e eu sei que posso desmaiar a qualquer momento.
— O. Que. Você. Quer? — As palavras saem lentamente,
misturadas ao ódio que trago em meu coração.
— Kate, por favor. Eu... nós... precisamos conversar.
Acabou.
Agora não posso mais esconder o que passei meses tentando
esconder.
Diante da minha derrota, viro-me devagar.
Os olhos de Keith estão grudados aos meus, mas quando me viro
completamente para ele, seus olhos descem imediatamente para a minha
barriga.
E eu acho que o choque que vejo em seu rosto, é a maior
vingança que eu poderia desejar em toda a minha vida.
4
Keith
Alguns dias antes
— Eu não estou brincando, Keith! — Matthew praticamente
grita no telefone. — Sério. É a Premiere da minha esposa e eu não quero
que o dia dela seja estragado por sua causa.
— Por minha causa? Pelo que eu saiba, sempre apoiei a sua
esposa em tudo! Da parte dela, não podemos dizer o mesmo, não é?
— Ah, claro. Ava não apoiou o cara que abandonou a melhor
amiga dela no altar.
— Eu não abandonei! Eu... — Respiro fundo. — Foi
complicado, Matthew. Mas eu tentei entrar em contato com a Kate e fui
impedido pela sua esposa e você sabe bem disso.
— E pouco me importa essa confusão entre vocês. O que me
importa, neste momento, é que você não esteja planejando aparecer na noite
do lançamento, assim, do nada.
Aproximo-me da janela do meu hotel, onde consigo ter uma
vista linda da Tower Bridge.
— Achei que você estava me apoiando, Matthew.
— Não venha com o seu drama britânico, ok? Tivesse pensado
bem antes de ter deixado a garota plantada no altar, passando vergonha na
frente de todo mundo.
Ele encerra a ligação e eu respiro fundo mais uma vez.
Eu sei que fui um canalha, mas eu tive os meus motivos que me
levaram a fazer aquilo.
Eu machuquei a única mulher por quem nutri sentimentos depois
de tantos anos enclausurado em meu próprio luto. Passei meses tentando
entrar em contato, mas Kate simplesmente sumiu. Ainda tive o agravante da
esposa do meu melhor amigo, impedir de me aproximar, dizendo que eu
não era digno da amiga dela.
Ava tem razão, mas eu preciso falar com a Kate e nada melhor
do que a Premiere do novo filme da Ava, porque ela não vai querer fazer
nenhum escândalo na frente dos jornalistas, isso pode prejudicá-la. E eu sei
que Kate estará aqui, elas são melhores amigas, afinal de contas.
— Sinto muito, Matthew. Pode até me demitir, mas eu vou
encontrá-la.
Consegui descobrir que hoje à noite vai ter um jantar especial e
Kate, com certeza, irá comparecer.
— O senhor deseja beber mais alguma coisa? — O atendente do
balcão pergunta, talvez, porque esteja ansioso de que eu saia daqui.
Já faz um tempo que cheguei e só pedi um copo de água até
agora. Estou escrevendo um bilhete para Kate.
— Não, meu jovem. Obrigado. — Sorrio para ele, guardo a
minha caneta no bolso e me levanto. — Ah, toma aí para você. — Jogo
algumas libras para ele, na tentativa de me redimir por tê-lo feito perder
tempo comigo.
Ele pega as moedas e agradece, então saio do Pub e já sei aonde
ir para conseguir o que quero.
Atravesso a cidade, mas logo chego à Columbia Road, que tem
um lindo mercado de flores da cidade. A rua toda fica cheia delas, é muito
legal e há várias espécies.
Não estou em busca de algo muito complicado e cheio de
significados. Quero apenas que Kate fique feliz com as rosas vermelhas e
leia o bilhete, porque não estou disposto a desistir desta vez.
Escolho as rosas mais bonitas que encontro e peço para
entregarem em seu hotel. Depois, sigo de volta ao meu hotel e abro meu
computador para trabalhar um pouco e distrair a minha mente. Quando dá a
hora, vou para o banho e visto o meu melhor terno.
É hoje que eu vou falar com a Kate.
Estaciono o veículo que aluguei para esses dias em frente ao
restaurante que Ava vai trazer os seus amigos esta noite.
A informação vazou de um dos funcionários do hotel que ouviu
a conversa dela com outras pessoas e depois de lhe dar algumas libras, me
informou corretamente.
Pego meu celular e ligo para Matthew.
— O que é, Keith?
— Oras, boa noite, Matthew. Você já foi mais educado comigo.
Ele respira fundo.
— Por que está me ligando agora? Eu estou em um jantar
importante com a minha esposa e os colegas de trabalho dela.
— Ah, que bom. Só me diga uma coisa: Kate está junto?
Ele fica em silêncio por vários segundos, até que diz:
— Sim.
Abro um meio-sorriso.
— Obrigada meu amigo. Boa noite.
— Olha aqui...
E antes que ele diga qualquer outra coisa, eu simplesmente
encerro a ligação e guardo o celular no meu bolso.
Agora eu só preciso esperar, porque em algum momento, ela vai
sair deste restaurante.
Estou quase cochilando quando a vejo se aproximando da saída.
Vejo apenas o seu rosto, parecendo meio aflito, saindo do restaurante.
É agora.
Olho com mais atenção para ver se alguém está com ela, mas
Kate parece estar sozinha. Ela está de costas agora, o que facilita para eu
me aproximar.
Saio do carro e imediatamente vou em sua direção.
Eu sou um idiota, mas precisamos conversar. Preciso explicar o
que aconteceu naquele dia, explicar que o problema nunca foi ela, mas sim
eu. E quem sabe...
— Kate???
Ela não se mexe, mas sei que ouviu o meu chamado.
Tento mais uma vez.
— Kate?
Estou tão perto.
— O. que. Você. Quer? — As palavras dela saem recheadas de
rancor e mesmo sem olhar em seus olhos, eu sei que ela me odeia agora.
— Kate, por favor. Eu... nós... precisamos conversar.
Paro diante dela, na esperança de que ela me diga que sim,
precisamos conversar.
Então Kate vira primeiro o rosto em minha direção e depois o
seu corpo se vira lentamente e os meus olhos descem para a sua barriga e...
porra.
Kate está grávida?????????
Kate
— A Ava me jurou que você não estaria aqui! — esbravejo. —
Eu vou embora!!!
Tento passar por Keith, voltando para o restaurante, mas sua
mão forte segura o meu braço e me impede de passar.
— Kate, eu acho que temos muito o que conversar.
— Conversar sobre o quê? — Puxo meu braço, desvencilhando-
me de seu aperto. — Eu não quero olhar na sua cara. Nunca. Mais. Eu
avisei à Ava que não viria se você estivesse aqui...
— Ela não sabe! — ele me interrompe. — Eu vim por conta
própria porque eu precisava te encontrar.
Fico em silêncio, mas as lágrimas teimosas já começam a se
acumular em meus olhos.
— Vá embora, Keith. Por favor.
— Não, Kate. Em Nova York é impossível encontrá-la e eu não
quero perder esta chance. Por favor, e... — Seus olhos pairam novamente
em minha barriga. — Eu, meu Deus, Kate. Não quero ser insensível, mas...
Esse bebê é meu?
As lágrimas começam a rolar pelo meu rosto e ao mesmo tempo
solto uma risada incrédula.
— Você acha que depois de ter sido deixada plantada no altar eu
ia sair trepando com qualquer um para engravidar?
Ele fica em silêncio.
— Por que não me falou nada???? — Agora quem está surtado é
ele. — Eu, porra, Kate!!! Eu merecia saber que você estava grávida,
esperando um filho meu, porra!!!
— Você não merecia nada! — Aproximo-me de seu rosto. —
Você é só mais um cara escroto que eu tive a infelicidade de conhecer.
Ele fecha os olhos.
— Vá embora, Keith. Não o quero na minha vida, nem na vida
do meu bebê.
— Não, Kate. Eu não vou.
— Então eu vou.
Viro-me para voltar ao restaurante novamente, mas Keith entra
na minha frente, disposto a me fazer parar.
— Por favor, Kate. Me deixa explicar, eu prometo que a deixo
em paz depois de me ouvir.
— Eu não quero te ouvir!!! — Tampo os meus ouvidos enquanto
as lágrimas jorram sem parar.
— Kate? Kate??? O que está acontecendo aqui??? — Jordan se
aproxima com todo o seu instinto de proteção e me puxa para si. — Melhor
se afastar daqui amigo.
— Kate??? — Agora a Ava se aproxima, seguida por seu
marido. — Mas que porra é essa, Keith??? Matthew, você não tinha dito
que esse filho da puta ia ficar em Nova York??????
— Sim, querida. Me desculpa, eu vou... porra, Keith, eu vou te
matar — Matthew o puxa pelo braço, afastando-o de mim.
— Kate, eu vou estar no London Bridge Hotel, por favor. Vamos
conversar!!! — Keith diz enquanto é arrastado pelo seu amigo para longe.
— Meu Deus, que pesadelo! — Ava me abraça. — Amiga eu
não sabia que ele ia estar aqui, eu juro.
— Tudo bem, Ava. Eu só quero ir embora.
Ava e Jordan trocam olhares como se eu fosse uma criança que
precisa de cuidados e diz:
— Jordan, por favor. Cuide dela. Acabando aqui, eu vou lá para
o hotel, para ficar com ela, ok?
— Ok, Ava.
— Vou pegar o seu casaco, espera aqui.
Encosto-me na parede e respiro fundo várias vezes. Um tempo
depois, Jordan volta com uma garrafinha de água e o meu casaco.
— Por favor, beba.
Bebo quase toda a água e visto o casaco. Entrego-lhe a
garrafinha e o sigo até um táxi que ele pede para nós.
O caminho até o hotel é feito em silêncio, enquanto eu derramo
todas as lágrimas que chegam aos meus olhos.
Eu quero voltar para Nova York, mas não quero deixar a Ava
chateada. Agora também, Keith já sabe que estou esperando um filho dele.
Só não sei o que esperar disso.
Jordan abre a porta do meu quarto e pergunta:
— Quer que eu lhe faça companhia até a sua amiga chegar?
Balanço a cabeça negativamente.
— Obrigada. Eu só quero ficar sozinha.
Ele assente.
— Se precisar de algo, me chama, por favor.
— Obrigada.
Ele ainda demora um pouco, mas finalmente vai para o seu
quarto. Fecho a porta e me recosto nela, deixando as lágrimas rolarem com
força pelo meu rosto.
Estava tudo indo bem, até agora.
Por que Keith teve que aparecer? Já não bastou a humilhação
que passei no dia do nosso casamento?
Passo as mãos pela minha barriga. O bebê está muito agitado,
talvez porque sabe que sua mãe está extremamente magoada.
Preciso me acalmar.
Vou até o banheiro e abro a torneira para encher a banheira com
água quente. Quando ela finalmente está cheia, tiro minhas roupas e entro,
tentando relaxar.
Fico por um bom tempo, até minhas mãos ficarem enrugadas.
Depois, saio da água, me enrolo em um roupão felpudo e volto para o
quarto.
As rosas...
Se não foi Ava quem as mandou, nem Jordan, com certeza foi
Keith.
Elas são lindas, mas preciso jogar fora. Não quero nada que
venha daquele homem.
Vou até o telefone e ligo para a recepção.
— Pois não?
— Por favor, eu preciso me livrar de uma coisa. Pode mandar
alguém vir com um saco de lixo?
— Sim, senhorita. Só um momento.
— Ok.
Enquanto espero, vou até o armário e pego meu pijama. Visto-o
e é o tempo certo para que alguém bata em minha porta.
— A senhorita pediu que trouxessem um saco de lixo? — Um
rapaz que não deve ter mais que vinte anos pergunta.
— Sim, espera aí.
Vou até as flores, pego-as e caramba, elas são pesadas. Mesmo
assim, consigo levá-las até o saco que o rapaz segura aberto para mim.
— São lindas — ele diz com pesar.
— São sim, mas quem as enviou não vale 1 centavo de libra.
— Entendo. — Ele fecha o saco e diz: — Vou me livrar disto
agora mesmo.
— Obrigada.
Ele me lança um meio-sorriso e se vai. Fecho a porta novamente
e volto para a cama, que é o lugar do qual eu não deveria ter saído hoje.
Pego meu celular e há uma mensagem de Ava.
“Já estou chegando, ok? Dez minutos”.
Quero responder que não precisa, que ela pode voltar para o seu
marido, mas eu acho que vai ser bom ter a companhia de uma amiga, uma
pessoa com quem eu possa chorar e nunca serei julgada por isso.
Keith
— Eu juro que vou te matar!!!! — Matthew me empurra contra
o meu próprio carro. — Mas que porra você acha que está fazendo aqui????
— Eu avisei que queria falar com a Kate!!! Esse foi o único
jeito, depois de vocês a isolarem completamente do mundo!
— Nós não a isolamos! Você fez isso quando a deixou no altar!
Respiro fundo.
Matthew também respira fundo.
— Eu podia te demitir agora mesmo.
— Então demita. Você achou que eu ia vir aqui apenas para ficar
como um espectador? Está enganado, meu caro, você sabe muito bem que
também precisou ir atrás da Ava quando ela te deixou!
— É diferente, porra!
— E ela está grávida! Como vocês puderam fazer isso comigo?
— Agora quem está com ódio sou eu e avanço em Matthew. — Kate espera
um filho meu e vocês a esconderam esse tempo todo!!!!
Agora quem está segurando Matthew pelo colarinho sou eu.
— Você não a merecia. Nem merecia saber sobre o bebê. Não
sei por que caralhos eu fui dizer que ela estaria aqui em Londres.
— Eu o odeio, Matthew!
Solto Matthew e me afasto um pouco. Preciso respirar.
Londres está fria, está caindo algumas gotas de chuva na minha
cabeça e tudo o que eu quero é conversar com Kate e resolver a nossa
situação.
Agora que há um bebê nesta história, tudo muda.
Tudo mesmo.
— Eu vou ser pai — digo com as lágrimas vindo aos meus
olhos. — Eu achei que nunca ia dizer essa palavra novamente e olha só
como eu descubro essa notícia. — Esfrego meu rosto. — Pelo tempo,
acredito que ela já está perto de dar à luz, não?
— Sim. Falta pouco.
— Porra. Eu estou com muito ódio de você Matthew. Ódio de
você e da Ava, porque podem me chamar de canalha, mas eu nunca teria
feito o que eu fiz, se eu soubesse da verdade! Eu merecia saber disso.
Matthew olha para o chão.
— Eu ia te contar, mas se eu fizesse isso, a Ava ia me matar,
com certeza.
— Como se fosse a primeira vez que ela ia querer te matar.
Vocês brincaram conosco.
— Não brincamos com ninguém, seu filho da puta! Foi você que
escolheu abandonar a Kate! Não venha empurrar a sua culpa nas costas de
ninguém. Ava e eu passamos todos esses meses cuidando da mulher que
você dizia amar!
— E eu já disse que tive a porra dos meus motivos! Você nunca
vai entender e eu nem quero. Foda-se. Agora, sinceramente? Eu não quero
falar com você e nem com a Ava. E eu me demito.
Abro a porta do carro e entro nele. Matthew fica parado ao lado
da porta do motorista, apenas me olhando.
— Cuidado, Keith. Kate só quer ter paz para criar o bebê. Você
já a machucou demais.
— Não pedi sua opinião. Vá cuidar da sua mulher, que da
minha, cuido eu.
Fecho o vidro do carro e acelero para longe de Matthew.
Estou com raiva dele, de todos. Mas principalmente de mim,
porque eu sei que o único culpado disso tudo sou eu mesmo.
Talvez Matthew tenha razão.
Mas agora temos um bebê nesta história e eu não posso deixar
para lá. Nunca vou desperdiçar a minha segunda chance de ser pai.
Kate
— Ava, vá para o seu quarto. O Matt deve estar te esperando.
— Ah, ele já está dormindo uma hora dessas. Relaxa. Vamos
assistir esse filme aqui? — Ela está rolando os aplicativos da TV
procurando algo. — Um de terror?
— Pode ser. Menos romance. Não quero nada de romance por
um bom tempo.
— Claro, claro.
Ava escolhe um filme de espíritos e começamos a assistir, mas é
óbvio que ela está bem cansada do dia agitado, porque começa a cochilar ao
meu lado.
Tudo bem que o filme não está muito legal. Acho que até eu
estou com sono.
Pego o meu celular e digito uma mensagem para Matthew.
“Sua esposa está cochilando ao meu lado. Se quiser, pode vir buscá-la”
Não demora muitos minutos e a resposta vem:
“Ah, estou indo.”
Alguns minutos depois, Matthew bate na minha porta e eu me
levanto e vou atendê-lo.
Ele olha para sua esposa com pena.
— Coitada, anda trabalhando muito.
— Imagino. Mas vá, pegue-a no colo e leve-a para a cama.
Matthew entra no quarto e em primeira instância tenta acordar
Ava, sem sucesso. Ela começa a dizer coisas esquisitas, sobre enfiar o
James Cameron dentro de um submarino.
— O sono dela é pesado e às vezes ela fala sobre coisas
esquisitas — ele explica. — Ahn, vamos, amor.
Ele a pega no colo e enquanto sai do meu quarto, solto uma
risada.
— Boa noite, Kate.
— Boa noite.
Ele se vai, com ela se debatendo em seus braços, mas agora já é
problema deles.
Fecho a porta e respiro fundo.
Foi bom Ava ter vindo aqui, porque pudemos conversar bastante
e eu desabafei coisas que eu estava há um bom tempo guardando.
Cheguei à conclusão de que não adianta fugir do Keith, ainda
mais agora que ele sabe que teremos um bebê juntos. Eu só não sei como
vou lidar com as coisas, porque esse homem maldito sempre teve muito
poder sobre mim.
Preciso mostrar a ele que agora as coisas são diferentes.
Ao voltar para a cama, vejo um bilhetinho caído no chão que
deve ter passado despercebido por causa da cor do carpete, que também é
claro.
Com dificuldade, abaixo-me e o pego.
É o bilhete que estava no meio das rosas.
Já sei que as rosas eram do Keith e eu não quero ler o seu
bilhete, mas agora estou curiosa, então o abro.
“Espero que essas rosas sejam do seu agrado, apesar de você não gostar
muito de flores. Eu... Sou um babaca, Kate. Mas acho que precisamos
conversar. Por favor, me dê apenas um pouco do seu tempo e depois se ver
que não sou digno de falar com você, eu desapareço de sua vida para
sempre.
Ps: Estou hospedado no London Bridge Hotel.”
Respiro fundo.
Eu acho que não devo ir atrás desse homem, mas ao mesmo
tempo eu acho que devo me colocar na posição de dona das minhas
opiniões. Ele precisa ver que não sou a mesma Kate que ele manipulava
quando estávamos juntos.
E é por isso, que amanhã, logo após o café, eu vou procurá-lo
para dizer que não o quero em nossas vidas e que estou muito bem sozinha,
pronta para criar o nosso bebê, longe do homem que só me fez sofrer.
Recebo alguns chutes na minha barriga.
— Concorda com a mamãe, bebê? — Aliso por cima do meu
pijama. — Seu papai vai pagar pelo que fez conosco.
Recebo outro chute em resposta.
Acho que ela está gostando disso.
Deixo o bilhetinho em cima da cômoda e volto para a cama,
onde, pela primeira vez em vários meses, consigo ter um sono digno dos
deuses.