LGPD em Condomínios: Obrigações e Riscos
LGPD em Condomínios: Obrigações e Riscos
br 1
índice
A Aplicação da LGPD (Lei 13.709/2018) para os
condomínios residenciais e comerciais....................................................................... 3
A OBRIGAÇÃO É DO SÍNDICO!........................................................................................ 24
[Link] 2
A Aplicação da LGPD (Lei 13.709/2018) para os
condomínios residenciais e comerciais
Em vigor desde 18/09/2020, a Lei Ge- Esse panorama tem gerado bastante
ral de Proteção de Dados Pessoais tem espanto e, por vezes, desconforto em
trazido muita preocupação para os sín- alguns síndicos, uma vez que essa si-
dicos, tendo em vista que dentre os lo- tuação pode lhes ensejar responsabi-
cais mais afetados estão presentes as lidade civil e criminal, caso haja algum
associações de moradores e condomí- incidente e não tenham sido tomados
nios (residenciais e comerciais). os cuidados necessários, especial-
mente quanto ao enquadramento e
adequação à Lei 13.709/2018, mais
conhecida como LGPD.
[Link] 3
O QUE É A LEI?
Muito noticiada nos veículos de comunicação, sobretudo nos últimos dias, a
LGPD, de uma maneira bem resumida e objetiva, tem como principal missão
garantir transparência na gestão de dados pessoais, regulamentando todas as
condições pelas quais os mesmos devem ser tratados.
[Link] 4
POR QUE A LGPD NÃO CAIRÁ EM DESUSO?
Muito embora tenha deixado de es- O que muitos sequer têm noção é de
tar tão presente na cabeça de alguns que somos vigiados e monitorados 24
empresários, a verdade é que pai- horas por dia, 7 dias por semana.
rava uma dúvida se de fato essa Lei
iria vingar. Entretanto, não há que se Cada vez mais frequente, informações
pensar e falar nisso, tendo em vista com alto grau de relevância, como
que houve uma pressão internacional aquelas relativas a dados de morado-
para que o Brasil protegesse de ma- res e visitantes em condomínios, são
neira eficaz a privacidade e os dados procuradas e cobiçadas para criação
pessoais, circunstância contemplada de perfis de personalidade através de
pela LGPD. algoritmos de big data.
[Link] 5
Pegando já carona no parágrafo anterior, é necessário abordarmos alguns ter-
mos utilizados na Lei (Lei 13.709/2018, art. V), para que possamos, assim, con-
tinuar tecendo sobre o assunto e não haja maiores dúvidas. São estes:
Titular:
Pessoa natural a quem se referem os dados pessoais que são
objeto de tratamento;
Controlador:
Pessoa natural ou jurídica, de direito público ou privado, a quem
competem as decisões referentes ao tratamento de dados pessoais;
Operador:
Pessoa natural ou jurídica, de direito público ou privado, que realiza
o tratamento de dados pessoais em nome do controlador;
Encarregado (DPO):
Pessoa indicada pelo controlador e operador para atuar como
canal de comunicação entre o controlador, os titulares dos dados
e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD);
[Link] 6
Tratamento:
Toda operação realizada com dados
pessoais, como as que se referem a
coleta, produção, recepção, classifi-
cação, utilização, acesso, reprodução,
transmissão, distribuição, processa-
mento, arquivamento, armazenamento,
eliminação, avaliação ou controle da in-
formação, modificação, comunicação,
transferência, difusão ou extração;
[Link] 7
Após tomarmos mais conhecimento sobre os termos usados e abordados
pela Lei é importante trazermos alguns destaques, como:
[Link] 8
O FLUXO DOS DADOS E COMO ELES SE TRANSACIONAM
Operador
Controlador
[Link] 9
Não obstante, após tecermos sobre as razões da criação da Lei, bem como a
função de cada ente envolvido, é hora de entendermos como tudo isso foi regu-
lamentado e quais os cuidados que deverão ser tomados a partir de agora, so-
bretudo do ponto de vista de uma eventual omissão, desídia ou negligência com
o disposto na LGPD. Deve-se levar em conta também o fato de já estarmos
contra o tempo e a conta poder chegar a qualquer momento.
II – a autodeterminação informativa;
IV – a inviolabilidade da intimidade, da
honra e da imagem;
[Link] 10
Muito embora já tenhamos dado destaque para o uso de algoritmos de big data,
nessa era da informação, esse art. 2º acaba por dar mais sentido sobre essa
preocupação que todos devemos ter, sobretudo em se tratando do olhar dado ao
direito de privacidade e de autodeterminação informacional, incluindo a proteção
contra algoritmos e como eles poderão interferir em nossas personalidades.
Um simples exemplo pode ser uma lista de convidados para uma festa. À luz da
LGPD, como serão encarados e conduzidos, pelos condomínios, os dados des-
ses convidados, sobretudo do ponto de vista dos porteiros e zeladores, ou seja,
como e por quanto tempo esses dados serão armazenados (tratados)? Serão
utilizados apenas para essa finalidade (ingresso na festa)? O que é essencial,
ou seja, quais dados são, realmente, necessários para a liberação da entrada de
um indivíduo nas dependências do condomínio (titular)?
[Link] 11
Vejamos o art. 6º da LGPD, que
elenca os princípios para a co-
leta e tratamento desses dados:
III – necessidade: limitação do tratamento ao mínimo necessário para a realização de suas fina-
lidades, com abrangência dos dados pertinentes, proporcionais e não excessivos em relação às
finalidades do tratamento de dados;
IV – livre acesso: garantia, aos titulares, de consulta facilitada e gratuita sobre a forma e a dura-
ção do tratamento, bem como sobre a integralidade de seus dados pessoais;
V – qualidade dos dados: garantia, aos titulares, de exatidão, clareza, relevância e atualização
dos dados, de acordo com a necessidade e para o cumprimento da finalidade de seu tratamento;
VIII – prevenção: adoção de medidas para prevenir a ocorrência de danos em virtude do trata-
mento de dados pessoais;
[Link] 12
Síntese dos princípios
Finalidade
Apenas coletar dados pessoais para fins legítimos, informando com
clareza o usuário a finalidade da coleta.
Adequação
Disponibilizar todas as informações sobre a coleta e uso de dados
para o usuário de forma honesta.
Necessidade
Manter e utilizar apesar os dados essenciais, apagando-os quando
deixarem de ser relevantes
Livre acesso
Ser capaz de apresentar ao usuário os dados e a forma como são
processados ao ser requisitado
Precisão
Manter os dados precisos a todo o momento deletando ou atualizan-
do dados errados ou imprecisos
Transferência
O usuário deve ser informado de maneira clara e acessível sobre os
riscos e direitos sobre seus dados
Segurança
Tomar medidas técnicas e administrativas para proteger os dados de
danos, furtos ou perdas
Prevenção
Tomar medidas preventivas para a proteção dos dados, evitando da-
nos aos titulares
Não discriminação
Não utilizar os dados para nenhum fim discriminatório, ilícito ou abu-
sivo, atendendo aos requisitos de lei
Responsabilidade
Adotar estes princípios e ter condições de provar sua adoção em to-
dos os procedimentos da empresa
[Link] 13
Portanto, é de suma importância discorrermos como deverá ocorrer o enqua-
dramento dos condomínios à Lei, ou seja, como se dará a contratação da em-
presa que fará o enquadramento, quais são os cuidados necessários e o que
deve ser verificado no momento dessa contratação.
Não obstante, para evitar esse tipo de situação, aconselha-se exigir da empresa
contratada atestados de capacidade técnica expedidos por empresa ou cliente
em que já tiver sido realizado o enquadramento da LGPD, bem como atestado
com expertise em processamento de dados, além de certificações de DPO da
equipe que for realizar a adequação. As certificações recomendadas são, ao
menos: ISO27001, PDF, PDPP e DPO, todas emitidas pela EXIN.
[Link] 14
Vejamos os principais entregáveis e suas explicações:
Mapeamento de Processos
É necessário mapear todos os processos para que sejam identificados quais
dados deverão efetivamente ser coletados e tratados, ou seja, não é possível
realizar o Mapeamento de Dados sem que se esteja de posse de todos os
processos mapeados.
Mapeamento de Dados
Esta talvez seja a etapa mais importante de todas, ou seja, é através deste
mapeamento que podemos entender e compreender o que fazer e o porquê do
tratamento e coleta de cada dado, bem como tornar possível desenhar todo o
ciclo de vida e utilização dos dados tratados.
[Link] 15
Minutas de Contratos e Aditivos com os fornecedores, nos
moldes e parâmetros exigidos pela Lei 13.709/2018
Este contrato, quando um fornecedor for novo, deverá contemplar, além de todas
as demais obrigações do contratado, as responsabilidades do ponto de vista da
LGPD. Em caso de fornecedor que já esteja prestando serviços para o condomí-
nio/associação, o aditivo contratual deverá contemplar todas exigências para o
compliance com a Lei.
[Link] 16
Política de Backup
Nesta política são contemplados os pro-
cedimentos de backup realizados pelo
condomínio/associação, como são arma-
zenados, se esses backups são automá-
ticos, se existe uma rotina que cheque
periodicamente a integridade desses ar-
quivos e dados salvos.
Política de Criptografia
Nesta política são contemplados como os
dados são armazenados, como os dados
são transferidos e qual o tipo de criptogra-
fia é utilizada. Uma alternativa é incorpo-
rá-la à Política de Segurança da Informa-
ção, sendo necessário checar como os
procedimentos de criptografia serão exe-
cutados pela empresa contratada. Ambas
as maneiras estão corretas.
Política de Senhas
Nesta política é abordado o critério de
acesso ao sistema, quem possui direito
de acesso, quais são os acessos permi-
tidos, quais são os critérios de criação e
alteração de senhas e como elas devem
ser mantidas em sigilo pelo usuário do
sistema. Do mesmo modo que a política
de criptografia, uma alternativa seria in-
corporá-la à Política de Segurança da In-
formação, sendo necessário checar como
os procedimentos serão executados pela
empresa contratada. Ambas as maneiras
estão corretas.
[Link] 17
Política de Retenção
de Dados
Nesta política são contemplados como
os dados são armazenados e por quan-
to tempo serão retidos. Alternativamen-
te, esta política pode ser incorporada à
Política de Privacidade e Proteção de
Dados Pessoais.
Política de Antivírus
Nesta política são contempladas a insta-
lação e utilização de antivírus nos equi-
pamentos do condomínio, bem como os
procedimentos de atualização destes
programas de antivírus. Assim como em
outras políticas, uma alternativa seria in-
corporá-la à Política de Segurança da In-
formação, sendo necessário checar como
os procedimentos serão executados pela
empresa contratada. Ambas as maneiras
estão corretas.
Política de LOGs
Esta política está entre as mais impor-
tantes, ou seja, nela será abordado como
serão salvos os logs de sistemas, para
que sejam utilizados na ocorrência de
qualquer incidente de segurança no con-
domínio. Alternativamente, assim como
em outras, esta política, também, poderá
ser incorporada à Política de Segurança
da Informação.
[Link] 18
Plano de Respostas a Incidentes
O plano de respostas a incidentes se assemelha muito a um plano de saúde
ou auxílio funeral, ou seja, devemos ter o melhor, mas torcemos para nunca
precisarmos usá-lo. Em linhas gerais, trata-se de um documento elaborado
pelo Responsável pela Segurança da Informação ou pela empresa contratada
para realizar a adequação e enquadramento da LGPD, contemplando o que
deve ser feito, o que e a quem deve ser reportado qualquer tipo de incidente
de segurança da informação.
[Link] 19
Base Legal dos Dados Pessoais Tratados
Neste documento são contemplados o embasamento legal que a LGPD autoriza
para o tratamento de cada um dos dados pessoais do titular, bem como todo o
ciclo de vida dos dados coletados. Alternativamente, este documento pode ser
contemplado e incorporado no próprio mapeamento de dados.
RIPD
Por último, o Relatório de Impacto é o documento que é submetido à ANPD,
sendo nele contempladas todas as ações e medidas executadas e realizadas no
momento do enquadramento do condomínio/associação.
[Link] 20
E SE O CONDOMÍNIO NÃO IMPLANTAR A LGPD?
QUEM PAGA ESSA CONTA?
Antes de tecer sobre a obrigatoriedade da adequação para os condomínios,
é importante ressaltarmos que todas as entidades, organizações e demais
instituições que tratem dados pessoais devem estar em conformidade com o
que preceitua a Lei 13.709/2018, independentemente da natureza do negócio
ou do porte.
[Link] 21
No Brasil, apesar de ainda não existirem varas especializadas em proteção de
dados, um titular de dados qualquer poderá se valer das provas geradas no
âmbito da ANPD para pleitear indenizações de grande valor na justiça comum.
Deste modo, se antes da LGPD esse processo de juntada de provas pelos titu-
lares e seus advogados era custoso e demorado, a existência de uma agência
reguladora específica para a proteção de dados pessoais, como é o caso da
ANPD, torna todo esse processo muito mais rápido, aumentando o número de
ações judiciais contra os controladores (condomínios).
Ainda nessa toada, o caso da Cyrela deve constituir uma jurisprudência, ou seja,
este será, possivelmente, o parâmetro numérico para vazamento de dados.
[Link] 22
Nesta seara de contextualização, tendo em vista as dúvidas que poderão haver
sobre os limites de responsabilidades, a ilustração abaixo pode ajudar a esclare-
cer um pouco essa situação.
Poderá o Juiz reverter o ônus da prova a favor do titular dos dados quando,
houver hipossuficiência para fins de produção de prova ou quando a produção
de prova pelo titular for excessivamente onerosa.
[Link] 23
A OBRIGAÇÃO É DO SÍNDICO!
Como se constata na legislação, sobretudo no que
preceituam o Código Civil e a Lei nº 4.591/1964, o
síndico possui poderes para agir em nome dos con-
dôminos, entretanto, não devemos nos esquecer de
que este possui suas obrigações e responsabilida-
des, podendo responder, inclusive, civilmente e/ou
criminalmente por seus atos, sobretudo em casos
de omissão, desídia ou má gestão.
[Link] 24
Não muito diferente que o contemplado no código civil, vejamos o que preceitua
o § 1º do art. 22 a Lei 4.591/1964, destacados abaixo:
§ 1º Compete ao síndico:
Assim, uma vez sendo possível ver e entender todas as obrigações e responsa-
bilidades do síndico, é relevante destacarmos a linha seguida pelo art. 927 do
código civil, em harmonia com os artigos 186 e 187, e em total consonância com
a proposta do art. 42 da LGPD.
Artigo 927 - Aquele que, por ato ilícito (artigos 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado
a repará-lo.
Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos
especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano impli-
car, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito
e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.
Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifesta-
mente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes.
[Link] 25
Para finalizar este documento, é importante mais uma vez realçar a necessidade
de se atentar aos entregáveis pela empresa que for contratada para a adequa-
ção e enquadramento à LGPD pelo condomínio/associação.
Contudo, como é possível que o síndico tenha que exercer algum domínio sobre
como os dados deverão ser tratados, em tempos de LGPD, ainda que contem-
plado no mapeamento de dados (um dos entregáveis), abaixo finalizamos este
documento com a exemplificação do ciclo de vida dos dados antes e após a
vigência da LGPD:
[Link] 26
Fase do Ciclo Antes da LGPD Depois da LGPD
[Link] 27
E-mail: contato@[Link]
Site: [Link]
Endereço: Alameda Amazonas, 938, Conjunto B, Sala
23D Alphaville Industrial, Barueri – SP – CEP 06454-070
[Link] 28