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LGPD em Condomínios: Obrigações e Riscos

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[Link].

br 1
índice
A Aplicação da LGPD (Lei 13.709/2018) para os
condomínios residenciais e comerciais....................................................................... 3

POR QUE A LGPD NÃO CAIRÁ EM DESUSO?.......................................................................... 5

De quem é a obrigação no Tratamento


dos Dados Pessoais nos condomínios/associações?...................................................... 8

Quem é o Controlador e quem é o Operador?................................................................ 8

Quem é o responsável em caso de vazamento?.............................................................. 8

Quem fará a ponte entre o Titular e a Autoridade Nacional?.......................................... 8

E SE O CONDOMÍNIO NÃO IMPLANTAR A LGPD? QUEM PAGA ESSA CONTA?.................................. 21

A OBRIGAÇÃO É DO SÍNDICO!........................................................................................ 24

[Link] 2
A Aplicação da LGPD (Lei 13.709/2018) para os
condomínios residenciais e comerciais

Em vigor desde 18/09/2020, a Lei Ge- Esse panorama tem gerado bastante
ral de Proteção de Dados Pessoais tem espanto e, por vezes, desconforto em
trazido muita preocupação para os sín- alguns síndicos, uma vez que essa si-
dicos, tendo em vista que dentre os lo- tuação pode lhes ensejar responsabi-
cais mais afetados estão presentes as lidade civil e criminal, caso haja algum
associações de moradores e condomí- incidente e não tenham sido tomados
nios (residenciais e comerciais). os cuidados necessários, especial-
mente quanto ao enquadramento e
adequação à Lei 13.709/2018, mais
conhecida como LGPD.

Síndicos poderão ser responsabilizados


civilmente e criminalmente em caso de
descumprimento da LGPD.

[Link] 3
O QUE É A LEI?
Muito noticiada nos veículos de comunicação, sobretudo nos últimos dias, a
LGPD, de uma maneira bem resumida e objetiva, tem como principal missão
garantir transparência na gestão de dados pessoais, regulamentando todas as
condições pelas quais os mesmos devem ser tratados.

Vejamos o que preceitua o caput do


art. 1º da Lei 13.709/2018:
Esta Lei dispõe sobre o tratamento de dados
pessoais, inclusive nos meios digitais, por
pessoa natural ou por pessoa jurídica de direi-
to público ou privado, com o objetivo de pro-
teger os direitos fundamentais de liberdade e
de privacidade e o livre desenvolvimento da
personalidade da pessoa natural.

[Link] 4
POR QUE A LGPD NÃO CAIRÁ EM DESUSO?

Muito embora tenha deixado de es- O que muitos sequer têm noção é de
tar tão presente na cabeça de alguns que somos vigiados e monitorados 24
empresários, a verdade é que pai- horas por dia, 7 dias por semana.
rava uma dúvida se de fato essa Lei
iria vingar. Entretanto, não há que se Cada vez mais frequente, informações
pensar e falar nisso, tendo em vista com alto grau de relevância, como
que houve uma pressão internacional aquelas relativas a dados de morado-
para que o Brasil protegesse de ma- res e visitantes em condomínios, são
neira eficaz a privacidade e os dados procuradas e cobiçadas para criação
pessoais, circunstância contemplada de perfis de personalidade através de
pela LGPD. algoritmos de big data.

Tudo começou após os escândalos É extremamente relevante destacar-


envolvendo a empresa Cambridge mos alguns pontos para que tenhamos
Analytica nas eleições Norte America- um pouco mais de cuidado e, sobretu-
nas e no Brexit, ocorridos em 2016. do, noção do que pode ser feito com
os nossos dados, mormente se estes
Ou seja, considerando a possibilida- forem vazados e cruzados com outras
de de poder, inclusive, eleger um Pre- bases de dados.
sidente, como foi o caso de Donald
Trump em 2016, o que mais seria Curioso ou não, é de se ressaltar o
possível fazer de posse de tantos da- fato de existirem diversos algoritmos
dos pessoais, em tempos de transfor- espalhados pelo mundo que conse-
mação digital? guem fazer predições de divórcios,
depressão, uso de drogas, orientação
sexual, orientação política, gravidez,
dentre outras situações. Isso explica o
porquê desse impacto direto da LGPD
nos condomínios e associações de
moradores. De fato, o que tem gerado
mais preocupação por parte dos síndi-
cos, é o vazamento de dados dos con-
dôminos, que pode causar estragos
irreversíveis e gerar indenizações de
alto valor.

[Link] 5
Pegando já carona no parágrafo anterior, é necessário abordarmos alguns ter-
mos utilizados na Lei (Lei 13.709/2018, art. V), para que possamos, assim, con-
tinuar tecendo sobre o assunto e não haja maiores dúvidas. São estes:

Titular:
Pessoa natural a quem se referem os dados pessoais que são
objeto de tratamento;

Controlador:
Pessoa natural ou jurídica, de direito público ou privado, a quem
competem as decisões referentes ao tratamento de dados pessoais;

Operador:
Pessoa natural ou jurídica, de direito público ou privado, que realiza
o tratamento de dados pessoais em nome do controlador;

Encarregado (DPO):
Pessoa indicada pelo controlador e operador para atuar como
canal de comunicação entre o controlador, os titulares dos dados
e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD);

[Link] 6
Tratamento:
Toda operação realizada com dados
pessoais, como as que se referem a
coleta, produção, recepção, classifi-
cação, utilização, acesso, reprodução,
transmissão, distribuição, processa-
mento, arquivamento, armazenamento,
eliminação, avaliação ou controle da in-
formação, modificação, comunicação,
transferência, difusão ou extração;

Relatório de Impacto à Prote-


ção de Dados Pessoais (RIPD):
Documentação do controlador que
contém a descrição dos processos de
tratamento de dados pessoais que po-
dem gerar riscos às liberdades civis e
aos direitos fundamentais, bem como
medidas, salvaguardas e mecanismos
de mitigação de risco;

Autoridade Nacional (ANPD):


Órgão da administração pública res-
ponsável por zelar, implementar e fis-
calizar o cumprimento desta Lei em
todo o território nacional;

[Link] 7
Após tomarmos mais conhecimento sobre os termos usados e abordados
pela Lei é importante trazermos alguns destaques, como:

De quem é a obrigação no Tratamento dos Dados Pessoais nos


condomínios/associações?

A obrigação é do condomínio/associação. No caso dos condomínios


o responsável é o síndico e no caso das associações de moradores
o responsável é o presidente da associação.

Quem é o Controlador e quem é o Operador?

O condomínio/associação é o controlador e a administradora de condo-


mínio é a operadora.

Quem é o responsável em caso de vazamento?

Ambos, condomínio/associação e administradora são responsáveis.


Entretanto, a responsabilidade maior é do condomínio/associação, ou
seja, todo o cuidado/gerência, inclusive com o enquadramento na legis-
lação é do síndico (nos condomínios) e do presidente (nas associações
de moradores). A estes cabe checar como esses dados estão sendo
tratados e se, inclusive, a administradora de condomínio está em com-
pliance com a Lei 13.709/2019.

Quem fará a ponte entre o Titular e a Autoridade Nacional?

Esta tarefa sempre deverá ser exercida pelo DPO/Encarregado


de Dados.

[Link] 8
O FLUXO DOS DADOS E COMO ELES SE TRANSACIONAM

Titular dos dados

Operador

Controlador

Encarregado da Agência Nacional de


Proteção de dados Proteção de Dados

[Link] 9
Não obstante, após tecermos sobre as razões da criação da Lei, bem como a
função de cada ente envolvido, é hora de entendermos como tudo isso foi regu-
lamentado e quais os cuidados que deverão ser tomados a partir de agora, so-
bretudo do ponto de vista de uma eventual omissão, desídia ou negligência com
o disposto na LGPD. Deve-se levar em conta também o fato de já estarmos
contra o tempo e a conta poder chegar a qualquer momento.

Como podemos notar, o art. 2º


explica bem essa situação:

Art. 2º A disciplina da proteção


de dados pessoais tem como
fundamentos:
I – o respeito à privacidade;

II – a autodeterminação informativa;

III – a liberdade de expressão, de infor-


mação, de comunicação e de opinião;

IV – a inviolabilidade da intimidade, da
honra e da imagem;

V – o desenvolvimento econômico e tec-


nológico e a inovação;

VI – a livre iniciativa, a livre concorrência


e a defesa do consumidor; e

VII – os direitos humanos, o livre de-


senvolvimento da personalidade, a dig-
nidade e o exercício da cidadania pelas
pessoas naturais.

[Link] 10
Muito embora já tenhamos dado destaque para o uso de algoritmos de big data,
nessa era da informação, esse art. 2º acaba por dar mais sentido sobre essa
preocupação que todos devemos ter, sobretudo em se tratando do olhar dado ao
direito de privacidade e de autodeterminação informacional, incluindo a proteção
contra algoritmos e como eles poderão interferir em nossas personalidades.

É importante ressaltarmos e despendermos todos os esforços necessários


para traduzirmos tudo isso nas rotinas diárias e corriqueiras dos condomí-
nios, sejam eles residenciais ou comerciais.

Um simples exemplo pode ser uma lista de convidados para uma festa. À luz da
LGPD, como serão encarados e conduzidos, pelos condomínios, os dados des-
ses convidados, sobretudo do ponto de vista dos porteiros e zeladores, ou seja,
como e por quanto tempo esses dados serão armazenados (tratados)? Serão
utilizados apenas para essa finalidade (ingresso na festa)? O que é essencial,
ou seja, quais dados são, realmente, necessários para a liberação da entrada de
um indivíduo nas dependências do condomínio (titular)?

[Link] 11
Vejamos o art. 6º da LGPD, que
elenca os princípios para a co-
leta e tratamento desses dados:

Art. 6º As atividades de tratamento de dados pessoais deverão observar a


boa-fé e os seguintes princípios:
I – finalidade: realização do tratamento para propósitos legítimos, específicos, explícitos e
informados ao titular, sem possibilidade de tratamento posterior de forma incompatível com
essas finalidades;

II – adequação: compatibilidade do tratamento com as finalidades informadas ao titular, de acor-


do com o contexto do tratamento;

III – necessidade: limitação do tratamento ao mínimo necessário para a realização de suas fina-
lidades, com abrangência dos dados pertinentes, proporcionais e não excessivos em relação às
finalidades do tratamento de dados;

IV – livre acesso: garantia, aos titulares, de consulta facilitada e gratuita sobre a forma e a dura-
ção do tratamento, bem como sobre a integralidade de seus dados pessoais;

V – qualidade dos dados: garantia, aos titulares, de exatidão, clareza, relevância e atualização
dos dados, de acordo com a necessidade e para o cumprimento da finalidade de seu tratamento;

VI – transparência: garantia, aos titulares, de informações claras, precisas e facilmente acessí-


veis sobre a realização do tratamento e os respectivos agentes de tratamento, observados os
segredos comercial e industrial;

VII – segurança: utilização de medidas técnicas e administrativas aptas a proteger os dados


pessoais de acessos não autorizados e de situações acidentais ou ilícitas de destruição, perda,
alteração, comunicação ou difusão;

VIII – prevenção: adoção de medidas para prevenir a ocorrência de danos em virtude do trata-
mento de dados pessoais;

IX – não discriminação: impossibilidade de realização do tratamento para fins discriminatórios


ilícitos ou abusivos;

X – responsabilização e prestação de contas: demonstração, pelo agente, da adoção de medi-


das eficazes e capazes de comprovar a observância e o cumprimento das normas de proteção
de dados pessoais e, inclusive, da eficácia dessas medidas.

[Link] 12
Síntese dos princípios

Finalidade
Apenas coletar dados pessoais para fins legítimos, informando com
clareza o usuário a finalidade da coleta.

Adequação
Disponibilizar todas as informações sobre a coleta e uso de dados
para o usuário de forma honesta.

Necessidade
Manter e utilizar apesar os dados essenciais, apagando-os quando
deixarem de ser relevantes

Livre acesso
Ser capaz de apresentar ao usuário os dados e a forma como são
processados ao ser requisitado

Precisão
Manter os dados precisos a todo o momento deletando ou atualizan-
do dados errados ou imprecisos

Transferência
O usuário deve ser informado de maneira clara e acessível sobre os
riscos e direitos sobre seus dados

Segurança
Tomar medidas técnicas e administrativas para proteger os dados de
danos, furtos ou perdas

Prevenção
Tomar medidas preventivas para a proteção dos dados, evitando da-
nos aos titulares

Não discriminação
Não utilizar os dados para nenhum fim discriminatório, ilícito ou abu-
sivo, atendendo aos requisitos de lei

Responsabilidade
Adotar estes princípios e ter condições de provar sua adoção em to-
dos os procedimentos da empresa

[Link] 13
Portanto, é de suma importância discorrermos como deverá ocorrer o enqua-
dramento dos condomínios à Lei, ou seja, como se dará a contratação da em-
presa que fará o enquadramento, quais são os cuidados necessários e o que
deve ser verificado no momento dessa contratação.

Na próxima página, procuramos trazer quais são os entregáveis que deverão


ser demandados para que os síndicos não caiam em falácias de empresas pa-
raquedistas e oportunistas, haja vista a pouca oferta de empresas gabaritadas,
habilitadas e com o efetivo know how para realizarem o enquadramento à legis-
lação de proteção de dados pessoais no Brasil.

A título de curiosidade, o Brasil demandará ao menos 18 mil novos DPOs (en-


carregados de dados) em 2021, ou seja, esse número explica toda essa defici-
ência encarada no país.

Não obstante, para evitar esse tipo de situação, aconselha-se exigir da empresa
contratada atestados de capacidade técnica expedidos por empresa ou cliente
em que já tiver sido realizado o enquadramento da LGPD, bem como atestado
com expertise em processamento de dados, além de certificações de DPO da
equipe que for realizar a adequação. As certificações recomendadas são, ao
menos: ISO27001, PDF, PDPP e DPO, todas emitidas pela EXIN.

[Link] 14
Vejamos os principais entregáveis e suas explicações:

Mapeamento de Processos
É necessário mapear todos os processos para que sejam identificados quais
dados deverão efetivamente ser coletados e tratados, ou seja, não é possível
realizar o Mapeamento de Dados sem que se esteja de posse de todos os
processos mapeados.

Mapeamento de Dados
Esta talvez seja a etapa mais importante de todas, ou seja, é através deste
mapeamento que podemos entender e compreender o que fazer e o porquê do
tratamento e coleta de cada dado, bem como tornar possível desenhar todo o
ciclo de vida e utilização dos dados tratados.

NDA (Acordo de confidencialidade com todos os colaboradores)


Este documento nada mais é que um contrato com os colaboradores em que são
contempladas todas as exigências da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais,
ou seja, nele serão abordadas as obrigações de cada colaborador ou fornecedor
do condomínio e quais serão as suas responsabilidades civis e criminais em
caso de descumprimento da Lei.

[Link] 15
Minutas de Contratos e Aditivos com os fornecedores, nos
moldes e parâmetros exigidos pela Lei 13.709/2018
Este contrato, quando um fornecedor for novo, deverá contemplar, além de todas
as demais obrigações do contratado, as responsabilidades do ponto de vista da
LGPD. Em caso de fornecedor que já esteja prestando serviços para o condomí-
nio/associação, o aditivo contratual deverá contemplar todas exigências para o
compliance com a Lei.

Política de Segurança da Informação


Esta Política contempla tudo que diz respeito à segurança da informação,
nos preceitos da ISO27001. Vale lembrar que a LGPD e a Segurança da
Informação não contemplam apenas dados em meio digital e sim todo o tipo
de dados, inclusive dados armazenados em meios físicos, como documentos
em cofres e papéis.

Política de Privacidade e Proteção de Dados Pessoais


Esta é a política mais importante de todas, sobretudo do ponto de vista da
Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, ou seja, nesta política deveremos
demonstrar em quais situações e finalidades que serão tratados os dados
pessoais, demonstrando total transparência ao Titular de Dados.

[Link] 16
Política de Backup
Nesta política são contemplados os pro-
cedimentos de backup realizados pelo
condomínio/associação, como são arma-
zenados, se esses backups são automá-
ticos, se existe uma rotina que cheque
periodicamente a integridade desses ar-
quivos e dados salvos.

Política de Criptografia
Nesta política são contemplados como os
dados são armazenados, como os dados
são transferidos e qual o tipo de criptogra-
fia é utilizada. Uma alternativa é incorpo-
rá-la à Política de Segurança da Informa-
ção, sendo necessário checar como os
procedimentos de criptografia serão exe-
cutados pela empresa contratada. Ambas
as maneiras estão corretas.

Política de Senhas
Nesta política é abordado o critério de
acesso ao sistema, quem possui direito
de acesso, quais são os acessos permi-
tidos, quais são os critérios de criação e
alteração de senhas e como elas devem
ser mantidas em sigilo pelo usuário do
sistema. Do mesmo modo que a política
de criptografia, uma alternativa seria in-
corporá-la à Política de Segurança da In-
formação, sendo necessário checar como
os procedimentos serão executados pela
empresa contratada. Ambas as maneiras
estão corretas.

[Link] 17
Política de Retenção
de Dados
Nesta política são contemplados como
os dados são armazenados e por quan-
to tempo serão retidos. Alternativamen-
te, esta política pode ser incorporada à
Política de Privacidade e Proteção de
Dados Pessoais.

Política de Antivírus
Nesta política são contempladas a insta-
lação e utilização de antivírus nos equi-
pamentos do condomínio, bem como os
procedimentos de atualização destes
programas de antivírus. Assim como em
outras políticas, uma alternativa seria in-
corporá-la à Política de Segurança da In-
formação, sendo necessário checar como
os procedimentos serão executados pela
empresa contratada. Ambas as maneiras
estão corretas.

Política de LOGs
Esta política está entre as mais impor-
tantes, ou seja, nela será abordado como
serão salvos os logs de sistemas, para
que sejam utilizados na ocorrência de
qualquer incidente de segurança no con-
domínio. Alternativamente, assim como
em outras, esta política, também, poderá
ser incorporada à Política de Segurança
da Informação.

[Link] 18
Plano de Respostas a Incidentes
O plano de respostas a incidentes se assemelha muito a um plano de saúde
ou auxílio funeral, ou seja, devemos ter o melhor, mas torcemos para nunca
precisarmos usá-lo. Em linhas gerais, trata-se de um documento elaborado
pelo Responsável pela Segurança da Informação ou pela empresa contratada
para realizar a adequação e enquadramento da LGPD, contemplando o que
deve ser feito, o que e a quem deve ser reportado qualquer tipo de incidente
de segurança da informação.

Formulário e Termo de Consentimento a Titulares


Em seu art. 7º a LGPD contempla 10 bases legais de tratamento de dados pes-
soais. Dentre elas, o inciso I coloca como preceito de tratamento o fornecimento
do consentimento pelo titular dos dados. Deste modo, este formulário trará o que
deve ser abordado e o quão transparente o condomínio (controlador) está sendo
com os dados de seus titulares, observando a boa-fé e os demais princípios am-
parados pelo art. 6º, já abordado neste documento.

Treinamento com os Colaboradores


Esse treinamento é crucial para que todos os colaboradores tenham mais cons-
ciência sobre o tema. É importante o treinamento sobre os cuidados que deverão
ser tomados, tendo em vista que neste momento há uma ampla atenção à LGPD
e às questões acerca da privacidade em geral.

[Link] 19
Base Legal dos Dados Pessoais Tratados
Neste documento são contemplados o embasamento legal que a LGPD autoriza
para o tratamento de cada um dos dados pessoais do titular, bem como todo o
ciclo de vida dos dados coletados. Alternativamente, este documento pode ser
contemplado e incorporado no próprio mapeamento de dados.

Canal do Titular dos Dados


Ainda que seja por telefone, um canal de comunicação deverá existir entre o
controlador (condomínio/associação) e o titular. O que deve ficar bem claro é
que, ainda que não seja ou não esteja tratando qualquer dado do titular, ao
menos uma resposta negativa lhe deverá ser dada. O grande problema de
responder por telefone é a prova de que foi dada a resposta e, inclusive, se
realmente o controlador foi questionado em algum momento. Daí a ideia de ter
um canal de titular para que faça a gestão dessa comunicação do titular com o
controlador dos dados.

RIPD
Por último, o Relatório de Impacto é o documento que é submetido à ANPD,
sendo nele contempladas todas as ações e medidas executadas e realizadas no
momento do enquadramento do condomínio/associação.

[Link] 20
E SE O CONDOMÍNIO NÃO IMPLANTAR A LGPD?
QUEM PAGA ESSA CONTA?
Antes de tecer sobre a obrigatoriedade da adequação para os condomínios,
é importante ressaltarmos que todas as entidades, organizações e demais
instituições que tratem dados pessoais devem estar em conformidade com o
que preceitua a Lei 13.709/2018, independentemente da natureza do negócio
ou do porte.

Desta maneira, é importante realçar este fato, ou seja, os condomínios não só


fazem parte desse rol como também gerem alguns dos locais mais afetados e
visados pela LGPD.

Não obstante, em caso de descumprimento da Lei a multa poderá chegar a 2%


do valor arrecadado.

A título de exemplificação, em um condomínio/associação onde existam 1000


unidades (apartamentos ou casas por exemplo) e é cobrada uma taxa condomi-
nial de R$1.000,00 por mês, a multa poderá chegar a R$240.000,00.

Entretanto, enquanto muitos estão preocupados com as multas, os gestores de ma-


neira geral não têm dado a devida atenção à grande vilã, a responsabilidade civil,
por mero desconhecimento das suas implicações. Se por um lado as multas pode-
rão ser aplicadas pela ANPD apenas
a partir de agosto de 2021, por outro
as condenações indenizatórias
já estão sendo aplicadas.

Vejamos o caso da Construtora


Cyrela. Bastou a Lei entrar em vi-
gor que a Construtora foi condena-
da a uma indenização no valor de
R$10.000,00 para apenas um titu-
lar, ou seja, esse valor é para ape-
nas uma pessoa.

Outro incidente que vem inco-


modando e causando um grande
desconforto para os gestores é o
caso da ENEL que, recentemente,
teve um vazamento da ordem de
300 mil registros. Caso condena-
da, a indenização poderá chegar a
3 bilhões de reais.

[Link] 21
No Brasil, apesar de ainda não existirem varas especializadas em proteção de
dados, um titular de dados qualquer poderá se valer das provas geradas no
âmbito da ANPD para pleitear indenizações de grande valor na justiça comum.
Deste modo, se antes da LGPD esse processo de juntada de provas pelos titu-
lares e seus advogados era custoso e demorado, a existência de uma agência
reguladora específica para a proteção de dados pessoais, como é o caso da
ANPD, torna todo esse processo muito mais rápido, aumentando o número de
ações judiciais contra os controladores (condomínios).

Ainda nessa toada, o caso da Cyrela deve constituir uma jurisprudência, ou seja,
este será, possivelmente, o parâmetro numérico para vazamento de dados.

Retomando o exemplo desse condomínio com 1000 moradores, além da multa


que poderia chegar a R$240.000,00, utilizando-se os mesmos parâmetros, essa
condenação indenizatória seria da ordem de R$10 milhões de reais.

E OS MORADORES PAGAM ESSA CONTA!

Nesse caso, os moradores deverão fatiá-la e pagá-la, ou seja, se de um lado o


síndico foi negligente e não tomou os cuidados contemplados e exigidos pela
LGPD, por outro os condôminos deverão pagar a conta.

No entanto, é importante salientar que, muito embora, essa responsabilidade


seja do síndico, isso não isenta o(s) condomínio(s) da condenação e/ou multa.

[Link] 22
Nesta seara de contextualização, tendo em vista as dúvidas que poderão haver
sobre os limites de responsabilidades, a ilustração abaixo pode ajudar a esclare-
cer um pouco essa situação.

Da responsabilidade e do ressarcimento de danos - Artigo 42- LGPD


O controlador ou o operador que, em razão do exercício de atividade de trata-
mento de dados pessoais, causar a outrem dano patrimonial, moral, indivi-
dual ou coletivo, em violação à legislação de proteção de dados pessoais,
é obrigado a repará-lo.

Controlador e Operador respondem solidariamente pelos danos causados


pelo tratamento quando descumprirem as obrigações da legislação de proteção
de dados.

Poderá o Juiz reverter o ônus da prova a favor do titular dos dados quando,
houver hipossuficiência para fins de produção de prova ou quando a produção
de prova pelo titular for excessivamente onerosa.

O tratamento de dados pessoais será irre-


gular quando deixar de observar a legisla-
ção ou quando não fornecer a segurança
que o titular dele pode esperar, considera-
das as circunstâncias relevantes;

Da segurança e sigilo de dados -


Artigo 46 e 47 - LGPD
Os agentes de tratamento devem adotar
medidas de segurança, técnicas e ad-
ministrativas aptas a proteger os dados
pessoais de acessos não autorizados e
de situações acidentais ou ilícitas de des-
truição, perda, alteração, comunicação ou
qualquer forma de tratamento inadequa-
do ou ilícito.

Os agentes de tratamento ou qual-


quer outra pessoa que intervenha
em uma das fases do tratamen-
to obriga-se a garantir a segurança
da informação prevista nesta lei
em relação aos dados pessoais, mes-
mo após o seu término.

[Link] 23
A OBRIGAÇÃO É DO SÍNDICO!
Como se constata na legislação, sobretudo no que
preceituam o Código Civil e a Lei nº 4.591/1964, o
síndico possui poderes para agir em nome dos con-
dôminos, entretanto, não devemos nos esquecer de
que este possui suas obrigações e responsabilida-
des, podendo responder, inclusive, civilmente e/ou
criminalmente por seus atos, sobretudo em casos
de omissão, desídia ou má gestão.

Importante salientar que nem toda responsabilida-


de civil será também criminal. Todavia toda a res-
ponsabilidade penal poderá culminar em responsa-
bilidade civil, uma vez que esta seja mais ampla e a
criminal um pouco mais restrita.

Vejamos o que traz o art. 1.348 do Código Civil, nos


incisos destacados:

Art. 1.348. Compete ao síndico:


II - representar, ativa e passivamente, o condomínio, pratican-
do, em juízo ou fora dele, os atos necessários à defesa dos
interesses comuns;

III - dar imediato conhecimento à assembleia da existên-


cia de procedimento judicial ou administrativo, de interesse
do condomínio;

IV - cumprir e fazer cumprir a convenção, o regimento


interno e as determinações da assembleia;

V - diligenciar a conservação e a guarda


das partes comuns e zelar pela pres-
tação dos serviços que interessem
aos possuidores;

[Link] 24
Não muito diferente que o contemplado no código civil, vejamos o que preceitua
o § 1º do art. 22 a Lei 4.591/1964, destacados abaixo:

§ 1º Compete ao síndico:

a) representar ativa e passivamente, o con-


domínio, em juízo ou fora dele, e praticar os
atos de defesa dos interesses comuns, nos
limites das atribuições conferidas por esta Lei
ou pela Convenção;

b) exercer a administração interna da edifi-


cação ou do conjunto de edificações, no que
respeita à sua vigência, moralidade e segu-
rança, bem como aos serviços que interes-
sam a todos os moradores;

c) praticar os atos que lhe atribuírem as leis a


Convenção e o Regimento Interno;

d) impor as multas estabelecidas na Lei, na


Convenção ou no Regimento Interno;

e) cumprir e fazer cumprir a Convenção e o


Regimento Interno, bem como executar e fa-
zer executar as deliberações da assembleia;

f) prestar contas à assembleia dos condôminos.

Assim, uma vez sendo possível ver e entender todas as obrigações e responsa-
bilidades do síndico, é relevante destacarmos a linha seguida pelo art. 927 do
código civil, em harmonia com os artigos 186 e 187, e em total consonância com
a proposta do art. 42 da LGPD.

Artigo 927 - Aquele que, por ato ilícito (artigos 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado
a repará-lo.

Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos
especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano impli-
car, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.

Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito
e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.

Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifesta-
mente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes.

[Link] 25
Para finalizar este documento, é importante mais uma vez realçar a necessidade
de se atentar aos entregáveis pela empresa que for contratada para a adequa-
ção e enquadramento à LGPD pelo condomínio/associação.

Cabe ressaltar que essa responsabilidade é inerente ao síndico e, conside-


rando o fato de que o mesmo deverá ser responsabilizado por eventual inci-
dente, lhe será prudente tomar os cuidados necessários, como na exigência
de documentações que comprovem a idoneidade e a capacidade da empresa
responsável pela adequação do condomínio à Lei Geral de Proteção de Da-
dos Pessoais.

Contudo, como é possível que o síndico tenha que exercer algum domínio sobre
como os dados deverão ser tratados, em tempos de LGPD, ainda que contem-
plado no mapeamento de dados (um dos entregáveis), abaixo finalizamos este
documento com a exemplificação do ciclo de vida dos dados antes e após a
vigência da LGPD:

[Link] 26
Fase do Ciclo Antes da LGPD Depois da LGPD

Os dados coletados devem obedecer


Coleta Não havia controle. aos princípios da necessidade e da
finalidade.

Os dados somente poderão ser tra-


Não era necessário um
Processamento tratamento específico.
tados se tiverem fundamento nos ar-
tigos 7º, 11 ou 14 da LGPD.

Totalmente voltada para


Deve ser considerada a finalidade da
o mercado, com o obje-
coleta, observados os princípios de
Análise tivo de oferecer bens e
tratamento e se há um propósito le-
serviços a um determina-
gítimo, específico e explícito.
do público.

Não havia necessidade O compartilhamento de dados deve


Compartilhamento de consentimento dos ti- ser realizado sob o consentimento
tulares. do titular.

Os dados pessoais somente poderão


Eram armazenados e tra- ser armazenados e mantidos dentro
Armazenamento tados por tempo indeter- do prazo pactuado e definido no ato da
minado. coleta, dentro e tão somente do limite
da finalidade.

O Titular de Dados deverá ser infor-


Não havia a necessida-
mado caso haja mudança de finali-
Reutilização de do consentimento do
dade no tratamento dos seus dados
Titular.
pessoais.

Não havia obrigato- Os dados pessoais devem ser


Eliminação riedade de remoção removidos após o término de
dos dados. tratamento (ciclo de vida).

[Link] 27
E-mail: contato@[Link]
Site: [Link]
Endereço: Alameda Amazonas, 938, Conjunto B, Sala
23D Alphaville Industrial, Barueri – SP – CEP 06454-070

[Link] 28

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