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Variação Linguística no Português Brasileiro

Td
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Questões de Variação Linguística Nós não semos tatu!

No outro dia encontremo com o Arnesto


Questão 1 Que pediu desculpas mais nós não aceitemos
(Variedades linguísticas, Enem 2013) Isso não se faz, Arnesto, nós não se importa
Até quando? Mas você devia ter ponhado um recado na porta
Não adianta olhar pro céu Um recado assim ói: “Ói, turma, num deu pra esperá
Com muita fé e pouca luta Aduvido que isso, num faz mar, num tem importância,
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer Assinado em cruz porque não sei escrever”
E muita greve, você pode, você deve, pode crer Arnesto.
Não adianta olhar pro chão Samba do Arnesto, Adoniran Barbosa e Alocin.
Virar a cara pra não ver A música composta por Adoniran Barbosa e Alocin é um claro
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus exemplo do emprego da norma popular, uma das variedades
Sofreu não quer dizer que você tenha que sofrer! linguísticas do português brasileiro. Sobre a norma popular ou
GABRIEL, O PENSADOR. Seja você mesmo (mas não seja coloquial, é correto a rmar, exceto:
sempre o mesmo). Rio de Janeiro: Sony Music, 2001 a) Tipo de variação linguística encontrada entre os falantes
(fragmento). com menor poder aquisitivo e com menor exposição ao
As escolhas linguísticas feitas pelo autor conferem ao texto: conhecimento escolar. Denota uma ine ciência linguística por
a) caráter atual, pelo uso de linguagem própria da internet. parte do falante, con gurando-se como um erro a ser evitado
b) cunho apelativo, pela predominância de imagens na comunicação.
metafóricas. b) A norma popular é uma variação linguística muito utilizada
c) tom de diálogo, pela recorrência de gírias. em situações informais de comunicação. Nela observa-se a
d) espontaneidade, pelo uso da linguagem coloquial. presença de regionalismos, marcas de oralidade, gírias e
e) originalidade, pela concisão da linguagem. jargões próprios de uma determinada comunidade linguística.
c) As normas padrão e popular são variações linguísticas
Questão 2 importantes, cada uma cumpre um papel especí co na
(Variedades linguísticas, Enem 2012) comunicação de acordo com o contexto. É preciso que o
Cabeludinho falante adeque-se de acordo com os níveis de formalidade
Quando a Vó me recebeu nas férias, ela me apresentou aos exigidos no momento da fala e da escrita.
amigos: Este é meu neto. Ele foi estudar no Rio e voltou de d) Embora seja importante, a norma popular tem validade
ateu. Ela disse que eu voltei de ateu. Aquela preposição como forma de comunicação, devendo ser evitada em
deslocada me fantasiava de ateu. Como quem dissesse no situações que exijam maior formalidade linguística.
Carnaval: aquele menino está fantasiado de palhaço. Minha avó
entendia de regências verbais. Ela falava de sério. Mas todo- Questão 4
mundo riu. Porque aquela preposição deslocada podia fazer de Como surgiram os diferentes sotaques do Brasil?
uma informação um chiste. E fez. E mais: eu acho que buscar a As origens dos sotaques brasileiros estão na colonização do
beleza nas palavras é uma solenidade de amor. E pode ser país feita por vários povos em diferentes momentos históricos.
instrumento de rir. De outra feita, no meio da pelada um O português, como se sabe, imperou sobre os outros idiomas
menino gritou: Disilimina esse, Cabeludinho. Eu não disiliminei que chegaram por aqui, mas sofreu in uências do holandês, do
ninguém. Mas aquele verbo novo trouxe um perfume de espanhol, do alemão, do italiano, entre outros.
poesia à nossa quadra. Aprendi nessas férias a brincar de Além disso, havia diferença no idioma português falado entre
palavras mais do que trabalhar com elas. Comecei a não gostar os colonizadores que chegavam aqui, vindos de várias regiões
de palavra engavetada. Aquela que não pode mudar de lugar. de Portugal e em distintas décadas. “Os portugueses vinham
Aprendi a gostar mais das palavras pelo que elas entoam do em ondas, em diferentes épocas. Por isso, o idioma trazido
que pelo que elas informam. Por depois ouvi um vaqueiro a nunca foi uniforme”, explica Ataliba Teixeira de Castilho,
cantar com saudade: Ai morena, não me escreve / que eu não linguista e lólogo, consultor do Museu da Língua Portuguesa e
sei a ler. Aquele a preposto ao verbo ler, ao meu ouvir, professor da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp).
ampliava a solidão do vaqueiro. Os primeiros contatos linguísticos do português no Brasil
BARROS, M. Memórias inventadas: a infância. São Paulo: Planeta, foram com as línguas indígenas e africanas. “A partir do século
2003. XIX, os imigrantes europeus e asiáticos temperaram essa base
No texto, o autor desenvolve uma re exão sobre diferentes portuguesa, surgindo o atual conjunto de sotaques”, diz o
possibilidades de uso da língua e sobre os sentidos que esses professor Ataliba.
usos podem produzir, a exemplo das expressões “voltou de É só reparar o sotaque e a região para lembrar os vários
ateu”, “disilimina esse” e “eu não sei a ler”. Com essa re exão, imigrantes que contribuíram para a história do país. No Sul, os
o autor destaca: alemães, italianos e outros povos vindos do leste europeu. No
a) os desvios linguísticos cometidos pelos personagens do Rio Grande do Sul, acrescenta-se a estes a in uência dos
texto. países de fronteira, de língua espanhola. São Paulo e sua grande
b) a importância de certos fenômenos gramaticais para o comunidade italiana, misturada a pessoas vindas de várias
conhecimento da língua portuguesa. partes do Brasil e do mundo; Pernambuco e os holandeses dos
c) a distinção clara entre a norma culta e as outras variedades tempos de Maurício de Nassau. Os exemplos são muitos e
linguísticas. provam que os sotaques são parte da história da formação do
d) o relato el de episódios vividos por Cabeludinho durante país.
as suas férias. Sobre os diferentes sotaques encontrados no português
e) a valorização da dimensão lúdica e poética presente nos brasileiro, é incorreto a rmar:
usos coloquiais da linguagem. a) Os primeiros contatos linguísticos do português falado no
Brasil (a distinção é importante em razão da diferença entre o
Questão 3 português falado aqui e o português falado em Portugal)
O Arnesto nos convidou pra um samba, ele mora no Brás foram com as línguas indígenas e as línguas africanas.
Nós fumos não encontremos ninguém Posteriormente, a partir do século 19, os imigrantes de outras
Nós voltermos com uma baita de uma reiva partes do mundo contribuíram para o nosso conjunto de
Da outra vez nós num vai mais sotaques.
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b) Os diferentes sotaques encontrados no Brasil podem ser consideração essas variações que ocorrem na língua. Porém, o
explicados sob o ponto de vista histórico. Sabemos que nosso senso linguístico diz que não há variação superior à outra, e
país foi colonizado por diferentes povos e em diferentes isso acontece pelo “fato de no Brasil o português ser a língua
momentos de nossa história. Enquanto na região Sul houve da imensa maioria da população não implica automaticamente
uma imigração maciça de italianos, alemães e outros povos que esse português seja um bloco compacto coeso e
oriundos do leste europeu, no Pernambuco, por exemplo, a homogêneo”. (BAGNO, 1999, p. 18)
in uência veio dos holandeses dos tempos de Maurício de
Nassau. Questão 6
c) Chamamos de sotaque o tom, in exão ou pronúncia
particular de cada indivíduo ou de cada região. Cada estado
brasileiro apresenta peculiaridades na fala, pois apesar de Sobre o fragmento do texto de Marcos Bagno, podemos
compartilharmos o mesmo idioma, seria quase impossível que inferir, exceto:
um país tão grande apresentasse uma uniformidade na fala.
d) Os sotaques estão associados à norma popular ou
a) A língua deve ser preservada e utilizada como um
coloquial, por isso devem ser evitados na norma padrão da
instrumento de opressão. Quem estudou mais de ne os
língua portuguesa. Alguns sotaques, como o sotaque gaúcho,
padrões linguísticos, analisando assim o que é correto e o que
são linguisticamente mais apropriados, devido ao seu maior deve ser evitado na língua.
nível de adequação à variedade padrão da língua.
e) Alguns dialetos são usados com diferentes sotaques
regionais, como ocorre na norma culta da língua portuguesa. b) As variações linguísticas são próprias da língua e estão
Os sotaques, então, não podem ser confundidos com dialeto, alicerçadas nas diversas intenções comunicacionais.
pois o que caracteriza o sotaque é apenas a diferença de
pronúncia dos falantes.
c) A variedade linguística é um importante elemento de
inclusão, além de instrumento de a rmação da identidade de
"Todas as variedades linguísticas são estruturadas e
alguns grupos sociais.
correspondem a sistemas e subsistemas adequados às
necessidades de seus usuários. Mas o fato de estar a língua
fortemente ligada à estrutura social e aos sistemas de valores d) O aprendizado da língua portuguesa não deve estar restrito
da sociedade conduz a uma avaliação distinta das ao ensino das regras.
características das suas diversas modalidades regionais, sociais
e estilísticas. A língua padrão, por exemplo, embora seja uma
entre as muitas variedades de um idioma, é sempre a mais e) Segundo Bagno, não podemos a rmar que exista um tipo de
prestigiosa, porque atua como modelo, como norma, como variante que possa ser considerada superior à outra, já que
ideal linguístico de uma comunidade. Do valor normativo todas possuem funções dentro de um determinado grupo
decorre a sua função coercitiva sobre as outras variedades, social.
com o que se torna uma ponderável força contrária à
variação."

Celso Cunha. Nova gramática do português


contemporâneo. Adaptado.

Questão 5

A partir da leitura do texto, podemos inferir que


uma língua é:

a) conjunto de variedades linguísticas, dentre as quais uma


alcança maior valor social e passa a ser considerada exemplar.

b) sistema que não admite nenhum tipo de variação linguística,


sob pena de empobrecimento do léxico.

c) a modalidade oral alcança maior prestígio social, pois é o


resultado das adaptações linguísticas produzidas pelos falantes.

d) A língua padrão deve ser preservada na modalidade oral e


escrita, pois toda modi cação é prejudicial a um sistema
linguístico.

Questão 6

Contudo, a divergência está no fato de existirem pessoas que


possuem um grau de escolaridade mais elevado e com um
poder aquisitivo maior que consideram um determinado
modo de falar como o “correto”, não levando em
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