Ervas
O que é e para que servem
Aprenda sobre esses dois itens mais do que necessários para quem é do Axé aumentar
suas forças e energia nos trabalhos e giras.
O que você vai encontrar aqui?
● Sem Erva não tem axé
● O efeito da Lua
● Banho de Ervas
● Defumação
1. Sem Erva não tem axé
Está aí a regra número um nos cultos de origem afro.
As ervas tem três categorias: agressivas ou quentes, equilibradoras ou mornas e frias ou
específicas. Essa classificação não tem a ver com temperatura física.
Classificamos dessa forma para termos um parâmetro físico, palpável. As ervas quentes ou
agressivas, como a Arruda, o Guiné, o Alho, entre muitas outras, são aquelas ervas que
executam uma limpeza astral profunda.
São agressivas porque sua utilização sem critério pode causar transtornos energéticos,
pode além de limpar as impurezas “astralinas” alojadas em nossos corpos astrais, esgotar
energia vital, importante para nós.
Deve-se tomar muito cuidado para usar essas ervas no chacra coronal. Recomenda-se
esse uso apenas a partir da necessidade identificada por uma entidade de confiança,
incorporada num médium também de confiança.
Todo umbandista conhece a importância de um bom banho de ervas em sua vida.
Se a mata possui uma alma além do mistério esta é a folha, que a mantém viva pela
respiração, que a caracteriza pela cor e aparência, que sombreia seu solo permitindo,
através do frescor, a propensão à semeadura.
Falar das folhas no culto afro-brasileiro é muito complexo, pois nas diversas nações que
existem dentro do culto, as folhas recebem nomes e funções diferentes. As folhas de
determinado orixá entram também no culto de outro, pois existem combinações de folhas de
um orixá para o outro. A nomenclatura das folhas, tanto em português quanto em yorubá,
varia muito, mas vamos destacar os nomes mais populares.
Os pajés utilizavam ervas medicinais e rezas para afastar maus espíritos, esta prática
tornou-se cada vez mais usual, porém com o aumento da população, os Portugueses
começaram a enviar mais missionários e médicos para interromper estas práticas, e a
população começou a procurar os pajés em menor freqüência e as escondidas. Muitas
mulheres desta época se interessaram pelas ervas medicinais que os pajés utilizavam, e
por não conhecer as rezas que eles faziam misturavam rezas de santos católicos com estas
ervas criando-se assim as famosas rezadeiras e curandeiras do Brasil. Por isso que a
influência indígena é tão forte na Umbanda, com seus Caboclos, entidades representantes
destes índios que aqui estavam quando os colonizadores chegaram.
Existem diversas folhas com diversas finalidades e combinações, nomes e considerações
dos nomes, fato que muito impressiona a quem as manipulam dentro de Axé. Temos que
ter muita consciência de como usá-las para que não sejamos pegos de surpresa por
energias que são invocadas quando a maceramos, quando colocamos o sumo da Erva em
contato com nosso corpo, quando a colhemos. Porém a folha é para trazer energias boas e
positivadas, tirar energias ruins e maléficas em muitos casos, trazer resposta de algo se é
necessário para o indivíduo que a usa.
As plantas são usadas para lavar e sacralizar os objetos rituais, para purificar a cabeça e o
corpo dos sacerdotes nas etapas iniciáticas, para curar as doenças e afastar males de
todas as origens. Mas a folha ritual não é simplesmente a que está na natureza, mas aquela
que sofre o poder transformador operado pela intervenção de Ossãe, cujas rezas e
encantamentos proferidos pelo devoto propiciam a liberação do axé nelas contido. Há
algumas décadas a floresta fazia parte do cenário e as folhas estavam todas disponíveis
para colheita e sacralização. Com a urbanização, o mato rareou nas cidades, obrigando os
devotos a manter pequenos jardins e hortas para o cultivo das ervas sagradas ou então se
deslocar para sítios afastados, onde as plantas podem crescer livremente. Com o passar do
tempo, novas especializações foram surgindo no âmbito da religião e hoje as plantas rituais
podem ser adquiridas em feiras comuns de abastecimento e nos estabelecimentos que
comercializam material de culto. Exemplo maior, no Mercadão de Madureira, no subúrbio do
Rio de Janeiro, pródigo na oferta de objetos rituais, vestimentas e ingredientes para o culto
dos orixás, mais de vinte estabelecimentos vendem, exclusivamente, toda e qualquer folha
necessária aos ritos. Bem longe da natureza.
O elemento vegetal é muito importante para a manutenção e equilíbrio dos seres vivos.
Através de processos variados, os vegetais retiram o prana da natureza, seja através do
Sol, da Lua, dos planetas, da terra, da água, etc. São, portanto, grandes reservas de éter
vital e que através dos tempos, o ser humano, descobriu estas propriedades. Usamos os
vegetais, desde a alimentação até a magia, sempre transformando a energia vital, através
de processos e rituais.
2. O efeito da Lua
Os vegetais são diretamente influenciados pela natureza. A lua e o sol são os astros que
muito influenciam a absorção do Prana e devemos conhecer estas influências. Dentre as
quatro fases lunares, que tem duração de sete dias cada, temos duas fases que chamamos
de quinzena positiva, propícia para a colheita de ervas para rituais diversos na Umbanda
(banhos, defumações, etc.) e nas outras duas temos a quinzena negativa, pois a
concentração de éter, nas folhas, frutos e flores, é muito baixa. Os vegetais são, de
maneira geral, condensadores das energias solar e cósmica. Há ervas que recebem
influxos mais diretos de certos planetas ou luminares, sendo, portanto, ervas particulares
desses planetas Os corpos celestes são a concretização de certas Linhas de Forças de um
determinado Orixá, assim, por extensão, temos ervas de determinado Orixá.
LUA NOVA:
Esta fase lunar caracteriza-se pela “ausência” da lua. É a primeira fase da quinzena
positiva, pois o éter vital concentra-se na parte superior do vegetal, isto é, nas folhas, frutos,
flores e caules superiores. Assim, é uma das fases propícias para a colheita de elementos
vegetais.
LUA CRESCENTE:
É a fase complementar, ou segunda fase da quinzena positiva. O éter vital, ou corrente
prânica, ainda está nas folhas, flores e frutos. Está se dirigindo das extremidades das
plantas para o seu centro.
LUA CHEIA:
É a fase que está na quinzena negativa, não sendo o melhor ciclo para a colheita de ervas,
para efeitos ritualísticos, pois o Prana ou éter vital está no caule principal e dirige-se às
raízes, para completar o ciclo.
LUA MINGUANTE:
Nesta fase lunar, o Prana concentra-se na raiz, vitalizando-a, permitindo que ela extraia os
nutrientes necessários do solo. Não é uma fase propícia para a colheita de ervas, pois está
na quinzena negativa.
COLETA:
Se for possível coletar pessoalmente as ervas, o melhor horário será logo ao amanhecer.
Pede-se licença ao Orixá Ossãe e Oxóssi, pois esses são, respectivamente, os Orixás das
plantas e ervas medicinais e ritualísticas e o Senhor das matas e florestas em geral. É
importante, que no instante em que forem retirar as ervas, mentalizem e peçam para que,
na finalidade desejada, possam usufruir todas as energias, que estão contidas nestes
vegetais.
3. Banho de Ervas
O banho de ervas, até como tratamento, não é de religião alguma, é da própria natureza.
Se na Umbanda o utilizam, é porque os próprios espíritos desencarnados que se
apresentam como pretos-velhos, caboclos, crianças etc., conhecem esses princípios e os
utilizam largamente. Seus princípios iniciáticos estão relacionados a eles, mas não pode ser
esse o motivo da não utilização correta e digna da energia vegetal também pelos espíritas.
As ervas detém grande quantidade de Axé (Energia mágico-universal, sagrada) que bem
combinadas entre si, detém forte poder de limpeza da aura e produzem energia positiva.
Um banho, com o Axé das ervas dos Orixás, age sobre a aura eliminando energias
negativas, produzindo energias positivas. Um banho de ervas reúne as ervas adequadas a
cada caso, agindo diretamente sobre esses distúrbios, eliminando os sintomas provocados
pelo acúmulo de energias negativas. Medicinas como a Ayurvédica (hindu), a chinesa, a
tibetana, o xamanismo, a medicina alopática e a homeopatia fazem uso desses recursos
naturais há tempos. O uso correto e ético opera verdadeiros "milagres da natureza".
Podemos usar a energia da natureza como auxílio no tratamento de depressões, insônia,
ansiedade, angústia e uma série de doenças crônicas. Com bom senso e é claro, com o
acompanhamento médico necessário, tratando o espírito e o corpo (já que as doenças se
propagam do perispírito para o corpo físico), nós todos podemos crescer como médiuns e
espíritos mais conscientes, e por isso mesmo, mais abertos e livres.
Defumação
No dicionário, defumar significa "queima, esp. sobre brasas, de ervas, resinas e raízes
aromáticas (alecrim, benjoim, alfazema etc.) para perfumar ambientes; essa mesma queima
usada para espantar malefícios e atrair boa sorte". O que o dicionário não diz é que a
Ciência está em se utilizar dos princípios ativos das plantas e de suas correlações
energéticas para transformar padrões e registros densos em sutis, alterando toda a vibração
do ar e da energia do ambiente. O fogo também tem seu aspecto eólico que fica
impregnado pelos vegetais colocados sobre a brasa. Esse conhecimento é muito antigo e
até hoje é utilizado pela Igreja, pelos umbandistas, rosa-cruzes, taoístas, tibetanos etc. Na
Grécia Antiga, os sacerdotes tinham predileção pelas folhas de louro e no Antigo Egito pela
Artemísia, entre outras. As ervas utilizadas ordenam as novas energias.
O PODER DAS ERVAS
Segundo o Espírito André Luiz - Do Nosso Lar"
"Comecei o trabalho procurando esclarecer os espíritos perturbados que se mantinham
ligados ao doente. Mas tinha muita dificuldade, pois estava muito abatido. Lembrei o quanto
seria bom ter a colaboração de Narcisa e tentei. Concentrei-me em profunda oração a Deus
e, nas vibrações da prece, me dirigi a ela pedindo socorro. Contei-lhe, em pensamento, o
que estava acontecendo comigo, informando minhas intenções de ajudar, e insisti para que
não deixasse de me socorrer. Foi então que aconteceu o que eu não esperava. Depois de
20 minutos, mais ou menos, quando eu ainda não havia terminado minha prece, alguém me
tocou de leve no ombro. Era Narcisa, que me atendia sorrindo: - Ouvi seu apelo, meu
amigo, e vim ao seu encontro. Fiquei muito feliz. A mensageira do bem olhou o quadro,
compreendeu a gravidade da situação e disse: - Não temos tempo a perder. Antes de
qualquer coisa, aplicou passes de alívio ao doente, isolando-o das formas escuras, que se
afastaram imediatamente.
Em seguida, me chamou decidida: - Vamos à natureza. Acompanhei-a sem vacilar e ela,
notando meu espanto, disse: - Não é só o homem que emite e recebe fluidos. As forças
naturais fazem o mesmo, nos vários reinos em que se subdividem. Para o caso do nosso
doente, precisamos das árvores. Elas vão nos ajudar com eficiência. Admirado com a nova
lição, segui com ela em silêncio. Quando chegamos a um local onde havia árvores
enormes, Narcisa chamou alguém, com palavras que não pude entender. Logo em seguida,
oito entidades espirituais atendiam ao chamado. Muito surpreso, vi Narcisa perguntar onde
poderia encontrar mangueiras e eucaliptos. De posse da informação dos amigos, que eram
totalmente estranhos para mim, a enfermeira explicou: - Estes irmãos que nos atenderam
são trabalhadores do reino vegetal.
E, diante da minha surpresa, concluiu:
- Como você vê, não existe nada inútil na casa de Deus. Em toda parte há quem ensine, se
houver quem precise aprender. E onde surge uma dificuldade, surge também a solução. O
único infeliz na obra divina é o espírito irresponsável que se condenou às trevas da
maldade. Em alguns minutos, Narcisa preparou certa substância com as emanações do
eucalipto e da mangueira e, durante toda a noite, aplicamos aquele remédio ao doente, pela
respiração comum e pelos poros. Ele melhorou muito. Pela manhã, logo cedo, o médico
afirmou muito surpreso:
- Ele teve uma reação incrível esta noite! Um verdadeiro milagre da natureza."
🕊❤️
Esse conteúdo faz parte do Pacote de estudos do
Mapa da Umbanda
O estudo é muito importante na vida de nós do Axé e o Mapa da
Umbanda reuniu e organizou todo esse rico conteúdo para facilitar
a vida de quem quer aprender e levar esse conhecimento para as
Giras.
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