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AIJE em Almenara: Abuso de Poder Econômico

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Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais

PJe - Processo Judicial Eletrônico

14/11/2024

Número: 0600794-36.2024.6.13.0009
Classe: AçãO DE INVESTIGAçãO JUDICIAL ELEITORAL
Órgão julgador: 009ª ZONA ELEITORAL DE ALMENARA MG
Última distribuição : 30/09/2024
Valor da causa: R$ 0,00
Assuntos: Abuso - De Poder Econômico
Segredo de Justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? NÃO
Partes Advogados
EDUARDO DA SILVA SANTOS (REQUERENTE)
ROGER AMARAL DE ARAUJO (ADVOGADO)
ADEMIR COSTA GOBIRA (INVESTIGADO)
DANIELA PORTO BERNARDES (ADVOGADO)
LEANDRO BRITO DE ANDRADE (INVESTIGADO)
DANIELA PORTO BERNARDES (ADVOGADO)
CRISTIANO RODRIGUES DE ALMEIDA (INVESTIGADO)
DANIELA PORTO BERNARDES (ADVOGADO)

Outros participantes
PROMOTOR ELEITORAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS
(FISCAL DA LEI)
Documentos
Id. Data da Documento Tipo
Assinatura
131834173 14/11/2024 Sentença Sentença
14:23
JUSTIÇA ELEITORAL
009ª ZONA ELEITORAL DE ALMENARA MG

AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL (11527) Nº 0600794-36.2024.6.13.0009 / 009ª ZONA ELEITORAL


DE ALMENARA MG
REQUERENTE: EDUARDO DA SILVA SANTOS
Advogado do(a) REQUERENTE: ROGER AMARAL DE ARAUJO - MG150939
INVESTIGADO: ADEMIR COSTA GOBIRA, LEANDRO BRITO DE ANDRADE, CRISTIANO RODRIGUES DE
ALMEIDA
Advogado do(a) INVESTIGADO: DANIELA PORTO BERNARDES - MG143687
Advogado do(a) INVESTIGADO: DANIELA PORTO BERNARDES - MG143687
Advogado do(a) INVESTIGADO: DANIELA PORTO BERNARDES - MG143687

SENTENÇA

Trata-se de AIJE apresentada pelo candidato a vereador EDUARDO DA SILVA SANTOS em


desfavor de ADEMIR COSTA GOBIRA, prefeito; LEANDRO BRITO DE ANDRADE, candidato a
prefeito e ex secretário de saúde da atual gestão; e CRISTIANO RODRIGUES DE ALMEIDA,
candidato a Vice-Prefeito e vereador de Almenara, em que alega condutas vedadas no período
eleitoral e abuso do poder político e econômico.
Citados, os Investigados negam as acusações.
O MPE manifestou-se pela procedência da presente ação.
É o relatório. Decido.
Preliminarmente, os Investigados alegam inépcia da inicial em razão das inúmeras alterações
promovidas por meio de aditamentos, com a inclusão desordenada de documentos sem a devida
organização ou clareza quanto aos fatos que pretendem provar, o que impossibilitaria o pleno
exercício do contraditório e da ampla defesa.
De fato, o Investigante promoveu juntadas de documentos diversos após a apresentação da
inicial, porém sem alterar o teor alegado nesta e antes do prazo das contestações.
A petição inicial foi apresentada em 30/09. Em 01/10, 02/10 e 03/10 foram juntados materiais
probatórios, em sua maioria vídeos. A citação ocorreu em 04/10 e a contestação foi apresentada
em 08/10. Em 14/10, após a contestação, o Investigante apenas juntou os vídeos que já foram
indicados no ID 127719937, por meio de links, alegando que o PJE não suportava o tamanho dos
arquivos.
Em todas as juntadas de documentos, o Investigante informa o motivo que o impediu de juntar
anteriormente, o que tenho por convincente e sem prejuízo à defesa, pois esta teve acesso a todo
material probatório e pode exercer plenamente a ampla defesa e o contraditório.
Ainda que se questionasse a juntada de documentos após a inicial, poder-se-ia exercer
amplamente a defesa e quaisquer outros questionamentos em relação aos materiais juntados
seja na audiência de instrução, seja nas alegações finais.
Ademais, o novo Código de Processo Civil, em seu art. 435, dispõe que:

" Art. 435. É lícito às partes, em qualquer tempo, juntar aos autos

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documentos novos, quando destinados a fazer prova de fatos ocorridos
depois dos articulados ou para contrapô-los aos que foram produzidos nos
autos.

Parágrafo único. Admite-se também a juntada posterior de documentos


formados após a petição inicial ou a contestação, bem como dos que se
tornaram conhecidos, acessíveis ou disponíveis após esses atos, cabendo
à parte que os produzir comprovar o motivo que a impediu de juntá-los
anteriormente e incumbindo ao juiz, em qualquer caso, avaliar a
conduta da parte de acordo com o art. 5º”(grifo nosso).

Cabe ressaltar que, na AIJE, a busca da verdade dos fatos e a máxima realização do Interesse
Público na outorga de mandato eletivo se revelam como postulados maiores, que devem ser
observados, de forma a se conceder o mandato apenas àqueles que legitimamente mereceram,
sem qualquer afronta à igualdade de oportunidade entre os candidatos e à liberdade de
consciência dos eleitores.
Superado os questionamentos iniciais, passo para análise do mérito.
Razão assiste ao Investigante, pois cabalmente demonstrada a realização da conduta vedada do
art. 73, IV, da Lei 9.504/1997, com a distribuição de água potável e o abuso de autoridade para
fins do disposto no art. 22 da Lei Complementar nº 64/1990 (cf. art. 74 da Lei nº 9.504/1997), em
virtude da infringência ao disposto no § 1° do art. 37 da Constituição Federal, o qual determina
que “A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos
deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar
nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores
públicos”.
E bastaria a previsão contida no já citado art. 22, da Lei Complementar n.º 64/90, para se acolher
a pretensão ora deduzida, conforme comprovado pela farta prova carreada aos autos.
Os elementos probatórios são sólidos e consistentes quanto ao uso indevido da “máquina
pública” em favor dos candidatos LEANDRO BRITO DE ANDRADE e CRISTIANO RODRIGUES
DE ALMEIDA por parte do atual Prefeito, ADEMIR COSTA GOBIRA, com afronta direta aos
Princípios Administrativos da Publicidade, Impessoalidade e Moralidade.
No caso em tela, ficou comprovada a prática das condutas vedadas previstas no artigo 73, inciso
IV, da Lei 9.504/97, em virtude da promoção dos Investigados, através da distribuição gratuita de
água potável, durante ano eleitoral.

“Art. 73. São proibidas aos agentes públicos, servidores ou não, as


seguintes condutas tendentes a afetar a igualdade de oportunidades entre
candidatos nos pleitos eleitorais: IV - fazer ou permitir uso promocional em
favor de candidato, partido político ou coligação, de distribuição gratuita de
bens e serviços de caráter social custeados ou subvencionados pelo Poder
Público”.

Argumenta o Investigado:

“Vem circulando nas redes sociais, uma gravação na qual verifica agentes
da “Defesa Civil”, devidamente uniformizados e com os coletes, porém em
carro particular adesivado com a propaganda eleitoral dos Requeridos
Leandro e Cristiano, distribuindo cestas básicas na cidade de
Almenara/MG no período eleitoral.

Por vez, os Investigados alegam que:

“Conforme o depoimento da informante Sra. Nilda Marilia Figueiredo de

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Sousa, foi devidamente esclarecido o contexto das imagens apresentadas
pelo autor. A fotografia retrata o momento após o descarregamento de um
caminhão de água fornecida pela Defesa Civil, em cumprimento a um
decreto que estabelece essa medida como essencial para o enfrentamento
da seca na região do Vale do Jequitinhonha. Tal ação é de caráter
assistencial, destinada a suprir as necessidades básicas da população, e
não possui qualquer intenção ou finalidade eleitoral”.

Embora os Investigados mencionem um “decreto” para fins de distribuição de água, este não fora
juntado aos autos, tampouco detalhado seu número ou o órgão responsável pela sua elaboração.
Mesmo que se comprovasse a existência do referido decreto, as circunstâncias de sua aplicação
causam estranheza, pois, conforme mencionado pela própria informante que trabalha na Defesa
Civil de Almenara há oito anos, esta foi a primeira vez que a distribuição de fardo de água ocorreu
e em período eleitoral. Informou, ainda, que a distribuição de água não ocorre todo ano e que,
quando ocorre é por meio de caminhão pipa com água da COPASA.
Nas alegações finais, apresentadas oralmente, após a oitiva da referida informante, o MPE
aponta:

“ Excelentíssimo Juiz Eleitoral, do que se refere do acervo probatório,


notadamente as fotografias alinhado ao depoimento prestado pela
informante que havia distribuição de agua, essa ocasião foi a única vez
em oito anos que este evento ocorreu por parte da secretaria de
defesa civil, que nunca havia acontecido a distribuição de fardos de
agua mineral, o Ministério Publico entende que de fato está violado o art.
73 da Lei 9.504 e bem assim o art. 22 da lei complementar 64, uma vez
que houve distribuição gratuita de bens, 17 fardos de agua mineral para
comunidade rural, o que implica em reconhecer a gravidade da
conduta, especialmente porque a defesa civil de Almenara não estava
em funcionamento oficial(...)”Grifo nosso,

Portanto, tornou-se fato incontroverso a distribuição gratuita de 17 fardos de água mineral para
comunidade rural em pleno período eleitoral realizada pela Defesa Civil de Almenara, o que
notoriamente promove o Gestor Municipal e, consequentemente os candidatos apoiados por este.
Oportuno analisar que o impacto que um caminhão pipa gera ao chegar em uma comunidade
rural é diferente da entrega de fardos de água mineral, pois estes podem ser individualizados e
recebidos pelo beneficiário/eleitor. Aquela, geralmente, serve para encher caixas comunitárias.
Porém, seja por fardos, seja por caminhão pipa, a lei proíbe expressamente a distribuição gratuita
de bens no período eleitoral, salvo exceções legais, o que não se demonstrou no caso em
questão.
O uso da “máquina pública” a favor dos Investigados também é evidenciado no reiterado
descumprimentos dos preceitos administrativos constitucionais da Impessoalidade, Moralidade e
Publicidade, através da divulgação de publicidade política e pessoal.
Nos materiais acostados a inicial, em especial os arrolados nos IDs 127719937 e 128017948, há
vários vídeos em que os investigados promovem a publicidade dos atos, programas, obras,
serviços realizados direta ou indiretamente por estes. Sem qualquer caráter educativo,
informativo ou de orientação social, constam os nomes dos Investigados, o número do Partido
Político com símbolos e imagens que caracterizam promoção pessoal do Prefeito em benefício
dos candidatos apoiados por este.
Ainda, chama atenção a qualidade e os recursos gastos na produção destes vídeos. São vídeos
bem elaborados e planejados utilizados na campanha eleitoral dos Investigados, o que reforça o
desequilíbrio do pleito municipal em questão, pois se utilizam da realização de obras públicas
para vincular os candidatos a estas.
Portanto, as condutas dos Investigados, de forma a promover inequívoco enaltecimento do

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agente público e personalização de atos, de programas, de obras e de serviços, demonstram
gravidade suficiente para incidência do inciso XVI, do art. 22, da LC64/19, pois afeta a
legitimidade e normalidade das eleições, desequilibrando o pleito.
Cumpre ressaltar que a Lei n.º 9.504/97 não veda, a priori, a realização de eventos e publicidades
durante o período de defeso eleitoral. Porém, o conteúdo apresentado deve ser relacionado à
missão institucional do órgão ou entidade e ter caráter informativo, educacional e de orientação
social.
Portanto, a divulgação da publicidade deve ser orientada por máxima cautela, para que se evite a
promoção pessoal do agente público ou qualquer forma de favorecimento pessoal. O conteúdo
apresentado e o material de divulgação devem ser confeccionados com utilização de linguagem
neutra, sem emissão de juízo de valor ou exaltação de atos, programas, obras, serviços e
campanhas do órgão ou entidade, o que não ocorreu nas divulgações realizadas pelo Prefeito,
pelo ex Secretário de Saúde e pelo Vereador em questão.
Nos termos apontados pelo Investigado:

“Também têm circulado nas redes sociais dos Requeridos e em diversos


eventos públicos a utilização de recursos públicos e a realização de obras
públicas para a “autopromoção” dos Requeridos, juntamente com o então
Prefeito e alguns candidatos a Vereadores, inclusive fazendo alusão de
que as obras e projetos públicos somente vão continuar caso a chapa
apoiada vença”.

Por vez, o MPE, nas alegações finais, alerta que:

“(...) Excelência, a partir do depoimento em redes sociais colhidas dos


representantes, se vislumbra que de fato ele aduziu que seria dado a
continuidade a gestão pública se fosse eleito. Porém, recentemente, foi
editado um decreto municipal reduzindo o período de prestação de
serviços públicos, tal fato foi objeto de instauração, a poucas horas
atrás, frisa-se, da 1ª promotoria de justiça dessa comarca, em razão
de paralisação de serviços públicos, fazendo justamente a alusão de
que houve um tratamento pessoal a máquina pública e por isso,
vulneradora do interesse público e vulneradora do devido processo eleitoral
em assimetria. Justamente por isso entendo que ao caso são aplicadas as
sanções do art. 22 da Lei Complementar 64, multa e notadamente a
cassação do mandato e oposição de 8 anos de suspensão dos direitos
políticos, constante no art. 14 da Carta da Republica, é o que eu manifesto,
Excelência (...)” Grifo nosso.

Oportuno apontar que, na audiência de instrução em o MPE apresentou as alegações finais,


estavam presentes os Investigados e estes nem se manifestaram quanto ao referido decreto
municipal, bem como de possível paralisação da máquina pública, o que corrobora com a
alegação de o atual gestor vinculava a continuidade dos serviços públicos à eleição do
Investigados.
Por vez, nas fartas mídias apresentadas é possível identificar as condutas vedadas ao agente
público, o uso indevido da publicidade das obras, constando nomes, símbolos e imagens que
caracterizam promoção pessoal do atual Prefeito e dos candidatos por este apoiado.
Nos materiais arrolados, há a presença constante do número 55, bem como da pessoa do
Prefeito, o que cria, artificialmente, na opinião pública, a ideia de autopromoção e a necessidade
de se eleger os Investigados para que haja a continuidade das obras.
Nos termos argumentados pelo Investigante:

“Em uma das mídias, os Requeridos aparecem juntos e alegam o seguinte:


(...) mas eu quero deixar claro pra vocês que nós não fizemos nada

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sozinhos ... e que poderá daqui para frente dar continuidade ... e é esse
conjunto de forças que você Cris e você Leo tem nos proporcionado é
que nos podemos mostrar para Almenara a importância dessa união
... esse bairro laranjeira foi completamente restaurado. Isso foi graças a
uma articulação também do Cristiano, buscando recurso junto ao nosso
deputado estadual. E você Leo, nós estamos de frente a uma obra
importantíssima para nós, e muito obrigado parceiro porque eu sei
que você articulou muito para que esse PSF pudesse estar aqui ...
para que as pessoas desse bairro pudesse receber saúde, pudesse
ser atendido, então eu gostaria de que você desse continuidade pra
que a gente pudesse inaugurar essa obra ... ruas transformadas ...
praças construídas .. PSFs construídos e em construção .. complexos
esportivos ... quadras construídas e transformadas ... e agora nós
estamos aqui em frente a uma das maiores conquistas do nosso
governo, e eu quero dizer que Leo e Cristiano foram peças
fundamentais para essa conquista, que é a nossa Clínica de
Hemodiálise. Ela minimizara o sofrimento do nosso povo ... (...).”

Nesse sentido, nas fotos trazidas na inicial da obra do centro de hemodiálise, há nitidamente a
propaganda eleitoral dos Investigados, com nome e número, em uma obra do Município. Ainda,
nos termos dos vídeos anexados, os Investigados utilizaram imagens de pacientes que utilizam o
centro de hemodiálise com o adesivo 55 e a frase “continua o trabalho que Ademir começou”
(grifo nosso).
Portanto, tais publicações não se tratam de material informativo, mas de material político,
notadamente vedado pela legislação eleitoral.
Exemplo trazido pelo Investigante confronta 2 publicações. Antes do período eleitoral e durante.
Na 1ª: “Prefeitura efetua doação de equipamento anestésico no valor de 119 mil reais para
HDG”. Na 2ª: “Prefeito Ademir Gobira e deputado Dr. Jean Freire fazem entrega de veículos
para nossa população” e “Prefeito Ademir Gobira consegue 1 milhão de reais para HDG através
do Deputado Federal Bruno Farias”.
Se de um lado, tem-se a impessoalidade “Prefeitura”, de outro, tem-se a autopromoção “Prefeito
Ademir Gobira”.
Por fim, alega o Investigante a inauguração de obras ainda não terminadas por parte dos
Investigados pouco antes das eleições municipais.
Conforme constam nas fotos presentes na inicial, há inauguração da praia de Almenara em que
se vê o Prefeito e outra foto de um muro ainda não acabado. Já nos vídeos, há imagens de
operários trabalhando na obra da praia após a inauguração.
Estes fatos somam-se aos anteriormente demonstrados em que as inobservâncias da
Impessoalidade e Moralidade se mostram evidentes e, pois, desrespeitam o art. 22 da Lei
Complementar nº 64/97.
Buscando coibir o desvirtuamento das eleições pelo abuso do poder econômico e o desvio ou
abuso do poder de autoridade, o Legislador positivou, respectivamente, na Lei 9.504/97 e no
Código Eleitoral:

“Art. 74. Configura abuso de autoridade, para os fins do disposto no art. 22


da Lei Complementar nº 64, de 18 de maio de 1990, a infringência do
disposto no § 1º do art. 37 da Constituição Federal, ficando o responsável,
se candidato, sujeito ao cancelamento do registro ou do diploma”.

“Art. 237. A interferência do poder econômico e o desvio ou abuso do


poder de autoridade, em desfavor da liberdade do voto, serão coibidos e
punidos”.

No caso em questão, houve o emprego de serviços ou bens pertencentes à administração pública

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direta ou indireta, a saber: a distribuição de água pela Defesa Civil, e a realização de atividade
administrativa, a saber: inauguração de obras (orla da praia) e publicidade institucional (centro de
Hemodiálise, calçamento de ruas, postos de Saúde, praças e quadras, etc.) com o objetivo de
propiciar a eleição de determinado candidato.
O Abuso de autoridade do Prefeito ocorreu pelo uso indevido de seu cargo ou função pública,
com a finalidade de obter votos para os candidatos, ora investigados. Sua gravidade consistiu na
utilização do munus público para influenciar o eleitorado, com desvio de finalidade, pois os fatos
apontados na inicial são abusivos, entrementes, e se encaixam nas hipóteses legais de
improbidade administrativa (Lei n.º 8.429/92), de modo que o exercício de atividade pública se
caracterizou como ilícita do ponto de vista eleitoral.
Os vídeos com os Investigados serviram, em verdade, para o enaltecimento do atual gestor e
para a promoção da candidatura dos candidatos por ele apoiados para convencer da
necessidade de continuidade daquele governo. A propaganda eleitoral extravasou as hipóteses
permitidas ao vincular as candidaturas dos Investigados a publicidade de programas, obras,
serviços da Prefeitura de Almenara.
No caso, há um conjunto probatório amplo constituído por documentos, vídeos, depoimento e
“prints” das redes sociais, o que demonstram que os Investigados agiram de modo doloso, no
sentido de obter ilicitamente votos com afronta a probidade administrativa e a normalidade e
legitimidade das eleições. E, nesta prática de conduta ilícita por parte dos Investigados, incide
que a sanção de inelegibilidade.
Assim, por todo exposto, julgo procedente a presente ação, com o fundamento no art. 73, inciso
IV, da Lei 9.504/97 e art. 37, §1º, da CF/88 e declaro a INELEGIBILIDADE dos Investigados (art.
22, XIV, LC 64/1990) com a cominação de sanção de inelegibilidade para as eleições a se
realizarem nos 8 (oito) anos subsequentes à eleição de 2024 (art. 22, XIV, LC 64/1990).
Ciência ao Ministério Público Eleitoral, para instauração de processo disciplinar, se for o caso, e
de ação penal, ordenando quaisquer outras providências que a espécie comportar (art. 22, XIV,
LC 64/1990).
Publique-se. Intime-se.
Após o trânsito em Julgado, arquive-se.
Almenara, 14 de novembro de 2024.

LUÍS EDUARDO ARAÚJO SANTOS

Juiz Eleitoral

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