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Eficácia de Ação Coletiva de Sindicatos

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Amanda Belanda
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Eficácia de Ação Coletiva de Sindicatos

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Número 829 Brasília, 15 de outubro de 2024.

Este periódico destaca teses jurisprudenciais e não consiste em repositório oficial de jurisprudência.

RECURSOS REPETITIVOS

PROCESSO REsp 1.966.058-AL, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Primeira


Seção, por unanimidade, julgado em 9/10/2024. (Tema
1130).
REsp 1.966.059-AL, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Primeira
Seção, por unanimidade, julgado em 9/10/2024 (Tema
1130).
REsp 1.968.284-AL, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Primeira
Seção, por unanimidade, julgado em 9/10/2024 (Tema
1130).
REsp 1.966.060-AL, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Primeira
Seção, por unanimidade, julgado em 9/10/2024 (Tema
1130).
REsp 1.968.286-AL, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Primeira
Seção, por unanimidade, julgado em 9/10/2024 (Tema
1130).
REsp 1.966.064-AL, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Primeira
Seção, por unanimidade, julgado em 9/10/2024 (Tema
1130).

RAMO DO DIREITO DIREITO CONSTITUCIONAL, DIREITO PROCESSUAL


CIVIL

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 1/34
TEMA Ação coletiva. Substituição processual dos sindicatos.
Coisa Julgada. Abrangência. Integrantes da respectiva
categoria profissional (filiados ou não). Restrição.
Servidores públicos com domicílio necessário na base
territorial da entidade sindical autora e àqueles em
exercício provisório ou em missão em outra localidade.
Tema 1130.

DESTAQUE

A eficácia do título judicial resultante de ação coletiva promovida por sindicato de âmbito
estadual está restrita aos integrantes da categoria profissional, filiados ou não, com domicílio
necessário (art. 76, parágrafo único, do Código Civil) na base territorial da entidade sindical autora e
àqueles em exercício provisório ou em missão em outra localidade.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

Cinge-se a controvérsia, nos termos da afetação do recurso ao rito dos repetitivos, em


"definir se a eficácia do título judicial de ação coletiva promovida por sindicato de âmbito estadual
está restrita aos integrantes da respectiva categoria profissional (filiados ou não) lotados ou em
exercício na base territorial da entidade sindical autora".

Em ações individuais, em regra, a coisa julgada, com o fim de propiciar segurança jurídica
às partes e ao sistema, vincula apenas as partes do processo, conforme dicção do art. 506 do Código
de Processo Civil (efeitos inter partes). No que se refere às ações coletivas, contudo, o art. 103, II, do
Código de Defesa do Consumidor (CDC) prevê que a sentença fará coisa julgada: "Ultra partes, mas
limitadamente ao grupo, categoria ou classe, salvo improcedência por insuficiência de provas, nos
termos do inciso anterior, quando se tratar da hipótese prevista no inciso II do parágrafo único do
art. 81".

Necessário pontuar, ainda, que a eficácia do título judicial formado é limitada à


competência territorial para a jurisdição (em processo de execução, por exemplo), devendo
observar critérios objetivos para que produza efeitos; enquanto a eficácia da coisa julgada, como
qualidade intrínseca e inseparável à sentença transitada em julgado, é ampla.

O objeto ora em análise antecede qualquer discussão acerca de efeitos territoriais ou

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 2/34
mesmo de competência para o processamento de execuções, porque atinente, mais especificamente,
à legitimidade ativa (efeito subjetivo da coisa julgada), devendo ser considerados, primordialmente,
os sujeitos beneficiados pelo título, conforme a abrangência do sindicato-parte.

Assim, a limitação territorial dos efeitos da sentença, para se concluir quanto à tese aqui
debatida, não ocorre pelo critério geográfico propriamente, mas é corolário da substituição
processual no caso dos sindicatos que, esses sim, têm sua atuação limitada conforme sua base
territorial e seu registro sindical.

A limitação dos efeitos do título judicial à base territorial do sindicato autor decorre,
portanto, do princípio constitucional da unicidade sindical, conforme o art. 8º, II, da Constituição
Federal (CF), que veda a criação de mais de uma organização sindical na mesma base territorial. O
texto constitucional impôs limites à atuação substitutiva dos sindicatos, sendo imperioso o respeito
ao princípio da territorialidade, de modo que somente uma entidade sindical representativa de
categoria pode existir em cada base territorial - podendo ser um município, um estado, ou todo o
território nacional.

Consoante o raciocínio apresentado, profissionais que não estejam dentro da mesma base
territorial do sindicato, ainda que servidores federais que exerçam a mesma função em localidade
diversa e vinculados a ente de outro território, não são por ele alcançados na substituição
processual. Portanto, em virtude dos princípios da unicidade, da territorialidade e da especificidade,
a substituição processual deve abranger os membros da categoria situados em cada base territorial,
conforme registro sindical.

Ressalte-se, que não é necessário que o membro da categoria seja sindicalizado ou resida
no território de abrangência do sindicato. Isso porque o servidor poderá, por vontade sua ou do
órgão a que pertence, ser deslocado para o exercício de suas funções em determinada localidade. Da
mesma forma, um servidor federal lotado em determinado estado da federação pode trabalhar de
forma remota e residir em localidade diversa. Esse servidor não poderá ser substituído pelo
sindicato que defende a sua categoria exclusivamente no âmbito do estado onde reside, uma vez que
está vinculado ao serviço federal exercido (ainda que em home office) junto a órgão de outro estado.

Assim, os efeitos de uma decisão judicial abrangida pela autoridade da coisa julgada e
proferida no bojo de uma ação coletiva teria como beneficiários os integrantes da respectiva
categoria profissional (filiados ou não). Logo, para se aferir quem são os servidores beneficiários
dessa decisão, necessário distinguir os conceitos de domicílio, exercício e lotação no serviço público.

Não obstante a possibilidade, de modo geral, de se ter mais de um domicílio, nos termos
do art. 76, parágrafo único, do Código Civil (CC), é domicílio necessário do servidor público o "lugar

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 3/34
em que exercer permanentemente suas funções". Por local de exercício entende-se, de modo mais
literal, a localidade física a que o servidor teria que se apresentar acaso trabalhasse de forma
presencial. Já a lotação representa a unidade, repartição, departamento, órgão ou entidade, em que o
servidor presta ou exerce as atribuições e responsabilidades de seu cargo, ou seja, a menor unidade
em um órgão a que o servidor esteja vinculado.

Nesse sentido, é mais adequada a utilização da terminologia "domicílio", cuja acepção


decorre da lei, para o fim de se aferir os legitimados a propor o cumprimento de título executivo
judicial decorrente de ação coletiva ajuizada por sindicato. Sob essa perspectiva, servidor federal
com domicílio necessário em determinado estado - portanto substituído pelo sindicato de sua
categoria cuja base territorial é aquele estado -, ainda que lotado e em exercício provisório em outro
estado, não se beneficia do título formado a partir de ação coletiva proposta por sindicato de
servidores federais do estado onde se encontra lotado provisoriamente, sendo parte ilegítima a
propor o cumprimento daquela sentença.

Dessa forma, o sindicato limita a sua substituição processual e atuação conforme a sua
base territorial, prevista em seu registro sindical, o que legitima os servidores nela domiciliados
(nos termos do art. 76, parágrafo único, do CC) a se beneficiarem da coisa julgada formada em ação
coletiva em que figure como autor. A questão da localidade, portanto, resolve-se na abrangência da
atuação do sindicato-autor da demanda coletiva: basta ser a ele vinculado, independentemente de
filiação, para ser por ele substituído, devendo ser observada a categoria profissional e a pertinência
do direito reconhecido na ação coletiva.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 4/34
INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Constituição Federal (CF), art. 8º, III


Código de Defesa do Consumidor (CDC), art. 103, II
Código de Processo Civil (CPC), art. 506
Código Civil (CC), art. 76

SÚMULAS

Súmula n. 629/STF

PROCESSO REsp 2.046.269-PR, Rel. Ministro Gurgel de Faria,


Primeira Seção, por unanimidade, julgado em
9/10/2024. (Tema 1229).
REsp 2.050.597-RO, Rel. Ministro Gurgel de Faria,
Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 9/10/2024
(Tema 1229).
REsp 2.076.321-SP, Rel. Ministro Gurgel de Faria,
Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 9/10/2024
(Tema 1229).

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL, DIREITO TRIBUTÁRIO

TEMA Execução fiscal. Exceção de pré-executividade. Prescrição


intercorrente. Acolhimento. Extinção do feito executivo.
Honorários advocatícios. Não cabimento. Princípio da
causalidade. Tema 1.229.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 5/34
DESTAQUE

À luz do princípio da causalidade, não cabe fixação de honorários advocatícios na exceção


de pré-executividade acolhida para extinguir a execução fiscal em razão do reconhecimento da
prescrição intercorrente, prevista no art. 40 da Lei n. 6.830/1980.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

A questão jurídica controvertida a ser equacionada, em julgamento submetido à


sistemática dos repetitivos, diz respeito à possibilidade de fixação de honorários advocatícios
quando a exceção de pré-executividade é acolhida para extinguir a execução fiscal, em razão do
reconhecimento da prescrição intercorrente, nos termos do art. 40 da Lei n. 6.830/1980 (Lei de
Execuções Fiscais - LEF).

A fixação da verba de advogado com base no princípio da sucumbência consiste na


verificação objetiva da parte perdedora, à qual caberá arcar com o ônus referente ao valor a ser
pago ao advogado da parte vencedora, e está assim previsto no art. 85, caput, do CPC/2015: "a
sentença condenará o vencido a pagar os honorários ao advogado do vencedor".

Já o princípio da causalidade tem como finalidade responsabilizar aquele que fez surgir
para a parte ex adversa a necessidade de se pronunciar judicialmente, dando causa à lide que
poderia ter sido evitada, como bem leciona a doutrina.

É exatamente sob essa perspectiva - aplicação do princípio da sucumbência e/ou da


causalidade - que deve ser examinado o cabimento, ou não, da fixação da verba honorária nos casos
em que, após a apresentação de exceção de pré-executividade pelo executado, a execução fiscal é
extinta em razão da ocorrência da prescrição intercorrente.

Vale destacar que a prescrição intercorrente, diferentemente da prescrição ordinária ou


direta, prevista no art. 174 do CTN, cujo marco inicial consiste na constituição definitiva do crédito
tributário e antecede a propositura do feito executivo, é deflagrada já no curso da execução fiscal,
com a prolação da decisão de arquivamento dos autos, conforme dispõe o art. 40 da Lei n.
6.830/1980.

Verifica-se que, no caput do art. 40 da Lei n. 6.830/1980, há um aspecto fundamental ao


deslinde da controvérsia: a prescrição intercorrente, no âmbito da execução fiscal, pressupõe a não
localização do devedor ou de bens de sua propriedade sobre os quais possa recair a penhora,

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 6/34
situações de fato relacionadas essencialmente ao devedor e cuja constatação apenas se dará após a
propositura feito executivo.

É relevante pontuar, ainda, que o reconhecimento da prescrição intercorrente, nas


hipóteses acima apontadas, não infirma a existência das premissas que autorizavam o ajuizamento
da execução fiscal, relacionadas com a presunção de certeza e liquidez do título executivo e com a
inadimplência do executado.

Assim, a constatação da prescrição no curso da execução fiscal, pelo juiz da causa, mesmo
após a provocação por meio da apresentação de exceção de pré-executividade pelo executado,
inviabiliza a atribuição ao credor dos ônus sucumbenciais, de acordo com os princípios da
sucumbência e causalidade, sob pena de indevidamente beneficiar a parte que não cumpriu
oportunamente com a sua obrigação.

Cabe pontuar que essa conclusão deve ser admitida mesmo que a exequente se insurja
contra a alegação do devedor de que a execução fiscal deve ser extinta com base no art. 40 da LEF.
Ou seja, se esse fato superveniente - prescrição intercorrente - for a justificativa para o acolhimento
da exceção de pré-executividade, não há falar em fixação de verba honorária.

Tese jurídica fixada: À luz do princípio da causalidade, não cabe fixação de honorários
advocatícios na exceção de pré-executividade acolhida para extinguir a execução fiscal em razão do
reconhecimento da prescrição intercorrente, prevista no art. 40 da Lei n. 6.830/1980.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Código Tributário Nacional (CTN), art. 174


Código de Processo Civil (CPC), art. 85, caput
Lei n. 6.830/1980 (LEF), art. 40

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 7/34
PROCESSO REsp 1.914.902-SP, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos,
Primeira Seção, por unanimidade, julgado em
9/10/2024. (Tema 1134).
REsp 1.944.757-SP, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos,
Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 9/10/2024
(Tema 1134).
REsp 1.961.835-SP, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos,
Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 9/10/2024
(Tema 1134).

RAMO DO DIREITO DIREITO TRIBUTÁRIO

TEMA Responsabilidade tributária. Adquirente de imóvel.


Tributos incidentes na data da arrematação. Sub-rogação
no preço. Art. 130, parágrafo único, do CTN. Previsão de
responsabilidade do arrematante no edital de leilão.
Irrelevância. Tema 1134.

DESTAQUE

Diante do disposto no art. 130, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, é inválida a
previsão em edital de leilão atribuindo responsabilidade ao arrematante pelos débitos tributários
que já incidiam sobre o imóvel na data de sua alienação.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

A questão submetida a julgamento diz respeito à "Responsabilidade do arrematante pelos


débitos tributários anteriores à arrematação, incidentes sobre o imóvel, em consequência de
previsão em edital de leilão".

Conforme o art. 146, III, da CF/1988, as normas gerais que versem sobre matéria
tributária, dentre as quais se incluem a responsabilidade tributária, estão sujeitas à reserva de lei
complementar. O Código Tributário Nacional, recepcionado com status de lei complementar,
dedicou capítulo específico para tratar do tema, discorrendo sobre suas modalidades e esclarecendo
que a lei poderá atribuir a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, a

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 8/34
responsabilidade pelo pagamento do crédito tributário (art. 128, caput, do CTN).

Especificamente em relação à responsabilidade dos sucessores, o caput do art. 130 do


Código Tributário Nacional previu que, ressalvada a prova de quitação, o terceiro que adquire
imóvel passa a ter responsabilidade pelos impostos, taxas ou contribuições de melhorias devidas
anteriormente à transmissão da propriedade. Caso a aquisição ocorra em hasta pública, contudo, o
parágrafo único excepciona a regra para estabelecer que o crédito tributário sub-rogar-se-á no
preço ofertado.

A partir de uma interpretação sistemática do ordenamento jurídico, extrai-se que a


distinção de tratamento entre a hipótese prevista pelo caput e a tratada no parágrafo único do art.
130 do CTN levou em conta o modo de aquisição da propriedade, da doutrina civilista. Na alienação
comum, a aquisição do domínio ocorre de forma derivada, transmitindo-se, além do bem, os vícios,
ônus ou gravames incidentes sobre ele (obrigação propter rem), tendo-se em vista a relação de
causalidade existente entre a propriedade do transmitente e a sua aquisição pelo adquirente. Já na
alienação judicial, por sua vez, inexiste tal relação jurídica, visto que a aquisição do domínio é feita
sem intermediação entre o proprietário anterior e o terceiro arrematante, concretizando-se de
forma direta, originária, isentando-se, por consequência, o arrematante de quaisquer ônus que
eventualmente incidam sobre o bem.

Nesse sentido, a atribuição de responsabilidade tributária a terceiro, além das hipóteses já


previstas pelo Código Tributário Nacional, depende de previsão em lei complementar e da existência
de vínculo entre o terceiro e o fato gerador da obrigação (art. 146, III, da CF/88 c/c art. 128, caput,
do CTN). A falta de liame entre o arrematante do bem e o fato gerador da obrigação tributária não
permite a inclusão desse terceiro no polo passivo da relação jurídico-tributária, quanto o mais por
simples previsão no edital do leilão judicial.

Frente a previsão do Código de Processo Civil de que o edital da hasta pública deve
mencionar os ônus incidente sobre o bem a ser leiloado (art. 686, V, do CPC/73 e art. 886, VI, do
CPC/15), o Superior Tribunal de Justiça havia firmado entendimento de que o conteúdo do art. 130,
parágrafo único, do CTN deveria ser afastado quando houvesse expressa previsão no edital
imputando responsabilidade tributária ao arrematante, caso em que haveria sub-rogação pessoal, e
não real, do crédito tributário.

Necessário considerar, todavia, que, ao especificar o conteúdo mínimo do edital da hasta


pública, o Código de Processo Civil (art. 686 do CPC/73 e art. 886 do CPC/2015) não atribuiu,
sequer implicitamente, responsabilidade tributária ao arrematante, como também não poderia fazê-
lo. A teor do art. 146, III, b, da CF/88, lei ordinária, notadamente a de natureza processual, não se
presta para disciplinar norma geral de direito tributário, que se sujeita à reserva de lei

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 9/34
complementar.

Por se tratar de um ramo do Direito Público, o arcabouço normativo que disciplina o


Direito Tributário possui natureza cogente, impondo claros e expressos limites à autonomia da
vontade (art. 123, do CTN). Portanto, a prévia ciência e a eventual concordância, expressa ou tácita,
do arrematante em assumir o ônus das exações que incidam sobre o imóvel não têm aptidão para
configurar renúncia à aplicação do parágrafo único do art. 130 do CTN. Em observância ao regime
jurídico de direito público, as normas gerais de direito tributário, entre as quais se inclui a
responsabilidade tributária, devem ser tratadas como tal, não podendo sofrer flexibilização por
meros atos administrativos, estes sim, sujeitos ao controle de legalidade.

Do mesmo modo, como a responsabilidade tributária decorre de lei, não pode o edital da
praça alterar o sujeito passivo da obrigação tributária, quer para criar nova hipótese de
responsabilidade, quer para afastar previsão de irresponsabilidade, sob pena de afronta aos arts.
146, III, b, da CF/88 e arts. 97, III, 121, 128 e 130, parágrafo único, do CTN. Portanto, à luz dos
conceitos basilares sobre hierarquia das normas jurídicas, não é possível admitir que norma geral
sobre responsabilidade tributária, prevista pelo próprio CTN, cujo status normativo é de lei
complementar, seja afastada por simples previsão editalícia em sentido diverso.

A partir da interpretação sistemática da legislação tributária, conclui-se que: i) a aquisição


da propriedade em hasta pública ocorre de forma originária, inexistindo responsabilidade do
terceiro adquirente pelos débitos tributários incidentes sobre o imóvel anteriormente à
arrematação, por força do disposto no parágrafo único do art. 130 do CTN; ii) a aplicação dessa
norma geral, de natureza cogente, não pode ser excepcionada por previsão no edital do leilão,
notadamente porque o referido ato não tem aptidão para modificar a definição legal do sujeito
passivo da obrigação tributária; iii) é irrelevante a ciência e a eventual concordância, expressa ou
tácita, do participante do leilão, em assumir o ônus pelo pagamento das exações que incidam sobre o
imóvel arrematado, não configurando renúncia tácita ao disposto no art. 130, parágrafo único, do
CTN; e iv) em atenção à norma geral sobre responsabilidade tributária trazida pelo art. 128 do CTN
e à falta de lei complementar que restrinja ou excepcione o disposto no art. 130, parágrafo único, do
CTN, é vedado exigir do arrematante, com base em previsão editalícia, o recolhimento dos créditos
tributários incidentes sobre o bem arrematado cujos fatos geradores sejam anteriores à
arrematação.

Tese jurídica firmada: Diante do disposto no art. 130, parágrafo único, do Código
Tributário Nacional, é inválida a previsão em edital de leilão atribuindo responsabilidade ao
arrematante pelos débitos tributários que já incidiam sobre o imóvel na data de sua alienação.

Com amparo nos princípios da segurança jurídica, da proteção da confiança e da isonomia,

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 10/34
impõe-se a modulação dos efeitos desta decisão. Por aplicação analógica do art. 1.035, § 11º do
CPC/2015, a tese repetitiva fixada deverá ser aplicada aos leilões cujos editais sejam publicizados
após a publicação da ata de julgamento do tema repetitivo, ressalvadas as ações judiciais ou pedidos
administrativos pendentes de julgamento, em relação aos quais a aplicabilidade é imediata.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Constituição Federal (CF), art. 146, III


Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, III, art. 121, art. 123, art. 128, art. 130, caput e parágrafo
único
Código de Processo Civil (CPC), art. 886, VI, e art. 1.035, § 11º

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 11/34
CORTE ESPECIAL

PROCESSO Inq 1.721-DF, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira,


Corte Especial, por unanimidade, julgado em 2/10/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL PENAL

TEMA Inquérito. Pedido de Arquivamento. Extinção da


Punibilidade. Prescrição. Juízo de Mérito. Coisa Julgada
Material. Inaplicabilidade do art. 18 do CPP. Decisão que
vincula órgão ministerial.

DESTAQUE

O requerimento ministerial de arquivamento de inquérito ou procedimento investigatório


criminal fundamentado na extinção da punibilidade ou atipicidade da conduta exige do Judiciário
uma análise meritória do caso, com aptidão para formação da coisa julgada material com seu
inerente efeito preclusivo, não se aplicando as disposições do art. 18 do Código de Processo Penal.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

O arquivamento do inquérito ou procedimento investigativo criminal será obrigatório,


caso o membro do Ministério Público Federal que atua perante o Superior Tribunal de Justiça
formalize o respectivo pedido por inexistirem suficientes elementos de materialidade, bem como
autoria (ausência de base empírica) para a continuidade das investigações ou o oferecimento da
peça acusatória.

Por outro lado, se o requerimento ministerial de arquivamento do inquérito é


fundamentado na extinção da punibilidade ou atipicidade da conduta, compete ao Judiciário uma
análise meritória do caso com aptidão para formação da coisa julgada material, com seu inerente
efeito preclusivo, não se aplicando as disposições do art. 18 do CPP, pois a decisão vinculará o titular
da ação penal.

O Supremo Tribunal Federal possui jurisprudência sobre o tema: "se o Poder Judiciário, ao

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 12/34
reconhecer consumada a prescrição penal, houver declarado extinta a punibilidade do
indiciado/denunciado, pois, em tal caso, esse ato decisório revestir-se-á da autoridade da coisa
julgada em sentido material, inviabilizando, em consequência, o ulterior ajuizamento (ou
prosseguimento) de ação penal contra aquele já beneficiado por tal decisão, ainda que o Ministério
Público, agindo por intermédio de novo representante e mediante reinterpretação e nova
qualificação dos mesmos fatos, chegue a conclusão diversa daquela que motivou o seu anterior
pleito de extinção da punibilidade". (HC 84253, Relator Celso de Mello, Segunda Turma, julgado em
26/10/2004).

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Código de Processo Penal (CPP), art. 18

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 13/34
PRIMEIRA TURMA

PROCESSO REsp 1.808.482-RS, Rel. Ministro Paulo Sérgio


Domingues, Primeira Turma, por unanimidade, julgado
em 8/10/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL, DIREITO TRIBUTÁRIO

TEMA Repetição de indébito tributário. Título executivo


judicial. Direito à restituição das parcelas cujo
recolhimento indevido tenha sido comprovado. Parcelas
posteriormente reconhecidas pela administração pública
no cumprimento de sentença. Direito à restituição.
Ofensa à coisa julgada. Inexistência.

DESTAQUE

Não ofende a coisa julgada o reconhecimento do direito a repetição do indébito de


parcelas cujos adimplementos não foram comprovados pelo contribuinte na ação de conhecimento,
mas cujo pagamento foi noticiado pelo ente público por meio de documento apresentado junto a
impugnação ao cumprimento de sentença.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

A controvérsia versa acerca de impugnação ao cumprimento de sentença apresentada por


município objetivando que fossem excluídas do cálculo dos valores devidos as parcelas cujos
pagamentos não foram comprovados nos autos do processo de conhecimento pela parte
contribuinte.

De acordo com o ente público, o acolhimento da pretensão da parte contribuinte na fase de


cumprimento de sentença de restituição de parcelas do indébito que não foram devidamente
comprovadas na ação de conhecimento caracterizaria a alteração do título executivo judicial em
afronta à coisa julgada.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 14/34
No caso em discussão, foi expressamente reconhecido pelo acórdão recorrido que a
condenação do ente na ação de conhecimento seria restrita à restituição do indébito correspondente
às parcelas do IPTU (Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana) comprovadamente
adimplidas. Contudo, embora a parte contribuinte não tenha se desincumbido de sua obrigação de
apresentar as guias comprobatórias do recolhimento do tributo, o ente público executado
apresentou impugnação ao cumprimento de sentença, colacionando documento emitido por agente
administrativo do qual constou informação acerca dos pagamentos realizados pela parte
contribuinte.

Nesse sentido, observa-se que os atos administrativos são revestidos de fé pública e


gozam de presunção de legalidade, legitimidade e veracidade, de modo que somente em situações
excepcionais, e desde que haja prova robusta e cabal, pode-se autorizar a desconsideração das
informações prestadas por agente administrativo; o que não se verifica no caso concreto, mormente
quando o ente público recorrente não invoca dúvidas quanto à veracidade do documento que
noticia o efetivo pagamento das parcelas postuladas pela parte recorrida e cujo direito à restituição
já foi reconhecido judicialmente por sentença transitada em julgado.

Segundo preconizam os artigos 371, 374, 389 e 493 do CPC, o magistrado tem o poder-
dever de julgar a lide com base nos elementos suficientes para nortear e instruir seu entendimento,
especialmente quando os fatos estão demonstrados de forma incontroversa, e por meio de prova
documental sobre a qual milita presunção legal de veracidade, qual seja, o documento emitido pelo
agente público reconhecendo expressamente o pagamento da parcela do tributo indevido,
instrumento que se equipara à confissão de dívida.

Dessa forma, não há a necessidade de se exigir da parte contribuinte a juntada de


comprovantes de pagamento para cumprimento da sentença que declarou o direito à repetição do
indébito tributário.

Ademais, o ordenamento jurídico pátrio veda o enriquecimento sem causa, sendo ele
caracterizado, inclusive, quando há recebimento de quantia paga indevidamente, razão pela qual
não há censura a se fazer ao acórdão recorrido no ponto em que reconheceu o direito da parte
contribuinte à restituição das parcelas cuja quitação indevida é inconteste.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 15/34
INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Código de Processo Civil (CPC), arts. 371, 374, 389 e 493.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 16/34
TERCEIRA TURMA

PROCESSO REsp 2.173.088-DF, Rel. Ministra Nancy Andrighi,


Terceira Turma, por unanimidade, julgado em
8/10/2024, Dje 11/10/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO CIVIL

TEMA Ação de usucapião extraordinária. Imóvel pertencente à


sociedade de economia mista. Bem destinado à prestação
de serviço público essencial. Imóvel público.
Impossibilidade de usucapião.

DESTAQUE

Não há possibilidade de usucapião de imóvel afetado à finalidade pública essencial


pertencente à sociedade de economia mista que atua em regime não concorrencial.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

O propósito da controvérsia é definir se há possibilidade de usucapião de imóvel de


sociedade de economia mista.

Conforme entendimento do STJ, os bens integrantes do acervo patrimonial de sociedade


de economia mista ou empresa pública não podem ser objeto de usucapião quando sujeitos à
destinação pública.

A concepção de "destinação pública", apta a afastar a possibilidade de usucapião de bens


das empresas estatais, tem recebido interpretação abrangente por parte do STJ, de forma a abarcar,
inclusive, imóveis momentaneamente inutilizados, mas com demonstrado potencial de afetação a
uma finalidade pública.

Exemplo disso é que o STJ, conforme julgamento no REsp n. 1.874.632/AL, firmou o


posicionamento de que, "mesmo o eventual abandono de imóvel público não possui o condão de

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 17/34
alterar a natureza jurídica que o permeia, pois não é possível confundir a usucapião de bem público
com a responsabilidade da Administração pelo abandono de bem público. Com efeito, regra geral, o
bem público é indisponível [...]. Eventual inércia dos gestores públicos, ao longo do tempo, não pode
servir de justificativa para perpetuar a ocupação ilícita de área pública, sob pena de se chancelar
ilegais situações de invasão de terras".

Diante disso, na eventual colisão de direitos fundamentais, como o de moradia e o da


supremacia do interesse público, deve prevalecer, em regra, este último, norteador do sistema
jurídico brasileiro, porquanto a prevalência dos direitos da coletividade sobre os interesses
particulares é pressuposto lógico de qualquer ordem social estável. Assim, na verificação da
destinação pública de um bem pertencente a uma empresa pública ou sociedade de economia mista,
deve-se observar a premissa da supremacia do interesse público sobre o privado e o potencial de
utilização do bem para atender a alguma finalidade pública.

PROCESSO Processo em segredo de justiça, Rel. Ministro Marco


Aurélio Bellizze, Terceira Turma, por unanimidade,
julgado em 8/10/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO CIVIL

TEMA Ação de prestação de contas. Legitimidade ativa e


interesse processual de ex-cônjuge de herdeira contra
inventariante. Casamento sob regime de comunhão
universal de bens. Comunicação imediata de bens a partir
do óbito. Dever legal de prestação de contas atribuído ao
inventariante.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 18/34
DESTAQUE

O ex-cônjuge, casado em regime de comunhão universal de bens na data de abertura da


sucessão do seu ex-sogro, tem legitimidade e interesse para a propositura de ação de prestação de
contas contra a parte inventariante de todos os bens e direitos integrantes do quinhão hereditário
de sua ex-consorte, ainda que ultimada a partilha decorrente da dissolução da sociedade conjugal.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

O propósito da controvérsia consiste em definir a legitimidade ativa e o interesse


processual de ex-cônjuge - casado com a filha do autor da herança em regime de comunhão
universal de bens - para o ajuizamento de ação de prestação de contas em desfavor de inventariante.

A ação de prestação de contas, assim denominada na vigência do revogado CPC/1973,


pode ser proposta por quem tiver o direito de exigí-las, decorrendo a obrigação do inventariante de
prestar as respectivas contas de expressa disposição legal (art. 919 do CPC/1973 e 553, caput, do
CPC/2015).

Por outro lado, o casamento contraído sob o regime de comunhão universal de bens tem
como consequência a comunicação de todos os bens presentes e futuros dos cônjuges e suas dívidas
passivas (art. 1.667 do CC/2002), salvo, quanto aos bens herdados, os gravados com cláusula de
incomunicabilidade (art. 1.668, I, do CC/2002), dos quais, porém, são partilhados os respectivos
frutos (art. 1.669 do CC/2002).

Além disso, o direito sucessório pátrio rege-se pelo princípio da saisine, positivado no art.
1.784 do CC/2002, segundo o qual, aberta a sucessão, a herança transmite-se, desde logo, aos
herdeiros legítimos e testamentários, bastando apenas a aceitação da herança para o
aperfeiçoamento dessa sucessão mortis causa (art. 1.804 do CC/2002).

Portanto, o ex-cônjuge, casado em regime de comunhão universal de bens na data de


abertura da sucessão do seu ex-sogro, tem legitimidade e interesse para a propositura de ação de
prestação de contas contra a parte inventariante, ante a comunicação imediata, a partir do óbito do
autor da herança, de todos os bens e direitos integrantes do quinhão hereditário de sua ex-consorte,
segundo o princípio da saisine, ainda que ultimada a partilha decorrente da dissolução da sociedade
conjugal.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 19/34
INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Código Civil (CC/2002), arts. 1.667; 1.668, I; 1.669; 1.784; e 1.804


Código de Processo Civil (CPC/2015), art. 553, caput
Código de Processo Civil (CPC/1973), art. 919

PROCESSO REsp 2.166.273-SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi,


Terceira Turma, por unanimidade, julgado em
10/8/2024, DJe 10/10/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO CIVIL

TEMA Nulidade de negócio jurídico. Compra e venda. Terreno


não registrado. Ciencia do adquirente. Contrato entre
particulares. Ilicitude do objeto. Vedação legal. Negócio
jurídico nulo.

DESTAQUE

A compra e venda de lote não registrado é nula, independentemente de ter sido firmada
entre particulares que estavam cientes da irregularidade do imóvel no momento do negócio
jurídico.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

O propósito recursal é decidir se é válida a venda de lote não registrado quando o

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 20/34
adquirente tem ciência desta irregularidade no momento da compra.

Para a aplicabilidade da Lei n. 6.766/1979 é irrelevante apurar se o loteamento e o


desmembramento ostentam o caráter de empreendimento imobiliário, se o vendedor atua como
profissional do ramo, ou se incide relação consumerista.

Não tendo o loteador requisitado a aprovação do loteamento perante a prefeitura


municipal e iniciado mesmo assim a urbanização deste, estar-se-á diante do chamado loteamento
clandestino ou irregular.

O objeto do contrato de compra e venda de terreno não registrado é ilícito, pois a Lei n.
6.766/1979 objetiva exatamente coibir os nefastos efeitos ambientais e sociais do loteamento
irregular.

O art. 37 da referida lei estabelece que é vedado vender ou prometer vender parcela de
loteamento ou desmembramento não registrado.

Tratando-se de nulidade, o fato de o adquirente ter ciência da irregularidade do lote


quando da sua aquisição não convalida o negócio, pois, nessas situações, somente se admite o
retorno dos contratantes ao status quo ante.

Não tendo o loteador providenciado o registro do imóvel, independentemente de ter sido


firmada entre particulares cientes da irregularidade do imóvel, a compra e venda de loteamento não
registrado é prática contratual taxativamente vedada por lei e que possui objeto ilícito, sendo o
negócio jurídico nulo, portanto.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Lei de Parcelmento do Solo Urbano (Lei n. 6.766/1979), art. 37

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 21/34
QUARTA TURMA

PROCESSO AgInt no AREsp 1.269.142-SP, Rel. Ministro Marco Buzzi,


Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 2/9/2024,
DJe 5/9/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO DA SAÚDE

TEMA Plano de saúde coletivo. Ex-empregado aposentado.


Direito de permanência. Art. 31 da Lei n. 9.656/1988.
Aplicação do REsp n. 1.818.487-SP. Tema 1034.

DESTAQUE

Ao ex-empregado aposentado deve ser garantido o mesmo modelo de custeio e valor de


contribuição aplicados aos beneficiários ativos de plano de saúde coletivo, devendo os inativos
pagarem integralmente as contribuições.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

Cinge-se a controvérsia acerca da legalidade da manutenção de ex-empregado aposentado


em plano de saúde coletivo.

O Tribunal de origem manteve a sentença de procedência do pedido inicial, sob a seguinte


fundamentação: O art. 31 da Lei n. 9.656/98 dispõe que "ao aposentado que contribuir para
produtos de que tratam o inciso I e o § 1º do art. 1º desta Lei, em decorrência de vínculo
empregatício, pelo prazo mínimo de dez anos, é assegurado o direito de manutenção como
beneficiário, nas mesmas condições de cobertura assistencial de que gozava, quando da vigência do
contrato de trabalho, desde que assuma o seu pagamento integral".

Sobre o tema, a Segunda Seção do STJ, no julgamento do REsp n. 1.818.487-SP, sob a


sistemática dos recurso repetitivos (Tema 1034), firmou a seguinte tese jurídica: "o art. 31 da Lei n.
9.656/1998 impõe que ativos e inativos sejam inseridos em plano de saúde coletivo único, contendo
as mesmas condições de cobertura assistencial e de prestação de serviço, o que inclui, para todo o

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 22/34
universo de beneficiários, a igualdade de modelo de pagamento e de valor de contribuição,
admitindo-se a diferenciação por faixa etária se for contratada para todos, cabendo ao inativo o
custeio integral, cujo valor pode ser obtido com a soma de sua cotaparte com a parcela que, quanto
aos ativos, é proporcionalmente suportada pelo empregador".

Dessa forma, a orientação adotada pelo Tribunal de origem está em consonância com o
entendimento pacificado pelo STJ, no sentido de que deve ser assegurado ao ex-empregado
aposentado o mesmo modelo de custeio e valor de contribuição aos estipulados para os
beneficiários ativos, ressalvando-se que os inativos devem arcar com o pagamento integral das
contribuições.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Lei n. 9.656/1998, art. 31

PRECEDENTES QUALIFICADOS

Tema 1034/STJ

PROCESSO AgInt nos EDcl no AREsp 2.160.071-RJ, Rel. Ministra


Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, por unanimidade,
julgado em 2/9/2024, DJe 4/9/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA Impenhorabilidade de bem de família. Apresentação de


embargos à execução pelo devedor. Resistência do
credor embargado. Honorários advocatícios. Cabimento.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 23/34
DESTAQUE

Reconhecida a impenhorabilidade do bem de família, nos embargos à execução opostos


pelo devedor, são devidos honorários advocatícios pelo credor embargado que se opõe a pedido de
exclusão da penhora deste bem.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

Quanto aos honorários advocatícios, se o devedor apenas reclamasse a incidência da Lei n.


8.009/1990, o que poderia ser atendido mediante simples petição nos autos, e o credor, instado a se
manifestar, concordasse de pronto com o pleito, aceitando a exclusão do bem atingido, estaria por
afastar o deferimento de verba honorária. Do contrário, diante da resistência do credor e do
contraditório, com alegações e recursos, não há como deixar de deferir a verba honorária.

Nesse sentido, inclusive, já entendeu esta Quarta Turma: os executados podem alegar a
impenhorabilidade do imóvel destinado à residência da família por simples petição no processo de
execução ou mediante ação de embargos. Escolhendo essa última via, mesmo porque tinham outras
teses a apresentar contra a pretensão executória, e vendo acolhida a alegação fundada na Lei
8.009/90, fazem jus aos honorários do seu patrono, a serem estipulados na forma do art. 20, § 4º, do
CPC. Recurso conhecido e provido. (REsp n. 254.411/MG, relator Ministro Ruy Rosado de Aguiar,
Quarta Turma, julgado em 29/8/2000).

Esse entendimento deve continuar sendo aplicado, mesmo com a vigência do novo Código
de Processo Civil, o qual possui lógica semelhante no que tange à possibilidade de peticionar, a
qualquer tempo, pela impenhorabilidade do bem de família, até mesmo por simples petição.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 24/34
INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Código de Processo Civil (CPC), art. 525, § 11


Código de Processo Civil de 1973 (CPC/73), art. 20, § 4º
Lei n. 8.009/1990

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 25/34
QUINTA TURMA

PROCESSO Processo em segredo de justiça, Rel. Ministro Ribeiro


Dantas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em
8/10/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO PENAL

TEMA Estupro de vulnerável. Motorista de van escolar. Relação


de poder, confiança ou subordinação entre o agente e a
vítima. Incidência da causa de aumento de pena do art.
226, II, do Código Penal. Possibilidade.

DESTAQUE

O motorista de van escolar, ao cometer o crime de estupro de vulnerável contra criança ou


adolescente sob sua vigilância, está sujeito à causa de aumento de pena prevista no art. 226, II, do
Código Penal, devido à sua posição de autoridade e garantidor da segurança e incolumidade moral
das vítimas.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

A causa de aumento da pena do inciso II do art. 226 do CP se ancora na especial relação de


poder, confiança ou subordinação entre o agente e a vítima, o que confere ao delito uma gravidade
diferenciada. Tal relação transcende a mera circunstância do fato, consistindo em um abuso de uma
posição que deveria promover proteção e respeito, mas que, ao contrário, se corrompe em
instrumento de violação à dignidade sexual da vítima. A intensificação do abuso é exacerbada pela
vulnerabilidade intrínseca da vítima, que, confiando no agente, se vê subjugada pela proximidade ou
pela autoridade exercida.

A intenção da majorante é clara: sancionar mais severamente aqueles que, valendo-se de


uma posição de confiança, subvertem tal relação para fins ilícitos, potencializando a gravidade do
crime pelo uso do poder ou da autoridade. A confiança, aqui, torna-se uma causa de aumento da
pena, na medida em que a vítima, por confiar no agente, vê sua capacidade de resistência fragilizada,
sendo conduzida a uma situação de completa vulnerabilidade. É preciso considerar essa

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 26/34
vulnerabilidade no momento da dosimetria da pena, como um fator a justificar uma resposta penal
mais rigorosa, que leve em conta o abalo psicológico e social causado.

Nessa linha, no julgamento do AgRg no HC 567.406/RS, o Superior Tribunal de Justiça


firmou entendimento segundo o qual, nos casos de estupro de vulnerável, a posição de garante
contratual, como a exercida por um motorista de transporte escolar, configura autoridade de fato
sobre a vítima, legitimando a aplicação da referida causa de aumento. O preposto, nesse contexto,
não apenas assume o dever de proteger a integridade física e moral dos menores transportados, mas
também exerce uma influência direta sobre eles, caracterizando a relação de confiança e autoridade
requerida para o aumento da pena.

No que concerne à condenação de um motorista de transporte escolar pelo crime de


estupro de vulnerável, previsto no art. 217-A do Código Penal, é crucial ressaltar que a função de
motorista de van escolar o coloca na posição de garantidor da integridade física e moral dos
menores sob sua vigilância. Nessa qualidade, exerce, de fato, uma forma de autoridade que
transcende a simples prestação de serviço de transporte, pois lhe é conferida a responsabilidade de
zelar pela segurança e bem-estar dos passageiros.

A violação desse dever, ao invés de apenas constituir uma quebra contratual, assume
relevância penal, uma vez que transforma o próprio vínculo fiduciário em instrumento para a
perpetração do crime. O ordenamento jurídico, ao prever o aumento de pena no art. 226, II,
reconhece o maior grau de censurabilidade daquele que, estando em posição de garantidor, se vale
dessa posição para a prática do ilícito, comprometendo assim tanto a confiança depositada nele
quanto o dever de resguardar a formação moral e a integridade física do indivíduo sob sua tutela.
Aqui, o desvalor da ação é ainda mais evidente, pois o agente infringe o dever ético-jurídico de
proteger, o que debilita sobremaneira a capacidade de defesa da vítima, especialmente em razão de
sua vulnerabilidade etária.

Essa gravidade, portanto, não se limita ao desvalor da ação em si, mas expande-se ao plano
subjetivo do agente, cujo dever de proteção é intencionalmente transgredido para violar a dignidade
da vítima, ensejando, assim, a necessária aplicação do aumento penal, como medida de reprovação e
prevenção, conforme preconiza o sistema penal pátrio.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 27/34
INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Código Penal (CP), art. 217-A e art. 226, II

PROCESSO AREsp 2.406.856-SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta


Turma, por unanimidade, julgado em 8/10/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO PENAL, DIREITO PROCESSUAL PENAL

TEMA Crime continuado. Hipótese não prevista no art. 28-A, §


2º, II, do Código de Processo Penal. Acordo de não
persecução penal. Possibilidade.

DESTAQUE

A continuidade delitiva não impede a celebração de acordo de não persecução penal.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

O Tribunal de origem entendeu que a continuidade delitiva impede a aplicação do acordo


de não persecução penal, considerando-a como indício de dedicação à atividade criminosa.

Contudo, o rigor inerente ao princípio da legalidade foi devidamente contemplado na


redação do art. 28-A, §2º, II, do CPP, que, ao estabelecer as condições impeditivas para o acordo de
não persecução penal, explicitou de maneira taxativa as hipóteses excludentes, dentre as quais se
encontram as condutas praticadas de forma criminosa habitual, reiterada ou profissional. A
legislação em momento algum incluiu a continuidade delitiva como causa impeditiva para a
celebração do ANPP, como se depreende da uma leitura clara e objetiva do texto legal.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 28/34
A figura do crime continuado é distinta do crime habitual. O afastamento da continuidade
delitiva em casos de habitualidade criminosa se justifica pela própria teleologia do instituto, que
visa a atenuar o rigor punitivo em face de uma série de infrações semelhantes e, essencialmente,
conectadas por um desígnio comum. Quando tal conexão não se verifica, e a prática reiterada de
delitos evidencia uma propensão criminosa contínua e autônoma, impõe-se o tratamento mais
severo e proporcional ao desvalor da conduta e à periculosidade do agente, como medida necessária
à adequada reprovação e prevenção do delito.

A inclusão da continuidade delitiva como óbice à celebração do acordo de não persecução


penal constitui uma interpretação que extrapola os limites impostos pela norma, inserindo um
requisito que o legislador, de forma deliberada, optou por não contemplar. Não se pode olvidar que
a norma processual penal tem seus parâmetros definidos de maneira a equilibrar o poder punitivo
do Estado com as garantias constitucionais do acusado, sendo inadmissível a criação de obstáculos
não previstos expressamente em lei, sob pena de violação ao princípio da estrita legalidade.

Nesse sentido, a ausência de menção à continuidade delitiva no rol das hipóteses


impeditivas para o ANPP reforça o entendimento de que o legislador, ao estabelecer os requisitos
para a aplicação do instituto, procurou restringir tais impedimentos àquelas condutas que, por sua
habitualidade, reiteração ou caráter profissional, revelam maior gravidade e periculosidade. A
interpretação extensiva que inclui a continuidade delitiva como barreira ao acordo configura criação
judicial que não encontra respaldo no ordenamento jurídico vigente.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Código de Processo Penal (CPP), art. 28-A, §2º, II

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 29/34
SEXTA TURMA

PROCESSO HC 845.533-SC, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta


Turma, por unanimidade, julgado em 8/10/2024.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL PENAL

TEMA Furto qualificado. Denúncia recebida antes da vigência da


Lei n. 13.964/2019. Acordo de não persecução penal.
Pedido formulado antes do trânsito em julgado.
Possibilidade. Adequação ao entendimento firmado pelo
STF no HC 185.913/DF.

DESTAQUE

É cabível a celebração de acordo de não persecução penal em casos de processos em


andamento quando da entrada em vigência da Lei n. 13.964/2019, mesmo se ausente confissão do
réu até aquele momento, desde que o pedido tenha sido feito antes do trânsito em julgado.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

O Tribunal de origem rejeitou o pedido de intimação do Ministério Público para propor


acordo de não persecução penal, na forma do art. 28-A do CPP, fundamentado no fato de que
somente seria cabível a propositura do ANPP para fatos ocorridos antes da vigência da Lei n.
13.964/2019, desde que não recebida a denúncia.

Contudo, tal entendimento destoa da tese fixada pelo Supremo Tribunal Federal que, no
julgamento do HC 185.913/DF, da relatoria do Ministro Gilmar Mendes, ocorrido em 18/9/2024,
pacificou a controvérsia a respeito da retroatividade do acordo de não persecução penal, nos
seguintes termos:

"1. Compete ao membro do Ministério Público oficiante, motivadamente e no exercício do


seu poder-dever, avaliar o preenchimento dos requisitos para negociação e celebração do ANPP,
sem prejuízo do regular exercício dos controles jurisdicional e interno; 2. É cabível a celebração de

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 30/34
Acordo de Não Persecução Penal em casos de processos em andamento quando da entrada em
vigência da Lei nº 13.964, de 2019, mesmo se ausente confissão do réu até aquele momento, desde
que o pedido tenha sido feito antes do trânsito em julgado; 3. Nos processos penais em andamento
na data da proclamação do resultado deste julgamento, nos quais, em tese, seja cabível a negociação
de ANPP, se este ainda não foi oferecido ou não houve motivação para o seu não oferecimento, o
Ministério Público, agindo de ofício, a pedido da defesa ou mediante provocação do magistrado da
causa, deverá, na primeira oportunidade em que falar nos autos, após a publicação da ata deste
julgamento, manifestar-se motivadamente acerca do cabimento ou não do acordo; 4. Nas
investigações ou ações penais iniciadas a partir da proclamação do resultado deste julgamento, a
proposição de ANPP pelo Ministério Público, ou a motivação para o seu não oferecimento, devem
ser apresentadas antes do recebimento da denúncia, ressalvada a possibilidade de propositura, pelo
órgão ministerial, no curso da ação penal, se for o caso".

No caso, o pedido da defesa foi formulado antes do trânsito em julgado. Assim, verificada a
possibilidade de aplicação do instituto, em conformidade com o que foi decidido pelo Supremo
Tribunal Federal, é cabível o desarquivamento da ação penal, devendo o Juízo da origem provocar o
Ministério Público, a fim de verificar a possibilidade de oferecimento do ANPP, devendo eventual
recusa ser devidamente fundamentada.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Código de Processo Penal (CPP), art. 28-A.

PRECEDENTES QUALIFICADOS

HC 185.913/DF (STF)

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 31/34
PROCESSO Processo em segredo de justiça, Rel. Ministro Sebastião
Reis Júnior, Sexta Turma, por unanimidade, julgado em
8/10/2024, DJe 14/10/2024.

RAMO DO DIREITO EXECUÇÃO PENAL

TEMA Pecúlio. Liberação antecipada. Aquisição de produtos


básicos de higiene. Hipótese prevista no art. 29, § 1º, c, da
LEP. Observância da ordem de preferência legal.
Possibilidade de levantamento no montante adequado.

DESTAQUE

É possível a liberação antecipada do pecúlio no montante adequado à aquisição de


produtos de higiene pessoal pelo apenado, desde que inexistam outros descontos pendentes,
observada a ordem de preferência prevista no § 1º do art. 29 da LEP, e o produto solicitado não seja
fornecido regularmente pelo estabelecimento prisional.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

Da leitura do art. 29, §§ 1º e 2º, da LEP, fica evidente que o pecúlio corresponde ao valor
que sobra do produto do trabalho remunerado prestado pelo apenado - após os descontos
autorizados na mesma norma -, valor esse que será aplicado em poupança e revertido ao preso
quando posto em liberdade.

Segundo a doutrina, realizados os descontos previstos no art. 29, § 1º, da LEP, o restante
do dinheiro arrecadado destina-se à formação de um pecúlio, a ser utilizado quando deixar o
cárcere. Excepcionalmente, pode o sentenciado fazer uso do referido pecúlio antes de ser solto;
porém, há de ser por um motivo relevante, a critério do juiz das execuções.

Com efeito, se o apenado solicitar o levantamento do pecúlio para fins de atendimento de


alguma das despesas previstas no § 1º da norma em comento, incumbe ao Juízo da execução avaliar
se a justificativa apresentada se enquadra em alguma das hipóteses de desconto e, em caso positivo,
autorizar o levantamento no valor pertinente, observando a ordem de preferência preconizada na
lei.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 32/34
No caso, a justificativa apresentada pelo reeducando - aquisição de materiais de higiene -
enquadra-se no que se convencionou denominar em lei como pequenas despesas pessoais (art. 29, §
1º, c, da LEP), de modo que não se vislumbra justificativa razoável para o indeferimento do
levantamento em valor adequado para esse fim.

Ora, é consabido que a estrutura carcerária no País é demasiadamente precária, convicção


essa reforçada pelo reconhecimento por parte do Supremo Tribunal Federal (ADPF n. 347/DF) da
existência de um estado de coisas inconstitucional nessa matéria, de modo que beira a alienação a
presunção de que ente estatal esteja efetivamente arcando com todas as despesas básicas de higiene
do preso, sendo razoável presumir exatamente o inverso.

Logo, mostra-se viável o levantamento do pecúlio no montante adequado para o fim


almejado, ressaltando-se, no entanto, que esse levantamento somente pode ocorrer se inexistirem
outros descontos pendentes (art. 29, § 1º, a e b, da LEP), de modo a obedecer à ordem de preferência
preconizada em lei, incumbindo ao Juízo fixar o valor necessário para aquisição dos produtos de
higiene indicados, sem prejuízo da possibilidade de indeferir o pedido, caso constatado
concretamente, ou seja, mediante informação do estabelecimento prisional, que o produto de
higiene solicitado pelo apenado já lhe é fornecido regularmente.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

LEGISLAÇÃO

Lei n. 7.210/1984 (LEP), art. 29, §§ 1º e 2º.

PRECEDENTES QUALIFICADOS

ADPF n. 347/DF (STF)

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 33/34
RECURSOS REPETITIVOS - AFETAÇÃO

PROCESSO ProAfR no REsp 2.060.432-RS, Rel. Min. Teodoro Silva


Santos, Primeira Seção, julgado em 8/10/2024, DJe
14/10/2024. (Tema 1287).
ProAfR no REsp 2.133.370-SP, Rel. Min. Teodoro Silva
Santos, Primeira Seção, julgado em 8/10/2024, DJe
14/10/2024 (Tema 1287).
ProAfR no REsp 2.133.454-SP, Rel. Min. Teodoro Silva
Santos, Primeira Seção, julgado em 8/10/2024, DJe
14/10/2024 (Tema 1287).

RAMO DO DIREITO DIREITO TRIBUTÁRIO

TEMA A Primeira Seção acolheu a proposta de afetação dos


REsps n. 2.060.432-RS, 2.133.370-SP e 2.133.454-SP ao
rito dos recursos repetitivos, a fim de uniformizar o
entendimento a respeito da seguinte controvérsia:
"discutir a legalidade da incidência do IRRF sobre os
recursos remetidos ao exterior para pagamento de
serviços prestados, sem transferência de tecnologia, por
empresas domiciliadas em países com os quais o Brasil
tenha celebrado tratado internacional para evitar a
bitributação".

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 34/34

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