Diagnóstico e Classificação da Hipertensão
Diagnóstico e Classificação da Hipertensão
J U A N D E M O L I N A R I
H I P E R T E N SÃO A R T E R I A L S I S T Ê M I CA ( PA R T E 1 ) :
D I AG N Ó S T I C O, C L AS S I F I CAÇÃO, AVA L I AÇÃO
C L Í N I C O - L A B O R ATO R I A L E E S T R AT I F I CAÇÃO D E
R I S C O CA R D I OVAS C U L A R
Prof. Juan Demolinari | Hipertensão Arterial Sistêmica (parte 1): Diagnóstico, Classificação, Avaliação 2
CARIDIOLOGIA
Clínico-laboratorial e Estratificação de Risco Cardiovascular
APRESENTAÇÃO:
PROF. JUAN
DEMOLINARI
Oi, Estrategista! Tudo bem? Vamos dar o pontapé
inicial em um dos assuntos mais importantes nas provas?
A hipertensão está entre os assuntos mais “queridinhos”
das provas de Residência, correspondendo a
aproximadamente 19% das questões de cardiologia.
Desse primeiro módulo, o assunto mais cobrado é a
classificação e os critérios diagnósticos da hipertensão,
porém, por tratar-se de um tema tão frequente, todos os
assuntos têm chance de aparecer nas provas. Por isso,
preparamos este resumo, que contém as informações
necessárias para você acertar a maioria das questões
em provas. Lembre-se de que o material completo,
com todos os detalhes, está disponível em nosso livro
digital desse tema.
@drjuandemolinari @estrategiamed
@estrategiamed [Link]/estrategiamed
Estratégia
MED
Estratégia
Hipertensão Arterial Sistêmica (parte 1): Diagnóstico, Classificação, Avaliação
CARIDIOLOGIA
Clínico-laboratorial e Estratificação de Risco Cardiovascular MED
SUMÁRIO
CAPÍTULO
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição clínica multifatorial, caracterizada por
um aumento sustentado dos níveis pressóricos com uma pressão arterial (PA) sistólica ≥ 140 mmHg
e/ou uma PA diastólica ≥ 90 mmHg.
Essa doença é considerada um fator de risco importante para a ocorrência de eventos como morte súbita, acidente vascular cerebral
(AVC), infarto agudo do miocárdio (IAM), insuficiência cardíaca (IC), doença arterial oclusiva periférica (DAOP) e doença renal crônica (DRC).
A hipertensão arterial (HAS) essencial ou primária corresponde a, aproximadamente, 95% dos casos e possui diversas alterações
fisiopatológicas envolvidas em sua gênese, que serão demonstradas na figura adiante. Já a hipertensão secundária, costuma apresentar uma
causa específica e será estudada em outro livro.
A figura abaixo ilustra os principais mecanismos fisiopatológicos envolvidos no surgimento da hipertensão.
Hiperatividade
simpática
Difunção Retenção de
endotelial sódio de água
Existem diversos fatores de risco que se relacionam diretamente com o surgimento da hipertensão, como é demonstrado na tabela
abaixo:
Idade
Etnia negra
Sobrepeso e Obesidade
Sedentarismo
Ingestão de álcool
Genética
Alguns desses fatores de risco demandam tratamento específico e devem ser abordados, como é orientado na tabela abaixo:
CAPÍTULO
Existem duas situações em que não será necessário fazer duas visitas ao consultório
médico para se estabelecer o diagnóstico de hipertensão arterial:
1) Pacientes com PA ≥ 180 mmHg /110 mmHg.
2) Pacientes com PA≥ 140 mmHg/90 mmHg e com alto risco cardiovascular. O cálculo do
risco cardiovascular será abordado mais à frente neste módulo.
Pense comigo, adianta saber os critérios acima se a técnica de aferição não for bem realizada? Claro que não! Por isso, revisaremos
agora cada passo dessa técnica que é alvo de questões e de provas práticas. Antes de ir para a técnica, você deve certificar-se de que o
paciente:
→ Esteja em ambiente calmo e em repouso por 5 minutos.
→ Não esteja com a bexiga cheia, não tenha praticado atividade física ou ingerido bebidas alcoólicas, café ou alimentos há pelo menos
60 minutos e não tenha fumado nos últimos 30 minutos.
→ Não converse durante o exame.
→ Deve estar sentado, com os pés apoiados no chão e as pernas descruzadas; o braço deve estar na altura do coração, apoiado.
CAPÍTULO
Agora que você já relembrou como fazemos o diagnóstico da hipertensão, separei alguns conceitos importantes para recordarmos.
Esse tópico merece uma atenção redobrada! As provas adoram esses conceitos!
→ Hipotensão ortostática: queda na PA sistólica ≥ 20 mmHg ou da PA diastólica ≥ 10 mmHg em aferição em decúbito dorsal e após
3 minutos de ortostatismo.
→ Hiato auscultatório: consiste no desaparecimento dos sons durante a desinsuflação do manguito, geralmente entre o final da fase
I e o início da fase II dos sons de Korotkoff, o que pode resultar em valores falsamente baixos (subestimados) para a pressão sistólica
ou valores falsamente altos (superestimados) para a pressão diastólica. Uma forma de minimizar o risco desse fenômeno é insuflar
o manguito sempre, pelo menos 30 mmHg acima do desaparecimento do pulso radial, e manter a ausculta até o término completo da
desinsuflação do manguito para avaliar o retorno dos sons de Korotkoff.
Sons de Korotkoff
desaparecem
Momento em que a pressão arterial diastólica pode ser superestimada
HIATO AUSCULTATÓRIO
Reaparecimento dos sons
de Korotkoff Momento em que a pressão arterial sistólica pode ser subestimada
Sons de Korotkoff
desaparecem novamente
PRESSÃO ARTERIAL
DIASTÓLICA
→ Pseudo-hipertensão: com a idade, ocorre o aumento da rigidez dos vasos, com redução das fibras elásticas e aumento do
colágeno. Quando esse processo se tornar mais acentuado, haverá dificuldade em comprimir a artéria com a insuflação do manguito
e, consequentemente, a pressão verificada pelo método palpatório será maior do que a pressão real, o que caracteriza a pseudo-
hipertensão. O diagnóstico pode ser feito através da manobra de Osler que consiste em insuflar o manguito, pelo menos em 30 mmHg
acima da pressão arterial sistólica obtida pelo método auscultatório, tentando-se delimitar à palpação, as artérias radial e/ou braquial.
Se for possível palpá-las, a manobra de Osler é positiva e confirma o diagnóstico de pseudo-hipertensão arterial.
→ Hipertensão sistólica isolada: pressão arterial sistólica ≥ 140 mmHg e pressão arterial diastólica <90 mmHg.
→ Hipertensão do avental (jaleco) branco: valores de pressão arterial alterados no consultório (≥ 140/90 mmHg) e normais fora do
consultório.
→ Hipertensão mascarada: valores de pressão arterial não alterados no consultório e elevados fora do consultório.
MAPA/MRPA MAPA/MRPA
NORMAL ALTERADO
As medições da pressão arterial fora do consultório devem ser encorajadas, podendo-se, para isso, utilizar equipamento semiautomático
do próprio paciente, desde que devidamente validado pelo INMETRO e calibrado, ou, ainda, equipamento dos serviços de saúde. As principais
vantagens da medição da PA fora do consultório são:
Os dois métodos sistematizados utilizados para a aferição da PA fora do consultório são a monitorização residencial da pressão arterial
(MRPA), que utiliza protocolo específico e a monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) de 24 horas. Ambas fornecem informações
semelhantes sobre a PA e ajudam a estimar o risco cardiovascular, com a diferença de que apenas a MAPA avalia o comportamento da PA
durante o sono, o que tem um valor prognóstico significativo.
Definição de HAS de acordo com as aferições de consultório, MAPA e MRPA.
Consultório ≥ 140 ≥ 90
MAPA
≥ 135 ≥ 85
Vigília
≥ 120 ≥ 70
Sono
≥ 130 ≥ 80
24 horas
MRPA ≥ 130 ≥ 80
CAPÍTULO
Agora é a hora de relembrarmos a classificação de acordo com os valores da pressão arterial. Atenção a
isso! Cai muito em prova!
Classificação da pressão arterial pela VIII Diretriz Brasileira de Hipertensão da SBC de 2020.
Podemos utilizar uma regra mnemônica para decorar os valores da nova Diretriz. Partindo do 120/80, basta
acrescentar 20 mmHg na PAS e 10 mmHg na PAD para ir saltando nas faixas de hipertensão: estágio 1, estágio 2
e estágio 3. Para as faixas abaixo da hipertensão, partindo do 120/80, iremos acrescentar a metade, ou seja, 10
mmHg na PA sistólica e 5 mmHg na PA diastólica. Os valores limítrofes entre as faixas SEMPRE pertencerão à faixa
de cima. Sendo assim, o primeiro valor (120/80), pertence a faixa de cima, ou seja, PA normal. Abaixo disso, temos a
PA ótima. Se somarmos 10 na sistólica e 5 na diastólica ( 130/85), chegaremos na pré-hipertensão. Somando 10 e 5,
novamente, chegaremos na hipertensão estágio 1.
Um ponto importante nessas classificações é que devemos ser sempre “pessimistas”: caso o valor de PAS e PAD estejam em
estágios diferentes, sempre considere o pior valor, ou seja, a pior classificação. Por exemplo, um paciente com PA 145/105 será
classificado como tendo hipertensão estágio 2 pela SBC, uma vez que a PAD de 105 o aloca nessa faixa.
CAPÍTULO
Creatinina plasmática
Potássio sérico
Eletrocardiograma de 12 derivações
São muitos exames, não é mesmo? Sendo assim, vai aí nosso mnemônico: Um Único Grande Homem Pode, Facilmente, Conseguir
Lembrar ou Esquecer!
• Urina (EAS)
• Úrico (ácido)
• Glicemia
• Hemoglobina glicada
• Potássio
• Filtração glomerular
• Creatinina
• Lipidograma
• Eletrocardiograma
Atente-se para algumas pegadinhas. A ureia não precisa ser dosada de rotina, assim como o teste de tolerância à glicose, o sódio e
o ecocardiograma.
CAPÍTULO
Os pacientes que apresentam lesões de órgão-alvo, doença cardiovascular ou renal documentada e diabetes já
são considerados como sendo de alto risco cardiovascular!
Os demais pacientes, para serem classificados, deverão ser avaliados segundo fatores de risco adicionais, que são apresentados na
tabela abaixo:
Fatores de risco cardiovascular na avaliação do risco adicional do hipertenso.
Fatores de risco
Sexo Masculino
Idade
• Homens ≥ 55 anos ou mulheres ≥ 65 anos.
Dislipidemia
• Colesterol total > 190 mg/dL.
• LDL-c > 115 mg/dL.
• HDL-c < 40 mg/dL em homens ou < 46 mg/dL nas mulheres.
• Triglicerídeos > 150 mg/dL.
Resistência à insulina
• Glicemia de jejum entre 100 mg/dL e 125 mg/dL.
• Teste oral de tolerância à glicose: 140 mg/dL – 199 mg/dL em 2 horas.
• Hemoglobina glicada: 5,7% – 6,4%.
Obesidade
• IMC ≥ 30Kg/m².
• Circunferência abdominal ≥ 102 cm nos homens ou ≥ 88 cm nas mulheres.
Tabagismo
Agora, veremos a definição de lesão de órgão-alvo e de doença cardiovascular documentada no paciente hipertenso:
Microalbuminúria
• Albuminúria entre 30 mg e 300 mg/24h ou relação albumina/creatinina urinária entre 30 mg e 300 mg/g em amostra
isolada.
ECG: eletrocardiograma; IMVE: índice de massa ventricular esquerda; TFG-e: taxa de filtração glomerular estimada
Doença cerebrovascular
• AVC isquêmico ou ataque isquêmico transitório.
• Hemorragia cerebral.
PASSO 1
Classificar em pré-
Avaliar os níveis hipertenso ou hipertenso
de PA estágio 1, 2 ou 3
PASSO 2
Na vigência de qualquer
Avaliar se existe
uma, o paciente é classificado
LOA, DCV, DCR
como sendo de alto risco
ou DM
cardio vascular
PASSO 3
Após estabelecer o número
Avaliar os fatores de fatores de risco, deve-se
de risco adicionais classificar o paciente segundo
a tabela que será apresentada
adiante.
Figura 4. PA: pressão arterial; LOA: lesão de órgão-alvo; DCV: doença cardiovascular; DRC: doença renal crônica; DM: diabetes mellitus.
Após obter os dados desses fatores (níveis da pressão arterial, fatores de risco adicionais, lesões de órgãos-alvo, diabetes mellitus e
doença cardiovascular/renal crônica), devemos alocar o paciente na tabela abaixo, que é adaptada da VIII Diretriz Brasileira de Hipertensão,
para podermos classificar o risco cardiovascular do paciente:
Estimativa de Risco Cardiovascular.
Sem fator de risco Sem risco adicional Risco Baixo Risco Moderado Risco Alto
1-2 fatores de risco Risco Baixo Risco Moderado Risco Alto Risco Alto
≥ 3 fatores de risco Risco Moderado Risco Alto Risco Alto Risco Alto
Presença de LOA,
Risco Alto Risco Alto Risco Alto Risco Alto
DCV, DRC ou DM
LOA: lesão de órgão alvo; DCV: doença cardiovascular; DRC: doença renal crônica; DM: diabetes mellitus; PAS: pressão arterial sistólica; PAD: pressão arterial diastólica.
A maioria das questões que exige classificação de risco cardiovascular para estratificação de paciente
hipertenso aborda, geralmente, os extremos: um paciente claramente de baixo risco; ou então um
paciente diabético ou com DCV ou DRC ou lesão de órgão-alvo, tornando evidente que se trata de alto risco
cardiovascular.
[Link]
CAPÍTULO
CAPÍTULO
PARABÉNS, ESTRATEGISTA! Você acaba de concluir nosso resumo dos temas mais quentes do livro 1 de hipertensão! Caso tenha ficado
com alguma dúvida, consulte o livro digital extensivo, entre em contato pelo Fórum de Dúvidas ou pelo meu Instagram (@profjuandemolinari).
Terei o maior prazer em respondê-lo!