COLESTEROL, APOEεε4 E ESTATINAS: IMPLICAÇÕES NA
DOENÇA DE ALZHEIMER
MELISSA CALEGARO NASSIF1
JULIANA HOPPE2
CHRISTIANNE GAZZANA SALBEGO3
1. Farmacêutica, mestranda em Ciências Biológicas - Bioquímica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
(UFRGS).
2. Aluna do curso de Farmácia, bolsista Propesq - UFRGS.
3. Docente-Pesquisadora - Departamento de Bioquímica - UFRGS.
Laboratório de Neuroproteção e Sinalização Celular, Departamento de Bioquímica, Instituto de Ciências
Biológicas - UFRGS. Rua Ramiro Barcelos, 2600, Anexo - 90035-003, Porto Alegre (RS).
Autor Responsável: C.G. Salbergo, E-mail: salbego@[Link]
INTRODUÇÃO pelo médico alemão Alois Alzheimer (1864-1915), em 1907. Alois
Alzheimer estudou o cérebro pos mortem de uma paciente de 51
O crescimento da expectativa de vida média da popula- anos de idade, observando um profundo “encolhimento” cere-
ção mundial tem sido acompanhado do aumento na prevalên- bral, uma morte neuronal massiva e alterações morfológicas ca-
cia de doenças neurodegenerativas, características do envelheci- racterísticas no tecido cerebral: as placas senis, constituídas prin-
mento, como a doença de Parkinson, isquemia cerebral (popu- cipalmente de depósitos do peptídeo β-amilóide (conhecido
larmente chamada de derrame) e, especialmente, a Doença de como Aβ), extracelularmente; e os emaranhados neurofibrilares in-
Alzheimer. A Doença de Alzheimer (DA) atinge, atualmente, traneurais, correspondendo a filamentos de uma forma fosfori-
cerca de 15 milhões de pessoas acima dos 65 anos de idade, em lada de uma proteína associada com microtúbulos (proteína
todo o mundo, podendo triplicar o número de casos, até 2050 tau) (HAMDANE et al., 2003; MATTSON, 2004; CASSERLY &
(FORMAN et al., 2004; PUGLIELLI et al., 2003). TOPOL, 2004).
A DA é uma desordem neurológica complexa que leva à
demência, caracterizada por atrofia cerebral generalizada, declí- PLACAS SENIS: peptídeo β amilóide e sua origem
nio progressivo na função mental e na memória, e na deteriora-
ção intelectual do paciente. O processo da doença envolve a As placas senis são alterações moleculares complexas e seu
degeneração de sinapses e a morte de neurônios de regiões cere- desenvolvimento temporal ainda permanece parcialmente com-
brais fundamentais para a aprendizagem, memória e para o con- preendido. O principal componente das placas senis é o peptí-
trole emocional (MATTSON & CHAN, 2003). deo β-amilóide (Aβ), que possui 40 ou 42 aminoácidos. O Aβ de
Múltiplos fatores genéticos e ambientais interagem no 40 aminoácidos (Aβ40) é produzido normalmente em pequenas
desenvolvimento da DA. Cerca de 1% a 2% dos casos está relaci- quantidades, enquanto Aβ de 42 aminoácidos (Aβ42) é produzi-
onada exclusivamente a fatores genéticos, como mutações em do em excesso.
genes específicos, representando os casos de origem familiar. A Ambos podem se agregar para formar placas amilóides,
maior parte dos casos de DA (90% a 95%) é de início tardio e está mas o Aβ42 mostra uma maior tendência que o Aβ40, sendo o
relacionada a diversos fatores de risco, como o avanço da idade, principal responsável pela formação das placas (SELKOE &
o sexo feminino, o baixo nível educacional, o tabagismo, poli- SCHENK, 2003). O peptídeo Aβ é produzido através da cliva-
morfismo da apolipoproteína E (APOE) e doenças graves, como gem anormal da proteína precursora amilóide (APP, do inglês
diabetes mellitus, hipertensão e hipercolesterolemia (CASSELY amyloid precursor protein). A APP é uma proteína transmembra-
& TOPOL, 2004; NAIDU, et al, 2002). na, cuja função fisiológica ainda é alvo de estudo. Evidências
Dietas ricas em colesterol, bastante comum na sociedade têm sugerido um importante papel na regulação da sobrevivên-
ocidental, e doenças, como a hipercolesterolemia familiar, levam cia neuronal, crescimento neurítico, plasticidade sináptica e
à perda da homeostase no metabolismo do colesterol, pré-dis- adesão celular (MATTSON & CHAN, 2003).
pondo o organismo a doenças cardiovasculares, como a ateros- As proteases que clivam a APP são conhecidas como secre-
clerose (BAGHDASARIAN et al., 2004). Recentes estudos epide- tases. Na DA, a clivagem da APP está alterada, desviando o
miológicos sugerem uma forte ligação entre altos níveis de coles- processo proteolítico normal, realizado pela enzima α-secretase
terol sangüíneo e a DA, em que o uso de drogas redutor de (Figura 1) e aumentando a atividade da β -secretase, ou BACE
colesterol, especialmente as estatinas, diminuiu significativamen- (do inglês, β-site APP-cliving enzyme), enzima responsável pela
te o risco de seu desenvolvimento (CASSELY & TOPOL, 2004; secreção do peptídeo Aβ, sua deposição e toxicidade (LAFER-
PUGLIELLI et al., 2003). LA, 2002). As causas do metabolismo alterado de APP e da depo-
Apesar dos recentes progressos na compreensão do meca- sição de Aβ ainda não estão completamente entendidas, mas
nismo de neurodegeneração na DA, ainda não existe nenhuma podem incluir o aumento do estresse oxidativo relacionado ao
terapia totalmente eficaz (RANG et al, 2004). Entretanto, estu- envelhecimento, danos no metabolismo energético, perda da
dos realizados no decorrer da última década buscam esclarecer homeostase iônica celular e a possíveis mutações no gene de
os mecanismos genéticos e moleculares específicos relacionados APP, BACE, PS (presinilinas) 1 e 2 ([Link]-HYSLOP &
à DA, que abrem novas oportunidades terapêuticas e direcio- WESTAWAY, 1999; MATTSON, 2004). Estas mutações parecem
nam estratégias importantes de prevenção. estar relacionadas com a DA, especialmente a de origem familiar,
aumentando a proporção de Aβ42 em relação a Aβ40.
DOENÇA DE ALZHEIMER: principais características A primeira mutação identificada está no gene da proteína
precursora do amilóide (APP), localizado no cromossomo 21. O
A DA é uma desordem neurodegenerativa progressiva e cromossomo 21 era visto como provável local das mutações cau-
irreversível, que leva à demência e foi primeiramente descrita sadoras da doença de Alzheimer por duas razões: 1) é o local do
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gene APP; e 2) os sinais patológicos da doença se desenvolvem (carnes, ovos e produtos lácteos), leva ao um aumento arriscado
em idade bem mais baixa nas pessoas com síndrome de Down de seus níveis sangüíneos.
(trissomia do cromossomo 21) (CUMMINGS et al., 1998). O colesterol é transportado na circulação, através de dife-
Existe ainda um gene de susceptibilidade, relacionado a rentes tipos de lipoproteínas. As lipoproteínas consistem de um
grande parte de casos de DA de origem tardia (não-familiar): o centro de lipídeo hidrofóbico envolvido por um revestimento
gene que codifica a APOE, uma proteína transportadora de mais hidrofílico de substâncias polares – fosfolipídeos, colesterol
colesterol, uma vez que a expressão das proteínas anormais APO- livre e apoproteínas associadas. Existem três grupos principais de
Eε4 facilita a agregação do Aβ (RANG et al., 2004). lipoproteínas, que diferem na sua proporção relativa de lipídeos:
(a) quilomícrons; (b) lipoproteínas de baixa densidade (LDL, low
density lipoproteins), cuja apoproteína de maior importância é a
B100, envolvida no transporte do colesterol exógeno para as célu-
las, e (c) lipoproteínas de alta densidade (HDL, high density lipo-
proteins) (RANG et al., 2004).
O espectro de lipoproteínas do líquido cefalorraquidiano
(líquor) e do plasma é distinto, pois a barreira hemato-encefálica
não permite sua livre passagem. O transporte do colesterol nas
células do sistema nervoso central deve, portanto, seguir regras
diferentes dos outros tecidos. As lipoproteínas do líquor não pa-
recem ter um grande papel na transferência dos lipídeos do e para
Figura 1. Na superfície celular, clivagem da proteína precursora amilóide (APP) for- o cérebro e sim na redistribuição de colesterol entre as células
mando sAPP-α através da ação de α-secretase. No processo anormal, APP é clivada cerebrais (SIMONS et al., 2001). A apoproteína E (APOE), rica-
primeiramente por BACE (ou β-secretase) e em seguida por γ-secretase, levando à mente presente nas lipoproteínas cerebrais, parece estar envolvi-
secreção do peptídeo tóxico, Aβ, e o fragmento sAPPβ (Adaptada de MATTSON, da na transferência do colesterol das regiões ricas em colesterol
2004).
para as regiões com pequenas quantidades de colesterol (LOCA-
EMARANHADOS NEUROFIBRILARES: proteína tau TELLI et al., 2002).
Estudos iniciais sugerem que o colesterol é sintetizado in
No cérebro de um adulto, a proteína tau é encontrada situ no cérebro e apenas uma pequena quantidade é proveniente
essencialmente em neurônios. Sua principal função é manter os do plasma. A renovação cerebral pode ocorrer pela conversão de
monômeros de tubulina unidos, formando os microtúbulos (Fi- colesterol a cerebrosterol (24S-hidroxicolesterol), um composto
gura 2), que modulam a organização funcional do neurônio, que pode atravessar a barreira hemato-encefálica (LOCATELLI et
possuindo grande importância para a manutenção da sua forma al., 2002).
estrutural (HANDAME et al., 2003). Os conhecidos efeitos adversos de uma dieta rica em coles-
Mas a polimerização dos microtúbulos depende do nível terol em doenças cardiovasculares (aterosclerose, isquemia cere-
de fosforilação da proteína tau: quando hiperfosforilada, ela é bral) podem também contribuir para o aumento do risco no
menos efetiva em manter os microtúbulos unidos. Na DA, a desenvolvimento de DA (CASSELY & TOPOL, 2004). Dados re-
proteína está anormalmente fosforilada, dessa forma, desprende- centes têm sugerido que o colesterol pode agir diretamente na
se dos microtúbulos, acumula-se no soma, forma filamentos in- cascata proteolítica de APP, promovendo o aumento da secreção
tracelulares (emaranhados neurofibrilares), e leva à desestrutura- anormal de Aβ. Agindo na superfície da membrana celular de
ção do citoesqueleto celular (PHIEL et al., 2003). neurônios, as concentrações elevadas de colesterol livre podem
causar a formação de regiões chamada “bolsas lipídicas”, áreas da
membrana ricas em colesterol, onde a APP, β e γ-secretases ten-
dem a co-localizarem-se. Pelo favorecimento da formação de tais
regiões, os níveis aumentados de colesterol na membrana podem
resultar no processamento preferencial de APP para a secreção de
Aβ (KOJRO, et al., 2001). Além disso, nessas regiões da membrana
podem estar ocorrendo outros eventos desfavoráveis, como sina-
lização para a morte celular por apoptose (EHEHALT et al., 2003)
e estresse oxidativo (CUTLER et al., 2004).
APOPROTEÍNA ε4 (APOE ε4) e a Doença de Alzheimer
Figura 2. A polimerização de tubulinas em microtúbulos é regulada pela fosforilação
da proteína tau. A tau hipofosforilada (tau, em verde) induz à polimerização das As apoproteínas E (APOE) são uma classe de proteínas,
tubulinas e à estabilização dos microtúbulos, enquanto que tau hiperfosforilada componentes das lipoproteínas, responsáveis pelo transporte de
(tau-P, em vermelho) leva à desestabilização dos microtúbulos em tubulinas (Adap- colesterol entre órgãos através da circulação sangüínea. Em hu-
tado de HANDAME, 2003). manos, há três variantes ou alelos de APOE: epsilon 2 (APOEε2),
epsilon 3 (APOEε3) e epsilon 4 (APOEε4). A forma mais comum,
COLESTEROL: metabolismo cerebral e cerca de 78% dos alelos APOE em humanos, é a APOE ε3; alelos
Doença de Alzheimer APOEε4 e APOEε2 correspondem 15% e 7%, respectivamente
(NELSON & COX, 2004).
O colesterol é um tipo essencial de lipídeo sintetizado no Depois do fígado, o cérebro produz as maiores quantida-
fígado, presente em todas as células do organismo. É constituinte des de APOE. Os astrócitos e a microglia são as principais fontes
básico das membranas plasmáticas, além de ser precursor de hor- de APOE extracelular (NAIDU et al., 2002). O risco para o desen-
mônios esteróides, como a progesterona, testosterona, estradiol e volvimento da DA aumenta nas pessoas que herdam o alelo APO-
corticosteróides (NELSON & COX, 2004). O organismo é capaz Eε4, constituindo o fator genético mais significante associado à
de produzir todo o colesterol que necessita, mas uma dieta rica DA de início tardio (MANN et al., 2004). Além disso, a presença
em gordura saturada, de origem vegetal (óleo de coco, óleo de de um ou mais alelos ε4 decresce a idade inicial do aparecimento
dendê, manteiga de cacau) e, principalmente, de origem animal da doença em 10 anos (CORDER et al., 1994).
Infarma, v.17, nº 5/6, 2005 47
A APOEε4 foi primeiramente descrita como um fator de AGRADECIMENTOS
risco genético para doenças cardiovasculares, presumivelmente
por seu papel em facilitar a circulação de colesterol, sobretudo na Os autores agradecem às agências financiadoras, Conselho
forma de LDL. Na pré-disposição à DA, o alelo APOEε4 pode Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento (CNPq), Pró-reitoria de
atuar por conferir altos níveis de colesterol, facilitando a secreção Pesquisa (Propesq) da Universidade Federal do Rio Grande do
de Aβ42 a partir de APP. Além de atuar na formação das placas Sul (UFRGS), Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio
senis, alguns estudos relacionam a presença de APOEε4 também Grande do Sul (Fapergs), ao Departamento de Bioquímica da
ao aumento dos emaranhados neurofibrilares (LAHIRI et al., 2004). UFRGS, local de trabalho e estudo de todos os autores, e à farmá-
Fisiologicamente, as proteínas APOEε2 e ε3 parecem esta- cia Fitonfarma de Porto Alegre pelo apoio para futuros projetos.
bilizar o citoesqueleto neuronal, por se ligarem a uma série de
proteínas associadas a microtúbulos. As proteínas APOEε4, no REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
entanto, não o fazem. Esta não-ligação pode acelerar a morte
neuronal (NELSON & COX, 2004). Já existem testes diagnósticos BAGHDASARIAN, S.B.; JNEID, H.; HOOGWERF, B.J. Associati-
para a genotipagem de APOE em alguns laboratórios, mas o seu on of Dyslipidemia and Effects of Statins on Nonmacrovas-
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As estatinas são consideradas, atualmente, como as drogas poprotein E, Neurobiol. Aging. v.21, p.427-432, 2000.
mais promissoras no controle da hipercolesterolemia. Sua ação CASSERLY, I.; TOPOL, E. Convergence of atherosclerosis and
consiste em inibir a enzima HMG-CoA redutase (3-hidroxi-3- Alzheimer ’s disease: inflammation, cholesterol, and misfol-
metilglutaril-coenzima A), limitante da velocidade na síntese do ded proteins. Lancet. v.363, n.9415, p.1139–46, 2004.
colesterol. A sinvastatina, a lovastatina, a pravastatina, a mevas- CORDER, E.H.; SAUNDERS, A.M.; RISCH, N.J.; STRITTMAT-
tatina e a mais recente aprovastatina são inibidores competitivos TER, W.J.; SCHMECHEL, D.E.; GASKELL, P.C.; JR, RIMM-
específicos e reversíveis da enzima, levando à redução na síntese LER, J.B.; LOCKE, P.A.; CONNEALLY, P.M.; SCHMADER,
hepática de colesterol. K.E. Protective effect of apolipoprotein E type 2 allele for late
Com essa redução, ocorre o aumento da síntese dos recep- onset Alzheimer disease. [Link]. v.7, p.180–184, 1994.
tores de LDL e, portanto, aumenta a depuração das lipoproteínas CUMMINGS, J.L.; VINTERS, H.V.; COLE, G.M. Alzheimer ’s di-
LDL. O principal efeito bioquímico das estatinas é a redução das sease: etiologies, pathophysiology, cognitive reserve, and tre-
concentrações plasmáticas de LDL, diminuindo os níveis de co- atment opportunities. Neurol. v.51 (1 Suppl 1), S2-17, 1998.
lesterol que são disponibilizados para as células (RANG & DALE, CUTLER, R.G.; KELLY, J.; STORIE, K.; PEDERSEN, W.A.; TAM-
2004). Além disso, as estatinas diminuem os níveis de trigliceríde- MARA, A.; HATANPAA, K.; TRONCOSO, J.C.; MATTSON,
os e levam a um pequeno aumento de HDL. M.P. Involvement of oxidative stress-induced abnormalities
Os estudos relacionando o colesterol e a DA foram basea- in ceramide and cholesterol metabolism in brain aging and
dos em dados que demonstram uma baixa prevalência e um me- Alzheimer’s disease. Proc. Natl Acad. Sci. USA v.101, p. 2070–
nor risco para a DA em indivíduos que tomam estatinas (JICK, H. 2075, 2004.
et al., 2000; WOLOZIN, B. et al., 2000). Crescentes evidências EHEHALT, R. et al. Amyloidogenic processing of the Alzheimer
mostram que as estatinas podem estar agindo por efeitos benéfi- beta-amyloid precursor protein depends on lipid rafts. J. Cell
cos adicionais que não podem ser completamente explicados pe- Biol. v.160, p. 113–123, 2003.
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As estatinas podem agir como agentes antiinflamatórios, nerative diseases: a decade of discoveries pars the way for
diminuindo o dano causado pelo peptídeo Aβ (BALES, K.R. et therapeutic breakthroughs. Nat. v.10, p.1055-61, 2004.
al., 2000). Além disso, um estudo de 2002 (NAIDU, A. et al., 2002) HAMDANE, M.; DELOBEL, P.; SAMBO, A.V.; SMET, C.; BE-
mostra que as estatinas (lovastatina e mevastatina) são capazes de GARD, S.; VIOLLEAU, A.; LANDRIEU, I.; DELACOURTE,
bloquear a liberação de APOE a partir de células gliais am cultura A.; LIPPENS, G.; FLAMENT, S.; BUEE, L. Neurofibrillary
de células e de tecido. Diminuindo os níveis extracelulares de degeneration of the Alzheimer-type: an alternate pathway to
APOE, as estatinas - e não as outras drogas redutoras de colesterol neuronal apoptosis? Biochem. Pharmacol. v. 66, n.8, p.1619-25,
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atualmente o aumento da sua prevalência na população idosa pathway by its effect on protein kinase C. J Biol Chem. v.276, p.
tem mobilizado os cientistas e médicos de todo o mundo na 17036–43, 2001.
busca de esclarecimentos: principal causa, qual a população mais LAFERLA, F.M. Calcium dyshomeostasis and intracellular sig-
atingida, se existe cura, quais as medidas profiláticas mais eficazes. nalling in Alzheimer’s disease, Nat. Rev. Neurosci. v.3, p.862 –
Estudos epidemiológicos são realizados cada vez mais freqüente- 872, 2002.
mente na busca de respostas. Os resultados desses estudos têm LAHIRI, D.K.; SAMBAMURTI, K.; BENNETT, D.A. Apolipo-
demonstrado uma ligação entre os altos níveis de colesterol, o protein gene and its interaction with the environmentally
polimorfismo da apoproteínaE e o uso das estatinas, drogas re- driven risk factors: molecular, genetic and epidemiological
dutoras de colesterol. studies of Alzheimer ’s disease. Neurobiol. Aging v.25, p. 651–
Mais estudos conclusivos devem ser realizados a fim de 660, 2004.
descrever ações mais específicas das estatinas e até de novas dro- LOCATELLI, S.; LUTJOHANN, D.; SCHMIDT, H.H.; OTTO,
gas relacionadas. Mas, de grande importância, é o papel da dieta C.; BEISIEGEL, U.; VON BERGMANN, K. Reduction of plas-
(pobre em colesterol) e da prevenção nessas desordens graves e ma 24S-hydroxycholesterol (cerebrosterol) levels using high-
ainda irreversíveis. dosage simvastatin in patients with hypercholesterolemia:
48 Infarma, v.17, nº 5/6, 2005
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