TEMA
AGRICULTURA e ENERGIA
Por Ney Bittencourt de Araújo e Ubaldino Dantas Machado
SESSÃO 2A(AGRICULTURA e ENERGIA):
Painel: A Amazônia e a Integração de
Sistemas de Produção para a Segurança
Alimentar
Chair: Edgard Medeiros, Comissão EstaduaJ
de Segurança Alimentar-COESA
Estado do Pará, Brasil.
TÍTULO DO TRABALHO
MATRIZ DE RELAÇÃO DE SISTEMAS PRODUTIVOS,
FATORES E SERVIÇOS - Pecuária
AUTORES
Miguel Simão Neto, Ph.D.
José Ferreira Teixeira Neto, [Link].
José Ribamar Filipe Marques, [Link].
MATRIZ DE RELAÇÃO DE SISTEMAS
PRODUTIVOS, FATORES E SERVIÇOS - Pecuária
Miguel Simão Neto,Pb.D.
Jose Ferreira Teixeira Neto,[Link].
José Ribamar Filipe Marques,[Link].
Pesquisadores do Centro de Pesquisa Agroflorestal da Amazônia Oriental
(CPATU/EMBRAPA),Caixa Postal, 48, CEP 66095·,100, Belém,Pará
1 - ASPECTOS" ANTES DA PORTEIRA"
1.1 - Disponibilidade de Tecnologia
Entre as tecnologias disponíveis para uso em sistemas pecuários
sustentados de produção de bovídeos, que poderiam ser implementadas nas
áreas já desmatadas na Amazônia e em ecossistemas de pastagens nativas,
destacam-se as que permitem o desenvolvimento de modelos viáveis, tais
como: Pecuária semi-intensiva; Pecuária de dupla finalidade e Sistema
agrossilvipastoril.
1.2 - Pecuária semi-intenslva
Esse modelo envolve práticas agricolas e tecnologias mais
modernas, como mecanização, fertilização do solo, forrageiras mais
adaptadas às condições ambientais, sementes melhoradas de forrageiras,
melhores práticas de manejo das pastagens e melhoramento genético
animal, entre outros fatores de produção.
A performance desse modelo baseado em pastagens reformadas tem
sido bastante satisfatória até o presente. O capital para a recuperação das
pastagens tem origem, em grande parte, na extração seletiva de madeira de
áreas ainda florestadas das propriedades, sendo necessários, em média, de
um a dois hectares de floresta para financiar a recuperação de um hectare de
pastagem.
A melhoria do desempenho econômico da pecuária em pastagens
recuperadas, em relação ao sistema extensivo é devida a: I) redução dos
custos de manutenção das pastagens, cujas limpezas são consideravelmente
menos freqüentes; 2) aumento da capacidade de suporte em pelo menos
200%; 3) aumento do ganho de peso vivo diário por animal, variando de
400 a 500 gramas; e 4) vida produtiva útil da pastagem mais longa.
1.3 - Pecuária de dupla finalidade
A consolidação de alguns pólos de desenvolvimento iniciados nos
anos 60 e a necessidade das populações por produtos lácteos levaram, mais
recentemente, ao desenvolvimento de modelos mais intensivos de produção
de bovinos de dupla finalidade, principalmente por pequenos e médios
produtores, em áreas já desmatadas nas proximidades das sedes dos
municípios mais desenvolvidos da região.
o modelo preconizado se caracteriza pela produção de leite e carne
em pequenas propriedades, com base em raças bovinas mistas (cruzamento
de Gir, Guzerá, Pardo Suíço e Holandês, principalmente), com número
reduzido de vacas alimentadas em pastagens de capacidade de suporte
média (uma vaca por hectare) e com alguma suplementação alimentar com
ração de mandioca ou outros produtos oriundos da propriedade.
Um modelo típico está se desenvolvendo no município de
Paragominas, Pará, no qual os produtores têm vacas de diferentes idades,
sendo os animais mais velhos vendidos para abate, enquanto que os i
desmamados sào vendidos para engorda em fazendas vizinhas que utilizam
o modelo extensivo ou o semi-intensivo de gado de corte.
De um modo geral, nesse modelo, a atividade pecuana está
associada a alguma atividade agrícola de plantas perenes (pimenta-do-reino
e citros), semi-pcrcne (maracujá, abacaxi, mamão) ou anual (mandioca e
milho)
Nesses modelos mais intensivos, o investimento de capital por
unidade de área é relativamente alto, assim como os lucros. Além disso, têm
a grande vantagem de apresentar maiores níveis de sustentabilidade
socioeconômica e ecológica que os modelos extensivos e semi-intensivos de
pecuária de corte.
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1.4 - Sistema agrossilvipastoril
Os sistemas agrossilvipastoris, onde cultivos anuais e perenes são
explorados em associações planejadas com pastagens para produção animal,
de maneira simultânea ou seqüencial, vêm merecendo, nos últimos anos, a
atenção cada vez maior da pesquisa e do setor produtivo. Presentemente,
estão ainda muito pouco utilizados nos pólos de desenvolvimento mais
recentes, devido a: modelos extensivos de exploração agropecuária
existente; a ainda baixa densidade demográfica nesses pólos; e a ainda
grande disponibilidade de terra na região como um todo.
Deve-se esperar, entretanto, que a curto e médio prazo, parte dos
atuais sistemas extensivos de pecuária comecem a se transformar,
progressivamente em modelos integrados mais intensivos, do tipo
agrossilvipastoril, com o aumento (a) da densidade demográfica; (b) da
pressão por mais alimento, fibras e outros produtos agropecuários; (c) do
valor da terra e da intensidade de seu uso; e (d) das pressões em favor do
meio ambiente. Esses modelos estão começando a se desenvolver em
regiões agrícolas de mais alta densidade demográfica, com é o caso da
região Bragantina, Estado do Pará.
As tecnologias disponíveis para dar suporte a esses sistemas são:
Recuperação, melhoramento e manejo de pastagens degradadas
Seleção de espécies de gramineas e leguminosas forrageiras para
formação e recuperação de pastagens
Manejo de pastagens nativas em sistemas integrados de produção
Mineralização do rebanho
Suplementação alimentar de bubalinos
Composição de suplementos à base de subprodutos regionais
Produção de derivados do leite de búfalas
Manejo sanitário do rebanho bubalino
Sistemas de produção de bubalinos
Sistemas agrossilvipastoris
Técnicas de cruzamento e manejo genético (seleção) de bovinos
1.5'- Insumos
Existe boa disponibilidade de insumos agropecuários no Estado do
Pará, de modo a permitir a adoção de tecnologia mais moderna disponível,
o que conduziria, sem dúvida, a um aumento significativo da produtividade
média obtida atualmente.
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Os pecuaristas mais evoluídos, que desenvolvem uma pecuana
empresarial, vêm obtendo mais altos niveis de produtividade, com retorno
econômico compensador. Lamentavelmente são ainda exceções que
precisam ser generalizadas.
Atualmente a maior parte da pecuária bovina paraense vem sendo
desenvolvida em pastagens cultivadas de terra firme, que apresentam
capacidade de produzir forragem verde, de boa qualidade, durante praticamente
o ano inteiro devido as condições favoráveis de calor e umidade. O principal
fator limitante é a queda da fertilidade do solo, após os primeiros anos de
utilização das pastagens notadamente do nutriente fósforo.
Para manutenção de altos níveis de produtividade animal ao longo
dos anos é necessária a adoção de práticas de adubação e, em alguns casos,
de correção da pastagem. Contudo, os fertilizantes e corretivos chegam ao
Pará com custos extremamente elevados pelo frete, embalagem e práticas de
comercialização, limitando fortemente a adoção de práticas de adubação.
O aparelhamento dos portos para o recebimento de fertilizantes a
granel, do exterior ou do sul do país, e a exploração de jazidas e fertilizantes e
corretivos já detectadas na região seriam as duas alternativas mais viáveis para
solucionar o problema. Incentivos fíSCIDS e creditícios também estimulariam o
produtor a adotar as tecnologias de adubação e correção preconizadas.
Os produtos veterinários disponíveis no mercado atendem
perfeitamente a demanda existente, sobretudo no que diz respeito a vacinas.
Entretanto, ainda é extremamente baixo o número de produtores que
vacinam regularmente o rebanho.
1.6 - Máquinas e equipamentos
As máquinas e equipamentos disponíveis no mercado atendem
satisfatoriamente às exigências dos sistemas de produção mais utilizados.
Nos últimos anos não se tem verificado equivalência entre o preço do boi e
o das máquinas agrícolas, com acentuada vantagem para estas.
1. 7 - Crédito
A década de 60 caracterizou-se por fortes estímulos ao
desenvolvimento da pecuária bovina amazônica, como uma alternativa para
ocupar e consequentemente integrar a região ao restante do país. Além da
abertura das chamadas rodovias de integração nacional, foram oferecidos
incentivos fiscais e creditícios para atrair capital e investimentos para a região.
Foi também facilitada a aquisição de grandes áreas de temi na região.
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o quase desconhecimento da nova fronteira, somado ao gigantismo
dos projetos, com cronogramas de implantação geralmente muito
ambiciosos, levaram grande parte dos mesmos ao insucesso, após os
primeiros anos, quando apareceram os problemas de manejo das pastagens.
No final da década de 70 verificou-se o despertar de uma nova
mentalidade entre os pecuaristas, que passaram a recuperar suas pastagens e
a melhor utilizá-Ias. Entretanto, na década de 80 a pecuária bovina regional
passou a ser vista como a vilã no processo de destruição das florestas, o que
levou a um rápido desaparecimento de praticamente todos os incentivos
creditícios. Apesar de tudo, após uma parada para adaptação à nova situação
o setor voltou a crescer, como prova inequívoca da vocação da região para a
produção de carne bovina.
Vale ressaltar ainda, que mesmo em colônias agrícolas, com
módulos de 25 ha, os agricultores de maior sucesso tão logo conseguem se
capitalizar optam por investir em pecuária, inicialmente como uma forma de
"poupança" .
Já no inicio dos anos 80 praticamente desapareceram os estímulos à
expansão da pecuária em área de floresta, e a correção monetária foi
atrelada ao crédito rural, provocando retração dos tomadores de crédito.
para recuperação de pastagens formadas em área de floresta. °
Mais recentemente, o BAS~ através do FNO, tem aportado crédito
processo de
financiamento é atrelado à adoção de tecnologias recomendadas pela
pesquisa.
1.8 - Informações
Carne - Segue o preço da arroba do boi a nível nacional, com todas
as variações em função de safra e entre-safra. Todavia, em determinadas
épocas do ano, coincidindo com o auge do verão, o Estado se vê obrigado a
importar de outras regiões, principalmente da Centro-Oeste.
Leite - De maneira geral não há politica nacional clara para o leite .
. Os problemas do Estado são agravados pelo monopólio de uma indústria
pasteurizadora, localizada na região metropolitana de Belém, sendo o baixo
preço pago ao produtor o principal problema. A outra indústria, de menor
porte, localizada próxima a Castanhal, há pouco fechou as portas. Há uma
grande tendência na implantação de micro usinas de pasteurização, como
forma do produtor comercializar diretamente o produto e obter preços mais
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justos. Há uma grande demanda potencial para o leite "in natura" (tipo C),
na região de Belém e Castanhal, com uma população em tomo de 2,5
milhões de habitantes. Essa situação contribui para que o Estado seja um
dos maiores importadores de leite em pó do país.
Tecnologia - Há um conjunto de tecnologias disponíveis em
instalações, manejo (geral), melhoramento genético e alimentação do
rebanho. Contudo, devido a problemas estruturais e de política agrícola,
falta a transferência no campo através da assistência técnica e extensão
rural.
1.9 - Mão-de-obra
Disponibilidade - Existe grande disponibilidade de mão-de-obra no
nível de operário rural, contudo, a quase totalidade não é qualificada. Nos
níveis médio e superior há, também, disponibilidade, porém o baixo nível
empresarial dos produtores não absorve a mão-de-obra técnica como
deveria.
2 - O QUE OCORRE "DENTRO DA PORTEIRA"
2.1 - Sistemas de produção adotados
2.1 -Pecuária leiteira
A área das propriedades dos produtores de leite varia de cerca de
50 a 300 ha, com 30 a 150 ha de pastagens cultivadas. O número de vacas
leiteiras geralmente é superior a 20 e inferior a 100.
De um modo geral as propriedades são todas cercadas, com
divisões de pastagens. As instalações zootécnicas existentes são pouco
eficientes e práticas. A ordenha é manual, feita uma vez ao dia, e se
.. processa com deficiências quanto à higiene. A prática de registro de
controles leiteiro e zootécníco é desconhecida pela quase totalidade dos
produtores. A produção por vaca dia raramente ultrapassa a média de 4
litros, durante 240 dias de lactação.
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A administração da maioria das propriedades é feita diretamente
pelos proprietários, dos quais apenas cerca de um terço é composta por
paraenses, sendo os restantes de outros Estados, principalmente de Minas,
Bahia, Ceará e Espírito Santo.
Os principais tipos criados são o nelorado, vindo em segundo
lugar os mestiços bolando-zebu, com destaque para o sangue Gir. Os
machos são vendidos ao redor de 24 meses. A idade das novilhas à
primeira cria está na faixa de 30 a 36 meses, sendo livre o sistema de
monta.
O peso das novilhas na época da cobertura varia de 180 a 300 kg.
O nascimento de bezerros ocorre durante todo o ano, com maior
percentagem no período seco. A relação [Link] predominante é de
1:25.
As pastagens cultivadas se constituem a principal fonte de
alimentos, sendo formadas principalmente com as espécies de gramíneas:
Colonião, Quicuio-da-amazônia, Marandu (ou Braquiarão) e Andropogon.
Essas pastagens, com o decorrer dos anos, sofrem uma redução na
capacidade de suporte, devido a manejo deficiente e ausência de adubação
de manutenção. A maior parte dos produtores utilizam a queima periódica
e a limpeza manual das pastagens. Menos de um quarto dos produtores
fornecem concentrados às vacas em produção. O sal mineral é utilizado
por uma grande parte dos produtores, porém, na maioria dos casos apenas
na forma de sal comum.
Pecuária de corte
O rebanho de corte é constituído na sua quase totalidade por
animais de elevado grau de sangue da raça Nelore, que são cruzados com
as raças européias especializadas em produção de came: Charolesa,
Limousin, Simental, e Chianina, dentre outras. A seguir vêm animais
mestiços, sem caracterização defmida, podendo entrar na composição as
raças Gir, Guzerá, lndubrasil e seus cruzamentos com as raças européias
citadas anteriormente. Para efeito da caracterização da pecuária, os
principais núcleos pastoris do estado são agrupados em três: região de
Marajó e Furos, região do Baixo e Médio Amazonas e região Sudeste
Paraense.
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Marajó e Furos
O regime de exploração predominante nesta regiao é o ultra-
extensivo, à base principalmente de pastagens nativas de savanas mal
drenadas, com forrageiras de baixa qualidade, sobre solos de péssimas
propriedades físicas e químicas. A maioria dos proprietários fazem a cria,
recria e engorda, porém uma parte deles faz a engorda em pastagens
cultivadas na região Guajarina, para onde transportam os animais em fase
de terminação.
A exploração se caracteriza pelos baixos investimentos, rebanho
de menor potencial genético, períodos de crise (enchentes e secas) e baixos
índices zootécnicos. Cerca de 40% dos animais são bubalinos.
Baixo e Médio Amazonas
Essa região é caracterizada por um regime de exploração
tradicional extensiva, com utilização de pastagens nativas de áreas de
várzeas, periodicamente inundáveis, de alta qualidade, durante o período
seco do ano. Durante o período chuvoso, os animais sào mantidos em
pastagens nativas (na maioria dos casos) ou cultivadas de terra firme.
Se caracteriza também pelos baixos investimentos, períodos de
crise (enchentes e secas) e baixos indices zootécnicos, embora superiores
aos do Marajó e Furos. Cerca de 20% dos animais são bubalinos.
Sudeste Paraense
Regime de criação extensivo, porém em pastagens cultivadas de
terra firme, em áreas de matas derrubadas e queimadas. Nessa região se
observa a existência de um significativo grau de investimentos em infra-
estrutura de produção, graças aos incentivos fiscais destinados à
agropecuária nas duas últimas décadas, principalmente. O rebanho é de
melhor potencial genético, destacando-se a raça Nelore. Apresenta sério
problemas de produção e persistência das pastagens, devido ao sistema de
manejo, com elevadas taxas de lotação e ausência de adubação. Os índices
zootécnicos são mais altos do que nas duas regiões anteriores
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Coeficientes tecnológicos
Regiões
Coeficientes
1 2 3 4
Capacidade de suporte (UAlha/ano) 0,3 1 1 1
Natalidade ( %) 65 60 65 70
Mortalidade - até 1 ano ( % ) 15 12 12 6
1 a 2 anos (%) 6 5 6 3
adultos (%) 4 3 4 2
Idade à primeira cria (anos) 3,5/4 * * 3,5
Idade de abate (anos) 4 2,5í3 3,5/4 3
Peso de abate (kg) 330 350 400 400
Descarte ( % ) to 14 10 15
1= Marajó e Furos; 2=Baixo e Médio Amazonas; 3= Sul do Pará; 4= Guajarina
* sem registro
2.1 - Principais problemas tecnológicos
Os principais problemas tecnológicos da pecuária no Estado, são os
seguintes:
Baixa fertilidade dos solos
Melhoramento da capacidade produtiva das pastagens nativas
Alto custo de formação e manutenção de pastagens
Alto custo de suplementos concentrados
Baixo potencial genético do rebanho
Sistemas adequados de cria e recria para pecuária leiteira
Controle de plantas invasoras e/ou tóxicas
Uso de forrageiras de melhor valor nutritivo em sistema integrado
com as pastagens existentes
Não observância das práticas de sanidade
Manejo inadequado das pastagens
Gerenciamento deficiente das propriedades
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3 - O PRODUTO DO LADO DE "FORA DA PORTEIRA"
3.1. Mercado de consumo "in natura"
Carne - Há um grande mercado consumidor, haja vista que o Estado
importa carne em determinadas épocas do ano.
Leite - O Estado possui uma demanda não satisfeita de quase um milhão de
litros/dia.
Animais para reprodução - A maioria dos produtores do Estado compra
reprodutores em outras regiões.
3.2. Processo de comercialização
Uma característica do mercado local é o hábito da população
consumir carne "in natura", o que assegura uma certa proteção contra a
entrada de carne congelada. A maior parte do abate de bovinos do Estado
do Pará é efetuada em matadouros clandestinos, sem controle estatistico,
fiscal e sanitário, com todos os riscos e inconvenientes desta prática.
Ocorre também uma acentuada movimentação de rebanho com os
estados vizinhos, notadamente Maranhão e Goiás, também sem controle
fiscal e estatístico.
Outro fator que limita os investimentos visando atingir níveis de
produtividade mais altos no setor pecuário é a instabilidade de mercado,
conseqüência da ausência de uma política estável para o setor, além das
oscilações devidas ao período de safra e entre-safra. Normalmente, dentro
do mesmo ano tais oscilações são da ordem de mais de 100010 e no espaço
de dez anos existem oscilações superiores a 400%. Como conseqüência, a
maior parte dos pecuaristas prefere praticar uma exploração mais extensiva,
com menor lucro, porém com mais baixo nível de investimento.
Apesar de tudo, tem sido observada tendência acentuada no sentido
de recuperar pastagens degradadas, com uso de tecnologia adequada,
inclusive no manejo pós-recuperação.
É de se esperar que nos próximos dez anos, sobretudo se houver
uma estabilização econômica, um crescimento do rebanho paraense com
Índices superiores ao rebanho nacional.
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