0% acharam este documento útil (0 voto)
5 visualizações1 página

Reflexões de um Espírito Livre

Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
5 visualizações1 página

Reflexões de um Espírito Livre

Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Na verdade, fui um equivocado, apontei tudo que eu achava que estava errado, mas não

soube indicar
o certo. Minhas intenções eram boas, mas minhas atitudes eram contraditórias. Em vez de
atacar e
ferir o sistema, eu deveria Ter contribuído para transformá-lo. Não corri atrás do ouro dos
tolos, mas,
na cama de meu apartamento, fiquei com a boca aberta esperando a morte chegar. Ela
chegou
antecipada! Veio convidada pela minha insensatez. Em vez de repousar em seus braços,
ela agora
fazia arder minha consciência. No auge da minha angustia, eu questionava:
-Quanto tempo terei que ficar nesta situação ? Ficarei aqui até o dia do trem passar ? Será
que vou ?
ou será que fico ?
Eu consolava a mim mesmo:
-Não importa! Se vou, livro-me deste mundo equivocado. Se fico, tento outra vez.
Diante das dúvidas que povoaram minha mente, eu afirmava:
-Tenho certeza de que a vida é eterna! Este é apenas um momento como outro qualquer.
Vai passar ,
como tudo passou.
Essas auto-afirmações confortavam-me. Constantemente, eu buscava encontrar as
vantagens que
aquela situação me proporcionava. Então, eu dizia:
-Pelo menos aqui não ouço os noticiários infames! Não posso beber nem me drogar.
Naquele momento, eu percebi que havia esquecido o vício! Sentia-me de certa forma
reconfortado,
pelo menos aquela situação proporcionava-me um bem verdadeiro. O tempo foi passando...
Vez ou outra, alguém vinha depositar flores sobre meu túmulo; elas pareciam ajudar-me; Eu
sentia o
perfume delas amenizando o cheiro dos ossos que restaram no meu corpo. Lembrei-me de
que um dia
eu e um amigo tentamos nos comunicar com as plantas. Talvez, pela importância que
demos a elas
naquele dia, agora vinham retribuir-me, socorrendo-me com delicioso perfume.
Eu escutava tudo o que se passava no cemitério. Ouvi muitos gritos de desespero. Muitas
vezes
adormeci, mas os pesadelos faziam-me acordar assustado. Sonhei várias vezes que estava
junto à
família. Desesperado, tentava falar que estava vivo, mas ninguém me ouvia.
Entre sonhos e pesadelos, continuei preso àquele ataúde que se transformara em minha
casa. Eu
perguntava a mim mesmo:
-Seria esta a minha derradeira morada: Jamais sairia daqui.
Logo em seguida, respondia-me a mim mesmo cheio de convicção:
-Não. Tenho certeza de que não! Eu não acredito nas penas eternas. Logo estarei fora
daqui.

Você também pode gostar