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Nutrição e Adubação do Solo Brasileiro

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NUTRIÇÃO DAS PLANTAS E

ADUBAÇÃO
AULA 5

Prof.ª Zenilda Carneiro Serpa


CONVERSA INICIAL

Neste texto abordaremos o solo e suas características. Vamos


compreender como os solos são classificados, composição química, relação
solo/planta e correção de acidez do solo, além disso, também será abordado
uma breve introdução sobre adubação.
O território brasileiro abrange uma vasta gama de tipos de solo, resultado
da variedade de ambientes pedológicos e dos diferentes processos de formação
do solo. Essa diversidade é consequência das características geográficas e
climáticas do país, que influenciam diretamente na composição e nas
propriedades dos solos encontrados em suas diversas regiões.
A complexidade desses fatores resulta em uma grande diversidade de
solos ao longo do país, cada um com suas particularidades e potenciais de uso,
o que torna o conhecimento e o manejo adequado desses recursos fundamentais
para diversos setores, como agricultura, por exemplo.
Esta etapa será dividida em cinco tópicos:

• Classificação de solo: os solos brasileiros são classificados em 13


classes diferentes, embora o latossolos seja predominante;
• Composição química dos solos: a composição química da matéria
orgânica é influenciada por diversos fatores, como tipo de vegetação
presente e o histórico de uso do solo. Esses elementos exercem uma
influência significativa sobre os processos de decomposição e formação
da matéria orgânica, moldando suas características químicas e físicas;
• Fonte de macro e micronutrientes para as plantas (manejo na relação
solo-planta): é do solo que as plantas adquirem os nutrientes (maior parte)
essenciais para seu crescimento e desenvolvimento;
• Correção de acidez do solo: a correção da acidez do solo é um processo
importante na agricultura, pois o pH adequado do solo é essencial para o
crescimento saudável das plantas;
• Introdução ao estudo da Adubação: técnica fundamental na agricultura,
na qual adubos ou fertilizantes são adicionados ao solo com o objetivo de
fornecer os nutrientes necessários para o desenvolvimento saudável das
plantas.

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TEMA 1 – CLASSIFICAÇÃO DE SOLO

Na formação do solo, o material de origem, que pode ser rochas ou


sedimentos, influencia diversos atributos do solo. As rochas impactam o solo por
meio de sua composição química, mineralogia, cor e textura. Os sedimentos,
formados pela intemperização das rochas e processos erosivos, são
transportados e depositados na paisagem, sendo classificados como coluviais
(depositados nas encostas) e aluviais (depositados por transbordamentos de
rios) (Pereira et al., 2019).
Em diferentes locais, o solo pode apresentar uma predominância de
partículas de argila, silte ou limo, ou de areia, e essa composição influencia
diretamente suas propriedades físicas, químicas e biológicas (Gloaguen et al.,
2009; Lepsch, 2016). A diversidade dessas partículas é fundamental para a
fertilidade e produtividade do solo agrícola, influenciando sua capacidade de
retenção de água, aeração, capacidade de troca de nutrientes e suporte para o
crescimento das raízes das plantas (Lepsch, 2016).
A Pedologia é a ciência que estuda a formação, morfologia e
classificação dos solos. Ela investiga como os fatores e processos de formação
do solo influenciam suas características morfológicas, físicas, químicas e
mineralógicas, além de sua classificação taxonômica (Pereira et al., 2019).
Ao contrário do que se acredita, o solo se forma e evolui a partir da
alteração do material original devido à interação de fatores ambientais ativos,
como os fatores bióticos e abióticos ao longo do tempo. Esse processo é
influenciado pelas variações do relevo local, que afetam diretamente a dinâmica
da água na paisagem (Caixeta; Thomazini, 2018).
O relevo tem uma influência significativa nos diferentes tipos de solo e
suas características, bem como na aptidão agrícola de cada área específica.
Neste contexto, o solo é visto como parte de um sistema natural. No entanto, em
países onde a agricultura é essencial, a ação humana (fator antrópico) pode
provocar mudanças substanciais nas características do solo (Schiavo et al.,
2010).
As intervenções humanas no solo podem ser positivas ou negativas e,
em muitos casos, podem transformar solos com alta aptidão agrícola em áreas
inadequadas para cultivo ao longo dos anos devido ao processo de degradação.

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O Brasil possui uma grande diversidade climática, incluindo os climas
equatorial, tropical, semiárido, tropical de altitude, tropical atlântico e subtropical.
Em regiões com climas tropicais e equatoriais, predominam solos profundos, de
textura média a muito argilosa, bem estruturados, com alta capacidade de
armazenamento de água, boa aeração e resistência à degradação. Essas
características conferem boas condições físicas para o uso agrícola, adequadas
para cultivos anuais ou perenes (Caixeta; Thomazini, 2018).
A classe de solos que melhor demonstra essa situação é chamada
Latossolos. Faz parte das 13 classes do Sistema Brasileiro de Classificação de
Solos (SiBCS), abrangendo quase 32% do território brasileiro e
aproximadamente 46% do Bioma Cerrado (Caixeta; Thomazini, 2018).
No Brasil, a grande diversidade dos fatores de formação dos solos bem
como, material de origem, clima, relevo, organismos vivos e tempo cronológico,
resulta em uma variedade significativa de processos de formação dos solos no
território nacional, como já mencionado anteriormente. Esse sistema de
classificação é dividido em 13 ordens: Argissolos, Cambissolos, Chernossolos,
Espodossolos, Gleissolos, Latossolos, Luvissolos, Neossolos, Nitossolos,
Planossolos, Plintossolos, Organossolos e Vertissolos (Santos et al., 2018).
O SiBCS é o sistema oficial de classificação de solos no Brasil.
Desenvolvido desde a década de 1970 com a colaboração de várias instituições
de ensino e pesquisa, o SiBCS utiliza um método hierárquico, multicategórico e
flexível. Este sistema visa permitir a inclusão de novas classes de solos e a
classificação de todos os tipos de solos encontrados no território brasileiro
(Santos et al., 2018; Farias Filho et al., 2020).
Diante disso, é necessário explanar as particularidades das principais
classes de solo de ocorrência no Brasil. Segundo Santos et al (2018) e Caixeta
e Thomazini (2018) os solos brasileiros correspondem:

• Latossolos: são solos geralmente profundos (1 a 2 m) ou muito profundos


(mais de 2 m), bastante intemperizados e normalmente de baixa
fertilidade. Eles ocupam relevos mais planos e são muito porosos,
permeáveis e bem drenados, com cores variadas (vermelho, amarelo,
vermelho amarelado etc.). Predominam em cerca de 32% das unidades
de mapeamento no Mapa de Solos do Brasil, sendo a principal classe de
solo do país. Devido às suas características físicas, como boa
profundidade, relevo quase plano, ausência de pedras, alta porosidade,

4
boa drenagem e permeabilidade, são amplamente utilizados na produção
rural. Embora tenham baixa fertilidade química, práticas de adubação e
correção do solo realizadas pelos agricultores aumentam sua
produtividade;
• Argissolos: apresentam acumulação de argila no horizonte B, enquanto o
horizonte A é mais arenoso. Suas cores variam entre amarelo, cinza,
vermelho e vermelho amarelado. Geralmente, ocorrem em relevos
moderadamente inclinados e estão presentes em todos os estados do
país, predominando em 26,9% das unidades de mapeamento no Mapa de
Solos do Brasil. Eles têm baixa capacidade de retenção de nutrientes e
maior risco de erosão devido ao menor teor de argila no horizonte A;
• Os Neossolos são solos rasos e jovens, comumente apresentando
apenas o horizonte A sobre o horizonte C ou a rocha de origem, sem
horizonte B. A maioria é pouco espessa, mas alguns, especialmente os
com altos teores de areia ou próximos a rios, podem ser mais espessos.
Eles são comuns em áreas de maior declividade, mas também podem
ocorrer em relevo mais plano, predominando em 13,2% das unidades de
mapeamento no Mapa de Solos do Brasil. Contém baixa fertilidade
química natural, embora alguns possam ter boa fertilidade dependendo
da rocha de origem. Preferencialmente, deveriam ser usados para
preservação da flora e fauna, mas são frequentemente utilizados para
pastagens ou reflorestamentos por pequenos proprietários rurais;
• Plintossolos: são solos com alta concentração de ferro em algum
horizonte, formando concreções cascalhentas ou um horizonte contínuo
endurecido por ferro e/ou alumínio (horizonte F), que pode ser confundido
com rocha. Esta camada consolidada é conhecida localmente como
canga, tapiocanga ou laterita. Encontram-se em regiões de relevo plano
com dificuldade de escoamento de água, como várzeas e depressões.
São predominantes em 7,0% das unidades de mapeamento no Mapa de
Solos do Brasil e ocorrem principalmente nos estados do Amazonas,
Pará, Amapá, Roraima, Maranhão, Piauí, Tocantins, Mato Grosso, Goiás
e no Distrito Federal;
• Cambissolos: são solos pouco espessos com horizonte B em estágio
inicial de formação, sendo mais evoluídos que os Neossolos. Comuns na
metade meridional do Brasil, geralmente em relevos declivosos, eles

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predominam em 5,3% das unidades de mapeamento no Mapa de Solos
do Brasil. Sua pouca profundidade pode limitar o desenvolvimento de
raízes de árvores. A maioria tem baixa fertilidade química natural, exigindo
corretivos e fertilizantes, embora alguns casos apresentem alta fertilidade
química natural;
• Gleissolos: têm um horizonte subsuperficial (B ou C) acinzentado, devido
à perda de ferro em ambientes redutores. Predominam em regiões planas
e abaciadas com excesso de água, representando 4,7% das unidades de
mapeamento no Mapa de Solos do Brasil. Quando drenados, podem ser
usados para agricultura, mas geralmente possuem baixa fertilidade
química, necessitando de adubos e corretivos.

Os solos arenosos possuem um alto risco de perder nutrientes devido à


lixiviação, um processo em que a água percola por meio do solo, carregando os
nutrientes consigo. Para mitigar essa perda, é frequentemente recomendado
dividir a aplicação de fertilizantes (Centeno et al., 2017).
Em contrapartida, solos com altas proporções de silte e argila,
especialmente os Cambissolos, têm uma tendência a formar uma camada
superficial selada, dificultando a infiltração de água e aumentando a
vulnerabilidade à erosão. Isso pode resultar na redução da capacidade produtiva
do solo se ele não for bem manejado (Caixeta; Thomazini, 2018).
Solos jovens, como Neossolos e Cambissolos, geralmente possuem alta
fertilidade natural. Dependendo do material de origem, esses solos podem ser
uma importante fonte de nutrientes, especialmente potássio, beneficiando
particularmente culturas perenes devido à significativa reserva de minerais
primários alteráveis (Marques et al., 2014).
O uso de mapas em maior escala e a consideração de categorias mais
avançadas de mapeamento permitem um melhor entendimento dos solos no
território nacional. Devido às variações locais e temporais nas propriedades
químicas e físicas dos solos, e à necessidade de uma análise detalhada de cada
caso, é recomendada a realização periódica de análises de solo pelos
agricultores nas áreas a serem cultivadas (Marques et al., 2014; Caixeta;
Thomazini, 2018).
Além disso, a avaliação técnica por um profissional qualificado é essencial
para otimizar o uso de fertilizantes e definir as técnicas de manejo sustentável
mais adequadas, visando aumentar a produtividade e a rentabilidade.

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TEMA 2 – COMPOSIÇÃO QUÍMICA DOS SOLOS

Primeiramente, é interessante relembrar a estrutura de um átomo. Os


átomos consistem em duas regiões principais: o núcleo e a eletrosfera. O núcleo
é composto por prótons (partículas positivas) e nêutrons (partículas neutras). A
eletrosfera é a região onde os elétrons (partículas negativas) orbitam em
camadas eletrônicas ao redor do núcleo. Os elementos químicos diferenciam-se
entre si pela quantidade de prótons presentes em seus núcleos (Rodrigues;
Correia, 2022).
Um átomo neutro tem o mesmo número de prótons e elétrons. No entanto,
os átomos podem perder ou ganhar elétrons, tornando-se eletricamente
carregados, ou seja, com um número de prótons diferente do número de
elétrons. Esses átomos carregados são chamados de íons. Quando um átomo
perde elétrons, ele fica com mais cargas positivas, formando um íon positivo,
chamado cátion. Quando um átomo ganha elétrons, ele fica com mais cargas
negativas, formando um íon negativo, chamado ânion (Rodrigues; Correia,
2022; Zhou et al., 2025).
O solo pode ser comparado a um verdadeiro laboratório de química,
contendo uma vasta variedade de combinações de elementos químicos. Alguns
desses elementos, como alumínio e chumbo, podem ser prejudiciais às plantas
se estiverem presentes em quantidades excessivas. Outros elementos são
essenciais para as plantas, sendo utilizados em diversos processos metabólicos
que auxiliam no crescimento e na reprodução (Rodrigues; Correia, 2022).
A composição química da matéria orgânica do solo é principalmente
influenciada pelo ambiente de formação do solo, pela vegetação e pelo uso do
solo. Em solos com vegetação nativa, a matéria orgânica de solos cauliníticos
tende a ter uma maior proporção de estruturas tipo carboidratos, enquanto a
matéria orgânica de solos esmectíticos é mais rica em grupamentos aromáticos
e carboxílicos (Dick et al., 2009).
Como mencionado anteriormente, o solo é composto por uma mistura de
ar, água, minerais e matéria orgânica. A maior parte do solo é formada por
silicatos, que são combinações de silício e oxigênio, e óxidos de metais
(Rodrigues; Correia, 2022).
Os vegetais são compostos por diversos elementos químicos, muitos dos
quais são absorvidos do solo. Conhecer a disponibilidade desses elementos

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essenciais no solo é fundamental para intervir de maneira positiva no
crescimento e desenvolvimento das plantas, aumentando a qualidade e a
produtividade das lavouras (Caixeta; Thomazini, 2018).
Os vegetais são compostos por elementos não minerais: carbono (C),
hidrogênio (H) e oxigênio (O), que são absorvidos principalmente por meio da
fotossíntese, a partir do gás carbônico (CO2) e da água (H2O). Esses elementos
representam cerca de 95% de todos os organismos vivos, tanto animais quanto
vegetais, e são os principais componentes de carboidratos, proteínas e lipídeos
(Rodrigues; Correia, 2022).
Os vegetais são formados por elementos minerais além dos elementos
não minerais. Os elementos minerais tratam-se dos conhecidos macronutrientes;
nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S)
e micronutrientes; boro (B), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês (Mn), zinco (Zn),
os quais já vistos em conteúdos anteriores (Marchetti; Barp, 2015; Rodrigues;
Correia, 2022).
Os elementos químicos essenciais para o desenvolvimento das plantas
estão presentes no solo e são absorvidos pelas raízes dos vegetais. Quando as
plantas morrem e se decompõem, esses nutrientes são devolvidos ao solo,
completando o ciclo de nutrientes. No entanto, o plantio intensivo e as colheitas
frequentes rompem esse ciclo rapidamente. Com o tempo, essa prática leva à
perda de nutrientes, empobrecendo o solo e tornando-o cada vez mais infértil
(Marchetti; Barp, 2015; Novak et al., 2021).
Um solo fértil deve ter profundidade adequada para as raízes, pH
apropriado, nutrientes suficientes, microrganismos benéficos, proporções
corretas de argila e areia, além de húmus. Essas características são identificadas
por análises químicas laboratoriais e, se necessário, o solo deve ser corrigido
(Rodrigues; Correia, 2022).
As inúmeras reações químicas que ocorrem no solo visam à
disponibilidade adequada de nutrientes para as plantas. Todavia, antes de iniciar
o cultivo, é fundamental que o agricultor realize uma análise da composição
química do solo, verificando se à concentração de nutrientes suficiente para os
vegetais.
Essa prática é importante por diversas razões: otimiza a produção,
protege o meio ambiente contra a contaminação causada pelo escoamento e
lixiviação de fertilizantes em excesso, auxilia no diagnóstico de problemas nas

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plantas, melhora o equilíbrio nutricional do solo, permitindo economia de dinheiro
e energia ao aplicar apenas a quantidade necessária de fertilizantes, e indica a
presença de nutrientes, pH e excesso de sais no solo (Mantovani, 2009).
O pH do solo é uma variável fundamental, pois influencia a disponibilidade
de nutrientes para as plantas. Solos ácidos podem causar estresse nas plantas,
incluindo toxicidade pelo alumínio, que é tóxico na forma de íon Al3+ e mais
solúvel em pH baixo. Embora o alumínio não seja um nutriente, ele entra nas
raízes por osmose, limitando o crescimento das raízes e das plantas (Ceretta et
al., 2003).
A limitação do crescimento das raízes reduz a capacidade de absorção
de nutrientes. Por isso, deficiências em macronutrientes como nitrogênio,
fósforo, potássio, cálcio e magnésio são comuns em solos ácidos. Cada tipo de
planta tem um pH ideal para seu desenvolvimento. Portanto, os agricultores
precisam medir o pH do solo e corrigi-lo, se necessário, por meio de reações
químicas (Antunes et al., 2009).
Segundo a Teoria de Arrhenius, substâncias ácidas liberam íons H+ em
meio aquoso, como o ácido clorídrico (HCl), e substâncias básicas liberam íons
OH-, como o hidróxido de sódio (NaOH). A força de um ácido ou base depende
da sua solubilidade e grau de ionização em água: quanto mais íons liberados,
maior a força (Rodrigues; Correia, 2022).
Outro fator limitante é a água, pois é essencial para o crescimento das
plantas, mas em excesso pode prejudicá-las por reduzir a circulação de ar e
oxigênio no solo, afetando microrganismos vitais (Medeiros et al., 2005).
Dessa forma, análise química do solo é fundamental para transferir
informações sobre calagem e adubação da pesquisa para o agricultor. Ela
permite avaliar a deficiência de nutrientes e determinar as quantidades
necessárias de fertilizantes. Assim, a análise visa conhecer a fertilidade do solo
para recomendar corretivos adequados e é utilizada tanto para produção quanto
para monitorar a poluição do solo (Novak et al., 2021).
Em resumo, a coleta de amostras representativas de solo é crucial para
avaliar corretamente a necessidade de corretivos e fertilizantes, permitindo
assim alcançar rendimentos econômicos satisfatórios. Uma amostra
representativa é aquela que reflete de maneira mais precisa as condições de
fertilidade de uma área específica.

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A variabilidade das características químicas e físicas dos solos é
influenciada pelo manejo agrícola. Pesquisadores identificaram que os
coeficientes de variação dessas características variam: cerca de 10% para
propriedades pouco influenciadas pelo manejo, como areia, silte ou P-total; 25%
para matéria orgânica, capacidade de troca de cátions e N-total; e entre 35% e
50% para fósforo e potássio disponíveis, e cálcio e magnésio trocáveis, que são
altamente afetados pelo manejo (Rodrigues; Correia, 2022).
Em solos já adubados, os coeficientes de variação de fósforo e potássio
disponíveis podem ultrapassar 100%. Em contraste, o pH e a matéria orgânica
apresentam menor variabilidade.
A variabilidade da composição química do solo influenciada pela
precipitação ou irrigação, especialmente com águas residuárias que contêm
altos níveis de sais (Medeiros et al., 2005). Esses sais, como Ca2+ e Na+, não
são removidos nas estações de tratamento, levando à salinização e sodificação
do solo. A salinização aumenta o potencial osmótico, prejudicando plantas pouco
tolerantes à salinidade. A sodificação, causada pelo excesso de Na+ em relação
a Ca2+ e Mg2+, deteriora as propriedades físicas e químicas do solo, afetando
negativamente o crescimento das culturas (Medeiros et al., 2005; Gloaguen et
al., 2009).
A disponibilidade biológica de nitrogênio no solo é outro componente
químico que juntamente com fósforo, enxofre e potássio, estão diretamente
relacionados à produtividade agrícola.
Devido ao alto custo dos fertilizantes nitrogenados, a fixação biológica de
nitrogênio, que permite as plantas utilizar o N₂ molecular da atmosfera, é um dos
processos mais estudados na biologia do solo. Este é o segundo processo
biológico mais importante do planeta, com uma estimativa de que cerca de 175
milhões de toneladas de N₂ são fixadas anualmente nos ecossistemas terrestres
por microrganismos fixadores de nitrogênio (Chagas, 2007; Marchetti; Barp,
2015).
Após a fixação biológica do nitrogênio, as plantas utilizam esse nutriente
para formar suas estruturas e o disponibilizam para todos os organismos na
cadeia alimentar. Bactérias nitrificantes então transformam a amônia, resultante
da decomposição de resíduos nitrogenados, em nitritos e nitratos. Em seguida,
bactérias desnitrificantes convertem os nitratos em nitrogênio livre, que retorna
à atmosfera (Chagas, 2007; Marchetti; Barp, 2015; Zhang et al., 2025).

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TEMA 3 – FONTE DE MACRO E MICRONUTRIENTES PARA AS PLANTAS
(MANEJO NA RELAÇÃO SOLO-PLANTA)

Há muito tempo se reconhece que as interações entre solo e planta criam


padrões espaciais nas propriedades do solo, influenciando tanto o desempenho
individual das plantas quanto o das comunidades vegetais. Esses padrões
resultam não apenas de fontes abióticas, mas também de fontes bióticas (Rubio;
Escudero, 2000).
Além disso, a heterogeneidade do solo é fundamental para interações
competitivas e/ou facilitadoras entre plantas, especialmente em ambientes
estressantes, como os habitats semiáridos, e pode determinar os padrões de
distribuição das plantas e das comunidades vegetais (Rubio; Escudero, 2000).
Com a intensificação da agricultura, duas práticas inadequadas se
tornaram comuns em muitos agroecossistemas: o uso intensivo do solo e a má
gestão dos recursos naturais. Essas práticas têm agravado a degradação dos
recursos naturais, especialmente solo e água, comprometendo a relação solo-
água-planta-atmosfera e colocando em risco o equilíbrio ambiental (Calegari,
2023).
Dessa forma, dificulta a sobrevivência harmônica entre os seres vivos,
tanto vegetais quanto animais, e ameaça a qualidade de vida das populações
humanas. Além disso, o manejo inadequado dos resíduos orgânicos e do solo
reduz o acúmulo de carbono (húmus) no solo, contribuindo para a emissão de
gases de efeito estufa na atmosfera (Lima Filho et al., 2023).
Fato que requer atenção, além disso, diversos fatores influenciam a
variabilidade dos nutrientes e elementos traço nos solos. Entre eles, destacam-
se o tipo e a intensidade de adubação, as características específicas dos
nutrientes, o uso de resíduos orgânicos e a dinâmica do sistema solo-planta-
atmosfera (Silva, 2009).
A variação de nutrientes no solo ocorre tanto horizontalmente quanto em
profundidade. Horizontalmente, essa variação é principalmente influenciada pela
forma de adubação e pela presença das plantas. Em profundidade, a variação é
determinada pelas características dos elementos, pelo sistema de manejo
adotado e pela interação no sistema solo-planta-atmosfera (Silva, 2009).
No plantio direto, a variação horizontal de nutrientes ocorre entre a linha
de plantio e a entrelinha devido à falta de revolvimento do solo, resultando no

11
acúmulo de nutrientes na linha de plantio. Já a variação vertical refere-se às
diferentes estratificações de nutrientes em profundidade no solo. Isso pode ser
observado em culturas temporárias ao comparar os sistemas de manejo, como
plantio direto e plantio convencional (Lima Filho et al., 2023).
Em um estudo comparativo de fertilidade do solo entre plantio direto e
convencional, ambos com 19 anos de implantação e avaliados em quatro
profundidades, constatou-se que a maior estratificação de nutrientes na camada
superficial ocorreu no plantio direto. No sistema convencional, os nutrientes
estavam mais homogeneizados ao longo do perfil do solo. Isso se deve ao fato
de o plantio direto não envolver o revolvimento do solo, resultando em menor
variação vertical de nutrientes (Silva, 2009).
O estudo também revelou que o fósforo apresenta maior variação vertical
do que o potássio, devido à adsorção específica do fósforo, que impede sua
percolação, e à maior concentração de matéria orgânica na superfície, que é
uma grande fonte de fósforo (Lizcano-Toledo et al., 2021).
O P (fósforo) é um elemento dinâmico e vital na agricultura, onde é usado
como fertilizante essencial. Sua dinâmica no solo depende de vários fatores,
incluindo pH, salinidade, concentrações de elementos tóxicos, interação com
micronutrientes, escoamento superficial, lixiviação, concentração total de P, P
solúvel (assimilável pelas plantas), conteúdo de matéria orgânica, potencial
redox, estrutura e textura do solo (especialmente o teor de argila), composição
mineralógica, atividade enzimática, e a presença de microrganismos
solubilizadores de P e micorrizas (Lizcano-Toledo et al., 2021).
Dessa forma, o manejo adequado desse nutriente é fundamental, assim
como o manejo de outros nutrientes, como o nitrogênio, por exemplo. A
disponibilidade biológica do nitrogênio no solo, juntamente com a de fósforo,
enxofre e potássio, está diretamente relacionada à produtividade agrícola. Por
ser um elemento essencial, o balanço de nitrogênio afeta a formação de raízes,
a fotossíntese, a produção e translocação de fotoassimilados, e a taxa de
crescimento de folhas e raízes no solo, sendo o crescimento foliar o primeiro a
ser impactado (Marchetti; Barp, 2015).
Esses nutrientes são disponibilizados para as plantas no solo, no entanto,
nem sempre em quantidades adequada. Existem formas de acentuar a presença
desses macro e micronutrientes no solo, seja com aplicação de fertilizantes ou
outras fontes provedoras de nutrientes.

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Estudos desenvolvidos comprovam que o lodo de esgoto pode ser uma
fonte de nutriente. Tais pesquisas indicam que a decomposição do lodo de
esgoto no solo melhora o aproveitamento dos nutrientes pelas plantas. Isso
ocorre devido à liberação lenta dos nutrientes durante o processo de
mineralização da matéria orgânica. No entanto, seu manejo dever realizado
cuidadosamente (Oliveira et al., 1995).
Embora o lodo de esgoto contenha nutrientes necessários para as
plantas, ele também possui quantidades consideráveis de elementos tóxicos,
como metais pesados, que apresentam massa específica entre 3,5 e 7,0 g/cm³.
Entre esses metais estão o chumbo, cádmio, mercúrio, cobre, zinco e arsênio,
além de outros compostos orgânicos tóxicos para as plantas (Rocha et al., 2013).
Em estudos os autores Albuquerque (2011), Carvalho (2012), Santos et
al (2011) e Sobral et al (2011) contataram que a aplicação de resíduos
industriais na nutrição de plantas mostrou resultados positivos. A lama de cal da
indústria de celulose aumentou os teores de potássio nas folhas de bambu. A
torta de filtro pode substituir parcialmente o fósforo industrial. Em alface, houve
aumento de macronutrientes (N, P, K, Ca, S) e micronutrientes (Zn, Mn, Cu, B).
A escória de siderurgia também melhorou a absorção de nutrientes em cana-de-
açúcar.
A adubação verde é outra fonte de nutriente que ajuda equilibrar esses
elementos no solo. O uso de adubos verdes em rotação de culturas no sistema
de plantio direto, por exemplo, adaptados regionalmente, traz grandes
benefícios: melhora a distribuição do trabalho ao longo do ano, economiza mão
de obra, controla plantas invasoras por meio de coberturas e rotações, e
aumenta a biodiversidade do solo, promovendo um melhor equilíbrio ambiental
com menor ocorrência de pragas e doenças (Ferreira et al., 2012; Lima Filho et
al., 2023).
Esse sistema reduz a perda de solo, aumenta a infiltração e o
armazenamento de água, e melhora a fertilidade do solo por meio da reciclagem
de nutrientes. Ele também promove maior diversidade, aumenta o rendimento
das culturas, e melhora a estabilidade da produção, permitindo o uso constante
e racional da terra com mínimo emprego de insumos externos. Assim, o uso de
adubo verde é comprovadamente uma forma eficiente e eficaz de produção
contínua em sistemas sustentáveis (Ferreira et al., 2012; Lima Filho et al., 2023).

13
Além disso, os fertilizantes no geral são comumente utilizados nesse
manejo solo/planta. Os fertilizantes repõem os elementos retirados do solo
durante cada colheita, mantendo ou aumentando seu potencial produtivo. Eles
são essenciais para aumentar a produtividade da agricultura (Dias; Fernandes,
2006).
As plantas participam da ciclagem de carbono e nitrogênio e interagem
com microrganismos do solo. Mudanças climáticas, variações de temperatura,
alteração na precipitação e escassez de água afetam o desempenho das
plantas, causando estresse abiótico e mudanças morfológicas e bioquímicas.
Problemas recorrentes em solos agrícolas incluem o acúmulo de defensivos
agrícolas (agrotóxicos), salinidade e metais pesados (Contreras-Cornejo et al.,
2024).
Manter sistemas de produção produtivos, competitivos e sustentáveis é
um objetivo central da agricultura moderna. Para isso, é necessário integrar
práticas que aumentem a biodiversidade, diversifiquem a produção, usem e
reciclem nutrientes eficientemente, mantenham ou recuperem os atributos do
solo, e reduzam os riscos de pragas e doenças. Essas práticas, focadas no
aumento da matéria orgânica e da biodiversidade do solo, promoverão avanços
na agricultura e melhorarão as condições socioeconômicas dos produtores rurais
(Lima Filho et al., 2023).
Todavia, o manejo adequado na relação solo/planta como abordado é
essencial para nutrição das plantas. As condições nutricionais do solo
equilibradas permitirão o crescimento e desenvolvimento saudável das plantas.
Além disso, as fontes possíveis de macro e micronutriente no solo são diversas,
entretanto, se feito o manejo correto resultarão no sucesso tanto na preservação
do solo quanto na qualidade e produtividade das culturas.

TEMA 4 – CORREÇÃO DO SOLO (CALAGEM)

Os fatores ambientais do solo relacionados à acidez, como pH, saturação


por bases, acidez potencial e solubilidade de nutrientes, são os que mais
impactam a produtividade agrícola, especialmente nas regiões tropicais. Além
disso, a baixa fertilidade dos solos ácidos deve-se à falta de bases trocáveis e
ao excesso de alumínio e manganês. O uso contínuo de fertilizantes acidificantes
piora o problema, a menos que um programa de correção bem planejado seja
implementado (Natale et al., 2012).
14
Alguns solos são naturalmente ácidos devido à pobreza em bases do
material de origem, enquanto outros se tornaram ácidos por processos que
levaram à perda de potássio, cálcio e magnésio. A acidificação ocorre ou se
intensifica pela remoção de cátions trocáveis da superfície dos coloides por: a)
água da chuva, b) decomposição de minerais de argila, c) troca iônica das raízes,
d) decomposição da matéria orgânica, e) adição de fertilizantes nitrogenados
(Natale et al., 2012).
A acidez do solo é medida pelo pH, que reflete a concentração de íons
hidrogênio (H+). Solos ácidos têm pH menor que 7, e alcalinos, maior que 7.
Solos muito ácidos são pobres em nutrientes e ricos em elementos tóxicos, como
o alumínio (Al3+), prejudicando o crescimento das plantas e a produtividade das
culturas (Lima et al., 2007; Jouichat et al., 2024).
A maioria das plantas prefere solos levemente ácidos, com pH entre 5,5
e 6,5. Quando o pH é inferior a 5,5, a produtividade das culturas diminui. Para
corrigir a acidez do solo, usa-se principalmente calcário, ajustando o pH e
eliminando o alumínio tóxico, em uma prática chamada de calagem (Lima et al.,
2007).
A capacidade de um material corrigir a acidez depende do seu conteúdo
de bases e da reatividade dessas bases no solo. No caso do calcário, corretivo
comum da acidez, o teor de base é expresso como equivalente de carbonato de
cálcio ou valor neutralizante (NV), enquanto a eficiência relativa ou fator de finura
(FF) depende do tamanho das partículas do calcário. Partículas menores reagem
mais rapidamente, solubilizando e corrigindo a acidez (Raij, 2011).
O NV é determinado em laboratório pela quantidade de ácido neutralizado
por uma amostra, e o FF é estimado pelo tamanho das partículas. O equivalente
efetivo de carbonato de cálcio (ECC), calculado como ECC = NV × FF/100, indica
a capacidade do calcário de corrigir a acidez e é usado para determinar as doses
adequadas de calagem do solo (Raij, 2011; Islabão et al., 2014).
Estima-se que mais de 50% da acidificação dos solos agrícolas em todo
o mundo seja causada por práticas agrícolas intensivas e fertilizantes sintéticos.
Portanto, práticas de gestão agrícola sustentável são essenciais para manter a
produtividade das culturas e a acidez do solo em níveis ótimos (Dai et al., 2017;
Li et al., 2019).
Os agricultores costumam aplicar corretivos de acidez de forma
homogênea em culturas anuais, embora nem sempre com a regularidade

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necessária. Em culturas perenes, a incorporação desses corretivos é mais
complexa devido às características dessas plantas e à falta de informações
científicas e tecnológicas (Natale et al., 2012).
A calagem é uma prática benéfica em solos ácidos, porém se realizada
de forma inadequada, tornando-se ineficaz. No entanto, tal prática tem sido
fundamental na agricultura para melhorar a produção e conter a acidificação do
solo (Li et al., 2019).
Durante o último século, a aplicação de cal em solos ácidos aumentou os
rendimentos de forma significativa. Os materiais de calagem neutralizam os íons
de hidrogênio do solo, elevando o pH e reduzindo a concentração de elementos
tóxicos solúveis, como Al e Fe. Simultaneamente, aumenta a disponibilidade de
elementos essenciais como P, K e S. Além disso, os produtos de calagem
também podem fornecer cálcio e magnésio como fertilizantes (Natale et al.,
2012; Dai et al., 2017).
A carbonato de cálcio (cal) agrícola se dissolve lentamente, com a taxa de
dissolução influenciada pelo tamanho das partículas e pela composição química
dos materiais de calagem, diminuindo à medida que o pH do solo aumenta. Após
a dissolução, os componentes do calcário se espalham pelo solo, reduzindo sua
acidez trocável e aumentando os níveis de bases trocáveis. Por isso, é
necessário tempo para que a calagem tenha seu efeito completo, podendo levar
até três anos (Jouichat et al., 2024).
Dessa forma, conhecer as taxas de reação da cal e o tempo necessário
para neutralizar a acidez é crucial, especialmente para culturas sensíveis a pH
baixo, permitindo planejar a aplicação da cal antes da semeadura.
O calcário é um dos principais recursos minerais do Brasil, com reservas
de 53 bilhões de toneladas, bem distribuídas e de boa qualidade, tornando-o um
insumo agrícola barato. No entanto, apesar da abundância de calcário e da
necessidade de calagem, essa relação não é explorada adequadamente
(Malavolta, 2006; Natale et al., 2012).
Após a aplicação de cal, a dinâmica do pH do solo ocorre em três fases:
1) neutralização, onde a taxa de reação da cal é alta e o pH aumenta
gradualmente até estabilizar; 2) estabilização, onde o efeito da cal no pH
equilibra-se com a acidificação natural do solo; e 3) reacidificação, quando o
calcário residual não consegue mais conter a acidificação do solo (Santos et al.,
2018; Jouichat et al.,2024).

16
Estudar o efeito da calagem na evolução do pH e nas taxas de
reacidificação ajuda a determinar a frequência ideal de calagem e a otimizar as
estratégias de aplicação. Modelar esses padrões pode melhorar as práticas de
aplicação de cal.
A correção de solos altamente intemperizados é essencial para reduzir a
acidez e melhorar o crescimento e a produtividade das plantas. No Sul do Brasil,
os efeitos da acidez nos sistemas radiculares são conhecidos há mais de sete
décadas, e a quantidade necessária de corretivo foi quantificada desde a década
de 1970 (Paradelo et al., 2015; Jouichat et al., 2024).
Estudos abrangem métodos de estimativa de acidez potencial e Al
trocável, a quantidade de acidez a ser corrigida para diferentes culturas, doses
de corretivos, reatividade da cal conforme a granulometria, método de aplicação
e frequência de reaplicação.
O principal objetivo da calagem é modificar o pH do solo e a composição
do complexo de troca. Por isso, a maioria dos estudos científicos foca no pH do
solo, na saturação de alumínio, nos cátions trocáveis e na produtividade das
plantas. Os efeitos a longo prazo da calagem sobre o carbono orgânico do solo
(SOC) têm sido menos estudados, e apenas recentemente a evolução do SOC
em solos tratados com e sem calagem começou a receber mais atenção
(Fornara et al., 2011; Šrámek et al., 2012).
O efeito líquido da calagem no carbono orgânico do solo (SOC) resulta de
processos simultâneos, bem como: (1) aumento da produtividade das plantas; a
calagem melhora as condições do solo, aumentando a produtividade das plantas
e o retorno de matéria orgânica ao solo, elevando os estoques de SOC; (2)
aumento da mineralização da matéria orgânica; a calagem estimula a atividade
biológica do solo, acelerando a mineralização da matéria orgânica e
potencialmente diminuindo os estoques de SOC e (3) melhoria da estrutura do
solo; a calagem melhora a estrutura do solo, formando agregados estáveis e
aumentando a proteção física do SOC, reduzindo as taxas de mineralização.
Tais processos interagem para determinar o efeito final da calagem no SOC
(Leifeld et al., 2013; Paradelo et al., 2015).
Esses processos são interdependentes. A calagem aumenta a
mineralização da matéria orgânica, esgotando a matéria orgânica lábil e
afetando negativamente a estabilidade dos agregados. No entanto, a maior
atividade microbiana também pode aumentar essa estabilidade, pois os

17
microrganismos produzem polissacarídeos extracelulares que atuam como
agentes de ligação (Chenu, 1995; Puget et al., 1999).
O efeito líquido da calagem no SOC depende de fatores como pH inicial
do solo, taxa de calagem, teor de argila, mineralogia, uso do solo e clima.
Aplicações de cal são descontínuas, resultando em diferentes efeitos a curto e
longo prazo. Esses fatores complexos explicam por que o impacto da calagem
no SOC ainda não é totalmente compreendido, apesar das evidências sobre
outras propriedades do solo (Paradelo et al., 2015).
Além da calagem, outras técnicas têm sido usadas para prevenir e
melhorar a acidez do solo, como a adição de cal, subprodutos industriais,
resíduos orgânicos e resíduos de culturas. Subprodutos industriais, como gesso
e escória alcalina, aumentam o pH, a CTC e a saturação por bases, mas podem
contaminar o solo com metais pesados. Resíduos orgânicos também aumentam
o pH do solo e corrigem a acidez, mas podem conter metais pesados e excesso
de N e P, causando eutrofização (Xião et al., 2006; Zhang et al., 2014).
Os resíduos de culturas são usados como corretivos para solos ácidos,
com eficácia variando entre tipos. Além de fornecer nutrientes, podem aumentar
o pH do solo, dependendo da alcalinidade das cinzas ou do excesso de cátions
nos resíduos e do pH inicial do solo. Contudo, resíduos com baixa relação C/N,
como os de leguminosas, podem intensificar a nitrificação, reduzindo o pH abaixo
do nível inicial (Xião et al., 2006; Zhang et al., 2014).
Os biochars (junção de palavras de origem inglesa, biomass e charcoal,
que significam em português, biomassa e carvão) têm se destacado como
excelentes materiais para melhorar solos ácidos em comparação com outros
corretivos orgânicos. Além de elevar o pH do solo, eles ajudam a eliminar
resíduos, mitigar as mudanças climáticas e produzir energia. Derivados de várias
matérias-primas pirolisadas em temperaturas entre 200 °C e 700 °C, os biochars
são alcalinos e podem substituir a cal na correção da acidez e melhoria da
qualidade dos solos. Metanálises indicam que o aumento da produtividade das
plantas em solos ácidos após a incorporação de biochar se deve principalmente
aos efeitos da calagem (Dai et al., 2017).

18
TEMA 5 – INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ADUBAÇÃO

A adubação é uma prática agrícola que consiste na aplicação de adubos


ou fertilizantes no solo com o objetivo de suprir a carência de nutrientes e
promover o desenvolvimento das plantas.
Os adubos podem ser obtidos de diferentes fontes: rochas, indústrias
químicas (adubos químicos), decomposição de vegetais ou dejetos de animais
por microrganismos ou minhocas (adubos orgânicos), ou por meio do cultivo de
plantas junto com as culturas de interesse (adubo verde). O balanceamento
adequado dos nutrientes necessários para as plantas resulta em maiores
produtividades (Caixeta; Thomazini, 2018).
A recomendação e o manejo da adubação dependem de diversos fatores,
como o tipo de solo, o clima, a rotação e sucessão de culturas, a disponibilidade
de irrigação, a viabilidade das tecnologias, os programas governamentais e os
preços dos fertilizantes e das commodities. Entre esses fatores, a rotação e a
sucessão de culturas são particularmente importantes, pois influenciam
diretamente as necessidades nutricionais das plantas e a ciclagem de nutrientes
no solo (Coelho, 2012).
Com a introdução do conceito de adubação dos sistemas de produção em
vez de culturas específicas, o manejo de corretivos da acidez do solo (como
calcário e gesso), fertilizantes fosfatados, potássicos e micronutrientes tornou-
se bem definido. Conforme as necessidades dos solos e das culturas, esses
insumos podem ser aplicados de diferentes maneiras: a lanço, na pré-
semeadura como adubação corretiva, no sulco de semeadura como adubação
de manutenção, ou combinando esses métodos.
A fertilização pode promover o sequestro de carbono e nitrogênio no solo,
trazendo benefícios ambientais significativos. Além disso, os benefícios
econômicos são essenciais na avaliação das práticas agrícolas para culturas
arvenses. A aplicação de fertilizantes tem um impacto substancial no rendimento
das culturas (Zhou et al., 2019; Marousek et al., 2023).
A aplicação racional de fertilizantes nitrogenados pode melhorar as
características econômicas das culturas e promover a absorção e utilização de
nitrogênio, aumentando o rendimento de grãos e a eficiência da produção. No
entanto, se os fertilizantes nitrogenados forem aplicados em excesso, o
rendimento das sementes e a eficiência da utilização dos fertilizantes diminuem,

19
reduzindo os benefícios econômicos. Para maximizar os benefícios econômicos
das terras agrícolas, é necessário considerar não apenas os custos crescentes
da mão de obra e da maquinaria, mas também o aumento dos custos dos
insumos, especialmente dos fertilizantes nitrogenados (Wang et al., 2024).
Portanto, é importante investigar se a redução da aplicação de fertilizantes
nitrogenados em campos com devolução de palha em terras secas pode
melhorar o rendimento das culturas e a eficiência econômica.
O manejo adequado dos nutrientes vegetais nos sistemas de produção é
essencial para alcançar a sustentabilidade agrícola. Nas últimas décadas, o uso
de microrganismos como alternativa biológica à fertilização mineral tem se
tornado cada vez mais popular na agricultura, complementando outras práticas
de adubação (Rodak et al., 2024).
A adubação orgânica com resíduos de origem animal é uma alternativa
para manter a fertilidade do solo, reduzir custos, aumentar a produtividade e
melhorar as propriedades químicas e físicas do solo. Além disso, essa prática
diminui a poluição e aumenta a eficiência do uso de nutrientes, melhorando a
qualidade nutricional nos sistemas de produção (Pinto et al., 2016).
Os solos armazenam 2.500 Pg de carbono até 1 m de profundidade,
superando os estoques de carbono da biosfera (620 Pg) e da atmosfera (880
Pg). Assim, os solos são o maior reservatório de carbono no ecossistema
terrestre. Nos agroecossistemas, as práticas de manejo do solo influenciam
significativamente o carbono orgânico do solo (SOC) e os estoques totais de
nitrogênio, variando conforme a qualidade das práticas adotadas (Lal et al.,
2021).
A matéria orgânica do solo desempenha funções essenciais para a
mitigação e adaptação às mudanças climáticas, além de promover a qualidade
do solo. Portanto, para uma agricultura sustentável, é crucial manter ou melhorar
os níveis de SOC e nitrogênio. Entre as práticas de manejo que afetam a matéria
orgânica do solo estão o sistema de preparo do solo e a fertilização das culturas
(Brevilieri et al., 2024).
O uso racional de fertilizantes é essencial para garantir o rendimento das
culturas, mas ainda é necessário compreender melhor seus impactos
quantitativos nos estoques de SOC. Embora geralmente os fertilizantes
aumentem os níveis de matéria orgânica do solo a longo prazo, alguns estudos
apresentam resultados divergentes. Essa inconsistência sugere a necessidade

20
de avaliações adicionais que considerem mais fatores ambientais que possam
influenciar a acumulação de carbono com a aplicação de fertilizantes (Lal et al.,
2021; Brevilieri et al., 2024).
Todavia, a adubação é essencial para o desenvolvimento saudável das
culturas, aumentando a produtividade e a qualidade das plantações, o que pode
resultar em maior lucro para o produtor. Existem diferentes tipos de adubação
para atender às necessidades específicas de cada solo e cultivo, visando
benefícios a curto e longo prazo.

FINALIZANDO

Nesta etapa compreendemos um pouco mais sobre solos, sua


classificação e propriedades. Também entendemos sobre a relação solo/planta
e as diversas fontes de nutrientes existentes, além disso, foi abordado sobre os
processos de correção do solo e métodos utilizados nesse procedimento, e
ainda, foi introduzido brevemente sobre adubação.
Estudamos que no Brasil os solos são classificados em 13 classes
seguindo o SiBCS, esse sistema de classificação é flexível podendo ser alterado
a qualquer momento. O solo predominante no país é o latossolos
correspondendo cerca de 32 % do território nacional.
Compreendemos que a relação solo/planta deve ser sincronizada. O
manejo adequado na relação solo/planta como abordado é fundamental para
nutrição das plantas. As condições nutricionais do solo equilibradas permitirão o
crescimento e desenvolvimento saudável dos vegetais. Além disso, as fontes
possíveis de macro e micronutriente no solo são diversas, entretanto, se feito o
manejo correto resultarão no sucesso, tanto na preservação do solo quanto na
qualidade e produtividade das culturas.
Também estudamos que a acidez do solo é medida pelo pH, que reflete
a concentração de íons hidrogênio (H+). A maioria das plantas prefere solos
levemente ácidos, com pH entre 5,5 e 6,5. Todavia, a capacidade de um material
corrigir a acidez depende do seu conteúdo de bases e da reatividade dessas
bases no solo.
A prática amplamente utilizada para correção do solo é a calagem,
utilizando calcário no processo. Após a dissolução, os componentes do calcário
se espalham pelo solo, reduzindo sua acidez trocável e aumentando os níveis
de bases trocáveis.
21
Entendemos ainda, que adubação e fertilização são práticas agrícolas,
tendo como objetivo principal fornecer nutrientes para o solo suprindo as
necessidades do mesmo e permitindo que as plantas se desenvolvam
adequadamente.
Além disso, aprendemos que existem diversos tipos de adubos e
fertilizantes, no entanto, todos com a finalidade de melhorar a fertilidade do solo
e o bom rendimento das plantações.

22
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