Nutrição e Adubação do Solo Brasileiro
Nutrição e Adubação do Solo Brasileiro
ADUBAÇÃO
AULA 5
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TEMA 1 – CLASSIFICAÇÃO DE SOLO
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O Brasil possui uma grande diversidade climática, incluindo os climas
equatorial, tropical, semiárido, tropical de altitude, tropical atlântico e subtropical.
Em regiões com climas tropicais e equatoriais, predominam solos profundos, de
textura média a muito argilosa, bem estruturados, com alta capacidade de
armazenamento de água, boa aeração e resistência à degradação. Essas
características conferem boas condições físicas para o uso agrícola, adequadas
para cultivos anuais ou perenes (Caixeta; Thomazini, 2018).
A classe de solos que melhor demonstra essa situação é chamada
Latossolos. Faz parte das 13 classes do Sistema Brasileiro de Classificação de
Solos (SiBCS), abrangendo quase 32% do território brasileiro e
aproximadamente 46% do Bioma Cerrado (Caixeta; Thomazini, 2018).
No Brasil, a grande diversidade dos fatores de formação dos solos bem
como, material de origem, clima, relevo, organismos vivos e tempo cronológico,
resulta em uma variedade significativa de processos de formação dos solos no
território nacional, como já mencionado anteriormente. Esse sistema de
classificação é dividido em 13 ordens: Argissolos, Cambissolos, Chernossolos,
Espodossolos, Gleissolos, Latossolos, Luvissolos, Neossolos, Nitossolos,
Planossolos, Plintossolos, Organossolos e Vertissolos (Santos et al., 2018).
O SiBCS é o sistema oficial de classificação de solos no Brasil.
Desenvolvido desde a década de 1970 com a colaboração de várias instituições
de ensino e pesquisa, o SiBCS utiliza um método hierárquico, multicategórico e
flexível. Este sistema visa permitir a inclusão de novas classes de solos e a
classificação de todos os tipos de solos encontrados no território brasileiro
(Santos et al., 2018; Farias Filho et al., 2020).
Diante disso, é necessário explanar as particularidades das principais
classes de solo de ocorrência no Brasil. Segundo Santos et al (2018) e Caixeta
e Thomazini (2018) os solos brasileiros correspondem:
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boa drenagem e permeabilidade, são amplamente utilizados na produção
rural. Embora tenham baixa fertilidade química, práticas de adubação e
correção do solo realizadas pelos agricultores aumentam sua
produtividade;
• Argissolos: apresentam acumulação de argila no horizonte B, enquanto o
horizonte A é mais arenoso. Suas cores variam entre amarelo, cinza,
vermelho e vermelho amarelado. Geralmente, ocorrem em relevos
moderadamente inclinados e estão presentes em todos os estados do
país, predominando em 26,9% das unidades de mapeamento no Mapa de
Solos do Brasil. Eles têm baixa capacidade de retenção de nutrientes e
maior risco de erosão devido ao menor teor de argila no horizonte A;
• Os Neossolos são solos rasos e jovens, comumente apresentando
apenas o horizonte A sobre o horizonte C ou a rocha de origem, sem
horizonte B. A maioria é pouco espessa, mas alguns, especialmente os
com altos teores de areia ou próximos a rios, podem ser mais espessos.
Eles são comuns em áreas de maior declividade, mas também podem
ocorrer em relevo mais plano, predominando em 13,2% das unidades de
mapeamento no Mapa de Solos do Brasil. Contém baixa fertilidade
química natural, embora alguns possam ter boa fertilidade dependendo
da rocha de origem. Preferencialmente, deveriam ser usados para
preservação da flora e fauna, mas são frequentemente utilizados para
pastagens ou reflorestamentos por pequenos proprietários rurais;
• Plintossolos: são solos com alta concentração de ferro em algum
horizonte, formando concreções cascalhentas ou um horizonte contínuo
endurecido por ferro e/ou alumínio (horizonte F), que pode ser confundido
com rocha. Esta camada consolidada é conhecida localmente como
canga, tapiocanga ou laterita. Encontram-se em regiões de relevo plano
com dificuldade de escoamento de água, como várzeas e depressões.
São predominantes em 7,0% das unidades de mapeamento no Mapa de
Solos do Brasil e ocorrem principalmente nos estados do Amazonas,
Pará, Amapá, Roraima, Maranhão, Piauí, Tocantins, Mato Grosso, Goiás
e no Distrito Federal;
• Cambissolos: são solos pouco espessos com horizonte B em estágio
inicial de formação, sendo mais evoluídos que os Neossolos. Comuns na
metade meridional do Brasil, geralmente em relevos declivosos, eles
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predominam em 5,3% das unidades de mapeamento no Mapa de Solos
do Brasil. Sua pouca profundidade pode limitar o desenvolvimento de
raízes de árvores. A maioria tem baixa fertilidade química natural, exigindo
corretivos e fertilizantes, embora alguns casos apresentem alta fertilidade
química natural;
• Gleissolos: têm um horizonte subsuperficial (B ou C) acinzentado, devido
à perda de ferro em ambientes redutores. Predominam em regiões planas
e abaciadas com excesso de água, representando 4,7% das unidades de
mapeamento no Mapa de Solos do Brasil. Quando drenados, podem ser
usados para agricultura, mas geralmente possuem baixa fertilidade
química, necessitando de adubos e corretivos.
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TEMA 2 – COMPOSIÇÃO QUÍMICA DOS SOLOS
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essenciais no solo é fundamental para intervir de maneira positiva no
crescimento e desenvolvimento das plantas, aumentando a qualidade e a
produtividade das lavouras (Caixeta; Thomazini, 2018).
Os vegetais são compostos por elementos não minerais: carbono (C),
hidrogênio (H) e oxigênio (O), que são absorvidos principalmente por meio da
fotossíntese, a partir do gás carbônico (CO2) e da água (H2O). Esses elementos
representam cerca de 95% de todos os organismos vivos, tanto animais quanto
vegetais, e são os principais componentes de carboidratos, proteínas e lipídeos
(Rodrigues; Correia, 2022).
Os vegetais são formados por elementos minerais além dos elementos
não minerais. Os elementos minerais tratam-se dos conhecidos macronutrientes;
nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S)
e micronutrientes; boro (B), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês (Mn), zinco (Zn),
os quais já vistos em conteúdos anteriores (Marchetti; Barp, 2015; Rodrigues;
Correia, 2022).
Os elementos químicos essenciais para o desenvolvimento das plantas
estão presentes no solo e são absorvidos pelas raízes dos vegetais. Quando as
plantas morrem e se decompõem, esses nutrientes são devolvidos ao solo,
completando o ciclo de nutrientes. No entanto, o plantio intensivo e as colheitas
frequentes rompem esse ciclo rapidamente. Com o tempo, essa prática leva à
perda de nutrientes, empobrecendo o solo e tornando-o cada vez mais infértil
(Marchetti; Barp, 2015; Novak et al., 2021).
Um solo fértil deve ter profundidade adequada para as raízes, pH
apropriado, nutrientes suficientes, microrganismos benéficos, proporções
corretas de argila e areia, além de húmus. Essas características são identificadas
por análises químicas laboratoriais e, se necessário, o solo deve ser corrigido
(Rodrigues; Correia, 2022).
As inúmeras reações químicas que ocorrem no solo visam à
disponibilidade adequada de nutrientes para as plantas. Todavia, antes de iniciar
o cultivo, é fundamental que o agricultor realize uma análise da composição
química do solo, verificando se à concentração de nutrientes suficiente para os
vegetais.
Essa prática é importante por diversas razões: otimiza a produção,
protege o meio ambiente contra a contaminação causada pelo escoamento e
lixiviação de fertilizantes em excesso, auxilia no diagnóstico de problemas nas
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plantas, melhora o equilíbrio nutricional do solo, permitindo economia de dinheiro
e energia ao aplicar apenas a quantidade necessária de fertilizantes, e indica a
presença de nutrientes, pH e excesso de sais no solo (Mantovani, 2009).
O pH do solo é uma variável fundamental, pois influencia a disponibilidade
de nutrientes para as plantas. Solos ácidos podem causar estresse nas plantas,
incluindo toxicidade pelo alumínio, que é tóxico na forma de íon Al3+ e mais
solúvel em pH baixo. Embora o alumínio não seja um nutriente, ele entra nas
raízes por osmose, limitando o crescimento das raízes e das plantas (Ceretta et
al., 2003).
A limitação do crescimento das raízes reduz a capacidade de absorção
de nutrientes. Por isso, deficiências em macronutrientes como nitrogênio,
fósforo, potássio, cálcio e magnésio são comuns em solos ácidos. Cada tipo de
planta tem um pH ideal para seu desenvolvimento. Portanto, os agricultores
precisam medir o pH do solo e corrigi-lo, se necessário, por meio de reações
químicas (Antunes et al., 2009).
Segundo a Teoria de Arrhenius, substâncias ácidas liberam íons H+ em
meio aquoso, como o ácido clorídrico (HCl), e substâncias básicas liberam íons
OH-, como o hidróxido de sódio (NaOH). A força de um ácido ou base depende
da sua solubilidade e grau de ionização em água: quanto mais íons liberados,
maior a força (Rodrigues; Correia, 2022).
Outro fator limitante é a água, pois é essencial para o crescimento das
plantas, mas em excesso pode prejudicá-las por reduzir a circulação de ar e
oxigênio no solo, afetando microrganismos vitais (Medeiros et al., 2005).
Dessa forma, análise química do solo é fundamental para transferir
informações sobre calagem e adubação da pesquisa para o agricultor. Ela
permite avaliar a deficiência de nutrientes e determinar as quantidades
necessárias de fertilizantes. Assim, a análise visa conhecer a fertilidade do solo
para recomendar corretivos adequados e é utilizada tanto para produção quanto
para monitorar a poluição do solo (Novak et al., 2021).
Em resumo, a coleta de amostras representativas de solo é crucial para
avaliar corretamente a necessidade de corretivos e fertilizantes, permitindo
assim alcançar rendimentos econômicos satisfatórios. Uma amostra
representativa é aquela que reflete de maneira mais precisa as condições de
fertilidade de uma área específica.
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A variabilidade das características químicas e físicas dos solos é
influenciada pelo manejo agrícola. Pesquisadores identificaram que os
coeficientes de variação dessas características variam: cerca de 10% para
propriedades pouco influenciadas pelo manejo, como areia, silte ou P-total; 25%
para matéria orgânica, capacidade de troca de cátions e N-total; e entre 35% e
50% para fósforo e potássio disponíveis, e cálcio e magnésio trocáveis, que são
altamente afetados pelo manejo (Rodrigues; Correia, 2022).
Em solos já adubados, os coeficientes de variação de fósforo e potássio
disponíveis podem ultrapassar 100%. Em contraste, o pH e a matéria orgânica
apresentam menor variabilidade.
A variabilidade da composição química do solo influenciada pela
precipitação ou irrigação, especialmente com águas residuárias que contêm
altos níveis de sais (Medeiros et al., 2005). Esses sais, como Ca2+ e Na+, não
são removidos nas estações de tratamento, levando à salinização e sodificação
do solo. A salinização aumenta o potencial osmótico, prejudicando plantas pouco
tolerantes à salinidade. A sodificação, causada pelo excesso de Na+ em relação
a Ca2+ e Mg2+, deteriora as propriedades físicas e químicas do solo, afetando
negativamente o crescimento das culturas (Medeiros et al., 2005; Gloaguen et
al., 2009).
A disponibilidade biológica de nitrogênio no solo é outro componente
químico que juntamente com fósforo, enxofre e potássio, estão diretamente
relacionados à produtividade agrícola.
Devido ao alto custo dos fertilizantes nitrogenados, a fixação biológica de
nitrogênio, que permite as plantas utilizar o N₂ molecular da atmosfera, é um dos
processos mais estudados na biologia do solo. Este é o segundo processo
biológico mais importante do planeta, com uma estimativa de que cerca de 175
milhões de toneladas de N₂ são fixadas anualmente nos ecossistemas terrestres
por microrganismos fixadores de nitrogênio (Chagas, 2007; Marchetti; Barp,
2015).
Após a fixação biológica do nitrogênio, as plantas utilizam esse nutriente
para formar suas estruturas e o disponibilizam para todos os organismos na
cadeia alimentar. Bactérias nitrificantes então transformam a amônia, resultante
da decomposição de resíduos nitrogenados, em nitritos e nitratos. Em seguida,
bactérias desnitrificantes convertem os nitratos em nitrogênio livre, que retorna
à atmosfera (Chagas, 2007; Marchetti; Barp, 2015; Zhang et al., 2025).
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TEMA 3 – FONTE DE MACRO E MICRONUTRIENTES PARA AS PLANTAS
(MANEJO NA RELAÇÃO SOLO-PLANTA)
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acúmulo de nutrientes na linha de plantio. Já a variação vertical refere-se às
diferentes estratificações de nutrientes em profundidade no solo. Isso pode ser
observado em culturas temporárias ao comparar os sistemas de manejo, como
plantio direto e plantio convencional (Lima Filho et al., 2023).
Em um estudo comparativo de fertilidade do solo entre plantio direto e
convencional, ambos com 19 anos de implantação e avaliados em quatro
profundidades, constatou-se que a maior estratificação de nutrientes na camada
superficial ocorreu no plantio direto. No sistema convencional, os nutrientes
estavam mais homogeneizados ao longo do perfil do solo. Isso se deve ao fato
de o plantio direto não envolver o revolvimento do solo, resultando em menor
variação vertical de nutrientes (Silva, 2009).
O estudo também revelou que o fósforo apresenta maior variação vertical
do que o potássio, devido à adsorção específica do fósforo, que impede sua
percolação, e à maior concentração de matéria orgânica na superfície, que é
uma grande fonte de fósforo (Lizcano-Toledo et al., 2021).
O P (fósforo) é um elemento dinâmico e vital na agricultura, onde é usado
como fertilizante essencial. Sua dinâmica no solo depende de vários fatores,
incluindo pH, salinidade, concentrações de elementos tóxicos, interação com
micronutrientes, escoamento superficial, lixiviação, concentração total de P, P
solúvel (assimilável pelas plantas), conteúdo de matéria orgânica, potencial
redox, estrutura e textura do solo (especialmente o teor de argila), composição
mineralógica, atividade enzimática, e a presença de microrganismos
solubilizadores de P e micorrizas (Lizcano-Toledo et al., 2021).
Dessa forma, o manejo adequado desse nutriente é fundamental, assim
como o manejo de outros nutrientes, como o nitrogênio, por exemplo. A
disponibilidade biológica do nitrogênio no solo, juntamente com a de fósforo,
enxofre e potássio, está diretamente relacionada à produtividade agrícola. Por
ser um elemento essencial, o balanço de nitrogênio afeta a formação de raízes,
a fotossíntese, a produção e translocação de fotoassimilados, e a taxa de
crescimento de folhas e raízes no solo, sendo o crescimento foliar o primeiro a
ser impactado (Marchetti; Barp, 2015).
Esses nutrientes são disponibilizados para as plantas no solo, no entanto,
nem sempre em quantidades adequada. Existem formas de acentuar a presença
desses macro e micronutrientes no solo, seja com aplicação de fertilizantes ou
outras fontes provedoras de nutrientes.
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Estudos desenvolvidos comprovam que o lodo de esgoto pode ser uma
fonte de nutriente. Tais pesquisas indicam que a decomposição do lodo de
esgoto no solo melhora o aproveitamento dos nutrientes pelas plantas. Isso
ocorre devido à liberação lenta dos nutrientes durante o processo de
mineralização da matéria orgânica. No entanto, seu manejo dever realizado
cuidadosamente (Oliveira et al., 1995).
Embora o lodo de esgoto contenha nutrientes necessários para as
plantas, ele também possui quantidades consideráveis de elementos tóxicos,
como metais pesados, que apresentam massa específica entre 3,5 e 7,0 g/cm³.
Entre esses metais estão o chumbo, cádmio, mercúrio, cobre, zinco e arsênio,
além de outros compostos orgânicos tóxicos para as plantas (Rocha et al., 2013).
Em estudos os autores Albuquerque (2011), Carvalho (2012), Santos et
al (2011) e Sobral et al (2011) contataram que a aplicação de resíduos
industriais na nutrição de plantas mostrou resultados positivos. A lama de cal da
indústria de celulose aumentou os teores de potássio nas folhas de bambu. A
torta de filtro pode substituir parcialmente o fósforo industrial. Em alface, houve
aumento de macronutrientes (N, P, K, Ca, S) e micronutrientes (Zn, Mn, Cu, B).
A escória de siderurgia também melhorou a absorção de nutrientes em cana-de-
açúcar.
A adubação verde é outra fonte de nutriente que ajuda equilibrar esses
elementos no solo. O uso de adubos verdes em rotação de culturas no sistema
de plantio direto, por exemplo, adaptados regionalmente, traz grandes
benefícios: melhora a distribuição do trabalho ao longo do ano, economiza mão
de obra, controla plantas invasoras por meio de coberturas e rotações, e
aumenta a biodiversidade do solo, promovendo um melhor equilíbrio ambiental
com menor ocorrência de pragas e doenças (Ferreira et al., 2012; Lima Filho et
al., 2023).
Esse sistema reduz a perda de solo, aumenta a infiltração e o
armazenamento de água, e melhora a fertilidade do solo por meio da reciclagem
de nutrientes. Ele também promove maior diversidade, aumenta o rendimento
das culturas, e melhora a estabilidade da produção, permitindo o uso constante
e racional da terra com mínimo emprego de insumos externos. Assim, o uso de
adubo verde é comprovadamente uma forma eficiente e eficaz de produção
contínua em sistemas sustentáveis (Ferreira et al., 2012; Lima Filho et al., 2023).
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Além disso, os fertilizantes no geral são comumente utilizados nesse
manejo solo/planta. Os fertilizantes repõem os elementos retirados do solo
durante cada colheita, mantendo ou aumentando seu potencial produtivo. Eles
são essenciais para aumentar a produtividade da agricultura (Dias; Fernandes,
2006).
As plantas participam da ciclagem de carbono e nitrogênio e interagem
com microrganismos do solo. Mudanças climáticas, variações de temperatura,
alteração na precipitação e escassez de água afetam o desempenho das
plantas, causando estresse abiótico e mudanças morfológicas e bioquímicas.
Problemas recorrentes em solos agrícolas incluem o acúmulo de defensivos
agrícolas (agrotóxicos), salinidade e metais pesados (Contreras-Cornejo et al.,
2024).
Manter sistemas de produção produtivos, competitivos e sustentáveis é
um objetivo central da agricultura moderna. Para isso, é necessário integrar
práticas que aumentem a biodiversidade, diversifiquem a produção, usem e
reciclem nutrientes eficientemente, mantenham ou recuperem os atributos do
solo, e reduzam os riscos de pragas e doenças. Essas práticas, focadas no
aumento da matéria orgânica e da biodiversidade do solo, promoverão avanços
na agricultura e melhorarão as condições socioeconômicas dos produtores rurais
(Lima Filho et al., 2023).
Todavia, o manejo adequado na relação solo/planta como abordado é
essencial para nutrição das plantas. As condições nutricionais do solo
equilibradas permitirão o crescimento e desenvolvimento saudável das plantas.
Além disso, as fontes possíveis de macro e micronutriente no solo são diversas,
entretanto, se feito o manejo correto resultarão no sucesso tanto na preservação
do solo quanto na qualidade e produtividade das culturas.
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necessária. Em culturas perenes, a incorporação desses corretivos é mais
complexa devido às características dessas plantas e à falta de informações
científicas e tecnológicas (Natale et al., 2012).
A calagem é uma prática benéfica em solos ácidos, porém se realizada
de forma inadequada, tornando-se ineficaz. No entanto, tal prática tem sido
fundamental na agricultura para melhorar a produção e conter a acidificação do
solo (Li et al., 2019).
Durante o último século, a aplicação de cal em solos ácidos aumentou os
rendimentos de forma significativa. Os materiais de calagem neutralizam os íons
de hidrogênio do solo, elevando o pH e reduzindo a concentração de elementos
tóxicos solúveis, como Al e Fe. Simultaneamente, aumenta a disponibilidade de
elementos essenciais como P, K e S. Além disso, os produtos de calagem
também podem fornecer cálcio e magnésio como fertilizantes (Natale et al.,
2012; Dai et al., 2017).
A carbonato de cálcio (cal) agrícola se dissolve lentamente, com a taxa de
dissolução influenciada pelo tamanho das partículas e pela composição química
dos materiais de calagem, diminuindo à medida que o pH do solo aumenta. Após
a dissolução, os componentes do calcário se espalham pelo solo, reduzindo sua
acidez trocável e aumentando os níveis de bases trocáveis. Por isso, é
necessário tempo para que a calagem tenha seu efeito completo, podendo levar
até três anos (Jouichat et al., 2024).
Dessa forma, conhecer as taxas de reação da cal e o tempo necessário
para neutralizar a acidez é crucial, especialmente para culturas sensíveis a pH
baixo, permitindo planejar a aplicação da cal antes da semeadura.
O calcário é um dos principais recursos minerais do Brasil, com reservas
de 53 bilhões de toneladas, bem distribuídas e de boa qualidade, tornando-o um
insumo agrícola barato. No entanto, apesar da abundância de calcário e da
necessidade de calagem, essa relação não é explorada adequadamente
(Malavolta, 2006; Natale et al., 2012).
Após a aplicação de cal, a dinâmica do pH do solo ocorre em três fases:
1) neutralização, onde a taxa de reação da cal é alta e o pH aumenta
gradualmente até estabilizar; 2) estabilização, onde o efeito da cal no pH
equilibra-se com a acidificação natural do solo; e 3) reacidificação, quando o
calcário residual não consegue mais conter a acidificação do solo (Santos et al.,
2018; Jouichat et al.,2024).
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Estudar o efeito da calagem na evolução do pH e nas taxas de
reacidificação ajuda a determinar a frequência ideal de calagem e a otimizar as
estratégias de aplicação. Modelar esses padrões pode melhorar as práticas de
aplicação de cal.
A correção de solos altamente intemperizados é essencial para reduzir a
acidez e melhorar o crescimento e a produtividade das plantas. No Sul do Brasil,
os efeitos da acidez nos sistemas radiculares são conhecidos há mais de sete
décadas, e a quantidade necessária de corretivo foi quantificada desde a década
de 1970 (Paradelo et al., 2015; Jouichat et al., 2024).
Estudos abrangem métodos de estimativa de acidez potencial e Al
trocável, a quantidade de acidez a ser corrigida para diferentes culturas, doses
de corretivos, reatividade da cal conforme a granulometria, método de aplicação
e frequência de reaplicação.
O principal objetivo da calagem é modificar o pH do solo e a composição
do complexo de troca. Por isso, a maioria dos estudos científicos foca no pH do
solo, na saturação de alumínio, nos cátions trocáveis e na produtividade das
plantas. Os efeitos a longo prazo da calagem sobre o carbono orgânico do solo
(SOC) têm sido menos estudados, e apenas recentemente a evolução do SOC
em solos tratados com e sem calagem começou a receber mais atenção
(Fornara et al., 2011; Šrámek et al., 2012).
O efeito líquido da calagem no carbono orgânico do solo (SOC) resulta de
processos simultâneos, bem como: (1) aumento da produtividade das plantas; a
calagem melhora as condições do solo, aumentando a produtividade das plantas
e o retorno de matéria orgânica ao solo, elevando os estoques de SOC; (2)
aumento da mineralização da matéria orgânica; a calagem estimula a atividade
biológica do solo, acelerando a mineralização da matéria orgânica e
potencialmente diminuindo os estoques de SOC e (3) melhoria da estrutura do
solo; a calagem melhora a estrutura do solo, formando agregados estáveis e
aumentando a proteção física do SOC, reduzindo as taxas de mineralização.
Tais processos interagem para determinar o efeito final da calagem no SOC
(Leifeld et al., 2013; Paradelo et al., 2015).
Esses processos são interdependentes. A calagem aumenta a
mineralização da matéria orgânica, esgotando a matéria orgânica lábil e
afetando negativamente a estabilidade dos agregados. No entanto, a maior
atividade microbiana também pode aumentar essa estabilidade, pois os
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microrganismos produzem polissacarídeos extracelulares que atuam como
agentes de ligação (Chenu, 1995; Puget et al., 1999).
O efeito líquido da calagem no SOC depende de fatores como pH inicial
do solo, taxa de calagem, teor de argila, mineralogia, uso do solo e clima.
Aplicações de cal são descontínuas, resultando em diferentes efeitos a curto e
longo prazo. Esses fatores complexos explicam por que o impacto da calagem
no SOC ainda não é totalmente compreendido, apesar das evidências sobre
outras propriedades do solo (Paradelo et al., 2015).
Além da calagem, outras técnicas têm sido usadas para prevenir e
melhorar a acidez do solo, como a adição de cal, subprodutos industriais,
resíduos orgânicos e resíduos de culturas. Subprodutos industriais, como gesso
e escória alcalina, aumentam o pH, a CTC e a saturação por bases, mas podem
contaminar o solo com metais pesados. Resíduos orgânicos também aumentam
o pH do solo e corrigem a acidez, mas podem conter metais pesados e excesso
de N e P, causando eutrofização (Xião et al., 2006; Zhang et al., 2014).
Os resíduos de culturas são usados como corretivos para solos ácidos,
com eficácia variando entre tipos. Além de fornecer nutrientes, podem aumentar
o pH do solo, dependendo da alcalinidade das cinzas ou do excesso de cátions
nos resíduos e do pH inicial do solo. Contudo, resíduos com baixa relação C/N,
como os de leguminosas, podem intensificar a nitrificação, reduzindo o pH abaixo
do nível inicial (Xião et al., 2006; Zhang et al., 2014).
Os biochars (junção de palavras de origem inglesa, biomass e charcoal,
que significam em português, biomassa e carvão) têm se destacado como
excelentes materiais para melhorar solos ácidos em comparação com outros
corretivos orgânicos. Além de elevar o pH do solo, eles ajudam a eliminar
resíduos, mitigar as mudanças climáticas e produzir energia. Derivados de várias
matérias-primas pirolisadas em temperaturas entre 200 °C e 700 °C, os biochars
são alcalinos e podem substituir a cal na correção da acidez e melhoria da
qualidade dos solos. Metanálises indicam que o aumento da produtividade das
plantas em solos ácidos após a incorporação de biochar se deve principalmente
aos efeitos da calagem (Dai et al., 2017).
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TEMA 5 – INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ADUBAÇÃO
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reduzindo os benefícios econômicos. Para maximizar os benefícios econômicos
das terras agrícolas, é necessário considerar não apenas os custos crescentes
da mão de obra e da maquinaria, mas também o aumento dos custos dos
insumos, especialmente dos fertilizantes nitrogenados (Wang et al., 2024).
Portanto, é importante investigar se a redução da aplicação de fertilizantes
nitrogenados em campos com devolução de palha em terras secas pode
melhorar o rendimento das culturas e a eficiência econômica.
O manejo adequado dos nutrientes vegetais nos sistemas de produção é
essencial para alcançar a sustentabilidade agrícola. Nas últimas décadas, o uso
de microrganismos como alternativa biológica à fertilização mineral tem se
tornado cada vez mais popular na agricultura, complementando outras práticas
de adubação (Rodak et al., 2024).
A adubação orgânica com resíduos de origem animal é uma alternativa
para manter a fertilidade do solo, reduzir custos, aumentar a produtividade e
melhorar as propriedades químicas e físicas do solo. Além disso, essa prática
diminui a poluição e aumenta a eficiência do uso de nutrientes, melhorando a
qualidade nutricional nos sistemas de produção (Pinto et al., 2016).
Os solos armazenam 2.500 Pg de carbono até 1 m de profundidade,
superando os estoques de carbono da biosfera (620 Pg) e da atmosfera (880
Pg). Assim, os solos são o maior reservatório de carbono no ecossistema
terrestre. Nos agroecossistemas, as práticas de manejo do solo influenciam
significativamente o carbono orgânico do solo (SOC) e os estoques totais de
nitrogênio, variando conforme a qualidade das práticas adotadas (Lal et al.,
2021).
A matéria orgânica do solo desempenha funções essenciais para a
mitigação e adaptação às mudanças climáticas, além de promover a qualidade
do solo. Portanto, para uma agricultura sustentável, é crucial manter ou melhorar
os níveis de SOC e nitrogênio. Entre as práticas de manejo que afetam a matéria
orgânica do solo estão o sistema de preparo do solo e a fertilização das culturas
(Brevilieri et al., 2024).
O uso racional de fertilizantes é essencial para garantir o rendimento das
culturas, mas ainda é necessário compreender melhor seus impactos
quantitativos nos estoques de SOC. Embora geralmente os fertilizantes
aumentem os níveis de matéria orgânica do solo a longo prazo, alguns estudos
apresentam resultados divergentes. Essa inconsistência sugere a necessidade
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de avaliações adicionais que considerem mais fatores ambientais que possam
influenciar a acumulação de carbono com a aplicação de fertilizantes (Lal et al.,
2021; Brevilieri et al., 2024).
Todavia, a adubação é essencial para o desenvolvimento saudável das
culturas, aumentando a produtividade e a qualidade das plantações, o que pode
resultar em maior lucro para o produtor. Existem diferentes tipos de adubação
para atender às necessidades específicas de cada solo e cultivo, visando
benefícios a curto e longo prazo.
FINALIZANDO
22
REFERÊNCIAS
23
stress mitigation by Trichoderma species. Soil Ecology Letters, v. 6, n. 4, p.
240240, 2024.
DAI, Z., ZHANG, X., TANG, C., MUHAMMAD, N., WU, J., BROOKES, P. , XU, J.
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of the Total Environment, v. 581, p. 601-611, 2017.
LAL, R., MONGER, C., NAVE, L., SMITH, P. The role of soil in regulation of
climate. Philosophical Transactions of the Royal Society B, v. 376, n. 1834,
p. 20210084, 2021.
24
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