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Desafios no Tratamento da Paralisia Cerebral

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PARALISIA CEREBRAL E SEUS DESAFIOS: UMA REVISÃO

DE LITERATURA
Davi Fernando Gomes Pereira, Arthur Emanuel Campos Coelho, Kelly
Nascimento Ferreira Júlio, Vinícius Silveira Rodrigues.

[Link]
Artigo recebido em 06 de Agosto e publicado em 26 de Setembro

RESUMO

A Paralisia Cerebral Infantil (PC) é uma das condições neurológicas mais comuns e difíceis
que impactam a infância. Objetivo: Este estudo tem como propósito examinar os
obstáculos e progressos no tratamento da PC. Método: Realizou-se uma análise
bibliográfica, utilizando publicações dos bancos de dados PubMed, Scopus e SciELO. Foram
considerados artigos originais e revisões sistemáticas em inglês e português publicados
entre 2019 e 2024, referentes aos desafios e avanços no tratamento da Paralisia Cerebral.
Foram escolhidos 14 artigos para a realização desta análise bibliográfica. Resultados e
Debate: Foi evidenciada a relevância de abordagens personalizadas que levem em conta os
aspectos clínicos da PC. Além disso, é crucial individualizar o tratamento da PC,
considerando a variedade de quadros clínicos dos pacientes. A compreensão crescente da
neuroplasticidade sugere que estratégias focadas na adaptação cerebral podem ser
essenciais, e a inclusão de tecnologias assistivas deve ser feita de maneira equilibrada,
considerando aspectos éticos e práticos. Conclusão: A busca constante por abordagens
terapêuticas eficazes, respaldadas por evidências robustas, é fundamental para progredir
em direção a uma gestão mais eficaz e compassiva dessa condição neurológica intrincada.

PALAVRAS-CHAVE: Paralisia Cerebral, Tratamento, Clínica.

Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences


Volume 6, Issue 9 (2024), Page 3865-3874.
CEREBRAL PALSY AND ITS CHALLENGES: A LITERATURE
REVIEW

SUMMARY

Infantile Cerebral Palsy (CP) is one of the most common and difficult neurological conditions
that impact childhood. Objective: This study aims to examine obstacles and progress in the
treatment of CP. Method: A bibliographic analysis was carried out, using publications from the
PubMed, Scopus and SciELO databases. Original articles and systematic reviews in English and
Portuguese published between 2019 and 2024 were considered, referring to the challenges
and advances in the treatment of Cerebral Palsy. 14 articles were chosen to carry out this
bibliographic analysis. Results and Debate: The relevance of personalized approaches that take
into account the clinical aspects of CP was highlighted. Furthermore, it is crucial to
individualize CP treatment, considering the variety of patients' clinical conditions. The growing
understanding of neuroplasticity suggests that strategies focused on brain adaptation may be
essential, and the inclusion of assistive technologies must be done in a balanced way,
considering ethical and practical aspects. Conclusion: The constant search for effective
therapeutic approaches, supported by robust evidence, is critical to progress towards more
effective and compassionate management of this intricate neurological condition.

KEYWORDS: Cerebral Palsy, Treatment, Clinic.

Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences


Volume 6, Issue 9 (2024), Page 3865-3874.
INTRODUÇÃO

A Encefalopatia Crônica da Infância (ECI) é uma das condições


neurológicas mais comuns e difíceis que impactam a infância. Com uma
ocorrência estimada de 3 a 5 casos a cada 1000 nascidos vivos, a ECI
engloba uma variedade de distúrbios motores, sensoriais e cognitivos
resultantes de lesões não progressivas no cérebro em desenvolvimento.
Essa condição complicada, frequentemente ligada a complicações durante
o parto, nascimentos prematuros e eventos adversos no período perinatal,
cria um grande ônus para as crianças e suas famílias, exigindo uma
abordagem abrangente para o seu tratamento.(Pool et al., 2021).
No âmago da Paralisia Cerebral, a variedade de sintomas clínicos se
destaca como um desafio inerente à sua compreensão e tratamento. Desde
casos leves, em que as dificuldades motoras são discretas, até situações
mais severas que afetam significativamente a capacidade de se
movimentar, falar e pensar, a Paralisia Cerebral exige dos profissionais de
saúde a adaptação de suas abordagens terapêuticas de acordo com as
necessidades específicas de cada criança. Esse desafio é ainda mais
complicado devido à complexidade do processo neurobiológico que está por
trás da Paralisia Cerebral, envolvendo mudanças na formação e
amadurecimento do cérebro em momentos cruciais do desenvolvimento
infantil.(Liang et al., 2021).
As práticas tradicionais de tratamento, tais como fisioterapia, terapia
ocupacional e fonoaudiologia, têm sido essenciais no tratamento da
paralisia cerebral, trazendo melhorias significativas em muitos casos. Ainda
assim, há desafios consideráveis a serem enfrentados, uma vez que a
diversidade da condição muitas vezes leva a resultados diferentes com os
tratamentos convencionais. Isso ressalta a importância de uma avaliação
crítica das terapias disponíveis e uma investigação detalhada de novas
abordagens terapêuticas.(Fosdahl et al., 2019).
Avanços recentes na ciência e na tecnologia estão trazendo novas
esperanças para o tratamento da Paralisia Cerebral. A compreensão cada
vez maior da capacidade do cérebro de se adaptar destaca a importância

Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences


Volume 6, Issue 9 (2024), Page 3865-3874.
de intervenções precoces para otimizar o desenvolvimento neural,
resultando em melhorias funcionais significativas. Além disso, a introdução
de tecnologias de assistência, como robôs e abordagens medicamentosas
específicas, está abrindo novas possibilidades para aumentar a
independência funcional e a qualidade de vida das crianças
afetadas.(Araneda et al., 2020).
Assim, o propósito deste estudo é examinar os obstáculos e
progressos no cuidado da PC, apresentando uma análise crítica das
abordagens tradicionais e evidenciando novas descobertas para direcionar
diretrizes clínicas e estudos posteriores.

MÉTODO

Realizou-se uma análise de literatura, com base em artigos


encontrados nas plataformas PubMed, Scopus e SciELO. Foram
considerados para esta análise tanto artigos originais quanto revisões
sistemáticas que abordavam os obstáculos e avanços no tratamento da
Paralisia Cerebral. Para a busca, foram utilizados os termos-chave da área
de saúde, Paralisia Cerebral, Criança e Terapêutica, conforme os
Descritores em Ciências da Saúde (DeCS). A pesquisa foi conduzida
combinando esses termos com o conectivo “E”. Os artigos escolhidos
seguiram critérios específicos de inclusão e exclusão.
Os parâmetros para inclusão estabelecidos na escolha dos artigos
foram os seguintes: Artigos publicados em português e inglês nos últimos 6
anos (2019-2024), disponíveis em bases de dados mencionadas
anteriormente e relacionados à temática específica. Os artigos excluídos
são aqueles que não abordaram o tema principal, estavam duplicados, ou
foram publicados fora do período de 2019 a 2024.
Após a primeira etapa de pesquisa conforme os critérios
estabelecidos, os títulos e resumos dos estudos foram analisados para
verificar sua pertinência em relação aos objetivos da revisão. Ao final dessa
avaliação, foram escolhidos 14 artigos para compor esta revisão
bibliográfica.

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ARTIGO ANO
Safety and efficacy outcomes after intranasal administration of 2023
neural stem cells in
cerebral palsy: a randomized phase 1/2 controlled trial
Comparative effects of kinect-based versus therapist-based 2023
constraint-induced
movement therapy on motor control and daily motor function in
children with unilateral cerebral palsy: a randomized control trial
Interventions to improve physical function for children and young 2022
people with cerebral
palsy: international clinical practice guideline
Robotic systems for the physiotherapy treatment of children 2022
with cerebral palsy: a
systematic review
Game-Based Dual-Task Exercise Program for Children with 2022
Cerebral Palsy: Blending
Balance, Visuomotor and Cognitive Training: Feasibility
Randomized Control Trial
Locomotor and robotic assistive gait training for children with 2021
cerebral palsy

Effectiveness of exercise interventions for children with cerebral 2021


palsy: A systematic
review and meta-analysis of randomized controlled trials
Nonimmersive virtual reality as complementary rehabilitation on 2021
functional mobility and
gait in cerebral palsy: A randomized controlled clinical trial
Effectiveness of virtual reality in children and young adults 2021
with cerebral palsy: a
systematic review of randomized controlled trial
Cerebral palsy: Sport and exercise considerations 2021
Functional, neuroplastic and biomechanical changes induced by 2020
early Hand-Arm Bimanual Intensive Therapy Including Lower
Extremities (e-HABIT-ILE) in pre-school
children with unilateral cerebral palsy: study protocol of a
randomized control trial
Physical, occupational, and speech therapy for children with 2020
cerebral palsy
Stretching and progressive resistance exercise in children with 2019
cerebral palsy: a
randomized controlled trial
Neurodevelopmental treatment (Bobath) for children with cerebral 2019

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Volume 6, Issue 9 (2024), Page 3865-3874.
palsy: a systematic
review

Quadro 1: Estudos selecionados

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A análise apontou dificuldades importantes nas abordagens


tradicionais usadas para tratar a paralisia cerebral. Mesmo com tentativas
de melhoria, foi visto uma grande variação nas formas como cada criança
responde às terapias convencionais, indicando a urgência de estratégias
mais flexíveis e personalizadas para lidar com as exigências complexas da
paralisia cerebral.(Toldi et al., 2021).
Ao investigar a ligação entre plasticidade cerebral e terapias
aplicadas precocemente, diversos estudos destacam a relevância
fundamental dessas estratégias na melhora das habilidades motoras e
cognitivas. A regulação da plasticidade do cérebro, principalmente quando
iniciada durante as fases iniciais do crescimento, demonstrou avanços
significativos na promoção da funcionalidade em crianças com paralisia
cerebral, sugerindo uma via a ser mais aprofundada nas intervenções
clínicas.(Llamas-Ramos et al., 2022).
As novas tecnologias e a introdução de dispositivos robóticos têm se
destacado por sua relevância. Estudos apontam progressos concretos na
promoção da autonomia e na qualidade de vida de crianças com PC,
ressaltando a importância dessas novidades como complemento às
abordagens convencionais. Um estudo clínico aleatório que utilizou
tecnologia de games provou a sua eficácia ao não registrar eventos
adversos ou dificuldades no uso de jogos de computador na terapia de
crianças com PC.(Szturm et al., 2022).
Ao analisar abordagens farmacológicas, foram observados desafios
consideráveis, incluindo questões de especificidade e segurança. Embora
haja promissoras pistas em estudos neuroquímicos, a discussão ressalta a
necessidade de uma abordagem cautelosa, enfatizando ensaios clínicos
rigorosos e uma compreensão aprofundada dos mecanismos de ação (LV
et al., 2023).

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É importante ressaltar a importância de personalizar o tratamento da
PC, levando em conta as diferentes condições clínicas dos pacientes. A
descoberta contínua da neuroplasticidade indica que abordagens focadas
na adaptação do cérebro podem ser essenciais, e a incorporação de
tecnologias de apoio deve ser feita de forma equilibrada, levando em
consideração aspectos éticos e práticos.(Zanon et al., 2019).
Também foi notado que as crianças apresentavam maior chance de
evoluir acima do previsto quando se envolviam em atividades lúdicas
durante as terapias familiares, que atendiam às necessidades dos
pequenos e eram voltadas para recreações estruturadas. O enfoque na
promoção da saúde e do bem-estar mostrou uma associação positiva com a
participação e a autonomia.(Mccoy et al., 2020).
A realidade virtual (RV) tem sido usada na reabilitação clínica nas
últimas duas décadas (Arnoni et al., 2021). Foram identificadas evidências
de qualidade inferior que indicam um efeito moderado da inclusão da
Realidade Virtual (RV) no tratamento convencional em comparação com o
tratamento convencional sozinho para melhorar a função dos membros
superiores após o tratamento e a curto prazo. Além disso, foi constatado
que o uso da RV em comparação com o tratamento convencional tem um
efeito moderado na melhoria do controle postural e equilíbrio após o
tratamento. Foi também observado que a RV, em comparação com nenhum
tratamento, apresenta efeitos de qualidade inferior, variando de pequenos a
significativos, na melhora da marcha e da força do membro inferior a médio
prazo. Apesar do aumento no número de estudos sobre os efeitos da RV,
isoladamente ou em combinação com outras terapias, os resultados e
impactos a longo prazo da intervenção ainda permanecem incertos.(Fandim
et al., 2021).
Em relação ao desenvolvimento das habilidades motoras em crianças
classificadas nos níveis I a III do GMFCS, é sugerido um programa de
treinamento com foco em objetivos específicos para tarefas que englobem
todo o movimento. A prática de partes individuais das tarefas pode ser um
primeiro passo antes de trabalhar o movimento completo. Além disso,
terapia contextualizada e treinamento motor direcionado para objetivos
podem ser eficazes para aprimorar as habilidades motoras em crianças e

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adolescentes classificados nos níveis I a IV do GMFCS.(Jackman et al.,
2022).
A autonomia de locomoção para crianças e adolescentes do nível IV
do GMFCS deve focar no uso de equipamentos adaptativos, como a
mobilidade motorizada, para facilitar a realização eficaz de atividades, ao
invés de apenas considerar as habilidades motoras em geral. Para aqueles
classificados nos níveis III e IV do GMFCS, é aconselhável combinar
objetivos funcionais com o uso de equipamentos, tecnologia e ajustes no
ambiente, a fim de aumentar a independência, inclusão, eficiência na
execução de tarefas, e reduzir o gasto de energia e o estresse dos
cuidadores. Dessa forma, a criança pode estabelecer e perseguir metas de
locomoção específicas e alcançáveis de maneira direta.(por exemplo,
reposicione-se na cama) (Jackman et al., 2022).
A prática de exercícios aeróbicos tem despertado interesse em
pacientes com PC devido ao seu estilo de vida sedentário e à forte ligação
entre a aptidão cardiovascular e a melhoria da saúde. Estudos clínicos
randomizados realizados com indivíduos com PC mostraram um aumento
considerável na resistência aeróbica, embora esse aumento geralmente
seja observado apenas em pacientes classificados de GMCS I a III. Os
estudos foram analisados levando em consideração a quantidade de
sessões por semana, a intensidade do exercício, a duração e o tipo de
atividade realizada. Os participantes dos grupos experimentais
apresentaram um aumento significativo na resistência aeróbica, o que
sugere que mesmo aqueles com menor condicionamento físico podem obter
benefícios com poucas sessões de exercício e um aumento gradual na
resistência.(Toldi et al., 2021).
Em uma visão para o futuro, foi percebida a relevância de estratégias
abrangentes e customizadas que levam em consideração os detalhes
clínicos da Paralisia Cerebral. Essas análises não apenas enriquecem o
acervo de informações, mas também oferecem direcionamentos preciosos
para profissionais da saúde, pesquisadores e famílias que lidam com os
obstáculos cotidianos relacionados à Paralisia Cerebral Infantil, buscando
uma constante evolução nas práticas clínicas e na qualidade de vida dessas
crianças.(Shih et al., 2023).

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CONSIDERAÇÕES

As dificuldades encontradas nas terapias tradicionais ressaltam a


importância de uma abordagem individualizada, customizando técnicas
terapêuticas para suprir as necessidades particulares de cada criança com
Paralisia Cerebral. A análise detalhada da diversidade clínica é essencial
para direcionar os profissionais de saúde na seleção das melhores
abordagens, considerando que cada paciente possui características
distintas.
As descobertas recentes sobre a neuroplasticidade do cérebro
surgem como uma direção promissora no cuidado da Paralisia Cerebral.
Técnicas que buscam influenciar a neuroplasticidade, principalmente se
aplicadas logo no início, mostraram grande potencial em melhorar as
habilidades físicas e mentais. Esse enfoque na capacidade do cérebro de
se adaptar indica uma nova perspectiva no tratamento da Paralisia
Cerebral, onde a plasticidade cerebral é vista como uma aliada fundamental
no processo de reabilitação.
A ênfase nas tecnologias de auxílio e nos equipamentos robóticos
mostra um cenário emocionante de progresso, com o potencial de mudar a
autonomia das crianças com paralisia cerebral. Esses avanços abrem novas
perspectivas para vencer obstáculos físicos e aprimorar o bem-estar,
incentivando a participação ativa em tarefas do dia a dia.
Em conclusão, esta revisão destaca a importância de uma
abordagem holística e adaptativa no tratamento da Paralisia Cerebral
Infantil. Ao reconhecer os desafios e incorporar avanços inovadores, os
profissionais de saúde, pesquisadores e familiares podem desempenhar
papéis fundamentais na promoção do bem-estar e desenvolvimento integral
das crianças com PC. A busca contínua por estratégias terapêuticas
eficazes, baseadas em evidências sólidas, é crucial para avançar em
direção a uma abordagem mais eficiente e compassiva na gestão desta
condição neurológica complexa.

REFERÊNCIAS

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Volume 6, Issue 9 (2024), Page 3865-3874.
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