SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE
ENFERMAGEM À GESTANTE COM
ÓBITO FETAL INTRAUTERINO
Damião Romero Firmino Alves1
Herbert Kauan Alves Martins2
Daiana Beatriz de Lira e Silva3
Isabella Martelleto Teixeira de Paula4
Enfermagem
ciências humanas e sociais
ISSN IMPRESSO 1980-1785
ISSN ELETRÔNICO 2316-3143
RESUMO
O estudo teve como objetivo aplicar o processo de enfermagem à gestante em situ-
ação de óbito fetal intrauterino, à luz das Necessidades Humanas Básicas. Trata-se de
um estudo qualitativo do tipo relato de caso realizado entre os dias 03 de dezembro
2018 à 06 de dezembro de 2018 na unidade de Clínica obstétrica de um Hospital Uni-
versitário, localizado no Estado da Paraíba. A coleta de dados ocorreu por meio de um
instrumento de histórico de enfermagem e da Nomenclatura de diagnósticos, resulta-
dos e intervenções de enfermagem para pacientes hospitalizados em unidades clínicas,
estruturados de acordo com as necessidades humanas básicas da paciente. As neces-
sidades humanas básicas afetadas foram as psicobiológicas e as psicossociais, sendo
identificados oito diagnósticos de enfermagem: Glicemia instável, Risco de infecção,
Luto antecipado, Medo do parto, Sono e repouso prejudicados, Integridade da pele pre-
judicada, Risco de hemorragia pós-parto, Baixa autoestima situacional. As intervenções
de enfermagem tiveram a finalidade de diminuir complicações e promover conforto
a paciente. A realização do estudo foi relevante tornando possível a identificação das
principais necessidades da paciente diante do diagnóstico de óbito fetal intrauterino,
sendo possível desenvolver um plano de cuidado de enfermagem mais efetivo e in-
dividualizado. Ademais, possibilitou experiência tanto teórica quanto prática para os
autores envolvidos, além de subsídio para a prática profissional de futuros enfermeiros.
PALAVRAS-CHAVE
Enfermagem, Processo de Enfermagem, Gravidez, Morte Fetal.
Ciências Biológicas e de Saúde Unit | Pernambuco | v. 5 | n. 1 | p. 19-28 | Julho. 2022 | [Link]
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ABSTRACT
The objective of the study was to apply the nursing process to pregnant women
in situations of intrauterine fetal death, in the light of Basic Human Needs. This is a
qualitative study of the type of case study carried out between December 3rd 2018 to
December 6th 2018 in the obstetric clinic unit of a University Hospital, located in the
State of Paraíba. Data collection took place using a nursing history instrument and the
Nomenclature of diagnoses, results and nursing interventions for patients hospital-
ized in clinical units, structured according to the basic human needs of the patient.
The basic human needs affected were psychobiological and psychosocial and eight
nursing diagnoses were identified: unstable glycemia, risk of infection, early grief, fear
of childbirth, impaired sleep and rest, impaired skin integrity, risk of postpartum hem-
orrhage, Low situational self-esteem. Nursing interventions were intended to reduce
complications and promote patient comfort. The study was relevant, making it pos-
sible to identify the main needs of the patient when diagnosed with intrauterine fetal
death, making it possible to develop a more effective and individualized nursing care
plan. In addition, it enabled both theoretical and practical experience for the authors
involved, as well as support for the professional practice of future nurses.
KEYWORDS
Nursing. Nursing Process. Pregnancy. Fetal Death.
1 INTRODUÇÃO
A gestação é um evento natural no ciclo de vida da mulher, caracterizado por
intensas modificações que desperta em umas diversas respostas diferentes como ex-
pressão da sua individualidade. Entretanto, essas transformações, que geram mudan-
ças físicas e emocionais, demandam um acompanhamento contínuo por parte dos
profissionais de saúde e envolvem, também, o apoio dos familiares (ALVES et al., 2017)
Na maioria dos casos, sendo a gravidez um fenômeno normal, sua evolução
ocorre sem complicações. Cerca de 10% a 20% das gestações podem ocasionar pro-
blemas relativamente graves, as chamadas gestações de alto risco (LEAL et al., 2017).
Nestes casos, há a necessidade de um maior cuidado com as repercussões físicas e
psicológicas cruciais que perpassam a gestação dessa mulher. Além de lidar com as
repercussões naturais da gravidez, esta terá de enfrentar apreensão de uma gestação
com um risco maior que o habitual (RIBEIRO et al., 2017).
O termo “gestação de alto risco” é abrangente e refere-se a situações que po-
dem prejudicar a evolução normal de uma gestação, relacionando-se tanto aspectos
relativos à saúde materna quanto do feto. Diversos fatores podem influenciar na es-
timativa de risco gestacional que podem ser identificados já no período pré-concep-
cional, sendo, portanto, de grande importância, o desenvolvimento de investimentos
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assistenciais para preparar o organismo materno para uma gravidez a fim de diminuir
seus efeitos (LEAL et al., 2017; RIBEIRO et al., 2017)
A gestação de alto risco ocorre quando a gestante apresenta alguma doença ou
condição sociobiológica como a hipertensão arterial, diabetes, alcoolismo, obesidade
e outras (doenças tromboembólicas – trombofilia), que prejudica a evolução da gra-
videz, risco este que pode levar à morte materna e fetal. Cada uma dessas condições,
de acordo com suas características trazem repercussões diferentes ao ciclo gravídico-
-puerperal da mulher (SAMPAIO; ROCHA; LEAL, 2018).
O óbito fetal intrauterino é conceituado pela Organização Mundial de Saúde
quando em qualquer momento a gravidez, sendo aborto retido de primeiro ou se-
gundo trimestre e feito morto de terceiro trimestre até o fim do momento gestacional
(BRASIL, 2010). Em contrapartida, o óbito que somente ocorre a partir das 20 semanas
gestacionais receberá declaração de óbito e fará parte do cálculo do coeficiente de
natimortalidade (GIRALDI et al., 2019).
O óbito fetal intrauterino (OFIU) é o produto conceptual em morte que pode ser
identificada pela ausência de respiração e/ou qualquer outro sinal de vida que podem ser
ausência dos batimentos cardiofetais (BCF), pulsações do cordão umbilical ou movimen-
tos efetivos da musculatura voluntária. Mediante discussões, o termo utilizado para morte
fetal, hodiernamente, é natimortalidade e produto natimorto (FEBRASCO, 2018).
A mobilização dos profissionais de saúde e gestores de serviços públicos em saúde
devem ampliar estratégias para romper com os óbitos fetais/mortalidades fetais mediante
ausência do pré-natal. A responsabilidade dos serviços de saúde sob a população da área
de abrangência para identificar os problemas e promover estratégias de acompanha-
mento do desenvolvimento fetal e dos cuidados maternos durante o período gestacional
promove a melhor prevenção de possíveis mortes fetais e maternas (BRASIL, 2010).
Dessa forma, o enfermeiro(a) deve estar atento às diversas situações de risco
que podem perpassar a gravidez, que aumentam o risco de complicações maternas e
fetais e podem traduzir-se em repercussões psicossociais mais intensas na experiên-
cia da gestação (SAMPAIO; ROCHA; LEAL, 2018).
É o enfermeiro que constantemente está ao lado da mulher nos acompanhamen-
tos pré-natais e muitas vezes nos pré-concepcionais e de planejamento reprodutivo, en-
tão é responsabilidade dele compreender sobre o fenômeno da gravidez e as condições
sociobiológicas que podem influenciar este para auxiliar a mulher a passar pela experiên-
cia de do ciclo gravídico-puerperal sem maiores transtornos (DIAS et al., 2018).
A sistematização da assistência de enfermagem (SAE) é um método organi-
zacional do cuidar, por meio da utilização do Processo de enfermagem (PE) que é a
ferramenta orientadora do cuidado. O processo de enfermagem representa a forma
de reação/ação do enfermeiro frente ao comportamento da paciente. Este está divi-
dido em seis fases do planejamento, a saber: histórico, diagnóstico, plano assistencial,
plano de cuidados, evolução e diagnóstico (MARINELLI et al., 2016).
A utilização do Processo de Enfermagem orienta para uma adequada assistência
de enfermagem, tornando-a sistematizada e direcionadas às necessidades individuais
da paciente, podendo ser avaliada e modificada quando necessário. Além disso, a utili-
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zação desta ferramenta torna possível uma assistência embasada cientificamente, com
ações e pensamento crítico voltados à assistência holística (MARINELLI et al., 2016).
Desse modo, questiona-se como deve ser desenvolvido o processo de enfer-
magem direcionado à gestante em situação de óbito fetal intrauterino segundo as
Necessidades Humanas Básicas? Assim, o presente estudo tem por objetivo aplicar o
processo de enfermagem à gestante em situação de óbito fetal intrauterino, à luz das
Necessidades Humanas Básicas.
2 MÉTODOS
Trata-se de um estudo qualitativo do tipo relato de caso realizado entre os dias
03 de dezembro a 06 de dezembro de 2018, na unidade de Clínica Obstétrica de um
Hospital Universitário localizado no Estado da Paraíba. A coleta de dados foi realizada
a partir do histórico de enfermagem, durante o Estágio Supervisionado na disciplina
Enfermagem na Atenção à Saúde da Mulher II, no Curso de Graduação em Enferma-
gem da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
A coleta de dados foi realizada por meio de um instrumento de histórico de
enfermagem e da realização de anamnese e exame físico, além de consulta de resul-
tados de exames laboratoriais e medicamentos em uso no prontuário físico. Para o
planejamento da assistência de enfermagem, optou-se por utilizar a Nomenclatura
de diagnósticos, resultados e intervenções de enfermagem para pacientes hospitali-
zados em unidades clínicas, utilizando a CIPE® (NOBREGA, 2018) diante dos proble-
mas reais e potenciais relacionados a paciente. Buscou-se também estruturar o plano
de cuidados de acordo com as necessidades humanas básicas (HORTA, 1975).
Optou-se por escolher para participar do plano de cuidados pacientes que esta-
vam em situação de diagnóstico de óbito fetal intrauterino, e que mostrasse confor-
tável com a presença dos estudantes e dos cuidados implementados. Foram excluídas
as pacientes que se encontravam instáveis quanto ao processo de perda ou que esti-
vessem em perspectiva de alta hospitalar.
Antes da coleta de dados foi solicitada a autorização para a participação na pes-
quisa, com a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) pela
paciente. Foram obedecidas as orientações da Resolução n° 466/2012 do Conselho
Nacional de Saúde.
3 RESULTADOS
3.1 HISTÓRIA CLÍNICA
M.L.M.S, 22 anos, Gesta VIII/Parto V/Aborto II, parda, solteira, ensino fundamen-
tal incompleto, doméstica, procedente do município de João Pessoa-PB. Data da úl-
tima menstruação (DUM) em 23/02/19, data provável do parto (DPP) para 30/11/19 e
idade gestacional (IG) de 37 semanas e 6 dias, segundo ultrassonografia obstétrica.
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Admitida na clínica obstétrica do Hospital Universitário em 13/11/19 provenien-
te do pré-natal de baixo risco (PNBR), a despeito de descompensação de Diabete
Mellitus (DM) tipo II, em uso de insulina NPH, sem realizar pré-natal adequado e com
controle glicêmico prejudicado. Possui histórico de infecção do trato urinário (ITU)
não tratada há 1 semana, sendo encaminhada após não detectar movimentos fetais
(MF) e batimentos cardiofetais (BCF) durante exame físico no pré-natal de baixo risco.
Durante a avaliação médica na classificação de risco da referida clínica foi cons-
tatado altura de fundo uterino: 40 cm, BCF: inaudível, MF e dinâmica uterina ausentes,
toque vaginal evitado. Foi solicitado nova USG do serviço confirmando apresentação
pélvica direita, peso fetal estipulado em 2885 g, índice de líquido amniótico (ILA): 5,1
cm, placenta anterior grau I, e diagnóstico de óbito fetal intrauterino (OFIU) decor-
rente de provável descompensação do DM tipo II. Solicitado, então, indução de parto
transvaginal de forma medicamentosa.
Quanto às impressões da equipe de enfermagem, a paciente apresentava-se em
estado geral bom, consciente e orientada, chorosa e referindo sentimento de tristeza.
Pele íntegra, normocorada, afebril (Temperatura: 35,7ºC), acianótica, anictérica. Sono
e repouso prejudicado e com recusa à dieta. Respirando por meios próprios, eup-
neica, Saturação de O2: 98%. Hemodinamicamente estável (Pressão Arterial: 130x90
mmHg), ritmo cardíaco regular (Frequência: 88bpm), bulhas cardíacas normofonéti-
cas, perfusão periférica preservada. Mamas simétricas, presença de sinal de Hunter e
rede venosa de hárley, mamilos íntegros e protusos. Ausência de nodulações a palpa-
ção e sem excreção de líquido à expressão mamária. Abdômen gravídico. Referindo
dor em baixo ventre e negando queixas de náuseas, vômitos, pirose ou epigastralgia.
Eliminações vesicais e intestinais presentes e espontâneas.
A gestante realizou Teste Rápido para HIV I e II com resultado não reagente e
hemoglicoteste (HGT), demonstrando alteração glicêmica, com valor de 410 mg/dl.
Em sua terapêutica, ela fez uso de dieta hipoglicídica, insulina Neutral Protamine Ha-
gedorn (NPH) 20 Unidades Internacionais e Misoprostol 25 mg para indução do parto.
Após da indução, a paciente evoluiu para parto eutócico, dando à luz à RN mor-
to, feto único. Realizado contato pele a pele do binômio mãe e filho por solicitação da
genitora. Ocorreu dequitação espontânea da placenta minutos após. Foi visualizado
laceração de 1° grau em pequeno lábio esquerdo, não necessitando de episiorrafia.
3.2 PLANEJAMENTO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM
Diante das informações coletadas a partir do histórico de enfermagem e clínico/
obstétrico, identificaram-se oito diagnósticos de enfermagem durante os quatro dias
de acompanhamento da referida paciente. Destes, cinco referentes ao âmbito psico-
biológicas e três relacionadas às dimensões psicossociais, de acordo com o quadro 1,
que mostra a distribuição dos diagnósticos de enfermagem de acordo com a Neces-
sidade Humana Básica (NHB) afetada.
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Quadro 1 – Relação entre os principais diagnósticos de enfermagem com a NHB afe-
tada. João Pessoa-PB, 2019
Necessidade Humana Básica (NHB) Diagnóstico de enfermagem
Dimensões Necessidades
Glicemia instável
Regulação vascular
Integridade física Integridade da pele prejudicada
Sono e repouso Sono e repouso prejudicados
PSICOBIOLÓGICAS
Segurança física e do meio am-
Risco de infecção
biente
Regulação vascular Risco de hemorragia pós-parto
Segurança emocional Luto antecipado
PSICOSSOCIAL Segurança emocional Medo do parto
Autoestima, autoconfiança Baixa autoestima situacional
Fonte: Autores.
Ao perceber quais dimensões necessitam de uma ação é possível desenvolver
um plano assistencial de enfermagem (TABELA 1) a fim de viabilizar um melhor dire-
cionamento das ações de enfermagem relacionada as demandas básicas da paciente.
Tabela 1 – Plano de cuidado à gestante com óbito fetal intrauterino. João Pessoa-PB, 2019
DIAGNÓSTICOS DE RESULTADOS
INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM
ENFERMAGEM ESPERADOS
Estimular a identificação de estratégias pesso-
Aceitação
ais de enfrentamento;
Luto antecipado quando o proces-
Implementar costumes culturais, religiosos e
so de perda
sociais no processo de perda.
Encorajar comunicação sobre a fonte do
medo;
Medo do parto Medo ausente Proporcionar tranquilidade e conforto;
Encorajar presença de acompanhante durante
trabalho de parto.
Sono e repouso Sono e repouso Orientar a puérpera a descansar e dormir;
prejudicados preservado Providenciar um meio calmo e seguro.
Avaliar o grau de ruptura da pele.
Recuperação ade-
Integridade da pele Manter lençóis limpos e lisos.
quada da integri-
prejudicada; Manter o paciente seco, livre de secreções e
dade da pele
eliminação.
Fazer sempre afirmações positivas sobre a
Baixa autoestima Expressar melhora
paciente.
situacional na autoestima
Oferecer apoio psicológico.
Não apresentar
Avaliar cicatrização da ferida.
Risco de infecção sinais ou sintomas
Monitorar sinais e sintomas de infecção.
de infecção
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DIAGNÓSTICOS DE RESULTADOS
INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM
ENFERMAGEM ESPERADOS
Monitorar sinais e sintomas de hiperglicemia;
Glicemia instável Glicemia estável Verificar glicemia capilar conforme rotina;
Aplicar insulina conforme prescrição médica;
Identificar risco de hemorragia;
Risco de hemorragia Hemorragia no
Monitorar pressão arterial e pulso periférico;
pós-parto pós-parto ausente
Monitorar resposta ao uso do anticoagulante.
Fonte: Autores.
3.3 IMPLEMENTAÇÃO E AVALIAÇÃO
A partir dos diagnósticos elencados e suas respectivas intervenções, durante
o ato de implementação da assistência à então puérpera, verificou-se que a pacien-
te seguiu com estabilidade hemodinâmica e geral (Pressão arterial: 130x90 mmHg,
Temperatura axilar: 35,7 ºC, Frequência cardíaca de 88 bpm e Saturação de O2: 98),
bem como palpação do globo de segurança de Pinard e eliminações dos lóquios fi-
siológicos. Manteve-se também vigilância constante nas primeiras horas pós-parto,
verificando regularmente a adequada contratilidade uterina e possibilidade de desen-
volvimento de hemorragia pós-parto (HPP).
Aliado a isto, a paciente necessitou de cuidados que trabalhassem o luto desde
o momento do diagnóstico de OFIU. Realizou-se, portanto, orientações quanto ao
processo de morrer, trabalhando questões culturais, religiosos pertinentes ao proces-
so da perda, bem como, sanando as dúvidas da puérpera a respeito das causas do
OFIU e sua atual situação clínica. Obtendo ao final, verbalização por parte da paciente
em compreender a situação, exprimindo uma melhor aceitação quanto a perda.
Buscou-se, objetivando o desenvolvimento de um sono e repouso restaurador,
facilitar a expressão das preocupações da paciente relativo à insônia, atrelado a orien-
tações da necessidade do descansar, bem como providenciar um meio calmo e segu-
ro e adequar os cuidados de modo a permitir repouso com mínimo de perturbações.
Ademais, foram realizadas condutas que prevenisse tanto o desenvolvimento
de infecções quanto as descompensações glicêmicas. Medidas como prescrever a
equipe uma avaliação diária do processo de cicatrização das regiões lesionadas, vigi-
lância quanto sinais e sintomas de infecção, monitoramento de sinais e sintomas de
hiperglicemia, acompanhamento glicêmico conforme rotina do serviço e aplicação
da insulinoterapia. Objetivando que essa paciente não venha a apresentar sinais ou
sintomas de infecção, bem como descompensações glicêmicas.
O impacto na qualidade de vida das pacientes em situação de óbito fetal intrau-
terino é, sem dúvida, substancial, tornando-se maior e mais complexo com o avanço
dessa enfermidade. Desse modo, a enfermagem necessita desempenhar habilidades
e capacidades cognitivas, psicomotoras e afetivas, embasadas nas reflexões do pro-
cesso saúde-doença, capazes de problematizar o processo vivenciado pelo outro,
objeto de seu cuidado.
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4 DISCUSSÃO
O processo de enfermagem é o instrumento fundamental e estruturante no
direcionamento do cuidado de enfermagem, ajudando na construção do conheci-
mento de modo deliberado, sistemático e contínuo, além de fortalecer a prática pro-
fissional no que diz respeito aos registros das ações executadas, aumentando assim,
a visibilidade e o reconhecimento da Enfermagem, enquanto ciência do cuidar (CO-
FEN, 2009; GUIMARÃES et al., 2020).
De acordo com a Resolução do Conselho Regional de Enfermagem (COFEN)
358/2009, o Processo de Enfermagem organiza-se em cinco etapas inter-relaciona-
das, independentes e recorrentes: Coleta de Dados de Enfermagem (ou Histórico de
Enfermagem); Diagnóstico de Enfermagem; Planejamento de Enfermagem; Imple-
mentação; e Avaliação de Enfermagem (COFEN, 2009).
O Histórico de Enfermagem é a fase inicial do processo de enfermagem confi-
gurando o início da interação entre os agentes do cuidado, objetivando conhecer e
obter informações que possibilitem a continuidade do processo. Durante essa fase é
realizada a anamnese e o exame físico (ALLGAYER et al., 2017).
O diagnóstico de enfermagem é compreendido como sendo o a etapa do pro-
cesso na qual interpreta e agrupa os dados coletados no histórico de enfermagem,
culminando na tomada de decisão sobre os problemas e que constitui a base para a
seleção das ações ou intervenções com as quais se objetiva alcançar os resultados
esperados (COFEN, 2009).
A etapa de coleta de dados é fundamental para o conhecimento das demandas
assistenciais da paciente independente de contexto clínico, visto que viabiliza um
melhor direcionamento das ações de enfermagem relacionada as demandas básicas
do indivíduo (GUIMARÃES et al., 2020). Compreende-se que é por meios dos dados
identificados e registrados na coleta de dados, que o profissional de enfermagem
pode avaliar e acompanhar a evolução dos pacientes, e desse modo, desenvolver
intervenções de maneira precoce, de qualidade e específica para as necessidades
humanas básicas comprometidas (GOMES et al., 2018).
Na etapa de avaliação do processo de enfermagem foram observadas as respostas da
paciente aos cuidados implementados e verificado se os resultados obtidos eram satisfa-
tórios após as intervenções de enfermagem executadas. Ressalta-se que a avaliação é um
processo contínuo, em que os seus resultados medem a eficácia das intervenções realiza-
das e consequentemente a resolução do diagnóstico de enfermagem (GOMES et al., 2018).
5 CONCLUSÃO
Aos prestar cuidados complexos a equipe de enfermagem deve estar atenta não
somente aos aspectos fisiopatológicos envolvidos no adoecimento, mas também aos
impactos psicológicos e sociais que circundam todo o processo, ainda mais quando
o paciente tem um desfecho clínico doloroso.
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O presente estudo de caso expôs de forma cuidadosa a execução do Processo
de Enfermagem, comprovando a eficácia desse recurso metodológico. Ao passo
que, por meio deste, é possível identificar os problemas reais e potenciais da ges-
tante em situação de óbito fetal intrauterino, seus fatores relacionados ou predispo-
nentes, estabelecer resultados esperados e implementar intervenções com vista a
conquistar os objetivos propostos.
Dado isto, o estudo contribui significativamente na reflexão quanto à importân-
cia da aplicação do PE em todas as suas fases, como um instrumento de abordagem
deliberativa de resolução de problemas, exigindo desses profissionais habilidades
cognitivas, técnicas e interpessoais, direcionando sua prática para a satisfação das
necessidades do indivíduo-família-comunidade.
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Data do recebimento: 21 de abril de 2022
Data da avaliação: 9 de junho de 2022
Data de aceite: 12 de junho de 2022
1 Especialista em Terapia Intensiva e Urgência e emergência (UNIBF); Enfermeiro pela Universidade Federal
da Paraíba (UFPB); Residente Multiprofissional em Cardiologia (HUOL/UFRN. E-mail: [Link]@[Link].
2 Especialista em Nefrologia e Urgência e emergência (UNIBF); Enfermeiro pela Universidade Federal da Paraíba
(UFPB); Residente Multiprofissional em Terapia Intensiva (HUOL/UFRN. E-mail: kawanherbert@[Link].
3 Enfermeira pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB); Pós-Graduanda em Urgência e Emergência
(ESPECIALIZA SAÚDE); Membro do Grupo de Estudos e Pesquisa em Saúde da Pessoa em Condições Críticas –
GEPSPCC. E-mail: daiana_beatriz@[Link].
4 Acadêmica do curso de enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB; Membro do Núcleo
de Estudos e Pesquisas em Agravos e Doenças Infecciosas e Qualidade de Vida – NEPAIQV. E-mail:
bebelamartelleto1@[Link].
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