Capacitação em Reanimação Neonatal
Capacitação em Reanimação Neonatal
NATAL/RN
2015
10
JANE CRISTINA MEDEIROS
NATAL/RN
2015
11
Seção de Informação e Referência
Catalogação da Publicação na Fonte. UFRN / Biblioteca Central Zila Mamede
12
―Se, na verdade, não estou no mundo para
simplesmente a ele me adaptar, mas para
transformá-lo; se não é possível mudá-lo sem
um certo sonho ou projeto de mundo, devo
usar toda possibilidade que tenha para não
apenas falar de minha utopia, mas participar de
práticas com ela coerentes‖
Paulo Freire.
13
AGRADECIMENTOS
A Deus, sem o qual, para mim, seria impossível vivenciar essa existência em
todas as suas dimensões, pessoal, familiar e profissional;
Ao meu marido que é tão igual e ao mesmo tempo tão diferente de mim, e
que mesmo sem entender racionalmente minhas escolhas, procura sempre me
apoiar ao máximo possível;
Aos meus pais, que me transmitiram valores que são minha fortaleza e
fraqueza simultaneamente, e que vejo cada vez mais raros em meus colegas de
profissão;
A George Dantas de Azevedo, meu orientador. O grupo Cidade Negra tem
uma música que diz ―meu caminho só meu Pai pode mudar...‖ Em minha vida,
George é o ser humano mais utilizado por Deus para me encaminhar em seus
desígnios. Devido a sua insistência e incentivo me tornei médica, me tornei
professora e estou concluindo o meu mestrado. Dizer somente obrigado jamais será
suficiente, mas é o que posso expressar em palavras, além de tentar fazer jus nas
duas esferas profissionais da minha vida (Medicina e Docência), à confiança que
ele deposita em minha competência profissional;
Aos professores que fazem o Mestrado Profissional em Ensino na Saúde. Por
causa deles vivemos uma experiência de aprendizado única, extremamente
prazerosa e recompensadora levando-nos a um novo patamar profissional e a uma
mudança na compreensão do que realmente é a docência;
A Universidade Federal do Rio Grande do Norte e a sua Unidade Escola
Multicampi de Ciências Médicas do Rio Grande do Norte que representa todo o
papel que o ensino dever ter na construção da identidade profissional de um aluno
em todas as suas dimensões, e na transformação da realidade social da
comunidade onde a Universidade encontra-se inserida;
A Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, campus Caicó (CaC), em
especial ao seu departamento de enfermagem, parceiro no crescimento e
aprimoramento dos profissionais de saúde do interior do Rio Grande do Norte;
14
Ao professor Doutor Marcelo dos Santos, um dos mais competentes e
humildes profissionais que eu conheço e a sua esposa Danielly Félix dos Santos,
por sua ajuda inestimável para a conclusão desse trabalho;
Aos professores Aramis Costa Santos, Gerson Barbosa do Nascimento e
Joélia Celeste Vieira Germano, amigos e colegas de profissão, com quem posso
contar sempre que preciso, que me apoiam e me dão força nos momentos de
fraqueza e incerteza, e que me doaram um dos bens mais preciosos que podemos
ter na sociedade moderna, o seu tempo.
15
RESUMO
16
ABSTRACT
In whole world, including in Brazil, there is an absence of professionals who are able
to be present at the moment of birth and give to the newborn the cares that they
need to because either an absence of opportunity or inappropriate training to those
professionals. This master´s thesis describes a construction and application of a
neonatal resuscitation course that uses the problem based learning (PBL)
methodology. The course has done in two meetings, one for the tutorial session, and
another for practice session. The students were divided in groups of eight students
each, under supervision of two teachers with experience in PBL methodology. The
experience was considered successfully because there were students involvement
and motivation. Some course aspects were rebuilt for its upgrading, like the correct
use of methodology and building of custom educational material for students learning
necessity. It suggests that the course can be used by the medical and nursing
schools and perhaps other kind of health courses.
17
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO 19
2. OBJETIVOS 24
3. MÉTODOS 26
4. RESULTADOS 35
5. APLICAÇÃO PRÁTICA PARA A FORMAÇÃO DOS
PROFISSIONAIS DE SAÚDE 40
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 42
7. ANEXOS 45
7.1 PLANO DE CURSO 46
7.2 SITUAÇÕES PROBLEMAS E SEUS RESPECTIVOS OBJETIVOS
DE APRENDIZAGEM
48
7.3 QUESTIONÁRIO PRÉ E PÓS-TESTE 51
7.4 MANUAL DE REANIMAÇÃO NEONATAL SIMPLIFICADO 56
18
1. INTRODUÇÃO
19
Ao longo da evolução da Medicina, muitos foram os procedimentos que após
criados, apresentaram uma nítida interferência na qualidade e quantidade de
sobrevida dos seres humanos. Dentre eles, os procedimentos desenvolvidos para
Reanimação Neonatal figuram entre os mais efetivos até hoje, sendo de fácil
aprendizado e custo relativamente baixo. No entanto nem sempre foi assim e
métodos empíricos para reanimação neonatal são utilizados desde os primórdios da
medicina, modernizando-se apenas nos últimos 40 anos.
Analisando-se o que vivenciamos em nosso cotidiano, principalmente nas
localidades mais afastadas dos grandes centros urbanos, não é raro ver-se ainda a
prática inadequada de muitos destes procedimentos, relacionada à ausência de um
profissional capacitado para sua realização. É possível testemunhar ainda nos dias
atuais, medidas de reanimação neonatal obsoletas e perigosas, tais como recém-
nascidos (RN) sendo chacoalhados de cabeça para baixo, logo após seu
nascimento, sofrendo compressões torácicas ou tapas vigorosas em seu dorso, na
tentativa do profissional responsável por sua reanimação fazê-lo respirar.
Muitas dessas práticas estão relacionadas a um fenômeno descrito por Dal
Poz1 (2013) como uma crise global da força de trabalho em saúde (FTS),
caracterizada pela má distribuição dos profissionais de saúde nas áreas ditas rurais
(afastadas dos grandes centros), periferias urbanas ou de difícil acesso de quase
todos os países, com um déficit de profissionais qualificados atuando nessas áreas
de até quatro milhões de profissionais, provocando estresse e insegurança de forma
progressiva na sua rotina de trabalho.
20
30 dias por mês, gerando uma demanda urgente de capacitação desses
profissionais em reanimação neonatal, como reanimadores autônomos.
Historicamente, segundo Ribeiro e Lopes2, 2007, a partir de 1993 houve a
implementação e expansão do Programa de Reanimação Neonatal (PRN) no Brasil,
e já em 1997, todos os estados brasileiros possuíam ao menos um profissional
treinado formalmente e apto a expandir o conhecimento sobre a reanimação
neonatal no treinamento de outros profissionais.
Onde o PRN foi implementado houve melhora na eficácia ao atendimento,
evidenciada pelo menor número de casos com asfixia neonatal e pela
melhora do índice de Apgar do quinto minuto. Entretanto, a retenção dos
conhecimentos e habilidades diminui com o passar do tempo, mostrando a
necessidade de um novo treinamento. Por isso, deve-se pensar em sua
reestruturação, com o objetivo de permitir maior retenção dos
2
conhecimentos teóricos e habilidades psicomotoras. (RIBEIRO; LOPES ,
2007, p.85)
21
É importante ativar conhecimentos que o aluno já domina e que, portanto,
fazem parte de contextos conhecidos por ele. Esse recurso permite o
desenvolvimento de capacidades e habilidades que o auxiliam a estabelecer
relações entre os conhecimentos novos e aquilo que se observa no seu
cotidiano, tornando a aprendizagem mais significativa e interessante.
6
(HÜLSENDEGER , 2009, p. 21)
23
2. OBJETIVOS
24
Criar e implementar um minicurso de capacitação em reanimação neonatal
simplificado, direcionado a habilitação de qualquer profissional da saúde, na
perspectiva de uma abordagem ativa de aprendizagem, visando contribuir para
melhoria da assistência neonatal, sobretudo no nascimento, ou noutras situações
onde houver apenas um profissional não pediatra disponível para a realização desta
técnica.
.
25
3. MÉTODOS
26
O presente trabalho obteve aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa com
a CAAE: 26405214.0.0000.5292
27
3.3. Instrumento Avaliativo
3.4 Metodologia
28
A sessão tutorial é regida por passos pré-determinados, como forma de
alcançar o interesse e despertar o conhecimento prévio dos alunos participantes do
grupo. Os passos apresentados devem seguir a ordem determinada:
1. Leitura do problema, identificação e esclarecimento de termos
desconhecidos;
2. Identificação dos problemas propostos pelo enunciado;
3. Formulação de hipóteses explicativas para os problemas identificados
no passo anterior (os alunos se utilizam nesta fase dos conhecimentos de
que dispõem sobre o assunto);
4. Resumo das hipóteses;
5. Formulação dos objetivos de aprendizado (trata-se da identificação do
que o aluno deverá estudar para aprofundar os conhecimentos incompletos
formulados nas hipóteses explicativas);
6. Estudo individual dos assuntos levantados nos objetivos de
aprendizado;
7. Retorno ao grupo tutorial para rediscussão do problema frente aos
10
novos conhecimentos adquiridos na fase de estudo anterior. (BERBEL ,
1998, p.147)
No primeiro passo são esclarecidos pelo tutor ou pelos outros componentes
do grupo os termos que remetam dúvida a algum aluno. Se algum deles for
importante para o aprendizado pode ser definido como objetivo de aprendizagem.
Em seguida, os alunos definirão em uma frase o problema do problema, isso é,
definirão a situação que se apresenta em poucas palavras ou na forma de pergunta
a fim de, e a partir daí, passar para a próxima fase (discussão dos problemas)
procurando responder a pergunta ou afirmação aqui feita.
Na discussão dos problemas, os alunos resgatarão todo o conhecimento
prévio que tiverem a respeito do tema elencado, não importando se esteja correto ou
errado. Experiências pessoais podem ser utilizadas como exemplo e são
importantes para despertar o interesse dos componentes do grupo na validade do
assunto discutido. Nessa fase o relator irá anotar no quadro branco as explicações
que forem sendo dadas na tentativa de explicar o problema pelos participantes do
grupo. É importante que o relator, como membro ativo do grupo, também forneça
explicações para o problema, através do resgate do seu próprio conhecimento
prévio, pois se assim ele não proceder, isolar-se-á do grupo e será prejudicado ao
não expor suas teorias com os demais, tornando-se apenas um mero secretário e
não um membro ativo do grupo. Essa fase acabará no momento em que todas as
hipóteses forem colocadas pelo grupo e se chegar ao limite do conhecimento de
seus componentes a respeito do assunto discutido.
29
No quarto passo, o relator fará um resumo de todas as hipóteses e teorias
elencadas pelo grupo a respeito do problema. Poderá ser feito um esquema
contendo as palavras-chave que forem aparecendo, com o objetivo de ressaltar o
limite de conhecimento do grupo a respeito do problema, pois a partir desse limite
aqui estabelecido é que serão construídos os objetivos de aprendizagem do grupo
na próxima fase.
No quinto passo, serão construídos os objetivos de aprendizagem que o
grupo deverá estudar no passo seis (estudo individual) com o objetivo de resolverem
o problema. Neste, de forma individual, serão estudados os objetivos de
aprendizagem construídos no passo cinco. A bibliografia consultada será de inteira
responsabilidade e escolha do aluno sendo aconselhável a consulta de fontes
confiáveis (livros, artigos científicos com bons níveis de evidência).
Por fim, como sétimo passo, após um intervalo de tempo estabelecido pelo
tutor, o grupo voltará a se reunir e exporá o que encontrou a respeito do problema
na literatura consultada, comparando informações e encontrando uma solução para
o problema.
30
3.7 Aplicação experimental do minicurso
31
A frequência de recepção de recém-nascidos pelos técnicos de enfermagem
participantes do curso, sozinhos em sala-de-parto como reanimadores principais
variou entre uma a duas vezes por semana até 10 a 20 vezes por semana, sendo
que 68% relataram ser pouco frequente a recepção de recém-nascidos sozinhos.
Destaca-se que no questionário avaliativo o intervalo pouco frequente foi definido
como a recepção de recém-nascidos em sala de parto sem outro profissional mais
habilitado como sendo duas a cinco vezes por semana.
Dez componentes (62,5%) referiram já ter realizado o curso de reanimação
neonatal tradicional oferecido pela SBP, tendo três componentes informado já tê-lo
feito mais de uma vez.
Quando arguidos a respeito da necessidade de treinamento da equipe em
reanimação neonatal 100% dos profissionais responderam que tinham a
necessidade de treinamento da equipe nos procedimentos de reanimação neonatal.
32
Quatro professores (três médicos e um biólogo), docentes do Curso de
Medicina da EMCM foram convidados a participar da aplicação do minicurso, com o
objetivo de viabilizar o emprego da metodologia ativa do aprendizado baseado em
problemas e o trabalho em pequenos grupos.
Para a segunda etapa da capacitação houve um acordamento com o Curso
de enfermagem da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN),
Campus Caicó (CaC), que gentilmente disponibilizou seu laboratório morfofuncional
para realização da atividade.
Após o preenchimento do pré-teste, os problemas foram lidos em ordem e
para cada problema foram discutidas medidas de reanimação adequadas sugeridas
pelos participantes, tomando como base o seu conhecimento prévio. Ao término
dessa fase, os alunos receberam uma cópia do manual de reanimação neonatal da
SBP para estudo individual, sendo em seguida liberados.
Por motivos de força maior, adiamos em uma semana da data marcada
previamente a segunda etapa da capacitação, sendo a mesma realizada 3 semanas
após a primeira fase da mesma.
No segundo encontro compareceram apenas oito dos 16 componentes da
capacitação inicial, sendo estes pertencentes à equipe do berçário e sala de parto
do hospital, a enfermeira e uma técnica atuante na pediatria. Estes oito
componentes foram divididos em dois grupos com quatro componentes cada, com
dois tutores por grupo. No material disponibilizado pela UERN existia: um boneco de
recém-nascido para cada grupo, de tamanho ideal, mas impróprio para simular
ventilação; sondas orotraqueais; panos para simulação do campo aquecido para
recepção do RN; e mesa para simulação do berço aquecido.
A cada aluno por vez era apresentada uma situação padrão de nascimento
abordada nos problemas anteriormente construídos e discutidos, sendo solicitado ao
mesmo a descrição oral e a demonstração da conduta adequada para a situação-
problema. Se não houvesse um acerto inicial da conduta, esta era repetida até ser
referida pelo aluno de forma correta. Os acertos eram elogiados de forma a incutir
autoconfiança e motivação em participar. Esta etapa durou quatro horas.
Ao término foi aplicado o pós-teste (igual ao pré-teste), à semelhança do que
ocorre nos cursos de reanimação da SBP.
33
4. RESULTADOS
_____________________________________________________________
34
Após a aplicação inicial do minicurso realizamos uma avaliação de seus
pontos positivos e negativos e chegamos a algumas conclusões.
A pactuação com as escolas universitárias da região, UERN e EMCM, para
a aplicação do curso, assim como com os professores das mesmas, foi muito
importante para o seu sucesso, já que nos mostrou a real possibilidade da
multiplicação do conhecimento de forma mais acessível a todos e de baixo custo ao
se utilizar essa estratégia. A participação de profissionais locais como tutores,
conhecedores dos hábitos e problemas de saúde enfrentados diariamente pela
equipe, forneceu a familiaridade e senso de importância necessária à motivação dos
treinandos. A utilização apenas dos materiais disponíveis nos serviços de saúde da
região, já conhecidos pelos profissionais atuantes em sala de parto, propiciou um
aprimoramento no conhecimento da utilidade e importância dos mesmos, ajudando-
os a estabelecer parâmetros para seu devido uso na prática diária da reanimação.
Os problemas foram construídos de forma a abranger os tópicos de
treinamento principais elencados pela SBP em seu curso tradicional, utilizando a
contextualização de problemas locais, com uso de situações reais dos serviços onde
ocorriam a falta de plantonista ou o despreparo destes, e o emprego da linguagem
local, personagens comuns e ambientação regional.
Os objetivos de aprendizagem foram construídos de forma progressiva a fim
de aprofundar o nível e a complexidade do aprendizado a cada encontro. Foi tida
uma particular preocupação em estabelecer como um dos objetivos de
aprendizagem nos problemas que abrangiam uma complexidade de ações maior, o
limite de intervenção permitido ao profissional devido a sua formação.
Isso torna-se importante porque apesar da proposta do minicurso ser a não
restrição do treinamento em reanimação a determinadas classes profissionais em
prol de uma assistência emergencial a um recém-nascido, existe um limite de ações
que os profissionais não médicos não devem ultrapassar de forma alguma, em
virtude da real possibilidade de agravo do quadro desse recém-nascido por imperícia
ao realizar procedimentos de complexidade elevada para a sua formação
profissional.
A metodologia empregada foi de natureza ativa, baseada no emprego dos
princípios do aprendizado de adultos, tendo sido de fácil utilização pelos professores
executantes do minicurso e de fácil aceitação por parte dos alunos.
35
A pactuação do período de realização das etapas do minicurso com os
treinandos foi importante para facilitar o comparecimento dos mesmos aos
treinamentos, pois permitiu a adaptação dos horários às suas necessidades
pessoais e profissionais, na medida do possível. O emprego experimental do
minicurso mostrou-se uma importante ferramenta de incentivo à presença e
participação individual do aluno em que sua contribuição individual no sucesso do
treinamento do grupo foi valorizada adequadamente.
O interesse no objeto de aprendizado principal dos cursos para capacitação
em qualquer área é essencial para o envolvimento e assiduidade do aluno adulto,
pois devido às características do tempo empregado para o seu aprendizado ser
limitado por seu tempo disponível (tempo que resta após a prática profissional,
familiar, lazer), a sua motivação para comparecimento e dedicação aos treinamentos
ocorrerá se a aprendizagem tiver uma aplicação prática para a vida diária, porque
―pessoas aprendem o que realmente precisam saber‖ (CARVALHO5, 2010, p.88).
Pudemos constatar esse fato ao realizarmos as duas etapas de treinamento.
Na primeira etapa houve o comparecimento de 16 participantes de vários setores do
serviço. Na segunda etapa só houve o comparecimento da metade deles. A metade
que faltou pertencia aos profissionais que exerciam atividade no centro cirúrgico e
emergência, portanto com um nível de interesse no aprendizado da reanimação
neonatal provavelmente relativamente menor do que aqueles que trabalhavam no
berçário, onde essa competência profissional era exigida deles diariamente.
Portanto, ao ser mudada a data da segunda etapa da capacitação não houve
provavelmente um empenho tão grande por parte dos faltosos em adaptarem sua
agenda pessoal à agenda do treinamento, devido à importância do mesmo,
comparado às suas necessidades pessoais ser possivelmente bem menor.
O emprego de um material de aprendizado cognitivo adequado para o estudo
individual voltado ao atendimento das características de aprendizado do público-alvo
também se mostra de vital importância para o sucesso de um treinamento. O
material que empregamos para o estudo individual e o material para sua avaliação,
baseado no curso de reanimação neonatal da SBP, mostrou-se de natureza técnica
superior aos conhecimentos apresentados pelos participantes quanto à
complexidade dos termos empregados, prejudicando o seu entendimento do texto.
36
Tal fato não somente dificultou o seu estudo, como também o preenchimento
do material avaliativo e a sua participação na etapa prática do minicurso. Isso foi
constatado ao realizarmos a etapa prática do minicurso, quando os alunos
apresentaram dificuldade na realização das condutas adequadas descritas no texto
distribuído para o estudo individual.
Ao serem arguidos a respeito das dificuldades apresentadas, os mesmos
relataram dificuldade no entendimento do texto estudado. No entanto, mesmo após
esse relato por parte dos participantes, houve uma melhoria do número de acertos
expressiva se comparados pré e pós-testes (média de acertos de 7% no pré-teste e
15% no pós-teste, significância testada segundo o teste ANOVA, adotando o nível
de significância de Lilliefors (p<0,05)), considerado um aprendizado adequado.
Podemos então inferir que a realização de um treinamento bem sucedido em
qualquer área de conhecimento, requer a produção de um material adequado ao
público-alvo tanto em sua natureza textual como prática.
O produto desta experiência foi a reconstrução do curso de reanimação
neonatal inicialmente planejado nos moldes já descritos, mas ainda assim baseado
nos moldes do curso de reanimação neonatal da Sociedade Brasileira de Pediatria e
utilizando metodologias ativas. O curso reconstruído foi projetado para ser utilizado
para treinamento de profissionais de nível médio e também como um instrumento de
ensino da reanimação neonatal para alunos iniciantes dos cursos de medicina e
enfermagem com o objetivo de propiciar um primeiro contato com esta competência
(alunos onde o conhecimento em reanimação neonatal seja superficial)
A metodologia empregada continuou sendo a ABP, porém o respeito às
regras do emprego da metodologia de forma correta mostrou-se necessário, já que
cada competência mostrou-se ser complexa o bastante para ser abordada de forma
particular, tanto no seu aprendizado teórico quanto prático, visando uma melhora na
sua aprendizagem. O curso então foi reformatado para ser realizado em seis
encontros, sendo três encontros de natureza teórica e três encontros de natureza
prática.
Os três problemas construídos com seus respectivos objetivos de
aprendizagem foram mantidos, assim como os seus objetivos de aprendizagem. No
entanto, individualizou-se o seu emprego em sessões tutoriais separadas como
acima descrito.
37
Observamos que o uso de situações problema contextualizadas com base em
situações vivenciadas rotineiramente em sala de parto facilitou o reconhecimento
dos alunos das situações familiares a sua prática profissional, assim como o
linguajar regional facilitou a sua compreensão. Recomendamos devido a isso, que
essas situações sejam adaptadas à prática do serviço que porventura for emprega-
las, sendo necessária apenas a manutenção dos objetivos de aprendizagem, pois
estes foram construídos para que o aprendizado ocorra em situações de
complexidade cada vez maior. Estes problemas estão contidos no Anexo B deste
trabalho.
Um plano de curso (Anexo A) foi construído para que possa ser seguido de
forma fácil por aqueles que optarem por empregar o curso onde necessitarem.
Associadamente, simplificamos o linguajar empregado no manual de
reanimação neonatal da SBP, mudando quando possível, os termos técnicos
empregados e tornando-o mais coloquial, com o objetivo de aumentar a
compreensão do material didático pelos alunos com pouco ou nenhum
conhecimento em reanimação neonatal. Este manual adaptado encontra-se descrito
no Anexo D.
Por fim, foi construído como já relatado anteriormente, uma adaptação do
instrumento avaliativo empregado pelo curso de reanimação neonatal tradicional,
tendo sido excluídas as questões referentes a temas não abordados pelo curso que
foi o produto deste estudo. Este instrumento avaliativo encontra-se no Anexo C.
38
5. APLICAÇÃO PRÁTICA PARA A
FORMAÇÃO DOS PROFISSIONAIS
DE SAÚDE
__________________________________________________________
39
A possibilidade da utilização do minicurso para o treinamento inicial dos
estudantes de enfermagem e medicina nos princípios de reanimação neonatal traz
uma possível padronização do ensino da reanimação na graduação de baixo custo e
fácil aplicabilidade. Seu emprego permite o contato precoce destes futuros
profissionais com esta temática, facilitando sua compreensão futura do curso
tradicional, que por normatização do próprio PRN só pode ser oferecido aos alunos
nos dois últimos anos antes da conclusão do curso.
Outras possibilidades de seu emprego podem surgir devido ao seu baixo
custo e facilidade de execução. Dependerá apenas das necessidades que surgirem.
Um aprimoramento progressivo da metodologia e material didático empregados já
existe, e a proposta da criação de um material informativo mais lúdico e informal na
forma de um gibi educativo em reanimação neonatal encontra-se em andamento.
No entanto, independente da evolução que este projeto sofra, apenas um ponto não
pode ser modificado que consiste no seu objetivo maior que é propiciar uma forma
fácil e barata de treinamento de equipes em reanimação neonatal que encontram-se
a margem do treinamento tradicional nas áreas rurais do Brasil.
Qualquer iniciativa realizada já se traduz em mais um passo para
melhorarmos a assistência aos recém-nascidos nessas regiões, mesmo que esse
passo seja modesto. Particularmente acredito que a educação em saúde é uma
ferramenta essencial para a melhoria da nossa realidade precária da falta de
profissionais de saúde qualificados nos serviços públicos do país. Contribuir para
essa educação em saúde e mesmo que modestamente, contribuir para a
implementação de uma ação que modifique a minha realidade da prática em saúde,
traz para a minha vida a complementação que faltava nos meus dois aspectos
profissionais tornando-os complementares em sua vivência, a Medicina e a
Docência da Medicina, afinal de contas, Paulo Freire já dizia que se a educação
sozinha não pode transformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda.
40
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
41
1. Dal Poz MR. A Crise da Força de Trabalho em Saúde. Cad. Saúde Pública
Rio de Janeiro [periódicos na Internet] 2013 out; 29(10). [Acesso em 03 dez
2014]. Disponível em: [Link]
311X2013001000002&script=sci_arttext
42
9. Borges MC, Chachá SGF, Quintana SM, Freitas LCC, Rodrigues MLV.
Aprendizado Baseado em Problemas. Revista da Faculdade de Medicina de
Ribeirão Preto e do Hospital das Clínicas da FMRP Universidade de São
Paulo Ribeirão Preto [periódicos na Internet] 2014; 47(3): 301-7. [Acesso em
23 abr 2015]. Disponível em:
[Link]
[Link]
43
7. ANEXOS
44
7.1 Anexo A – Plano de Curso
45
5. Metodologia
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENSINO NA SAÚDE
MESTRADO PROFISSIONAL EM ENSINO NA SAÚDE (MPES)
O curso será ministrado em 6 encontros de 2 horas cada, divididos por área
temática. Cada área temática terá um encontro teórico de 2 horas, destinadas
ao encontro do grupo para discussão de um problema abrangendo o tema do
dia, utilizando a metodologia da aprendizagem baseada em problemas, e um
encontro prático de 2 horas destinadas a realização de treinamento simulado,
com a finalidade de realização das técnicas de reanimação abordadas pelo
material didático discutido na área temática. Haverá um intervalo de 15 dias
entre o encontro teórico e o encontro prático para o estudo do material didático
por parte dos alunos. Este material didático é constituído por uma adaptação
do manual de reanimação neonatal da Sociedade Brasileira de Pediatria e
será disponibilizado por área temática, no momento da finalização da primeira
sessão tutorial para que seja estudado no intervalo entre estas.
6. Recursos Didáticos
- Sessões tutoriais com 8 alunos cada utilizando a metodologia do
aprendizado baseado em problemas
-Sessões práticas para treinamento simulado das condutas discutidas nas
sessões tutoriais.
7. Avaliação
A avaliação será empregada na forma de questões de múltipla escolha como
pré e pós-teste a fim de comparação de resultados para definição do aumento
do conhecimento do aluno. Os resultados serão disponibilizados para o
mesmo ao fim do curso.
8. Bibliografia
O material bibliográfico será entregue ao aluno junto com a inscrição no curso
46
7.2 Anexo B – Situações problemas e seus respectivos objetivos de
aprendizagem
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
48
Quadro 3. Situação problema 3: Trabalho de parto prematuro
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
49
7.3 Anexo C – Questionário pré e pós-teste (adaptado do curso de reanimação
neonatal da SBP)
03) Assinale a alternativa que contém o material utilizado para a aspiração da boca e
narinas, quando o líquido amniótico não contém mecônio:
( ) sonda traqueal no 8 ou 10 conectada ao aspirador a vácuo.
( ) sonda uretral no 8 ou 10 conectada ao aspirador a vácuo.
( ) sonda gástrica no 8 ou 10 conectada ao aspirador a vácuo.
( ) sonda gástrica, traqueal ou uretral no 8 conectada à seringa de 20 ml.
06) Após os passos iniciais, em quais das seguintes situações o oxigênio inalatório
não está indicado:
( ) respiração irregular.
( ) apnéia.
( ) frequência cardíaca <100 bpm.
( ) Todas as acima.
51
09) Logo após o nascimento, o RN encontra-se apneico e cianótico. O reanimador
leva para a mesa de reanimação, faz os passos iniciais em 30 segundos e ele
continua apneico e cianótico. Neste momento, o reanimador deve:
( ) fazer o estímulo tátil com fricção circular do abdome
( ) oferecer o oxigênio inalatório
( ) iniciar a ventilação com balão e máscara
( ) indicar a intubação traqueal
10) Qual das alternativas abaixo contém o material adequado para a ventilação com
pressão positiva:
( ) balão de reanimação neonatal com válvula de escape ou manômetro, capaz de
fornecer oxigênio na concentração de 90 a 100%.
( ) máscaras faciais – tamanho pré-termo e termo.
( ) fonte de oxigênio com fluxômetro e conexões de látex ou silicone.
( ) todas as acima.
13) Qual a frequência utilizada na ventilação com pressão positiva, quando não está
indicada a massagem cardíaca?
( ) 80-100 movimentos/minuto.
52
( ) 60-80 movimentos/minuto.
( ) 40-60 movimentos/minuto.
( ) 20-40 movimentos/minuto.
14) Quando você inicia a ventilação com balão e máscara e não há expansão do
tórax, quais os problemas a serem verificados?
( ) má-adaptação entre face e máscara.
( ) uso de pressão insuficiente na ventilação.
( ) cabeça do RN em hiperextensão ou secreção em vias aéreas.
( ) todas as acima.
16) Para avaliar a frequência cardíaca durante a ventilação com balão e máscara ou
balão e cânula, sem interromper a ventilação, o método indicado é:
( ) palpar o cordão umbilical 6 segundos e multiplicar a frequência encontrada por
10.
( ) palpar o pulso braquial durante 10 segundos e multiplicar a frequência
encontrada por 6.
( ) palpar o pulso carotídeo durante 15 segundos e multiplicar a frequência
encontrada por 4.
( ) auscultar o precórdio com o estetoscópio por 30 segundos e multiplicar a
frequência encontrada por 2.
53
7.4 Anexo D – Manual de Reanimação neonatal simplificado
a. Entrevistar a mãe
- Uso de drogas
- Se o parto é gemelar
- Se o parto é cesáreo
- Se necessitou de uso de fórceps
- Se a apresentação do bebê ao nascer não foi cefálica (se foi pélvica ou de
ombros)
- Se o trabalho de parto foi prematuro
- Se o parto para evoluir necessitou de medicação para estimular contrações
- Se o líquido amniótico apresentava mau-cheiro
- Se houve perda de líquido amniótico por mais de 18 horas
- Se o trabalho de parto está progredindo há mais de 24 horas
- Se os batimentos fetais estão desacelerando
- Se a mãe necessitou de anestesia geral
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- Se o útero encontra-se muito contraído
- Se o líquido amniótico era meconial
- Se houve prolapso de cordão
- Se ocorreu uso de medicação analgésica, como morfina 4 horas antes do
parto
- Se ocorreu descolamento prematuro da placenta
- Se ocorreu placenta prévia
- Se ocorreu muito sangramento durante
Todo material necessário para a reanimação deve ser preparado,
testado e estar disponível, em local de fácil acesso, antes do nascimento.
Esse material é destinado à manutenção da temperatura, aspiração de vias
aéreas, ventilação e administração de medicações, estando relacionado ao
final do texto. A temperatura ambiente na sala de parto deve ser de 26ºC para
manter a temperatura corpórea normal do recém-nascido.
Na sala de parto durante o nascimento, é necessária a presença de ao
menos uma pessoa treinada em reanimação neonatal devido à frequência
grande de recém-nascidos que necessitam de algum tipo de assistência ao
nascimento. Se o parto for gemelar, deve-se separar material para cada
recém-nascido.
Como em qualquer procedimento que envolva contato com secreções
do paciente, o profissional que irá recepcionar o recém-nascido deverá estar
protegido com luvas, aventais, máscaras ou proteção facial, além de realizar a
lavagem e higienização correta das mãos antes de recepcionar o RN.
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3. Como avaliar o RN após seu nascimento?
Ao receber o RN, você deve fazer as seguintes perguntas:
# Ele é prematuro?
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B) Recém-nascido com líquido amniótico meconial
C) Recém-nascido prematuro
6. ETAPAS DA REANIMAÇÃO
A) Bebê sem intercorrências com resposta negativa as 4 perguntas. Não
necessita fazer nada. Coloca-o em cima da mãe e observa.
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B) Bebê com resposta positiva a uma das 4 perguntas. CONDUTA: PASSOS
INICIAIS DA REANIMAÇÃO.
- Aspirar boca e nariz (primeiro a boca e depois o nariz com sonda traqueal
número 8 ou 10 e pressão do aspirador de 100 mmHg)
- Reposicionar a cabeça
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- Realizar durante 30 segundos e reavaliar. Se a frequência cardíaca estiver
acima de 100 com o ritmo respiratório regular, interromper a ventilação. Se a
frequência cardíaca continuar abaixo de 100 e/ou padrão respiratório irregular,
continuar a ventilação com pressão positiva, porém ligar o oxigênio suplementar
ao balão na vazão de 5 l/min. Realizar por mais 30 segundos. Reavaliar
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