Amazônia: características do bioma
A Amazônia é um importante bioma com território que corresponde a 6,9
milhões de km² e abrange nove países: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador,
Venezuela, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname.
A parte brasileira equivale a 4.196.943 km², sendo o maior bioma brasileiro.
Além do seu vasto território, outra característica que impressiona é a sua
biodiversidade. Na Amazônia existem cerca de 2500 espécies de árvores e de 30
mil espécies de plantas, das 100 mil existentes em toda a América do Sul.
A floresta amazônica é considerada a maior floresta tropical do mundo e a sua
conservação é tema de discussões e financiamentos internacionais,
especialmente pela sua importância na regulação da climática global.
A Amazônia apresenta vasto território e enorme biodiversidade
Principais características do bioma Amazônia
Clima
O clima da Amazônia é equatorial, caracterizado por elevadas temperaturas e
grande índice pluviométrico. As temperaturas médias anuais variam entre 22 e
28 °C, umidade do ar pode ultrapassar os 80% e o índice pluviométrico varia
entre 1400 a 3500 mm por ano.
Relevo
O relevo amazônico é formado de planície de inundação (várzeas), planalto
amazônico e escudos cristalinos. Geralmente, não apresenta altitudes acima de
200 metros.
Contudo, o Pico da Neblina, considerado o ponto mais alto do Brasil, localiza-se
no norte do estado do Amazonas, com altitude de 3014 metros.
Planície de inundação: áreas periodicamente alagadas;
Planalto amazônico: altura máxima de 200 metros;
Escudos cristalinos: altitudes acima de 200 metros.
Hidrografia
A bacia amazônica é a maior bacia hidrográfica do mundo e seu principal rio, o
Amazonas, é o maior rio do mundo em volume de água com mais de 7 mil
afluentes.
Outros rios que fazem parte da hidrografia da Amazônia são: Araguaia,
Nhamundá, Negro, Solimões, Tocantins, Trombetas, Xingu, Purus, Juruá, Japurá,
Madeira, Tapajós, Branco.
Fauna
A floresta amazônica que abriga inúmeras espécies de animais, dos quais
destacamos: anta, preguiça, sagui-de-bigode, ariranha, suçuarana, arara-
vermelha, tucano, morcego, tamanduá, cateto, cachorro-vinagre, gato-maracajá,
macaco-aranha, macaco-barrigudo, irara, jaguatirica, jaguarundi, jacaré-açu,
onça-pintada, peixe-boi, enguias, piranha, pirarucu, sucuri, bugio, boto cor-de-
rosa.
Flora
A vegetação da Amazônia é densa e formada por árvores de grande porte.
Algumas das árvores nativas da Amazônia são: andiroba, pupunha, açaí,
seringueira, mogno, cedro, sumaúma e castanheira.
Importância mundial
Você já deve ter ouvido falar que a Amazônia é importante para todo o planeta,
essa afirmação é verdadeira e se baseia nos seguintes fatos:
Participa da regulação das chuvas em quase todo o Brasil;
Influência o regime de chuvas na América do Sul;
Representa a maior biodiversidade do planeta, sendo que muitas espécies
ainda nem foram descobertas.
Atua na regulação do clima mundial;
Armazena bilhões de toneladas de carbono. As florestas desmatadas liberam
grandes quantidades de gases de efeito estufa para a atmosfera.
Impactos ambientais na Amazônia
Muitos problemas ambientais causam o desequilíbrio dos ecossistemas
presentes na Amazônia. Os principais são:
Queimadas;
Garimpagem;
Agro pastoreio;
Desmatamento;
Contrabando de plantas silvestres;
Tráfico de animais;
Disputa de terras;
Assentamentos humanos;
Caça e pesca ilegais;
Falta de fiscalização.
Estudos indicam que grande parte desse bioma já foi degradado pela ação
humana, ou seja, o equivalente a quase 20% de seu total.
Um estudo publicado na revista Science, em fevereiro de 2018, afirma que a
destruição da Amazônia chegou a um ponto sem volta. Isso porque mais de
20% da sua área já foi desmatada, o que pode gerar impactos profundos na
manutenção de todo o ecossistema.O desmatamento da Amazônia cresce em ritmo
alarmante
Um dos riscos é que a Amazônia transforme-se em uma grande savana em até
50 anos.
Para frear as ameaças que colocam em risco a manutenção da floresta em pé,
algumas ações podem ser adotadas e muitas delas já mostram resultados
positivos.
Políticas ambientais severas;
Criação de Unidades de Conservação;
Regularização fundiária.
A Amazônia Legal
A Amazônia Legal, criada em 1953 corresponde a uma área que abrange nove
estados do Brasil: Acre, Amapá, Pará, Amazonas, Rondônia, Roraima e parte dos
estados do Mato Grosso, Tocantins e Maranhão.
Com área de 5.215.423 km² a Amazônia legal corresponde a 60% do território
brasileiro, sendo seu principal objetivo o desenvolvimento da região econômico
e social da região.
Saiba mais, leia também:
Biomas brasileiros
Ecossistemas brasileiros
Tudo sobre a Amazônia
Geografia do Brasil
Características da Caatinga
Curiosidade
A Amazônia foi reconhecida como patrimônio da humanidade pela UNESCO.
Saiba mais sobre a Amazônia e demais biomas brasileiros:
Desmatamento na Amazônia:
entenda as principais causas e
consequências
O desmatamento na Amazônia é um dos problemas ambientais mais graves do
Brasil e que afeta diretamente esse bioma.
Desde 2013 ele tem voltado a aumentar e as principais causas estão
relacionadas com o aumento das fronteiras agropastoris, a falta de políticas
públicas ambientais mais eficazes e de fiscalização do local. Em 2021 atingimos
o pico dos últimos 10 anos.
O que causa o desmatamento na Amazônia
Dentre os principais motivos do desmatamento na Amazônia, destacam-se:
Queimadas ou os incêndios florestais
As queimadas na Amazônia são causadas principalmente por atividades ilegais
como desmatamento e grilagem de terras para mineração e agropecuária, além
das mudanças climáticas.
As consequências são graves: destruição de habitats, perda de biodiversidade e
liberação de grandes quantidades de carbono, agravando o aquecimento
global. As comunidades locais, como indígenas e ribeirinhos, sofrem com a
perda de recursos naturais e problemas de saúde causados pela fumaça.
Atividade das madeireiras
A exploração madeireira na Amazônia é uma atividade intensa e
frequentemente ilegal, onde árvores são cortadas para a obtenção de madeira
valiosa. Essa prática causa desmatamento, destruindo habitats e ameaçando a
biodiversidade.
Além disso, a extração descontrolada de madeira contribui para a degradação
do solo e interfere nos ciclos hídricos, prejudicando o equilíbrio ecológico. As
comunidades locais, incluindo indígenas, são impactadas pela perda de recursos
naturais e pela invasão de terras, afetando suas culturas e modos de vida.
Atividade pecuária
A atividade pecuária na Amazônia é uma das principais causas de
desmatamento na região. Grandes áreas de floresta são desmatadas para dar
lugar a pastagens, resultando na perda de biodiversidade e degradação do solo.
Esse desmatamento contribui para a emissão de gases de efeito estufa,
agravando o aquecimento global. A expansão das pastagens também afeta as
comunidades locais, deslocando populações indígenas e tradicionais, e
prejudicando seus modos de vida.
Uma das razões para o desmatamento na Amazônia é a ampliação das fronteiras agropastoris. Fonte: Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon)
Impunidade de crimes ambientais
A impunidade de crimes ambientais na Amazônia é um grave problema que
agrava a destruição da floresta. A falta de punição efetiva para atividades ilegais,
como desmatamento, mineração e queimadas, incentiva a continuidade dessas
práticas.
Essa impunidade resulta da insuficiência de fiscalização, corrupção e falta de
recursos destinados às agências ambientais. Muitas vezes, os responsáveis por
crimes ambientais não são identificados ou enfrentam penas leves, insuficientes
para desencorajar a repetição dos delitos.
A consequência é a contínua degradação do meio ambiente, perda de
biodiversidade e impacto negativo sobre as comunidades indígenas e locais.
Para combater essa impunidade, é crucial fortalecer as leis ambientais, aumentar
a fiscalização e garantir que os infratores sejam devidamente punidos.
Retrocessos políticos
Alguns exemplos notórios de retrocessos são: a criação do novo código florestal
(2012) e a redução das Unidades de Conservação. Além disso, destaca-se a
diminuição de pessoal especializado em entidades ambientais como o Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
A constante aprovação de novos agrotóxicos e a queda da verba dos órgãos
fiscalizadores também atua como fator determinante para piorar o estado de
conservação da floresta.
Retomada de grandes obras
A construção de obras na região realizada sem planejamento para diminuir os
impactos do aumento de pessoas é um dos grandes problemas a ser observado.
Como exemplo, podemos citar a construção da hidrelétrica de Belo Monte,
inaugurada em 2011.
Outra obra que vem causando problemas é a reabilitação da BR-319 (que liga
Manaus a Roraima) que tem gerado preocupações entre ambientalistas e
cientistas.
Os especialistas alertam para os riscos de maior destruição da floresta, aumento
de invasões de terras indígenas e unidades de conservação, e a intensificação
de atividades ilegais, como a mineração e a agricultura extensiva.
As consequências do desmatamento da Amazônia
Vale lembrar que o desmatamento da Amazônia tem gerado inúmeras
consequências nocivas para o meio ambiente e para a população brasileira, tais
como:
Alteração do funcionamento dos ecossistemas;
Alterações climáticas do mundo e do clima regional;
Prejuízos econômicos e sociais para o ambiente;
Impacto na fertilidade do solo e nos ciclos hidrológicos;
Aumento dos gases que colaboram com o efeito estufa;
Crescimento das taxas de nascimentos prematuros;
Aumento de mortes e doenças respiratórias nas pessoas e nos animais.
Alguns dados atuais sobre o desmatamento da
Amazônia
Segundo dados do projeto de monitoramento da floresta amazônica por
satélite (PRODES) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), os anos
de 1995 e 2004 foram os mais preocupantes em relação ao desmatamento da
Amazônia.
Fonte: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
De 2004 a 2012, a taxa de desmatamento foi diminuindo e chegou a baixar
cerca de 80% nesse período. No entanto, a partir de 2013 o problema voltou a
ser uma triste realidade.
Segundo estudos de diversas entidades ambientais (Greenpeace, Imaflora,
Imazon, Instituto Centro de Vida, Instituto Socioambiental, IPAM, The Nature
Conservancy, WWF) realizados em 2017, as principais causas desse aumento
foram:
Impunidade de crimes ambientais;
Retrocessos de políticas ambientais;
Falhas nos acordos da pecuária;
O lucro decorrente de grilar terras públicas;
Grandes obras aceleram as ameaças.
Observe abaixo o gráfico que mostra mais detalhadamente o desmatamento na
Amazônia entre os anos de 2012 e 2017:
Fonte: Desmatamento zero na Amazônia: como e por que chegar lá. Acesso em 23 de julho de
2020: [Link]
Desmatamento
O desmatamento ou desflorestamento refere-se à eliminação total ou parcial de
qualquer tipo de cobertura vegetal. Atualmente, é considerado um dos maiores
problemas ambientais.
Desmatamento no Brasil
No Brasil, houve um avanço no desmatamento com a chegada dos portugueses
em 1500, os quais exploravam o pau-brasil para venda na Europa.
Contudo, com a Revolução Industrial do século XVIII, o desmatamento mundial
alcançou uma aceleração sem precedentes.
O Brasil, assim como outros países tropicais, sofre com elevadas taxas de
desmatamento. Entre as causas do desmatamento, destacam-se:
Atividade agrícola e pecuária, responsável por 80% do desmatamento
mundial;
Urbanização;
Exploração comercial de madeira, principalmente madeira de lei.
Estima-se que desde 1970, o Brasil já perdeu 18% das suas florestas por conta
do desmatamento. Em tamanho, esse valor equivale ao território dos estados
Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
Apesar de alguns anos mostrarem redução nas taxas de desmatamento, sabe-se
que ele tem aumentado ao longo do tempo em todo o Brasil.
Saiba mais sobre o desmatamento no Brasil.
Desmatamento na Amazônia
O desmatamento é a atividade humana que mais afeta a Amazônia. A área
desmatada já é maior que o território da França.
Para se ter um exemplo da ameaça do desmatamento para a conservação da
Amazônia, em 2001, as áreas desmatadas compreendiam 11% da Floresta
Amazônica brasileira.
Quase 80% das áreas desmatadas da Amazônia tornaram-se passagens ou
florestas em regeneração.
Entre 2015 e 2016, o desmatamento da Amazônia atingiu 7.989 km2, conforme o
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Esse valor representa aumento
de cerca de 30% em relação ao registrado entre 2014 e 2015.
O arco do desmatamento é a região de 500 mil km2 onde se concentra o
desmatamento na Amazônia. Ele compreende os extremos leste e sul da região,
nos estados de Rondônia, Acre, Mato Grosso e Pará.
Nessa região, a atividade agrícola, especialmente produção de soja, avança para
o interior da floresta e compromete a sua conservação.
Para conter o desmatamento da Amazônia, em 2004, foi criado o Plano de Ação
para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal.
A região também é monitorada por satélites para que as áreas desmatadas
possam ser registradas e os responsáveis pela ação sejam punidos.
Desmatamento no Brasil
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O desmatamento é a retirada total ou parcial da cobertura vegetal de um local,
que impacta a biodiversidade e causa um desequilíbrio ao meio ambiente.
Trata-se de um dos principais problemas ambientais enfrentados pelo Brasil.
Embora o país apresente mais de 50% do seu território coberto por florestas,
entre 1985 e 2019 cerca de 10% da vegetação nativa deixou de existir.
O Brasil está entre os primeiros na lista dos países que mais desmatam. O
desmatamento da Amazônia tem sido o mais preocupante, já que as taxas
voltaram a subir nos últimos anos.
Causas do desmatamento
A atividade humana é a principal causa do desmatamento, principalmente para
o desenvolvimento da agricultura e da pecuária. O crescimento do setor
agropecuário fez com que aumentasse o desflorestamento principalmente para
pastagens e plantio de soja, muitas vezes até de forma ilegal.
Outros exemplos de fatores relacionados com o desmatamento são: expansão
de cidades por causa da urbanização, exploração comercial de madeira,
mineração e construção de estradas.
Em contrapartida, a vegetação natural diminui e o ritmo de reflorestamento é
baixo. Além disso, observa-se um aumento no número de focos de incêndios
nos últimos anos.
Consequências do desmatamento
As consequências do desmatamento não se restringem ao ambiente, mas
também afetam a vida dos seres humanos. Em decorrência do desmatamento
pode-se observar a perda da biodiversidade, pois afeta diretamente o habitat
de muitas espécies, podendo causar até a extinção.
As mudanças climáticas e o efeito estufa agravam-se com o desmatamento, já
que as florestas, por exemplo, fornecem umidade ao ambiente. Também, é
possível observar a diminuição do ritmo e frequência de chuvas.
Outro recurso natural afetado com o desmatamento é o solo, pois aumenta-se
o processo de erosão, perda de nutrientes e a desertificação.
Soluções para o desmatamento
Para que o desmatamento seja contido é necessário investir na conscientização
e no desenvolvimento sustentável. O desmatamento precisa ser monitorizado,
as leis ambientais devem ser mais rígidas e o código florestal deve ser
cumprido.
Além disso, deve-se investir em fiscalização, promover políticas de
reflorestamento e combater o mercado ilegal.
O que pode ser feito para reduzir o
desmatamento na Amazônia
Algumas soluções são possíveis para evitar ou mesmo impedir o desmatamento
na Amazônia. Dentre todas as ações e programas para combater esse problema
urgente, podemos destacar o chamado “desmatamento zero”.
O desmatamento zero é uma proposta lançada em 2012 que pretende acabar
com o desmatamento no país. Isso porque além do bioma Amazônia, muitas
outras florestas sofrem com o desmatamento no território nacional.
Em 2016, foi elaborado um documento pelo Greenpeace e entregue ao
Congresso para criação de uma proposta de lei. A ideia central é que o
desmatamento zero seja uma realidade em 2030.
Dentre as principais ações do desmatamento zero, estão:
Implementação de políticas públicas efetivas de conservação ambiental;
Aumento da fiscalização ambiental;
Coibição da grilagem de terras;
Cumprimento do Código Florestal por todos;
Fim do desmatamento pela agropecuária;
Melhoria nas práticas agropecuárias;
Criação de Unidades de Conservação Ambiental;
Demarcação de áreas indígenas protegidas pela lei;
Apoio aos usos sustentáveis da floresta;
Redução e boicote dos mercados associados ao desmatamento;
Maior engajamento da população.
Ainda que tenha tido o apoio de grande parte da população e de algumas
entidades, há ainda um longo caminho a se percorrer até que a lei vire
realidade.
Do contrário, a destruição da Amazônia continuará trazendo consequências
irreversíveis para o meio ambiente e a vida da população que habita a região,
como os indígenas, os quilombolas e os ribeirinhos.