Operacionalização da Formação Pedagógica
Operacionalização da Formação Pedagógica
Módulo 5
Formação Pedagógica Inicial de Formadores
m5
Operacionalização
da Formação: do
Plano à Ação
formaçãode
formadores
COMPETÊNCIAS A ADQUIRIR
Pretende-se que cada formando, após este módulo
esteja apto a:
1. Introdução................................................................................................................................ 4
2. Sub-Módulo COMPETÊNCIAS E OBJETIVOS OPERACIONAIS.................................................... 6
CONCEITO DE COMPETÊNCIA............................................................................................................................... 7
DAS COMPETÊNCIAS AOS OBJETIVOS................................................................................................................ 7
CONCEITO DE OBJETIVO....................................................................................................................................... 7
FUNÇÕES DOS OBJETIVOS...................................................................................................................................8
NÍVEIS DE DEFINIÇÃO DOS OBJETIVOS...............................................................................................................9
COMO DEFINIR OBJETIVOS OPERACIONAIS........................................................................................................11
DOMÍNIOS DOS OBJETIVOS.................................................................................................................................15
3. Sub-Módulo Desenho do processo de formação - aprendizagem.............................. 17
PLANIFICAÇÃO: CONCEITO..................................................................................................................................18
Momento de ensino – aprendizagem: curso...........................................................................................18
Momento de ensino – aprendizagem: curso...........................................................................................19
Momento de ensino – aprendizagem: curso..........................................................................................20
4. Conclusão.............................................................................................................................. 27
5. Bibliografia............................................................................................................................. 29
1
1. Introdução
5
introdução
CONCEITO DE COMPETÊNCIA
As competências representam a mobilização em atos de saberes, capacidades e recursos pessoais, de natureza
afetiva, cognitiva, emotiva. Ou seja, competência é uma palavra do senso comum, utilizada genericamente para
designar uma pessoa qualificada para realizar alguma coisa. Referem-se exclusivamente à pessoa.
• Na capacidade construída;
• Na autonomia individual em relação ao uso do saber;
• No próprio saber (porque não há competências sem saberes), o conhecimento faz parte da nossa estrutura de
compreender e agir (é por aí que nos tornamos competentes)
Neste sentido, quando prévia e claramente definidos, apresentam inúmeras funções relevantes para o sucesso da
formação.
- Clarificam a formação: não existe formação eficaz, sem se ter uma ideia precisa do que se pretende que
os formandos fiquem a saber, no final da formação. Só sabendo para onde se vai, se poderá encontrar o caminho
para lá chegar. Ao especificar o que se pretende que os formandos fiquem a saber no final da formação, em termos
de competências a adquirir, asseguram maior clareza e objetividade ao processo formativo. A definição prévia dos
objetivos, além de ser condição de maior clarificação dos procedimentos formativos, é também garantia de maior
congruência, entre os resultados desejados e os alcançados.
- Constituem um meio de comunicação: permite que os propósitos da formação tenham o mesmo significado
para todos os intervenientes no processo formativo, ou seja, as competências que se visam adquirir são claras
para o formador e para os formandos. Acontece, por vezes, que os formadores não conseguem fazer-se entender
e os formandos são obrigados a “adivinhar” o que se espera deles. A definição dos objetivos vem permitir que as
intenções da formação apresentem um significado idêntico para todos e, consequentemente, evitar mal-entendidos
resultantes da ambiguidade que caracteriza formações mal definidas.
- Orientam a ação do Formador: os objetivos servem de critérios para a escolha dos métodos, das técnicas,
dos meios e dos instrumentos para o aperfeiçoamento da ação educativa, sendo para o formador como um guia no
planeamento das atividades de aprendizagem, condução de sessões e avaliação dos resultados. Sabendo-se quais
os objetivos a alcançar, mais facilmente se saberá como alcança-los.
A existência de objetivos precisos assegura maior objetividade na ação de formação, diminuindo as probabilidades
do formador se dispersar por conteúdos ou atividades que, embora interessantes, podem satisfazer apenas os
seus gostos pessoais. Assim, os objetivos conduzirão o formador a preocupar-se mais, com o que o formando tem
de aprender, do que com o que pretende ensinar-lhe. A definição dos objetivos também possibilita ao formador
determinar o grau de êxito das suas estratégias e comportamentos pedagógicos, obtendo um meio de avaliação
e controlo da ação, na medida, que obtém informação sobre se os formandos alcançaram, ou não, os objetivos
previstos.
- Orientam o formando: o conhecimento dos objetivos por parte do formando é talvez um dos meios mais
eficazes para a consecução da aprendizagem, uma vez que lhe permite: (1) tomar consciência do que lhe vai ser
exigido, (2) distinguir o essencial do acessório e (3) ter um ponto de referência para avaliar e controlar os seus
esforços. Saber com que finalidade se realizam as atividades de aprendizagem, é fator de: motivação para o trabalho,
boa aceitação das mensagens, facilitação da sua compreensão e assimilação. Saber em que direção se caminha é
dar sentido a cada passo que se dá. Por isso, comunicar os objetivos aos formandos é um processo muito importante
no processo da aprendizagem.
- Contribuem para maior objetividade na avaliação: com objetivos de formação corretamente definidos,
sobretudo, em termos de comportamentos observáveis (objetivos operacionais), exigir-lhe-á do formando que
demonstre apenas, os saberes que lhe foram previamente fixados e, isto, através de critérios precisos e claros. Não
haverá lugar a exigir-se o que se supõe que lhe deveria ou poderia ter aprendido. Evitar-se-ão as incertezas quanto ao
que deverá ser avaliado e minimizar-se-á a subjetividade natural dos avaliadores, frequentemente influenciados por
conceitos pessoais ou causas estranhas à aprendizagem. Os objetivos introduzem na formação uma componente de
objetividade que garante um controlo da aprendizagem mais correto e mais justo.
FUNÇÕES
Formador Formandos
Existem diferentes níveis de definição de intenções de formação, cada nível é derivado do nível precedente e deste
modo pode estabelecer-se uma hierarquia na formulação de objectivos (conceção proposta por Hameline, que é uma
síntese das propostas de diferentes autores, nomeadamente, Mager, Guilbert e Birzea).
1. Objetivos de Formação
Os Objetivos de Formação prendem-se com diretrizes políticas e institucionais. Remetem para o plano de formação,
não para os programas de formação (programas de curso), isto é, para a planificação que as empresas fazem
relativamente à formação, para um determinado período de tempo (trimestre, semestre, ano). É basicamente uma
calendarização das formações a desenvolver durante um determinado período de tempo, formações essas que foram
escolhidas segundo as finalidades e as metas designadas pela direção da empresa.
FINALIDADES
Constituem os grandes objetivos ou propósitos da formação, formuladas ao nível dos gestores ou organizadores da
formação e expressam intenções muito gerais, fornecendo uma diretriz para a globalidade da formação.
Exemplo: “Deverão ser formados técnicos de Controlo de Qualidade Alimentar.”
METAS/FINS
É o enunciado que define de uma maneira geral, as intenções/metas, normalmente, definidas por cada um dos Centros
de Formação Profissional, e/ ou “Gestor de Programa”. Define o perfil de saída dos formandos.
Exemplo:” O futuro técnico deverá ser capaz de efectuar análises químicas, sensoriais e microbiológicas, na área de
vinhos.”
2. Objetivos Pedagógicos
Os Objetivos Pedagógicos remetem para os programas de formação, portanto cada programa, cada curso, terá os
seus objetivos gerais e específicos. As finalidades e metas são designadas pela direção/gestão e os pedagógicos
pelos coordenadores e formadores.
OBJECTIVOS GERAIS
É um enunciado que descreve os resultados esperados, e situa-se ao nível das competências a adquirir pelos formandos
no final da formação ou de uma sequência de ensino aprendizagem. São formulados ao nível da realização das ações,
competindo, por isso, aos formadores.
Exemplo: “O formando deverá ser capaz de efetuar a análise de cor dos vinhos.”
OBJECTIVOS ESPECÍFICOS
Exemplo: “O formando deverá ser capaz de colocar, por ordem crescente de antiguidade, dois vinhos tintos através da
análise da sua cor, no tempo máximo de 3 minutos.”
Intenções gerais
Finalidades da formação Política Geral Aptidões Globais
Maior Menor
Resultados
Metas desejados da Gestores da Perfis de Saída
formação Formação
Resultados
Objetivos (capacidades) Competências
Gerais esperados no fim Formadores Globais
da formação
Para que um objetivo possa cumprir as funções que com ele se visam, é necessário que seja correta e completamente
formulado de forma operacional.
Os objetivos específicos são aqueles que devem ser definidos em termos operacionais, de forma a tornar possível a
sua avaliação. Diz-se que um objetivo é operacional quando indica claramente e, em termos de comportamento
diretamente observável ou mensurável (Comportamento Esperado), o que o formando deverá ser capaz de fazer no
final da formação, ou de determinadas atividades de ensino aprendizagem, em que condições o fará (Condições de
Realização) e por que critérios será avaliado (Critérios de Êxito).
Objetivo
Operacional
COMPORTAMENTO ESPERADO
É a componente que indica a atividade que o formando deverá realizar para demonstrar que adquiriu a competência
desejada, ou seja, que atingiu o objectivo previsto. Responde à interrogação: Quem tem de fazer o quê?
O objetivo operacional deve ser formulado em termos de comportamento diretamente observável e/ou mensurável
e compreende:
• Um sujeito (quem pratica a ação): como sendo quem produz o comportamento e que é sempre o formando;
• Um produto (qual o resultado da ação): que é o resultado da atividade desenvolvida.
• Um verbo operatório (qual a ação praticada): que indica o comportamento observável ou indicador de comportamento
que será produzido. Os verbos operatórios ( ver exemplos de verbos em anexos ) referem-se a ações diretamente
observáveis ou mensuráveis (ex. pintar, enumerar, calcular).
Exemplo:
“O formando deverá ser capaz de cozinhar lasanha.”
Sujeito: o formando | Verbo operatório: cozinhar | Produto: lasanha
Quando o verbo não é operatório (ex. saber, respeitar) é necessário adicionar ao verbo um indicador de comportamento
(como), de forma a tornar a atividade observável.
Exemplo:
“O formando deverá ser capaz de apreciar, citando, os aspetos positivos de um dado método de formação profissional”.
CONDIÇÕES DE REALIZAÇÃO
Componente que define as várias circunstâncias em que o comportamento esperado deve manifestar-se, uma vez
que, a realização de uma qualquer atividade pode exigir competências ou capacidades diferentes, consoante as
circunstâncias em que se realize.
EM SUMA:
CoNdições de realização
Oficina, sala de
formação, ar livre, etc.
CRITÉRIOS DE ÊXITO
Identificado o comportamento esperado e determinadas as condições em que o mesmo deverá ocorrer, importa
agora estabelecer as exigências de qualidade de realização que serão impostas ao formando para que se possa
garantir que a competência prevista foi realmente adquirida
Critérios de qualidade: fixam padrões qualitativos orientadores do comportamento do formando. Dizem respeito às
caraterísticas observáveis, mas não mensuráveis, que o trabalho deverá apresentar.
Exemplo: “O formando deverá ser capaz de cozinhar lasanha, acertando nos respetivos temperos”
Critérios de quantidade: indicam padrões de realização facilmente mensuráveis, dando lugar a uma avaliação
essencialmente numérica. Podem ser:
Critérios de precisão
Exemplo: “O formando deverá ser capaz de cozinhar lasanha, à primeira tentativa”
Critérios de tempo
Exemplo: “O formando deverá ser capaz de cozinhar lasanha, em 30 minutos”
Critérios de percentagem
Exemplo: “O formando deverá ser capaz de cozinhar lasanha, utilizando 80% dos ingredientes mencionados”
EM SUMA:
Critérios de êxito
Qualidade Quantidade
Características Características
Observáveis mensuráveis
Quando definimos objetivos pedagógicos, temos em vista a aquisição por parte dos formandos de determinadas
capacidades ou comportamentos. Esta diversidade que corresponde à diversificação das capacidades e
comportamentos humanos é geralmente agrupada e classificada em três domínios principais: domínio cognitivo,
domínio afetivo e domínio psicomotor.
DOMÍNIO COGNITIVO
Exemplo:
“O formando deverá ser capaz de conhecer as regras de trânsito”
“O formando deverá ser capaz de refletir sobre a melhoria das regras de trânsito”
DOMÍNIO AFECTIVO
Domínio dos fenómenos da sensibilidade. Envolvem interesses, atitudes, valores, (que já possuem ou que devem
adquirir), atividades ou comportamentos que têm uma conotação com agrado ou desagrado, com adesão ou rejeição.
É o domínio do sentir, dos sentimentos e emoções.
Exemplo:
“O formando deverá ser capaz de obedecer as regras de trânsito”
“O formando deverá ser capaz de irritar-se com quem não cumpre as regras de trânsito”
DOMÍNIO PSICOMOTOR
Domínio das atividades motoras ou manipulativas. Envolve aptidões ao nível da motricidade e da manipulação de
objetos. É do domínio por excelência da ação.
Exemplo:
“O formando deverá ser capaz de mudar a roda do carro”
“O formando deverá ser capaz de andar de bicicleta”
Ao analisarmos cada um dos domínios verificamos que qualquer deles comporta capacidades ou comportamentos
de diferentes graus de complexidade e cuja aprendizagem apresenta níveis de dificuldade também eles diferentes. A
classificação apresentada é uma de entre várias e visa demarcar as grandes orientações do comportamento humano.
Convém ressalvar que é falsa a ideia de que os três domínios são estanques e que cada secção humana pode ser
considerada exclusivamente na perspetiva cognitiva ou afetiva ou psicomotora.
Ex: “Construa uma porta de entrada de uma casa, utilizando o seu tipo de madeira preferido”
A aprendizagem, enquanto atividade complexa, envolve todos os domínios do saber, não existindo atividades
puramente cognitivas, afetivas ou psicomotoras. Uma atitude de adesão ou rejeição a uma regra (domínio afetivo)
pressupõe o conhecimento da mesma (domínio cognitivo), assim como a realização do gesto ou ação motriz que o
pensamento orienta (domínio psicomotor).
3
Momento de Ensino - Aprendizagem : Curso
Momento de Ensino - Aprendizagem : Módulo
Momento de Ensino - Aprendizagem : Sessões
18
PLANIFICAÇÃO: CONCEITO
Citando...
“Planificar é prever os resultados e os meios para os atingir da melhor forma e obter maior produtividade”.
Enricone (1985)
“A planificação consiste em gerir dois pólos, um externo (fatores externos da aprendizagem), e interno (as diferenças
individuais de cada formando como força motriz da aprendizagem).
Sinclair (1992)
Cada curso de aprendizagem é composto por vários módulos e, consequentemente, cada módulo possui uma
ou múltiplas sessões. Estes “três” momentos de ensino-aprendizagem requerem planificações e devem seguir
determinados tópicos.
Para o planeamento de um curso é necessário decidir, primeiramente, em que formato queremos desenvolver o
curso, ou seja, presencial ou a distância (e-learning ou b-learning). Em ambos as modalidades, o planeamento
e organização da formação implica definir os objectivos, delinear métodos e técnicas pedagógicos, estruturar
conteúdos programáticos, elaborar manuais e cronogramas.
Contudo, planear um curso presencial é completamente diferente de planear um curso em formato à distância. Neste
último é imprescindível a criação de uma plataforma e-learning, organizando os materiais formativos para serem
expostos nos fóruns de debate formativos, organizar guiões e agendas das sessões síncronas.
Num curso presencial não é necessário a criação de manuais online, a dinamização de actividades interativas e nem
sequer a preocupação no design da plataforma. Na organização de um curso a distância, deve se ter especial atenção
na estrutura dos conteúdos e na forma de como estes são adquiridos pelos formandos, uma vez que este tipo de
ensino baseia-se na auto-formação. Por outro lado, a relação formador-formando num curso a distância requer um
maior investimento por parte do formador, uma vez que pode não existir contato presencial, ou este ser diminuto,
remetendo para a importância do papel do formador enquanto animador/facilitador das aprendizagens no contexto
da formação.
Selecionado o tema do curso e a modalidade de intervenção é imprescindível escolher para quem o mesmo se destina.
- Quando planeia um curso deve estabelecer-se um perfil de entrada (idade, habilitações académicas, experiências
profissionais, etc.) para a admissão de candidatos, objectivos e resultados esperados, de acordo com os conhecimentos
a adquirir;
- Depois de o grupo estar estabelecido deve conduzir-se ao diagnóstico de modo a determinar o seu perfil de
aprendizagem e a introduzir alterações aos métodos e técnicas andragógicas necessárias para o sucesso da
formação;
- Identificar os níveis de competência dos formandos: identificar a capacidade do grupo pode ser um valioso
instrumento de decisão na selecção de informação para a preparação e/ou ajuste das suas sessões;
- Identifique as suas necessidades, expectativas e motivações: identificar as necessidades, expectativas e motivações
da formação traduz-se em informações essenciais para avaliar o seu desempenho e ajudá-lo a escolher as suas
metodologias e técnicas de formação
Existem alguns instrumentos de selecção de candidatos à frequência do curso que será abordado no módulo 8 –
Avaliação da Formação e das Aprendizagens.
Os conteúdos programáticos podem ser de três tipos: teóricos, práticos e/ou teóricos-práticos, conforme os objetivos
definidos para o curso. Selecionar os conteúdos adequados ao público-alvo é tarefa do formador, que através da
execução e desenvolvimento de atividades distintas recorrendo aos métodos e técnicas disponíveis, permite que os
formandos alcancem os objectivos propostos.
Momento de ensino –
aprendizagem: Módulo
Tendo em consideração os conteúdos programáticos, o curso poderá ser desenvolvido em módulos. Por módulo de
formação entende-se uma unidade de formação autónoma, que incide num determinado tema individualizado, mas
que estabelece uma relação direta com todos os outros módulos do programa. A estrutura e sequência modular
e organização dos módulos deverá ser definida por forma a que atribua uma sequência que pedagogicamente faça
sentido em termos dos resultados de aprendizagem a alcançar. Cada módulo deverá ser visto como uma parte
integrante de um todo, ou seja, a aprendizagem deverá ser gradual através de um processo que se realiza/desenvolve
através de etapas, inicialmente mais simples, passando depois às etapas mais complexas, por forma a que o formando
aprenda com maior eficácia e eficiência.
Momento de ensino –
aprendizagem: sessões
O plano de sessão é o documento base do formador para planear a sua sessão e deve ser utilizado como guia durante
toda a sessão, o que não exclui o improviso se ele se impuser. Neste sentido, a elaboração de um Plano de Sessão é
indispensável para uma sessão de formação bem-sucedida e é tarefa obrigatória na fase de preparação de uma ação
de formação. Muitas vezes é negligenciado pelo Formador que se acha bem preparado e que não aponta real utilidade
à estruturação da sessão formativa, contudo, é o assumir de um risco desnecessário.
“o formador deseja saber o que pretende com o processo ensino-aprendizagem e como o irá desenvolver. No entanto, os
formadores não são todos iguais e não planificam todos da mesma forma. Existem diferenças significativas nas planificações
e modos de planificar, principalmente entre formadores que estão a iniciar a sua carreira e os formadores mais experientes.
Os primeiros, em início de carreira ou mesmo durante a sua formação inicial têm tendência a utilizar uma planificação linear,
rígida, diretiva e detalhada, pois ainda não se sentem confortáveis e seguros no seu papel, razão pela qual necessitam de
um apoio, de uma segurança extra.
Consequentemente, ao adotar este tipo de planificação, estes profissionais sentem mais dificuldades em se desprender
dos seus planos, de se darem ao imprevisto, mostrando uma menor flexibilidade e consideração pelas necessidades dos
formandos. Os formadores principiantes têm uma excessiva preocupação com a sua performance, retirando tempo que
deveria ser gasto na reflexão sobre os seus objetivos.
Os formadores com mais experiência, em virtude da sua prática profissional, conseguem antecipar possíveis situações que
irão enfrentar e como tal estão mais confiantes no seu desempenho. Passaram já por várias situações imprevistas e por
isso já não sentem necessidade de se agarrarem a um plano mais formal. Conseguem planificar segundo uma abordagem
construtivista do conhecimento, partindo dos conhecimentos prévios dos formandos, criando situações estimulantes,
apropriadas à construção do saber. A sua performance deixa de ser prioridade para passar a ser a aprendizagem dos alunos.”
O plano de sessão deve ser concebido na perspectiva do formando, isto é, referindo todos os objectivos operacionais
que este deve ser capaz de realizar e as linhas estratégicas/ actividades que lhe permite atingi-los.
• Tema: indicação do tema ou título da matéria a desenvolver. Poderá ser o título do módulo caso este tenha apenas
uma única sessão ou outro tema dividido por várias sessões;
• Destinatários: será o mesmo selecionado para o curso, ou seja, para quem a sessão, que faz parte integrante do
módulo e o mesmo do curso, se dirige, qual é o perfil de entrada dos candidatos. Não se pode esquecer que é o
público que dita o sucesso da formação, então o perfil dos candidatos em termos de idade, habilitações académicas,
experiências profissionais, etc. não pode ser descurado aquando o preenchimento do plano de sessão;
• Pré-requisitos (quando aplicável): para uma nova aprendizagem poderá ser fundamental analisar os conhecimentos
anteriores dos formandos. Esta etapa é imprescindível para o alcance dos objectivos propostos. Este tópico será
aprofundado no módulo 8 – Avaliação da Formação e das Aprendizagens.
• Objectivos gerais e Objectivos específicos: devem ser definidos de forma precisa e redigidos de forma clara, em
termos de comportamentos observáveis para os objetivos específicos.
• Métodos e Técnicas pedagógicas: seleção de métodos e técnicas apropriados ao grupo, tendo em conta os
conteúdos definidos, de forma a facilitar as aprendizagens, motivando-os para alcançar os objetivos.
• Recursos didácticos: deverão estar anotados todos os materiais, equipamentos e documentos que o Formador
e os formandos deverão utilizar ao longo da sessão. A operacionalidade dos materiais e equipamentos deverá ser
verificada previamente de acordo com as especificações próprias. Muito do insucesso que se verifica em algumas
sessões tem origem na não observação destes aspetos. O plano de sessão pode referir em que fase/momento da
sessão deverão ser utilizados.
• Atividades pedagógicas: deverão ser descritas de forma breve, para conduzir o formando ao domínio dos objetivos.
• Duração: cada fase do plano de sessão (abordado já a seguir) deve conter a duração prevista. Este aspeto permite
verificar se foi ou não possível atingir os objetivos nesse espaço de tempo. Um curso de formação não é algo que é feito
para pessoas ou para as pessoas. Em vez disso, é algo feito com as pessoas. Por isso, o processo de aprendizagem
deve estar focado no formando. Utilize uma distribuição de 30 por 70, durante a qual 70% do tempo do formando
não deve estar dedicado ao formador mas deve ser ocupado pela condução de outras actividades de aprendizagem.
• Avaliação: é necessário verificar se os objetivos propostos foram alcançados e quando se justifique controlar os
pré-requisitos. É importante identificar o momento, a técnica e o respetivo instrumento de avaliação. Contudo, esta
forma de avaliar os diferentes momentos da sessão serão abordados no módulo 8.
Em suma:
Tema
Destinatários
Pré-requisitos
Conteúdos Programáticos
Métodos e Técnicas
Recursos Didáticos
Atividades Pedagógicas
Duração
Avaliação
Este roteiro de planificação apresentou esquemática e resumidamente os factores a ter em conta quando se planifica.
Nunca é demais demorarmo-nos nesta fase mais ou menos «solitária» da formação, sempre que isso for possível,
devemos trocar impressões com outros formadores e, eventualmente, elaborar uma planificação em conjunto.
Esta é uma etapa importantíssima, entre outras, por duas razões fundamentais: por um lado, alivia a angústia e o
stress acumulados nesta fase, pela sensação de ter tudo mais ou menos preparado, reflectido, pensado; por outro
lado, a planificação vai, mentalmente, assumir-se como uma «cábula» a que poderemos sempre recorrer, em caso
de necessidade pontual; costumamos, metaforicamente, equiparar a planificação a uma «rede» que pode sempre
amortecer qualquer queda do «trapézio», aqui simbolizando a sessão de formação.
A improvisação é uma constante necessária do processo de ensino - aprendizagem na formação profissional. Qualquer
formador a ela deve recorrer com a frequência que as situações concretas e os imprevistos o exigirem.
Pedagogicamente incorrecto será um formador que constatando que a execução do plano tal como o concebera
não está a resultar, que determinada estratégia não está a revelar-se eficaz, que não tem tempo para terminar o seu
plano, etc., não reformular mentalmente o plano, revelando maleabilidade e capacidade de adaptação a situações
imprevistas.
Um formador não é um robot, não tem que se sentir «programado» e executar fielmente a teorização do plano
previamente concebido, deve revelar uma certa maleabilidade para resolver questões que se levantam ou
apresentam no decorrer das sessões de formação. Assim, podemos concluir que quando necessário, o formador
deve abandonar o plano de sessão e... IMPROVISAR!
FASES DA SESSÃO
1. INTRODUÇÃO
- Apresentação Formador-formandos: caso o grupo não se conheça é necessário ser apresentado mutuamente;
- Comunicação dos objetivos: logo no início da sessão é necessário o formando saber o que deverá alcançar em
termos de comportamentos observáveis;
- Verificação dos pré-requisitos: deve-se procurar relacionar as novas aprendizagens com as anteriores ou com a
experiência ou vivência dos formandos. Este controlo pode ser feito de diversas formas como iremos analisar em
profundidade no módulo 8.
- Processo de motivação: deve-se estimular, logo no início, o desejo de aprender do formando, explicando a importância
do(s) assunto(s) e a sua aplicabilidade e/ou ligações com a vida profissional/prática. Conseguir “seduzir a plateia” é
um elemento importante na componente motivacional dos formandos, além de os trazer para a formação, (quando
se estiverem a desviar) cativa a sua atenção maximizando a sua aprendizagem.
O processo de motivação nem sempre é fácil, mas se o formador conseguir criar a necessidade de aprender no
formando, a satisfação dessa necessidade conduz a uma mais fácil aprendizagem.
Uma aprendizagem será tanto melhor quanto mais variada e intensa fora sua motivação.
2. DESENVOLVIMENTO
Esta fase consiste na abordagem da matéria que serve de base às atividades de ensino-aprendizagem a desenvolver
na sessão, ou seja, a utilização dos métodos e técnicas pedagógicas que depende logicamente dos conteúdos, do
público-alvo, dos equipamentos disponíveis.
No entanto, é importante prever estratégias alternativas para uma alteração da sequência, provocada pelos próprios
formandos, e a necessidade de atender às diferenças individuais (na medida do possível) entre os formandos,
acompanhando de forma individualizada a sua aprendizagem.
3. CONCLUSÃO
O plano de sessão, como instrumento orientador da ação de formação, tem dois tipos de leitura:
• Leitura Vertical - onde podemos ler por ordem cronológica os eventos da formação.
• Leitura Horizontal - onde correlacionamos um determinado conteúdo, com um método.
Tendo em atenção estes aspetos orientadores, o plano de sessão, não só será uma ferramenta útil para o formador
que o realizou, potencializando todos os aspetos positivos oferecidos por este, mas também, será um instrumento
que poderá ser utilizado por um outro formador que vá ministrar a ação em seu lugar pois, a sua leitura, irá tornar-se
simples, intuitiva e orientadora.
Introdução
Desenvolvimento
Conclusão
Prever Alternativas:
Um plano de sessão deve ter a configuração que melhor se adapte ao processo de organização/orientação do
formador, contudo deverá respeitar alguns elementos estruturantes que compõem o plano. Pode ser organizado
numa lista ou em tabela – geralmente a tabela afigura-se como facilitadora no processo de leitura. Não existe um
modelo único.
PlANO DE SESSãO
tema:
data:
destinatários:
PlANO DE SESSãO
Módulo:
ação nº:
Público-alvo:
nº da Sessão:
Formador/a:
Objetivos Gerais:
Objetivos Operacionais:
(Introdução)
(Desenvolvimentos)
(Conclusão)
CONCLUSÃO
BIBLIOGRAFIA
1. ANDERSON, Lorin W. et alt (2001). A Taxonomy for learning, teaching and assessing: a revision of Bloom’s
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Disponível em [Link]
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15. • CARDOSO, Maria Guilhermina - “Manual de Apoio à Formação de Formadores de Formadores”, Turim, edição
[Link]
reflexao/83729/#ixzz26NAh7ZwR
6
34
anexos
LISTAGEM DE VERBOS DE AÇÃO POR DOMÍNIO
Domínio Cognitivo
Domínio Psico-Motor
Domínio Afectivo
t 93 420 1869
e info@[Link]
[Link]