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Fases e Vícios na Conclusão de Tratados

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1.

CONCLUSÃO DE TRATADOS (utilizar a CV)


Tratado - acordo entre vontades, em forma escrita, entre sujeitos de DIP, do qual
resulta a produção de efeitos jurídicos.

 Tratado solene - carece de ratificação.


 Acordo sob forma simplicada - carece de assinatura.

1. O tratado foi concluído?

1.ª FASE: NEGOCIAÇÃO (o texto vai ser elaborado e redigido)

- 1. Quem negoceia tem capacidade para o fazer?

 a negociação é levada a cabo através de plenipotenciários (munidos de plenos


poderes que constam de documento - carta patente - emanado pelo Chefe de
Estado). Sendo que há entidades que se presume que estão sempre autorizadas a
negociar (art. 7º CV).
 a negociação é feita através de missão diplomática (tratados bilaterais) ou de
conferência diplomática (tratados multilaterais).

- 2. Adoção do texto - exige voto unânime, salvo quanto aos tratados aprovados em
conferência (maioria 2/3 dos Estados presentes e votantes - exceção: art. 9º CV).

- 3. Autenticação do texto - exprime o acordo do Estado relativamente ao texto do


tratado. Pode ser feita por:

 Assinatura (tem efeito vinculativo nos acordos de forma simplificada: momento


de autenticação = momento de vinculação).
 Assinatura ad referendum ou Rubrica - efeito de autenticação é provisório nos
tratados solenes, sendo necessária a confirmação pelo orgã estadual competente
para o efeito.

Efeitos: o Estado ganha o direito de ratificar o tratado e deve abster-se de atos que
privem o tratado do seu objeto ou fim (art. 18º, a) CV).

2.ª FASE: MANIFESTAÇÃO DO CONSENTIMENTO EM FICAR VINCULADO

Pode ser feita de várias formas, dependendo do conteúdo das clasúlas constitucionais
de cada Estado:

 Assinatura - vincula apenas os acordos simplificados (art. 12º CV).


 Troca de instrumentos constitutivos de um tratado - consiste na entrega
recíproca de textos, é utilizada no procedimento de acordos bilaterais (art. 13º
CV).
 Ratificação - ato da autoridade competente de um Estado para concluir tratados;
vincula os tratados solenes. Ato livre (carta de ratificação), pode haver
ratificações tardias ou recusa de ratifcação (apenas resulta em embaraço
político).
 Adesão - o Estado não participou na negociação do tratado mas vem
posteriormente produzir uma declaração unilateral de vinculação ao mesmo.
Requisitos: 1) o tratado não deve ser fechado; 2) os Estados que concluiram o
tratado devem aceitar o novo Estado.

3.ª FASE: ENTRADA EM VIGOR

 Momento de entrada em vigor é definido pelo próprio tratado (art. 24º/1 CV).
 Pode ficar dependente de uma condição.
 Nos tratados bilaterais costume coincidir com a data em que se concluiu a troca
de notas.
 A data de início de vigência para um Estado que adere a um tratado é a data em
que ocorreu o ato de consentimento em ficar vinculado ao tratado (art. 24º/3
CV).

4.ª FASE: DEPÓSITO, REGISTO E PUBLICAÇÃO

- Depósito: o instrumento de manifestação do consentimento em ficar vinculado deve


ser depositado junto do depositário (art. 76º CV).

Após entrar em vigor, o tratado deve ser transmitido ao Secretário-Geral da ONU para
efeitos de registo e publicação (art. 80º/1 CV e art. 102º CNU).

- Registo: não afeta a validade inter partes do tratado, mas depende dele o direito de
uma parte de o invocar perante qualquer órgão da ONU.

2. Há reservas?

Reserva (art. 2º/1, d) CV) - declaração feita por um Estado no momento da sua
vinculação a uma convenção, da sua vontade de se eximir de certas obrigações dela
resultantes ou de definir o entendimento que dá a certas, ou a todas, dessas obrigações.

Reserva ≠ Declaração interpretativa (aprofundam o sentido a dar a certa claúsula do


tratado, completando o seu alcance ou esclarecendo a interpretação que é conceida a
uma disposição do tratado, sem ter aintenção de se eximir do seu cumprimento).

 Só existe em tratados multilaterais. Nos bilaterais equivale à recusa de


ratificação ou a propostas de novo texto.
 Obedece aos limites?
- Materiais: os do art. 19º CV (não obedece? é ineficaz) e a reserva não deve
violar uma norma do ius cogens (art. 53º CV) (não obedece? é nula).
- Temporais: deve ser comunicada no momento de manifestação do
consentimento (não obedece? é ineficaz).
- Procedimentais: exige forma escrita e deve ser comunicada aos outros Estados
contratantes (não obedece? é ineficaz).
 Condições em que são admissíveis as reservas - art. 20º CV.
- Se um tratado prevê especificamente uma reserva, não existe aceitação ou
objeção à mesma (n.º 2 e 3).

- Quando uma reserva é aceite por um Estado, a mesma vincula o Estado autor da
reserva e aquele que a aceitou

3. Há objeções a uma reserva?

Objeção simples (art. 23º/1 CV) - objeção à reserva. / Objeção qualificada (art. 21º/3,
a contrario) - objeção à entrada em vigor do tratado modificado pela reserva.

 Devem também ser feitas por esrito e comunicadas aos outros Estados.
 Prazo de 12 meses para a formulação de objeção a uma reserva (nos casos do art.
20º/5 CV).

2. MORTE DOS TRATADOS


Os tratados podem cessar por vícios ou por vicissitudes.

1. VÍCIOS E NULIDADE

Os comportamentos ilícitos geram responsabilidade internacional.

O Estado não pode invocar nulidades se tomou conhecimento disso e depois aceitou,
expressa ou tacitamente, a validade e vigência do tratado. Nenhum Estado pode invocar
em seu favor um tratado nulo ou opô-lo aos outros Estados.

Nulidade - as disposições de um tratado nulo carecem de força jurídica (art. 69º/1 CV):

 Nulidade relativa
- A causa de invalidade só pode ser invocada pelas Partes do tratado (invocação
limitada), não havendo prazo para a sua invocação.
- Não afeta a vigência do tratado, exceto se se tratar de tratado bilateral.
- Os vícios que geram esta nulidade são sanáveis (art. 45º CV).
- As situações que a geram são, em regra, divisíveis, quando verificadas as
condições do art. 44º/3 CV.

 Nulidade absoluta
- Pode ser invocado por qualquer Estado, mesmo aqueles que não estão
vinculadas ao tratado (por força de um direito de proteção de interesses públicos
internacionais) - invocação ilimitada.
- Os vícios que geram esta nulidade não são sanáveis (art. 45º CV).
- As situações que a geram não são divisíveis (art. 44º/5 CV).
Há algum vício? (verificam-se os requisitos?) - Se Sim:

- Qual a nulidade que gera? Qual o regime aplicável à nulidade?


- O vício é sanável? E é de invocação limitada?
- A situação que o gera é divisível?

Vício Requisitos Nulidade Regime


Ratificação A violação do direito interno deve
imperfeita (art. ser manifesta e respeitante a uma Relativa art. 69º
46º CV) norma fundamental (art. 46º/2 CV).
O Estado cujo representante excedeu
Excesso de os seus poderes apenas pode invocar
poder (art. 47º este vício se tiver notificado os Relativa art. 69º
CV) demais Estados relativamente à
existência desta restrição.
Erro (art. 48º 1) erro sobre factos/situações; 2)
CV) essencialidade do erro; 3) Relativa art. 69º
desculpabilidade do erro.
1) falsa declaração sobre um facto;
2) intenção de induzir em erro; 3)
Dolo (art. 49º conhecimento da licitude por parte Relativa art. 69º
CV) do Estado que age em dolo; 4) dolo
deve ser induzido por uma Parte das
negociações
1) atribuição de vantagens; 2)
Corrupção do atuação fraudulenta; 3) atuação
representante determinante da decisão de Relativa art. 69º
(art. 50º CV) vinculação; 4) atuação vinda de uma
entidade participante.
Coação exercida 1) vontade do representante deve ser
sobre o viciada por uma ameça ao mesmo; 2) Absoluta art. 69º
representante ameaça pode provir de qualquer
(art. 51º CV) entidade.
Coação exercida 1) vontade do representante deve ser
sobre o Estado viciada por uma ameça ao Estado. Absoluta art. 69º
(art. 52º CV)
Incapacidade
intelectual do 1) incapacidade acidental
representante e ou Relativa
erro-obstáculo 2) erro na declaração (vontade real
(por analogia - diverge da declarada)
art. 42º/2 CV)
Violação de - Aboluta art. 71º
ius cogens
Impossibilidade
originária de material ou física gera ineficácia -
cumprimento
2. VICISSITUDES

Efeitos:

 Em certos casos, a cessação de vigência pode apenas aplicar-se a certas


claúsulas de um tratado, caso estas sejam separáveis (art. 44º CV).
 Extinção: consequências estabelecidas o art. 70º/1, a) e b) CV; só opera para o
futuro, não afetando os atos praticados.
 Suspensão: consequências consagradas no art. 72º1, a) e b) CV; limite no art.
72º/2 CV.

Há alguma vicissitude? (verificam-se os requisitos?) - Se sim:

- Quais os seus efeitos?

- Pode o Estado invocá-la?

Vicissitude Requisitos Regime Invocabilidade


Caducidade ou
suspensão por termo 1) ocorre através de previsão
final ou condição no tratado ou; 2) por vontade art. 70º/1 Limitada
resolutiva comum.
(arts. 54º e 57º CV)
1) redução das partes
Caducidade por relativamente ao número
perda do número mínimo de ratificações; 2)
necessário de partes apenas caduca tratados art. 70º/1 Limitada
(art. 55º CV) bilaterais e para a Parte que
saiu do tratado nos
multilaterais.
Revogação ou
suspensão por força 1) revogação total (aplica-se
de tratado posterior o art. 59º); 2) revogação arts. 70º/1 Limitada
entre as partes (art. parcial (aplica-se o art. 30º/3). e 72º
59º CV)
Extinção ou
suspensão por 1) deve estar prevista essa
denúncia ou retirada possibilidade no tratado; 2) arts. 70º/2 Limitada
(arts. 54º, a) e 56º obrigação de notificação. e 72º
CV)
1) destruição ou
desaparecimento do objeto; 2)
Impossibilidade impossibilidade física e
superveniente definitiva; 3) não pode ser art. 70º/1 Limitada
(art. 61º CV) invocada pela parte
causadora, ilicitamente, da
impossibilidade.
Rutura das relações relações indispensáveis para a
diplomáticas (arts. aplicação do tratado. art. 70º/1 Limitada
63º e 74º CV)
Conflito armado resulta na caducidade dos
entre partes tratados entre beligerantes. art. 70º/1 Limitada
(não previsto na CV)
Perda de jurisdição
por um Estado sobre os tratados bilaterais
parcela do território caducam, salvo se o sucessor art. 70º/1 Limitada
objeto de tratado assumir o tratado.
(art. 73º CV)
1) essencialidade das
Alteração circunstâncias para a
fundamental das celebração do tratado; 2) arts. 70º/1 Ilimitada
circunstâncias (art. alteração não prevista das e 72º
62º CV) mesmas; 3) não resulta de
violação pela parte, nem de
nenhuma obrigação.

Ius cogens
superveniente (arts. - art. 71º/2 Limitada
64º e 71º/2 CV)
Violação do tratado não há exceção de não
por uma das partes cumprimento quando estão - Limitada
(art. 60º CV) em causa normas de ius
cogens

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