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Análise do Preâmbulo da Constituição Brasileira

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MARINA ABUD MOUSSALLEM - 124.308.

607-67

DIA 1 ideais de uma Constituição, servindo de


vetor interpretativo. Trata-se, assim, de
um referencial interpretativo-valorativo da
Constituição.
Constituição Federal: art. 1° - 5°
Código Penal: art. 1° - 19 Tese da plena O preâmbulo tem a mesma eficácia
Código Processo Penal: art. 1° - 62 eficácia jurídica das normas constitucionais,
sendo, porém, apresentado de forma não
articulada.
CONSTITUIÇÃO FEDERAL
Ponto intermediário entre as duas, já que,
Tese da relevância muito embora participe "das características
• O preâmbulo da CR/88 NÃO PODE, por si só, servir
jurídica indireta jurídicas da Constituição'', não deve ser
de parâmetro de controle da constitucionalidade de uma
confundido com o articulado
norma.
• O preâmbulo traz em seu bojo os valores, os funda-
mentos filosóficos, ideológicos, sociais e econômicos e, des- TÍTULO I
sa forma, norteia a interpretação do texto constitucional. Dos Princípios Fundamentais
• Em termos estritamente formais, o Preâmbulo consti- PRINCÍPIOS REGRAS
tui-se em uma espécie de introdução ao texto constitucional, Normas mais amplas, abstratas, Normais mais específicas,
um resumo dos direitos que permearão a textualização a se- genéricas. delimitadas, determinadas.
guir, apresentando o processo que resultou na elaboração da
Alexy: princípios são Devem ser cumpridas
Constituição e o núcleo de valores e princípios de uma nação.
MANDAMENTOS DE integralmente (all or nothing).
• O termo "assegurar" constante no Preâmbulo da CF/
OTIMIZAÇÃO, que devem ser
88 constitui-se no marco da ruptura com o regime anterior e
cumpridos na maior intensidade
garante a instalação e asseguramento jurídico dos direitos
possível.
listados em seguida e até então não dotados de força normati-
va constitucional suficiente para serem respeitados, sendo eles o Ex: dignidade da pessoa Ex: eleição para Presidente da
exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segu- humana. República.
rança, o bem estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça.
• Nos moldes jurídicos adotados pela CF/88, o preâm- Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união in-
bulo se configura como um elemento que serve de manifesto à dissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal,
continuidade de todo o ordenamento jurídico ao conectar constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como
os valores do passado - a situação de início que motivou a co- FUNDAMENTOS (SO-CI-DI-VA-PLU):
locação em marcha do processo legislativo - com o futuro - a I - a soberania;
exposição dos fins a alcançar -, descrição da situação que se as- II - a cidadania
pira a chegar. III - a dignidade da pessoa humana;
• A invocação à proteção de Deus NÃO TEM força IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
normativa. V - o pluralismo político.
• O preâmbulo constitucional situa-se no domínio da Parágrafo único. TODO O PODER EMANA DO POVO, que o exer-
política e reflete a posição ideológica do constituinte. Logo, ce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos
não contém relevância jurídica, não tem força normativa, desta Constituição.
sendo mero vetor interpretativo das normas constitucionais,
não servindo como parâmetro para o controle de constituciona-
PRINCÍPIOS ESTRUTURANTES – art. 1°, CF
lidade (STF).
• Não tem força normativa, embora provenha do PRINCÍPIO REPUBLICANO “A República”
mesmo poder constituinte originário que elaborou toda a
PRINCÍPIO FEDERATIVO “Federativa do Brasil, formada
constituição;
pela união indissolúvel dos Es-
• É destituído de qualquer cogência (MS 24.645
tados e Municípios e do Distri-
MC/DF);
to Federal”
• NÃO INTEGRA o bloco de constitucionalidade;
• Não cria direitos nem estabelece deveres; PRINCÍPIO DO ESTADO “constitui-se em Estado Demo-
• Seus princípios não prevalecem diante do texto DEMOCRÁTICO DE DIREITO crático de Direito”
expresso da constituição;
• Está sujeito à incidência de EC; Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos en-
tre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.
NATUREZA JURÍDICA DO PREÂMBULO
Art. 3º Constituem OBJETIVOS fundamentais da República Fede-
O preâmbulo situa-se no DOMÍNIO DA rativa do Brasil (regra do verbo):
POLÍTICA, sem relevância jurídica I - CONSTRUIR uma sociedade livre, justa e solidária;
Tese da (posição do STF). II - GARANTIR o desenvolvimento nacional;
irrelevância ATENÇÃO: Apesar de o preâmbulo não III - ERRADICAR a pobreza e a marginalização e REDUZIR as
jurídica possuir força normativa, ele traz as desigualdades sociais e regionais;
intenções, o sentido, a origem, as
justificativas, os objetivos, os valores e os

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IV - PROMOVER o bem de todos, sem preconceitos de origem, afirmam que os direitos fundamentais
raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discrimi- não podem ser universais, porque
nação. devem ser reconhecidos na medida da
cultura de cada sociedade.
Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações
internacionais pelos seguintes princípios: Não se pode retroceder nos avanços
I - independência nacional; históricos conquistados.
II - prevalência dos direitos humanos; Proibição de Segundo Canotilho, o núcleo essencial
III - autodeterminação dos povos; retrocesso dos direitos sociais já realizado e
IV - não-intervenção; efetivado através de medidas
V - igualdade entre os Estados; legislativas deve considerar-se
VI - defesa da paz; constitucionalmente garantido, sendo
VII - solução pacífica dos conflitos; inconstitucionais quaisquer medidas que,
VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo; sem a criação de outros esquemas
IX - cooperação entre os povos para o progresso da humani- alternativos e compensatórios, se
dade; traduzam na prática numa “anulação”,
X - concessão de asilo político. “revogação” pura e simples.
Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a inte- A locução direitos fundamentais é
gração econômica, política, social e cultural dos povos da reservada aos direitos consagrados em
América Latina, visando à formação de uma comunidade latino- diplomas normativos de cada Estado,
americana de nações. Constitucionalização enquanto a expressão direitos humanos
é empregada para designar pretensões
TÍTULO II de respeito à pessoa humana, inseridas
Dos Direitos e Garantias Fundamentais em documentos de direito
CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS internacional.

O que se entende por direitos


fundamentais depende do entendimento TEORIA DOS STATUS (Georg Jellinek)
Historicidade de uma sociedade em um determinado
O indivíduo é detentor de deveres perante o
tempo, variam de acordo com o correr
Status passivo Estado. O indivíduo não está em uma posição
da história, não são conceitos herméticos
(ou status de ter direitos exigíveis perante o Estado, mas
e fechados.
subjectionis) pelo contrário, está em uma posição de
Há uma variação no tempo e no espaço.
subordinação perante ele (por exemplo,
São direitos sem conteúdo econômico alistamento eleitoral e voto).
Inalienabilidade patrimonial, não podem ser Trata-se de um status de sujeição do
comercializados ou permutados. indivíduo perante o Estado.

São sempre exigíveis, não é porque não Status O indivíduo goza de um espaço de liberdade
Imprescritibilidade foram exercidos que deixam de pertencer negativo (ou diante das ingerências do Estado. Não pode
ao indivíduo. status haver influência estatal na liberdade do
libertatis) indivíduo.
Estão localizados principalmente no art. 5º da
O indivíduo pode não exercer os seus
Constituição.
Irrenunciabilidade direitos, mas não pode renunciar a eles.
Também deve ser relativizada pela vida Status positivo O indivíduo tem o direito de exigir do Estado
moderna. (ou status determinadas prestações materiais ou
civitatis) jurídicas.
Não são direitos absolutos. Se houver
Relatividade um choque entre os direitos
fundamentais, serão resolvidos por um Status ativo O indivíduo possui competências para
juízo de ponderação ou pela aplicação (ou status da influenciar a formação da vontade estatal.
do princípio da proporcionalidade. cidadania Status em que o indivíduo tem de participar,
ativa) influenciar nas escolhas políticas do Estado
Personalidade Os direitos fundamentais não se
incluindo, sobretudo, os direitos políticos.
transmitem.
Concorrência e Os direitos fundamentais são direitos que
DIMENSÕES (OU GERAÇÕES) DE DIREITOS FUNDAMENTAIS
cumulatividade podem ser exercidos ao mesmo
tempo. 1a Têm como titular o indivíduo e são oponíveis, sobretudo,
ao Estado, impondo-lhe diretamente um dever de
Os direitos fundamentais são universais,
abstenção (caráter negativo).
independentemente, de as nações terem
Ligados ao valor liberdade.
assinado a declaração, devem ser
Direitos civis e políticos.
reconhecidos em todo o planeta,
Universalidade independentemente, da cultura, política e 2a Ligados à igualdade material.
sociedade. Direitos sociais, econômicos e culturais.
OBS: os RELATIVISTAS CULTURAIS

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3a Ligados à fraternidade (ou solidariedade). I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos
Direitos relacionados ao desenvolvimento (ou progresso), termos desta Constituição;
ao meio ambiente, à autodeterminação dos povos, bem II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma
como o direito de propriedade sobre o patrimônio coisa senão em virtude de lei;
comum da humanidade e o direito de comunicação. III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento de-
Os direitos de terceira dimensão são direitos sumano ou degradante;
transindividuais destinados à proteção do gênero IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo VEDADO O
humano. ANONIMATO;
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo,
4a Direitos à democracia, informação e pluralismo - DIP além da indenização por dano material, moral ou à imagem;
Paulo Bonavides observa que esses direitos compendiam VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo as-
o futuro da cidadania e correspondem à derradeira fase segurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na
da institucionalização do Estado social, sendo forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
imprescindíveis para a realização e legitimidade da VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência
globalização política. religiosa nas entidades civis e militares de internação coleti-
5a Paulo Bonavides: direito à paz, enquanto axioma da va;
democracia participativa e supremo direito da VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença reli-
humanidade, como um direito fundamental de quinta giosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar
dimensão. para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-
se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica
DIMENSÃO OBJETIVA DIMENSÃO SUBJETIVA
e de comunicação, INDEPENDENTEMENTE DE CENSURA OU LI-
Direito fundamental como nor- Direito fundamental dentro de CENÇA;
ma cogente e irradiante, uma relação jurídica, conside- X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a
como norte e limite conside- rando-se um titular e um imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo
rando-se o direito de forma destinatário, de forma con- dano material ou moral decorrente de sua violação;
abstrata. creta. XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo
penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de fla-
Reflexos importantes: grante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, duran-
- Eficácia irradiante da CF. te o dia, por determinação judicial;
- Imposição ao Estado do de- XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações
ver de proteção dos direitos telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no
fundamentais último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a
- Definição de limites de inter- lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução
pretação e de aplicação de processual penal;
normas, com procedimentos
formais que respeitem os direi- SIGILO BANCÁRIO
tos materiais. Os órgãos poderão requerer informações bancárias
diretamente das instituições financeiras? (Dizerodireito)
Eficácia Vertical Eficácia Horizontal Eficácia Diagonal POLÍCIA NÃO. É necessária autorização judicial.

Refere-se à aplica- Refere-se à aplica- Refere-se à aplica- NÃO. É necessária autorização judicial (STJ HC
ção dos direitos ção dos direitos ção dos direitos 160.646/SP, Dje 19/09/2011).
fundamentais na re- fundamentais na re- fundamentais na re- Exceção: É lícita a requisição pelo Ministério
lação entre o Esta- lação entre os par- lação entre os par- Público de informações bancárias de contas
do e os particula- ticulares. ticulares, sendo MP de titularidade de órgãos e entidades
res. que, tais particulares públicas, com o fim de proteger o
estão em nível de patrimônio público, não se podendo falar em
desigualdade, ha- quebra ilegal de sigilo bancário (STJ. 5ª Turma.
vendo uma parte HC 308.493-CE, j. em 20/10/2015).
mais vulnerável. NÃO. É necessária autorização judicial (STF MS
22934/DF, DJe de 9/5/2012).
Estado Particular Particular
Exceção: O envio de informações ao TCU
x x x
TCU relativas a operações de crédito originárias
Particular Particular Particular Vulnerável
de recursos públicos não é coberto pelo
sigilo bancário (STF. MS 33340/DF, j. em
CAPÍTULO I 26/5/2015).
DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS
SIM, com base no art. 6º da LC 105/2001. O
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
Receita repasse das informações dos bancos para o
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros resi-
Federal Fisco não pode ser definido como sendo
dentes no País (STF: abrange não residentes e apátridas) a in-
"quebra de sigilo bancário".
violabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segu-
rança e à propriedade, nos termos seguintes: Fisco estadual, SIM, desde que regulamentem, no âmbito de
distrital, suas esferas de competência, o art. 6º da LC

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105/2001, de forma análoga ao Decreto Federal mais de uma vez.


municipal
3.724/2001. Súmula 617-STF: A base de cálculo dos honorários de advoga-
SIM (seja ela federal ou estadual/distrital) (art. do em desapropriação é a diferença entre a oferta e a indeni-
CPI 4º, § 1º da LC 105/2001). zação, corrigidas ambas monetariamente.
Prevalece que CPI municipal não pode. Súmula 652-STF: Não contraria a Constituição o art. 15, § 1º, do
Dl. 3.365/41 (Lei da Desapropriação por utilidade pública)
*Tabela retirada do site [Link]
XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, STJ
atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer;
Súmula 12-STJ: Em desapropriação, são cumuláveis juros com-
XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado
pensatórios e moratórios. • Polêmica. Os juros compensató-
o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional;
rios em desapropriação, somente incidem até a data da expedi-
XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz,
ção do precatório original. Tal entendimento está agora também
podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, perma-
confirmado pelo § 12 do art. 100 da CF, com a redação dada
necer ou dele sair com seus bens;
pela EC 62/09. Sendo assim, não ocorre, no atual quadro norma-
XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em lo-
tivo, hipótese de cumulação de juros moratórios e juros com-
cais abertos ao público, INDEPENDENTEMENTE DE AUTORIZA-
pensatórios, eis que se tratam de encargos que incidem em pe-
ÇÃO, desde que não frustrem outra reunião anteriormente con-
ríodos diferentes: os juros compensatórios têm incidência até
vocada para o mesmo local, sendo apenas EXIGIDO PRÉVIO
a data da expedição de precatório, enquanto que os mora-
AVISO à autoridade competente;
tórios somente incidirão se o precatório expedido não for
XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, veda-
pago no prazo constitucional (STJ. 1ª Seção. REsp 1118103/SP,
da a de caráter paramilitar;
Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 24/02/2010, DJe
XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de coopera-
08/03/2010). Assim, a única forma de se interpretar esse enunci-
tivas INDEPENDEM DE AUTORIZAÇÃO, sendo vedada a inter-
ado é no sentido de que essa cumulação de que trata a súmula
ferência estatal em seu funcionamento;
não se refere ao mesmo período, mas sim a momentos de tem-
XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvi-
po diferentes
das ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exi-
Súmula 56-STJ: Na desapropriação para instituir servidão admi-
gindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado;
nistrativa são devidos os juros compensatórios pela limitação de
XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permane-
uso da propriedade.
cer associado;
Súmula 67-STJ: Na desapropriação, cabe a atualização mone-
XXI - as entidades associativas, QUANDO EXPRESSAMENTE
tária, ainda que por mais de uma vez, independente do decur-
AUTORIZADAS, têm legitimidade para representar seus filia-
so de prazo superior a 1 ano entre o cálculo e o efetivo paga-
dos judicial ou extrajudicialmente;
mento da indenização.
XXII - é garantido o direito de propriedade;
Súmula 69-STJ: Na desapropriação direta, os juros compensa-
XXIII - a propriedade atenderá a sua função social;
tórios são devidos desde a antecipada imissão na posse e, na
XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação
desapropriação indireta, a partir da efetiva ocupação do imó-
por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social,
vel.
mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados
Súmula 102-STJ: A incidência dos juros moratórios sobre os
os casos previstos nesta Constituição;
compensatórios, nas ações expropriatórias, não constitui anato-
cismo vedado em lei.
SÚMULAS SOBRE DESAPROPRIAÇÃO Súmula 113-STJ: Os juros compensatórios, na desapropria-
STF ção direta, incidem A PARTIR DA IMISSÃO NA POSSE, calcula-
dos sobre o valor da indenização, corrigido monetariamente.
Súmula 23-STF: Verificados os pressupostos legais para o licen- Súmula 114-STJ: Os juros compensatórios, na desapropria-
ciamento da obra, NÃO o IMPEDE a declaração de utilidade ção indireta, incidem A PARTIR DA OCUPAÇÃO, calculados so-
pública para desapropriação do imóvel, mas o valor da obra bre o valor da indenização, corrigido monetariamente
não se incluirá na indenização, quando a desapropriação for Súmula 131-STJ: Nas ações de desapropriação incluem-se no
efetivada. cálculo da verba advocatícia as parcelas relativas aos juros com-
Súmula 157-STF: É necessária prévia autorização do presi- pensatórios e moratórios, devidamente corrigidas.
dente da república para desapropriação, pelos estados, de em- Súmula 141-STJ: Os honorários de advogado em desapropria-
presa de energia elétrica. ção direta são calculados sobre a diferença entre a indeniza-
Súmula 164-STF: No processo de desapropriação, são devidos ção e a oferta, corrigidas monetariamente.
juros compensatórios desde a antecipada imissão de posse, Súmula 354-STJ: A invasão do imóvel É CAUSA DE SUSPEN-
ordenada pelo juiz, por motivo de urgência. SÃO do processo expropriatório para fins de reforma agrária.
Súmula 476-STF: Desapropriadas as ações de uma sociedade, o
poder desapropriante, imitido na posse, pode exercer, desde
XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade compe-
logo, todos os direitos inerentes aos respectivos títulos.
tente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao
Súmula 378-STF: Na indenização por desapropriação incluem-
proprietário indenização ulterior, se houver dano (REQUISI-
se honorários do advogado do expropriado.
ÇÃO);
Súmula 416-STF: Pela demora no pagamento do preço da de-
XXVI - a PEQUENA PROPRIEDADE RURAL, assim definida em lei,
sapropriação NÃO CABE indenização complementar além dos
desde que trabalhada pela família, não será objeto de penho-
juros.
ra para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade
Súmula 561-STF: Em desapropriação, é devida a correção mo-
produtiva, dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu de-
netária até a data do efetivo pagamento da indenização, de-
senvolvimento;
vendo proceder-se à atualização do cálculo, ainda que por

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MARINA ABUD MOUSSALLEM - 124.308.607-67

XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, pu- XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena
blicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros sem prévia cominação legal;
pelo tempo que a lei fixar; XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;
XXVIII - são assegurados, nos termos da lei: XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e
a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à liberdades fundamentais;
reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e impres-
desportivas; critível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei;
b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de
obras que criarem ou de que participarem aos criadores, aos in- graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entor-
térpretes e às respectivas representações sindicais e associativas; pecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como cri-
XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilé- mes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os execu-
gio temporário para sua utilização, bem como proteção às cria- tores e os que, podendo evitá-los, se omitirem;
ções industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empre- XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de
sas e a outros signos distintivos, tendo em vista o interesse social grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constituci-
e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País; onal e o Estado Democrático;
XXX - é garantido o direito de herança;
XXXI - a sucessão de bens de estrangeiros situados no País Racismo
será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos CRIMES
filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei Ação de grupos armados, civis ou militares,
IMPRESCRITÍVEIS
pessoal do "de cujus"; contra a ordem constitucional e o Estado
XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consu- Democrático
midor (direito do consumidor é princípio da ordem econômi-
ca); XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, poden-
XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos infor- do a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento
mações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra
geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsa- eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferi-
bilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à do;
segurança da sociedade e do Estado; XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre
XXXIV - são a todos assegurados, INDEPENDENTEMENTE DO outras, as seguintes:
PAGAMENTO DE TAXAS: a) privação ou restrição da liberdade;
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direi- b) perda de bens;
tos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; c) multa;
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa d) prestação social alternativa;
de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal; e) suspensão ou interdição de direitos;
XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão XLVII - não haverá penas:
ou ameaça a direito (princípio inafastabilidade de jurisdição) a) de morte, salvo em caso de guerra declarada (modalidade fu-
zilamento), nos termos do art. 84, XIX;
Ações relativas à disciplina e b) de caráter perpétuo;
competições esportivas c) de trabalhos forçados;
d) de banimento;
Ato administrativo que contrarie e) cruéis;
Súmula Vinculante (art. 7°, §1°, Lei XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de
11417) acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado;
EXCEÇÕES AO PRINCÍPIO
INAFASTABILIDADE DE Indeferimento da informação de XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e
JURISDIÇÃO dados pessoais ou omissão em moral;
atender este pedido para que L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam
nasça o interesse de agir no HD permanecer com seus filhos durante o período de amamentação;
LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado,
Indeferimento de pedido perante em caso de crime comum, praticado antes da naturalização,
o INSS ou omissão em atender o ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entor-
pedido administrativo para pecentes e drogas afins, na forma da lei;
obtenção de benefício
previdenciário
Nato: nunca

XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico Naturalizado


perfeito e a coisa julgada; • Crime comum – praticado antes da naturali-
EXTRADIÇÃO
XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção; zação
XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organização • Tráfico de drogas – a qualquer tempo
que lhe der a lei, assegurados: Estrangeiro não será extraditado por crime
a) a plenitude de defesa; político ou de opinião.
b) o sigilo das votações;
c) a soberania dos veredictos;
LII - não será concedida extradição de estrangeiro por crime
d) a competência para o julgamento dos crimes DOLOSOS
político ou de opinião;
contra a vida (competência mínima);

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LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela auto- b) organização sindical, entidade de classe ou associação le-
ridade competente; galmente constituída e em funcionamento há pelo menos 1 ano,
LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o em defesa dos interesses de seus membros ou associados;
devido processo legal; LXXI - conceder-se-á MANDADO DE INJUNÇÃO sempre que a
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos
acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla de- direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes
fesa, com os meios e recursos a ela inerentes; à nacionalidade, à soberania e à cidadania;
LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por mei- LXXII - conceder-se-á HABEAS DATA:
os ilícitos; a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pes-
LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em jul- soa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados
gado de sentença penal condenatória; de entidades governamentais ou de caráter público;
b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por
CADH: Art. 8, 2: Toda pessoa acusada de delito tem direito a que processo sigiloso, judicial ou administrativo;
se presuma sua inocência enquanto não se comprove legal-
mente sua culpa. HD MS
Conhecimento de informações Conhecimento de informações
LVIII - o civilmente identificado não será submetido a identifica- relativas à pessoa do impetran- relativas a terceiros
ção criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei; te
LIX - será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se
esta não for intentada no prazo legal (ação penal privada subsi-
LXXIII - qualquer CIDADÃO (capacidade eleitoral ativa) é parte
diária da pública);
legítima para propor AÇÃO POPULAR que vise a anular ato lesi-
LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais
vo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado partici-
quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem;
pe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimô-
LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por or-
nio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé,
dem escrita e fundamentada de autoridade judiciária compe-
isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência;
tente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propri-
LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e gratui-
amente militar, definidos em lei;
ta aos que comprovarem insuficiência de recursos (modelo
LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre se-
público de assistência jurídica);
rão comunicados imediatamente ao juiz competente e à famí-
LXXV - o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, as-
lia do preso ou à pessoa por ele indicada;
sim como o que ficar preso além do tempo fixado na sentença;
LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o
LXXVI - são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na for-
de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da fa-
ma da lei:
mília e de advogado;
a) o registro civil de nascimento;
LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis por
b) a certidão de óbito;
sua prisão ou por seu interrogatório policial;
LXXVII - são gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data,
LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autorida-
e, na forma da lei, os atos necessários ao exercício da cidada-
de judiciária;
nia.
LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a
lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança; Previsão constitucional de isenção de custas
LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável • Habeas Corpus
pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação • Habeas Data
alimentícia e a do depositário infiel; • Ação Popular (salvo se comprovada má-fé do autor)
• Exercício da cidadania
• Direito de petição
SV25: É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que
• Obtenção de certidões
seja a modalidade de depósito.
LXXVIII - a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegu-
STF: o art. 7º, item 7, da CADH teria ingressado no sistema ju- rados a razoável duração do processo e os meios que garantam
rídico nacional com status supralegal, inferior à CF/1988, mas a celeridade de sua tramitação.
superior à legislação interna, a qual não mais produziria qual- § 1º As normas definidoras dos direitos e garantias funda-
quer efeito naquilo que conflitasse com a sua disposição de ve- mentais têm APLICAÇÃO IMEDIATA.
dar a prisão civil do depositário infiel. EFICÁCIA PARALISANTE
*Tabelas feitas com base nas aulas do Marcello Novelino
LXVIII - conceder-se-á HABEAS CORPUS sempre que alguém so- § 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não ex-
frer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua cluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela ado-
liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder; tados, ou dos tratados internacionais em que a República Federa-
LXIX - conceder-se-á MANDADO DE SEGURANÇA para prote- tiva do Brasil seja parte.
ger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou § 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos
habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso
de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica Nacional, em 2 turnos, por 3/5 dos votos dos respectivos mem-
no exercício de atribuições do Poder Público; bros, serão equivalentes às emendas constitucionais – 2C, 2T,
LXX - o MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO pode ser impe- 3/5
trado por:
a) partido político com representação no Congresso Nacional;

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MARINA ABUD MOUSSALLEM - 124.308.607-67

TRATADOS INCORPORADOS COM STATUS DE EC O Direito Penal refere-se a comportamentos


considerados altamente reprováveis ou
Convenção de Nova Iorque sobre os Direitos das Pessoas com
Aspecto danosos ao organismo social, afetando bens
Deficiência
Material jurídicos indispensáveis à própria conservação
Protocolo facultativo à Convenção de Nova Iorque sobre os Di- e progresso da sociedade.
reitos das Pessoas com Deficiência
O Direito Penal é mais um instrumento de
Tratado de Marrakesh controle social, visando assegurar a necessária
disciplina para a harmônica convivência dos
membros da sociedade.
INCORPORAÇÃO DOS TRATADOS INTERNACIONAIS
Aprofundando o enfoque sociológico
Antes da EC/45 Após EC/45 - A manutenção da paz social demanda a
TRATADOS existência de normas destinadas a estabelecer
Status supralegal Rito normal:
INTERNACIONAIS DE diretrizes.
status suprale-
DIREITOS HUMANOS Aspecto - Quando violadas as regras de conduta, surge
gal
Sociológico/ para o Estado o dever de aplicar sanções (civis
Rito de EC: sta- Dinâmico ou penais).
tus de EC ATENÇÃO: Nessa tarefa de controle social
atuam vários ramos do direito, como o Direito
DEMAIS TRATADOS Status legal
Civil, Direito Administrativo, etc. O Direito
INTERNACIONAIS
Penal é apenas um dos ramos do controle
social.
§ 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Inter- - Quando a conduta atenta contra bens
nacional a cuja criação tenha manifestado adesão. jurídicos especialmente tutelados, merece
reação mais severa por parte do Estado,
SÚMULAS SOBRE DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS valendo-se do Direito Penal.
IMPORTANTE: O que diferencia a norma
STF
penal das demais é a espécie de
Súmula vinculante 1-STF: Ofende a garantia constitucional do consequência jurídica, ou seja, pena
ato jurídico perfeito a decisão que, sem ponderar as circunstân- privativa de liberdade (PPL).
cias do caso concreto, desconsidera a validez e a eficácia de - O Direito Penal é norteado pelo princípio da
acordo constante do termo de adesão instituído pela Lei Com- intervenção mínima, só atuando quando os
plementar nº 110/2001. outros ramos do direito falham.
Súmula vinculante 25-STF: É ilícita a prisão civil de depositário
infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito.
Direito Penal Criminologia Política Criminal
Súmula 654-STF: A garantia da irretroatividade da lei, previs-
(Ciência Penal) (Ciência Política)
ta no art. 5º, XXXVI, da Constituição da República, NÃO É invo-
cável pela entidade estatal que a tenha editado. Analisa os fatos Ciência empírica Trabalha as estraté-
humanos indeseja- que estuda o cri- gias e os meios de
STJ
dos, define quais me, o criminoso, a controle social da
Súmula 2-STJ: Não cabe o habeas data (CF, art. 5º, LXXII, letra devem ser rotulados vítima e o com- criminalidade.
"a") se não houve recusa de informações por parte da autori- como crime ou portamento da so-
dade administrativa contravenção, ciedade.
Súmula 280-STJ: O art. 35 do Decreto-Lei n° 7.661, de 1945, anunciando as pe-
que estabelece a prisão administrativa, foi revogado pelos nas.
incisos LXI e LXVII do art. 5° da Constituição Federal de 1988.
Súmula 403-STJ: Independe de prova do prejuízo a indeniza- Ocupa-se do crime Ocupa-se do crime Ocupa-se do crime
ção pela publicação não autorizada da imagem de pessoa com enquanto norma. enquanto fato so- enquanto valor.
fins econômicos ou comerciais. cial.
Súmula 419-STJ: Descabe a prisão civil do depositário infiel. ex.: define como cri- ex.: quais fatores ex.: estuda como di-
Súmula 444-STJ: É vedada a utilização de inquéritos policiais me lesão no ambi- contribuem para a minuir a violência do-
e ações penais em curso para agravar a pena-base. ente doméstico e violência doméstica méstica e familiar.
familiar. e familiar
CÓDIGO PENAL
*Nossas tabelas de Direito Penal foram produzidas a partir de au- PRINCÍPIOS DO DIREITO PENAL
las do Professor Rogério Sanches
Princípio da EXCLUSIVA PROTEÇÃO DOS
BENS JURÍDICOS: O direito penal deve servir
CONCEITO DE DIREITO PENAL apenas para proteger bens jurídicos relevan-
Aspecto Direito Penal é o conjunto de normas que tes, indispensáveis ao convívio da sociedade.
Formal/ qualifica certos comportamentos humanos Decorrência do princípio da ofensividade.
Estático como infrações penais, define os seus agentes Princípio da INTERVENÇÃO MÍNIMA: O Di-
e fixa sanções a serem-lhes aplicadas. Princípios
reito Penal só deve ser aplicado quando estri-
relacionados

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MARINA ABUD MOUSSALLEM - 124.308.607-67

com a MISSÃO tamente necessário, de modo que sua inter- AGENTE reito penal do fato: fixação da pena, regime
FUNDAMENTAL venção fica condicionada ao fracasso das de- de cumprimento da pena e espécies de san-
DO DIREITO mais esferas de controle (caráter subsidiário), ção.
PENAL observando somente os casos de relevante
Princípio da LEGALIDADE
lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tu-
Art. 5º , II, C.F. – “ninguém será obrigado a fa-
telado (caráter fragmentário).
zer ou deixar de fazer alguma coisa senão em
a) Princípio da fragmentariedade (ou cará-
virtude de lei;”
ter fragmentário do Direito Penal): estabe-
Art. 5º, XXXIX, C.F. – “não há crime sem lei an-
lece que nem todos os ilícitos configuram in-
terior que o defina, nem pena sem prévia co-
frações penais, mas apenas os que atentam
minação legal;”
contra valores fundamentais para a manu-
Art. 1º, C.P. - “Não há crime sem lei anterior
tenção e o progresso do ser humano e da
que o defina. Não há pena sem prévia comi-
sociedade. Em razão de seu caráter fragmen-
nação legal.”
tário, o Direito Penal é a última etapa de pro-
DESDOBRAMENTOS DO PRINCÍPIO DA LE-
teção do bem jurídico.
GALIDADE:
Deve ser utilizado no plano abstrato, para o
a) não há crime ou pena sem lei (MP não
fim de permitir a criação de tipos penais so-
pode criar crime, nem cominar pena)
mente quando os demais ramos do Direito ti-
b) não há crime ou pena sem lei anterior
verem falhado na tarefa de proteção de um
(princípio da anterioridade)
bem jurídico. Refere-se, assim, à atividade le-
c) não há crime ou pena sem lei escrita
gislativa.
(proíbe costume incriminador)
#O que é FRAGMENTARIEDADE ÀS AVES-
d) não há crime ou pena sem lei estrita
SAS? Situações em que um comportamento
(proíbe-se a utilização da analogia para criar
inicialmente típico deixa de interessar ao Di-
tipo incriminador - analogia in malam par-
reito Penal, sem prejuízo da sua tutela pelos
tem).
demais ramos do Direito.
e) não há crime ou pena sem lei certa (Prin-
IMPORTANTE! O princípio da insignificân-
cípio da Taxatividade ou da determinação;
cia é desdobramento lógico da fragmentari-
Proibição de criação de tipos penais vagos e
edade.
indeterminados)
b) Princípio da subsidiariedade: a atuação
f) não há crime ou pena sem lei necessária
do Direito Penal é cabível unicamente quando
(desdobramento lógico do princípio da inter-
os outros ramos do Direito e os demais meios
venção mínima)
estatais de controle social tiverem se revelado
impotentes para o controle da ordem pública. Princípio da OFENSIVIDADE/LESIVIDADE:
Assim, o Direito Penal funciona como um exe- Exige que do fato praticado ocorra lesão ou
cutor de reserva (ultima ratio), entrando em perigo de lesão ao bem jurídico tutelado.
cena somente quando outros meios estatais Somente condutas que causem lesão (efetiva/
de proteção mais brandos, e, portanto, menos potencial) a bem jurídico, relevante e de ter-
invasivos da liberdade individual não forem ceiro, podem estar sujeitas ao Direito Penal.
suficientes para a proteção do bem jurídico -CRIME DE DANO: ocorre efetiva lesão ao
tutelado. bem jurídico. Ex: homicídio.
Projeta-se no plano concreto, isto é, em sua -CRIME DE PERIGO: basta risco de lesão ao
atuação prática o Direito Penal somente se le- bem jurídico. Ex.: embriaguez ao volante; por-
gitima quando os demais meios disponíveis já te de arma.
tiverem sido empregados, sem sucesso, para a) Perigo abstrato: o risco de lesão é absolu-
proteção do bem jurídico. Guarda relação, tamente presumido por lei.
portanto, com a tarefa de aplicação da lei pe- b) Perigo concreto:
nal. De vítima determinada: o risco deve
ser demonstrado indicando pessoa
Princípio da EXTERIORIZAÇÃO ou MATERI-
certa em perigo.
ALIZAÇÃO DO FATO: O Estado só pode incri-
De vítima difusa: o risco deve ser de-
minar condutas humanas voluntárias, isto é,
monstrado dispensando vítima deter-
fatos.
minada.
ATENÇÃO! Veda-se o Direito Penal do au-
tor: consistente na punição do indivíduo ba- Princípio da RESPONSABILIDADE PESSOAL:
seada em seus pensamentos, desejos e estilo Proíbe-se o castigo pelo fato de outrem. Está
de vida. vedada a responsabilidade penal coletiva.
Conclusão: O Direito Penal Brasileiro segue DESDOBRAMENTOS:
Direito Penal do Fato. a) Obrigatoriedade da individualização da
Resquícios de direito penal do autor no di- acusação (é proibida a denúncia genérica,
reito brasileiro: Até 2009, mendicância era vaga ou evasiva). O Promotor de Justiça deve
Princípios crime. Vadiagem é contravenção penal. individualizar os comportamentos. OBS: Nos
relacionados ATENÇÃO: Identifica-se a aplicação do di- crimes societários, os Tribunais Superiores fle-
com o FATO DO reito penal do autor em detrimento ao di- xibilizam essa obrigatoriedade.

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MARINA ABUD MOUSSALLEM - 124.308.607-67

b) Obrigatoriedade da individualização da 2- FASE JUDICIAL: observada pelo juiz na fi-


Princípios pena (é mandamento constitucional, evitando xação da pena. Pena concreta.
relacionados responsabilidade coletiva). 3- FASE DE EXECUÇÃO: garantindo-se a indi-
com o AGENTE vidualização da execução penal (art. 5°, LEP).
Princípio da RESPONSABILIDADE SUBJETI-
DO FATO
VA: Não basta que o fato seja materialmente Princípio da PROPORCIONALIDADE: Trata-
causado pelo agente, ficando a sua responsa- se de princípio constitucional implícito (des-
bilidade condicionada à existência da volun- dobramento da individualização da pena).
tariedade (dolo/culpa). Está proibida a res- Curiosidade: foi durante o Iluminismo, mar-
ponsabilidade penal objetiva, isto é, sem dolo cado pela obra “Dos delitos e das penas”
ou culpa. (Beccaria) que se despertou maior atenção
Temos doutrina anunciando CASOS DE RES- para a proporcionalidade na resposta estatal
PONSABILIDADE PENAL OBJETIVA (autori- (Beccaria propunha a retribuição proporcio-
zadas por lei): nal).
1- Embriaguez voluntária RESUMO: a pena deve ajustar-se à gravidade
Crítica: a teoria da actio libera in causa exige do fato, sem desconsiderar as condições do
não somente uma análise pretérita da impu- agente.
tabilidade, mas também da consciência e Dupla face do princípio da proporcionali-
vontade do agente. dade (Lenio Streck):
2- Rixa Qualificada 1a Face: Impedir a hipertrofia da punição;
Crítica: só responde pelo resultado agravador Garantismo negativo (Ferrajoli); Garantia do
quem atuou frente a ele com dolo ou culpa, indivíduo contra o Estado.
evitando-se responsabilidade penal objetiva. 2a Face: Evitar a insuficiência da interven-
3- Responsabilidade penal da pessoa jurídi- ção do Estado (evitar proteção deficiente);
ca nos crimes ambientais Imperativo de tutela; Garantismo positivo
(Ferrajoli); Garantia do indivíduo em ver o Es-
Princípio da CULPABILIDADE: Postulado li-
tado protegendo bens jurídicos com eficiên-
mitador do direito de punir.
cia.
Só pode o Estado impor sanção penal ao
agente imputável, isto é, penalmente capaz, Princípio da PESSOALIDADE
com potencial consciência da ilicitude (possi- “Artigo 5º, XLV CF – nenhuma pena passará
bilidade de conhecer o caráter ilícito do com- da pessoa do condenado, podendo a obriga-
portamento), quando dele exigível conduta ção de reparar o dano e a decretação do per-
diversa. dimento de bens ser, nos termos da lei, esten-
didas aos sucessores e contra eles executadas,
Princípio da ISONOMIA: A isonomia que se
até o limite do valor do patrimônio transferi-
garante é a isonomia substancial. Deve-se tra-
do.”
tar de forma igual o que é igual, e desigual-
mente o que é desigual. Princípio da VEDAÇÃO DO “BIS IN IDEM”:
veda-se segunda punição pelo mesmo fato.
Princípio da PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA
Exceção: Art. 8º - A pena cumprida no estran-
Convenção Americana de Direitos Humanos -
geiro atenua a pena imposta no Brasil pelo
Artigo 8º .2: “Toda pessoa acusada de um de-
mesmo crime, quando diversas, ou nela é
lito tem direito a que se presuma sua ino-
computada, quando idênticas – possibilida-
cência, enquanto não for legalmente com-
de do sujeito ser processado duas vezes pelo
provada sua culpa. Durante o processo, toda
mesmo fato.
pessoa tem direito, em plena igualdade, às
seguintes garantias mínimas:”
Art. 5º, LVII C.F. – “ninguém será considerado TÍTULO I
culpado até o trânsito em julgado de senten- DA APLICAÇÃO DA LEI PENAL
ça penal condenatória;” Anterioridade da Lei
OBS: Prisão após condenação em 2a instância Art. 1º - Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há
não viola o princípio da presunção de inocên- pena sem prévia cominação legal.
cia (STF).
Lei penal no tempo
Princípio da DIGNIDADE DA PESSOA HU- Art. 2º - Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior
MANA: A ninguém pode ser imposta pena deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a execução
ofensiva à dignidade da pessoa humana, ve- e os efeitos penais da sentença condenatória (abolitio criminis)
dando-se a sanção indigna, cruel, desumana e Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer modo fa-
Princípios degradante. vorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que de-
relacionados cididos por sentença condenatória transitada em julgado.
Princípio da INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA
com a PENA
A individualização da pena deve ser observa-
da em 3 momentos: Tempo da Lei Posterior (IR) Retroatividade
1- FASE LEGISLATIVA: observada pelo legis- conduta
lador no momento da definição do crime e na
Fato atípico Fato típico Irretroatividade
cominação de sua pena. Pena abstrata.

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MARINA ABUD MOUSSALLEM - 124.308.607-67

Fato típico Aumento de pena, [Link]. Irretroatividade LUGAR DO CRIME

Fato típico Supressão de figura cri- Retroatividade TEORIA DA TEORIA DO TEORIA MISTA /
minosa ATIVIDADE RESULTADO UBIQUIDADE

Fato típico Diminuição de pena, Retroatividade O crime considera- O crime considera- o crime considera-
[Link]. se praticado no lu- se praticado no lu- se praticado no lu-
gar da conduta. gar do resultado. gar da conduta ou
Fato típico Migra o conteúdo crimi- Princípio da conti-
do resultado.
noso para outro tipo nuidade normativo-
Adotada
penal típica

DICA: LuTa (Lugar do crime = Ubiquidade/Tempo do crime=Ati-


Súmula 611-STF: Transitada em julgado a sentença condenató-
vidade)
ria, compete ao juízo das execuções a aplicação de lei mais be-
nigna.
Extraterritorialidade
Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos
Lei excepcional ou temporária
no estrangeiro:
Art. 3º - A lei excepcional ou temporária, embora decorri-
I (INCONDICIONADA)- os crimes:
do o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República
determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigên-
(P. Defesa ou Real);
cia (ultratividade)
b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito
Federal, de Estado, de Território, de Município, de empresa públi-
A lei excepcional ou temporária possuem duas características ca, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação insti-
essenciais: tuída pelo Poder Público (P. Defesa ou Real);
- Autorrevogabilidade c) contra a administração pública, por quem está a seu ser-
- Ultratividade viço (P. Defesa ou Real);
d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domi-
Tempo do crime ciliado no Brasil (P. Justiça Universal);
Art. 4º - Considera-se praticado o crime no momento da II ( CONDICIONADA) - os crimes:
ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado. a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a
reprimir (P. Justiça Universal);
TEMPO DO CRIME b) praticados por brasileiro (P. Nacionalidade Ativa);
c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mer-
TEORIA DA TEORIA DO TEORIA MISTA / cantes ou de propriedade privada, quando em território es-
ATIVIDADE RESULTADO UBIQUIDADE trangeiro e aí não sejam julgados (P. Representação).
Considera-se prati- Considera-se prati- Considera-se prati- § 1º - Nos casos do inciso I (INCONDICIONADA), o agente
cado o crime no cado o crime no cado o crime no é punido segundo a lei brasileira, ainda que absolvido ou con-
momento da con- momento do resul- momento da con- denado no estrangeiro (possibilidade de dupla condenação
duta (A/O) tado. duta (A/O) ou do pelo mesmo fato).
Adotada resultado. § 2º - Nos casos do inciso II (CONDICIONADA), a aplicação
da lei brasileira depende do concurso das seguintes condições:
a) entrar o agente no território nacional;
Territorialidade
b) ser o fato punível também no país em que foi pratica-
Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de conven-
do;
ções, tratados e regras de direito internacional, ao crime cometi-
c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasi-
do no território nacional.
leira autoriza a extradição;
§ 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como extensão
d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não
do território nacional as embarcações e aeronaves brasileiras,
ter aí cumprido a pena;
de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro onde
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por
quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as embarca-
outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a lei
ções brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, que se
mais favorável.
achem, respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou
§ 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido
em alto-mar.
por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, se, reunidas as
§ 2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes pratica-
condições previstas no parágrafo anterior: (HIPERCONDICIONA-
dos a bordo de aeronaves ou embarcações estrangeiras de
DA)
propriedade privada, achando-se aquelas em pouso no territó-
a) não foi pedida ou foi negada a extradição;
rio nacional ou em voo no espaço aéreo correspondente, e es-
b) houve requisição do Ministro da Justiça.
tas em porto ou mar territorial do Brasil.
Pena cumprida no estrangeiro
Lugar do crime
Art. 8º - A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena im-
Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar em que
posta no Brasil pelo mesmo crime, quando diversas, ou nela é
ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como
computada, quando idênticas.
onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado.
Eficácia de sentença estrangeira

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MARINA ABUD MOUSSALLEM - 124.308.607-67

Art. 9º - A sentença estrangeira, quando a aplicação da lei REALÍSTICA VOLUNTARÍSTICA/


brasileira produz na espécie as mesmas consequências, pode ser MONISTA
homologada no Brasil para:
I - obrigar o condenado à reparação do dano, a restitui- Observa o aspecto objetivo Observa o aspecto subjetivo
ções e a outros efeitos civis; (depende de pedido da parte in- do delito (sob a perspectiva do delito (sob a perspectiva do
teressada). dos atos praticados pelo agen- dolo).
II - sujeitá-lo a medida de segurança. (depende da exis- te). Conclusão: sob a perspectiva
tência de tratado de extradição com o país de cuja autoridade A punição se fundamenta no subjetiva (dolo), a consumação
judiciária emanou a sentença, ou, na falta de tratado, de re- perigo de dano acarretado e a tentativa são idênticas, logo,
quisição do ministro da justiça). ao bem jurídico, verificado a tentativa deve ter a mesma
na realização de parte do pena da consumação, sem re-
Contagem de prazo +C-F processo executório. dução.
Art. 10 - O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. Conclusão: por ser objetiva-
Contam-se os dias, os meses e os anos pelo calendário comum. mente incompleta, a tentativa
merece pena reduzida.
Frações não computáveis da pena A tentativa é chamada de
Art. 11 - Desprezam-se, nas penas privativas de liberdade tipo manco.
e nas restritivas de direitos, as frações de dia, e, na pena de Quanto maior a proximidade
multa, as frações de cruzeiro. da consumação menor será a
diminuição, e vice-versa (leva-
Legislação especial se em conta o iter criminis
Art. 12 - As regras gerais deste Código aplicam-se aos fatos percorrido pelo agente).
incriminados por lei especial, se esta não dispuser de modo diver- Adotado pelo CP.
so. Regra: Teoria objetiva (pune-se a tentativa com a pena da con-
sumação reduzida de 1/3 a 2/3).
TÍTULO II Exceção: Teoria subjetiva (pune-se a tentativa com a mesma
DO CRIME pena da consumação – sem redução). São os CRIMES DE
Relação de causalidade ATENTADO ou empreendimento.
Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime,
somente é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se cau-
sa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorri- Culposo (salvo, culpa imprópria)
do. TEORIA DA EQUIVALÊNCIA DOS ANTECEDENTES/ conditio Contravenções penais (faticamente
sine qua non/ condição simples/ condição generalizada CRIMES QUE NÃO AD- possível, mas não punível)
Superveniência de causa independente MITEM TENTATIVA Habituais
§ 1º - A superveniência de causa relativamente indepen- Unissubsistentes
dente exclui a imputação quando, por si só, produziu o resul- “CCHUPAO” Preterdolosos
tado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os pra- Atentado/Empreendimento
ticou. TEORIA DA CAUSALIDADE ADEQUADA. Omissivos PRÓPRIOS
Relevância da omissão
§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente Desistência voluntária (DV) e arrependimento eficaz (AE)
devia e podia agir para evitar o resultado. O dever de agir in- Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de pros-
cumbe a quem: CRIMES OMISSIVOS IMPRÓPRIOS seguir na execução (DV) ou impede que o resultado se produ-
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilân- za (AE), só responde pelos atos já praticados. - PONTE DE OURO
cia;
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir Arrependimento posterior
o resultado; Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, ATÉ O
ocorrência do resultado. RECEBIMENTO da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do
agente, a pena será reduzida de 1/3 a 2/3 - PONTE DE PRATA
Art. 14 - Diz-se o crime:
Crime consumado A reparação posterior ao recebimento da denúncia e antes do
I - consumado, quando nele se reúnem todos os elementos julgamento é circunstância atenuante – Art. 65, III, b.
de sua definição legal;
Tentativa
II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma PONTE DE OURO A lei estabelece um tratamento mais
por circunstâncias ALHEIAS À VONTADE do agente. favorável em face da voluntária não
Pena de tentativa produção do resultado; evita-se a
Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, pune-se a consumação do crime. DV e AE.
tentativa com a pena correspondente ao crime consumado, PONTE DE PRATA Institutos que atuam após a consu-
diminuída de 1/3 a 2/3. mação da infração penal, trazendo
um tratamento penal mais benéfi-
PUNIÇÃO DA TENTATIVA co ao agente. Arrependimento Pos-
terior.
TEORIA OBJETIVA/ TEORIA SUBJETIVA/

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MARINA ABUD MOUSSALLEM - 124.308.607-67

PONTE DE DIAMANTE Institutos penais que, depois da I - doloso, quando o agente quis o resultado (TEORIA DA
OU PONTE DE PRATA consumação do crime, podem che- VONTADE) ou assumiu o risco de produzi-lo (TEORIA DO CON-
QUALIFICADA gar até a eliminar a responsabilida- SENTIMENTO);
de penal do agente. Colaboração Crime culposo
Premiada. II - culposo, quando o agente deu causa ao resultado por
imprudência, negligência ou imperícia.
Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei (crime
Crime impossível
culposo só se previsto em lei), ninguém pode ser punido por
Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia ab-
fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente.
soluta do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é
impossível consumar-se o crime.

CRIME IMPOSSÍVEL/QUASE-CRIME/CRIME OCO/


TENTATIVA INIDÔNEA/TENTATIVA INADEQUADA/
TEORIAS DO DOLO
TENTATIVA INÚTIL
TEORIA DA TEORIA DA TEORIA DO
TEORIA TEORIA SUBJETIVA TEORIA OBJETIVA
VONTADE REPRESENTAÇÃO CONSENTIMENTO/
SINTOMÁTICA
ASSENTIMENTO
Com a sua conduta, Sendo a conduta Crime é conduta e
Dolo é a vontade Fala-se em dolo Fala-se em dolo
demonstra o agente subjetivamente resultado. Este con-
consciente de que- sempre que o agen- sempre que o agen-
ser perigoso, razão perfeita (vontade figura dano ou peri-
rer praticar a infra- te tiver a previsão te tiver a previsão
pela qual deve ser consciente de prati- go de dano ao bem
ção penal. do resultado como do resultado como
punido, ainda que o car o delito), deve o jurídico. A execução
Dolo = previsão possível e, ainda as- possível e, ainda as-
crime se mostre im- agente sofrer a deve ser idônea, ou
(consciência) + que- sim, decidir prosse- sim, decide prosse-
possível de ser con- mesma pena comi- seja, trazer a poten-
rer guir com a conduta. guir com a conduta,
sumado. nada à tentativa, cialidade do evento.
OBS: Adotada pelo Dolo = previsão assumindo o risco
Por ter como funda- sendo indiferente os Caso inidônea, te-
CP em relação ao (consciência) + de produzir o even-
mento a periculosi- dados (objetivos) mos configurado o
dolo direto. prosseguir com a to.
dade do agente, relativos à impropri- crime impossível.
conduta Dolo = previsão
esta teoria se relaci- edade do objeto ou O agente não deve
ATENÇÃO: Esta teo- (consciência) +
ona diretamente ineficácia do meio, ser punido porque
ria acaba abrangen- prosseguir com a
com o direito penal ainda quando abso- não causou perigo
do no conceito de conduta assumindo
do autor. lutas. O agente deve aos bens penalmen-
dolo a culpa consci- o risco do evento
ser punido porque te tutelados.
ente. OBS: Esta teoria, di-
revelou vontade de A teoria objetiva
ferente da anterior,
praticar o crime. subdivide-se:
não mais abrange
1) TEORIA OBJETI-
no conceito de dolo
VA PURA: não há
a culpa consciente.
tentativa, mesmo
OBS: Adotada pelo
que a inidoneidade
CP em relação ao
seja relativa, consi-
dolo eventual.
derando-se, neste
caso, que não houve
conduta capaz de Agravação pelo resultado
causar lesão. Art. 19 - Pelo resultado que agrava especialmente a pena,
2) TEORIA OBJETI- só responde o agente que o houver causado ao menos culpo-
VA TEMPERADA samente.
OU INTERMEDIÁ-
RIA: a ineficácia do TEORIAS DA CONDUTA
meio e a impropri-
Idealizada por Von Liszt, Beling, Rad-
edade do objeto
bruch.
devem ser absolu-
Teoria Causalista Início do século XIX.
tas para que não
(Causal-Naturalista/ Marcadas pelos ideais positivistas.
haja punição. Sen-
Clássica/ Naturalísti- Segue o método empregado pelas ciên-
do relativas, pune-
ca/ Mecanicista) cias naturais
se a tentativa. É a
Crime: (Teoria tripartite) - Fato típico
teoria
(conduta), Ilicitude e Culpabilidade
Adotada pelo CP.
Conduta: movimento corporal voluntá-
rio que produz uma modificação no
Súmula 145-STF: Não há crime, quando a preparação do fla- mundo exterior, perceptível pelos senti-
grante pela polícia torna impossível a sua consumação. dos.
Experimentação
Art. 18 - Diz-se o crime: Idealizada por Edmund Mezger.
Crime doloso

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Teoria Neokantista Desenvolvida nas primeiras décadas do CRIME: fato típico (conduta), ilícito e
(causal-valorativa/ século XX. REPROVÁVEL (imputabilidade, poten-
Neoclássica/ Tem base causalista Funcionalismo cial consciência da ilicitude, exigibili-
Normativista) Fundamenta-se em uma visão neoclássi- Teleológico/ dade de conduta diversa e necessidade
ca, marcada pela superação do positi- Dualista/ da pena).
vismo, introduzindo a racionalização do Moderado/ OBS: Roxin busca a reconstrução do Di-
método Da Política Criminal/ reito Penal com base em critérios po-
Valoração Valorativo lítico-criminais.
Conduta: Comportamento humano vo- Missão do Direito Penal: proteção de
luntário causador de um resultado. bens jurídicos. Proteger os valores es-
senciais à convivência social harmônica.
Criada por Hans Welzel.
Conduta: Comportamento humano vo-
Meados do século XX (1930 – 1960).
luntário causador de relevante e intolerá-
Percebe que o dolo e a culpa estavam in-
vel lesão ou perigo de lesão ao bem ju-
seridos no substrato errado (não devem
rídico tutelado.
integrar a culpabilidade).
Teoria Finalista Conduta: Comportamento humano vo- JAKOBS (ESCOLA DE BONN)
(Ôntico-Fenomeno- luntário psiquicamente dirigido a um fim CRIME: fato típico (conduta), ilícito e
lógica) (toda conduta é orientada por um que- culpável (imputabilidade, potencial
rer). consciência da ilicitude e exigibilidade
OBS: Para Welzel, toda consciência é in- de conduta diversa).
tencional. OBS: Para Jakobs, o Direito Penal deve vi-
OBS: Retira do dolo seu elemento nor- sar primordialmente à reafirmação da
mativo (consciência da ilicitude). Funcionalismo norma violada e ao fortalecimento das
OBS: Culpabilidade formada apenas Sistêmico/ expectativas de seus destinatários.
por elementos normativos (potencial Monista/ Missão do Direito Penal: Assegurar a
consciência da ilicitude, exigibilidade Radical vigência do sistema. Está relativamente
de conduta diversa, imputabilidade). vinculada à noção de sistemas sociais
OBS: Dolo normativo (consciência da ili- (Niklas Luhmann).
citude) passa a ser dolo natural/valorati- Conduta: Comportamento humano vo-
vamente neutro (dolo sem consciência luntário causador de um resultado vio-
da ilicitude). lador do sistema, frustrando as expecta-
Dica: supera-se a cegueira do causalismo tivas normativas.
com um finalismo vidente. OBS: Ação é produção de resultado evi-
tável pelo indivíduo (teoria da evitabili-
Desenvolvida por Wessels, tendo como
dade individual).
principal adepto Jescheck.
OBS: O agente é punido porque violou a
A pretensão desta teoria não é substituir
norma e a pena visa reafirmar a norma
as teorias clássica e finalista, mas acres-
violada.
centar-lhes uma nova dimensão, qual
Teoria Social da seja, a relevância social do comporta-
Ação mento. CÓDIGO PROCESSO PENAL
Conduta: Comportamento humano vo-
luntário psiquicamente dirigido a um fim, LIVRO I
socialmente reprovável. DO PROCESSO EM GERAL
OBS: para esta teoria, o dolo e a culpa TÍTULO I
integram o fato típico (finalismo), mas DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
são novamente analisados no juízo da Art. 1o O processo penal reger-se-á, em todo o território bra-
culpabilidade (causalismo). sileiro (PRINCÍPIO DA TERRITORIALIDADE OU LEX FORI), por
Ganham força e espaço na década de este Código, ressalvados:
1970, discutidas com ênfase na Alema- I - os tratados, as convenções e regras de direito interna-
nha. cional;
Funcionalismo Buscam adequar a dogmática penal II - as prerrogativas constitucionais do Presidente da Re-
(Teorias aos fins do Direito Penal. pública, dos ministros de Estado, nos crimes conexos com os do
Funcionalistas) Percebem que o Direito Penal tem neces- Presidente da República, e dos ministros do Supremo Tribunal
sariamente uma missão e que seus insti- Federal, nos crimes de responsabilidade (Constituição, arts. 86,
tutos devem ser compreendidos de acor- 89, § 2o, e 100);
do com essa missão – (edificam o Direito III - os processos da competência da Justiça Militar;
Penal a partir da função que lhe é confe- IV - os processos da competência do tribunal especial
rida). V - os processos por crimes de imprensa (STF não recepcio-
Conclusão: a conduta deve ser com- nou a Lei de Imprensa).
preendida de acordo com a missão con- Parágrafo único. Aplicar-se-á, entretanto, este Código aos
ferida ao direito penal. processos referidos nos nos. IV e V, quando as leis especiais que
os regulam não dispuserem de modo diverso.
ROXIN (ESCOLA DE MUNIQUE)

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Art. 2o A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem § 3o Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da
prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei existência de infração penal em que caiba ação pública poderá,
anterior - “TEMPUS REGIT ACTUM” OU PRINCÍPIO DA IMEDI- verbalmente ou por escrito, comunicá-la à autoridade policial,
ATIDADE. e esta, verificada a procedência das informações, mandará instau-
rar inquérito.
Art. 3o A lei processual penal admitirá interpretação exten- § 4o O inquérito, nos crimes em que a ação pública depen-
siva e aplicação analógica, bem como o suplemento dos prin- der de representação, não poderá sem ela ser iniciado.
cípios gerais de direito. § 5o Nos crimes de ação privada, a autoridade policial so-
mente poderá proceder a inquérito a requerimento de quem
Não há separação das funções de acusar, tenha qualidade para intentá-la.
defender e julgar, que estão concentradas
SISTEMA em uma única pessoa. NOTITIA CRIMINIS
INQUISITORIAL Juiz inquisidor, com ampla iniciativa acusa- (conhecimento do crime pela polícia)
tória e probatória.
ESPONTÂNEA Mediante atividade rotineira da polícia
Princípio da verdade real.
PROVOCADA Quando, por exemplo, o ofendido noticia à
SISTEMA Há separação das funções de acusar, de-
polícia o cometimento do crime
ACUSATÓRIO fender e julgar.
Princípio da busca da verdade. DE COGNIÇÃO Com a prisão em flagrante
ADOTADO NO A gestão da prova recai sobre as partes. COERCITIVA
BRASIL O juiz, durante a instrução processual, tem
INQUALIFICADA Denúncia anônima
certa iniciativa probatória (subsidiariamente)
SISTEMA Há uma fase inquisitorial e uma fase acu- Art. 6o Logo que tiver conhecimento da prática da infra-
MISTO/ satória. ção penal, a autoridade policial deverá:
FRANCÊS I - dirigir-se ao local, providenciando para que não se alte-
rem o estado e conservação das coisas, até a chegada dos pe-
TÍTULO II ritos criminais;
DO INQUÉRITO POLICIAL II - apreender os objetos que tiverem relação com o fato,
Art. 4º A polícia judiciária será exercida pelas autoridades após liberados pelos peritos criminais;
policiais no território de suas respectivas circunscrições e terá por III - colher todas as provas que servirem para o esclareci-
fim a apuração das infrações penais e da sua autoria. mento do fato e suas circunstâncias;
Parágrafo único. A competência definida neste artigo não IV - ouvir o ofendido;
excluirá a de autoridades administrativas, a quem por lei seja co- V - ouvir o indiciado, com observância, no que for aplicável,
metida a mesma função. do disposto no Capítulo III do Título Vll, deste Livro, devendo o
respectivo termo ser assinado por 2 testemunhas que lhe te-
SIGILOSO nham ouvido a leitura;
DISPENSÁVEL VI - proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e a
ESCRITO acareações;
CARACTERÍSTICAS INQUISITORIAL (como regra, não há con- VII - determinar, se for caso, que se proceda a exame de
DO IP traditório ou ampla defesa) corpo de delito e a quaisquer outras perícias;
OFICIAL VIII - ordenar a identificação do indiciado pelo processo da-
OFICIOSO tiloscópico, se possível, e fazer juntar aos autos sua folha de ante-
INDISPONÍVEL (o Delegado não poderá cedentes;
arquivá-lo) Promotores e juízes não podem ser identificados criminalmente,
porque não podem ser indiciados LOMP (art. 41, III) e LOMAN
Art. 5o Nos crimes de ação pública o inquérito policial (art. 33).
será iniciado: IX - averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto
I - de ofício; de vista individual, familiar e social, sua condição econômica, sua
II - mediante requisição da autoridade judiciária ou do atitude e estado de ânimo antes e depois do crime e durante ele,
Ministério Público, ou a requerimento do ofendido ou de e quaisquer outros elementos que contribuírem para a apreciação
quem tiver qualidade para representá-lo (parte da doutrina sus- do seu temperamento e caráter.
tenta a não recepção do inciso, pois violaria o sistema acusatório X - colher informações sobre a existência de filhos, res-
e a garantia da imparcialidade) pectivas idades e se possuem alguma deficiência e o nome e o
§ 1o O requerimento a que se refere o n o II conterá sempre contato de eventual responsável pelos cuidados dos filhos, indica-
que possível: do pela pessoa presa.
a) a narração do fato, com todas as circunstâncias;
b) a individualização do indiciado ou seus sinais característi- Art. 7o Para verificar a possibilidade de haver a infração
cos e as razões de convicção ou de presunção de ser ele o autor sido praticada de determinado modo, a autoridade policial po-
da infração, ou os motivos de impossibilidade de o fazer; derá proceder à reprodução simulada dos fatos, desde que esta
c) a nomeação das testemunhas, com indicação de sua pro- não contrarie a moralidade ou a ordem pública.
fissão e residência.
§ 2o Do despacho que indeferir o requerimento de abertu- Art. 8o Havendo prisão em flagrante, será observado o dis-
ra de inquérito caberá recurso para o chefe de Polícia. posto no Capítulo II do Título IX deste Livro.

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empresas da iniciativa privada, dados e informações cadas-


Art. 9o Todas as peças do inquérito policial serão, num só trais da vítima ou de suspeitos.
processado, reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso, Parágrafo único. A requisição, que será atendida no prazo de 24
rubricadas pela autoridade. horas, conterá:
I - o nome da autoridade requisitante;
Art. 10. O inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias, II - o número do inquérito policial; e
se o indiciado tiver sido preso em flagrante, ou estiver preso pre- III - a identificação da unidade de polícia judiciária responsável
ventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a partir do dia em pela investigação.
que se executar a ordem de prisão, ou no prazo de 30 dias,
quando estiver solto, mediante fiança ou sem ela. Art. 13-B. Se necessário à prevenção e à repressão dos crimes
§ 1o A autoridade fará minucioso relatório do que tiver sido relacionados ao tráfico de pessoas, o membro do Ministério Pú-
apurado e enviará autos ao juiz competente. blico ou o delegado de polícia poderão requisitar, MEDIANTE
§ 2o No relatório poderá a autoridade indicar testemu- AUTORIZAÇÃO JUDICIAL, às empresas prestadoras de serviço
nhas que não tiverem sido inquiridas, mencionando o lugar de telecomunicações e/ou telemática que disponibilizem imedia-
onde possam ser encontradas. tamente os meios técnicos adequados – como sinais, informações
§ 3o Quando o fato for de difícil elucidação, e o indiciado e outros – que permitam a localização da vítima ou dos suspei-
estiver solto, a autoridade poderá requerer ao juiz a devolução tos do delito em curso.
dos autos, para ulteriores diligências, que serão realizadas no § 1o Para os efeitos deste artigo, sinal significa posicionamento da
prazo marcado pelo juiz. estação de cobertura, setorização e intensidade de radiofrequên-
cia.
A autoridade policial não deve esboçar qualquer § 2o Na hipótese de que trata o caput, o sinal:
juízo de valor, ressalvados os crimes de tóxicos, I - não permitirá acesso ao conteúdo da comunicação de qual-
onde ela deverá justificar as razões que a levaram quer natureza, que dependerá de autorização judicial, confor-
à classificação do delito (art. 52, I, Lei 11.343/06) me disposto em lei;
RELATÓRIO II - deverá ser fornecido pela prestadora de telefonia móvel celu-
A autoridade policial sempre irá indicar o tipo lar por período não superior a 30 dias, renovável por uma úni-
penal em que acha incurso o investigado. Isso se ca vez, por igual período;
chama de juízo de subsunção precária, visto III - para períodos superiores àquele de que trata o inciso II,
que o juízo de subsunção próprio cabe ao MP, será necessária a apresentação de ordem judicial.
quando da denúncia. § 3o Na hipótese prevista neste artigo, o inquérito policial deve-
rá ser instaurado no prazo máximo de 72 horas, contado do
PRAZO CONCLUSÃO PRESO SOLTO registro da respectiva ocorrência policial.
§ 4o Não havendo manifestação judicial no prazo de 12 horas,
JUSTIÇA ESTADUAL 10 30 a autoridade competente requisitará às empresas prestadoras
JUSTIÇA FEDERAL 15+15 30 de serviço de telecomunicações e/ou telemática que disponi-
bilizem imediatamente os meios técnicos adequados – como
LEI DE DROGAS 30+30 90+90 sinais, informações e outros – que permitam a localização da víti-
ECONOMIA 10 10 ma ou dos suspeitos do delito em curso, com imediata comunica-
POPULAR ção ao juiz.

PRISÃO TEMPORÁRIA 30+30 NÃO SE Art. 14. O ofendido, ou seu representante legal, e o indicia-
EM CRIMES HEDIONDOS APLICA do poderão requerer qualquer diligência, que será realizada, ou
JUSTIÇA MILITAR 20 40+20 não, a juízo da autoridade.

Art. 15. Se o indiciado for menor, ser-lhe-á nomeado cura-


Art. 11. Os instrumentos do crime, bem como os objetos
dor pela autoridade policial.
que interessarem à prova, acompanharão os autos do inquérito.

Art. 16. O Ministério Público não poderá requerer a devo-


Art. 12. O inquérito policial acompanhará a denúncia ou
lução do inquérito à autoridade policial, senão para novas dili-
queixa, sempre que servir de base a uma ou outra.
gências, imprescindíveis ao oferecimento da denúncia.
Art. 13. Incumbirá ainda à autoridade policial:
Art. 17. A autoridade policial não poderá mandar arquivar
I - fornecer às autoridades judiciárias as informações ne-
autos de inquérito.
cessárias à instrução e julgamento dos processos;
II - realizar as diligências requisitadas pelo juiz ou pelo
Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do inquérito
Ministério Público;
pela autoridade judiciária, por falta de base para a denúncia, a
III - cumprir os mandados de prisão expedidos pelas auto-
autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas, se de
ridades judiciárias;
outras provas tiver notícia.
IV - representar acerca da prisão preventiva.

Art. 13-A. Nos crimes previstos nos arts. 148, 149 e 149-A, É POSSÍVEL
MOTIVO DO ARQUIVAMENTO
no § 3º do art. 158 e no art. 159 do Código Penal, e no art. 239 do DESARQUIVAR?
ECA, o membro do Ministério Público ou o delegado de polícia 1) Insuficiência de provas SIM
poderá requisitar, de quaisquer órgãos do poder público ou de (Súmula 524-STF)

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2) Ausência de pressuposto processual ou SÚMULAS SOBRE IP


SIM
de condição da ação penal
Súmula vinculante 14-STF: É direito do defensor, no interesse
3) Falta de justa causa para a ação penal
do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que,
(não há indícios de autoria ou prova da SIM
já documentados em procedimento investigatório realizado
materialidade)
por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito
4) Atipicidade (fato narrado não é crime) NÃO ao exercício do direito de defesa
5) Existência manifesta de causa STJ: NÃO (REsp Súmula 524-STF: Arquivado o inquérito policial, por despacho
excludente de ilicitude 791471/RJ) do juiz, a requerimento do Promotor de Justiça, não pode a
STF: SIM (HC ação penal ser iniciada, sem novas provas.
125101/SP)
6) Existência manifesta de causa NÃO TÍTULO III
excludente de culpabilidade* (Posição da DA AÇÃO PENAL
doutrina) Art. 24. Nos crimes de ação pública, esta será promovida
7) Existência manifesta de causa extintiva NÃO por denúncia do Ministério Público, mas dependerá, quando a lei
da punibilidade (STJ HC o exigir, de requisição do Ministro da Justiça, ou de representação
307.562/RS) do ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo.
(STF Pet 3943) § 1o No caso de morte do ofendido ou quando declarado
Exceção: certidão ausente por decisão judicial, o direito de representação passará
de óbito falsa ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão. CADI
*Tabela retirada do site [Link] § 2o Seja qual for o crime, quando praticado em detri-
mento do patrimônio ou interesse da União, Estado e Municí-
Art. 19. Nos crimes em que não couber ação pública, os pio, a AÇÃO PENAL SERÁ PÚBLICA.
autos do inquérito serão remetidos ao juízo competente, onde
aguardarão a iniciativa do ofendido ou de seu representante le- Art. 25. A representação será irretratável, DEPOIS DE OFE-
gal, ou serão entregues ao requerente, se o pedir, mediante tras- RECIDA a denúncia.
lado.
CPP LEI MARIA DA PENHA
Art. 20. A autoridade assegurará no inquérito o sigilo ne-
A representação será irretra- Só será admitida a renúncia à
cessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da so-
tável, DEPOIS DE OFERECIDA representação perante o juiz
ciedade.
a denúncia. ANTES DO RECEBIMENTO da
Parágrafo único. Nos atestados de antecedentes que lhe fo-
denúncia
rem solicitados, a autoridade policial não poderá mencionar
quaisquer anotações referentes a instauração de inquérito contra
os requerentes. Art. 26. A ação penal, nas contravenções, será iniciada com
o auto de prisão em flagrante ou por meio de portaria expedi-
Art. 21. A incomunicabilidade do indiciado dependerá sem- da pela autoridade judiciária ou policial.
pre de despacho nos autos e somente será permitida quando o
interesse da sociedade ou a conveniência da investigação o Art. 27. Qualquer pessoa do povo poderá provocar a iniciati-
exigir. va do Ministério Público, nos casos em que caiba a ação pública,
Parágrafo único. A incomunicabilidade, que não excederá fornecendo-lhe, por escrito, informações sobre o fato e a autoria
de 3 dias, será decretada por despacho fundamentado do Juiz, a e indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção.
requerimento da autoridade policial, ou do órgão do Ministério
Público, respeitado, em qualquer hipótese, o disposto no artigo Art. 28. Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apre-
89, inciso III, do Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil sentar a denúncia, requerer o arquivamento do inquérito poli-
cial ou de quaisquer peças de informação, o juiz, no caso de con-
siderar improcedentes as razões invocadas, fará remessa do
A CF/88 não permite a incomunicabilidade do preso nem mes-
inquérito ou peças de informação ao procurador-geral, e este
mo no estado de defesa (art. 136, §3, IV)
oferecerá a denúncia, designará outro órgão do Ministério
Público para oferecê-la, ou insistirá no pedido de arquiva-
Art. 22. No Distrito Federal e nas comarcas em que houver mento, ao qual só então estará o juiz obrigado a atender.
mais de uma circunscrição policial, a autoridade com exercício em
uma delas poderá, nos inquéritos a que esteja procedendo, orde-
ARQUIVAMENTO MP deixa de oferecer a denúncia por
nar diligências em circunscrição de outra, independentemente de
INDIRETO entender que o juízo perante o qual oficia
precatórias ou requisições, e bem assim providenciará, até que
é incompetente.
compareça a autoridade competente, sobre qualquer fato que
ocorra em sua presença, noutra circunscrição. Se o arquivamento partir diretamente do
ARQUIVAMENTO Procurador Geral da República ou do PGJ,
Art. 23. Ao fazer a remessa dos autos do inquérito ao juiz ORIGINÁRIO O TRIBUNAL NÃO PODERÁ INVOCAR O
competente, a autoridade policial oficiará ao Instituto de Identifi- ART. 28 do CPP. Caberá, porém, no
cação e Estatística, ou repartição congênere, mencionando o juízo âmbito federal, recurso administrativo à
a que tiverem sido distribuídos, e os dados relativos à infração Câmara de Coordenação e Revisão.
penal e à pessoa do indiciado.
MP oferece a denúncia em face de apenas
um ou alguns dos crimes nele narrados ou

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ARQUIVAMENTO dos acusados, deixando de oferecer, sem § 1o A representação feita oralmente ou por escrito, sem as-
IMPLÍCITO OU motivo justificado, pelos outros. sinatura devidamente autenticada do ofendido, de seu represen-
TÁCITO STF: O sistema processual penal brasileiro tante legal ou procurador, será reduzida a termo, perante o juiz
não prevê a figura do arquivamento ou autoridade policial, presente o órgão do Ministério Público,
implícito de inquérito policial. quando a este houver sido dirigida.
§ 2o A representação conterá todas as informações que pos-
sam servir à apuração do fato e da autoria.
Art. 29. Será admitida ação privada nos crimes de ação pú-
§ 3o Oferecida ou reduzida a termo a representação, a auto-
blica, se esta não for intentada no prazo legal, cabendo ao Mi-
ridade policial procederá a inquérito, ou, não sendo competente,
nistério Público aditar a queixa, repudiá-la e oferecer denún-
remetê-lo-á à autoridade que o for.
cia substitutiva, intervir em todos os termos do processo, for-
§ 4o A representação, quando feita ao juiz ou perante este
necer elementos de prova, interpor recurso e, a todo tempo,
reduzida a termo, será remetida à autoridade policial para que
no caso de negligência do querelante, retomar a ação como
esta proceda a inquérito.
parte principal.
§ 5o O órgão do Ministério Público dispensará o inquérito,
se com a representação forem oferecidos elementos que o habili-
Art. 30. Ao ofendido ou a quem tenha qualidade para repre-
tem a promover a ação penal, e, neste caso, oferecerá a denúncia
sentá-lo caberá intentar a ação privada.
no prazo de 15 dias.
Art. 31. No caso de morte do ofendido ou quando declara-
Art. 40. Quando, em autos ou papéis de que conhecerem, os
do ausente por decisão judicial, o direito de oferecer queixa ou
juízes ou tribunais verificarem a existência de crime de ação públi-
prosseguir na ação passará ao cônjuge, ascendente, descenden-
ca, remeterão ao Ministério Público as cópias e os documentos
te ou irmão. (CADI)
necessários ao oferecimento da denúncia.
Art. 32. Nos crimes de ação privada, o juiz, a requerimento
Art. 41. A denúncia ou queixa conterá a EXPOSIÇÃO DO
da parte que comprovar a sua pobreza, nomeará advogado para
FATO criminoso, com todas as suas circunstâncias, a QUALIFICA-
promover a ação penal.
ÇÃO DO ACUSADO ou esclarecimentos pelos quais se possa
§ 1o Considerar-se-á pobre a pessoa que não puder prover
identificá-lo, a CLASSIFICAÇÃO do CRIME e, quando necessá-
às despesas do processo, sem privar-se dos recursos indispensá-
rio, o ROL DAS TESTEMUNHAS.
veis ao próprio sustento ou da família.
§ 2o Será prova suficiente de pobreza o atestado da autori-
Art. 42. O Ministério Público NÃO PODERÁ DESISTIR da
dade policial em cuja circunscrição residir o ofendido.
ação penal.
Art. 33. Se o ofendido for menor de 18 anos, ou mental-
Art. 44. A queixa poderá ser dada por procurador com po-
mente enfermo, ou retardado mental, e não tiver representante
deres especiais, devendo constar do instrumento do mandato o
legal, ou colidirem os interesses deste com os daquele, o direito
nome do querelante e a menção do fato criminoso, salvo quando
de queixa poderá ser exercido por curador especial, nomeado,
tais esclarecimentos dependerem de diligências que devem ser
de ofício ou a requerimento do Ministério Público, pelo juiz
previamente requeridas no juízo criminal.
competente para o processo penal.

Art. 45. A queixa, ainda quando a ação penal for privativa


Art. 36. Se comparecer mais de uma pessoa com direito
do ofendido, poderá ser aditada pelo Ministério Público, a
de queixa, terá preferência o cônjuge, e, em seguida, o parente
quem caberá intervir em todos os termos subsequentes do pro-
mais próximo na ordem de enumeração constante do art. 31, po-
cesso.
dendo, entretanto, qualquer delas prosseguir na ação, caso o
querelante desista da instância ou a abandone.
Art. 46. O prazo para oferecimento da denúncia, estando o
réu preso, será de 5 dias, contado da data em que o órgão do
Art. 37. As fundações, associações ou sociedades legalmente
Ministério Público receber os autos do inquérito policial, e de 15
constituídas poderão exercer a ação penal, devendo ser represen-
dias, se o réu estiver solto ou afiançado. No último caso, se hou-
tadas por quem os respectivos contratos ou estatutos designarem
ver devolução do inquérito à autoridade policial (art. 16), contar-
ou, no silêncio destes, pelos seus diretores ou sócios-gerentes.
se-á o prazo da data em que o órgão do Ministério Público rece-
ber novamente os autos.
Art. 38. Salvo disposição em contrário, o ofendido, ou seu
§ 1o Quando o Ministério Público dispensar o inquérito poli-
representante legal, decairá no direito de queixa ou de repre-
cial, o prazo para o oferecimento da denúncia contar-se-á da data
sentação, se não o exercer dentro do prazo de 6 meses, conta-
em que tiver recebido as peças de informações ou a representa-
do do dia em que vier a saber quem é o autor do crime, ou, no
ção
caso do art. 29, do dia em que se esgotar o prazo para o ofereci -
§ 2o O prazo para o aditamento da queixa será de 3 dias,
mento da denúncia.
contado da data em que o órgão do Ministério Público receber os
Parágrafo único. Verificar-se-á a decadência do direito de
autos, e, se este não se pronunciar dentro do tríduo, entender-se-
queixa ou representação, dentro do mesmo prazo, nos casos dos
á que não tem o que aditar, prosseguindo-se nos demais termos
arts. 24, parágrafo único, e 31.
do processo.
Art. 39. O direito de representação poderá ser exercido,
pessoalmente ou por procurador com poderes especiais, me- DENÚNCIA
diante declaração, escrita ou oral, feita ao juiz, ao órgão do Mi- RÉU PRESO RÉU SOLTO
nistério Público, ou à autoridade policial.
5 dias 15 dias

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MARINA ABUD MOUSSALLEM - 124.308.607-67

IV - quando, sendo o querelante pessoa jurídica, esta se


Art. 47. Se o Ministério Público julgar necessários maiores extinguir sem deixar sucessor.
esclarecimentos e documentos complementares ou novos ele-
mentos de convicção, deverá requisitá-los, diretamente, de quais- Art. 61. Em qualquer fase do processo, o juiz, se reconhecer
quer autoridades ou funcionários que devam ou possam fornecê- extinta a punibilidade, deverá declará-lo de ofício.
los. Parágrafo único. No caso de requerimento do Ministério Pú-
blico, do querelante ou do réu, o juiz mandará autuá-lo em apar-
Art. 48. A queixa contra qualquer dos autores do crime tado, ouvirá a parte contrária e, se o julgar conveniente, concede-
obrigará ao processo de todos, e o Ministério Público velará rá o prazo de 5 dias para a prova, proferindo a decisão dentro de
pela sua INDIVISIBILIDADE. 5 dias ou reservando-se para apreciar a matéria na sentença final.

Art. 49. A RENÚNCIA ao exercício do direito de queixa, em Art. 62. No caso de morte do acusado, o juiz somente à
relação a um dos autores do crime, a todos se estenderá. vista da certidão de óbito, e depois de ouvido o Ministério Pú-
blico, declarará extinta a punibilidade.
Art. 50. A renúncia expressa constará de declaração assinada
pelo ofendido, por seu representante legal ou procurador com AÇÃO DE Aplica medida de segurança
poderes especiais. PREVENÇÃO PENAL
Parágrafo único. A renúncia do representante legal do
menor que houver completado 18 anos não privará este do AÇÃO PENAL Processo judicial judicialiforme e
direito de queixa, nem a renúncia do último excluirá o direito EX OFFICIO HC de Ofício
do primeiro. AÇÃO PENAL PÚBLICA Havendo inércia do MP, outro ór-
SUBSIDIÁRIA DA PÚBLICA gão oficial poderia promover a
Art. 51. O PERDÃO concedido a um dos querelados apro- ação penal. Ex; no DL 201, se o
veitará a todos, sem que produza, todavia, efeito em relação MPE for inerte, o MPF pode iniciar
ao que o recusar. a persecução penal.

Art. 53. Se o querelado for mentalmente enfermo ou retar- AÇÃO PENAL INDIRETA MP assume a ação penal privada
dado mental e não tiver representante legal, ou colidirem os inte- subsidiária.
resses deste com os do querelado, a aceitação do perdão caberá Primariamente o crime é processa-
ao curador que o juiz lhe nomear. AÇÃO PENAL do mediante ação privada e, secun-
SECUNDÁRIA dariamente, por ação penal públi-
Art. 55. O perdão poderá ser aceito por procurador com ca. Ex: S714/STF (crimes contra a
poderes especiais. honra de funcionário público)

Art. 56. Aplicar-se-á ao perdão extraprocessual expresso o -MP propõe ação privada, quando
disposto no art. 50. AÇÃO PENAL ADESIVA vislumbrar interesse público
-Conexão entre delitos de ação pe-
Art. 57. A renúncia tácita e o perdão tácito admitirão to- nal pública e ação privada.
dos os meios de prova. AÇÃO PENAL POPULAR HC e crimes de responsabilidade.

Art. 58. Concedido o perdão, mediante declaração expressa


nos autos, o querelado será intimado a dizer, dentro de 3 dias, se SÚMULAS SOBRE AÇÃO PENAL
o aceita, devendo, ao mesmo tempo, ser cientificado de que o STF
seu silêncio importará aceitação.
Parágrafo único. Aceito o perdão, o juiz julgará extinta a pu- Súmula 594-STF: Os direitos de queixa e de representação po-
nibilidade. dem ser exercidos, independentemente, pelo ofendido ou
por seu representante legal.
Art. 59. A aceitação do perdão fora do processo constará de Súmula 714-STF: É concorrente a legitimidade do ofendido,
declaração assinada pelo querelado, por seu representante legal mediante queixa, e do Ministério Público, condicionada à re-
ou procurador com poderes especiais. presentação do ofendido, para a ação penal por crime con-
tra a honra de servidor público em razão do exercício de
Art. 60. Nos casos em que somente se procede mediante suas funções.
queixa, considerar-se-á PEREMPTA a ação penal: STJ
I - quando, iniciada esta, o querelante deixar de promover
o andamento do processo durante 30 dias seguidos; Súmula 234-STJ: A participação de membro do Ministério Pú-
II - quando, falecendo o querelante, ou sobrevindo sua inca- blico na fase investigatória criminal NÃO ACARRETA O SEU IM-
pacidade, não comparecer em juízo, para prosseguir no processo, PEDIMENTO OU SUSPEIÇÃO para o oferecimento da denúncia.
dentro do prazo de 60 dias, qualquer das pessoas a quem cou- Súmula 542-STJ: A ação penal relativa ao crime de lesão cor-
ber fazê-lo, ressalvado o disposto no art. 36 - CADI; poral resultante de violência doméstica contra a mulher é
III - quando o querelante deixar de comparecer, sem moti- pública incondicionada.
vo justificado, a qualquer ato do processo a que deva estar pre-
sente, ou deixar de formular o pedido de condenação nas ale-
gações finais;

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Common questions

Com tecnologia de IA

The Brazilian penal system adapts its legal processes through distinct steps: initiation by public or private action depending on crime nature, provision for legal representation in cases of poverty, prohibition of implicit archives in public suits, and allowance for private action if public action isn't timely. The system ensures due process while adapting legal proceedings to specific offenses and scenarios .

In Brazil, penalty individualization occurs in three stages: legislative, judicial, and execution phases. Legislatively, crimes and penalties are defined abstractly by lawmakers. Judicially, judges tailor penalties concretely during sentencing. Finally, the execution phase guarantees individualization by adjusting the implementation of the sentence to the offender's circumstances, maintaining the outlined sentence within legal boundaries .

The principle of proportionality functions dualistically in the Brazilian penal system. It serves as a safeguard against excessive punishment (negative guarantee) ensuring the individual is protected from State overreach. Simultaneously, it prevents inadequate State intervention (positive guarantee) by ensuring that the State efficiently protects legal goods against harm, maintaining a balance between punitive measures and civil rights .

The Brazilian legal framework, by emphasizing the Penal Law of Fact, prohibits incrimination solely based on personal characteristics such as thoughts, desires, or lifestyle. This system was reaffirmed by the abolition of laws against vagrancy and begging, which previously criminalized people based on their condition rather than specific unlawful acts .

The Brazilian penal system adheres to the principle of personal nature of punishment by ensuring that penalties do not extend beyond the convicted individual. This includes prohibition against collective penalties and ensures that sanctions like property confiscation are only applied to the convicted individual, even if certain obligations might transfer to successors within the limits of transferred assets .

The Brazilian Penal Code application is governed by the principle of legality, which mandates that no one can be compelled to do or refrain from doing something except by law. The code ensures there is no crime or punishment without previous statutory foundation. Several derivatives include the nonexistence of crime or punishment without prior written law, the prohibition of incriminating customs, prohibition against using analogy to create incriminating types (analogy in malam partem), and that laws must be necessary, precise, and not vague .

In the Brazilian penal system, crimes of damage require actual harm to a legal good, such as in homicide. In contrast, crimes of danger involve a risk of harm to a legal good without actual damage. These can be further classified into abstract danger where risk is presumed (e.g., drunk driving), and concrete danger where the risk must be demonstrated for a specific individual (or indeterminate in diffuse danger).

The Brazilian legal system prevents double jeopardy through the prohibition of 'bis in idem', which stops individuals from being punished twice for the same act. A notable exception exists where a penalty served abroad may be considered in Brazil either to mitigate or account for the sentence if the charges are identical .

The Brazilian legal system upholds the presumption of innocence until a criminal conviction is definitively confirmed (transitado em julgado). However, it acknowledges that imprisonment may occur after conviction at the second judicial instance, not violating the principle that maintains innocence until then .

The principle of subjectivity in responsibility asserts that penal liability requires voluntary conduct, meaning the agent's responsibility is contingent on having intent or negligence. It forbids objective liability, which doesn't consider the actor's mental state (intent or negligence). Some exceptions like voluntary intoxication exist, but they are criticized for potentially permitting penal liability without clear intent or negligence .

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