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Entenda a Reconvenção no Processo Judicial

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RECONVENÇÃO

É uma nova ação dentro do mesmo processo.


Além da contestação, o réu poderá valer-se da reconvenção, que dela se
distingue por não constituir um mecanismo de defesa, mas de contra-ataque.
Através da reconvenção, o réu formulará seu próprio pedido contra o autor, o
qual tenha conexão com o fundamento da ação que o autor formulou contra ele.
Enquanto a contestação tem o condão de que o pedido formulado pelo autor
seja negado pelo juiz, a reconvenção formula um novo pedido contra o autor.
A reconvenção é proposta na mesma petição que a contestação, não são
mais feitas duas petições separadas.
A reconvenção é uma nova ação, pois aciona o judiciário a proferir uma
resposta às pretensões formuladas pelo réu. A peculiaridade reside em que não
forma um novo processo. A ação principal e a reconvenção terão um processamento
conjunto e serão julgadas por uma só sentença. Haverá duas ações em um único
processo.

REQUISITOS PARA APRESENTAR RECONVENÇÃO


● CONEXÃO: Existência de conexão entre as causas: não é necessária
identidade de causa de pedir ou pedido, basta um nexo de semelhança em
inicial e reconvenção, não se admitindo que o pedido da reconvenção seja
completamente desconectado do pedido do autor. O art. 343 admite que a
conexão se dê entre a reconvenção e a ação principal, ou entre aquela e os
fundamentos da defesa.
● Existência de processo pendente
● COMPETÊNCIA: Para que caiba reconvenção, é preciso que o mesmo juízo
tenha competência para julgar o pedido principal e o reconvencional. Não
será admitida se o juízo for incompetente para o julgamento da reconvenção,
desde que a incompetência seja absoluta. A relativa não autoriza o
indeferimento da reconvenção, que pressupõe a conexidade, causa de
modificação de competência. Por força da conexidade, o juiz poderá julgar a
ação principal e a reconvencional.
● COMPATIBILIDADE: Como a ação e a reconvenção terão um só processo e
serão julgadas conjuntamente, é preciso que tenham procedimentos
compatíveis. Não cabe reconvenção em procedimento especial, a menos que
este siga pelo comum, com a resposta. Assim, só caberá reconvenção se ela
também seguir o procedimento comum ou procedimento que possa
converter-se nele.

PROCESSOS E PROCEDIMENTOS EM QUE CABE A RECONVENÇÃO

● Jurisdição: A reconvenção é admissível nos processos de jurisdição


contenciosa (existência de um conflito de interesses entre as partes, que
buscam a tutela jurisdicional do Estado para a resolução da controvérsia.),
mas não nos de jurisdição voluntária (não há um conflito de interesses entre
as partes, mas sim a necessidade de um ato estatal para a produção de um
efeito jurídico).
● Procedimentos Especiais: A cabibilidade da reconvenção depende do tipo de
procedimento especial.
○ Procedimentos que se tornam comuns: Nesses casos, a reconvenção
é possível após a apresentação da resposta do réu, como ocorre na
ação monitória.
○ Procedimentos que permanecem especiais: A reconvenção não é
admitida.
● Outras Hipóteses:
○ Embargos de devedor: Não cabe reconvenção.
○ Processos de liquidação: Não cabe reconvenção.
○ Ação rescisória: Cabe reconvenção, desde que a pretensão do réu seja
desconstituir a mesma sentença ou acórdão.
○ Juizados Especiais Cíveis: Não cabe reconvenção, mas é possível o
pedido contraposto.

PROCEDIMENTO DA RECONVENÇÃO

Como funciona a reconvenção?

1. Pedido na contestação: O réu deve apresentar seu pedido reconvencional


junto com a contestação, seguindo as regras gerais da petição inicial
disposto no art. 319 do CPC; (partes, pedido, fatos, fundamentos jurídicos,
etc.).
2. Análise do juiz: O juiz fará um exame de admissibilidade. Se a reconvenção
for recebida, mandará processar a respectiva anotação pelo distribuidor (art.
286, parágrafo único).
3. Prazo para o autor se defender: O autor é intimado para apresentar sua
defesa (contestação) à reconvenção. O prazo para o autor contestar a
reconvenção pode variar de acordo com as regras gerais do processo art.
180, 183 e 229 do CPC (por exemplo, prazo em dobro para a Fazenda Pública).
4. Instrução e julgamento: A ação principal e a reconvenção são julgadas
juntas.

Natureza: A reconvenção tem natureza de ação, gerando os mesmos efeitos de uma


ação comum (como a interrupção da prescrição).

○ A intimação é feita na pessoa do advogado do autor, por meio de


publicação no Diário Oficial: sua natureza é de verdadeira citação,
uma vez que a reconvenção tem natureza de ação e serve para
veicular uma nova pretensão do réu em face do autor.
○ Por isso, ela produz efeitos de citação, como constituir o devedor em
mora, induzir litispendência e fazer litigiosa a coisa. E o despacho que
a ordena interrompe a prescrição.
● Presunção de verdade: Se o autor não contestar a reconvenção e os fatos
dela não forem incompatíveis com a ação principal, haverá uma presunção
de que os fatos alegados na reconvenção são verdadeiros.
● Reconvenções sucessivas: É possível que o autor e o réu façam novas
reconvenções, desde que estejam relacionadas à ação principal.

PRAZO
A reconvenção deve ser apresentada no prazo da contestação, garantindo ao
réu a oportunidade de expor suas próprias pretensões contra o autor.
A lei permite que o réu apresente apenas a reconvenção, sem contestar o
pedido inicial. Nesse caso, o prazo para a reconvenção será o mesmo prazo que
teria para contestar.
Quando o réu apresentar reconvenção, o autor será intimado para que
responda (apresentando contestação à reconvenção) em 15 dias.

AUTONOMIA DA RECONVENÇÃO
Caso o autor desista da sua ação principal, a reconvenção subsistirá, pois ela
é autônoma e independente da principal, ainda que tramitem nos mesmos autos.
O autor pode deixar de apresentar contestação e apresentar apenas a
reconvenção – usando a estratégia de “o ataque é a melhor defesa”.

LITISCONSÓRCIO NA RECONVENÇÃO
O réu pode propor a reconvenção contra o autor e contra um terceiro que não
esteja no processo, trazendo este para a ação apenas no tocante à reconvenção
[litisconsórcio passivo na reconvenção].
Da mesma forma, o réu pode chamar um terceiro que não é parte no
processo para apresentar a reconvenção junto com ele [litisconsórcio ativo].
Esta regra tem o condão de viabilizar a resolução do maior número possível
de litígios no mesmo processo.

SUBSTITUIÇÃO PROCESSUAL
Se o autor for substituto processual do verdadeiro titular do direito pleiteado
na ação principal, o réu proporá a reconvenção também contra o autor na
qualidade de substituto processual.
RECONVENÇÃO SEM CONTESTAÇÃO
O réu pode apresentar reconvenção sem contestar a ação inicial. Entretanto,
caso a reconvenção seja negada pelo juízo, o réu que não apresentou inicialmente
contestação não terá outra possibilidade, tornando-se revel da ação.

PEDIDO CONTRAPOSTO E RECONVENÇÃO


- Na reconvenção o reconvinte alega fatos novos conexos com a ação principal, no
pedido contraposto não cabem fatos novos, são os mesmos fatos narrados na
inicial.
- Na reconvenção há ampliação da cognição judicial objetiva e subjetiva, no pedido
contraposto não há ampliação.
- A reconvenção é ação autônoma, o pedido contraposto é acessório da ação
principal, cabível nos juizados especiais cíveis, nas ações possessórias e
revisional de aluguel.

AÇÕES DÚPLICES
Algumas ações, por força de lei, têm natureza dúplice, pois permitem que o
réu formule pretensões novas em face do autor, sem precisar reconvir. São exemplos
as possessórias, as que correm no Juizado Especial Cível, as de exigir contas e a
renovatória.
Nas ações dúplices, os pedidos formulados na contestação não implicam
nova ação. Haverá uma só e um só processo; porém, tal como ocorre na
reconvenção, os pedidos contrapostos passam a gozar de autonomia, em relação
aos principais: havendo desistência ou extinção, sem resolução de mérito, das
pretensões iniciais, o processo prosseguirá em relação aos pedidos formulados na
contestação.
REVELIA
Ocorre quando o réu é devidamente citado mas não contesta a ação, ou a
contesta de forma intempestiva.
A revelia ocorrerá também se o réu, não tendo contestado, apresentar
alguma exceção processual ou reconvenção tardiamente.
A concretização da revelia ocorre independentemente de requerimento do
autor.

HIPÓTESES DE OCORRÊNCIA DE REVELIA


Ocorre quando o réu é regularmente citado mas:
● Não comparece em juízo em data designada
● Comparece, por meio de advogado e dentro do prazo, mas oferece outra
resposta que não é a contestação.
● Comparece, por meio de advogado, mas contesta fora do prazo legal.
● Comparece, mas sem advogado – há exceção nos Juizados Especiais Cíveis,
em que o advogado não é necessário.
● Comparece, por meio de advogado e dentro do prazo, mas oferece
contestação genérica sem rebater cada um dos pontos alegados pelo autor.
(Lembrando que a não resposta direta pode ser tida como válida se estiver
implícita –razoavelmente– no texto da contestação, e que os defensores
públicos e advogados dativos podem dar resposta genérica se não tiverem
entrado em contato com o réu.)

EFEITOS DA REVELIA
Plano Material
● Presunção de veracidade dos fatos alegados pelo autor.
● A presunção de veracidade é relativa, ou seja, admite prova em contrário.
Caso o réu compareça ao processo em tempo de especificar e produzir
provas, poderá afastar a presunção de veracidade.
● Sendo assim, a revelia não conduz necessariamente à procedência do pedido
do autor, pois esta fica condicionada às provas constantes nos autos. Caso o
juiz ache necessário, e ainda que o réu não peça, poderá determinar a
instrução do feito, ou seja, a produção de provas de ofício.
● A revelia não gera presunção de veracidade em relação às alegações de
Direito, apenas às alegações de fato!
● Quando o réu for citado, isto deve estar expresso no mandado de citação,
bem como notificada pelo oficial a possibilidade de revelia e seus efeitos.

Plano processual
➔ Prazos fluirão a partir da publicação dos atos, bem como existe a
possibilidade de julgamento imediato do pedido do autor.
➔ Todavia, o réu poderá intervir no processo a qualquer tempo, recebendo o
processo do jeito que ele se encontrar.
Art. 346. Os prazos contra o revel que não tenha patrono nos autos fluirão da data de publicação do
ato decisório no órgão oficial.
Parágrafo único. O revel poderá intervir no processo em qualquer fase, recebendo-o no estado em que
se encontrar.

Exceções aos efeitos da revelia


A revelia não produzirá presunção de veracidade se:
1. Existir mais de um réu e algum deles contestar
2. O litígio versar sobre direitos indisponíveis
3. A petição não estiver instruída com instrumento considerado indispensável
pela lei
4. Alegações de fato formuladas pelo autor forem inverossímeis ou em
contradição com prova dos autos

Art. 345. A revelia não produz o efeito mencionado no art. 344 se:
I - havendo pluralidade de réus, algum deles contestar a ação;
II - o litígio versar sobre direitos indisponíveis;
III - a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considere indispensável à
prova do ato;
IV - as alegações de fato formuladas pelo autor forem inverossímeis ou estiverem em contradição com
prova constante dos autos.

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