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Amor e Alianças no Mundo Mafioso

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Érica Maria
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Império

Lívia Morelli, a prometida de


Raul Lombardo – A união era
apenas negócios. Uma ligação
entre duas famílias, o
surgimento de um grande
império. Sentimentos? Eles não
deviam fazer parte do acordo.
*
Capitulo Um
- Casar? – A pergunta viera em tom
surpreso e Lívia fitou os olhos
castanhos de Paul, seu namorado,
com tristeza.
- Sinto muito. – Ela lamentava. Seu
coração estava partido e ela nada
poderia fazer.
- Mais e nós, Liv? – Ele a chamou pelo
costumeiro apelido, aproximou-se
dela com urgência, segurando seu
rosto entre suas grandes mãos. Sim,
eles fizeram planos, casarem-se e
terem filhos, só que isso não seria
mais possível.
- Não terá mais “nós”, Paul. Meu pai...
Ele... ele insiste para que eu me case
– Sim, quando seu pai a chamara no
escritório ontem a noite para lhe dizer
que logo se casaria com Raul
Lombardo, ela ficara chocada.
- Mais... mais não é você quem vive
dizendo que ninguém era capaz de
ditar o que você devia ou não fazer,
até mesmo seu pai – Ele tentava fazê-
la raciocinar, lutar. Liv ressentia-se do
desespero dele, do medo dele de
perde-la, céus, eles se amavam!
- É diferente, Paul – Muito diferente,
mas ela nunca poderia lhe explicar
com detalhes.
O fato era que Lívia Morelli vinha de
uma rica e tradicional família de
mafiosos, uma ampla rede de
inimigos se assomavam ao redor
deles e ela vivia cercada de
segurança, nunca contara a Paul
quem era seu pai, o que ele sabia era
só que seu pai era um homem muito
rico e importante, bom, isso não era
ao todo mentira, o caso era que com
o surgimento de um novo grande
inimigo, muitos estavam se unindo
para formar poderosas alianças e
para que essa aliança não fosse
quebrada eles teriam que se unir em
matrimonio, ou ao seus filhos.
Eles tinham um importante legado
sobre isso: Famílias não se traem.
O fato era que se Lívia não se
casasse, sua irmã mais nova,
Susanna de apenas 17 anos seria a
escolhida, e antes que qualquer coisa
Lívia possuía um grande senso de
amor familiar e ela nunca poderia
deixar que sua irmã se casasse tão
jovem desta maneira e por conta
disso, aceitara, abrindo mão de seu
amor por Paul.
- Escute – Ela segurou as mãos dele
com força, suas unhas grandes e
lindas em francesinha se afundaram
delicadamente na carne de sua mão –
Eu te amo! – Os olhos azuis dela
brilharam ao dizer isso – E nada nem
ninguém vai apagar isso – Ela
afirmava – E foi por isso que eu vim
vê-lo essa noite – Ela mordeu os
lábios – Para deixar para sempre, meu
coração com você – Ela baixou os
olhos, seus cílios grande e negros
cobrindo seus olhos, Paul a fitou com
ansiedade.
Ela havia ido no meio da noite até o
pequeno apartamento dele – Paul
trabalhava como fotografo e vivia em
um pequeno apartamento perto do
mar, ele dizia que o mar costumava
acalmá-lo.
- O que quer dizer, Liv? – Ele
perguntou com a voz seca e o
coração batendo rápido. Ela afastou-
se um pouco dele e soltou os cabelos
negros e brilhantes presos em um
rabo de cavalo, caindo como cascatas
enroladas em suas costas.
Ela abriu devagar o sobretudo preto
que usava e o deixou cair no chão –
Os olhos castanhos de Paul
escureceram quando ele fitou o corpo
esbelto vestindo uma camisola de
seda vermelha com fenda em ambos
os lados em pano de renda. No
pescoço ela tinha uma gargantilha em
veludo da mesma cor da camisola, o
salto alto preto apenas completava o
look sexy.
- Tem certeza disso, Liv? – Ele
perguntou.
- Absoluta, Paul. Eu quero ser sua,
para sempre – Sim, seria para
sempre, pois o primeiro amor e o
primeiro homem jamais se esquece.
Ela se tornaria mulher com o homem
de sua vida.
Paul avançou para ela, a puxou
delicadamente pela cintura e a beijou
– Lívia estremeceu quando as mãos
dele tocaram a parte nua de seu
corpo, por baixo da camisola, ela
envolveu o pescoço dele em um
abraço e se entregou.

- Vamos dorminhoca, acorde – Maria,


uma simpática senhora governanta,
que vira Liv e seus irmãos crescerem
abriu as janelas do quarto dela. Lívia
apertou os olhos para a claridade que
invadiu o quarto.
- Nossa Máh, isso são jeitos de acorda
sua princesa? - Ela reclamou em tom
brincalhão. Estava de muito bom
humor e nada iria zangá-la, passara a
melhor noite de sua vida com Paul e
jamais iria se esquecer, seria seu
precioso tesouro.
- Hum, sonhou com o passarinho? –
Perguntou Maria fitando o sorriso
brilhante da jovem, a fitou com
curiosidade.
- Muito melhor – Liv saiu da cama,
beijou as bochechas da mulher e se
fechou no banheiro. Maria apenas
sorriu.
- Esses jovens – E foi arrumar a cama.
Assim que tomou banho vestiu um
vestido florido tomara que caia de
corte solto e calçou sandália
havaianas, desceu para se unir aos
pais e a irmã ao café, visto que
Amadeo, seu irmão mais velho havia
viajado com a esposa por algumas
semanas.
- Bom dia – Ela desejou sorridente,
dando um beijo na bochecha do pai,
da mãe e até da irmã caçula, que
limpou o rosto logo em seguida.
- Vejo que está de bom humor
querida – Comentou Susana, a anfitriã
da família.
- Apenas estou feliz, mamãe – Ela
sentou-se e serviu de torradas com
geleia.
- Que ótimo. Hoje a noite Raul vira
com o avô aqui fechar o negocio –
Comentou Emanuel de forma casual,
lendo seu costumeiro jornal da
manhã. Liv estremeceu mas não se
deixou abalar.
- Precisam que eu esteja presente? –
Ela perguntou, bebendo um pouco de
leite quente.
- Seria bom – Respondeu por fim. Liv
apenas assentiu.
Assim que terminaram o café
Emanuel se trancou no escritório e
Susana foi até a cozinha dizer o que
deveriam preparar para o jantar a
noite.
- Francamente – Liv fitou a irmã mais
nova, tão vivida com os cabelos
loiros, cacheados como de anjo e
lindos olhos azuis, puxara a beleza de
Susana, a mãe delas. Maya era tão
desaforada quanto Liv. – Onde está
com a cabeça por aceitar um negocio
desses? – A opinião de Maya sobre o
casamento arranjado já era de
conhecimento de Liv.
- Já falamos sobre isso – Liv tratou de
procurar encerrar o assunto.
- Será infeliz – Ela lhe dizia sem
nenhum pingo de remorso – Jamais
poderá amar um homem que não
escolheu, Liv – A lamentação em seu
tom de voz fazia doer o coração de
Lívia.
- Não se preocupe comigo – Tratou de
dizer. Maya apenas balançou a
cabeça de forma negativa.
- O que Paul acha disso tudo? – Quis
saber, a menção do nome do homem
que amava fez o coração de Liv dar
uma fraca batida.
- Ele entendeu – Procurou não dar
detalhes.
- Entendeu? – Maya a olhou chocada –
E simplesmente aceitou... Não se
devia lutar pela mulher que ama? –
Maya fantasiava muito sobre
príncipes encantados e finais felizes e
Liv queria poder dar isso a irmã, um
príncipe, um homem de sua escolha,
ela merecia isso. Lívia já tivera seu
amor, sabia o que era amar e se
amada, estava indo se casar com um
homem de quem não gostava, porém
já experimentara o amor... Sua irmã
por outro lado ainda não sabia o que
era isso, a sensação de voar nos céus
e Liv não seria egoísta a ponto de
tirar isso dela.
- Não se pode lutar contra Emanuel
Morelli, você mais que ninguém devia
saber disso – Oh sim, ambas sabiam
do que o pai delas era capaz.
- Podiam fugir juntos, mudar os
nomes as aparências... Tudo, menos
casar com alguém de quem não ama
– Insistia. Liv sorriu para a irmã.
- Ficarei bem – Afirmou.
- Sempre diz isso. – Ela fez bico.
- Além do mais... Posso chegar a amar
meu futuro marido – Ela dizia,
tentando amenizar as coisas, Maya a
fitou como se não acreditasse.
- Vê nosso irmão, casou-se por
negócios com Jade e são apaixonados
um pelo outro.
- Não contam. Jade e Amadeo se
conhecem desde pequenos, eram
amigos e agora são casados... São
uniram o útil ao agradável – Ela deu
de ombros – Eu nunca vou aceitar me
casar sem amor... Papai que me mate
se quiser – ela cruzou os braços. Liv
sorriu, oh sim, ela teria opção de
escolha, pois foi esse o acordo que
fizera com Emanuel Morelli, ela se
casava, e deixava que Maya vivesse
suas próprias escolhas – Emanuel não
era burro e sabia que teria mais a
ganhar aceitando os termos de Liv, do
que perder.
- De qualquer forma só quero vê-la
feliz – Afirmou Liv para a irmã, Maya a
fitou e levantou-se para lhe abraçar.
O laço familiar sempre falaria mais
alto entre os irmãos, sempre.

A noite chegara rápido e Liv colocou


um vestido coral com renda na parte
dos seios, amarrando no pescoço,
com corte ´V´, colocou um salto prata
e deixou os cabelos escovados soltos
ao vento, nos olhos apenas um lápis
preto realçando seus grandes olhos
azuis.
- Boa noite, podem entrar – Maria
encaminhou os convidados, Demétrio
e Raul Lombardo para a sala de
visitas, onde Emanuel os
cumprimentou e mandou que
servissem uísque.
- A muito tempo não a vejo. Está
muito bela, Lívia, se tornou uma
grande mulher – Elogiou Demétrio ao
vê-la. Liv sorriu de forma ambígua ao
escutar a palavra mulher, ah se ele
soubesse.
- Obrigada, senhor Demétrio, vejo
também que está muito bem apesar
da idade – Com um sorriso ensaiado,
Liv escutou quando Maya prendeu o
riso. Então os olhos dela se viraram
para Raul que a avaliava de cima a
baixo como se fosse um pedaço de
carne.
Já o vira muitas vezes em eventos e
também em revistas famosas, a julgar
pela vida dupla que levava, como
empresário e grande mafioso - Raul
era belo, muito belo, tinha a pele
dourada pelo sol, olhos cinza com céu
nublado e cabelos castanhos claros –
Tinha braços fortes, sinal de muita
malhação, assim como um corpo de
dar inveja a qualquer homem.
- Olá – Ela o cumprimentou erguendo
a taça de vinho em direção a ele,
exibindo um sorriso provocador, ele
apenas arqueou a sobrancelha direita
para ela e assentiu ao cumprimento.
A música clássica tocava baixo para
harmonizar o ambiente e não
demorou muito para servirem a janta
– Os homens falavam de negócios e
as demais mulher apenas escutavam,
sem muito assunto.
Quando por fim terminaram o jantar,
Emanuel chamou Demétrio ao
escritório e afim de unir o futuro casal
pediu que Liv mostrasse os jardins a
Raul – Piegas, foi o pensamento dela.
Obedecendo a ordem do pai, ela
caminhou com Raul atrás de si para
os jardins.
Liv suspirou de prazer quando sentiu
o ar frio da noite bater em sua pele
quente – O cheiro de grama molhada
invadiu suas narinas e ela lembrou-se
de Paul, ela e ele debaixo da Lua.
- Não parece estar aqui – A voz grossa
de Raul soou ao seu lado, ela voltou
do transe ao notar que não estava
sozinha.
- Perdão, apenas me distrai – Ele
sorriu de canto.
- Tudo bem, geralmente não sou
esquecido tão fácil mais posso me
acostumar – Ele foi irônico. Liv sorriu
de canto.
- Tenho certeza de que vai – Ela
também ironizou, devolvendo a
cutucada dele na mesma moeda. –
Afinal, não pretendo consumar nosso
casamento – Ela foi direto ao ponto.
Pertencia a Paul e só iria pertencer a
ele, a mais ninguém.
Raul estreitou os olhos para ela –
Bastante direta – O tom de voz dele
sugerira elogio – Tenho certeza de
que muitas mulheres gostarão de
fazer o seu papel – Ele respondeu a
ela. Liv entendera o recado, ele tinha
amantes e as procuraria para se
satisfazer, não iria força-la a algo que
não queria – Porém quando quiser
que eu faça o meu papel, é só me
dizer. – Liv o fitou sem entender.
- Acha que eu vou procura-lo? – Ela
perguntou. Raul estreitou os olhos
brilhantes para ela.
- Você não quer ir para cama comigo,
tudo bem, irei respeitá-la por isso,
não está faltando mulher no mundo
para que eu a force a algo que não
quer – Liv estremeceu ao escutar a
palavra ‘forçar’, isto não havia
passado pela sua cabeça, que ele
poderia exigir isto dela. – Porém não
irei tolerar infidelidade. – Ele
aproximou-se dele, e estendeu a mão
para alisar delicadamente o rosto
dela, a pele suave como pêssego se
arrepiou diante do toque do
desconhecido. Liv afastou e riu, ela
riu alto.
Raul a fitou, paciente – Você é um
hipócrita – Ela enfim disse, seus olhos
brilhando de raiva. – Quer que eu lhe
seja fiel mas me diz que irá procurar
mulheres que podem fazer aquilo que
eu não quero – Ela disse com raiva.
- Há uma grande diferença no que
você diz... Você me disse que não se
deitara comigo, escolha sua, não
minha e acha mesmo que irei me
manter celibatário? – Ele perguntou
em tom debochado – Eu já disse,
quando se sentir insatisfeita estarei
disponível para você, meu bem,
diferente de você. Então sim, não irei
tolerar infidelidade de sua parte –
Afirmou duramente. Ela aproximou-se
dele, o queixo empinado em desafio.
- E fará o que? – Ela provocou. Sem se
abalar Raul a encarou
- Eu mato você e seu amante – O tom
de voz, o olhar, nada deixava duvidas
de que era isso mesmo o que ele
faria.

A semana passou muito rápido, o


acordo de casamento fora fechado e
a festa seria em duas semanas – A
mansão estava em algazarra mas Liv
não se sentia no espirito, ficava a
maior parte do tempo no quarto,
lendo livros, até que seu pai se
enfureceu.
- Não pode demonstrar o mínimo de
interesse no seu casamento? –
Emanuel a fitou com raiva assim que
a chamou no escritório, Susana
estava ao lado do marido tentando
acalmá-lo.
- Meu casamento? Meu? É o seu
casamento, papai, seus negócios eu
sou só um meio – Liv respondeu de
forma mal criada. Estava farta de
tudo aquilo, sentia falta de Paul, de
seus beijos e abraços – Eu apenas
concordei em fazer parte desta farsa.
– Ela cruzou os braços.
- Não há farsas aqui, Liv, apenas um
casamento que irá unir duas grandes
famílias – Ele dizia, muito bravo – Algo
que irá beneficiar a todos.
- Todos?! – Ela gritou sem paciência –
O único beneficiado é você e seus
negócios... Eu não sou nenhuma
beneficiada aqui, eu sou um ser
humano que devia ter o direito de
fazer minhas próprias escolhas, de
escolher o meu homem – Ela dizia
com lagrimas nos olhos. Os últimos
dias tem sido frustrantes.
- Raul é um bom homem, Liv ele- - Ela
gargalhou.
- Raul é um bom homem – Ela repetiu
a fala do pai em tom de deboche.
Susana fitou a filha de forma aflita. –
O que me interessa que ele é um bom
homem, papai, se eu não o amo! – Ela
gritava – Eu não amo aquele homem!
- Poderá vir a amá-lo, filha – Dizia
Susana tentando amenizar o clima –
Assim como seu irmão ama Jade,
assim como eu... Amo seu pai – Ela
hesitou na ultima frase.
Liv balançou a cabeça de forma
negativa – Eu amo outro homem – O
rosto serio e endurecido fitaram os
olhos castanhos escuros do pai,
Emanuel a fitou com os olhos
estreitos.
- O que disse? – Ele perguntou, baixo
e feroz, caminhando em direção a ela,
Susana foi atrás.
Liv empinou o queixo em direção a
ele – Eu disse que eu amo outro
homem e se não fosse por toda essa
farsa, senão fosse por minha irmã eu
teria ido embora com ele e deixado
toda essa imundice para trás – O tapa
veio forte e sem aviso, Liv foi ao chão
e os olhos encherem-se de lagrimas,
mas ela não as derramou. Ela ergueu
o rosto para ele, os olhos brilhando de
fúria.
- Liv, Liv por favor pare com isso –
Susane suplicava, indo até ela e lhe
ajudando a levantar. Liv tinha a mão
na parte do rosto estapeado.
- Isto – Ela o encarou com ódio – Não
vai mudar o que eu disse, o que eu
sou e o que eu sinto! – Ela gritou para
o pai, batendo em seu próprio peito –
Esse seu mundo de negócios ele
destrói a todos a sua volta... E um dia
irá destruir você – E ao dizer isso
soltou-se do abraço da mãe e saiu,
batendo a porta.
Emanuel bateu na mesa varias vezes
com raiva e Susana encolheu-se em
cada batida – Que bagunça.

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